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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

terça-feira, 27 de outubro de 2026

FRASES ILUSTRADAS

RITUAIS DE UM MESMO RITO PRATICADOS PELO MUNDO

Em 17/06/2026 o Respeitável Irmão Édson dos Santos, Loja Regeneração Sul Bahiana, 994, REAA, GOB BAIANO, Oriente de Ilhéus, Estado da Bahia, apresenta a dúvida é seguinte

RITUAIS NO EXTERIOR

Estando em visita a uma Loja, em outro país, a qual prática o mesmo Rito, há algo semelhante em se tratando de ritualística?

CONSIDERAÇÕES:

Essa não é uma pergunta simples de se responder, pois conforme o rito é possível existirem diferenças abruptas, assim como discretas.

Geralmente, a estrutura ritualística é basicamente a mesma, todavia sobre ela pairam elementos diferenciados que podem ser inseridos para atender a legislação de uma Potências Maçônica, ou mesmo por razões culturais.

Uniformidade aproximada é algo até admissível, mas quando se tratar de ritos da vertente anglo-saxônica de Maçonaria. Já o mesmo não se pode dizer de ritos da vertente latina, onde isso é praticamente impossível. Nesse contexto, muitos são os detalhes para serem considerados.

É utopia se imaginar que pelo mundo em que vivemos os ritos maçônicos possuem igualdade litúrgica e ritualística absoluta. É ledo engano se achar que um mesmo rito, ou ritual, seja encontrado igual em qualquer latitude terrena. Nesse universo, questões religiosas, políticas e culturais devem ser levadas em consideração.

Dá para se dizer que em cada país um mesmo rito maçônico adquire sua própria qualidade distintiva.

T.F.A.
PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

HUZZÉ E A BARCA DE RÁ

Por Reinaldo Ramirez & Spergio K Jerez

A MITOLOGIA EGÍPCIA

Dos povos da antiguidade, os egípcios certamente são os mais estudados. Mesmo antes da descoberta da Pedra da Roseta, em 1799, a cultura egípcia já desafiava a curiosidade dos exploradores europeus. Riquíssima em personagens que possivelmente provêm de períodos anteriores ao dinástico (c. 3.100 a.C.), a mitologia egípcia sempre foi pródiga na criação de divindades, heróis, vilões e lendas para explicar não só acontecimentos corriqueiros do dia-a-dia, mas também para dar uma dimensão mágica às questões religiosas e espirituais.

Nas dezenas de séculos que durou sua civilização, tanto os personagens mitológicos quanto os relatos em que estes estavam envolvidos sofreram diversas mutações, adaptando-se às questões sociais e aos valores dos períodos históricos nos quais estavam inseridos. Assim, os mesmos deuses, semideuses e entes mágicos adquiriram personalidades, nuances e contornos diversos, tornando quase impossível uma descrição única de suas características ao longo das diversas dinastias. Horus, por exemplo, uma das divindades mais antigas, assume tantos papéis e desempenha funções tão diferentes ao longo dos séculos, que se tentássemos montar um painel dos traços comuns a todas as suas versões, talvez acabássemos apenas com seu nome.

Uma civilização sofisticada como a do Egito, desenvolvida no calor inclemente do norte da África, tinha, como não poderia deixar de ser, um rico folclore em torno do trânsito solar[1]. Dentre os vários relatos fantásticos que contam histórias sobre o Sol, o da Barca de Ra ou Barca do Sol ocupa um papel de destaque. É contado em duas versões principais. A versão cosmológica é uma criativa tentativa de justificar porque o Sol nascia para iluminar o dia e se punha, trazendo a escuridão da noite. Já a versão mística, embora se valha praticamente dos mesmos personagens da cosmológica, busca explicar um dos maiores mistérios da criação: o que acontece depois da morte? Para tanto, elabora uma série de situações que descrevem a peregrinação dos mortos no caminho do além-túmulo, até alcançarem o direito a uma nova vida.

As duas versões envolviam cultos próprios, revestidos da maior dramaticidade. Ambas dispunham de rituais diurnos e noturnos. Os rituais noturnos, especialmente, eram imersos em tensão e comoção, na eterna dúvida sobre se o Sol nasceria pela manhã[2] ou, no caso da versão mística, se o morto poderia viver novamente.

O que veremos a seguir é como eram esses mitos e o que eles têm a ver com a maçonaria e com o uso da palavra Huzzé.

A VERSÃO COSMOLÓGICA

O Sol do poderoso deus Ra já havia desaparecido atrás das montanhas ao longe, deixando como prova de sua passagem apenas o vermelho-alaranjado do céu e a silhueta das figueiras que, pouco a pouco, iam perdendo nitidez.

Na Barca de Ra tudo era silêncio. À medida que o Sol se punha e que as trevas do submundo (Duat) envolviam a nau, o medo e a apreensão se instalavam no coração dos tripulantes. A partir daquele instante, navegariam nas águas do caos. Ra, ao centro, mantinha sua serena austeridade, como a transmitir confiança aos companheiros de viagem. Todos tinham um papel a desempenhar. Destacadamente, a atuação de Heka, Set, Hu e Sia[3] seria determinante. Se vencessem Apep[4], a demoníaca serpente, novamente o Sol faria jus ao ressurgimento no leste. Para tanto, Heka garantiria que as magias praticadas contra Apep pelos sacerdotes tivessem eficiência plena. Set, por sua vivência marcial, asseguraria ao monstro um oponente cuja fúria estava à altura de sua malignidade. Sia traçaria os planos para a previsivelmente turbulenta viagem e Hu se encarregaria de verbalizá-los, comandando as ações e garantindo que fossem desempenhadas adequadamente. Além de terem a incumbência de zelar pela segurança de Ra, ambos, Hu e Sia, seriam os principais responsáveis por levar a viagem a bom termo.

Enquanto isso, nos templos de Abydos, desde o início do poente, os sacerdotes se revezavam em fervorosas preces, buscando com isso fortalecer os integrantes da Barca e aumentar a intensidade dos feitiços e maldições que, através de Heka, fariam exaurir as forças da horrenda e descomunal serpente.

As águas do caos pareciam calmas quando, repentinamente, um grito aterrador atravessou a escuridão. Tomada de surpresa, a tripulação mal havia se recomposto do susto quando a quilha da Barca bateu em algo que a fez adernar. Era Apep, que contorcia seu enorme corpo sob a pequena embarcação na tentativa de tombá-la e garantir desta forma que a escuridão eterna se instalasse no céu do Egito.

À medida que a noite avançava, mais intensas eram as sensações de que o naufrágio era iminente e maior o desespero. Bramidos alucinantes, urros encolerizados. Deuses contra monstro, luz contra trevas. Por horas a fio Hu e Sia, com manobras audazes, conseguiram evitar que as investidas de Apep tivessem sucesso. Mas estavam à beira da exaustão.

Já era alta madrugada e a serpente parecia perto de conseguir seu intento, quando Ra fez um sinal e Hu ordenou a Set que tentasse destruí-la.

