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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

domingo, 6 de setembro de 2026

AVISO

O Blog permanecerá inativo por trinta (30) dias

Motivo: Viagem

Para acompanhar acesse irbianchi.blogspot.com

FRASES ILUSTRADAS

COLUNAS NO ÁTRIO (COLUNAS VESTIBULARES OU SOLSTICIAIS)

Em 02/06/2026 o Respeitável Irmão Joséllio Carvalho, Loja Libertas Quae Sera Tamen, 1180, REAA, GOB MINAS, Oriente de Ipanema, Estado de Minas Gerais, apresenta a questão seguinte:

COLUNAS DO ÁTRIO

O Ritual de Aprendiz do GOB (2024), em sua página 21, descreve que as Colunas Vestibulares são de estilo babilônico.

Dúvidas:

1) De forma a nos orientar, há alguma ilustração correta de como devem ser confeccionadas essas colunas?

2) Qual seria a cor dessas colunas? Brancas ou Bronze ou outra?

3) Quais os ornamentos obrigatórios? Romãs? Globos? Outros?

4) Qual dimensão ideal sugerida?

CONSIDERAÇÕES:

Número 1 - Para o REAA, o recomendável é que as Colunas Vestibulares sigam o padrão babilônico de colunas, desproporcionais e de feição egípcia. Na verdade, o que existe nesse sentido é um sincretismo de estilos arquitetônicos envolvendo o babilônico e o egípcio.

O termo “papiriforme” se deriva de alguma coisa que tem a forma de papiro sendo muito usado para descrever colunas com capitéis em formato de flor ou feixe de papiro.

No caso da sua utilização pela Moderna Maçonaria, as colunas do vestíbulo do templo geralmente seguem a forma papiriforme. São estilizadas e decoradas com motivos relativos ao papiro, a flor de lótus. Ambas têm aspecto fálico.

Na atualidade, o mercado de decoração de templos maçônicos fabrica e comercializa muitas colunas com essas características.

Vale ressaltar que independente de estilo arquitetônico, o mais importante no REAA é a presença física dessas duas colunas (marcos solsticiais) ladeando a parte externa da porta -  conforme o previsto no título Planta do Templo no ritual vigente.

No entanto, as características construtivas legadas ao REAA, podem, em outros ritos, possuir aparência e localização diferenciada.

Número 2 – Para o REAA o recomendável é que essas duas colunas sejam pintadas na cor bronze (próximo ao dourado).

Número 3 - Como aqui já foi mencionado, essas colunas são estilizadas (decoradas) com motivos que lembram folhas de papiro e flor de lótus. Representam a universalidade e espiritualidade, respectivamente. No topo de cada uma dessas colunas, sobre seus respectivos capiteis, ficam conjuntos formados por frutos de três romãs maduras e abertas (símbolos da harmonia social). 

Há Lojas, no entanto, que ainda colocam sobre as romãs, dois globos, sendo que na Col B vai um globo terrestre e na Col J um globo celeste, este último rodeado pelos signos que constituem o Zodíaco. 

A bem da verdade, o que de fato é imprescindível no 1º Grau são as romãs, mormente porque os globos são símbolos pertencentes ao 2º Grau e podem perfeitamente ser encontrados sobre as duas CCol desenhadas no Painel da Loja de Comp Maçom.

Número 4 - As dimensões das Colunas Vestibulares B e J devem se adequar à largura e altura da porta do templo (proporção). No que diz respeito ao diâmetro de cada uma delas, geralmente fica entre 35cm a 45cm. 

Conforme o caso, podem ser mais delgadas ou espessas, de tal maneira que a altura de cada uma delass seja um pouco mais alta que a verga da porta do templo. Essas Colunas são ocas. 

Concluindo, em linhas gerais é isso. Não existe uma regra rígida de medida para as Colunas Vestibulares, destacando que o mais importante é a existência de ambas ladeando a porta do templo pelo lado de fora (átrio). Como o REAA é um rito solar por excelência, as Colunas Vestibulares, também chamadas de solsticiais, metaforicamente marcam a passagem pelo templo dos trópicos de Câncer (Norte - Col B) e Capricórnio (Sul - Col J).

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

BREVIÁRIO MAÇÔNICO

A DOUTRINA

A Maçonaria, em certo sentido (como sendo escola) é denominada de doutrina (do latim docere).

Doutrinar significa incutir ideias filosóficas na pessoa, mas genericamente diz respeito a um ensinamento religioso. A doutrina pode ser exclusivamente moral ou de filosofia, ou de fé, oculta, exteriorizada, esotérica, ideológica, enfim, quantos nomes lhe possam atribuir.

Cada Grau Maçônico dentro do Rito Escocês Antigo e Aceito, bem como de outros ritos,

constitui uma “doutrina em separado”. Assim, podemos afirmar que a Maçonaria esparge múltiplas doutrinas entre os seus adeptos.

As doutrinas secretas são muito atrativas; os antigos mistérios foram preservados durante milênios; hoje não existe mais nenhuma doutrina secreta; a universidade, as bibliotecas e a informática revelaram tudo e todo o saber humano.

Quando o homem não alcança a compreensão do que lhe é ensinado, isso não significa que possa existir alguma coisa absolutamente secreta; a própria Maçonaria, que se ufanava em manter secretos os seus ensinamentos, hoje nada mais tem para ocultar, seja seus próprios adeptos, seja em relação aos profanos.

Logo, a Maçonaria não é uma doutrina secreta.

Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014, p. 130.

MAÇONARIA: DISCRIÇÃO X EXPOSIÇÃO

Kennyo Ismail

Ultimamente, temos visto no Brasil um movimento crescente de pessoas propagando velhas narrativas antimaçônicas, algumas delas, inclusive, criadas pelos Nazistas, em perfis do Instagram, vídeos no YouTube e Podcasts. E como observei em outra ocasião, entender suas motivações não é algo difícil: teorias conspiratórias envolvendo a Maçonaria são as mais longevas do mundo ocidental, persistindo por mais de trezentos anos, e já enriqueceram muitos mentirosos compulsivos ao longo desse período, que lucraram e ainda lucram impulsionando uma espécie de maçonofobia.

Um dos argumentos mais fajutos, e que ganham adeptos por sua simplicidade, é a de que um maçom favorecerá outro maçom em detrimento de um não-maçom. Dão como exemplo hipotético um juiz que seja maçom e que julgará a favor de um maçom, prejudicando assim a outra parte.

