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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

domingo, 19 de julho de 2026

FRASES ILUSTRADAS

VOTAÇÃO NOMINAL EM LOJA DE COMPANHEIRO

Em 01/05/2026 o Respeitável Irmão Silvestre Pereira das Neves, Loja Dever e Humanidade, 860, REAA, GOB-PE, Oriente de Caruaru, Estado de Pernambuco, apresenta a seguinte pergunta:

VOTAÇÃO EM GRAU 02

Dúvida: em reunião em Loja de Companheiro surgiu assunto necessário de votação, está em ata, posteriormente irmãos questionaram que teria que ter sido em loja de aprendiz, para se ter havido a votação, isso procede? Pode o mesmo assunto ser votado duas vezes? isso anularia a votação já constando em ata?

CONSIDERAÇÕES:

Em que pese este não ser propriamente um assunto de liturgia e ritualística, darei a minha opinião. Em face a isso, rogo para que a mesma não seja considerada como laudatória.

Assim, entendo que se o assunto posto em votação nominal não for de interesse dos Aprendizes (de fato e de direito), nada impede que seja votado em Loja de Companheiro, até porque o período pertinente à Ordem do Dia é encontrado nos rituais de Aprendiz, Companheiro e Mestre.

Também sou da opinião que não existem duas votações para um mesmo assunto, mormente aquele que já passou por votação.

Dado a isso, penso que seja possível haver votação em Lojas de 1º, 2º e 3º Grau, lembrando que individualmente cada assunto que irá para votação nominal carece antes de parecer do Orador (Guarda da Lei).

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

BREVIÁRIO MAÇÔNICO

O DEVER

O dever é uma obrigação que é observada como princípio; existem múltiplos deveres a serem observados pelos homens, sendo os principais; deveres para com Deus; deveres para com a família; deveres para com o próximo; deveres com a pátria e deveres para consigo mesmo.

Os deveres maçônicos não vêm catalogados, mas brotam ao passo quer surgem, por meio do conhecimento.

Nada é imposto na Maçonaria, mas o maçom tem consciência do que deve cumprir e observar.

Os deveres marcham paralelamente com os direitos; ninguém poderá exigir um direito enquanto não observar os deveres.

O maçom, para obedecer os preceitos dos regulamentos, deve seguir as normas que lhe são estabelecidas.

O impulso interno comanda os atos que o maçom deve praticar ou abster-se de produzir. Obviamente que a cada grau que o maçom alcança, novos deveres deverá observar; o ato de prestar auxílio ao próximo não constitui em si um dever, mas o reflexo de uma personalidade bem formada.

A maioria, no mundo profano, pleiteia direitos sem dar-se conta dos deveres que lhe são impostos.

O maçom cumpre seus deveres porque é um Iniciado.

Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014, p. 124.

A MÚSICA E A FRATERNIDADE DOS HOMENS LIVRES

Relacionar a música e a fraternidade dos homens livres evoca o ideal de que a arte musical transcende barreiras, promovendo a união, a igualdade e o pensamento autônomo. Historicamente, essa conexão profunda é celebrada desde o clássico Hino à Alegria de Beethoven até tradições filosóficas que usam a música como via de elevação moral.

Dialogando com ideais de liberdade, igualdade e solidariedade, presentes em princípios maçônicos e humanistas que defendem o desenvolvimento cultural como um caminho para a emancipação do ser humano, a música se estabelece como uma loquaz linguagem universal capaz de harmonizar a diversidade e de aproximar os indivíduos.

Da pré-história aos dias atuais, a música assume papel fundamental ao servir como forma de comunicação, expressão de emoções, celebração, preservação cultural e afirmação de identidade. Artistas e grupos musicais atuam como embaixadores culturais, transmitindo a essência de suas origens e enriquecendo o panorama musical global.

Indubitavelmente, a Flauta Mágica (Die Zauberflöte) é a obra mais genial de Wolfgang Amadeus Mozart. Estreada em 1791, a ópera funciona como uma fábula iniciática repleta de ideais iluministas e maçônicos, onde a jornada dos protagonistas simboliza a transição das trevas da ignorância para a luz da sabedoria e da fraternidade universal.

Na trama, o príncipe Tamino representa o buscador da verdade que, guiado por uma flauta mágica, precisa superar provas severas de coragem e silêncio impostas pelo sacerdote Sarastro. A jornada é uma clara representação da iniciação maçônica, onde o aspirante deve vencer os medos e as ilusões para alcançar o autoconhecimento.

Nela percebemos alguns dos simbolismos mais marcantes, dentre os quais: a Rainha da Noite que manifesta o lado obscuro, as paixões cegas, o obscurantismo e a manipulação. Sarastro e o Templo da Luz, representam a razão, a verdade, a tolerância, o bem e a fraternidade. O número 3 que reflete a estabilidade, o equilíbrio e a trindade.

Mergulhado em prazeres materiais e imediatos da vida, o homem-pássaro contentando-se com a vida terrena sem aspirações intelectuais é o contraponto cômico e essencialmente humano ao idealismo de Tamino. O príncipe que representa o iniciado. Ele começa a jornada cego e perdido, buscando a sabedoria e o amor verdadeiro.

A Flauta Mágica, feita de ouro – materializa a máxima pureza espiritual e a iluminação – moldado sob o som do trovão antigo – exprime a força da justiça divina e a expulsão das forças das trevas e da ignorância – consubstancia o poder da música e da harmonia que transformam emoções negativas e guiam o homem em suas provações.

As provas do silêncio, de água e do fogo cumprem a purificação dos elementos necessários para que o homem supere seus medos e domine suas paixões humanas, já que, a verdadeira nobreza não vem do sangue ou de títulos de realeza, mas sim, do caráter e do coração humano nos quais vicejam liberdade, igualdade e fraternidade.

