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PERGUNTAS & RESPOSTAS
O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br
quinta-feira, 30 de julho de 2026
DISPENSA DE FORMALIDADE - INGRESSO DE ATRASADO
Em 07/05/2026 o Respeitável Irmão Tacachi Iquejiri, Loja Luz de Outubro, 2081, REAA, GOB-MS, Oriente de Campo Grande, Estado do Mato Grosso do Sul, apresenta a seguinte questão:
DISPENSA DE FORMALIDADE
Reporto à sabedoria do Irmão para esclarecer se é aceitável o V∴ M∴, no REAA, dispensar a formalidade no ingresso de IIr∴ retardatários, quando a Loja já estiver aberta.
Essa pergunta se fundamenta no fato de se verificar com frequência essa tomada de decisão do V∴ M∴.
Obrigado pela atenção.
CONSIDERAÇÕES:
Entende-se que todo ingresso em Loja aberta deve ser formal, sobretudo para aqueles que chegam atrasados por atrapalharem o andamento dos trabalhos.Diante disso, um Irmão retardatário deve ingressar pela marcha do Grau e saudar as Luzes na forma de costume, cabendo apenas, se for um Irmão conhecido, ser dispensado o questionário de reconhecimento.
O Venerável Mestre, em respeito àqueles que chegaram no horário, não deveria dispensar as formalidades, evitando assim contribuir com a indisciplina de se chegar atrasado – tolerância não deve ser confundida com indulgência.
T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br
O MAÇOM QUE FUNDOU BLUMENAU
Em meados do século XIX, o governo brasileiro intensificou a propaganda na Europa para atrair imigrantes e povoar o sul do país. Foi nesse contexto que o químico alemão Hermann Bruno Otto Blumenau desembarcou no Brasil em 1846, não como colono, mas como agente da Sociedade de Proteção aos Emigrados Alemães, com a missão de avaliar as condições das colônias já existentes no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Durante oito meses no Rio de Janeiro, estudou a legislação e os processos de imigração, até que em 1847 seguiu para Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis) e de lá para a colônia de São Pedro de Alcântara, primeira núcleo alemão em Santa Catarina. Foi quando ouviu falar pela primeira vez do Vale do Itajaí, uma região de mata virgem que despertou seu interesse.
Dois anos depois, em 1850, Blumenau retornou ao Vale do Itajaí decidido a criar seu próprio projeto de colonização. Escolheu às margens do rio Itajaí-Açu uma área de terras devolutas e, com autorização do governo provincial, deu início à colônia que levaria seu nome. Ele participou ativamente da organização do núcleo, demarcando lotes, construindo as primeiras moradias e estabelecendo regras claras para os colonos que começaram a chegar da Alemanha. A notícia de terras férteis e administração séria se espalhou rapidamente, atraindo dezenas de famílias germânicas nos primeiros anos.
Em poucas décadas, a colônia se consolidou como um dos mais bem-sucedidos núcleos de imigração alemã no Brasil, impulsionando a economia regional com agricultura, comércio e, mais tarde, a indústria têxtil. Blumenau transformou-se em cidade e se tornou um símbolo da presença germânica no sul do país.
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Hermann Bruno Otto Blumenau foi iniciado na Maçonaria em 1845, na Loja "Carlz zur Gekroenten Saeule", em Brunsviga, Alemanha. Ao voltar à sua "Colônia", fundou em 24.6.1870 a Loja "Zur Friednspalmer" (À Palmeira da Paz), sob jurisdição da Gr.: Loj.: de Hamburgo. Em 4.4.1974 os maçons de Blumenau fundaram a Loja "Hermann Blumenau", sob a jurisdição do GOB, Cadastro nº 1.896.
Fonte: https://angelinawittmann.blogspot.com | Kurt Prober.
...ENTRANDO NA MAÇONARIA
e. figueiredo (*)
contato: efig2005@gmail.com
(Vale a pena abrir mão da “qualidade” em nome da “quantidade” ?)
Estamos vivendo num mundo onde tudo está acontecendo com rapidez jamais vista. Invenções utilizando tecnologia avançada permitem realizarmos varias coisas (nosso trabalho, nossas tarefas cotidianas) em tempo restrito e com qualidade. As expressões, que as empresas passaram a utilizar há alguns anos, principalmente as multinacionais, “qualidade total”, “controle de qualidade“, e outras, acabaram tendo aplicação não só no campo profissional, mas, também, abrangendo diferentes áreas de atuação.
Essa tecnologia, que vem transformando o nosso planeta Terra, chegou também à Sublime Ordem. Assim é que “qualidade total” e “controle de qualidade” passassem a ser termos empregados pelos seus integrantes. E não poderia ser diferente, pois os Maçons convivem com os avanços tecnológicos nos locais de trabalho, cuja experiência, indubitavelmente, é transportada para o interior dos Templos.
Há aqueles, os quais interpretam como uma profanação à tradição Maçônica, que não vêem isso com bons olhos, entretanto, não poderão negar o lado positivo, que é a consciência de que as coisas na Arte Real merecem ser preparadas e cuidadas com carinho, seriedade e não de qualquer maneira, além de acompanhar a evolução que a Humanidade assiste. A Maçonaria precisa, também, de pessoas de “qualidade” que expressem sua condição de livre e de bons costumes, cumpridores de suas obrigações junto à família e à sociedade, com um testemunho coerente de vida.