Além desse tipo de parcialidade ser o contrário do que ensinamos na Maçonaria, por acaso faz algum sentido que uma instituição que ensina ética e moral, que tem por princípios a igualdade e a justiça, promova esse tipo de favorecimento ilícito? Ainda, se seguirmos esse raciocínio antimaçônico simplista e nazista, não ocorreria o mesmo se um juiz for baiano e uma das partes for baiana? Ou se o juiz for flamenguista e uma das partes for flamenguista? Ou se o juiz for evangélico e uma das partes for evangélica? Ou se o juiz for de direita e uma das partes for de direita? Logo, todos os julgamentos serão suspeitos, bastando para isso que o juiz e uma das partes tenham alguma filiação ou afinidade em comum.

No meio maçônico, as opiniões frente a essas publicações antimaçônicas se dividem. Enquanto uns entendem que precisamos desmentir tais ataques, outros defendem que não devemos nos manifestar a respeito, de modo a não dar atenção a quem não merece. Sobre isso, há duas questões que devemos levar em consideração.

A primeira, é quanto ao Paradoxo da Tolerância, de Karl Popper. Por essa teoria, se a Maçonaria tolerar silenciosamente os ataques dos intolerantes, isso pode levar à destruição da Maçonaria. Conforme Popper, para se garantir a tolerância é necessário ser intolerante com os intolerantes. Exemplos claros disso são os países que foram tolerantes com grupos intolerantes, até que sofreram golpes de Estado e experimentaram governos intolerantes.

A segunda questão é que, ao contrário do que alguns irmãos imaginam, que se permanecermos em silêncio, logo todos esquecerão, não é assim que a Internet funciona. Absolutamente tudo que é publicado na Internet e compartilhado, divulgado, propagado, fica disponível por quase uma eternidade. E atualmente, a Internet, em especial as redes sociais, fazem parte do cotidiano e da rotina das pessoas. Isso significa que, quanto mais conteúdo antimaçônico tiver publicado, e menos conteúdo maçônico desmentindo isso, toda pesquisa que alguém convidado a iniciar ou um interessado em ser maçom fizer, resultará em uma avalanche de falsidades sobre a Maçonaria, sem encontrar uma contraparte.

Há maçons que acreditam que a Maçonaria era mais fechada antigamente e veem com maus olhos qualquer exposição maçônica feita. Mas isso não passa de um achismo, uma fantasia. A história nos mostra que a Maçonaria especulativa, desde o início, era bem mais aberta, realizando, inclusive, procissões públicas há mais de 300 anos. Ela se encapsulou, se tornando mais “discreta”, exatamente a partir dos anos 1930, quando foi perseguida pelo Nazismo e pelo Fascismo, e os efeitos disso ainda são vistos em muitos países da Europa Continental, onde a Maçonaria é mais discreta, não por opção, mas por necessidade.

É chegada a hora de nós, maçons brasileiros, conhecermos melhor a nossa história, para garantirmos que ela nunca se repita.

Fonte: https://noesquadro.com.br

sábado, 5 de setembro de 2026

FRASES ILUSTRADAS

INTEIRA - LETRA POR LETRA. TRANSMISSÃO DA PALAVRA

Em 02/06/2026 o Respeitável Irmão Marcio Teixeira Costa, Loja Luzes de Iguabinha, 3073, REAA, GOB-RJ, Oriente de Araruama, Estado do Rio de Janeiro, solicita esclarecimentos.

LETRA POR LETRA.

Gostaria de tirar uma dúvida referente a transmissão da palavra sagrada no Grau 01. Por vezes ao visitar algumas lojas me pedem para ocupar o cargo de 1º Vig∴ou 2º Vig∴ com o objetivo de fortalecer as colunas e até mesmo fazer com que a Loja tenha condições de trabalhar no que diz respeito ao número mínimo de Mestres necessários para abrir uma Loja. Percebo que quando ocupo algum destes cargos a palavra sagrada do Grau 01 chega até mim soletrada e depois de ter sido soletrada o irmão que a trouxe a diz por inteira. Questionei alguns irmãos sobre o entendimento deles dentro do novo ritual sobre a forma de se dizer a palavra e a grande maioria entende que o ritual diz que a palavra deve ser dita desta forma " soletrada e depois por inteira". Eu acredito que estejam interpretando de forma incorreta o que diz as letras azuis da página 52. quando orienta a forma de se dizer. Por se tratar do grau 1, entendo que a palavra deve ser dita apenas soletrada não falando depois por inteira. Estou certo no meu entendimento pois o Aprendiz soletra, não silaba e muito menos a diz por inteira.

CONSIDERAÇÕES:

De fato, o Ir∴ está correto na sua interpretação.

Na transmissão da palavra entre as LLuz∴ da Loja e os DDiác∴ para a abertura e encerramento dos trabalhos, o transmissor dá sussurrada e soletrada (letra por letra) a palavra inteira, isto é, por não ser um telhamento, nessa ocasião não há troca de letras entre os interlocutores. Da mesma forma, também não há repetição da palavra, nem inteira ou parcial, ao final dessa transmissão (Diáconos e Luzes da Loja).

Sob o aspecto iniciático, a palavra é dada somente soletrada no 1º Grau porque simbolicamente o Aprendiz (infância) está ainda aprendendo a falar, portanto, até aqui, ele sabe somente soletrar, razão pela qual nesse grau a palavra nunca é transmitida normalmente, mas sempre letra por letra.

No ritual de Aprendiz do REAA, no texto concernente à transmissão da palavra (abertura e encerramento), escrito em azul, a expressão "e por inteira" aparece para dizer que o transmissor deve transmitir de uma só vez, sussurrada e soletrada, as quatro letras seguidas que compõem a Pal∴ Sagr∴ do 1º Grau. Não é para repeti-la ao final.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

ROGER DABUEL KITTER


Roger Daniel Kitter, nome de batismo de Roger Kitter (Southsea, Inglaterra, 20 de outubro de 1949 – 3 de janeiro de 2015, Londres, Inglaterra) foi um ator, comediante e imitador inglês.

Ficou mais conhecido por interpretar Captain Alberto Bertorelli, na 7ª temporada da série, ‘Allo ‘Allo!, comédia britânica sobre a Segunda Guerra Mundial. Com uma carreira no mundo do entretenimento de 36 anos ininterruptos, conciliando stand-up e a atuação, além de trabalhar como apresentador de rádio, apresentador de programas de jogos e dublador. Ele também gravou a música “Chalk Dust - The Umpire Strikes Back” (é uma canção de humor de 1982, que satiriza o campeão de tênis John McEnroe, notório por seus ataques de raiva), usando o pseudônimo “The Brat”.

