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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

sábado, 18 de julho de 2026

FRASES ILUSTRADAS

TRAJE MILITAR NA MAÇONARIA

Em 01/05/2026 o Respeitável Irmão Fábio Martins, Loja Obreiros do Vale do Pirapitinga, 4282, REAA, GOB MINAS, Oriente de Bonsucesso, Estado de Mina Gerais, apresenta a pergunta seguinte:

TRAJE MILITAR

Gostaria de sua orientação sobre o seguinte assunto:

1) É permitido ao Ir∴ militar participar da sessão fardado usando o avental? Em sessão ordinária e em sessão magna?

No nosso Ritual explica sobre o traje maçônico (página 33, REAA), mas não informa sobre esta questão. Informa que em sessão magna faz o uso de terno preto ou azul marinho e em ordinária é permitido o uso do balandrau, com calça, meias e sapatos pretos.

Desde já agradeço e aguardo retorno.

CONSIDERAÇÕES:

Parto sempre do seguinte princípio: seguir o que estiver previsto no ritual em vigência. 

Assim, desconheço qualquer orientação para o uso de traje militar nas sessões maçônicas do REAA. 

Ao contrário, o ritual é bem claro na determinação dos trajes que devem ser usados nas sessões ordinárias e magnas.

À vista disso, o que não está no ritual, não deve ser feito.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

JEAN MACÉ


Jean François Macé (Paris, França, 22 de agosto de 1815 - 13 de dezembro de 1894, Monthiers, França) foi um escritor, educador, professor, jornalista, e político francês.

Vindo de uma família operária, com pai caminhoneiro, teve uma excelente carreira acadêmica no “Collège Stanislas”, estabelecimento de ensino católico. E ainda jovem, começou a escrever, para o jornal “La République”.

Como professor, concebeu a ideia de escrever livros de divulgação científica para crianças, como “L’Histoire d’une bouchée de pain, lettres à une petite fille sur nos organismes et nos fonctions” (A História de uma Mordida de Pão, Cartas a uma Menina sobre Nossos Órgãos e Funções ), publicado em 1861, que foi um grande sucesso, como também a sua continuação “Les Serviteurs de l’estomac pour faire suite à l’histoire d’une bouchée de pain (Os Servos do Estômago, uma sequência da história de um pedaço de pão).

Ele trabalhou para educar as massas fundando o “Magasin d’éducation et de récréation” (Revista de educação e recreação). Em 1866 foi criador da “Ligue de l’enseignement” (Liga da educação), que lutou pelo estabelecimento de escolas gratuitas, obrigatórias e laicas.

Foi iniciado na Maçonaria em junho de 1866, durante as celebração do solstício na Loge Maçonnique “La Parfaite Harmonie” (Grand Orient de France) em Mulhouse, França.

Fonte: COLUNA CULTURAL MAÇÔNICA

GEOMETRIA COMO BASE DA MAÇONARIA

A Geometria foi considerada uma das ciências mais nobres, porque permite descobrir as proporções ocultas da natureza e compreender a ordem que sustenta a arquitetura do universo.

Através dela, o ser humano aprendeu a medir, traçar, construir e levantar obras capazes de resistir ao passar do tempo. Dos seus princípios nasceram templos, cidades, monumentos e estruturas que ainda provocam admiração.

Mas na Maçonaria a Geometria não se limita à construção material. Também representa a construção interior do ser humano. Assim como o arquiteto traça seus planos antes de levantar uma obra, o iniciado deve ordenar seu pensamento antes de construir sua vida.

As ferramentas da arquitetura foram adotadas como símbolos para gravar na memória ensinamentos morais: retidão, proporção, equilíbrio, ordem e harmonia.

O tempo pode destruir monumentos, templos e cidades; a ignorância pode obscurecer épocas inteiras; a guerra pode derrubar as obras visíveis do homem. No entanto, a Maçonaria manteve seus princípios através de símbolos, palavras e ensinamentos transmitidos de geração em geração.

Na Maçonaria com Consciência lembramos que toda ciência verdadeira deve levar à sabedoria. Porque a Geometria não só ensina a medir o mundo exterior: também convida a medir nossos atos, corrigir nossas paixões e construir uma consciência mais justa, firme e luminosa.

