Seven stairs Master Apron France - séc XIX
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PERGUNTAS & RESPOSTAS
O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br
sábado, 15 de agosto de 2020
sexta-feira, 14 de agosto de 2020
GRANDES INICIADOS
GRANDES INICIADOS
Compositores Maçônicos e Sua Música
"Wolgang Amadeus Mozart tem sido chamado de o gênio entre gênios. Mais que qualquer outro músico ele reformulou o tamanho, as formas e a linguagem da música. Muitos aspectos da música que hoje nos parecem lugar comum simplesmente não existiriam sem ele; o concerto clássico de piano, o clarinete integrando a orquestra, o quinteto de cordas e o quarteto de piano são apenas algumas invenções no campo da música instrumental.
"O desejo de Mozart de criar unidade e sua intuição para o drama foram as duas qualidades mais úteis nestas conquistas incríveis. Seu impulso para unificar as duas formas principais da sonata e da fuga corresponderam às idéias prevalentes na época: o etos dos Compositores Maçônicos e sua música.
"Em 1793 Mozart estava em Praga onde visitou a Loja Maçônica zur Wahrheit und Eingkeit (Verdade e Unidade), onde sua cantata, Die Maurerfreude foi executada e onde prometeu a seus Irmãos que em breve ofereceria um tributo melhor ao espírito maçônico. Referia-se a Die Zauberflote (A Flauta Mágica).
"A Morte de Mozart"
Em 1751 a 15 de outubro, Mozart estava compondo uma Pequena Cantata Maçônica para a dedicação do templo da Loja zur Neugekronte Hoffnung (Esperança Recém Coroada) em 18 de novembro, mas sua saúde estava se deteriorando rapidamente.
"Durante uma caminhada com sua esposa ele falou da morte e de sua suspeita de que havia sido envenenado. Porém, dois dias mais tarde estava bem o bastante para reger sua cantata, mas dois dias depois estava de vota ao leito.
"Morreu em 4 de dezembro, do que havia sido descrito como 'febre militar grave'. Até hoje, ninguém sabe ao certo onde foi enterrado. Tinha havido uma epidemia de cólera em Viena e a polícia desencorajara funerais grandes e demorados. Uma semana após sua morte, um jornal de Viena escreveu que o inchaço de seu corpo após a morte levantou a suspeita dele ter sido envenenado. Este rumor tornou-se persistente e trinta e dois anos mais tarde um compositor rival tentou cortar a garganta e, completamente ensandecido, afirmou ter envenenado Mozart e desejava confessar o crime.
"Em meados da década de 1920, uma outra lenda culpou os maçons vienenses, em uma vingança por ter o compositor traído alguns de seus segredos na Die Zauberflotte (A Flauta Mágica).
"Em uma outra história, que se acredita ter sido originada na Alemanha nazista, Mozart foi assassinado por ter invadido o Templo de Salomão. Mozart, o maior compositor de seu século, morreu pouco antes de completar 36 anos".
Copyright: Lodge St Bryde No 579
Fonte: http://www.stbryde.co.uk/articles/masonic_composers.htm
O LUGAR DO RECÉM-INICIADO
O LUGAR DO RECÉM-INICIADO
(republicação)
Em 25/11/2015 o Respeitável Irmão Joaquim Iran de Souza Nunes, Loja Bento Gonçalves, 2.450, REAA, GOB-RS, Oriente de Santiago, Estado do Rio Grande do Sul, formula as questões seguintes: jisnunes@hotmail.com
Volto a abusar da paciência do Irmão, mas reconhecendo sua sabedoria, atrevo-me a fazer os seguintes questionamentos:
1 - Onde senta o recém-iniciado? O Ritual do 1º Grau creio estar errado.
2 - Quando a Loja está de "pé e a ordem" e necessita-se abrir a porta, qual o procedimento? Continua-se a ordem ou desfaz o sinal?
CONSIDERAÇÕES:
1 - O lugar do recém-iniciado. Infelizmente os nossos rituais estão repletos de procedimentos equivocados e contraditórios – é o caso mencionado do lugar do recém-iniciado no Ritual em vigência.
O problema é que os “entendidos” que se envolvem com os Rituais na sua grande maioria, pouco ou nada entendem da doutrina específica do Rito. Outros ainda, simplesmente copiam erros crassos que tem se perpetuado nos nossos escritos, a exemplo do lugar do recém- iniciado no Primeiro Grau.
Em se tratando do simbolismo do REAA, essa relação de localização do Aprendiz está diretamente ligada ao Topo da Coluna do Norte e as Colunas Zodiacais da Loja.
Mas o que seria então o Topo da Coluna?
Na realidade ele é toda a parede boreal situada entre a balaustrada do Oriente e a sua junção com a parede ocidental. É nessa parede que se situam de modo equidistante as seis primeiras Colunas Zodiacais relativas às constelações de Áries, Touro e Gêmeos (primeiro grupo - Primavera) e Câncer, Leão e Virgem (segundo grupo - Verão).
Então qual seria essa relação zodiacal com o Grau de Aprendiz?
Pois bem, a doutrina maçônica do simbolismo escocês (filho espiritual da França – deísta por excelência) se baseia na alegoria da evolução da Natureza como método iniciático de aperfeiçoamento – assim como a Natureza vive e morre para novamente renascer nos ciclos naturais (estações do ano), o Iniciado representa nessa alegoria destinada à disciplina do aprimoramento.
Nesse conceito a Primavera é o renascimento e o Verão a preparação para o amadurecimento e a colheita. Assim esses ciclos evolutivos da Natureza associam-se ao alinhamento com as primeiras seis constelações do Zodíaco sob o pondo de vista do Norte, o que torna em termos doutrinários e iniciáticos o Topo da Coluna do Norte na representação do caminho iniciático do aperfeiçoamento do Aprendiz, cujo início se dá a partir de Áries (Primavera no hemisfério Norte).
Em síntese, essa explanação simbólica traduz iniciaticamente o recém-iniciado em busca da Luz – vem do interior da Terra (Câmara de Reflexão), desponta em Áries (primeira Coluna Zodiacal próxima ao Primeiro Vigilante) e vai sequencialmente, à medida do seu aperfeiçoamento, em busca do aprimoramento – segue da Primavera para o Verão.
É desse conceito que surgiu iniciaticamente na Maçonaria o termo “neófito” – néo=novo; fito=planta.
Em linhas gerais é a comparação do Iniciado com o renascimento da Natureza, fato que indistintamente ocorre sempre após as trevas do Inverno. É o Neófito, cuja semente morta foi agora plantada no interior da Terra (Câmara) e teve o seu renascimento no desabrochar primaveril – cultos solares da Antiguidade.
Sob essa óptica e cumprindo a disposição natural (deísta) é que o Aprendiz recém-iniciado inicia a sua jornada junto ao Topo do Norte a partir da primeira Coluna Zodiacal (Áries – próxima do Primeiro Vigilante) e vai em direção da representação da constelação de Virgem (até a balaustrada Norte que divide o Oriente).
Desse modo é que o “Topo da Coluna” é representado na Loja pela parede Norte de quem parado e de costas para o Sul sobre o eixo longitudinal imaginário do Templo olha para a parede à sua frente (no lado boreal), cujo lugar do recém-iniciado lá está localizado, porém no seu extremo ocidental (próximo ao Primeiro Vigilante) – de onde o Maçom inicia a jornada em direção e busca do aumento de salário (coincide com a coluna representativa de Áries).
Toda a relação simbólica dentro desse teatro maçônico, independente do hemisfério terreno em que se situa geograficamente a Loja, será sempre a partir do Norte (berço da Maçonaria), onde o alinhamento de Áries em 21 de março corresponde à Primavera na meia- esfera setentrional da Terra.
É desse ideário que a Loja no Rito em questão tem a sua decoração e a disposição topográfica – sempre relacionada ao Norte.
Lugar do Aprendiz recém-iniciado próximo à balaustrada, no Rito Escocês é uma atitude sobejamente equivocada. Esse é um costume de outro Rito, inclusive da outra vertente maçônica (a inglesa), cujo arcabouço doutrinário é de feitio teísta, não deísta.
2 – Há sempre que se usar do bom senso para essas situações e nunca se abusar dos excessos de preciosismo que atravancam e depõem contra a beleza da sessão.
Ora, evidentemente que os Sinais Penais são feitos em Loja coberta, entretanto se a ritualística previr um momento em que a porta precise estar aberta com os Irmãos à Ordem no seu interior, a exemplo do ingresso de autoridades ou portadores de títulos de recompensa que mereçam esse protocolo de recepção, inclusive em comitiva, obviamente que quem ingressa passa pela porta que obrigatoriamente estará aberta, enquanto que os demais que recepcionam já estarão esperando à Ordem.
É obvio que assim que seja encerrado o ingresso formal, o Cobridor fecha imediatamente a porta, mas sem que essa seja uma neura ou condição irrestrita ao ponto de não se compor um Sinal nesse momento (esperar fechar a porta).