A despeito da Ordem se ver na necessidade de servir, com maior atenção possível, prestando assistência às pessoas, devemos ter o cuidado de não pensar que a Maçonaria é simples empresa de prestação de serviços, como muitos assim a interpretam. A Maçonaria, como reza em sua declaração de princípios, tem por objetivo lutar contra a ignorância sob todas as formas; é uma escola mútua cujo programa se resume em: obedecer às leis do seu país, viver segundo a honra, praticar a justiça, amar o seu semelhante, trabalhar sem descanso para a felicidade da Humanidade e prosseguir a sua emancipação progressiva e pacífica. A Maçonaria não é como um produto qualquer, que pode ser comprado ou consumido; ela é formada por pessoas que se esforçam, a cada dia, para fazer cumprir esses princípios, sob os quais fizeram juramento. E é por isso que, nem sempre a “qualidade“ atende às exigências de quem a vê de fora.
Muitos Maçons crêem que é necessário restringir a quantidade de Obreiros em nome da qualidade. Como em qualquer comunidade, seus integrantes têm formas diferentes de ver a situação, o que tem provocado divergências quanto à interpretação dos conceitos da Ordem. Nos debates, discussões e palestras, que as Lojas promovem, têm aparecido as expressões “qualidade total” e “controle de qualidade” como menção para que seja mais acurada a escolha do candidato. Saber aproveitar-se da tecnologia é ter coragem de buscar novos métodos para o bem da Ordem e do seu aperfeiçoamento.
A preocupação tem razão de ser, pois a escolha de um candidato para adentrar à Ordem, poder-se-ia dizer, é tão importante como respirar para viver. São os escolhidos que dão continuidade à Instituição.
A amizade, a posição social, o modo de vida, o parentesco e o relacionamento profissional são algumas das condições que devem ser consideradas, porém, não imperativas na admissão de um novo membro. Um amigo ou um parente por mais íntimo que seja, pode merecer toda consideração como tal, todavia, não ser digno de que depositem nele a confiança necessária para ser candidato a Maçom. Deve-se entender, entretanto, que por melhor que seja estabelecido um procedimento de escolha, com “qualidade total” e “controle de qualidade”, sempre estaremos vulneráveis, e, com possibilidade de receber quem se desviou desse critério. É aí que deve entrar a catequese por aqueles que são considerados “enquadrados” para fazer o Obreiro, que não se identifica com os princípios, a ter melhor participação e desempenho e captar em profundidade as regras da Maçonaria.
Os que já fazem parte da Maçonaria não podem se fechar em grupos, julgando-se os melhores, e, muito menos, manifestarem com ambigüidade deliberada – a exemplo de mensagem diplomática – quando há necessidade constante de se optar pela integridade da Ordem. Devem, sim, estar abertos para acolher todos os que foram chamados a participar da Sublime Ordem, cada um a seu modo, independentemente se foi uma boa ou má escolha. Após a admissão deve ser acompanhado com atenção, responsabilidade e carinho, assistência está suplementada com farta literatura Maçônica, para que tenha conhecimento exato da entidade em que ingressou. É necessário ensinar a desbastar a pedra bruta com poucas ou muitas pessoas, através de Maçons que já têm boa caminhada, orientando como manusear, corretamente, o maço e o cinzel. Os mestres estão incumbidos de fazer surgir, no espírito do neófito, alguma chama que permita abrir novos horizontes. É a missão que cabe aos mestres executar, isto é, ensinar-lhe o sentido de ação. Além do mais, o fato de pôr de lado uma obrigação presumida, não dá direito a nenhum mestre Maçom de abandonar, indefinidamente, uma obrigação inerente. Não deixa de ser uma forma de se tentar corrigir uma possível escolha errônea. Por analogia, seria podar a árvore para que dê bons frutos. Assim encarada, a Maçonaria nunca será considerada uma simples agremiação ou mera espécie de clube social, mas como uma das vias da sabedoria universal e uma verdadeira escola de iniciação.
Apregoar, como fazem alguns Maçons, de que a porta de entrada da Maçonaria deva ser estreitíssima, e, a de saída, a maior possível, é uma forma simplista de tentar resolver o problema. A busca, de se encontrar o homem de real valor moral e intelectual, nem sempre é conseguida, porém, claro está, a preocupação na seleção deve prevalecer sem ser negligenciada, sob o risco de surgirem problemas, motivados por má escolha, quem sabe, insolúveis.
O importante é ter em mente: Se o Obreiro entrou na Maçonaria, cabe a nós fazermos com que a Maçonaria entre nele....
(*) E. Figueiredo - pertence ao CERAT - Clube Epistolar Real Arco do Templo / Integra o GEIA – Grupo de Estudos Iniciáticos Athenas / Membro da Confraternidade Mesa 22, e é
Obreiro da ARLS Verdadeiros Irmãos – 669 (GLESP)
Fonte: JBNews - Informativo nº 316 - 10 de Julho de 2011
quarta-feira, 29 de julho de 2026
DECRETO 1476/2016 - BANDEIRA NACIONAL
Em 07/05/2026 o Respeitável Irmão Cesar Augusto Carvalho Salim Junior, Loja Lauro Sodré IV, 1612, REAA, GOB-RJ, Oriente de Itaocara, Estado do Rio de Janeiro, formula a seguinte pergunta:
DECRETO 1476/2016
Recorro a vossa sabedoria, para sanar uma dúvida referente ao decreto 1.476 que dispõe sobre o cerimonial para a Bandeira Nacional. O Art. 6°, "por ocasião da saudação à Bandeira observa-se os seguintes procedimentos: "(ali ele explica todo procedimento). No item V, letra "a", no caso do REAA, "seguram a espada pelo punho, mão firme, braço estendido em diagonal, para direita do corpo, ângulo de 45° ponta da espada voltada para o solo e após o término da saudação todos voltam à posição de à Ordem". O Art.º 8°, fala de quando é entoado a primeira e última estrofe do Hino à Bandeira. Fica minha dúvida... A guarda de honra (mencionada no Art. 6° item II), volta quando a ombro arma? Após a leitura da saudação "Bandeira do Brasil./ que acabas de assistir..." ou volta a ombro arma após entoar o Hino à Bandeira? Desde já, agradeço a atenção poderoso irmão. TFA.
