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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

domingo, 25 de abril de 2021

MAÇONS FAMOSOS

INICIAÇÃO MAÇÔNICA DE ADEMIR DA GUIA


ADEMIR FERREIRA DA GUIA (Rio de Janeiro, 1942). Ex-futebolista brasileiro, considerado pela torcida e pela imprensa o maior ídolo da história do Palmeiras, no qual foi titular absoluto por mais de dezesseis anos, durante a época da chamada "Academia", onde era o craque e a figura central.É o jogador que mais vezes vestiu a camisa alviverde em todos os tempos: 902 jogos. É também classificado pela crítica especializada como um dos melhores jogadores do futebol brasileiro de todos os tempos. Pela classe com que jogava, herdou parte do apelido de seu pai, Domingos da Guia, o "Divino Mestre" e passou a ser chamado de "Divino". Ademir da Guia já foi vereador da cidade São Paulo, pelo PC do B, e posteriormente migrou para o PL. Em Sessão Magna de Filiação, realizada no dia 23 de agosto 2012, Ademir foi filiado à Loja Jerusalém nº 3202, oriente de São Paulo-SP.

Fonte: famososmacons.blogspot.com

FIDELIDADE

FIDELIDADE

Acredite na sua fidelidade: fará com que seja fiel!  Sêneca (4 a. C. – 65 d. C.)

Os dicionários registram que a palavra “fidelidade” é o atributo ou a qualidade de quem ou de que é fiel para significar quem ou o que conserva, mantém ou preserva suas características originais, ou quem ou o que se man- tém fiel à referência. A fidelidade implica confiança e vice -versa, e essa relação de implicação mútua aplica-se quer entre duas pessoas ou mais, quer entre determinado sujeito e objeto sob sua consideração, que, a seu turno, igualmente pode ser abstrato ou concreto.

A palavra “verdade”, na Bíblia, onde é muito citada, tem o sentido de “fidelidade”. Isto é, os adeptos são verdadeiros ou falsos à medida que são fiéis ou infiéis. A Bíblia está ensinando que somente o espírito da verdade pode conduzir à plena verdade. Por exemplo: Em Provérbios 28;20 é citado que “um coração fiel é essencial para que recebamos recompensas divinas; a verdade faz com que o Senhor cumule bênçãos sobre nós”. A verdade, aí, tem sentido de fidelidade.

Simbolicamente, fidelidade é representada com a figura de âncora. A âncora remete à estabilidade com o nos- so ser entre as relações que estabelecemos. Mesmo em meio as tempestades ela é capaz e fornecer segurança, seja para os barcos ou passageiros.

Fidelidade, na Maçonaria, tem um alto significado! Ao ser iniciado, o neófito assume um compromisso voluntário e moral quando dos juramentos (sem sofisma, equívoco ou reserva mental) de praticar a fidelidade em sua essência. Essa fidelidade se alicerça na sua liberdade de ex- pressão e ação, sem se desvirtuar à ideia de limite. A fidelidade está na convivência com seus semelhantes.

Há uma distinção entre a fidelidade no mundo profano (como nos referimos ao ambiente fora da Maçonaria) e a fidelidade com calor, na Sublime Ordem, que está calca- da na voluntariedade. A dignidade humana e a hombridade na postura, qualidades inatas no legítimo Maçom, es- tão aliadas e caminham junto à fidelidade.

O Espírito de Fidelidade é o Espírito da Verdade. O espírito que permite-nos recordar as passagens durante a Iniciação quando ficaram configurados, através dos jura- mentos, o cumprimento dos preceitos da Ordem. E se o espírito nos anima, a questão é como estamos sendo fiel à instituição que nos indica o caminho da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, cultivando a virtude de ser fiel ao verdadeiro Espírito da Maçonaria Universal. Ser fiel é uma virtude Maçônica revestida de atitude!

Ao seguir uma via espiritual, ou quando se é admitido numa Ordem no modo esotérico-iniciática, como é a defini- ção da Maçonaria, é costumeiro o novo membro efetuar um juramento no ato da sua admissão, no qual está implícito um determinado compromisso. O neófito é recebido e integrado na Ordem somente depois de efetuado esse jura- mento.

É a mais abominável forma de egoísmo a que leva o Obreiro a negligenciar o aproveitamento do tempo, o cuida- do com a comunidade, achando-se diretamente sob as vistas da entidade. Esse Obreiro, talvez, imagine que suas negligências não sejam observadas e registradas. Se estiver atento veria que a Loja o contempla e todo o seu descuido é registrado.

Por essa razão, espera-se que o Maçom reitere seu juramento com sua frequência nas sessões de sua Loja, dedicando-se de corpo e alma à prática da moral, da igualdade, da solidariedade humana, da justiça e, principalmente, da fidelidade em toda a sua plenitude.

O Maçom é taxado como sendo livre e de bons costumes e sensível ao bem e que os ensinamentos recebidos em Loja lhe propiciam o engrandecimento como ser humano atuante e culto, combatendo a ignorância. A ignorância é o vício que mais aproxima o Homem do irracional.

Dessa forma, através da fidelidade à Sublime Ordem, o Maçom deve conduzir-se com absoluta isenção e a máxima da honestidade de propósitos, coerentes com os princípios Maçônicos, para ser um Obreiro útil a serviço da Maçonaria e da Humanidade.

O Maçom tem de acreditar na sua missão sabendo que há uma diferença entre o seu comportamento, como Maçom e aquele que não é iniciado. Essa diferença nasce de pertencer à uma instituição que traz em sua bandeira a fraternidade aliada à fidelidade, onde há a busca constante de aprimoramento em suas atitudes, ações e palavras, cultivando em seu íntimo o papel de trabalhar para tornar feliz a Humanidade.

Obras consultadas
Bayard, Jean-Pierre - A Franco-Maçonaria
Gómez, Javier Abad - Fidelidade
Houaiss, Antônio -Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa Ludy, Eric & Ludy – Sua Perfeita Fidelidade
Sabatino, Luiz - Fidelização - A Ferramenta de Marketing Bíblia Sagrada
Ritual de Aprendiz – GLESP Fonte: http://www.abemdaordem.com.br

Fonte: http://www.abemdaordem.com.br

sábado, 24 de abril de 2021

ESCLARECIMENTOS SOBRE O REAA

Em 24/08/2020 o Respeitável Irmão João Estevam, Loja União e Trabalho IV, REAA, GOB-RN, Oriente de Santa Cruz, Estado do Rio Grande do Norte, apresenta as questões seguintes que foram formuladas por um Irmão Aprendiz Maçom da sua Loja

QUESTÕES RELATIVAS AO REAA APRESENTADAS POR OCASIÃO DA PALESTRA ONLINE REALIZADA EM 21/08/2020

1. O Regimento irlandês Walsh, jacobita, de acordo com bibliografia utilizada por José Castellani, foi a primeira Loja escocesista fundada em território francês em 1689 sob a égide de Jaime II em Saint Germain de Laye. O escocesismo não seria um exercício maçônico relacionado a dinastia Stuart desde os tempos de trono em território anglo-saxônico? Ou seria uma inovação apenas durante o período do exílio?

2. Qual recorte histórico podemos fazer para delimitar um marco natalício para o Rito Escocês antes da adoção do Rito de Heredom ou de se tornar Rito Escocês Antigo e Aceito?

3. Qual a influência de Albert Pike na formatação ritualística e doutrina do Rito Escocês antigo e Aceito e em que ele contribuiu para os usos e costumes do Rito?

4. O Irmão Francisco Carvalho, de alcunha Xico Trolha, utiliza o termo Maçonaria Primitiva para assinalar o período pré-Maçonaria especulativa e obediencial. O uso e costume da Maçonaria Primitiva foi de arcabouço doutrinário cristão. Com a Maçonaria Especulativa e Obediencial, o cristianismo foi substituído em boa medida pelo hermetismo e pelo judaísmo, inclusive com o ressignificado de símbolos tal qual a Estrela Flamígera, antes sinal para os

Reis Magos e agora símbolo pitagórico. A transformação da Maçonaria a partir de uma estrutura Deísta com novos símbolos ou ressignificação de antigos símbolos é considerado uma evolução ou um enxerto na estrutura ritualística maçônica?

5. O Irmão Pedro Juk em sua Exegese Simbólica para o Aprendiz Maçom utiliza os termos “aperfeiçoamento do espírito” e “imortalidade da alma e no aprimoramento do espírito” no contexto da Iniciação em Maçonaria. Gostaríamos de saber se o irmão faz distinção entre alma e espírito e se esta distinção é decorrente do racional teórico e ou da doutrina em simbologia maçônica?

