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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

quinta-feira, 2 de abril de 2026

FRASES ILUSTRADAS

ESTRELA FLAMEJANTE - PENDENTE DO TETO

Em 25/03/2025 o Respeitável Irmão Phelipe Gomes, Loja Jesus Sales de Andrade, 4863, REAA, GOB-CE, Oriente de Varjota, Estado do Ceará, apresenta a seguinte pergunta: phelipeponte@gmail.com

ESTRELA FLAMEJ∴

Gostaria de entender quando surgiu a Estrela Flamej∴, e se ela deve ser vista no templo somente no grau de Comp∴? Digo isto, pra saber se na reunião no grau de Apr∴ ela deve ficar coberta ou de modo que não se note.

Fico grato pela atenção e resposta do Irm∴ Secr∴.

CONSIDERAÇÕES:

Segundo Theobaldo Varolli Filho, o símbolo da Estrela Flamej∴ somente apareceu da Maçonaria em 1737. Primitivamente, esse símbolo, ainda como uma figura simples e sem nada no interior, foi adotado como um distintivo herdado do Pitagorismo. No contexto iniciático proposto por Pitágoras (acústico, matemático e físico), a Estrela Pitagórica (Pentalfa) significava a sabedoria do homem.

Ainda, segundo esse mesmo autor, foi o jurista, médico e teólogo Cornélio Agrippa de Nettesheim (1486-1533) que teria criado, usando esse símbolo pitagórico, a Estrela Flamej∴, oportunidade em que lhe emprestou atributos “mágicos” (vide in Rituais de Capa Vermelha, GOSP – REAA, Companheiro Maçom - Filho, Theobaldo Varolli; São Paulo, 1974).

No tocante à Moderna Maçonaria, em especial ao REAA, a Estrela Flamej∴, com a letra G no centro, é um símbolo para estudo do Companheiro Maçom, não obstante ela até já apreça como elemento decorativo, pendente do teto, sobre o lugar do 2º Vigilante (meridiano do Meio-Dia). Isso pode ser conferido no Ritual de Aprendiz vigente no GOB, REAA, página 15, segundo parágrafo.

Assim, a Estrela Flamej∴, conforme consta nos rituais, não possui nenhuma iluminação especial. Por se apresentar pendente do teto, não é uma estrela constitutiva do mapa estelar da abóbada do Templo. Ela é uma Estrela Hominal.

Mesmo sendo apenas objeto de estudo no 2º Grau, ela fisicamente aparece pendurada no teto em Loja do 1º Grau.

À vista disso, durante os trabalhos de Aprendiz, a Estrela Flamej∴ permanece naturalmente no lugar previsto, sem ser coberta (escondida) em nenhum momento. No 1º Grau, embora essa Estrela esteja visível, a mesma não é mencionada na liturgia dos trabalhos em grau de Aprendiz, e nem nas suas respectivas instruções.

T.F.A.
PEDRO JUK – SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

FRANKLIN E VOLTAIRE

Por Luciano J. A. Urpia

Em 1778, dois dos maiores pensadores do século XVIII, Benjamin Franklin e Voltaire, se encontraram na Academia de Ciências de Paris. Esse encontro histórico, ocorrido em 29 de abril, foi um dos últimos na vida de Voltaire, que viria a falecer em 30 de maio daquele ano. Pouco antes, o filósofo francês havia sido iniciado na Maçonaria na Loja "Les Neuf Sœurs" em 7 de abril, entrando no Templo de braço dado com Franklin e usando o avental de outro ilustre iluminista, Helvétius. Embora suas trocas tenham sido marcadas mais por gestos de mútua admiração do que por debates profundos sobre a implantação da democracia na Europa, o momento simbolizou o encontro entre o Iluminismo europeu e os ideais revolucionários que brotavam na América.

A influência de Franklin na Maçonaria francesa, contudo, foi profunda e política. Como Venerável Mestre da Loja "Les Neuf Sœurs" entre 1779 e 1781, ele transformou-a em um fervoroso centro de propaganda pela independência americana. Seu trabalho ajudou a disseminar os princípios de Liberdade, Igualdade e Fraternidade entre uma notável rede de intelectuais e militares, incluindo figuras como Lafayette e Beaumarchais. Franklin deixou Paris em 1788 para participar da formação do novo regime nos Estados Unidos, retornando antes da inauguração do presidente George Washington, em 1789, fechando assim um ciclo crucial em que a Maçonaria serviu de ponte para as revoluções que moldariam o Ocidente.

A imagem em destaque, de autor e data desconhecidos, mostra um encontro de Voltaire (que estava no fim da vida) e Benjamin Franklin, que viria a falecer 12 anos depois.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

GATO PRETO EM DIA DE INICIAÇÃO

Ir∴ Luiz Felipe Brito Tavares,
AM da Loja Luz do Planalto nr. 76 São Bento do Sul – SC

Em iniciação recente, após o término das atividades, que transcorreram sem anormalidades, um miado constante surgiu na Sala dos Passos Perdidos.

Pensei a princípio que fosse brincadeira de algum irmão, mas de fato quando me virei, na direção do repetitivo som, pude constatar uma cena para lá de curiosa.

O venerável estava tentando pegar um gato preto que inadvertidamente entrou na loja.

Após alguns minutos, com o devido cuidado, o gato preto já estava sendo posto para fora.

As brincadeiras de imediato começaram e não faltaram comentários sobre as possíveis maldições envolvidas.

Em uma análise baseada no senso nada comum de pessoas afeitas à razão, poderíamos rejeitar de princípio quaisquer misticismos.

Porém a história está repleta de fenômenos interessantes que nos induzem a uma reflexão um pouco mais demorada, e como apreciadores da simbologia deveríamos nos deter um pouco nelas.

Existem diversas histórias famosas e mesmo cotidianas relacionando sincronicidades de acontecimentos, e muitas vezes intermediadas por elementos simbólicos.

