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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

segunda-feira, 25 de julho de 2011

INÍCIO DE UMA NOVA VIDA

Ir∴ Alexsandro Luiz de Castro
A.R.L.S. “Verdade e Justiça” Nº 3.829-GOEMG-GOB 

Agora, que estou prestes a alcançar meu primeiro aniversário de minha iniciação, tenho indagado meu coração se valeu à pena ingressar na instituição maçônica.

Em primeiro lugar é priori para mim fazer um exame de consciência para verificar o que eu era antes de ser iniciado e o que sou hoje. E esse exame é realmente necessário, uma vez que ao entrar na câmara de reflexão eu estava nas proximidades de meus trinta e oito anos de idade, sendo os últimos quinze anos já residindo nesta cidade. A qual constitui minha nova família.

Sabia, portanto, o que eu ia fazer e me perguntava qual a razão de não ter ingressado antes na sublime instituição, pois nada acontece por acaso. Hoje tenho consciência de que foi melhor que acontecesse da maneira como aconteceu. Depois de um ano, dou um excepcional valor no fato de que a iniciação começa com a entrada do candidato na câmara de reflexão. Antes de tudo, a câmara de reflexão surgiu diante de meus olhos como um lugar assombroso, hoje tenho ela como algo de extraordinário valor simbólico. Em meu entender, nada existe de mais importante na simbologia maçônica do que a câmara de reflexão. É ali que se inicia a vida maçônica. É ali, que o iniciado passa pela primeira prova a da terra e só depois de passar por essa prova é que se desenrolará toda a vida maçônica do candidato.

Em meu entender, quando o candidato é introduzido naquele recinto deve-se-lher alertar para que preste bastante atenção, observando tudo o que ali se encontra. Isso fará com que, quando lhe for perguntado sobre o que observou ou pensou quando estava na câmara de reflexão,ele, certamente terá o que dizer e não ficará atônito sem saber o que responder. Sem dúvida alguma é ali, na câmara de reflexão, que o ato iniciático tem seu inicio.

Na ocasião, muita coisa me passou despercebido porque não pude manter intacta a atenção, por não saber por que me colocaram ali naquele lugar, por não saber o que ia acontecer comigo. Tudo era dúvida. Tudo era surpresa, vindas do desconhecido. São tantas as inscrições distribuídas por aquelas paredes negras, são tantos objetos postos diante de nós, que uma confusão enorme se estabelece em nosso espírito. Não sabe o que se pensar. Existe sim, a certeza que algo de novo começa a acontecer. Ali naquela escura caverna nada há que não se revista de grande seriedade. Se a caveira e a ampulheta nos põem diante dos olhos a lembrança de que a vida passa e que a morte chega, o galo nos traz à lembrança que ele é o verdadeiro relógio a marcar os minutos do início de um novo dia. Passado este tempo desde minha iniciação pude ver que cresceu em mim a certeza de que o galo ali está como símbolo de despertar de uma nova consciência de vida, e muito mais que isto, o início de uma nova vida, uma espécie de ressurreição com vistas a um aprimoramento tanto intelectual quanto espiritual.

E logo meu pensamento se voltou para um outro ângulo da verdade: estava sendo introduzido em algo que não podia ainda atinar o que seria mais com certeza de que esse algo era muito importante.

Um copo d‟água, um pedaço de pão, Nada nos sugerem?

O enxofre, este nos lembra a alquimia, lembra-nos a “tria prima” de Paracelso. Imediatamente nos vem à mente o trio fundamental, quando se juntam o mercúrio e o sal.

E aquelas letras brancas, enfeitando o negro da parede “V.I.T.R.I.O.L.” Quando direcionei o olhar sobre elas não consegui atinar seu significado. Qual a razão de elas ali estar, se era possível que eu pudesse alcançar sua significação naquele momento. Jamais me passou pela mente que aquelas letras fossem as iniciais das palavras que compõem uma frase latina do mais alto significado filosófico. É de meu entender que, talvez, na iniciação, nada exista que supere a seriedade e, mesmo, a grandiosidade da câmara de reflexão.

Nada enxergando com meus olhos vendados, pude voltar meus pensamentos para meu interior. Muitas coisas passam pela nossa mente e vemos a lembrança do passado. Nem tudo do nosso passado pode ser revelado. Quantos erros, quantas ações que nos envergonham... Mas há também aquelas ações de que nos orgulhamos. Se, no passado, teve momentos de alegria, de felicidade até, momentos houve de tristezas e de lágrimas.

Tinham-me pedido uma série de documentos que provasse minha honestidade. É claro que tais documentos mostraram que eu era um homem direito, sem acertos de contas com a justiça. Mas e meu interior? Quantos acertos de conta tive que fazer comigo mesmo...

Ainda com meus olhos vendados e com aquele pé descalço, não era fácil meu caminhar, pelas diversas viagens da qual eu era submetido. Mas era conduzido por um futuro irmão, que a cada novo passo me tornava mais confiante, e o certo que eu viria depois que tudo aquilo tinha uma razão de ser.

O caminhar pela estrada da filosofia maçônica não é fácil. É necessário ter muita força de vontade. É preciso estudar, é preciso estar atento às palavras dos mestres, a fim de que nada passe despercebido ao nosso interesse de crescer tanto espiritual quanto moralmente. O desbaste da pedra bruta tem que ser feito com muita atenção. Porque o nosso maior inimigo é o nosso próprio ego.

A iniciação tem o sentido exato do radical da palavra. É preciso começar, é um nascer de novo, um renascer de esperanças novas, em busca da grande verdade.

Para ser um iniciado, nós devemos ser livres e de bons costumes. Livre, sim, porque muitos homens são escravos de si próprios, sem força para abandonarem seus vícios, sem a visão de suas próprias fraquezas, amarrados a uma vaidade tola, esquecidos de que tudo passa e só a virtude é digna de morar na alma do homem.

A maçonaria está atenta a tudo a que possa prejudicar o desempenho do homem iniciado sobre a terra. Para ser iniciado, o indivíduo precisa provar que age corretamente no dia-a-dia de sua vida no mundo profano. Temos ainda que nos lembrar de algo também muito importante é que, quando nos apresentamos para passar pelas provas iniciáticas, nós somos despojados de todos os metais. Alguns chegam a afirmar que os metais são impuros, daí que o neófito não pode portá-los durante a cerimônia de iniciação. É certo que vários e muitos são os motivos e as razões que levaram a sublime instituição a adotar esse tipo de rigorosa proibição. Talvez seja para alertar o iniciado que ele deve dominar a si mesmo quando aparecerem desejos de enriquecimento fácil. Pode ainda simbolizar o abandono de toda e qualquer paixão, de toda e qualquer superstição.

E quando recebemos a LUZ? Ai passamos a ocupar o topo da coluna do norte, onde a claridade é quase inexistente. Ai começa nossa caminhada maçônica, procurando limpar o nosso interior de todas as arestas grandes ou pequenas, ao mesmo tempo devemos procurar ativar as belezas das virtudes que devemos possuir.

O aprendiz é comparado a uma pedra bruta, isso é aquela pedra que não pode, por suas asperezas, fazer parte de uma construção de primeira grandeza. Existe nesta alegoria um fundo de verdade, pois nós devemos trabalhar em nós mesmo, com constância, sem esmorecimento, voltando-nos para nosso interior. Ai podemos observar toda força existente no lema adotado por Sócrates: Conhece-te a ti mesmo.

A maçonaria é uma escola, assim, para que o aprendiz-maçom possa alcançar aquele estágio, onde se encontram os verdadeiros e autênticos maçons, além do desbaste da pedra bruta, nessa luta por uma melhoria espiritual, temos que crescer também em sabedoria. Para isso recebemos o ritual onde assimilamos os conhecimentos da sabedoria maçônica. Além dos rituais, devemos estar atento ás explicações dos mestres, captando deles todos os ensinamentos.

A iniciação não significa apenas “introdução de um novo elemento na maçonaria”. Iniciação significa muito mais. Se o novo maçom não tiver presente o verdadeiro sentido do ato iniciático comete um sério engano. O verdadeiro e justo significado maçônico da iniciação é mudança.

Mudança no sentido moral e ético. Sobretudo, é bom lembrar que ser maçom é procurar ser melhor em todos os sentidos: moral, intelectual e espiritual.

Quem cumpre o que prometeu no altar dos juramentos, quem cumpre suas obrigações profanas e maçônicas, é fiel com relação à própria família, é fiel para com a maçonaria e, é fiel ao Grande Arquiteto do Universo.

Agora a quase um ano de minha iniciação, depois de ter muito estudado, há de concluir que valeu e muito a pena ter iniciado nesta ordem, da qual me orgulho de fazer parte. E, é certo, que continuarei estudando ainda mais, e continuarei a desbastar a “pedra bruta” não só em beneficio próprio, mas, sobretudo, para a grandeza cada vez maior da nossa sublime instituição, que é a maçonaria.

