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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

A COR PRETA

A COR PRETA
(republicação)

Em 19/11/2015 o Respeitável Irmão Gleiner Costa, atual Segundo Vigilante da Loja Cayru, 762, REAA, GOB-RJ, Cidade e Estado Rio de Janeiro, formula as questões seguintes: 
gleinercosta@uol.com.br

Os meus Aprendizes me fizeram duas perguntas que me deixaram em xeque. Estou recorrendo a você para poder responder às mesmas. 

1 – Por que o dia 27 de dezembro é importante para os maçons ou a Maçonaria? 

2 – Por que do uso do preto na Maçonaria?

CONSIDERAÇÕES:

1 - Por influência da Igreja desde os Canteiros Medievais, a Maçonaria adotou a data solsticial de 27 de dezembro relativa a João Evangelista, o Apóstolo. 

Em termos práticos da doutrina maçônica a data é muito próxima do solstício de inverno no Hemisfério Norte o que em tese implica no misticismo da volta do Sol (do Sul para o Norte) na eclíptica celeste. 

Essa época solsticial sempre foi cara aos construtores da pedra que dividiam o ofício e o desenvolviam conforme os ciclos relativos às estações do ano (clima). 

Daí na Moderna Maçonaria o teatro simbólico da morte e o renascimento da Natureza geralmente tem feito parte do seu arcabouço doutrinário, cuja proposta associa a alegoria natural ao aperfeiçoamento do Homem como matéria filosófica do morrer para renascer (ciclos iniciáticos). 

Nesse sentido é que surge a importância doutrinária associada ao solstício de inverno no Hemisfério Norte quando ocorrem dias curtos e noites longas (ciclo da prevalência das trevas naquelas latitudes terrenas). Assim os períodos solsticiais relacionados à meia-esfera norte da Terra são amplamente destacados no arcabouço doutrinário da Sublime Instituição – o verão em 21 de junho e o inverno em 21 de dezembro também explicam as relações com santos padroeiros de João, o Batista em 24 de junho e João, o Evangelista em 27 de dezembro (as Lojas de São João). 

Sob o aspecto doutrinário da Igreja e do Cristianismo é que essas datas se tornaram importantes, sobretudo na mensagem relativa àquele que previu a Luz para João, o Batista e para o que pregou a Luz para João, o Evangelista.

A Luz, sob a óptica religiosa cristã, associa Jesus Cristo à “Luz do Mundo”, cujo seu nascimento é comemorado liturgicamente em 25 de dezembro, justamente no instante solsticial aproximado em que o Sol, no inverno, está mais distante do Hemisfério Boreal – Natalis Invicti Solis (o nascimento do Sol invicto). 

Em síntese esse fato relaciona a mística religiosa ao retorno aparente do Sol para o Norte. Obviamente que essa “volta aparente” cientificamente se explica pelo movimento de translação e a inclinação do eixo imaginário da Terra em relação ao seu plano de órbita, o que faz com que a luz solar incida em maior ou menor intensidade sobre os hemisférios terrestres resultando com isso nas estações do ano, opostas conforme as meias-esferas do nosso Planeta. 

Desse teatro natural, observado desde as antigas civilizações, que se originaram os Cultos Solares da Antiguidade, cujos modelos serviram de base para a imensa maioria das religiões conhecidas, inclusive para o próprio Cristianismo. Um exemplo de Culto Solar da Antiguidade é o Mitraismo persa que destaca a volta do Sol no dístico Igne Natura Renovatur Íntegra – O Fogo Renova a Natureza Inteira. Em síntese a sigla simula que o Sol após o inverno quando a Natureza está morta, o faz reviver no despontar do novo ciclo que sucede o inverno. 

Assim, no Cristianismo, Jesus, tomado como a Luz do Mundo nasce no inverno para anunciar a “Boa Nova” – novos tempos que virão. Acompanha a alegoria religiosa os personagens de João, o Batista que anunciou a vinda de Jesus e do Evangelista que pregou os ensinamentos da Luz. 

Sob o aspecto da Maçonaria e a clara influência da Igreja sobre os seus ancestrais, os Santos padroeiros passariam também a ser comemorados em consonância com as datas solsticiais e os costumes operativos do trabalho no passado – no rigor do inverno não havia trabalho e os planos da obra eram arquitetados e desenvolvidos sob os parâmetros das datas solsticiais, daí as Lojas de São João, o Batista a 24 de junho (verão no Norte) e o Evangelista a 27 de dezembro (inverno no Norte). 

Finalizando esse tópico, a Moderna Maçonaria, simbólica na acepção da palavra, trata todo o seu arcabouço doutrinário baseado no berço da Instituição – sempre no Hemisfério Norte, não importando as latitudes terrenas onde ela é praticada. Essas são as referências que devem ser seguidas e não seguir certos autores que querem inverter posições da decoração dos Templos. O que importa é a doutrina maçônica relacionada ao Rito praticado e não os credos e assertivas pessoais. 

2 – Quanto à cor negra (o preto), sob o aspecto doutrinário, ela está associada única e exclusivamente ao enredo iniciático da transformação. Daí essa questão está relacionada à liturgia e a ritualística que se acerca da alegoria da morte e o luto simbólico de morrer o homem profano e o renascer do novo homem disposto ao aperfeiçoamento (essência da Iniciação). Essa relação também se apresenta no Terceiro Grau (Exaltação ou Elevação conforme a vertente do Rito), cujos ensinamentos se comparam à morte e o renascimento da Natureza (Hiran, o Sol) – é o caso da decoração, alfaias e adereços da Câmara do Meio. 

Sob o aspecto da cor negra nas vestimentas é muito discutível, já que conforme a cultura e o País onde a Maçonaria é praticada é que pode ou não existir obrigatoriedade do uso de vestuário negro pelos membros do quadro. Em alguns costumes o uso de terno ou parelha na cor preta, também do balandrau, só é exigido em situações magnas, já que para o dia a dia da Loja não existe nenhum uniforme programado. Já em outros existe essa obrigatoriedade, geralmente por determinação regulamentar da Obediência, além de outros casos relativos. 

À bem da verdade o que é obrigatório mesmo é o uso do Avental em Loja, já que esse sim é o verdadeiro traje do Maçom e sem dele estar vestido nenhum maçom pode participar dos trabalhos.

Infelizmente muitos dão mais valor às aparências do que às essências, pregando a obrigatoriedade irrestrita de uso de terno ou parelha preto como se esse fosse o mais importante. Pura besteira. 

Há outros ainda que sugerem ilações como as “influências” da cor negra mencionando verdadeiros exercícios de imaginação para justificar um credo pessoal. Dizem eles: para não quebrar a egrégora (palavra que nem existe no nosso dicionário); por aí vai o FEBEAMA – festival de besteiras que assola a Maçonaria, principalmente a latina. 

No Brasil, geralmente adido aos carimbos e convenções do “onde está escrito”, existem ferrenhos defensores do uso indiscriminado e obrigatório do terno preto, todavia muitos desses causídicos nem mesmo sabem ingressar ritualisticamente em Loja. Do mesmo modo nem mesmo estão aptos a passar por um simples telhamento, todavia o terno preto é o mais importante para eles. 

A despeito de se cumprir o Regulamento em vigor, de resto balela não merece nenhuma outra qualificação. 

A propósito, por incrível que se possa parecer, no Brasil a Maçonaria adotou mesmo foi o traje de missa (terno preto). Para se compreender bem isso basta que se pesquise na História usando verdadeiros métodos e recursos acadêmicos (veja a situação e as condições políticas, sociais e religiosas no Brasil a partir do Século XIX). 

Assim, a cor negra na Maçonaria é uma importante alegoria, porém iniciática e oriunda dos teatros simbólicos da Ordem, nunca simplesmente identificada à cor de um traje como fosse ele o uso obrigatório de um terno preto (três – calça, colete e paletó) ou de numa parelha negra (par – calça e paletó). A questão do matiz preto está em se conhecer satisfatoriamente a liturgia, a ritualística e a doutrina da Maçonaria conforme o Rito praticado. Identifica-lo simplesmente como a cor de um vestuário e ainda torna-lo obrigatório em nome da Ordem é simplesmente dispensável.

T.F.A.
PEDRO JUK – jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 2.109– João Pessoa (PB) – segunda-feira, 11 de julho de 2016

LAÇOS DE UNIÃO

LAÇOS DE UNIÃO
Por André Daniel

A tradição maçônica abunda em exemplos dos fortes laços que unem os maçons uns aos outros.

Uma dessas histórias fala do coronel Joh Mckinstry, um oficial americano capturado por índios aliados aos ingleses na Revolução Americana. 

Como mostra na gravura francesa do século XIX, Mckinstry estava amarrado a uma árvore, prestes a ser queimado vivo, quando fez o sinal secreto de pedido de socorro de um irmão maçom. 

Para sua surpresa, um de seus captores adiantou-se e mandou interromper a execução.

O salvador era Joseph Brant, um chefe nohawk educado na Europa e iniciado no ofício em Londres. Brant retornara à tribo, mas mantivera sua lealdade maçônica. 

Entregou Mckinstry aos maçons ingleses, que o levaram a um posto americano – a fidelidade à ordem transcendia a lealdade a seu próprio país.