Ademais, ninguém ingressa sem ser previamente reconhecido, lembrando que o Átrio da Loja é um segmento que faz parte do Templo e deve estar sempre coberto (fechado) e vigiado contra bisbilhoteiros. Assim, se eventualmente a porta do Templo estiver aberta em cumprimento às necessidades do ato, nada impede que os presentes no interior da Loja estejam à Ordem, se for o caso, já que o recinto contíguo do Átrio estará cerrado (nessas oportunidades pelo Cobridor Externo).
Obviamente que uma Loja aberta e restrita aos Maçons sempre estará coberta (com a porta fechada), todavia podem advir situações momentâneas que necessitem da abertura da mesma sem que isso venha revelar “segredos”. Assim, querer esperar que a porta seja primeira fechada antes do Sinal nesse caso, é um demasiado ato de preciosismo, para não dizer, copiando Eça de Queiróz, é mesmo d’scrachar!
T.F.A.
PEDRO JUK – jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 2.123 – Florianópolis (SC) – segunda-feira, 25 de julho de 2016
REFLEXÕES SOBRE O TERNÁRIO
REFLEXÕES SOBRE O TERNÁRIO
Ir∴ Tébio Luiz Maciel Freitas
Loja Alpha , 292 - Oriente de Marília/SP
De início, é importante deixar claro que não se quer aqui diminuir a importância de outros números para a formação do conhecimento universal. Por outro lado, é preciso admitir que o Ternário possui especial destaque nos mais diversos ramos de atividade e do conhecimento humano.
E, acreditamos, é o fato de dar o primeiro grau de complexidade à produção de conhecimento, como se verá adiante, que faz dele o número do Aprendiz Maçom.
Ora, o próprio espaço que habitamos é tridimensional, pois, muito embora a física avançada defenda a existência de quatro dimensões influindo nos rumos do universo, para a trivial percepção humana é inescapável a observação de que o mundo é formado por altura, largura e profundidade. Nas palavras de Hawking, “trata-se de um fato conhecido podermos descrever a posição de um ponto no espaço através de três números ou coordenadas”.
Na passagem do tempo, o três se apresenta sob a forma de passado, presente e futuro. Todos muito importantes, pois é examinando os exemplos do passado que agimos com mais consistência no presente, construindo assim um futuro mais harmônico. Negligenciar o passado pode resultar na repetição dos erros. Dar muita atenção a ele, porém, paralisa o ser humano, fazendo com que esqueça que se vive no presente e para o futuro. Por outro lado, quem só pensa no aqui e agora, age de modo inconsequente, pois deixa de refletir sobre os resultados de suas ações. Não obstante, é temerário viver tão somente em razão de um futuro que pode nem sequer existir, sem aproveitar o momento presente. Enfim, ao que parece, no caso da passagem do tempo, é a adequada atenção aos três elementos que garante uma vida de algum modo equilibrada.
Fonte: Facebook
quinta-feira, 13 de agosto de 2020
REAA - O LUGAR DO COMPANHEIRO RECÉM-ELEVADO NA LOJA
Em 09.03.2020 questão que faz o Respeitável Irmão Augusto Fabiano de Souza Bernardinho, REAA, GOMG (COMAB), Oriente de Nova Lima, Estado de Minas Gerais.
LUGAR DO COMPANHEIRO RECÉM-ELEVADO
Estimado Irmão Pedro Juk, agradeço mais uma vez por compartilhar e nos instruir quanto as dúvidas de todos os Irmãos. Novamente recorro mais uma vez ao Irmão no sentido de aclarar mais um duvida que possuo. Li algumas peças do irmão referente ao lugar do recém-iniciado na Coluna do Norte em especial o texto "E o Topo da Coluna do Norte... Conclusões?”. Após algumas leituras e explicações surgiu uma dúvida quanto ao lugar do Companheiro recém-elevado. Sabe-se que os Companheiros tomam assento na Coluna Zodiacal Libra próximo à balaustrada (posição inversa ao Aprendiz recém-iniciado) indo de encontro a luz meio-dia ponto de maior iluminação. Daí surgi um interesse, poderia fazer um arrazoado a respeito do caminho a ser percorrido pelos Companheiros na Coluna do Sul?
CONSIDERAÇÕES:
Cabe então compreender como se apresenta o caminho iniciático no REAA. Lamentavelmente boa parte dos nossos Irmãos ainda não compreendeu onde fisicamente ele (o caminho) aparece no Templo, bem como o que ele significa. Essa falta de entendimento pode facilmente ser constatada quando observamos a total ausência de conhecimento sobre o significado das constelações do Zodíaco correspondentes às Colunas Zodiacais distribuídas pelas paredes Norte e Sul do Templo simbólico do REAA. Existem, inclusive, opiniões contrárias as suas existências – obviamente opiniões daqueles que não compreendem, ou melhor, desconhecem o arcabouço doutrinário simbólico do Rito e vivem presos a rituais antigos de procedência duvidosa.
Assim, comentando esse caminho iniciático no REAA, sobretudo sob o viés deísta de um rito nascido na França mas que possui também características anglo-saxônicas teístas, esse Rito, antes de mais nada, compara alegoricamente a evolução iniciática pertinente aos seus três graus simbólicos à revolução anual da Natureza, notadamente destacando os ciclos da Natureza, também conhecidos como primavera, verão, outono e Inverno.
Cabe destacar que para efeito iniciático as estações do ano se relacionam com o hemisfério Norte da Terra, hemisfério este onde o REAA teve a sua certidão de nascimento.
Desse modo, esse entendimento iniciático traz no seu conteúdo concepções que associam as etapas da Natureza às fases da vida humana, demonstrando de modo emblemático que o iniciado morre para a vida profana e renasce, purificado pelos Elementos, para uma nova vida, o que, em linhas gerais é demonstrado na passagem pela Câmara de Reflexão onde o candidato, então despojado, faz o seu testamento simbólico e preenche o questionário filosófico.
Sob essa óptica o significado dessa alegoria iniciática é o de demonstrar que o Candidato, ao ser consagrado Aprendiz Maçom (recém iniciado) representa um novo elemento, isto é, uma nova planta (neófito) que nasceu tal qual como a Natureza revive na Primavera.
Nesse sentido, a primavera possui caráter iniciático de começo, ou de partida. Sob o feitio místico, essa estação do ano é representada no Templo pelos símbolos relativos às constelações de Áries, Touro e Gêmeos (alinhamento do Sol, Terra e essas constelações na faixa do Zodíaco).
Com isso, o ciclo natural da primavera, que se inicia na constelação de Áries, no hemisfério Norte, corresponde ao começo da jornada do Aprendiz. Partindo de Áries o iniciado prossegue percorrendo sua senda até a constelação Virgem, o que, em linhas gerais representa sua passagem pela primavera e pelo verão (infância e adolescência).
A passagem por esses dois ciclos corresponde simbolicamente à primeira etapa da vida do Iniciado – o Aprendiz. Em síntese, esse caminho é visivelmente marcado pelas seis primeiras Colunas Zodiacais que ficam de maneira equidistante situadas no topo da Coluna do Norte. Cabe esclarecer que o termo “topo”, aqui utilizado, corresponde a toda a parede setentrional do Templo situada entre o canto com parede ocidental e a grade que marca o limite com o Oriente. Assim, a primeira Coluna Zodiacal (próxima ao 1º Vigilante) representa Áries (início da primavera) e corresponde ao começo da jornada, por extensão é o lugar onde o Aprendiz recém iniciado, logo após ter sido consagrado maçom, é colocado para dali romper a sua caminhada.
Concluída a sua passagem pela Coluna do Norte (interstício de aprendizado), o Aprendiz, ao atingir a adolescência e a proximidade da juventude, passa então do topo da Coluna do Norte para o topo da Coluna do Sul, o que se dá iniciaticamente pela cerimônia de Elevação ao grau de Companheiro.
Agora Companheiro, o Iniciado ao alcançar o Sul estará por primeiro em Libra que, dentre outros, significa emblematicamente o ápice da juventude (Meio-Dia).
Desse modo o “novo” Companheiro é colocado no topo da Coluna do Sul junto à Coluna Zodiacal correspondente à constelação de Libra, ou Balança. Essa constelação marca astronomicamente o início do Outono no hemisfério Norte e na Loja se situa no topo do Sul junto à balaustrada que serve de limite com o Oriente.
Partindo do outono, simbolicamente o Companheiro segue pelo topo da Coluna do Sul em direção à maturidade (grau de Mestre), cuja qual, iniciaticamente corresponde ao inverno, ou o final da jornada (Meia-Noite). Iniciaticamente é o ponto de partida da última etapa, onde o Iniciado, após à Meia-Noite, segue o caminho que o levará à perpetuidade no Oriente.
Emblematicamente o Companheiro Maçom representa o ápice da vida, ou o vigor da sua juventude (ação e trabalho). Diferente do Aprendiz recém-iniciado que, pelo topo do Norte, seguiu após ter saído do interior da Terra (Câmara de Reflexão) para reviver na Luz da primavera (infância), o Companheiro (juventude), pelo topo da Coluna do Sul rompe sua jornada em Libra (o Sol passa para outro hemisfério e a maturidade se aproxima).