A primeira oportunidade logo surgiu. Foi numa tentativa do descomunal réptil abocanhar Ra. Set saltou sobre ele como um raio e, valendo-se do elemento surpresa, tentou asfixiar a fera. O que se seguiu foi aterrorizante. Set e a serpente engalfinharam-se, revolvendo furiosamente as águas do caos e fazendo com que a Barca ficasse ao sabor das ondas e redemoinhos, quase soçobrando não fossem a precisão das orientações de Sia e a firmeza de Hu ao comandar. Lamentos, gemidos, gritos, ruídos indecifráveis. Terror. O cheiro do medo no ar… inquietação. Por fim, ao perceber a serpente extenuada pelos vãos esforços de afundar a Barca, pelas maldições que lhe foram lançadas e pelos golpes que lhe aplicara, Set conseguiu imobilizá-la e desferiu-lhe uma estocada sob a base da cabeça, matando-a instantaneamente.

Prova tua morte, ó Apep! Retrocede! Retira-te, ó inimigo de Rá! Cai! Sê repelido! Volta e recua! Eu te faço voltar e te corto em pedaços! Ra triunfou sobre Apep! Prova a tua morte, Apep![5] , ecoavam os hinos no templo.

Trazido de volta à Barca, Set foi recebido com alegria pelos companheiros. Mas, acossado pela vaidade, ufanou-se de ter sido o único responsável pela morte da traiçoeira cobra, o que provocou a ira de Ra, que imediatamente o fez abandonar a embarcação, deixando-o numa das margens do caos.

Hu prosseguiu no comando, ordenando as manobras previstas por Sia, até que, finalmente, com Ra são e salvo, puderam concluir sua vitoriosa peregrinação pelo submundo.

A estrela da manhã brilhava no céu. A despeito das dificuldades e obstáculos da viagem, a Barca de Ra, trazendo consigo o astro-rei, poderia novamente cumprir sua viagem no firmamento egípcio.

Os primeiros raios de luz apontavam no horizonte.

Reunidos num dos altares e banhados pela claridade, desgastados, mas ansiosos por aquele momento, os sacerdotes, num misto de alívio e intensa emoção, saudavam os principais responsáveis pelo feito. Ajoelhavam-se em direção ao nascente e exclamavam a uma só voz: Hu Sia! Hu Sia!, Hu Sia!

O Sol voltara a brilhar…

A VERSÃO MÍSTICA

Como dissemos antes, esta versão da Barca de Ra se utiliza basicamente dos mesmos protagonistas da versão cosmológica, embora com diferentes ênfases.

O Sol da versão cosmológica transforma-se aqui no morto que almeja o renascimento ou, como querem alguns, a libertação eterna. Para conseguir seu intento, o finado deveria, durante a vida, ter pautado suas atitudes pela pureza e pela correção.

O julgamento de sua conduta seria conduzido por Ma’at, agora à frente da Barca, garantindo, em primeiro lugar, que o coração do morto fosse colocado no prato de uma balança e comparado com o peso de uma pena no outro prato. Isso indicaria a pureza de suas ações. Fosse bom, e o coração seria mais leve que a pena. Caso a balança de Ma’at pendesse para o lado do coração, estaria condenado à escuridão e aos tormentos perenes no submundo, que eram reservados aos adeptos do mal. Um lugar de incessantes castigos, repleto de entes maléficos gerados pelas perversidades mundanas, que despiriam o corpo do falecido e destroçariam suas entranhas como abutres, deixando-o ao sabor da decomposição.

Os maus teriam seus corações arrancados e suas almas ba ficariam perdidas, sem terem como voltar ao corpo original. Ficariam entregues à sede e à fome, e só teriam acesso às águas pútridas emanadas das fossas da impiedade. Ma’at não mais ouviria suas súplicas e, como Set, teriam que deixar a Barca. Seu tormento jamais cessaria. Já os bons, veriam suas esperanças de renascimento se materializarem como um raio de luz ao amanhecer, enquanto os sacerdotes responsáveis por ajudá-los em sua vitória sobre a morte cantariam hinos e comemorariam exultantes. Celebrariam a força de Ra e saudariam aqueles que transportaram o morto pelas águas do caos e o levaram incólume ao seu auspicioso destino final, bradando: Hu Sia! Hu Sia! Hu Sia!

ECOS DE HU e SIA

Não temos como afirmar que a lenda da Barca de Ra era exatamente assim. Algumas versões posteriores transformam Ra em Horus e, ao que parece, surge por isso um novo relato para a epopeia da Barca, embora com moral condizente com a anterior. Os egiptólogos nos dão conta de que em algumas dinastias acreditava-se na existência de duas barcas, uma noturna (Mesektet) e outra diurna (Mandjet), cujas tripulações variavam entre si, embora na versão diurna Hu e Sia sempre estivessem presentes, em geral apresentados como uma dupla inseparável. Tão inseparável, que nos tempos que se seguiram passaram a ser referidos por uma palavra só: husia e variações desses fonemas.

Acreditamos que o Huzzé do Rito Escocês Antigo e Aceito venha daí.

Até há algum tempo os estudiosos imaginavam que Sia e Hu pudessem ser personagens menores no panteão egípcio, mas as descobertas das últimas décadas mostraram que eram deuses importantes, e mesmo o Papiro de Ani, também conhecido como Livro dos Mortos, relata cerimônias realizadas em sua homenagem[6]. Sia personificava a percepção, o planejamento perspicaz. Hu representava a voz de comando, a fala que infunde respeito.

Indícios de sua influência podem ser encontrados na cultura árabe pré-islâmica, onde Uzza era uma deusa cultuada como uma das três filhas do deus supremo, protetoras da cidade de Meca. A tradição diz que era a estrela da manhã (Vênus), o que mostra que, de fato, está relacionada a Hu e Sia. Seu nome tem a mesma raiz de Izza, que significa glória. Os nabateus, povo ancestral semita, a consideravam a deusa da fertilidade. Uma notável surpresa para nós maçons é que, posteriormente, na época de Maomé, havia uma tribo numerosa, denominada Ghatafan, que reverenciava a acácia egípcia sob este nome[7].

Na mesma linha das semelhanças fonéticas, a tradição judaica menciona um certo Husai, Uzzah ou Uzziah, fiel conselheiro de Davi[8], e, mais tarde, o Sefer Zohar[9] refere-se a Uzza como um anjo que se opôs à criação do homem. Já na Grécia, Aristóteles utilizava a palavra Ousia para expressar as qualidades essenciais de algo.

É impossível garantir que todos esses nomes tenham Hu e Sia como origem, mas, certamente, alguns deles são repercussões da exaltação àquelas divindades nos vibrantes rituais egípcios.

As variações que julgamos potencialmente provenientes de Hu e Sia são aquelas que têm conotação de aprovação, regozijo ou júbilo – algo equivalente às interjeições salve ou viva em português – ou que, de alguma forma, mostram semelhanças com o papel que ambos representavam nos mitos.

O CAMINHO PARA NOSSOS RITUAIS

A primeira citação de huzza na lingua inglesa data de 1573. O Dicionário Oxford de Inglês diz que nos séculos XVII e XVIII huzza era um cumprimento ou saudação usada por marinheiros para homenagear quem embarcava ou desembarcava. Na realidade, uma interjeição exclamativa. Menciona-se também que a expressão era um grito repetido em uníssono, sincronizadamente, quando os marujos atuavam em conjunto para puxar os cabos das velas ou as amarras da embarcação[10].

