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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

terça-feira, 26 de maio de 2026

FRASES ILUSTRADAS

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SAÍDA TEMPORÁRIA - IV (RETORNO AOS TRABALHOS)

Em 20/03/2026 o Respeitável Irmão Leonardo Paixão, Loja Vigilantes da Guanabara, 1568, REAA, GOB-RJ, Oriente de Bento Ribeiro, Estado do Rio de Janeiro, apresenta o seguinte:

SAÍDA TEMPORÁRIA

Somos do REAA e solicitamos esclarecimento ritualístico acerca do procedimento de ingresso ao Templo após cobertura.

A Loja iniciou os trabalhos em Grau 1 e, posteriormente, elevou ao Grau 2. Foi então designado a um Companheiro que procedesse à cobertura do Templo, sendo-lhe posteriormente franqueado o retorno ritualístico.

Surge, assim, a seguinte dúvida: ao solicitar ingresso, deve o Irmão bater como Companheiro ou como Aprendiz?

Entendemos que, ao se encontrar fora do Templo, ainda que ciente do grau anteriormente trabalhado, o Irmão não detém certeza de eventual alteração durante sua ausência. Tal entendimento encontra amparo no ritual de Aprendiz, ao tratar da entrada de Irmãos atrasados, onde se estabelece que a batida deve ser realizada em Grau 1, independentemente do grau do Irmão, justamente por não haver segurança quanto ao grau em que a Loja se encontra no momento da solicitação de ingresso.

O próprio texto ritualístico reforça que o Irmão procede “independentemente do seu grau”, o que nos leva a compreender tratar-se de um princípio geral de segurança e regularidade ritualística, aplicável não apenas a atrasos, mas a qualquer situação em que o Irmão se encontre fora do Templo sem certeza do grau em trabalho.

Acrescenta-se que, em nossa Loja, não há cobridor externo, sendo o retorno realizado apenas com o acompanhamento do Mestre de Cerimônias, o qual pode ou não informar previamente eventual alteração de grau. Tal condição reforça a incerteza e, por conseguinte, a necessidade de observância do procedimento mais seguro.

Por outro lado, suscita-se reflexão quanto ao contexto de abertura dos trabalhos. Entende-se que a obrigatoriedade da batida em Grau 1 está diretamente vinculada à dinâmica em que os trabalhos se iniciam nesse grau, podendo posteriormente haver elevação, o que justifica a ausência de certeza do Irmão que se encontra fora do Templo.

Entretanto, caso a Loja tenha iniciado diretamente seus trabalhos em Grau 2, sem passagem prévia pelo Grau 1 naquela sessão, parece haver distinção relevante. Nessa hipótese, não se configuraria, em princípio, alteração de grau no sentido descendente, considerando o entendimento de que, uma vez abertos os trabalhos em Grau 2, a Loja não retornaria ao Grau 1 na mesma sessão, podendo, quando muito, haver elevação ao Grau 3.

Dessa forma, o Irmão, ciente da abertura dos trabalhos em Grau 2, poderia dispor de elementos suficientes para proceder conforme esse grau, diferentemente do cenário em que há progressão a partir do Grau 1.

Assim, submete-se à apreciação se o princípio da batida em Grau 1 deve ser entendido como regra absoluta, aplicável a toda situação de reingresso, ou se comporta interpretação contextual, considerando a forma de abertura e a dinâmica dos graus na sessão.

Outrossim, indagamos se, no Grau de Companheiro, o procedimento de entrada (cobridor) deve seguir, por analogia, o disposto nas páginas 183 e 184 do ritual de Aprendiz, com as devidas adaptações de grau.

Sem mais, aguardamos orientação.

Atenciosamente.

CONSIDERAÇÕES:

Sem complicação, no REAA a Loja é sempre fechada no mesmo grau em que foi aberta. Caso ela tenha sido aberta no Grau 01, será fechada nesse grau; se foi no 02, será fechada nesse grau; e assim também ocorre no caso do 3º Grau.

Em outras eventuais transformações de Loja para saídas temporárias, a Loja transformada sempre retorna aos trabalhos no grau em que fora inicialmente aberta.

Outro aspecto, é o de não se confundir o retorno de alguém que já estava participando dos trabalhos (assinou o livro de presenças) e teve que se retirar temporariamente, com Irmãos retardatários que chegam atrasados para os trabalhos.

Assim, a retirada temporária de um Irmão e o seu retorno é uma coisa, enquanto que Irmão que chega atrasado é outra.

No caso de uma retirada temporária, quando o Cobridor cobre o templo ao retirante, no seu retorno aos trabalhos o Venerável Mestre solicita ao Mestre de Cerimônias que o conduza de volta sem formalidades. Nessa oportunidade não há baterias e nem outras etiquetas de entrada, bastando que o Mestre de Cerimônias, sem dourar a pílula, conduza naturalmente o Irmão que retornou ao seu lugar.

Na ocasião do retorno, de quem houvera antes saído temporariamente, não existem formalidades porque o retirante já estava participando dos trabalhos. Desse modo, o Cobridor Interno apenas aguarda, junto à porta aberta, o ingresso informal, fechando-a em seguida.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

O VERDADEIRO MESTRE

Estelio Guimarães Cavalcante

O Maçom sabe, que na jornada Maçônica, o “Verdadeiro Mestre” não é aquele que “chegou lá”, ou seja, aquele que alcançou o topo. O “Verdadeiro Mestre”, é aquele que jamais deixou de ser um “aprendiz dedicado”. Pois é a tal coisa, um bom aprendiz será sempre um bom companheiro, um bom companheiro será sempre um bom mestre, e um bom mestre sabe que será sempre, apenas um “esforçado aprendiz”.

Pois o “Verdadeiro Mestre” sabe, que a hierarquia pode mudar, porém a humildade nunca!

Isso quer dizer que, enquanto a posição na Sublime Ordem Maçônica, assim como também a posição social e profissional pode variar ao longo do tempo, a humildade é uma qualidade inalterável, é um valor essencial que permanece constante. Ou seja, essencialmente, a humildade é uma característica atemporal e um traço de caráter que define uma pessoa, independentemente das suas circunstâncias, e que pode ser usada para construir melhores relacionamentos e ambientes.

