Páginas

PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

quinta-feira, 18 de junho de 2026

FRASES ILUSTRADAS

PROPOSTAS E INFORMAÇÕES

Em 10/04/2026 o Respeitável Irmão José Domingos Gonçalves Moreira da Silva, Loja Inconfidência e Liberdade, 2370, REAA, GOB MINAS, Oriente de São Gonçalo do Sapucaí, Estado de Minas Gerais, solicita o seguinte esclarecimento.

PROPOSTAS E INFORMAÇÕES

Fui questionado por um Companheiro sobre a colocação de prancha no Saco de Proposta e informações.

Seguimos o REAA e lhe informaram em sua antiga loja, do Rito Brasileiro, que somente Mestre poderiam colocar pranchas.

Acredito não ter impedimentos no nosso Rito, por isso peço um esclarecimento do irmão.

CONSIDERAÇÃO:

 Inicialmente vale mencionar que a questão envolve o REAA e não o Rito Brasileiro. Assim sendo, nos rituais vigentes do REAA no GOB (2024), nada consta sobre apenas Mestres Maçons poderem depositar na bolsa (saco) de PProp∴ e IInf∴.
 
Ora, para tal basta observar o trajeto e a abordagem efetuada pelo Mestre de Cerimônias durante a coleta, oportunidade em que ele aborda a todos os presentes, dos quais os Aprendizes e Companheiros.

Logo, como então ele estaria coletando só dos Mestres se a bolsa também é oferecida aos Aprendizes e Companheiros?

No que diz respeito ao REAA, infelizmente foi dada uma informação errada ao Companheiro. Vale o que estiver o ritual vigente do rito, pois cada um segue a sua liturgia.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

O QUE É A ORDEM DEMOLAY?

Por Luciano J. A. Urpia

A Ordem DeMolay é a maior organização juvenil do mundo, de fins filosóficos, filantrópicos, e sem fins lucrativos, fundada em 18 de março de 1919 em Kansas City, Missouri, EUA, pelo maçom Frank Sherman Land (1890-1959). Tem como objetivo formar jovens de 12 a 21 anos de idade, melhores cidadãos e líderes através do desenvolvimento e fortalecimento da personalidade e enfatizando virtudes indispensáveis para a boa conduta social. Ao contrário do que muitos pensam, não é uma instituição Maçônica Juvenil, mas, unificada e dirigida por Maçons.

É baseado no espírito de fidelidade, liderança, responsabilidade e busca de um ideal que a Ordem DeMolay trabalha os valores e virtudes de seus membros, na busca de um mundo mais digno e justo para todos, sem distinções. A Ordem Possui em seu fundamento 7 princípios essenciais, chamamos de Virtudes Cardeais de um DeMolay: Amor Filial, Reverência pelas Coisas Sagradas, Cortesia, Companheirismo, Fidelidade, Pureza e Patriotismo.

O patrono da Ordem Demolay, Jacques DeMolay, foi expedicionário das Cruzadas, no século XIV. Foi queimado no poste por não trair seus irmãos e seguidores. Do seu exemplo, a Ordem DeMolay aprendeu a lição e importância da honestidade, da lealdade e do amor fraterno.

Foi estabelecida no Brasil em 16 de agosto de 1980 pelo maçom Alberto Mansur e difere em certos pontos da tradicional americana.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

REFLEXÃO PESSOAL

Ir∴ Luiz Felipe Brito Tavares, médico e escritor, é Obreiro da Loja Luz do Planalto nr. 76 de
São Bento do Sul (GLSC)

Caros Irmãos vos apresento uma reflexão pessoal que não tem peso de verdade, mas de elucubração. Fiquem à vontade em rejeitá-la se ferir vossa lógica.

Qual nossa essência?

Seríamos matéria apenas ou nossa verdadeira essência é transcendente? Se considerarmos o ser como matéria sujeita às leis da física, podemos aguardar um destino entrópico ou de desestruturação consecutiva. Deixaríamos, portanto de existir de forma definitiva ao expirar do último suspiro vital.

Se, no entanto considerarmos nosso ser portador de uma essência transcendente, com certeza escaparia à indiferença do caos entrópico.

A ciência por tratar do mundo físico não busca por elementos que fujam ao seu âmbito de ação. Portanto não podemos nela nos apoiar de forma direta para corroborar a existência do espírito.

Porém se a ciência não busca por evidências transcendentes, tão pouco possui autoridade para negá-las de forma definitiva.

Como então e porque pensarmos nesta possibilidade, a da sobrevivência da consciência após a morte do corpo físico, se a nenhuma evidencia palpável tenhamos acesso?

Mas o que é palpável? Aquilo que pode ser sentido?

E a fé não é percebida de forma clara em nosso intimo?

Sem dúvida a resposta se baseia na fé que em cada um habita e que é o portal a nos permitir não apenas acessar esta possibilidade, mas como também vivenciá-la em nós mesmos como realidade.

Porém a fé é abstrata, como também o espírito. Sendo a fé uma quintessência poderíamos então dizer que nada prova? Ou seja, que é uma ilusão meramente decorrente de uma neuroquímica cerebral extremamente complexa?

Se assim o for então deveríamos abdicar da fé? Ou dar a ela um papel sem importância?

Se desta forma procedermos, teremos que da mesma forma reconsiderar muitos outros elementos que consideramos relevantes em nossas vidas. Que consideramos possuidores de sentido.

Por exemplo, os mais nobres sentimentos seriam somenos reflexos químicos.

O amor sublime dos pais pelos filhos seria apenas reverberação aberrante e sem lugar definido no espaço real.

Os pensamentos mais profundos apenas um volume determinado de bits de informação.

A própria consciência um mero estado cerebral.

Tudo o que creditamos real em essência, deixaria de sê-lo.

