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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

domingo, 17 de maio de 2026

FRASES ILUSTRADAS

POSTURA DA COMISSÃO E DA GUARDA DE HONRA

Em 11/06/2026 o Respeitável Irmão Maurício Américo, Loja Monumento ao Ipiranga, 3771, REAA, GOB-SP, Oriente de São Paulo, Capital, pede esclarecimento para o que segue:

POSTURA

Dúvida: os IIr∴ da guarda de honra e da comissão de recepção devem ficar com os pés em esquadria ou apenas perfilados?

Surgiu está dúvida. Fico no aguardo.

CONSIDERAÇÕES:


Em que pese nessa ocasião não seja obrigatório os pp∴ ficarem uu∴ pelos cc∴ formando uma esq∴, mesmo assim é uma postura recomendável.

É recomendável pelo aspecto de se manter uniformidade coletiva no procedimento. Mas como o Decreto 1476/2016 menciona apenas que todos fiquem "perfilados", não há como obrigar, senão "recomendar".

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

BREVIÁRIO MAÇÔNICO

A CULTURA

O vocábulo deriva de "culto", mas no sentido de enriquecimento da mente, pelo estudo e pelas práticas escolares e universitárias.

O homem culto sobressai dos demais e conquista o respeito dos seus semelhantes.

O oposto da cultura é a ignorância.

A Maçonaria, no intuito de aperfeiçoar os seus adeptos, tem na cultura a base de sua organização.

Para o ingresso na Ordem Maçônica não é exigido título universitário, bastando que o candidato prove ser alfabetizado.

Contudo, o estudo, quer Iniciado na infância, quer na maturidade, leva a pessoa a adquirir uma habilitação para que seu trabalho encontre melhor remuneração.

A cultura, porém, pode estabelecer-se numa mera instrução; boas leituras, interesse pelas artes, diálogo bem constituído, tudo pode conduzir o maçom ao respeito dos seus Irmãos.

O nivelamento da "classe" deve ser sempre por cima e jamais por baixo.

Para a compreensão da Maçonaria, o maçom deve adquirir sua biblioteca especializada e ler muito, pois somente assim poderá compreender a filosofia maçônica.

Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014, p. 113.

COMPANHEIRO MAÇOM

O grau de Companheiro Maçom é o segundo grau da (Maçonaria Simbólica) ou Maçonaria Azul. Em inglês ele é chamado (Fellow of the Craft), este é um legado dos Antigos Maçons Operativos.

Na época das Guildas Antigas, um Mestre empregava um aprendiz, geralmente desde muito jovem, praticamente na adolescência e muitas vezes familiar aos membros da Guilda, ao final de sete anos era submetido a um rigoroso exame onde apresentava sua obra-prima, se fosse aprovado se formava como profissional do ofício, onde se tornava sócio, recebia sinais, toques e palavras para ser reconhecido como tal entre seus pares, podendo contratar trabalhos por conta própria e supervisionar outros trabalhadores. Ele foi registrado na guilda como FELLOW.

Naquela época a condição de aprendiz, companheiro e mestre não significava graus, mas sim condições ou status dentro da irmandade, além disso, o nome de MESTRE referia-se apenas ao responsável pelos trabalhos onde trabalhavam muitos companheiros que tinham o status mais elevado dentro da guilda e tinham todos os direitos.

Este grau exalta atualmente a dignidade e o valor do indivíduo diante das adversidades da vida mundana, podemos dizer que o homem é o instrumento supremo do G.'.A.'.D.'.U.'. e como tal a sua função é construir o Templo Moral, mas não como faziam os antigos pedreiros que construíam e trabalhavam com pedras, mas sim um Templo da virtude, um Templo espiritual, onde ele pudesse expressar a sua individualidade e o seu génio.

O Apóstolo São Pedro disse o seguinte...

(Vós sois pedras vivas que Deus usa para construir um templo espiritual.” (1Pedro,2;5), Também encontramos as palavras do Apóstolo São Paulo neste comentário (“Vocês não sabem que são o templo de Deus e que o espírito de Deus habita em vocês. Paulo,1Cor.3:16)

Esses comentários bíblicos são mais que adequados, pois um dos objetivos do Maçom é construir um templo à virtude para que o Eterno O G.A.D.U. de todo o Universo. Entenda-o como um Templo (Toda a Humanidade).

Por outro lado, o companheiro maçom deve colocar todo o seu esforço para avançar no caminho, obviamente, o seu crescimento se dará pela sua força de vontade, interesse e diligência no seu trabalho. A loja, por outro lado, deve incentivar o desenvolvimento do indivíduo rumo à sua própria realização, uma vez que deve dedicar seus esforços ao estudo e à meditação constantes.

(Estudar é aprofundar-se nas matérias ensinadas na licenciatura. Nunca seria a simples leitura litúrgica da qual não se pode extrair muito sem uma interpretação adequada da mesma)

Alegoricamente, gosto sempre de dizer que este estado de Companheiro pertence à assimilação da Luz, sendo o de Aprendiz o descoberto, o Companheiro do Ofício, já é o trabalhador qualificado e um homem viril, disposto a aceitar as responsabilidades que a vida traz consigo, sabendo que quanto mais aprender através da busca constante pelo conhecimento e pela verdade, maiores serão suas conquistas na vida.

Enquanto o Aprendiz trabalha com a borda do Avental levantada, o companheiro veste seu avental cuja queda está abaixada, inserida dentro dele, podendo expressar de forma simbólica que a consciência começou a despertar em meio aos vícios, representados pelo quadrado, os elementos que compõem a matéria, ou seja, que o Candidato passa a dominar parcialmente seus instintos e desejos materiais.

A palavra companheiro remonta ao latim vulgar compania, que por sua vez vem de cumpanis, uma combinação da preposição cum, que significa “com”, e do substantivo panis, que significa “pão”.

Portanto, a tradução literal de companheiro é “aquele que parte o pão” ou “aquele que partilha o pão”.

Este termo tem um significado profundo e humano, pois implica uma relação de camaradagem e fraternidade. Historicamente, tem sido associado a situações em que as pessoas se reuniam para compartilhar alimentos, simbolizando um vínculo que vai além da simples companhia física.

A primeira aparição documentada do termo em espanhol encontra-se nas (Glosas Silenses), anotações feitas por monges no século XI. Desde então, a palavra evoluiu e foi usada em vários contextos, incluindo o seu uso na Idade Média para se referir a guildas e corporações de trabalhadores, onde “camaradas” eram aqueles que trabalhavam juntos num comércio.

As ferramentas do grau são: no Rito da Emulação, são o quadrado. o nível e o fio de prumo. No Rito Escocês Antigo e Aceito, o cinzel, o martelo, a régua, o esquadro e o compasso. Estas variantes de um Rito para outro não são importantes, pois para distribuir as ferramentas entre os três graus, os ritualistas não seguiram uma ordem específica e estrita.

A praça é a segunda das três grandes luzes que iluminam a pousada. A primeira é a Lei Sagrada (a Bíblia) e a terceira é a bússola. O quadrado simboliza a retidão e a moralidade, por isso seus braços são rígidos (daí a expressão: viva de acordo com o quadrado). (Viver retamente de acordo com a Lei Moral).