Há relatos de que nos séculos XVIII e XIX três huzzas eram dados pelo exército britânico antes das cargas de infantaria, como meio de ganhar moral e de intimidar o inimigo. Há quem diga que eram dois huzzas curtos seguidos de um terceiro, mais longo, dado durante a carga final.

De todo modo, e embora não existam provas documentais sobre isso, é possível deduzir que, a partir do Egito, a reverência a Hu e Sia tenha se espalhado por todo o Oriente Médio, como ocorreu com várias divindades[11]. O Olho de Horus, por exemplo, era – e ainda é – presença frequente na proa das embarcações mediterrâneas. Da mesma maneira, é bem plausível que Hu e Sia tenham se tornado, por motivos óbvios, inspiradores ou padroeiros dos navegantes da região e que seus vestígios tenham sido repassados a outros povos.

Foi dessa forma, acreditamos, que o brado utilizado no R.E.A.A. deve ter chegado aos marinheiros ingleses e depois, pelo fato da Inglaterra ser um país onde as atividades navais ocupavam grande destaque, passado ao resto da sociedade não só como exclamação de alegria e aprovação, mas também como designativo de união e atitude solidária. Disso, talvez, advenha sua adoção pela maçonaria.

Mackey diz os que antigos manuscritos franceses do R.E.A.A. mencionavam a palavra Hoschea como aclamação, que ele supõe que seja uma corruptela do Huzza inglês. No mesmo livro, apresenta um poema que parece ser um ritual em versos, datado de 1750, que diz numa de suas estrofes, “A multidão com três huzzés conclui.”[12].

O mais antigo ritual impresso do R.E.A.A., do ano de 1804[13], publicado na França, já faz menção à tradicional manifestação.

CONCLUSÃO

São várias as lições que podem ser tiradas do simbolismo subjacente à mitologia que envolve Hu e Sia. A mais evidente é que, como Sia, temos que desenvolver nossa sensibilidade e nossa capacidade de percepção para, com isso, podermos, como Hu, comandar nossa vida com sabedoria e serenidade. Outra, é que a vida é um ciclo que alterna claridade e escuridão e que, se nos momentos mais críticos tivermos tranquilidade e acreditarmos firmemente na superação dos obstáculos, voltaremos a navegar em águas plácidas, rumo a um recomeço ou, se preferirmos, um novo amanhecer. Outra ainda, é que, por mais sucesso que tenhamos em alguma atividade, nossas vitórias são resultantes, direta ou indiretamente, da participação de várias pessoas. Não reconhecer isso é sucumbir ao feitiço da vaidade, uma inimiga capaz de nos deixar à margem do que seria nosso processo de crescimento.

Por fim, talvez devamos admitir a participação divina em nossa evolução, embora reconhecendo que esta é, paradoxalmente, individual e precisa ser conquistada por cada um de nós, pelos nossos próprios esforços, mormente considerando que há mesmo “muito mais coisas entre o céu e a terra…”.

Para tanto, precisaríamos aceitar, também – porque se aguçarmos a percepção, como Sia, sentiremos isso em nossas vidas – que essa evolução se processe pelo enfrentamento corajoso das provas interpostas em nossos percursos, todas elas cada vez mais sutis, exigindo decisões também sempre mais refinadas, que são aprimoradas e fortalecidas pelos valores e vibrações da corrente iniciática a que estivermos ligados no trajeto até a liberdade.

Essas provas, das menores às maiores, sempre nos apresentam a opção de dois caminhos, como uma polaridade divina necessária, metafísica, evidentemente preservando nosso livre arbítrio. Mas isso todos nós já sabemos razoavelmente bem. O que difere esta concepção das demais é a constatação de que uma sequência de caminhos adotados equivocadamente, os chamados caminhos de esquerda – das paixões e intransigências – ilusórios e mais fáceis, pode nos levar à perda irreparável de valores edificantes, arremessando-nos irremediavelmente, perdidos, para dentro do velho e dantesco labirinto, em cujo portal está a sentença: “lasciate ogne speranza, voi ch’entrate[14]”. Para evitar isso, é necessário fortalecer nosso Hu interior para que ele nos guie à senda da luz.

Essa dicotomia, entendida como instrumento de evolução, nos é transmitida pela sagrada iniciação e nos oferece um ciclo específico de experiências que precisamos viver e vencer para aprender como chegar ao reino dos céus conscientemente… entrar, enfim, num próximo ciclo por opção própria, jamais por intermediação de terceiros nas nossas relações com Deus.

Assim, a partir dessa divina dualidade, e segundo decisão pessoal inarredável, podemos construir nossas próprias pontes, saltando o abismo da morte definitiva, o labirinto onde poderemos ficar irremediavelmente presos, deixando no lugar de partida tudo o que já não se preste ao progresso ou que deva ser descartado para, quem sabe, aproveitamento em outro estado de evolução.

Entretanto, essa polaridade, inevitável, parece claro, nos oferece a salvação -gradativamente, em cada etapa do trabalho para a evolução da consciência – para nos tornarmos heróis de nós mesmos, verdadeiros Hércules, vencedores de todos os difíceis trabalhos que irremediavelmente se sucedem e precisam ser vencidos, como condição “sine qua non” para termos o direito de vivenciar o novo ciclo, como Hiram, que a cada nova volta do sol – ele próprio – percorre[15] as 12 colunas de vivências indispensáveis e conquista o direito de renascer para uma nova luz, sem que ela o cegue.

Será que é isso mesmo?! Ou isso é apenas o caminho de aproveitamento das energias que contemos, e que a verdadeira Maçonaria nos propõe, mas que, por não entendermos direito, desperdiçamos pela estrada da vida apaixonada, onde prevalecem as ilusões dos sentidos. “Chi lo sa?[16]”

Em resumo, é possível aceitar a mortalidade da alma humana que não alcança os níveis mínimos de consciência para o novo ciclo, nesta vida ou em futuras. Mas, destaque-se, faz-se referência aqui à alma universal – “mahatma” – que registra, para aproveitamento futuro, as experiências de todos que conquistam o direito de entrar na barca da salvação.

Disso tudo, evidencia-se a necessidade de conhecer, pelo menos em linhas gerais, “a constituição oculta do homem”, antes estudada nos excelsos colégios iniciáticos, ora levemente citada e simbolizada no avental maçônico.

Mas, ainda assim, os mistérios do pós-vida permanecerão.

Coincidentemente, o mito da Barca de Ra faz lembrar também os relatos daqueles que passaram por experiências de quase-morte: o túnel, a escuridão inicial, a luz magnífica, tangível, envolvente. Depois, a paz indizível, o encontro com entes queridos, a doce alegria, a ternura do amor.

Alguns cientistas defendem que estas impressões são apenas decorrência da privação de oxigênio ou da liberação de endorfinas em casos de trauma. Quem sabe? Se for assim, todos nós, quando chegar a hora, usufruiremos de sensações similares.

Pelo sim, pelo não, já não tenho dúvidas sobre o que fazer e dizer quando chegar lá. Levantarei meus olhos e, com o coração tomado pela gratidão, exclamarei tão alto quanto possa: Huzzé! Huzzé! Huzzé! … e me deixarei levar pela divina luz!