Em um “Verdadeiro Mestre”, a humildade permanece, trata-se de uma virtude do mesmo, pois ele sabe, que ela, a “humildade”, não é uma posição, mas uma atitude e um valor. É um traço de caráter que, uma vez cultivado, não depende de uma posição de poder ou de um momento específico na vida.

Um “Verdadeiro Mestre” sabe que a humildade é reconhecida como um caminho para o autoconhecimento, para a sabedoria, pois implica um reconhecimento dos próprios limites e uma disposição para aprender, tanto sobre si mesmo quanto sobre os outros.

Um “Verdadeiro Mestre”, humilde como é, procura se relacionar com os outros, baseado em princípios de inclusão, respeito à diversidade e valorização da pessoa humana, onde busca criar um ambiente seguro e colaborativo independente de diferenças, como raça, credo, cultura e posição social. Criando assim um ambiente de colaboração e harmonia entre todos os indivíduos, sempre reconhecendo o valor de cada um.

Em resumo, meus amados irmãos, na Maçonaria, a humildade é uma virtude essencial que permite ao Maçom despojar-se do ego, da vaidade e do orgulho, tornando-o mais receptivo ao aprendizado e à transformação moral. A humildade não é sinónimo de modéstia ou fraqueza, mas sim uma consciência das próprias limitações e uma disposição para ouvir e servir aos outros e ao bem comum, sendo a base para a harmonia e a unidade dentro da loja e na vida.

P.S: Existe uma frase que diz, "a humildade é a chave que abre todas as portas". Significa dizer que a modéstia, a simplicidade e a ausência de orgulho facilitam a conquista de oportunidades, relacionamentos e a Graça Divina.

Fonte: Facebook_Átrio do Saber

segunda-feira, 25 de maio de 2026

FRASES ILUSTRADAS

PEDIR A PALAVRA 5 - REAA

Em 19.03.2023 o Respeitável Irmão Giovani Goulart, Loja Universitária Pioneiros da Bahia, 4137 e Monteiro Lobato, 4009, REAA, GOB BAIANO, Oriente de Salvador, Estado da Bahia, pede esclarecimentos.

PEDIR A PALAVRA

Tenho muitos motivos para lhe agradecer por ter me respondido todas as vezes em que recorri ao Ir∴.

Aqui trago dois assuntos que têm gerado alguma discordância no entendimento dos IIr∴ e que, gostaria de ter o seu valioso esclarecimento para que, em posse do mesmo, eu posso levar aos demais IIr∴ das Lojas que pertenço.

01 - A batida da mão direita sobre a esquerda para solicitar a palavra.

Tenho convivido com dois distintos posicionamentos em relação a isso. Um lado diz que é obrigatório bater com a mão direita nas costas da mão esquerda fechada e, o outro lado diz que basta um gesto discreto (que garanta a visualização do Ir∴ 1º Vig∴.

A pergunta é: Em uma loja pequena, onde o contato visual esteja perfeitamente garantido por todos, principalmente pelos IIr∴ VVig∴ é obrigatório executar a referida batida para solicitar a palavra?

02 - O mais adequado, previsto no SOR ou nos Rituais é, no uso da Palavra a Bem da Ordem e do Quadro em Particular é, manter o Ir∴ à Ordem ou permitir que desfaça o sinal durante a sua fala?

03 - Lojas que não têm o cartão de visitas para entregar ao visitante, as alternativas seriam:

A - Enviar e-mail para o visitante registrando sua presença.

B - Confeccionar um carimbo e, manualmente registrar em uma folha carimbada com a
assinatura do Venerável e do Chanceler.

C - Enviar via WhatsApp uma outra forma de registro de presença.

Por fim, pra ficar registrado e dar conhecimento atualizado aos IIr∴ mais antigos que ainda trazem "usos e costumes" que contrariam grande parte do previsto no ritual atualizado, o ato de "Tirar do Tronco de Beneficência" é lícito? A meu ver, não é, mas, temos um "Deputado" que afirma ser...

Agradeço ao Poderoso Ir∴ Pedro Juk por ser nosso FAROL que nos guia em direção ao conhecimento, ao estudo e às práticas corretas nas fileiras de nossa instituição.

CONSIDERAÇÕES:

1 - A maneira consagrada de se pedir a palavra é dar uma pancada, com a palma da mão direita aberta sobre o dorso da mão esquerda fechada, em seguida levantar um pouco à mão direita à frente. Esse gestual tem a finalidade de chamar a atenção daquele que irá autorizar o uso da palavra.

Nada existe de iniciático nessa prática, senão uma forma de se padronizar procedimentos. Não vamos criar regras para Lojas com ambiente espaçoso e as com dependência mais acanhada. O consagrado é o acima descrito, mas sem dourar a pílula. É só seguir o que está previsto no ritual.

2 - Nas Colunas, quem estiver fazendo o uso da palavra obrigatoriamente deve falar em pé, portanto à Ordem (corpo ereto, pés em esquadria e sinal composto). Em casos excepcionais, somente o Venerável Mestre é que pode autorizar alguém a desfazer o sinal durante a sua fala, no entanto esses são casos esporádicos e nunca corriqueiros.

É de péssima geometria o Venerável ficar frequentemente autorizando a dispensa do sinal para falar. Essa é uma atitude de desrespeito para com a ritualística e com o ritual.

Sem dúvida, falar à Ordem é desconfortável, no entanto essa postura corporal incômoda ajuda a evitar os tais discursos alongados e palavreados repletos de rançoso lirismo, os quais só servem mesmo é para esgotar a paciência alheia. O usuário da palavra se mantendo à Ordem, cansa logo. Isso faz com que se evitem os excessos durante a fala. O Venerável Mestre precisa levar isso em consideração, antes de ficar, a torto e a direita, dispensando a composição do sinal durante o uso da palavra.

3 - Esse não é um assunto de ritualística, mas da administração da Loja. Entendo que se a legislação prevê a entrega de certificado de visitas, a Loja deveria tê-los às mãos para entrega-los aos visitantes.