Numerosos túmulos de arquitetos da Idade Média são representados pelo esquadro e pelo compasso (associados), mas com um significado puramente operacional ou talvez (nem tanto), pois é um fato comprovado que as ferramentas eram veneradas pelos antigos como símbolos morais desde os tempos antigos, (recomendo a história dos antigos patronos da Maçonaria Operativa, (Os Quatro Santos Coroados). Fora da Maçonaria, esses símbolos são encontrados em outras culturas, como na filosofia chinesa, com o mesmo significado moral.

O nível simboliza a igualdade, pois todos devemos tratar-nos igualmente, com base no respeito e na tolerância. Por outro lado, o fio de prumo simboliza a vertical hierárquica, a lei divina e a gravidade, é a essência de Deus que desce do alto, a quem devemos reconhecimento, amor e respeito, e é inseparável do nível, o equivalente ao fato de sermos todos filhos Dele, o que nos torna todos irmãos e que diante do Eterno não há diferenças de raças ou crenças religiosas, pois ELE dá tratamento igual a todos os Seus filhos, porque Ele derruba a igualdade e a justiça através do fio de prumo em linha reta caminho, isto é, do alto, do Criador ou Grande Arquiteto do Universo, que nos torna todos iguais em sua presença, ensinando-nos o equilíbrio que devemos manter em todos os tipos de situações, pois é normal encontrarmos o bem e o mal em nossas vidas, mas o trabalho essencial do companheiro maçom é não se perder entre os vícios que entorpecem a alma e encontrar o caminho reto que o fará ascender à maestria.

O Companheiro deve tornar-se um exemplo vivo para os aprendizes, auxiliá-los no seu trabalho e respeitar o seu Venerável Mestre.

Fonte: Facebook_Instituto Maçônico

sábado, 16 de maio de 2026

FRASES ILUSTRADAS

 

DIMENSÕES MÍNIMAS DO TEMPLO

Em 10/03/2026 o Respeitável Irmão Eduval Fogaça, Loja Esplendor, 3480, Rito Adonhiramita, GOB-SP, Oriente de Piracicaba, Estado de São Paulo, pede a seguinte informação:

DIMENSÕES DO TEMPLO

Por gentileza uma informação. Nas dependências de uma loja pequena, com apenas 5 metros de largura, é permitido colocar cadeiras para os Mestres, no mesmo alinhamento do banco dos aprendizes, e não na frente, evitando que a Câmara do meio, fique muito estreita? Agradeço sua costumeira atenção.

CONSIDERAÇÕES:

Em que pese a possível utilização de espaços como templos para acomodar os trabalhos de vários ritos maçônicos (em um mesmo ambiente), essa dependência no mínimo deve se adequar ao previsto na planta do templo demonstrada no ritual.

Especificamente, no caso da sua questão, o templo para acomodar o Rito Adonhiramita, conforme o ritual vigente, deve pelo menos comportar duas fileiras de assentos em cada lado das colunas (Norte e Sul). Ou seja, uma encostada na parede Norte, onde se sentam os Aprendizes e outra, logo à frente, para acomodar Mestres Maçons do Norte. No lado oposto (coluna do Sul), ocorre o mesmo, ou seja, uma fileira encostada na parede Sul, onde se sentam os Companheiros e outra, logo à frente, para acomodar Mestres Maçons do Sul.

Essa é a mínima distribuição permitida dos assentos em cada uma das CCol∴, não sendo possível, portanto, juntar os lugares dos Mestres com os dos Aprendizes e Companheiros em uma só fileira, ao Norte e ao Sul.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

HIGINO CUNHA

PRECISA-SE DE UM VENERÁVEL MESTRE

Hoje não se procura um cargo... procura-se um propósito.

É preciso um Venerável Mestre que entenda que dirigir é servir. Que não aspire perfeitamente, mas que nunca se contente com a mediocridade. Que eu aprenda todos os dias e ensine pelo exemplo, em silêncio, firme e com verdade.

É preciso alguém com caráter para sustentar o justo, sensibilidade para compreender a dor dos outros e com humildade para reconhecer suas próprias limitações.

Um irmão que escute, que guarde, que respeite. Que não julgue por aparências ou distinções, mas que veja em cada ser humano a sua dignidade essencial.

É preciso um homem com vontade para combater o errado, começando por si mesmo. Não tema o erro, mas sim a indiferença. 

Que defenda a razão, a moral e a justiça sem hesitações.

Não é o grau que define... é o comportamento.

Não é a palavra que eleva... é ação.

Hoje, mais do que nunca, é preciso um venerável mestre.

E quando ele aparecer... que não passe despercebido.

Fonte: Facebook_Masoneria Operativa

sexta-feira, 15 de maio de 2026

FRASES ILUSTRADAS

SAUDAÇÃO - CERIMÔNIA DE ELEVAÇÃO

Em 09.03.2026 o Respeitável Irmão Dennis Pires, Loja Mensageiros da Paz, 1435, REAA, GOB-GO, Oriente de Goiânia, Estado de Goiás, apresenta a questão seguinte:

SAUDAÇÃO

Vez ou outra, alguns IIr∴ me indagam uma ou outra coisa a respeito da ritualística do REAA. Desta vez, foi a respeito do cerimonial de Elevação quanto a uma omissão do Ritual e o SOR em suas letras azuis.

- No momento do Juramento e Sagração do Aprendiz candidato à Elevação, os textos são omissos quanto ao acesso ao Oriente no que se refere à Saudação na Linha da Balaustrada.

Os "entendidos" têm orientado que não há necessidade nesse momento que o M∴ CCer∴ e o Apr∴ (elevando), ao acessar o Oriente para o Juramento, realizar a saudação, tanto na entrada quanto na saída.

Eu, particularmente, quando indagado; "Tenho dito" que não há necessidade do ritual ficar explicando esse tipo de comportamento, considerando que devemos partir da premissa de que em Loja Aberta, todos os IIr∴ para acessarem o Oriente seja por Mestres ou por "Aprendiz" nesse caso extraordinário que é a ELEVAÇÃO, deve fazer a saudação no seu grau na entrada e saída do Oriente e também de maneira excepcional, o M∴ CCer∴ no Grau 1 também, haja vista que, só em seguida vais transmitir os sinais, toques e palavras do Grau alcançado pelo aprendiz naquela oportunidade.

Gostaria de saber se a orientação que estou passando é adequada?

CONSIDERAÇÕES:

É como bem diz o Irmão: "existem procedimentos que por serem óbvios, não carecem estar escritos". 

Mas, o problema é que vivemos na Maçonaria latina, onde parece que tudo deve estar irremediavelmente escrito, mesmo que se esteja diante do insofismável.

No caso mencionado na questão, por se tratar de uma passagem iniciática, é perfeitamente tolerado que não se faça nenhuma saudação nessa ocasião, mormente porque o ato ritualístico que está sendo realizado ocorre por solicitação do próprio Venerável Mestre.

À vista disso, nessa passagem ritualística a saudação não é obrigatória.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

A MAÇONARIA NÃO DEVERIA EXISTIR

Dia desses fui acompanhar a sindicância de um menino de 14 anos, pretendente a ser iniciado na Ordem DeMolay no Capítulo do qual faço parte. Estávamos em um grupo de 4 pessoas para esta sindicância. Além de mim, iam meu filho e mais dois DeMolays.