A alegoria demonstra que a partir daí sequencialmente os dias vão ficando cada vez mais curtos e as noites mais longas. O outono (maturidade) antecede o inverno, época em que a Terra ficará viúva do Sol (fim da vida).
De tudo, cabe salientar que esse é apenas um teatro iniciático cuja aspiração é a de comparar a vida humana com os ciclos da Natureza. Entenda-se que essa alegoria possui sentido é figurado e foi criada para desenvolver os ciclos iniciáticos de passagem na Moderna Maçonaria. No REAA essa alegoria traz uma profunda lição de moral para o Iniciado. Todo esse agrupamento de ciclos e passagens é demonstrado, de modo amplo e geral, na Iniciação, e de caráter particular, nas cerimônias de Elevação e na Exaltação.
Conceitos iniciáticos que envolvem a marcha em direção a Luz se apresentam nas alegorias maçônicas por vários feitios, no entanto, todos eles convergem para o Leste, ou o Oriente da Loja.
Assim, sob esse aspecto, além do caminho iniciático propriamente dito, o espaço de trabalho, ou a sala da Loja, também tem os seus pormenores como segue:
a) O primeiro é que a passagem iniciática pelos ciclos naturais corresponde a vida do Iniciado, ou seja, a infância, a adolescência, a juventude e a maturidade;
b) O segundo é que o Iniciado sempre segue a sua jornada à procura da Luz. Isso explica o porquê dos Aprendizes no topo do Norte e os Companheiros no topo Sul - sob o ponto de vista do hemisfério setentrional o extremo Norte recebe menos luz por estar mais distante do equador. Sob essa óptica, do Norte vislumbra-se a passagem do Sol pelo Sul e é por essa razão que o Sul é também conhecido como Meio-Dia. Nesse caso, o Iniciado após ter cumprido o seu tempo no Norte, passa para o Sul onde aparentemente existe mais Luz (Meio-Dia). Esse detalhe pode ser constatado em se observando as três janelas que aparecem nos respectivos Painéis. É bem verdade que essa é apenas uma concepção simbólica, contudo segue os cultos solares da antiguidade;
c) O terceiro é que, além da revolução anual do Sol marcada pelos seus alinhamentos com as constelações zodiacais, existe ainda a relação com a aparente marcha diária do Sol, cuja qual envolve a liturgia da circulação no Ocidente da Loja, a dos procedimentos de abertura e encerramento da trabalhos e a da aclamação Huzzé.
Destaque-se que o movimento aparente e diário do Sol determina na sala da Loja, emblematicamente o nascente do Oriente e o ocaso no Ocidente. De tudo, o objetivo do iniciado é alcançar o Oriente, contudo ele antes deverá ter cumprido toda a sua jornada que um dia se iniciara no topo da Coluna do Norte próximo ao lugar do 1º Vigilante. Esotericamente a divisão Oriente/Ocidente separa respectivamente o espiritual que é o lugar do Mestre do material que é o lugar dos Aprendizes e Companheiros
Espero que esse breve arrazoado esteja a contento e, para concluir, devo mencionar que o sistema de aperfeiçoamento maçônico, velado por símbolos e alegorias, traz verdades profundas na sua complexão. Cabe ao iniciado, entretanto, perquirir, desvendar e compreender a razão da sua existência.
P. S. – O escrito denominado “E o Topo da Coluna do Norte – Conclusões?” pode ser encontrado no Volume IV do INBRAPEM – Encontro Nacional do Instituto Brasileiro de Pesquisas Maçônicas Fernando Salles Paschoal, Editora Maçônica A Trolha, Londrina, novembro de 2007.
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br
POLINDO A PEDRA BRUTA
POLINDO A PEDRA BRUTA
Enviado pelo Ir∴ Ives Pizzollatti, da Loja Estrela d’Herval (GOB/SC) de Herval do Oeste.
(Autor desconhecido)
Uma das situações, talvez a mais dolorosa para um homem, é quando ele se conscientiza de que é totalmente desnecessário, seja no ambiente familiar, no trabalho, na comunidade ou, principalmente, para nós Maçons, na nossa Instituição.
Os Maçons tornam-se desnecessários:
Quando, decorrido algum tempo de sua Iniciação ao primeiro grau da Ordem, já demonstram desinteresse pelas Sessões, faltando constantemente, demonstrando não estarem comprometidos com a Instituição, apesar de terem aceitado a Iniciação e terem feito um juramento solene.
Quando, durante as Sessões, já "enturmados", ficam impacientes com as instruções, com as palestras ou com as palavras dos Irmãos mais velhos, achando tudo uma chatice, uma bobagem que atrasa o ágape e a esticada.
Quando, ao tempo da apresentação de trabalho para aumento de Salário, não têm a mínima idéia dos assuntos dentre os quais podem escolher os seus temas. Simplesmente "copiam" alguma coisa de um livro e apresentam-no, pensando que ninguém vai notar.
Quando, ainda Companheiros, começam a participar de grupos para ajudar a eleger o novo Venerável e, não raro, já pensando seriamente em, assim que chegarem a Mestres, começarem a trabalhar para obter o " poder" na Loja.
Quando Mestres, não aceitarem que ainda não sabem nada a respeito da Ordem e acharem que estudar e comparecer ao máximo de Sessões do ano é coisa para a administração, para os Companheiros e Aprendizes.
Quando Mestres, ao participarem das eleições como candidatos a algum cargo na Loja, principalmente para o de Venerável, e não forem eleitos, sumirem ou filiarem-se a outra Loja onde poderão ter a " honra" de serem cingidos com o avental de M∴I∴, que é muito mais vistoso do que o de um "simples" Mestre.
Quando já Mestres e até participando dos graus filosóficos não terem entendido ainda que o essencial para o verdadeiro Maçom é o seu crescimento espiritual, a sua regeneração, a sua vitória sobre a vaidade e os vícios, a aceitação da humildade e o bem que possam fazer aos seus semelhantes , e que, a política interna, a proteção mútua, principalmente na parte material, é importante mas não essencial.
Quando, como Aprendiz, Companheiro ou Mestre, não entenderem que a Loja necessita que suas mensalidades estejam rigorosamente em dia, para que possam fazer frente às despesas que são inevitáveis.
Quando como Venerável-Mestre, age de forma mesquinha, de forma a ocultar de todos os obreiros de sua Loja, fatos e eventos que tenha claramente interesses materiais particulares.
Quando, como Veneráveis Mestres deixa o caos se abater sobre a Loja, não sendo firmes o suficiente para exercer sua autoridade; não tendo um calendário com programação pré-definida para um período; não cobrando de seus auxiliares a consecução das tarefas a eles determinadas, e não se importando com a educação maçônica, que é primordial para o aperfeiçoamento dos obreiros.
Quando, como Vigilantes, não entenderem que, juntamente com o Venerável Mestre, devem constituir uma unidade de pensamento, pois, em todas as Lojas nas quais um, ou os dois Vigilantes não se entendem entre si e, principalmente não se entendem com o Venerável, o resultado da gestão é catastrófico.
Quando, como Guarda da Lei, nada sabem das leis e regulamentos da Potência e de sua própria Loja, e usam o cargo apenas para discursos ocos e intermináveis.
Quando, como Secretários, sonegam à Loja as informações dos boletins quinzenais, as correspondências dos Ministérios e, principalmente, os materiais do departamento de cultura, que visam dotar as Lojas de instruções e conhecimentos que normalmente não constam dos rituais, e são importantes para a formação do Maçom.
Quando, como Tesoureiros, não se mostram diligentes com os metais da Loja, não se esforçam para manter as mensalidades dos Irmãos em dia e não se importam com os relatórios obrigatórios e as prestações de contas.
Quando, como Hospitaleiros, não estão atentos aos problemas de saúde e dificuldades dos Irmãos da Loja. Quando constatamos que em grande número de Lojas, com uma freqüência média de vinte Irmãos, se recolhe um tronco de beneficência de R$ 10,00 (dez reais) em média, todos são desnecessários, pois a benemerência é um dever do Maçom.
Quando, como Chanceleres, não dão importância aos natalícios dos Irmãos, cunhadas, sobrinhos e de outras Lojas. Quando, em desacordo com as leis, adulteram as presenças, beneficiam Irmãos que faltam e não merecem esse obséquio.
Quando a Instituição programa uma Sessão Magna Pública para homenagear alguém ou alguma entidade pública ou privada, constata-se a presença de um número irrisório de Irmãos, dando aos profanos uma visão negativa da Ordem, deixando constrangidos aqueles que se dedicaram e se esforçaram para realizar o evento à altura da Maçonaria. Todos esses Irmãos indiferentes, que não comparecem habitualmente a essas Sessões, são desnecessários à nossa Ordem.