Fonte:Facebook_Maçonaria com Consciência

sexta-feira, 17 de julho de 2026

FRASES ILUSTRADAS

MAÇONARIA SEM CONTEÚDO É SÓ PROTOCOLO

O SILÊNCIO E O APRENDIZADO

O silêncio é uma das primeiras disciplinas do verdadeiro aprendizado.

Na tradição inicática, não representa a ausência de palavras, mas a presença de atenção, prudência e reflexão. É o espaço onde o ruído do mundo cessa e começa o trabalho sobre si mesmo.

Assim como a pedra bruta requer o cinzel e o baralho para revelar a forma que carrega dentro de si, o ser humano precisa de momentos de silêncio para reconhecer suas imperfeições, dominar suas paixões e fortalecer suas virtudes.

Cada momento de reflexão é mais um golpe nessa pedra que todos nós carregamos dentro de si. Não para destruí-la, mas para torná-la uma obra útil, firme e digna de fazer parte do Templo Interior.

O verdadeiro construtor entende que antes de ensinar deve aprender; antes de dirigir, deve obedecer; e antes de falar, deve escutar.

Talvez por isso os antigos afirmassem que **o silêncio é a primeira pedra do Templo da Sabedoria**, porque só aquele que aprende a ouvir a si mesmo pode aspirar a compreender os outros e contribuir, por exemplo, para a construção de uma sociedade mais justa, livre e fraterna.

Que o silêncio de hoje seja o alicerce da palavra sábia de amanhã.

Fonte: Facebook_ARLS Talispetram nº 200

quinta-feira, 16 de julho de 2026

FRASES ILUSTRADAS

INGRESSO NA MAÇONARIA E MEMBRO HONORÁRIO

Em 01/05/2026 o Respeitável Irmão João Marcos Boim de Freitas, Loja Obreiras da Paz, REAA, GOB MINAS, Oriente de Piraúba, Estado de Minas Gerais, apresenta as seguintes perguntas:

INGRESSO NA MAÇONARIA

1 - Em uma discussão (não no sentido de briga) com um outro irmão do quadro eu lhe disse que a forma do profano entrar para a maçonaria é através do convite de um irmão, aí ele disse que não que o profano pode enviar uma carta ao Ven∴ Mestre falando do seu interesse de entrar na Ordem, procede?

2 - Como o irmão tem uma participação maior até em outras lojas do GOB e até de outras potências, o irmão tem algum conhecimento se nas Grandes Lojas se não estiver presente o Ven∴ Mestre, o 1 Vig∴ e o 2 Vig∴ não pode ter sessão ordinária?

3 - Do escrutínio secreto só participam os membros do quadro, no caso de membros honorários eles podem participar do escrutínio secreto?

CONSIDERAÇÕES:

1 – Recomendo ao Irmão que busque informação no site da Obediência Estadual. Existem plataformas disponíveis para atender essas reivindicações. Recomendo também consular a Secretaria Estadual da Guarda dos Selos.

Lembro que este não é propriamente um assunto de liturgia e ritualística.

2 – Penso que é prudente não se fazer comentários sobre procedimentos de outras Obediências. É bom lembrar que muitas vezes recebemos informações contraditórias que merecem antes serem averiguadas.

3 - Membro Honorário é apenas um título honorífico concedido por uma Loja para um Irmão, que pode ser, inclusive, de outra Obediência reconhecida. Por conta disso, o Irmão agraciado não se torna membro efetivo do quadro, pois ele não possui obrigação de frequência e nem recolhe metais junto à Loja que o agraciou. Membro Honorário é um visitante agraciado, não podendo, como tal, participar do Escrutínio Secreto.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

DOMENICO ANGHERÀ

Por Luciano J. A. Urpia

Domenico Angherà (1803-1873) foi uma das personagens mais controversas entre a Igreja e a Maçonaria italiana (na época da Unificação da Itália). Era abade beneditino, arcipreste católico e, simultaneamente, patriota radical e maçom. Sua vida foi um exercício de conciliação entre a batina e o avental, a paróquia e a Loja, a Teologia e a Revolução.