CONSIDERAÇÕES:
Durante a saudação ao Pavilhão Nacional, feita pelo Orador antes do encerramento dos trabalhos, a Guarda de Honra abate espadas. Concluída a mesma, a Guarda volta a posição de espadas em ombro-arma.
Para o canto da 1ª e última estrofes do Hino à Bandeira, a Guarda de Honra se mantém com as espadas em ombro-arma.
T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br
MINUTO MAÇÔNICO - 22
ORDEM MAÇÔNICA
1º - O vocábulo deriva do latim: Ordo, Ordinis, significando "disposição", "regra", "disciplina".
2º - A maçonaria recebeu o nome de "ordem dos maçons" e, mais tarde, "ordem maçônica", também denominada de arte real.
3º - A ordem maçônica significa uma maçonaria organizada, em todos os sentidos.
4º - Na maçonaria, tudo é "ordenado", ou seja, disposto e previsto, mercê de sua longa trajetória histórica.
5º - Dentro de uma ordem, portanto, o maçom deve acompanhar o que é organizado, previsto e estabelecido, submisso, tolerante e paciente.
Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br
ORAÇÃO AOS MAÇONS
SIGNORE E GRANDE ARQUITETO. CI UMILIANO AI TUOI PIEDI.
Senhor e Grande Arquiteto do Universo, nós humilhamos a teus pés invocamos o teu perdão pela heresia que, no decorrer dos séculos, nos impediu de reconhecer em nossos irmãos maçons os teus fiés prediletos. Temos lutado contra a liberdade de pensamentos, pois não tínhamos compreendido que o primeiro dever de uma religião, como justamente afirmou o "Concílio" consiste em reconhecer o direito de crer em Deus. Temos também, perseguido todos os que pertencendo a mesma Igreja havia aberto o caminho a verdade, filiando-se às "Lojas" com sereno desprezo às injúrias e ameaças.
Acreditamos louca e cegamente que em sinal da cruz pudesse ser superior a três pontinhos, posto em pirâmides. De tudo nos arrependemos amargamente, Senhor, e te imploramos de nos fazer ter, juntamente com teu perdão, também um compasso que sem dúvida alguma sobre os nossos altares de compensado, estaria bem melhor que os velhos crucifixos. "AMÉM".
(Escrita por S.S. o Papa João XXIII)
NOTA DO TRADUTOR:
Esta tradução foi literalmente transcrita de a "Tribuna Italiana", de 8/10/1966, deixando aos leitores a sua devida interpretação.
Fonte: https://conhecendomaconaria.blogspot.com
terça-feira, 28 de julho de 2026
O CHAPÉU E O VENERÁVEL MESTRE VISITANTE - REAA
Em 07/05/2026 o Respeitável Irmão Gustavo Ribeiro Pereira, Loja Filhos de Hiram IV, 3027, GOB-RS, REAA, Oriente de Marcelino Ramos, Estado do Rio Grande do Sul, pede esclarecimentos.
CHAPÉU E O VISITANTE
Mais uma vez entro em contato com o irmão para tirar dúvidas. Acerca do paramento do V∴ M∴ em exercício ao visitar outra Oficina, consultando os posts do blog verifiquei que deve ser completo, avental, colar e punhos de V∴ M∴. A dúvida é em relação ao chapéu após os novos rituais. Independente da sessão a ser visitada, o V∴ M ∴ em visita a outra loja usa sempre o chapéu?
CONSIDERAÇÕES:
No caso de um Venerável Mestre do REAA visitando uma Loja que pratica outro rito, é recomendável que ele não use o chapéu para não ferir a ritualística da Loja que ele estiver visitando.
Ainda, se o caso for de visitar a uma Loja do REAA que esteja trabalhando no Grau 01 ou 02, o Venerável visitante também não deve usar chapéu, a despeito de que o ritual vigente é bem claro ao mencionar que em Loja de Aprendiz e Companheiro somente o Venerável Mestre (dirigente dos trabalhos) é quem se cobre. Nesse sentido, o Venerável visitante não deve usar o chapéu.
Entretanto, se os trabalhos estiverem ocorrendo em Loja de Mestre Maçom, onde no REAA todos os Mestres se cobrem, aí é perfeitamente admissível que também o Venerável visitante use cobertura.
É oportuno lembrar que a cobertura no REAA se trata de um chapéu negro desabado (com abas moles), cujo modelo pode ser encontrado no respectivo ritual do 3º Grau/GOB, página 35
T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br
SOBRE DISCRIÇÃO, VAIDADE E FIDELIDADE AO JURAMENTO
Meus Irmãos, novamente eu peço permissão para compartilhar uma inquietação que carrego no espírito e que, por zelo à Ordem e respeito aos nossos juramentos, não pode permanecer em silêncio.
Percebo que, de alguns anos para cá, muitas Ordens que outrora se diziam secretas ou discretas, passaram a buscar visibilidade excessiva.
Não uma visibilidade pedagógica ou edificante, mas uma exposição que parece ter outro objetivo: arrebanhar neófitos, atrair curiosos, prometer vantagens futuras, despertar interesses que não são iniciáticos, mas utilitários.
Isso, meus Irmãos, é lamentável.
Vemos hoje fotografias do interior dos templos sendo divulgadas.
Vemos alfaias expostas como troféus.