NOTAS:

[1] A maioria das civilizações desenvolveu mitos solares, que são aqueles que, como o nome indica, usam figurativamente o ciclo do pôr e nascer do sol como uma metáfora para a existência. Eles contam histórias de deuses ou heróis, mostrando que foram capazes não só de vencer seus desafios em vida, mas também de triunfar sobre a morte. As lendas de Horus, Odin, Mithra, Prometeu,Thor, Osíris e muitas outras são consideradas mitos solares. Na maçonaria, a lenda de Hiram é, por excelência, um relato solar.

[2] Imagine-se o terror e o desespero das pessoas quando ocorria um eclipse solar.

[3] Pronuncia-se também sei, esia e esie.

[4] Apófis, para os gregos.

[5] Passagem do Livro para derrotar Apep, compilado por egiptólogos.

[6] Na sua tentativa de convencer Ma’at, a deusa da justiça, de que é merecedor de outra vida, o morto diz: “eu realizei as cerimônias de Hu e Sia”, como prova de ter cumprido obrigações religiosas.

[7] Albert Pike, no livro Moral e Dogma, faz menção a essa reverência. Diz ele: “A Acácia genuína, também, é a espinhosa tamareira, a mesma árvore que cresceu em torno do corpo de Osíris. Era uma planta sagrada para os árabes, que dela fizeram o ídolo Al-Uzza, que Maomé destruiu. É um arbusto abundante no Deserto de Thur, e dela foi feita a “coroa de espinhos” que foi colocada na fronte de Jesus de Nazaré. É um tipo de planta que era associada à imortalidade por causa de sua tenacidade em manter-se viva, pois era sabido que, quando colocada como batente de porta, criava raízes novamente e estirava ramos floridos sobre a soleira.”

[8] Crôn 27:33 e outros. Em português, Husai se transformou em Osias. Pode ser que o nome derive de Hu Sia, mas não há qualquer indício que possibilite esta conclusão.

[9] O Livro dos Esplendores, obra cabalística hebraica surgida na Espanha, por volta de 1.280 d.C..

[10] O mesmo dicionário sugere a possibilidade de que huzza seja proveniente da mesma raiz que hoist = içar. Parece pouco provável, mas mesmo isso não descarta a hipótese de que Hu e Sia tenham dado origem às duas palavras.

[11] Sabemos que as mitologias grega e romana, que são muito bem documentadas, incorporaram inúmeros deuses e deusas originalmente egípcios.

[12] The mob with three huzzas conclude, no original. É preciso lembrar que, neste caso, a palavra huzza pode estar sendo usada como sinônimo de saudação ou exclamação.

[13] O ritual de 1804, em linhas gerais, reproduz os procedimentos praticados pelos maçons da Grande Loja dos “antigos” de Londres.

[14] Abandonem toda a esperança, vós que estais aqui!

[15] Na visão geocêntrica, adotada pela Ordem.

[16] Quem sabe? em italiano.

Bibliografia

HARRIS, J. R., Boanerges, University Press, Cambridge, EUA, 1913.

MACKEY, A. G., Encyclopedia of Freemasonry and its Kindred Sciences, The Masonic History Company, London, UK,1914

MCCLENACHAN, C. T., The Book of the Ancient and Accepted Scottish Rite of Freemasonry, Masonic Publishing Co., New York, 1884

BOTTANI, A, CARRARA, M. e GIARETTA P., Individuals, Essence and Identity: Themes of Analytic Metaphysics, Kluwer Academic Publishers, Dordrecht, The Netherlands, 2002

POE, M., Ancient Egyptian Metaphysics, http://www.sacred-texts.com/bos/bos446.htm

GONZALEZ-WIPPLER, M., The Complete Book of Spells, Ceremonies and Magic, Llewellyn Publications, St. Paul, MN, EUA, 2004

VAN DEN DUNGEN, W., The Royal Ritual of Rebirth & Illumination, http://pt.scribd.com/doc/154258722/1-The-Pyramid-Text-of-UNAS-wim-Van-Den-Dungen-2007-68p

CASTEL, E., Gran Diccionario de Mitología Egipcia, Editorial Aldebarán, Madrid, Espanha, 2001

BUDGE, E. A. W. (trad.), Papirus of Ani – Egyptian Book of the Dead, Dover Publications, EUA,1967

PINCH, G., Magic in Ancient Egypt, British Museum Press, London, UK, 1994

Britannica Encyclopedia of World Religions, Encyclopædia Britannica, Inc., Chicago, EUA, 1999

Rite Ecossais Ancien & Accepté – Guide des Maçons Écossais, Pesquisa e Tradução: Oficina de Restauração do Rito Escocês Antigo e Aceito, Porto Alegre, Brasil

The Oxford English Dictionary, Clarendon Press, Oxford, UK, 2013

Fonte: https://joseroberto735.blogspot.com

segunda-feira, 26 de outubro de 2026

FRASES ILUSTRADAS

CERTIFICADO DE VISITAS

Em 17/06/2026 o Respeitável Irmão Dirceu Iglesias Cabral Filho, Lojas Professor Oscar Cavalcante, do Rito Brasileiro, e Augusto de Castro, do REAA, GOB-PI, Oriente de Teresina, Estado do Piauí, pede esclarecimentos.

FREQUÊNCIA

Mais uma vez bato a sua porta para pedir orientações e desta feita é sobre cartão de frequência.

Procurando na legislação básica do Grande Oriente do Brasil, (Constituição, Regulamento Geral da Federação - RGF e Código Eleitoral Maçônico) e não identifiquei informações sobre a utilidade do Cartão de Frequência ou de Visitas fornecida pelas lojas aos IIr∴ visitantes. Também não identifiquei a obrigatoriedade de o Ven∴ Mestre e Orador assinarem esses cartões. Lembro que antigamente se usava para suprir frequência em suas lojas para efeitos de comprovação de aptidão para fins eleitorais. Poderia o Eminente Ir∴ me dar mais informações da real necessidade do cartão de frequência.

CONSIDERAÇÕES:

Essa não é uma questão de liturgia e ritualística, todavia é de procedimentos legais que envolvem frequência de Irmãos em sessões regulares das Lojas. Sendo assim, sugiro que se procure melhores esclarecimentos junto à Secretaria Estadual da Guarda dos Selos.

O que se pode dizer sobre o certificado de presenças é que ele serve para informar e registrar a estada de um obreiro em visita a uma Loja.

Normalmente, fica a cargo do Chanceler da Loja visitada fornecer o documento devidamente assinado pelos IIr∴ de direito, geralmente pelo Venerável Mestre, Secretário, ou Orador, e Chanceler.

Em relação a validade desse certificado para contar como frequência, quem pode informar é a Guarda dos Selos.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

CONGRESSO DE LOUSANNE

Por Alain Bernheim

Reunido entre 6 e 22 de setembro de 1875, o Convento dos Supremos Conselhos (ou Congresso) do Rito Escocês Antigo e Aceito em Lausanne (Suíça) pretendia unificar constituições, rituais e selar um Tratado de União entre 22 Supremos Conselhos. No entanto, apenas nove estavam representados, e três deles por procuração. Apenas seis pessoas decidiram por vinte e duas, o que já anunciava o fracasso do encontro.

O grande impulso para o Convento veio da Jurisdição Sul dos EUA, liderada por Albert Pike, que desde 1856 sonhava com um congresso internacional. A Guerra Civil americana atrasou os planos, mas, ao retomar, Pike enfrentou resistências: o Supremo Conselho da Bélgica recusou sediar o evento, temendo o "dualismo" maçônico local; e a França, embora participante, já vivia tensões com as potências americanas.