Sua trajetória maçônica começou após envolver-se na Insurreição de 1847 que o obrigou a se exilar em Malta. Iniciado na Maçonaria na Sicília, no exílio colaborou com o patriota Nicola Fabrizi. De volta à Itália em 1860, fundou a Loja "Sebezia" e tornou-se Grão-Mestre do Grande Oriente de Nápoles, expandindo sua Obediência de 23 para mais de 50 Lojas, inclusive no Egito. Vestia paramentos maçônicos sobre a batina e desenvolveu uma teologia própria: reinterpretou a Trindade como "Ar, Água e Fogo" e o INRI cristão como "Igne Natura Renovatur Integra" (Pelo fogo, a Natureza se renova por completo).

Sua posição era tão singular que chegou a lançar um comunicado maçônico contra o Grande Oriente de Roma, assinando como representante legítimo da Maçonaria napolitana. Em sua villa em Sant'Elmo, recebia visitantes do mundo inteiro em um verdadeiro "bazar" maçônico, onde vendia patentes, diplomas e publicações. Acusado de lucrar com iniciações, foi expulso da Ordem, após um processo que revelou a arrecadação de 140 mil liras. Morreu aos 70 anos, deixando a imagem de "maçom controverso" da Maçonaria italiana.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

GIORDANO, O VISIONÁRIO

E. Figueiredo (*)

Que ingenuidade pedir a quem tem poder para mudar o poder! (Giordano Bruno)

Renascimento (ou Renascença) foi caracterizado por profundas transformações no continente europeu. Trata-se de um período de grandes mudanças e conquistas culturais que ocorreram na Europa entre o século XIV e o século XVI, que marca a passagem entre a Idade Média e a Idade Moderna. Os horizontes político-geográficos alargaram-se com os descobrimentos do caminho das Índias e das Américas. O comércio, indústria, classe social e o universo cultural cresceram, e a economia européia deixou de gravitar dentro das limitações dos feudos medievais. Todas as áreas sofreram transformações as quais não se fizeram sem conflitos profundos. Significavam, de maneiras diversas, a derrocada de uma ordem espiritual, social e econômica, que há séculos constituía o cerne da vida no Velho Mundo. Esse período histórico, mais que qualquer outra época, foi verdadeiramente uma transição. Os tradicionais setores ameaçados reagiram e enfrentaram as inovações, por vezes com violência levando à morte alguns representantes da nova mentalidade. E foi o que aconteceu com uma das figuras mais representativas da Renascença italiana, que foi GIORDANO BRUNO. Quando recordamos os heróis da liberdade de consciência e de pensamento é esse o nome que brilha como uma estrela de primeira grandeza entre muitos outros: GIORDANO BRUNO !

Como filósofo, astrônomo e matemático, Giordano Bruno foi importante pelas suas teorias sobre o Universo infinito e a multiplicidade dos sistemas siderais. Foi dono de uma personalidade peculiar: revelador e escarnecedor de superstições e hipocrisias, tanto mundanas como religiosas sem temor de enfrentar os dogmas da época, frade impaciente e rebelde perante os limites internos da sua vocação de regular, filósofo inspirado e polêmico, mas sensível ao conflito das heranças e das vigências culturais. Esteve sempre fascinado em prover, com embasamento filosófico, as grandes descobertas de seu tempo.

Há quem não compreenda o posicionamento de Giordano Bruno e tenta compará-lo a um vadio, um filósofo andarilho ou a um poeta errante, e é incapaz de vinculá-lo, diretamente, à linha do progresso moderno. Mas quem o compreende, sabe que ele foi um pioneiro que acordou a Europa de seu sono intelectual e foi martirizado em virtude de seu entusiasmo. Foi chamado, por Pierre Bayle (1647-1706), de “o cavaleiro errante da filosofia”, tendo sido comparado com Dom Quixote de La Mancha !

Bernardo Spaventa (1817-1883), entretanto, se pronunciou com expressão diferente dizendo que Giordano Bruno era o “arauto e mártir da nova e livre filosofia”.

