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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

sábado, 24 de fevereiro de 2024

MAÇONS FAMOSOS


NATHANIEL ADAMS COLES (Montgomery, 1919 — Santa Mônica, 1965). Cantor e músico de jazz norte-americano. Conhecido como a voz de veludo, a beleza do timbre de barítono contribuiu para torná-lo popular. Essa Loja da qual foi Iniciado é da Potência norte-americana, Prince Hall, cujo nome é uma homenagem a Fats Waller, nome artístico de Thomas Wright Waller, maestro, pianista compositor, cantor de jazz e também Mestre Maçom.

INICIAÇÃO MAÇÔNICA: 09 de janeiro de 1944.

Loja: Thomas Waller nº 49, Los Angeles, Estados Unidos.

Idade que foi iniciado: 24 anos.

Faleceu aos 45 anos de idade, vítima de câncer de pulmão.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

POR QUE SOMOS DIFERENTES DOS PROFANOS

Queridos Irmãos, creio que podemos iniciar nossa conversa de hoje apresentando os conceitos de Iniciado e Profano, e a partir daí tentar explicar por que, enquanto iniciados na Arte Real, não somos iguais aos profanos.

Profano [de pro e fanum] é a denominação que se aplica a todos aqueles não são iniciados em nossa Ordem Maçônica. Esse nome ou denominação vem correndo o mundo desde os primeiros iniciados nos mistérios antigos que chamavam de profanos aos estranhos aos seus segredos.

Não se trata de uma denominação ofensiva, mas, apenas, uma distinção entre iniciado e não-iniciado. Iniciado, ao contrário de profano, denominam-se todos aqueles que têm conhecimento dos mistérios, isto é, aquele que conhece a ciência oculta, a arte sagrada, ou aquele que conhece os fundamentos da doutrina esotérica. Em suma, iniciado é aquele que se submeteu a um procedimento iniciático específico.

Grosso modo, podemos concluir afirmando que em Maçonaria, o iniciado é aquele que passou pelas provas da iniciação, melhor dizendo, iniciado é aquele que vive a iniciação.

Entretanto, para uma melhor compreensão do assunto, julgo que valeria a pena discorrer sobre iniciação e outros temas correlatos, como simbolismo, esoterismo, misticismos e filosofia maçônica, mas o espaço e o tempo de que disponho é insuficiente para tal desiderato. Vou me ater, rapidamente, ao termo iniciação. Fico devendo o resto.

Iniciação [do latim initiatio] é um termo que remete o nosso pensamento à idéia de começo, entrada: iniciar um evento, ação, circunstância ou acontecimento. Também tem um significado de ascensão de um nível de existência para um outro de nível superior ou mais elevado.

A iniciação é um tipo de cerimônia adotada em muitas sociedades místicas e esotéricas, na qual é recepcionado um novo membro após alguma tarefa ou ritual particular.

Normalmente o ritual de iniciação envolve a condução do neófito por um veterano do grupo, e costuma consistir na exposição de novos conhecimentos - inclusive segredos e mistérios.

Entre os objetivos de alguns tipos de iniciação, destacam-se o aprendizado de valores fundamentais para a vida no nível seguinte. O iniciado deve aprender a se fortalecer com o isolamento, sobreviver em condições precárias, estar preparado para as dificuldades da vida [por exemplo, muitas iniciações exigem que o iniciado construa a cabana em que ficará isolado durante o ritual], aprender a caçar, pescar, conhecer a fauna e flora, etc.

O nosso ritual de iniciação maçônica é de todos conhecidos, por isso estou me referindo a outros tipos de iniciação em outras Ordens.

A propósito da iniciação, os novos adeptos são “obrigados” a observarem ou cumprir as regras da associação a que deseja pertencer. Na Ordem maçônica, temos por livre convicção, entendido que:

Um iniciado maçom, por livre e espontânea vontade é “obrigado”, pela sua condição de iniciado, a obedecer à lei moral e viver segundo os ditames da honra, praticar a justiça, amar o próximo e trabalhar incessantemente pela felicidade do gênero humano.

E, se bem compreende a Arte Real, nunca será um ateu estúpido nem um libertino irreligioso.

Mas, embora, nos tempos antigos, os pedreiros fossem obrigados, em cada país, a ser da religião desse país ou nação, qualquer que ela fosse, julga-se agora mais adequado obrigá-los apenas na religião na quais todos os homens concordam, deixando a cada um as suas convicções próprias; isto é, a serem homens bons e leais ou homens honrados e honestos, quaisquer que sejam as denominações ou crenças que os possam distinguir.

Por conseqüência, a Maçonaria converte-se no Centro de União e no meio de conciliar uma amizade verdadeira entre pessoas que poderiam permanecer sempre distanciadas uns dos outros.

Creio que com essas primeiras informações conceituais já podemos responder, em parte, porque somos diferentes dos profanos: Nós passamos e vivenciamos a nossa iniciação maçônica.

A estrutura conceitual que acabo de apresentar constitui a introdução ao tema que me trouxe aqui nesta noite.

E, prosseguindo, direi que o homem profano é aquele imerso nos erros e na mediocridade material, irremediavelmente submetido aos sete pecados capitais: orgulho ou soberba, inveja, ira, preguiça, avareza, gula e luxuria. Capital significa “cabeça”, como ensina São Tomás de Aquino [1224-1274], são capitais os pecados que nos fazem perder a cabeça e dos quais derivam inúmeros males.

A propósito, o contrário da soberba, é a humildade; da inveja, o despojamento; da ira, a tolerância; da preguiça, o compromisso; da avareza, a partilha; da gula, a sobriedade; e da luxúria, o amor.

E o homem iniciado, neste contexto frasal, é aquele que aprendeu a superar e a vencer os pecados [ou vícios] capitais que afligem o homem profano.

E, aqui temos mais um indicativo da razão pela qual somos diferentes dos profanos com que convivemos em nosso dia-a-dia.

Para bem se distinguir o iniciado do profano há que se considerar, ainda, muitas outras coisas, e essas outras coisas só se dão a conhecer mediante uma variedade de símbolos, ferramentas de trabalho, conceitos e idéias filosóficas, espirituais e sociológicas, sobretudo mediante o exercício de tarefas e trabalhos que revelem os diferentes níveis de consciência, esforço intelectual individual, estudo e disciplina férrea para, entre muitas outras competências, reconhecer no próximo um irmão com quem haveremos de repartir nosso pão e nossa água até que possamos alcançar, pelo livre-arbítrio, o domínio dos sentimentos e dos vícios, e pela ascese, a iluminação.

Eis aqui, mais um forte argumento a indicar porque somos diferentes dos profanos.

Somos diferentes dos profanos pelos laços de amizade, sinceridade, irmandade que assentada na tríplice argamassa que a iniciação maçônica nos une à liberdade, à igualdade e à fraternidade.

Uma vez maçom, sempre maçom. Diz o lema que norteia a vida em Maçonaria.

Quando o profano é admitido numa Loja Maçônica à iniciação, sua condição de iniciado perdura além do simbolismo da “pedra bruta” que caracteriza sua condição individual de aprendiz nos mistérios da Arte Real, para passar pela “pedra polida” e depois pela “pedra angular”, que é aquela apta a ser usada em toda e qualquer espécie de construção individual, e esta evolução processa-se junto com a responsabilidade individual que se assume com os próprios atos, constituindo-se um conceito a ser desenvolvido à medida que o iniciado progride em direção aos graus de companheiro e Mestre, até alcançar a plenitude maçônica.

Atentem-se que a iniciação e os graus da escalada maçônica estimula o iniciado a olhar para o interior de si mesmo e das transformações da sua psique, e esta é a razão pela qual distingue-se o iniciado do profano.

Tenho, assim, como acreditar que estou respondendo por que somos diferentes do homem profano. Somos iniciados e aptos a nós transformar, quando se fizer necessário, em iniciadores.

Antes de concluir, talvez valha a pena apontar o que é necessário para um profano se tornar um iniciado.

Em primeiro lugar, é preciso que ele tenha vocação maçônica, ou seja, que, para além de uma identificação com os grandes valores éticos da Maçonaria regular, tenha vocação para o simbolismo e para o ritual, e sobremodo, vocação para a prática maçônica.

Para isto é necessário que o profano bata à nossa porta, isto é, que manifeste o seu interesse em entrar para a Maçonaria regular, isto no caso de não ter sido ainda cooptado por algum ou alguns maçons.

O contacto com a Grande Loja leva a um conjunto de conversas, entrevistas ou

inquéritos que poderão e deverão avaliar se o profano está em condições de entrar para a Maçonaria.

É evidente que, segundo a tradição, só pode ser maçom aquele que for “livre e de bons costumes”, o que quer dizer, nos nossos dias, que deve ter meios de sustento, para si e para a sua família; que não deve ter problemas com a Justiça, e que tenha um comportamento ético e moral íntegros.

Depois do Inquérito, é feita a votação, na Loja respectiva, uma vez que os Padrinhos e os Inquiridores tenham apresentado os seus relatórios; depois, no caso de uma votação positiva, é marcado o dia da Iniciação. Para além das condições éticas, vocacionais e espirituais, é preciso também que o futuro maçom possa satisfazer as suas obrigações materiais para com a Ordem [jóias, quotizações, etc.], para que ela possa ter condições materiais para exercer a sua ação.