Foi iniciado na Maçonaria em 17 de março de 1995 na Chelsea Lodge Nº 3098 (UGLE - United Grand Lodge of England) em Londres, Inglaterra.

Fonte: Maçonaria e Arte

DA COMPREENSÃO SUPERFICIAL À SABEDORIA VIVIDA

Uma das maiores armadilhas no caminho do aperfeiçoamento humano é confundir informação com compreensão. Ouvir muito, ler muito e repetir conceitos não significa, necessariamente, ter aprendido. O verdadeiro aprendizado começa quando o homem se recusa a aceitar o raso, o imediato e o conveniente.

O homem em lapidação precisa aprender a observar com atenção, a escutar com discernimento e, sobretudo, a não concordar apressadamente com aquilo que soa bonito, mas não foi ainda examinado em profundidade. A pressa em aceitar ideias revela mais desejo de pertencimento do que compromisso com a verdade.

Buscar compreensão profunda é exercitar a paciência intelectual. É ler pouco, refletir muito. É permitir que cada ensinamento seja confrontado com a própria consciência, com a experiência de vida e com a prática diária. Aquilo que resiste a esse crivo não é apenas aprendido, é incorporado.

Quando um ensinamento é verdadeiramente assimilado, ele deixa de ser um discurso externo e passa a fazer parte da estrutura moral do homem. Ele molda decisões, orienta atitudes e sustenta a conduta, especialmente nos momentos em que ninguém está observando.

Por isso, o verdadeiro progresso não está na quantidade de palavras acumuladas, mas na qualidade das virtudes construídas. Melhor é compreender profundamente uma única lição e vivê-la com coerência, do que percorrer muitos ensinamentos sem permitir que nenhum deles transforme o caráter.

A lapidação do homem exige silêncio, tempo e honestidade consigo mesmo. Só assim o conhecimento deixa de ser ornamento e se torna fundamento. E é nesse ponto que a instrução cumpre seu propósito: não informar o intelecto, mas transformar o ser.

Fonte: Facebook_Aprendiz de Cavaleiro

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

FRASES ILUSTRADAS

PUNHOS DO SUBSTITUTO - PARAMENTOS

Em 01/06/2026 o Pod Irmão Pedro Rodrigues Bueno Junior, Secretário Estadual de Orientação Ritualística do GOB-SP, Oriente de São Paulo, Capital, pede esclarecimentos pertinentes ao REAA.

PUNHOS

Mais uma vez venho me socorrer de seus conhecimentos a fim de esclarecer uma dúvida que me foi apresentada e que não encontrei resposta em nossos Rituais do REAA.

As ponderações são as seguintes:

O 1º Vig ao substituir o V M mantém seu Avental (de 1º Vig), coloca o Colar com joia de V M (o Esquadro) e não utiliza os punhos. - Nessa situação não há dúvidas;

O 2º Vig ao substituir o 1º Vig mantém seu Avental (de 2º Vig), coloca o Colar com a joia de 1º Vig (o Nível) e utiliza os punhos do 1º Vig:. ou mantém seus punhos de 2º Vig?

O 2º Experto ao substituir o 2º Vig usa seu próprio Avental (de M M ou MI), utiliza o Colar com a joia do 2º Vig (o Prumo) e utiliza os punhos do 2º Vig ou não usa os punhos?

Com sua orientação poderei orientar e padronizar a forma correta de se proceder nessa situação.

CONSIDERAÇÕES:

No que diz respeito ao uso dos paramentos pelos substitutos eventuais das Luzes da Loja nas sessões ordinárias, na sua abordagem há apenas um pequeno equívoco. Sendo assim, vamos lá:

SUBSTITUINDO O VEN MESTRE - O 1º Vig se apresenta usando os seus paramentos de 1º Vig, ou seja, vestindo o Avental e os Punhos de 1º Vig; deixa o seu colar para o 2º Vig que, pelas circunstâncias, o substituirá. Atuando como substituto do Ven Mestre, o 1º Vig usa o colar e a joia de Ven Mestre.

SUBSTITUINDO O 1º VIG - O 2º Vig se apresenta usando os seus paramentos de 2º Vig, ou seja, vestindo o Avental e os Punhos de 2º Vig; deixa o seu colar para o 2º Exp que, pelas circunstâncias, o substituirá. Atuando como substituto do 1º Vig, o 2º Vig usa o colar e a joia de 1º Vig.

SUBSTITUINDO O 2º VIG - O 2º Exp se apresenta usando os seus paramentos de Mestre Maçom ou de Mestre Instalado, ou seja, usando o seu respectivo Avental. Atuando como substituto legal do 2º Vig, o 2º Exp usa o colar e a joia de 2º Vig. O 2º Exp, substituindo o 2º Vig, não usa Punhos.

Em se tratando do REAA/GOB para os casos aqui mencionados, estas são as orientações da Secretaria Geral de Orientação Ritualística.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MAÇONARIA: PROFISSIONAL OU AMADORA?

 

OS MAÇONS OPERATIVOS

Maçonaria Operativa no Século 21 – Bibliot3ca FERNANDO PESSOA

Autor: H.L. Haywood
Tradução: José Filardo 

Hoje é geralmente aceito pelas autoridades maçônicas que a moderna fraternidade dos maçons teve sua origem entre as corporações de construtores da Inglaterra na Idade Média. Uma pesquisa rápida do sistema de corporações em geral, já foi publicada no blog; agora é o momento de se examinar com mais cuidado as próprias corporações maçônicas, com vistas à obtenção de um retrato (necessariamente um pouco bruto, e em linhas gerais) dos usos e costumes de nossos antepassados Maçônicos, um assunto que escapa de ser acadêmico e seco pelo fato de que a maioria das regras, regulamentos e costumes em funcionamento entre nós hoje são traçados até os antigos Maçons Operativos (como é hábito descrevê-los), de modo que é impossível para nós compreender a Maçonaria de hoje separada da Maçonaria de muitos séculos atrás.

O assunto é reconhecidamente difícil.

Não temos uma série de documentos, nem mesmo uma abordagem a uma série, suficientemente extensa para nos permitir criar qualquer história da conexão entre as instituições centenárias de Pedreiros e Maçons. Não temos, de fato, qualquer material através do qual possamos formar alguma ideia definida da natureza exata daquelas primeiras sociedades.