Muito mais haveria para se dizer em relação aos Irmãos desinteressados da nossa Sublime Instituição. Fiquemos por aqui e imploremos ao Grande Arquiteto do Universo que ilumine cada um de nós, pra que possamos agir na Maçonaria com o verdadeiro Espírito Maçônico e não com o espírito profano, e roguemos ainda, que em nenhuma circunstância, seja na família, no trabalho, na sociedade ou na Arte Real, tornemo-nos desnecessários, pois deve ser muito triste e frustrante para qualquer um sentir-se sem importância e sem utilidade no meio em que se vive.
quarta-feira, 12 de agosto de 2020
TELHAMENTO
TELHAMENTO
(republicação)
Em 20/11/2015 o Respeitável Irmão Jaime Pedrassani, Loja Sophia, nº 60, GLMERS, sem declinar o nome do Rito, Oriente (Cidade) e Estado da Federação, formula a seguinte questão: lubec@terra.com.br
Aprecio sobremodo suas respostas e considerações veiculadas no "Consultório Maçônico" da revista "A Trolha". Na edição nº 349 - novembro/2015, ao tratar do "Telhamento e à Ordem", está escrito, ao final, "Retomando a questão. Após o protagonista...", causou-me certa estranheza o fato de o telhamento ser feito após a admissão da visita no interior do Templo? A principal finalidade do telhamento não é de se evitar o ingresso e consequente participação nos trabalhos? O que acontecerá se não lhe for concedido um lugar entre os presentes? E a Palavra Semestral, para que serve? E as credenciais maçônicas, não são exigidas? E o Cobridor Externo para que serve? Em minha Loja, a SOPHIA Nº 60 da GLOJARS, quando se tratar de uma visita desconhecida de todos, o procedimento é executado na Secretaria perante o Venerável Mestre, o Guarda da Lei e Cobridor Externo. Inicialmente, são solicitadas as credenciais maçônicas, a Palavra Semestral e então faz-se o telhamento. Na eventualidade de a Sessão já ter iniciado, o procedimento é feito pelo Cobridor Esterno. Para sua apreciação.
CONSIDERAÇÕES:
O telhamento (De onde vindes?...) ao qual eu me referi naquela questão é aquele que segue a entrada formal em Loja (Marcha do Grau) e posterior saudação às Luzes. Nesse sentido ele é um procedimento litúrgico protocolar para ingresso de um retardatário conhecido ou devidamente reconhecido, cuja configuração está prevista para esse momento no Ritual de Aprendiz do REAA em vigência do GOB, de onde, eu acredito, pertença o consulente relacionado àquela resposta publicada em novembro de 2015.
Como a entrada formal é composta pela Marcha e pelo respectivo interrogatório, obviamente que essas práticas têm que ocorrer no interior da Sala da Loja.
No caso de um obreiro desconhecido, obviamente ele passará primeiro pelo telhamento completo - Sinal, Toque, Palavra Sagrada, Semestral e outros procedimentos necessários - e será realizado em recinto discreto; ou pelo Cobridor Externo (estando presente do Átrio) ou tradicionalmente pelo Segundo Experto que ainda conduzirá as credenciais pertinentes para exame do Orador.
Por fim, nesse caso estando tudo nos conformes, dar-se-á então a entrada formal conforme os procedimentos de costume (pela Marcha e o interrogatório simbólico).
Não obstante as inúmeras situações que possam advir, não estranhe meu Irmão. O primeiro caso – da resposta na Trolha – é o telhamento simbólico como a praxe dos costumes e orientados pelo Ritual, já no caso de um retardatário desconhecido, obviamente ele será examinado pelos caráteres das tradições maçônicas em geral e do Rito em particular.
Os procedimentos relativos, além dos imemoriais e universalmente aceitos na Ordem, geralmente também possuem particularidades orientadas pelos Regulamentos da Obediência a qual pertence à Loja.
T.F.A.
PEDRO JUK – jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 2.120 – Florianópolis (SC) –sexta-feira, 22 de julho de 2016
MINUTO MAÇÔNICO
CORDA COM NÓS
1º - Símbolo maçônico com várias interpretações e de acordo com o número de nós. Quando em número de sete, os nós representam as Artes ou Ciências Liberais; em número de doze, figuram os signos do zodíaco e, em número de 81, simbolizam a União e a Fraternidade.
2º - A Corda de 81 nós é, portanto, o emblema simbólico da União e da Fraternidade maçônicas que abrangem a todos os Maçons do mundo.
3º - A Corda percorre o friso do Templo da Loja, tendo uma borla em cada uma de suas extremidades que terminam no portal do Templo.
4º - De distância em distância existem nós que são chamados “laços de amor”.
5º - Primitivamente, estas cordas com “laços de amor” eram desenhadas no pequeno paralelogramo, traçado no chão, com giz ou carvão, que constituía então o Painel da Loja e que, posteriormente, foi substituído pelo “tapete”.
Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br
HUMILDADE X ORGULHO
HUMILDADE X ORGULHO
Repasse: Ir∴ Fernando Marini Köpp A∴M∴ A∴R∴L∴S∴ Discípulos da Verdade no 131
Or∴ Ponta Grossa
Você já deve ter ouvido muitas vezes a palavra humildade, não é mesmo? Essa palavra é muito usada, mas nem todas as pessoas conseguem entender o seu verdadeiro significado. O termo humildade vem de húmus, palavra de origem latina que quer dizer terra fértil, rica em nutrientes e preparada para receber a semente. Assim, uma pessoa humilde está sempre disposta a aprender e deixar brotar no solo fértil da sua alma, a boa semente. A verdadeira humildade é firme, segura, sóbria, e jamais compartilha com a hipocrisia ou com a pieguice. A humildade é a mais nobre de todas as virtudes pois somente ela predispõe o seu portador, à sabedoria real. O contrário de humildade é orgulho, porque o orgulhoso nega tudo o que a humildade defende. O orgulhoso é soberbo, julga-se superior e esconde-se por trás da falsa humildade ou da tola vaidade. Alguns exemplos talvez tornem mais claras as nossas reflexões. Quando, por exemplo, uma pessoa humilde comete um erro, diz: "eu me equivoquei", pois sua intenção é de aprender, de crescer. Mas quando uma pessoa orgulhosa comete um erro, diz: "não foi minha culpa", porque se acha acima de qualquer suspeita. A pessoa humilde trabalha mais que a orgulhosa e por essa razão tem mais tempo. Uma pessoa orgulhosa está sempre "muito ocupada" para fazer o que é necessário. A pessoa humilde enfrenta qualquer dificuldade e sempre vence os problemas. A pessoa orgulhosa dá desculpas, mas não dá conta das suas obrigações e pendências. Uma pessoa humilde se compromete e realiza. Uma pessoa orgulhosa se acha perfeita. A pessoa humilde diz: "eu sou bom, porém não tão bom como eu gostaria de ser". A pessoa humilde respeita aqueles que lhe são superiores e trata de aprender algo com todos. A orgulhosa resiste àqueles que lhe são superiores e trata de pôr-lhes defeitos. O humilde sempre faz algo mais, além da sua obrigação. O orgulhoso não colabora, e sempre diz: "eu faço o meu trabalho". Uma pessoa humilde diz: "deve haver uma maneira melhor para fazer isto, e eu vou descobrir". A pessoa orgulhosa afirma: "sempre fiz assim e não vou mudar meu estilo". A pessoa humilde compartilha suas experiências com colegas e amigos, o orgulhoso as guarda para si mesmo, porque teme a concorrência. A pessoa orgulhosa não aceita críticas, a humilde está sempre disposta a ouvir todas as opiniões e a reter as melhores. Quem é humilde cresce sempre, quem é orgulhoso fica estagnado, iludido na falsa posição de superioridade. O orgulhoso se diz céptico, por achar que não pode haver nada no universo que ele desconheça, o humilde reverencia ao criador, todos os dias, porque sabe que há muitas verdades que ainda desconhece. Uma pessoa humilde defende as idéias que julga nobres, sem se importar de quem elas venham. A pessoa orgulhosa defende sempre suas idéias, não porque acredite nelas, mas porque são suas. Enfim, como se pode perceber, o orgulho é grilhão que impede a evolução das criaturas, a humildade é chave que abre as portas da perfeição. Pense nisso! Você sabe por quê o mar é tão grande? Tão imenso? Tão poderoso? É porque foi humilde o bastante para colocar-se alguns centímetros abaixo de todos os rios. Sabendo receber, tornou-se grande. Se quisesse ser o primeiro, se quisesse ficar acima de todos os rios, não seria mar, seria uma ilha. E certamente estaria isolado. Pense nisso!
terça-feira, 11 de agosto de 2020
CUMPRIMENTO AO DELTA
CUMPRIMENTO AO DELTA
(republicação)
(republicação)
Em 24/11/2015 o Respeitável Irmão Tarcísio Alcantara, Loja
Acácia do Vale, REAA, GOB-MG, Oriente de Salinas, Estado de Minas Gerais, solicita
esclarecimento.
tarcisioalcantara@yahoo.com.br
Venho mais uma vez solicitar a sua ajuda para sanar uma dúvida. Existe um manual de ritualística (GOB MG) que orienta os Irmãos a cumprimentarem o Delta, com uma parada ao cruzar a linha do Equador. O Irmão já manifestou a sua opinião no sentido de que tal procedimento não existe no REAA. Pesquisei vários rituais e em nenhum deles consta este cumprimento. Já comentei com o Venerável da Loja que como não consta no ritual, a tal parada não deve ser executada, mas o argumento é que sempre foi feito desta maneira. O Irmão poderia me informar de onde copiaram, certamente por "achar bonito", este procedimento ou me indicar uma literatura onde possa encontrar a resposta?
