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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

sábado, 24 de outubro de 2026

FRASES ILUSTRADAS

VISITANTES DE OUTRO RITO

Em 14/06/2026 o Respeitável Irmão Petronilo Pereira Filho, Loja Professora Luzia Simões Bartolini, 4430, REAA, GOB-PB, Oriente de João Pessoa, Estado da Paraíba, pede explicações.

VISITANTES

Meu caro irmão, no ritual do 1º grau do REAA, na página 202, o terceiro item do tópico 4.4 — Comportamento Ritualístico, trata do assunto dos visitantes de outros ritos. Isso está gerando dúvidas e desentendimentos entre os irmãos de lojas de ritos diferentes, pois o que se entende é que os visitantes devem seguir o ritual da loja visitada, ou seja, que os ss∴ tt∴ e pp∴ devem ser os mesmos. Na semana passada alguns irmãos, do rito Adonhiramita, fizeram uma visita a uma loja do REAA e se postaram com o sinal do rito deles. Alguns Aprendizes ficaram curiosos e no final eu falei sobre o assunto e li o item citado acima, mas que ainda estava causando desentendimentos. 

O V∴ M∴ da loja visitante, após a reunião, veio me falar que não poderia ser da maneira que alguns entendem, pois que já se dava trabalho para os irmãos aprenderem os ss∴, imagine fazer o de outro rito. 

Falei que o Art. 217 do RGF afirma que o visitante está sujeito à disciplina interna da Loja que o recebe. Ele disse que não iria mudar, pois continuaria usando os do seu rito. Gostaria que o irmão esclarecesse esse assunto.

CONSIDERAÇÕES:

É verdade que esse assunto, por questão de interpretação, tem causado algumas discórdias, provavelmente pela falta de melhores esclarecimentos.

Nesse sentido, e na medida do possível, a Secretaria Geral de Orientação Ritualística do GOB entende que um visitante de outro rito não pode alterar, com a sua presença, é o andamento dos trabalhos da Loja visitada, interferindo na execução do seu ritual.

À vista disso, se um Irmão Adonhiramita estiver visitando uma Loja do REAA, ele não pode circular pelo templo na forma do Rito Adonhiramita, isto é, passando por detrás do trono. Do mesmo modo, um Irmão praticante do Rito de York, ao perambular em uma Oficina trabalhando no REAA, não pode esquadrejar os cantos da sala da loja. Ainda outro exemplo, IIr∴ do Rito Brasileiro visitando uma Loja do REAA, não devem ficar em pé enquanto um deles faz uso da palavra – no REAA a regra é que nas CCol∴ apenas o Irmão autorizado a falar é que
fica em pé. 

E assim por diante.

Agora, no que diz respeito aos diversos cobridores (monitores) de grau existentes, de fato nenhum deles menciona que o visitante seja obrigado a fazer o sinal da Loja visitada. Por uma questão de coerência, cada um compõe o seu sinal, lembrando que esses gestuais são muito parecidos. 

Nessa conjuntura, vale lembrar que no GOB são sete os ritos adotados, mas a legislação não obriga que cada maçom os conheça com profundidade, a não ser aquele que a sua Loja pratica. 

Não resta dúvida que há Irmãos estudiosos que dominam todos os conhecimentos relativos aos sinais de muitos ritos praticados. Nesse caso, o visitante com esse domínio pode perfeitamente pôr em prática seus conhecimentos hauridos dos diversos cobridores.

Prosseguindo, outra questão pertinente é sobre o traje do Ir∴ visitante. É certo que há ritos que não admitem o uso do Balandrau em qualquer das suas sessões. Nesse caso o visitante deve respeitar a regra e se apresentar trajando terno, podendo, no entanto, usar a gravata na forma e cor que o seu rito adota – esse pormenor não altera o andamento dinâmico da ritualística.

Enfim, é isso meu Irmão. É impossível escrever todas as situações que possam advir dos trabalhos ritualísticos maçônicos, mormente pela pluralidade de ritos e trabalhos que são praticados pelo GOB. Nesse caso, a melhor receita é fazer uso do bom-senso e ir se adequando, da melhor maneira possível, às partes.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

OTMAR ALT


Otmar Alt (Wernigerode, Alemanha, 17 de julho de 1940) é um pintor, artista gráfico, artista multimídia, designer e escultor alemão.

Ele iniciou sua formação estudando desenho técnico e design de moda na “Meisterschule für Kunsthandwerk “ em Berlim em 1959. Logo foi aceito na Universidade das Artes de Berlim. Nessa época, voltou sua atenção para a abstração, com foco em mundos imaginários, utilizando formas vibrantes e coloridas que se interligam, um estilo Pop Art que se tornou uma de suas marcas registradas. Defende o princípio de que a - arte que precisa de explicação é entediante. A Fundação Otmar Alt, no bairro de Norddinker, em Hamm foi fundada em 1991 e inaugurada em 1996. Essa fundação dedica-se ao apoio de pintores, desenhistas e escultores. Otmar Alt recebeu o prêmio “Ehrenring de Hamm” em 2010.

Em 1991, Otmar Alt recebeu o prestigioso ‘Prêmio Cultural dos Maçons Alemães’ (Kulturpreis der deutschen Freimaurer), em reconhecimento à sua contribuição à arte humanista. Em diversas obras comerciais e artísticas, ele costuma incluir a abreviação “Br.” (Bruder, que significa Irmão em alemão) junto à sua assinatura, identificando-se publicamente como membro da fraternidade.

Foi iniciado na Maçonaria em 1991 na “Freimaurerloge Zum Hellen Licht” N° 169, em Hamm, região da Renânia do Norte-Vestfália, Alemanha.

Fonte; Coluna Cultural Maçônica

CONDIÇÕES PARA SER MAÇOM

Erros são, no final das contas, fundamentos da verdade. Se um homem não sabe o que uma coisa é, já é um avanço do conhecimento saber o que ela não é. (Carl Gustav Jung).

Maçonaria – A Maçonaria agrega um grupo de iniciados que, além de amarem o próximo, amam-se a si mesmos, evoluindo mentalmente, na incessante busca do saber.

Toda instituição que recebe seus adeptos por meio do processo iniciático foge do comum, pois, existindo uma “seleção”, a Maçonaria ocupa-se dos problemas superiores, fugindo do vulgar.

O maçom, como elemento componente da instituição, por sua vez, deve comprovar pertencer a uma entidade seletiva e destacar-se do mundo profano, por exemplo.

Reconhece-se o maçom mais pela conduta.

O maçom foi “pinçado” mercê da vontade do Grande Arquiteto do Universo, que é Deus, entre milhares de pessoas; é um “destaque” e por esse motivo ele faz jus às benesses que a Maçonaria dispensa.