Estas palavras de Halliwell-Phillips, descobridor do Poema Regius, o mais antigo e mais precioso de todos os manuscritos maçônicos, foram proferidas em 1839; muito foi adicionado ao nosso conhecimento da história maçônica desde então; na verdade, a história maçônica estritamente assim chamada só viria a surgir quase meio século mais tarde, mas mesmo assim a declaração permanece substancialmente correta. Nossas fontes são dispersas, bem como escassas e muitas vezes exigem grande habilidade para encontrar absolutamente qualquer fonte. Além disso, deve-se ter em mente que a Maçonaria da Inglaterra antes de 1717 era uma instituição em desenvolvimento e mudança, de modo que variava muito de um lugar para outro e de tempos em tempos; é um erro generalizar muito amplamente, com base em algum fato isolado.

Também é necessário que desafiemos cada escritor sobre o assunto a nos fornecer suas autoridades e fontes, e que ele prove ser ele próprio livre de partidarismo; um vasto negócio da chamada “literatura maçônica”, que flutua sobre o mundo é derivado de segunda ou terceira mão de autores acríticos que tomam suas próprias teorias a partir de boatos, ou de má interpretação ignorante de fatos conhecidos. A existência de uma declaração em algum livro antigo, mesmo que seja um volume das “Constituições” mais ou menos oficialmente sancionado pela Grande Loja não é de forma alguma uma prova de sua autenticidade. As teorias dos escritores mais velhos – conhecidos há tanto tempo e tão frequentemente amados entre nós – a de Anderson, de Preston, de Oliver, de Hutchinson, e o resto, são, afinal, apenas teorias, e não mais a serem protegidas do escrutínio da crítica histórica que as teorias lançadas em nossos dias.

As fontes em geral a partir das quais os historiadores autênticos reúnem informações relativas à Maçonaria operativa podem ser divididas em sete ou oito grupos, tabulados por conveniência da seguinte forma:

  • A história geral da arquitetura medieval. Um estudo da arte da construção em toda a Idade Média, tal como se desenvolveu na Itália, Alemanha, Holanda, França e Inglaterra revela muito sobre os construtores, de modo que se pode muitas vezes, aprender mais sobre Maçonaria de um historiador não maçom que em outros lugares. A História Medieval de Porter em dois volumes é um desses casos.
  • A história geral do povo da Inglaterra. A vida corporativa da Idade Média desempenhou um papel tão visível na vida das pessoas quanto às igrejas e escolas o fazem na história dos povos e nos ajuda a compreender melhor as instituições em seu meio.
  • Os estatutos passados por diferentes reis e parlamentos para governar os trabalhadores. A Portaria dos Operários de 1349 e o Estatuto dos Operáriosde 1350 são casos típicos. Sob o mesmo cabeçalho geral podem ser incluídos os relatórios da corporação, que eram relatórios feitos pelas corporações ao governo mediante demanda oficial. Alguns escritores acreditam que o Manuscrito ou Poema Regius foi escrito em resposta a algum desses pedidos, a fim de fornecer informações oficiais sobre a história e a prática dos Maçons no final do século XIV.
  • Os Antigos Manuscritos do Ofício, o primeiro dos quais foi o “Poema” que acabamos de mencionar, geralmente datado de 1390. Estes documentos foram escritos por homens crédulos e amantes de milagres em uma época em que era mais fácil acreditar em maravilhas que não fazê-lo, de modo que como fontes da história eles devem ser lidos com muita atenção; mas a aplicação aos mesmos do método histórico conhecido popularmente como críptico “mais alto” e “mais baixo” gera resultados e raro valor.
  • Diários, cartas, atas de loja, rolos de tecido, etc. Os registros da Companhia da cidade de Londres, apresentado à Ordem por Edward Conder, e as antigas atas de lojas da Escócia são os casos em questão.
  • A literatura geral do século XVII e início do XVIII. Sir Richard Steele menciona a Maçonaria, assim como Plot, Dugdale, etc.
  • As relíquias do passado incorporadas à instituição atual, como restos fossilizados de uma camada de rocha, lembrando uma das linhas familiares do irmão Rudyard Kipling, que, ao escrevê-los, pode muito bem ter tido isso em mente:

“Eu limpei o terreno para um Palácio como um Rei deve construir. Eu decretei e corte até meus níveis, atualmente, sob o lodo, cheguei às ruínas de um Palácio como um Rei tinha construído.”

  • Uma análise cuidadosa do ritual, por exemplo, no contexto da história geral da Maçônica produz, nas mãos certas, achados seguros e valiosos.

I. Muitos problemas permanecem obscuros

Foi uma tarefa enorme desenvolver estas fontes de possíveis informações a respeito de nossa história antiga; o fim está longe ainda, de modo que um aluno sábio, como o caro Horace Bushnell costumava dizer, “pendura muitos assuntos em ganchos, como ainda não resolvidos”. Muitos dos mais importantes de nossos problemas históricos, como, por exemplo, a questão de saber o número de graus antes de 1717, ainda estão dependurados, e manuscritos longos, provavelmente ainda não descobertos e inúmeros outros ainda não examinados por estudiosos maçônicos.

O ofício do maçom operativo não era fácil de aprender, especialmente porque não havia livros, manuais e escolas, como as que estão agora em uso; um trabalhador tinha de ser ele próprio um aprendiz quando era apenas um menino, a fim de aprender a arte em primeira mão na escola da experiência. Uma organização compacta era necessária (como o era na maior parte dos outros ofícios), não só para proteger os segredos comerciais, mas também como um meio de ensino.

Muitas vezes, um pedreiro trabalhava sozinho, passando de um lugar para outro à medida que o trabalho exigia, e em conformidade com as normas e regulamentos existentes em diferentes comunidades, cada qual com suas próprias leis e “costumes” – este último normalmente reconhecido pelos tribunais como tendo o peso de lei. Neste caso a Maçonaria podia ser praticada em uma aldeia em que não existisse loja ou corporação.

Em muitas cidades, os maçons tinham suas próprias corporações, como os outros ofícios; neste caso, eles realizavam seu trabalho da maneira descrita nos artigos anteriores. É um fato digno de nota que a corporação dos pedreiros não deixou muitas marcas na vida da cidade, sendo geralmente relativamente pouco importante em comparação com corporações de outros ofícios; e, em alguns casos, eles eram simplesmente proibidos de ter corporação, o que nem sempre é fácil determinar, embora seja provável que grande parte dos edifícios das cidades médias era monopolizada pelos carpinteiros, porque estruturas de tijolo e pedra não entraram geralmente em uso até um período relativamente tardio.