CONSIDERAÇÕES:
Até onde eu sei o Art. 5º do Decreto 1.102 de maio de 2009
do Grão-Mestre Geral ainda não foi revogado. Diz o dito no artigo citado: “Art.
5º Este Decreto entra em vigor na data da sua publicação revogada todos os
Manuais de Dinâmica Ritualística e as disposições em contrário”.
Sob esse aspecto, a existência de qualquer Manual a meu ver
é ilegítimo, além do quê essa prática (de saudar o Delta) não está prevista no
Ritual em vigência do GOB, portanto inexistente.
Essa “estória” de justificar que foi sempre feito assim é desculpa capenga e desrespeito ao que está previsto no Ritual – o que valeria mais, o Ritual ou o um Manual?
No tocante a história dessa saudação, ela é inexistente no REAA desde as alterações sofridas na topografia do Templo na França por ocasião da extinção das Lojas Capitulares.
Explico superficialmente: antes do aparecimento dessas Lojas (ver a sua história), não existia no simbolismo escocês desnível entre o Oriente e o Ocidente e nem mesmo a balaustrada. Na verdade o costume acompanhava a tradição “antiga” que foi trazida para a França por maçons egressos das Lojas Azuis norte-americanas, cuja prática maçônica do Craft se baseava - e se baseia até o presente - nos “Antigos” de 1.751 da Maçonaria inglesa (ver a organização da Maçonaria norte-americana por Thomas Smith Web e o Ducan’s Ritual).
Nesse sistema, o do Craft (inglês e norte-americano), o nível do piso da sala da Loja é um só, destacando-se apenas a elevação por três degraus para o sólio. Em síntese, sem a demarcação de um espaço específico para o Oriente, já que na vertente inglesa da Maçonaria o Leste se resume àquilo que estiver posicionado junto e imediatamente à frente da parede oriental, e é só.
Dados esses pormenores, o primeiro ritual do REAA foi elaborado na França em 1.804, justamente por maçons franceses oriundos dos Estados Unidos da América do Norte acostumados à prática maçônica dos “Antigos”, sistema esse desconhecido na França de então, pois em solo francês apenas se praticava a maçonaria dos “Modernos” oriundos da Primeira Grande Loja em Londres de 1.717.
Assim os primeiros rituais simbólicos do escocesismo se fundamentavam na disposição antiga (daí o termo antigo no seu título), isso antes do aparecimento das já mencionadas Lojas Capitulares por volta da primeira década do Século XIX. Nesse sentido é que na prática ritualística inicial do simbolismo escocês, sem desnível e demarcação do Oriente, havia o costume de, durante a circulação, ao se atravessar o eixo (equador) do Templo estando o protagonista bem próximo ao Delta (em frente do Venerável), o protagonista saudava pelo Sinal o símbolo ternário. Alguns rituais da época, inclusive orientavam essa saudação sempre que se atravessasse o eixo, em se estando próximo ou distante do Oriente.
Com o aparecimento das Lojas Capitulares que envolviam os
Graus do simbolismo até o Capítulo (18º), a circulação em Loja - devida à
característica do desnível e da demarcação do Oriente - ficaria agora restrita
apenas ao Ocidente do recinto, reservando-se a saudação ao Delta apenas àquele
que entrasse ou saísse do espaço oriental e não mais ao se cruzar o eixo.
Com a posterior separação do simbolismo do sistema capitular (as coisas voltavam ao seu lugar), acabou permanecendo o caráter de se elevar e demarcar o Oriente tal como ele é conhecido até hoje. Assim a circulação em Loja continuou restrita apenas ao Ocidente e, a saudação ao Delta, nesse caso, passaria a ser destinada somente ao Venerável Mestre quando da entrada ou saída do quadrante oriental.
Desse modo o antigo costume de saudação ao Delta quando da transposição do eixo (equador), hábito adquirido anterior ao aparecimento das Lojas Capitulares, acabaria mais tarde por se tornar anacrônico na maioria dos rituais simbólicos do REAA ao ponto dela não mais existir.
Concluindo, eu recomento ao pesquisador que é primordial o conhecimento dos fatos que envolveram historicamente a Maçonaria inglesa e francesa a partir do Século XVIII – deles os Antigos e os Modernos, o simbolismo do REAA a partir do Segundo Supremo Conselho na França e o primeiro ritual de 1.804, bem como a distinção entre os dois sistemas principais da Moderna Maçonaria. Só assim o estudante chegará à conclusão dos fatos e dos porquês, mesmo que sejam eles restritos simplesmente à saudação ao Delta.
T.F.A.
PEDRO JUK – jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 2.118 – Florianópolis (SC) –
quarta-feira, 20 de julho de 2016
QUEM SOMOS?
QUEM SOMOS?
Ir∴ Ricardo Martinez
Antes se dizia Secreta ,depois Discreta e agora "Quem Somos"????
José Antonio Ferrer Benimeli, um estudioso da maçonaria na atualidade, fala-nos da dificuldade em definir esta sociedade de maneira precisa, abrangendo-a em toda a sua extensão. Ao destacar os inúmeros desvios, abusos e subdivisões surgidas no interior da instituição, o autor ressalta que “nem sequer se pode falar de uma maçonaria única, dados os seus múltiplos ritos, obediências e fins diametralmente opostos, embora se sirvam de uma terminologia e de uma forma de organização idênticas”.Frente a estas observações, Eliane Colussi conclui ser mais coerente, historicamente, falar em “maçonarias”.
Todos batem no peito e dizem que são Maçons. Muitos corruptos buscam a Maçonaria para se blindarem e para ganharem "irmãos" (corruptores)
.
O que falamos dos "Irmãos" que fazem os seus juramentos mas esquecem e apenas servem a seus propósitos e de outros IIR que iniciaram na ordem e se desvirtuaram?
E o que isso tem em relação a data de Dia 16 de Agosto de 2015?
Na data de 16 de agosto muitos Maçons saíram às ruas brasileiras com roupas do Movimento Maçons BR e pediram o fim da Corrupção, o fim do Governo Dilma, maior representação popular, punição aos corruptos e várias outras bandeiras de luta.
Esquecem que dentro da Maçonaria há os mesmos problemas que acontecem na política brasileira.
O questionário a ser vivenciado na vida real mostra o seu lado sombrio lastreado de perseguições, empatias, inveja, intolerância, arrogância, prepotência, crimes de variadas espécies tudo ocorrente dentro da Ordem Maçonica. Alguns ficando impunes na Justiça interna e outros saindo e sendo resolvidos no Judiciário Profano.
Cansamos de ver relatos de Maçons em todo o Brasil denunciando casos de Corrupção e escândalos diversos envolvendo Maçons de variadas potências Maçônicas, Lojas Maçonicas, Orientes Maçonicos entre outros meios.
Se todos seguissem devidamente os Juramentos que fizeram perante a Maçonaria e não deixassem o Mundo Profano dominar a essência Maçônica nada dos ocorridos teriam de fato acontecido.
Na atualidade mais desconhecemos ,que reconhecemos.
Fonte: facebook
segunda-feira, 10 de agosto de 2020
SESSÕES NO MESMO DIA
SESSÕES NO MESMO DIA
(republicação)
Sessões no mesmo dia Em 20.11.2015 o Respeitável Irmão Morel Marques Andrade, Loja Luz e Liberdade, 1191, REAA, GOB, Oriente de Morrinhos, Estado de Goiás, solicita o esclarecimento seguinte: leromma@yahoo.com.br
Se a Loja for alterar o Regimento Interno e o Estatuto, pode-se ter sessão ordinária de aprendiz e extraordinária (de mestre) para aprovação no mesmo dia, fazendo as transformações de Graus?
CONSIDERAÇÕES:
Eu não sei bem se essa é uma questão de alteração do Regimento Interno ou do Estatuto da Loja, já que é consuetudinário, desde que justificável, em Maçonaria a alternativa do Venerável marcar outra sessão fora do calendário (outra data) em caso de necessidade premente.
Quanto à transformação da Loja para outro Grau na mesma sessão, penso que é possível já que existem os procedimentos litúrgicos para essa transição, inclusive previstos nos rituais de Companheiro e de Mestre.
Sob essa óptica, eu vejo a qualificação como “transformação de Loja” e não uma “Sessão Extraordinária”. Trocando em miúdos, essa mudança de Grau é feita numa mesma sessão e não a abertura da Loja noutro Grau no mesmo dia em que os trabalhos transcorrem normalmente.