Agora, imagine a Obediência ter que se criar alternativas para Lojas que, por desleixo, não providenciam o cartão de visita para entregar aos seus visitantes.

4 - Retirar dinheiro do Tronco é uma dessas aberrações inventadas por alguns Irmãos do passado. É uma verdadeira barbaridade; algo inconcebível, mas que lamentavelmente ainda encontra defensores.

Ora, ninguém está autorizado a retirar metais da Bolsa de Beneficência, pois em nome da lisura dos trabalhos, o produto auferido pelo Tronco deve ser rigorosamente conferido e anunciado diante de todos em Loja aberta, sendo o seu produto destinado ao titular responsável pela caridade da Loja.

No caso de algum Irmão necessitado, ele primeiro deve recorrer à hospitalaria da Oficina que, de modo claro e transparente, levará a súplica a uma sessão em Loja aberta para as providências cabíveis, mas nunca é previsível alguém retirar metais do Tronco durante a sua circulação alegando dificuldades financeiras. Como dizia Eça de Queiróz: “Essa é mesmo d’escrachar”.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MAÇONARIA NO EGITO


Maçons do Egito.
Fotografia do final do século XIX.
Descrição técnica: fotografia, impressão em gelatina de prata sobre papel, 330 x 25 mm
Local: Paris, Museu da Maçonaria. Inv. nº 2013. P6. SN001.
Fonte: Facebook_Arquivos da Maçonaria

A QUINTA DA REGALEIRA

A Quinta da Regaleira é um dos lugares mais simbólicos da Maçonaria em Portugal (*)








Memória histórica

A documentação histórica relativa à Quinta da Regaleira é escassa para os tempos anteriores à sua compra por Carvalho Monteiro. Sabe-se todavia que, em 1697, José Leite adquiriu uma vasta propriedade no termo da vila de Sintra que corresponderia, aproximadamente, ao terreno que hoje integra a dita Quinta - a esta data parecem remontar, pois, as origens da quinta em questão.

Francisco Alberto Guimarães de Castro comprou a propriedade - conhecida como Quinta da Torre ou do Castro - em 1715, em hasta pública e, após as licenças necessárias, canalizou a água da serra a fim de alimentar uma fonte ai existente.

Em 1800, a quinta é cedida a João António Lopes Fernandes estando logo, em 1830, na posse de Manual Bernardo, data em que tomou a designação que actualmente possui. Em 1840, a Quinta da Regaleira foi adquirida pela filha de uma grande negociante do Porto, Allen, que mais tarde foi agraciada com o título de Baronesa da Regaleira. Data provavelmente deste período a construção de uma casa de campo que é visível em algumas representações iconográficas de finais do século XIX.

A história cia Regaleira actual principia, todavia, em 1892, alio em que os barões da Regaleira vendem a propriedade ao Dr. António Augusto Carvalho Monteiro por 25 contos de réis (Anacleto, 1994: 241).

O célebre "Monteiro dos Milhões" nasceu no Rio de Janeiro em 1848, filho de pais portugueses, que cedo o trouxeram para Portugal. Licenciado em Leis pela Universidade de Coimbra, Monteiro foi um distinto coleccionador e bibliófilo, detentor de uma das mais raras camonianas portuguesas, homem de cultura que decerto influenciou, se não determinou mesmo, parte bastante razoável do misterioso programa iconográfico do palácio que construiu para si, nas faldas da serra de Sintra.

In "Sintra Património da Humanidade"








Maçonaria e a Quinta da Regaleira

Chama-se esotérico a um conhecimento oculto, seja doutrina ou técnica de expressão simbólica, reservado aos iniciados:. O esoterismo é, pois, o conjunto de práticas e de ensinamentos esotéricos, no contexto de uma tradição multifacetada que abrange diferentes épocas, lugares e culturas. A Alquimia, a Maçonaria e os Templários, por exemplo, incorporam teorias, rituais e procedimentos herméticos que se integram no âmbito do esoterismo.

Na tipologia do misticismo judaico, firmado na procura de Deus e na experiência da divindade, o esoterismo baseia-se, fundamentalmente, na lei das correspondências, que visa encontrar, através do recurso à analogia, relações simbólicas entre o divino e o terreno, entre o transcendente e o imanente, entre o visível e o invisível, entre o homem e o universo:. A passagem de uma a outra dimensão opera-se em cerimónias de iniciação, por meio de encenações e rituais de carácter mágico, nos quais o neófito recebe o segredo da transmutação, aceita a filiação no grupo de companheiros e acede a um nível espiritual superior.

A Franco-Maçonaria antiga, dita operativa, deriva das confrarias, das corporações, dos agrupamentos profissionais de pedreiros livres e dos construtores das catedrais medievais:. À defesa dos interesses profissionais, juntavam os franco-mações preocupações de carácter filantrópico, moral e religioso:. Os grupos maçónicos, organizados em sociedades secretas e reunindo em lojas, foram perdendo o carácter exclusivamente operativo e começaram a aceitar membros estranhos à profissão mas que perfilhavam os mesmos ideais iniciáticos.

O declínio das confrarias origina, por filiação directa, o aparecimento em 1717, em Inglaterra, da Maçonaria moderna, dita especulativa, uma vez que já não existe ligação à prática do oficio de construção, tendo utensílios como o esquadro e o compasso adquirido um valor eminentemente simbólico.








A Maçonaria provocou, praticamente desde o início, a oposição da Igreja Católica, embora muitos dos ensinamentos maçónicos, de inspiração cristã, preconizem a crença nas virtudes da caridade, na imortalidade da alma e na existência de um princípio espiritual superior denominado Grande Arquitecto do Universo:. Grande parte da simbologia maçónica, sobretudo a dos altos graus, inspira-se em correntes esotéricas tais como a alquimia, o templarismo e o rosacrucianismo, inscritas em diversos locais da Regaleira.