Vemos membros sendo exibidos como símbolos de status.
Vemos disputas veladas, ou nem tão veladas assim, para saber qual Potência aparece mais, qual Ordem parece maior, mais “ativa”, mais “moderna”.
Pergunto, com sincera preocupação:
Para quê tudo isso?
Para quem?
E a que custo?
Nossos antigos Patriarcas não agiam assim.
Eles eram discretos ao ponto de parecerem invisíveis.
Trabalhavam em silêncio.
E justamente por isso, foram temidos, respeitados e estudados ao longo dos séculos.
O Mistério não se impunha pelo espetáculo, mas pela profundidade.
Hoje, ao contrário, vejo mistérios sendo colocados em vitrines.
Vejo símbolos sendo banalizados.
Vejo o interior dos templos tratado como cenário.
E preciso perguntar, como Irmão entre Irmãos:
Que tipo de polimento estamos fazendo em nossa pedra bruta quando buscamos aplauso em vez de aperfeiçoamento?
A vaidade, meus Irmãos, é uma ferramenta perigosa.
Ela se disfarça de zelo, de divulgação, de “atualização dos tempos”.
Mas, quando não vigiada, corrói a essência iniciática.
Não juramos para sermos vistos.
Não juramos para competir.
Não juramos para expor o que nos foi confiado em silêncio.
Juramos guardar.
Juramos respeitar.
Juramos trabalhar sobre nós mesmos, e não sobre a imagem que os outros fazem de nós.
Por isso, deixo este alerta fraterno, não como acusação, mas como chamado à consciência:
Tenhamos cuidado.
O que se perde na ânsia por visibilidade raramente se recupera depois.
Que cada Irmão reflita, em seu íntimo, se suas ações honram o juramento que fez.
Que cada Oficina se pergunte se está formando Iniciados… ou apenas atraindo espectadores.
Que voltemos, sempre que necessário, ao silêncio fecundo.
À discrição que protege.
À humildade que constrói.
Pois a verdadeira evolução não se fotografa.
Ela se vive.
Assim falo, assim advirto, assim confio aos meus Irmãos.
Fonte: Facebook_Aprendiz de Cavaleiro
segunda-feira, 27 de julho de 2026
VENERÁVEL MESTRE PERAMBULANDO PELA LOJA
Em 05.05.2026 o Respeitável Irmão Rodrigo Cesar Abu Bakr, Loja 21 de Março, REAA, GOB-SP, Oriente de Várzea Paulista, Estado de São Paulo, faz a seguinte pergunta:
VENERÁVEL MESTRE
Minha dúvida é a do nosso Venerável Mestre. Durante a sessão de iniciação, na leitura que o Venerável tem de fazer, ele poderá executar circulando em Loja ou deve se postar da cadeira dele no Oriente? Talvez pergunta se prende ao fato de o Venerável querer dar mais dinamismo e integração com os irmãos presentes.
Agradeço mais uma vez pela atenção!
CONSIDERAÇÕES:
Está mais do que na hora de pararmos com essas invencionices. Ora, no andamento da cerimônia de Iniciação, o único momento previsto em que o Venerável Mestre sai do seu lugar é quando ele procede a sagração (consagração) do candidato.Fora essa oportunidade, todas as suas falas ocorrem com ele no seu lugar em Loja, que é o trono, sob o dossel, e não "perambulando" pela Loja.
O Venerável Mestre não pode fazer isso, sob pena de estar desrespeitando o que menciona o ritual em vigência.
É bom que se diga que o ritual vigente deve ser seguido como está elaborado e ponto final. Lembra-se que a magnitude da cerimônia, por si só, já é dinâmica e carrega costumes e tradições, portanto não há necessidade de o Venerável Mestre inventar procedimentos para acrescentar dinamismo e integração.
T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br
UM CHAMADO AO RENASCIMENTO
Um movimento emergente lança um manifesto ousado pela criação de uma Grande Loja dedicada ao Rito Padrão da Escócia (RPE). Introduzido na França em 1986, este rito, enraizado na mais pura tradição escocesa, vê sua identidade ameaçada pela fragmentação e adaptações arbitrárias. Com o slogan "Reunindo o que está disperso", a iniciativa busca restaurar a voz soberana do RPE e uma estrutura que preserve sua herança.
Diante de desvios ritualísticos e da diluição em múltiplas obediências, os autores defendem uma Grande Loja independente e fiel à tradição. Seus objetivos são claros: restaurar a pureza do rito, garantir a autonomia das lojas dentro dos Landmarks e oferecer uma governança colegiada e transparente, livre de debates políticos ou religiosos.
O apelo é dirigido a todos os Irmãos e Irmãs comprometidos com uma prática autêntica. Os promotores convidam à participação nas primeiras assembleias para co-construir este renascimento. Contatos estão abertos através do site glrse.org. Esta é uma oportunidade histórica para redefinir o futuro do RPE perante os desafios modernos.
Fonte: https://450.fm/
Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria
IGUALDADE (II)
Ir∴ Anatoli Oliynik
Loja “Laélia Purpurata” nº 3496 de Camboriú
Contato: anatoli@anatolli.com.br
O lema da Maçonaria moderna, constituído pelas expressões Liberdade, Igualdade e Fraternidade, não é novidade para os maçons.
Todos os maçons sabem que, após a Revolução Francesa em 1789, a Maçonaria retirou as duas primeiras expressões, Liberdade e Igualdade do lema da própria revolução, acrescentando a elas uma terceira: Fraternidade, retirada do lema da 2ª República (1848), que substituiu a “ou la Mort” daquela.
Estas expressões são pronunciadas pela maioria dos maçons até a exaustão, entretanto, nem todos sabem o significado de cada uma destas palavras.
