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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

FRASES ILUSTRADAS

VISITANTE DE OUTRO RITO

Em 05.08.2025 o Respeitável Irmão Jefferson Carlos de Souza, Loja Perseverança e Vigor, 2638, REAA, GOB-SP, Oriente de Rio Claro, Estado de São Paulo, pede o seguinte esclarecimento.

VISITANTE

Tomo a liberdade de lhe escrever, mesmo reconhecendo que o assunto que desejo tratar não está diretamente ligado à ritualística — campo em que o Irmão é amplamente reconhecido — mas sim por admirar sua experiência, lucidez e firmeza nos posicionamentos que compartilha.

Fui iniciado na ARLS Cruzeiro do Sul nº 3631, Rito Brasileiro, no Oriente de Florianópolis - SC (GOB). Há cinco anos mudei-me para São Paulo e, desde então, estou regular e ativo em minha atual Loja. Apesar disso, mantive um compromisso pessoal de, ao menos uma vez por ano, estar presente nos trabalhos da minha loja mãe, por respeito, gratidão e vínculo afetivo com os irmãos que me acolheram na minha jornada iniciática.

Em minha última visita, fui questionado por um grande Irmão sobre o motivo de eu não utilizar o avental e a gravata do Rito Brasileiro durante as sessões que visito a Cruzeiro do Sul. Segundo ele, por ter sido investido com o avental de Mestre Maçom do Rito Brasileiro, seria meu direito usá-lo sempre que julgar conveniente.

Minha dúvida se dá justamente neste ponto: o Irmão considera apropriado — ou conveniente — que eu substitua o avental e a gravata do REAA pelo do Rito Brasileiro nessas ocasiões?

Caso seja possível dedicar-me alguns minutos com sua opinião, ficarei profundamente agradecido.

No aguardo, deixo meu TFA e votos de saúde, luz e sabedoria em sua caminhada.

CONSIDERAÇÕES:

Lamento dizer, mas o Irmão da Loja visitada lhe deu uma informação completamente errada e sem nenhum sentido.

Veja, não obstante a sua pessoa estivesse visitando uma Loja a qual um dia pertencera, inclusive nela tendo sido iniciado, atualmente não há, entre ela (a Loja) e o Irmão, qualquer vínculo como obreiro regular do quadro, visto que nela nem mesmo é filiado.

Nesse sentido, o Irmão é membro regular de outra Loja, inclusive de outro rito e de outro Oriente (Cidade), na qual recolhe os seus metais.

À vista disso, na Loja do Oriente de Florianópolis mencionada, o Irmão é um visitante, portanto nela se apresenta como um visitante do REAA, e não mais do Rito Brasileiro.

Se, ao em vez disso o Irmão fosse filiado na Loja de Florianópolis, então poderia se apresentar vestindo as alfaias do Rito Brasileiro, mas não é o caso.

Por conta disso, essa "estória" de se achar que um obreiro, mesmo de outro rito, possa se apresentar paramentado no rito em que foi investido pela primeira vez é algo completamente equivocado, e até irresponsável, eu diria.

Uma Loja pode mudar de Rito (isto é permitido no RGF), todavia feita a mudança, todos os seus obreiros se vestem conforme o novo rito adotado, e nunca no rito que deixaram de praticar.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

A ERA DA REALIDADE FABRICADA

Vivemos um tempo em que a política parece encenada, a história é apresentada como narrativa “pronta” e o cotidiano, cada vez mais mediado por telas, vai se afastando da experiência direta. Não é raro ouvir, mesmo entre pessoas comuns, uma frase que carrega inquietação: “Tudo é falso.”

Este ensaio propõe olhar para essa sensação com seriedade — não como mero pessimismo, mas como um sinal do nosso tempo. E, à luz da filosofia e da tradição iniciática da Maçonaria, sugere uma resposta: o iniciado não vence a ilusão negando o mundo, mas trabalhando para edificar em si um Templo interior, onde a Verdade e a Luz não dependem das modas, do ruído ou das aparências.

Nos últimos anos, muitos passaram a duvidar da autenticidade do que os cerca. Da produção de alimentos à política, das narrativas históricas às finanças, uma impressão de irrealidade se espalhou. E expressões como “Estamos assistindo a um filme” ou “Alguém está movendo as peças no tabuleiro” já não pertencem apenas a debates marginais: aparecem no cotidiano, como reflexo de um cansaço profundo.

Isso é paranoia? Ou indica uma transformação real na forma como o ser humano se relaciona com a realidade?