O poder de valorar a existência; o sorrir infantil; o agradecer pela esperança que renasce a cada dia em nosso imo; o compartilhar pleno do amor, o próprio amor; o suspirar pela bela natureza...

Tudo isto perderia o significado essencial. Perderia a razão de ser. Elementos não materiais, ou abstratos sem sentido real.

Valores aberrantes não programados pelas leis da natureza.

Por não poderem ser quantificados ou qualificados em suas relações de proporção seriam desmerecidos.

Então seria isto?

Se não podemos transformar em uma equação, não podemos validar! Toda a teia social baseada em valores abstratos deixaria de ser significativa.

Somos então apenas um caminho evolutivo, e todo cabedal de sentimentos nobres nada mais são do que elementos permitidos pela probabilidade, com fins à continuidade da espécie?

O que importa no fim é apenas o garantir da transmissão de genes?

Um paradoxo pensar que esta capacidade magnânima de reconhecer e sentir as galáxias, o universo e as próprias leis da física como elementos preciosos que são, seria de fato um mero mecanismo oriundo da probabilidade evolutiva com fins exclusivos à sobrevivência.

Um efeito colateral da evolução sem espaço de fato a ocupar.

Porém se não existe um espaço de fato a ser ocupado como algo pode existir?

Tudo que existe em essência tem que necessariamente ocupar um espaço. Até as possibilidades só existirão se houver matriz que as sustentem.

Se consideramos que nossos sentimentos, nossas reflexões profundas, e nossa consciência são muito mais que um mero efeito colateral, então temos também que admitir que possa existir um espaço, mesmo que transcendente, para ocuparem.

Um nicho transcendente indica um sentido imanente. Planejamento existente, mas não percebido por olhos pouco experientes.

Conhecemos de fato os espaços existentes em nosso universo e além dele?

Talvez então a fé não seja mera flutuação aleatória, ou melhor, talvez a fé não seja um padrão aberrante; ou mesmo um eco a ser desconsiderado.

Talvez seja um portal previsto em leis ainda não conhecidas que nos permitam de fato e de forma real acessar planos inacessíveis aos experimentos físicos atuais.

Não é difícil hoje para qualquer aluno de segundo grau acessar informações sobre teorias físicas modernas, referentes a muitos universos possíveis além do nosso.

Tais teorias aventam que cada universo seria uma pequena bolha flutuando no que é chamado de grande massa.

Também a informação de que nosso próprio universo possa ter mais do que as quatro dimensões conhecidas está à disposição.

A de que a matéria luminosa que conhecemos ocupa menos que cinco por cento de tudo que existe no universo...

De que a matéria que conhecemos é feita de elementos menores e menores e menores até que sejam considerados apenas vibrações, ou seja, padrões de energia.

Não é difícil então para uma mente criativa imaginar um espaço que acomode de forma real a consciência e toda a profundidade que possuímos. Não apenas que albergue, mas que sustente.

Porém procuremos preservar-nos no mesmo caminho lógico.

Todo movimento demanda espaço. Movimentos de relação, vibrações... Tudo demanda espaço para ocorrer.

Movimentos atendem a gradientes, no sentido do equilíbrio. Seguem o sentido das leis.

Como poderíamos, no entanto classificar os fenômenos da mente?

Como qualificar o movimento de sucessão das palavras e dos sentimentos?

Não atenderiam eles também a gradientes? Não estão sujeitos a regras lógicas e de sentido? Não seguem um caminho determinado e com conseqüências determinadas?

Poderia de fato tudo isto ser apenas uma aberração? Ou a natureza de fato reserva um espaço real para sua existência?

Nenhuma complexidade evolui sem que espaços lhes permitam a ordenação.

Que espaço permitiria a ordenação dos pensamentos e o permutar dos sentimentos?

Pensamentos e sentimentos que refletem a natureza, possuindo liames de familiaridade com o que está ao entorno, de tal forma que pode influir diretamente nesta mesma natureza.

A energia se transmuta e determina movimentos físicos.

Energia presente em sentimentos e pensamentos profundos a modificar o ambiente físico. A ocupar espaços.

Creio com sinceridade do coração que existe um espaço acolhedor para nossa consciência no universo, seja nosso universo conhecido ou outro concomitante.

Porém minha lógica aponta na mesma direção. A possibilidade de um espaço real a preservar nossa consciência encontra ressonância na potencia de nossa humanidade.

Humanidade que busca burilar a pedra bruta em polida, que busca a harmonia e o equilíbrio dos sentimentos e pensamentos. Humanidade que busca conscientemente um sentido imanente.

Justamente tal busca consciente que levou o homem a todas as suas descobertas científicas e a todas suas indagações.

Indagações sobre o sentido por de trás de tudo.

O que antes entendíamos como realidade está sendo sacudido pelo avanço científico.

Porém algo que é difícil para ser entendido pela ciência é a inteireza de uma unidade complexa.

Por exemplo, uma célula viva seria apenas um amontoado de unidades moleculares? Um saco químico, ou algo a mais?

Algo que adquire um centro de coerência responsável pela resposta sinérgica e sincronizada daquela célula aos estímulos que a rodeia. A célula funciona como uma inteireza. Porém onde se localiza este centro comum? Este eixo principal que a tudo mantém em coerência?

SE tentarmos dissecar uma célula buscando seu centro de unidade, iremos chegar a um sem número de fragmentos sem chegar ao cerne.

Seria como dissecar um símbolo transformando em sinais e perdendo sua essência.

Porém onde se localizaria tal essência, se nossa lógica apontar para sua existência?

Se nossa lógica ignorar que existe tal possibilidade, a do complexo adquirir valor de unidade coerente então de fato nada faz sentido no universo. Tudo seria um grande paradoxo sem fim. Um universo que permite tantos patamares sucessivos e interligados de complexidade, sendo que cada um destes patamares depende do patamar anterior e serve ao seguinte, favorecendo que em cada patamar ocorra o emergir da inteireza unitária e coerente como fundamento a toda evolução de complexidade.