CONSIDERAÇÕES:

PAINÉIS E TAPETES

 

RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO

RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO

O Rito Escocês Antigo e Aceito, nasceu na Franca, como "o rito dos Stuart, da Inglaterra e da Escócia" tendo sido a primeira manifestação maçônica em território francês (1649), antes mesmo da fundação da Grande Loja de Londres (1717).

Desde a criação da Grande Loja de Londres em 1717, apareceram na França dois ramos distintos da Maçonaria. Um dependente da Grande Loja de Londres e outro (escocês) autônomo que não estava ligado a nenhum sistema obediencial. Viviam sob o antigo preceito maçônico de que os maçons tinham o direito de constituir lojas sem prestar contas de seus atos a uma autoridade ou poder supremo ("O Maçom Livre na Loja Livre").

As Lojas Escocesas eram maioria, na França. Até 1766, somente três Lojas, entre as 487 Lojas existentes, tinham patente da Grande Loja de Londres.

Em 1758 criaram-se, no escocesismo, os altos graus (25 graus do chamado rito de Héredom) que, no entanto só foram plenamente estabelecido 1801 com a fundação em Charleston (Estados Unidos), do primeiro Supremo Conselho do Mundo do chamado Rito Esconcês Antigo e Aceito.

Fonte: http://conhecendomaconaria.blogspot.com

sexta-feira, 23 de abril de 2021

A SAUDAÇÃO S.´.S.´.S.´.

A SAUDAÇÃO S.´.S.´.S.´.
(republicação)

Considerações que solicita o Respeitável Irmão Alisson Marcos, Loja Acácia do Sudoeste, GOB-PR, Oriente de Francisco Beltrão, Estado do Paraná. 
alissonmarcos82@gmail.com

Meu Irmão Pedro, Não deves se recordar de mim. Encontramo-nos no ERAC de Francisco Beltrão em 2011 e adquiri vosso livro com dedicatória para a Loja Acácia do Sudoeste. Como me sugeriste que diante de dúvidas poderia entrar em contato contigo repasso uma pesquisa rápida que fiz e peço a confirmação, uma vez que ainda não tive acesso ao rito de York. S.´. S.´. S.´..

A significação das três letras acima tem sido deturpada pela maioria dos Irmãos. Alguns a traduzem por "saúde, saúde, saúde" e outros por "salve, salve, salve". Nem uma nem outra cousa. As três letras significam as três colunas do Templo que assim se escreviam em latim: “SAPIENTIA, SALUS, STABILITAS”.

Em outras palavras: a Sabedoria (Sapientia) que é o Venerável Mestre; a Força (Salus) que é o 1º Vigilante; e a Beleza (Stabilitas, ou "estabilidade moral" ou beleza moral) que é o 2º Vigilante. 

Em um Templo inteiramente composto se vêm, por isso, as três colunas de Minerva, de Hércules e de Vênus.

Isto é, a Sabedoria, a Força e a Beleza, ou Sapientia, Salus, Stabilitas, representadas por S.´.S.´.S.´.. Resta lembrar a todos os Maçons que praticam o R.´.E.´.A.´.A.´. que, estas palavras são pronunciadas com vigor ao encerrar a cadeia de União e apostas no início de documentos maçônico. 

Ao contrário de muitos Maçons que por desconhecerem o ritos existentes e suas origens, usam de forma errônea as palavras “S.´.F.´.U.´.” que significam, “Saúde, Força e União”. Estas palavras nunca
pertenceram e não pertencem ao R.´.E.´.A.´.A.´., e sim ao Rito de Emulação (York), portanto jamais devem ser usadas e pronunciadas no Rito Escocês Antigo e Aceito. Os que assim o fazem se expõe ao ridículo perante outros que tem o conhecimento da origem e de que rito que ambas pertencem. 

Você tem algum texto que fale sobre o R.´.E.´.A.´.A.´., porém que aborde as origens, semelhanças, diferenças entre o Rito aplicado no GOB, GOSC e GLSC. 

É que participei de uma sessão quinta-feira passada, na Palmeira da Paz do GOB em Blumenau, e tem muitas diferenças em relação ao da GLSC aplicada em minha Loja. 

Segundo meu tio, César de Souza, da Palmeira da Paz, a forma que eles estão aplicando, esta bem próxima do rito original. 

Que por exemplo os capuzes usados nas iniciações, foram acrescentados depois, não fazem parte do rito original. 

Outra questão também, eles acendem uma só vela, no grau de aprendiz e nós acendemos as três, e muitas outras diferenças.

CONSIDERAÇÕES:

ENSAIO - ORIGEM DOS CARGOS EM LOJA


ENSAIO – ORIGEM DOS CARGOS EM LOJA
Pedro Juk

Muito dessa história não possui registro, pelo menos até a presente data.

Em linhas gerais a maioria dos cargos em Loja foram criados conforme a vertente maçônica e de acordo com a necessidade litúrgica do rito (sua cultura, costumes, estrutura doutrinária, etc.).

Para o desenvolvimento das considerações que se seguem será utilizado como parâmetro a Maçonaria Primitiva (de Ofício) do século XVII na Escócia e o seu alcance sobre a Maçonaria Inglesa no século XVIII, seguida da Maçonaria Francesa.

No princípio a Maçonaria de Ofício em território escocês possuía somente duas classes de trabalhadores, a dos Aprendizes Admitidos (registrados por aproximadamente sete anos) e a dos Companheiros do Ofício. Dentre esses últimos eram escolhidos os Mestres da Loja e o Mestre da Corporação - uma corporação poderia possuir mais do que uma Loja.

No tocante ao título de Mestre, nessa época ele ainda não era considerado um grau especulativo, tal como é conhecido atualmente. No período do ofício (Maçonaria Operativa) o Mestre era apenas o cargo de dirigente, administrador ou mesmo o proprietário da guilda.

quinta-feira, 22 de abril de 2021

ESTANDARTE NO JURAMENTO - REAA

ESTANDARTE NO JURAMENTO
(republicação)

Em 16/03/2017 o Respeitável Irmão João Manoel C. de Almeida, Loja Amor e Justiça 2, REAA, GOB-ES, Oriente de Alegre, Estado do Espírito Santo, solicita o seguinte esclarecimento.

Já tivemos antes um contato, e você se prontificou, quando surgisse duvidas poderia procura-lo.

Surgiu uma duvida na iniciação.

Quando o neófito faz o juramento, algumas Lojas colocam o Estandarte ao lado do Candidato, outras atrás, e algumas nem colocam o Estandarte nestas posições, inclusive o Ritual não fala absolutamente nada a respeito.

Pergunta: Qual procedimento devemos adotar?

CONSIDERAÇÕES:

Em se tratando do ritual em vigência no Grande Oriente do Brasil, essa prática não está prevista. Nesse caso, o Estandarte permanece no seu devido lugar conforme indicado no ritual. Em não estando previsto, não se adotam nenhum dos procedimentos mencionados na sua questão.

Sob o ponto de vista da originalidade, o Estandarte deveria ser arvorado na Loja assim que ela fosse declarada aberta e, recolhido, por ocasião do encerramento. É em razão disso que existe o cargo do oficial denominado Porta-Estandarte.

Infelizmente os “fazedores” de rituais, nem sempre conhecedores da Arte, acabaram por excluir esse importante procedimento ritualístico, provavelmente por copiarem rituais anacrônicos e descompromissados com a tradição.

Assim ratifico: de acordo com o ritual, não se arvora o Estandarte por ocasião do juramento. Não é demais mencionar que ritual em vigência deve ser rigorosamente cumprido.

T.F.A.
PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

FRASES ILUSTRADAS


TIRADENTES, MAÇOM INICIADO?

TIRADENTES, MAÇOM INICIADO?
Marco Antônio de Moraes*

Introdução
Logo após a Iniciação na Maçonaria, muitos são os que tomam conhecimento das inúmeras Lojas Maçônicas que adotam o nome de Tiradentes, como patrono, em suas diferentes formas: “Tiradentes”, “Alferes Tiradentes”, “Joaquim José da Silva Xavier”, dentre outras. De plano, surge a dúvida: são homenagens ao mártir da Independência ou Tiradentes teria sido Maçom?

Com certa tristeza temos presenciado uma discussão pouco acadêmica acerca do assunto, mais próxima da paixão rancorosa, a qual, sem dúvida, conduz ao caminho certo para a perpetuação da dúvida. Alguns Maçons historiadores, em seus livros e artigos publicados, já se excederam e, não raro, trocaram até ofensas públicas.

Nesse sentido, desenvolvemos o presente artigo, esperando que possa, com o auxílio do Grande Arquiteto do Universo, com base na pesquisa científica, longe de qualquer sectarismo, oferecer aos Maçons e interessados a verdade, ou, se esta não for encontrada, que tenhamos contribuído para alargar os horizontes da cultura maçônica.

