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PERGUNTAS & RESPOSTAS
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026
VIGILANTES INSTRUTORES
PÍLULAS MAÇÔNICAS
nº 133 - As paredes vermelhas no Templo para R.E.A.A.
Fonte: pilulasmaconicas.blogspot.com
DESDE TEMPOS IMEMORIAIS O CORDEL AFERE OS DESTINOS
Da união entre dois pontos resulta sempre algo formidável, conforme o olhar: a distância entre eles (um segmento de reta), a união de conjuntos na matemática (junção de todos os elementos), ou a interseção de retas (ponto comum). Como a inteligência, que constrói conexões entre pessoas e mundos, que propicia a superação de obstáculos, que favorece a união de ideias; assim é o cordel que promove sinergia entre conhecimento e inteligência, a incitar a evolução.
Historicamente, precursor de tecnologias tão mais exatas, quanto mais eficazes, como instrumento de medição de distâncias como a trena, o teodolito e o/ou GPS, que calculam prodígios nas artes da topografia, agrimensura e construção civil, o cordel (a corda de medir) é prógono, também, na criação de ângulos retos: ao formar um triângulo com as proporções 3, 4 e 5 unidades, obtém-se um ângulo de 90° perfeito, ou seja, o Teorema de Pitágoras aplicado na prática.
Para Pitágoras, a filosofia era o "amor pela sabedoria" e uma busca constante pelo conhecimento e pela sabedoria. A fórmula do Teorema reflete, pois, um equilíbrio perfeito e uma proporção exata. Metaforicamente, aduz que uma vida plena é alcançada através do equilíbrio entre diferentes "lados" da existência (trabalho, família, saúde, espiritualidade etc.), onde a soma dos esforços e atenções em áreas fundamentais resulta em uma "hipotenusa" (uma vida) completa e realizada.
O teorema é um exemplo perfeito da crença pitagórica na existência de verdades universais (cósmicas) e imutáveis que podem ser descobertas pela razão humana. O "Cosmo", que significa "ordenado", "harmônico") é regido por relações numéricas e uma ordem intrínseca. A capacidade de impor ordem matemática a uma figura geométrica complexa radica a convicção de que podemos trazer ordem e sentido (um "cosmo") para nossas próprias vidas, superando o caos e a ignorância.
Os números e as proporções matemáticas eram a "arché" (essência ou princípio subjacente) de todas as coisas no cosmos. Assim como o teorema fornece uma verdade inquestionável sobre triângulos retângulos, a vida plena envolve a descoberta das "regras" e/ou princípios que governam uma existência harmoniosa. Alcançar a verdade e a harmonia do universo, e por extensão, a plenitude na vida, envolvia a compreensão dessas leis matemáticas através do raciocínio lógico e da contemplação.
Na vida, podemos ver os catetos como: cateto A: o autocuidado e o mundo interno e o cateto B: o trabalho e a contribuição externa. A "hipotenusa" de uma vida plena só é alcançada quando esses dois lados estão corretamente angulados. Se um lado é negligenciado, a estrutura da vida se torna desproporcional. Assim como o teorema exige valores exatos para fechar um triângulo retângulo, uma vida plena exige limites. Viver sem excessos e entender as próprias medidas ajuda a evitar o caos emocional
A plenitude (ou felicidade) vem da proporção, segundo os Pitagóricos. Contemplar essas verdades matemáticas é uma forma de purificação da alma (katharsis). Sob esse fito, a vida plena envolve a busca por conhecimentos que não mudam com as circunstâncias — o cultivo de valores e princípios éticos que servem como a "hipotenusa" constante em meio às mudanças do mundo. Na geometria euclidiana, com inúmeras aplicações práticas, da arquitetura à tecnologia digital, é essencial.
O conceito de cordel manifesta a versatilidade que designa desde uma ferramenta física simples para determinar comprimentos e alinhamentos até uma metáfora para avaliação da conformidade com regras, padrões ou expectativas. A expressão "dentro do cordel" consolidou-se como sinônimo de retidão, além de demonstrar uma impressionante adaptabilidade semântica, ilustrando como uma palavra adquire múltiplos significados em diferentes domínios do conhecimento e da cultura.