Na antiguidade não era raro, mesmo freqüente, que nativos primitivos associassem acontecimentos relacionados com suas vidas aos sinais que captavam do mundo ao entorno, dando a estes sinais, além do figurativo naturalmente usado, um valor ativo e com o potencial mesmo transcendente de gerar mudanças.

Os símbolos eram para eles entidades vivas e ativas.

Natural que pensassem assim dado aos poucos recursos cognitivos de análise e interpretação que possuíam.

Natural também que nós, como seres culturalmente mais avançados, supuséssemos que tais inferições fossem equivocadas.

Porém muitas vezes os sinais captados na natureza e interpretados segundo cada cultura simbólica, ao contrário do que podemos esperar, possuem aparente relação de autenticidade, ou seja, não só correspondem à realidade dos acontecimentos presentes e futuros, como também “parecem” mesmo ter o poder de modificar o rumo dos acontecimentos.

A conclusão clara de mistificação esbarra então em um jogo de ilusionismo, e tudo deixa de se encaixar de forma tão nítida e lógica diante de tais “aparentes” evidências.

Os símbolos primitivos de fato funcionam como elementos realistas e ativos de influencia dos acontecimentos?

Se os símbolos são apenas elementos figurativos, ou de depósito de valores que lhe outorgamos, como podem ter vida própria e tornarem-se representantes da realidade natural?

Não seria um contra senso?

Como a natureza pode se apropriar destes símbolos criados por nós mesmos para transmitir suas próprias informações? Torná-los vivos e autênticos mensageiros de sua vontade?

Teria os símbolos uma autenticidade acima daquela que lhe conferimos?

Haveria magia de fato nos símbolos? Estaria nossa razão iluminada enganada?

Ou tudo isto não passa de uma sala de espelhos confundindo nossas percepções?

Sabemos pelo nosso desenvolvimento cultural e pelo desenvolvimento das ciências racionais que símbolos são apenas elementos figurativos e representativos sem, no entanto serem possuidores de autênticos poderes místicos.

Através desta percepção moderna somos levados a crer que os primitivos davam valor demasiados ao seu simbolismo justamente pela pobreza de recursos de abstração e análise, como dito, para compreensão da realidade.

À semelhança da física moderna que cada vez mais quebra a matéria bruta em busca de suas unidades elementares, o homem moderno quebra seus símbolos pesados e arcaicos em busca por símbolos cada vez mais detalhados da existência.

O homem pega o saco de gatos e o transcende, percebendo que existe uma miríade interminável de tipos de gatos e miados. E que a natureza essencial das coisas é muito mais etérea e misteriosa do que pensamos, vide o gato Scrhödinger.

A física cada vez chega mais perto da conclusão de que não existem de fato unidades elementares, e de que tudo é energia em diferentes estados vibracionais. Cada elemento que conhecemos seria, dentro deste pensamento, acorde musical constituído pela harmonia de diversas vibrações. Tudo seriam de fato vibrações e possibilidades harmônicas de vibrações.

Elucubrando poderíamos dizer licenciosamente que tudo são matrizes ou espaços de possibilidades e as possibilidades mesmas em interações de sinergia.

De maneira semelhante ao físico o pensador moderno percebe que talvez não consiga alcançar o símbolo elementar, pois que ao contrário do que esperamos nada é estático, mas tudo é movimento. O símbolo é um conjunto harmônico de movimentos de relação.

O macro se torna pobre diante do micro, que se faz um mundo imenso.

Tudo são relações, tudo são sincronias e sinergias.

Porém o que seria o movimento perceptível se não apenas mudança?

Mas a ordem é uma espécie particular de mudança. Uma mudança sincrônica e sinérgica. Miados simétricos dentro de um saco de gatos possíveis.

Símbolos são padrões harmônicos de movimento, ou de relações dinâmicas. “Inteirezas complexas e ativas que inclinam, com maior ou menor grau de sentido determinado, o seu entorno”.

Quando se quebram os símbolos encontra-se apenas sentido em sua forma essencial. Pacotes de sentido.

Para nós seres em evolução o sentido precisa ser encadeado, pois partimos do nada em direção ao pleno, e precisamos de pontes que nos sirvam de barcos para singrar tal gradiente. Precisamos encadear ou engarrafar o sentido na forma de degraus que se encaixem. Porém sabemos que degraus são transitórios e só existem enquanto nos servem à passagem.

Para os primitivos, no entanto os símbolos eram detentores de existência própria e também de poderes mágicos. Da mesma forma que para os primeiros físicos o elemento básico da matéria era uma esfera sólida minúscula.

Não eram apenas pontes, mas elementos essenciais e vivos. Por isto pareciam ter o poder de modificar acontecimentos.

Confundiam o espelho com a própria luz refletida por ele.

Portanto seria fácil para um ser moderno dotar de imperfeito tal conceito e suas conseqüências.

De fato nossa percepção inicial de homens de bom senso não estava de todo equivocada.

A realidade é uma cebola e o sentido se manifesta em diversos níveis. Existem ferramentas brutas e polidas, mas todas servem ao sentido.

Se no universo não houvesse um sentido imanente, ou seja, presente e interligando tudo, poderíamos pensar que os símbolos seriam realmente possuidores de autêntico valor místico. Porém devemos considerar que tudo está sob a imanência de um sentido superior. Tal sentido a tudo integra, e naturalmente se utiliza dos símbolos que albergamos para transmitir suas mensagens. Tudo está interligado e os símbolos provêm do conhecimento que temos da realidade, sendo que a realidade é formada ela mesma por um sentido presente. Símbolos carregam o sentido. Quanto mais evolui uma sociedade mais evoluem seus símbolos que passam a ser mais eficientes em captar todos os detalhes e patamares, e todas as relações que envolvem a vida em seus níveis mais diversos.

A simbologia se aperfeiçoa em compreender de forma macroscópica e microscópica a realidade em todas as suas profundidades.

Portanto os símbolos não são místicos enquanto elementos reais, mas carreiam um sentido imanente e essencial da natureza. São mágicos no sentido de carregarem a mágica da existência.