Fonte: http://otemploeomacom.blogspot.com

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

REAA - USO DO COLAR E DA FAIXA DO MESTRE MAÇOM

Em 09.03.2020 o Respeitável Irmão Gabriel Junqueira, Loja Acadêmica Francisco Cândido Xavier, 4.111, GOB-MG, REAA, Oriente de Pedro Leopoldo, Estado de Minas Gerais, faz a seguinte pergunta:

COLAR E FAIXA DO MESTRE MAÇOM

Sou grande seguidor de seu Blog, e ultimamente estava lendo sobre a utilização da faixa de Mestre no REAA, e me veio uma dúvida quanto ao seu artigo.

Neste você cita:

“Apenas a título de ilustração, no caso do GOB, a faixa do Mestre traz ainda junto a joia um pequeno dispositivo preso que é uma argola de metal, cuja finalidade é a de servir de suporte para a espada no lugar da bainha, sobretudo àqueles oficiais que a têm como instrumento de trabalho - Cobridores e Expertos, por exemplo".- http://pedro-juk.blogspot.com/2018/07/a-faixa-do-mestre-um-componente-da-sua.html?m=1

Minha pergunta é:

Atuo frequentemente como Experto nas sessões magnas. Exercendo este cargo, uso o colar com a respectiva joia. Poderia eu portanto utilizar a Faixa de Mestre abaixo do colar para que por consequência possa fazer utilização da bainha para espada que é utilizada com frequência pelo cargo?

CONSIDERAÇÕES:

Conforme menciona o Ritual de Mestre em vigência na sua página 92, a faixa é um dos paramentos (vestes litúrgicas, alfaia) do Mestre Maçom no REAA e deve ser utilizada em Loja quando não se estiver exercendo cargo, destacando que Dignidades e Oficiais vestem colares com a respectiva joia distintiva do cargo.

Ocorre, entretanto, que essas faixas, vestidas do ombro direito para o quadril esquerdo, trazem na sua extremidade inferior, pelo seu lado interno, um dispositivo (feito uma presilha) que serve de suporte para a espada, o que não é de se estranhar, pois a faixa do Mestre tem origem nos antigos talabartes que traziam bainhas (estojo onde se introduz a lâmina de uma arma branca). 

Sob essa óptica, embora o ritual mencione que os ocupantes de cargo não usam a faixa, mas colares, é verdade também que existem cargos em Loja cujo titular traz como seu objeto de trabalho a espada. É o caso dos Cobridores, por exemplo. 

Assim, se o dispositivo preso à faixa serve para acondicionar a espada, o bom-senso nos alerta que esses titulares podem usar o colar e vestir por baixo deste a faixa na forma de costume, sobretudo como um meio apropriado para suportar a espada quando a ela não estiver sendo empunhada. Penso que é uma questão de lógica. Assim, essa regra pode também se aplicar perfeitamente ao ofício do 1º Experto.

Contudo, é bem verdade que muitas Lojas costumeiramente têm dispositivos fixados atrás do espaldar das suas cadeiras para servirem como suporte para a espada. O uso desse dispositivo também é perfeitamente admitido.

Por fim, cabe mencionar que no Sistema de Orientação Ritualística do GOB RITUALÍSTICA, concernente ao Grau de Mestre que logo será colocado na plataforma, esse detalhe será abordado, dando com isso também a possibilidade de utilização da faixa junto com o colar para aqueles que possuem a espada como seu objeto de trabalho.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

FRASES ILUSTRADAS


A CATEDRAL GÓTICA DE MILÃO

A CATEDRAL GÓTICA DE MILÃO
António Rocha Fadista
M∴ I∴  Loja Cayrú 762 GOERJ / GOB – Brasil

O caso da construção da Catedral de Milão – IL Duomo – é de extrema importância no estudo da geometria sagrada. Ele interessa em dois sentidos, o documental e o simbólico. A Catedral de Milão foi fundada em 1386 e, por essa razão, estava no centro de um encarniçada controvérsia relativa a que forma de geometria sagrada deveria ser utilizada: ad quadratum ou ad triangulum. Um grande número de peritos reuniu-se a fim de determinar o que seria feito na construção dessa obra-prima potencial. Talvez por causa da grande quantidade de peritos, desenvolveu-se entre os adeptos de um e de outro sistema uma encarniçada discussão.

Sabe-se que já em 1321, durante a ereção do domo da catedral de Siena, os cinco inspetores escolhidos para examinar a construção objetaram contra a continuação da obra “porque, se terminada como foi iniciada, ela não teria as medidas de comprimento, largura e altura que as regras previam para a igreja”. Uma disputa similar se verificou a respeito da construção da Catedral de Milão.

Atualmente, a Catedral de Milão é considerada uma obra-prima da arquitetura gótica tardia. Recentemente, sua estrutura foi algo sacudida pelas vibrações dos carros, dos ônibus e do metrô que trafegam ao seu redor, mas a sua gestação foi tão cheia de recriminações que parecia que ela nunca seria terminada.

A Catedral foi terminada em 1386 por ordem de Gian Galeazzo Visconti, que conquistara influência na cidade de Milão, graças ao expediente da morte de seu tio. Entretanto, nenhum outro edifício tão portentoso foi construído na Lombardia durante séculos, e logo os maçons experientes, encarregados do projeto, se defrontaram com sérios problemas. O lado teórico da geometria sagrada, segundo a qual o edifício deveria ser construído, se atolou numa discussão aparentemente insolúvel.

Inicialmente, a planta baixa da catedral foi desenhada de acordo com o ad quadratum, baseado no quadrado e no quadrado duplo, com uma nave central pronunciada, e naves laterais de igual altura. Essa planta, foi logo abandonada e foi substituída pelo ad triangulum, para a elevação – e foi aí que os problemas começaram. A altura de um triângulo eqüilátero, a base do ad triangulum é incomensurável com o lado do mesmo triângulo. Colocá-lo sobre uma planta baixa baseada no ad quadratum seria transformar a geometria sagrada e todas as proporções da elevação estariam completamente erradas.

A fim de retornar à lógica da geometria sagrada, foi chamado um matemático de Piacenza, Gabriele Stornaloco. Ele recomendou um arredondamento da altura das naves, de 83,138 braccia (braças), para 84 braças, que poderia ser facilmente dividida em seis unidades de 14 braças. Embora fosse aceitável em princípio, o esquema de Stornaloco foi posteriormente modificado, produzindo-se uma dedução na altura e trazendo-se a catedral para mais perto dos princípios clássicos. O Mestre Maçom alemão, Heinrich Parler se enfureceu com esse compromisso de medida verdadeira. Seus protestos levaram-no a se demitir do posto de consultor, em 1392. Em 1394, Ulrich von Ensigen veio da cidade de Ulm como consultor, mas ficou apenas seis meses em Milão. Os maçons da Lombardia lutaram entre si até 1399, cada qual defendendo a sua tese, quando Jean de Mignot foi chamada da França, para supervisionar as obras.

Mignot também não ficaria no cargo por muito tempo. Suas críticas aos princípios maçônicos locais foram tão pesadas que um comitê foi chamado para discutir os pontos que ele levantou.. Uma tal ignorância dos princípios geométricos e mecânicos góticos foi demonstrada pelos maçons lombardos, que eles tentaram argumentar que os arcos pontiagudos não poderiam justificar a geometria aberrante pretendida para o edifício. Exasperado, Mignot disse: “Ars sine scientia nihil est” (A arte não é nada sem a ciência). Recebeu a seguinte réplica dos maçons de Milão: “Scientia sine arte nihil est” (A ciência não é nada sem a arte).

Mignot voltou para Paris em 1401, sem ter feito progresso algum com os intransigentes maçons lombardos. Por métodos pragmáticos, os italianos improvisaram e terminaram o coro e os transeptos, por volta de 1450. Nem toda a catedral foi terminada, até que a fachada oeste foi finalmente acabada sob as ordens de Napoleão, em 1809.

A geometria do Duomo foi preservada numa edição de Vitrúvio, publicada em 1521. Ela mostra o plano e a elevação da catedral como uma ilustração dos princípios vitruvianos. Só esta ilustração é uma prova da unidade essencial dos sistemas clássicos e maçônicos da geometria sagrada. O esquema apresentado na gravura baseia-se no rhombus ou vesica. A elevação triangular dos corte transversal da catedral é mostrada em superposição a círculos concêntricos em que o quadrado e o hexágono são desenhados, demonstrando a relação da elevação com o a quadratum do plano básico.

Essa exposição da geometria sagrada maçônica de uma catedral é indicativa da atitude modificada diante dos mistérios antigos exibidos pelos escritores da Renascença. Ela se encaixa perfeitamente na tradição de Matthäus Röriczer, um maçom que revelou a sua arte, quebrando seu juramento de sigilo. Röriczer, que morreu em 1492, pertencia à terceira geração de uma família que servia de mestres maçons na Catedral de Regensburg. Matthäus era o Mestre de uma Loja onde fora projetada e executada toda a obra de construção, e assim era o responsável por todas as molduras e entalhes, por seu esboço e por seu desenho definitivo. Embora sendo um maçom, e estivesse preso ao juramento de não divulgar os mistérios maçônicos aos não-iniciados, ele deu um grande passo com a publicação de detalhes anteriormente ocultados nos livros de anotações da Lojas Maçônicas Operativas.