Então se nossa lógica não permitir que aceitemos a realidade da inteireza, não restaria nenhum sentido presente.

Já que prefiro não descartar o sentido imanente, então acredito haver um espaço que acolha e sustente tais inteirezas, ou se preferir tal coerência.

Da mesma forma que acolhe inteirezas como aquela dos átomos, das moléculas, das células e dos organismos multicelulares, então também acredito que possa acolher a inteireza coerente de uma consciência.

Um espaço existente e não devassado que coexiste com os espaços que percebemos, onde a fé também possua existência e razão de ser.

A fé é tão abstrata como tudo ao nosso redor, mas é muito mais real do que imaginamos.

Possui sua própria coerência, e que por mais incrível que possa parecer pode ter origem nas mesmas leis estudadas atualmente pela física.

Fonte: JBNews - Informativo nº 310 - 04 de Julho de 2011

quarta-feira, 17 de junho de 2026

FRASES ILUSTRADAS

INCENSAÇÃO DE TEMPLO

Em 10/04/2026 o Respeitável Irmão Fabrício Faria, Loja Caridade e Esperança, 2620, REAA, GOB-ES, Oriente de Serra, Estado do Espírito Santo, faz a seguinte pergunta:

INCENSAÇÃO

Gostaria de saber qual a justificativa ritualística que não se faz a incensação dos Templos no REAA.

CONSIDERAÇÕES:

Seria o mesmo que também perguntar: Com que justificativa alguns rituais do passado traziam essa prática anacrônica enxertada na sua liturgia?

Respondendo objetivamente, a justificativa é porque no verdadeiro REAA não existe a prática de incensar o Templo. No contexto iniciático desse rito, essa prática não faz sentido, mesmo que infelizmente ela tenha sido enxertada em alguns rituais retrógrados.

Não se está aqui afirmando que não existe a prática de se incensar o Templo na Maçonaria. Sim ela existe, mas em outro rito, não no REAA.

Por conta disso é que os rituais de 2024 do REAA, baseados na autenticidade, notadamente por não encontrar nos últimos trinta anos essa prática em rituais do GOB/REAA, mantiveram-se fieis à tradição, sem adicionar essa ritualística indevida no simbolismo do rito em questão.

Cada rito maçônico tem que seguir a originalidade da sua proposta doutrinária, e não ficar copiando procedimentos comuns a outros ritos.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MINUTO MAÇÔNICO - 16

O ESQUADRO - 16

1º - Caso não for usado, teremos uma construção torcida, desalinhada sem equilíbrio e pronta para desabar.
2º - Somente quem souber esquadrejar poderá transformar a pedra bruta em pedra angular e devidamente desbastada para ser utilizada na construção do templo.
3º - O esquadro cujo ângulo é reto nos ensina a retidão de nossas ações; o maçom em sua linguagem simbólica diz que pauta a sua vida dentro do esquadro.
4º - Estar em esquadria significa ou equivale a dizer estar algo ou alguém harmonizado com os deveres impostos pelas normas maçônicas.
5º - O símbolo do esquadro tem sua presença marcante em todos os graus da maçonaria, oferece a todos os maçons sapientíssimas lições em matéria de reta conduta e exato cumprimento do dever.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

A IDEIA DE LIBERDADE DE CONSCIÊNCIA: UMA CONQUISTA HISTÓRICA DA MODERNIDADE

 Por Alexandre Jones

Liberdade de consciência refere-se ao direito fundamental de cada indivíduo de possuir os valores, princípios, opiniões, religiões ou crenças de sua escolha, sem restrições externas. Vai além da mera tolerância religiosa, pois abrange a liberdade de pensar, acreditar ou não acreditar, e de mudar de opinião.

Historicamente, essa ideia não é uma evidência atemporal, mas uma construção progressiva, nascida dos conflitos religiosos europeus, do Renascimento e do Iluminismo.

Tornou-se um pilar dos direitos humanos no século XVIII e continua sendo uma conquista frágil das democracias hoje.

Das origens antigas à ausência de lei (Antiguidade – Idade Média)

Na Antiguidade, religião era frequentemente confundida com o Estado. No Egito Faraônico, nos impérios Persa, Romano ou Chinês, o indivíduo não tinha direito à liberdade interior. A cidade ou o imperador impunham um culto público e convicções privadas não eram protegidas. Platão, em A República, chega a defender o controle religioso pelo rei-filósofo. Sócrates defende uma forma de liberdade interior, mas sem torná-la um direito político. Com o cristianismo tornando-se a religião oficial sob Teodósio I (final do século IV), a Igreja e os imperadores lutaram ativamente contra toda dissidência. Santo Agostinho até justifica a coerção contra hereges. Nenhuma sociedade reconhecia um “direito à liberdade de consciência” na época.

A Reforma e o nascimento do conceito (século XVI)

A faísca foi acendida com a Reforma Protestante. Martinho Lutero, em 1517 (95 teses) e depois na Dieta de Worms em 1521, recusou-se a retratar: ” Minha consciência é prisioneira das palavras de Deus. Não quero e não posso me retratar. Agir contra a própria consciência é sério; Não é seguro nem honesto. Pela primeira vez, a consciência individual passou a ter prioridade sobre a autoridade do papa ou de um concílio. A consciência torna-se “cativa da Palavra de Deus”, mas livre diante dos homens.

No entanto, os reformadores ainda não defendiam uma liberdade geral

Lutero, Calvino e outros permaneceram intolerantes com os “hereges”. Foi um dissidente como Sebastian Castellion que, após a execução de Miguel Serveto por Calvino em Genebra (1553), publicou De haereticis (1554) e defendeu a tolerância. Não se deve matar em nome da fé. A expressão “liberdade de consciência” apareceu em escritos alemães, ingleses, franceses e holandeses, em um contexto cristão.

