Páginas

PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

quinta-feira, 23 de abril de 2026

O MALHETE DO IMPERADOR DOM PEDRO I

Gustavo Barroso

O malhete maçônico do Imperador Dom Pedro I, fabricado em bronze dourado, apresenta as iniciais: “P. 1º.” gravadas em relevo. Dentro de uma Loja Maçónica, representa a autoridade. Acervo do Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro.
Um aspecto pouco conhecido de Dom Pedro I foi sua ligação com a Maçonaria, na qual adotava o nome simbólico de “Guatimozim”, Dom Pedro foi grão mestre da maçonaria e autor do Hino da Maçonaria no Brasil

A História de Dom Pedro I na Maçonaria começa no dia 02 de junho de 1822, na fundação do 'Apostolado da Nobre Ordem dos Cavaleiros de Santa Cruz', o príncipe regente recebeu o título de Arconte-Rei, conforme proposto por José Bonifácio.

No dia 22 de junho, assumiu a chefia da 'loja'. O Grande Oriente, chamou-o no dia 13 de julho do mesmo ano. E, no dia 16 de Julho foi eleito Mestre, conforme proposta de Gonçalves Ledo. Empossou-se como Grão-Mestre na mesma noite após o "grito do Ipiranga".

Aliás Quando D. Pedro I empunhou a espada e gritou o lema “Independência ou Morte”, que vem dos dizeres Maçônicos: "União e Liberdade , Independência ou Morte" realizava em público o que já havia sido resolvido nos subterrâneos. A Independência política já havia sido proclamada na Maçonaria, na sessão de 20 de agosto de 1822.

Diziam os do "Apostolado" que era influenciado pelo maçom José Bonifácio que defendia um governo aos moldes da Monarquia Maçônica Inglesa (A Azul): “Nós queremos a independência sob a forma de Regime Monárquico, enquanto o Grande Oriente do Brasil - influenciado pelo maçom Gonçalves Lêdo que defendia um governo aos moldes da República Maçônica Francesa (A Vermelha) - conspira para implantar a República”.

A 13 de Maio de 1822 a Maçonaria conferiu-lhe o título de defensor Perpétuo do Brasil. Pouco depois, no dia 2 de Agosto, era o príncipe recebido sob a "abóbada de aço" no Grande Oriente do Brasil, sob o pseudônimo maçônico de Guatimozim (Este nome foi escolhido em lembrança do último imperador azteca, vencido e supliciado por Cortez, mas considerado símbolo do estoicismo)

Ainda em 1822 José Bonifácio acusou o Grão Oriente de conspirar contra a Monarquia, e de articular um plano para matar Dom Pedro I e implantar uma República Brasileira.

Em 02 de novembro de 1822, José Bonifácio determinou uma devassa contra os maçons, acusados de conspirar “contra o governo estabelecido, espalhando contra ele as mais atrozes calúnias, fomentando enfim a anarquia, e a guerra civil”

O Imperador passa então a apoiar Bonifácio, e inicia-se, então, o período de perseguição aos maçons partidários de Gonçalves Ledo. O Cônego Januário Barbosa foi preso, além de numerosos outros maçons, e mesmo Gonçalves Ledo foi obrigado a fugir para Niterói, para posteriormente buscar asilo em Buenos Aires.

Com a vitória dos partidários de José Bonifácio, os membros do Apostolado (Nobre Ordem dos Cavaleiros de Santa Cruz) passaram a dominar a Assembléia Constituinte, instalada em 3 de maio de 1823. O Grande Oriente fechava, de fato, as portas, pouco mais de quatro meses após ter sido criado. O segundo Grão-Mestre, d. Pedro, ocupou o cargo de 4 de outubro de 1822 a 25 de outubro de 1822.

Porém logo depois, devido a conflitos com a criação da Constituição do Império, José Bonifácio e seus seguidores foram presos e desterrados para a França.

Em Junho de 1823 Dom Pedro foi, pessoalmente, à sede do Apostolado (que estava reunido àquele momento), acompanhado de força militar, para fechar aquela sociedade sob a alegação de que seus membros estariam tramando contra a sua vida.

Com uma Carta de Lei de 20 de Outubro de 1823 Dom Pedro revogou e cassou o Alvará joanino de 1818; pela mesma lei, porém, tornaram a ser proibidas as sociedades secretas, sob pena de morte ou de exílio.

Após a proclamação da Independência do Brasil em 1822, a maçonaria brasileira, que a foi protagonista nesse processo, estava longe de ser uma entidade unificada.

José Bonifácio, Grão Mestre do Grande Oriente Brasílico, e líder da Maçonaria Azul ou conservadora, pensava em independência do Brasil com o estabelecimento de uma Monarquia ligada a Europa. Já Gonçalves Ledo, e o Cônego Januário da Cunha Barbosa, líderes dos Maçons Liberais, alimentavam o rompimento imediato com a Metrópole e a Proclamação de uma Republica.

No primeiro ano do Império do Brasil, Dom Pedro I acaba rompendo com essas duas facções por acreditar que seu poder de monarca estaria ameaçado por eles.

O Príncipe usara da maçonaria para ser Imperador e cuidava pagar-lhe os serviços com esta parca moeda. A maçonaria servira-se do Príncipe para ter um Imperador e um Império maçonizados à sua feição. Não perdoaria jamais a sua atitude, ferindo e dispersando os obreiros com o dourado malhete que lhe confiara. Pagaria, com juros altos, na melancólica madrugada da abdicação, a 7 de abril de 1831, a assinatura desta Carta de Lei. Depois, de novo nos braços da maçonaria, iria gloriosamente conquistar para sua filha, D. Maria II, o trono de Portugal, ocupado por seu tio D. Miguel I, o grande e intemerato inimigo dos pedreiros livres.

O Reinado de Dom Pedro I foi a última proibição que teve a maçonaria no Brasil. Somente um século e pico mais tarde, com a fôrça decorrente do estado de sítio, mais aparente do que real, no período que antecedeu imediatamente à implantação do Estado Novo, o General Newton Cavalcanti entendeu ingênuamente de fechá-la, como se baionetas e decretos ocasionais pudessem da noite para o dia encerrar as atividades duma instituição internacional, protéica e inspirada nas idéias cabalistas e maniquéias, tão velhas como a civilização. As maçonarias não se proibem, nem se fecham pela violência; porém se destroem pelo esclarecimento dos seus propósitos, a revelação dos seus segredos e a educação da mocidade, a fim de dar aos homens do futuro uma consciência cristã capaz de repelir as tentações das trevas fantasiadas de luz.

Fonte:A MAÇONARIA NO BRASIL. Por DR. BOAVENTURA KLOPPENBURG/ Independência ou Morte: um grito que saiu de dentro dos templos maçônicos – Elmo Machado Azevedo – Gazeta do Maçom – pág. 19. Edição Independência do Brasil Setembro 2010./As Quatro Coroas de D. Pedro I - Sérgio Corrêa da Costa/Segredos e Revelações da História do Brasil.

Nenhum comentário:

Postar um comentário