O Maçom deve, a todo o momento, ser grato por ter sido “chamado” e demonstrar essa gratidão pelo seu viver.

O que a Maçonaria lhes oferece? - Pela dedução de suas Leis, a Maçonaria não oferece nenhuma outra vantagem aos seus filiados, senão a que se relaciona com a solidariedade, a amizade fraterna e o levantamento moral de suas personalidades.

A solidariedade e a Verdade – Os elementos da amizade fraterna são nossos pontos perfeitos: a obrigação de deixarmos nosso próprio caminho para servir a um Irmão merecedor; a obrigação de sempre nos lembrarmos de nosso Irmão em nossas meditações; a obrigação de mantermos sigilo; a obrigação de ajudar um Irmão e de proteger seu bom nome; e finalmente, a obrigação de prevenir um Irmão da presença de um perigo. Nós oferecemos essa obrigação moral àquele que estiver disposto a manter reciprocidade.

A solidariedade não corresponde, necessariamente, à ajuda material. Ela pode ser uma mão ou um ouvido amigo, um favor ou uma palavra encorajadora. O compromisso subjacente é o de uma disposição de ajudar a outro Maçom, ou sua família, com o mesmo nível de consideração que seria demonstrada em relação a um irmão natural. Nós podemos oferecer esse compromisso àquele disposto a manter mutualidade.

A Verdade é um dever e uma medida de valores que nos é confiada. Cada um dos três Graus da Maçonaria Simbólica ensina, por preceitos, alegorias e símbolos, as virtudes da justiça, fidelidade, temperança, coragem e prudência, tudo o que temos para sermos verdadeiros – verdadeiros ontem, verdadeiros hoje e verdadeiros amanhã. Nós estamos dispostos a compartilhar as lendas, as alegorias e símbolos que as ilustram, com aqueles que estiverem dispostos a praticar as virtudes que elas representam.

Amizade fraterna, solidariedade e verdade exigem atividades e compromisso pessoal. Temos que fazer algo para colocá-las em prática. A Maçonaria pode dar aos homens uma oportunidade de fazer algo para melhorar a si mesmo na busca daquelas verdades. Devemos demonstrar-lhe que os princípios maçônicos oferecem um modo de pensar e um modo de viver.

Temerários – aqueles que porventura intentem marchar para seus Templos preliminando interesses pessoais ou alimentando esperanças alheias aos fundamentos do referido ideal, deverão ser evitados, porque, ou se enganarão redondamente ou irão se decepcionar em pouco tempo de estada nas suas fileiras.

Todos os maçons, de qualquer grau, têm por dever precípuo observar e fazer observar as Leis Maçônicas e Regulamentos Vigorantes. Sob um prisma todo especial, são métodos que ensinam tudo que possa dizer respeito à família, à honra, à ciência, ao princípio de liberdade e a todas as idéias elevadas, às grandes concepções e todas as iniciativas de indiscutível grandeza moral.

Livres e de bons costumes - É a condição exigida para que um profano ingresse na Maçonaria por intermédio da Iniciação.

Não basta o candidato ser politicamente livre; não basta que tenha um comportamento moral comum. A Maçonaria proclama que a sua filosofia tem por base na tradição, nos usos e costumes; portanto, "costumes" não é um mero comportamento, uma moral de conduta, mas sim um universo de práticas que conduzem o ser humano a uma vida espiritual.

O candidato deve comparecer à Iniciação com uma disposição quase de "amar a seu futuro irmão" como a si mesmo. Isso exige um comportamento para com seu próprio corpo, para com sua própria alma e para com o seu espírito.

Ser livre e de bons costumes constitui uma exigência de maior profundidade do que parece à primeira vista; seria muito cômodo aceitar um candidato que politicamente é livre, pois não há mais escravidão no mundo; ou que, penalmente, não se encontre preso, cumprindo alguma pena.

Livre e de bons costumes é a característica do maçom e ele deve fazer jus a essa benesse. Todo o maçom, mesmo antigo na Ordem, tem o dever de se manter "livre e de bons costumes".

A iniciação – significa a “aceitação” para fazer parte do grupo, posto que possa ser definida como “princípio”, é a expressão peculiar para as cerimônias e ritos secretos, místicos e espirituais.

O principal é ter equilíbrio e evitar o fanatismo; o maçom é um Iniciado permanente; mesmo que se afaste de sua Loja, a Iniciação não sofrerá abalo; é como o sacerdócio, in aeternum.

A Maçonaria sempre adotou a Iniciação como meio de selecionar seus filiados.

Liberdade, Igualdade e Fraternidade - Apesar de inserido no lema da Maçonaria, o mundo ainda não conseguiu definir a igualdade e a liberdade, e muito menos a Fraternidade.

Igualdade - Nossa Constituição afirma que todos são iguais perante a lei; contudo, um menos favorecido da sorte não encontra vaga nos colégios para seus filhos em idade escolar; um pobre enfermo bate às portas dos hospitais em vão; não há oportunidade para o trabalho; o lazer e a diversão não são distribuídos eqüitativamente; o que é benesse não é dado aos pobres. Um pobre que apenas consegue subsistir porque ganha somente para a escassa alimentação, não pode fazer parte do maravilhoso preceito constitucional de igualdade. Uma igualdade injusta não é igualdade.

Um maçom deve cultivar a igualdade como se fosse uma virtude! As diferenças sociais ferem e aviltam; a operosidade maçônica detém-se, também, nesse campo.

Liberdade - Nada há mais perigoso que esse conjunto de nove letras, porque freqüentemente, em nome da liberdade, cometem-se os mais hediondos crimes. A liberdade exige um conjunto de ações complementares; uma falsa liberdade oprime e desajusta, desequilibra e desilude.

Fraternidade é uma associação fraterna usada para demonstrar que todos os homens podem conviver como se fossem Irmãos da mesma carne.

Maçonicamente interpretando, a Fraternidade apresenta-se de vários modos: a Fraternidade de uma Loja; a Fraternidade em uma Ordem; a Fraternidade Universal, também designada de "Fraternidade Branca".

O candidato que passa pela Iniciação maçônica ingressa após a sua aclamação em Loja, na Fraternidade maçônica, nos seus vários aspectos e de modo permanente.

A Fraternidade implica obrigações e direitos; a parte ética e de comportamento é muito importante. São admitidas pequenas rusgas, como sucede dentro de uma família, mas com a obrigação de serem passageiras.

O maçom tem o dever de tolerar esses incidentes e perdoar se eles tiverem sido mais intensos.

Concluindo, de tudo o que expusermos acima, temos a dizer que a Maçonaria não tem objetivo nem a pretensão de convencer alguém a alguma coisa, pois sabemos todos nós que ninguém convence ninguém a nada, cada um é que se convence por si só.