Breves dados pessoais de Tiradentes

Joaquim José da Silva Xavier nasceu em Minas Gerais, na Fazenda do Pombal, à margem direita do Rio das Mortes, entre a Vila de São José, hoje cidade de Tiradentes, e São João d’El Rey, tendo como pais, o português Domingos da Silva Santos e a brasileira Antônia da Encarnação Xavier, sendo o quarto filho, entre seis a sete irmãos.

Foi batizado pelo padre João Gonçalves Chaves, na Capela de São Sebastião do Rio Abaixo, em 12 de novembro de 1746, tendo como padrinho o “Tiradentes” Sebastião Ferreira Leitão. O assentamento do seu batizado foi encontrado pelo historiador Augusto de Lima Júnior (1955), nos livros da Matriz de Nossa Senhora do Pilar, na Vila de São João d’El Rey, o qual calculou a sua data de nascimento como 16 de agosto de 1746, já que não há notícias de seu registro de nascimento.

Aos nove anos de idade, ele residia em São João d’El Rey, em casa de parentes, quando sua mãe veio a falecer. Aos 15 anos perdeu seu pai, tendo então retornado a Pombal para trabalhar na lavoura, com o seu padrinho, que também lhe ensinou o então raro ofício de “por e tirar dentes”.

Na idade adulta foi mascate, em Minas Novas, antes de entrar para a Companhia dos Dragões de Villa Rica, sede da Capitania das Minas Gerais, atual Ouro Preto. Foi então promovido de Comandante de Patrulha a Alferes, em março de 1775 e, no ano seguinte, destacado para a 6ª Companhia do recém criado Regimento de Cavalaria Regular de Minas Gerais, sediado em Villa Rica.

Em dezembro de 1781, esteve no Rio de Janeiro, sendo nomeado para o cargo de Comandante do Destacamento do Caminho do Rio, com a finalidade de vigiar a estrada da Mantiqueira, dar proteção aos viajantes e reprimir o contrabando de ouro e diamantes.

O Alferes Xavier, como era conhecido na época, não foi promovido a oficial, em face da sua pouca instrução, por manter a atividade de “arrancador de dentes” e ter a “língua solta” e, finalmente, após ter sido destituído do cargo de Comandante do Destacamento do Caminho do Rio, começou a falar mal, abertamente, do governo português.

Em maio de 1786, retirou da casa dos pais a menor Antônia Maria do Espírito Santo, que, em fevereiro de 1787, deu a luz a uma menina. No mês imediato, o Alferes abandona a companheira, que tinha à época 16 anos de idade, e viaja para o Rio de Janeiro, licenciando-se da Tropa, permanecendo lá por um ano, para tentar uma nova sorte, porém, sem êxito.

No ano seguinte, 1788, ainda no Rio de Janeiro, conheceu o engenheiro de minas, José Alvares Maciel Filho, cunhado do capitão-mor de Villa Rica, e Domingos José Barbosa, recém formados em Coimbra, Portugal.

Em agosto do mesmo ano, o Tiradentes retornou para Villa Rica, encontrando o povo em profunda inquietação, pois, em 18 de julho, o Visconde de Barbacena, governador da Capitania das Minas Gerais, anunciara a cobrança, com rigor, do débito da derrama.

Juntou-se, então, ao grupo formado pelas seguintes personalidades da região: tenente coronel Francisco de Paula Freire de Andrade, comandante do Alferes; José Alvares Maciel Filho; vigário e latifundiário Carlos Correia de Toledo e Mello; Inácio José de Alvarenga Peixoto; padres José da Silva e Oliveira Rolim; cônego Luiz Vieira da Silva; poeta Cláudio Manoel da Costa; e outros militares, fazendeiros e negociantes, que já conspiravam contra a Coroa Portuguesa.

Outras imposições do governo português também traziam grande descontentamento à população: exigência de que todos deveriam trabalhar nas minas de ouro; proibição de instalação de engenhos na região das minas; exclusividade na retirada do sal, para poucos comerciantes; fechamento das fábricas de tecido, para que todos fossem obrigados a comprar tecidos fabricados em Portugal; proibição do uso das estradas para o interior, por receio do contrabando de ouro. Tais medidas, aliadas ao anúncio da derrama, trouxeram forte descontentamento junto à classe dominante da região, principalmente os endividados, caso também de Tiradentes.

O clube, inicialmente, era conhecido como o Arcádia Ultramarina. Segundo Monteiro (1961), o clube foi fundado com a finalidade de sublevar a população a não pagar a derrama, as côngruas e o quinto sobre o ouro minerado. Discutia-se, também, a proclamação de um território independente de Portugal.

O lema da bandeira do Clube dos Poetas foi proposto por Cláudio Manoel da Costa, verso de Virgílio: “Libertas Quae Sera Tamem”, Liberdade, Ainda que Tardia.

O Coronel Joaquim Silvério dos Reis, que ouvira inconfidências de Tiradentes, denunciou a insurreição que se planejava ao Visconde de Barbacena, que, imediatamente, suspendeu a derrama, uma vez que o movimento armado iria ter início no dia da cobrança dos impostos atrasados. Deu-se início à devassa da Inconfidência Mineira ou Conjuração Mineira, com a prisão de seus líderes.

Dias antes, Tiradentes, que tinha a incumbência de divulgar o movimento, viajara para o Rio de Janeiro, com a finalidade de angariar fundos para a empreitada, vindo a ser preso, no dia 12 de maio de 1789, na rua dos Latoeiros, hoje denominada rua Gonçalves Dias, sem oferecer maior resistência.

Tiradentes não negou sua participação no movimento, denominado de “Inconfidência Mineira”. Os demais envolvidos abjuraram e a Rainha Dona Maria I de Portugal, no dia 20 de abril de 1792, comutou as suas penas de morte para o degredo perpétuo, deportando-os para a África. Já os religiosos tiveram processos à parte e, após condenados, foram enviados a Portugal. Enquanto que Cláudio Manoel da Costa, que se defendera em cartas, acusando os companheiros da conspiração, suicidou-se na prisão.

Tiradentes foi enforcado, às 11 horas, do dia 21 de abril de 1792, três anos após sua prisão. Foi então esquartejado, sendo que a cabeça foi para Villa Rica e os seus membros foram fincados em postes na estrada entre Minas e Rio de Janeiro. A casa dele foi destruída e sobre a terra foi jogado sal.

A suposta Iniciação de Tiradentes

A Universidade de Coimbra era o berço das ideias liberais, onde os filhos de brasileiros ilustres, ricos e poderosos estudavam, constando que Cláudio Manoel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga e Inácio Alvarenga Peixoto foram Iniciados na Maçonaria naquela cidade, enquanto estudantes, embora haja quem afirme que Cláudio Manoel da costa não era Maçom.

Naquela época, o absolutismo e o sistema colonial europeu estavam em crise, os ideais de liberdade e princípios liberais estavam aguçados entre os universitários, em face da recente guerra da independência americana (1776) e a Revolução Francesa (1789). Alguns autores afirmam que José Alvares Maciel Filho, também, teria sido Iniciado na Maçonaria, em Coimbra, com 28 anos de idade, tendo chegado a Villa Rica no segundo semestre de 1788.

No tocante à probabilidade da Iniciação de Tiradentes na Maçonaria ou à sua vida de Maçom, não existe qualquer registro e, nos sete volumes dos Autos Devassa da Inconfidência Mineira, publicados pela Biblioteca Nacional (1936), não há qualquer referência à Iniciação de Tiradentes ou sua condição de Maçom.

Por outro lado, o estudioso Maçom José Castellani, em artigos publicados na revista “A Verdade”, números 298 e 300, abril e junho de 1992, afirmou que “profanos e principalmente Maçons irresponsáveis inventaram, não apenas sobre o Tiradentes, mas de modo geral tudo quanto é fato maçônico”.

O autor Joaquim Felício dos Santos (1868), no livro “Memórias do Distrito de Diamantino da Comarca do Serro Frio”, afirmou que “os conjurados eram, todos, Iniciados na Maçonaria, introduzida por Tiradentes, quando por aqui passou, vindo da Bahia, para Villa Rica” e mais “quando Tiradentes foi removido da Bahia, trazia instruções secretas da Maçonaria para os patriotas de Minas Gerais”.

Marcelo Linhares (1988), no seu livro “A Maçonaria e a Questão Religiosa do Segundo Império”, escreveu que “de Tiradentes se diz haver Iniciado na Bahia, quando, em seus primeiros tempos de vida profissional, mascateou no eixo Minas-Bahia”. Mas, demonstrando não ter muita convicção, afirmou que “o certo é que a Maçonaria brasileira, dos séculos XVIII e XIX, era essencialmente política”.

