ESTUDOS
"ACHAR MENOS - PROCURAR MAIS"
Páginas
PERGUNTAS & RESPOSTAS
terça-feira, 3 de fevereiro de 2026
GRAU 02 - VERIFICAÇÃO PELOS VIGILANTES
INSÍGNIAS - COLAR E JOIA DISTINTIVA
O VISITANTE E O USO DO CHAPÉU
Em 21.08.2025 o Respeitável Irmão Kaio César, Loja Templários do 7º Milênio, REAA, GOB-SP, Oriente de Votuporanga, Estado de São Paulo, solicita esclarecimentos para tal.
VISITANTE
Poderia me tirar uma dúvida?
Em visita a uma Loja do GOB REAA, os visitantes devem utilizar chapéu também?
Ou a utilização deve ser feito apenas na oficina?
CONSIDERAÇÕES:
Para visitantes do REAA em visita a Lojas do REAA.
É preciso antes analisar em que circunstância ocorre a visita. Primeiro, é que nas sessões ordinárias e magnas dos graus de Aprendiz e de Companheiro, nas Lojas do REAA, apenas o Venerável Mestre titular é quem usa chapéu.
Nesse caso, um Venerável Mestre visitante, que também seja do REAA, não deve usar chapéu, até porque no REAA apenas o dirigente dos trabalhos é quem se apresenta coberto.
Ainda, visitantes do REAA que sejam apenas Mestres Maçons, visitando uma Loja de Aprendiz e de Companheiro, também não devem usar chapéu, pois no rito em questão, nesses dois graus apenas, somente o Venerável dirigente dos trabalhos que é quem se cobre.
Já em Loja de Mestre Maçom, do REAA, qualquer visitante que seja desse rito deve usar o chapéu, a despeito de que em Loja de Mestre, do rito em questão, todos devem se cobrir.
Visitantes de ritos que não usam o chapéu - visitando Lojas de ritos que usam chapéu, como visitantes, estes continuam a não usar o chapéu.
T.F.A.PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br
AS OBRIGAÇÕES DOS MAÇONS: III - AS LOJAS
Rui Bandeira

A primeira noção que esta Obrigação transmite é a de que o maçom deve estar integrado numa Loja, num grupo de pares, onde trabalha, isto é, contribui com o seu estudo, os seus conhecimentos, o seu caráter, os seus progressos, para todo o grupo e do grupo recebe o contributo de todos os demais.
É-se verdadeiramente maçom integrado num grupo de pares. É-se verdadeiramente maçom em comunidade e na comunidade. A Maçonaria é uma incessante troca entre o indivíduo e o grupo, em que o indivíduo contribui para o coletivo e o coletivo fortalece o indivíduo. Só assim faz sentido. Por isso ao maçom não basta ter sido iniciado e ter-se como assim o ser; o maçom só o é na medida em que seja considerado como tal pelos seus pares.
Quando um maçom se afasta da Loja, seja qual for a razão, quando suspende ou cessa a sua atividade, diz-se que está adormecido. Tal como o homem só trabalha estando vigil, assim o maçom que se afasta da Loja, por muito que estude, que trabalhe, que se esforce, que individualmente progrida, porque o faz só, afastado do grupo, sem para ele contribuir, sem dele receber, não trabalha maçonicamente. Trabalha enquanto indivíduo, não enquanto maçom.
A Maçonaria cultiva o total respeito pela Liberdade individual no grupo, pelo indivíduo enquanto personalidade livre e única, mas integrado na sociedade, pelas suas escolhas individuais, mas inseridas e não insanavelmente conflituais com o conjunto das escolhas dos demais. A Maçonaria proclama o indivíduo no grupo, não o indivíduo acima ou para além do grupo, nem o grupo em detrimento do indivíduo. A Maçonaria é uma atividade intrinsecamente social, que fomenta a melhor integração possível de cada indivíduo na sociedade, para benefício mútuo – de um e da outra.