Neste ensaio procuraremos precisar a real dimensão da palavra igualdade, a mais desejada pelos povos e a menos compreendida.
Segundo o dicionário Aurélio, o verbete igualdade, de origem latina [aequalitate], é um substantivo feminino significando:
1. Qualidade ou estado de igual; paridade.
2. Uniformidade, identidade.
3. Eqüidade, justiça.
Temos ainda, segundo o conceito da ética, a “Igualdade moral” com o seguinte significado:
“Relação entre os indivíduos em virtude da qual todos eles são portadores dos mesmos direitos fundamentais que provêm da humanidade e definem a dignidade da pessoa humana.”
Afinal, o que é Igualdade?
Os homens são iguais por sua origem, natureza e destino.
Nos povos antigos, inexistia a compreensão da igualdade entre os homens. Platão (429-347 a.C.) e Aristóteles (384-322 a.C. defenderam amplamente a instituição da escravatura, tida, à época, como normal. Aliás, no nosso país a escravatura foi considerada normal até por volta de 1850 quando foram iniciados os movimentos abolicionistas.
Na democracia ateniense, costumeiramente louvada entre nós, havia quatro escravos para cada homem livre. Em Roma, não era diferente, onde os escravos eram numerosos e postos a exercer muitas atividades.
Deve-se ao Cristianismo a mais antiga proclamação de igualdade substancial entre os homens: “criados por Deus, à sua imagem e semelhança, portadores da mesma essência e destinados ao mesmo fim, que é o próprio Deus, mediante o resgate advindo da Redenção”.
Essa igualdade confere aos homens uma dignidade ontológica, que lhes assegura o direito a igual tratamento no âmbito da ordem legal. Isso não significa que se deixe de atender aos princípios de justiça, pois, se é certo que é preciso tratar com igualdade os iguais, não é menos certo que se devem tratar com desigualdade os desiguais.
Nisto não vai nenhum atentado contra a dignidade humana, como pretendeu Marc Sangnier (1873-1950) ao defender uma igualdade absoluta que o levava até mesmo a insurgir-se contra a obediências – por entende-la contrária à “eminente dignidade da pessoa humana”- substituindo-a por uma “autoridade consentida”.
Estamos aqui diante de uma falsa dignidade humana, que acaba comprometendo a reta ordenação da sociedade. É o que vem acontecendo com determinados grupos de “Direitos Humanos” que se utilizam desta premissa, distorcendo completamente o conceito de tratar com desigualdade os desiguais.
O direito à igualdade, aliás, quando se defronta com o exercício de outros direitos fundamentais, acaba encontrando limitações que demonstram a insubsistência de seu caráter absoluto.
Quando a Revolução Francesa levantou a bandeira da “Liberté, Igualité, ou la Mort”, a igualdade irrompia com ímpeto radical, visando a extinção de todo e qualquer privilégio e hierarquia social. Na verdade, porém, o que se pretendia era menos a derrubada de um regime político do que a implantação de uma outra concepção do homem e da sociedade.
“Todos os homens nascem e permanecem livres e iguais em direitos”, diz o artigo 1º da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, de 1789. Mas não há igualdade entre uma criança e um adulto, entre um homem honesto e um homem desonesto etc. É justo, pois, que tenham tratamento desigual.
A igualdade absoluta, além de resultar de uma concepção abstrata do homem, põe a perder a justa compreensão da verdadeira igualdade, que considera os homens iguais quanto ao ser (origem, natureza e destino), mas não pode ignorar a evidência de que, ao mesmo tempo, são desiguais quanto ao modo de ser (inteligência, cultura, talento, aptidão, competência, iniciativa, empenho etc.). Estas desigualdades pessoais se harmonizam com a natureza das coisas e conferem dinamismo à vida social, especialmente se esse dinamismo, aberto aos princípios de justiça, ganhar expansão no quadro de uma estrutura orgânica da sociedade.
Enquanto a igualdade pretendida pelo liberalismo acabou gerando desigualdades odiosas, que deram origem ao intervencionismo do Estado e conseqüentemente mutilação da liberdade, a igualdade da utopia socialista, onde tentou implantar-se, mas não conseguiu mais do que um nivelamento mecanicista, ao preço da liberdade e do direito, sob a égide de um burocratismo assoberbante, elitizado na nomenclatura. (1)
Isto posto, a igualdade, assim como a liberdade, é um ideal. Sendo um ideal, passa a ser um conceito abstrato, relativo e não absoluto, que pode ser interpretado de muitas maneiras.
Na Grécia antiga, por exemplo, a idéia de igualdade caracterizava a democracia. Entre nós é caracterizada como repartição e paridade.
O conceito de igualdade, na prática, é relativo ao menos a três variáveis que precisam ser consideradas todas as vezes que se introduz o discurso sobre o maior ou menor desejo de realização da idéia de igualdade:
a) os sujeitos entre os quais se trata de repartir os bens e os ônus;
b) os bens e os ônus a serem repartidos;
c) o critério com base no qual os repartir.
Em outras palavras, nenhum projeto de repartição pode deixar de responder a estas três perguntas:
a) igualdade entre quem?
b) em relação a que?
c) com base em quais critérios?
Combinando estas três variáveis pode-se obter uma variedade enorme de tipos de repartição, todos passíveis de serem chamados de igualitários apesar de serem muito diversos entre si. Os sujeitos podem ser: todos, muitos, poucos e até mesmo um só. Os bens a serem distribuídos podem ser direitos, vantagens ou facilidades econômicas, posições de poder. Os critérios podem ser a necessidade, o mérito, a capacidade, o esforço e outros mais; e no limite da ausência de qualquer critério poder-se-ia dizer: A mesma coisa para todos.