Porém, tais afirmações encontram forte oposição, no fato de que a primeira Loja Maçônica brasileira que se tem registro surgiu em Recife, Pernambuco, apenas em 1796, por iniciativa do botânico Manuel de Arruda Câmara, após chegar da Europa, e denominava-se Areópago de Itambé. Há autores que afirmam que não se tratava de uma Loja Maçônica, mas de outra sociedade secreta, nos moldes da Maçonaria, e integrada por Maçons e não Maçons.

Tiradentes, como se sabe, morreu no dia 21 de abril de 1792, quando ainda não existia Loja Maçônica regular no Brasil. Tiradentes jamais esteve em Salvador, Bahia, onde há a teoria da primeira Loja Maçônica naquele território, fundada em 14 de julho de 1797, na Barra, a qual denominava-se “Cavaleiros da Luz”, fato que também não encontra unanimidade. Também, é sabido que não existia estrada para os 1800 quilômetros que separam Salvador de Villa Rica.

Portanto, meu entender é de que Tiradentes não poderia ter sido Iniciado na Maçonaria na Bahia, enquanto mascateava ao norte de Minas, por volta de 1774, uma vez que esta ainda não existia. A propósito, José Castellani, em “Os Maçons na Independência do Brasil” (1993, p. 20- 21), é taxativo ao afirmar:

“Muito já se falou e muito já se escreveu sobre a participação maçônica na independência do Brasil.

De confiável, todavia, muito pouco. Como geralmente acontece, quando autores Maçons tratam da História, entra em jogo o ufanismo, a parcialidade, a tendência, que os leva a exagerar os feitos maçônicos e as virtudes dos Maçons envolvidos, ocultando ou escamoteando os defeitos e dourando a pílula, quando o seu aspecto não é muito recomendável.

Isso acabou criando uma História distorcida, inventada e maquinada, que viria a influenciar algumas gerações de Maçons, que passaram a repetir balelas, as quais, com tanta repetição, quase chegaram a ter foros de verdade – uma mentira repetida muitas vezes, acaba sendo considerada uma verdade – fazendo com que a historiografia maçônica nacional chegasse a ser motivo de descrédito, de desconsideração e até de chacota, para a comunidade universitária brasileira e para as instituições ligadas à História e que tratam com a seriedade que ela merece e não com o despojamento de certos autores Maçons.”

Mais adiante (p. 25), foi contundente ao tratar especificamente de Tiradentes:

“Existem, todavia, autores, que, aproveitando um período nebuloso e de grande carência de registros históricos, falam da existência de Lojas, principalmente na Bahia, nos meados do século XVIII, o que, por falta de qualquer prova documental, é uma afirmação tão temerária quanto aquela dos que apontam os conjurados mineiros, principalmente o Tiradentes, como Maçons, sem que haja qualquer apoio histórico documental para tal afirmação.“

Não se pode negar que há indícios de que Maçons se envolveram na Inconfidência Mineira e em outros acontecimentos históricos que se sucederam. Gustavo Barroso (1990), historiador pátrio dos mais afamados, afirmou que “a Maçonaria estava envolvida na Conjuração Mineira”. Ele só não disse como e por quais representantes.

Outro historiador, Pedro Calmon (2002) afirmou que Maçons participaram da Inconfidência Mineira, da Independência, da Abolição da Escravatura e da Proclamação da República. Porém, não citou Tiradentes como Maçom.

Já Lima Júnior (1955, p.136-137) afirma que: “Iniciado na Maçonaria, tomava parte nas reuniões desta, no Rio de Janeiro e pregava suas doutrinas, onde quer que se encontrasse” e, também, confirma que “…depois de ouvir minucioso relatório do alferes Joaquim José, que regressara do Rio de Janeiro, onde mantivera contatos decisivos com os confrades das Lojas Maçônicas, e que lá dirigiam o movimento da insurreição…”. No entanto, nos idos de 1788/89, não existia Loja Maçônica no Rio de Janeiro, o que torna temerária tal afirmação, sendo que, a primeira só veio a ser fundada naquele Oriente em 1801, denominada Loja Maçônica Reunião, filiada ao Grande Oriente de França, segundo o manifesto do Grão-Mestre José Bonifácio de Andrada, publicado em 1832 (BUCHAUL, 2011).

Ainda, José Castellani, em “Os Maçons da Independência”, relaciona a fundação das primeiras Lojas Maçônica no Brasil:

“Resumindo: os primeiros templos da Maçonaria brasileira, até a fundação do Gr. O., seguem aproximadamente – já que a época é nebulosa, do ponto de vista documental – a seguinte cronologia dos principais fatos:

1796 – Fundação, em Pernambuco, do “Areópago de Itambé”, que não era uma verdadeira Loja, pois, embora criado sob inspiração maçônica, não era totalmente composto por Maçons;
1801 – Criação, em Niterói, da Loja “União”;
1801 – Instalação da Loja “Reunião”, sucessora da “União”;
1802 – Criação, na Bahia, da Loja “Virtude e Razão”;
1804 – Fundação das Lojas “Constância” e “Filantropia”;
1806 – Fechamento, pela ação do Conde dos Arcos, das Lojas “Constância” e “Filantropia”;
1807 – Criação da Loja “Virtude e Razão Restaurada”, sucessora da Loja “Virtude e Razão”; e
1809 – Fundação, em Pernambuco, da Loja “Regeneração”.

Mário Verçosa (1985), em seu livro “Registros Maçônicos”, acrescenta a Loja “Cavaleiros da Luz”, em Salvador, Barra, como fundada em 1797, filiada ao Grande Oriente de França.

Em 1955, Tenório d’Albuquerque, baseado na afirmação de Canêco Amassado, começou a escrever, seguidamente, sobre Tiradentes-Maçom, passando a surgirem daí inúmeras Lojas Tiradentes, com a adoção do mártir da Inconfidência Mineira, como mártir Maçom-brasileiro. Para se comprovar tal afirmativa, basta levantar em cada Oriente a data de fundação das Lojas Tiradentes.

Para Kurt Prober (1984), Tenório d’Albuquerque criou o que chamou de “Herói Maçom”, denominando de “fábula Tiradentes-Maçom” tudo que se refere a sua vida maçônica. Para alguns, a assinatura de Tiradentes é uma prova da sua condição de Maçom. Kurt Prober contradiz, afirmando que a mesma possui cinco pontos: o primeiro está depois da abreviação de Joaquim; o segundo é solto, depois de J, de José; o terceiro está abaixo da letra A, da abreviatura AS, de Silva; o quarto está ao lado de X, de Xer, Xavier abreviado; e o quinto, no fim do nome, como ponto final.

Os três pontos, que acompanham as assinaturas dos Maçons, foram utilizados pela primeira vez num documento maçônico, no Grande Oriente de França, em 1774 (RAGON, 2006). No Brasil, somente após 1815 e, com certeza, em 1822.

José Carlos Gentil (19–), atual Presidente da Academia de Letras de Brasília, ao publicar um opúsculo intitulado “Tiradentes e a Maçonaria”, apresenta-se como um ferrenho defensor da tese de que Tiradentes era um Maçom Iniciado, chegando ao despropósito de afirmar: “Ora, pretender negar que Tiradentes tenha sido Maçom constitui-se pelo menos numa irracionalidade, porquanto as evidências traduzem o contrário”.

Naturalmente, Gentil deixou-se levar pelo entusiasmo, ao taxar de irracionais, aqueles que não se contentam com as evidências que esposa, já que usa a expressão evidência como uma certeza. A verdade, principalmente a verdade que busca a Maçonaria, vai mais além. Se há dúvida, desaparece a certeza, de verdade ou de falsidade. Afinal, temos uma longa escada a galgar. Evidências por evidências, de verdade ou de falsidade, as contrárias, à tese Tiradentes-Maçom, são mais consistentes e mais racionais, contradizendo o modo de entender o último autor referido.

Considerações Finais

Essa indagação, se Tiradentes era Maçom Iniciado, permanecerá ad eternum, enquanto a própria Maçonaria, como instituição, não tomar a iniciativa de buscar a resposta, o que tem sido feito até hoje, exclusivamente, por Maçons estudiosos e preocupados com a história da Maçonaria brasileira.

Sugere-se a designação, pelos órgãos maçônicos competentes, de um grupo de trabalho, constituído por historiadores, Maçons e profanos, para, num prazo compatível com a importância e a complexidade do tema, buscar e oferecer a verdade que todos nós almejamos. Ou, quem sabe, instituir-se um prêmio relevante, dentro de um concurso aberto a professores e pesquisadores de todos o país, abordando-se a questão. Só a análise de fatos históricos, ainda que de difícil catalogação, será capaz de trazer a verdade ou dela se aproximar.