O lema Liberté, Égalité, Fraternité, consagrado historicamente, encontra seu real significado quando praticado de dentro para fora, através das suas atitudes diárias. Afinal, se o que buscas não o achares primeiro em si, jamais o encontras em lugar algum e não lho poderás manifestar a bem de si, do progresso e da felicidade de todos.

Feliz, a "Ode à Alegria" (An die Freude), escrita por Friedrich Schiller em 1785 e imortalizada na Nona Sinfonia de Ludwig van Beethoven, nos chega como símbolo do triunfo Iluminista e dos ideais humanistas. Manifestando a fraternidade universal, a liberdade e a superação das divisões sociais através do amor e da união entre os homens.

Nela percebemos muito mais do que felicidade, movimenta uma força cósmica e criativa (centelha divina) que une a humanidade e iguala todos os indivíduos perante o Criador. O famoso verso "todos os homens se tornarão irmãos" reflete a superação das barreiras criadas pelas convenções sociais e políticas que obstam a igualdade e a fraternidade.

A Ode à Alegria, que manifesta a crença de que a humanidade, guiada pela razão e pela compaixão, pode alcançar a harmonia e viver em paz, tornou-se um hino global de liberdade – que inexiste onde não respiram a igualdade e fraternidade – utilizada em momentos de grande mudança histórica, como a queda do Muro de Berlim.

Schiller eleva a alegria a uma categoria espiritual e filosófica. Chamada de "Funken aus Elysium" (Centelha do Elíseo), ela conecta diretamente com o sagrado, uma dádiva divina que habita o interior de cada ser humano para guiá-lo ao bem. A alegria é a força que move os astros e os ciclos da natureza, que dá sentido à vida e ao amor.

Amor notabilizado no verso mais famoso da Ode à Alegria, "Deine Zauber binden wieder, was die Mode streng geteilt" (Teu feitiço une novamente o que a moda rigidamente separou). Sendo o vetor de superação das divisões de classes e fronteiras – e de robustecimento das colunas que sustentam a inclusão social: identidade e pertencimento.

Evocar Jean-Sibelius, compositor finlandeses de fértil veio que compôs peças exclusivas para rituais maçônicos – como a famosa suíte Musique Religieuse –, embora sua lavra não se resuma apenas à maçonaria. É, também, celebrizá-lo como o "pai" da identidade musical finlandesa, por suas sinfonias e pelo poema sinfônico Finlândia.

Sibelius foi um membro ativo da Suomi Lodge No. 1 em Helsinque, tendo, também, atuado como o grande organista da Grande Loja da Finlândia, da qual ele recebeu a tarefa de criar uma trilha sonora original para as cerimônias. Apesar do segredo que envolve a fraternidade, a beleza das melodias foi arranjada para concertos públicos.

A obra de Sibelius cobrir todas as etapas rituais da loja: Avaushymni (Hino de Abertura); Marchas e cortejos processionais (como Salem ou Onward, Ye Brethren); Veljesvirsi (Ode à Fraternidade), adicionada em 1946 e considerada uma de suas últimas composições originais; e a Marche funèbre, composta para o luto maçônico.

Não é à toa que a música, segundo Charles Darwin, proporciona uma vantagem evolutiva, facilitando a corte, o desenvolvimento de laços entre mães e bebês, como também, fortalecendo a cooperação social e a unidade em grupos. Através da música, os valores, crenças e costumes de uma sociedade são refletidos e perpetuados, desempenhando um papel crucial na formação cultural a bem do homem.

A música conta a História, sendo além de um adereço da história, uma fonte histórica em si mesma. Desde ritmos primitivos até sinfonias complexas, ela narra tradição e descreve as identidades de diferentes povos, sendo um motor para o florescimento da espécie humana em suas dimensões pessoais, laborais, empresariais e sociais. 

A música viceja felicidade e a felicidade conduz a evolução humana. Pessoas felizes demonstram melhor capacidade de lidar com desafios, possuem um senso de propósito mais exato e contribuem para a melhoria coletiva a partir da criatividade e do desenvolvimento de relações interpessoais saudáveis, contribuindo para um mundo mais fraterno.

Como linguagem universal, a música permite ao ser humano expressar seus sentimentos mais profundos, contribuindo para a interação social e o desenvolvimento afetivo, pois, agrega e humaniza. Ela ativa o sistema límbico, responsável por emoções, liberando neurotransmissores que aumentam o prazer e a sensação de plenitude

Sendo um espelho sonoro da jornada humana, a música manifesta as emoções, as lutas e as esperanças que compõem este caminhar. Ao ecoar essas vivências, ela une as pessoas, fortalecendo os laços de fraternidade e inspirando ideais de liberdade, empatia e respeito mútuo, que alimentam a igualdade sobre a qual os homens livres têm felicidade.

Fonte: https://brunobmacedo.blogspot.com

sábado, 18 de julho de 2026

FRASES ILUSTRADAS

TRAJE MILITAR NA MAÇONARIA

Em 01/05/2026 o Respeitável Irmão Fábio Martins, Loja Obreiros do Vale do Pirapitinga, 4282, REAA, GOB MINAS, Oriente de Bonsucesso, Estado de Mina Gerais, apresenta a pergunta seguinte:

TRAJE MILITAR

Gostaria de sua orientação sobre o seguinte assunto:

1) É permitido ao Ir∴ militar participar da sessão fardado usando o avental? Em sessão ordinária e em sessão magna?

No nosso Ritual explica sobre o traje maçônico (página 33, REAA), mas não informa sobre esta questão. Informa que em sessão magna faz o uso de terno preto ou azul marinho e em ordinária é permitido o uso do balandrau, com calça, meias e sapatos pretos.

Desde já agradeço e aguardo retorno.