Neste texto, o autor recorre à filosofia, à ciência cognitiva, à crítica cultural e às tradições espirituais da Maçonaria para nomear o fenômeno: a era da realidade fabricada. E pergunta: o que a Ordem, com sua linguagem simbólica e seu método iniciático, tem a oferecer quando as aparências parecem engolir a verdade? Quando a passagem das trevas à Luz se torna, mais do que nunca, necessária?

Introdução: “Tudo é falso”

Na última década — especialmente após as grandes turbulências globais recentes — uma frase inquietante ganhou força:

“Nossa comida é falsa, nossas notícias são falsas, nossos políticos são falsos, nossa história é falsa, até nosso sistema financeiro é falso.”

Em torno disso, surgem variações:

  • “Estamos assistindo a um filme.”
  • “Os que mandam estão movendo as peças.”
  • “Eu não acredito mais em nada do que vejo.”

Ainda que ditas com leveza, essas frases expressam uma ansiedade concreta: a sensação de que as estruturas que sustentam a vida moderna deixaram de ser “reais” — não apenas por serem imperfeitas, mas por parecerem simulações, ilusões ou manobras.

Para muitos, isso não é só uma ideia: é uma experiência. Não se trata apenas de reconhecer que existem mentiras, mas de sentir que a própria percepção se torna instável — como se a vida fosse conduzida em um palco, e não vivida com presença.

A Maçonaria começa exatamente aí.

O candidato é conduzido à Loja na escuridão, reconhecendo que sua visão é limitada e que a Luz — a Verdade — não é entregue pronta: é buscada. A Ordem, portanto, não oferece apenas uma teoria, mas um método: discernir, trabalhar, lapidar, e edificar em si uma base interior capaz de resistir ao caos do mundo profano.

Para compreender a crise atual, vale olhar para suas raízes.

Uma genealogia filosófica da ilusão

A suspeita de que o mundo aparente não é o mundo verdadeiro é antiga. A filosofia ocidental nasce sob esse tema, e inúmeros pensadores enfrentaram o problema das aparências. A pergunta é perene: o que vemos é o real — ou apenas sombras?

A Caverna de Platão: uma imagem iniciática

Em A República, Platão descreve prisioneiros numa caverna, condenados a ver apenas sombras numa parede. Para eles, aquelas sombras são “tudo”. Não conhecem os objetos, nem a Luz do mundo exterior.

A imagem é contemporânea: um ambiente escuro, figuras projetadas, espectadores passivos. Mas Platão fala da alma não despertada.

Na leitura simbólica, essa caverna se aproxima do estado do homem antes do trabalho interior. Sair dela é atravessar um limiar — uma passagem do Ocidente ao Oriente, do olhar comum ao olho interior. Platão ainda lembra: quem retorna para contar o que viu muitas vezes encontra resistência. Não é diferente com aquele que se põe a trabalhar sobre si: o mundo que se contenta com sombras raramente aplaude quem busca a Luz.

Descartes: dúvida e fundamento

Descartes considerou a possibilidade de um engano total — um “gênio maligno” que distorcesse os sentidos1. Restou-lhe a certeza do penso, logo existo.

Hoje, muitos se sentem em um cenário semelhante: excesso de informação, contradições, versões concorrentes, interesses ocultos. Só que, onde Descartes buscou firmeza, o homem contemporâneo frequentemente encontra exaustão — e, às vezes, niilismo.

A resposta maçônica não é render-se à dúvida, mas reencontrar a certeza por meio de disciplina, estudo, simbolismo, virtude e Fraternidade. A Verdade não se impõe pela força — ela se constrói no trabalho.

Nietzsche: quando a verdade vira disputa

Nietzsche proclamou a morte da verdade absoluta2. Em seu lugar, narrativas competem, perspectivas se chocam, e o sentido se fragmenta.

Aqui, a alegoria maçônica da Palavra Perdida ganha força: não é que a verdade tenha deixado de existir, mas que foi obscurecida. Recuperá-la é obra de vida — não uma opinião de momento.

Foucault: verdade e poder

Foucault argumentou que “verdades” são produzidas por estruturas de poder3. Instituições delimitam o que pode ser dito, reconhecido e aceito como real.

A Maçonaria antecipa esse risco ao chamar o Irmão a submeter tudo à consciência, ao crivo da razão e à virtude. A obrigação, nesse sentido, não é apenas um juramento: é uma proteção contra narrativas impostas.

Debord e Baudrillard: o espetáculo e o simulacro

Debord falou de uma sociedade que troca a vida pela representação4. Baudrillard foi além, descrevendo um mundo em que signos se referem a signos, e a simulação substitui a substância5. 