Chegamos na casa do menino e a sindicância começou como começam todas as sindicâncias, os DeMolays explicando ao candidato o que é a Ordem, como ela se iniciou, seus preceitos, as virtudes que são cultuadas, etc, etc...

Na minha posição de Tio eu só escutava as explicações, acompanhava as perguntas curiosas e as respostas bem fundamentadas.

Porém, eu percebia que o candidato ficava incomodado com as respostas e acabava questionando com mais ênfase determinados pontos até que ele perguntou: “- Ok, vocês me explicaram que a Ordem DeMolay prega o respeito a Pai e Mãe, quer que sejamos cidadãos patriotas, tolera e respeita todas as religiões e etc, mas eu não preciso ser DeMolay para fazer isso, pois isso é que meus pais têm me ensinado desde pequeno. Então, por que eu precisaria ser iniciado na Ordem para continuar fazendo o que eu já faço?”

Se não fosse a seriedade do momento teria sido engraçado, pois tanto meu filho quanto os outros dois DeMolays ficaram com aquela cara de “putz, é verdade, eu não tinha pensado nisso. E agora, o que eu respondo?”. Aí todo mundo olhou para mim, esperando uma ajuda na resposta e eu fui obrigado a dizer algo.

Mas eu acho que eles não esperavam a resposta que eu dei. Disse assim: “- Sabe, eu já me fiz essa pergunta algumas vezes e só pude concluir uma coisa: A Maçonaria não deveria existir, assim como a Ordem DeMolay também não deveria existir”. Nossa!!! a cara de pânico dos meninos era hilária. No mínimo eles pensaram “Este cara ficou doido. A gente vem tentar trazer mais um membro para nossa Ordem e ele diz que ela deveria acabar? Ele deve ter ficado maluco”. Aí eu tive de continuar a explicar minha “teoria”:

“- Na verdade as pessoas não deveriam precisar ser lembradas a todo momento que elas devem ter respeito pelo seu país, sua família ou ao próximo. Aliás deveria ser a coisa mais normal do mundo nós nos reunirmos para arrecadar fundos para ajudar um orfanato. Aliás, mas aliás mesmo, se o mundo fosse diferente, nem deveriam existir orfanatos, pois não deveriam existir crianças abandonadas pelos pais.

Nós deveríamos sair à rua e não deveria ser normal querermos brigar com o motorista de outro carro por causa de uma vaga para estacionar. Ninguém deveria desconfiar da honestidade de outra pessoa, porque a desonestidade não deveria existir.

Eu não deveria colocar portões na minha casa e me fechar dentro de uma gaiola para evitar ser assaltado, porque a violência não deveria existir. Ninguém deveria temer sair de casa com a camisa do seu time de futebol preferido, com medo de ser espancado até a morte por uma meia dúzia de imbecis que usam uma camisa de outro time.

Mas, infelizmente, este mundo que acabei de comentar não existe e somos expostos diariamente a tantas influências negativas que temos de procurar uma forma de nos unirmos a pessoas que ainda cultuam algum tipo de preceitos e valores morais e que pensem como nós.

E para isso que existe a Maçonaria e a Ordem DeMolay, por exemplo. Lá somos lembrados a continuar usando tudo de bom que aprendemos com nossos pais e nos são “relembrados” alguns outros valores que acabamos esquecendo com a correria da vida. No dia que o ser humano aprender a respeitar ao próximo eu proponho o fim da Maçonaria e de todas as Ordens semelhantes. Enquanto isso seria um prazer ter você conosco.” Hoje este candidato não é mais candidato, pois foi iniciado DeMolay logo depois.

Mas o que mais me deixou feliz foi escutar esta minha teoria repetida por um dos meninos que estavam participando daquela sindicância para outro candidato à Ordem DeMolay, dias depois. Ou seja, até que esta teoria não é tão maluca assim, pois mais alguém concorda com ela.

Esta história foi narrada por um Irmão Maçom desconhecido, mas ela deve ser muita divulgada entre nós...

Fonte: https://focoartereal.blogspot.com

quinta-feira, 14 de maio de 2026

FRASES ILUSTRADAS

SAÍDA TEMPORÁRIA III

Em 09.03.2026 o Respeitável Irmão Carlos Roberto de Oliveira, Loja Fraternidade Carmelitana, 2185, REAA, GOB MINAS, Oriente de Carmo do Rio Claro, Estado de Minas Gerais, apresenta a seguinte pergunta:

SAÍDA TEMPORÁRIA

Os irmãos da Coluna do Norte quando vão se ausentar temporariamente do Templo têm que fazer o giro pela Coluna do Sul ou podem sair diretamente pela Coluna do Norte?

CONSIDERAÇÕES:

No REAA a regra é de que em Loja aberta se ingresse no Templo sempre pelo eixo (equador), derivando-se para o Norte, e dele se saia sempre pelo eixo (equador), derivando-se para o Sul.

Assim, em Loja aberta, numa retirada temporária, por questões de padronização ritualística, o retirante deve se deslocar em direção à porta passando pela Coluna do Sul. 

Não deve, até a sua passagem definitiva pela porta, ultrapassar o eixo (neutro) para o Norte.

Por se tratar de uma ausência temporária, o retirante, ao sair, não precisa saudar às Luzes.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

TEMPLO MAÇÔNICO DE DETROIT


Com pompa e milhares de espectadores, o imponente Templo Maçônico de Detroit, projetado por George Mason e inaugurado em 1926, abrigava teatros, salões de baile e uma piscina. Durante um século, foi palco de importantes eventos culturais, mas enfrentou dificuldades financeiras até ser resgatado em 2013 pelo músico Jack White, que quitou os impostos atrasados e, em gratidão, teve seu nome dado a um de seus teatros.

Fotografia cedida pela Biblioteca Walter P. Reuther, Arquivos do Trabalho e Assuntos Urbanos, Universidade Estadual de Wayne (The Detroit News) 1926.

TUDO QUE É SÓLIDO SE DESMANCHA NO AR...

Davys Sleman de Negreiros
B∴L∴S∴Loja Thêmis & Ágora nr. 20 – Rolim Moura/RO GLOMARON

Embora muitas outras ciências diferentes da Sociologia se ocupem de aspectos sociais do homem, nenhuma delas tem o fato da convivência e das relações interhumanas como tema central de estudo, por esse fato, a acreditamos ser interessante utilizarmos os conceitos e instrumentais sociológicos para analisarmos e compreendermos o processo da Iniciação Maçônica.

Conquanto cada uma das outras ciências toquem nos aspectos sociais da vida do homem, nenhuma delas tem como tema próprio e específico o fato social como tal. Pelo contrário a Sociologia é a única ciência que quer estudar o fato social especificamente, o fato da convivência, das atividades e relações interhumanas.

