por M:M:.KaeL
Meus irmãos:
A Cadeia da União é um símbolo muito fascinante que nos leva a uma pergunta:
O que tecemos nesse instante?
Será apenas um belo símbolo da irmandade, um ornamento conclusivo, ou será talvez a manifestação mais tangível de uma realidade invisível que constitui a verdadeira base da nossa Ordem?
A cadeia é, acima de tudo, um símbolo poderoso e antigo. Ela envolve as estruturas da cabana, unifica os lados do pavimento de mozaico. No ritual, a forma é circular e habilidosa, seguindo o caminho do sol, aquela força psíquica que consideramos antes. Mas um símbolo, como Oswald Wirth nos ensina, não é um fim em si. É uma chave. E a chave serve para abrir, para acessar uma realidade mais profunda. Hoje, gostaria de virar essa chave com você, para explorar o que a porta desliza em nossas vidas.
A Cadeia dos Mestres:
Cada cadeia é tão forte quanto o seu elo mais fraco. Esta verdade da forja é uma lei espiritual do ferro. Antes de nos unirmos, devemos ser dignos da união. O que é um elo em nossa metáfora? É o indivíduo, o irmão, a pedra que foi cortada. Não é perfeita, mas trabalhada. A integridade pessoal é o primeiro mandamento. Uma cadeia demanda, portanto, uma autoconstrução anterior. Ela demanda que sejamos cubos, capazes de se encaixar e sustentar.
Mas a magia da cadeia não está no sumo de links soltos. Está no seu união. Quando as mãos são unidas, um circuito é fechado. Os antigos alquimistas falavam de um "vaso fechado", onde o grande trabalho foi realizado. Nosso círculo é esse vaso. Nesse momento, algo acontece que transcende o físico. A tradição esotérica, e autores como Jules Boucher, falam sobre o Egregore: um poderoso e coletivo poder, um campo de energia espiritual gerado pela concentração e unidade de um grupo.
A Cadeia da União é o ritual de ativando o nosso Egregore.
A energia, como se diz, circula. A mão direita, ativa, dá; a mão esquerda, receptiva, recebe. É um fluxo contínuo. Nesse instante, as alegrias se multiplicam e os fardos são divididos. Não é apenas poesia. É a experiência tangível que todo veterano maçônico conhece: a força de serenidade, de clareza e de apoio mútuo que emana de todo o mundo e reflete-se em cada parte. A corrente não é mais um símbolo de algo; torna-se o veículo de algo. É o canal através do qual o Fogo que nos unifica flui, maior do que a soma de nossas individualidades.
E aqui, irmãos, chegamos ao coração da questão. Se esta corrente só existisse dentro dessas paredes, seria um belo jogo, mas um pouco mais. A sua prova de fogo está no mundo profano. Como ela se materializa no ato silencioso. No mão estendida no fraternal aviso, discreto e sem testemunhas. No tolerante que sustenta o que se desliza, que corrige o que se desliza com o fraternal aviso, e que celebra o progresso do outro como se fosse o seu próprio. Em um mundo que exalta o individualismo feroz, manter esta corrente é um ato de resistência espiritual. É construir, link por link, uma verdadeira fraternidade, não declarativa.
Portanto, irmãos, quando novamente tomarmos as nossas mãos no final deste mandato, não o façamos por rotina. Sentimo o peso e a leveza desse gesto. Sentimo o pressão da mão que nos acarreta: é o testemunho físico de um voto moral. Ao formar a corrente, não terminamos uma tarefa; ativamos o princípio que torna possível qualquer trabalho futuro: a União.
A Corrente da União não termina quando deixamos as mãos. Ela se torna invisível, mas não é quebrada. Ela acompanha-nos, envolve-nos, e nos liga em distância. Ela é uma responsabilidade moral. Ela nos obriga a ser responsáveis um pelo outro. Nesse sentido, cada um de nós é, ao mesmo tempo, um guardião de um link e um guardião de um link.
Vamos cultivar, então, a nossa solididade individual, para sermos laços dignos de confiança. Vamos confiar na circulação daquela força superior que surge da nossa união consciente. E, acima de tudo, vamos viver no mundo como homens amarrados por um propósito sublime: construir, juntos, um Templo Humano cujas bases não são de pedra, mas de lealdade inquebrantável e de apoio mútuo.
Que esta corrente, agora simbólica, em breve vivida, nos lembre que a verdadeira força não está no grito individual, mas na silêncio unânime de um círculo de homens livres, unidos por um ideal comum.
Para a Glória do Grande Arquiteto do Universo.
Fonte: Facebook_Soy Mason
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