T.F.A.
PEDRO JUK – jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 2.116 – Florianópolis (SC) – segunda-feira, 18 de julho de 2016
domingo, 9 de agosto de 2020
FOTO MAÇÔNICA DE DOMINGO
Por Géplu
Foi Christophe quem nos enviou esta foto e este comentário:
Aqui está uma foto tirada neste verão da Catedral Storkyrkan de Estocolmo, acima de uma porta lateral de frente para o Palácio Real.
A Storkyrkan (que literalmente significa a grande igreja), ou a Igreja de São Nicolau (Sankt Nikolai kyrka), também Catedral de Estocolmo, é a segunda igreja mais antiga de Estocolmo, na Suécia. É uma igreja luterana protestante desde 1527, sede da diocese de Estocolmo.
Surge uma pergunta para o jovem companheiro que sou: quem da igreja ou da Maçonaria usou pela primeira vez um certo número de nossos símbolos, como este triângulo ...
Christophe,
Esse triângulo que os maçons chamam de Delta Luminoso e que geralmente contém um olho em seu centro (aqui é uma janela que deixa a luz entre eles) é um símbolo muito mais antigo que sua recuperação pelos maçons e Católicos, uma vez que já existiam em quase todas as civilizações antigas e suas mitologias: índios, celtas, egípcios e sempre com mais ou menos o mesmo significado: o divino está lá e vigia você!
A Igreja Católica usou, principalmente no século XVIII, esse símbolo que chama de Olho da Providência. Enquanto na Maçonaria liberal muitos concordam em vê-la como olho da consciência e "conhecer a si mesmo" em um triângulo que evoca o Maçônico Ternário, na iconografia católica representa o olho de Deus em o triângulo da Santíssima Trindade. Deus vê tudo ... (o olho estava no túmulo e olhou para Caim ...)
Muitas imagens deste delta nas igrejas (ou em outros lugares) já foram incluídas nesta coluna da foto do domingo maçônico. Digite "Luminous Delta" ou "Eye" no mecanismo de pesquisa, no canto superior direito da página, e você encontrará muitos deles.
Se você também estiver perto de sua casa ou em uma viagem e perceber um prédio, um objeto maçônico ou uma decoração ou uma decoração semelhante a alvenaria, não hesite em nos enviar fotos com algumas explicações.
Esses "depoimentos" são muito populares entre os leitores do blog. (tradução livre)
Fonte: Blog hiram.be
ENTRADA NO ORIENTE
ENTRADA NO ORIENTE
(republicação)
Em 20/11/2015 o Respeitável Irmão Carlos Edilson Ferreira, Loja União e Trabalho VI, 2.254, REAA, GOB, Oriente de Paulínia, Estado de São Paulo, solicita esclarecimentos. carlos.ferreira@intercomr.com.br
Mais uma vez recorro aos seus conhecimentos para esclarecimentos, desta vez, quanto à entrada no Oriente. Nosso atual Mestre de Cerimônias tomou por base que ao entrar no Oriente deve-se ficar à Ordem, executar o Sinal (1ª vez), voltar a Ordem e aguardar o Venerável Mestre autorizar sua entrada definitiva no Oriente, desfazendo-se desta forma o Sinal (2ª vez) iniciando sua caminhada. "Todos" Irmãos estranharam tal atitude, pois nunca haviam visto isso em nenhuma outra Sessão e nenhuma outra Loja, somente um Irmão que já pertenceu a uma Loja de Belo Horizonte, disse ter visto. Quando indagado, disse que está cumprindo o que determina o Ritual. Sendo assim, então, surgiu a dúvida: qual a forma correta de se entrar no Oriente? O Mestre de Cerimônias está correto ou seria mais uma questão de interpretação do Ritual? Conto mais uma vez com seu precioso conhecimento e aguardo vosso retorno agradecendo antecipadamente.
CONSIDERAÇÕES:
Pura invenção daquele que assim procede, bem como daquele outro que disse que já viu essa barbaridade ritualística.
Em lugar nenhum do Ritual está previsto que um Irmão em deslocamento para o Oriente, necessite antes de autorização do Venerável para ali ingressar e, por extensão de lá sair. Tenha a “santa paciência”. São absurdos desse quilate que fazem da nossa Maçonaria um palco de invencionices e um criadouro de dinossauros.
Ora, se o termo inserido na instrução do Ritual “(...) e volta à Ordem novamente.” está causando todo esse frenesi por conta dessa interpretação equivocada, que me perdoem os inventores e os interpretes do absurdo, mas o ato de se voltar à Ordem novamente é explicativo para os momentos de instrução sobre o Cobridor do Grau e não como um ato litúrgico necessário para se ingressar no Oriente.
Essa então de aguardar o Venerável autorizar a entrada não merece nenhum comentário mais.
É como o saudoso Irmão José Castellani parafraseando Eça de Queirós, dizia: essa é mesmo d’scrachar.
Não deveria, mais vou repetir para que os inventores compreendam:
O Obreiro em deslocamento e com as mãos livres, assim que ingressar no Oriente (o limite é a linha da balaustrada), saúda o Venerável pelo Sinal. Ato seguido e de imediato ele prossegue no seu deslocamento. A mesma atitude será tomada quando o protagonista estiver saindo do Oriente (pela linha da balaustrada). Na hipótese de estar o protagonista com a(s) mão(s) ocupada(s) ele fará uma parada rápida e formal (sem inclinação do corpo ou maneio com a cabeça).
Já que a questão é esclarecer, ratifico que a Saudação pelo Sinal é feita ao se ingressar no Oriente sempre com a mão, ou mãos se for o caso; que se ingressa no Oriente pelo Norte e dele se sai pelo Sul; que em retirada do Oriente o protagonista vira-se antes para o Venerável para saudá-lo e, por fim, não existe nenhuma prática que mencione primeiro a autorização do Venerável Mestre para se ingressar (ou sair) no (ou do) Oriente.
Desculpe-me pela irreverência meu Irmão, ela não foi destinada para vossa pessoa, mas para os que inventam procedimentos - extensiva também aos que ainda por cima “os acham bonito”.
T.F.A.
PEDRO JUK – jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 2.113 – Florianópolis (SC) - sexta-feira, 15 de julho de 2016
PÍLULAS MAÇÔNICAS
MISTICISMO
O conjunto de atos e disposições, tendo por finalidade a obtenção da comunhão com o Ser Supremo (na Maçonaria conhecido como G∴A∴D∴U∴) regulador e criador de tudo que no mundo existe, é denominado de MISTICISMO.
Na procura dessa união intima com a Divindade, Absoluta e Onipotente, é montado um sistema complexo especulativo de atos e padrões baseados principalmente nas religiões antigas e nas Ordens Iniciáticas de cunho religioso, que ocuparam espaço nas diversas civilizações antigas.
Desse modo está intimamente ligado com Metafísica, com a Religião (Teologia), com a Mitologia e até mesmo com a Astrologia.
A Maçonaria possui seu lado místico, praticado em seus ritos e rituais, apesar de não ser uma religião e nem uma Ordem Mística.
Não deve ser confundida com Esoterismo ou com Exoterismo (vide Pílula Maçônica nº 44) cujas definições estão abaixo:
- ESOTÉRICO:
1) diz-se do ensinamento que, em escolas filosóficas da antiguidade grega, era reservado aos discípulos completamente instruídos.
2) todo ensinamento ensinado a circulo restrito e fechado de ouvintes.
3) diz-se de ensinamento ligado ao ocultismo.
4) compreensível apenas por poucos; obscuro; hermético.
- EXOTÉRICO:
Diz-se do ensinamento que, em escolas filosóficas da antiguidade grega, era transmitido ao publico sem restrição, dado o interesse generalizado que suscitava e a forma acessível em que podia ser exposto, por se tratar de ensinamento dialético, provável, verossímil.
Fonte: pilulasmaconicas.blogspot.com
O CONCEITO FILOSÓFICO DE TEMPO
O CONCEITO FILOSÓFICO DE TEMPO E A RÉGUA DE 24 POLEGADAS
Luiz Franklin de Mattos Silva[1]

A Questão do Tempo
A maioria das pessoas, lógico supor, admite uma compreensão intuitiva do tempo. Pra essa maioria o tempo é algo ao mesmo tempo cotidiano, empírico, científico, fácil e complexo, poético e assustador, sentimental ou frívolo.
Falamos do ontem, do hoje e do amanhã. Referenciamos no passado de nossas vidas, para hoje planejarmos e pensamos no futuro de nossas famílias. Enfim, existe um tempo que passa ao mesmo tempo em que outros passam o tempo.
Para muitos o passado como tempo é história e o futuro especulação. O hoje e o agora não existem, sendo apenas uma referência de segundos entre o passado e o futuro.
Deus é, diriam alguns, logo não existe passado ou futuro na mente de deus. Talvez por isso Santo Agostinho tenha escrito em suas Confissões: “O que é o tempo? Se ninguém pergunta, sei o que ele é; mas se alguém me pergunta e tento explica-lo, já não sei mais.” (SANTO AGOSTINHO, 1997).