Profanos e Iniciados, um ponto de vista diferente – Acredito que num futuro não muito distante, a humanidade não mais precisará se distinguir entre iniciados e profanos, mas até lá, iniciados e não-iniciados [profanos], precisam desenvolver a consciência plena de que todos somos Filhos do mesmo Pai, seres da mesma espécie, e iguais entre si, independentemente de raças, origens, crenças e posições sociais ou desenvolvimento sócio, econômico, político e cultural.

E encerro este quarto de hora com essa frase magistral do filósofo Friedrich Nietzsche:

“Ao invés de mostrarem à altura da insustentável solidão da sua condição, os homens continuam à procura do seu Deus despedaçado e por Ele amarão até as serpentes que moram em meio das Suas ruínas”.

Por isso, a concepção de Liberdade, Igualdade e Fraternidade ministrada aos iniciados maçons precisa ser expandida para toda a humanidade até congregar num só estado o gênero humano inteiro.

Texto:Contribuição do Ir.’. Hélio P. Leite, Acervo ARLS Berço dos Bandeirantes 692 Oriente Santana de Parnaíba- GLESP

Fonte: Grupo Memórias e Reflexões

Adm. Rogério Romani

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

POSTURA COM AS ESPADAS

(republicação)
O Respeitável Irmão Celso Mendes de Oliveira Junior, Loja Pioneiros de Mauá, 2.000, GOB, sem declinara o nome do Rito, Oriente de Magé, Estado do Rio de Janeiro, apresenta a questão seguinte:
celso.mendes.junior@hotmail.com 

Venho por meio desta pedir-lhe que tire-me algumas duvida. Duvida essa que no meu ponto de vista são extremamente complicadas isso talvez porque nosso rito é deísta, está duvida e como relação a Espada, quais são as posições e movimentos delas em relação aos expertos, cobridor interno e cobridor externo. Quando eu tenho duvida eu copio os teístas, por exemplo, não tinha uma bainha ou lugar para colocar a espada então eu a aterrei não sei se fiz certo. Peço a compreensão do Irmão, sei que esse tema e grande porem é pouco abordado infelizmente essa liturgia com as espadas até mesmo o ritual peca em não trazer os procedimentos com as mesmas, assim gerando duvidas e procedimento de outros ritos. 

CONSIDERAÇÕES:

O uso generalizado de espadas teve origem na galante Maçonaria Francesa que a partir do Século XVIII procurando dar um sentido de igualdade introduziu a arma para todos os membros da Loja – à época a espada era também um símbolo de nobreza, sobretudo na França. Nesse sentido, nunca é demais lembrar que essa prática não é universal em Maçonaria. No caso do Rito Escocês Antigo e Aceito, rito originário da vertente francesa, a espada é simplesmente o objeto de trabalho dos Cobridores (interno e externo), além dos Expertos em cerimônias que deles são necessários os ofícios.

Há ainda a Espada Flamejante usada apenas nas consagrações, porém de utilidade restrita ao Venerável Mestre. 

Retomando: a espada como objeto de ofício dos Oficiais citados, elas rigorosamente deveriam estar embainhadas, cujas respectivas bainhas, vão presas a um talabarte colocado do ombro direito para a cintura esquerda (essa é a origem da faixa do Mestre, cuja joia distintiva substitui a espada). 

Ainda nesse sentido, o Ritual de Mestre do REAA em vigência prevê na descrição das alfaias no tocante à faixa, um dispositivo para prender a espada. Assim, entendo que o ritual não é assim tão omisso, dado que cargos em Loja são exclusivos dos Mestres Maçons. 

Seria sempre de boa geometria que a Loja possuísse para os Cobridores e Expertos, também um dispositivo preso a um talabarte para acondicionamento da espada. 

Como dizem que a boca se entorta de acordo com o hábito do cachimbo, muitos Mestres não usam a faixa e quando a Loja não possui bainhas, o mais comum e paliativo é se colocar a espada presa a um dispositivo atrás do encosto da cadeira, dado o conceito de que o Oficial que da espada faz uso, assim o faz apenas por dever de ofício, nunca indiscriminadamente. 

Quando ao “aterramento”, isso é costume inexistente no Rito Escocês Antigo e Aceito, portanto é prática completamente equivocada. 

Ainda outras espadas: como no Rito em questão também está prevista a abóbada de aço e guarda de honra em ocasiões de recepção, bem como nas cerimônias iniciáticas, essas espadas geralmente ficam presas a dispositivos colocados atrás dos assentos, ou em um aparelho no Átrio da Loja. 

Posicionamento com a espada – o Obreiro que estiver empunhando (segurando) a espada, parado ou andando, mantém a mesma segura sempre pela mão direita, lâmina em riste, tendo o punho junto ao quadril direito e o respectivo cotovelo afastado do corpo. Em complemento: se ele estiver parado, terá o corpo aprumado e os pés em esquadria. 

O Oficial que estiver em pé e parado com a espada embainhada compõe normalmente o Sinal com a mão, ou mãos se for o caso. A regra é de não fazer sinal com o objeto de trabalho, isto é, usá-lo para fazer um Sinal. 

Via de regra não existe no Rito Escocês Antigo e Aceito o costume de se ficar girando o antebraço direito da direita para a esquerda e vice versa empunhando a espada, sob alegação de postura e sinal maçônico – a espada quando empunhada, salvo quando o ritual determinar o contrário estará sempre em riste (lâmina para cima) no lado direito do corpo. 

No Rito em questão as espadas lisas tem apenas a finalidade de ofício para os Cobridores como uma arma simbólica, e para os demais no cumprimento da liturgia e ritualística sem qualquer conotação ocultista. 

Finalizando. Existem ritos maçônicos que fazem uso da espada com outras finalidades, porém esse é procedimento tradicional desses ritos em particular e nunca um aspecto generalizado da sua prática em toda a Maçonaria. Por exemplo: no Rito Adonhiramita, é original a formação de pálio com espadas para a abertura dos trabalhos, também é verdadeiro nesse Rito que todos os Mestres portem espadas – essa minha observação é de caráter elucidativo e comparativo, todavia jamais crítica ao belo Rito Adonhiramita. 

T.F.A. 
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 1.044- Florianópolis (SC) – sábado, 13 de julho de 2013

A AVENTALITE

Rui Bandeira

A aventalite é uma afeção que assola alguns maçons, geralmente de forma aguda, passageira e facilmente curável, mas podendo evoluir para uma forma crónica, essa necessariamente mais séria e com um tratamento mais demorado e cura mais problemática.

Manifesta-se por uma despropositada inflação do ego, injustificada sensação de superioridade, perturbador sentimento de poder e, nos casos menos ligeiros, inadequado comportamento em relação aos seus iguais, vistos pelo afetado como inferiores ou subordinados, por não usarem aventais XPTO.

A aventalite é suscetível de atacar Grandes Oficiais e dignitários de Altos Graus, independentemente da Obediência, seja Grande Loja ou Grande Oriente, assuma orientação mais anglo-saxónica ou mais francesa, e pode atacar tanto homens como mulheres, embora empiricamente pareça ser mais frequente naqueles.

O tratamento da sua forma aguda é fácil e geralmente eficaz, se aplicado na fase inicial da doença. Consiste numa severa e sonora censura, com solene declaração de que se não tem paciência para aturar maneirices de armados em mete-nojo, acompanhada de expressa chamada de atenção para a Igualdade que obrigatoriamente reina entre os maçons e uma injeção de recordatória de que o exercício de ofícios em Grande Loja ou Grande Oriente ou funções em Altos Graus são meros serviços, tarefas, ofícios a serem desempenhados com zelo e humildade e não honrarias ou reconhecimentos de inexistentes superioridades.

Nos casos mais graves, pode ser necessário um reforço de tratamento com recurso a expressões vernáculas, envios para determinados sítios não propriamente prestigiados e solenes avisos de que, ou o afetado atina e deixa de se continuar a armar ao pingarelho, ou é melhor continuar a enganar-se dando voltas ao bilhar grande, que junto dos seus iguais (quer ele queira, quer não) não vai ter grande sorte.

Nas formas mais leves da afeção, e sobretudo quando o doente é de boa índole, o tratamento mais suave chega para debelar a afeção, sem sequelas. Podem, no entanto, ocasionalmente observar-se recaídas, em regra facilmente tratáveis com uma observação chocarreira e bem-humorada, como, por exemplo, Lá estás tu outra vez a deixar o aventaleco janota subir-te à cabeça. Deixa-o lá sossegadimho e não te estiques, que és melhor que isso...

Nas formas mais severas, afeção prolongada ou doentes com obtusidade cerebral, é indispensável o tratamento reforçado, repetido as vezes que forem necessários até o doente ir ao sítio. No entanto, quer a índole mais difícil do doente, quer a maior agressividade do tratamento podem dar origem a efeitos secundários ou sequelas desagradáveis, designadamente amuos e afastamentos. Nas situações verdadeiramente graves e reincidentes pode mesmo ser necessário aplicar quarentena.

A aventalite é uma afeção oportunista que se manifesta com mais frequência em ambientes poluídos por regras, expressas, implícitas ou consuetudinais, que favoreçam, ou mesmo imponham, o uso com demasiada frequência e em locais inapropriados de aventais XPTO. O oportunismo da aventalite aproveita qualquer desatenção que permita ou propicie o uso desadequado e fora do seu ambiente próprio dos ditos aventais XPTO.