CONSIDERAÇÕES:

Parto sempre do seguinte princípio: seguir o que estiver previsto no ritual em vigência. 

Assim, desconheço qualquer orientação para o uso de traje militar nas sessões maçônicas do REAA. 

Ao contrário, o ritual é bem claro na determinação dos trajes que devem ser usados nas sessões ordinárias e magnas.

À vista disso, o que não está no ritual, não deve ser feito.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

JEAN MACÉ


Jean François Macé (Paris, França, 22 de agosto de 1815 - 13 de dezembro de 1894, Monthiers, França) foi um escritor, educador, professor, jornalista, e político francês.

Vindo de uma família operária, com pai caminhoneiro, teve uma excelente carreira acadêmica no “Collège Stanislas”, estabelecimento de ensino católico. E ainda jovem, começou a escrever, para o jornal “La République”.

Como professor, concebeu a ideia de escrever livros de divulgação científica para crianças, como “L’Histoire d’une bouchée de pain, lettres à une petite fille sur nos organismes et nos fonctions” (A História de uma Mordida de Pão, Cartas a uma Menina sobre Nossos Órgãos e Funções ), publicado em 1861, que foi um grande sucesso, como também a sua continuação “Les Serviteurs de l’estomac pour faire suite à l’histoire d’une bouchée de pain (Os Servos do Estômago, uma sequência da história de um pedaço de pão).

Ele trabalhou para educar as massas fundando o “Magasin d’éducation et de récréation” (Revista de educação e recreação). Em 1866 foi criador da “Ligue de l’enseignement” (Liga da educação), que lutou pelo estabelecimento de escolas gratuitas, obrigatórias e laicas.

Foi iniciado na Maçonaria em junho de 1866, durante as celebração do solstício na Loge Maçonnique “La Parfaite Harmonie” (Grand Orient de France) em Mulhouse, França.

Fonte: COLUNA CULTURAL MAÇÔNICA

GEOMETRIA COMO BASE DA MAÇONARIA

A Geometria foi considerada uma das ciências mais nobres, porque permite descobrir as proporções ocultas da natureza e compreender a ordem que sustenta a arquitetura do universo.

Através dela, o ser humano aprendeu a medir, traçar, construir e levantar obras capazes de resistir ao passar do tempo. Dos seus princípios nasceram templos, cidades, monumentos e estruturas que ainda provocam admiração.

Mas na Maçonaria a Geometria não se limita à construção material. Também representa a construção interior do ser humano. Assim como o arquiteto traça seus planos antes de levantar uma obra, o iniciado deve ordenar seu pensamento antes de construir sua vida.

As ferramentas da arquitetura foram adotadas como símbolos para gravar na memória ensinamentos morais: retidão, proporção, equilíbrio, ordem e harmonia.

O tempo pode destruir monumentos, templos e cidades; a ignorância pode obscurecer épocas inteiras; a guerra pode derrubar as obras visíveis do homem. No entanto, a Maçonaria manteve seus princípios através de símbolos, palavras e ensinamentos transmitidos de geração em geração.

Na Maçonaria com Consciência lembramos que toda ciência verdadeira deve levar à sabedoria. Porque a Geometria não só ensina a medir o mundo exterior: também convida a medir nossos atos, corrigir nossas paixões e construir uma consciência mais justa, firme e luminosa.

Fonte:Facebook_Maçonaria com Consciência

sexta-feira, 17 de julho de 2026

FRASES ILUSTRADAS

MAÇONARIA SEM CONTEÚDO É SÓ PROTOCOLO

O SILÊNCIO E O APRENDIZADO

O silêncio é uma das primeiras disciplinas do verdadeiro aprendizado.

Na tradição inicática, não representa a ausência de palavras, mas a presença de atenção, prudência e reflexão. É o espaço onde o ruído do mundo cessa e começa o trabalho sobre si mesmo.

Assim como a pedra bruta requer o cinzel e o baralho para revelar a forma que carrega dentro de si, o ser humano precisa de momentos de silêncio para reconhecer suas imperfeições, dominar suas paixões e fortalecer suas virtudes.

Cada momento de reflexão é mais um golpe nessa pedra que todos nós carregamos dentro de si. Não para destruí-la, mas para torná-la uma obra útil, firme e digna de fazer parte do Templo Interior.

O verdadeiro construtor entende que antes de ensinar deve aprender; antes de dirigir, deve obedecer; e antes de falar, deve escutar.

Talvez por isso os antigos afirmassem que **o silêncio é a primeira pedra do Templo da Sabedoria**, porque só aquele que aprende a ouvir a si mesmo pode aspirar a compreender os outros e contribuir, por exemplo, para a construção de uma sociedade mais justa, livre e fraterna.

Que o silêncio de hoje seja o alicerce da palavra sábia de amanhã.

Fonte: Facebook_ARLS Talispetram nº 200

quinta-feira, 16 de julho de 2026

FRASES ILUSTRADAS

INGRESSO NA MAÇONARIA E MEMBRO HONORÁRIO

Em 01/05/2026 o Respeitável Irmão João Marcos Boim de Freitas, Loja Obreiras da Paz, REAA, GOB MINAS, Oriente de Piraúba, Estado de Minas Gerais, apresenta as seguintes perguntas:

INGRESSO NA MAÇONARIA

1 - Em uma discussão (não no sentido de briga) com um outro irmão do quadro eu lhe disse que a forma do profano entrar para a maçonaria é através do convite de um irmão, aí ele disse que não que o profano pode enviar uma carta ao Ven∴ Mestre falando do seu interesse de entrar na Ordem, procede?

2 - Como o irmão tem uma participação maior até em outras lojas do GOB e até de outras potências, o irmão tem algum conhecimento se nas Grandes Lojas se não estiver presente o Ven∴ Mestre, o 1 Vig∴ e o 2 Vig∴ não pode ter sessão ordinária?