Na França, as Guerras de Religião (1562-1598) mostraram a urgência de uma solução

O Édito de Nantes (1598), promulgado por Henrique IV, marcou um ponto de virada. Reconheceu a liberdade de culto e a consciência dos protestantes, superando divisões pela paz civil. Foi a primeira grande medida estatal de tolerância na Europa.

A Idade Clássica e o Iluminismo: Da Tolerância à Liberdade (Séculos XVII-XVIII)

No século XVII, filósofos aprofundaram a ideia. Pierre Bayle, em seu Dicionário Histórico e Crítico, defende a liberdade de consciência contra todas as restrições. John Locke, em sua Carta sobre a Tolerância (1689), argumenta que a fé é uma questão íntima e que o Estado não a deve impor. Na França, Montaigne (Ensaios) e especialmente Voltaire (Tratado sobre a Tolerância, 1763) estabeleceram a tolerância como uma virtude filosófica após o caso Calas.[1]

A Encyclopédie de Diderot e d’Alembert dedica um artigo à “liberdade de consciência”. Louis de Jaucourt insistia no direito de pensar livremente. A liberdade de consciência então desliza do culto público para o direito de acreditar (ou não acreditar) no que se deseja.

A Revolução Francesa: Inscrição em Lei (1789)

A Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789 consagrou definitivamente a ideia na França. O artigo 10 é claro: “Ninguém será perturbado por suas opiniões, mesmo religiosas, desde que sua manifestação não perturbe a ordem pública estabelecida por lei.”

Este é o primeiro reconhecimento constitucional da liberdade de consciência como um direito natural. A lei de 1905 sobre a separação entre Igreja e Estado na França a tornou um pilar do secularismo: “A República garante a liberdade de consciência. Garante o livre exercício das religiões. »

Universalização no século XX

Após os totalitarismos do século XX, a liberdade de consciência tornou-se um padrão internacional. O Artigo 18 da Declaração Universal dos Direitos Humanos (1948) afirma: “Todos têm direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; Esse direito implica a liberdade de mudar de religião ou crença… O Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos (1966) e a Convenção Europeia dos Direitos Humanos (Artigo 9) também a protegem. Agora é inseparável da liberdade de pensamento e expressão.

Uma ideia ainda viva e ameaçada

Historicamente, a liberdade de consciência é uma conquista europeia resultante das Guerras de Religião e da crítica aos dogmas. Não nasceu de um vácuo, mas de uma rejeição da violência teológica e política. Hoje, permanece uma luta: diante do fundamentalismo, regimes autoritários ou pressões sociais, ela nos lembra que a dignidade humana passa pelo livre exercício da razão e da consciência.

Em resumo, o que era impensável na Idade Média tornou-se um direito inalienável. Como Dominique Avon  escreveu em seu livro Liberdade de Consciência. A história de uma noção e de um direito, é ao mesmo tempo uma possibilidade de acreditar, de mudar a crença ou de não ter nenhuma – um marcador essencial do humanismo moderno.

Essa ideia continua a moldar nossas sociedades

Ela nos convida a respeitar os outros em suas diferenças enquanto preserva a ordem pública. Uma conquista histórica que cabe a nós defender.

Notas

[1] https://www.conjur.com.br/2015-set-20/embargos-culturais-callas-processo-intolerancia-religiosa/

Fonte: https://bibliot3ca.com

terça-feira, 16 de junho de 2026

FRASES ILUSTRADAS

ORDEM DA COLETA NA CIRCULAÇÃO

(republicação)
Em 02/08/2018 o Respeitável Irmão Francisco Monteiro de Sales, Loja Dr. Pedro Germano Costa, 2.349, REAA, GOB-RN, Oriente de Natal, Estado do Rio Grande do Norte, formula a seguinte questão:

ORDEM DA COLETA NA CIRCULAÇÃO

Alguns Irmãos têm dúvidas como deve circular o Saco de Propostas e Informações e o Tronco de Beneficência.

O Ritual nos permite uma visão da circulação, porém para algumas ocasiões, falta uma clara explicação.

Exemplo: Estando o Venerável Mestre ao centro, há cadeiras que ladeiam o Trono, denominadas "de honra". Em se tratando do Venerável Mestre convidar para sentar ao seu lado um Mestre Instalado (ex-Venerável), como deve o Saco de Propostas e Informações e/ou o Tronco de Beneficência circular? Inicia pelo Venerável Mestre, depois Primeiro Vigilante, Segundo Vigilante, etc., deixando para o final ou quando for circular no Oriente, o Venerável de Honra? Ou o Saco deve ser passado ao Venerável de Honra logo depois do Venerável Mestre (que preside à Sessão)?

Agradeço a atenção do Irmão com esse esclarecimento.

CONSIDERAÇÕES:

Separo um trecho de resposta que dei a um consulente e que está publicada no Blog do Pedro Juk em outubro do corrente ano. Creio que esse extrato responderá a sua questão:

“(...) a abordagem é exatamente aquela que está descrita no ritual. Destacando que em qualquer situação, por primeiro a abordagem será sempre feita hierarquicamente entre aqueles que estiverem portando o malhete – Venerável Mestre, Primeiro e Segundo Vigilantes. Na sequência segue-se o que está previsto no ritual. Desse modo os ocupantes das cadeiras de honra só serão abordados pelo oficial circulante quando da coleta dos demais Mestres que ocupam o Oriente, ou seja, nesse momento os dois primeiros - a partir do da direita do Venerável – que virão logo após ter sido abordado o Cobridor Interno conforme prevê a tradição e o ritual. Não existe nenhum procedimento que recomende a coleta dos demais ocupantes do altar junto com a do Venerável. Se assim fosse, sem dúvida isso estaria explícito no ritual”.

T.F.A.
PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

O MALHO E O CINZEL

Adrien Chœur

O malho e o cinzel: qual é o simbolismo deles na Maçonaria? Como interpretar essas duas ferramentas? Aqui está uma prancha maçônica em grau de aprendiz.