Somos um com O Criador quando fazemos sua vontade.

Os símbolos por si não são mágicos, mas servem à mágica do grande Arquiteto que nos reconstrói a cada dia.

Por si os símbolos só são apenas pedras, ou se preferir pó, mas quando carreadores de mensagens se tornam pontes ativas.

Se um símbolo significa algo para alguém, não importando seu grau de sutileza e densidade, a natureza com certeza poderá dele se utilizar para lhe comunicar alguma mensagem de sentido; mas não devemos nos prender às pontes rudimentares, pois devemos substituí-las por símbolos cada vez mais densos que terão um poder cada vez maior de nos trazer toda luz que necessitamos.

Assim nos capacitaremos a receber a mensagem sem ruídos e com grande eficiência, ou seja, sem perdas e em sua maior amplitude potencial.

O sentido da natureza não se prende a símbolos, mas se utiliza deles. O sentido segue o caminho ao seu alcance para atingir sua meta principal.

Nada está ao acaso, embora o acaso seja uma aparente ilusão de realidade.

O símbolo representa o sentido encadeado.

O importante é o sentido que desejamos e não a estrada que viabiliza o sentido. Podemos construir sempre estradas melhores.

A natureza não precisa de gatos pretos para passar mensagens, mas se for o caso, e se não houver simbologia mais sutil, assim o fará.

Se é nisso que você acredita?

Então assim é se lhe parece, dizia Pirandello.

Resta saber se ficaremos presos aos gatos pretos ou se buscaremos por símbolos mais próximos da simbologia essencial.

O venerável mestre da loja não ficou assustado com o gato preto, mas percebeu o pânico do pobre bichinho ao ver tantos outros seres estranhos trajados de negro em um mesmo lugar.

O gato percebeu a mensagem de perigo, e o venerável captou o sentido da misericórdia, através de seus miados perdidos, e deu ao pequeno gatinho a liberdade que tanto ansiava da sala dos passos perdidos.

O venerável pela sua ação elevada e despreocupada, acima do primitivismo, pode ficar tranqüilo quanto às conseqüências, pois a mensagem passada foi de vida e luz.

Gato preto em dia de iniciação é renascimento para um caminho de simbolismos ricos e maravilhosos.

Fonte: JBNews - Informativo nº 0304 - 28 de junho de 2011

quarta-feira, 1 de abril de 2026

FRASES ILUSTRADAS

CIRCULAÇÃO DOS DIÁCONOS - REAA

Em 27/11/2025 o Respeitável Irmão Teodoro Robens Freitas Silveira, Loja Apóstolos da Galileia, 2.412, REAA, GOB MINAS, Oriente de Montes Claros, Estado de Minas Gerais, solicita esclarecimentos para o que segue:

CIRCULAÇÃO DOS DIÁCONOS

No Ritual de Aprendiz, pág. 51, consta: “[...] o 1º Diác então se dirige ao 1º Vige, pela sua direita, transmite-lhe a Pal Sagr∴ [...]”.

Pergunto:

- O 1º Diác vai subir os dois degraus da mesa do 1º Vig pelo lado direito ou esquerdo? (Notar que a marcha dele parte do Ven para o 1º Vig).

Nesta loja, o 1º Diác sempre subiu os degraus da mesa do 1º Vig pelo lado direito; ocorre que em visita a outras lojas tenho notado que eles alteraram o procedimento e o 1º Diác está subindo os degraus da mesa do 1º Vig pelo lado esquerdo, passando por trás dos irmãos 2º Diác e 1º Exp. Procedimento idêntico do 2º Diác ao se dirigir para a mesa do 2º Vig.

Instruam-nos, por favor.

CONSIDERAÇÕES:


O ritual vigente é bem claro quando menciona que a abordagem é pela direita do Vigilante. Desse modo, o 1º Diácono sobe os degraus pela direita do 1º Vigilante. Da mesma forma assim também faz o 2º Diácono que, depois de ter deixado o 1º Vigilante, se dirige até o 2º Vigilante, subindo o único degrau, pela sua direita.

Vale observar que em lugar nenhum do ritual está escrito que há abordagem pelo lado esquerdo dos Vigilantes. Também não há nenhuma orientação para se circular a mesa do Vigilante. Ambos são diretamente abordados pelo seu lado direito (ombro direito), da mesma forma como o Venerável Mestre foi abordado pelo 1º Diácono.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MINUTO MAÇÔNICO (5)

TELHAMENTO ESPECIAL

1º - De onde vindes meu irmão?
- Do meu trabalho onde me dediquei com bom ânimo e muito entusiasmo

2º - O que trazes contigo?
- Corpo cansado, mas a certeza do dever cumprido com muito amor.

3º - O que esperais receber?
- Ser acolhido como irmão, para que eu possa restabelecer minhas forças, e com alegria continuar a luta.

4º - Sede bem vindo entre nós, aqui estamos para auxiliar na luta que é de todos nós por um mundo melhor e mais justo.

5º - Irmão M. de Cer. auxiliai nosso irmão e concedei a ele um lugar onde possa espargir sua luz em benefício de todos nós.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

NINGUÉM SE LIVRA DO R∴I∴T∴U∴A∴L∴

Bruno Bezerra de Macedo

Tudo de belo que vive-se, dia a dia, se manifesta a partir de uma série de ações repetidas e sistemáticas, com objetivo simbólico ou religioso, que pode envolver cerimônias, ritos, objetos sagrados, líderes espirituais e espaços específicos, ou seja, compõem o ritual: R (Respeito); I (intenção), T (transformação); U (união); A (autoconhecimento) e L (luz). O ritual é uma prática simbólica estruturada que expressa valores, identidades e crenças, funcionando como um mecanismo de coesão social e significação cultural.

Respeito à natureza é um valor central em muitos rituais, especialmente nas tradições indígenas e umbandistas. O uso de ervas na Umbanda, por exemplo, exige disciplina, conhecimento e gratidão, respeitando os ciclos naturais e a energia das plantas para garantir que o Axé flua. Da mesma forma, o ritual do Fogo Ancestral indígena celebra a união dos elementos — fogo, terra, água e ar — como símbolo de vida e preservação, reforçando o compromisso com a sustentabilidade e a tradição.