Na sociedade familiar, por exemplo, o critério prevalente na distribuição dos recursos é mais a necessidade do que o mérito, mas este não está excluído. Na escola, por sua vez, o mérito como critério deve ser exclusivo, porque a escola não pode deixar de ter uma finalidade seletiva, assim como os concursos para um emprego qualquer.
Por outro lado, a máxima “a cada um o seu” é, em si mesma, vazia e deve ser preenchida especificando-se não apenas a quais sujeitos está referida e qual o bem a ser distribuído, mas também qual é o critério, exclusivo ou prevalente, que, com relação àqueles sujeitos e àquele bem, deve ser aplicado.
Segundo a maior ou menor extensão dos sujeitos interessados, a maior ou menor quantidade e valor dos bens a distribuir, e com base no critério adotado para distribuir tais bens a um certo grupo de pessoas, podem ser distinguidas doutrinas mais ou menos igualitárias.
Partindo-se da dupla constatação, de um lado a diversidade dos homens e, de outro, a multiplicidade de modos com que se pode responder à pergunta: “igualdade em que?” poder-se-ia afirmar que não existem teorias completamente inigualitárias, pois todas propõem a igualdade em alguma coisa como meio que conduz a uma boa vida. O juízo e a mensuração da igualdade dependem da escolha da variável - riqueza, felicidade, renda, etc. - que conforme as circunstâncias é selecionada pelas diversas teorias. A igualdade baseada em uma variável obviamente não coincide com a igualdade baseada em outra.
Destas observações, pode-se concluir que é tão irrealista afirmar que todos os homens devem ser iguais quanto todos os homens devem ser desiguais. Realista é apenas afirmar que uma forma de igualdade é desejável.
Fonte: JBNews - Informativo nº 316 - 10 de Julho de 2011
domingo, 26 de julho de 2026
QUESTIONÁRIO - AUMENTO DE SALÁRIO
Em 05/05/2026 o Respeitável Irmão Antônio Luiz de Souza, Loja Alferes Tiradentes, 1680, REAA, GOB-ES, Oriente de Vila Velha, Estado do Espírito Santo, pede esclarecimento para o que segue:
QUESTIONÁRIO
Levantou-se a dúvida sobre o artigo 35 § 1º do RGF:
“Será exigido, no mínimo, que o Aprendiz elabore um trabalho escrito, a ser devidamente analisado pela Comissão de Admissão e Graus. A Loja fará também um questionário sobre os conhecimentos adquiridos pelo Aprendiz e permitirá que se façam arguições orais. Concluído o exame, o Aprendiz cobrirá o Templo e a Loja passará ao Grau de Companheiro. O Venerável Mestre abrirá a discussão sobre o exame prestado. Em seguida colocará em votação o pedido de colação ao Grau de Companheiro o qual será decidido pela manifestação da maioria dos Irmãos do Quadro presentes à sessão”.
Foram realizadas perguntas do ritual ao irmão Aprendiz (1,2 e 3) instruções. Um Mestre Instalado se insurgiu, disse que teria que fazer as perguntas do questionário que a Loja criou. Esse questionário que fala o RGF, a Loja deve montar um questionário? Ou as perguntas devem ser realizadas dentro do ritual? Grato pela atenção, meu irmão.
CONSIDERAÇÕES:
O artigo menciona um "questionário", mas não indica de onde as perguntas devem ser tiradas, ou como elaboradas. Obviamente, que o mais racional é uma preparação baseada nas instruções de Aprendiz que constam no ritual, não obstante isso não ser uma regra. A Loja, com o Vigilante instrutor, devem elaborar o questionário da forma que melhor lhe aprouver.
Muitas Lojas criam, através da sua Comissão de Admissão e Graus, instrumentos para instrução, dos quais questionários para essas ocasiões.
De tudo isso, o critério de elaborar de um questionário para aumento de salário é exclusivamente da Loja, desde que ele a matéria se destine à verificação da qualidade de conhecimento daquele que pleiteia um aumento de salário.
NOTA – O questionário para aumento de salário deve atender as Instruções previstas no Ritual, podendo, no entanto, a juízo da Oficina, ser mesclado com outras questões apropriadas para o conhecimento de um candidato pertencente a uma Loja do GOB.
T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br
BREVIÁRIO MAÇÔNICO
Sob o dossel às costas do Venerável Mestre, quando em seu trono, vemos o Delta Luminoso, polígono geométrico que lembra a Santíssima Trindade e traz à consciência toda gama tridimensional simbólica da tríade.
O delta é iluminado, seja pela incidência de um foco de luz, seja porque há uma luz dentro de si, luminosidade que chama a atenção e empresta características divinas.
Com o seu "olho", inserido em seu centro, sentimos "uma presença" dominadora. Essa presença Vigilante deve nos acompanhar em tudo. mesmo fora do templo.
Como símbolo, é a homenagem que o homem faz a Deus, atraindo seu presença.
O Delta Luminoso é um objeto, mas ao mesmo Tempo uma invocação, uma vez que, permanecemos na escuridão, ao abrirem-se os trabalhos da Loja, lhe é dada luz.
Devemos manter na memória esse símbolo, conscientes de que fazemos parte desse divindade; seria uma religação constante com o poder maior.
Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014, p. 121.