3 - Do escrutínio secreto só participam os membros do quadro, no caso de membros honorários eles podem participar do escrutínio secreto?

CONSIDERAÇÕES:

1 – Recomendo ao Irmão que busque informação no site da Obediência Estadual. Existem plataformas disponíveis para atender essas reivindicações. Recomendo também consular a Secretaria Estadual da Guarda dos Selos.

Lembro que este não é propriamente um assunto de liturgia e ritualística.

2 – Penso que é prudente não se fazer comentários sobre procedimentos de outras Obediências. É bom lembrar que muitas vezes recebemos informações contraditórias que merecem antes serem averiguadas.

3 - Membro Honorário é apenas um título honorífico concedido por uma Loja para um Irmão, que pode ser, inclusive, de outra Obediência reconhecida. Por conta disso, o Irmão agraciado não se torna membro efetivo do quadro, pois ele não possui obrigação de frequência e nem recolhe metais junto à Loja que o agraciou. Membro Honorário é um visitante agraciado, não podendo, como tal, participar do Escrutínio Secreto.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

DOMENICO ANGHERÀ

Por Luciano J. A. Urpia

Domenico Angherà (1803-1873) foi uma das personagens mais controversas entre a Igreja e a Maçonaria italiana (na época da Unificação da Itália). Era abade beneditino, arcipreste católico e, simultaneamente, patriota radical e maçom. Sua vida foi um exercício de conciliação entre a batina e o avental, a paróquia e a Loja, a Teologia e a Revolução.

Sua trajetória maçônica começou após envolver-se na Insurreição de 1847 que o obrigou a se exilar em Malta. Iniciado na Maçonaria na Sicília, no exílio colaborou com o patriota Nicola Fabrizi. De volta à Itália em 1860, fundou a Loja "Sebezia" e tornou-se Grão-Mestre do Grande Oriente de Nápoles, expandindo sua Obediência de 23 para mais de 50 Lojas, inclusive no Egito. Vestia paramentos maçônicos sobre a batina e desenvolveu uma teologia própria: reinterpretou a Trindade como "Ar, Água e Fogo" e o INRI cristão como "Igne Natura Renovatur Integra" (Pelo fogo, a Natureza se renova por completo).

Sua posição era tão singular que chegou a lançar um comunicado maçônico contra o Grande Oriente de Roma, assinando como representante legítimo da Maçonaria napolitana. Em sua villa em Sant'Elmo, recebia visitantes do mundo inteiro em um verdadeiro "bazar" maçônico, onde vendia patentes, diplomas e publicações. Acusado de lucrar com iniciações, foi expulso da Ordem, após um processo que revelou a arrecadação de 140 mil liras. Morreu aos 70 anos, deixando a imagem de "maçom controverso" da Maçonaria italiana.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

GIORDANO, O VISIONÁRIO

E. Figueiredo (*)

Que ingenuidade pedir a quem tem poder para mudar o poder! (Giordano Bruno)

Renascimento (ou Renascença) foi caracterizado por profundas transformações no continente europeu. Trata-se de um período de grandes mudanças e conquistas culturais que ocorreram na Europa entre o século XIV e o século XVI, que marca a passagem entre a Idade Média e a Idade Moderna. Os horizontes político-geográficos alargaram-se com os descobrimentos do caminho das Índias e das Américas. O comércio, indústria, classe social e o universo cultural cresceram, e a economia européia deixou de gravitar dentro das limitações dos feudos medievais. Todas as áreas sofreram transformações as quais não se fizeram sem conflitos profundos. Significavam, de maneiras diversas, a derrocada de uma ordem espiritual, social e econômica, que há séculos constituía o cerne da vida no Velho Mundo. Esse período histórico, mais que qualquer outra época, foi verdadeiramente uma transição. Os tradicionais setores ameaçados reagiram e enfrentaram as inovações, por vezes com violência levando à morte alguns representantes da nova mentalidade. E foi o que aconteceu com uma das figuras mais representativas da Renascença italiana, que foi GIORDANO BRUNO. Quando recordamos os heróis da liberdade de consciência e de pensamento é esse o nome que brilha como uma estrela de primeira grandeza entre muitos outros: GIORDANO BRUNO !

Como filósofo, astrônomo e matemático, Giordano Bruno foi importante pelas suas teorias sobre o Universo infinito e a multiplicidade dos sistemas siderais. Foi dono de uma personalidade peculiar: revelador e escarnecedor de superstições e hipocrisias, tanto mundanas como religiosas sem temor de enfrentar os dogmas da época, frade impaciente e rebelde perante os limites internos da sua vocação de regular, filósofo inspirado e polêmico, mas sensível ao conflito das heranças e das vigências culturais. Esteve sempre fascinado em prover, com embasamento filosófico, as grandes descobertas de seu tempo.

Há quem não compreenda o posicionamento de Giordano Bruno e tenta compará-lo a um vadio, um filósofo andarilho ou a um poeta errante, e é incapaz de vinculá-lo, diretamente, à linha do progresso moderno. Mas quem o compreende, sabe que ele foi um pioneiro que acordou a Europa de seu sono intelectual e foi martirizado em virtude de seu entusiasmo. Foi chamado, por Pierre Bayle (1647-1706), de “o cavaleiro errante da filosofia”, tendo sido comparado com Dom Quixote de La Mancha !

Bernardo Spaventa (1817-1883), entretanto, se pronunciou com expressão diferente dizendo que Giordano Bruno era o “arauto e mártir da nova e livre filosofia”.

