Espedicto Ortega
E
ritualística a saudação ao cruzar o eixo da Loja? A quem, saúda, o Venerável
(?) ou o Delta Luminoso? Se resposta houvesse, esta poderia ser a de que “Não
existe eixo da loja e sim a hipotética linha do Equador”. Se o eixo existe,
teria de ser no sentido norte-sul ligando os dois polos pois o piso da oficina
se configuraria como a superfície da terra. Ao que se saiba nem na Europa nem
nos EEUU se saúda coisa alguma nessa linha central o que tira a condição de se
dizer que a saudação pertence ao Rito Escocês Antigo e Aceito. No entanto,
existindo esse uso no Brasil ele tem de ter norma ritualística. Assim, é apenas
de se lamentar que o nosso ritual (GLESP) seja omisso quanto a quem se deva
saudar, se ao Venerável Mestre, ou – como apregoam alguns autores – ao Delta
Luminoso. Baseado na ortodoxia maçônica da Grande Loja Unida da Inglaterra onde
não existe o delta Sagrado, lá, na iniciação, a exemplo daqui, a saudação é
feita ao Venerável Mestre não quando do giro no cruzamento do Esquadro da Loja,
mas sim na entrada ritualística, ensinamento esse que é feito de imediato após
a iniciação (lá não se gira, se esquadreja). Aliás é lógico que a saudação não
seja feita a figura do Venerável e sim a aquilo que ele evoca, qual seja a luz
do Saber no Homem como Extensão já que o seu Princípio se supõe divino.
O
fato da saudação não poder ser ao Delta é justificável por não haver o sentido
cultural religioso numa sessão maçônica. O valor de um símbolo da Onipresença
Divina, é poder representar Estar em Deus em todo lugar em mesmo tempo. O Olho que tudo Vê, é o símbolo
dessa evocação, e não pode ser confundido com a figura de um totem, que
particulariza a presença de um Deus em lugar específico numa também específica
ocasião.
Dizer
que o Delta luminoso representa a presença do Grande Arquiteto do Universo na
Loja, seria o mesmo que retirar desse símbolo o seu simples “Evocar”
transformando-o num tótem, símbolo místico que (voltamos a repetir)
particulariza a presença de Deus ou Deuses, em um específico lugar uma
específica ocasião. Isto como orientação ritualística redundaria em duplo erro:
primeiro pela falsa interpretação e segundo, pela indução a outros de errarem.
O
nosso Ritual não é um Culto Místico Religioso e sim um Culto Simbólico Místico
Evocativo, invalidando a afirmação de que o Delta representa a presença
específica de Deus no Templo. A representação da Onipresença como um atributo
de Deus e aceita como verdade, quer Deisticamente pela Razão, ou Teisticamente
pela Fé, onde Deus intrinsecamente está em tudo, pode ser evocada pelo “Olho
que tudo vê”.
Este
é um símbolo de origem Hinduista quando dentro de um triângulo ou Egipciano,
quando, exposto como um olho livre = Olho de Isis. Veio para a nossa Ordem pela
vertente francesa. O que não se pode é adotar a interpretação acima pelo Delta
hebraico com Yod no centro, um símbolo provindo da vertente inglesa. O
Tetragrama tenta mostrar Deus como Princípio e Extensão da Obra manifestada.
Junto, estes símbolos chocam-se pela providência porém, filosoficamente
equivalem-se, numa visão Panteísta.
Na
primeira instrução de Aprendiz, (Ritual da GLESP), em se prestando bastante
atenção, verificar-se-á que nós somos ao mesmo tempo, o Aprendiz, a Pedra
Bruta, o Venerável, o 1º e o 2º Vigilantes e estamos trabalhando em nós mesmos.
Da maneira antológica,
no que saudamos o Venerável Mestre, estamos nos saudando pela posse e
continuidade da Luz que Evocamos.
Numa
visão do Humanismo, em colocação “antropocêntrica”, imagina-se que, se existe
Criação é porque existe o Criador. Uma grandiosa Obra da Criação, o Sol tem a
Luz imanente em si mesmo. A Luz é uma prova complementar da existência dessa
luz pelo seu “refletir e não pela sua criação e posse”.
A
consciência do Homem, por analogia, do que foi dito entre o Sol e a Lua, é o
reflexo da existência de Deus e da sua divina Luz de onde emana a Sabedoria. Na
alegoria existente na Loja, se estendermos uma linha ligando o Sol à Luz
teremos uma horizontal. Se ligarmos o Olho do Delta (Deus, uma Idéia abstrata)
à figura do Venerável (o Homem – figura concreta), teremos não somente uma
vertical ativa fecundando uma horizontal passiva (eterno dual da Obra
manifestada), como completaremos uma Cruz dentro de um maravilhoso simbolismo
onde a Idéia se transforma em realidade, nela se manifestando o saber de Deus
através do Homem.
O
Cartesiano “Penso, Logo Existo” mostrará que quem tem essa Luz é somente o
Homem, a maior Obra do Criador. Eis uma razão bem forte para a saudação ser o
Venerável naquilo que ele EVOCA, a Luz da Sabedoria cujo princípio provém do
Alto e do qual somente o Homem aqui em baixo, tem consciência e é dela sua
continuidade.
Meditemos!
Ir∴ Espedicto Ortega – ARLS Delta do Limão 445 – São Paulo – Revista O
Painel/Agosto 98, p. 29.
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