Para além do tratamento dos casos concretos dos afetados pela doença, é importante que se faça adequada prevenção, para evitar novas infeções, recidivas e recaídas.

Recomenda-se assim revisão das normas regulamentares e das práticas que não limitem o uso dos aventais XPTO aos locais e ocasiões adequados. Designadamente, é de toda a conveniência que se tenha presente que, na sua Loja, o obreiro é um elemento do Quadro desta, absolutamente igual aos demais, nem mais, nem menos que qualquer dos outros e, que, consequentemente, fique inquestionavelmente assente que nenhum obreiro, na sua Loja, usa avental XPTO, antes devendo usar o avental do seu grau e, se for caso disso, a insígnia da sua qualidade na Loja, sendo absolutamente indiferente posição ou ofício que porventura tenha na Grande Loja, Grande Oriente ou nos Altos Graus. A Loja é independente e livre e em nada inferior à Grande Loja ou Grande Oriente (pelo contrário, é a Loja que, juntamente com as outras, determina a regulamentação essencial da Grande Loja ou Grande Oriente e elege o seu responsável máximo). Esta regra deve ter como única exceção - certamente ocasional - a situação em que o obreiro se apresente na Loja, não na sua qualidade de obreiro dela, mas no efetivo exercício da sua função de Grande Oficial ou em representação expressa do Grão-Mestre.

Este princípio deve ser extensivo à visita a outras Lojas. Se o obreiro faz visita a título pessoal, não faz sentido, e propicia a aventalite, que use outro avental que não o do seu grau. Se a deslocação, porém, se fizer no exercício das suas funções de Grande Oficial ou em representação do Grão-Mestre, então, e só então, justifica-se que use o seu avental XPTO.

Claro que, em Assembleias de Grande Loja ou Grande Oriente, aí sim, está-se em pleno espaço e tempo em que é justificado e adequado o uso de aventais XPTO. Aí e nessas ocasiões, não há qualquer inconveniente. Trata-se de um uso moderado e adequado de avental XPTO, que, por regra, não propicia nem aumenta o risco de contágio pela irritante aventalite.

A bem da saúde dos maçons, exorto a que esta atividade de prevenção seja feita. É saudável. é amiga do ambiente e, sobretudo, é... maçónica!

Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

PAVILHÃO NACIONAL - INGRESSO E RETIRADA FORMAL

Em 24.08.2023 o Respeitável Irmão Paulo Faisca, Loja Guaiahó, 3666, REAA, GOB-SP, Oriente de São Vicente, Estado de São Paulo, apresenta a dúvida seguinte:

INGRESSO FORMAL DO PAVILHÃO NACIONAL

Quando o Pavilhão Nacional ingressa e é retirado com formalidades? Nas sessões ordinárias há saudação ao Pavilhão Nacional?

CONSIDERAÇÕES:

Conforme menciona o Decreto 1476/2016 do GOB em vigência, a presença do Pavilhão Nacional em todas as Lojas nas sessões abertas é obrigatória. Assim, destaca-se que nas sessões ordinárias, o Pavilhão, sem formalidades é colocado hasteado no Oriente da Loja em lugar especificado pelo Decreto citado, antes da sessão.

 Não havendo entrada formal, no encerramento também a Bandeira não receberá nenhuma saudação e nem será retirada com formalidade. Desse modo, após o encerramento e a saída de todos o Pavilhão será normalmente retirado do recinto. Nesse caso, geralmente a Bandeira é conduzida e guardada no até a próxima sessão.

Já nas sessões magnas, o Pavilhão entra formalmente conforme previsto no Ritual e no Decreto 1476/2016 que regula o cerimonial.

Dessa feita, o Pavilhão ingressará com as formalidades previstas, recepcionado por uma Comissão de Recepção com 13 membros armados com espadas e munidos de estrelas. O dispositivo entrará escoltado pela guarda de honra.

Em momento específico, durante o ingresso haverá o canto do Hino Nacional e, ao final da sessão magna o Pavilhão receberá a saudação e canto do Hino à Bandeira. Sua retirada dar-se-á conforme a forma prevista pelo ritual, e detalhada no Decreto 1476/2016.

Conforme o Decreto 1479/2016 se não houver número suficiente de Irmãos para preencher a Comissão de Recepção, mesmo assim o Pavilhão ingressará e sairá formalmente, porém apenas escoltado pela Guarda de Honra.

Reitera-se a obrigatoriedade da presença da Bandeira Nacional em todas as sessões, tanto ordinárias como as magnas, destacando que a Bandeira é a maior autoridade presente nos trabalhos maçônicos.

O lugar da Bandeira Nacional dentro do Templo, assim como outros procedimentos que integram o seu cerimonial está descrito no Decreto 1476/2019 do GOB.

Entrada e saída formal da Bandeira somente nas sessões magnas, portanto, nas ordinárias não há saudação ao Pavilhão Nacional.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com.br
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

FRASES ILUSTRADAS

MAÇONARIA: QUEM SOMOS? O QUE FAZEMOS?

Valdemar Sansão – M:. M:.
Nós homens, Maçons ou não, estamos cercados de muita vaidade, orgulho, arrogância e fundamentalmente da falta de humildade.

O Maçon na sociedade actual – a nossa Ordem tem sistematicamente, através dos tempos, oferecido aos seus membros oportunidades de evolução pessoal, para que se transformem numa poderosa força do bem, como influentes construtores sociais. Muitas tentativas foram feitas, e a história nos diz, muitas, infrutíferas, devido à intolerância; grande número alcançou seus objectivos.

Temos apregoado que há necessidade de um número maior de homens de qualidade em nossa Ordem, para que possamos dar oportunidade a homens sinceros se prepararem para o serviço na sociedade, segundo os princípios das tradições iniciáticas. Com isto e com a participação do homem Maçon na sociedade haverá uma correcção dos profundos erros políticos e sociais, para a defesa da liberdade de consciência, da justiça e da verdade, seja ela qual for. No Brasil, há liberdade de acção, prevista pela nossa Constituição, mas há dificuldades múltiplas na prática de nossas manifestações, em grande parte pela ignorância do povo em geral sobre nossa Instituição, e em parte pela falta de objectividade na acção do próprio Maçon na sociedade, que muitas vezes deixa de definir aonde ele quer chegar.

Não é novidade para ninguém, que a elite brasileira não é muito sensível às preocupações gerais do nosso País. Se considerarmos que nosso País ainda luta contra suas deficiências básicas, tais como a educação, a moradia, a saúde, o saneamento básico, e a segurança.

O interessante é que muitos falam e poucos assumem, e nós Maçons, de tantos passados históricos, somos apontados em muitas ocasiões como a esperança moral do povo.

O Maçon sempre foi um insatisfeito, e sempre que na história surgem elementos novos, redimidos pelo saber e pela instrução, e outros que provocam a queda espiritual e moral do homem, o Maçon sempre tem reclamado e interferido. Seria interessante sabermos o que o Maçon pode verdadeiramente fazer na sociedade actual e diante dela. Para isto talvez não baste entendermos o que ocorre na sociedade actual, mas precisamos nos conhecer a nós próprios e nossas pretensões.

Quem somos? O que fazemos? Estas questões aparentemente simples são amplas e podem ser encaradas sob vários aspectos, mas, dois são básicos:
  • Nós Maçons somos hoje um grupo de homens espalhados pelo País, com princípios bem definidos pelos nossos Rituais, mas com regras não totalmente bem definidas pela nossa Constituição e Regulamentos, com decisões sem muita repercussão, fora de nossos Templos. Cumprimos nossas obrigações perante nossas Obediências e nossas Lojas, afinal juramos isto!
  • Somos um grupo de homens, cuja decisão sobre o que discutimos, e sobre o que precisamos na sociedade, não tem, muitas vezes atravessado a rua em que se encontra a nossa Loja! Infelizmente esta afirmativa não é exagerada. Muitas vezes dentro de nossos Templos somos combativos, “verdadeiras feras” em defesa do bem, do menor, da democracia, dos princípios basilares, reclamamos da sociedade e de tantas outras necessidades do homem no mundo actual. Nestes aspectos, o Maçom, sem sombra de dúvidas, não é um privilegiado, pois fala muito e faz pouco! É claro que entendemos que este comportamento é uma função quase que directa das circunstâncias da precária vida e da formação do homem na época actual, mas continuo entendendo que o Maçom, nestes aspectos, ainda não é privilegiado…
Por outro lado, entendemos também, e com o tempo a passar aprendemos serem nossos Templos um desafio à nossa responsabilidade e a filosofia é a luz que ultrapassa as barreiras físicas e mentais por nós conhecidas. É a luz que nos mostra no céu as estrelas que nos orientam nos dando acesso ao conhecimento e à vida de um modo geral, e é a luz que consolida o nosso passado, levando-nos a pensar no futuro! Sob este aspecto, entendemos que o Maçon não só é privilegiado como brilhante, e até muitas vezes convencido da necessidade de um aperfeiçoamento.