O malho e o cinzel estão entre as ferramentas mais importantes do aprendiz. Este último as usa para desbastar a pedra bruta, símbolo do homem em formação.

A pedra bruta é, na verdade, a imagem do novo iniciado: imperfeita, sem forma, inútil, mas contém a futura pedra cúbica que se encaixará perfeitamente no edifício. O iniciado então terá encontrado quem é e, ao mesmo tempo , o sentido de sua vida.

O malho e o cinzel são ferramentas de modelação por excelência, enquanto a maioria das outras ferramentas é usada para colocar (a alavanca), traçar ou checar (régua, compasso, esquadro, linha de prumo, nível).

O malho e o cinzel nos lembram que o aprendiz está no canteiro de obras,trabalhando. Em um nível simbólico, isso significa que ele começou o trabalho em si mesmo.

Vamos falar do simbolismo do martelo e do cinzel

O malho e o cinzel: duas ferramentas complementares 

Inseparáveis, o malho e o cinzel complementam-se perfeitamente:

Enquanto o malho é força, o cinzel é discernimento. Força demais (sinal de vontade descontrolada) pode colocar a obra em risco: a pedra ficaria muito cortada. Uma vontade muito fraca, por outro lado, tornaria o cinzel inoperante.

Empunhar o malho e o cinzel tem, portanto, a ver com autocontrole e consciência. A vontade, longe de ser suficiente por si só, deve ser canalizada, orientada, refletida, ou seja, consciente.

Nota: O malho também é usado pelo Venerável Mestre e Vigilantes para definir o ritmo do trabalho na loja.

O homem em formação

O malho e o cinzel permitem que você passe da intenção para a ação. Mas manusear essas ferramentas traz o risco de um gesto ruim (sem volta atrás) devido à falta de controle ou discernimento.

Por isso é necessário usar ferramentas de controle: a régua e o esquadropermitem que o pedreiro verifique constantemente a regularidade de seu trabalho. Essas ferramentas lhe indicam se ele deve continuar removendo o material, e onde, para que a pedra (em si) possa se encaixar perfeitamente no edifício (o cosmos).

Remover matéria é remover o que impede a pureza do raciocínio, da Luz e da verdade.

Entre essas impurezas são preconceitos, paixões e, em geral, todas as ilusões causadas pelo ego. Também podemos mencionar ignorância, medo, ódio e apego.

É através do autoconhecimento que esses obstáculos podem ser removidos: será necessário identificar o prejudicial, o inútil e o supérfluo em si mesmo. O malho e o cinzel revelarão a presença de um espaço puro escondido profundamente dentro de si, um espaço que um dia poderá acolher a Luz.

Como entendemos, a iniciação consiste em transformar o homem cru em um ser de Luz. O trabalho consiste em penetrar a matéria, visitá-la para encontrar a pedra cúbica que está ali escondida, como a fórmula VITRIOL nos convida a fazer. Essa pedra perfeita é o símbolo de pureza, beleza, força e sabedoria.

No fim, a metáfora do pedreiro nos incentiva a trabalhar em nós mesmos: trata-se de abandonar nossas inclinações malignas para abrir nossos olhos para nossa identidade universal.

Escultura de Fabrice Figuet, Rodez

Nota: A escultura acima mostra que somos tanto a pedra quanto o pedreiro. Outras representações distinguem a pedra do próprio cortador:

Mas o que acontece com as lascas da pedra bruta?

Cortar a pedra consiste em usar o malho e o cinzel para alcançar a pedra polida, perfeitamente cúbica, a imagem do homem desperto. Essa pedra destina-se a ser inserida no grande edifício da humanidade, ao lado dos outros, em perfeita solidariedade, com o objetivo de paz e harmonia.

Para chegar à pedra polida, precisamos remover o excesso de material: os fragmentos representam todas as ilusões que nos mantêm no erro, em uma relação falsa com o mundo. Entre essas ilusões, está a ideia de que sabemos melhor do que os outros o que fazer ou pensar, que os outros são uma ameaça ou que o mundo deveria ser diferente.

Esses surtos são orgulho, rejeição, medo, ódio, raiva e incompreensão. Eles representam o obstáculo, a matéria opaca que nos impede de ver, entender e, portanto, nos integrar harmoniosamente ao mundo e à sociedade.

Esses surtos ainda são marca de um ego desordenado, todo-poderoso e descontrolado.

Uma vez que as rebarbas foram colocadas à distância, resta a pedra polida, ou seja, a mente lúcida, iluminada pela razão universal, capaz de ver a realidade além da individualidade e de seu caráter parcial, e portanto equivocado.

Mas os estilhaços que caíram no chão não desapareceram. O ego ainda está lá: não pode ser completamente apagado porque é constitutivo da nossa existência; ele até garante nossa sobrevivência. Portanto, não se trata de matar o ego, o que é impossível (exceto cometendo suicídio), mas de abordá-lo de outra forma.

O ego, os fragmentos da pedra bruta, devem, portanto, ser reintegrados. Mas, enquanto antes o ego estava no centro da nossa vida, controlando nossos pensamentos, puxando os cordas, mantendo-nos na ilusão de que estávamos no centro do mundo, agora o ego está sujeito a outra instância, outra forma de consciência capaz de pensar a si mesmo em um nível maior. Em resumo, não somos mais enganados pelo nosso ego.

Os fragmentos da pedra bruta, lembremos, são as paixões, as emoções, os sentimentos, certamente às vezes desordenados, irracionais ou até negativos, mas que fazem a vida. Eles formam essa matéria que nutre a experiência humana e que também traz à tona consciência e luz. O ego, portanto, não é ruim em si mesmo, exceto quando assume controle total da nossa existência.