Muitos tentam associar Giordano Bruno à Maçonaria porque ele acreditava na liberdade, tolerância e no direito de dizer o que se pensa não importando o reino ou o ducado em que o acolhiam. O seu fascínio por formas e maneiras diversas de perceber-se no mundo derivou dele ver o Universo composto por um número limitado de letras elementares em formas geométricas, triângulos, quadrados, círculos e pirâmides, como u´a maneira de encontrar escapes para a crescente opressão teológica exercida pelo catolicismo contra- reformista. No seu entendimento, a antiga e verdadeira filosofia não era feita de dogmas, mas da liberdade de duvidar e indagar, e da liberdade de construir hipóteses. Afirmava que a liberdade de indagar é a oposição mais poderosa aos totalitarismos teológicos e políticos, e acreditava que é a partir dela que nasce a razão grega. Tornou-se símbolo da luta pela liberdade de pensamento e de expressão. Obviamente, apesar de involuntária, não deixa de ser uma identificação e uma contribuição Maçônica, que prega levantar-se contra os dogmas (que cria a miséria, espalha a opressão, apaga a identidade cultural dos povos, mutila a razão). É o dever de todos os homens que amam a liberdade, porque eles são o seu oposto absoluto.

A época de Giordano Bruno foi de grande movimentação intelectual na Europa. Quando jovem dominicano, empolgado pelas idéias aristotélicas e tomistas – em baixa sob os papas daquele tempo – viajara por todo o continente, e nele pressentia o próximo nascimento daquele sol, o da  antiqua e vera filosofia. Considerado um pioneiro da filosofia moderna, foi um homem que viveu a frente do seu tempo.

É no século XVI que a filosofia se liberta da religião e propicia que a ciência moderna nasça a partir dela, eliminando o julgamento de que a ciência não está para a busca da verdade

na propriedade lógica de conceitos, mas, sim, através de lentes de microscópios e telescópios. Apesar de não ser um cientista, nessa transição, Giordano Bruno torna-se a figura principal. A grandeza e os limites de Giordano Bruno vincularam-se à sua condição de filósofo. Sua audácia cosmológica derrubou a construção aristotélica tirando as últimas conseqüências. E, mesmo não sendo um sábio, desprezou as matemáticas, permanecendo, ainda, impregnado das instituições animistas: a vida, a magia, o mito da unidade e outros tantos obstáculos. Ensinava a imanência da divindade em tudo que existe, Deus e o Universo constituindo um único ser animado do mesmo poder e experimentando igual perfeição. Por suas idéias revolucionárias e contrárias aos dogmas da Igreja (tanto Católica quanto da Protestante), foi aprisionado em masmorras escuras e fétidas, entre 1593 e 1600. Muitas vezes foi forçado a renegar seus escritos e suas idéias, porém sempre permaneceu firme e intransigente na defesa do que pregava.

O grande filósofo italiano Giordano Bruno, cujo nome verdadeiro era Filippo Bruno, nasceu (1548) em Nola, no então Reino de Nápoles, na Campônia, sul da Itália. Estudou filosofia e literatura em Nápoles e, mais tarde, teologia no Monastério de San Domenico Maggione. Era possuidor de tenaz memória e de uma extraordinária inteligência. Em 1572 se ordenou sacerdote, abandonando em 1576, quando pôs em dúvida muitos dos ensinamentos sobre o cristianismo, o que o tornou suspeito de heresia. Abandonou o hábito e evadiu-se para o norte da Itália, território que não estava sujeito às ordens monásticas, escapando, assim, tanto da Inquisição napolitana como do Santo Ofício de Roma. Todavia, acabou sendo queimado em público graças a uma reinterpretação radical do preceito de Cristo de dar a outra face quando se é ofendido.

O monge dominicano, concluem alguns pensadores daquela época, ao negar o dogma da Santíssima Trindade, e ao somar-se ao entendimento cósmico de Copérnico, negava o cristianismo, tal como a Igreja o apresentava, entretanto sem negar Deus, do qual tinha particular concepção. Embora essa concepção não fosse estruturalmente pagã, era pré-cristã, na busca de explicação para o universo, mas cristã, na ascensão do mundo, porque se rebelava, como Jesus Cristo se havia rebelado, contra o poder dos dogmas. O intuito maior de Giovanni Bruno era, com sua dúvida criadora, retornar à razão lógica antiga, aquela iluminada pelo sol das ilhas mediterrâneas.

