Um Landmark (marco, ponto de referência) é um objeto, característica ou evento notável que serve para identificar um local ou marcar um ponto importante, podendo ser físico (como um monumento ou prédio histórico) ou abstrato (como um acontecimento histórico decisivo). Embora não exista a fortaleza da Bastilha, pois, foi demolida após a Revolução Francesa, o local é hoje a famosa Praça da Bastilha (Place de la Bastille) em Paris, que marca o ponto histórico e homenageia os eventos revolucionários, com vestígios da fundação visíveis no metrô e na praça.
A palavra Landmark vem do inglês (land = terra, mark = marca/marco) e significa "marco de terra" ou "ponto de referência", com origem em referências bíblicas (Antigo Testamento) sobre limites territoriais invioláveis, como em Jó 24:2 e Deuteronômio 19:14. Historicamente, referia-se a objetos físicos — como monólitos gravados, montes de pedras ou valas — utilizados para demarcar os limites de uma propriedade e evitar invasões. Um sinal ou objeto proeminente na paisagem (edifício, estátua, árvore) que ajuda a localizar um lugar ou serve de guia para viajantes.
A relevância do Landmark deriva do seu papel crucial como um ponto fixo, confiável e facilmente reconhecível em um mundo em constante mudança, seja para encontrar o caminho em uma cidade ou para manter os princípios de uma organização. Ele define o caráter e a identidade de um lugar. Monumentos famosos, como o Cristo Redentor no Rio de Janeiro ou a Torre Eiffel em Paris, que são Landmarks globais que representam cidades ou nações. Vandalizar marcos históricos resulta em sanções legais: multas pesadas ou até prisão, dependendo da legislação local.
O conceito de landmark foi popularizado pelo Arquiteto Urbanista Kevin Lynch em seu livro "A Imagem da Cidade" (1960). Lynch identificou cinco elementos-chave na forma como as pessoas percebem e navegam nos ambientes urbanos, sendo o landmark um dos mais importantes. Um landmark deve se destacar de seu entorno, auxiliando no senso de direção e na criação de mapas mentais pelos indivíduos. Na arquitetura do ser humano, os Landmarks são os princípios ou pilares fundamentais que definem a essência, o caráter e a estrutura moral do ser humano.
Os Landmarks são vistos nos traços de caráter, crenças ou ações que servem como guias ou balizas para a conduta de uma pessoa, ajudando a definir sua identidade e a orientar suas escolhas. Representariam os alicerces sobre os quais uma pessoa constrói sua vida e suas relações com o mundo, como a honestidade, a empatia, a busca pelo conhecimento ou a resiliência. São elementos essenciais e distintivos que "arquitetam" (moldam, constroem) a identidade e a existência humana, vetores contumazes para estruturação da ambiência social favorável à emergência do feliz convívio humano.
Contemplar o Landmark nos faz compreender o "poder do referencial" (do landmark) enquanto capacidade de influenciar (seja por admiração, física ou estratégia) através de um ponto de vista ou essência que serve de base para percepção, comportamento e conexão. Em Marketing e Branding, por exemplo, não é apenas um conjunto de diretrizes; é a espinha dorsal da marca. É a partir do Landmark que a essência, os valores, o propósito e o posicionamento da marca são articulados, servindo de bússola orientadora de todas as decisões de design, tom de voz e iniciativas de mercado.
Sem um referencial estratégico bem definido, as ações de branding seriam fragmentadas e ineficazes, incapazes de construir a profundidade de relacionamento necessária para a verdadeira lealdade à marca. Ao fornecer parâmetros claros, o Landmark assegura que a identidade visual e as mensagens sejam unificadas em todos os pontos de contato. A consistência gera confiança, e a confiança é a base da lealdade. Perspicaz, é um "filtro" para avaliar novas ideias, garantindo que qualquer expansão ou novo produto e/ou pensamento esteja alinhado com a promessa central da marca, mantendo a relevância a longo prazo.
Nos campos da Liderança e da Psicologia Social, o Landmark destaca-se pela capacidade de influenciar outros por meio do carisma, respeito, admiração e identificação pessoal, fazendo com que desejem ser como você ou seguir seu exemplo. Ancora-se em qualidades pessoais (confiabilidade, simpatia) e não em posição ou conhecimento técnico. O ponto de referência (Landmark) é ferramenta de engajamento é brilhante e perspicaz, pois, as pessoas se conectam mais profundamente e se tornam mais leais a conceitos, marcas ou comunidades com as quais se identificam. O exemplo arrasta!
Um Landmark compartilhado cria uma base sólida para a empatia e a compreensão mútua. Ele age como um "ponto de ancoragem" emocional que une as pessoas. Um ponto de referência claro e universalmente compreendido dentro de um grupo ou organização elimina ambiguidades. Quando os indivíduos se veem refletidos no Landmark (como um valor em comum, uma memória ou uma missão), a lealdade transcende a mera transação ou obrigação, tornando-se uma adesão a um movimento ou identidade coletiva, onde todos “falam a mesma língua”.
É a síntese de princípios-chave do capital social e do engajamento humano, onde o ponto de referência (Landmark) fortalece relacionamentos, aumenta a lealdade, melhora a comunicação e a produtividade, pois, o engajamento é filho da identificação. A lealdade não é mais apenas contratual; é emocional. Quando um líder ou uma marca estabelece um ponto de referência autêntico, emerge uma comunidade de pessoas que compartilham o mesmo DNA, fortalecendo os relacionamentos a longo prazo. Isto a essência da construção de comunidades fortes e marcas resilientes.