Na Maçonaria, o ritual é um imprescindível instrumento de formação de caráter e de elevação espiritual dos seus adeptos, a partir de simbologia que remete a um fluxo evolutivo e à fraternidade universal, exigindo respeito aos princípios e à ordem. Em todos esses contextos, o ritual jamais será, apenas, uma repetição mecânica, mas sim, um meio de interiorização, reflexão e fortalecimento de valores que sustentam relações humanas respeitosas e significativas dotadas do mais inefável senso de pertencimento.

Respeitamos o respeitável, assim, somos respeitados, pois, é uma atitude que reflete valores como consideração, admiração e reconhecimento pelas qualidades alheias, especialmente em quem demonstra integridade, responsabilidade e coerência em suas ações. Quando nos posicionamos com respeito diante de quem merece, não apenas honramos essas qualidades, mas também reforçamos nossa própria credibilidade e caráter. Nos vemos no que respeitamos, pois, nos identifica e nos iguala.

O verdadeiro respeito vem de dentro: não é buscado por reconhecimento externo, mas, é cultivado ao agir com honestidade, mesmo quando inconveniente. Pessoas respeitadas são aquelas que, como Ned Stark em Game of Thrones, assumem suas responsabilidades com coragem e dignidade, mostrando que seu comportamento é guiado por valores, não por conveniência. Ser respeitado é um resultado natural de viver de forma autêntica e alinhada a princípios sólidos.

Respeito mútuo se constrói em relações saudáveis onde há limites claros, empatia e comunicação respeitosa. Respeitar é reconhecer a individualidade e as diferenças do outro, valorizando suas experiências, crenças e limitações. Respeitamos o respeitável porque valorizamos o bom e o justo, e ao fazê-lo, nos tornamos respeitáveis - não por imposição, mas, por exemplo. O respeito é um círculo virtuoso: começa com a autoestima, se expressa nas ações e é reconhecido no caráter. Respeito imprime intenção.

Indubitavelmente, ritual e intenção estão profundamente interligados, já que, a intenção é o alicerce que dá significado e poder ao ritual. Um ritual, por si só, é um conjunto de ações simbólicas realizadas de forma repetitiva com um propósito específico, porém, é a intenção clara que transforma essas ações em algo mais do que uma mera rotina. A intenção orienta a escolha dos elementos simbólicos (objetos, cores, músicas, palavras), a sequência de ações e o ambiente onde o ritual ocorre. Sem ela o ritual perde seu sentido.

Definir a intenção é o primeiro passo para criar um ritual significativo. Isso pode envolver objetivos como cura emocional, conexão espiritual, preparação para uma prova, celebração de uma conquista ou fortalecimento de laços sociais. Em rituais pessoais, como o café da manhã consciente ou uma meditação matinal, a intenção dá profundidade ao ato comum, tornando-o uma experiência de presença e propósito. Sem a intenção, o ritual perde ser poder transformador.

Como destaca o psicólogo Nick Hobson, rituais são intencionais, ao contrário das rotinas mecânicas. Ao ritualizar a vida, ganhamos ferramentas poderosas – e indispensáveis - para reduzir a ansiedade, aumentar a conexão e viver com mais significado. Em rituais coletivos, como reuniões de equipe com uma citação motivacional ou cerimônias religiosas, a intenção compartilhada fortalece o sentido de pertencimento e propósito coletivo, oportunizando o surgimento ambiências harmônicas e colaborativas.

Maçonicamente contemplando, cada reunião, ou Sessão, é um ato litúrgico com propósito, estrutura e finalidade definidos. A intenção é criada inicialmente por meio da convocatória enviada aos membros, que se preparam mental, emocional e fisicamente para a excelência do trabalho que realizarão. Essa preparação gera a primeira bolha de energia, que circunda a Loja e o Templo, e foca a forma de pensar para o trabalho interior, onde o autoaprimoramento realiza os propósitos da maçonaria para o homem.

A eficácia do ritual maçônico depende, primordialmente, da sincronização física, emocional e mental dos participantes, além da intenção positiva e da cooperação total. Quando bem executado, o ritual cria uma atmosfera que influencia os corpos "subtis" dos participantes e o ambiente, gerando efeitos profundos, como uma "nota perfeitamente nítida vibrando como as ondas de um seixo caído em um lago parado". A liberação da energia ocorre no final da Sessão, após o trabalho estar concluído, quando a transformação é real.

Os rituais, como já dito antes, atuam como estruturas simbólicas que criam um espaço e tempo sagrados, separando o cotidiano profano de momentos de intensidade psicológica (psicodrama) e espiritual, permitindo uma redefinição da identidade pessoal e social, como acontece em ritos de passagem, por exemplo, que facilitam (e marcam) mudanças internas e externas significativas na vida de um indivíduo - de rapaz para homem, solteiro para casado ou vida para morte.

Segundo Arnold van Gennep e Victor Turner, os rituais seguem uma sequência de três fases: separação, transição (liminar) e incorporação. Essa estrutura ajuda a superar estados de indefinição (limbo), promovendo uma transição mais clara e poderosa. Eles dão forma e coerência à história pessoal, transformando mudanças sutis em eventos significativos, como uma conversão espiritual ou uma nova jornada de vida, oportunizando “recomeços” e a “limpeza” do passado, como nos solstícios e equinócios.

O ritual não é, apenas, uma prática formal (e jamais será algo mecanicamente praticado), mas sempre, é um impulsionador da mudança pessoal. Ao criar estrutura, intenção e simbolismo, ele transforma experiências invisíveis em momentos tangíveis de transformação - guiando o indivíduo de um estado para outro, com clareza, propósito e conexão. Os ritos não só regulam as sociedades, mas também, transformam o indivíduo moral e socialmente, ao cultivar valores como respeito, ética e harmonia.