Na ótica de Giordano Bruno, no Homem encontra-se o reflexo da plenitude e Deus não seria o criador do Universo, mas sim, o próprio Universo. É inegável a influência que exerceu sobre os filósofos de seu tempo e nos muitos que viveram anos depois, como o holandês Baruch de Espinosa (1682-1677) e no pensador alemão Gottfried Wilhem von Leibniz (1646-1716). Essas teses iam contra o pensamento dominante da época: o da Igreja Católica. Ele foi forçado a abandonar a ordem dos dominicanos em 1575 e passou a lecionar em várias universidades da Europa: em Genebra (Suíça), Paris (França), Londres e Oxford (Inglaterra), Frankfurt, Wittenberg e Helmsstadt (Alemanha), e Praga (República Tcheca). Giordano Bruno se aproximou do calvinismo e do luteranismo, porém foi excomungado, tanto da Igreja Católica como da Protestante.

Nos intervalos das aulas, que ministrava, Giordano Bruno escreveu alguns dos seus principais livros: “Despacho da Besta Triunfante”, “A Ceia das Cinzas”, “As Sombras das Idéias”, “Cabala do Cavalo Pégaso) e a sua obra-prima “Sobre o Infinito, o Universo e os Mundos”. Escreveu e publicou, também, em Paris, uma comédia: Il Candelaio.

Em seus períodos nesses centros de estudo, Giordano Bruno conquistou muitos admiradores, mas, em contra partida, grandes inimigos. Muitas vezes se queixava: “Se eu manejasse um arado, pastorasse um rebanho, cultivasse uma horta, remendasse uma veste, ninguém me daria atenção, poucos me observariam, raras pessoas me censurariam e eu poderia, facilmente, agradar a todos. Mas, por ser eu delineador do campo da natureza, por estar preocupado com o alimento da alma, interessado pela cultura do espírito e dedicado à atividade do intelecto, eis que os visados me ameaçam, os observados me assaltam, os atingidos me mordem, os desmascarados me devoram. E não é só um, não são poucos, são muitos, são quase todos !”

No ano de 1581, o nobre veneziano Giovanni Mocenigo (1508-1585), católico fanático, convidou Giordano Bruno para retornar à Itália e dar- lhe aulas de técnica de memorização, tema sobre o qual o filósofo Bruno tinha efetuado várias pesquisas. Acreditando nas garantias de proteção, dadas por Giovanni Mocenigo, ele foi para Veneza. Entretanto, insatisfeito com os resultados obtidos nas aulas, seu aluno prendeu o filósofo e o entregou às autoridades eclesiásticas, e foi transferido para Roma em 1593, onde durante sete anos foi julgado por heresia e blasfêmia.


Depois de diversas tentativas para convencê-lo a se retratar sobre suas teses revolucionárias, Giordano Bruno acaba sendo condenado à fogueira, sob a acusação de heresia e por pensamento e idéias contra a Igreja Católica. No dia 8 de Fevereiro de 1600 a sentença de condenação de Giordano Bruno foi lida na Igreja de Santa Inês, firmada por Roberto Bellarmino e outros cardeais inquisidores expondo as circunstâncias do processo que foi disposta da seguinte maneira:

“Decidimos, pronunciamos, sentenciamos e te declaramos, frade Giordano Bruno, ser herege, impenitente, pertinaz e obstinado, e por isso deves incorrer em todas as censuras eclesiásticas e penas dos santos cânones, leis e constituições tanto gerais como particulares que se impõem a tais hereges manifestos, impenitentes, pertinazes e obstinados; e como tal te degradamos verbalmente e declaramos que deverás ser degradado de fato, como ordenamos e mandamos, de todas as ordens eclesiásticas maiores e menores em que hajas sido constituído conforme as disposições dos santos cânones, e deverás ser separado, como te separamos de nosso foro eclesiástico e de nossa santa e imaculada Igreja, de cuja misericórdia tens demonstrado ser indigno; e deverás ser entregue, e te entregamos ao tribunal secular, a Corte de Monsenhor Governador de Roma, aqui presente para castigar-te com a pena devida, contudo rogando-te ao mesmo tempo eficazmente que digne mitigar o rigor das leis concernentes à pena de tua pessoa, que esteja isenta do perigo da morte ou da mutilação de membros. Ademais, condenamos, reprovamos e proibimos todos os livros e escritos teus acima mencionado e outros, como heréticos, errôneos e abundantes de muitas heresias e erros, ordenando que daqui em diante todos os que se encontrem agora ou se encontrarem no futuro em mãos do Santo Ofício sejam desfeitos e queimados publicamente na praça de São Pedro, diante da escada, e como tais sejam postos no índice de livros proibidos, e faça-se como ordenamos. Assim dizemos, pronunciamos, sentenciamos, declaramos, mandamos e ordenamos, excomungamos, entregamos e rezamos, procedendo nisso e no resto de um modo incomparavelmente menos duro que de rigor podemos e devemos.”