Apesar da diversidade de percursos que a Quinta da Regaleira oferece, todos os caminhos podem conduzir a um aglomerado de pedras erguidas, com a aparência de um menir, num dos locais mais belos da mata:. E eis que uma curiosa porta de pedra roda impulsionada por um mecanismo oculto e nos faculta a entrada para outro mundo:. É o monumental poço iniciático, espécie de torre invertida que mergulha nas profundezas da terra:. A terra é o útero materno de onde provem a vida, mas também a sepultura para onde voltará. Muitos ritos de iniciação aludem a aspectos do nascimento e morte ligados à terra.

De quinze em quinze degraus se descem os nove patamares desta imensa galeria em espiral, sustentada por inúmeras colunas de apurado trabalho, que vão marcando o ritmo e o aprumo das escadarias:. Os nove patamares circulares do poço, por onde se desce ao abismo da terra ou se sobe em direcção ao céu, consoante a natureza do percurso iniciático escolhido, lembram os nove círculos do Inferno, as nove secções do Purgatório e os nove céus do Paraíso, que o génio de Dante consagrou na Divina Comédia. 

Os capitéis dos colunelos enrolam longas folhas de acanto:. E lá no fundo, a carga dramática acentua-se:. Gravada em embutidos de mármore, sobressai uma cruz templária, aliada a uma estrela de oito pontas, afinal o emblema heráldico de Carvalho Monteiro:. As galerias conduzem-nos, em autênticos labirintos, pelo mundo subterrâneo, aqui e além porventura povoado de morcegos:. De construção artificial, na sua maioria, estas galerias aproveitam, no entanto, as características geológicas da mancha granítica da Serra de Sintra:. No interior, a abóbada divide-se entre os maciços de rocha mãe, de um granito granular médio, geralmente de cor rosada ou parda, e zonas preenchidas com pedra importada da orla marítima da região de Peniche:. É esta pedra, desgastada pelo mar e pelo tempo, que vai contribuir, sobremaneira, para a sugestão de um mundo submerso.








Ao chegarmos ao exterior, esperam-nos a luz e os cenários minuciosamente construídos:. São animais fantásticos, artifícios de água em cascata, passagens de pedra que parecem flutuar à superfície dos lagos, ou nuvens silenciosas de vapor que dissimulam as entradas para este universo singular:

A simbólica alquímica parece estar presente em vários locais da Regaleira:. Desde logo, na Capela, na pintura da Coroação de Maria por Cristo, na qual a Virgem ostenta, para além das três cores da Obra alquímica - o azul ou negro, o branco, o vermelho ou rubro - uma faixa dourada que poderá simbolizar o Ouro Alquímico.

Também num alto relevo existente nas traseiras da Capela, encontra-se representado um castelo com duas torres, separado por uma zona de labaredas, e uma goela infernal:. Trata-se de uma figuração da tri- unidade do mundo e do homem: o mundo superior ou espiritual, o mundo intermédio da alma e o mundo inferior ("ad infero" ou do inferno) material:. A torre rubra é o Atanor, ou forno alquímico.

Nas cocheiras, sinais de Alquimia voltam a estar presentes, em duas esculturas que formam símbolos clássicos da Arte de Hermes: a serpente que morde a cauda, simbolizando a Unidade, origem e fim da Obra, e a luta entre as duas naturezas, aqui representada por dois dragões, cada um mordendo a cauda do outro. Igualmente susceptível de uma leitura alquímica é a gruta ogival, onde Leda, segurando uma pomba na mão, aparece numa escultura à beira de um pequeno lago, enquanto Zeus, disfarçado de cisne, a fecunda bicando-a na perna.

Trata-se de uma alegoria pagã ao mito, ou mistério, da Imaculada Conceição, ou concepção, que decorre num lugar escuro e húmido.








A alquimia tem por objectivo a transmutação real ou simbólica dos metais em ouro e por fim último a salvação da alma:. As operações alquímicas são realizadas num Atanor, ou seja, num forno alquímico de combustão lenta, com um cadinho e um balão nos quais se pretende espiritualizar a matéria e materializar o espírito:. Este propósito essencial da Alquimia operativa, executada em laboratório, é a obtenção da Pedra Filosofal, simbiose entre matéria e espírito, da qual poderia resultar, segundo os alquimistas, além da transmutação dos metais em ouro, a realização de um dos desejos ancestrais da humanidade: o elixir da longa vida, capaz de proporcionar saúde e eterna juventude:. Neste sentido, há quem considere a procura alquímica como uma metáfora da condição humana:. A Alquimia assumiu, depois do século XVIII, um carácter manifestamente religioso, dedicando-se sobretudo ao estudo das relações espirituais e energéticas entre o homem (microcosmo) e o universo (macrocosmo). A partir de um trabalho erudito de equivalências e analogias, aceita-se que o universo nos engloba e nos interpela num só movimento existencial - ele é ao mesmo tempo transcendência (Outro) e nós próprios.

Parece evidente que a concepção religiosa do mundo que preside à Regaleira assenta no Cristianismo, mas num Cristianismo escatológico, que tem a ver com o fim dos tempos:. Quer recorramos à lição da escatologia cósmica, que prenuncia o fim do universo e da humanidade, quer nos atenhamos à escatologia individual, que assenta na crença da sobrevivência da alma depois da morte, é a mesma ideia obsessiva que encontramos. É também um Cristianismo gnóstico, apoiado em discursos míticos e em conhecimentos sagrados que prometem a salvação dos fiéis e o retorno dos espíritos:. É, enfim, um Cristianismo imbuído de ideais neo-templários, associados ao Culto do Espírito Santo, que encontramos na tradição mítica portuguesa.

Os templários foram monges-soldados, cuja ordem militar, fundada no período das Cruzadas em 1119, visava proteger os lugares santos da Palestina contra o perigo dos infiéis:. Os votos de pobreza e castidade não impediram os Cavaleiros da Milícia do Templo de enriquecer e de desempenhar um importante papel económico e político, tanto no Oriente como na Europa, a ponto de criarem poderosos inimigos, como o rei Filipe IV de França e o Papa Clemente V, que levaram à perseguição e à extinção da ordem em 1314, sob acusações, porventura falsas, de blasfémia e imoralidade:. Em 1317, D. Dinis de Portugal afectou os bens dos templários à Ordem de Cristo, que muitos aceitaram como sua sucessora.