"Como sociólogos, estamos interessados nas relações sociais, não porque tais relações sejam econômicas, ou políticas, ou religiosas, mas sim porque são ao mesmo tempo sociais. Se duas pessoas se encontram no mercado, não são por isso meramente dois “homens econômicos”, mas sim dois seres humanos, e entram em relações que não são meramente econômicas. A vida do homem é multilateral." (MACIVER, 1950:05)

Efetivamente, a vida do homem tem dimensões e várias funções: religiosa, moral, jurídica, política, econômica, artística, etc. Pois bem, todas essas dimensões ou funções ocorrem e se desenvolvem na existência social do homem, isto é, do homem enquanto tem relações com seus próximos. Os homens mantêm relações uns com os outros. Assim ocorre, porque são essencialmente sociáveis, seja dito de passagem, não só pelos motivos que já Aristóteles expusera, "o homem por si só, é uma animal social", mas também por razões muito mais profundas: a sociabilidade é um componente essencial da vida humana, a tal ponto que esta seria impossível e mesmo inconcebível sem sua componente social.

Desse modo, o estudo sociológico deparará em seu caminho, fatores e fatos psíquicos, com crenças religiosas, com fenômenos políticos, com processos econômicos, com estruturas jurídicas..., e nada disso poderá ser abstraído e deixado inteiramente de lado. Porém o estudo sociológico não se interessa pelo psicológico enquanto psicológico, nem pelo religioso enquanto religioso, nem pelo político enquanto político, nem econômico enquanto econômico, nem pelo jurídico enquanto jurídico..., e sim se interessa por esses aspectos somente na medida em que a consideração dessas atividades e obras culturais possa lançar alguma luz sobre os fatos, relações e processos sociais, enquanto tais, e na medida em que a índole desses conteúdos culturais influa sobre a estrutura das relações e sobre os caracteres dos processos sociais.

Apesar de ser a compreensão dos fatos sociais um elemento essencial e indispensável do estudo da Sociologia, este mesmo estudo não se esgota nela. Requer, além da compreensão, que procedamos também à explicação, porque os fatos humanos, conquanto tenham sentido, não são puros sentidos abstratos, mas sim realidades concretas, no espaço e no tempo, realidades essas que possuem um sentido. Porque o Rito de Iniciação Maçônico e as variadas Instruções nos respectivos graus têm um sentido, é necessário que tentemos compreendê-las.

Mas, porque são realidades produzidas por causas e geradoras de efeitos, é necessário que, além disso, tratemos de explicá-las quanto a seu processo causal, ou seja, cumpre que indaguemos de suas causas e de seus efeitos individuais e coletivos.

I - MODOS COLETIVOS DE CONDUTA: OS RITOS

Um dos componentes fundamentais dos grupos e das sociedades humanas é o processo ritual. Os ritos e as cerimônias (significa qualquer procedimento estabelecido para dar dignidade e solenidade a um ato social, e ressaltar desse modo, sua importância ou transcendência) permeiam todo o grupamento social, desde as sociedades primitivas até as modernas sociedades pós-industriais. Os sociólogos contemporâneos afirmam que temos um comportamento ritual quando amamos e fuzilamos, quando nascemos e morremos, quando noivamos ou casamos, quando ordenamos e oramos. Os rituais revelam os valores mais profundos do comportamento humano e o estudo dos ritos torna-se estrategicamente a chave para compreender-se a constituição essencial das sociedades humanas.

Estudam-se hoje os ritos como um fenômeno social que possui um espaço independente, isto é, como um objeto dotado de uma autonomia relativa em termos de outros domínios do mundo social, e não mais como um dado secundário, uma espécie de apêndice ou agente específico e nobre dos atos classificados como mágicos pelos estudiosos.

Assim, designa-se rito a uma série de atos dispostos em procedimentos rítmico, dirigidos ao mesmo fim e repetidos sem variação de umas formas instituídas em certas ocasiões. Podem existir ritos individuais relacionados com atividades rotineiras da vida cotidiana, como por exemplo na ordem dos atos de vestir-se, pentear os cabelos ou na arrumação de um aposento, etc. Mas a maior parte dos ritos são sociais – e são estes os que aqui daremos o nosso foco -, os quais têm como sentido e objeto dar uma solenidade especial ao cumprimento de modos coletivos de vida, solenidade essa que infunda respeito e suscite emoções comuns nos membros do grupo reunidos. Existem ritos religiosos que, além de seu caráter sacro, contribuem para infundir devoção, reverência, sentimento de dependência, correntes emocionais de fusão com a comunidade dos fiéis, etc. Existem ritos políticos ou meramente sociais – como os praticados em certas reuniões de confraternidades – agrícolas, mercantis – principalmente em sociedades primitivas ou antigas, etc.

O rito contribui para delimitar com mais precisão e rigor o grupo e o círculo social, fundindo emocionalmente aos seus membros, e, os diferenciando de outras pessoas não membros, que costumam permanecer frias ante os atos que, ao contrário, suscitam fortes emoções nos participantes; como também, os ritos são meios poderosos para manter vivo o sentimento de pertença a um grupo, para conservar a adesão aos seus modos coletivos, para unir mais estreitamente os seus membros, e para afirmar e reforçar sua significação e sua estrutura, que podem era verificadas pela existência das insígnias, dos trajes cerimoniais, das solenidades, que mantém a distância entre os dirigentes e o público, e a hierarquia, que é a base da organização do grupo. (ORTEGA & GASSET, 1959; LIENHARDT, 1974; VAN GENNEP, 1978; CASSIRER, 1986; ULLMANN, 1991; ELIADE, 1993)

Explicitando a complexidade dos ritos, dentre os quais vamos enfatizar os chamados ritos de passagem, que nada mais são que celebrações em que se coloca em relevo a mudança de um estado para outro (por exemplo a passagem de profano em neófito). Podemos dizer ainda, serem ritos em que se destaca a transição de alguém da sociedade profana para uma sociedade sagrada. "Procuram assegurar a transição para o ignoto, o novum" (CASSIER, 1986:64). Por outro lado, antologicamente os ritos de passagem podem ser vistos sob três grandes subdivisões: ritos de separação, ritos de margem e ritos de agregação. Segundo Van Gennep (1978:31) "essas três categorias secundárias não são igualmente desenvolvidas em uma mesma população nem em um mesmo conjunto cerimonial".

Os ritos de separação, referindo-se às cerimônias funerais e à separação dos noivos de sua casa paterna, quando contraem matrimônio; fala-se em ritos de agregação quando trata do casamento. Utilizam-se os termos ritos de margem, ao enfocar os ritos respeitantes, diretamente, à iniciação como tal, em que o indivíduo ou os indivíduos são colocados, temporariamente, à margem do grupo, para receber instruções especiais, dentro duma sistemática tradicional. Se, por conseguinte, o esquema completo dos ritos de passagem admite em teoria ritos preliminares (separação), liminares (margem), e pós-liminares (agregação), na prática estamos longe de encontrar a equivalência dos três grupos, quer no que diz respeito à importância deles quer no grau de elaboração que apresentam. Além disso, em certos casos, o esquema se desdobra, o que acontece quando a margem é bastante desenvolvida para constituir uma etapa autônoma. Assim é que o noivado constitui realmente um período de margem entre a adolescência e o casamento.

Mas, a passagem da adolescência ao noivado comporta uma série especial de ritos de separação, de margem e de agregação à margem. A passagem do noivado ao casamento supõe uma série de ritos de separação da margem, de margem e de agregação ao casamento. Esta mistura é também verificada no conjunto constituído pelos ritos de gravidez, do parto e do nascimento. Embora procuramos agrupar todos esses ritos com a maior clareza possível facilitando a análise do ponto de vista didático, tratando-os como atividades, não se pode chegar nestas matérias a uma classificação tão rígida.