Assim, não faz verdadeiramente sentido a declaração – muitas vezes formulada por quem se afasta – de que “saio, mas continuo maçom, só que sem Obediência”. Será uma piedosa intenção, mas não é vero. Aquele que entendeu por bem afastar-se será e continuará a ser um homem livre e de bons costumes, digno de apreço, certamente melhor do que quando se iniciou, será porventura um modelo de qualidades, será seguramente respeitável e desejavelmente respeitado, mas será tudo isso enquanto pessoa, enquanto indivíduo, não como maçom – porque lhe passa a faltar a vertente da partilha, do dar e receber entre o indivíduo e o grupo. E isso, como muito bem sabem todos os que o vivem, é imprescindível, é essencial, é o cerne da Arte Real.
O maçom que se afasta pode sempre voltar, pode sempre retomar o dar e receber ínsito na atividade maçónica. Por isso os maçons não consideram os que se afastam como retirados, como “mortos” para a Maçonaria, mas como simplesmente adormecidos. Se e quando decidirem retomar a sua atividade maçónica, se e quando acordarem, serão bem recebidos – mais do que isso: serão naturalmente recebidos, como se o afastamento não tivesse existido; afinal, uma boa noite de sono, prepara-nos para as exigências de um novo período de trabalho…
Precisamente pela essencialidade da incessante troca entre o indivíduo e o grupo é que um dos deveres fundamentais do maçom é a assiduidade. Mas não a assiduidade cega, a todo o preço, suceda o que suceder. A Maçonaria é importante, deve ser importante para todo o maçom, mas deve sê-lo com equilíbrio, na justa conta, peso e medida. Não pode, não deve, prejudicar os deveres do maçom perante a Pátria, os seus deveres profissionais, as suas obrigações religiosas, os seus deveres familiares. Quando estes imponham a não comparência em Loja, a sua precedência é indiscutível. O maçom tem apenas a obrigação de atempadamente informar da sua ausência e indicar o motivo justificativo dela, por respeito ao grupo, ao trabalho do grupo e dos demais. Mas o maçom, para seu próprio benefício, para que possa eficazmente beneficiar da sinergia com o grupo em que está inserido, deve procurar organizar a sua vida de forma a conciliar os seus deveres familiares, profissionais, religiosos e sociais com a presença em Loja, nos dias e horas definidos para as reuniões desta. Quanto melhor o fizer, mais eficaz será a simbiótica interação entre ele próprio e a Loja.
O último parágrafo desta Obrigação elucida quem pode ser iniciado maçom: homens bons e de bons princípios, pois só se pode tornar melhor o que já é bom; nascidos livres (originariamente: não nascidos escravos – a Maçonaria sempre foi produto do seu tempo…), hoje entendendo-se como livres na sua razão, isto é, com capacidade de entender, de escolher, de progredir, de aprender; de idade madura, isto é, adultos, homens feitos, sobretudo que se regem a si próprios, independentes, inclusive financeiramente, pois só homens maduros e sem condicionalismos de sobrevivência básica têm verdadeiramente disposição e capacidade para se dedicar a algo mais e mais além do que a satisfação das necessidades básicas, algo por vezes tão imaterial e fluido como o conceito de aperfeiçoamento pessoal; não escravo (de novo, a Maçonaria é sempre em cada tempo produto do seu tempo…), hoje, não escravo das suas paixões, de vícios que impossibilitam o desejado progresso pessoal; não mulher (o fundamento original da inegociável exclusividade de género – mas isto não implica que os maçons regulares não reconheçam às mulheres o direito e o igual interesse de se aperfeiçoarem segundo o método maçónico, criando e mantendo organizações similares à sua própria, destinadas ao sexo feminino – pelo contrário, favorecem e respeitam a Maçonaria Feminina, entendendo apenas que o aperfeiçoamento do homem e da mulher se processam segundo diferentes sensibilidades e devem ocorrer em separado, pois no método maçónico de aperfeiçoamento o apelo à emoção e à inteligência emocional tem um grande papel e as formas masculina e feminina de viver e lidar com as respetivas emoções são manifestamente diferentes); nem homens imorais ou escandalosos, mas de boa reputação (na Maçonaria pratica-se a Tolerância com as diferenças, mas dentro dos padrões morais definidos pela sociedade em que se insere; se os maçons têm como primeira Obrigação a obediência à Lei Moral, não faria sentido admitir pessoas de comportamentos considerados imorais, escandalosos, de má reputação).
Fonte: Constituição de Anderson, 1723, Introdução, Comentário e Notas de Cipriano de Oliveira, Edições Cosmos, 2011, páginas 131-132.