Tudo o que contraria o bom senso e a lógica ou que seja contrário à prática do bem não é Maçonaria.

Fonte: https://conhecendomaconaria.blogspot.com

sexta-feira, 23 de outubro de 2026

FRASES ILUSTRADAS

RITUAL DE PARTIDA DE COMPANHEIRO MAÇOM

Em 14.06.2026 o Respeitável Irmão Leandro Ferreira, Loja Independência de Nova Friburgo, 2.452, REAA, GOB-RJ, Oriente de Nova Friburgo, Estado do Rio de Janeiro, pede comentários sobre o que segue:

 RITUAL DE PARTIDA

Me preparando para realizarmos a sabatina necessária para aumento de salário dos IIr∴ CComp∴ do quadro da Loja, recebi uma prancha confeccionada por uma dos Ir∴ que serão sabatinados cujo tema era sobre Compagnonnage que faz referência ao ritual de Partida dos Companheiros citado na seguinte obra (GREGORIO, Cloves. Entendendo o Rito Escocês Antigo e Aceito: grau de companheiro maçom. 1. ed. São João de Meriti, RJ: Ed. do Autor, 2026)

A dúvida é: o referido ritual é de uma profundidade simbólica incrível; é possível reproduzi-lo no Tempo de Estudos como instrução do grau ou simbologia, tendo em vista a proibição expressa constante no ritual do REAA de todos os Graus: é proibida a inclusão de cerimônias...?

Se possível, seria de grande riqueza ter conhecimento de sua impressão sobre referido ritual.

Desde já agradeço pela atenção dispensada e aguardo ansiosamente pela manifestação do Eminente Ir∴.

CONSIDERAÇÕES:

Em linhas gerais, as Compagnonnages francesas - nome bastante sugestivo quando se trata e Maçonaria - eram corporações de ofício criadas pelos Templários. Essas corporações “templárias”, no entanto nada tem a ver com o Fellow Craft das Corporações de Ofício de pedreiros da Idade Média, ou a Franco-maçonaria. 

Em passant, a Ordem da Milícia do Templo, conhecida com Templários, não é o mesmo que Maçonaria, e nem mesmo sua precursora. As Compagnonnages dos Templários foram condenadas pela Sorbonne em 1655.

Lamentavelmente ainda existem autores que “acham” - talvez pela similaridade do nome - que Compagnonnage seja algo relacionado com o Companheiro Maçom, classe de operários da Franco-maçonaria ou Maçonaria Operativa.

Aos olhos da razão, na época dos ofícios francos, ambas as corporações, Compagnonnage e Franco-maçonaria, trabalhavam erigindo construções. 

No tocante às Compagnonnages francesas, elas se caracterizavam por possuir alto caráter de religiosidade, algo herdado da Ordem da Milícia do Templo, sua protetora. Também, possuíam regras severas de disciplina. Seus membros eram na sua grande maioria Templários construtores que edificaram formidáveis cidadelas, fortificações militares, pontes, passarelas, dentre outros.

Diferente da Franco-maçonaria, as Compagnonnages não tinham o estilo gótico como característica principal que notadamente era aplicado pelos maçons construtores nas edificações de igrejas, catedrais, mosteiros e abadias da Idade Média. Esse estilo construtivo, servido de grandes arcos ogivais, era tão importante para a Maçonaria que o seu declínio, pelo advento do Renascimento, também decretou a decadência da Maçonaria Operativa (de Ofício).

No que se refere à história da Franco-maçonaria (ofícios francos), ela revela corporações de canteiros independentes e livres de locomoção pela Europa medieval. De maneira especial, os maçons operativos davam um elevado caráter religioso ao trabalho, nomeadamente herdado do clero para quem construíam enormes catedrais (vide a história da Franco-maçonaria).

Evidentemente, não cabe aqui nenhum um relato minucioso dessa história, mas é bom que se diga que o REAA não tem nenhuma relação litúrgica, ritualística iniciática e nem mesmo adota rituais da Compagnonnage, especialmente o citado nessa questão como "Ritual de Partida do Companheiro". Enfim, Compagnonnage e Companheiro Maçom são coisas distintas.

Em se mantendo fidelidade aos rituais de Companheiro Maçom do GOB, recomenda-se segui-los irrestritamente. Mesmo se admitindo outros temas instrutivos para o 2º Grau, o que é perfeitamente admissível para o enriquecimento da cultura histórica e iniciática maçônica, esses temas, quando doutrinários, devem ser sempre relacionados à Maçonaria, e não à instruções templárias. 

À vista disso, recomenda-se, primeiramente, as instruções oficiais que constam no Ritual vigente. Em seguida, com o fito de enriquecer os conhecimentos, aconselha-se material bibliográfico relativo à Maçonaria, particularmente ao REAA.

Assevera-se que no contexto ritualístico de Companheiro Maçom do REAA/GOB, genuinamente nunca existiu esse tal “Ritual de Partida dos Companheiros”, algo que aparenta ser de doutrina templária e não de Maçonaria.

Para concluir, vale ressaltar que sendo bem compreendida a Arte, longe estará a atitude de se confundir Maçonaria com Ordem Templária. Também não há como assegurar, documentalmente, que a Maçonaria é filha espiritual da Ordem dos Templários (Estatutos de S. Bernardo).

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

A VERDADEIRA PERFEIÇÃO DA MAÇONARIA

O ILUMINISMO ESOTÉRICO

João Anatalino Rodrigues*

A questão do racionalismo

A partir do século XVII o racionalismo cartesiano invadiu as consciências de tal modo, que nada mais podia ser sustentado no terreno do pensamento e da experiência científica e social, se não fosse passível de ser reproduzida empiricamente, ou explicado com estrita clareza, ordem, concisão e exactidão. Toda e qualquer proposição formulada tinha de ser aceitável pelos parâmetros da lógica. A cultura pelo exacto, pelo matematicamente provável, pelo passível de repetição nos laboratórios, expulsou dos meios intelectuais a antiga tradição esotérica dos filhos de Hermes, que escondiam nos símbolos os tesouros da sua ciência. Numa sociedade fundada sob a certeza das suas fórmulas, na organização das suas estruturas, na demonstração inequívoca de resultados, no amor pela evidência racional, não havia lugar para uma metafísica apoiada em símbolos que somente iniciados podiam desvendar, e mesmo assim, sem nenhuma prova incontestável que demonstrasse a verdade dos seus postulados ou a certeza da obtenção de qualquer resultado concreto.