Fonte: JBNews - Informativo nº 331 - 25 de Julho de 2011

SINDICÂNCIA E VIDA PREGRESSA DO CANDIDATO

Ir∴ Francisco Raphael Cândido - M∴M∴

Da considerável rotina dos trabalhos Maçônicos destaca-se uma, com enfoque especial, em cuja atividade o Maçom se desenvolve tanto no interior do Templo como no desenrolar do nosso dia a dia: são as complicadas e obrigatórias Sindicâncias.O que quer dizer Sindicância? É um conjunto de atos por meio dos quais se colhe e realiza, reunindo informações inquirições, investigações, em cumprimento aos dispositivos legais, por autoridade própria, a fim de confirmar prova sobre determinado fato repositório.

"O QUE REPRESENTA MAIOR VALOR É A QUALIDADE, E NÃO A QUANTIDADE”. Num Clube de Futebol, em um Sindicato de Classe ou um Partido Político, claro é que a campanha de "MAIS UM", é válida e necessária, porque é o "NÚMERO" o que mais importa, enquanto que, na Maçonaria, onde os princípios e finalidades são outros bem diferentes, devem ser processos para admissão de "MAIS UM", bem criteriosos, visto que seu objetivo, que representa maior valor no setor Maçônico, é a qualidade e não a quantidade de Candidatos.

Muitas das vezes essa seleção sempre bem procurada não é conseguida, pois, ninguém tem estrela na testa, e podemos nos enganar na nossa indicação. Não funciona nesta questão a máxima de que, o que não serve para mim, não serve para o outro, o que importa mesmo, é a apuração bem feita pelos Mestres Sindicantes. Existe ainda mais um ponto a considerar; é preferível que os Mestres que não dão devido valor a enorme importância da semelhante missão, ou que não estão dispostos a servir a Loja fornecendo uma informação consciente completa e exata, não aceitem o encargo de Sindicante. Devem rejeitar, porque uma Sindicância deve ser isenta qualquer resquício de protecionismo, sem nenhum índice optativo, traçado com o objetivo de iluminar os que irão tomar parte na votação que dela advir.

“FATOS QUE O VENERAVEL MESTRE DEVE CONSIDERAR”

Ao indicar os Sindicantes, o Venerável Mestre, não deverá se preocupar com a comodidade do Sindicante. Ele não deverá indicar o Sindicante meramente porque é vizinho ou trabalha junto ou nas proximidades do Candidato. Deve ter em vista que nem todos os Maçons são especializados, ou peritos, no trabalho de inquirir. O Venerável Mestre, quando possível, deve indicar aqueles mais experientes. Pelo fato do Ir\ ser ritualista, talentoso ou grande instrutor não significa que é, bom interlocutor. No momento em que o Venerável Mestre coloca nas mãos de um Mestre uma Sindicância, esta colocando todo o prestigio da Loja nas mãos daquele Ir\. Do fiel cumprimento da obrigação, depende, em grande parte o futuro e prosperidade da Oficina.

O conhecimento discreto e alheio dos 3 (três) Sindicantes, de fazer chegar as informações com as respostas às mãos do Venerável Mestre através da Bolsa de Informações, será a base de toda sistemática do sucesso. É de bom alvitre que o Venerável lembre aos inquiridores, que nenhum trabalho Maçônico é mais importante do que essa investigação rigorosa, imparcial e sem preconceitos, daqueles que procuram ser admitidos em nossos quadros; que como parte dos Sindicantes eles estão na linha de frente da defesa da Maçonaria contra os inimigos externos, bem como, contra aqueles que por índole indiferente possam estar inclinados a trazer a desonra entre os Maçons.

O Venerável Mestre deve advertir enfaticamente o Sindicante para que, após uma rigorosa e cuidadosa investigação, e após exaurir todas as fontes de informações, se existir dúvidas sobre a qualificação do Candidato, o Sindicante deverá sempre, sem mudança ou hesitação, resolver suas dúvidas a favor da maçonaria e da Loja, e não a favor do Candidato. Nenhum homem tem o direito de se tornar Maçom se não for convidado; isto é um privilégio comandado pela votação na urna.

“O QUE CADA SINDICANTE PODE E O QUE NÃO PODE FAZER.”

Recebendo a indicação, o Sindicante deverá ter em mente que ele poderá estar investigando um Candidato que poderá se tornar um dia, o Venerável de sua ou de outra Loja, alguém que talvez irá se tornar alta Dignidade da Fraternidade ou mesmo um Grão Mestre, também, um faltoso às reuniões da Loja, e que aceitará os princípios e preceitos da Maçonaria vivendo sua vida futura com o espírito de Fraternidade, ou talvez um irresponsável nas suas ações. "O HOMEM QUE ENTRAR PARA A MAÇONARIA E QUE A MAÇONARIA NÃO ENTRAR DENTRO DO SEU CORPO", provavelmente nunca chegará a ser Maçom.

Cada Sindicante, com certeza, terá muito a considerar em sua interlocutória. Até onde ele pode ir? Até que ponto pode ele se aprofundar no levantamento? Quais as questões são apropriadas para serem feitas? Quando é o momento satisfatório de parar sua tarefa? Não há respostas fáceis a estas perguntas. Mas o Sindicante deverá se alongar e se aprofundar o suficiente para satisfazer sem dúvida que o Candidato é merecedor de consideração para ser aceito como membro de sua Loja.

O Sindicante, talvez pressionado pelo tempo a fim de realizar tão árdua tarefa, não poderá, sob qualquer circunstância, restringir seu sumariamento contatando o proponente (padrinho) do Candidato, pedindo sua avaliação. Como o Proponente trouxe o candidato, está subtendido que ele está satisfeito e sabe o suficiente sobre o mesmo para recomenda-lo e estará confiante no Sindicante para obter um quadro completo do seu afilhado.

Também, há uma especulação nos bastidores Maçônicos de que quando o Candidato é convidado, admitido na condição de Aprendiz, e ao iniciar a sua trajetória Maçônica comete deslizes, a versão é de que a responsabilidade deve se imputada ao proponente (Padrinho). Esta especulação não espelha a verdade pois a responsabilidade dos atos negativos recaem não só sobre o Venerável Mestre, como aos demais Mestres da Oficina, à exceção dos Aprendizes e Companheiros do Quadro.

Os Sindicantes não podem, também, nos últimos minutos antes da entrega dos relatórios, contatar os outros Membros Sindicantes. Cada Sindicante deverá fazer sua própria Sindicância e relatório sigiloso, o que já explanamos na própria apresentação. Caso o Sindicante necessite de mais tempo, o Venerável Mestre lhes garantirá o tempo razoável necessitado. A Maçonaria não tem pressa e não trabalha com horário para receber Candidatos.

“PROCEDIMENTOS FINAIS DOS SINDICANTES”

a) Alertar o Candidato de toda responsabilidade afeta ao mesmo:

1) Taxa de iniciação.

2) Indumentária (Terno preto, Sapato preto, Camisa branca, meias pretas, Gravata preta); isto para Sessões orientadas. Para as outras sessões cabe ao Padrinho orientar, para que no futuro o Neófito não destoe dos Usos e Costumes.

b) Estar atento a todo comportamento a ser seguido pelo Candidato, inclusive esclarecendo-o sobre tudo que possa ser falado a respeito de Maçonaria que lhe possa ser revelado.

c) Na maioria das vezes, o Ir∴ Sindicante usa o telefone para entrevistar o Candidato, porém, os assuntos pessoais são de suma importância e não podem ser por telefone, e tão sim Tete-a-Tête ou seja, Cara-a-cara, residência e trabalho, etc,etc..

d) Visitar a esposa do Candidato e ver se a ela concorda com a entrada do Cidadão. Se concordar dê continuidade ao trabalho, se não concordar, esqueça porque, com raríssimas exceções, o Candidato consegue entrar para a Ordem; Pesquisar a situação conjugal do casal, se casado ou outra forma de relacionamento conjugal (esta entrevista torna-se de caráter obrigatório).

e) Que Todo Ir∴ Mestre quando convocado pelo Ven\ Mestre, é obrigado a fazer Sindicância.

f) Que existem mais 2(dois) Sindicantes, e nenhum dos três deve saber dos outros.

g) Que o retardamento de visita ao Candidato, pode coincidir com outro, ou outros Sindicantes, o que deve ser evitado, a fim de não haver atropelamento, prejuízo e desconfiança do Candidato.

h) A data de devolução das SSindic∴ deve ser cumprida a risca, para não prejudicar os TTrab.: do Venerável Mestre e da Loja.

i) Muitas vezes, conforme a situação o exigir, pode o Venerável Mestre lançar pedidos a IIr\ Mestres de outras Lojas a fim de fazerem Sindicâncias. Os Obreiros do Quadro não devem se sentir melindrados, mesmo porque, as Sindicâncias são de caráter reservado e só é de conhecimento dos Irmãos Sindicantes, Venerável Mestre, Orador e Secretário.

j) As Obrigações e deveres dos Irmãos Sindicantes, constam dos Regulamentos da G∴L∴M∴M∴G∴, que nos regem.

l) Aos Irmãos Sindicantes, recaem as responsabilidades de sindicar o Candidato a fim de que o mesmo, ao atingir o Grau de Mestre Maçom, possa reunir condições e predicados para conduzir as colunas e os destinos de uma Loja.