Durante os sete anos do processo, Giordano Bruno tentou separar a filosofia da teologia católica, que dizia respeitar. Quando lhe exigiram rejeitar suas idéias, decidiu enfrentar a fogueira, que é a forma mais penosa de morrer. Ao ouvir a sentença e mediante à relutância dos seus algozes, com ironia serena disse: “Vocês pronunciam essa sentença contra mim com um medo maior do que eu sinto ao recebê-la !” (Marjori forsan cum timore setentiam in me fertis quam ego accipiam !) Após a sentença, foi lhe concedido mais oitos dias para se “arrepender”, o que obviamente não o fez.

A solicitação de mitigação da pena, e de isenção da pena de morte, era apenas pró-forma, pois visava apenas eximir a Inquisição da responsabilidade da pena capital. O tribunal secular ficava encarregado de mandar o sentenciado à fogueira, sob pena de responder pela desobediência. Condenado, em 17 de Fevereiro de 1600 Giordano Bruno foi levado para o campo de execução pelos verdugos, montado numa mula, o meio de transporte tradicional dos enviados à morte. Estava amordaçado com uma ponta fina de aço cravada em sua língua e foi amarrado, com uma corrente de ferro, a um poste colocado no centro da praça e atearam fogo. Enquanto estava morrendo queimado, recebeu um crucifixo para se “purificar”, porém jogou-o longe, com um desprezo feroz. As últimas palavras de Giordano Bruno foram: “Morro como mártir e por minha própria vontade !”

A maneira resoluta e contundente como defendeu, a vida toda, as suas convicções filosóficas, que eram consideradas heréticas pelo Santo Ofício, e o desenlace trágico que pôs fim à sua vida, fizeram do filósofo Giordano Bruno um ícone manchado de um mundo e de uma época em que línguas de fogo açoitavam de trevas a luz dos espíritos discordantes à quem detinham algum poder. Seus trabalhos foram incluídos no famigerado “Santo Index” (Lista de livros considerados sacrílegos pela Igreja Católica, e proibidos de serem lidos.). Não obstante, quatro séculos após a execução de Bruno, suas idéias continuam a provocar debates em universidades e instituições religiosas, todavia, ele nunca foi perdoado pela Igreja, que atualmente alega que a Inquisição estava errada em executá-lo, porém, certa por rejeitar suas heresias. Uma estátua foi erguida no lugar da fogueira que o cremou, tão logo ali cessou o poder opressor para perpetuar a sua imagem. Giordano Bruno se constituiu numa figura simbólica sempre lembrada, citada e rememorada, independentemente de qual seja a consistência de suas argumentações, com destaque na área ciência-filosófica.

Houve uma verdadeira “Brunomania” na Itália, no século XIX, com os escolares estudando e perseguindo, com grande ansiedade, os ensinamentos e os trabalhos de Giordano Bruno, classificando-o como um livre pensador futurista, visionário, filósofo e mártir da ciência. A Maçonaria italiana, sempre muito forte, destacava seu trabalho e sua filosofia de vida, enquadrando-os nos conceitos da Sublime Ordem, divulgando-os junto às Lojas jurisdicionadas.

Giordano Bruno pode não ter sido Maçom, todavia, não lhe faltaram atributos, qualidades e características de um idealista capaz de morrer por suas mais profundas crenças para defender as suas idéias, o que o consagraria, de maneira incomparável, para que fosse um grande Obreiro da Sublime Ordem !....