A “alta ciência” que se hospedava na pratica da alquimia e da Maçonaria operativa teve de se adaptar as exigências do racionalismo. Daí o nascimento da moderna Arte Real, com a introdução daqueles elementos que Ambelain chamou de caminho político da Maçonaria, onde se aliavam, segundo as suas próprias palavras,

“as melhores noções de progresso e evolução, e também, infelizmente, ideias novas, desconhecidas dos antigos franco – maçons, e que tenderiam, pouco a pouco, a minar certos valores que fazem a dignidade do homem, pelo ateísmo, pelo materialismo, o laxismo, que conduzem ao amoralismo desagregador [1].

Neste sentido, pode-se dizer que a Maçonaria moderna foi uma concessão do espírito místico ao apelo da razão.

Talvez Ambelain tenha razão, porquanto uma disciplina que fala mais ao espírito do que á razão tem muito mais atractivos que as áridas “logias” ensinadas nas universidades oficiais. Afinal, para se adquirir uma sabedoria que se conforme aos limites de uma fórmula ou um silogismo, é suficiente frequentar os bancos escolares, ou ser capaz de ler, com proveito, um bom livro. E não é isso que um espírito ávido por uma filosofia de vida, capaz de lhe fornecer aprimoramento espiritual e ao mesmo tempo uma ética para a vida social, buscaria numa sociedade iniciática. É neste sentido que a chamada “profanização” da Maçonaria, como René Guénon entendia ter acontecido após a edição das Constituições de Anderson, talvez tenha prejudicado a influência psíquica dos ritos maçónicos e desmistificada a sua prática, pois a partir de então ela tornou-se mais uma espécie de partido político com um utópico programa fundado numa mística revolução social do que propriamente uma Ordem iniciática. Mas isto foi uma exigência do momento histórico, como nos mostra a própria histórica da Maçonaria enquanto instituição. A Maçonaria secularizada, como todas as instituições, precisava de se adaptar às exigências da cultura da época, que elegera o racionalismo como nova religião oficial.

Da interacção entre as antigas tradições maçónicas e as ideias pregadas pelos filósofos iluministas nasceu uma nova ordem de ideias e práticas que podemos chamar de Iluminismo Maçónico.

O Iluminismo filosófico

Vejamos primeiro o que foi o Iluminismo filosófico, propriamente dito. Este movimento, que teve profundas repercussões sociais e intelectuais, embora seja sempre creditado aos franceses, na verdade tem origem inglesa. Isto talvez ocorra pelo facto dos franceses, reconhecidamente melhores filósofos que os ingleses, terem entendido com mais propriedade as ideias iluministas. Por isso a primazia que se lhes concede sobre este movimento intelectual que forneceu as bases para o pensamento moderno.

O Iluminismo foi o produto filosófico do racionalismo cientifico inaugurado por Francis Bacon e desenvolvido cientificam ente por espíritos do porte de René Descartes e Isaac Newton. Eles, como os iluministas Voltaire, Montesquieu, Locke, Adam Smith, Kant e outros pensadores que lançaram luz sobre o pensamento ocidental, eram maçons, ou de alguma forma estavam ligados aos círculos maçónicos. Descartes, que nasceu em 1596, em pleno apogeu da Renascença e morreu em 1650, fase mais aguda das guerras religiosas, foi o verdadeiro pai do racionalismo. Acreditava na razão como única forma de conhecimento da verdade e tinha a matemática como a fórmula mais perfeita de demonstração. O seu método induzia a mente a estudar um objecto, partindo do particular para o geral. Através de cortes epistemológicos no objecto estudado, do isolamento e do estudo de uma parte do conjunto, ele acreditava que era possível obter conclusões sobre a totalidade dos objectos pertencentes aquele conjunto.

Partindo do estudo das realidades individuais, como o homem, ou do estudo da totalidade das realidades materiais, como o universo, a mente humana poderia organizar um conjunto geral de conhecimentos que abarcasse todo o saber universal, pois o mundo era urna grande máquina, organizado e controlado por leis exclusivamente naturais, que podiam ser deduzidas e conhecidas pelos instrumentos da razão [2].

O universo cartesiano era um plano que podia ser definido em termos de extensão e movimento. Todos os conjuntos, grandes ou pequenos, obedeciam a uma lei geral de movimento, neles imprimida por Deus. No homem, Descartes distinguia a dualidade espírito – matéria, sendo esta última construída a partir do movimento do primeiro.

O cartesianismo abalou profundamente as convicções teológicas da época, baseadas fundamentalmente na fé e na revelação divina como fontes únicas da verdade religiosa. Se a razão era a única forma de conhecimento, e só através dela se podiam conhecer as realidades do universo, inclusive as divinas, porque então se lutava tanto pela fé? Não seriam as questões éticas e morais mais importantes que a religião?

Muitos pensadores importantes passaram a ocupar-se da questão. Barush Espinosa (1622 – 1677), pensador judeu – alemão, pôs em dúvida os dogmas do judaísmo, valorizando as concepções panteístas do universo que Pitágoras, Parmênides, Plotino e os hindus já tinham defendido. Neste sentido, ele deu ênfase á ética e a moral como fórmulas mais eficazes que a religião, para a construção de um mundo mais justo e humano.

Thomas Hobbes (1588 – 1679), mais materialista que Espinosa, sustentou que o desenvolvimento da civilização se baseava na busca constante do prazer e na repressão á dor, dando origem á corrente filosófica que ficou conhecida como hedonismo. As ideias de Hobbes reflectiram imediatamente no pensamento económico da época, influenciando pensadores como Adam Smith (1723 – 1790), por exemplo, o mais importante dos economistas clássicos.

Como já foi dito, o Iluminismo propriamente dito, teve inicio na Inglaterra em 1680, tendo como seus precursores o cientista Isaac Newton (1643 – 1727), pai da teoria da gravitação universal, e o filósofo John Locke (1632 – 1704). Partindo das concepções cartesianas, que adoptava a razão como único guia para o descobrimento da verdade, Newton, mais do que qualquer outro cientista do seu tempo, revolucionou o conhecimento que se tinha do mundo físico. As suas teorias a respeito do universo e as suas leis de desenvolvimento permaneceram incontestáveis até ao surgir de Einstein.

Visceralmente inimigo do dogmatismo religioso, Newton introduziu na ciência o conceito mecanicista do universo, banindo a noção do milagre, da explicação dos fenómenos pela fé, do conhecimento da verdade pela revelação divina, afirmando que tudo no cosmo se explicava pela actuação de leis exclusivamente naturais. Como apóstolo convicto da liberdade natural, forneceu aos espíritos ansiosos pelo livre pensamento em todos os campos, o fermento necessário para o desenvolvimento das ideias iluministas que revolucionaram a filosofia nos séculos XVII, XVIII e XIX.