Fonte: JBNews - Informativo nº 331 - 25 de Julho de 2011

domingo, 24 de julho de 2011

ALCOOLISMO

Ir∴ João Ivo Girardi

1. Álcool: termo aplicado aos membros de um grupo de compostos químicos do carbono que contém o grupo OH. Geralmente, esta denominação é aplicada para designar um composto específico: o álcool etílico ou etanol, de fórmula C2H5OH, encontrado em bebidas, como a cerveja, o vinho e o brandy. O álcool metílico, ou metanol, é o mais simples dos alcoóis. É utilizado para desnaturar álcool etílico, como anticongelante, solvente para colas, vernizes e combustível.

2. Alcoolismo: doença crônica e, geralmente, progressiva, provocada pela ingestão de álcool etílico. A organização Mundial da Saúde define o alcoolismo como a ingestão diária de álcool superior a 50g na mulher e 70g no homem (um cálice de licor ou drinque tem aproximadamente 40g de álcool; um quarto de litro de vinho, 30g; e um quarto de litro de cerveja, 15g). O álcool produz no organismo efeito tóxico direto e um efeito sedativo. Os danos sobre os principais sistemas do organismo incluem um amplo leque de afecções. Entre elas, destacam-se as úlceras, a pancreatite crônica e a cirrose hepática, bem como lesões irreversíveis no sistema nervoso central e periférico. É possível ocorrerem desmaios, alucinações e tremores intensos, sintoma da síndrome de abstinência alcoólico mais grave, é o delirium tremens, que pode se mortal, mesmo com o tratamento adequado.


3. Alcoolismo no Brasil: O alcoolismo ocupa o quarto lugar de doenças que mais incapacitam os brasileiros para o trabalho. A cirrose hepática é a sétima causa morte em pessoas acima de 15 anos. Atualmente são internadas com esse diagnóstico mais de 45.000 pessoas, das quais aproximadamente 12% morrem.

4. Alcoólicos Anônimos: comunidade de pessoas que se reúnem para alcançar e manter a abstinência no consumo de bebidas alcoólicas. Surgiu em 1935, quando Bill W., um corretor da Bolsa de Nova York, e o cirurgião Bob S. se conheceram e decidiram ajudar-se para deixarem de beber. Depois deste modesto começo, cresceu até estar presente em mais de 145 países, com um total de mais de 20 milhões de sócios. No Brasil, foi criada em 1947, contando com mais de 5 mil grupos e, aproximadamente 5 milhões de sócios.


5. Maçonaria: O Alcoolismo na Maçonaria: Muitas vezes desejaríamos que as drogas simplesmente não existissem, principalmente quando vemos pessoas a quem amamos sofrendo e nos fazendo sofrer por estarem envolvidas com drogas. Entretanto, elas existem. O que podemos fazer é tentar evitar que as pessoas se envolvam com essas substâncias. Os que já se envolveram, podemos ajudá-los a evitar que se tornem dependentes. Para aqueles que já se tornaram dependentes, cabe-nos oferecer os melhores meios para que possam abandonar a dependência. Se, apesar de todos os nossos esforços, eles continuarem a consumir drogas, temos a obrigação de orientá-los para que o façam da maneira menos prejudicial possível, mantendo a esperança de que estejam atravessando uma fase difícil e necessitando, portanto, de nosso apoio. Mas o que são drogas? Drogas são substâncias utilizadas para produzir alterações e mudanças nas sensações, no grau de consciência e no estado emocional. As alterações causadas por essas substâncias variam de acordo com as características da pessoa que as usa, qual droga é utilizada e em que quantidade, o efeito que se espera da droga e as circunstâncias em que é consumida. Geralmente achamos que existem apenas algumas poucas substâncias extremamente perigosas: são essas que chamamos de drogas. Achamos também que drogas são apenas os produtos ilegais como a maconha, a cocaína e o crack. Porém, do ponto de vista de saúde, muitas substâncias legalizadas podem ser igualmente perigosas, como por exemplo, o álcool, que também é considerado uma droga como as demais.

Álcool: O álcool é a substância química mais utilizada pela humanidade e faz parte de nosso dia a dia, sendo plenamente aceito em nossa sociedade. Porém, se pararmos para pensar, a bebida muitas vezes é usada de forma abusiva e pode trazer graves danos físicos, sociais e emocionais, apesar de estar presente na maioria das festas e em alguns rituais. Quase todos os países do mundo, onde o consumo é aceito, possuem uma bebida típica da qual se orgulham, por exemplo: pinga ou cachaça no Brasil, uísque na Escócia, tequila no México, saquê no Japão. 

Efeitos: Os sinais e sintomas da intoxicação alcoólica caracterizam-se por níveis crescentes de depressão do sistema nervoso central. Inicialmente há sintomas de euforia leve, excitação, falso bem estar, clima sociável e receptivo, evoluindo para aumento da diurese (urina), tonturas, náuseas, vômitos, falta de coordenação dos movimentos do corpo (ataxia), andar cambaleante, aumento da pressão arterial, passando à confusão e desorientação e atingindo graus variáveis de anestesia, entre eles o estado mórbido com consciência (estupor) e o coma. A intensidade do sintoma da intoxicação tem relação direta com a quantidade de álcool. O desenvolvimento de tolerância, a velocidade da ingestão, o consumo de alimentos. O alcoolismo é considerado pela Organização Mundial de Saúde como uma doença incurável, caracterizada pelo uso descontrolado e progressivo da bebida alcoólica. O doente bebe cada vez mais e pode ser levado à loucura e à morte. O alcoolismo é a terceira doença que mais mata no mundo. Perde apenas para o câncer e para as doenças do coração. Porém, muitas vezes, o próprio alcoolismo é a causa de vários tipos de câncer e de doenças do coração. Para cada alcoólatra, cerca de cinco pessoas de alguma forma são afetadas, principalmente as famílias. Esta é uma doença que aparece igualmente, na mesma proporção, entre ricos, pobres, intelectuais, analfabetos, jovens, velhos, brancos, negros, etc. 

Danos à Saúde: Gastrite, esofagite, úlceras, sangramentos. Anemia e desnutrição. Agressão hepática, cirrose, barriga d’água, varizes de esôfago, hemorragias graves, insuficiência hepática, desnutrição, alterações na coagulação. Agressão cerebral, perda de memória, inteligência, concentração, coordenação e visão. Riscos de acidente vascular cerebral (AVC), tremores contínuos nos membros (braços e pernas), neurite alcoólica e coma. Agressão ao coração, com um risco superior a 45 vezes maior que o do câncer em geral. Impotência, desenvolvimento excessivo da glândula mamaria do homem, infertilidade, grave agressão ao Recém Nascido (Síndrome Alcoólica fetal, retardamento mental, má formações graves) podendo chegar à Morte Precoce. Então porque bebemos? Busca de prazer, reforço positivo, repetimos para obtermos a mesma satisfação; Para evitar a dor ou desprazer; fuga; Aliviar tensões, ansiedades, medos, sensações físicas desagradáveis; Por experiência, para se adaptar ao grupo, aprovação social, sou macho! E imitar os familiares, os pais, o exemplo familiar. 

O Problema: Não dá para saber quem será bebedor social, apenas experimentador, usuário eventual ou dependente. Sabemos que 20% dos que experimentam serão alcoólatras ou simpatizantes. Existe uma predisposição química genética do corpo nestes casos. Não haverá doença se não experimentar. Não é: Falta de vergonha, falta de força de vontade ou coisa do demônio. É Doença. 

Dependência: Caracteriza-se pelo uso do álcool ou outras drogas de forma contínua, repetida, em doses cada vez maiores, para obter prazer, sem conseguir parar. Quando tenta parar tem sintomas da falta do álcool ou das outras drogas (abstinência): no caso do álcool = tremores, náuseas, vômitos, até o delirium tremens e a morte. É uma Doença. 

Sinal de perigo: Quando quiser eu paro!. Negação do próprio alcoolismo ou Dependência Química quando já evidente. Defesa da auto-imagem, da autoestima. Reconhecer a doença é o principal passo para iniciar o tratamento. 

Sinais de Alerta - Risco da Doença e Dependência Química: Queda do rendimento na escola e no trabalho; Aumento do índice de faltas, sem justificativa; Bebe por estar alegre e por estar triste; Bebe com frequência, para relaxar e para esquecer; Começa a se justificar de estar bebendo; Refugia-se na bebida diante de brigas e problemas; Bebe sozinho; Bebe pela manhã; Mente, quanto à quantidade de bebida; Acha-se o bom por que bebe mais que os outros; Fica bêbado, toda vez; e Cria tolerância, necessita cada vez mais álcool, para se satisfazer e manter a embriaguez. Perda relativa do efeito da bebida. 