Embora a única obra publicada por Röriczer fosse um pequeno panfleto que deu solução a um problema geométrico, ela tem importância fundamental, porque é a única chave sobrevivente da geometria sagrada maçônica. A obra, intitulada On the Ordination of Pinacles, forneceu a solução para o problema de como erigir uma pináculo de proporções corretas a partir de uma dada planta baixa. Por volta do final do período medieval, os maçons estavam produzindo obras-primas do gótico flamboyant e perpendicular pelos meios mais simples. As plantas de execução (conhecidas na Inglaterra como “plats”) eram preparadas pelos maçons até nos seus mínimos detalhes. Ainda existem alguns “plats”, como os que foram desenhados para a fachada oeste da Catedral de Estrasburgo, por Michael Parler em 1385, e o da agulha da Catedral de Ulm, por Mathias Boblinger. Cada uma das partes do intrincado desenho é relatada aos seus camaradas por meio da geometria. O Maçom Operativo, equipado com esse diagrama, podia tomar uma dimensão como ponto de partida e como ela, utilizando-se de régua e compasso, a geometria chega ao plano do tamanho natural, desenhado sobre um “piso de decalque” de gesso, fazendo-se em seguida os gabaritos de madeira, segundo os quais as pedras finais eram cortadas e talhadas.

A exposição do sistema por Röriczer demonstra a simplicidade desse método canônico. Em vez de uma referência constante a medidas num plano, como na moderna prática da arquitetura, o pináculo (ou o pinásio, a ombreira da porta, o componente da abóbada, etc.) era “desenvolvido” a partir de um quadrado. A geometria, diferentemente da medida, é auto-reguladora, e quaisquer erros podem ser identificados de imediato. Seja qual for o tamanho do quadrado inicial, todas as partes do pináculo estão relacionadas a ele, em proporção natural. Como as dimensões do quadrado original poderiam ter sido derivadas como uma função da geometria global da igreja, o tamanho do pináculo estava relacionado harmoniosamente com o todo.

O livreto de Röriczer foi dedicado ao Príncipe Wilhelm, Bispo de Eichstadt, descrito na dedicatória como “um cultor e um patrono da arte livre da geometria”. Wilhelm era membro ativo do conselho de construções das igrejas de Regensbur, Ulm e Ingolstadt. Assim, Wilhelm não era apenas um administrador, mas uma pessoa bastante interessada em conhecer a metodologia exata que está por trás da geometria sagrada. Esses homens foram os primeiros “maçons especulativos”, patronos ricos que desejavam sinceramente conhecer os segredos dos maçons operativos. A fim de obter esses segredos, os patronos eram geralmente admitidos na Irmandade dos Maçons por meio de ritos iniciatórios típicos. Como as atividades dos maçons diminuísse com o surgimento dos arquitetos, aumentou o número de “maçons especulativos”.

Nesse meio tempo, as Lojas operativas maçônicas foram sendo fechadas. A última delas foi a primeira Loja da Europa – a de Estrasburgo, que fechou em 1777. A partir de então, as artes e os mistérios da Maçonaria foram mantidos apenas pelos maçons especulativos.

Sobre a Catedral de Milão, acrescentamos por último que ela foi construída sobre as bases de um templo romano, construído no estilo românico. Na entrada da Catedral fica a escada que leva às escavações feitas no seu subsolo. Nestas escavações, podem ser vistos ainda os restos do antigo templo, bem como as relíquias que o decoravam.

Fonte: https://www.maconaria.net

quarta-feira, 5 de agosto de 2020

INGRESSO NO TEMPLO

INGRESSO NO TEMPLO
(republicação)

Em 09/11/2015 o Respeitável Irmão Brasil Alves, Loja Caridade de Praia Grande, REAA, GOSP- GOB, Oriente de Praia Grande, Estado de São Paulo, solicita esclarecimento para o seguinte: brasil.alves@terra.com.br

Desculpe pelo incomodo, mas gostaria que me orientasse nesta situação. No R.E.A.A. qual a forma correta de se entrar no Templo após o início dos Trabalhos?

CONSIDERAÇÕES:

Existem várias situações que são passíveis de acontecer nesse sentido. É o caso das protocolares que obedecem ao padrão ritualístico dos protocolos de recepção às autoridades e Lojas conforme o Ritual em vigência e o Regulamento Geral da Federação – nesse caso há que se consultarem os escritos em vigor.

Existe, entretanto uma situação coloquial de acordo com Rito que envolve os retardatários que pedem ingresso na Loja. Em linhas gerais, nesse caso, em qualquer situação que não esteja presente o Cobridor Externo no Átrio, o retardatário dá na porta do Templo a bateria universal que é a de Aprendiz e aguarda. Se a situação for propícia, assim que a porta seja aberta para a efetiva verificação de quem bate na forma de costume, o retardatário devidamente já reconhecido será informado do Grau de trabalho da Loja. Então se fecha a porta novamente para o cumprimento dos procedimentos ritualísticos internos de comunicação às Luzes da Loja na forma de costume. Ato seguido, designado pelo Venerável Mestre vem até o Átrio o Mestre de Cerimônias para conduzir o retardatário devidamente reconhecido para ingressá-lo no recinto. Com o Mestre de Cerimônias (ele que conduz) à frente ambos ingressam. O Mestre de Cerimônias então para e aguarda na Coluna do Norte próximo a porta do Templo ao mesmo tempo em que o retardatário, também próximo à porta que é fechada imediatamente a seguir pelo Cobridor, para e fica à Ordem sobre o eixo (equador do Templo). Ato seguido o protagonista executa a Marcha do Grau conforme o Grau de trabalho aberto. Executada a Marcha, o ingressante saúda as Luzes ritualisticamente e aguarda as ordens do Venerável Mestre que pode ou não (ao seu critério) ministrar o Telhamento pelo questionário de costume. Em sequência o Mestre de Cerimônias conduz o retardatário até a mesa do Chanceler para firmar a assinatura no Livro de Presenças e posteriormente até o seu lugar em Loja.

Observação - Caso o retardatário de chegada ao Átrio ao dar a bateria universal na porta e receber a mesma bateria dada pelo Cobridor pelo lado interno, isso significa que ele deve aguardar o momento propício de entrada. Nesse caso não existe qualquer outra bateria que não seja a universal (do Aprendiz) – não existe batucada na porta do Templo.

Entretanto, algumas Lojas, após já ter sido o retardatário devidamente reconhecido, anunciado e autorizado a entrar formalmente acompanhando o Mestre de Cerimônias, se o Grau de trabalho for acima do Aprendiz, exige-se antes do ingresso formal (junto com o Mestre de Cerimônias) que retardatário dê agora na porta a bateria do grau de trabalho da Loja. Esse tipo de procedimento é o meu ver, apenas um excesso de preciosismo, já que outra bateria dada mereceria ser novamente anunciada às Luzes da Loja – em nome da agilidade não vejo necessidade de tanto.

Finalizando, essa é uma explanação superficial daquilo que obrigatoriamente qualquer Loja deva ensinar aos Irmãos do seu quadro. Há também que se analisarem talvez outras tantas situações que porventura possam acontecer nesse sentido. Penso que está mais do que na hora de aprendermos que muitas práticas ritualísticas são consuetudinárias, espontâneas e universalmente aceitas, sem que com isso haja necessidade se manter tudo escrito à moda da matriz francesa de Maçonaria com seus carimbos e convenções.

T.F.A.
PEDRO JUK – jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 2.106– Maceió (AL) sexta-feira, 8 de julho de 2016

MINUTO MAÇÔNICO

A CORDA

1º - Emblema muitas vezes utilizado pela Maçonaria, e que possui várias interpretações, de acordo com os diversos Ritos. 

2º - Em geral, a corda passada em volta do pescoço do recipiendário simboliza a Escravidão em que é reduzido o homem pelas paixões, pelos erros e pelos prejuízos. 

3º - Segundo Oswald Wirth, a corda simboliza o cordão umbilical, sendo a Câmara de Reflexão, onde se encontra encerrado o candidato, o útero materno, do qual sairá por uma morte à vida fetal para renascer à vida iniciática. 

4º - Em certas Lojas irlandesas, a corda é então lançada com desprezo ao chão, para significar que ela não convém mais a um homem livre. 

5º - Quando a corda é retirada, significa que o profano está liberto do estado de escravidão.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

O QUE É FILOSOFISMO?

O QUE É “FILOSOFISMO”???
Kennyo Ismail

Constantemente escutamos os Irmãos se referindo aos Graus Superiores dos Ritos como “filosofismo”. Muitos autores maçônicos brasileiros costumam fazer a divisão dos graus maçônicos entre “Simbolismo” e “Filosofismo”, entre eles, Rizzardo da Camino e uma infinidade de Grandes Inspetores Gerais da Ordem. Outros poucos maçons estudiosos dizem que essa palavra, filosofismo, simplesmente não existe. Que teria sido inventada no seio da Maçonaria.

Ambos estão errados.

A palavra existe e, em poucas palavras, significa “falsa filosofia”. Gabriel Perissé (2008), Doutor em Educação pela USP, escreveu que “filosofismo é a filosofia que virou jogada, pretexto, mania, suborno, insulto. O filosofista finge que pensa…”. Já no Dicionário UNESP do Português Contemporâneo, organizado por Francisco Borba (2004), filosofismo é “ostentação exagerada de princípios e conceitos filosóficos; uso de considerações filosóficas onde elas não têm cabimento; filosofia sem fundamento.”