Por exemplo, em Norwich, a cidade das igrejas, os pedreiros parecem não ter tido uma corporação própria em 1375, mas eram anexadas aos carpinteiros. Nas obras de Exeter os pedreiros dividem uma obra com os ourives, e em York estão unidos com os Chapeleiros. Em 1604, encontramos que uma corporação em Oxford recebeu estatutos que incluíam maçons. Carpinteiros, Marceneiros e Telhadistas.” (Vibert)

Parece que a “loja“ era peculiar dos Pedreiros, embora seja provável que outros ofícios tivessem por vezes edifícios ou salas próprias próximas ao local de trabalho; os carpinteiros, por exemplo; mas a loja como uma organização, um corpo controlador, assim como o edifício, a cabana, ou local onde ela se reunia, era característica apenas dos construtores. Ela estava geralmente anexada ao edifício em construção, mas às vezes era uma estrutura permanente, como em Aberdeen. Em alguns casos, como em York e Westminster, grupos permanentes de trabalhadores estavam em constante presença e, provavelmente, usavam salas ou edifícios permanentes. A existência de uma loja onde admitir aprendizes  é mencionada no Poema Regius, entre as normas que regulamentam os aprendizes está a de que eram proibidos de divulgar o que acontecia na “loja”. O Manuscrito Cooke ordena que um Pedreiro deva “ocultar o conselho de seus companheiros em loja e em câmara”, uma regra sábia que poderia, nestes dias atuais ser pendurada nas paredes da loja.

II. Existiu uma “grande fraternidade”?

Eram todas essas diferentes lojas e operários individuais regidos por “uma grande fraternidade” que tinha jurisdição sobre todo o Ofício? Costumava ser uma opinião comum que este era o caso; mas todos os fatos posteriormente descobertos apontam na direção oposta, uma conclusão bem indicada pelo Sr. Wyatt Papworth, em Transações do Real Instituto de Arquitetos:

Todos os documentos que me levaram a acreditar que não houve qualquer corporação suprema na Inglaterra, embora possa parecer provável a existência de tal órgão. Assim, as “ordens” dadas aos Pedreiros na Catedral de York em 1352, dão apenas uma ideia pobre de que houvesse, na época, naquela cidade alguma coisa como uma corporação ou fraternidade reivindicando autoridade em virtude de um estatuto, que se supunha tivesse sido concedida por Atheistan em 926, não só sobre a cidade, mas sobre toda a Inglaterra.

R.F. Gould, que cita o referido, concorda, e diz, com relação à teoria de uma corporação suprema, que “todos os elementos que possuímos apontam em uma direção completamente oposta”. A unidade da atividade dos Pedreiros era mantida como a de qualquer outro oficio, por leis gerais, regras, regulamentos e costumes respeitados por todo o país, e também, conforme explicado no primeiro capítulo desta série, pela natureza do trabalho em si que, como as ocupações técnicas dos dias atuais não admite ampla variação na prática. O controle uniforme de todas as lojas a partir de uma autoridade central só surgiu muito mais tarde; ele não foi tentado até depois da formação da Grande Loja em Londres em 1717, e não foi aperfeiçoado até a organização da Grande Loja Unida da Inglaterra, no primeiro quarto do século XIX.

Uma questão mais difícil de tornar simples, mas que é absolutamente vital para a compreensão do assunto, é a diferença entre corporação de Pedreiros e Pedreiros-livres. Esses dados que possuímos são tanto fragmentados quanto confusos, de modo que os melhores especialistas não foram capazes de esclarecer todos os problemas envolvidos. No entanto, parece bastante certo que sempre houve uma divisão bastante ampla entre os membros das corporações locais estacionárias, que tinham o monopólio da construção em cada cidade, e os Pedreiros-livres empregados para construir catedrais e outras estruturas eclesiásticas. A corporação de Pedreiros estava vinculada por leis locais e não estava autorizada a trabalhar fora de sua própria comunidade, fato que assumirá mais força, quando é lembrado que na Idade Média as cidades eram muito mais independentes e autocentradas do que são agora, e mais zelosas das leis e costumes locais. Mas não havia, naturalmente, nenhum trabalho constante em qualquer cidade para homens treinados para trabalhar em catedrais, uma forma especializada de arquitetura tão difícil e exigindo tanto conhecimento especial que é muito difícil entender como os construtores de catedrais conseguiram resolver alguns dos seus problemas. É quase certo que esses Pedreiros-livres eram uma classe à parte da corporação de Pedreiros, e que, ao contrário da corporação de Pedreiros, eles tinham regras e regulamentos próprios, e estavam autorizados a aderir aos mesmos onde quer que estivessem trabalhando, e qualquer que fossem as ordenanças obrigatórias vinculantes para os Pedreiros locais. Também é quase certo que a Maçonaria, como ela mais tarde evoluiu para o que hoje chamamos Maçonaria Especulativa, originou-se entre as lojas de construtores de catedrais, e não entre as corporações de Pedreiros, embora, naturalmente, devesse ter havido certa interação e sobreposição entre as duas, nossas Antigas Obrigações, nossas tradições, lendas e nosso simbolismo chegaram até nós a partir das lojas migratórias associadas a estruturas eclesiásticas. Pode não ser possível provar esta teoria para satisfação de um tribunal, mas todas as evidências disponíveis, direta e indireta indicam isso. O ponto é de extrema importância, não só no que diz respeito à história, mas sempre que pretendemos reger nossa Ordem atual por atividades do passado.

Era uma coisa difícil de governar adequadamente uma loja de Pedreiros construtores de catedrais, não somente por seu caráter essencialmente temporário, mas também pelo fato de ter em mãos a obra mais admirável possível na Idade Média, envolvendo o dispêndio de grandes somas, a importação de trabalhadores do exterior e da movimentação de massas de material caro. Em uma empresa desse tipo todos os tipos e maneiras de homens foram empregados, desde o superintendente geral, que seria um artista ilustre, até os trabalhadores rudes e moços de recados, um grupo cosmopolita no qual todas as classes seriam representadas, sacerdotes, bispos, senhores, homens livres, escravos, servos, necessitando um sistema complexo e altamente desenvolvido de administração. O controle geral de tal empresa, às vezes, ficava inteiramente nas mãos de religiosos, às vezes, totalmente em mãos leigas, e muitas vezes em um grupo misto.