O estopim do colapso foi teológico. O delegado escocês Lindsay Mackersy retirou-se antes do fim, após ver sua comissão discutir uma declaração de princípios que poderia dispensar a crença em um Deus pessoal, substituindo-O por um vago "Princípio Universal". Para o Supremo Conselho da Escócia, isso era inaceitável. Sem consenso sobre a base religiosa da Ordem, o Tratado de União nunca foi realmente ratificado, e o Convento entrou para a história como um grandioso esforço fracassado.

Fonte: Curiosidades da Maçonaria

SIMBOLISMOS DO RITO ADONHIRAMITA

Ir∴ Marcos José Santos da Silva
Niterói – RJ 
Repasse: Ir. Valmir Cantídio
Camboriú- SC

INTRODUÇÃO

Na ritualística Adonhiramita encontramos vários simbolismos que, aparentemente, têm pouco significado para alguns Obreiros do Rito, ou mesmo nenhum significado para os Maçons praticantes de outros Ritos, devido ao escasso conhecimento destes, dos grandes ensinamentos contidos nos mesmos, mas que são de muita importância a sua compreensão, por se destinarem a aprimorar o nosso interior e nos levar a um real entendimento dos objetivos dos trabalhos maçônicos. Analisaremos alguns destes simbolismos, no que se refere à apresentação exterior, sempre preservando ou salvaguardando os mistérios contidos em nossas Iniciações Simbólicas, as quais estamos impedidos de comentar por estarem sob juramentos. Iniciaremos traçando alguns comentários sobre o simbolismo do traje Adonhiramita. O traje do Rito, como o de todos os Maçons, é o terno preto liso, cinto, sapato e meia pretos e camisa, gravata e luva brancas. Os itens que destacam os Maçons Adonhiramitas são as luvas e as gravatas brancas, sendo estas do tipo corrida nas Sessões Ordinárias, e tipo borboleta nas Sessões Magnas, obrigatórias para todos os Obreiros, os Aventais, o Chapéu e a Faixa com a sua respectiva Jóia designativa da sua qualidade, usadas pelos Mestres Maçons, quando sem cargo em Loja ou em visita a outras Lojas. Os Mestres com Cargo em Loja, devem substituir a Faixa pelo Colar Azul-Celeste trazendo a Jóia designativa do seu cargo, conforme o estabelecido no Ritual do Grau 1-Adonhiramita, que também relembra que o Balandrau só é permitido ser usado ritualisticamente, pelo Irmão encarregado da recepção dos Candidatos nas Sessões Magnas de Iniciação, não devendo ser usado nas demais reuniões.

AS LUVAS BRANCAS

A representação simbólica do uso das Luvas Brancas está contida nas palavras do Mestre-de-Cerimônias ao fazer o convite para os Obreiros ingressarem no Templo para o início dos trabalhos, quando diz: "Se desde a Meia-Noite, quando se encerraram nossos últimos trabalhos, conservastes as mãos limpas, calçai as vossas luvas". Esta sentença nos remete ao ato praticado pelos Mestres Eleitos na lenda da construção do Templo de Salomão, quando os mesmos calçaram luvas de pele brancas, para demonstrar que suas mãos estavam limpas e puras, ou que eram inocentes do fato ocor- rido na lenda. Esta simbologia também é apresentada nas Cerimônias de Iniciação, quando é feita a entrega das Luvas Brancas aos novos Neófitos, e Ihes é dito para nun- ca manchar a sua brilhante alvura nas águas lodosas do vício, por elas representarem a candura que deve reinar na alma do homem de bem e a pureza de nossas ações.

AS GRAVATAS BRANCAS

A representação simbólica, do uso das gravatas brancas, também nos reporta à lenda da construção do Templo de Salomão, quando do súbito desaparecimento do Mestre Arquiteto, quando o Adonhiramita não apresenta o sentimento exterior de luto, mas sim a nossa alegria e júbilo ao recebermos o novo Mestre Maçom, quando este se levanta do túmulo simbólico e aclamamos Vivat, Vivat, Vivat, (pronuncia-se vivá) acreditando-se que este novo Mestre Simbólico recebe verdadeiramente o Espírito Maçônico, espírito de tolerância e amor fraterno, tornando aquela situação triste em situação festiva, estan- do, portanto, o uso da gravata branca, simbolicamente, associado a um ato de alegria pela presença da Luz na vida maçônica do novo Mestre Iniciado.

OS AVENTAIS

Os Aventais Adonhiramitas usados nos Graus Simbólicos são, como os de todos os Maçons, as peças essenciais da vestimenta maçônica, porque só com eles o Maçom estará convenientemente vestido para participar das Sessões Ritualísticas. Os nossos Aventais modernos originaram-se dos Aventais usados nos Rituais do antigo Egito e foram se modificando ao longo dos anos, até chegarem à forma atual. Todos os Aventais Adonhiramitas são, simbolicamente, de pele branca, como símbolo de pureza. O Avental do Aprendiz todo branco, simbolizando a sua inocência, é usado com a abeta levantada, de maneira que forme uma figura de cinco pontas, ou seja, um triângulo sobre um quadrado, significando que nesta etapa a matéria deve ser trabalhada ou lapidada. O Companheiro Adonhiramita usa um Avental Branco debruado de azul-celeste, que indica que nesta etapa o azul do céu começa a tingir a brancura do mesmo para que a sua inocência comece a ser substituída, até certo ponto, pelo conhecimento. A abeta é rebaixada, simbolizando que o espírito está atuando na matéria, e apresenta a estrela rutilante, símbolo do homem quíntuplo, também na cor azul-celeste bordada na mesma. O Companheiro Adonhiramita usa também nos trabalhos, um Colar estreito branco, com contorno externo debruado de azul-celeste, portando uma estrela rutilante prateada como Jóia. O Avental do Mestre Maçom Adonhiramita também é branco orlado com debrum azul, apresenta um olho cercado de resplendor bordado na abeta dentro de um triângulo eqüilátero e no corpo do Avental apresenta um Compasso sobreposto a um Esquadro com·a letra "G" no centro, e ramos de Acácia servindo de or- nato, tudo isto simbolizando a imortalidade da alma do Mestre e que o espírito está predominando sobre a matéria.