O profano então percebe: “parece falso”. Talvez não porque haja uma mentira única, mas porque a mediação virou o próprio mundo.

A Loja, por contraste, é presença: palavra dita, ritual vivido, silêncio compartilhado, experiência real — e isso tem peso iniciático.

McLuhan: o meio nos molda

McLuhan lembrou que o meio molda a consciência6. Não é só o que chega até nós, mas como chega. E, quando o meio muda, o próprio senso de realidade muda.

Daí a importância de aprender a pensar com profundidade, a discernir, a simbolizar — habilidades que a Arte Real cultiva.

Os domínios “fabricados”

Essa sensação de irrealidade não fica só no plano das ideias. Ela aparece em experiências concretas, especialmente em cinco áreas: alimento, notícias, política, história e finanças.

Alimento: sustento sem vitalidade

A frase “nossa comida é falsa” reflete a industrialização do alimento: produção pensada para eficiência e lucro, não para nutrição. O vínculo com a terra e com o trabalho humano se torna distante, invisível.

Em tradições espirituais, alimento não é só matéria: carrega força vital. Por isso, o tema toca também o espírito — não apenas o corpo.

Notícias: fatos ou narrativas?

Hoje, notícias são percebidas como enquadramentos. Realidades paralelas surgem, e cada grupo consome versões que reforçam sua visão.

Hannah Arendt alertou: quando fatos cedem lugar a narrativas, a liberdade se enfraquece7. Sem um chão comum, não há deliberação, apenas disputa.

Ao maçom cabe investigar, comparar, ponderar, não reagir por impulso.

Política: imagem acima da substância

A política vira performance, marca, marketing. A gestão real se perde em encenação.

A Ordem sempre ensinou: não julgar pela aparência, mas pela integridade. Liderança, na visão maçônica, é serviço e virtude — não teatro.

História: memória selecionada

A frase “a história é escrita pelos vencedores” reforça que a história nunca é um registro neutro. Ela é selecionada, interpretada e construída — e os fatos destacados ou omitidos acabam moldando a identidade nacional e cultural.

Nietzsche observou que, muitas vezes, a história é escrita para servir à vida — especialmente à vida do poder8. Foucault mostrou como narrativas históricas tendem a reforçar estruturas já existentes de autoridade9. 

A alegoria maçônica da Palavra Perdida volta a fazer sentido aqui: aquilo que foi esquecido ou obscurecido precisa ser recuperado por meio de um labor consciente.

Finanças: abstração total

O dinheiro se torna número, o valor se sustenta em crença, e instrumentos complexos se multiplicam.

Simmel já enxergava a crescente abstração do dinheiro10. A Arte Real responde lembrando: riqueza verdadeira não é acúmulo, mas virtude, sabedoria e Fraternidade.

Dimensão psicológica

A crise também é interior. Para entender por que tantos sentem que “tudo é falso”, precisamos lembrar: a mente constrói realidade.

O cérebro preditivo

A Neurociência sugere que o cérebro prevê e ajusta seus modelos. Quando sinais são contraditórios e ameaçadores, o modelo entra em colapso — e surge ansiedade, desconfiança, confusão.

A Ordem oferece estabilidade: razão, ritual e comunidade.

A necessidade de narrativa

O ser humano precisa de sentido. Quando narrativas antigas se quebram, outras surgem — algumas elevam, outras adoecem.

A Maçonaria oferece uma narrativa simbólica de morte e renascimento: não para fugir do mundo, mas para atravessá-lo com dignidade.

Desamparo aprendido

Sentir-se impotente leva à apatia. A jornada iniciática faz o contrário: devolve agência. Cada grau reforça responsabilidade, ética e trabalho interior.

O precedente histórico

Crises de verdade não são novidade.

Roma teve “pão e circo”. A Reforma fraturou certezas. O Iluminismo deslocou o eixo do mito para a razão. O século XX industrializou propaganda: Bernays mostrou como desejos e opiniões podem ser fabricados11. 

O que muda hoje é a escala: redes digitais aceleram tudo, e instituições lutam para manter coerência.

A dimensão esotérica e maçônica

A Maçonaria não é apenas moralidade: é iniciação. E sua linguagem simbólica é particularmente útil quando palavras se tornam armas e imagens se tornam enganos.

O mundo das aparências

Muitas tradições chamam o mundo fenomênico de véu. A venda do candidato expressa isso: a visão anterior era incompleta.

Viver apenas pelas aparências é permanecer na caverna. A Arte Real conduz ao olhar interior.

Ritual como modo de conhecer

Ritual não é enfeite: é epistemologia. Símbolos dizem o que a linguagem comum não sustenta.