Comportamentos típicos: Obsessão pelo copo, medo do copo vazio; Sofreguidão para beber, prefere esvaziar logo o copo, não come para não tirar o efeito, pois se comer a metabolização do álcool é maior; Pouco sono, não reparador; Autoritário, vulnerável a bajulações, a ser enganado; Isolamento e Negação; Planejamento excessivo, artimanhas para não faltar à bebida. Afasta quem atrapalha (chefe, mulher, filhos); Sucessão de Dane-se; Solta as amarras, não esconde mais, começam as brigas conjugais; Lapsos de memória; e Impotência Sexual, culpa a (o) companheira (o). 

Fases: Fase 1 = Social; Fase 2 = Social com dependência emocional; Fase 3 = Fase problemática, com dependência emocional e física; e Fase 4 = Fase problemática com graves problemas de saúde. Perdas extremas. Fases Típicas: Pavão = se gaba/se mostra!; Papagaio = falador/repetidor; Macaco = palhaçadas/larápio; Leão = agressivo/brigão; e Porco = sujeira /sarjeta. 

Tratamento: Não há cura; Dá para estabilizar e controlar a doença. São Alcoolistas e/ou Dependentes Químicos em recuperação; Medicamentos: calmantes, antidepressivos e medicamentos mais concentrados que são usados durante as internações de desintoxicação; Psicoterapia = tratamentos psicossociais, comportamentais, treinamento de autocontrole, psicodinâmicas, terapia conjugal e familiar, terapias de grupo; Grupos de Autoajuda: Alcoólicos Anônimos; e Narcóticos Anônimos. 

Situação atual: Afeta 15% da população brasileira e 12% da mundial. Nosso país gasta 7% do PIB com problemas gerados pelo alcoolismo e pelas drogas: cai a produtividade, mais falta ao trabalho, tratamento do alcoolista, custos sociais de acidentes devidos ao alcoolismo. Só arrecada 5% do PIB com a indústria de bebidas e cigarros. Somos o 3º. Maior produtor mundial de cerveja e consumimos 70% da produção, ou seja, aproximadamente 20 milhões de litros/dia, o que equivale a 7,1 bilhões litros/ano, sendo em média 44 l/ano-habitante, fora às outras bebidas. É a 3ª. Doença que mais mata no mundo. Causa 90% das internações psiquiátricas e 20% das gerais em adultos. 20% dos alcoolistas se torna dependente de outras drogas. Inicia pelo álcool por que não é proibido, o acesso é mais fácil e é mais barato. Aumenta o risco de se transar sem camisinha (se cuida menos, tem mais parceiros) e com isso pegar AIDS e outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST). Aumenta em 45 vezes o risco de vários tipos de câncer, mas se morre mais e antes, das outras complicações. 

Regulamentação do Teor de Bebida Alcoólica: 01 copo de cerveja 200ml (5%) que equivale a 01 copo de vinho 90ml, (12%) ou ½ dose de pinga ou Uísque 25ml (40%) que são doses iguais a 10g de álcool. Pela legislação um motorista é considerado alcoolizado tendo na sua corrente sanguínea um teor maior ou igual a 0,6 g/l de álcool ou então 02 latinhas de cerveja que equivale a ½ garrafa de vinho ou igual ou maior a aproximadamente 02 doses de pinga ou uísque. Cerveja/chopp possuem cerca de 5% de álcool, vinho cerca de 12% e pinga/uísque/vodka cerca de 40%. Risco físico sério já a partir de 10 latinhas de cerveja/semana para mulheres e 15 para homens. 56% de crianças entre 09 e 12 anos, já tiveram contato, principalmente os meninos (numa proporção de 80% para 40% de meninas), muitos incentivados socialmente pelos pais, e também por colegas. 

Consequências do alcoolismo: O alcoolismo é responsável ainda por: 80% dos suicídios; 64% dos homicídios; 60% das agressões a mulheres e crianças; 41% dos assaltos; 39% dos estupros; 25% dos atropelamentos de alcoólatras; 45% dos jovens envolvidos com acidentes estavam alcoolizados; e Motoristas alcoolizados são responsáveis por 66% dos acidentes fatais.

Maçonaria: Foi realizada pesquisa sobre a influência do álcool na Maçonaria e os resultados obtidos vão de encontro com o que a nossa grã filosofia prega, ou seja, como podemos ter estatísticas de Irmãos que bebem se lutamos contra o Vício? O que se tem é a informação de alguns Irmãos ou seus familiares que se encontram em tratamento, ou já se encontram no estado avançado de tratamento com êxito, além de Programas de Luta contra o Alcoolismo, como o do GOB/GOERJ.

A Maçonaria contra as Drogas. De encontro a isto buscamos depoimentos em livros e palestras dos Alcoólicos Anônimos, de familiares que tiveram pessoas alcoólatras, neste caso profanos e também contamos hoje com a participação de Irmãos que se dispuseram a participar deste trabalho com os seus depoimentos de vida. Desta forma apresentamos o depoimento de uma senhora que teve o marido alcoólatra: Depoimento: O marido começou a beber. A mulher não teve coragem ou sabedoria para descobrir a causa e tentar ajudar. O problema foi se tornando lenta e gradativamente mais sério. O silêncio parecia ser a resposta mais adequada. Para que irritar o marido? Ele sempre foi um homem bom, trabalhador, honesto! É um bom pai! Qual o problema de ele tomar um pouco a mais no fim de

semana? Para não brigar, a mulher fica quieta. A mágoa não assimilada e resolvida vira ressentimento, que desencadeia um processo de sofrimento e destruição. Toma remédios para se curar da depressão há mais de dezessete anos e acredita que vá tomar até morrer, porque não existe remédio que possa curar a raiz desse ressentimento, já que o mesmo trata as consequências deste, mas não elimina as causas. Enquanto continuar sofrendo agressões verbais, morais e até físicas de seu esposo alcoólatra, vai continuar profundamente deprimida. Por outro lado, acredita que o marido também é vitima de um ressentimento não tratado. A causa de seu alcoolismo precisa ser assumida e tratada. O que o antidepressivo é para ela o álcool é para o marido. Acredita ainda, que ambos estão reprimidos e guardando sentimentos estragados. (...) 

A Maçonaria não pode e não deve furtar-se ao compromisso social de divulgar por todos as formas e meios os efeitos danosos desse que podemos chamar de o Grande Vilão Social, justamente por ser uma droga Lícita, com grande poder destrutivo, como já vimos anteriormente. 

Conclusão: Fica para nós maçons o grande desafio de colocarmos o primeiro tijolo na construção deste templo a virtude, cavando de maneira positiva, masmorras ao vício. Quando no trolhamento é feita a pergunta: o que vindes aqui fazer? - respondemos, vencer minhas paixões, submeter a minha vontade e fazer novos progressos na Maçonaria, portanto meus Irmãos, diante desse flagelo, fica aqui uma sugestão: abolirmos de vez em nossa loja, por ocasião dos ágapes a bebida alcoólica. estaríamos dando assim a nossa pequena, mas decisiva contribuição para, se não resolvermos o problema, pelo menos, suavizar seus efeitos entre nós

Mensagem Final: Nenhum homem é uma ilha, ninguém é completo em si mesmo. Cada um de nós, não importa idade, classe social, formação ou atividade profissional, é parte de um todo. Um todo que se inter-relaciona das mais diversas formas. É até possível que o ser humano consiga viver sozinho, mas não acredito que alguém possa chamar isso de felicidade. Fornecer informações para acelerar o crescimento das pessoas é um dos principais objetivos a ser seguido por aqueles que a possuem. Mas, a partir daí, do seu crescimento, procure compartilhá-lo com outras pessoas, transformando-se em um multiplicador. Certa vez isso foi dito de maneira muito bonita: Procure conviver entre pessoas que o ensinem a caminhar entre as estrelas, porém, quando encontrar a luz, não a negue aos que ficaram nas trevas. É como diz a sabedoria popular: Uma vela nada perde quando, com sua chama, se acende outra que estava apagada. É na prevenção ao uso de drogas que a ação da Maçonaria pode ser decisiva não só pela possibilidade de passar aos irmãos informações confiáveis, mas acima de tudo por oferecer condições de convívio e integração capazes de se não neutralizar, ao menos atenuar a atração que o universo das drogas exerce sobre o ser humano. (Autores: Irmãos: Luiz Carlos Affonso da Costa, Luiz Fernandes de Carvalho Filho, Mário Monteiro Morgado, Mauro Alves Lima, Rodrigo Tomaz da Silva). (V. Drogas, Êxtase, Vício).

NOTA da edição: Meus queridos Irmãos, ninguém deve controlar ninguém e nem tampouco restringir o seu livre-arbítrio, mas nos nossos ágapes semanais após as sessões há muitos exageros. Pode estar ali a fonte de futuros problemas. Não precisamos ser abstêmios, mas....