Muitos tentam associar Giordano Bruno à Maçonaria porque ele acreditava na liberdade, tolerância e no direito de dizer o que se pensa não importando o reino ou o ducado em que o acolhiam. O seu fascínio por formas e maneiras diversas de perceber-se no mundo derivou dele ver o Universo composto por um número limitado de letras elementares em formas geométricas, triângulos, quadrados, círculos e pirâmides, como u´a maneira de encontrar escapes para a crescente opressão teológica exercida pelo catolicismo contra- reformista. No seu entendimento, a antiga e verdadeira filosofia não era feita de dogmas, mas da liberdade de duvidar e indagar, e da liberdade de construir hipóteses. Afirmava que a liberdade de indagar é a oposição mais poderosa aos totalitarismos teológicos e políticos, e acreditava que é a partir dela que nasce a razão grega. Tornou-se símbolo da luta pela liberdade de pensamento e de expressão. Obviamente, apesar de involuntária, não deixa de ser uma identificação e uma contribuição Maçônica, que prega levantar-se contra os dogmas (que cria a miséria, espalha a opressão, apaga a identidade cultural dos povos, mutila a razão). É o dever de todos os homens que amam a liberdade, porque eles são o seu oposto absoluto.

A época de Giordano Bruno foi de grande movimentação intelectual na Europa. Quando jovem dominicano, empolgado pelas idéias aristotélicas e tomistas – em baixa sob os papas daquele tempo – viajara por todo o continente, e nele pressentia o próximo nascimento daquele sol, o da  antiqua e vera filosofia. Considerado um pioneiro da filosofia moderna, foi um homem que viveu a frente do seu tempo.

É no século XVI que a filosofia se liberta da religião e propicia que a ciência moderna nasça a partir dela, eliminando o julgamento de que a ciência não está para a busca da verdade

na propriedade lógica de conceitos, mas, sim, através de lentes de microscópios e telescópios. Apesar de não ser um cientista, nessa transição, Giordano Bruno torna-se a figura principal. A grandeza e os limites de Giordano Bruno vincularam-se à sua condição de filósofo. Sua audácia cosmológica derrubou a construção aristotélica tirando as últimas conseqüências. E, mesmo não sendo um sábio, desprezou as matemáticas, permanecendo, ainda, impregnado das instituições animistas: a vida, a magia, o mito da unidade e outros tantos obstáculos. Ensinava a imanência da divindade em tudo que existe, Deus e o Universo constituindo um único ser animado do mesmo poder e experimentando igual perfeição. Por suas idéias revolucionárias e contrárias aos dogmas da Igreja (tanto Católica quanto da Protestante), foi aprisionado em masmorras escuras e fétidas, entre 1593 e 1600. Muitas vezes foi forçado a renegar seus escritos e suas idéias, porém sempre permaneceu firme e intransigente na defesa do que pregava.

O grande filósofo italiano Giordano Bruno, cujo nome verdadeiro era Filippo Bruno, nasceu (1548) em Nola, no então Reino de Nápoles, na Campônia, sul da Itália. Estudou filosofia e literatura em Nápoles e, mais tarde, teologia no Monastério de San Domenico Maggione. Era possuidor de tenaz memória e de uma extraordinária inteligência. Em 1572 se ordenou sacerdote, abandonando em 1576, quando pôs em dúvida muitos dos ensinamentos sobre o cristianismo, o que o tornou suspeito de heresia. Abandonou o hábito e evadiu-se para o norte da Itália, território que não estava sujeito às ordens monásticas, escapando, assim, tanto da Inquisição napolitana como do Santo Ofício de Roma. Todavia, acabou sendo queimado em público graças a uma reinterpretação radical do preceito de Cristo de dar a outra face quando se é ofendido.

O monge dominicano, concluem alguns pensadores daquela época, ao negar o dogma da Santíssima Trindade, e ao somar-se ao entendimento cósmico de Copérnico, negava o cristianismo, tal como a Igreja o apresentava, entretanto sem negar Deus, do qual tinha particular concepção. Embora essa concepção não fosse estruturalmente pagã, era pré-cristã, na busca de explicação para o universo, mas cristã, na ascensão do mundo, porque se rebelava, como Jesus Cristo se havia rebelado, contra o poder dos dogmas. O intuito maior de Giovanni Bruno era, com sua dúvida criadora, retornar à razão lógica antiga, aquela iluminada pelo sol das ilhas mediterrâneas.

Na ótica de Giordano Bruno, no Homem encontra-se o reflexo da plenitude e Deus não seria o criador do Universo, mas sim, o próprio Universo. É inegável a influência que exerceu sobre os filósofos de seu tempo e nos muitos que viveram anos depois, como o holandês Baruch de Espinosa (1682-1677) e no pensador alemão Gottfried Wilhem von Leibniz (1646-1716). Essas teses iam contra o pensamento dominante da época: o da Igreja Católica. Ele foi forçado a abandonar a ordem dos dominicanos em 1575 e passou a lecionar em várias universidades da Europa: em Genebra (Suíça), Paris (França), Londres e Oxford (Inglaterra), Frankfurt, Wittenberg e Helmsstadt (Alemanha), e Praga (República Tcheca). Giordano Bruno se aproximou do calvinismo e do luteranismo, porém foi excomungado, tanto da Igreja Católica como da Protestante.

Nos intervalos das aulas, que ministrava, Giordano Bruno escreveu alguns dos seus principais livros: “Despacho da Besta Triunfante”, “A Ceia das Cinzas”, “As Sombras das Idéias”, “Cabala do Cavalo Pégaso) e a sua obra-prima “Sobre o Infinito, o Universo e os Mundos”. Escreveu e publicou, também, em Paris, uma comédia: Il Candelaio.