O CHAPÉU

O uso do Chapéu na Maçonaria é bem antigo; estes, conforme nos narra a história, surgiram para substituir as antigas carapuças usadas na Idade Média. Os Chapéus foram primeiro usados pelos egípcios na Antigüidade e posteriormente pelos gregos que usavam um chapéu de palha de fundo pontudo que era denominado de "THOLIA", e só se tem conhecimento do seu uso na Europa após o século XVII. Na Maçonaria, o Chapéu passou a ser usado a partir do século XVIII como símbolo hierárquico e esotérico. Naquela época, em Lojas de Aprendiz e Companheiro, só o Venerável tinha o privilégio de usar o Chapéu dentro da Oficina. Este procedimento até hoje é observado pelo R∴E∴A∴A∴, praticado pelas Grandes Lojas. Esta prática era realizada como Símbolo de superioridade do Venerável sobre os demais Obreiros, porém, em Sessão de Câmara do Meio, todos os Mestres permaneciam com o Chapéu na cabeça como Sinal de Igualdade. O costume de somente o Venerável usar o Chapéu em Loja nos Graus inferiores, deve ter tido origem no Cerimonial das Cortes daquela época, onde estando o rei presente, somente ele tinha o direito de estar coberto, pois o Chapéu era o emblema de soberania. Como o Venerável representa o rei Salomão, só ele tinha o direito de usar o Chapéu nos Graus inferiores. Na Câmara do Meio, porém, o Venerável é apenas o presidente de uma assembléia de pares, igualando-se a todos os presentes. Esotericamente, o Chapéu destina-se a cobrir os cabelos dos Obreiros em Loja, por estes serem receptores de vibrações sutis; e, cobrindo a cabeça, o Mestre se protege e demonstra que nada mais tem a receber, isto é, que chegou à plenitude maçônica ou à verdadeira iniciação simbólica. Esta prática é observada nas mais diversas filosofias religiosas ou não, quando seus líderes usam uma cobertura sobre a cabeça ou até mesmo raspam a cabeça para não sofrerem influências externas, fato este que observamos nas filosofias orientais, no judaísmo, no islamismo e nas igrejas católicas e ortodoxas, nos cultos afro-brasileiros e em diversas seitas, onde são usados turbantes, solidéus, tiaras, mitras, etc. Atualmente, os Mestres só se cobrem nas Sessões de Câmara do Meio, exceto no Rito Schröder em que todos os Obreiros se cobrem desde Aprendiz. E no Rito Adonhiramita, onde todos os Mestres usam o Chapéu em todas as Sessões de Graus Simbólicos, afirmando assim que são ca pazes de segurar o primeiro Malhete da Loja e de comportarem- se, quando for o caso, como dignos soberanos Iniciados. É importante relembrar que devemos nos descobrir toda vez que seja feita menção ao G∴A∴ D∴ U∴ em Loja, na abertura e fechamento do Livro da Lei e em sinal cívi- co e de respeito nas execuções do hino nacional e da bandeira.

CERIMÔNIA DE INCENSAÇÃO

O procedimento para a realização da Cerimônia de Incensação encontra- se minuciosamente detalhado no Ritual do Aprendiz Maçom Adonhiramita, e tem por objetivo preparar os Obreiros para a obra que vão efetuar. O incenso usado na Cerimônia tende a purificar aquela parte da natureza do homem chamada Corpo Astral ou Emocional, devido irradiar vibrações intensamente purificadoras.

O uso de incenso é inteiramente científico, pois sabemos que não há matéria morta porque todos os seres e todas as coisas da natureza possuem e irradiam suas vibrações e combinações de vibrações. O Cerimonial visa então tornar o ambiente em Loja calmo e sossegado, estabilizando as nossas emoções, para nos capacitar a responder as influências Superiores, dissipando nossas ansiedades, preocupações e desejos oriundos do mundo profano.

Há aqueles que demonstram preconceito contra o uso do incenso, por o suporem exclusivos das cerimônias religiosas, porque unicamente nelas o tem visto ser usado. Mas aqueles que estudam ou freqüentam outras entidades ou ordens de cunho filosófico e esotérico, sabem que todas elas usam o incenso, numa ou noutra forma, por conhecerem os seus efeitos benéficos. Por que nós não o haveríamos de usar, se os trabalhos em Loja visam expandir e elevar a nossa consciência? Devemos pois nos esforçar para colocar-nos em boas condições mentais e emocionais, e o incenso oferece uma fortalecedora corrente vibratória que nos ajudará a manter o equilíbrio e alcançar a calma e a estabilidade que necessitamos para realizar os nossos trabalhos. Recomendamos que todo Irmão incline respeitosamente a cabeça ao receber a incensação, principalmente os Irmãos situados nas colunas, como prova de que dedica toda a sua força e vigor ao Grande Arquiteto do Universo e a sua obra.

CERIMONIAL DO FOGO

Este Cerimonial na realidade tem seu início antes da abertura da Loja, quando a Chama Sagrada que irá presidir os trabalhos é reanimada pelos quatro Irmãos, que simbolicamente representam os quatro pontos cardeais, que adentram o Templo antecipadamente para este fim.

A Chama Sagrada é o emblema do Sol que é o símbolo visível ou do mundo físico da divindade que nos emite continuamente sua energia como luz e calor, sem os quais não haveria vida no planeta.

O Cerimonial do Fogo tem, portanto, o propósito de se levar simbolicamente estas energias, luz e calor, para as regiões do orbe terrestre que o Templo representa, indo do Oriente para o Ocidente no seu acendimento, e realizado no sentido oposto no seu adormecimento porque o Sol tem no Ocidente o seu ocaso.

Compreende-se muito pouco o significado do fogo nas Cerimônias Maçônicas, mas sabemos que uma vela acesa com intento religioso equivale a uma oração, e sempre atrai do alto um fluxo de energia positiva. Entendemos que as frases pronunciadas pelo Venerável Mestre e pelos Vigilantes por ocasião do acendimento das chamas, têm o objetivo de atrair estes fluxos de energias, por eles representarem simbolicamente cada qual um aspecto do Logos. Quando o Venerável Mestre diz: "Que a luz da sua Sabedoria ilumine os nossos trabalhos" é importante que todos os Irmãos o auxiliem nesta invocação ou esforço para atrair o Aspecto Divino do Amor-Sabedoria para derramar-se sobre todos em Loja. Da mesma maneira quando o Primeiro Vigilante diz: "Que a luz de sua Força nos assista em nossa obra", todos devem pensar intensamente no Aspecto Força- Vontade Divina, desejando que esta energia flua por seu intermédio; e, por último, quando o Segundo Vigilante diz: " Que a luz da sua Beleza se manifeste em nossa obra", devemos pensar no Aspecto Beleza-Inteligência Divina fluindo para todos através dele. Isto deve ser consolidado ao invocarmos "Que assim seja" após o pronunciamento das referidas frases. O mesmo procedimento deve ser observado por ocasião do adormecimento do fogo quando é invocado "Que a luz da sua beleza continue flamejante em nossos corações", pelo Segundo Vigilante, "Que a luz da sua força permaneça atuante em nossos corações", pelo Primeiro Vigilante, e "Que a luz da sua sabedoria habite em nossos corações" pelo Venerável Mestre, sendo o Cerimonial totalmente concluído ao ser adormecida a Chama Sagrada, após a saída de todos os Irmãos do Templo, pelos mesmos Irmãos que realizaram o seu avivamento no início dos trabalhos.

Sabemos que igualmente ao Sol que derrama incessantemente sua luz e calor indistintamente sobre toda a humanidade, o Grande Arquiteto do Universo emite continuamente suas energias, e a nós compete abrir o canal para es- tas energias e a realização do seu serviço. Observamos que estas Cerimônias são executadas exatas e de maneira brilhante, mas vários Irmãos não percebem a importância do pensamento nele con- centrado e a compreensão de todo o seu alcance e significado. Devemos pois trabalhar com amor e abnegação, rogan- do as bênçãos do Grande Arquiteto do Universo para que alcancemos a verdadeira iluminação.