O Maçon agora é privilegiado sim, porque assume com estes programas um compromisso com a liberdade intelectual e espiritual do homem, cujo limite, sabemos, é o infinito…

Assim, à sombra deste privilégio, e à frente dos nossos olhos, vários caminhos podem ser tomados diante da sociedade em que vivemos; a questão é: qual tomar?

É bem conhecido que o Maçon não cultua o poder, notadamente o poder político, e muito menos o cortejamos, mas temos a obrigação de prepararmos nossos membros para que exerçam dignamente o poder quando convocados para servir a sociedade. A questão é como encarar a sociedade com conceitos e princípios que defendemos…

Desta forma, faz parte do nosso convívio como homens de bem, como actuação, oferecer o direito de cobrar dos que se encontram no poder, posições de competência, austeridade, sensatez, igualdade e moralidade. A sociedade actual muito pouco sabe sobre nossos propósitos, e reluta muitas vezes em aceitar nossa Sublime Instituição, duvidando da nossa eficiência. Nossa grande preocupação é que nós mesmos duvidamos de nossas actuações e de nossa eficácia.

Nós homens, Maçons ou não, estamos cercados de muita vaidade, orgulho, arrogância e fundamentalmente de falta de humildade, que nos assolam em todos os momentos de nossa vida, reverenciando o mal.

Nós escolhemos nossos caminhos e nossa Ordem, por vontade própria e sem constrangimento ou coação. Se não tivermos consciência do que queremos podemos livremente procurar nossa realização em outro lugar.

O que precisamos mesmo é nos aproximar da sociedade profana; caminharmos até ela, convivermos com suas dificuldades, seus prazeres, com sua sabedoria e com sua ignorância. Isto é difícil, mais para a Maçonaria, sociedade repleta de princípios bem definidos, e com a vontade de fazer, e fazendo o melhor, pode tornar-se viável.

Muitas vezes, o Maçon é brilhante, bem preparado, repleto de conhecimentos, mas é tímido e se envergonha de chegar à sociedade, e oferecer algo em favor dos outros. Se formos ao encontro dos reais objectivos de nossa Ordem, e deixarmos de justificar nossos melindres e preconceitos mais fortes, e provermos as necessidades do Irmão, naquilo que lhe der oportunidade de criar e lhe der liberdade de pensamento e acção, já estamos próximos do cumprimento de nossas obrigações. Entre as quais destacamos o papel de manter e formar o homem do bem!

Vamos a eles! Podemos contar com o seu apoio e o nosso nunca lhes faltará.

Favorecer o ser humano, com base no amor ao próximo, amor fraterno, demonstra acima de tudo a compreensão pura e simples da prevalência do espírito sobre a matéria.

Não nos permite o mundo actual, ficarmos encerrados em nossos Templos, fazendo juras de fidelidade, num circuito fechado, inconsistente. Temos que participar. Afinal, não somos uma obra exclusiva de nosso tempo, e sim de muitas épocas, e por esta razão somos responsáveis pelo que mantemos. Temos que nos aproximar da sociedade e não nos afastarmos dos seus problemas, quebrando o antigo tabu da falta de aproximação e do diálogo. É chegado o momento de definirmos uma boa razão para vivermos e até mesmo de pertencermos à Maçonaria.

O Maçon chegou a uma conclusão de que temos que nos unir e trabalhar juntos, e que não adianta nos lamentarmos levantando protestos dentro dos nossos Templos contra os erros da sociedade de hoje, que, aliás, são muitos; o que temos que fazer é trabalhar para o bem, até mesmo numa tentativa frenética de erguermos a moral de nosso povo, hoje abatido, infeliz e sem muitas perspectivas sólidas para o futuro. O Maçon tem sempre que levar aos seus arredores mais próximos seus conhecimentos, que em média são muito superiores que os da grande maioria deste povo brasileiro sofrido, muitas vezes por falta de oportunidade e em grande parte desprovido de princípios.

Esqueçamos nossas desavenças, nossas dificuldades, passemos ao entendimento mútuo, e nos unamos em torno do bem e da tolerância. Perdoemos nossos erros, pois até o direito de errar é sagrado, desde que corresponda ao intransferível dever de assumir a consequência do que se praticou.

Fonte: https://www.freemason.pt

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2024

DIÁCONOS E MESTRE DE CERIMÔNIAS

(republicação)
O Respeitável Irmão Nilson Ricarto, Loja Professor Hermínio Blackman, 1.761, GOB-ES, REAA, Oriente de Vila Velha, Estado do Espírito Santo, formula a questão seguinte: 
ricarto.nilson@gmail.com 

Gostaria de seus comentários sobre a verdadeira função de Diáconos e Mestre Cerimônia. Seria o Mestre de Cerimônias o exclusivo encarregado de transitar em Loja, levando e trazendo documentos e recados ou esta função também cabe aos Diáconos? 

CONSIDERAÇÕES:

A origem dos Diáconos está relacionada aos antigos oficiais de chão. Esses na sua origem eram os mensageiros dos canteiros de obra que levavam ordens do Mestre da Obra aos Wardens (zeladores), posteriormente, os Vigilantes. 

A Maçonaria de então não possuía graus especulativos, senão o Aprendiz Admitido e o Companheiro do Ofício. À época também era inexiste o cargo de Mestre de Cerimônias, ou Diretor de Cerimonial, pois não se trata aqui ainda de Lojas especulativas, senão dos canteiros de obra. Os antigos oficiais de chão mais tarde passariam por influência da Igreja a serem rotulados como Diáconos. 

Com o advento do Especulativo a partir do ano de 1.600 e posteriormente a Moderna Maçonaria com a fundação da Primeira Grande Loja em Londres (1.717) esse formato maçônico paulatinamente ficaria restrito às Lojas e, sobretudo no Século XVIII com os ritos maçônicos, ou os trabalhos do Craft. 

Assim, tomando por base a antiga tradição dos mensageiros, o Rito Escocês Antigo e Aceito revive simbolicamente essa tradição na transmissão da Palavra Sagrada, onde essa representação é feita no começo e no final dos trabalhos de maneira especulativa e que em linhas gerais sugere a marcação, esquadrejamento e aprumada no início da construção e ao final, a sua verificação. Assim os Diáconos representam os mensageiros que levavam as ordens do Mestre da Obra. 

Em termos especulativos essa prática sugere pelo uso de uma palavra transmitida de maneira correta a situação Justa e Perfeita, tanto para iniciar, como para encerrar a jornada. 

Assim os Diáconos no Rito Escocês Antigo e Aceito são transmissores de ordens como bem descreve o Ritual e não Oficiais de serviço que transportam correspondências, escritos e outros afins. 

Para essas obrigações, existe o Mestre de Cerimônias. É erro crasso no Rito em questão Veneráveis que fazem uso, principalmente do Primeiro Diácono, para entregar correspondências, recados escritos, mensagens, etc. 

O Mestre de Cerimônias é o Oficial que tem livre trânsito pela sala da Loja e, dentre outros, ele está ali para auxiliar nos trabalhos litúrgicos e ritualísticos de uma Sessão Maçônica. 

Essas considerações não se coadunam com Trabalhos do Craft inglês, pois nessa vertente maçônica, os Diáconos têm outras funções, assim como é inexistente o Mestre de Cerimônias, senão um Diretor de Cerimonial que geralmente trabalha nas induções e procissões. 

T.F.A. 
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 1.042- Florianópolis (SC) – sexta--feira, 12 de julho de 2013

PÍLULAS MAÇÔNICAS

nº 35 - Guildas e Corporações de Ofício

A Idade Média, que vai do Século V ao Século XV, da nossa era, teve um período conhecido como Era do Obscurantismo, que apesar do nome, teve um desenvolvimento na agricultura, no comércio e na vida urbana. As cidades se desenvolveram, principalmente no final da Idade Média, e isso fez com que um grande número de artífices a elas se dirigisse e se associasse, formando primeiramente as Guildas e depois as Corporações de Oficio.

Conforme nos esclarece o Ir.: Joaquim R. P. Cortez, em “Maçonaria, Origem, Teoria e Prática”, a definição de Feudo seria:

“Um marco tradicional nesse período, é a concentração de algumas atividades dentro e nas proximidades de um castelo. Estes são geralmente de pedras, bastante fortificados, empoleirados nos altos de um morro para permitir uma visão privilegiada de seus arredores, muitas vezes cercados por um fosso e pertencentes a um senhor local. Neles se concentram todos os materiais necessários à guerra ou à sua própria defesa. Temos, então, perfeitamente delineado o feudo, com o seu senhor, o seu castelo e sua área de dominio.

À volta desses lugares fortificados, e que se tornaram pontos de referência, passou a se acumular um agrupamento humano que prestava serviços ao castelo. Esses foram os primeiros núcleos de formação das cidades. Com a derrocada do Feudalismo, houve um constante deslocamento das populações, que se viram livres dos trabalhos nos campos, para as aglomerações urbanas que passaram a experimentar uma época de grande crescimento.”

A pesquisadora Anne Fremantle nos esclarece no seu livro “A Idade da Fé”:

“Cresciam as cidades e cresciam as Guildas, que eram associações formadas pelos comerciantes e artesãos. O diretório das Guildas, escolhido por eleição, esforçava-se para manter a boa qualidade e preços dos produtos locais. Uma prova do seu crescente poder pode ser dada, por exemplo, pelo monopólio usufruído pelos tintureiros de Derby, na Inglaterra, onde ninguém podia tingir panos até a distância de dez léguas de Derby, senão em Derby.”