II - SÍMBOLOS E UNIDADE COLETIVA

A adequação da conduta aos modos coletivos e o reconhecimento da autoridade não chegaria a vingar, os ritos e as cerimônias careceriam de sentido, se não fosse pelo fato de que o homem social possui a capacidade de criar e usar símbolos.

"Todo comportamento humano consiste no uso de símbolos, ou depende disto. Comportamento humano é comportamento simbólico, e, comportamento simbólico é comportamento humano. O símbolo é o universo da humanidade." (WILLEMS, 1962:234)

Alguns sociólogos observam que diferentemente do animal, o homem não vive num mundo de fatos crus e somente ao compasso de suas necessidades e desejos imediatos, mas, além disso, e principalmente, vive num mundo de símbolos. A linguagem, a religião, a arte, a política, os grupos sociais, constituem parte desse mundo simbólico, formam os diversos fios que tecem a rede simbólica. O homem não se enfrenta com a realidade de um modo imediato e direto; não a costuma ver face a face. Envolve-se a si mesmo em formas lingüísticas, em imagens artísticas, em símbolos, de tal modo que vê as coisas por meio da interposição dessa trama de símbolos. Um símbolo, diz Titiev (1972), é a representação externa de um sentido ou de um valor, que, por associação, transmite uma idéia ou estimula um sentimento, ou ambas as coisas ao mesmo tempo. A unidade do grupo, como também, os seus valores culturais, costumam expressar-se simbolicamente. Assim, por exemplo, na nação, por meio da bandeira, do escudo, do hino nacional...

O símbolo, como já foi comentado, é alguma coisa cujo o valor ou significado é atribuído pelas pessoas que o usam. Dizemos "coisa" porque um símbolo pode assumir qualquer forma física; pode ter a forma de um objeto material, uma cor, um som, um cheiro, o movimento de um objeto, um gosto. É importante frisar, que o significado ou valor de um símbolo não deriva nunca, nem é determinado pelas propriedades intrínsecas de sua forma física: a cor apropriada para o luto pode ser amarelo, verde ou outra qualquer; a púrpura não é necessariamente a cor da realeza; entre os governantes Manchu da China, por exemplo, era o amarelo. O significado dos símbolos é derivado e determinado pelos organismos que os usam; sentidos são atribuídos pelos seres humanos a formas físicas que então se tornam símbolos.

Estas considerações nos levam a definir do seguinte modo o nível da realidade social que estamos discutindo: os símbolos sociais são signos (isto é, substitutos conscientes ou presenças intencionalmente introduzidas e invocadas para indicar ausências) que não exprimem senão parcialmente os conteúdos significados e que servem de mediadores entre os conteúdos de um lado, e os agentes coletivos e individuais que os formulam e para os quais estão dirigidos, de outro, consistindo a mediação em impelir, para uma participação mútua, os agentes aos conteúdos e os conteúdos aos agentes.

Apresentado esta parte mais conceitual primeiramente, trataremos agora de aplicar tais instrumentos ao Rito de Iniciação e aos aspectos provenientes da primeira Instrução.

III - COMPREENDENDO O RITO DE INICIAÇÃO PELA ÓTICA SOCIOLÓGICA

A par daqueles conceitos anteriormente discutidos, concluímos que todo o processo da Cerimônia de Iniciação, pelo qual recentemente passamos, é, assim, um rito de passagem do mundo profano ao mundo sagrado. Afinal, pelas leituras que temos realizado, pelas discussões e bate-papos com os IIr∴ mais iluminados, uma vez ocorrida a iniciação, nós AApr∴ vamos passar por todo um processo de nos evadirmos pouco a pouco de um mundo essencialmente profano e iremos ingressar numa área um pouco mais sagrada, buscando dia-a-dia alcançar o grau de Companheiro, para finalmente atingirmos a chamada plenitude maçônica. "A senda em busca de apaziguar esta ânsia do sagrado prossegue nos altos graus e por que não dizer só termina com a morte". (ADOUM, 1987:79). Todo este período, que vai da iniciação até a morte terrena, pode ser chamado de um rito de margem ou de liminaridade, pois o processo de aprendizagem e maturação só encontrará o seu final, para efeito de análise, na morte terrena. Dentro desse período de margem de longo prazo, participaremos se assim o G∴A∴D∴U∴ nos iluminar, dos mais diversos ritos de passagem, ou seja, de um grau para o outro.

Nesse momento peço a permissão para me dirigir na primeira pessoa, como forma de demonstrar o sentimento vivenciado. Relembrando a minha preparação como neófito: Meu padrinho foi me buscar em casa com o seu carro, eu estava de terno, sapatos, meias e gravata preta, além da camisa branca como ele me havia solicitado, percorremos alguns quilômetros, quando de repente ele parou ao lado de uma frondosa árvore. Perguntei-lhe. Houve algum problema? Respondeu-me.

Não, a partir de agora irá comigo com os olhos vendados e deitado no banco traseiro, sem questionar realizei o que foi me pedido. Durante todo o trajeto, ouvi dele a seguinte explicação: a sua iniciação está começando aqui nesse momento, um Maçom deverá sempre confiar em seu Irmão, e deverá ser sempre um bom guia não só dos seus Irmãos, mas, também, de todos os homens na face da terra.

Hoje, com os olhos vendados, você passará simbolicamente por todas as provas que os nossos antepassados passaram, irá sentir o ranger dos dentes, a violência do trovão, a força de um mar revolto, o calor do fogo e o tilintar do ferro. Será convidado a tomar uma taça de um doce vinho que poderá se transformar em amargo veneno se perjuro estiver cometendo. Tudo isto fará parte das viagens simbólicas que você realizará num local apropriado. Irá subir escadas, atravessará por estreitos túneis, saltará de um monte, mas não se preocupe você estará sempre amparado por aqueles que te escolheram como Ir.'.. O Ir.'. Terrível te guiará durante todo esse período, portanto, confie nele, assim como confia em mim, afinal, dessa data em diante, esse deverá ser o procedimento que deverá nortear toda a tua existência.

Eu nada podia ver, porém, sentia cada momento como se uma imensa luz estivesse a me iluminar, sentia o seu calor, e com os olhos do espírito comecei enxergar, da minha infância até hoje, como um filme repassei cada momento, esta imensa luz colocava tudo em uma balança, confesso, o lado dos vícios ficou muito mais pesado do que os da virtude, compreendi então porque G∴A∴D∴U∴ ali me havia colocado e me dado essa oportunidade.

De repente o carro foi diminuindo a velocidade e parou, eu ouvi o barulho de abertura de um portão, parecia de ferro, algo pesado, observando o meu semblante de apreensão e interrogativo, o meu Padrinho falou: estamos chegando... te entregarei a comissão encarregada da sua iniciação que depois de recolhido os seus metais (relógio, pulseira, aliança, anel, dinheiro) te entregarão de volta a mim para que eu então, te entregue ao Ir∴ Terrível, e a partir desse momento, nem mesmo eu você identificará entre os que estarão a sua volta, porém, volto a frisar, você estará protegido pelos IIr.'. aqui presentes e por todos os Irmãos em todos os Continentes Conhecidos e Desconhecidos.