CARACTERÍSTICAS DOS TEMPLOS ADONHIRAMITAS

Como sabemos, todos os Templos Maçônicos são representações simbólicas do templo mandado construir pelo Rei Salomão, conforme o relato contido nas Escrituras Sagradas nos livros de Reis I e Crônicas 11, e que representam também, simbolicamente, o macro e o microcosmo, com o seu plano representando a superfície da terra com o universo a sua volta simbolizando o macrocosmo, e tendo deitado sobre esta mesma superfície a figura de um homem simbólico a ser desenvolvi- do, simbolizando o microcosmo.

No Templo Adonhiramita a figura deste homem simbólico e apresentado contemplando o universo, ou seja, em decúbito dorsal, com as pernas no ocidente levantadas a 90 graus, que são representadas pelas colunas do Templo, onde à direita, que deve ser o primeiro lado do corpo a ser desenvolvido, nós chamamos de coluna "J" e a da esquerda de coluna "B", ficando geograficamente a coluna "J" ao Norte e a coluna "B" ao Sul, sendo por este motivo que o Adonhiramita adentra o Templo com o pé direito e da troca das posições das colunas do Templo em relação aos outros Ritos.

A cabeça deste homem simbólico representado está posicionada no Oriente, sendo a sua consciência simbolizada pelo Livro da Lei depositado sobre o Altar dos Juramentos, ali situado, juntamente com o Esquadro e o Compasso, que regulam o nosso modo de agir, estando iluminado pela Chama Sagrada de onde simbolicamente emana toda a Luz.

DISPOSIÇÃO DOS LUGARES EM LOJA

Observando-se a marcha do sol, e considerando-se o Templo Maçônico como o macrocosmo, em relação à terra, vemos que este nasce no Oriente, o Leste terrestre, onde está colocado o Venerável Mestre, passa pelo Sul, ao meio-dia, onde estão colocados os Companheiros Maçons, e se põe no Ocidente mais ao Norte, no Setentrião ou pólo norte, que é o local menos iluminado da terra e, conseqüentemente, do Templo, e é o local onde são colocados os Aprendizes, considerando que estes receberam uma luz muito fraca não estando em condições de receber maior claridade. Nesta coluna está colocado o Segundo Vigilante, responsável de transmitir as instruções aos Irmãos Aprendizes. Na coluna do Sul está colocado o Primeiro Vigilante, responsável pelas instruções dos Irmãos Companheiros.

Os Mestres Maçons ocupam a Câmara do Meio, que é permanentemente ilumina- da, ficando em plenitude com o universo, e expandindo as suas consciências de acordo com seus livres-arbítrios ou vontade, uma vez que as suas personalidades é que vão arbitrar os rumos que devem seguir, estando as suas disposições todos os recursos que a Maçonaria oferece como a mais perfeita Escola de Filosofia e de Doutrina Moral que existe, que visa ao aprimoramento do ser humano para que seja alcançada a Fraternidade Universal ou as corretas relações humanas.

O local dos Altares do Venerável Mestre e dos Vigilantes forma um triângulo isósceles, com o vértice principal para cima, que simbolicamente representa os três atributos da Divindade ou Tríade Superior que são a Sabedoria, a Força e a Beleza. Outro triângulo isósceles com o vértice principal para baixo, também é formado pela disposição dos Altares do Orador e do Secretário e o local do Cobridor Interno, que deve se situar na linha imaginária que divide o Norte e o Sul ficando em frente ao Venerável Mestre no eixo Oriente/Ocidente, este triângulo representa a Personalidade ou a Tríade Inferior, que são o corpo mental inferior, o corpo astral ou emocional e o corpo físico, que são representados pelos ocupantes dos cargos acima citados.

Estes dois triângulos entrelaçados dentro de um círculo que no Templo é representado pela expansão da luz da lâmpada mística que fica suspensa no centro do Templo, formam a representação do que chamamos Selo de David, que é o Símbolo do Iniciado. Este ponto central do Templo, onde se situa a lâmpada mística, juntamente com os pontos dos vértices dos triângulos superior e inferior, representam os sete centros de força do Homem Simbólico ou microcosmo e, como preconiza a Lei Hermética de que o que está em cima é semelhante ao que está embaixo, concluímos afirmando que o Templo Maçônico Adonhiramita é a mais perfeita representação do Homem Iniciado em união com o Grande Arquiteto do Universo.

Fonte: JBNews - Informativo nº 322 - 16 de Julho de 2011

domingo, 25 de outubro de 2026

FRASES ILUSTRADAS

GUARDA DE HONRA - 5

Em 15.06.2026 o Respeitável Irmão Fabiano Cunha, Loja Olímpio de Miranda, 2957, REAA, GOB-GO, Oriente de Ouvidor, Estado de Goiás, pede esclarecimento para a dúvida seguinte:

GUARDA DE HONRA 

Estava trabalhando como Mestre de Cerimônias em uma sessão magna e durante a saudação do Pavilhão Nacional, foi me informado que a Guarda de Honra, deveria abater as espadas e após voltar para a posição Ombro/Arma.

No REAA existe esse procedimento? Pois até hoje eu conheço a posição Ombro/Arma é um sinal de respeito.

EXPLICAÇÕES:

Inicialmente é oportuno mencionar que no Grande Oriente do Brasil, o que rege o cerimonial à Bandeira Nacional é o Decreto do Grão-Mestre Geral instituído sob o n.º 1476 de 20 de maio de 2016.

Conforme está previsto no seu Art.º 6º, V, letra "a", a Guarda de Honra, no momento da saudação à Bandeira Nacional, feita pelo Orador, abate espada, voltando ao final a se colocar em ombro-arma.

Adverte-se para não confundir o ato de saudação, feita pelo Orador, com o canto do Hino à Bandeira que ocorre seguido da saudação.

Sendo assim, durante o canto das duas estrofes do Hino à Bandeira, a Guarda de Honra se mantém com espadas em ombro-arma.

Vale ressaltar que a Guarda de Honra ao se colocar em ombro-arma está sob comando, ou a disposição, da Bandeira Nacional.

Para melhores esclarecimentos, recomenda-se a leitura completa do Decreto 1476/2016/GOB.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

BREVIÁRIO MAÇÔNICO

A ENFERMIDADE

Todo ser humano passa pela enfermidade e, sendo maçom, conta com o apoio da Fraternidade; um membro frágil deve ser amparado, tanto pelo carinho como por assistência médica e, sobretudo, espiritual pelo poder esotérico da Cadeia de União.

A enfermidade supõe o dever da “visitação”; o hospitaleiro tem esse encargo, e nos dias de reunião deve informar a Loja sobre o estado de saúde do irmão enfermo.

Sendo a Loja formada por elos, quando um deles é acometido pela enfermidade, toda a Loja é atingida; daí, até por interesse comum, a Loja deve tudo envidar para a recuperação da saúde daquele irmão enfermo; quando ele retornar à Loja será motivo de grande júbilo.

O maçom enfermo sente-se mais apegado à Loja, aguardando a visita dos Irmãos; quando essa visita não ocorre, há uma grande frustração, e então, certamente, atingirá a todos, uma vez que, além de lembrados pelo enfermo, há uma desconsideração e a quebra do compromisso de visitação.

O irmão que ama seu irmão, obviamente, o atenderá nos momentos de necessidade.