ES.IR.EIIT

Bibliografia:

Abril Cultural - Os Pensadores – Vários autores

Alquié, Ferdinad - Bernhardt, Jean, e outros – A Filosofia do Mundo Novo Bombassaro, Luiz Carlos – Giordano Bruno e a Filosofia na Renascença

Bossy, John – Giordano Bruno e o Mistério da Embaixada Drewermann, Eufen – Giordano Bruno o el Espejo de Infinito Fichte, Johann Gottlieb – Filosofia da Maçonaria

Franca, Leonel Padre – Noções de História da Filosofia Ordine, Nuccio – O Umbral da Sombra

Yates, Frances – Giordano Bruno e a Tradição Hermética

(*) E. Figueiredo - é jornalista - Mtb 34 947 e pertence ao CERAT - Clube Epistolar Real Arco do Templo / Integra o GEIA – Grupo de Estudos Iniciáticos
Athenas /

Membro da Confraternidade Mesa 22, e é Obreiro da ARLS Verdadeiros Irmãos– 669 (GLESP)

Fonte: JBNews - Informativo nº 314 - 08 de Julho de 2011

quarta-feira, 15 de julho de 2026

FRASES ILUSTRADAS

FRENTE DO PAINEL DO GRAU

01/05/2026 o Respeitável Irmão Cláudio José Diettrich, Loja Luz do Oriente, 166, REAA, GLMRGS (CMSB), Oriente de Venâncio Aires, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta a seguinte questão:

FRENTE DO PAINEL

Caro Irmão. Estou pesquisando há vários dias, e ainda não encontrei uma resposta ao que busco, que é também uma preocupação minha, pois em Loja, discussões se sucedem, mas ainda não chegamos a uma resposta concreta. Minha pergunta é: Qual é a posição correta do Painel da Loja no sentido de ter sua face voltada para o Oriente ou para o Ocidente, e se o é para todos os graus, eis que há uma vertente no sentido de ser voltada para o Ocidente no 1º Grau, eis que os Irmãos são Aprendizes, e quando do 2º grau, a face o painel deve ser voltada para o Oriente, eis que os Irmãos companheiros receberiam a Luz e instruções sobre o Simbolismo do Painel do Venerável Mestre. Se houver distinção entre os graus, como seria a posição da face do painel quando de sessão do 3º grau?

CONSIDERAÇÕES:

Inicialmente vale ressaltar que as Lojas de Aprendiz, Companheiro e Mestre do REAA trazem, como elemento do seu mobiliário, um Painel para cada grau, o qual genuinamente fica exposto em Loja aberta sobre o Pavimento Mosaico, no centro do Ocidente.

Não importando o grau em que a Loja estiver trabalhando (aberta), o Painel - que aglutina os principais símbolos de cada grau – é exposto em um dispositivo próprio com a sua frente, onde se encontram os símbolos, voltada para a porta de entrada.

Esse modo de expor o painel na Moderna Maçonaria tem origem nos velhos quadros das Lojas que primitivamente tinham os seus símbolos riscados com giz ou carvão no chão. Nesse período era comum que as Lojas ocupassem dependências alugadas em tabernas e cervejarias, principalmente na Inglaterra.

Com a evolução especulativa da forma de trabalho maçônico, esses símbolos, que outrora eram riscados no chão e depois apagados, foram sendo transportados para um grande tapete decorado, o qual era estendido durante a sessão e enrolado, para ser levado embora, após o encerramento.

Com o aparecimento, mais tarde, de recintos próprios para os trabalhos maçônicos, que ficariam conhecidos como templos ou salas da loja, os tapetes gradativamente foram se transformando em painéis de madeira, desenhados ou marchetados, conhecidos como o Painel da Loja, ou do Grau. É como eles existem até os dias atuais.

Quanto a maneira de expor o Painel, em pé durante os trabalhos, o mesmo se consagrou tendo a sua frente voltada para a porta, mormente porque uma das suas funções também era a de indicar o grau em que a Loja estava trabalhando.

Em relação à transição do tapete para o painel, é possível se encontrar ainda muitas gravuras relativas à Maçonaria francesa do século XIX que mostram os tapetes decorados estendidos no chão, antes deles serem apresentados em pé voltados para a entrada.

Agora, sobre essa história de se virar o Painel para o Oriente ou Oriente conforme o grau, me perdoe, mas isso não passa de mais uma invencionice.