Em seus períodos nesses centros de estudo, Giordano Bruno conquistou muitos admiradores, mas, em contra partida, grandes inimigos. Muitas vezes se queixava: “Se eu manejasse um arado, pastorasse um rebanho, cultivasse uma horta, remendasse uma veste, ninguém me daria atenção, poucos me observariam, raras pessoas me censurariam e eu poderia, facilmente, agradar a todos. Mas, por ser eu delineador do campo da natureza, por estar preocupado com o alimento da alma, interessado pela cultura do espírito e dedicado à atividade do intelecto, eis que os visados me ameaçam, os observados me assaltam, os atingidos me mordem, os desmascarados me devoram. E não é só um, não são poucos, são muitos, são quase todos !”

No ano de 1581, o nobre veneziano Giovanni Mocenigo (1508-1585), católico fanático, convidou Giordano Bruno para retornar à Itália e dar- lhe aulas de técnica de memorização, tema sobre o qual o filósofo Bruno tinha efetuado várias pesquisas. Acreditando nas garantias de proteção, dadas por Giovanni Mocenigo, ele foi para Veneza. Entretanto, insatisfeito com os resultados obtidos nas aulas, seu aluno prendeu o filósofo e o entregou às autoridades eclesiásticas, e foi transferido para Roma em 1593, onde durante sete anos foi julgado por heresia e blasfêmia.


Depois de diversas tentativas para convencê-lo a se retratar sobre suas teses revolucionárias, Giordano Bruno acaba sendo condenado à fogueira, sob a acusação de heresia e por pensamento e idéias contra a Igreja Católica. No dia 8 de Fevereiro de 1600 a sentença de condenação de Giordano Bruno foi lida na Igreja de Santa Inês, firmada por Roberto Bellarmino e outros cardeais inquisidores expondo as circunstâncias do processo que foi disposta da seguinte maneira:

“Decidimos, pronunciamos, sentenciamos e te declaramos, frade Giordano Bruno, ser herege, impenitente, pertinaz e obstinado, e por isso deves incorrer em todas as censuras eclesiásticas e penas dos santos cânones, leis e constituições tanto gerais como particulares que se impõem a tais hereges manifestos, impenitentes, pertinazes e obstinados; e como tal te degradamos verbalmente e declaramos que deverás ser degradado de fato, como ordenamos e mandamos, de todas as ordens eclesiásticas maiores e menores em que hajas sido constituído conforme as disposições dos santos cânones, e deverás ser separado, como te separamos de nosso foro eclesiástico e de nossa santa e imaculada Igreja, de cuja misericórdia tens demonstrado ser indigno; e deverás ser entregue, e te entregamos ao tribunal secular, a Corte de Monsenhor Governador de Roma, aqui presente para castigar-te com a pena devida, contudo rogando-te ao mesmo tempo eficazmente que digne mitigar o rigor das leis concernentes à pena de tua pessoa, que esteja isenta do perigo da morte ou da mutilação de membros. Ademais, condenamos, reprovamos e proibimos todos os livros e escritos teus acima mencionado e outros, como heréticos, errôneos e abundantes de muitas heresias e erros, ordenando que daqui em diante todos os que se encontrem agora ou se encontrarem no futuro em mãos do Santo Ofício sejam desfeitos e queimados publicamente na praça de São Pedro, diante da escada, e como tais sejam postos no índice de livros proibidos, e faça-se como ordenamos. Assim dizemos, pronunciamos, sentenciamos, declaramos, mandamos e ordenamos, excomungamos, entregamos e rezamos, procedendo nisso e no resto de um modo incomparavelmente menos duro que de rigor podemos e devemos.”

Durante os sete anos do processo, Giordano Bruno tentou separar a filosofia da teologia católica, que dizia respeitar. Quando lhe exigiram rejeitar suas idéias, decidiu enfrentar a fogueira, que é a forma mais penosa de morrer. Ao ouvir a sentença e mediante à relutância dos seus algozes, com ironia serena disse: “Vocês pronunciam essa sentença contra mim com um medo maior do que eu sinto ao recebê-la !” (Marjori forsan cum timore setentiam in me fertis quam ego accipiam !) Após a sentença, foi lhe concedido mais oitos dias para se “arrepender”, o que obviamente não o fez.

A solicitação de mitigação da pena, e de isenção da pena de morte, era apenas pró-forma, pois visava apenas eximir a Inquisição da responsabilidade da pena capital. O tribunal secular ficava encarregado de mandar o sentenciado à fogueira, sob pena de responder pela desobediência. Condenado, em 17 de Fevereiro de 1600 Giordano Bruno foi levado para o campo de execução pelos verdugos, montado numa mula, o meio de transporte tradicional dos enviados à morte. Estava amordaçado com uma ponta fina de aço cravada em sua língua e foi amarrado, com uma corrente de ferro, a um poste colocado no centro da praça e atearam fogo. Enquanto estava morrendo queimado, recebeu um crucifixo para se “purificar”, porém jogou-o longe, com um desprezo feroz. As últimas palavras de Giordano Bruno foram: “Morro como mártir e por minha própria vontade !”

A maneira resoluta e contundente como defendeu, a vida toda, as suas convicções filosóficas, que eram consideradas heréticas pelo Santo Ofício, e o desenlace trágico que pôs fim à sua vida, fizeram do filósofo Giordano Bruno um ícone manchado de um mundo e de uma época em que línguas de fogo açoitavam de trevas a luz dos espíritos discordantes à quem detinham algum poder. Seus trabalhos foram incluídos no famigerado “Santo Index” (Lista de livros considerados sacrílegos pela Igreja Católica, e proibidos de serem lidos.). Não obstante, quatro séculos após a execução de Bruno, suas idéias continuam a provocar debates em universidades e instituições religiosas, todavia, ele nunca foi perdoado pela Igreja, que atualmente alega que a Inquisição estava errada em executá-lo, porém, certa por rejeitar suas heresias. Uma estátua foi erguida no lugar da fogueira que o cremou, tão logo ali cessou o poder opressor para perpetuar a sua imagem. Giordano Bruno se constituiu numa figura simbólica sempre lembrada, citada e rememorada, independentemente de qual seja a consistência de suas argumentações, com destaque na área ciência-filosófica.