John Locke, refutando qualquer influência divina na formação do espírito humano, pregou que o homem nascia “tabula rasa”, isto é, ele era, ao nascer, uma folha em branco na qual tudo ainda estava por escrever. Com esta concepção, Locke afastava qualquer ideia de predeterminação, qualquer explicação metafísica para o surgir da consciência humana, qualquer forma de intervenção divina na estrutura psíquica do homem, que não fosse aquela que ele mesmo adquiria no decorrer da vida. Com isto o homem ficava livre para assumir o leme do seu destino, sendo ele mesmo o único responsável por tudo que lhe acontecia.

Desta forma, os iluministas rejeitavam tanto o tradicionalismo cego da teologia calvinista com as suas ideias de predestinação, pecado original e origem corrupta da humanidade, quanto o conteúdo dogmático da doutrina católica, que tinha no Papa e nos seus representantes o monopólio da intermediação entre Deus e os homens. O Iluminismo aparecia como uma religião liberal e optimista, onde todos se poderiam salvar através da sua própria atitude, da sua crença no progresso e da sua fé em si mesmo.

Cada individuo tinha em si o caminho da salvação e não precisava de “intermediários’ entre ele e Deus. O que se precisava era de mais ética, mais moral, mais autonomia e mais liberdade de atitude e de pensamento, pois todos tinham direito a uma auto – realização. Assim sendo, que importância tinham os dogmas, as verdades religiosas, os paradigmas da religião? A luta pela fé perdia todo o sentido, pois somente a razão podia conduzir ao conhecimento da verdade. Destarte, a construção de um sistema moral e ético que conduzisse á felicidade geral era muito mais importante do que a luta para defender a crença numa “orientação divina”, que não existia nem nunca existiu.

Na França, o Iluminismo alcançou o apogeu com os trabalhos do grande Voltaire (François – Marie Arouet, 1694 – 1778). Devido às suas ideias libertárias, Voltaire enfrentou a prisão na Bastilha e o exílio na Inglaterra, onde se filiou no grupo de pensadores e cientistas do Clube Real onde pontificavam Newton, Locke, Robert Fludd e outros. Recuperou, com base na nova ética e moral do Iluminismo, as ideias utópicas do estado ideal de ordem, harmonia e felicidade, situando-o em algum lugar na América do Sul. Neste país imaginário, dizia ele, não há monges, nem padres, nem processos, nem governos autoritários e burocratas para infernizar a vida dos homens. Este país seria governado exclusivamente pelas grandes leis da natureza. Era a aplicação do princípio da Maat egípcia, mas sem um faraó ou um estado organizado para encarná-la.

Voltaire foi o campeão da liberdade individual. Popularizou o seu amor pela liberdade na famosa expressão “não concordo com o que dizes, mas defenderei até a morte vosso direito de dizê-lo.

Outros grandes nomes do Iluminismo foram Denis Diderot (1713 – 1784), Jean d’ Alembert (1717 – 1783), Claude Adrian Helvetius (1715 – 1771) e o Barão Olbach (Paul – Henri Thiry, 1723 – 1789). Os dois primeiros formaram um grupo conhecido como “Os Enciclopedistas”, pelo facto de terem colaborado na organização da Grande Enciclopédia Filosófica Universal, trabalho que pretendeu reunir todo o conhecimento filosófico e científico existente na época. Todos eles eram inimigos irreconciliáveis do obscurantismo e defendiam a educação como forma de eliminar as diferenças entre os homens, a pobreza, a ignorância e as guerras. Outros nomes importantes do pensamento iluminista foram Jean Jacques Rousseau (1712 – 1778) o poeta Lessing (Gotthold Ephraim 1729 – 1781) e os filósofos Mendelssohn, o compositor 1809 – 1847) e Emmanuel Kant (1724 – 1804), um dos maiores filósofos da época moderna. Todos eles viveram a maior parte das suas vidas e produziram as suas obras na primeira metade do século XVIII [3].

O Iluminismo influenciou os principais movimentos revolucionários dos séculos XVIII e XIX que culminaram na organização política do mundo moderno. Na França as ideias iluministas estão no cerne da Revolução Francesa. Na América inspiraram Thomas Payne, Benjamim Franklin, Thomas Jefferson e outros, líderes da revolução que libertou a América do domínio inglês e estabeleceu as bases dos estados democráticos modernos. Todos eles filiados á Maçonaria. No Brasil, o Iluminismo fez-se sentir principalmente entre os revolucionários da Inconfidência Mineira e os inspiradores da nossa Independência [4].

O Iluminismo maçónico

O resumo histórico que fizemos acima teve por objectivo trazer para este trabalho a moldura na qual a Maçonaria moderna se inscreveu. O racionalismo e o iluminismo forneceram o fundo filosófico e cultural a partir do qual ela se definiu, e as lutas políticas e religiosas moldaram o desenho e a conformação que ela assumiu. Deste ponto de partida podemos começar um exercício semiótico. Podemos visualizar grupos de nobres, intelectuais, cientistas, militares e outras pessoas de responsabilidade nas sociedades em que viviam, descontentes com a ortodoxia das religiões oficiais, descrentes da filosofia que as orientava, cujo resultado só conduzira á desarmonia, á desordem, á guerra, á carnificina e á perpetuação das tiranias políticas; podemos ver como estes homens apaixonados pela liberdade, pelo livre pensamento, pelo exercício racional de uma prática religiosa, orientada mais pela razão do que pela fé, decidem procurar uma fórmula que agasalhasse, ao mesmo tempo, a sensibilidade de uma alma que acreditava na origem mágica do universo (presentes principalmente na alquimia, na cabala e na gnose) e a necessidade de uma nova religião, fundamentada na razão pura e na acção social.

Nasce, desta forma, uma nova filosofia dentro das sociedades de pensamento, que então começavam a propagar-se pela Europa a partir da interacção entre os “fellow – crafts” das Lojas de companheiros e os “novos maçons aceitos”, cultores da filosofía hermética. Esta nova filosofia era uma espécie de Iluminismo Esotérico que apelava, ao mesmo tempo, para as inclinações profanas do homem desejoso de ser feliz no único mundo que conhecia, mas que também respeitava o sentimento religioso daqueles que acreditavam num universo governado por forças maiores que a razão humana e leis simplesmente naturais. Estes espíritos não queriam o materialismo ateu dos racionalistas ortodoxos nem a fé dogmática dos católicos escolásticos, como também repudiavam o visionarismo intolerante dos calvinistas e luteranos. Como desconfiavam também do catolicismo alternativo dos anglicanos, cujo fundamento era mais político que religioso.