SECRETÁRIO DA LOJA DE UM PONTO DE VISTA INICIÁTICO
José Amâncio de Lima
A espada, utilizada na maçonaria desde tempos antigos e remotos, permanece com a sua simbologia própria e inalterável. Símbolo da defesa impiedosa, da destruição, da manutenção e recuperação da própria dignidade apesar da sua essência, com absoluta energia, o símbolo da justiça. Símbolo, muitas vezes desperto da virilidade e como símbolo fálico, à excepção de raras personalidades históricas, guarda para si e para quem a possui, o poder de posse, da vitória, da justiça. Entretanto, na reflexão da sua própria simbologia e significado, é de se questionar quanto à sua existência e manutenção em ritos e cerimónias onde o amor, a paz e a harmonia enaltecem sobremaneira os três objectivos, quais sejam, a liberdade, a igualdade e a fraternidade. E para a sustentabilidade destas prerrogativas, prefaciamos trabalhos com a anunciação dos propósitos de cavar masmorras ao vício, edificando templos à virtude. E, concluímos com altos brados, desejando a todos, paz, harmonia e concórdia, ou, em cadeia louvamos a nossa união, ao som de Mozart.
Na revolução francesa, foi dado o brado, liberté, égalité ou mort, com a espada em movimentos e silvos breves e agudos, como instrumento de defesa desta prerrogativa. Desembainhar uma espada significava uma acção destrutiva, ou seja, a pena de morte declarada aos inimigos deste ideal. Embainhá-la significava o alerta, a vigilância a espera de um ataque iminente. Entretanto, na maçonaria, a liberdade, a igualdade e a fraternidade não sustentam paradigmas dogmáticos de lutas ou (Publicado em freemason.pt) de revoltas, mas sim fundamentos filosóficos de comportamento social.
Seja para o neófito, seja no início de uma sessão, encontramos o guarda do templo armado com uma espada, em posição de defesa significando que o templo está protegido após a verificação armada, interior e exteriormente. Sequer embainhadas estão, mas à mão dispostas à acção, ao pronto estabelecimento da ordem e da defesa quando julgado necessário. “Ninguém que ama o seu país pode auxiliar o seu progresso se ousar negligenciar o menor dos seus compatriotas” (Gandhi). Louvores ao acto heróico, volúvel e académico, apenas, todavia, pergunto: o poder de destruir o mal para preservação do bem e da justiça dependem do uso da força quando o perdão é próprio ao homem?
Simbólico ou não, verifica-se a manifestação do propósito inalterável da predisposição à luta armada, tendo-se a impiedosa demonstração de que, a agressão física é um pressuposto indelével de permanente estado de alerta, em oposição ao místico significado simbólico de uma filosofia existencial. Filosofia esta, desenvolvida numa cerimónia, onde a virtude, uma arte que deve ser cultivada com a palavra, com o amor, o que justifica, jamais ser necessário metaforizar um procedimento para a perfeita aceitação e compreensão de um comportamento, onde desafio armado com potencial à defesa, parece satisfazer uma necessidade oculta. E isto leva-nos a crer que estamos cultivando conceitos antagónicos, com padrões distorcidos pela própria definição, onde o simbolismo de um objecto, cujo valor intrínseco ao seu significado, nos leva a contradições evidentes.
A justiça tem como símbolo a espada, não como arma, mas como fiel de uma balança, manifestação da verdade, única e imparcial. A maçonaria tem a espada como símbolo da defesa armada. Uma contradição aos princípios de uma filosofia que tem como vector direccionado à pesquisa da verdade. E a verdade não se conquista com a força, afinal a verdade não é património de ninguém, é uma revelação da essência da natureza humana, o amor. A verdade pertence a um dos vértices de um triângulo com o amor e Deus. Conheça um deles e os outros lhe serão revelados.
Paradoxal comportamento, onde gesto e palavra se contradizem, manifestando-se em linha de colisão permanente, pois desde quando honra e dignidade se defende com arma? E a palavra, onde fica? Os grandes heróis e conquistadores, em toda história da humanidade, mantêm a sua plenitude através das armas enaltecendo o refrão, se queres a paz, arma-te. Mas sempre nos reportamos à arte de falar e nos enchemos de honras citando Sócrates, Buda, Jesus, entre tantos outros, dos quais os legados ainda hoje nos suprem à resistência das nossas amarguras e decepções. Apenas a palavra, a não violência.
Entretanto os princípios levam-nos a entender que, se queres a paz, ama teu próximo como a ti mesmo, porém, com a espada, arma própria à execução, à morte com requintes de crueldade. Ela está associada ao próprio juramento penalizando o perjuro cortando a sua cabeça, dilacerando o seu peito, arrancando as suas vísceras. E assim, ela está associada à lei dos contrários, dos opostos, da divisão, seja da unidade ou da pluralidade. Admitamos, pois, a sua integridade pela propriedade física de atrair a energia cósmica, transferindo-a para o seu portador que se potencializa como transmissor das suas virtudes.
A essencialidade e a existencialidade da instituição se contradizendo nos seus próprios conceitos. Se extraído este comportamento da nossa história, as necessidades ao confronto eram necessárias à preservação de princípios ou segredos, inerentes ao sucesso material de uma actividade, quando lojas de pedreiros se reuniam para discutir o andamento das suas construções de templos. Hoje, bem o sabemos, procuramos construir também templos, mas templos de comportamento social. Comportamento estruturado na moral e na preservação da dignidade. Preservamos o conceito de que a instituição nada mais é que um ideário de comportamento estruturado na ética e na moral. Não obstante, permanecemos inflexíveis quanto à associação de virilidade com o porte e manuseio de uma arma.
Conservemos a espada, sim, não como arma e o seu simbolismo pretendido à defesa ou ataque. Conservemos o seu simbolismo próprio à preservação da rectidão, da lealdade, e, com o poder da palavra, da honra e da dignidade.