Desaparecidos os templários não desapareceu o templarismo, cujo espírito, resumido na defesa dos lugares sagrados e na luta contra o mal, renasceu em várias correntes e organizações iniciáticas como sendo a afirmação simbólica da sobrevivência da Ordem do Templo:. A cruz templária no fundo do poço iniciático, a cruz da Ordem de Cristo no pavimento da Capela, bem como todas as outras cruzes dispostas na Capela, testemunham a influência do templarismo no ideário sincrético de Carvalho Monteiro.

Há ainda, na Regaleira, referências rosacrucianas, em alusão à corrente esotérica iniciada no séc. XVII, de tendência cristã, utilizando os símbolos conjuntos da rosa e da cruz:. O movimento Rosa-Cruz propunha reformas sociais e religiosas, exaltava a humildade, a justiça, a verdade e a castidade, apelando à cura de todas as doenças do corpo e da alma:. Tornou-se grau maçónico de várias Ordens e, ainda hoje, existem escolas esotéricas e sociedades secretas que pretendem assumir-se como reaparições do mito Rosa-Cruz.

(*) Fotos: Luis Figueiredo © 2004Textos: website da Quinta da Regaleira (desactivado de momento) Mais informações no web site da Câmara Municipal de Sintra Portugal

Fonte: JBNews - Informativo nº 308 - 02 de Julho de 2011

domingo, 24 de maio de 2026

FRASES ILUSTRADAS

BALANDRAU - 5

Em 19.03.2026 o Respeitável Irmão Raphael Prado, Loja Joaquim Rodrigues D’Abreu, 1921, REAA, GOB-RJ, Oriente de Niterói, Estado do Rio de Janeiro, faz a seguinte pergunta:

BALANDRAU

Minha dúvida é sobre o uso do balandrau quando em visita às Lojas.

Aprendemos que, ao visitar uma Loja, devemos sempre ir de terno, não sendo permitido o uso do balandrau. No entanto, não encontrei nada escrito a respeito. Na página 33 do nosso ritual, diz que seu uso é admitido e não faz restrição a IIr∴ do Quadro. Em alguns textos seus publicados no blog, o Ir∴ dá a entender que seria permitido o uso do balandrau em visitas, desde que o rito da Loja visitada o permita e que se trate de sessões ordinárias. Seria esse o entendimento correto?

CONSIDERAÇÕES:

De fato, não existe nada nos regulamentos do GOB que obrigue um Irmão visitante, que seja praticante do REAA, a se apresentar trajado com terno ao visitar uma Loja desse mesmo rito, trabalhando em sessão ordinária.

Menciona o ritual do REAA/GOB em vigência que em uma sessão ordinária admite-se o uso de balandrau. Por conta disso, um Ir∴ visitante pode sim se apresentar usando balandrau negro e talar.

Isso não ocorre se a sessão for magna, onde aí sim o terno, preto ou azul marinho, acompanhado de camisa branca, gravata lisa, sapatos e meias pretas, é obrigatório.

No tocante ao uso do balandrau, o mesmo deve ser negro e talar (até os tornozelos), com mangas compridas e fechado até o colarinho, sem nenhuma inscrição. Impreterivelmente deve se usando com calça preta (ou azul-marinho), sapatos e meias pretas, não sendo admitido o uso de tênis ou similares.

Ao finalizar, vale ressaltar que essas observações são pertinentes ao REAA, não se aplicando, portanto, a ritos que não admitem o uso de balandrau. O Ir∴visitante deve estar atento a isso.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

BREVIÁRIO MAÇÔNICO

DEBHIR

Essa palavra é referida no Primeiro Livro dos reis e pode traduzir-se como "lugar muito santo", que passou em latim como Sanctum Sanctorum.

Em uma Loja Maçônica Simbólica, o Oriente denomina-se de Sanctum Sanctorum, ou seja: "Santo dos Santos".

No Grau 4 da Maçonaria Filosófica, as exéquias de Hiram Abiff realizam-se no Sanctus Sanctorum, ou Debhir.

Como as Lojas são um pálido reflexo do Grande Templo de Salomão, o seu "Santo dos santos" é modesto e não tem a sacralidade que o nome indica; é denominado assim porque no Oriente, onde se encontra o trono do Venerável Mestre, sobre o dossel encontra-se o "triângulo sagrado"; trata-se de um pequeno triângulo de cristal tendo em seu centro a palavra hebraica iod, que significa Deus.

Representaria a presença divina na Loja, pálida e simbolicamente.

No templo interior, que todo maçom possui, existe esse "Santo dos santos", que deve ser venerado.

Embora se trate de um assunto por demais esotérica, todo maçom tem o dever de conhecer esse seu inferior; do conhecimento resultará uma grandiosa benesse.

Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014, p. 114.

PAINEL DA LOJA E O SEU SIMBOLISMO

 Por Adrien Choeur

Quais símbolos estão representados no painel da loja e qual é o significado deles? Como interpretar o Painel da loja de 1º grau do REAA?

Colocado no centro da loja, o painel da loja marca a abertura de um novo espaço e tempo.

O Irmão Experto é responsável por desenhar ou desenrolar o painel da loja[1] no início de cada reunião, em um momento solene que corresponde à sacralização do templo.

O painel da loja de aprendizes tem a intenção de ser a imagem do mundo. É um foco dos símbolos do grau, uma verdadeira loja em miniatura cuja interpretação nem sempre é fácil.

Vamos entrar no simbolismo do painel da loja de primeiro grau.

A ordem do traçado do painel da loja

O quadro da loja pode ser desenrolado (tapete de loja) ou traçado à mão, por exemplo, com giz. Nesse último caso, será necessário respeitar uma certa ordem nos símbolos a serem exibidos.

A ordem do gráfico corresponde à ordem em que os seguintes símbolos, que formam o painel da loja, são apresentados.