As lascas caem no chão, aos pés do maçom. Sua poeira forma o suporte, o chão onde o buscador pode continuar seu trabalho, seu trabalho. Devemos lembrar que viemos desse pó, e que voltaremos a ele. Ao fundar, essa poeira permitiu que nosso potencial de consciência e Conhecimento emergisse, e continua a nutrir nossa busca espiritual. Porque sem essa sombra, a luz não teria conseguido se manifestar.

Trazendo uma reconciliação íntima

Na alquimia, a operação de transformação do indivíduo consiste em várias etapas:

As operações alquímicas, portanto, visam recompor um ser completo, mas em uma “ordem” diferente. Esse ser completo e finalizado foi capaz de reintegrar a matéria em si mesmo:

A matéria, que antes o puxava para baixo, agora o puxa para cima.

No fim, os fragmentos da pedra bruta foram reintegrados. Entendemos que eles são indispensáveis à nossa existência: eles também fazem parte da ordem mundial.

A pedra polida é um ideal que pertence ao reino do espírito, não ao mundo real. Esse ideal guia nossa elevação espiritual, mas não deve nos levar a negar a matéria.

Cabe a nós pegar esses flocos espalhados e juntá-los para formar o que poderia se tornar outra pedra polida, idêntica ou até equivalente à pedra cúbica que tentamos obter desde nossa entrada na Maçonaria…

Fonte https://www.jepense.org

segunda-feira, 15 de junho de 2026

FRASES ILUSTRADAS

PEDIDO DE AUMENTO DE SALÁRIO

Em 09/04/2026 o Respeitável Irmão Alexandre Thomaz, Loja 20 de Agosto, 2408, REAA, GOB-SP, Oriente de São José dos Campos, Estado de São Paulo, solicita esclarecimentos:

AUMENTO DE SALÁRIO

Recentemente tivemos uma sabatina e pedido de aumento de salário para dois Companheiros, pelo que me surgiu uma dúvida:

Quando do pedido de aumento de salário para Companheiros serem exaltados, o Ven∴ Mestre deve perguntar ao tesoureiro se estão quites com os metais, para o Secretário se todas as formalidades foram cumpridas, para o Chanceler se tem presença e para o Orador se legalmente estão habilitados? Se sim, o faz antes ou após o pedido de aumento de salário pelo 1º Vigilante? Se não, por qual motivo?

O Ven∴ Mestre pode simplesmente seguir com a votação após o pedido do 1º Vig∴, pedindo ao
M∴ de CCer∴ que coloque em votação, sem fazer as verificações acima?

CONSIDERAÇÕES:

É o Vigilante instrutor que pede formalmente o aumento de salário. Nessa conjuntura, ele deve antes certificar-se se o postulante preenche todos os requisitos previstos no RGF. É recomendável que essa proposta seja discutida e consultada fora de Loja (não em sessão) entre o Vigilante que fará a proposição, o Venerável Mestre, o Chanceler e o Tesoureiro, principalmente.

Diante disso, só depois que o Vigilante Instrutor tiver a garantia de que tudo está de acordo com os requisitos legais, é que ele irá formalizar, em Loja aberta, o pedido de aumento de salário.

Ressalte-se que nesse panorama o processo precisa incondicionalmente seguir o que prevê o Artigo 35 do Regulamento Geral da Federação.

Finalmente, é oportuno ainda lembrar que o Mestre de Cerimônias não coloca absolutamente nada em votação. Quem assim o faz, depois da manifestação do Orador, é o Venerável Mestre, que inclusive proclama o resultado (Art.º 116, VIII).

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

ASSOCIAÇÃO DE HABITAÇÃO MAÇÔNICA

Por Luciano J. A. Urpia

Você sabia que a Maçonaria inglesa mantém uma rede de residências especialmente projetadas para idosos? A Associação de Habitação Maçônica (Masonic Housing Association - MHA) completou 50 anos de história recentemente, e pouca gente conhece esse importante braço social da instituição. Presente na Inglaterra e no País de Gales, a MHA administra cinco residências que somam 189 apartamentos independentes, oferecendo moradia acessível e protegida para pessoas com 55 anos ou mais, sejam maçons, seus familiares ou membros da comunidade em geral.

Criada no final de 1975, a MHA surgiu como resposta à Lei de Habitação de 1974, que incentivava a criação de moradias específicas para idosos. O que diferencia a associação é sua estrutura única: cada residência conta com um gerente de projeto dedicado e é supervisionada por Comitês Locais formados por maçons voluntários, nomeados pelos Grão-Mestres Provinciais. Essa gestão voluntária garante que os lares mantenham um ambiente acolhedor e seguro, onde os residentes preservam sua independência mas contam com suporte quando necessário. As propriedades estão estrategicamente localizadas em diferentes regiões, facilitando o acesso a comércios, serviços de saúde e transporte público.

Para marcar o cinquentenário, a MHA lançou um novo Plano Estratégico que busca justamente aumentar sua visibilidade. O objetivo é que mais maçons conheçam essa "joia escondida" e possam tanto se beneficiar das moradias quanto contribuir como voluntários. Como destacaram os dirigentes da associação durante apresentação na Grande Loja Unida da Inglaterra (UGLE), a MHA representa na prática o pilar do "Engajamento Comunitário", mostrando como os valores maçônicos de fraternidade e serviço transcendem os encontros em Loja. Ao iniciar seus próximos 50 anos, a MHA convida todos a conhecerem suas residências, seja para morar, visitar ou oferecer seu tempo e conhecimento a essa nobre causa.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

SÍMBOLOS DO PODER

Ir∴ Sérgio Quirino Guimarães 
ARLS Presidente Roosevelt 025

Saudações estimado Irmão, retornando de Araxá – MG, reflito sobre o real significado dos SÍMBOLOS DO PODER

Sábado passado presenciei a Instalação do Capítulo de Cavaleiros Templários da Luz N. 58 de Maçons do Real Arco e posse de sua Diretoria, é muito interessante observarmos a aplicação de elementos/símbolos do mundo comum em nossos trabalhos. Principalmente porque acabamos descobrindo a beleza moral e ética em objetos que outrora só observamos com a visão material. Um Capítulo de Maçons do Real Arco é administrado por três Irmãos cujos títulos ritualísticos são de uma pompa que podem causar estranheza aos Irmãos menos avisados. 