Em um tempo de manipulação, isso é precioso: há verdades que se conhecem vivendo, não apenas debatendo.

A Palavra Perdida

A verdade não é “entregue”: é buscada, merecida e internalizada. Em um mundo de desinformação e hiper-realidade, essa lição é essencial.

Hiram Abiff

A lenda de Hiram fala de sabedoria atacada por ambição e ignorância. O reerguimento simboliza fidelidade e perseverança — a restauração da verdade pelo caráter, não pelo espetáculo.

O Templo de Salomão

O Templo é o homem aperfeiçoado. Se o mundo exterior parece artificial, o Templo interior precisa ser firme. O iniciado é arquiteto e pedra: trabalha em si para sustentar o todo.

O tabuleiro e os jogadores

A metáfora das “peças movidas por alguém” pode soar conspiratória, mas também aponta para estruturas reais de poder. Teorias das elites reconhecem que minorias influenciam rumos.

Ainda assim, a leitura iniciática é mais profunda: o tabuleiro é o mundo; somos peças, mas também podemos despertar como jogadores. A tarefa não é apenas denunciar forças externas, mas recuperar a própria agência e agir com retidão.

Contra-argumentos

Nem tudo é fraude. Instituições também servem ao bem comum. Complexidade pode parecer conspiração sem haver um plano. Erros em jornalismo e ciência não provam engano sistemático.

E há um risco: o cinismo virar outra forma de cegueira. A virtude está no equilíbrio: nem ingenuidade, nem ceticismo absoluto — discernimento.

A resposta iniciática à crise

Qual é a resposta maçônica para a era da realidade fabricada?

  1. Buscar a Luz — por estudo, reflexão e Fraternidade.
  2. Cultivar a virtude — ancorar-se na ação moral, não na reação.
  3. Edificar o Templo interior — não depender do mundo exterior para ter sentido.
  4. Servir à humanidade — agir como construtor, não apenas crítico.

Assim, o maçom se torna presença estabilizadora: clareza onde há confusão, Luz onde há trevas.

Conclusão: da ilusão à arquitetura

É compreensível sentir que “tudo é falso”. Vivemos cercados por imagens, narrativas e abstrações que muitas vezes encobrem o essencial.

Mas a Maçonaria lembra: essa condição não é nova. A jornada das trevas à Luz é a busca perene do ser humano.

Não se trata de escapar completamente das sombras, mas de reconhecê-las como sombras — e orientar-se rumo à fonte da Luz.

A Loja é refúgio e oficina: onde a verdade não é doutrina pronta, mas prática viva; não é posse, mas aspiração.

Em tempos de simulacro, o labor do maçom é ainda mais necessário: construir sobre o eterno, manter firme o Templo interior, buscar a Palavra com fidelidade e lembrar que a Luz permanece acessível a quem a procura com coração reto.

Autor: Maarten Moss

Fonte: The Square Magazine

*A tradução desse artigo foi realizada com o auxilio de IA.

Notas
  1. Descartes, René. Meditations on First Philosophy. ↩︎
  2. Nietzsche, Friedrich. On Truth and Lie in an Extra-Moral Sense. ↩︎
  3. Foucault, Michel. Power/Knowledge. ↩︎
  4. Debord, Guy. Society of the Spectacle. ↩︎
  5. Baudrillard, Jean. Simulacra and Simulation. ↩︎
  6. McLuhan, Marshall. Understanding Media. ↩︎
  7. Arendt, Hannah. Between Past and Future. ↩︎
  8. Nietzsche, F. On the Uses and Abuses of History for Life. ↩︎
  9. Foucault, Michel. Discipline and Punish. ↩︎
  10. Simmel, Georg. The Philosophy of Money. ↩︎
  11. Bernays, Edward. Propaganda. ↩︎

Referências

Fonte:opontodentrodocirculo.wordpress.com

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

FRASES ILUSTRADAS

O APRENDIZ E A PALAVRA

Em 05.08.2025 o Respeitável Irmão Édson dos Santos, Loja Regeneração Sul Bahiana, 994, REAA, GOB BAIANO, Oriente de Ilhéus, Estado da Bahia, apresenta a dúvida seguinte.

APRENDIZ E A PALAVRA

Bom dia, irmão. No ritual de Aprendiz diz que o Aprendiz não sabe falar ele sabe soletrar, como na transmissão da palavra sagrada. A minha pergunta é a seguinte:

O irmão Aprendiz pode solicitar a palavra?

CONSIDERAÇÕES:

Obviamente que sim. O Aprendiz pode pedir a palavra nos momentos apropriados.