III. Os oficiais das lojas eram os líderes 

O encarregado do trabalho seria um chefe geral, de diversos estilos de superintendente, supervisor, arquiteto, chefe de obras, guarda das obras, mantenedor da fabrica, diretor, inventor, etc. O presidente era chamado mestre, guardião, diácono, presidente, conforme determinassem os costumes locais; o detentor dos fundos era um mestre de caixa ou tesoureiro; além disso havia outros funcionários, como contadores, que, naturalmente, caíram totalmente fora da forma de organização quando o Oficio se tornou especulativo, porque os oficiais das lojas operativas eram escolhidos tendo em conta o trabalho a ser feito, e não como representantes de graus ou categorias de uma ciência especulativa. Não parece que um cobridor era empregado, embora seja certo que alguns meios eram utilizados para guardar a porta da loja.

Os membros da Ordem eram regidos de acordo com um conjunto de regras e regulamentos que cada Pedreiro jurava respeitar, versões dos quais estão incorporadas em diferentes versões das Antigas Obrigações, a mais velha delas, assim se acredita, sendo a do Manuscrito Cooke, datado de meados do século XV, e preservado com algumas alterações nas constituições ainda usadas por Grandes Lojas; essas regras eram adaptadas às necessidades de tempo e lugar, e pode-se supor, mas, em linhas gerais, foram fielmente preservadas por muitos séculos. As “Ordens aos Pedreiros e Trabalhadores” encontradas nos Registros de Fabrica da Catedral de York, fornecem uma ideia razoável do horário de trabalho, condições de trabalho, e as regras gerais:

Os primeiro e segundo Pedreiros, que são chamados de mestres da mesma, e os carpinteiros, farão o juramento que eles farão com que os costumes antigos assumidos sejam fielmente observados. No verão, eles devem começar a trabalhar imediatamente após o nascer do sol até o toque do sino da Virgem Maria; depois até café da manhã na loja da fábrica (logium fabricae), então um dos mestres deverá bater à porta da loja, e imediatamente todos devem voltar a trabalhar até o meio dia. Entre Abril e Agosto, depois do jantar, eles dormirão na loja; em seguida, trabalharão até o primeiro sino de Vésperas, depois sentar-se-ão para beber até ao final do terceiro toque do sino, e retornarão ao trabalho enquanto puderem ver a luz do dia. No inverno, eles devem começar a trabalhar ao nascer do dia, continuar como antes, até o meio-dia, tomar sua refeição, e voltar ao trabalho até o fim da luz do dia. Em Vigílias e aos Sábados eles devem trabalhar até o meio-dia.

Parece que de tempos em tempos, assembleias eram realizadas, também chamadas congregações, e em um Manuscrito (O Papworth) era colocado as regras das associações, para que todas as lojas em um determinado distrito se mantivessem em devida ordem e sob o controle dos agentes do rei. As Antigas Obrigações fazem muitas menções a elas, apesar de apenas três assembleias serem claramente mencionadas; o Regius refere-se a uma convocada pelo rei Athelstan à qual compareceram grandes senhores e burgueses; outra versão fala de uma assembleia realizada em Windsor, quando Edwin foi iniciado; e quase todos eles referem-se às assembleias de York. “Cada mestre que seja um Pedreiro-livre”, diz o Regius, “deve estar na congregação geral.” É provável que algumas dessas reuniões fossem convocadas por oficiais da ordem, e outras pelo xerife do rei ou de outras autoridades, neste último caso, para zelar para que a Ordem estivesse obedecendo rigorosamente as leis do reino. O Manuscrito Cooke deixa claro que o comparecimento era obrigatório para os mestres: “Que cada Mestre seja notificado para vir a sua congregação, que ele venha no devido tempo, a não ser que seja desculpado por algum motivo. Mas, aqueles que desobedeciam a tais congregações, ou fossem falsos com seus empregadores, ou tivessem agido de modo a merecer a reprovação pela Ordem, deveriam ser dispensados somente por doença grave, notícia sobre a qual devia ser data ao Mestre que presidia a assembleia”. Não há registro de qualquer assembleia em nível nacional, nem é possível ter certeza sobre quando e onde tais reuniões eram realizadas; ou por quanto tempo o costume continuou; os registros são tão escassos, e muitas vezes tão confusos, que não podemos ter certeza de qualquer ponto, exceto que algum tipo de assembleia era realizado ocasionalmente. Alguma ideia da extensão do território abrangido pela autoridade de tal assembleia geral é sugerida pelas Antigas Obrigações, como em Cooke, Grande Loja, York, Sloane e outros que mencionam oitenta quilômetros; o Harleian, dezesseis quilômetros, e ainda outros, todos de uma data posterior, oito quilômetros. Com o passar do tempo e o aumento das cidades e da população da Inglaterra, as assembleias simplesmente saíram de moda; pode muito bem ser que a ideia de formar uma “Grande Loja” em Londres, em 1717, fosse sugerida a “algum velho irmão” pela leitura das Antigas Obrigações; podemos pelo menos estar certos de que os irmãos naquele tempo sentiam-se justificados em tomar a medida radical pelo fato de que as assembleias gerais “tinham sido realizadas em tempos antigos.”