Poderíamos, partindo da premissa acima, considerar que o tempo é algo ou objeto de difícil definição, podendo apresentar diversos conceitos e abordado de formas diferentes, dependendo do ramo da ciência, seja arte, geometria, biologia, astronomia, matemática, física, sociologia e filosofia.
Não se pretende neste artigo uma abordagem sobre cada um desses aspectos, mas apenas demonstrar que o simbolismo da régua de 24 polegadas, em especial no Rito de York, possui profunda atualidade filosófica sobre o que concerne ao tempo.
A Régua de 24 polegadas na Maçonaria
A primeira observação que fazemos é quanto às características básicas da régua, um instrumento simples, milenar, que nos ensina, de uma forma mais simples ainda, o caminho direto entre dois pontos, dois destinos. Com a régua medimos um seguimento do infinito. Uma parte de nossa vida. A retidão que buscamos.
Após a cerimônia de iniciação maçônica, no primeiro grau da Ordem, o Aprendiz Maçom recebe uma régua, ou é instado a pensar sobre a utilidade de “uma régua de 24 polegadas”, que, devidamente dividida em três partes iguais, deve remetê-lo a adequar a utilização do tempo cotidiano. A Maçonaria a adota porque simboliza o dia com suas vinte e quatro horas, exigindo dos maçons uma adequada utilização das horas do dia.
No campo maçônico a graduação nela colocada de vinte e quatro polegadas, serve para mensurar o tempo, as vinte e quatro horas do dia, em que o homem deve distribuir suas atividades. No Rito de York, a “cautela” ganha importância na vida do maçom. Associar, portanto, a cautela à régua de 24 polegadas nos parece ser um bom caminho para explorarmos o conceito de tempo.
Um maçom deve usar, no cotidiano de sua existência, as 24 polegadas como representação de 24 horas, divididas em três partes de 8 horas: descanso, trabalho e sociabilidade.
Assim, deve de certa forma dividi-las entre suas atividades matinais, nem sempre realizadas, como sua primeira refeição diária, às vezes esquecida. Outras horas dedicadas ao seu trabalho; à necessária recreação, muitas das vezes não considerada; suas reflexões, em geral pouco ou mal aproveitadas; e o merecido repouso, como nos prega a mensagem maçônica. E as outras oitos horas servindo a deus ou a algum necessitado.
Filosoficamente, poderíamos dizer tratar-se de um caminho entre a norma e a ordem, entre o que se quer fazer e o que se deve fazer, entre o passional e o racional, entre a direção da ponta do malho ao topo do cinzel. Indica a própria construção do homem, a lapidação de sua forma mais bruta em busca da perfeição (RAGON, 2005).
O exercício na separação de cada tempo, dando o ritmo necessário para cada etapa, faz com que o homem evolua, cresça, se realize e desenvolva habilidades que de outra forma poderia pensar ser impossível realizá-las.
A constante assertiva de muitos maçons contemporâneos de que “não tem tempo”, quer para ir à Loja ou realizar atividades de filantropia, demonstra uma não utilização dos princípios maçônicos sobre a administração do tempo (ALCÂNTARA FILHO, 2012).
Segundo os conceitos filosóficos do simbolismo maçônico, “tempo obtido” seria uma vitória pessoal, inigualável, uma capacidade de autogestão, ou a pura demonstração da vontade, de responsabilidade e do reconhecimento de si própria. Um caminho que se propõe reto é íntegro e honesto. Cada nova ação proposta deverá ser bem estudada, analisada, e, para ser edificada, basta incluí-la nos intervalos de cada ponto de nossa régua, utilizando para isso os princípios éticos que envolvem a liberdade, a igualdade e a fraternidade (BAYARD, 2004).
No campo simbólico, junto ao malho e o cinzel, a régua forma um conjunto de ferramentas ou instrumentos que devem ser usados pelo Aprendiz em seu trabalho, como Rito Escocês Antigo e Aceito. Já no Rito de York, mais antigo que esse, a régua de 24 polegadas está associada ao “martelo de corte”, um instrumento muito mais apropriado ao trabalho no “desbastar” da Pedra Bruta.
De qualquer forma, a régua era usada pelos maçons operativos, àqueles que remontam das lendas míticas aos construtores de templos, para executar um trabalho de precisão na construção, medindo, delineando, ajustando o traçado ou limites do corte de uma determinada pedra para uma construção específica.
O Tempo: Primeiros Conceitos
Aristóteles (1995), em sua obra “Physique IV, Tratado do Tempo”, faz uma reflexão sobre a realidade física do tempo, aquela que é medida pelos relógios, dando inclusive a impressão que descarta o tempo psicológico, demonstrando que o tempo é uma ilusão. Para ele, o momento presente, como “instante”, não pode existir para o homem, pois não pode ser percebido instantaneamente, como no sonho (BURNET, 1994).
Ele formula uma questão-chave: “O tempo poderia existir sem a alma e o pensamento, que são os verdadeiros sujeitos de toda a medição? (218b)”. Depois de uma análise desta questão, ele mesmo formula a resposta afirmando que isso poderia ser válido para todas as coisas, menos para o tempo e o movimento. As respostas acima seriam analisadas séculos depois por Santo Agostinho. Mas, retornando a Aristóteles, podemos ressaltar a definição de seu objeto: “O tempo, se não é o próprio movimento, é seu número calculado, isto é o resultado da medição” (219). Assim ganhamos consciência do tempo pelo fato do movimento representar uma sucessão contínua, definida como um antes e um depois, ou seja, “O tempo é o número do movimento conforme o antes e o depois” (219b).
Lógico que já evidenciamos esses conceitos aristotélicos no simbolismo da régua de 24 polegadas, no sentido de podermos medir numericamente um espaço de movimento menor (ciclo de oito horas) durante um dia (três ciclos de oito horas).
Analogamente, no item 223-b da mesma obra, Aristóteles diz que “a locomoção circular (o movimento dos astros no céu) é a melhor medida, porque seu número é o mais conhecido”, o que também remete a simbolismo maçônico, do Rito Escocês.
Heidegger (2012), ao citar Platão, afirmou que o tempo nasceu quando um ser divino colocou ordem e estruturou o caos primitivo. O tempo tem, portanto, de acordo com Platão, uma origem cosmológica. Ele procura estabelecer a distinção entre o "ser'' e o "não ser''. O mundo do "ser'' é fundamental e não está sujeito a mutações. Ele é, portanto, eternamente o mesmo. Este mundo, entretanto, é o mundo das ideias, apreensível apenas pela inteligência e pode ser entendido utilizando-se a razão. O mundo do “não ser’’ faz parte das sensações, que são irracionais, porque “dependem essencialmente de cada pessoa” (LUCE, 1994).
O domínio do tempo estaria nesse segundo mundo, assim como tudo o que se observa no universo físico, tendo assim uma importância menor. Talvez possa ser dito que para Platão o tempo essencialmente não existe, uma vez que faz parte do mundo das sensações.
O Tempo da Alma
Platão, em Timeu, afirma que o “deus quis que todas as coisas fossem boas”. Portanto, para ele, esse deus:
[...] teve a ideia de criar uma espécie de imagem móvel da eternidade, e, enquanto organizava o céu, criou à semelhança da eternidade imutável em sua unidade, uma imagem em eterna evolução, ritmada pelo número; e é isto que chamamos de tempo. À constituição do tempo, ele combinou o nascimento dos dias, das noites, dos meses e do ano (Platão. Timeu e Critias ou Atlântida, 2002).
Esses princípios mostram a universalidade do ensino simbólico da Maçonaria, em especial na régua de 24 polegadas, pois o ciclo se repete, a cada 8 medições numéricas, num ciclo ininterrupto de 3 medições. Ou seja, a cada hora, a cada dia, mês e ano. Enfim, a régua e os conceitos platônicos nos remetem a nossa própria vida e eternidade.
Santo Agostinho (op. cit) oferece-nos outra reflexão sobre o tempo onde ele opõe a eternidade imóvel num eterno presente e o tempo que passa. Para ele o “Verbo” eterno é o criador de todos os tempos em que a criação pode ocorrer. E no capítulo XIII afirma que não havia tempo antes que o tempo existisse, mostrando que o futuro não existe ainda, o passado já não existe mais e presente vai desaparecer a medida que o tempo avança, sendo portanto efêmero.
Outra contribuição de Agostinho é que do tempo “psicológico” de Aristóteles constrói a ideia de tríade:
[...] passado-presente-futuro que não existem em atos, mas nas representações de nossas mentes, e se existem nas representações de nossas mentes, eles o fazem na forma presente, pois é no presente que concebemos ou imaginamos o futuro e nos recordamos do passado (cap. XVII)”. (ABRÃO & COSCODAI, 1999).
A humanidade tem necessidade de medir o que ela concebe como tempo. A régua de 24 polegadas expressa essa necessidade. Portanto, deve ser dividida em 3 partes iguais, pois aqui o tempo se apresenta como número e, como todos os números, indicando quantidade – quer de tempo ou de horas – não passa de um produto prático de pensamento.