Fonte: JBNews - Informativo nº 330 - 24 de Julho de 2011

SÍMBOLOS ZODIACAIS NA VISÃO DO APRENDIZ

SÍMBOLOS ZODIACAIS NA VISÃO DO APRENDIZ*
1. PREÂMBULO
2. A ASTROLOGIA E OS SÍMBOLOS ZODIACAIS
3. OS SIGNOS DO ZODÍACO
4. AS COLUNAS ZODIACAIS DO TEMPLO MAÇÔNICO
5. OS SÍMBOLOS ZODIACAIS E O DESENVOLVIMENTO HUMANO
6. CONCLUSÃO

“Saber não é conhecer. O saber é o instrumento que nos leva ao conhecer das coisas. A fé é apenas o saber que se aceitou sem conhecer. Os símbolos são instrumentos que resumem o saber e facilitam o acesso ao conhecer. Do saber ao conhecer se chega pela razão” Ambrósio Peters

1. PREÂMBULO

Para que seja possível compreender a linguagem dos símbolos, torna-se necessário conservar a mente livre, plástica e adaptável, pois, se persistirmos em nos manter amarrados às antigas trilhas, jamais conseguiremos a familiarização com eles.

O caráter objetivo de um símbolo é o de ser compreendido pela mente infantil, quer seja a de um indivíduo de pouca idade ou de um povo em estágio primitivo. Por isto, quando a linguagem ainda engatinhava, os problemas teológicos, políticos e científicos, foram-lhes apresentados sob forma de símbolos, pois os símbolos visíveis têm a faculdade de impressionar mais ativamente a mente do primitivo e do ignorante.

A beleza dos grandes símbolos está na infinita variedade de seus modos de interpretação; e se formos pensar que para cada símbolo deva existir um significado definido, estaremos paralisando aquele símbolo que é a nossa mente, deixando-a cair morta e rasteira no superficial. É necessário manejarmos os símbolos assim como o matemático maneja os algarismos e não podemos esquecer que os símbolos são os brinquedos dos deuses.

Assim sendo, não pretendemos de modo algum esgotar este tema, nem tampouco fazer dele um tratado demasiadamente eclético, pois somos aprendizes e companheiro maçons tentado escolher da melhor maneira nosso caminho dentro da maçonaria, ou seja um entendimento melhor do mundo que nos cerca.

2. A ASTROLOGIA E OS SÍMBOLOS ZODIACAIS

Embora a astrologia seja muito antiga, remontando à época dos sumerianos, foi na Idade Média que ela cresceu em importância, depois de ter passado por um período obscuro, nos primeiros anos do cristianismo.

Na realidade, o primeiro livro de Astrologia moderno foi o “Tetrabiblos”, atribuído ao astrônomo, matemático e geógrafo Cláudio Ptolomeu, nascido em Alexandria; sendo um dos grandes intelectuais de sua época, ele trabalhou, entre 150 e 180 d.C., estabelecendo os princípios da influência cósmica, que constituem a parte fundamental da moderna Astrologia. Para Ptolomeu a Terra ocupava o centro do Universo, com o Sol, Lua, Mercúrio, Marte, Vênus, Júpiter e Saturno movendo-se ao redor dela, cada um num círculo perfeito, dentro de uma esfera exterior sólida, à qual se fixavam as estrelas. Essa teoria, perdurou até o século XVI, quando foi derrubada por Copérnico, primeiro, e depois por Tycho Brahe e Kepler. Foi em 1543 que Copérnico horrorizou o acanhado mundo da época, ao sustentar que o centro de nosso sistema era ocupado pelo Sol e não pela Terra, o que era uma heresia para a totalitária e retrógrada Igreja de então. A Igreja só se rendeu à evidência em pleno século XIX, em 1835, duzentos anos depois de Kepler, removendo, nesse ano a obra do mesmo de seu Índex.

No início da Idade Média, os teólogos enfrentavam o problema de classificar a astrologia como ciência legítima, ou como arte divinatória proibida, cabendo a Santo Alberto Magno (1200-1280) separar a astrologia de suas associações pagãs, percebendo o seu valor teológico e afirmando que, embora as estrelas não pudessem influenciar a alma humana, elas, certamente, poderiam influenciar o corpo e a vontade dos homens. São Tomás de Aquino, considerado o maior dos teólogos cristãos, consolidou a obra de Alberto, tornando-a aceitável como assunto digno de estudo e afirmando que, na sua visão do universo, podia ser tomada como uma complementação da doutrina cristã; foi graças a essa maneira peculiar de encarar as coisas que nenhum astrólogo foi queimado nas fogueiras do “Santo Ofício”, como aconteceu com alquimistas, templários, rosacruzes, maçons, etc...

Pode-se imaginar que tudo começou em tempos imemoriais, quando o homem, em vigília a zelar pelos rebanhos, observava os corpos celestes no firmamento intrigando-se com os seus regulares movimentos. Percebeu então que lenta e regularmente os astros mudavam de posição em relação ao nascer do Sol, e que depois de determinado tempo voltavam com absoluta regularidade ao mesmo ponto no firmamento.

Não pode deixar de observar, outrossim, que o nascimento helíaco de certos grupos de estrelas se repetia em períodos coincidentes com determinados acontecimentos ânuos importantes de sua vida, como o nascimento de crias nos rebanhos, a recorrência regular de épocas de chuva, a germinação de culturas sazonais, e outros fatos de sua vida repetitiva de pastor-agricultor.

Sentiu a necessidade de memorizar e registrar esses fatos astronômicos que começavam a se tornar importantes para orientação de suas atividades. Quando um determinado grupo de estrelas precedia o nascer do Sol era hora de plantar, ou era hora de transferir os rebanhos para outras pastagens, ou era hora de tosquia, ou era hora de colher, ou era tempo de cio entre os animais e era preciso acasalá-los, ou vinha o tempo de nascimentos em sua família. Foi uma consequência inevitável que aos poucos tentasse melhor identificar esses tão importante grupo de estrelas com nomes próprios, que naturalmente se relacionavam com suas atividades. Recorrer ao nascimento helíaco como ponto de referência foi um passo inicial importante, foi a descoberta de um referencial, foi o início da marcação e medição do tempo.

Nascimento helíaco de um astro é o seu aparecimento logo acima do horizonte imediatamente antes do nascer do Sol.

Assim os grupos de estrelas referenciais de tempo foram recebendo nomes tirados da vida quotidiana daqueles primeiros astrônomos.

Esses nomes nada tinham a ver com a formação característica dos conjuntos estelares. Eram simples nomes apenas, nada relacionados com poderes mágicos e premonições.

O zodíaco, que em grego significa ciclo dos animais, é uma faixa celeste imaginária, que se estende entre 8 a 9 graus em cada lado da eclíptica e que com esta coincide. Eclíptica é o caminho que o Sol, do ponto de vista da Terra, parece percorrer anualmente no céu. Essa faixa foi dividida em 12 casas de 30 graus cada uma, e o Sol parece caminhar 1 grau por dia. Os planetas conhecidos na antiguidade (Mercúrio à Saturno) também faziam parte do zodíaco, pois suas órbitas se colocavam no mesmo plano da órbita da Terra. O zodíaco então é dividido em doze constelações, que são percorridas pelo Sol, uma vez por ano.

A maior evidência de que os nomes das constelações que formam o nosso zodíaco tiveram uma origem conforme descrito anteriormente está na sua relação com a vida pastoril. Podemos classificar os signos do Zodíaco em grupos de três formando quatro categorias distintas:

I- Os três reprodutores de seus rebanhos: Touro, Capricórnio (bode), Áries (carneiro)
II- Os três inimigos naturais dos rebanhos e dos pastores: Leão, Escorpião, Câncer (caranguejo)
III- Os três auxiliares mais importantes dos pastores: Sagitário (defensor,arqueiro), Aquário (aguadeiro ou carregador de água), Libra (pesador e sua balança).
IV- Os três mais destacados valores sociais da comunidade pastoril: Virgem, Gêmeos (benção dos Deuses), Peixes (alimentação)

No sempre presente afã humano de mistificar tudo o que não conhece ou não consegue explicar, já desde remota antiguidade começaram os homens a cercar de mistério as constelações do zodíaco, atribuindo-lhes poderes místicos e premonitórios e assim, creditando aos astros seus sucessos e infortúnios.

3. OS SIGNOS DO ZODÍACO

Neste capítulo vamos entrar no misticismo e esoterismo ligado ao tema “Símbolos Zodiacais”. De acordo com o Novo Dicionário Aurélio “Misticismo” quer dizer disposição para crer no sobrenatural e “Esoterismo” também ligado a “Ocultismo” seria a Doutrina que preconiza que o ensinamento da verdade (científica, filosófica ou religiosa) deve reservar-se a número restrito de iniciados, escolhidos por sua inteligência ou valor moral.

Na antiguidade a Astrologia era assunto de Estado, que era o microcosmo no macrocosmo do Universo. Somente na Idade Média o homem passou a ser o objeto da Astrologia, tomando o lugar do estado.

À medida que Astrologia e Astronomia evoluíam de forma científica, também evoluía a associação dos símbolos zodiacais criados com as características do homem. Assim, no tratamento astrológico comum considera-se a data, hora e o local do nascimento de uma pessoa para a elaboração de seu mapa astrológico, o qual retrataria todas as características da pessoa, qualidades e defeitos, possibilidades e dificuldades, tudo no plano do potencial. Conhecedora de si mesma, cabe à pessoa “mapeada” tornar efetivas essas ou aquelas potencialidades, utilizando seu mapa astrológico para melhorar a sí própria.