O Olho Luminoso e Delta

Colocado entre o sol e a lua no quadro da loja, também encontramos o olho luminoso e o Delta no centro do Oriente, acima do Venerável Mestre, o que o torna um ponto central da loja. Os três lados do Delta remetem ao frontão do Templo e ao número 3, que contém todo o universo. A base do triângulo é a linha do horizonte a partir da qual os outros dois lados se elevam, formando um vértice que parece tocar o céu e o sagrado. O Delta, deslumbrante com luz, é um símbolo de equilíbrio e conclusão do edifício.

O olho representado no centro do Delta não é um órgão físico, não possui cílios nem sobrancelhas; é mais parecido com o terceiro olho do deus Shiva, que olha para a eternidade; é o olho da consciência, ou olho que tudo vê. É tanto a forma como nos vemos quanto a maneira como o Grande Arquiteto do Universo vê sua criação. Ele é nossa intuição, esse ponto furtivo de passagem, essa porta estreita entre nosso mundo aqui abaixo e o mundo além.

O Sol e a Lua no quadro da loja

No Oriente, acima do assento da VM, a Lua e o Sol emolduram o luminoso Delta, iluminando a loja.

À direita do Delta, o Sol governa o dia enquanto a Lua, à esquerda do Delta, preside sobre a noite. O Sol aparece no Oriente, governa o tempo sagrado de manter sua trajetória de Leste a Oeste. O Sol é um princípio ativo e masculino,símbolo da inteligência, do conhecimento que o maçom busca.

A Lua, o princípio feminino e passivo, recebe a luz do Sol, simboliza a imaginação. A Lua é a intermediária entre o brilho do Sol e a escuridão, entre a consciência, o espírito e o mundo inconsciente da noite. Os aprendizes permanecem no norte sob a influência da lua, que é a região menos iluminada, porque possuem apenas conhecimentos maçônicos elementares e não estão em condições de suportar muita luz.

As Pedras no Quadro da Loja

Presentes no painel da loja, as pedras são a matéria-prima do pedreiro, sua materia prima. Mais do que um bloco a ser cortado, elas representam as pedras que virão, as pedras ocultas, assim como as futuras chaves de abobada.

A pedra bruta oferece uma abundância de possibilidades. O Aprendiz trabalha para desfazer a pedra bruta para despojá-la de sua aspereza e trazê-la mais perto de uma forma em relação ao seu destino.

A pedra bruta simboliza o próprio profano, que está destinado a se polir e se transformar sob o efeito da abertura da consciência. Cortar pedra, polir, esculpir, montá-la, tem sido por milênios os gestos essenciais dos construtores, assim como seu segredo, transmitido de geração em geração.

A pedra cúbica exigirá que os maçons prestem atenção o tempo todo, para executar melhor a tarefa e ter sucesso na inserção.

O homem do desejo, áspero e desprovido de todas as suas arestas, descobrirá por meio da razão e do trabalho os benefícios do discernimento indispensáveis ao seu progresso e equilíbrio.

Nota: não mencionaremos aqui a prancha de traçar, representada no quadro da loja na forma de um retângulo no qual aparecem duas grades do alfabeto maçônico. É nessa prancha de traço que os mestres elaboram seus planos.

O Volume da Lei Sagrada, o compasso e o esquadro

O Volume da Lei Sagrada, o compasso e o esquadro formam as “três grandes luzes” da Maçonaria. Eles representam tradição, mas também aliança.

O compasso cria círculos a partir do ponto, abraçando assim o princípio da criação. O esquadro inscreve o princípio no material, o entrelaçamento das duas ferramentas indicando as etapas e as diferentes naturezas da realização.

As três grandes luzes traduzem assim o material espiritualizado, o espiritual físico, e assim nos dão um ponto de acesso para entender o mundo.

O malho e o cinzel, a régua das 24 divisões

O malho representa a energia que prepara o movimento. O malho é força, realização. É uma vontade ativa.

O cinzel canaliza, condensa, ordena o poder transbordante do malho. Ele remove a aspereza da pedra, de modo que ela reflita a beleza interior que está firmemente inscrita e selada na natureza humana.

A régua de 24 divisões confere medida e retidão à construção. Do projeto à conclusão, ela garante em cada etapa, em cada detalhe e a cada hora, o progresso, a perfeição da obra e, assim, tornar cada pedra uma obra-prima universal.

As três janelas representadas no painel da loja

A Loja está em comunicação com o mundo exterior através de três janelas. Sua função simbólica é a difusão da luz dentro do templo maçônico, de acordo com o caminho aparente do Sol. Assim, podem indicar as três horas principais do tempo maçônico: aquela em que os trabalhadores começam a trabalhar, a hora em que executam o trabalho e a hora que saem.

A Janela para o Oriente ilumina o Venerável Mestre. Assim como o sol nasce no Leste para abrir a carreira do dia, a VM dará origem a um novo dia de trabalho para os irmãos na Loja.

A Janela para o Sul traz calor, força e sabedoria. O sol está em seu ponto mais alto e permite que a janela colocada ao sul cumpra sua verdadeira função: iluminar a mente. O sol então brilha com toda sua força no Templo e tudo deveria ser visível. É a hora mais propícia para a descoberta do nosso ser, é a hora em que a luz nos força a despertar, a refletir e, consequentemente, evoca criação e revelação. Assim, ao começar o meio-dia, a grande luz do dia afasta a sombra e a reduz ao mínimo, apresentando as coisas como elas são em sua realidade mais visível e objetiva.

A Janela para o Oeste permite que você alerte a VM do fim do dia para que ele possa fechar os trabalhos. Dessa forma, ela nos convida a descansar e a esperar pelo nascimento de um novo dia. Esse aparente declínio da luz também lembra a morte simbólica e regeneração. Assim, tendo passado no teste da sabedoria e da verdade, essa luz do sol poente iluminando a baía ocidental testemunha tudo o que merece ser preservado.

Quanto à grade que obstrui as três janelas, ela não está lá para proteger os Aprendizes das fraquezas e vícios do mundo profano, enquanto deixa entrar a Luz (o divino) e o ar (vida)?