Fica claro que a maçonaria brasileira, de forma geral, tem usado o termo de modo totalmente equivocado. Estamos com isso nos auto-intitulando de “falsos pensadores”, enquanto que nossos Ritos são sistemas completos de ensinamentos morais e espirituais, todos comprometidos com a busca da Verdade.

O termo filosofismo surgiu em nossa Sublime Ordem da generalização de que os Graus Superiores do REAA, do 04º ao 33º, são “Graus Filosóficos”. Com base nisso, chamam os Graus Simbólicos de “simbolismo maçônico” e os conhecidos como Graus Filosóficos acabaram sendo chamados de “filosofismo maçônico”. Mas esse é outro grande equívoco cometido pelos Irmãos, por influência dos pseudo-sábios de nossa instituição. Na verdade, apenas os graus 19º a 30º do Rito Escocês são considerados filosóficos. A divisão correta dos graus do REAA se dá da seguinte forma:
  • 01º a 03º – Graus Simbólicos
  • 04º a 14º – Graus Inefáveis
  • 15º ao 18º – Graus Capitulares
  • 19º a 30º – Graus Filosóficos
  • 31º a 33º – Graus Administrativos
Na próxima vez que você se referir de forma abrangente aos graus que não compõem a Maçonaria Simbólica, ou seja, os graus posteriores ao grau de Mestre Maçom, use o termo “Graus Superiores”. Independente se são filosóficos, capitulares, crípticos, administrativos ou de cavalaria, essa é a melhor expressão para tratar desses graus em praticamente todos os Ritos Maçônicos. A única exceção é observada no sistema maçônico da Inglaterra, em que os graus posteriores ao de Mestre Maçom são considerados “paralelos”, e não superiores, visto ser um sistema não-sequencial.

Portanto, mesmo que esteja se referindo apenas aos Graus Filosóficos do REAA (19º ao 30º), não utilize o termo “filosofismo”. Abolindo o uso do termo “filosofismo” na Maçonaria, você estará ajudando a evitar a difamação da nossa Sublime Ordem, mesmo quando praticada por ignorância de seus próprios membros.

Fonte: https://www.noesquadro.com.br

terça-feira, 4 de agosto de 2020

QUESTÕES SOBRE O RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO

QUESTÕES SOBRE O RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO
(republicação)

Em 08/11/2015 o Respeitável Irmão Rodrigo Alcântara Tessarini, Loja “Deus, Pátria e Família”, 142, REAA, GLMESP, Oriente de Panorama, Estado de São Paulo, solicita esclarecimentos para o que segue: rodrigopanorama@yahoo.com.br

Nestes últimos tempos, estive estudando as origens e particularidades do Rito Escocês Antigo e Aceito. Várias dúvidas me surgiram! Dentre elas:

1 - A cor do REAA é vermelha, isto todos os livros e trabalhos que li afirmam isto categoricamente. Porém onde o AZUL predomina em vários templos e aventais de Mestres Maçons. Por que isto ocorre?

2 - Existe ou não a formação do Pálio na abertura do Livro da Lei, pelo irmão que abre e lê o trecho da sagrada escritura?

3 - Os Diáconos portam bastão ou não? O Irmão Mestre de Cerimônia deve portar espada (já que nosso Rito é de origem francesa), ou o bastão?

4 - Qual a posição dos irmãos Mestre de Cerimônias e Hospitaleiro? Já que existe uma inversão nas Grandes Lojas em relação ao GOB, ou vice e versa?

5 - A leitura do Livro da Lei no Grau de Aprendiz é feita no Salmo 133 ou no Evangelho de São João, capítulo 1, versículos 1 ao 5?

6 - Existe pé (direito ou esquerdo) para entrar no Templo no início dos trabalhos?

7 - O triplo Tau que existe no avental dos mestres instalados, estão na “posição correta”? A parte horizontal deveria ser para cima, e não para baixo? Isto existe no REAA ou é um enxerto de outro Rito?

Certo que o Irmão me ajudará em minhas dúvidas, desde já agradeço sua atenção. Pude ler seu livro “Exegese Simbólico para o Aprendiz Maçom”, confesso que fiquei surpreso com seu conhecimento em Maçonaria. Também assisti a uma palestra sua no Oriente de Dracena, no mês de Novembro de 2012, onde pude apreciar seu vasto conhecimento na nossa Sublime Ordem.

CONSIDERAÇÕES:

VERDADEIROS CRENTES

VERDADEIROS CRENTES: MAÇONARIA, PENSAMENTO REVOLUCIONÁRIO E A ASCENSÃO DE SIMON BOLIVAR
Por Ir∴ Francis J. Bell 
Mozart Lodge No. 436, Grand Lodge of F.&A.M. of Pennsylvania, USA.
Tradução: José Filardo

INTRODUÇÃO:

A Maçonaria é uma confusão geral. Termos, símbolos, sinais e sugestões que parecem dizer uma coisa e realmente querem dizer outra. Nós somos um sistema de contradições e declarações contraditórias. A possibilidade do impossível e do improvável está aqui e em abundância. Mesmo o estudioso maçônico experiente teria muita dificuldade em explicar ao novato como uma organização definida da seguinte forma …

Maçonaria: Um sistema peculiar de moralidade velada em alegoria e ilustrado por símbolos.

… poderia produzir o seguinte documento revolucionário:

15 de agosto de 1805

“Então, esta é a nação de Rômulo e Numa, dos Gracos e dos Horácios, de Augusto e Nero, de César e Brutus, de Tibério e Trajano? Aqui todo tipo de grandeza teve seu tipo, todas as misérias seu berço. Otaviano se mascara com o manto da piedade pública para esconder seu caráter desconfiado e suas explosões sangrentas; Brutus empurra o punhal no coração de seu protetor, de modo a substituir a tirania de César pela sua própria; Antônio renuncia à sua pretensão de glória para zarpar nas galeras de uma prostituta; sem projetos de reforma, Sila decapita seus compatriotas e Tibério, escuro como a noite e depravado como o próprio crime, divide seu tempo entre a luxuria e a carnificina. Para cada Cincinato havia cem Caracalas, cem Calígulas para cada Trajano, cem Claudios para cada Vespasiano. Esta nação tem exemplos de tudo: severidade para tempos antigos, austeridade para repúblicas, depravação para imperadores, catacumbas para cristãos, coragem para conquistar o mundo inteiro, ambição para transformar todas as nações da terra em um campo fértil para os tributos; mulheres capazes de dirigir as sacrílegas rodas de seus carros sobre os corpos decapitados de seus pais; oradores, como Cícero, capazes de agitar multidões para a ação; poetas, como Virgilio, para seduzir com suas canções; satíricos, como Juvenal e Lucrécio; filósofos de mente fraca como Sêneca; cidadãos completos como Cato. Esta nação tem exemplos para tudo, exceto para a causa da humanidade: Messalinas corruptas, Agripas covardes, grandes historiadores, naturalistas ilustres, guerreiros heroicos, cônsules vorazes, sibaritas desenfreados, virtudes douradas e crimes infames, mas para a emancipação do espírito, a eliminação de cuidados, a exaltação do homem e a perfectibilidade final da razão, pouco ou nada. A civilização soprando do Leste mostrou todas as suas faces aqui, todas as suas partes. Mas, a resolução do grande problema do homem libertado parece ter sido algo inconcebível, um mistério que só será esclarecido no Novo Mundo.

Eu juro diante de vós, eu juro pelo Deus de meus pais, eu juro sobre seus túmulos, eu juro pela minha Pátria que eu não vou descansar corpo ou alma, até quebrar as cadeias que nos prendem à vontade do poder espanhol! 

(Simon Bolívar, Juramento feito em Roma) (1) 

Este juramento feito por um jovem Criollo rico da Venezuela, recém-iniciado em uma loja maçônica em Cádiz, Espanha, parece ser contrário a uma organização que, conforme citado nas Constituições de Anderson (1723) “.. um maçom é um súdito pacífico dos poderes Civis onde ele reside e trabalha, e nunca se preocupa com tramas e conspirações contra a paz e o bem estar da Nação…”

Ou ele é?

Neste artigo, eu gostaria de explorar algumas das ideias e fatores históricos que fazem desta chamada à revolução contra “governos injustos” não a aberração da Maçonaria, na época, mas a norma. Embora a ênfase seja sobre as medidas tomadas no sentido da rebelião na América do Sul e da importância da Maçonaria na conformação desses eventos, não só fornecendo a doutrina da revolução, mas também os homens de ação e a rede de apoio, temos de olhar para trás para avançar.

O ponto desta história passada não é apresentar uma declaração de facto de que determinadas organizações ou eventos têm laços diretos com a Maçonaria (como nós a conhecemos hoje), mas que eles foram de fato catalisadores da mudança, bem como um terreno fértil para a imaginação de futuras gerações.