Eram pensadores formados na onda do racionalismo que varria a Europa, mas recusavam-se a crer que a aventura humana sobre a terra lhes reservasse mais que uma mera lembrança na memória das pessoas. Eles queriam acreditar que alguma coisa mais regia o universo e o processo de evolução da humanidade como um todo, e que essa evolução era sustentada na actuação dos indivíduos. Esta “alguma coisa” mais que regia o universo era o seu Grande Arquitecto. Por isso era preciso ajudá-lo nessa missão, criando um Homem Universal, que fosse capaz de realizar, na sociedade, o mesmo trabalho que o Grande Arquitectorealizava em relação ao universo.

A Maçonaria moderna nasceu, portanto, da fusão entre o pensamento mágico dos hermetistas, sensíveis às tradições herdadas das sociedades iniciáticas, com o racionalismo iluminista. Buscava, em ultima análise, uma nova forma de gnose, ou seja, uma sabedoria que se fundamentasse, não mais na procura de um caminho para o divino através de construções materiais, como propunham a alquimia e a própria actividade maçónica operativa, mas sim através de uma prática activa de virtudes éticas e morais, adquiridas através de uma adequada iniciação. Entre estes homens estavam Robert Fludd, Voltaire, o próprio James Anderson, André Michel de Ramsay, Jean Teóphile Deságuliers e outros, apesar das suas inclinações religiosas e políticas.

E com eles muitos padres e pastores, descontentes com os rumos que a Reforma e a Contra Reforma religiosa estavam a tomar. Existiam também muitos judeus cristianizados, dissidentes do judaísmo ortodoxo, mas não totalmente convencidos para assumir, de todo o coração, as doutrinas do cristianismo. Estes, como vimos, eram os mestres praticantes da grande tradição da cabala. Eis, na nossa visão, as tintas, a moldura, a tela e o fundo nos quais se pintaria a figura dos novos Obreiros da Arte Real nas suas roupagens modernas. E esta interacção entre racionalistas e hermetistas que podemos chamar de Iluminismo Maçónico, eufemismo que podemos utilizar para designar a filosofia que orienta a prática maçónica,

É assim que se percebe, pelo desenvolver do ensino maçónico, que este nada mais é que a moral iluminista temperada por um forte apelo ao pensamento mágico, próprio dos hermetistas e dos filósofos gnósticos. Se por um lado ele propaga uma ideia moralista, que poderia ser encampada por qualquer escola filosófica do século XVIII ou XIX, o seu método é francamente iniciático, semelhante ao utilizado pelas seitas esotéricas da antiguidade ou os próprios discípulos de Hermes.

Neste sentido, podemos dizer que a Maçonaria, na sua face especulativa, nada mais é que uma alquimia do espirito, e uma filosofia que se transmite não somente á razão, mas principalmente aos sentidos. O maçon que realmente entendeu o que é a Arte Real precisa incorporar o espirito do adepto e a mentalidade do filósofo. A Arte Real tornar-se-á então, uma nova Art d’amour, porque se dirige ao espírito do praticante [5]; é também um novo Iluminismo, praticado social e politicamente com a esperança de se construir uma humanidade melhor. Em nenhuma outra actividade humana, seja ela política, social ou intelectual, como bem salientou a professora Frances Yates, casou-se tão bem o ideal hermético com a esperança iluminista, como aconteceu na Maçonaria [6].

A partir daí, tudo foi costurado num catecismo que utiliza o simbolismo da arquitectura como estrutura de sustentação e as diversas manifestações espirituais da humanidade, em todos os tempos, como processo de construção de um sistema de ensino, que busca, em última análise, educar pessoas para o exercício consciente e eficaz da cidadania e uma prática de vida capaz de gerar e sustentar uma sociedade justa e harmónica. Noutro sentido, a utopia sonhada pelos místicos filósofos da Renascença e pelos iluministas que o seguiram.

(*)Em “Conhecendo a Arte Real”, publicado pela Editora Madras – São Paulo, 2009.

Notas

[1] Robert Ambelain – A Franco Maçonaria , citado, pg. 86

[2] Enciclopédia Barsa.

[3] Na imagem, Emmanuel Kant, um dos maiores filósofos da época moderna.

[4] No Brasil destacam-se os nomes de José Bonifácio de Andrada e Silva e Gonçalves Ledo, maçons cujo pensamento iluminista influenciaram sobremaneira os acontecimentos que culminaram com a independência brasileira. Vide a este respeito a obra essencial de José Castelanni e William Almeida de Carvalho, Historia do Grande Oriente do Brasil – Madras, São Paulo, 2009.

[5] Art d’amour era um dos termos que se aplicava á alquimia.

[6] Frances Yates – Giordano Bruno e a Tradição Hermética – Cultrix S. Paulo, 1986.

Fonte: freemason.pt

quinta-feira, 22 de outubro de 2026

FRASES ILUSTRADAS

POSTURA E GRAVATA

Em 14/06/2026 o Respeitável Irmão Édson dos Santos, Loja Regeneração Sul Bahiana, 994, REAA, GOB BAIANO, Oriente de Ilhéus, Estado da Bahia, pede esclarecimentos.

 POSTURA E GRAVATA

Boa tarde, meu poderoso irmão, estou precisando tirar umas dúvidas a respeito:

1 - Quando o Venerável Mestre diz:

Em pé meus irmãos: a posição é perfilados ou com as mãos à frente uma sobre a outra?

2 - Existe no REAA a proibição de se colocar algo na gravata? Ela deve estar sem nenhuma alegoria, mesmo sendo do GOB.

CONSIDERAÇÕES:

1 – Perfilado é a postura corporal utilizada no cerimonial oficial utilizado para a Bandeira Nacional, conforme Decreto 1476/2026 do GOB. 

Nesse caso, fica-se em pé, corpo ereto e braços estendidos e caídos ao longo do corpo. 

Já, "em pé, meus Irmãos" (sem se estar à Ordem), durante os trabalhos em Loja, é postura consagrada em que se coloca as mãos cruzadas sobre o avental, ou às costas. 

Mesmo sem ter qualquer formalidade iniciática, essa postura serve como padronização, portanto é o aconselhável.

2 - O Ritual do REAA alude gravata preta, lisa, modelo tradicional. No entanto, entende-se que nada impede o uso de um pin ou de um prendedor de gravata, ou mesmo algum símbolo maçônico discreto bordado.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

A FOTO FAKE

Por Luciano J. A. Urpia

É triste ver que, hoje em dia, muitos maçons, especialmente no Brasil, parecem ter perdido completamente o interesse por checar a verdade por trás das histórias que compartilham. Em vez de buscar fontes confiáveis, muitos repetem informações sem qualquer cuidado, como se a tradição dispensasse o pensamento crítico. E pior: há quem espalhe notícias falsas sem nem perceber que está ajudando a divulgar mentiras. Num tempo em que a desinformação corre solta, essa falta de rigor histórico e ético não só enfraquece a Maçonaria, como a desconecta de seus próprios princípios de sabedoria e busca pela verdade.