IV. Quantos graus existiam?

As Lojas Maçônicas Operativas não empregavam graus, em nosso sentido moderno do termo, mas graus reconhecidos de trabalhadores e tinham regulamentos e, provavelmente, cerimônias correspondentes. Um jovem era feito aprendiz com apenas doze ou catorze anos de idade, portanto não é provável que o seu ingresso no ofício fosse realizado com qualquer cerimônia muito pesada, mas é certo que ele era obrigado a ouvir a Lenda do Oficio, suas regras e regulamentos, e era obrigado a fazer um juramento. Após sete anos, ele passava para o outro grau, e se tornava Mestre Pedreiro ou Companheiro, os dois sendo dois termos para o mesmo grau. As autoridades estão quase igualmente divididas quanto a ser esse avanço realizado por meio de qualquer tipo de cerimônia secreta; o fato de que se sabe que os aprendizes estavam presentes ao “se fazer um mestre” poderia indicar que tal coisa não ocorreu; mas o outro fato de haver uma divisão entre os dois graus sugeriria que um mestre recebia alguns segredos que nunca eram dados a um aprendiz. No continente, um operário viajava por cerca de dois anos ou mais, depois de ter sido feito Companheiro, mas este não era o costume na Inglaterra, onde, no século XIV, era expressamente proibido por lei. Todos os mestres estavam no mesmo nível com relação a direitos e privilégios, mas alguns mestres gozavam da maior honra de serem escolhidos para fiscalizar o trabalho, e que, portanto, estavam em um grau ainda mais elevado no que diz respeito à posição; mas mesmo assim eles não possuíam segredos do ofício que os companheiros não possuíssem. Os salários variavam de tempos em tempos, muitas vezes fixados por lei; geralmente os trabalhadores recebiam luvas, túnicas, aventais, e às vezes cama e comida; os aprendizes nada recebiam ou então pequenos montantes, além de cama e comida. Em cada construção, muitos trabalhadores não membros da loja eram necessariamente empregados, dos quais temos registros abundantes; eles eram conhecidos como pedreiros ordinários, profanos, assentadores, “pedreiros sem a palavra”, paredeiros, estucadores, etc. Era terminantemente proibido para qualquer mestre pedreiro expor os planos ou empregar seus segredos de ofício na presença destes homens, que eram vistos como “profanos”, ou estranhos. Além disso – este é um fato importante – era necessário dar a “liberdade da loja” a certos homens relacionados com as obras que não eram Pedreiros treinados, podia ser um bispo, estando encarregado de todo o trabalho, ou um homem especialmente qualificado em geometria ou outros itens importantes da maçonaria “especulativa”. Na Escócia, estes irmãos, assim, recebido na loja, mas não como trabalhadores efetivos, eram conhecidos como Maçons “geomáticos“ ou “cavalheiros”. Alguns deles eram, sem dúvida, muito sábios, e não é um palpite supor que certa quantidade de simbolismo e “trabalho” esotérico que, finalmente, evoluiu até o magnífico Ritual agora empregado pode, no início, ter sido devido à presença destes cavalheiros educados.

Quando o Oficio se transformou em uma instituição especulativa no século XVIII, as cerimônias antigas e provavelmente muito simples empregadas pelos Maçons Operativos foram enormemente modificadas e ampliadas, em alguns casos, pela adição, pode-se acreditar, de materiais provenientes de fontes diferentes da Maçonaria Operativa; os um ou dois graus foram reorganizados e um terceiro foi adicionado, algum tempo depois de 1720. Após esse sistema de três graus se tornar permanentemente estabelecido – algo que levou muito tempo para ser feito, e depois de encontrar oposição – foi adotado na Escócia, na Irlanda e no Continente, dando origem à Fraternidade presente em todo o mundo. Deve-se notar aqui, e como um fato que nunca deve ser esquecido pelo estudante, que, embora muitos países além da Inglaterra tivessem um sistema de Maçonaria Operativa, foi só na Inglaterra que a Maçonaria Especulativa se desenvolveu; toda a Maçonaria Especulativa existente hoje veio inicialmente daquela única fonte. As tentativas de explicar em nossas práticas atuais por meio de referências à Maçonaria Operativa na Alemanha, Itália, Espanha e França são geralmente enganadoras. O segredo era vital para a Maçonaria naqueles primeiros tempos como é agora, e por razões semelhantes, exceto na questão das fórmulas comerciais, a posse dos quais tinha o mesmo tipo de valor monetário para um Maçom Operativo que a posse de uma patente tem hoje em dia. Sem uma cuidadosa guarda de tudo o que se passava na loja, todo o sistema teria ficado em pedaços, a arquitetura teria se tornado uma arte perdida, e o mundo teria ficado muito mais pobre, uma coisa que se poderia dizer com igual ênfase sobre a Maçonaria Especulativa, que mantém as portas fechadas aos estranhos, não porque tenha alguma coisa de que se envergonhar, como é a moda em alguns círculos se presumir, mas porque sem os seus arcanos, ela em breve deixaria de ser algo mais que um mero clube social, de que, só Deus sabe, já temos em abundância. Mas, enquanto nossos segredos são morais e especulativos, aqueles mantidos tão cuidadosamente pelos nossos antepassados eram da variedade comercial, e tinham a ver com os métodos de projeto e construção. Eu já citei um trecho do Poema Regius comandando o aprendiz a “ocultar” o “conselho de seus companheiros”; a regulamentação de importância semelhante ocorre em todas as Antigas Obrigações, conforme testemunha esta passagem do Harleian:

Você não revelará seu Mestre ou Dama [esposa do Mestre] seus Conselhos ou segredos, que eles lhe deram, ou o que deve ser ocultado, falado ou feito, dentro do perímetro de sua casa.

Esta passagem mostra que o segredo Maçônico Operativo tinha seu lado moral, bem como profissional. Assim é entre nós; a Maçonaria Especulativa ensina que o segredo é uma virtude a ser praticada em todos os lugares e sempre, e não apenas um dispositivo para manter os estranhos no escuro quanto aos assuntos da loja, uma sábia advertência em um mundo tão cheio de pessoas, onde a confiança que alguém coloca em um companheiro seu precisa ser mantida em confiança sagrada.

V. Os maçons se diferem de outros profissionais

O ofício dos Maçons Livres é diferente em um aspecto muito importante daquele de quase todas as outras corporações, ou seja, que o trabalho de seus predecessores permaneceu visível em seu meio. Um alfaiate, um carpinteiro, um funileiro poderia se importar pouco sobre a história de seu ofício, suas tradições ou seus ideais; por que ele haveria de fazê-lo, porque seu trabalho rapidamente pereceu e não poderia deixar para trás restos duradouros. Com os construtores de catedrais, foi o contrário. Eles estavam familiarizados com o trabalho que seus pais haviam feito, amado e reverenciado, e encontraram nele um livro aberto de lições, um poço de inspiração, uma casa de doutrina. Da mesma forma, era uma questão de grande importância para eles preservar as tradições do passado, sua luz e sua fama, porque eles estavam, eles mesmos, engajados em fábricas que durariam de geração em geração, e transmissores de uma arte tão duradoura quanto pedras forjadas em contraforte e paredes.

Por este fato em si, parece-me, ignorando todos os outros, seria quase inevitável o desenvolvimento de um sistema de simbolismo. Os homens que construíram igrejas tinham de pensar e praticar a religião, tinham que se familiarizar com a filosofia e saber algo de arte, e todos estes interesses nos dias em que não havia imprensa e o analfabetismo era geral poderia ser expresso de alguma outra forma que não fosse simbólica. O simbolismo era a língua popular, de modo que as esculturas na fachada de uma catedral eram um livro para o povo, a história do mundo, uma Bíblia para os olhos. Num tempo como este, teria sido realmente estranho, se os artistas que falavam ao povo através de símbolos não tivessem utilizado o mesmo meio para ensinar a seus próprios aprendizes e preservar os seus próprios segredos.