Durante o decorrer da Idade Média, as Guildas foram evoluindo passando para Corporações de Mercadores, posteriormente para Corporações de Artífices e, nos primórdios do Renascimento, transformou-se em Corporações de Oficio. O pesquisador Edward McNall Burns em “História da Civilização Oriental”, nos deixa bem claro esses eventos, relatando o segue abaixo.

“Tanto as Corporações de Ofício como as de Mercadores, desempenhavam outras funções, além das relacionadas diretamente com a produção ou o comércio. Desempenhavam o papel de associações religiosas, sociedades beneficentes e clubes sociais. Cada corporação tinha seu santo padroeiro e seus membros comemoravam juntos os principais dias santificados e festas da igreja. Com a secularização gradual do teatro, as representações de milagres e mistérios (*) foram transferidas para a feira e as corporações assumiram o encargo de apresenta-las. Além disso, cada organização acudia as necessidades de seus membros que adoecessem ou se encontrassem em dificuldades de qualquer espécie. Destinavam fundos a socorrer viúvas e órfãos. Um membro que já não fosse capaz de trabalhar ou tivesse sido posto na prisão pelos seus inimigos, poderia contar com os colegas para ajuda-lo. Até as dívidas de um confrade sem sorte poderiam ser assumidas pela corporação se fosse sério o estado de suas finanças.”

E, resumindo o que nos diz o Ir.: Joaquim R. P. Cortez sobre a origem da Maçonaria Operativa, no seu livro a “Maçonaria Escocesa” pgs. 35-36 - Editora Trolha, do qual esta Pilula foi extraida:

Nos diz que, no final da Idade Média, as Corporações de Oficio já estavam bastante evoluidas e cumpriam todas as suas finalidades e haviam diversas Corporações de Oficio. A associação dessas Corporações poderia ter gerado a Maçonaria Operativa, crescendo e se aperfeiçoando com o passar do tempo.

Qualquer outro ponto de origem da Maçonaria, fora das Corporações de Oficio, ao final da Idade Média, será, sem duvidas, mera suposição ou puramente lendário.

(*) mistérios - vide Pílula Maçônica nº 10 sobre este assunto.

Fonte: pilulasmaconicas.blogspot.com

terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

SALMO 133 OU JOÃO

(republicação)
Questão apresentada pelo Irmão Marcelo Tieböhl Guazzelli, Aprendiz Maçom da Loja Fraternidade VII, REAA, Grande Oriente do Rio Grande do Sul (COMAB), Oriente de Caxias do Sul, Estado do Rio Grande do Sul.
mguazzelli@agrale.com.br 

Troquei alguns e-mails com o Irmão Aquilino Leal que escreve na Folha Maçônica e foi dele a sugestão de que eu lhe fizesse esse questionamento. Assim, de posse do seu endereço tomei a liberdade de escrever-lhe. Como Aprendiz, tenho muitos questionamentos e dúvidas que não são respondidas pelos Mestres e, apesar de ler muito, também não encontro às respostas nos livros. Ultimamente tenho uma dúvida, boba confesso, que está me atormentando. No nosso Manual consta que na abertura do Livro da Lei deve ser lido João 1, 1-5 (No princípio era o verbo...). Assim também afirma José Castellani (infelizmente não anotei em qual obra eu li isso, porém tenho certeza que ele afirma categoricamente, dizendo que qualquer outra invenção é bobagem e que o Rito Escocês assim determina). Porém, ao ler “Os Painéis da Loja de Aprendiz” de Rizzardo Da Camino, o mesmo afirma na página 128 que é prematuro iniciar os trabalhos para Aprendizes com palavras tão místicas e entende ser mais coerente o Salmo 133, um louvor ao amor fraterno, mais condizente com a Maçonaria. Devo confessar que meus esforços para polir a pedra bruta nesse momento independem e não percebo como podem ser afetados pelo texto A ou B ou C. Parece-me, fazendo uma análise dentro das minhas capacidades que Castellani é conservador e Camino um pouco mais liberal (mas não sempre, vide sua crítica na mesma obra a postura desleixada de alguns ao fazer o sinal). Apenas isso. Dentro das suas possibilidades de tempo e não atrapalhando seu dia-a-dia, apreciaria muitíssimo sua opinião a respeito deste assunto 

CONSIDERAÇÕES:

É tradicional e verdadeira a abertura do Livro da Lei no Grau de Aprendiz no Rito Escocês Antigo e Aceito em João, Cap. 1, versículos 1 a 5. Essa sugestiva abertura tem o desiderato de indicar ao Primeiro Grau a prevalência da Luz sobre as trevas - (...) “e as trevas não a compreenderam”. 

É oportuno salientar que nem todos os ritos maçônicos ou trabalhos do Craft fazem leitura de trecho do Livro da Lei na abertura dos trabalhos maçônicos. Assim, a leitura não é uma prática universal. Infelizmente, aqui no Brasil existe o equivoco em algumas Obediências de perpetrar na abertura do Livro da Lei a leitura do Salmo 133, prática essa sem qualquer tradição no Rito Escocês. 

À bem da verdade o Salmo 133 nem mesmo faz parte de leitura de abertura, senão de uma passagem ritualística na iniciação das Lojas Azuis Norte Americanas (Craft Americano), comumente chamado de Rito de York (não confundir com o Trabalho de Emulação do Craft Inglês, equivocadamente aqui também chamado de York). 

Provavelmente o costume do Salmo, fora adquirido por ocasião da busca de reconhecimento nas Grandes Lojas Americanas, quando da fundação em 1.927 das Grandes Lojas Estatuais no Brasil. 

As Grandes Lojas Americanas praticam o Craft Americano e aí, dentre outras práticas, essa acabou fazendo parte enganosamente do Rito Escocês Antigo e Aceito espalhando-se por algumas Obediências Maçônicas no nosso País. 

No tocante ao que disse o saudoso Irmão Castellani, ele estava correto ao defender a tradição, ao contrário do outro autor que achava mística e prematura o uso do procedimento correto. A questão não é do místico nem do prematuro, porém a expressão da Verdade. 

As Lojas de São João ganharam esse título ao longo da história, quando os Canteiros Medievais, no período ainda Operativo e posteriormente o Especulativo – Séculos XIV e XV – quando ainda não existiam ritos maçônicos, senão os arremedos dos primeiros catecismos, ao admitirem um Aprendiz do ofício, este prestava a sua obrigação, por influência da igreja, sobre o evangelho de São João. 

À época, a Bíblia era propriedade da Igreja, além da inexistência da imprensa, os escritos ocupavam um imenso volume difícil de ser conduzido. Assim adquiriu-se o costume se escrever em uma folha de papel o título “Evangelho de São João” onde o recipiendário prestava a sua obrigação.

Obviamente não havia leitura de texto, porém as confrarias de construtores geralmente se reuniam nas datas solsticiais – verão para rever e marcar os planos da Obra, iniciar novos membros e, no inverno, para fazer as medições, pagar os obreiros, etc. Assim os solstícios de verão 24 de junho e inverno 21 de dezembro (hemisfério norte) viriam a coincidir com as datas comemorativas dos Santos padroeiros – João, o Batista, e João, o Evangelista respectivamente. 

O Rito Escocês Antigo e Aceito, fundado em 1.801, teria o seu primeiro ritual simbólico em 1804 na França. Ao longo do Século XIX esse ritual receberia aperfeiçoamentos e práticas hauridas dos antigos Canteiros, dentre outras, a abertura do Livro da Lei em João, Capítulo I, versículos 1 a 5, alusivos às ditas antigas Lojas de São João. 

Há que se notar que o arcabouço doutrinário do Rito Escocês é embasado na investigação da Natureza (o movimento diário e anual do Sol, seus solstícios e equinócios, as Colunas Zodiacais, as Colunas do Norte e do Sul, os pilares solsticiais ou Colunas B e J, etc.). 

Já sobre o Salmo 133 revendo obras espúrias, fragmentos, antigos catecismos, revelações e outros elementos primários de pesquisa, não aparece como marco de abertura e citação litúrgica e alegórica importante, senão na passagem ritualística de iniciação do Craft Americano organizado por Thomas Smith Web com base os Antigos de 1.751 de Lawrence Dermott na Inglaterra. 

Assim, por primeiro a questão não é de ser prematura ou mística, porém de realidade doutrinária. Por segundo, a questão também não é de se pesquisar em rituais passados e publicados no Brasil confundindo-os por documentação primária como fazem “certos articulistas” que se acham doutos apenas por copiarem e citarem erros de textos ritualísticos ultrapassados. 

Nesse sentido, devo salientar que a questão é complexa e merece uma atenção acadêmica minuciosa, ponderada e qualificada. 

Por fim, independente do escrito e indicado, os rituais legalmente aprovados e em vigência devem ser rigorosamente respeitados. 

