A relação entre Mozart e a Maçonaria é uma sinfonia de espiritualidade, arte e filosofia que se entrelaçam nos últimos anos de sua vida. Iniciado na loja vienense "Zur Wohltätigkeit" em 1784, Wolfgang Amadeus Mozart não era um membro passivo: participava ativamente dos rituais, compunha músicas para cerimônias maçônicas e absorvia os ideais de fraternidade, sabedoria e perfeição moral que permeavam o pensamento iluminista. da época. A sua ligação com a Maçonaria não foi decorativa, mas profundamente experiencial, e reflete-se em obras que ainda hoje ressoam com solenidade e mistério.
Uma das peças mais emblemáticas desta ligação é a Maurerische Trauermusik (Música Funeral Maçônica), composta em 1785 para homenagear dois irmãos maçônicos falecidos. Esta obra, escrita em dó menor, afasta-se do brilhante virtuosismo que caracteriza muitas das suas composições e entra numa atmosfera de meditação, gravidade e contemplação. Os acordes lentos, as dissonâncias contidas e a orquestração austera evocam não só o luto, mas também a ideia de trânsito espiritual, de passagem em direção à luz. É uma música que não busca entreter, mas sim elevar a alma.
Além desta obra, o simbolismo maçônico permeia outras composições de Mozart, especialmente A Flauta Mágica, ópera que pode ser lida como uma alegoria iniciática. Nele, o protagonista Tamino passa por provas que lembram os graus maçônicos, guiado pela sabedoria de Sarastro, líder de um templo solar. Os temas da luz e das trevas, do conhecimento e da superstição, da liberdade e da obediência, estão entrelaçados numa narrativa que reflete os valores da Maçonaria especulativa. A música, neste contexto, torna-se um veículo de ensino, um ritual sonoro que acompanha o despertar do espírito.
Mozart entendia a música como uma linguagem capaz de expressar o inefável, e nas suas composições maçónicas essa linguagem torna-se ainda mais profunda. Cada nota parece carregada de intenção, cada pausa sugere reflexão. Nas suas partituras o esquadro e o compasso não são desenhados, mas fazem-se sentir: na estrutura, na harmonia, na proporção. É como se o templo maçônico não fosse construído com pedra, mas com som.
Esta dimensão da sua obra tem sido redescoberta por estudiosos e músicos que vêem em Mozart não só o génio clássico, mas também o iniciado que quis transmitir, através da sua arte, uma visão do mundo mais justa, mais sábia, mais luminosa. Seu legado maçônico não está em tratados ou discursos, mas na vibração de suas notas, no silêncio que as envolve, na emoção que despertam. É um legado que continua vivo, como um ritual que nunca acaba.
Fonte: Facebook_Atrio do Saber
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