Na parte inferior do painel da loja: o pavimento em mosaico

Amplamente representado na pintura da loja, o pavimento em mosaico é o pavimento do templo, às vezes reduzido às dimensões de uma pintura da loja, mas simbolicamente estendendo-se por toda a superfície da loja, composto alternadamente por azulejos brancos e pretos, em número igual, estendendo as duas colunas, lembrando a dualidade da vida (bem e mal, luz e escuridão, corpo e espírito, vida e morte), da força e fraqueza da nossa diversidade, assim como do nosso questionamento eterno.

Um lugar de passagem, mas também de encontro que nos permite alcançar a egrégora, o pavimento de mosaico evoca o símbolo taoista do yin e yang, que nos convida a ir além da dualidade para encontrar unidade através da trindade.

A linha de prumo e a Abobada Estrelada

A linha de prumo adorna o colar do segundo vigilante, sua verticalidade entre céu e terra simboliza a retidão, a certeza, virtudes que o segundo vigilante deve demonstrar ao acompanhar os aprendizes sob sua responsabilidade para acompanhá-los em sua busca pelo caminho.

Descendo da abóbada estrelada no meio do pavimento de mosaico, teoricamente na interseção do branco e do preto, ela nos força a baixar os olhos, um sinal de humildade e nos convida à introspecção, a olhar para dentro de nós mesmos e questionar o que são o bem e o mal.

Do pavimento de mosaico à abóbada estrelada, a linha de prumo então nos faz olhar para cima, nos guia em direção ao espiritual, nos incentiva a nos esforçar em nossa busca pelo perfeito. Ele nos faz passar da humildade indispensável para a busca iniciática de esperança em um novo homem.

O nível

O nível de fio, a joia do primeiro Vigilante representado no painel do aprendiz, é um instrumento antigo dos construtores. É composto por uma ponte triangular de madeira, no topo da qual está fixada uma linha de prumo. Ele usa a atração da terra na linha de prumo, ou escala, para apreciar sua superfície. A meio caminho da barra transversal baixa da ponte está gravada uma linha que serve como marcador e que dá a verdadeira horizontal a partir da vertical. Essa marca essencial, que indica o local por onde o fio da balança passa quando o nível está em uma superfície horizontal, os antigos construtores a chamavam de linha de fé.

No entanto, o que é digno de fé é o que é confiável e, portanto, seguro. É um símbolo de grande fidelidade ao nosso ideal, no irmão que, medindo sua interioridade para estimar a estabilidade de seu centro de gravidade e a correção de suas ações, faz de tudo para amortecer os movimentos da linha de prumo para permanecer no eixo de uma linha estimável de conduta.

Colunas B e J, as romãs, a Porta do Templo e os três degraus

A porta do Templo organiza o espaço e marca a fronteira entre dois mundos simbólicos, o profano e o sagrado. Como o vau de um rio, sinal de passagem entre duas margens, a porta permite rasgar o véu que separa o exterior (pesado e grosso, carregado de metais) do interior (mais sutil onde brilha a luz do iniciado).

Para atravessar a porta, é preciso se elevar e subir três degraus que dão acesso ao Templo.

Ainda a oeste, colocadas de cada lado, duas colunas ornamentais, herdeiras da construção do Templo de Salomão, definem o conjunto arquitetônico no qual o maçom está inscrito.

Ambas são sobrepostas por romãs com múltiplas sementes que se espalham generosamente quando maduras; eles simbolizam fertilidade e Fraternidade.

À esquerda, no lado norte, a coluna Boaz (não sei ler nem escrever, só sei soletrar). É aquela em que o aprendiz recebe seu salário; Esse nome significaria “em vigor”. À direita, no lado sul, coluna J (Jakin).

A união das duas representa equilíbrio e o lintel invisível que as conecta, parte da abóbada estrelada, já expressa a harmonia e universalidade dos símbolos.

A corda de nós

O “cordão” abrange vários símbolos, cada um dos quais pode ter vários significados:

A corda de nós delimita o espaço sagrado e só está aberta para o ocidente “para que possamos concluir fora o trabalho iniciado neste templo”.

Os laços de amor representam todos os maçons “entrelaçados” na superfície da terra e até o infinito, conectados por uma cadeia de união. Na ciência heráldica, elas são sinal de viuvez. Agora, os maçons são de fato filhos da viúva.

Os tufos de franjas  na ponta de cada extremidade da corda. Eles são compostos por inúmeros fios, como os maçons que extraem da Mãe Terra a energia que precisarão para continuar seu trabalho.

O apagamento do painel desenhado no chão da loja

Para preservar a lógica, o apagamento segue a ordem inversa adotada para o traçado. Apagam-se na ordem:

Está fechada a loja de Aprendizes Maçons.

Nota

[1] Nos casos em que a loja emprega um tapete contendo o painel da loja. São raras as lojas que empregam esse recurso. A maior parte delas tem um quadro pintado, bordado ou impresso que é colocado em local visível no início dos trabalhos.

Fonte: https://bibliot3ca.com

sábado, 23 de maio de 2026

FRASES ILUSTRADAS

PALAVRA SOLETRADA DO APRENDIZ

Em 18/03/2026 o Respeitável Irmão Vicente Miranda Neto, Loja Igualdade Santista, 2164, REAA, GOB-SP, Oriente de Santos, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte questão:

PALAVRA SOLETRADA

Uma dúvida a respeito da Palavra Sagrada no REAA. Percebo interpretações distintas sobre o tema e gostaria de suas considerações.

No Ritual do GOB - REAA - existe a descrição em azul: (Pelo lado Norte do Alt∴, o 1º Diác∴ sobe os degraus do Trono e se coloca em pé e à direita do Ven∴Mestre; este, coberto, volta-se para o 1º Diác∴ e, sussurrando, dá-lhe no ouvido dir∴, soletrada e por inteira, a Pal∴ Sagr∴; o 1º Diác∴ então se dirige ao 1º Vig∴ e, pela sua direita, transmite-lhe a Pal∴ Sagr∴ do mesmo modo que a recebeu, voltando em seguida ao seu lugar; o 2º Diác∴ se coloca à direita do 1º Vig∴ e dele recebe a Pal∴ Sagr∴, levando-a, em seguida, da mesma forma, ao 2º Vig∴ e voltando, depois, ao seu lugar).