A iniciação maçônica é considerada um rito de passagem que promove uma mudança fundamental na condição existencial do indivíduo. Segundo Mircea Eliade, a iniciação liberta o ser humano do tempo profano e o conecta com o sagrado. No ritual, o candidato passa por uma morte simbólica (separação do mundo profano), uma fase de indeterminação e provas (liminaridade), e um renascimento simbólico (incorporação no novo estatuto de maçom). Um psicodrama determinantemente transformador.

A psicologia analítica de Carl Gustav Jung explica que o ritual maçônico atua no inconsciente coletivo, promovendo a individuação - o processo de realização do "Si mesmo". A vivência do ritual, especialmente na representação de figuras como Hiram Abiff, provoca um "choque na ordem sensível", gerando um conhecimento poético e uma transformação interna que vai além do intelecto. Resolutamente, o valor do ritual se estabelece na intenção e reflexão, que promovem a transformação intima almejada.

A Maçonaria não se limita à iniciação, projeta-se no espaço-tempo, numa incansável jornada através dos graus (Aprendiz, Companheiro, Mestre Maçom) - uma progressão intencional de transformação, onde cada ritual aprofunda o autoconhecimento, a ética e a (auto)responsabilidade. Como afirma o etnólogo Victor Turner, a fase liminar cria uma communitas - uma comunidade igualitária onde a humildade e a prova são centrais, preparando o iniciado para uma nova identidade, sob animus familiae que proposita.

Irrefutavelmente, os rituais atuam como ferramentas poderosas para fortalecer os laços sociais, sejam eles familiares, profissionais ou comunitários. Segundo autores como Émile Durkheim, os rituais preservam a coesão social ao reforçar valores compartilhados, normas e identidade grupal, pois, onde viceja respeito, ética e harmonia, certamente, habita a união (coesão) - oferecendo estabilidade social incondicional, promovendo a solidariedade e construindo confiança, reconhecimento e pertencimento.

Cumpre destacar o apontado por Mariza Peirano, para quem a definição de ritual é etnográfica, ou seja, depende do grupo que o vive (que o pratica). Em alguns casos, como o escândalo de Jeffrey Epstein, os rituais foram usados para criar uma coesão tóxica entre elites, utilizando simbologias pagãs e práticas iniciáticas que funcionam como pactos de silêncio e exclusão. Nesses casos, o ritual serve para sacralizar o poder, afastar-se da moralidade comum e consolidar uma identidade de "exceção".

No entanto, nas famílias, os jantares em grupo, leituras antes de dormir ou celebrações de aniversários reforçam laços afetivos e oferecem estabilidade emocional, especialmente em momentos de transição. Nas comunidades, eventos como as cerimônias de formatura ou eventos anuais preservam tradições (como ocorre nos solstícios – natal, em dezembro e festas juninas, em junho), celebram conquistas e unem as pessoas em torno de uma cultura comum, cujo propósito é madureza do homem na transição que evidenciam.

A união dentro da Maçonaria é diretamente fortalecida pelos rituais, pois eles criam um senso de pertencimento, continuidade histórica e unidade entre os seus adeptos. Ao se reunirem regularmente em sessões rituais, os maçons alimentam uma Egrégora - uma energia coletiva e sutil gerada pela intenção comum de evolução espiritual e bem comum. Essa força invisível conecta as Lojas ao corpo mais amplo da Maçonaria Universal, garantindo a permanência da tradição e a harmônica coesão dos maçons.

Os rituais maçônicos são uma série de ações simbólicas, cerimônias e procedimentais que objetivam a transmissão de valores morais, filosóficos e espirituais dentro da Maçonaria. Cada grau maçônico possui seu próprio ritual, com gestos, palavras, objetos simbólicos — como esquadros e compassos — e uma linguagem própria, que ilustram conceitos como retidão, justiça, fraternidade e busca pela verdade. Eles são um sistema de instrução que aperfeiçoa o homem pelo autoconhecimento que promovem.

Indiscutivelmente, os rituais são práticas intencionais que organizam a rotina e facilitam o autoconhecimento ao criar pausas sagradas para reflexão, conexão interna e expressão de emoções. Eles fazem dos hábitos momentos de presença, permitindo identificar padrões, crenças limitantes e sentimentos, essenciais para o desenvolvimento pessoal, conexão a natureza e com o eu interior - os pequenos rituais diários, como meditação ou escrita, permitem ouvir a própria voz em meio aos ruídos do dia a dia.

Os rituais permitem que o indivíduo se desconecte do "piloto automático" e assuma o controle de seu comportamento, mudando padrões e fazendo novas escolhas. Enquanto a rotina é automática, o ritual exige consciência, transformando ações simples em ferramentas de descoberta pessoal. Ele funcionam como símbolos externos de quem você é. Segundo a neurociência, manter rituais coerentes com o que você acredita evita a "dissonância cognitiva", fortalecendo a identidade pessoal.

O cérebro humano favorece a repetição, que oferece uma sensação de segurança. Em um ambiente previsível, é mais fácil baixar as defesas e observar pensamentos e emoções profundas. Ao realizar comportamentos estruturados, consegue-se lidar melhor com o estresse, o que limpa o caminho mental para a auto-observação e o auto entendimento. Assim sendo, rituais, como um ritual matinal consciente, permitem começar o dia alinhado com enlevadores valores que ressignificam o viver e aprimoram vidas.

O autoconhecimento é o pilar central da filosofia maçônica, por isso, os rituais maçônicos são cuidadosamente elaborados com o fito de promover (incitar) o autoconhecimento, o autoexame e a reflexão ética, ajudando os membros desta Sublime Ordem a transcender o estado de ignorância e alcançar a iluminação espiritual e moral. Os "segredos" maçônicos não são conspiratórios, mas sim, saberes que fomentam o autoconhecimento e a evolução interior, construindo um ser ético, reflexivo e livre: homem integral.