Houve uma verdadeira “Brunomania” na Itália, no século XIX, com os escolares estudando e perseguindo, com grande ansiedade, os ensinamentos e os trabalhos de Giordano Bruno, classificando-o como um livre pensador futurista, visionário, filósofo e mártir da ciência. A Maçonaria italiana, sempre muito forte, destacava seu trabalho e sua filosofia de vida, enquadrando-os nos conceitos da Sublime Ordem, divulgando-os junto às Lojas jurisdicionadas.

Giordano Bruno pode não ter sido Maçom, todavia, não lhe faltaram atributos, qualidades e características de um idealista capaz de morrer por suas mais profundas crenças para defender as suas idéias, o que o consagraria, de maneira incomparável, para que fosse um grande Obreiro da Sublime Ordem !....

ES.IR.EIIT

Bibliografia:

Abril Cultural - Os Pensadores – Vários autores

Alquié, Ferdinad - Bernhardt, Jean, e outros – A Filosofia do Mundo Novo Bombassaro, Luiz Carlos – Giordano Bruno e a Filosofia na Renascença

Bossy, John – Giordano Bruno e o Mistério da Embaixada Drewermann, Eufen – Giordano Bruno o el Espejo de Infinito Fichte, Johann Gottlieb – Filosofia da Maçonaria

Franca, Leonel Padre – Noções de História da Filosofia Ordine, Nuccio – O Umbral da Sombra

Yates, Frances – Giordano Bruno e a Tradição Hermética

(*) E. Figueiredo - é jornalista - Mtb 34 947 e pertence ao CERAT - Clube Epistolar Real Arco do Templo / Integra o GEIA – Grupo de Estudos Iniciáticos
Athenas /

Membro da Confraternidade Mesa 22, e é Obreiro da ARLS Verdadeiros Irmãos– 669 (GLESP)

Fonte: JBNews - Informativo nº 314 - 08 de Julho de 2011

quarta-feira, 15 de julho de 2026

FRASES ILUSTRADAS

FRENTE DO PAINEL DO GRAU

01/05/2026 o Respeitável Irmão Cláudio José Diettrich, Loja Luz do Oriente, 166, REAA, GLMRGS (CMSB), Oriente de Venâncio Aires, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta a seguinte questão:

FRENTE DO PAINEL

Caro Irmão. Estou pesquisando há vários dias, e ainda não encontrei uma resposta ao que busco, que é também uma preocupação minha, pois em Loja, discussões se sucedem, mas ainda não chegamos a uma resposta concreta. Minha pergunta é: Qual é a posição correta do Painel da Loja no sentido de ter sua face voltada para o Oriente ou para o Ocidente, e se o é para todos os graus, eis que há uma vertente no sentido de ser voltada para o Ocidente no 1º Grau, eis que os Irmãos são Aprendizes, e quando do 2º grau, a face o painel deve ser voltada para o Oriente, eis que os Irmãos companheiros receberiam a Luz e instruções sobre o Simbolismo do Painel do Venerável Mestre. Se houver distinção entre os graus, como seria a posição da face do painel quando de sessão do 3º grau?

CONSIDERAÇÕES:

Inicialmente vale ressaltar que as Lojas de Aprendiz, Companheiro e Mestre do REAA trazem, como elemento do seu mobiliário, um Painel para cada grau, o qual genuinamente fica exposto em Loja aberta sobre o Pavimento Mosaico, no centro do Ocidente.

Não importando o grau em que a Loja estiver trabalhando (aberta), o Painel - que aglutina os principais símbolos de cada grau – é exposto em um dispositivo próprio com a sua frente, onde se encontram os símbolos, voltada para a porta de entrada.

Esse modo de expor o painel na Moderna Maçonaria tem origem nos velhos quadros das Lojas que primitivamente tinham os seus símbolos riscados com giz ou carvão no chão. Nesse período era comum que as Lojas ocupassem dependências alugadas em tabernas e cervejarias, principalmente na Inglaterra.

Com a evolução especulativa da forma de trabalho maçônico, esses símbolos, que outrora eram riscados no chão e depois apagados, foram sendo transportados para um grande tapete decorado, o qual era estendido durante a sessão e enrolado, para ser levado embora, após o encerramento.

Com o aparecimento, mais tarde, de recintos próprios para os trabalhos maçônicos, que ficariam conhecidos como templos ou salas da loja, os tapetes gradativamente foram se transformando em painéis de madeira, desenhados ou marchetados, conhecidos como o Painel da Loja, ou do Grau. É como eles existem até os dias atuais.

Quanto a maneira de expor o Painel, em pé durante os trabalhos, o mesmo se consagrou tendo a sua frente voltada para a porta, mormente porque uma das suas funções também era a de indicar o grau em que a Loja estava trabalhando.

Em relação à transição do tapete para o painel, é possível se encontrar ainda muitas gravuras relativas à Maçonaria francesa do século XIX que mostram os tapetes decorados estendidos no chão, antes deles serem apresentados em pé voltados para a entrada.

Agora, sobre essa história de se virar o Painel para o Oriente ou Oriente conforme o grau, me perdoe, mas isso não passa de mais uma invencionice.

T.F.A.
PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MINUTO MAÇÔNICO - 20

ELEGÂNCIA

1º - Como é gratificante constatarmos a elegância de um irmão; verificar em seu comportamento a expressão de uma educação fina e irrepreensível.
2º - É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
3º - A elegância deve nos acompanhar ao acordarmos até a hora de dormir, devemos manifestar sempre nos mais simples relacionamentos, onde não existam fotógrafos nem câmera de televisão.
4º - Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se atende.
5º - Se os amigos, os irmãos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não irão desfrutá-la. Educação enferruja por falta de uso. E, detalhe, não é frescura. É A ELEGÂNCIA DO COMPORTAMENTO...