É também por demais estranhos ser alheio ao entendimento quando um Maçom, em sociedade, em permanente transformação evolutiva de conhecimento, globalizando conceitos e comportamentos, permanece irredutível quanto aos conceitos que persistem em situar-se no altar dos arquétipos emancipadores, onde fé e crença se dissociam na sua plenitude. Resiste a qualquer inovação, ou renovação ou mesmo ao renascimento de comportamentos precisos, não apenas toleráveis, mas amplamente divulgados quanto à sua plena necessidade de permanência construtiva em parceria com a própria evolução.
Os ritos, mesmo que estabelecidas excepções, necessárias e evidentes, persistem, pela força dos próprios ritualistas, quanto à permanência de símbolos como a espada, apesar da evidente constatação do seu uso supérfluo, arrogante, prepotente e agressivo, pois muito bem sabem que as evangelizações dos conceitos básicos são apenas toleráveis a circunstâncias.
Existem ritos, que mesmo após transformações diversas, utilizam a espada para verificar se o templo está protegido, mesmo que simbolicamente. Mas há também ritos, que o próprio corpo de obreiros, antes da sessão, após a solicitação para entrar no templo, são recebidos por um irmão, um guardião, não com a espada em riste, mas em posição de defesa, em direcção aos próprios irmãos. Mas o que significa tudo isto? Que simbologia é esta que transforma a palavra, símbolo áureo da dignidade e da honra, em ameaça de defesa e luta armada?
Mais agravante, a cessão da luz ao neófito. Os irmãos que o recebem dão-lhe a luz ameaçando-o com espadas a ele dirigidas. Por que não com as mãos estendidas em sinal de chamamento ao caminho da luz, da verdade, da harmonia, da concórdia e da virtude? Mas não, é com a espada a ele dirigida, símbolo da defesa de um ideal, de uma casta, de uma sociedade, de uma instituição que o seja, mas sempre com o instinto de guerra, de luta armada, subjugando o suposto pretendente inimigo.
Julgo ser algo a considerar, haja vista o paradoxal sentido desta simbologia, ou mesmo de um cerimonial onde as leis morais rezam e direccionam o comportamento ideal. E isto não acontece com uma arma, com uma espada, faz-se, isso sim, exclusivamente com a palavra, pois caso contrário, trata-se de uma suposta prerrogativa do direito de subjugar-se o ser pelo ter.
Talvez uma ideia a ser amadurecido, um novo modelo necessário à simbologia autêntica e suficientemente abrangente quanto às nossas necessidades de defesas, afinal sentimo-nos, por acaso, aliviados quando protegidos por um guarda portador de uma espada? Evidente que não. Temos necessidade de um pacto com todos. Um pacto de fortalecimento dos nossos ideais estruturados num princípio único: a filosofia do amor e da verdade como paradigmas do comportamento ideal.
Ora, tenhamos um mínimo de sinceridade: a maçonaria não tem como função ou finalidade determinante da sua existência, o que proclamamos de caridade. A beneficência maçónica, por mais justa e perfeita que possa parecer, até pode traduzir a nossa sensibilidade social. Entretanto sabemos que não se trata, fundamentalmente de usufruir os ensinamentos de Francisco de Assis, na forma de caridade social, pois o mesmo Francisco, na sua totalidade como homem justo e perfeito, essencialmente completo, tratava das causas das necessidades sociais apenas com a palavra.
Façamos, pois da espada, não uma arma, mesmo que de forma simbólica, mas sim, transformemos em algoritmo próprio ao despertar de uma nova ordem. E sem eufemismos à ritualística, consideremos a espada, não portadora, mas esculturada ou depositada em nicho próprio, como símbolo da inteligência e da conduta, tal qual arquétipo do saber, pois a sua utilização de forma correcta ou não, demonstra a preocupação através de erros e acertos da nossa exclusiva responsabilidade.
Por esta razão creio que a transformação da espada objecto, em espada palavra, seria a definitiva aglutinação dos conceitos gerais de liberdade, de fraternidade, de igualdade. Seríamos os cavaleiros da verdade, armados não com espada, mas com o verbo. Seríamos os construtores do grande templo, o templo da sabedoria, pois sabemos todos, que o princípio que nos rege, fundamenta-se no testemunho da sabedoria quando nos conscientizamos, de que o nosso objectivo está na prática do amor ao próximo, isto é, ama teu próximo como a ti mesmo.
“No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele: e nada do que foi feito, foi feito sem ele. Nela estava à vida, e a vida era a luz dos homens: e a luz resplandece nas trevas, mas as trevas não a compreenderam”. (Jô 1, 1-5).
NA MAÇONARIA – A espada é um acessório muito usado nas cerimónias maçónicas, geralmente como símbolo do poder e autoridade, e emblema dissipador das trevas da ignorância. É usada como jóia do Primeiro Esperto, Cobridor (Interno e Externo).
Temos também, a ESPADA FLAMEJANTE (Flamígera) – A que tem a lâmina ondulada, qual língua de fogo serpentino. É usada pelo Venerável Mestre como símbolo do poder criador do GADU. Ao seu triplo tinir com os golpes do malhete (símbolo da autoridade, de que o Venerável Mestre se acha investido pela constituição maçónica), é o recipiendário iniciado e admitido nas fileiras da Ordem. Em alguns países latinos é também usada pelo cobridor que assim guarda o Templo.
Etimologia de espada
Espada [do grego Spáthe, pelo latim Spatha]Armas brancas, formadas de uma lâmina comprida e pontiaguda, de um ou dois gumes.
Muito utilizado pelos Militares
Aumentativo: espadão, espadagão. Diminutivo: espadim
Fonte: https://www.freemason.pt
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