O Presidente é tratado como SUMO SACERDOTE; o equivalente ao Primeiro Vigilante é o REI e o Segundo Vigilante é o ESCRIBA. Lendo estas palavras e formando as imagens mentais, invariavelmente pensamos em aspectos de luxo, poder e vaidade. Coisas que não condizem com os valores maçônicos, mas é no contraditório que vem a grande lição!

Como a Instalação e Posse da Diretoria é feita em Sessão Pública não há problema em eu destacar alguns símbolos. O Sumo Sacerdote tem por insígnia uma Mitra para lembrá-lo da dignidade do posto de ocupa e da dependência dos desígnios de Deus e que a perfeição jamais será atingida por homem algum na face da Terra. O que é sagrado pertence somente ao Senhor. 

O Peitoral que decora o peito do Sumo Sacerdote, é igual ao usado pelos antigos de Israel, onde era gravado os nomes das Doze Tribos, ele simboliza que o Sumo Sacerdote deve gravar em seus espírito a responsabilidade para com as leis da nossa Instituição e para com o nome honrado do Capítulo e de seus membros. 

Do Rei é exigido conduta exemplar e absoluta assiduidade, ele é o sustentáculo do Sumo Sacerdote, a insígnia do Rei é um Nível adornado pela Coroa, indicando que mesmo nesta alta posição, ele esta no mesmo nível quanto às obrigações para com Deus, para com os vizinhos e para com todos nós. E que, como todos esta subordinado às mesmas leis da Instituição, cabendo ser piedoso, humano e justo, aproveitando cada oportunidade para fazer o bem. 

O cargo dá uma lição de humildade, enquanto a sociedade politicamente coloca o Rei acima dos súditos que lhe devem obediência, o Real Arco, subordina o Rei ao Sumo Sacerdote, ensinando que as obrigações para com Deus estão acima de todas as outras. A Coroa deve lembrá-lo que, mais do que mandar na vida dos homens, será muito mais gratificante, ao seu espírito generoso, reinar nos corações pelo amor e pela afeição. E também que, para atingir tal proeminência, deve sujeitar suas paixões e preconceitos ao domínio da razão e da tolerância. 

No Capítulo há uma linha sucessória natural e ao ser escolhido como Escriba, o Irmão deve compreender esta alta responsabilidade, como terceiro membro do Grande Conselho, deve aproveitar para observar e aprender, sabendo que, para frente sua caminhada terá cada vez mais responsabilidades e que foi escolhido justamente por ter capacidade de encará-las. Sua insígnia é um Prumo encimado por um Turbante; é um emblema de retidão e vigilância, pois caberá a ele observar para conservar a distância dois grandes inimigos da felicidade humana: o excesso e a intemperança. O Escriba deve caminhar de cabeça erguida, motivando os Companheiros ao empenho no trabalho e à moderação no lazer. 

A intenção deste pequeno artigo é despertar em você a vontade de saber um pouco mais sobre os ícones que estão ao nosso redor, observe a possibilidade de transcendência do material para espiritual e qual a verdadeira ou possível mensagem dos nossos símbolos. Lembrem-se que todos nós, independente do Grau ou do Cargo, somos responsáveis por agregar valor a Sublime Ordem. As fotos que tirei durante a atividade em Araxá, estão no site http://picasaweb.google.com/irquirino não enviei-lhes diretamente para não sobrecarregar sua caixa postal.

Fonte: JBNews - Informativo nº 310 - 04 de Julho de 2011

domingo, 14 de junho de 2026

FRASES ILUSTRADAS

Uploaded Image

CULTOS SOLARES E A PALAVRA DE PASSE DE COMPANHEIRO

Em 09/04/2026 o Respeitável Irmão Ubirajara Nascimento, Loja Raphael Simioni, 3707, REAA, GOB-SP, Oriente de São Sebastião, Estado de São Paulo, apresenta o seguinte:

CULTOS SOLARES

Atualmente Secretário Estadual Adj∴ de Relações Internas na 8a. Macrorregião do GOB-SP, não participo diretamente do acompanhamento das instruções aos irmãos do quadro de uma das Lojas em que sou filiado, mas deparei-me com solicitação de irmãos do Grau 2 quanto à citação à lenda de Ceres e Perséfone, na segunda Instrução do respectivo Ritual. Poderia fornecer-nos mais subsídios bibliográficos a fim de que se possa fazer um estudo mais aprofundado relativo à dita instrução?

CONSIDERAÇÕES:

Em face ao REAA ser um rito maçônico simbólico solar, a construção iniciática do seu misticismo sofre influências diretas dos cultos solares da antiguidade, mormente pelas suas alegorias iniciáticas como as Lendas Noaquita, de Osíris, de Hiram, etc. Especificamente no 2º Grau, esse misticismo se evidencia pelo uso da palavra Shib∴ como Pal∴ de Pas∴ do Grau de Comp∴.

De origem bíblica, a pronúncia e sotaque dessa palavra servia como um teste para revelar pessoas pertencentes a um determinado grupo ou comunidade.

Mencionada no Antigo Testamento (Juízes, 12: 4-6), a palavra Shib∴ relaciona-se com o general Jefté e o conflito entre os gileadistas (povo de Gileade) e a tribo de Efraim (efrainitas).