Ser inventivo na criação de um Landmark significa não ser genérico. Não é apenas "ser o melhor" – é uma métrica competitiva exaurível –, mas "ser o único” – é uma categoria de mercado própria – a fazer X da forma Y. Não se trata do que você entrega, mas da forma inconfundível como o processo ocorre. Quando a forma Y é tão específica que se torna indissociável da marca, o cliente deixa de comparar para buscar a experiência. Assim, nasce a Cultura de Orgulho – a percepção de que se é parte de um "clube" que detém um segredo e/ou técnica que ninguém mais replica com a mesma alma.
A cultura é o que as pessoas fazem quando ninguém está olhando, e elas só agem com excelência se tiverem um ponto de referência (Landmark) sólido para guiar sua intuição e esforço. Isso nos abre a visão de que a cultura é definida por comportamentos consistentes, independentemente da observação, e a excelência nesses comportamentos depende de um conjunto robusto e internalizado de valores compartilhados, que se baseiam em "balizas invisíveis" (Landmark) que permitem que cada indivíduo tome decisões rápidas e excelentes sem supervisão constante.
A cultura maçônica, tem nos Landmark – regras de conduta e princípios imutáveis, tão antigos que sua origem se perde no tempo, cruciais para a identidade da Maçonaria – suas as leis fundamentais, antigas e imutáveis, que ancorados em costumes e tradições considerados eternos e invioláveis preservam a essência desta fraternidade, A palavra Landmark surgiu pela primeira vez no contexto maçônico nos Regulamentos Gerais compilados por George Payne em 1720 (adotados em 1721 pela Grande Loja de Londres). No entanto, a lista mais influente de Landmarks foi compilada por Albert G. Mackey em 1858.
Transgredir um Landmark (marco ou limite) no âmbito Maçônico traz consequências que variam conforme a jurisdição e a gravidade. Se uma Grande Loja altera um Landmark (como remover a exigência de crença em um Ser Supremo, por exemplo), ela perde o reconhecimento de outras Grandes Lojas ao redor do mundo, tornando-se "irregular" ou "espúria" para estas. A transgressão repetida ou institucionalizada remove a natureza maçônica da organização, transformando-a em uma associação comum, sem os direitos e privilégios da fraternidade universal.
O maçom que desrespeita os Landmarks está sujeito a processos disciplinares internos, que podem resultar em advertência – Uma repreensão formal por escrito –, suspensão – afastamento temporário dos direitos e privilégios da Ordem – e/ou exclusão (expulsão) – a pena mais severa, geralmente reservada para violações graves e persistentes dos princípios ou leis da Ordem. A aplicação dessas penas ocorre por meio de processos internos conduzidos por tribunais maçônicos, garantindo-se não somente o julgamento justo, como também, o direito à ampla defesa.
O branding da Maçonaria é bem fundamentado nma estratégia de simbolismo universal e consistência secular. Os principais componentes desse referencial estratégico (landmark) inclui o propósito de aperfeiçoamento moral e intelectual do indivíduo (o "lapidar da pedra bruta") para contribuir com uma sociedade mais justa; o lema: Liberdade, Igualdade e Fraternidade" — valores que guiam a conduta e o posicionamento público das potências maçônicas; e a promessa: suporte mútuo entre os "irmãos", além do acesso a um conhecimento filosófico transmitido por meio de rituais.
A identidade visual da Maçonaria é altamente padronizada, facilitando o reconhecimento global. O esquadro, ícone mais forte da marca, representa a retidão de conduta (ética), enquanto o compasso simboliza o equilíbrio e a justiça. A Letra "G", remete ao "Grande Arquiteto do Universo" (Deus) e à Geometria. Os Três Pontos, utilizados em assinaturas e abreviações (como S∴F∴U∴ para Saúde, Força e União), funcionam como um código visual de reconhecimento entre membros. O uso de aventais e ferramentas de construção reforça o posicionamento de uma fraternidade de "pedreiros livres".
O ponto referencial (landmark) da Maçonaria, em consonância com sua lógica de identificação e engajamento, fundamenta-se em pilares que orientam tanto o comportamento individual quanto o social dos seus membros. O alicerce da identificação maçônica é o trinômio Liberdade, Igualdade e Fraternidade, citados acima. Além disso, as "Três Grandes Luzes" servem como guia moral: O Livro da Lei, o Esquadro e o compasso, também, narrados acima. E, como referência (landmark) absoluto a crença em um Ser Supremo (o Grande Arquiteto do Universo).
No cotidiano, a ética maçônica foca na Lapidação do "Templo Interior" – a constante busca pelo aperfeiçoamento moral e retificação da consciência. A Justiça Social – o trabalho voltado para o bem-estar da sociedade e a diminuição das injustiças promovendo a inclusão social a partir do acolhimento e apoio aos desvalidos da fortuna. Esses pontos de referência não são apenas conceitos, mas ferramentas de identificação que garantem que o maçom, ao se reconhecer nesses valores, mantenha o engajamento e a produtividade no serviço à humanidade.
Neste toar, o branding maçônico enfrenta o desafio de equilibrar a tradição do segredo com a necessidade de transparência institucional. Organizações como o Grande Oriente do Brasil (GOB) e a Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil (CMSB) têm atualizado suas identidades visuais e presença digital para combater desinformações e atrair novos membros. O posicionamento foca na filantropia e na influência positiva na sociedade, tentando desassociar a imagem de "sociedade secreta" para uma "sociedade discreta" de valores enlevados – um landmark social e político para a humanidade.
Fonte:https://brunobmacedo.blogspot.com
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