Considerações Finais
A natureza do tempo tem sido um dos maiores problemas desde a antiguidade, quer no que concerne a medição, passagem, fluidez, linearidade ou circularidade, se divino, cósmico ou meramente físico.
Acredita-se cada vez mais que ele é uma das propriedades gerais do pensamento humano ou uma se suas exterioridades e que, para a compreensão e entendimento de nossa humanidade, precisa ser dividido em três dimensões lineares: o passado, o presente e futuro.
Sabemos que devemos a máxima de “nunca nos banhamos duas vezes no mesmo rio” a Heráclito (1988), que é o filósofo da transformação e do movimento perpétuo. Conceito que reforça o princípio de que a divisão igual em 24 partes da régua, embora repetida cotidianamente pelos maçons, nunca terá o mesmo objetivo, pois se renova automaticamente, ao final de cada ciclo de 24 horas.
Mesmo sendo uma contraposição ao pensamento de Platão (op. Cit), que, ao defender um “ciclo mítico de eterno retorno”, onde o tempo era um movimento cíclico e assíduo, pois aquilo que acontecia no passado era repetido e retornava (VERNANT, 1992), a régua de 24 polegadas reafirma um conceito de que a repetição insensata de pensamentos e ações, diariamente, traz infortúnios.
Na perspectiva de Kant, o tempo é uma estrutura da relação do sujeito com ele próprio e com o mundo, uma forma “a priori” da sensibilidade, uma espécie de intuição pura e ao mesmo tempo, uma noção objetiva de observação e não extraído da experiência, ou seja, um dos limites para o conhecimento no plano da sensibilidade.
Independentemente do valor material, físico e matemático da medição do tempo, relacionando-o ao passado, presente ou futuro, a medida que o tempo se torna subjetivo ou psicológico, cada ser humano pode vivenciá-lo numa situação agradável, desagradável, lenta, rápida, penosa ou alegre. Conclui-se portanto que o homem, pela sua condição de mortal, é afetado por processos diferentes do que ocorrem no espaço infinito.
Há uma assertiva na Maçonaria brasileira de que “somos todos aprendizes”. Sendo assim, a régua de 24 polegadas, pelo menos teoricamente, nos acompanha sempre. Se seu simbolismo é usado junto com a nossa capacidade mental de reter acontecimentos e imagens passamos a ter uma condição fundamental para as características fundamentais da vida social, o que inclui obrigatoriamente a necessidade de “tempo” para nós mesmos e para nossas famílias.
Referências
ABRÃO, B.S.; COSCODAI, M.U. História da Filosofia. São Paulo: Nova Cultural, 1999.
ALCÂNTARA FILHO, N. Irmãos, Ajudai-me a Abrir Loja. São Paulo: Madras, 2012.
ARISTÓTELES. Physique IV, Traité du temps. Paris: Kimé, 1995.
BAYARD, J. P. A Espiritualidade da Maçonaria: da Ordem Iniciática Tradicional às Obediências. São Paulo: Madras, 2004.
BURNET, J. O Despertar da Filosofia Grega. Trad. M. Gama. São Paulo: Siciliano, 1994.
HERÁCLITO. Fragments et Témoignages, Les Présocratiques. Paris: Gallimard, 1988.
HEIDEGGER, M. Platão, o Sofista. São Paulo: Editora Forense Universitária, 2012.
LUCE, J.V. Curso de Filosofia Grega. Trad. M.G. Kury. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994.
PLATÃO. Timeu e Critias ou Atlântida. Rio de janeiro: Hemus Editora, 2002.
RAGON, J. M. Ritual do Aprendiz Maçom. 8ª Ed. São Paulo: Pensamento, 2005.
SANTO AGOSTINHO. Confissões. Rio de Janeiro: Editora Paulus, 1997.
VERNANT, J. P. As origens do Pensamento Grego. Trad.
I.B.B. da Fonseca. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 7ª ed., 1992
[1] Luiz Franklin de Mattos Silva é biólogo, Mestre em Zoologia pelo INPA e Doutor em Biologia de Água Doce pelo INPA/Roseinstel School of Marine Science. Mestre Instalado, é membro da Loja Maçônica “Acácia de York No. 52”, Sumo Sacerdote do Capítulo “York No. 40” de Maçons do Real Arco e Grande Secretário de Planejamento Estratégico do GOIRJ.
Fonte: https://bibliot3ca.com
sábado, 8 de agosto de 2020
PRIMEIRO VIGILANTE
PRIMEIRO VIGILANTE
(republicação)
Em 19/11/2015 o Respeitável Irmão Felipe Spir, Loja Lautaro, REAA, GOSC-GOB, Oriente de São Paulo, Estado de São Paulo, solicita esclarecimento.
felipe.spir@gmail.com
Na ausência do Venerável Mestre nos trabalhos, o Primeiro Vigilante assume. Pode ele presidir decisão da Loja a respeito de projetos a serem votados na Poderosa Assembleia? Ou tem que ser Mestre Instalado? Caso não possa como devem ser considerados os Trabalhos?
CONSIDERAÇÕES:
Por uma questão de prudência e bom senso o ideal, conforme a importância do assunto a ser discutido e votado, seria que estivesse presente o Venerável de Ofício.
Em tese, cada caso é um caso e precisa ser previamente e minuciosamente analisado.
Sob o ponto de vista legal dessa questão eu entendo (é a minha opinião, portanto não a considere laudatória) que se está legalmente previsto um substituto do Venerável pela sua ausência precária, ele (o substituto) teria normalmente competência para resolver assuntos sem a presença do titular.
Também nunca é demais lembrar que uma decisão oriunda de discussão e votação é declarada aprovada por maioria simples alcançada pelo exercício do voto dos integrantes do quadro da Loja e não exclusivamente do Venerável ou do seu substituto legal.
Quanto a vossa colocação no tocante ao título honorífico do Mestre Instalado isso não influi em nada, embora muitos queiram dourar a pílula dando poderes que genuinamente não existem para a categoria dos Instalados.
Ora, precisamos aprender que Instalação legitimamente é sinônimo de posse nesse caso, daí um Mestre Instalado é aquele que é empossado na cadeira do dirigente da Loja. Cumprido o seu tempo no mandato ele é simplesmente um Ex-Venerável que, por deferência ao cargo exercido, tem assento no Oriente, porém abaixo do sólio.
Insisto e repito: Mestre Instalado não é Grau em lugar algum do mundo. É sim um título distintivo.
Em se tratando do REAA, cuja instalação nos moldes como a conhecemos é produto de enxertia (já derramei rios de tinta escrevendo sobre o assunto), o Mestre Instalado nada mais é do que um Ex-Venerável que tem ainda o ofício de suprir a ausência precária do Venerável nas Sessões Magnas de Iniciação, Elevação e Exaltação isso porque o título é necessário para o uso da Espada Flamejante nas respectivas sagrações caso o substituto legal (Vigilante) não seja possuidor ainda do título de Mestre Instalado.
Assim, no que se reporta a vossa questão sobre ser um Mestre Instalado o substituto precário na ocasião, não faria diferença alguma.
Quanto à consideração “justa e perfeita” para a sessão, eu entendo que se o substituto foi legal e o Orador assim considerou ao ponto de ter deixado a sessão transcorrer até o seu final, não há o que discutir.
Dando por concluído, eu penso que a Loja deva antes prever situações que possam envolver discussões e dúvidas futuras como é o caso dessa questão. Como a prudência é a mãe de todas as virtudes, em se prevendo a possibilidade dessas situações, melhor mesmo é tentar antes de realizar a sessão se prevenir para evitar o aparecimento de fatos questionáveis no futuro.
T.F.A.
PEDRO JUK – jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 2.111– Florianópolis(SC) - quarta-feira, 13 de julho de 2016
A ORDEM DOS ESCUDEIROS
Por Ederson Velasquez
No congresso internacional da Ordem DeMolay de 2015 em Orlando, Flórida, o DeMolay Internacional oficializou pela primeira vez a Ordem dos Escudeiros.
O Processo para oficialização se deu através de anos de sua prática ainda não oficial pelo Supremo Conselho.
O que de fato acontecia, era que as jurisdições utilizavam os materiais já existentes, mas sem regulação ou materiais ‘oficiais’. Durante a reunião do Supremo Conselho e do “Board of Directors” (conselho de diretores) foi feito uma moção para aprovar a instituição como um corpo afiliado, aprovar seu ritual e sua identidade (emblema).
Agora, a Ordem dos Escudeiros (DeMolay Squires) é oficialmente regular em todo o mundo através do DeMolay Internacional.
Em breve a comissão de ritual e liturgia do SCODRFB irá apresentar o ritual adotado e suas modificações. Aos meus olhos, vejo que a Ordem dos Escudeiros vai ter um crescimento considerável com a regulamentação pelo DeMolay Internacional.
Fonte: http://soberanosideais.com.br
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