Conhecimento popular e certos preconceitos na época desses acontecimentos tiveram efeito incrível sobre como os futuros maçons veria a sua organização, bem como o que eles achavam que deveria ser feito em seu próprio tempo. Tem-se observado que, embora os maçons não tivessem sido razão direta para o Iluminismo na Europa (e junto com ele as revoluções americana, francesa e sul-americanas), seria uma discussão muito disputada negar aos membros individuais os seus lugares nessa história. Maçonaria, por existir, permitiu tanto a criação dessas ideias revolucionárias quanto forneceu uma saída para elas.

INFLUÊNCIAS SOBRE OS TRABALHADORES:

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

SESSÃO JUSTA E PERFEITA

SESSÃO JUSTA E PERFEITA
(republicação)

Mais uma vez solicito sua ajuda. Na nossa reunião de ontem, o Irmão Orador nas suas deduções e conclusões, considerou que a reunião NÃO FOI JUSTA E PERFEITA, tendo em vista a não leitura da ata pela falta do Irmão Secretário. Sei que realmente a não leitura da ata é falta grave, mas considerar a reunião NÃO JUSTA E PERFEITA é exagero. Solicito seus esclarecimentos.

CONSIDERAÇÕES:

A questão nos parece subjetiva (particular de uma situação). Entendo que se o Irmão Orador como Guarda da Lei detectou a falta que fez por merecer o parecer do não bom andamento da Sessão, deveria então antes, pela “ordem dos trabalhos”, ter pedido a interrupção da Sessão pela falta do Secretário de Ofício, já que é indiscutível o preenchimento obrigatório desse cargo, pelo menos de modo ad hoc.

Assim se o Orador com antecedência vislumbrou que a falta da Ata mencionada seria motivo premente para o não desempenho dos trabalhos de modo “justo e perfeito”, por que então esperar até o final da sessão para declarar que a mesma não fora “justa e perfeita”.

Ora, se o fato foi merecedor dessa avaliação por parte do Guarda da Lei, então não haveria necessidade alguma de se deixar transcorrer os trabalhos da Loja para somente ao final declará-la nula. Isso seria uma perda de tempo no mínimo desnecessária – se alguém detectasse com antecedência que o alimento estava estragado, obviamente dele não se serviria para uma refeição.

Dando por concluído ainda penso que tudo é uma questão de bom senso. As situações devem ser analisadas e ponderadas antes de serem tomadas decisões laudatórias, já que às vezes é comum se dar mais valor ao molho do que à própria carne.

T.F.A.
PEDRO JUK – jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 2.102 – Maceió (AL) segunda-feira, 4 de julho de 2016

O ÁLCOOL E A LOJA

O ÁLCOOL E A LOJA: UMA MISTURA ACEITÁVEL OU PERIGOSA?
LucianoRodrigues 

No Brasil, seja no momento do ágape ou nas festividades, até o momento, nunca observei uma loja que faça restrição ao consumo de álcool em suas dependências. Eu, que gosto bastante de beber cerveja, mas por morar longe de minha loja e depender do carro para o deslocamento até a minha residência, prefiro não beber pois como sabemos, é contra lei consumir bebidas alcoólicas e dirigir.

Sabemos que o consumo excessivo de álcool provoca diversos efeitos na região cerebral, tal como alterações nas áreas responsáveis pela memória e déficit cognitivo. Dados da Associação Brasileira de Estudos de Álcool e Outras Drogas (ABEAD), por ano, 32 mil pessoas morrem em decorrência da bebida alcoólica. O álcool também está por trás de 60% das mortes no trânsito e 72% dos homicídios. Além do álcool contribuir para casos de afogamentos, quedas, suicídios, entre outros.

Á partir deste interessante ponto, iniciei uma pesquisa para entender como outros países encaram o tema “O álcool e a loja”.

A história do álcool na Maçonaria pode ser vista a partir dos primórdios, coexistindo pacificamente. Quando a Grande Loja de Londres foi formada em 1717, as primeiras lojas reuniram-se em tabernas, incluindo aquelas que finalmente formaram a UGLE.

Lojas americanas continuaram a tradição de reunião em tabernas incluindo a primeira Grande Loja de Maçons na América, em Boston, formada no Bunch of Grapes Tavern. Muitas lojas participam de lojas de mesa ou festividades que envolvem brindes.

No entanto, o modo de vida americano mudou como uma nova onda de imigração atingindo as costas. Muitos reformadores começaram a ver álcool como um mal que contribuía para os problemas da sociedade. Um movimento social chamado “movimento de temperança” começou por volta de 1840, afim de limitar a quantidade de álcool que as pessoas poderiam consumir. Mais tarde, o estado de Maine criou uma proibição para todas as bebidas alcoólicas e foi acompanhado por outros Estados “secos”. O movimento causou uma intensa proibição em muitas organizações fraternas, incluindo muitas Grandes Lojas estaduais, que começaram a banir aqueles que poderiam se unir aos proprietários dos bares ou tavernas. O movimento cresceu quando a 18ª Emenda foi ratificada na Constituição, que proibia “a fabricação, venda, ou transporte de bebidas alcoólicas, a importação dos mesmos, ou a exportação a partir dos Estados Unidos … para bares”.“A progressão do bêbado”: uma litografia de Nathaniel Currier da década de 1840 mostrando as supostas etapas da decadência de um alcoólatra. A litografia visava a apoiar o Movimento da Temperança.

Após uma década de contrabando, a 21ª Emenda foi ratificada, revogando a 18ª Emenda, embora ainda foi dado aos Estados, o direito de restringir o transporte de bebidas alcoólicas, caso eles assim desejassem.

Nos Estados Unidos, ainda existem muitos condados e municípios secos, incluindo 46 condados completamente secos no Texas. Há também exemplos modernos da Temperança incluindo o Mothers Against Drunk Driving (MADD) e da International Organisation of Good Templars. O álcool ainda é altamente regulado e modernas leis estaduais definem o nível do consumo através dos esforços do MADD.

A Fonte de temperança em Tompkins
Square Park, Nex York City
O site Paul M. Bressel realizou um estudo com as diversas Grandes Lojas americanas, onde podemos verificar que pelo menos três Grandes Lojas proíbem o ingresso de proprietários de bares. Muitas Grandes Lojas, consideram a embriaguez uma questão de comportamento não-maçônico com a possibilidade de repreensão. Muitas Grandes Lojas também proíbem que o álcool seja servido na Loja, por exemplo, Arizona, Flórida, Kansas, Kentucky, Louisiana, etc.

Em alguns estados americanos, a loja para fornecer bebidas nas festividades, deve tirar uma licença de evento que serve somente para um dia. A Califórnia é um exemplo desta prática.

No Canadá, Escócia, França, Inglaterra e Suécia não é permitido o consumo de bebidas no espaço da loja, enquanto a loja estiver aberta no templo. Após o término da sessão, é permitido o consumo na área da loja, mas os irmãos não podem adentrar ao templo com bebidas. Nos países islâmicos, não é permitido o consumo de álcool nas dependências das lojas maçônicas.

Eu acredito que não há nada de errado com álcool ser consumido nos ágapes e festividades, desde que a conduta não leva a embriaguez excessiva. Nós buscamos uma ordem moral mais elevada, mas devemos lembrar do nosso passado, um passado que incluiu reunião em tabernas.

É pela fragilidade dos homens em não conhecer os seus limites, que leva o álcool a ser um problema.

Bibliografia:

Fonte: http://www.oprumodehiram.com.br

domingo, 2 de agosto de 2020

FOTO MAÇÔNICA DE DOMINGO

Por Géplu
Patrick nos enviou esta foto:

Nas férias deste verão em Rodez (12), fotografei a porta da frente da Casa de Armagnac. 

Na asa esquerda, parece que existe um maço e um cinzel. À direita, o compasso e o esquadro.

Como esta casa foi construída por volta de 1630, é um pouco cedo para ver alusões à Maçonaria nela. Mas mostra que essas combinações de ferramentas com maço e cinzel sempre foram ricas em significado e carregam forte simbolismo.

Se você também estiver perto de sua casa ou em uma viagem e notar um prédio, um objeto ou decoração maçônica ou uma reminiscência de alvenaria, não hesite em nos enviar fotos com algumas explicações.

Esses "depoimentos" são muito populares entre os leitores do blog. (tradução livre)

Fonte: Blog hiram.be

LOJA EM PÉ - TODOS EM PÉ NO OCIDENTE

Em 07/03/2020 o Respeitável Irmão Reynaldo Passos Calaza, Loja Sylvio Claudio, 3.798, REAA, GOB-RJ, Oriente do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, apresenta a questão seguinte:

LOJA EM PÉ

Quando iniciei há dez anos atrás, minha Loja tinha o costume de quando o Venerável Mestre levantava do seu trono para fazer uma homenagem ou para receber uma homenagem, toda a Loja (ocidente) ficava de pé. Outra pratica que tínhamos, era de quando um Mestre Instalado atrasado entrava no templo, a Loja toda(ocidente) também ficava de pé. Hoje não praticamos mais, e um Mestre mais antigo veio me perguntar por que paramos de fazer. Fica aqui a minha solicitação deste esclarecimento, pois não encontrei nada oficial escrito sobre esta pratica, mas muitos procedimentos ritualísticos não estão escritos.

CONSIDERAÇÕES:

Simples meu Irmão, essas práticas não existem. Quando foram equivocadamente praticadas, possivelmente foi porque tinham o propósito de "dourar" a pílula – pura invencionice. 