*Marco Antônio é professor e advogado aposentado. Mestre Instalado, MRA, 33º do REAA, membro das Lojas Maçônicas Atlântida no. 06 e Abrigo do Cedro no. 08, ambas da GLMDF.

Referências Bibliográficas:
- ARÃO, Manoel de Oliveira Campos. História da Maçonaria no Brasil. Vol. 1. Recife, 1926.
- BARROSO, Gustavo. História Secreta do Brasil, Volume 1. Porto Alegre: Editora Revisão, 1990. BIBLIOTECA NACIONAL. Autos da Devassa da Inconfidência Mineira. 7 Volumes. Rio da Janeiro: Biblioteca Nacional, 1936.
- BUCHAUL, Ricardo B. Gênese da Maçonaria no Brasil. São José dos Campos: Clube de Autores, 2011.
- CALMON, Pedro. História Social do Brasil. Volumes 1, 2 e 3. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2002.
- CASTELLANI, José. Os Maçons na Independência do Brasil. Londrina: A Trolha, 1993.
- CASTELLANI, José. Revista A Verdade. No. 298, São Paulo: Abril, 1992.
- CASTELLANI, José. Revista A Verdade. No. 300, São Paulo: Junho, 1992.
- D’ALBUQUERQUE, Tenório. A Maçonaria e a Grandeza do Brasil. São Paulo: Aurora, 1955.
- DOS SANTOS, Joaquim Felício. Memórias do Distrito de Diamantino da Comarca de Serro Frio. Rio de Janeiro : Typ. Americana, 1868. GENTIL, José Carlos. Tiradentes e a Maçonaria. Brasília: editado pelo autor, 19–.
- LIMA JÚNIOR, Augusto de. História da Inconfidência de Minas Gerais. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1955.
- LINHARES, Marcelo. A Maçonaria e a Questão Religiosa do Segundo Império. Coleção Ruy Santos. Brasília: Senado Federal, 1998.
- MAXWELL, Kenneth. A Devassa da Devassa. 3ª Edição. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1985.
- MONTEIRO,Clóvis. Esboços de história literária. Rio de Janeiro: Livraria Acadêmica, 1961.
- POMBO, Rocha. História do Brasil. Volume 3. São Paulo: Ed. Melhoramentos, 1964.
- PROBER, Kurt. Catálogo dos Selos dos Maçons Brasileiros. Rio de Janeiro: editado pelo autor, 1984.
- RAGON, Jean Marie. Ortodoxia Maçônica: A Maçonaria Oculta e a Iniciação Hermética. São Paulo: Madras, 2006.
- VERÇOSA, Mário. Registros Maçônicos. Manaus: Imprensa Oficial do Estado do Amazonas, 1985.
Fonte: Revista Ciência e Maçonaria

Fonte: https://martinlutherking63.mvu.com.br

quarta-feira, 21 de abril de 2021

REAA - DIFERENÇAS ENTRE AS POTÊNCIAS

REAA - DIFERENÇAS ENTRE AS POTÊNCIAS
(republicação)

O Respeitável Irmão Giovanni José Mondini, sem declinar o nome da Loja e Oriente, Grande Loja de Santa Catarina, apresenta a seguinte questão:
giovanni@maqmundi.com.br

Você tem algum texto que fale sobre o R.´.E.´.A.´.A.´., porém que aborde as origens, semelhanças, diferenças entre o Rito aplicado no GOB, GOSC e GLSC.

É que participei de uma sessão quinta-feira passada, na Palmeira da Paz do GOB em Blumenau, e tem muitas diferenças em relação ao da GLSC aplicada em minha Loja.

Segundo meu tio, César de Souza, da Palmeira da Paz, a forma que eles estão aplicando, esta bem próxima do rito original.

Que por exemplo os capuzes usados nas iniciações, foram acrescentados depois, não fazem parte do rito original. Outra questão também, eles acendem uma só vela, no grau de aprendiz e nós acendemos as três, e muitas outras diferenças.

CONSIDERAÇÕES:

1 - Quanto às diferenças do Rito Escocês Antigo e Aceito em relação às Obediências, não existe um texto específico, todavia a melhor maneira é fazer confrontação dos respectivos rituais e se debruçar em profunda pesquisa orientada pelo método acadêmico.

Isso envolve discernimento e astúcia na busca das raízes e vertentes do Rito desde os meados do Século XVII.

Não há como se dissertar a História se baseando apenas nos rituais editados do Brasil, pois a particularidade e essência desse sistema não são originárias do solo brasileiro.

Particularmente no Brasil, o Rito Escocês é uma verdadeira colcha de retalhos devida primeira à miscelânea de ritos conforme a publicação de rituais de outrora.

A prática maçônica regular no Brasil (1.801) começaria com dois ritos específicos, o Moderno, ou Francês e o Adonhiramita.

Como o aparecimento no Brasil do Rito Escocês Antigo e Aceito oficialmente em 1.832 através de Francisco Gê Acayaba de Montezuma, o Visconde de Jequitinhonha, o rito tomou grande profusão, provavelmente pelo oferecimento dos chamados “altos graus”.

Sem um ritual específico para o simbolismo naquela oportunidade, não tardaria o aparecimento das misturas ao gosto do que “era bonito”, cujo resultado desaguaria em práticas sumariamente enxertadas.

Assim, seguem alguns exemplos: a prova da Taça Sagrada (Adonhiramita); inversão das Colunas B e J (Moderno e Adonhiramita); a prova teatral do perjuro (Adonhiramita); formação do pálio com espadas (Adonhiramita); acendimento das Luzes (Adonhiramita), etc.

Muitos desses costumes quase que se tornariam normas consuetudinárias no escocesismo, digamos brasileiro, ficando assim longe da realidade doutrinária proposta pelo Rito em questão que embora de nome “escocês” é de origem francesa. 

O curioso é que mesmo dentro do próprio sistema “escocês”, também as Lojas Capitulares deixariam sua influência no simbolismo - a grade divisória do Oriente e o desnível entre este e o Ocidente.

Outro aspecto viria com a cisão de 1.927 no Grande Oriente do Brasil que resultaria na criação das Grandes Lojas Estaduais. Por esse feitio outras anomalias se instalariam no já desfigurado rito devido à busca de reconhecimento para a nova Obediência nas Grandes Lojas Americanas, cuja prática era (e é até hoje) do Rito de York (americano). 

Seguem assim outros exemplos: a cor azul do avental (vermelho no Rito Escocês), muito embora o GOB também usasse aventais azuis, porém no Rito Moderno e Adonhiramita (certo); Altar dos Juramentos no centro do Ocidente (York); leitura do Salmo 133 (York); o uso de bastões pelos Diáconos (York); o cruzamento de bastões que foi reforçado por um terceiro do Mestre de Cerimônias e inventou-se um pálio com bastões (inexistente no Rito Escocês), etc.

Assim, por um longo tempo essas práticas se misturaram e enxertaram completamente o Rito Escocês Antigo e Aceito.

A base mais aceita para o original do rito está no Ritual de 1.804 do Grande Oriente da França que tem por apoio a origem dos antigos e posteriormente adaptado à Maçonaria de vertente latina. Assim, o verdadeiro Rito Escocês Antigo e Aceito no seu simbolismo possui aventais vermelhos (Conselho de Lausane – 1.875), Diáconos não portam bastão; não existe pálio, prova da Taça e alegoria do perjuro; Coluna B à esquerda de quem entra e J à direita; Altar dos Juramentos próximo e em frente ao Altar ocupado pelo Venerável Mestre; Primeiro Vigilante no Norte e Segundo no Sul; não existe cerimonial de acendimento de Luzes nem o de incensar a Sala da Loja; a Cadeia de União é apenas para a transmissão da Palavra Semestral; o amargo e o doce ficam na Câmara de Reflexão para observação e meditação do Candidato, etc.

Dentre outras práticas é original no Rito Escocês a transmissão da Palavra Sagrada (referência aos antigos); as Colunas Zodiacais; a decoração da Abóbada Celeste; o Pavimento Mosaico de forma oblíqua em toda a extensão, inclusive no átrio; a leitura do Livro da Lei em João, capítulo 1, vs. 1 - 5 (Grau de Aprendiz).

2 – Quanto à visita e a Loja onde o Irmão presenciou o uso de capuz na Iniciação posse lhe afirmar que isso não está previsto no Ritual do Grande Oriente do Brasil no Rito Escocês Antigo e Aceito.