Cumprir um ritual não é questão de identificar o certo ou o errado, porém é de boa geometria identificar a contradição, ou o equívoco para propor uma posterior correção que se identifique com a razão dos fatos

T.F.A. 
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 1.042- Florianópolis (SC) – quinta-feira, 11 de julho de 2013

O COMPLICADO CÁLCULO DA DATA DA PÁSCOA

Não é simples determinar a data da Páscoa. É uma operação que exige atenção, conhecimentos básicos da Ma­temática e, se possível, a ajuda de uma máquina de calcular. A Igreja Católica parte da data da Páscoa para estabele­cer suas festas móveis: 63 dias antes é a Septuagésima; 49 dias antes, o domingo gordo (Carnaval); sete dias antes o domingo de Ramos; 40 dias depois, a quinta-feira da Ascensão; 50 dias de­pois, o domingo do Espírito Santo ou Pentecostes; 61 dias depois, Corpus Christi.

Uma das fórmulas utilizadas para chegar ao domingo de Páscoa é somar uma unidade ao ano escolhido e dividir por 19. Por exemplo: ao ano de 1987, soma-se 1 — tem-se 1988 que, dividido por 19, dá 104 como resultado e 12 como resto. Complicado? Nem tanto, mas es­se é só o primeiro passo. O resto, 12, é chamado de número áureo, e dele deve- se subtrair uma unidade e multiplicar por 11. Assim, 11 multiplicado por 11 é igual a 121. Até aqui, tudo bem. Não falta muito.

Agora, é tirar de 121 o maior múlti­plo de 30, no caso 120. Resta pouco — só 1 e este número é a epacta. A próxima operação é simples: basta subtrair de 44 o número da epacta. Resultado: 43. Ou seja, a partir do início de março, o 43° dia será a data da lua cheia, o que corresponde a 12 de abril. A Páscoa é o domingo que se segue a esta lua cheia: 19 de abril, portanto.

Há algumas variações que compli­cam o cálculo. Se a epacta for menor que 24, tem-se a data do mês de março em que cai a lua cheia da Páscoa. Se for de 25 a 30, é preciso subtrair a epacta de 43 e o resto corresponde à data dò mês de abril em que cai a lua cheia. Se a epacta for exatamente 24, a lua cheia cairá em 19 de abril. A Páscoa é sempre o domingo que se segue.

Fonte: https://bibliot3ca.com

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

MÃOS NA CADEIA DE UNIÃO

(republicação)
O Respeitável Irmão Edison Carlos Ortiga, Rito Adonhiramita, sem declinar o nome da Loja, Obediência, Oriente (Cidade) e Estado da Federação apresenta a seguinte questão:
capituloadonhiramita@gmail.com 

Estamos elaborando um manual de procedimentos que pretendemos distribuir a todo o mestre por ocasião de sua exaltação. Trata desde a ornamentação do templo, deveres dos Irmãos em cada função, etc. É uma espécie do "livro do professor" que guiará em suas instruções para Aprendizes e Companheiros, já que é comum vermos Mestre saber de tal coisa ou procedimento sem saber das razões ou motivos para tal. Surgiu-me uma dúvida. Por ocasião da realização da Cadeia de União como é a posição das mãos? Como se segura na mão do Irmão ao lado? É palma da mão encostada em palma da mão ou os "dedos em gancho" (se posso assim dizer) enganchado nos dedos em gancho do Irmão ao lado. Sempre fui da teoria da palma com palma e os dedos segurando firmemente as mãos e quando fui corrigir a postura dos "dedos em gancho" pediram uma justificativa alegando que se as energias fluem mais pelas pontas dos dedos, seria esta posição (dedos em gancho) a mais apropriada. O que tem o Ir a falar sobre o assunto? 

CONSIDERAÇÕES:

É Até onde eu conheço a prática da Cadeia de União peculiar em alguns ritos maçônicos e até com finalidades distintas, os Irmãos formam o círculo e cada qual cruza os braços e antebraços, o direito sobre o esquerdo, dando as mãos normalmente àqueles que estiverem imediatamente à sua direita e à sua esquerda. As mãos são dadas como um aperto de mão, só desfazendo o círculo após o encerramento da Cadeia. 

A rigor, essa cadeia deveria ser feita apenas por ocasião da transmissão da palavra semestral, todavia alguns ritos preconizam outros afins para a ocasião, fato que eu não quero entrar no mérito desse procedimento. No Rito Escocês ela é feita somente quando houver a necessidade de se transmitir a palavra e nada mais. 

O costume de cruzar os braços não é particular no Rito Schröeder onde originalmente a Cadeia é realizada no final de todas as sessões onde cada qual dá as mãos normalmente (sem cruzar os braços) a cada qual que estiver imediatamente ao seu lado. 

Quanto ao Rito Adonhiramita pesquisando alguns documentos e rituais antigos, apenas encontrei referência à Cadeia de União sim, porém sem nenhuma alusão sobre energias que fluem pela ponta dos dedos, dedos em gancho, etc. 

Finalizando, devo recomendar a restrita observância aos Rituais em vigência legalmente aprovados. 

T.F.A. 
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 1.041- Florianópolis (SC) – quarta-feira, 10 de julho de 2013

AS INSPIRADORAS COLUNAS BOOZ E JAQUIN

Ir∴Charles Evaldo Boller
O Ir∴ Clarles manifesta neste artigo a especulação a respeito da função das colunas Booz e Jaquin com uso da física quântica.

O significado simbólico maçônico das duas colunas é controverso e confuso se comparado ao que diz a bíblia judaico-cristã, em I Reis 7:13-22. Em essência elas decoram e demarca a entrada do templo, o portal do iniciado no caminho da luz, do conhecimento gradativo de seu eu, de seu interior, do seu templo, da sua espiritualidade.

Pesquisando diversos autores maçônicos respeitados, eles também têm inúmeras explicações que conduzem a um intrincado labirinto de justificativas aonde algumas delas são baseadas em postulações herméticas ocas, tão vazias como o próprio interior das colunas, inaceitáveis ao cético e filósofo que adota o princípio heurístico da pesquisa científica que concebe a natureza como máquina, que debita tudo à matemática e casualidades estatísticas previsíveis. Entretanto, esta visão mecanicista do século passado aos poucos vai cedendo espaço a teoria da física quântica. A cada instante novos conceitos antigos desabam na presença de novos conceitos e provas científicas que, da mesma forma em que o mecanicismo derrubou velhas crendices místicas, este mesmo mecanicismo é hoje criticado e tem seus conceitos derrubados na edificação de novas conceituações científicas da física quântica. Porque não reunir todo o conhecimento antigo e o novo? As duas colunas não estariam colocadas à vista dentro do templo maçônico exatamente para materializar a possibilidade de novo salto do pensamento?

Se tomadas com o propósito de apenas representarem a porta de entrada para o conhecimento, desconsideradas as características que lhe desejam debitar os que defendem interpretações místicas, alquímicas e mágicas, as colunas nada mais são que a delimitação do lado externo e o interno do templo. São construídas com metal nobre porque o portal separa dois mundos, e é importante, de um lado o mundo profano e do outro o templo, a representação de algo maior, que o iniciado vai garimpar com suas bateias mentais dentro de si mesmo.

Desconsiderando o que foi omitido em relação ao original descrito pela bíblia judaico-cristã, para cada componente hoje existente no símbolo que representam as colunas, inúmeras são as explicações criadas pelas especulações dos livres pensadores e nada disso deve configurar verdade absoluta, final. Assim como a física quântica desbanca o mecanicismo e este derrubou o misticismo. Cada elemento da composição artística do símbolo está aberto para estudos predominantemente teóricos do raciocínio abstrato de cada maçom. Dar como terminada a sua função especulativa é desrespeitar o símbolo e impor ditadura dogmática. A cada maçom é dada a oportunidade de postular suas próprias conjecturas sobre o significado de cada componente das colunas que decoram a entrada do templo, o seu próprio templo. Ademais, o obreiro é quem mais conhece daquele corpo, daquele templo, pois o usa como receptáculo de seu próprio sopro de vida.

Para lojas, como as do Rito Escocês Antigo e Aceito da Grande loja do Paraná, onde as colunas Booz e Jaquin estão locadas dentro do templo, no extremo ocidente, cerca de dois metros da porta, onde existe este espaço, sua locação é comumente confundida com as colunas norte e sul. A interpretação mais usual da ação de ficar entre colunas é considerada postar-se entre as colunas Booz e Jaquin, e isto é uma interpretação incorreta. Ficar entre colunas é postar-se entre as colunas norte e sul, entre irmãos, entre pessoas de carne e ossos, sobre uma linha imaginária que une o altar do primeiro vigilante com o do segundo vigilante e no local onde cruza com o eixo longitudinal do templo. A abrangência de encontrar-se entre as colunas norte e sul só termina no primeiro degrau que separa oriente do ocidente. Ali o obreiro tem a certeza que não será interrompido em sua oratória e seus irmãos têm certeza que tudo o que for dito é a verdade da ótica daquele que fala, pois uma mentira ali tem graves consequências. Estar locado entre colunas, entre irmãos, obriga o obreiro a responder todas as perguntas que lhe forem dirigidas com sinceridade, sem omissão, sem reserva mental.