Os doze signos mantêm correspondência com os quatro elementos estando associados três signos a cada elemento, segundo Preston Crowmarsh:

Câncer, Escorpião e Peixes = Água 
Touro, Virgem e Capricórnio = Terra 
Gêmeos, Libra e Aquário = Ar
Áries, Leão e Sagitário = Fogo

Essa associação, oferece algumas interpretações interessantes:

O Fogo representa a intuição, traz luz à escuridão, não tem forma nem tamanho, é volátil e imprevisível; corresponde também ao espírito.

A Terra representa a sensação, a percepção das coisas conforme as experiências reais. É prática, objetiva, concreta, tem medo da desordem.

O Ar significa o pensamento, a elaboração intelectual, o raciocínio, a abstração. É o único elemento que não tem representação animal no zodíaco.

A Água é o sentimento, a percepção pela via emocional; é instinto, fertilidade, mediunidade.

Além dos quatro elementos Fogo, Terra, Ar e Água, também os planetas mais o Sol e a Lua, estão relacionados com os Signos, da seguinte maneira:
  • O Sol rege Leão e é exaltado em Áries
  • A Lua rege Câncer e é exaltada em Touro
  • Mercúrio rege Gêmeos e Virgem e é exaltado em Virgem 
  • Vênus rege Touro e Libra e é exaltado em Peixes
  • Marte rege Áries e é exaltado em Capricórnio 
  • Júpiter rege Sagitário e é exaltado em Câncer 
  • Saturno rege Capricórnio e é exaltado em Libra 
  • Saturno rege Aquário e é exaltado em Escorpião 
  • Júpiter rege Peixes e é exaltado em Leão
  • Marte rege Escorpião
Portanto cada signo é caracterizado por um planeta e por um dos quatro elementos, o que lhes dá as suas características místicas, como segue:

Áries: Caracterizado por Marte e pelo Fogo. Esta relacionado com o fogo interior do homem, ou seja, a força que estimula o crescimento e o desenvolvimento.

Touro: Caracterizado por Vênus e pelo elemento Terra. Esta relacionado com a matéria na qual se efetua a fecundação, a elaboração interior.

Gêmeos: Caracterizado por Mercúrio e pelo Ar. É relacionado com a versatilidade, a engenhosidade e a vitalidade criadora.

Câncer: Caracterizado pela Lua e pela Água. É relacionado com a tenacidade e a cautela.

Leão: Caracterizado pelo Sol e pelo Fogo. Representa o emprego da razão a serviço da crítica.

Virgem: Caracterizado por Mercúrio e pelo elemento Terra. Seu traço fundamental é o espírito analítico.

Libra: Caracterizado por Vênus e o Ar. Simboliza o equilibrio entre as forças construtivas e destrutivas.

Escorpião: Caracterizado por Marte e pela Água. Representa emoções e sentimentos poderosos, rancor, obstinação.

Sagitário: Caracterizado por Júpiter e pelo Fogo. Representa a mente aberta e o julgamento crítico.

Capricórnio: Caracterizado por Saturno e pelo elemento Terra. Simboliza determinação e perseverança.

Aquário: Caracterizado por Saturno e pelo Ar. Representa o sentimento humanitário e prestativo.

Peixes: Caracterizado por Júpiter e pela Água. Simboliza o desprendimento das coisas materiais.

4. AS COLUNAS ZODIACAIS DO TEMPLO MAÇÔNICO

Os signos, no misticismo maçônico, representam todo o caminho percorrido pelo Iniciado, desde a sua Iniciação até o cume de sua trajetória, no Grau de Mestre Maçom. No Rito Escocês Antigo e Aceito, essa representação é mostrada, fisicamente, com os símbolos alusivos aos signos, presentes no Templo Maçônico.

Uma das formas dessa representação é por intermédio das chamadas colunas zodiacais que são colunas da ordem jônica tendo, cada uma, sobre seu capitel, o pentaclo correspondente (pentaclo é a representação de cada signo com o planeta e o elemento que o caracterizam). As colunas são postadas longitudinalmente junto às paredes, sendo seis ao Norte e seis ao Sul. A seqüência das colunas é de Áries a Peixes, iniciando-se com Áries ao Norte próxima à parte Ocidental, e terminando com Peixes ao Sul também próxima à parte Ocidental.

Os signos zodiacais relacionados com o Grau de Aprendiz Maçom são: Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão e Virgem; relacionado com o Grau de Companheiro esta o signo de Libra; e os inerentes ao Grau de Mestre Maçom são os signos de Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário e Peixes.

A relação citada no parágrafo anterior pode ser simbolizada para o grau de Aprendiz da seguinte maneira: 

Áries - Fogo - Marte O ardor iniciático conduzindo à procura da Iniciação; 
Touro - Terra - Vênus O Recipiendário (Aquele que é solenemente recebido em uma agremiação), judiciosamente preparado, foi admitido às provas; 
Gêmeos - Ar - Mercúrio O Neófito recebe a luz; 
Câncer - Água - Lua O Iniciando instrui-se, assimilando os ensinamentos iniciáticos; 
Leão - Fogo - Sol O Iniciando julga, por si próprio e com severidade, as idéias que puderem seduzi-lo; Virgem - Terra - Mercúrio Tendo feito sua escolha, o Iniciando reúne os materiais de construção para desbastá-los e talhá-los, segundo o seu destino. Para o grau de Companheiro Maçom temos:
Libra - Ar - Vênus O Companheiro em estado de desenvolver seu máximo de atividade utilmente empregada.

5. OS SÍMBOLOS ZODIACAIS E O DESENVOLVIMENTO HUMANO

Os símbolos são instrumentos que resumem o saber e facilitam o acesso ao conhecer. A fé é apenas o saber que se aceitou sem conhecer.

Se considerarmos a evolução do ser humano, muito provavelmente possamos aceitar que primeiramente houveram símbolos, antes ainda da lingua falada e escrita e portanto a fé nos antigos símbolos pode ser tomada como a alavanca de todo o conhecimento humano até hoje.

De acordo com os astrônomos, umas 4.000 estrelas podem ser percebidas à vista desarmada, numa noite serena. É de se supor que um bom observador lá nos primórdios da civilização, após associar o aparecimento repetitivo dos astros com acontecimentos ânuos importantes, tenha criado e utilizado símbolos zodiacais como fonte de poder sobre sua comunidade. Desde sempre houveram pretensos videntes ou adivinhos que se valiam da ingenuidade humana para utilizá-la a favor de suas artes divinatórias. Criaram-se desta forma, mitos, religiões, submissão, revolta e obviamente curiosidade, o que levou outros seres humanos a estudar o assunto e transformar o saber em conhecimento.

Em seu livro “Eram os Deuses Astronautas” Erich von Daniken escreve: “O número aproximado de estrelas, somente em nossa Via Láctea, sobe a trinta bilhões. A suposição de que nossa galáxia contém, pelo menos, dezoito bilhões de sistemas planetários, é admitida pelos astrônomos da atualidade. Se tentarmos reduzir essas cifras, tanto quanto possível, e imaginarmos que as distâncias no interior de sistemas planetários são reguladas de tal modo que somente num caso entre cem existe planeta em órbita na ecosfera (região onde não existe a presença de seres vivos) de seu próprio sol, tudo isso ainda deixará 180 milhões de planetas capazes de manter a vida. Se, em prosseguimento, somente num deles, em cada centena, o potencial vitalizante haja sido aproveitado, ainda teremos 1,8 milhões de planetas com seres vivos. Admitamos, para concluir, que num só planeta, entre cem com seres vivos, existam criaturas com grau de inteligência semelhante ao Homo sapiens. Pois esta última conjectura ainda garante para nossa Via Lactea o enorme número de 18.000 planetas com vida inteligente semelhante à nossa.”

Pode-se dizer portanto, que o desenvolvimento humano esteve e ainda esta muito ligado ao estudo dos astros e portanto aos primitivos Símbolos Zodiacais.

6. CONCLUSÃO

Para a realização de sua própria iniciação, que há de levá-lo ao caminho do Conhecimento, o Maçom vale-se de elementos colhidos por toda parte, bebendo nas mesmas fontes que dessedentaram as religiões e as sociedades iniciáticas do passado e alimentando-se de todo o conhecimento científico do presente. E firmando um pé na Tradição, que lhe transmite os valores espirituais, e outro na Ciência, que o mantém na senda do progresso, consegue o Maçom o equilibrio perfeito, aquele mesmo equilíbrio que sustenta os corpos celestes no Cosmos.

Pelo método iniciático, o Maçom distingue-se culturalmente dos outros homens. Não conhece nem pode conhecer a satisfação espiritual e intelectual, pois ele sabe que a Verdade de hoje pode não ser a Verdade de amanhã. Pesquisador eterno, o Maçom faz jus à denominação de FILHO DA LUZ.