O que está previsto sim é o uso do capuz pelo Experto nos trabalhos junto à Câmara de Reflexão com o Candidato, cuja intenção é de que simbolicamente o mesmo não conheça o seu guia. Esse procedimento é reservado apenas no momento específico pelo qual o Candidato não esteja vendado e nunca dentro do Templo na Cerimônia de Iniciação. Nesse sentido o procedimento é tradicional no Rito.

Quanto ao acendimento de uma só vela (luz) se a referência é feita às Luzes acesas sobre o Altar ocupado pelo Venerável Mestre e nas respectivas mesas dos Vigilantes, também posse lhe afirmar que no Ritual de Aprendiz do GOB está previsto que três Luzes estarão acesas, não apenas uma. Se estiverem acendendo uma só Luz, é puro descumprimento do Ritual – só existem Luzes litúrgicas acesas junto às Três Luzes da Loja – Venerável, Primeiro e Segundo Vigilantes.

Finalizando, ficam aqui colocadas algumas questões que acabam por diferenciar práticas de um único Rito de acordo com as Obediências brasileiras e os seus respectivos rituais. O Grande Oriente do Brasil fez uma significativa revisão dos mesmos por volta dos anos de 1.997 e 1.998, buscando dar uma roupagem mais próxima da originalidade, embora muitas questões ainda mereçam melhor atenção, o que significa que ainda resta um bom caminho para percorrer.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
NOV/2011
Fonte: JB News – Informativo nr. 433 Florianópolis (SC) 05 de novembro de 2011.

LOJA E TEMPLO - NÃO PODEMOS CONFUNDIR

LOJA E TEMPLO - NÃO PODEMOS CONFUNDIR
Autor: Sérgio Quirino Guimarães

Com uma pequena frase já da explicar a diferença entre uma Loja e um Templo, porém Maçonaria não é como matemática onde 2 mais 2 são 4, e o resultado é apenas uma resposta. 

Nada se faz na Maçonaria que não tenha um propósito maior de fomentar o aprendizado e extrapolar o concreto. 

Por isto somos Maçons Especulativos. 

Há uma técnica de ensino chamada Técnica Expositiva que corresponde à aplicação do Método Dedutivo lógico, verbalizado ou uso de audiovisuais. 

Façamos então um exercício, vou escrever sete frases e os Irmãos vão especulando:
  • O Templo é um caderno, a Loja um lápis.
  • No Templo estamos parados, na Loja em movimento.
  • Do Templo falamos, da Loja ouvimos.
  • O Templo é pequeno, a Loja é grande.
  • O Templo tem um nível, a Loja um prumo.
  • O Templo tem forma limitada, a Loja ilimitada.
  • O Templo protegemos, a Loja nos protege.
Quais pensamentos o Irmão formulou? Como reagirá a frase abaixo?

O Templo é profano e a Loja sagrada.

Imagino o arrepio que alguns Irmãos tiveram. PORÉM atenção meus Irmãos, não se deve aplicar o conceito comum aos labores maçônicos. TEMPLO (do latim templum, “local sagrado”) é uma estrutura arquitetônica dedicada ao serviço religioso. Cinco perguntas:
  • Já presenciaram profanos em nossos Templos?
  • Algum não iniciado frequenta as Lojas?
  • Existe a frase: – Em Templo meus Irmãos?
  • Templos tem graus?
  • O que são abertos/fechados Lojas ou Templo?
Nossos Templos são lugares que merecem respeito, é o que chamamos de Kadosh (sacro e puro) O TEMPLO MAÇÔNICO é o resumo do macrocosmo e também a imagem do microcosmo. Mas não podemos prestar cultos em seu interior. Assim sendo posso então encerrar com três afirmações?
  • O Templo é o externo, a Loja o interno.
  • O Templo é o físico, a Loja o mental.
  • O TEMPLO é a MATÉRIA, a LOJA o ESPÍRITO.
Reflitam sobre esta frase: Combatemos os Vícios nos Templos e aprendemos a Virtude nas Lojas.

Fonte: opontodentrodocirculo.com

terça-feira, 20 de abril de 2021

QUESTIONAMENTOS SOBRE O REAA

Em 24/08/2020 o Respeitável Irmão Felipe Junior Costa Simões, Loja Alípio Soares, 4.576, REAA, GOB-MG, Oriente de Conceição do Mato Dentro, Estado de Minas Gerais, apresenta as questões seguintes:

QUESTIONAMENTOS SOBRE O REAA

Sou um apaixonado pela Maçonaria e suas histórias, na medida do possível tento ler muito sobre a ordem e seus ritos, especialmente o REAA ao qual faço parte desde minha iniciação. Minha cidade é do interior e fica a 160 km da capital Belo Horizonte, cerca de três horas de viagem, mesmo assim, para os graus superiores me desloco a fim de buscar mais conhecimento.

Acompanho vosso trabalho há algum tempo, devido às peças de arquitetura e respostas aos irmãos pelo seu blog, inúmeras dúvidas surgiram. Como o irmão é o atual Secretário Geral de Orientação Ritualística, além de ser também uma referência e uma sumidade no REAA no Brasil. Venho humildemente expor minhas dúvidas, questionamentos e intenções de melhoria de nossa Ordem, especialmente no REAA.

As principais são referentes ao REAA, pois se entende que foi criado na França derivado ou batizado de Rito de Heredom possuindo apenas 25º, mas repensado e reformulado no EUA e criado o primeiro Supremo Conselho do Mundo do REAA em 1801 em Charleston, Carolina do Sul, acrescendo mais oito graus e tomando o formato de 33º como temos atualmente. Em 1855 Albert Pike iniciou uma reformulação do rito, organizando os graus e suas instruções, finalizando em 1877 dois anos após, mudando conforme sua principal obra Morals and Dogma of the Ancient and Accepted Scottish Rite of FreemasonryMoral e Dogma, publicado em 1871. Dando instruções aos maçons deste Rito dos graus 1º ao 32º.

Tendo em vista que nos EUA o REAA tem poucas lojas dos graus simbólicos e maior parte da adesão neste rito, vai do 4º ao 32º, pois o grau 33º é concedido por investidura como no Brasil, mas o processo é muito diferente.

Derivando desta pequena introdução, minhas dúvidas são:

Por que no Brasil usamos o avental errado e não o correto, pois sabemos que não devemos nos guiar pelo que achamos bonito ou feio e sim pelo que é certo, uma vez que somos buscadores da verdade?

Por que houve tantas mudanças no ritual do GOB, pois estou com uma relíquia Guia dos Maçons Escocezes, ou reguladores dos Trez Gráos Symbolicos do REAA de 1834.

Onde podemos usar de exemplo a pergunta de aprendiz, Sois Maçom? Obtendo respostas diferentes das de hoje. Com textos interessantes e completamente importantes para a formação de um maçom.

Não entendo também o motivo da proibição do uso das medalhas dos Graus Superiores em lojas Simbólicas, pois tudo faz parte de um rito apenas, por que não incentivar aos iniciados a seguir no caminho do conhecimento?

Pensando que as lojas espalhadas pelo interior, não tem uma porta de entrada que são as lojas de perfeição e muitos, muito mais do que temos conhecimento, param apenas no grau de Mestre e creem que isso é a plenitude.

Porque as instruções dos graus simbólicos no ritual do GOB são tão poucas? Falando com respeito a Potência, porque é tão pobre em informações? Talvez não existisse outra forma de melhorarmos isso?

Hoje fazendo os graus superiores, vejo a falta de instrução na base maçônica, pois se não fosse pelo meu interesse e curiosidade, teria muitas dificuldades para responder coisas simples e também, vejo essa dificuldade nos irmãos dos interiores.

Porque os graus superiores ou filosóficos do REAA são tão diferentes de potência para potência? Sendo o mesmo no mundo, seus ensinamentos derivam de dois tipos de filosofia, mas no REAA tem apenas um objetivo, quando tive acesso a rituais do outro supremo conselho vi que muitas coisas como PALAVRAS, toques e sinais variam, confundindo completamente os irmãos do rito, pois com a intervisitação sendo algo normal hoje, ficamos perdidos quando chegamos a uma loja, até mesmo no simbolismo.

Porque usamos a palavra de aprendiz errada, uma vez que comprovadamente a palavra correta é a usada pelas GL?

Com todas essas dúvidas corriqueiras, imagino, seria utopia termos um Rito, unido pela verdade, com todos os rituais iguais e seus ensinamentos? Imagine como seria importante termos uma base educadora como nos EUA, onde as Blue Lodge são os mesmos rituais praticados em todos os estados, ou como o Rito de York, que no mundo todo tem o mesmo ritual, mudando apenas expressões e palavras conforme as tradições locais, mas sem alterar a essência ou sentido do rito?