A loja maçônica não é representação real, maquete, cópia fiel do Templo de Jerusalém, e sim, representação simbólica de alguns aspectos físicos daquele. Estarem as colunas Booz e Jaquin no átrio ou dentro do templo seria indiferente, não fosse o propósito a que servem. Na bíblia judaico- cristã elas são designadas como colunas vestibulares, de vestíbulo, algo locado entre a rua e a entrada do edifício, portanto, colocadas fora da edificação, ao lado das portas, formando portal de acesso ao interior. No templo real é assim, mas no simbólico isto não se aplica. Se for para colocar rigidez neste raciocínio de fidedignidade com o templo real, que se retirem de dentro da loja maçônica as colunas zodiacais, a mobília, altares, balaustrada, pisos, diferença de nível entre oriente e ocidente, decoração do teto, sólio, enfim, tudo o que não existe no templo de Jerusalém; podem ser levantadas especulações as mais diversas, mas o lugar das colunas num templo maçônico é em seu interior. Por questão de coerência com a bíblia judaico-cristã elas poderiam ficar fora do templo, mas elas devem estar locadas dentro do templo porque todos os objetos e elementos decorativos em loja no Rito Escocês Antigo e Aceito tem finalidade educacional. Participam dinamicamente da metodologia para ensinar aos obreiros as verdades necessárias para sua escalada na construção de sociedade justa. Colocar as colunas Booz e Jaquin fora de vista não faz sentido propedêutico na instrução maçônica. Considerando a utilização como instrumentos de trabalho, as ferramentas devem estar à vista do estudante, do obreiro que trabalha na pedra bruta. Principalmente se na parte oca das colunas Booz e Jaquin estão guardadas outras ferramentas de trabalho.

As colunas, todas as ferramentas e objetos utilizados têm significado simbólico, são parte da lenda materializada como método iniciático, propedêutico, introdução ao caminho que cada maçom deve encetar para entender o que a filosofia da Maçonaria deseja incutir em sua mente. As colunas fazem parte da ficção inventada ao redor da vida de Hiram Abiff, figura referenciada na bíblia judaico-cristã, cuja estória constitui lenda dentro da Maçonaria. É ficção, mas transmite conceitos profundos de moral e ética até para pessoas sem formação escolar básica, que não têm vivência com o abstrato. Esta limitação do trabalhador da pedra com respeito ao abstrato é o que exige a presença física das colunas dentro do templo. Com isto a Maçonaria transmite conceitos filosóficos profundos para qualquer pessoa, independente de sua formação intelectual. É o princípio da igualdade em ação. É dentro do templo que o maçom procura ser amigo da sabedoria, "phílos" + "sophía", filosofia que visa o desenvolvimento do filósofo especulador simples e não o erudito ou homem de instrução vasta e variada. Ao maçom basta o conhecimento que propicie liberdade independente de formação ou berço. O resultado almejado é a geração de sociedade onde a fraternidade, mesmo em presença de rusgas características das relações interpessoais, é de fato praticada indistintamente por todos os seus membros.

Um símbolo não observável é o mesmo que um ato de fé e acreditar no inexistente; este não é o caso da Maçonaria que rechaça dogmas com veemência. Reportar-se às colunas de bronze Booz e Jaquin fora de vista são o mesmo que dizer: - Acreditem, elas existem lá fora! - Ou ainda: - irmão aprendiz vá lá fora buscar maço e cinzel para trabalhar na pedra bruta. - Todas as ferramentas devem estar dentro do templo depois que a loja estiver aberta. Ninguém sai ou entra no templo sem uma razão muito forte depois que os trabalhos começaram. Não é lógico o pedreiro adentrar a oficina sem suas ferramentas. Acreditar que as colunas existem lá fora tornaria a sua existência em algo assemelhado aos dogmas que as religiões impingem aos seus fiéis para forçá-los a aceitarem postulações que não podem ser vistas, não tem lógica, ou realmente são apenas lendas. A ordem maçônica usa lendas, mas ela informa claramente, explicitamente, que tudo não passa de ilustração, a materialização de ficção para fins exclusivamente educacionais. As colunas Booz e Jaquin são verdadeiras e físicas dentro da loja e devem estar lá para objetivo que pode numa primeira instancia fugir ao entendimento. Será que elas não têm outros significados que simplesmente albergar as ferramentas e suportar romãs e globos?

Todos os símbolos usados pela pedagogia da ritualística maçônica devem ficar ao alcance da vista para permitirem sua utilização material e propiciarem, a partir disto, a construção, a concepção de pensamentos abstratos sem adentrar na seara pantanosa dos dogmas; apresentar algo duvidoso como certo e indiscutível, cuja verdade se espera que as pessoas aceitem sem questionar. No passado, quando não existia explicação para determinado fenômeno, creditava-se este a influências misteriosas e mágicas, o mesmo ocorre com um símbolo fora da vista em qualquer era. Os homens são limitados por seus sensores e em função de sua clausura no planeta Terra.

Na escola primária, na fase concreta dos métodos de ensino, os conceitos abstratos são transmitidos via materialização, por exemplo: como explicar o zero para uma criança? Colocam-se dois objetos a vista e depois se subtrai estes da visão, ficando o nada, definindo o vazio; gravando na mente o conceito de zero. Para usar um símbolo ele deve ser visto, ao menos numa primeira instância; depois de firmado o conceito abstrato, o cérebro se encarrega de completar o que fica invisível aos olhos.

A ciência avança nas áreas da física quântica, cosmologia, psicologia transpessoal e revela continuamente a existência e ação de energias, verdades e realidades que colocam em xeque crenças e ideias a respeito do Universo. É isto que a Maçonaria visa com sua motivação à autoeducação e o despertar dos imensos potenciais que até o momento existem apenas em resultado de experiências empíricas transmitidas pelos sentidos. Aos poucos, os maçons de formação mecanicista, influenciados pelos místicos e sensitivos passam a entender ou absorver o funcionamento destas energias, não como mágica, mas com alicerce científico. Partindo da especulação incutida pela física quântica especula-se em torno das possibilidades de sentir e usar das energias que constituem o Universo, ou Universos. É a razão de manter as colunas Booz e Jaquin dentro do templo, como modelo de dipolo energético de campos elétricos, magnéticos e gravitacionais, ou quem sabe, portal para outros Universos, talvez concentradores das energias da cosmologia quântica de que o homem é feito. É o mesmo que ensinar o conceito do zero para as crianças do jardim da infância, há necessidade de manter o modelo, o inspirador de novos pensamentos até o instante em que o mais cético venha a entender o que os outros irmãos sentem e interpretam de forma empírica. Os exercícios especulativos podem então inspirar novos modelos e, quem sabe, surjam novas ciências e conhecimentos que projetem o homem ao encontro de seu futuro.

Ao passar pelas colunas Booz e Jaquin o obreiro entra na oficina recheada de ferramentas de trabalho em direção à luz, a sabedoria necessária para burilar a pedra bruta. Trabalha nele próprio até obter uma linda e bem formada pedra cúbica polida, isto é o resultado da polidez e educação maçônica que honra o Grande Arquiteto do Universo e que toma seu lugar de destaque na sociedade humana.

Bibliografia:

1. ALMEIDA, João Ferreira de, Bíblia Sagrada, ISBN 978-85-311-1134-1, Sociedade Bíblica do Brasil, 1268 páginas, Baruerí, 2009;

2. BLASCHKE, Jorge, Somos Energia, o Segredo Quântico e o Despertar das Energias, tradução: Flávia Busato Delgado, ISBN 978-85-370-0643-6, primeira edição, Madras Editora limitada., 172 páginas, São Paulo, 2009;

3. DANTAS, Marcos André Malta, Do Aprendiz ao Mestre, ISBN 978-85-7552-283-0, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Limitada, 248 páginas, Londrina, 2010;

4. GOSWAMI, Amit, O Universo Autoconsciente, como a Consciência Cria o Mundo Material, tradução: Ruy Jungmann, ISBN 85-01-05184-5, segunda edição, Editora Rosa dos Tempos, 358 páginas, Rio de Janeiro, 1993;

5. MICHEL, Oswaldo da Rocha, O Sentido da Vida e a Maçonaria, ISBN 978-85-7252-275-5, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Limitada, 208 páginas, Londrina, 2010;

6. NALLY, Luis Javier Miranda MC, Iniciação, ISBN 978-85-7252-246-5, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha Limitada, 236 páginas, Londrina, 2008;

7. PUSCH, Jaime, ABC do Aprendiz, segunda edição, 146 páginas, Tubarão Santa Catarina, 1982;

8. RODRIGUES, Raimundo, Na Busca de Novos Caminhos da Doutrinação Maçônica, ISBN 978-85- 7252-285-4, primeira edição, Editora Maçônica a Trolha limitada., 166 páginas, Londrina, 2011;

9. SOBRINHO, Octacílio Schüler, Maçonaria, Introdução Aos Fundamentos Filosóficos, ISBN 85-85775- 54-8, primeira edição, Obra Jurídica, 158 páginas, Florianópolis, 2000;

10. STRECK, Danilo R., Rousseau e a Educação, ISBN 85-7526-143-6, primeira edição, Autêntica Editora, 116 páginas, São Paulo, 2004;

11. ZOHAR, Danah, O Ser Quântico, Uma Visão Revolucionária da Natureza Humana e da Consciência, Baseada na Nova Física, tradução: Maria Antônia van Acker, primeira edição, Editora Best Seller, 186 páginas, 1990.

Data do texto: 15/04/2011.