Através de elementos como a Câmara de Reflexões, onde isolados em penumbra, os adeptos da Maçonaria são confrontados com seus medos, preconceitos e condicionamentos, promovendo uma desconstrução do Eu profano. Essa experiência psicológica e simbólica, baseada na teoria de Van Gennep, prepara o indivíduo para um novo estado de consciência - o sagrado - no qual a vida é vivida com mais propósito, responsabilidade e fraternidade, com o propósito único de tornar feliz humanidade pelo amor.

Além disso, cumpre denotar, a Maçonaria integra influências de tradições esotéricas como o Hermetismo, a Kabbalah e a alquimia, que reforçam a ideia de que a verdadeira "pedra filosófica" é o próprio homem em processo de aperfeiçoamento. Seus rituais ao utilizarem símbolos como a pedra bruta (imperfeição humana) e a pedra polida (perfeição alcançada), o esquadro e o compasso (moralidade e equilíbrio), e a luz (verdade e sabedoria) para provocar uma profunda introspecção, chamam o homem à iluminação.

Não resta a menor dúvida, neste momento que ritual é um instrumento poderoso de transformação interior. Ele melhora a concentração, o humor e o equilíbrio emocional, promovendo um estado de clareza mental diária, essencial para o caminho da iluminação. Quando bem praticado - seja com luz, meditação, oração ou controle de hábitos - ele abre espaço para a iluminação espiritual, ajudando o indivíduo a transcender a ignorância, alcançar a paz e viver com mais propósito.

A iluminação é o objetivo final das jornadas espirituais. Os Budismo consideram-na o estado de despertar total (Bodhi) e a libertação do sofrimento, assim, rituais como o festival de Wesak celebram esse marco na vida de Buda. Os Hindus, a festejam no Diwali (Festival das Luzes) que utiliza o acendimento de lamparinas (diyas) para simbolizar a vitória da luz (sabedoria) sobre a escuridão (ignorância). Pessoalmente, a exposição à luz natural logo cedo me ajuda a alinhar o relógio biológico e o foco mental.

Na Maçonaria, a "iluminação" não é um evento místico súbito, mas um processo contínuo de aperfeiçoamento moral e intelectual. O ritual atua como a ferramenta prática para que o indivíduo saia das "trevas" da ignorância e caminhe em direção à "Luz" do conhecimento. As luzes rituais (representando Sabedoria, Força e Beleza) e as Três Grandes Luzes (Livro Sagrado, Esquadro e Compasso) iluminam o caminho espiritual dos maçons, guiando a transformação interior e a busca pelo autoconhecimento.

Conscienciosamente, a iluminação na maçonaria não é apenas física, mas sim, principalmente, espiritual e simbólica, orientando os obreiros na construção de seu templo interior, onde eles encontram sua verdadeira luz. A evolução do maçom é uma subida gradual em direção à luz. Esta iluminação maçônica exige que o membro aplique o que aprende no ritual em sua vida prática, tornando-se ele próprio uma fonte de luz (exemplo) para a sociedade, que acha no aprimoramento do homem o vetor de sua evolução.

Claramente, os rituais são instrumentos essenciais de socialização, ajudando os indivíduos a passar por transformações de status, como nascimento, puberdade, casamento e morte. Eles reforçam a coesão social, promovendo um senso de pertencimento e comunidade, especialmente em contextos religiosos, familiares ou comunitários. Como aponta Altierez dos Santos, os rituais são presentes em todas as esferas culturais, funcionando como etiqueta, rotina ou estilo de convivência.

A relevância do ritual está em sua capacidade de dar sentido à vida, estabelecer ordem no caos, transformar o indivíduo e manter viva a cultura e a identidade social dos indivíduos a partir do grupo que constituem e celebram seus rituais. 

O ritual efloresce: R (responsabilidade); I (integridade); T (transparência); U(unidade); A (ação) e L (legado). Segundo o filósofo Byung-Chul Han, os rituais transformam o "estar-no-mundo" em "estar-em-casa", tornando o tempo habitável e o mundo mais confiável.

Fonte: https://brunobmacedo.blogspot.com/

terça-feira, 31 de março de 2026

FRASES ILUSTRADAS

PROPOSTA DE OUTRO IRMÃO NA BOLSA

Em 26.11.2025 o Respeitável Irmão Antônio Carlos Manso, Loja Inconfidência e Liberdade, REAA, GOB MINAS, Oriente de São Gonçalo do Sapucaí, Estado de Minas Gerais, apresenta a seguinte questão:

PROPOSTA DE OUTRO IRMÃO

Em sessão ordinária um irmão colocou uma prancha no saco de proposta solicitando isenção de taxas de um irmão que estava presente. O Venerável colocou a proposta em votação com a presença do favorecido.

Gostaria de saber se a conduta foi correta e se não como deveria proceder.

CONSIDERAÇÕES:

Como este não é propriamente um assunto ligado à liturgia e à ritualística, deixo aqui apenas a minha opinião.

Assim, no meu entender o Irmão que estava pleiteando a isenção monetária é quem deveria colocar o pedido na bolsa de propostas, e não um outro Irmão por ele.

Como a matéria envolve as finanças da Loja, esse assunto deveria ser debatido e votado em uma sessão exclusiva, como a de finanças.

Disso tudo, eu acho estranho é alguém fazer solicitação por outrem, especialmente no momento em que esse outrem está presente nos trabalhos.

Outro erro, no meu entender, é a aprovação de uma proposta de isenção monetária em sessão ordinária comum, e não em uma de finanças convocada conforme o previsto na legislação maçônica e especialmente para tratar do assunto.

Para concluir, é o que eu penso. Por se tratar de uma opinião, não tome essas colocações como laudatórias.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

OCUPAÇÃO DE CARGOS NA LOJA

Em 26.11.2025 o Respeitável Irmão Orlando dos Santos Souza, Loja Amor ao Trabalho do Rio, 10, GORJ (COMAB), sem mencionar o Oriente, Estado do Rio de Janeiro, apesenta a seguinte questão:

OCUPAÇÃO DE CARGOS

Primeiramente, quero humildemente pedir desculpas pelo incomodo.