Usado para traçar retas perfeitas (o "bater linha" com giz) ou verificar a verticalidade (prumo), o cordel define o que está reto em uma parede, ele passou a designar o que está "nos eixos" no comportamento humano. Estar fora do cordel é estar desviado, torto ou incorreto perante uma norma ou padrão estabelecido. Com ele, o homem mede Jerusalém para determinar sua largura e comprimento (Zacarias 2:2), pois, Jerusalém representa um microcosmo da jornada espiritual humana.
Medir a "largura e comprimento" de Jerusalém simboliza o processo de autoconhecimento e a definição de limites santos na jornada espiritual, onde o "microcosmo" humano busca alinhar-se à vontade do Criador. Curiosamente, Zacarias prossegue dizendo que Jerusalém será habitada "como as aldeias sem muros" (Zacarias 2:4), ou seja, embora a jornada comece com medidas e limites, a presença de Deus a torna infinita e protegida por uma "muralha de fogo" espiritual.
Uma jornada de santificação plena e de união com o divino, cujo passo essencial é viver uma vida virtuosa, envolve a eficácia do cordel no alinhamento entre corpo, alma e intelecto; na busca da pureza e da conexão espiritual, pois, ser virtuoso é ter um caráter excelente e bom, enquanto ser santo é buscar ser como Deus, sendo a virtude a base para uma vida santa, em perene prática dos princípios éticos e morais elevados, pois, robustecem o autodomínio, a sabedoria e a integridade.
A "virtude" é a ação, e a "Fundação de Deus (Jerusalém)" é a morada espiritual interna, ou seja, a divindade ou a verdadeira natureza espiritual é encontrada através do cultivo de um caráter virtuoso. Sendo o homem é o templo, as virtudes (justiça, prudência, temperança, coragem, fé, esperança e caridade) são os tijolos e o alicerce. É na prática da virtude e da retidão moral que vige o modus para a transcendência, para a realização do potencial humano superior e/ou para iluminação espiritual.
Quando o "interior" é cultivado com disciplina e ética, a beleza externa deixa de ser superficial e torna-se uma expressão de autenticidade. A autenticidade é um jardim que floresce com cuidado e atenção constantes, já que, a beleza interior é um reflexo da pessoa que somos é por dentro, que se manifesta no (auto)cuidado, no (auto)respeito, na (auto)responsabilidade, cujos inefáveis perfumes se fazem percebidos na empatia com o outro e no modus com o fazemos incluído em nossa ambiência social.
Sintetiza-se aqui o conceito de Ora et Labora (Reza e Trabalha), onde a rotina diária é o campo de batalha onde se vence o mal através da prática constante do bem. Cada tarefa simples, desde o despertar ("cada sol que se levanta"), é oferecida como um ato de adoração e aperfeiçoamento pessoal, transformando o cotidiano em sagrado, a fim de passamos ser o relexo da ordem e da beleza que resplandece do trono do “Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação”. (Tiago 1:17)
Em 2026, isso se traduz na busca por clareza através de dados e lógica frente ao excesso de informação. Uma vida plena exige discernir o que é essencial (o cálculo exato) do que é ruído. Muitas vezes buscamos a felicidade em caminhos sinuosos e complicados. A plenitude, por vezes, está na "linha reta": a simplicidade, a verdade e a ação direta em direção aos seus objetivos. A plenitude moderna envolve pertencer a grupos que compartilham seus valores e incentivam seu crescimento intelectual e ético.
Fonte: https://brunobmacedo.blogspot.com
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
HASTE (PONTA) DO COMPASSO
CIMENTO MÍSTICO

Não sabeis vós que sois templo de Deus,
e que o espírito de Deus mora em vós? (I Cor 3:16)
As Lojas Maçónicas são a insígnia viva de comunhão em que o Homem vive uma experiência interior ímpar alimentada por símbolos. Por meio do simbolismo, a Sublime Ordem apresenta-se como uma das vias de pesquisa do conhecimento, vias estas que não se opõem à nenhuma religião ou fé religiosa. A arte de construir o Templo é o escopo maior dos Maçons, utilizando-se dos símbolos, considerando que a Maçonaria, no seus primórdios, era uma categoria de corporação operária consagrada à construção de edifícios e catedrais.