Fonte: JBNews - Informativo nº 232 - 17.04.2011

domingo, 18 de fevereiro de 2024

SIGNIFICADO DA MARCHA DO MESTRE - REAA

Em 15.02.2024 o Respeitável Irmão Coaracy Nunes dos Santos, Loja Regente Feijó II, 1256, REAA, GOB-RJ, Oriente de Três Rios, Estado do Rio de Janeiro, apresenta a dúvida seguinte:

MARCHA DO MESTRE

Eu estava conversando com um Irmão recentemente exaltado e surgiu uma dúvida de qual seria o significado dos pp∴ do Mestre sobre o esq∴, eu nunca tinha analisado isso e decidi perguntar a quem sabe.

Ficarei muito agradecido com sua ajuda.

CONSIDERAÇÕES:

A M∴, ou os PP∴ do 3º Grau, no REAA tem o propósito de fazer com que o Mestre Maçom simbolicamente simule os dois movimentos solsticiais, ou seja, represente com seus pp∴ eelev∴ o trajeto aparente do Sol, que resulta na Terra nos solstícios de inverno e de verão.

Astronomicamente, os solstícios marcam a inclinação máxima que o Sol atinge, ora para o hemisfério Sul e ora para o Norte. Assim, sob ponto de vista da Terra, essas idas e vindas aparentes do Sol resultam nas quadro estações do ano, duas solsticiais (verão e inverno) e duas equinociais (primavera e outono). Graças à essa mecânica celeste é que a vida flui na Terra.

No contexto histórico dos solstícios e a Maçonaria isso aparece porque a Maçonaria de Ofício, ou Operativa, ancestral da Moderna Maçonaria, como corporação de construtores da Idade Média era a que edificava para a Igreja suas catedrais, igrejas, abadias, mosteiros, etc.

Desse modo, essas guildas de construtores medievais da pedra calcária dependiam dos ciclos Natureza para o seu trabalho, a despeito de que pelos rigores do inverno do hemisfério Norte, dias curtos e noites longas, esse período era impróprio para o trabalho. Nessa oportunidade, os operários eram pagos e dispensados para só voltarem à atividade na primavera seguinte.

Graças a isso, a Maçonaria dos Aceitos, não mais operativa, mas especulativa, rememora nos seus arcabouços doutrinários e ritualísticos a atividade ancestral revestida de significados simbólicos conforme os seus ritos, sobretudo aqueles que têm como elementos principais as alegorias solares, não obstante que desde tempos remotos os cultos solares da antiguidade sempre serviram de base para a maioria das religiões que conhecemos atualmente.

Nessa conjuntura, o REAA, por exemplo, é um rito que indubitavelmente se serve das alegorias solares e cultos agrários, o que lhe dá a característica de um rito solar.

No simbolismo maçônico do REAA, a jornada aparente do Sol determina o caminho iniciático do maçom. Genericamente, essa alegoria representa as etapas da vida humana, a infância, adolescência, juventude e maturidade. Nesse conceito, a senda iniciática se divide em graus iniciáticos.

A bem da verdade, a alegoria da revolução anual do Sol compara-se simbolicamente ao tempo de aperfeiçoamento do maçom, eu seja, as estações do ano correspondem às etapas de preparação.

À vista disso, o maçom, desde a sua iniciação, esotericamente percorre o caminho desenhado pelo movimento anual do Sol. É por essa razão que no REAA existem as Colunas Zodiacais, cujas mesmas aparecem no templo rigorosamente no Ocidente, nas paredes Norte e Sul da Loja (seis ao Norte e seis ao Sul). Sob essa óptica, o Mestre Maçom, através dos seus pp∴ simula esse movimento solar. Assim sendo, a jornada do Sol, nas suas idas e vindas está representada pela M∴ (pp∴) do Mestre.

No tocante ao esq∴ (sep∴) ao centro, ele representa a morte do Sol no inverno, o que faz com que a Terra fique viúva uma vez por ano. Nessa conjuntura vale lembrar que no inverno as sombras prevalecem, resultando em dias curtos e noites longas.

Esotericamente o esq∴, ou a sep∴, encerra o segredo da grande iniciação. Simula é a morte do Sol no inverno com o a∴ do M∴ H∴ A∴ na representação da Lenda do 3º Grau. O Oriente, situado logo após o esq∴, representa a saída das trevas e o renascimento para a Luz (Sol). Em síntese é a volta do Sol na primavera.

Conforme demonstra a lenda, os três meses do inverno correspondem aos t∴maus CComp. No Templo do REAA, em Câm∴ do M∴ acendem-se no máximo nove luzes, cujas quais correspondem, dos doze meses do ano, os nove propícios para o trabalho. As três luzes que faltam correspondem ao inverno que faz com que imperem as trevas. É a máxima iniciática do morrer para renascer.

Nesse aparelho iniciático, o piso do Ocidente da Loja (Pav∴ Mos∴) corresponde ao solo terrestre, seu eixo é o equador. O equador do templo é a baliza terrena e astronômica referencial das passagens (equinócios) do Sol para o Sul e para o Norte. Nessa alegoria, as Colunas B∴ e J∴ marcam no templo (solo terrestre) os trópicos de Câncer e Capricórnio, marcos solsticiais do limite máximo da declinação solar.

Não é à toa que João, o Batista corresponde ao solstício de verão no Norte (21 de junho), e o Evangelista o de Inverno no Norte (27 de dezembro). Vale lembrar que a Maçonaria Operativa (de ofício) floresceu sob a sombra da Igreja, portanto nada mais natural que apareça essa influência religiosa inerente aos Joões como patronos da Maçonaria.

É bom que se diga que todas essas referências solares e iniciáticas se correlacionam com o Hemisfério Norte da Terra, no caso porque foi nessas latitudes que nasceu a Maçonaria. Com isso é natural que as suas lendas e suas estruturas doutrinárias referendadas pelo Sol se prendam à meia esfera Norte do nosso Planeta.

Desse modo, reitera-se que os pp∴ elevados durante a M∴ do 3º Grau simulam movimentos de declinação máxima solar que ocorrem a cada seis meses. Em resumo, os p∴ do M∴ M∴ marcam a vida do iniciado simulando seu nascimento na primavera e o seu fenecimento no inverno. A máxima do morrer para renascer está representada pela morte no inverno e o renascimento na próxima primavera.

Concluindo, toda essa concepção iniciática encontra-se intrínseca na cerimônia de Exaltação ao sublime grau de Mestre Maçom. Os pp∴ correspondem à senda percorrida. O Apr∴ e o Comp∴ dão seus pp∴ sobre o solo terrestre, já o Mestre, agora também como uma Luz, representa a jornada pelo cosmo (universo), entre o E∴ e o C∴.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

A VELHICE NA MAÇONARIA

Outrora, a velhice era uma dignidade; hoje, ela é um peso. "Francois Chateaubriand"

Quando fui iniciado, a vida para mim ganhou um novo sentido, pelas novas amizades e pelo ensinamento que recebia nas instruções de meus preceptores.

A sessão maçônica era uma coisa extraordinariamente nova e reveladora. Sonhava em crescer na ordem e ser como aqueles irmãos mais antigos, pois via neles tanto conhecimento e amizade, meus sábios inspiradores.

Aqueles “velhinhos” eram a porta para meu ingresso no conhecimento e na filosofia da Arte Real.

Para mim, eles viviam num mundo de felicidade e que aquilo era uma herança, que levariam até os dias da velhice.

Esse sentimento inundava o meu espírito de paz e esperança.

Jamais poderia pensar que o caminhar dos anos trouxesse consigo mudanças tão importantes.

Parece que a juventude não conhece o segredo para a transmutação e quando a idade avança, somos pegos por uma realidade surpreendente, às vezes desalentadora.

A ordem que servimos por décadas a fio, dispensando os maiores esforços, nos abandonara na idade senil. Justamente quando estamos mais carentes e fragilizados.

Na America do Norte, os maçons idosos vão para o albergue da ordem onde vivem em paz e dignamente.

Toco nesse assunto, levando em conta casos de irmãos que vivem no mais completo abandono maçônico. Vitimados por uma enfermidade não saem para lugar algum, aprisionados em suas casas.

Essa realidade é bem diferente dos templos aconchegantes e das amplas festas e Copos D'Água que um dia frequentaram.

Aquela alegria barulhenta e os abraços fraternos deram lugar ao abandono, ao ostracismo involuntário e ao silêncio cósmico que arrasa seu moral.

Se tivessem a mão amiga de um irmão, poderia ir à Loja, aos almoços e de novo serem felizes.

A maçonaria, pródiga em ajudar os velhinhos dos asilos profanos, vira a cara para seus próprios membros que nem sempre precisam de apoio pecuniário, apenas de uma visita.

A tentativa de levar irmãos à casa de um enfermo sempre resulta em fracasso, pois ninguém se interessa. Os Veneráveis Mestres, esses, nunca vão.

O tempo corre célere e a vida escapa pelos dedos como o mercúrio. Irmãos, ainda há tempo, embora curto, para amar o próximo, pois o Céu não pode esperar.

T∴F∴A∴
Texto enviado pelo Ir∴ Juracy Vilela de Sousa – Grão-Mestre de Honra do GORS
Fonte: Grupo Memórias e Reflexões Maçônicas
Adm. Ir∴ Rogério Romani

Fonte: Facebook_O Templo e o Maçom