Claro que sei que toda mudança gera problemas ou controvérsias, pois cada um absorve a maçonaria de forma gradual, conforme for passado ao iniciado que por si, busca sempre a verdade. Sendo um eterno aprendiz, alimento a esperança de termos um ritual apenas, com todas as coisas de direito do rito que foram retiradas ou acrescentadas erroneamente, fruto de brigas por vaidade de vaidades, pois percebemos que muitas vezes tudo é vaidade, mesmo que não queiramos admitir, nossa lapidação depende mais do que meia dúzia de instruções em loja e mais de instruções sobre a ordem, sobre o rito, sobre nossa história e principalmente, como os ensinamentos maçônicos podem ser ministrados no mundo profano, para sermos homens livres de preconceito, de termos os bons costumes da tolerância e por fim, termos o amor incondicional, tanto por nossos irmãos quanto por nosso próximo.

Por fim, despeço, esperando um retorno para preencher um vazio que paira sobre minha mente, uma forma mais assertiva que podemos mudar o que está errado e buscar firmemente a VERDADE absoluta. Eu acredito que sejamos capazes de mudar o presente e criar um futuro melhor, mas para isso devemos entender o passado, com ele nos fortalecer e amadurecer para que sejamos dignos do legado que temos.

CONSIDERAÇÕES:

segunda-feira, 19 de abril de 2021

ABREVIATURA MAÇÔNICA

ORIGEM DA ABREVIATURA MAÇÔNICA
(republicação)

Em 16/03/2017 o Respeitável Irmão Helio Brandão Senra, Loja União, Força e Liberdade, 272, sem mencionar o nome do Rito e do Oriente, Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, Estado de Minas Gerais, solicita esclarecimentos.

Estou fazendo uma pesquisa sobre a origem da abreviatura das palavras e particularmente sobre o uso dos 3 pontos após assinatura e ou palavras na Maçonaria. Ficaria muito grato se pudesse me ajudar.

CONSIDERAÇÕES:

Primeiramente, esclareça-se que a abreviatura por três pontos com a forma de um delta, não é unânime na Maçonaria. Também, para a vertente maçônica que usa desse subterfúgio, existem critérios, tanto na forma de se abreviar, assim como contra o excesso dessa prática nos textos maçônicos.

Os pontos de abreviação, que hoje perderam a sua originalidade, à moda francesa (três pontos), ou à moda inglesa (um ponto), após determinadas palavras que compõem um texto maçônico, têm apenas a simples finalidade de indicar onde uma palavra sofreu apócope (foi cortada).

Na verdade esse procedimento vem da precaução para que o escrito somente seja compreendido por um maçom na hipótese de que ele venha cair nas mãos de não iniciados (profanos, no jargão maçônico).

A vertente inglesa de Maçonaria, por exemplo, comumente usa a monopontuação em lugar da tripontuação, porém com bastante critério e só por real necessidade. Já na França, segundo Alec Mellor nos informa in Dictionaire de La Franc-Maçonnerie et des Franc-Maçons, Paris, 1978, essa prática é abusivamente usada, o que deu inclusive origem à expressão pejorativa “Irmãos três pontos” aos Franco-Maçons.

Ainda segundo José Castellani, mencionando o mesmo Alec Mellor (autor reconhecidamente fidedigno em todo o mundo maçônico): “no século XVIII, quando foi introduzida a tripontuação, em documentos franceses, eles, algumas vezes, eram dispostos em linha horizontal (...) e até em outras posições, já que não havia padronização”.

Mais tarde, entretanto, o costume de tripontuação em forma de um delta (triângulo) viria se firmar na Maçonaria francesa.

No Brasil, e mesmo na América espanhola, esse costume de abreviação tripontual triangular acompanharia o costume da Maçonaria francesa, já que naquela época, a França, não só na Maçonaria, ditava a moda em quase todo o mundo.

Os três pontos como abreviação, em princípio eram usados apenas para indicar onde havia sido feito o corte nas palavras - na apócope. Somente a posteriori é que eles seriam também colocados após as assinaturas visando identificar o maçom, cujo costume é comum entre nós até os dias de hoje.

Na verdade, em relação à invenção de identificação tripontual após a assinatura, no que diz respeito à data do seu aparecimento, ela é ainda desconhecida.

É certo também que nunca houve entre os antigos maçons a preocupação de se identificar como tal, já que naquela época isso só poderia lhes trazer dissabores, sobretudo após a publicação da bula papal In eminenti apostolatus specula, de Clemente XII de abril de 1738, ao contrário da atualidade onde vemos muitos maçons brasileiros que exageradamente andam enfeitados com penduricalhos maçônicos, só faltando mesmo sobre eles um letreiro em néon anunciando: sou maçom.

Há que se destacar ainda que além das abreviaturas para ocultar escritos maçônicos em épocas de perseguições, era costume entre os maçons o uso de um nome simbólico no intuito de ocultar o seu verdadeiro nome. Essa prática, entretanto caiu em desuso à medida que a liberdade individual e coletiva ia sendo assegurada, só sendo mantida atualmente em alguns círculos maçônicos a exemplo do Rito Adonhiramita.

Assim, genuinamente, a tripontuação, originária da vertente francesa de Maçonaria, surgiu no século XVIII com a finalidade de dificultar a compreensão do texto aos não maçons que porventura viessem ter acesso a documentos maçônicos. A técnica de abreviação consiste em indicar por três pontos, geralmente em forma de um delta, a supressão de um fonema ou sílaba de uma palavra que, em Maçonaria de vertente francesa, ocorre geralmente após uma consoante e dobrando a letra inicial em caso de plural, a despeito que em alguns títulos, a apócope possa ocorrer igualmente logo após a sua primeira, ou primeiras letras, se for o caso.

Como explicado, a tripontuação não é original quando se tratar de identificar a assinatura de um maçom, entretanto já é considerado costume consuetudinário e largamente usado por maçons praticantes de Maçonaria de vertente francesa (conquanto isso seja facilmente imitado por muitos profanos).

Destaque-se por fim que, como já mencionado, a Maçonaria inglesa também se faz valer da apócope em algumas palavras, porém geralmente indicada por unipontuação, embora apenas em situações que sejam extremamente necessárias. Nela também existem outros métodos de abreviação.

Em síntese, no que diz respeito às abreviações na Maçonaria para tornar textos compreensíveis somente aos maçons, existem inúmeras técnicas que não ficam restritas apenas a apócopes por unipontuação ou tripontuação. Muitas práticas nesse particular seguem, às vezes os costumes e a linguagem genuína de uma região onde é praticada a Maçonaria – essa é uma observação importante e deve ser efetivamente considerada.

Dando por concluído, é oportuno então salientar que esses métodos de abreviação na atualidade, na sua grande maioria, somente são mantidos mais para preservar a sua tradição. Não faz sentido na atualidade o abuso desordenado dessa prática. É fantasia também o que alguns autores dissertam em ilações dando significados simbólicos à tripontuação. Isso é pura bobagem. Os três pontos só indicam onde uma palavra foi cortada, não havendo nele nenhum significado místico, oculto ou esotérico.

E.T. – Os vocábulos “unipontuação e tripontuação” são neologismos usados especificamente nesse texto como identificação.

T.F.A.
PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

domingo, 18 de abril de 2021

MESTRE INSTALADO: PARAMENTOS E RITOS

MESTRE INSTALADO: PARAMENTOS E RITOS
(republicação)

O Respeitável Irmão José Aparecido dos Santos, Lojas Frederico Chalbaud Biscaia, 119 – Rito Moderno ou Francês e Justiça n° 12 – REAA, Grande Oriente do Paraná (COMAB) Oriente de Maringá, Estado do Paraná, apresenta a seguinte questão:
aparecido14@gmail.com ou cido_ipora@yahoo.com

A minha dúvida é a seguinte: Tenho um Irmão que foi Venerável Mestre do Rito R∴E∴A∴A∴ e agora sendo Mestre Instalado neste Rito e pertencente ao Grande Oriente do Paraná - GOP, se filiou a uma Loja do Rito Adonhiramita e nesta filiação mandou confeccionar todos os paramentos (avental, faixa, joias) de Mestre Instalado para o Rito que se filiou (Adonhiramita). Minha dúvida é que ele não foi Venerável Mestre neste Rito Adonhiramita que fez a sua filiação. Pode ele usar um avental de um Rito que não foi Venerável Mestre e sim foi do Rito R∴E∴A∴A∴? Não deveria usar o Avental, Faixa, Joias de Mestre Maçom para o Rito Adonhiramita?