O ato do Aprendiz somente saber soletrar a Palavra Sagrada é de cunho iniciático, podendo o mesmo se pronunciar normalmente quando autorizado ou inquirido.

No contexto iniciático, dar a Palavra Sagrada letra por letra significa aquele que está iniciando a sua jornada pela senda do conhecimento maçônico. 

Este ato se caracteriza pela infância; os primeiros anos; os primeiros passos.

É preciso separar o que é simbólico da realidade do cotidiano.

T.F.A.
PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

LUIZ GONZAGA


Registro da visita de Luiz Gonzaga à Loja Calixto Nóbrega nº 15, Oriente de Sousa, Paraíba, em 17 de julho de 1975.

Luiz Gonzaga foi Iniciado na Maçonaria do Rito Moderno. Seu padrinho foi Florentino Guimarães. Apesar de não poder frequentar com assiduidade a sua Loja-Mãe, por conta dos seus compromissos, em toda cidade que ele ia, se tivesse tempo, fazia questão de se apresentar e participar das sessões e ajudar.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria 

O ESQUADRO


Ir∴ Rizzardo da Camino – escritor maçônico

Antes de tecermos considerações sobre o esquadro cumpre esclarecermos a respeito da distinção entre os símbolos. De uma forma generalizada tudo deverá ser considerado como símbolo, eis que o próprio homem é um símbolo, mas nem sempre devemos generalizar. Para melhor compreensão passaremos a classificar os símbolos, sem nos preocuparmos com a maior ou menor importância deste ou daquele objeto.

Assim, tanto o Livro Sagrado quanto Esquadro e Compasso passarão a ser conhecidos como utensílios.

A supressão do Livro Sagrado, em certos ritos, equivale a suprimir um utensílio que evidentemente fará falta para a construção do edifício físico-espiritual que é o futuro maçom.

O Esquadro é um utensílio que para os egípcios era um quadrado geométrico, ou seja, a figura de quatro lados iguais a quatro ângulos retos.

Também não deixa de ser uma jóia móvel, símbolo de mando que é colocado no Venerável da Loja.

Encontramos sua origem e uso no culto do Osíris na sala do Juízo, onde são julgados os homens que, encontrados com a perfeição necessária, são admitidos a prosseguir.

Embora um só esquadro possui dois significados, sendo que o primeiro é para a construção reta e perpendicular a fim de que resulte forte e segura.

Nas mãos do Venerável servirá para julgar e decidir. Era o símbolo do Deus Rã, o deus-sol, filho de Osíris e de Isis, que o empunhava na forma de um malhete, de haste longa e testa em forma de flecha pela composição de dois esquadros. Deus descendente e Deus ascendente. Quase que um prelúdio da Cruz cristã.

A matemática que faz parte da filosofia, através de Pitágoras demonstrou que o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos.

Esquadro, do latim ex-cuadrare não deixa de ser, também, um instrumento de desenho usado na geometria. É um ângulo reto ou um triângulo. Sem dúvida trata-se do símbolo mais usado e conhecido na Maçonaria, podendo-se até sugerir como sinal de identificação. Por ser o quadrado perfeito, representa a terra e orienta a marcha do aprendiz do átrio até o Venerável na posição de ordem.

Esta posição apresenta quatro esquadros que em astronomia significam o corte dos diâmetros do círculo zodiacal, resultando as quatro partes conhecidas como as estações do ano. Todos os graus da Maçonaria contêm como símbolo primário o Esquadro, porque todos os graus conduzem ao aperfeiçoamento humano no caminho reto da justiça e comportamento. Por ser uma figura geométrica, é um utensílio de medida, sendo, portanto quem equilibra o comportamento humano.

Nos três graus simbólicos o aprendiz usa o Esquadro como signo de sua marcha; cada passo forma um Esquadro.

O companheiro...

O aprendiz que segue pelo seu caminho quer espiritual, quer material, o faz em linha reta, mas jamais deixará de verificar o que está ao seu lado. Seguindo a linha longa do Esquadro em frente, acompanhará a linha mais curta em direção oposta lateral; percorre, assim, o Universo, afastando-se cada vez mais do vértice para o infinito , abrangendo o que lhe está à direita.

À esquerda, terá o incognoscível, mas por tempo limitado, porque ao retornar de sua viagem percorrerá parte do caminho trilhado, já com a soma de uma experiência, abrangendo, porém a amplitude que em sua ida não pudera discernir. E no passar dos ciclos, em sua eternidade, o homem compreenderá o que significa romper horizontes.

Fonte: JBNews - Informativo nº 294 - 18.06.2011