“Obs. – Por não se tratar de um telhamento, nessa ocasião não há troca de letras entre os interlocutores; a Pal∴ é simplesmente sussur∴ letra por letra de uma só vez por quem a comunica”.

Percebo algumas lojas apenas SOLETRANDO e algumas lojas SOLETRANDO FALANDO A PALAVRA. Qual a sua interpretação?

CONSIDERAÇÕES:

Na oportunidade em que há no REAA a transmissão da palavra de Aprendiz protagonizada pelos Diáconos e as Luzes da Loja, ao final dessa transmissão, feita letra por letra por quem a transmite, não existe qualquer repetição da palavra inteira. A palavra é apenas soletrada. Reitera-se: a palavra é dada pelo transmissor de uma só vez, sussurrada, letra por letra, e é só.

Esse procedimento não pode ser confundido com telhamento, já que essa transmissão revela uma alegoria operativa que particularmente ocorre entre Mestres Maçons da
Loja.

Assim, o trecho "e por inteira", significa que o transmissor no grau de Aprendiz dá as quatro letras, seguidas, uma a uma, que compõem a palavra, não existindo, nesse grau, qualquer repetição ao final.

A regra iniciática é de que o Aprendiz, grau relativo à infância, ainda não sabe ler nem falar. Por conta disso, ele somente dá, seguidas, uma a uma, as quatro letras que formam essa palavra.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

JOSEPH FORT NEWTON


Joseph Fort Newton (1880–1950) foi um ministro protestante americano, mais tarde ordenado padre na Igreja Episcopal, e um dos mais proeminentes autores da literatura maçônica do século XX. Iniciado maçom em 1902, destacou-se por sua ativa participação em diversas lojas e cargos maçônicos, como Grande Capelão da Grande Loja de Iowa e Grande Prelado dos Cavaleiros Templários. Sua obra mais célebre, The Builders (1914), é considerada um clássico da história da Maçonaria. Além dela, publicou diversos outros livros, como The Men's House (1923) e sua autobiografia River of Years (1944), consolidando seu legado como pensador espiritual e defensor da filosofia maçônica.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

2º GRAU DA MAÇONARIA: O PARCEIRO (REAA

O segundo grau, conhecido como Companheiro, é o próximo grande passo na Maçonaria Simbólica. Uma vez que o Aprendiz purificou o seu interior e dominou as suas paixões, o Companheiro foca-se no desenvolvimento do intelecto e no estudo do universo. 

Aqui eu explico suas principais características:

O Cultivo da Inteligência: Se a primeira graduação for focada na moralidade, a segunda foca-se na ciência e no conhecimento. O maçom é convidado a estudar as artes liberais e as ciências (especialmente a Geometria) para compreender as leis da natureza e do universo.
 
A Estrela Flamigera e a Letra "G": Seu símbolo principal é uma estrela flamejante de cinco pontas com a letra "G" no centro. Esta letra representa Geometria, Geração, Gênio e "Grande Geometra do Universo". A estrela simboliza o fogo intelectual que ilumina a mente humana.

A Pedra Cúbica: Diferente do Aprendiz que lida com a pedra bruta, o Companheiro trabalha na pedra cúbica. Esta representa um caráter já educado, equilibrado e perfeitamente esculpido, pronto para se encaixar na construção do templo da humanidade.

As Ferramentas de Medição: Você é presenteado com novas ferramentas alegóricas, como o esquadrão, o nível e o prumo. Estas representam a retidão das ações, a igualdade entre os seres humanos e a verticalidade ou retidão moral em todas as suas decisões.
 
A Voz e a Ação: Diferente do Aprendiz, cujo dever é o silêncio absoluto, o Companheiro já pode falar na logia sob certas condições. Passa de uma atitude passiva de absorção para uma fase ativa, onde aplica o que aprendeu através do trabalho constante e do esforço físico e intelectual.

Em resumo, o segundo grau é um apelo à ação intelectual e ao trabalho incansável. Ensina-nos que as boas intenções devem ser complementadas com educação, ciência e esforço para serem verdadeiramente úteis à sociedade.

Fonte: Facebook_La Caja de Los Porqués

sexta-feira, 22 de maio de 2026

FRASES ILUSTRADAS

AUSENTE E SEU SUBSTITUTO

Em 18/03/2026 o Respeitável Irmão Rodrigo Paim, Loja Sesquicentenário, 1915, REAA, GOB-RJ, Oriente de Angra dos Reis, Estado do Rio de Janeiro, formula a pergunta seguinte:

AUSENTE

Meu irmão, perdoe importunar, na medida do possível gostaria de tirar uma dúvida contigo sobre ritualística. O ponto basicamente é o mesmo, mas em situações diferentes:

1) Quando da circulação em Loja, seja do Tronco ou o Saco de Propostas, quando não há AApr∴ e CComp∴ é permitido que quem estiver circulando suprima as passagens pelas respectivas colunas?

2) Na transformação de Loja para o Gr∴ 2 (ser para o Gr∴ 3 também) quando não há AApr∴ é
permitido que o V∴ M∴ pule a fala sobre o M∴ CCer∴ fazer cobrir o templo os IIr∴ AApr∴ (CComp∴ no caso se for para Gr∴ 3)?

Essas dúvidas surgiram em nossa loja, uns entendendo que é preciso seguir o ritual independente dessa condição, outros achando que não faz sentido. Como não há essa previsão em regra, gostaria muito de um aconselhamento seu, caso possível. Desde já agradeço meu grande irmão!

CONSIDERAÇÕES:

1 - Durante a circulação das bolsas (Propostas e Informações ou Tronco), não havendo de quem efetuar a coleta, por uma questão de lógica, é dispensável o deslocamento do titular para a coluna. 

Esse é um caso que não pode ser tomado como alteração do ritual, pois seria inadequado se dirigir a alguém que não esteja presente.

2 - É basicamente mesmo caso da questão nº 1, pois se não há quem precise se retirar (ter o templo coberto), não faz sentido Venerável mandar cobrir o templo para aquele(s) que não esteja(m) presente(s). 

Pela obviedade da situação, isso também não pode ser tratado como alteração do ritual.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br