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quinta-feira, 16 de abril de 2026

A INQUISIÇÃO E A MAÇONARIA EM PORTUGAL

Por Luciano J. A. Urpia

Em 1743, o lapidário suíço John Coustos, então residente em Lisboa, foi detido pela Inquisição portuguesa. A acusação formal foi a de cumplicidade no roubo de um diamante, uma alegação fabricada. A razão real de sua prisão era a sua condição de Venerável-Mestre de uma Loja Maçônica, atividade proibida após um édito papal. Uma denúncia anônima, feita por uma mulher a seu confessor, que descreveu os maçons como "monstros da natureza", bastou para que ele fosse levado para os calabouços do Santo Ofício.

Nos interrogatórios, Coustos foi pressionado repetidamente a revelar os segredos da Maçonaria e a renunciar à sua filiação. Diante de sua recusa, foi submetido a uma série de torturas. Na primeira sessão, teve braços e pernas amarrados por cordas que foram esticadas com força por quatro homens, perfurando sua carne até o osso. Médicos presentes controlavam seu pulso, interrompendo o suplício para que não perdesse a consciência de forma irreversível. Seis semanas depois, foi torturado novamente: com as palmas das mãos voltadas para fora, seus pulsos foram puxados por um mecanismo até que as costas das mãos se tocassem, deslocando ambos os ombros. Dois meses mais tarde, uma grossa corrente de ferro foi passada em volta de seu estômago e presa a seus pulsos; ao ser tensionada por um rolo, a corrente pressionou seu abdômen com força suficiente para deslocar novamente suas articulações. Após cada sessão, cirurgiões recolocavam seus ossos, preparando-o para a próxima sess{ao de tortura.

Condenado a quatro anos de trabalhos forçados nas galés, a saúde debilitada pelas torturas impediu que cumprisse a pena. Foi transferido para uma enfermaria, onde permaneceu até outubro de 1744. Sua libertação foi obtida apenas após a intervenção diplomática do rei Jorge II da Grã-Bretanha. Banido de Portugal, Coustos retornou à Inglaterra e, em 1746, publicou um relato minucioso de sua experiência, The Sufferings of John Coustos for Freemasonry. O livro, um documento factual de métodos inquisitoriais e resistência individual, assegurou que os procedimentos e a sua recusa em falar fossem registrados de forma indelével.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

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