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

MAÇONARIA: UMA LUZ FORJADA NA FORJA DO PENSAMENTO

H.C. Cohutec Vargas Génis

Só as figuras carregadas do passado são ricas de futuro (Afonso Reyes)

Todo homem que aspira a um verdadeiro processo inicático deve compreender, a partir do próprio limiar do templo, que a chave do espírito humano permanece velada para as inteligências conformistas, as vontades indolentes e as consciências que abdicam do esforço de pensar. Nenhum santuário interior abre suas portas por acaso. Toda iniciação constitui uma conquista, e toda conquista exige primeiro a vitória sobre si mesmo.

Entrar no templo do espírito reclama uma proeza. Não aquela que persegue os aplausos do mundo, mas aquela que é escrita silenciosamente com disciplina, rigor, estudo e perseverança. Dia após dia, hora após hora, a existência lembra o homem que viver significa enfrentar resistência. Os antigos condensaram essa verdade numa sentença cuja vigência permanece inalterável: vita est militia. A vida é combate.

Mas o combate a que se refere a tradição inicática não confronta o homem contra os seus semelhantes. Enfrenta-o contra a ignorância que limita a sua inteligência, contra o orgulho que obscurece o seu julgamento, contra o medo que paralisa a sua vontade e contra o conforto que lentamente extingue a grandeza do espírito. Essa é a única guerra cujo triunfo liberta verdadeiramente o ser humano.

Irmão Aprendiz, Irmão Companheiro e Irmão Mestre: nunca confunda iniciação com conforto espiritual. A Luz não desce sobre quem fica imóvel esperando que o universo transforme aquilo que só o trabalho interior pode conquistar. Nenhuma revelação substitui a disciplina; nenhum símbolo substitui o estudo; nenhum ritual isenta do dever diário de se aperfeiçoar.

Heráclito compreendeu que o conflito é o pai de todas as coisas. A Maçonaria acrescenta que esse conflito atinge sua expressão mais elevada quando acontece dentro do homem. Lá, onde a razão combate o instinto, onde o dever desafia o desejo e onde a consciência disputa cada decisão ao ego, começa a verdadeira Obra.

Nosso espírito nunca se purifica na evasão. Purifica-se na realidade Fica mais forte quando a adversidade atinge e, mesmo assim, escolhemos permanecer firmes. Enobrece-se quando o pensamento governa a paixão, quando a inteligência disciplina a força e quando o dever acaba por se impor sobre o conforto. Assim como o aço só atinge a sua tempera ao atravessar o fogo da forja e a severidade do martelo, o caráter do iniciado só adquire consistência ao suportar o peso da prova, o rigor do tempo e a responsabilidade pelas suas próprias decisões.

Não espere encontrar uma paz definitiva, pois essa promessa pertence à linguagem das ilusões. Todo o topo conquistado revela outro ainda mais elevado; toda resposta fecunda gera novas perguntas; toda vitória interior inaugura uma exigência moral mais profunda. Quem interpreta esta lei como punição nunca entenderá a iniciação. Quem a reconhece como princípio do aperfeiçoamento terá descoberto uma das chaves da Arte Real.

John Morley afirmou que o grande propósito da educação é formar caráter. Nenhuma definição descreve com maior precisão o trabalho maçônico. Conhecimento não representa um ornamento intelectual nem um privilégio reservado a poucos. É uma responsabilidade crescente. Quanto maior a luz recebida, maior o dever de colocá-la ao serviço do bem.

E, por isso, a liberdade também não é um direito espontâneo. Seguindo o pensamento de Morley, só é livre quem aprendeu a governar sua própria consciência. Toda liberdade exterior é desprovida de sentido enquanto o homem permanecer sujeito à escravidão das suas paixões. Governar-se é a forma mais alta de autogoverno e a primeira condição para aspirar a governar qualquer outra realidade.

Maçonaria, por isso, não promete descanso. Promete crescimento. Não oferece abrigos para fugir do mundo, mas ferramentas para compreendê-lo e transformá-lo. Não entrega coroas destinadas a satisfazer a vaidade, mas responsabilidades cujo peso aumenta à medida que a consciência cresce. O iniciado descobre então que o amor deixa de ser uma emoção passageira para se tornar a expressão mais elevada da inteligência moral: a vontade constante de construir, servir e aperfeiçoar-se.

A verdadeira Luz nunca desce como um dom imerecido. A luz conquista-se. Cincela-se. Lentamente forja-se na solidão do estudo, na disciplina do pensamento, na contemplação silenciosa e na nobreza das obras. É uma chama cuja fortaleza vem precisamente do fogo que tentou apagá-la.

Então o homem deixa de pedir uma existência sem batalhas.

Compreenda que cada combate representa uma oportunidade de ascensão; que toda dificuldade constitui uma pedra destinada ao Templo; que toda prova é, na verdade, um grau invisível.

E finalmente descobre que a vitória suprema nunca consiste em derrotar os outros.

Consiste em conquistar, de novo e de novo, a ignorância, o orgulho e o medo que ainda permanecem escondidos dentro de si.

Porque Maçonaria não é um caminho para o conforto.

É a arte de transformar a luta diária em uma arquitetura do espírito, onde cada pensamento reto, cada ato virtuoso e cada decisão justa adicionam mais uma pedra ao único templo destinado a sobreviver ao tempo:
o próprio homem.

Fonte: Facebook_Maçonaria com consciência

terça-feira, 14 de julho de 2026