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domingo, 3 de julho de 2011

O APRENDIZ E O MESTRE - K ENTRE NÓS

Ir∴ Marco Antônio Nunes – Florianópolis – SC
M∴M∴ da ARLS “Fraternidade Catarinense” nº 9 – GOSC


Sem o que fazer, vagava o Mestre despreocupadamente por entre a obra e deparou-se com um aprendiz que, concentrado examinava uma pedra ainda não totalmente desbastada. Querendo mostrar sua força e autoridade, dirigiu-se ao obreiro:

- Aprendiz, sua pedra não está devidamente desbastada. Acaso pensas em dá-la como acabada?
- Mas, Mestre, essa pedra...
- Não negligencies nas tuas tarefas se almejas, um dia, chegar onde hoje eu estou. Não penses que o Mestrado é conseguido sem sacrifícios e pouco trabalho.
- Mas, Mestre, eu...
- Não me parece que os ensinamentos tenham sido bem assimilados. Veja o estado em que se encontra esta pedra. Toda disforme e cheia de imperfeições. Já imaginastes as conseqüências que acarretaria o seu assentamento na obra? Por cento que não irá se encaixar convenientemente e além disso, colocaria em risco o próprio andamento da construção.
- Mestre, eu gostaria de...
- ... não me interrompas enquanto falo. Um aprendiz deve saber comportar-se diante do Mestre. Não estou gostando do seu comportamento e nem do seu jeito desleixado de trabalhar. Olhe só este avental, todo sujo; estas ferramentas, em péssimo estado de conservação! Bem diferente do seu Mestre! Veja meus paramentos, imaculados, meus utensílios de trabalho perfeitamente conservados, como novos. Não lhe serve de lição ver tão gritante comparação? Acaso não lhe sirvo de exemplo? Mas vamos deixar de conversa! Trate de trabalhar que o tempo é curto. Como castigo, para deixares de ser tão negligente, deverás terminar o desbaste desta pedra, mesmo no seu período de descanso!
- Mas, Mestre, eu gostaria de explicar-lhe que...
- Não irei perder mais meu tempo com você! Trate de fazer o que determinei e fim de conversa!

Afastando-se, o Mestre sai satisfeito e orgulhoso por ter sido severo e de ter tido a oportunidade de praticar e ter demonstrado a sua autoridade, deixando o Aprendiz imerso em seus pensamentos.

- Puxa vida! Eu queria explicar ao Mestre que esta pedra está aqui desde quando ele era aprendiz, que na pressa e na preocupação de ser elevado e exaltado, não a desbastou convenientemente. Todas as minhas pedras foram aproveitadas na obra, razão pela qual meu avental está sujo e meus utensílios desgastados pelo uso. Além disso, estou no meu horário de descanso e aproveitava o tempo para concluir o desbaste desta pedra que aqui está desde a elevação do Mestre e a sua posterior exaltação, mas ele sequer deixou-me explicar. Deixa pra lá! O Mestre deve ter suas razões e deve estar muito preocupado com os seus afazeres por ser tão importante na obra. O melhor mesmo é eu terminar esta pedra e deixa-la pronta para o polimento, antes que chegue a meia- noite.

Assim são determinados “Mestres” que alcançam os mais elevados cargos e honrarias e não sabem ou esqueceram a mais elementar das virtudes: a humildade.

A questão aqui posta não é propriamente a ausência da humildade, mas a falta de critérios sérios e responsáveis para a escolha e seleção de profanos por parte de muitos “padrinhos” que só almejam satisfazer conveniências.

Aquele velho amigo e companheiro de farras, o colega de trabalho, o “doutor” ou empresário bem sucedido na vida e na profissão, que, muitas vezes e por coincidência é o chefe ou superior, geralmente são os candidatos mais potencializados ao apadrinhamento a um mal sucedido engajamento à Maçonaria.

Por essa razão, convivemos com um sem número de “mestres” perambulando pelas lojas à cata de um momento de glória, utilizando os irmãos como escadas visando o aplauso da platéia. E para eles, sempre haverá uma platéia, assim como sempre haverá quem sirva de escada.

Fonte: JBNews - Informativo nº 309 - 03 de Julho de 2011

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