Destaco que essas práticas só servem mesmo para afrontar a humildade, uma das virtudes aplicadas e ensinadas pela Sublime Instituição.

Atitudes como essas somente tendem a ir na contramão do que se aprende na Ordem. É mesmo inacreditável que alguém, não respeitando a pontualidade chegue atrasado, atrapalhe o andamento dos trabalhos e ainda assim seja recebido em pé pelos Irmãos! De fato, isso é mesmo inconcebível.

Também é fora de propósito que os Irmãos se obriguem a ficar em pé para seguir o Venerável nas ocasiões descritas na sua questão acima. 

De tudo, como dito, nada disso originalmente existe na liturgia maçônica, podendo ser comparado a uma "jabuticaba", pois se só existe por aqui, ou é besteira ou é privilégio de alguns.

Concluindo e também respondendo ao "Mestre mais antigo" que arguiu a respeito do porquê dessas práticas terem sido abolidas, a resposta é simplesmente porque elas são frutos de pura imaginação de alguns outros.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

PÍLULAS MAÇÔNICAS

SAGRAÇÃO DO TEMPLO MAÇÔNICO

Deve ser lembrado que esse termo “Sagração” tem aproximadamente 100 anos de existência, aqui no Brasil. Antigamente, o termo usado era “Inauguração”, ocasião em que o Templo era reconhecido pelas autoridades maçônicas e usado pela primeira vez. Inclusive, autoridades da vida profana também eram convidadas para a festividade. No Brasil existe uma série de Lojas com mais de 100 anos, cujos Templos foram Inaugurados.

Hoje em dia nós “sagramos” o Templo. Entretanto, levando em consideração que a Maçonaria não é uma religião, essa sagração não é fazer com que o Templo se torne um local sagrado, santificado. É simplesmente um reconhecimento Maçônico, por todos os maçons presentes no ato de que, aquele local, tem a dignidade de um Templo Maçônico e será sempre usado para as atividades Maçônicas.

Só isso! Sem qualquer sentido de “santificação” do local, principalmente dentro do Templo. Pessoas não ligadas à Maçonaria, profanos, podem visitar as instalações de Templo Maçônico, sem problemas, desde que em ocasiões propícias.

Para finalizar, vejam o que foi escrito pelo Mestre Castellani, no Consultório Maçônico, Ed. TROLHA:

“A Sagração é uma Cerimônia cuja finalidade é, simplesmente, conferir ao local, a dignidade de Templo Maçônico, assim como a Sagração do Aprendiz, do Companheiro, ou do Mestre tem a finalidade de lhes conferir a dignidade do Grau, sem qualquer sentido de “santificação”. Muitos maçons, todavia, crêem que sagrar o Templo é torná-lo um local santificado, sagrado, misturando Maçonaria com religião, o que, embora esdrúxulo e absurdo, é mais comum do que se supõe.”

Fonte: pilulasmaconicas.blogspot.com

LA MASONERIA VIVA

LA MASONERIA VIVA 
Fernando Trejos

No nos cabe duda que en Occidente ha sido la Masonería la más directa y verdadera depositaria de los ritos, símbolos y misterios de la tradición hermética y por ende que constituye una auténtica rama viva de la tradición primordial. 

Los orígenes y devenir históricos que quedan expuestos a lo largo del presente número de SYMBOLOS (Nº 13-14 'Masonería', Guatemala 1997) demuestran un claro ligamen de la orden masónica con las diversas formas tradicionales que conformaron las bases y los aspectos más esenciales de la cultura occidental. 

Es cierto que la mayor parte de logias y obediencias masónicas que se multiplicaron a lo largo y ancho del planeta desde el siglo XVIII han sido influenciadas desde entonces por diversas corrientes propias del mundo moderno que las han desviado de su objetivo primordial –la búsqueda incesante de la Unidad, es decir, la Verdad– y de su tarea fundamental: la construcción de un templo universal basado en ideas arquetípicas heredadas de la tradición unánime y el depósito y la transmisión de los ritos y símbolos que constituyen los soportes necesarios para que los miembros de la Orden puedan efectivizar una verdadera iniciación o transmutación que les permita identificarse con aquellas ideas universales que siempre confluyen en un Centro interior del que la Orden es reflejo vivo. Pero también es cierto que en estos siglos "de oscurecimiento creciente" se han logrado mantener algunos masones que habiendo comprendido ese alto ideal y teniendo siempre que luchar contra corrientes modernas –que pareciera tienden a arrasarlo todo– han logrado sin embargo conservar el verdadero espíritu masónico y por lo tanto dar vida a esos vehículos simbólicos del Arte Real que pueden conducir por la inefable senda de los Misterios. 

La existencia de logias y obediencias que no se separan de la vía iniciática y que comprenden la trascendente misión que están llamadas a cumplir, es lo que nos permite suponer que la Masonería está viva; que a pesar de los múltiples ardides del enemigo no ha sucumbido; y que existe una verdadera Orden interior que necesariamente sembrará los cimientos sobre los que se edificará el nuevo mundo –hombre nuevo– que renacerá de las cenizas venciendo a la muerte y entretejiendo la tierra con el cielo, es decir haciendo interactuar la escuadra y el compás. 

La mayor parte de las logias masónicas que pululan sobre todo en Occidente ignora totalmente su origen, su esencia y su misión. Hay que recordar que desde que se organizaron las primeras logias modernas de Inglaterra ya se vieron fuertemente afectadas por ideas racionalistas –y en el fondo materialistas– que las alejó de sus orígenes fundamentalmente iniciáticos e inundó talleres con profanas ideologías y teorías relacionadas con el cientificismo, la visión horizontal de la historia, las miopes ilusiones de evolución y progreso y el humanismo personalizado e individualista. También sucedió que muchos hermanos masones deseosos de impedir que se perdieran los conocimientos esotéricos de la Orden se vieran infelizmente atraídos por corrientes en boga de carácter teosofista, espiritualista y ocultista que tergiversando el sentido verdaderamente interno y espiritual de los ritos y símbolos trajeron a los talleres energías psíquicas inferiores sustituyendo los caminos que conducen al Misterio por oscuras sendas caóticas plagadas de "fuerzas" y "poderes" tan ilusorios como destructivos. Por el carácter libre y autónomo de las logias, y por la posibilidad que tienen los masones de trabajar a cubierto de las indiscreciones, sin que haya ninguna "entidad" superior que supervise los trabajos, siempre ha sido posible que alguna logia determinada, ignorante de los principios esenciales de la Orden, pueda caer, como han caído tantas, en aberraciones y desviaciones de toda índole. Así, ha sido frecuente que los talleres masónicos, por no saber cual era su función, se dedicaran a actividades profanas y extramasónicas de todo tipo: muchas veces las logias se abocaron a estudiar las ciencias, las artes o la historia con esa visión racionalista que lógicamente les impidió reconocer los aspectos sagrados de los trabajos masónicos y los orígenes espirituales, míticos y metafísicos de la Orden a la que decían pertenecer; otras, muchos masones, creyendo que la labor que debían cumplir era de tipo humanista y social, utilizaron los talleres como plataforma política, como centro de influencias y poder profano, como instituciones de beneficencia, y hasta como especie de clubes sociales, reunión de amigos o centro de negocios. No es que creamos que esté mal realizar este tipo de actividades, pero hacerlo en nombre de una Orden –la única en Occidente– cuya función primordial, como hemos dicho, es la de servir de depósito a las ideas tradicionales y la de transmitir el conocimiento cosmogónico y metafísico que estas ideas comportan, ha logrado que la Masonería sea conocida hoy día, en términos generales, no por su función trascendente, sino por este tipo de actividades que no han hecho otra cosa que desprestigiarla más y más, sembrar el desorden, la división y la confusión y hacer creer –muchas veces a los propios masones ignorantes de su papel– que la Masonería es eso. 

Y la desviación ha sido de tal magnitud que hoy día han salido a la luz pública las actividades de verdaderas pandillas que diciendo trabajar en logia han fraguado en sus reuniones sacrílegas toda clase de conspiraciones, complots y fraudes, causando enorme desprestigio a la Orden a la que estos individuos verdaderamente nunca pertenecieron. 

Es bien sabido que sobre todo durante el siglo pasado y la primera mitad de éste, salieron de las logias diversos movimientos políticos y muchos presidentes y gobernantes (casi siempre de pensamiento liberal) cuyas ideologías y estrategias fueron fraguadas en el interior de un taller masónico. El movimiento intelectual que produjo la independencia de América de los países europeos se realizó en logia; y casi todos los libertadores de ese continente (Bolívar, San Martín, Washington, Morelos, etc., etc.) fueron masones. Hoy algunos hermanos creen –pues ignoran otras posibilidades– que el tipo de actividad a realizar durante los trabajos de la logia pueda consistir en dictar discursos recordando esas ideologías y vanagloriando los nombres y hazañas de los hermanos mayores históricamente destacados en la política, las artes y las ciencias profanas. Otros, en vista de la pérdida de poder político que han sufrido las logias en los últimos años, han desviado los trabajos hacia obras "culturales", sociales y de beneficencia. Es sabido que en Norteamérica, por ejemplo, la mayor parte de las logias se han convertido exclusivamente en simples instituciones benéficas que "altruistamente" financian hospitales, escuelas y universidades.   