Segundo agradecer-lhe desde já pela ajuda que será fundamental para meu aprendizado e aculturamento do nosso aprendizado.

Meu preclaro Ir∴, visitando Lojas das GLMERJ e do GOB-RJ verificamos que em uma se utiliza de Aprendizes e Companheiros para auxiliar nos trabalhos em sessão de grau I e grau II, quando não há uma quantidade de Mestres para sua formação.

Sei que o respeitado Ir∴ é terminantemente contra a utilização desses IIr∴ocupando cargos em Loja.

Então eu vos pergunto: qual é a fundamentação legal maçônica para tal proibição? Por que em Loja de grau I ou grau II o Companheiro não pode ocupar cargo? Qual é a justificativa legal, maçônica, esotérica, para tal proibição?

CONSIDERAÇÕES:

Inicialmente devo mencionar que não sou eu que é terminantemente contra Aprendizes e Companheiros ocuparem cargos. A questão é iniciática e de legislação.

Iniciática porque Aprendizes e Companheiros ainda não alcançaram a sua formação simbólica profissional, fato pelo qual ainda estão percorrendo a sua senda para em busca de aperfeiçoamento – ainda não alcançaram o topo da jornada iniciática.

À vista disso é que os cargos são privativos apenas daqueles que alcançaram a plenitude maçônica. Para que isso possa acontecer, o iniciado precisa primeiro ser exaltado ao sublime grau de Mestre Maçom, o que se dá, no caso do REAA, somente com a passagem pela cerimônia de Exaltação, quando então, da Câmara do Meio, o Mestre Maçom passa a ser senhor de todos os caminhos.

Não obstante a isso, no caso do REAA, os Aprendizes e Companheiros, conforme os rituais, vivenciam essa alegoria solar sentando-se no topo das Colunas do Norte e do Sul, respectivamente.

No caso do REAA praticado no GOB, está bem claro, conforme o ritual, que Aprendizes e Companheiros se sentam encostados nas paredes Norte e Sul (topo), não podendo, inclusive, ingressarem no Oriente em Loja aberta, a despeito de que o Oriente é privativo dos Mestres, e para ser um Mestre Maçom é preciso que antes se tenha percorrido toda a escalada iniciática prevista pelo rito, no simbolismo maçônico.

No tocante ao aspecto legal, no caso do Grande Oriente do Brasil, Obediência a que pertenço, o Regulamento Geral da Federação, prevê, no seu Artigo 229, que cargos em Loja são privativos de Mestres Maçons.

Assim, graças a essas questões que Aprendizes e Companheiros não podem ocupar cargos na Loja.

Seguindo esta mesma linha de raciocínio, no caso do GOB, o RGF, em seu Artigo 96, XXII, prevê ainda o mínimo de 7 Mestres Maçons para se abrir legalmente uma Loja. Ressalte-se que nesse contexto Aprendizes e Companheiros não são mencionados.

Ao concluir vale a pena mencionar que essas são considerações pertinentes aos trabalhos de Lojas do GOB, podendo existir contradição quando se tratar do previsto nos regulamentos da COMAB e da CMSB.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

ALEXANDER VON HUMBOLDT

Por Luciano J. A. Urpia

Por ocasião do bicentenário de Alexander von Humboldt (um dos cientistas mais influentes do século XIX), um enigma persiste em sua biografia: sua relação com a Maçonaria. Apesar de seu nome figurar em listas de "maçons ilustres" e diversas Lojas pelo mundo levarem sua designação, não há qualquer evidência de que o célebre naturalista prussiano tenha sido formalmente iniciado na Ordem. Ele personificava os ideais iluministas da Fraternidade, o universalismo, a busca pelo conhecimento e o humanismo, mas manteve-se, aparentemente, do lado de fora. A grande questão que se coloca é: por que, então, os próprios maçons o reivindicam tão vigorosamente como um dos seus?

A resposta reside na profunda sintonia entre o projeto de vida de Humboldt e os postulados fundamentais da Maçonaria do século XIX. Crescendo em meio a círculos intelectuais onde a Maçonaria era influente (seu pai era maçom, e amigos próximos como Goethe eram maçons), Humboldt navegou por uma rede global de contatos que muitos historiadores associam a essas "redes invisíveis" da Fraternidade. Seu sucesso em obter permissões reais para explorar a América Espanhola e sua calorosa recepção nos Estados Unidos, onde a Maçonaria era entrelaçada com os ideais fundadores da república, sugerem uma afinidade prática com esse mundo.

Consequentemente, após sua morte, os maçons, especialmente nos Estados Unidos e na Alemanha, realizaram uma "adoção" simbólica de Humboldt. Periódicos maçônicos alemães cunharam o termo "maçom sem avental" para descrevê-lo, celebrando-o como um "cidadão do mundo" cuja ciência holística e defesa da liberdade humana forneciam uma base acadêmica para seus próprios ideais. Nos EUA, Lojas com seu nome multiplicaram-se, transformando-o em uma figura unificadora para comunidades de imigrantes e em um ícone do cosmopolitismo instruído que a Maçonaria almejava promover. Portanto, Apesar de a "iniciação" ser o elemento crucial que torna um profano em maçom, o termo "Maçom sem Avental" parece ter surgido graças a um grande profano: Humboldt.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

O REGRESSO DA TOLERÂNCIA

Ruy Bandeira 

No seu texto Tolerância - o verdadeiro início do conceito, JoséSR dá uma achega que aceito perfeitamente. Tem lógica o que ele ali escreveu.

Permito-me apenas fazer notar três pontos.

O primeiro é a confirmação de que o início do conceito advém no âmbito da religião ou, talvez melhor dito, do confronto de religiões. O conceito virá a evoluir para além deste específico campo de aplicação, com a inevitável densificação do seu significado.

O segundo é que, salvo melhor opinião, com a Reforma, aparece a questão da tolerância, mas sem tratamento filosófico desenvolvido, sendo com Locke que surge a primeira estruturação consistente do conceito.