Antes de me entregar ao Ir∴ Terrível definitivamente, o meu Padrinho fez as últimas considerações: esperamos que você venha compreender o significado de tudo por que irá passar, se você perder um só momento, se desviar a tua atenção mental, se estes momentos não penetrarem no teu espírito como ferro em brasa penetra na carne, cuja cicatriz se perpetua por toda a eternidade, jamais será um iniciado, e tão somente um Maçom. Até porque, hoje, você matará o homem velho e nascerá como um homem novo, cujo objetivo maior será sempre o de LEVANTAR TT∴ À VIRTUDE E CAVAR PROFUNDAS E ESCURAS MASMORRAS AO VÍCIO.

Denota-se já até esse momento de prepação um rito de separação:

1 - Os olhos vendados querem exprimir o estado de cegueira em que nos encontramos ainda como candidatos à Nossa Ordem. Este estado significa e simboliza as trevas, onde ainda como Profanos, nos encontramos porque ainda não recebemos a luz, ou melhor, materialmente significa a privação da vista, mas, espiritualmente, alude à cegueira que estamos enquanto iniciados e a necessidade que teremos de um guia que nos oriente em direção à Luz. "(...) Luz esta que nos guiará na estrada da vida maçônica, nos caminhos da virtude..." (CASTELLANI, 1985:174), como também, a venda dos olhos simboliza a morte de um órgão vital e estratégico que deverá renascer em um novo estágio de consciência compatível com um recinto mais sacralizado, ou seja, é a condução ao conhecimento por uma iluminação interna, afinal, acredita-se que dentro da noite das nossas consciências, há uma centelha que nos basta atiçar para transformá-la em Luz esplêndida, onde a via intuitiva parece primordial para partirmos nesta marcha ascensional em direção à Luz. Assim, a venda que ao mesmo tempo nos priva de nossa visão física, nos reduz, alegoricamente, ao estado de natureza, no nosso primórdio primitivo;

2 - Fomos separados dos nossos metais, talvez simbolizando o despojamento de nossas riquezas do mundo profano, ou como o nos foi explicado naquele dia, que procedendo assim era como praticássemos o abandono voluntário de toda e qualquer paixão, de tudo quanto há de fictício e vão, no mundo profano; recordo também que nos explicaram que ali estávamos para conquistar a Liberdade e que o homem, que aspira ser livre, deve aprender a se desprender das coisas fúteis e a reduzir as suas necessidades ao mínimo necessário; e acrescentaram que o despojamento de nossos metais representava, alegoricamente, o esquecimento das riquezas e dos preconceitos da sociedade profana. "Agora despojados de vossos metais, é como se estivésseis em estado de necessidade integral". (VASSAL, 2005:23);

3 - Continuaram a nos despir. Nos tiraram o lado esquerdo de nossa camisa, deixando descoberto o peito e o braço esquerdo, depois pediram que descalçássemos o pé esquerdo, e, finalmente nos arregaçaram a perna direita de nossa calça, deixando a descoberto nosso joelho direito - "nem nu, nem vestido", alegoricamente simbolizando o desnudamento das vestes profanas, pedindo humildemente o ingresso no sagrado. Vejamos e relembremos, estávamos com o coração a descoberto o que evidenciava que não fazíamos qualquer restrição egoísta e oferecíamos nosso próprio coração à nossa Ordem. O joelho direito descoberto destinava-se a nos colocar em contato com o solo sagrado, quando ajoelhamos diante dos altares. O pé esquerdo descalço é uma tradição do Oriente e da África, onde as pessoas se descalçam, antes de pisarem num solo considerado sagrado. "Na realidade, assim posto, quando o candidato se ajoelha, colocando o joelho direito em terra, a sua perna esquerda, posta em esquadria, o pé descalço funciona como o pólo oposto".  (VASSAL, 2005:27) Outrossim, como em outras culturas, o joelho direito descoberto é a alegoria do sentimento de humildade, no ato de genuflexão e no esforço de pesquisa da Verdade. Assim, todos os nossos atos de adoração, além de se revestirem numa maior sinceridade, de se prestarem a imantação, por sua postura, tem como significado expressarem um profundo respeito pelo solo sagrado, que se palmilha.

A Câmara de Reflexões, o Testamento, enfim, a Prova da Terra foram, mais uma vez, o exercício para a morte do homem profano para um renascimento mais consciente em outra esfera do sagrado. Simbolicamente esta descida aos infernos ou pelo menos às profundezas da terra, como nos antigos mistérios greco- orientais, das remotas iniciações, do fundo dos milênios, pode ser considerado um rito de separação para uma longa viagem.

Assim preparados, fomos entregues ao Ir∴Exp∴ Ele nos bateu, levemente, no ombro e disse: - "Sou o vosso guia; tende confiança em mim e nada receeis". E nos deu várias voltas pelo edifício, até que perceberam que já havíamos perdido o sentido de orientação. Então, fomos introduzidos, cada um individualmente, na Câmara de Reflexões. O Ir∴ Exp∴, dando à sua voz uma inflexão um pouco fúnebre, disse: - "Profano, deixo-vos entregue às vossas reflexões. Não estareis sozinho. Deus, que tudo vê, será testemunha da vossa sinceridade". E tirou a nossa venda. Lembro-me que me causou uma má impressão aquele lugar, um quarto fechado, uma espécie de caverna pintada de preto, sem janelas e ilustrada por símbolos de morte. Tendo como base o conhecimento de outras culturas que se utilizam em seus processos iniciáticos de objetos alegóricos, após alguns momentos sozinho naquele local, passei a compreendê-los e identificar os objetivos da sua existência. Por essa descrição consegui compreender a mensagem iniciática "SOMOS PÓ E AO PÓ REVERTEREMOS", ela explica a idéia da caverna e o sentido essencial da iniciação, ou melhor, aquela Câmara, impenetrável à luz do dia, cercada de emblemas fúnebres, vem representar alegoricamente o seio da Terra, ao qual baixamos.

Na realidade, ali somos mantidos, simbolicamente como sepultados, afinal qualquer iniciação é uma morte, seguida de um renascimento, ou, tudo ali não passa de um convite para nos induzir a meditar sobre os transcendentes problemas da vida e da morte. Assim sendo, na Câmara existia: uma mesinha, um tamborete, uma vela que pouco iluminava, naquela escuridão total de túmulo, um crânio (símbolo da morte e do renascimento para a vida espiritual, ou seja, normalmente também se utiliza desse objeto no intuito de nos advertir que devemos nos despojar de nossa personalidade, afim de prepará-la para o renascimento que normalmente se ambiciona), um galo (representando o despertador da esperança e o anunciador da ressurreição, ou em outras palavras, é ele que anuncia todos os dias com o seu canto o aparecer do dia, a luz), acima dele uma frase num papel "Vigilância e Perseverança" (somente trabalho contínuo e a paciente perseverança nos levará a alcançar a Iniciação), uma ampulheta, uma foice, um caixão, (vem nos lembrar que a obra do tempo domina e sobrepuja as formas transitórias), gravadas em branco algumas frases agressivas, acredito que destinadas a nos provocarem impacto e bem a minha frente uma sigla que após passar todo esse processo, admito que fiquei curioso e fui buscar a sua explicação: V.I.T.R.I.O.L., "Visitas o interior da terra, retificando, encontrarás a pedra oculta", já que a alegoria fundamental da iniciação é a morte, preliminar de uma nova vida, que originará o renascimento iniciático, V.I.T.R.I.O.L., pode ser assim analisado: que devemos descer às profundezas do nosso eu interior e, retificar o nosso ponto de vista, no silêncio e na meditação, afinal, até porque somente dentro de cada um de nós, encontraremos a sabedoria.