Apesar de ser notório que Abraham Lincoln não era maçom, há quem insista neste assunto. Observe o trecho abaixo, escrito em 2021 (Palavras de um Grão-Mestre Estadual | GOB) e que até hoje consta no site oficial deste Grande Oriente).

"[...] Meus irmãos: como disse nosso ilustre Irmão Abraham Lincoln (16º Presidente dos Estados Unidos): A mais sublime de todas as instituições é a Maçonaria, porque prega a luta pela fraternidade, que cultiva com devotamento; porque pratica a tolerância, porque deseja a humanidade integrada em uma só família, cujos seres estejam unidos pelo amor, dominados pelo desejo de contribuir para o bem do próximo. É uma honra para mim, ser maçom."

Para saber mais da história desta foto, adquira o livro "Mitos e Fatos Maçônicos" (Link em nossa Bio)

Fonte: Facebook_Curiosidades da Naçonaria

O ESCRITOR MAÇOM

Ir∴ Valdemar Sansão – (São Paulo)

Quem caminha descalço não deve semear espinhos.(G. Herbert)

(Em memória ao saudoso Irmão Professor RAIMUNDO RODRIGUES)

O mundo já conheceu diversos escritores maçônicos que fizeram história, ensinando e deixando obras maravilhosas que são lidas e relidas com o passar dos anos. Nicola Aslan, saudoso e eminente maçom, historiador e escritor dos mais ilustres, que sempre se dedicou à Cultura Maçônica publicou em 1956, o “Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria”, obra maçônica séria e que revela um dos maiores escritores que o Brasil já produziu. Em seguida, surgiu outro escritor de nomeada: Theobaldo Varoli Filho, com o seu “Curso de Maçonaria Simbólica”, vols. I e II.

Num crescendo admirável, foram surgindo historiadores e memorialistas notáveis, escritores competentes e dedicados: Mário Name, José Castellani, Xico Trolha, Octacílio Schuler Sobrinho, Raimundo Rodrigues, para citar os primeiros que nos vêm de pronto à lembrança. Revistas, Jornais e Boletins foram surgindo pelo País afora, difundindo a cultura maçônica.

Vale lembrar que há 40 anos (abril de 1971), o idealismo do nosso inesquecível Xico Trolha teve a idéia de lançar um meio de comunicação entre os Irmãos: a Revista “A TROLHA”, trabalho perseverante de disseminação da riqueza cultural maçônica em nosso país.

Mas, jamais poderemos deixar de mencionar o Prof. RAIMUNDO RODRIGUES que se dedicando inteiramente ao serviço da Maçonaria, publicou muitos livros, centenas de artigos, fundou Lojas Simbólicas, Academias Maçônicas de Letras e nos blindou com vasto e confiável material de pesquisa e estudo sério e valioso sobre Maçonaria simbólica e filosófica, para nosso aprimoramento nas tarefas maçônicas onde aprendemos a interpretar o trabalho prático que a Maçonaria nos faculta com explicações de inestimável valor, de forma a nos orientar para a maneira mais adequada a quantos se dispuserem a aprender, servir e trabalhar.

Combateu com veemência “invencionices”, “suposições”, “achismos” criados pela imaginação de quem não tem coragem de estudar.

E nós, agora sem sua presença física, mas de posse desse tesouro de valor inestimável, que ele nos deixou, possamos atender a um pedido seu feito a todos nós maçons, para que defendêssemos a Maçonaria com todas as nossas energias e possibilidades, não com o uso da força, ou de argumentos e palavras rebuscadas pronunciadas da boca para fora, tentando passar por conhecedores da Maçonaria, mas sim, com o exemplo de bom maçom que já entendeu que o bom Obreiro não se faz de aparências exteriores, e sim, com procedimento que justifique nossa condição de Maçons verdadeiros, com benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias e perdão das ofensas.

A história das últimas três décadas da Maçonaria do Brasil fecha uma página no dia 3/10/ 2010, quando RAIMUNDO RODRIGUES recebeu a sagração final que o transformou em espírito de luz e não estaria completa se deixássemos para as próximas gerações uma homenagem a esse grande Maçom que partiu sem nunca visar honrarias, aplausos ou recompensas futuras e que hoje no Oriente Eterno, onde não há maldade, não há dores, acompanha nossas obras e abençoa nossas ações. Por isso fundamos uma Loja Maçônica reverenciando a memória de quem realmente merece. Temos agora, desde 21 de abril de 2011, a Augusta e Respeitável Loja Prof. Raimundo Rodrigues, nº.726 (GLESP). Estamos todos de parabéns. Diante de tal obra, nossas esperanças se renovam e se agigantam. Nossa Oficina, Colméia de trabalho e fraternidade, de fé e de amor, tendo alcançado um porto seguro, hoje comemoramos olhando para o futuro, sem o passado perder de vista na herança que dele recebemos e que frutifica e se renova a cada dia. Devemos agir com a razão e deixar o emocional de lado, pois, quando agimos emocionalmente, acabamos escrevendo coisas que poderemos vir a nos arrepender no futuro, porque, por mais longe que o intelecto alcance, nunca irá tão longe como o coração.

Aos escritores maçons, ele ensinou que a fonte de escrita deve ser segura, com bases concretas e com um linguajar que abranja a maioria. Que nossa palavra seja sempre o que vai a nossa alma. Palavra amorosa, leve, fraterna e compreensiva, para que seja um instrumento de amor , que soma, pacifica, que confia e conforta nunca dissemina a discórdia. Pois, no fundo, o papel do Maçom é manter e formar o homem de bem.

Entretanto, toda cautela não é demais! Todos sabem que desde o início de nossa Ordem, em nossa marcha incessante à luz, enfrentamos muitas dificuldades e, porque não dizê-lo, muitos inimigos. Cada escritor, na sua categoria, deve doar o melhor de si, e quando houver a necessidade da crítica, que a faça não como uma agressão, mas sim, pura e simplesmente uma atitude em defesa da moralidade e do interesse público, com a intenção de construir um mundo melhor, criando idéias para um melhoramento naquilo que se predispôs a comentar ou criticar. Não devemos criticar apenas pelo hábito, mas que seja por um ideal e não por vaidade.