Actualmente, además, tal vez una mayoría de logias se encuentra, por pertenecer a determinada obediencia (que tiene correspondencia con tal o cual Oriente europeo), en una absurda división, en una sórdida lucha en la que se tildan unas a otras de "irregulares" o "regulares" según parámetros de tipo burocrático que llevan hasta los extremos de dar o impedir la entrada a un hermano según si su logia esté enlistada en un determinado folletín al que dan carácter de oficial y donde los antiguos usos y costumbres brillan por su ausencia. 

En esas logias se ignora lo que es un masón y lo que es la Orden. 

La verdad es que una logia –por silvestre que parezca– es verdadera, si en su seno se realiza el rito con perfección y conciencia; si existe una transmisión regular de las palabras y fuerzas interiores que desde antiguo se transmiten ininterrumpidamente; si los hermanos guardan el verdadero secreto, cultivando el silencio interior; si los asuntos de índole individual y las problemáticas sociales o económicas y todo tema de carácter profano se logran mantener, como corresponde, junto con los metales, fuera de las puertas del templo; si sus miembros comprenden su misión y su función y se abocan, como tarea principal, a estudiar y practicar las Artes y las Ciencias que la Orden enseña. 

Una logia es verdadera no por pertenecer a una u otra obediencia que se autoproclame arbitrariamente oficial o regular ni por tener ninguna clase de "pedigree" o patente. No. Una logia es verdadera si los trabajos masónicos que realiza son verdaderos; si logra dar vida a la Fuerza o Luz oculta detrás de los símbolos transmitidos desde los orígenes por medio de los ritos, gestos y palabras que los masones practican. 

Y la Masonería está viva no por la existencia de numerosas logias que se dedican, como hemos dicho, a actividades profanas. Lo está porque a pesar de tantos avatares la mayoría de las logias han podido conservar al menos lo más esencial de los ritos de iniciación, aumento de salario y exaltación; porque las palabras sagradas y de paso se han conservado permitiendo a los que las reciban conscientemente experimentar su fuerza y conocer su significado; porque los rituales de apertura y cierre de los trabajos, en los distintos grados, se han mantenido generalmente bastante intactos; porque las leyendas que se conservan en todos los grados están vivas; porque las logias se siguen decorando con los símbolos fundamentales de la Orden y los manuales aún recuerdan los estudios simbólicos correspondientes a cada grado y el escalonado ascenso por los mundos de la gramática, la lógica y la retórica; y de la matemática, la geometría, la música y la astronomía. Está viva porque en muchísimos de los talleres se encuentran aislados hermanos con recta intención de búsqueda que les permite recibir de diverso modo y en el grado que fuere un influjo espiritual que esos ritos y símbolos son capaces de otorgar; y también porque aún existen algunas logias en las que reina el verdadero espíritu masónico; en las que siempre hay un guardatemplo atento impidiendo la entrada de fuerzas e ideas profanas; en las que se invoca incesantemente desde el corazón la Unidad del Gran Arquitecto, la Belleza de su obra, la Fuerza de su espíritu y su Sabiduría infinita. Talleres con salud y alegría en los que fraternalmente se estimula la unión no por vínculos individuales sino por lo más alto: la búsqueda común de un Centro único en el que reside la esencia de Todo. Talleres en los que se trabaja paciente y perseverantemente, en coordinación y respetando las verdaderas jerarquías en la construcción de un edificio interior, de una cosmogonía viva que incluye la muerte y la resurrección, es decir la transmutación, que finalmente hace posible que el corazón del adepto y el centro del templo –unidos indisolublemente– se constituyan en verdadero habitáculo de la divinidad. 

La masonería está viva porque su esencia más íntima –y la de los verdaderos masones– es inmortal; y porque tarde o temprano la Orden habrá de cumplir su misión coronando la construcción de un templo universal edificado de conformidad con los planos diseñados por el Gran Arquitecto del Universo. 

La Tradición Hermética está viva y aún existen verdaderos masones capaces de comprenderla y revivificarla. 

"Por sus obras los conoceréis". 

sábado, 1 de agosto de 2020

PEDIDO EXTEMPORÂNEO DA PALAVRA - REAA

Em 06.03.2020 o Respeitável Irmão Ismael Ramos Gomes, Loja Luz e Verdade, 123, REAA, Grande Loja de Santa Catarina, Oriente de Florianópolis, Estado de Santa Catarina, formula a seguinte questão:

PEDINDO A PALAVRA

Em primeiro lugar quero agradecer seu pronto atendimento em minha solicitação pelo Messenger dando-me assim a oportunidade de maiores informações sobre assuntos de ritualística o qual descrevo abaixo.

Conforme mencionado no Messenger, na data de ontem em Seção de Aprendiz ocupei a posição de 2º Experto por não estar muito bem de saúde, e assim ficar mais próximo a saída do templo. Minha função atual em Loja é Mestre de Cerimônias. Em determinado momento, senti-me um pouco pior na condição de saúde, levantei e fiquei em posição e sinal do grau, esperando a manifestação do 2º Vigilante para comunicar o Venerável Mestre que eu havia interesse de falar, como assim não ocorreu eu pedi a palavra para solicitar meu afastamento definitivo dos Trabalhos. Fiz correto em esperar para o 2º Vigilante solicitar a palavra ou minha atitude foi correta?

CONSIDERAÇÕES:

Essas não são situações corriqueiras, mas podem perfeitamente acontecer durante os trabalhos de uma Loja, sobretudo quando se trata da saúde de alguém.

Num caso desse geralmente não existe regra específica exposta nos regulamentos da Ordem, no entanto aplica-se, antes de mais nada, o bom senso numa ocasião dessas. Assim vou descrever o procedimento mais comum e objetivo que pode ser aplicado numa ocasião desta.

Em se tratando de ordem e organização de procedimentos, alguém para pedir a palavra em caráter de urgência num momento em que a mesma não está concedida à Loja, nas Colunas pede-se a palavra ao respectivo Vigilante. Para tal utiliza-se da forma de costume, isto é, ainda sentado, o obreiro, para chamar atenção, bate com a palma da sua mão direita no dorso da sua mão esquerda, levando em seguida a mão direita espalmada à frente. Por sua vez, o Vigilante da Coluna comunica diretamente ao Venerável que alguém, fora do tempo próprio, pede a palavra. Se autorizado pelo Venerável, o Vigilante então a concede. Ato seguido, o Irmão que pediu a palavra fica à Ordem e expõe o motivo que o fez extemporaneamente (que não é próprio do tempo em que se faz ou sucede) solicitar o uso da mesma. Caso esse pedido inoportuno ocorra no Oriente, cabe ao Venerável Mestre dar diretamente a autorização.

No mais, cabe mencionar que não é de boa geometria, salvo se isso constar no Regulamento da sua Obediência, que alguém para pedir a palavra, mesmo que em caráter de urgência, deva antes ficar à Ordem para chamar atenção do Vigilante ou do Venerável. 

Nesse caso, a maneira consagrada no Rito para pedir a palavra é a acima descrita. Além disso, para que alguém fique em pé durante os trabalhos, salvo quando o ritual assim determinar, é preciso antes ter obtido autorização.

Ao concluir devo mencionar que antes que alguém possa se utilizar do rançoso "onde isso está estrito", respondo antecipadamente que essa é uma maneira revestida de razoabilidade e que define a capacidade de se adequar regras e costumes a determinadas realidades. Isso se chama "bom senso", portanto, não precisa estar escrito. A propósito, um exemplo de atitude de bom senso é a prudência que utilizamos normalmente antes de se atravessar uma rua. Nada disso precisa "estar escrito".

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

AVENTAIS

Primeval Royal Arch Apron England - séc XVIII

CONHECE-TE A TI MESMO

CONHECE-TE A TI MESMO

“Homem, conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os Deuses.”

O conhecido aforismo Grego, inscrito na entrada do Oráculo de Delphos no Templo de Apolo, o deus da luz e do sol, da verdade e da profecia, e arduamente defendido por Sócrates (479-399 a.C), é uma referência quando o assunto é a busca do autoconhecimento e de todos os seus desdobramentos, rumo a uma nova consciência, com a descoberta do verdadeiro “eu”.

Essa necessidade de conhecimento interior visa a compreender as situações que nos cercam e as atitudes que devem ser ou não tomadas para uma vida mais equilibrada e feliz. E essa tarefa é umas das mais desafiadoras. Segundo escreveu Benjamin Franklin, em 1750, na autobiografia “Almanaque do pobre Richard”, “há três coisas extremamente duras: o aço, o diamante e conhecer a si mesmo”.

O convite a esse autoconhecimento é feito ao Iniciado da “Arte Real” no sentido de refletir sobre as paixões mundanas, os vícios e virtudes, e pensar a respeito das necessidades de ajustes pessoais para uma conduta ideal de busca permanente de sabedoria e da Verdade, colocando em relevo a presença do Ser, prevalecendo o Espírito (consciência) sobre a Matéria, liberado do seu aprisionamento na forma (ego). O enfoque dos estudos tem caráter puramente filosófico, sem nenhuma interferência da Ordem, por ferir princípio da liberdade de pensamento e do livre arbítrio.