Cada maçom, cumprindo seu dever, faz com que a família sinta-se segura, uma vez que se hoje estamos gozando saúde, amanhã poderemos ser aquele enfermo que ansiosamente espera visitação.

É na Cadeia de União que todos expressam os votos de pronto restabelecimento.

Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014, p. 135.

O QUE É UM RITO?

 


Algo muitas vezes difícil de compreender tanto para os profanos como para os Maçons é a multiplicidade de ritos praticados pela Augusta Ordem. Os primeiros estão naturalmente desculpados uma vez que não entendem a não aplicabilidade da noção geral de rito à particularidade deste termo na Maçonaria.

Os segundo são geralmente vítimas, dado pertencerem a uma obediência que trabalha num só rito (o que não é uma falta) mas que padecem de falta de instrução adequada enclausurando-os no sistema iniciático que os viu nascer sem a subseqüente educação necessária.

Ora a Iniciação Maçônica é um ato libertador, pois que graças ao trabalho em Loja nos leva aos confins do Universo! Então o que é um Rito?

Uma definição muito profanadir-nos-ia tratar-se de um hábito cuja origem tem pouca importância, por vezes mesmo inexplicável, que rege certas fases da vida. Isto vale para a vida familiar, a vida profissional, (gestos dos artífices), a vida espiritual....

Mais significativa é a definição que se reporta ao espiritual, que entre outros nos diz: «conjunto de cerimônias em uso nas comunidades religiosas; organização tradicional das cerimônias».Esta definição é que nos interessará uma vez que situa o Rito no espaço-tempo sagrado onde os iniciados evoluem.

A Maçonaria transmite o seu conhecimento esotérico progressivamente permitindo que quem a procura tenha tempo de a digerir : faz-se por graus. Graus de conhecimento, concretamente, graus hierarquizando os Maçons na escada dos meios de aquisição que lhes é posta à disposição. Cada um destes graus comporta cerimônias de recepção, provas, discursos e instruções que só são valiosos e eficazes numa única condição: têm que se encadear entre eles numa perfeita coerência dialética.

Portanto o encadeamento dos graus de conhecimento de um método particular, na Maçonaria define-se como UM RITO. A idéia de coerência é fundamental, primordial, e condiciona a existência espiritual do Rito maçônico.

Tomemos por exemplo o R.E.R com uma Iniciação em seis graus, onde o primeiro constitui o Beabá e o sexto o toque final. Portanto não será bom ou mesmo correto interromper no grau de Companheiro e prosseguir a progressão num rito de coloração completamente diferente como por ex. no Memphis-Misraim sem que se tenha recomeçado ab initio toda uma educação, sob o risco de uma dissolução completa do conhecimento Iniciático adquirido.

Os meus Irmãos responder-me-ão que não é proibido mudar para um rito que parece corresponder melhor às suas necessidades espirituais precisas. Certo, mas prudência, e perseverança...... Já muito jovens maçons na sua ânsia de mudar de rito muito rapidamente se vieram a perder numa implosão radical ao nível do plano mental e espiritual.

Por quê a pluralidade dos Ritos?

Apesar de difícil confirmação julga-se que a nível mundial existiram em tempos cerca de 480 ritos maçônicos diferentes. Tal cenário fez com que eminentes movimentos maçônicos ao longo da sua história tenham tentado uniformizar os Ritos.

Entre 1717 e 1823 a Grande Loja de Londres tornou-se na Grande Loja Unida de Inglaterra e esforçou-se por uniformizar a Maçonaria, impondo progressivamente ao conjunto de Lojas que trabalhavam sob a sua jurisdição um método de trabalho que reduzia os rituais às bases estritas simbólicas das profissões de construtores.

De fato constata-se que este esforço deu os seus frutos na Inglaterra que pratica o rito de Emulação em cerca de 95% das suas Lojas..... Com um espírito completamente diferente e menos organizado, o Grande Oriente da França também tentou a uniformização das práticas rituais, com a finalidade de aproximar os seus membros.

O que veio quase praticamente a ser conseguido....- mas só no seu seio... Com efeito, aquilo que à cerca de 150 anos atrás parecia uma federação de ritos bem definidos, do Francês Moderno ao Escocês Antigo e Aceite, do Escocês Ratificado ao Misraim de Bedarride, veio a transformar-se numa simples federação de lojas que praticam uma versão muito livre do Rito Francês, de resto muito variável de Loja para Loja.

Portanto atente-se que a reforma inglesa que pretendeu revolucionar e uniformizar suavemente a Babilônia Maçônica, só conheceu sucessos notórios na Escócia e Irlanda, mas não conseguiu influenciar os novos países de cultura britânica que surgiram nos séculos XVII e XIX. A implantação do rito de Emulação nos países latinos e na França só conheceu um sucesso diminuto.

O mesmo se veio a passar com o Grande Oriente da França relativamente aos países francófonos. Esta dicotomia reformista chegou mesmo a ter efeitos perniciosos, com os ingleses a retirar o reconhecimento aos irmãos do Grande Oriente em 1877, data em que o espírito laico que pulsava nas terras da Gália levou a Obediência a permitir a livre escolha de invocar ou não o G.A.D.U.

Então como acreditar na cacofonia ritual que mais do que unir parece levar à desunião dos filhos da viúva ? A resposta é simples: um sueco médio e um português médio não reagem da mesma maneira perante a mesma situação. Uma população tradicional possui um florilégio de culturas, de mentalidades e de cuidados espirituais próprios.

Isto parece uma argumentação pouco simplória para alguns, mas como se explica a nascença de um Rito Sueco na Suécia, e que por exemplo a França só conheça trabalho assíduo no Rito Francês? O primeiro responde com a Iniciação à demanda de uma população de forte componente luterana, a uma história rude, e por tal uma dialética muito cristã e muito impregnada por uma vertente cavalheiresca. O segundo faz eco a uma cultura mais latina, menos militarista, de um ecletismo mais marcado por uma ligeira atração ao misterioso, a um clero católico mais propenso a uma influência moral e espiritual mais diminuta.

Mais subtil mente dito, o francês poder-se-á sentir mais atraído para os trabalhos operativos e teúrgico dos santuários herméticos de Memphis e Misraim, enquanto que o outro, o sueco,se envolve na busca da moral e estabilidade mais prosaica, preferindo abandonar-se totalmente ao duro e longo caminho da aprendizagem do Rito de York.

Apesar de tudo a Torre de Babel Maçônica é Una!

Ela é Una porque todos os povos que a construíam partilhavam os mesmos ideais em múltiplas línguas. A Maçonaria é constituída por homens diferentes perante o Eterno.

Os Maçons utilizam os seus meios limitados e as suas contingências locais na busca da Palavra Única. Esta busca sublime em todos os Ritos, longe de ser desacreditada pela oposição permite o acesso de cada um a um método de regresso à Palavra Única transcendendo rivalidades e incompreensões.

É por isso que um Rito Maçônico, seja ele qual for, parte sempre de uma aprendizagem alegórica da Arte Real, passa pelo desaparecimento do Respeitável Mestre Hiram e dos seus segredos, e continua-se por uma aventura que nos conduzirá a encontrar algo de ainda mais sublime. E apesar de alguns Ritos ignorarem mesmo a pessoa de Hiram, as forças postas em movimento serão sempre da mesma natureza.

Fonte: https://focoartereal.blogspot.com