Após um determinado tempo, o Ir∴ Terrível, encapuzado, voltou ao nosso encontro, ingressou em nosso túmulo e disse: - Profano, a Associação de que desejas fazer parte, pede para respondas às perguntas que te apresento. As tuas respostas não nos ofenderão, mas delas dependerá a nossa aceitação ou a nossa rejeição? E nos entregou o impresso de nosso Testamento, mas não era qualquer documento, era um testamento filosófico, do qual acredito seremos executores testamentários, haja vista que aquele testamento não era para a morte, mas um testamento para a nova vida a que nos propomos.

Ainda faltavam outras três provas (do ar, água, fogo, ressaltamos que a da terra ocorreu na Câmara das Reflexões), realizadas já no interior do templo e novamente vendados, que podem ser interpretadas como ritos de aprofundamento de passagem, de purificação crescente. Podem ser analisadas como ritos de margem neste vestibular espiritual para uma esfera mais sagrada. Neste processo de alquimia mental e espiritual estaria se matando, homeopaticamente, o profano para o renascer, simbolicamente doloroso e ao mesmo tempo glorioso, do Apr∴

E aqui nos socorremos de Mircea Eliade (1993:12) quando diz que:

"(...) a maior parte das provas iniciáticas implicam de maneira mais ou menos transparente, uma morte ritual se seguiria uma ressurreição ou novo nascimento. O momento central de toda iniciação vem representado pela cerimônia que simboliza a morte do neófito e sua volta ao mundo dos vivos. Mas o que volta à vida é um homem novo, assumindo um modo de ser distinto. A morte iniciática significa ao mesmo tempo o fim da infância, da ignorância e da condição profana. "

O batismo de sangue significa o começo de um ritual de agregação, algo que na Igreja Católica se chama de Comunhão dos Santos, isto é, qualquer iniciante depois de purificado pelas provas começa a participar, a ser agregado simbolicamente à comunhão de todos os Maçons.

O juramento teria algo do rito de margem, pois o iniciante, já agora menos poluído pelo mundo profano e mais ciente do sagrado, passa a ter então os pré- requisitos mínimos para um juramento mais consciente.

O nascimento pode ser analisado como o nascer biológico do novo ser, um rito de agregação ao mundo da Luz e da comunidade dos IIr∴, que, em seguida, é batizado pelo ritual de iniciação propriamente dito. Nasce-se e imediatamente se é iniciado, sem perda de tempo, em suma, um rito sumário de agregação, a culminância do processo iniciático. A passagem dos segredos de reconhecimento pode ser entendida como um reforço do ritual de agregação, um modo e um processo de comunicação rápido e instantâneo para melhor agregar a comunidade dos eleitos.

E por último, mas não menos importante e como tal não poderíamos deixar de lembrar, o banquete, que não fazendo parte direta da cerimônia do templo, insere- se num contexto de um ritual de re-agregação. Aqui, já se está de volta ao mundo profano, mas como alguém que circulou pela esfera do sagrado e volta ao mundo profano aureolado pela sacralidade. É como uma espiral; deu-se um giro de 360º, mas num outro nível, outro em outro patamar; está-se no mundo profano mas como um ser consagrado.

IV - CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por fim, tendo como ponto de partida os conhecimentos advindos da nossa formação de Cientista Social e esperando ter conseguido contribuir humildemente com os IIr∴ com as nossas reflexões, compreendemos que em todas as escolas Herméticas há um processo de Iniciação, caracterizado exotericamente através de uma Cerimônia de Iniciação. Este procedimento, longe de ser entendido como um importante processo iniciático, é um ato muito significativo, cujo valor está oculto sob a verdadeira aparência de um véu exterior. Por isso, avaliamos que para descortinarmos o aspecto esotérico, é preciso que nos afastemos dos conceitos profanos, muitas vezes contaminados pela dicotomia maniqueísta do bem e do mal, herança de dogmas religiosos e de falsas construções ideológicas, que somente desse modo, poderemos vir a entender o simbolismo desse "desbastar a pedra bruta", como uma forma de amoldar o espírito, desvencilhando-se dos defeitos e paixões. Nesse prisma, é de se lembrar que a busca do justo e perfeito é a caminhada na direção da construção moral e essa construção inicia-se pelo lapidar de uma pedra... que somos cada um de nós.

Referências Bibliográficas:
ADOUM, Jorge. “Grau de aprendiz e os seus mistérios”, São Paulo:Editora Pensamento, 1987.
CASSIRER, Ernst. “Linguagem e Mito”, São Paulo: Perspectiva, 1986.
CASTELLANI, José. “Liturgia e Ritualística do Grau de Aprendiz Maçom (em todos os ritos)”, São Paulo: A Gazeta Maçônica, 1985.
DURKHEIM, Émile. “As Regas do Método Sociológico”, Rio de Janeiro: Zahar Editores, 1992.
ELIADE, Mircea. “Tratado de historia de las religiones”, Madrid: Ed. Cristiandad, 1993.
GENNEP, Arnold Van. “Ritos de Passagem”, Petrópolis-Rio de Janeiro: Vozes, 1978.
LINHARDT, Godfrey. “Antropologia Social”, Rio de Janeiro: Zahar, 1974.
MACIVER, R. M. “Society: An Introductory Analysis”, New York: Rinehart, 1950.
ORTEGA & GASSET, José. “El hombre y la gente (Obras Inéditas), Revista de Ocidente, Madrid, 1959.
TITIEV, Mischa. “Introdução à Antropologia Social”, Lisboa: Fundação Gulbenkian, 1972.
ULLMANN, Reinholdo Aloysio. Antropologia: O homem e cultura”, Petrópolis- Rio de Janeiro: Vozes, 1991.
VASSAL, Pierre-Gérard. “Curso Completo de Maçonaria: História geral da iniciação”, São Paulo: Madras, 2005.
WILLEMS. Emílio. “Antropologia Social”, São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1962.

Fonte: JBNews - Informativo nº 307 - 30 de Junho de 2011

quarta-feira, 13 de maio de 2026

FRASES ILUSTRADAS

CICLOS INICIÁTICOS DO APRENDIZ - REAA

Em 08.03.2026 o Aprendiz, Irmão Ramon Pesurno Nogueira, Loja Regente Feijó II, REAA, GOB-RJ, Oriente de Três Rios, Estado do Rio de Janeiro, solicita esclarecimentos:

CICLOS INICIÁTICOS

Considerando que a senda do Aprendiz pela Coluna do Norte mapeia uma evolução interior contínua - partindo do despertar e da iniciação em Áries, passando pelo trabalho na pedra bruta em Touro, a compreensão da dualidade em Gêmeos, o silêncio e a gestação em Câncer, a força moral em Leão, até atingir a purificação e a ordem em Virgem, que o prepara para o Companheirismo —, pergunto: existe alguma obrigatoriedade ritualística de que o Aprendiz ocupe fisicamente os assentos correspondentes a cada uma dessas colunas zodiacais conforme avança nesses estágios? Ou esse caminhar pelas constelações do Norte é vivenciado de forma estritamente alegórica e moral, sem a necessidade de transição física nos bancos da Loja?