Os gileadistas controlavam a passagem pelo rio Jordão. Como ambos os povos se utilizavam de diferentes dialetos, a palavra Shib∴ era solicitadas pelos gileadistas como uma espécie de palavra de passe aos viajantes. Por deficiência de pronúncia (sotaque), os efrainitas não conseguiam pronunciar corretamente o som “sh” da palavra, o que os denunciava como inimigos, que eram então aniquilados.

Em linhas gerais, a palavra Shib∴ significa nn∴ ggr∴ de tr∴, ou mesmo, esp∴ de tr∴. O termo se relaciona ao misticismo grego e os cultos solares da antiguidade como um mito que se desenvolveu observando a revolução anual do Sol (estações do ano) – a Lenda de Ceres (romana) e de Deméter e Perséfone (grega).

Graças ao conteúdo alegórico desse mito, é que essa palavra acabou também sendo utilizada como Pal∴ de Pas∴ do 2º Grau em alguns ritos maçônicos.

Como referência bibliográfica para este assunto, sugere-se o livro As Origens Históricas da Mística Maçônica - José Castellani, Editora Landmark; Cartilha do Companheiro - José Castellani e Raimundo Rodrigues, Editora Maçônica A Trolha; Curso de Maçonaria Simbólica, Tomos I, II e III de autoria de Theobaldo Varolli Filho. Recomenda-se também perscrutar a História das Civilizações, assim como outros elementos bibliográficos desse gênero.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

BREVIÁRIO MAÇÔNICO

DECADÊNCIA

Diz-se estar uma Loja em decadência quando os valores filosóficos e administrativos são destruídos.

Uma Loja passará a ter seus trabalhos decadentes até "adormecer abatendo colunas", isto é, suspendendo definitivamente os trabalhos.

Nesse caso, de quem será a responsabilidade?

À primeira vista, dos dirigentes, porém essa responsabilidade será de cada membro da Loja.

É muito fácil abater as colunas de uma Loja; basta que o maçom deixe de frequentá-la, de dar sua contribuição financeira, social e moral; de, como "sonolento", deixar todas as iniciativas para outrem, sem conscientizar-se de que ele é um elo da Cadeia de União.

Fundar uma nova Loja é tarefa difícil, uma vez que se torna necessário arregimentar um grupo de Irmãos, com o cuidado de não retirá-los de outra Loja, a fim de não enfraquecê-la.

Oxalá cada maçom, ao assistir aos trabalhos de sua Loja, comporte-se como membro indispensável, como se tudo dependesse dele e, assim, trabalhar ativamente, jamais negar qualquer missão, mas estar sempre disposto a prestar colaboração.

Uma Loja decadente significa a decadência de seus filiados! Os maçons devem evitar, sempre, situações decadentes.

Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014, p. 118.

O DOMÍNIO DE SI E O RESPEITO AO OUTRO

Andros Baruc

1. Introdução
Meus amados irmãos.
O verdadeiro Templo que cada maçom deve edificar não está nas pedras, nos títulos ou nas formalidades, mas na consciência desperta e na conduta digna. A Maçonaria, como escola de sabedoria e virtude, não impõe dogmas, mas aponta caminhos, e entre os mais importantes, está o domínio de si mesmo.

"A razão governante em cada um de nós é senhora de nossos assuntos. Se esse não fosse o caso, o mal em uma outra pessoa poderia se tornar meu problema, e Deus não pretendeu que outra pessoa controlasse meu infortúnio."

Essa máxima nos convoca a um entendimento profundo: cada um de nós é responsável por si, por sua própria conduta, pensamentos e atitudes.

2. A Liberdade de um Povo e a Liberdade do Maçom
Diz-se que o fundamento de um país livre é o respeito ao limite entre a liberdade de um e o espaço vital do outro. Em Loja, não é diferente.

A Liberdade, um dos três pilares da Maçonaria, não é um passaporte para a arbitrariedade, mas sim um chamado à responsabilidade. Ser livre é governar a si mesmo com justiça e sabedoria, e permitir que o outro também o faça.

Quando um Irmão age de modo que sua "liberdade" se sobreponha ao espaço moral ou emocional do outro, ele deixa de ser um maçom e passa a ser um tirano, mesmo que disfarçado em palavras doces ou cargos altos.

3. O Julgamento e o Respeito
Na convivência maçônica, somos constantemente convidados à prática da tolerância. Isso não significa compactuar com o erro, mas compreender os caminhos do outro, sem desejar ser senhor da sua consciência.

Pergunto aos Irmãos:
Somos capazes de respeitar os caminhos e escolhas de nossos Irmãos, mesmo quando deles discordamos?
Conseguimos confiar que a retificação interior, que todos buscamos, é um processo individual e gradual?
Ou ainda insistimos em impor nossa razão como medida universal?

4. Construir sem invadir
Na construção do Templo Interior, há uma regra silenciosa: não se ergue um pilar derrubando outro.

É preciso:
Lutar pelo aperfeiçoamento pessoal.
Respeitar o tempo e os métodos do outro.
Confiar que cada Irmão, por mais obscuro que pareça seu momento, tem em si a centelha da Luz.
O mal que o outro comete não deve se tornar meu desequilíbrio, pois sou senhor do meu domínio, e disso prestarei contas ao G.A.D.U.

5. Conclusão: Um Código de Ética Interna
Meus Irmãos.
Esta instrução é um convite à responsabilidade e à humildade. A Maçonaria nos chama à introspecção, ao silêncio diante do erro alheio, à coragem de corrigir apenas aquilo que está sob nosso domínio: nós mesmos.

Que saibamos governar nossos impulsos.

Que respeitemos a liberdade de nossos Irmãos.
E que nossa Loja seja, antes de tudo, um espaço sagrado de retificação interior, não de vigilância mútua, mas de amor fraternal e autodomínio.

Se o outro erra, retifico-me.

Se o outro se perde, eu me encontro.

E se o outro não muda, sigo, confiante, na lapidação da minha própria pedra.

Assim é, assim seja.

Fonte: Facebook_Aprendiz de Cavaleiro