A partir do momento que alguém se torna Maçom, tem de se conscientizar de que haverá um caminho longo a percorrer. Pode-se dizer que é um caminho sem fim. Ao longo desta caminhada há bons e maus momentos. Os bons deverão ser aproveitados como incentivo, e, os maus não poderão ser motivo de esmorecimento e desistência da viagem iniciada. A linguagem, sempre empregada nas Lojas Maçónicas, diz que o Aprendiz Maçom é uma pedra bruta que se deve talhar a si mesmo para se tornar uma pedra cúbica. É o início da sua jornada Maçónica.
O nutrimento elementar para a viagem é conhecido do Maçom desde a primeira instrução recebida: A régua de 24 polegadas, o maço e o cinzel. Com o progresso, o Maçom vai recebendo outros objectos, tais como o nível, o prumo, o esquadro, o compasso, a corda, o malhete e outros. Os utensílios de trabalho, obviamente, são simbólicos. Todos os símbolos abrem as portas sob condição de não nos atermos apenas às definições morais. E é com o manuseio dessas ferramentas que se começa a tomar consciência do valor iniciático da Maçonaria. O espírito Maçónico ensina, aos seus adeptos, um comportamento original que não se encontra em nenhum outro grupo de homens. Se isto não for absorvido, não será um bom Maçom.
O Maçom recebe, juntamente com os apetrechos, os ensinamentos necessários para começar a burilar a pedra bruta, cujo trabalho, entretanto, não termina ao torná-la cúbica: falta, ainda, a construção do Templo, que só será possível graças ao manejo dos instrumentos de trabalho e o cumprimento dos ensinamentos recebidos, adicionados à virtude, sabedoria, força, prudência, glória e beleza. Os elementos morais que devem ser o ornamento dos Maçons na sua viagem, cujo rumo não é ao desconhecido. Entenda-se, pois, que a caminhada não se restringe, apenas em portar as ferramentas, mas, principalmente, em aprender a preparar o cimento místico para trabalhar no plano superior.
O cimento místico é a argamassa, que bem misturada, fará com que os Mestres não percam o amor pela escola, deixando de ensinar; evitará a avidez pelo poder de mando, tão comum entre os homens; propiciará que o Aprendiz se torne um perfeito Mestre, para cumprir com o seu dever de Maçom, se a argamassa não deteriorar….
A Iniciação Maçónica completa-se quando o Maçom galgou, sucessivamente, os degraus de Aprendiz, Companheiro e Mestre. Durante as passagens desses graus a formação do Maçom irá tornando-o hábil, com a trolha, para amassar com coragem e perseverança o cimento místico que servirá para a edificação do Templo do Grande Arquitecto do Universo. É quando estará apto para voltar ao mundo profano, esclarecido pelos deveres de Maçom, e pregar para o bem da Humanidade. Estará consciente de que a Maçonaria é a única instituição competente para levar o Homem ao domínio da paz, da ordem e da felicidade. Ele aprendeu que no seio da Sublime Ordem não existem desejos nem interesse pessoais a satisfazer, e que a ambição se delimita às necessidades da Fraternidade. Que a vaidade não pode regurgitar e que a lei fundamental, como regra absoluta, é a extinção dos maus desejos que afligem a Humanidade. Enfim, que a Maçonaria é a associação mais propícia à obtenção do aperfeiçoamento social e moral do Homem.
Só o verdadeiro Maçom poderá sentir e compreender que o Templo do Grande Arquitecto do Universo é o interior de cada um de nós, o Templo humano. O Templo espiritual, que é edificado no coração e mente do Maçom para recolhimento do Bem, do Amor Fraternal, da Beneficência e da Concórdia.
E. Figueiredo
Bibliografia
- Boucher, Jules – A Simbólica Maçónica
- Jacq, Christian – A Franco-Maçonaria – História e Iniciação
- Santos, Sebastião Dodel – Dicionário Ilustrado de Maçonaria
- Tourret, Fernand – Chaves da Franco-Maçonaria
- Manual de Aprendiz Maçom – GLESP