CONSIDERAÇÕES:

Embora Ritos de origem francesa verdadeiramente não possuam esse título de Mestre Instalado, porém na Maçonaria Brasileira o fato é consuetudinário, em linhas gerais “instalação” significa posse.

Assim Mestre Instalado não é grau, porém um título distintivo daquele que um dia foi eleito Venerável Mestre e tomara posse como dirigente maior de uma Loja Maçônica. 

Quando no exercício do seu mandato ele é o Venerável Mestre. Cumprido o seu tempo ele é um Ex-Venerável que aqui, por existir uma cerimônia copiada da Maçonaria Inglesa, ele é um Mestre Instalado.

Como dito, Mestre Instalado não é grau de um Rito, porém é aquele que foi um dia Venerável Mestre de uma Loja sem qualquer distinção de Rito. 

Por extensão não importa se o Obreiro foi “instalado” neste ou naquele Rito. Em tendo ele sido Venerável, ele é um Mestre Instalado.

Quanto aos paramentos eles podem até se diferirem conforme o Rito, mas a ordem dos fatores não altera o produto.

T.F.A.
PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 424 Florianópolis (SC) 27 de outubro de 2011.

MAÇONS FAMOSOS

INICIAÇÃO MAÇÔNICA DO PRÍNCIPE FILIPE

PHILIP MOUNTBATTEN (Corfu, Grécia, 1921 — Windsor, 2021). Marido da rainha Elizabeth II e consorte real do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e dos reinos da Comunidade das Nações desde 1952 até sua morte. Ele foi o consorte mais velho e de maior reinado na história da monarquia britânica, além de o homem mais velho da história da família real. Filho do príncipe André da Grécia e Dinamarca e da princesa Alice de Battenberg, Filipe nasceu na Grécia sendo membro das famílias reais grega e dinamarquesa. Porém, ele foi expulso do país junto com seus pais enquanto ainda era um bebê, durante o Golpe de 1922. Filipe estudou na França, Inglaterra, Alemanha e Escócia, entrando na Marinha Real Britânica em 1939 aos dezoito anos. Ele começou a se corresponder no mesmo ano com a princesa Isabel, filha mais velha e herdeira do rei Jorge VI do Reino Unido. Ele serviu no Mediterrâneo e no Pacífico durante a Segunda Guerra Mundial.

INICIAÇÃO MAÇÔNICA: 1953
Loja: Navy nº 2612, Londres, Inglaterra.
Idade: 32 anos.
Oriente Eterno: Faleceu aos 99 anos de idade, vítima de causas naturais.

Fonte: https://famososmacons.blogspot.com/

CELULAR, ONDE E QUANDO USAR?

CELULAR, ONDE E QUANDO USAR?
Adler Friozi

Infelizmente perdemos a noção do respeito, tenho acompanhado o numero crescente de irmãos que se utilizam de aparelhos dentro do templo.

Com o crescimento das redes sociais, que não precisam ser nomeadas, quem já não escutou no meio da sessão o barulho que todos já conhecem?

Sim, sempre se é pedido para que coloquem seus aparelhos em modo Vibra call, mas não sei o que acontece, o que estamos fazendo ali, viemos nos lapidar mas não nos desligamos do mundo exterior.

Concordo se temos algum familiar enfermo, ou qualquer assunto que seja necessário estarmos ligados e somos obrigados a manter o aparelho ligado, mas vou do principio:

Primeiro Família sempre.

Pois se você esta na sessão em corpo mas sua mente esta fora, FIQUE EM CASA!

Mas como proceder, sem ferir os sentimentos dos irmãos, sabe que temos que fazer, o Presidente da sessão, tem que reforçar o PEDIDO, sim PEDIDO, pois se o determinar, já vai haver melindre.

Não vou ser hipócrita e dizer que nunca cometi tal erro, sim cometi, mas o que faço, coloco no vibra call, e quando vibra pelo famoso aplicativo de comunicação , não olho apenas quando esta realmente tocando e ser for de altíssima importância que envolva minha família peço cobertura do Templo.

Para que não atrapalhe a sessão, apesar do simples fato de pedir a saída, já da uma quebrada.

Vamos nos policiar, pois isto virou um VICIO,

O MEU ESTOU TRATANDO E VOCÊ?

Fonte: http://otemploeomacom.blogspot.com

sábado, 17 de abril de 2021

POSIÇÃO DO ESQUADRO

POSIÇÃO DO ESQUADRO
(republicação)

Em 15/03/2017 o Respeitável Irmão Tristão Antônio Borborema de Carvalho, Loja Obreiros de Abatiá, 69, REAA, Grande Oriente do Paraná (COMAB), Oriente de Abatiá, Estado do Paraná, formula a seguinte questão:

Ao colocar, no altar dos juramentos e sobre o livro da lei, o esquadro sobre o compasso o vértice *maior* do primeiro (do esquadro e sobre o ângulo de visão de quem está olhando para o oriente) deve estar voltado ao lado direito (coluna do sul) ou ao lado esquerdo (voltado para coluna do norte)? Isso tem algum significado ou ensinamento maçônico?

CONSIDERAÇÕES:

Antes dos esclarecimentos propriamente ditos, os lados do Esquadro que formam a esquadria denominam-se “ramos”, assim como as pernas do Compasso se denominam “hastes”.

Quanto à questão: essas especulações surgiram quando alguns inventores e desavisados criaram um Esquadro para as Três Grandes Luzes Emblemáticas com cabo e graduação, o que lhe deu por consequência os ramos desiguais. Esqueceram esses inventores que o Esquadro que vai unido ao Compasso sobre o Livro da Lei, não é um Esquadro operativo (o usado na construção), mas sim um objeto emblemático, portanto desprovido de um ramo menor do que o outro e de graduação, isto é, o emblemático possui ramos iguais.

Quanto ao Esquadro operativo, o com cabo e graduação, é aquele que está representado e vai apenso ao colar como joia do Venerável Mestre, levando-se em conta nesse caso que o Venerável é o Mestre principal da Loja e detentor desse instrumento – bem como o Nível e o Prumo são as joias representativas dos seus auxiliares imediatos (Vigilantes).

A diferença entre os dois instrumentos, em se tratando da liturgia maçônica, se dá apenas para que ambos sejam reconhecidos na sua finalidade, não havendo nada que autorize especulações exaradas pelos adeptos do preciosismo ao mencionarem que um é o esquadro de pedreiro e o outro o de carpinteiro.

Assim, o Esquadro que é um dos componentes das Luzes Emblemáticas da Loja, não é o mesmo que é usado como instrumento de trabalho, mais sim como um símbolo alegórico que só se completa se estiver unido ao Compasso.

Além da grande alegoria que esses dois instrumentos representam, as suas disposições sobre o Livro da Lei concebem o Grau de trabalho da Loja.

Nesse sentido, como Luz Emblemática, o Esquadro que vai unido ao Compasso sobre o Livro da Lei, autenticamente deveria possuir ramos iguais, embora ainda possamos encontrar inúmeros rituais que não observam essa regra e trazem equivocadamente esse emblema com ramos desiguais. Piorando a situação, alguns desses rituais ainda cometem a desfaçatez de inverter os Esquadros, isto é, o do Venerável com ramos iguais e o Emblemático com ramos desiguais (coisas de pseudos ritualistas que só sabem copiar o ranço que está escrito em alguns rituais anacrônicos).

É devido a essas bobagens que vivem surgindo dúvidas relativas à como proceder com o lado maior ou menor do Esquadro na exposição sobre o Livro da Lei, sendo que não existe nele ramo maior e menor, simplesmente por se tratar de uma Luz Emblemática.

Dizem que a boca se entorta conforme o hábito do cachimbo, então se o seu ritual em vigência é um daqueles que desatentamente menciona um Esquadro de ramos desiguais sobre o Altar dos Juramentos e por cima ainda não orienta para qual banda fica o ramo maior ou menor, penso que essa escolha fica por conta do protagonista, pois tanto faz, já que não existe nenhuma justificativa para esse procedimento, tanto olhando do Oriente para o Ocidente como vice-versa.

Obviamente estamos falando do REAA, cuja disposição dos instrumentos emblemáticos sobre o Livro da Lei é a de que o Compasso tenha as suas hastes (pontas) voltadas para o Ocidente e o ângulo interno do Esquadro (formado pela junção dos seus ramos) voltado para o lado do Oriente.

Apenas a título de ilustração, sugiro uma observação acurada nas gravuras autênticas da Maçonaria que se reportam ao Esquadro e o Compasso unidos encontradas no universo maçônico. Vide como a maioria do comprimento dos ramos do Esquadro nessas ilustrações é a de ramos iguais (quando unidos ao Compasso).

T.F.A.
PEDRO JUK

jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br