O terceiro é que a visão de Locke sobre o assunto é duplamente importante: em termos gerais, porque, enquanto no Continente Europeu, lidar com as diferentes opções religiosas cristãs era um problema de ´"nós" e "eles", já que ocorreu uma verdadeira distribuição geográfica entre católicos e protestantes, em função da opção dos detentores do poder político em cada região (onde o senhor permaneceu católico, o povo assim continuou; onde o senhor aderiu à Reforma, todos os seus súbditos foram levados a fazê-lo), na Grã-Bretanha a mesma questão punha-se em termos muito mais pessoais e directos, já que, por força da sua particular evolução histórica (Henrique VIII e as vicissitudes, políticas e pessoais, que originaram a rotura com o Papado e a criação da Igreja de Inglaterra), aí se deu uma efectiva divisão interna entre católicos e protestantes, com lutas e perseguições mútuas, e, portanto, aí ganhou uma particular relevância a questão da Tolerância religiosa; em termos particularmente relevantes para a Maçonaria, pela evidente influência que o pensamento de Locke teve na génese da Maçonaria especulativa, cuja gestação estava em curso aquando da publicação das três cartas de Locke sobre a Tolerância, visível, designadamente, pela específica referência que ao tema é dada no Sexto Landmark.

Quanto ao conceito exposto por Locke, referenciado no texto Tolerância: o início enquanto conceito filosófico, a leitura do resumo efectuado por Carlos Fontes elucida-nos claramente que, ao contrário do entendimento apresentado pelo JoséSR (que, recorde-se, foi a questão subjacente a todo o conjunto de textos sobre o tema no corrente mês de Janeiro), não integra tal conceito a noção ou postura de superioridade do "tolerante" para com o "tolerado".

Pelo contrário, quer na fundamentação da necessidade da tolerância, quer na sua justificação filosófica, Locke enfatiza a igualdade, a paridade entre pessoas com entendimentos e vivências divergentes.

Não há qualquer superioridade, antes intrínseca igualdade, quando se defende que 

A única coisa que é importa no cristianismo é a salvação das almas, a qual dependente unicamente da conduta que os indivíduos levarem. Deus irá julgá-los não pelas ideias que manifestaram sobre a interpretação da doutrina, mas sobre a sua conduta, isto é, se foram ou não virtuosos.

Ou ainda quando se entende que: 

Todos os homens são iguais e nenhum tem mais direitos que outro.

Ninguém se pode arvorar com mais autoridade que o seu semelhante em matéria de religião. Os sacerdotes, como os magistrados são homens, neste sentido estão face a Deus em igualdade de circunstâncias como quaisquer outros.

A Tolerância funda-se, pois, na Igualdade. E é em nome da Igualdade que devemos aceitar os que pensam ou crêem de forma diferente de nós. Tolerância não é Concordância. Pelo contrário, só havendo discordância se justifica que surja a Tolerância. Mas a Discordância, embora se funde na noção de que "eu entendo que o meu pensamento é mais correcto do que o teu", também não implica qualquer noção de superioridade. Pelo contrário, discorda-se do que se entende estar ao mesmo nível do que nós pensamos (senão, nem nos daríamos ao trabalho de manifestar discordância...).

Em reumo, e citando uma definição que li aqui (COMTE-SPONVILLE, André - Pequeno Tratado das Grandes Virtudes. Lisboa : Ed. Presença, 1995, p. 170-185, um texto muitíssimo interessante sobre o tema e cuja leitura vivamente recomendo, mas infelizmente demasiado longo para ser aqui transcrito), Tolerante, pelo contrário, impôs-se, tanto na linguagem corrente como filosófica, para designar a virtude que se opõe ao fanatismo, ao sectarismo, ao autoritarismo, enfim, à intolerância.

Ou seja, o fanático, o sectário, o autoritário, é que funda o seu fanatismo, o seu sectarismo, o seu autoritarismo numa pretensa superioridade de que se arroga; não é o seu oposto, o tolerante, que padece de tal vício!

Fonte: https://a-partir-pedra.blogspot.com

segunda-feira, 30 de março de 2026

FRASES ILUSTRADAS

GRAFIA CORRETA DE B.'.

Em 26.11.2025 o Respeitável Irmão Álvaro Nunes Ferraz, Loja Luzes de Chapada Diamantina, 3.206, REAA, GOB BAIANO, Oriente de Ituaçu, Estado da Bahia, apresenta a seguinte questão:

PALAVRA SAGRADA

Poderia nos tirar uma dúvida sobre qual realmente é a palavra Sagrada do Primeiro Grau, Aprendiz Maçom do Rito Escocês Antigo e Aceito, pois temos irmãos que falam (...)oo(...) e outros (...)oa(...).

Na Bíblia está (...)oa(...). A palavra significa "com força" ou "em força".

Poderia esclarecer e orientar a forma correta.

CONSIDERAÇÕES:

Não obstante eu já tenha escrito bastante a esse respeito, revela-se que as duas formas são aceitas no GOB. Isso ocorre porque é comum na Maçonaria brasileira o uso de duas versões bíblicas, a da Septuaginta (Dos Setenta) e a da Vulgata (latina).

Na versão “Dos Setenta” essa palavra é encontrada conforme a grafia original em hebraico, ou seja, “(...)OA(...)”, enquanto que na versão latina, a da “Vulgata”, o tradutor, S. Jerônimo, cometeu um equívoco escrevendo“(...)OO(...)”. Essa forma tornou-se uma corruptela do original acabou se consagrando nos ritos que usam a Bíblia latina.

No entanto, como as duas versões bíblicas acabariam consagradas entre os ritos, ambas as palavras acabaram sendo aceitas.

Sob o ponto de vista linguístico, a palavra “(...)OA(...)”, é a escrita correta, a despeito de que nos vocábulos hebraicos não existem vogais dobradas.

Melhores informações sobre, sugiro pesquisas no Blog do Pedro Juk, em http://pedro-juk.blogspot.com.br

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br