BIBLIOGRAFIA

1. Estudos Maçônicos sobre Simbolismo / Nicola Aslan – Editora Grande Oriente do Brasil 1969
2. Cadernos de Estudos Maçônicos nr.27 / Ambrósio Peters – Editora Maçônica “A Trolha Ltda. 1996
3. Cadernos de Pesquisas Maçônicas nr.13 / Encontro Nacional “Loja Fraternidade Brazileira de Estudos e Pesquisas” – Editora Maçônica “A Trolha” Ltda. 1996
4. Eram os Deuses Astronautas? Enigmas Indecifrados do Passado / Erich von Daniken – Editora Melhoramentos 1974
5. Maçonaria e Astrologia “As Colunas Zodiacais” / José Castellani – Revista “A Trolha” Novembro-1995
6. As Colunas Zodiacais / Robson Papaleo – Revista “A Trolha” Julho-1993
7. Colunas Zodiacais no Templo Maçônico / Hiran Luiz Zoccoli
8. Temas para a Reflexão do Mestre Maçon / Marcos Santiago – Editora “A Trolha” Ltda.
9. Dicionário de Maçonaria / Joaquim Gervásio de Figueiredo – Editora Pensamento
10. Novo Dicionário Aurélio / Aurélio Buarque de Holanda Ferreira – Editora Nova Fronteira 1975

(*)Trabalho coletivo dos Irmãos da ARLS Prudente de Morais II do Or∴ de Piracicaba-SP

Participantes:
Antonio Carlos Brunelli
Antonio Tadeu Furlan João Benedito Mendes
Saulo Cardoso Venâncio Carlos De Oliveira Neto
Relator: Venâncio Carlos De Oliveira Neto
Or∴ de Piracicaba -

Fonte: JBNews - Informativo nº 324 - 18 de Julho de 2011

O QUE É A MAÇONARIA? (ENTREVISTA)


Vice-presidente da Sociedade Teosófica no Brasil
Alfredo Puig Figueroa foi Venerável Mestre da Loja Corações Unidos (em Cuba) e Secretário do Supremo Conselho para o Grau 33 da Grande Loja de Cuba.

Entrevista enviada pelo Ir. José Robson Gouveia Freire, de Brasília

Existem no mundo, atualmente, muitas organizações fraternais e entre elas está a Maçonaria, da qual nós conhecemos muito pouco. Como temos agora conosco o Ilustre Irmão Alfredo Puig Figueroa, Soberano Grande Inspetor Geral da Ordem, Grau 33º, vamos solicitar-lhe gentilmente responder as nossas perguntas sobre a Maçonaria.

O que é realmente a Maçonaria?

A Maçonaria é uma instituição secreta que externamente, em o seu conjunto, sempre soube adaptar-se inteligentemente às limitações de determinada época ou nação, tanto que internamente manteve intacta às suas bases e estrutura, e os ensinamentos mais íntimos sempre foram perpetuados e transmitidos por sua tradição através dos séculos.

O Ilustre irmão poderia explicar brevemente a história da Maçonaria?

Segundo muitos historiadores a Maçonaria é uma das organizações mais antigas que existem no mundo e consideram a sua origem no Egito. Por exemplo, menciona-se que aproximadamente 5.600 anos antes da Era Cristã o Faraó Menes vinculou a Maçonaria à estrutura administrativa do país, criando uma sociedade muito eficiente e com uma base plenamente moral.

Na Europa, durante a Idade Média, a Maçonaria foi considerada herética e os maçons foram perseguidos, motivo pelo qual tornou-se uma organização clandestina. Os maçons formaram associações de pedreiros e construíram as igrejas góticas na Europa. (A palavra “mason”, em inglês, significa pedreiro.).

A Maçonaria moderna começou em 24 de junho de 1717, no dia de São João, em Londres, quando várias Lojas Maçônicas formaram a Grande Loja Maçônica da Inglaterra, que se converteu na Grande Loja Maçônica Mãe de todas as Grandes Lojas Maçônicas que se formaram posteriormente.

Existem várias organizações Maçônicas?

A explicação que temos dado anteriormente se refere à Maçonaria que denominamos “regular” e “universal”, que é masculina e que existe em quase todos os países do mundo.

Sim, existem alguns outros corpos maçônicos, como a Grande Loja da Co-Maçonaria “Le Droit Humain”, que tem a sua sede em Paris, França, e a Ordem do Oriente da Franco-Maçonaria Internacional, que tem a sua sede em Chennai, Índia, com uma característica muito particular, pois ambas são mistas e são formadas por homens e mulheres.

Poderia explicar-nos a estrutura da Maçonaria?

A Maçonaria é constituída por dois grandes grupos: a simbólica e a filosófica, com um total de trinta e três graus. A Maçonaria simbólica é formada pelos três primeiros graus: o 1º é do Aprendiz, o 2º é do Companheiro e o 3º é do Mestre Maçom. Com sete Mestres Maçons se constitui uma Loja e com sete Lojas Maçônicas se forma uma Grande Loja ou um Grande Oriente, que rege uma área geográfica determinada.

A Maçonaria filosófica compreende desde o grau 4º até o grau 33º. O 4º grau é do Mestre Secreto; o 9º grau é do Eleito dos Nove; o 14º grau é do Perfeito e Sublime Maçom; o 18º grau é do Príncipe da Rosa Cruz; o 30º grau é do Ilustre Cavaleiro Kadosh; o 32º grau é do Sublime e Valente Príncipe do Real Secreto; e o 33º grau é do Soberano Grande Inspetor Geral da Ordem.

Pode-se considerar a Maçonaria como uma religião?

Não, a Maçonaria não é uma religião porque não têm dogmas nem teologias que se aceitem como atos de fé. Mesmo que existam cerimônias em cada um de seus graus, como formas simbólicas de ensinar virtudes e princípios, o Maçom tem de ser um homem livre e de bons costumes, que acredita na existência de um Ser Supremo que não se define, e que se menciona simbolicamente como o Grande Arquiteto do Universo.

Qual é a base filosófica da Maçonaria?

As normas filosóficas adotadas pela Maçonaria, como lei universal, são os Antigos Limites da Fraternidade (Landmarks), que expressam: “A Maçonaria é a instituição orgânica da Moralidade e seu fim é dissipar a ignorância, combater o vício e inspirar o amor à Humanidade”. Um Maçom tem absoluta liberdade de consciência para acreditar em tudo o que considere como verdadeiro e de bom senso..

A Maçonaria é uma sociedade fraternal?

Um aspecto da Maçonaria a considera como uma sociedade fraternal, formada por homens honestos, que se auxiliam mutuamente e levam a cabo obras de beneficência. Não se pode negar que isso é importante, mas além disso a Maçonaria incentiva seus membros, que desejam encontrar em nossa Augusta Instituição do Esquadro e o Compasso os meios e as orientações para converterem-se em verdadeiros obreiros do progresso humano.

Como a Maçonaria considera os acontecimentos que se estão desenvolvendo ao nosso redor?

Em todos os acontecimentos que se estão desenvolvendo ao nosso redor, estamos conscientes de que neles, incluindo o cenário mundial, o que importa não é em que momento específico tem lugar cada fato, senão que cada um deles é um movimento definido que “poderosa e docemente” propicia o desenvolvimento espiritual da Humanidade.

Quais são os requisitos para ingressar na Maçonaria?

São dois os requisitos para ingressar na Maçonaria. Um é que o candidato deve ser um homem livre e de bons costumes. No outro se precisa acreditar na existência de um Ser Supremo que não se define, e que se denomina o Grande Arquiteto do Universo.

Como se valora a Maçonaria no mundo externo?

Pode-se afirmar que os Maçons crescem, de maneira silenciosa e contínua, por meio da coerência de seus ideais e convicções aplicadas a sua conduta diária, para mostrá-las em pensamento, palavra e obra. Quando a Maçonaria vive no coração de cada membro e se reflete em cada um dos atos da vida diária de cada Maçom, é natural que o mundo profano comece a julgar a Instituição Maçônica de maneira favorável pelo comportamento correto e pela integridade da conduta de cada membro e isso representa uma grande responsabilidade de como se valoram as práticas de virtudes tais como integridade, honestidade, honra e dignidade, as quais nos oferecem uma maravilhosa oportunidade de representar dignamente nossa Augusta Instituição do Esquadro e o Compasso a cada momento.

Significa isto a formação do Homem Novo?

Neste começo do novo milênio todos os pensadores modernos falam do advento de uma Nova Era e da formação do Homem Novo. Mas, para que estas aspirações possam tornar-se numa realidade precisa-se criar uma civilização baseada em um alicerce de valores de moralidade e em ideais espirituais, não simplesmente em valores puramente materiais.

Qual deve ser o principal objetivo de uma sociedade?

Uma sociedade que tenha como objetivo principal o progresso, a felicidade e o bem-estar de todos os homens, reconhecendo que o verdadeiro bem de cada um está profundamente unido ao maior bem de todos os demais, pode considerar-se que é uma sociedade maçônica, mesmo que todos os seus integrantes não sejam necessariamente membros de nossa Augusta Instituição do Esquadro e o Compasso.

De que modo os maçons trabalham para criar uma sociedade maçônica?