O processo se inicia amparado em exaustivas leituras e com trabalho de introspecção sobre a maneira de pensar, na percepção de seus valores e do caminho ora trilhado, com foco na investigação, no discernimento, no conhecimento e na maneira de se expressar e aonde se quer chegar. Essa reflexão leva ao autoconhecimento, à essência do Ser efetivamente presente, sua forma de vida, suas verdades, as fraquezas que precisam ser corrigidas e os pontos fortes a serem explorados, que ensejam no simbolismo de uma nova vida mais integrada com a sua real essência.

Não se pode afirmar que essa caminhada rumo ao autoconhecimento seja amena e rápida. Muitos enfrentam uma viagem cercada de obstáculos e armadilhas e tempo de chegada imprevisível, que não se limitam ao cumprimento dos três estágios dos graus do simbolismo maçônico. Afinal, transitar pelos caminhos da mente e do espírito exige, em muitos casos, aconselhamento ou ajuda profissional especializada, sob pena de não se atingir os fins desejados.

A filosofia Socrática exerce grande influência nesta fase inicial com o convite ao autoconhecimento e ao aprendizado do pensar. Porém, antes é necessário aprender a ouvir e ouvir com atenção, com o objetivo de encontrar o sentido exato das palavras, tanto de quem fala como daquelas que são produzidas pela nossa mente. Aqui reside uma primeira dúvida: como funciona essa mente? Por onde começar?

Nesse sentido, o conhecimento de si é fruto de um disciplinado trabalho de introspecção, observação crítica e interpretação, que demanda controle emocional, tempo e desprendimento. A literatura sobre o assunto é ao mesmo tempo vasta e conflitante e é objeto de fartos estudos e proposições, ocupando grande parte de vários ramos da ciência. Entretanto, o termo “mente” tem um conceito genérico no sentido de envolver as funções do cérebro ligadas ao comportamento e à cognição.

Trilhar o caminho rumo ao autoconhecimento ou ao processo de despertar para a consciência autêntica, encontrar a verdadeira natureza por trás do nome e da forma, que alguns denominam iluminação, implica percorrer e deslindar as turbulentas trilhas da mente. Sabe-se aonde se quer chegar, porém o como fazê-lo demanda um plano de ação que é específico para cada indivíduo, não podendo ser feito por outrem. Abraham Lincoln dizia que a bússola nos diz onde está o norte, mas não nos mostra os pântanos ou as montanhas do caminho.

Segundo ensina Eckhart Tolle em seu livro “O Poder do Agora: um guia para iluminação espiritual”, a mente é um local de barulho intenso a que chamamos pensar. Afirma que, para atingirmos a iluminação é preciso antes libertarmo-nos de nossa mente (ego), pois esta encobre a verdadeira natureza do nosso Ser. Em outra obra “Um Novo Mundo: o despertar de uma nova consciência”, onde mostra os aspectos principais do ego e como eles se manifestam no plano individual e coletivo, alerta: “a menos que conheça o mecanismo básico por trás do funcionamento do ego, você não o detectará, e ele irá enganá-lo, impedindo que o reconheça todas as vezes que tentar…o ato de reconhecimento é em si uma das maneiras pelas quais acontece o despertar….o surgimento da consciência é o despertar…a luz da consciência é tudo o que é necessário. Você é essa luz”.

A conexão interior com o Ser se realiza pelos estados de amor, alegria e paz, que somente se manifestam à medida que nos livramos do domínio da mente. Por se tratarem de estados profundos do Ser e surgirem por trás da mente, não possuem opositores. Estes sentimentos não podem ser confundidos com emoções, pois estas pertencem a uma parte da mente dualística, como uma resposta do corpo à provocação de um pensamento, que é em si energia, podendo se constituir num permanente círculo vicioso, que pode interferir no equilíbrio e funcionamento harmonioso do corpo. Vale ressaltar que a emoção não é ruim em si, apenas aquela associada a um acontecimento triste, que provoca infelicidade.

O autor avisa que a mente não consegue funcionar e permanecer no controle sem que esteja associada ao tempo, tanto passado quanto futuro, e vê o “agora” como uma ameaça, por isso procura sempre dele negar e escapar. Ressalta, “em outras palavras, jamais permanecemos aqui porque estamos sempre ocupados tentando chegar a algum lugar… e a vida é sempre Agora”. Caso paire alguma dúvida sobre esse exato momento, “sempre que nos tornamos conscientes da respiração, estamos absolutamente no presente”.

Barreiras mentais e psicológicas que impedem uma visão mais ampla da realidade se fortalecem em experiências de sofrimentos passados os quais, através de diálogos interiores intensos, dominam a mente, escravizam o pensamento, afetam as emoções e agridem o corpo físico, transformando-se num fardo, permanecendo sempre presentes e identificando-se com ele. Por sua vez, quando a mente está no futuro, é criado um espaço de angústia, pois não podemos lidar com algo que é apenas uma projeção mental.

“O passado nos dá uma identidade e o futuro contém uma promessa de salvação e realização. Ambos são ilusões”.

O que aconteceu no passado é um traço do passado, de um “agora” anterior. O futuro é um “agora” imaginado, uma projeção da mente. Quando esse futuro acontece, acontece como sendo “agora”. Na visão de Tolle, “a essência dessas afirmações não pode ser compreendida pela mente”.

Tolle afirma que a dualidade existe ao nível da mente: passado e futuro, o bem e o mal, amor e ódio, igual e diferente, positivo e negativo. No sentido simbólico, Adão e Eva quando comeram do fruto do conhecimento do bem e do mal, ou seja, ao nível da mente (ego), tiveram que abandonar o Paraíso. No estágio que estavam anteriormente, do bem supremo, da unidade do Ser, da prevalência do Espírito sobre a Matéria, o mal era apenas uma perspectiva. Conclui-se que o ego é surdo à voz da consciência e quanto mais identificado com a mente mais ele rege nossas vidas. E quanto mais forte o ego mais distante da nossa verdadeira natureza, de sentirmo-nos à vontade, em paz ou completos.

Segundo Tolle, “o ego precisa de alimento e proteção o tempo todo. Tem necessidade de se identificar com coisas externas, como propriedade, status social, trabalho, educação, aparência física, habilidades especiais, relacionamentos, história pessoal e familiar, ideais políticos e crenças religiosas. Só que nada disso é você”.

Segundo o autor, as necessidades do ego são intermináveis e é difícil acreditar que a nossa identidade não está em nenhuma dessas coisas e a maioria descobre isso quando passa por situações-limite, traumáticas ou lá pelo fim da vida, quando pressentir a dissolução da forma e a chegada da morte, pois esta “significa um despojar-se de tudo que não é você”.

Para desativar essa armadilha da mente torna-se necessário desenvolver uma profunda consciência de que o momento presente é tudo que temos, restando ao passado e ao futuro servir como subsídio para lidarmos com os aspectos práticos da vida, passando esta a atuar em nosso favor. Este estar presente observando o que se passa dentro de nós, monitorando o estado mental e emocional, é uma poderosa ferramenta de autoconhecimento. As nossas reações a pessoas e circunstâncias desafiadoras permitem-nos aquilatar até que ponto de fato nos conhecemos.

O pulo do gato é reconhecer que a raiz da inconsciência vem de uma identificação com a mente, permitindo que ela seja como é, sem nos deixar enredar por ela e não nos confundirmos com quem realmente somos, ou seja ficarmos presentes ou “sempre alerta”, como dizem os escoteiros. Impende aceitar que o “agora” é a coisa mais importante que existe e o que realmente temos, deixando o tempo psicológico de lado e usando efetivamente o tempo do relógio, este sim, tomado como ponto de partida para uma mudança verdadeira e como referência de um objetivo estabelecido e o trabalho necessário para alcançá-lo.

Conscientes desse mecanismo de funcionamento da mente, no contexto do convite Socrático relativo à jornada interior rumo ao autoconhecimento, à essência e à verdadeira natureza do funcionamento do pensar, o sentido das palavras ganham diferentes contornos e não representam em si a Verdade, apenas apontam para ela. Por seu turno, outras atitudes e habilidades, em especial o “aprender a ouvir, a falar e o quando falar” despontam como novas prioridades, na busca permanente para uma vida equilibrada e, por consequência, mais autêntica e feliz, como o objetivo primordial citado no início desta Prancha.

Como dito acima, o tema relativo ao conhecimento interior é vasto e complexo, mas vale pensar a respeito, mas não com a nossa mente analítica e o falso ego e sim com a nossa consciência pura e desperta, a verdadeira Inteligência, quem realmente somos e o que deve efetivamente conduzir nossa vida.

No ensejo, merece destaque um conselho de Tolle:

“Ao partir numa jornada, é claro que ajuda muito sabermos para onde vamos ou, ao menos, a direção geral que estamos tomando. Entretanto, não podemos esquecer de que a única coisa real sobre a nossa jornada é o passo que estamos dando neste exato momento. Isso é tudo que existe”.

Autor: Márcio dos Santos Gomes
Márcio é Mestre Instalado da ARLS Águia das Alterosas – 197 – GLMMG, Oriente de Belo Horizonte, membro da Escola Maçônica Mestre Antônio Augusto Alves D’Almeida, da Academia Mineira Maçônica de Letras, e para nossa alegria, também um colaborador do blog.

Fonte: opontodentrocirculo.com