Basta olhar para a fotografia da fachada de uma catedral para ver que os homens que a construíram tinham mentes simbólicas, não para esconder as suas ideias, mas expressá-las; e que os pensadores mais poderosos do período deixaram para trás em símbolos algumas das ideias mais ricas e raras jamais conhecidas, e que muitas vezes não seriam descobertas de outra forma. Interpretar seus símbolos não é um jogo de antiquário, como o de juntar um velho quebra-cabeças, mas é um legítimo trabalho da mente, esforçando-se para traduzir em nossa própria linguagem e formas de pensamento as verdades aprendidas pelos maçons-livres e ensinadas por eles da maneira que sabiam; é como a tradução de um livro sábio e antigo de uma língua morta para uma língua viva.

Foi a Reforma que deu à Maçonaria Operativa seu golpe de misericórdia. Henrique VIII, após dissolver os mosteiros e conventos, foi secundado por Eduardo VI, que varreu os últimos vestígios das irmandades, confrarias e associações religiosas que não fossem a igreja, ambos os reis embolsando o dinheiro em nome da bolsa privada. Os mosteiros tinham sido os principais empregadores dos Maçons Operativos, e com a chegada de uma época de puritanismo no pensamento, na moral e na arte o período de construção das catedrais chegou a um triste, mas não inglório fim. As os pedreiros Operativos abandonaram e perderam completamente o interesse no Oficio; só os mais inteligentes entre os graus mais leves de trabalhadores continuaram a valorizar as antigas tradições, ler os velhos manuscritos, e debruçar-se sobre os símbolos consagrados pelo tempo.

No século XVII as lojas começaram a se tornar definitivamente especulativas, ou pelo menos não operativas; e até o primeiro quartel do século seguinte, todo o sistema foi reestruturado de cima para baixo, a Maçonaria Operativa desapareceu, exceto em casos isolados, e a Maçonaria Especulativa surgiu. Mas, afinal, e na sequência, o mundo foi quem ganhou. Muitos de nós são Maçons que nunca seguraram uma colher de pedreiro, continuando os vetustos costumes e mantendo vivo o fogo antigo, não porque somos supersticiosamente reverentes do passado, mas porque em nossa herança dos Maçons Operativos temos um tesouro de riquezas insondáveis pelas quais se é habilitado a se tornar em sua alma secreta um templo não profanado onde habita uma luz trazida do passado, através da qual somos ajudados a guiar nossos passos ao longo dos caminhos tortuosos da vida em direção à vocação de um homem, que é a honra, a retidão e a fraternidade.

Fonte: opontodentrodocirculo.com

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

FRASES ILUSTRADAS

BATER À PORTA - INGRESSO DO PRÉSTITO

Em 01/06/2026 o Respeitável Irmão Carlos Alberto de Souza Santos, Loja Harmonia e Concórdia, 4418, REAA, GOB-RJ, Oriente do Rio de Janeiro, Capital, apresenta a seguinte pergunta:

BATER À PORTA

Meu irmão, os irmãos da Loja gostariam de saber porque a batida na porta dada pelo Mestre de Cerimônias segundo o novo ritual é dada com o punho da mão direita.

Segundo os costumes das lojas, elas utilizavam um artifício de madeira ou ferro preso a porta.

Grato desde já pelo seu esclarecimento.

CONSIDERAÇÕES:

Mesmo que algumas Lojas pelo Brasil se utilizem de objetos apropriados para executar bateria na porta do templo, a exemplo de uma aldrava ou algum outro instrumento percursor pendurado, vale ressaltar que esses dispositivos não são mencionados na decoração do Templo, porém são perfeitamente tolerados

Nos rituais do REAA/GOB vigentes, edição 2024, no ingresso do préstito para a abertura dos trabalhos consta que o M∴ de CCer∴, pelo lado externo, deve bater à porta com o punho direito cerrado. Assim, se nessa oportunidade alguma Loja tiver algum dispositivo para bater à porta - como uma aldrava (argola), por exemplo - é perfeitamente possível o uso desse objeto.

Em síntese, é previsto o uso do punho direito cerrado para dar as pancadas na porta, todavia não existe óbice para o uso de algum outro aparelho com essa finalidade.

T∴ F∴ A∴
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

A FRAUDE DE LÉO TAXIL: A MENTIRA QUE AINDA ALIMENTA AS TEORIAS ANTI-MAÇONARIA

Em 1885, o escritor francês Gabriel Jogand-Pagès, conhecido por seu pseudônimo Léo Taxil, iniciou uma das operações de desinformação mais bem sucedidas e duradouras contra a maçonaria. Taxil tinha sido anteriormente um polemista anticlerical, mas converteu-se publicamente ao catolicismo e começou a publicar uma série de livros que afirmavam revelar os segredos mais obscuros das logias maçônicas: cultos satânicos, sacrifícios rituais e conspirações globais dirigidas a partir das altas esferas do chamado "maçonismo de Palladium".

O ponto alto da decepção veio com a criação de "Diana Vaughan", uma suposta ex-maçona convertida que relatava em primeira pessoa suas experiências dentro destes rituais luciferinos. Diana Vaughan não existia: era uma personagem literária construída por Taxil para dar voz e credibilidade às suas invenções. A Igreja Católica, já confrontada com a maçonaria desde a condenação de 1738, recebeu o material com entusiasmo, e os relatos circularam amplamente em círculos católicos europeus como prova de uma conspiração satânica internacional.

Em 19 de abril de 1897, numa reunião pública em Paris perante uma audiência que incluía católicos antimassônicos, Taxil confessou que tudo era uma fraude. Diana Vaughan nunca existiu, o Palladium nunca existiu, e os doze anos de "revelações" tinham sido pura invenção literária para ridicularizar tanto a Igreja como a Maçonaria simultaneamente.

O notável não é a decepção em si, mas a sua sobrevivência. Apesar da confissão pública e documentada, os relatos de Taxil continuaram a ser citados como fonte "histórica" em literatura antimassônica durante todo o século XX, e hoje reaparecem sem atribuição nas redes sociais e teorias da conspiração sobre supostos cultos satânicos maçônicos. É um caso manual sobre como uma ficção bem construída, uma vez liberada, pode sobreviver indefinidamente à sua própria desmentida. (@HDLV-GLC)

Fonte: Facebook_Maestros Masones