Os Maçons trabalham para criar uma sociedade maçônica principalmente pelo estudo da Verdade e a prática da Virtude, que são os dois instrumentos poderosos que possui todo Maçom consciente desses valores – o Esquadro e o Compasso simbólicos. Esses princípios se vinculam com as atividades diárias para alcançar o próprio progresso espiritual.

Que aspecto compreende o estudo da Verdade?

Na medida em que se estudam os ideais nobres e elevados da nossa Ordem, maior será nossa lealdade e nosso respeito para nossa Augusta Instituição. Este conhecimento é básico, pois somente pode ajudar de modo inteligente aquele que sabe como fazê-lo. Não basta ter boas intenções, precisa-se também estar bem qualificado para a tarefa a realizar. O estudo da Verdade significa também que cada Maçom deve refletir esta Verdade em pensamento, de modo que não deve pensar mal dos outros, não atribuir motivos sem fundamento às pessoas, nem sentir inveja ou ciúme dos demais, não prestar atenção às fofocas dos fracassados e não mentir. A palavra de um Maçom tem de corresponder à de um cavaleiro e deve servir sempre para oferecer alento, para consolar, para ensinar, para expressar afeto e compaixão.

Quem domina a sua palavra terá pleno controle sobre todos os seus atos. As ações de um Maçom devem ser de serviço constante, pois sabe que a maior felicidade está em dar e não em receber. Todos os seus esforços estarão unidos a toda ação nobre e a todo propósito justo.

Que se pode dizer sobre a prática da Virtude?

A prática da Virtude é uma questão fundamental na vida maçônica. Por vezes considera-se que basta ser bondoso, não se misturar com problemas alheios e ocupar-se somente dos assuntos próprios. Esta é uma forma refinada de egoísmo. Um egoísta é uma pessoa anacrônica e está destinado a viver em solidão. A prática da Virtude não é algo negativo e sim uma atitude vigorosamente positiva e profundamente ativa, que sempre será uma atitude cheia de otimismo.

A Maçonaria estimula a ajuda mútua e também a beneficência, que compreende a visita aos enfermos e a participação em funerais. Como podemos dizer que praticamos a Virtude se não nos preocupam os problemas, os sofrimentos e as dificuldades de nossos irmãos? Será possível falar da prática da Virtude se não cumprimos com os nossos deveres familiares, cívicos e maçônicos?

Temos de ter presente que a Humanidade está sempre representada na pessoa que se encontra perto de nós em um dado momento. Qualquer auxilio que brindemos a uma pessoa que tem um atrito ou uma necessidade, é uma ajuda que brindamos a todas as criaturas. Por isso, a prática da Virtude compreende o cumprimento estrito de todas as nossas obrigações e de nossos deveres sociais.

Qual é o dever imediato do Maçom?

O Maçom, assim como o cientista, tem o dever de adquirir conhecimento e domínio sobre todos os princípios e leis que regem os reinos da Natureza, mas difere do cientista porque o seu campo de atividade não está limitado somente ao físico, já que o seu estudo é muito mais abrangente, porque compreende o que denominamos o mundo moral ou espiritual.

Na linguagem habitual maçônica ao referir-nos aos Antigos Limites da Fraternidade (em inglês “Landmarks”), expressamos em que se constituem as bases ou fundamentos de nossa Augusta Instituição do Esquadro e o Compasso, que são leis universais, i.e., preceitos ou princípios que têm conservado os seus valores inalteráveis através dos séculos.

Poderia o Ilustre Irmão mencionar o primeiro destes preceitos?

Ao definir a Maçonaria se diz que ela é a Instituição orgânica da Moralidade. Este é um princípio muito controvertido e, em ocasiões, mal compreendido, já que deve explicar qual é o papel e o lugar que ocupa a Moralidade na vida de um Maçom.

Quando a motivação, o impulso ou o incentivo para agir na vida de um membro está dirigido só para alcançar o poder pessoal, para a ambição por ocupar cargos, pela busca de louvor, para o seu orgulho ou a satisfação de suas ambições, este comportamento pode considerar-se “imoral” ou “antimaçônico”, não sendo possível praticar uma moralidade elevada porque seria uma contradição, provocando conflitos internos que levariam o membro a abandonar nossas fileiras. Como menciona um provérbio: “Não é possível estar com Deus e com o diabo ao mesmo tempo”.

O orgulho e a vaidade são considerados, do ponto de vista maçônico, como indecorosos. Um Maçom não somente deve parecer uma boa pessoa, mas tem de sê-lo!

Como se preserva a pureza dos membros?

A Maçonaria conta com um aliado valioso que é o tempo, que se encarrega de depurar gradualmente nossas fileiras, o que na linguagem mística se denomina “separar o grão da palha”.

Todos os que têm muitos anos como membros da Maçonaria têm sido testemunhas de que todos aqueles membros sem escrúpulos, em diferentes circunstâncias e épocas, têm ficado na beira do caminho.

Quais são os que permanecem na Maçonaria?

Aqueles que são fieis aos princípios e às leis universais da Maçonaria. São todos aqueles que sofreram injustiças pessoais e ficaram firmes em seus cargos; os que valorizam a Augusta Instituição acima das debilidades humanas; os que têm aprendido a enfrentar sacrifícios pessoais, de modo natural e simples, como quando se interrompe o descanso ou a comodidade de nosso lar para participar em uma sessão maçônica, visitar um enfermo ou participar de um funeral. São os irmãos humildes, que não procuram se sobressair, e que cumprem os seus deveres de modo simples, os que levam uma vida de elevada moral maçônica. Isso precisa anos de esforços, na prática de uma verdadeira vida maçônica.

Pode dizer-nos algo mais sobre a Moralidade da Maçonaria?

Para trilhar o caminho e colocar em prática a vida maçônica a que fazemos referência, precisa-se uma moralidade elevada, não uma moralidade do tipo convencional, nem mesmo do tipo religioso comum, que diz: “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Do ponto de vista filosófico, a Maçonaria não é um credo, mas uma forma de comportamento, uma forma de vida, e pode-se considerar que um bom Maçom é aquele que é bom filho, bom esposo, bom pai, bom irmão...

Uma moralidade de tipo transcendental, que está baseada em leis e princípios da Natureza, e se deve praticar de modo a poder liberar o membro dos grilhões da ilusão e da ignorância, que é o que o tornará um exemplo vivo do que predica.

Que se poderia acrescentar ao respeito dessa ênfase na Moralidade?

O objetivo de praticar uma moralidade elevada não é para atingir uma felicidade temporal ou transitória, em meio das ilusões e da ignorância em que estamos envolvidos, mas sim para obter uma visão interior profunda de consciência que, quando conquistada, proporciona ao Maçom uma felicidade verdadeira e duradoura, um estado de paz e de tranqüilidade internos, um equilíbrio que nada exterior pode alterar. Então todas as comoções ou perturbações ao nosso redor não poderão alterar esse estado de equilíbrio e poderemos marchar pela vida seguros e repousados, com a nossa consciência tranqüila, pois não temos produzido dor, sofrimento ou crueldade a nenhuma pessoa.

Um outro aspecto a salientar é que a prática de uma moral elevada constitui um escudo protetor valioso e importante que protege o Maçom em sua luta no dia-a-dia. Temos que lembrar que somente podemos ser atacados por nossas debilidades e não por nossas virtudes.

Não se torna muito difícil a prática de uma Moralidade elevada?

Sim, a prática de uma moralidade elevada é algo difícil. Nossas vidas têm sido desenvolvidas em meio a enganos, mentiras e invejas. Sempre procurando as possessões e os cargos dos outros; considerando sempre nosso interesse pessoal acima de tudo, não tomando em consideração o bem-estar dos demais ou do coletivo. Vivemos em um mundo no qual quanto mais se tem, mais se quer, mais se deseja, onde a ambição sem limites por coisas materiais leva à dor e ao aprendizado de que tudo isso não proporciona a felicidade que estamos procurando.

Depois dessas reflexões breves feitas podemos perguntar: Por acaso não vale a pena aceitar este desafio e preencher as nossas vidas com as doutrinas inspiradoras e os ideais elevados da Maçonaria, para tornar-nos Maçons verdadeiros?

Com referência ao futuro da Maçonaria podemos afirmar que, como no passado, ela tem um papel maravilhoso a representar na civilização do futuro. Não foi inutilmente que os antigos ritos sagrados foram conservados secretos e os poderes imemoriais dos Mistérios foram transmitidos através dos séculos até nosso mundo moderno neste começo do terceiro milênio, pois atualmente nos achamos no limiar de uma nova era, segundo o plano do Grande Arquiteto do Universo, no qual muitos se sentirão atraídos pelo ensino filosófico e primitivo ministrado nos Mistérios do Egito, que são a herança que tem sido preservada na fraternidade maçônica.

Esta modesta contribuição está dedicada humildemente a essa grande alma que nas lutas do século dezoito trabalhou, sofreu e triunfou, e que é o Supremo Hierofante de Todos os Verdadeiros Maçons.

Fonte: JBNews - Informativo nº 330 - 24 de Julho de 2011