Mas não é exatamente isso o que ocorre. Poucos são os IIr.’. que sabem fazer da palavra e de seus escritos um uso correto. Possuímos um poder construtivo ou destrutivo sobre o nosso ser, o nosso caráter, a nossa vida e as nossas relações; o que dissermos ou escrevermos de “positivo” detém um poder construtivo, e de negativo, destrutivo. O seu uso indevido, às vezes, fogem ao bom senso. É necessário que sejamos práticos e objetivos no manejo da palavra e da “pena”, procurando dizer ou escrever exata e adequadamente o que pensamos. O Maçom tem o direito de manifestação, seja por via oral ou escrita, mas deve expressar sempre a verdade.

Não devemos nos envaidecer quando nosso trabalho for reconhecido. Devemos estudar ainda mais, pois é nosso dever ter um maior entendimento sobre a doutrina, caso contrário, não teremos condições de concluir nossa tarefa. Nosso aperfeiçoamento moral, intelectual e espiritual, depende mais das críticas que dos elogios que recebemos. Quando ouvimos uma crítica, agradeçamos duas vezes mais que a um elogio. Rudyard Kipling, maçom, dizia que o verdadeiro Homem é aquele que consegue ser indiferente às críticas e aos louvores, estes dois grandes impostores.

Toda a palavra, escrita ou falada, pode levantar o astral de uma pessoa, como pode levá-la literalmente ao fundo do poço.

Comunicar é uma arte tanto quanto educar também o é. Os comunicadores maçons possuem a responsabilidade de representar, através da mídia, não uma doutrina nem dogma, o que permite a todos compartilhar uma concepção do mundo onde “a tolerância é dever primário que a Ordem impõe a seus adeptos”.

Jornais, revistas, programas radiofônicos e televisivos, portais, enfim, toda e qualquer mídia maçônica deve possuir o sentido sagrado do compromisso com a verdade, do compromisso com a Ordem, constantes de sua Constituição, Regulamentos, dos seus Estatutos, Regimentos, Normas, Procedimentos e a renovação moral do homem de bem, do compromisso com a educação do ser humano e da sociedade.

Assim, o comunicador maçom, na finalidade educativa da comunicação, deve:

1. Antes de transmitir uma mensagem aos outros deve tentar vivenciá-la.

2. Fazer apreciação razoável dos fatos, e das consequências que deles decorrem.

3. Ter como objetivo sempre chegar à verdade para não alterar preceitos fundamentais.

4. Acolher todas as observações sobre o assunto.

5. Discutir os assuntos sem se desviar da ética.

6. Estudar a Maçonaria e fazer da Sublime Instituição sua base no mundo da informação.

7. Fazer abstração das próprias idéias, procurando expor o pensamento da Maçonaria.

O desânimo aniquila só o entusiasmo constrói. Lembrando que estudar Maçonaria é como um tratamento homeopata: deve ser feito diariamente e de forma paulatina. Não é em uma leitura somente que iremos compreender a mensagem trazida. È necessário tempo, dedicação, desejo de se melhorar para que nossos exemplos não conflitem com as nossas palavras.

O Maçom só é mesmo “Maçom” se conhecer Maçonaria; em sua história, sua Simbologia, sua Filosofia, sua Ritualística e sua Liturgia, tendo uma visão consciente do passado, do presente e do futuro. E o Maçom só saberá sobre esses itens se ler muito.

Que o Grande Arquiteto do Universo nos ajude a manter os corações alegres e unidos hoje e sempre no firme propósito de amar e servir cada vez mais e melhor, e nos conceda força para sermos portadores da mensagem de uma Maçonaria transformadora, espiritualizada, presente e em defesa da família, da sociedade e da humanidade.

Fonte: JBNews - Informativo nº 322 - 16 de Julho de 2011

quarta-feira, 21 de outubro de 2026

FRASES ILUSTRADAS

LOJA AINDA FECHADA - PROCEDIMENTOS

Em 12/06/2026 o Respeitável Irmão Enio Sampaio, Loja Acácia de Balneário, 3798, REAA, GOB-SC, Oriente de Balneário Camboriú, Estado de Santa Catarina, solicita esclarecimentos:

 LOJA AINDA FECHADA

Gostaria de pedir a sua ajuda para esclarecer duas dúvidas pontuais de ritualística que frequentemente geram divergências em Loja. Como já presenciei diferentes execuções dessas práticas e reconheço o seu vasto conhecimento no assunto, recorro às suas luzes para saber a forma correta de proceder:

1ª Dúvida: Durante a transmissão da Palavra, quando os trabalhos ainda não foram abertos (Loja fechada), o 1º Diácono deve fazer a saudação ao Venerável Mestre ao cruzar a linha do Oriente (para subir e descer), ou esse trânsito deve ser feito de forma direta e sem reverências?

2ª Dúvida: No momento da transmissão da Palavra entre os Irmãos, a postura deve ser estática (falando sempre no mesmo ouvido) ou deve haver alternância de lados a cada letra/sílaba? Fui instruído de que o ato é estático, mas vejo algumas Lojas do nosso Rito alternando os ouvidos como se fosse um tríplice abraço. Qual é a execução correta?

Certo de que poderei contar com o seu conhecimento para dirimir essas questões, agradeço desde já pela atenção.

Tenho certeza de poder contar com a luz do conhecimento do irmão e de antemão agradeço.

CONSIDERAÇÕES:

1 – No decorrer do andamento ritualístico pertinente à transmissão da Pal∴Sagr∴ entre as Luzes e os Diáconos para a abertura dos trabalhos, (a Loja ainda está em processo de abertura), quando da entrada e saída do Oriente não se presta nenhuma saudação pelo sinal e nem se faz parada formal. Nessa ocasião, os Oficiais que por dever de ofício precisarem transitar pela Loja atendem somente à circulação horária, como menciona o ritual.

Saudação pelo sin∴ e parada formal somente ocorrem depois que a Loja estiver, na forma ritualística, definitivamente aberta.

2 – Em Loja de Aprendiz, durante a transmissão da Pal∴ Sagr∴ entre as Luzes e os Diáconos, quem a transmite sempre a dá inteira e soletrada, uma a uma, as quatro letras da Pal∴ no ouvido direito do receptor, não havendo sua repetição por inteiro ao final. Assim, sem meneios com a cabeça ou troca de ouvidos, o transmissor a transmite, letra por letra, de uma só vez no ouvido direito do receptor.

Ao finalizar, reitero que exaustivamente tenho alertado sobre esta transmissão da Pal∴ não se tratar de um telhamento (exame de um maçom). Tenho explicado que essa transmissão, que só ocorre entre as Luzes e os DDiác∴, é uma passagem ritualística com alto significado simbólico, comum à liturgia do REAA – ela relembra as aprumadas e nivelamentos nos canteiros operativos de outrora. Assim, por não ser de telhamento, como acontece no Cobr∴ do Grau, nessa ocasião não há troca de letras entre os protagonistas.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br