CONSIDERAÇÕES:

Trata-se de um apólogo solar baseado nos Cultos Solares da Antiguidade (Cultos Agrários). Sob a óptica desse misticismo, essa alegoria solar tem a finalidade de equiparar, simbolicamente, o transcorrer da vida do Iniciado com a revolução anual do Sol - um movimento aparente que resulta, em última análise, no teatro da vida, morte e renascimento da Natureza.

Especificamente, no que tange à sua pergunta, no templo os ciclos iniciáticos são simbólicos, portanto não há necessidade de que o Iniciado tenha que literalmente ocupar, de tempos em tempos, cada uma das colunas distribuídas pela parede Norte do templo (topo do Norte).

Simbolicamente, a idade do Aprendiz corresponde aos ciclos da primavera e do verão (hemisfério Norte). Esse tempo de passagem equivale às fases de vida da infância e da adolescência, as quais se encerram às portas da juventude, época em que o Aprendiz Maçom é elevado ao grau de Companheiro – ele atravessa o eixo do templo, passando do Norte para o Sul (vai do Nível à Perpendicular).

No computo geral dessa fábula iniciática, cada uma das etapas percorridas é apenas emblemática, ainda que a verdadeira mudança deve ocorrer no interior do Iniciado.

Não obstante a observação rigorosa de que na cerimônia de Iniciação obrigatoriamente o Aprendiz recém-iniciado seja colocado no topo do Norte, junto à coluna representativa de Áries (ponto de partida), a seguir, no decorrer do seu tempo de estada no setentrião, não necessidade de que o Aprendiz percorra fisicamente cada uma das seis Colunas fixadas no topo do Norte. É o suficiente que nas sessões seguintes ele permaneça em qualquer lugar, desde que ocupando o banco dos Aprendizes, adjacente à parede Norte.

Assim, na Iniciação, conforme especifica o ritual, o Neófito, depois de ter sido consagrado e reconhecido como Aprendiz Maçom, e ter assinado o livro de presenças, é conduzido até Áries, próximo do 1º Vig∴, para dali iniciar a sua jornada.

A título de ilustração, é bom que se diga que no misticismo solar aplicado na Maçonaria, Áries, a 21 de março corresponde ao início da primavera no Norte. Nesse caso, a referência Norte é porque a Maçonaria floresceu acima da linha do Equador.

Finalizando, é o bastante que o início da senda iniciática seja aplicada no dia da Iniciação, no mais, a simbologia das Colunas Zodiacais já é suficiente para explicar essa trajetória. Isso quer dizer que o ritual não determina que o Aprendiz tenha que literalmente ocupar cada uma das seis colunas no Norte. Isso está intrínseco na alegoria.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MINUTO MAÇÔNICO - 11

QUE TIPO DE PEDRA SOU NA CONSTRUÇÃO?

1º - Pedra bruta é o símbolo do aprendiz maçom como o é de todo homem. Diz-se quando um homem é rústico, ignorante e mal educado que não passa de uma pedra bruta.
2º - Na maçonaria a pedra bruta é aquela que terá que ser desbastada, suas arestas devidamente eliminadas afim de que possa ser polida e usada na grande construção.
3º - Queiramos ou não, freqüentemente temos a necessidade de retirar de nós alguma aresta que permaneceu oculta. A procura, a busca pelo aprimoramento é uma obrigação do maçom consciente.
4º - Vivemos em perigo constante, já como pedra polida seremos chamados para servir de alicerce, ou ornamento da grande construção, e não raro, constatamos ainda algumas arestas.
5º - Irmãos, mantenhamo-nos alertas para que todos nos vejam como pedra burilada, interna e externamente.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

O TEMPO DE COMPANHEIRO

O tempo de Companheiro é um tempo difícil. O obreiro já não é um Aprendiz rodeado, apoiado, apetece até dizer mimado, por todos os Mestres da Loja. Alcançado o seu aumento de salário, afinal o prémio que obtém é apenas uma mudança do seu lugar na Loja, um pouco de cor no seu avental e… uma sensação de menor apoio.

Após uma Cerimónia de Passagem que é um verdadeiro anti-clímax em relação à sua recordação do que experimentou quando foi iniciado, depara-se com um par de símbolos novos, metem-lhe uns regulamentos e um ritual e catecismo na mão e… parece que se desinteressaram dele, ele que se oriente…

Não é assim, embora pareça que seja assim. E é assim que deve ser.

A Iniciação foi o nascimento para a vida maçónica. O tempo de Aprendiz é a sua infância, em que se é guiado, educado, amparado, mimado. O tempo de Companheiro, esse, é o da adolescência. Já não se admite ser tratado como criança – como Aprendiz – pois já se cresceu – já se evoluiu – mas… sente-se a falta do apoio que se recebia em criança. Já não se quer, mas ainda afinal se tem a nostalgia do apoio do tempo de Aprendiz. O Companheiro, tal como o adolescente, sofre a sua crise de crescimento. É o preço que tem a pagar pelo seu trajeto em direção à idade adulta maçónica, em que será reconhecido como Mestre.

No entanto, só aparentemente o Companheiro é deixado só. Os Mestres permanecem atentos a ele e, de entre eles, em especial o Primeiro Vigilante, responsável pelos Companheiros. Simplesmente já não tomam a iniciativa de sugerir caminhos, orientar trabalhos, avançar explicações, dar opiniões. Porque o Companheiro já não é Aprendiz, tal como o adolescente já não é criança. O tempo é de aprendizagem por si próprio, de exploração segundo os seus interesses. E só se houver grande desorientação no caminho se deve intervir. Tal como em relação ao adolescente é contraproducente pretender-se guiá-lo, impor-lhe caminhos, pois ele ou não aceitará o que considerará indesejável intromissão ou tornar-se-á dependente de uma superproteção que muito dificultará a sua vida adulta, também os Mestres não devem abafar o Companheiro com recomendações, intromissões, solicitudes a destempo. O tempo é de o deixar explorar, ele próprio, o que tiver a explorar. Se errar, aprenderá com o erro. Mas, no final, crescerá até à responsável maturidade da Mestria. É o que se pretende.

No início é – sabemo-lo bem! – confuso. Mas afinal as ferramentas foram fornecidas ao Companheiro logo no primeiro dia, tal como o guia de trabalho lhe foi apresentado. O Companheiro só tem de perceber isso, pegar nas ferramentas e seguir o trilho que, desde o início, lhe foi mostrado. Só não foi levado, empurrado, carregado, até ao seu início. Afinal, já não é criança…

A prancha de proficiência culmina o percurso do Companheiro. Mostra que ele entendeu o que escolheu entender, que trabalhou no que optou por trabalhar. A idade adulta está ao virar da esquina. O que implica virar essa esquina já é outra história…

Fonte: https://www.freemason.pt

terça-feira, 12 de maio de 2026