T.F.A.
PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MINUTO MAÇÔNICO - 20

ELEGÂNCIA

1º - Como é gratificante constatarmos a elegância de um irmão; verificar em seu comportamento a expressão de uma educação fina e irrepreensível.
2º - É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.
3º - A elegância deve nos acompanhar ao acordarmos até a hora de dormir, devemos manifestar sempre nos mais simples relacionamentos, onde não existam fotógrafos nem câmera de televisão.
4º - Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando e só depois manda dizer se atende.
5º - Se os amigos, os irmãos não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não irão desfrutá-la. Educação enferruja por falta de uso. E, detalhe, não é frescura. É A ELEGÂNCIA DO COMPORTAMENTO...

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

MAÇONARIA: UMA LUZ FORJADA NA FORJA DO PENSAMENTO

H.C. Cohutec Vargas Génis

Só as figuras carregadas do passado são ricas de futuro (Afonso Reyes)

Todo homem que aspira a um verdadeiro processo inicático deve compreender, a partir do próprio limiar do templo, que a chave do espírito humano permanece velada para as inteligências conformistas, as vontades indolentes e as consciências que abdicam do esforço de pensar. Nenhum santuário interior abre suas portas por acaso. Toda iniciação constitui uma conquista, e toda conquista exige primeiro a vitória sobre si mesmo.

Entrar no templo do espírito reclama uma proeza. Não aquela que persegue os aplausos do mundo, mas aquela que é escrita silenciosamente com disciplina, rigor, estudo e perseverança. Dia após dia, hora após hora, a existência lembra o homem que viver significa enfrentar resistência. Os antigos condensaram essa verdade numa sentença cuja vigência permanece inalterável: vita est militia. A vida é combate.

Mas o combate a que se refere a tradição inicática não confronta o homem contra os seus semelhantes. Enfrenta-o contra a ignorância que limita a sua inteligência, contra o orgulho que obscurece o seu julgamento, contra o medo que paralisa a sua vontade e contra o conforto que lentamente extingue a grandeza do espírito. Essa é a única guerra cujo triunfo liberta verdadeiramente o ser humano.

Irmão Aprendiz, Irmão Companheiro e Irmão Mestre: nunca confunda iniciação com conforto espiritual. A Luz não desce sobre quem fica imóvel esperando que o universo transforme aquilo que só o trabalho interior pode conquistar. Nenhuma revelação substitui a disciplina; nenhum símbolo substitui o estudo; nenhum ritual isenta do dever diário de se aperfeiçoar.

Heráclito compreendeu que o conflito é o pai de todas as coisas. A Maçonaria acrescenta que esse conflito atinge sua expressão mais elevada quando acontece dentro do homem. Lá, onde a razão combate o instinto, onde o dever desafia o desejo e onde a consciência disputa cada decisão ao ego, começa a verdadeira Obra.

Nosso espírito nunca se purifica na evasão. Purifica-se na realidade Fica mais forte quando a adversidade atinge e, mesmo assim, escolhemos permanecer firmes. Enobrece-se quando o pensamento governa a paixão, quando a inteligência disciplina a força e quando o dever acaba por se impor sobre o conforto. Assim como o aço só atinge a sua tempera ao atravessar o fogo da forja e a severidade do martelo, o caráter do iniciado só adquire consistência ao suportar o peso da prova, o rigor do tempo e a responsabilidade pelas suas próprias decisões.

Não espere encontrar uma paz definitiva, pois essa promessa pertence à linguagem das ilusões. Todo o topo conquistado revela outro ainda mais elevado; toda resposta fecunda gera novas perguntas; toda vitória interior inaugura uma exigência moral mais profunda. Quem interpreta esta lei como punição nunca entenderá a iniciação. Quem a reconhece como princípio do aperfeiçoamento terá descoberto uma das chaves da Arte Real.

John Morley afirmou que o grande propósito da educação é formar caráter. Nenhuma definição descreve com maior precisão o trabalho maçônico. Conhecimento não representa um ornamento intelectual nem um privilégio reservado a poucos. É uma responsabilidade crescente. Quanto maior a luz recebida, maior o dever de colocá-la ao serviço do bem.

E, por isso, a liberdade também não é um direito espontâneo. Seguindo o pensamento de Morley, só é livre quem aprendeu a governar sua própria consciência. Toda liberdade exterior é desprovida de sentido enquanto o homem permanecer sujeito à escravidão das suas paixões. Governar-se é a forma mais alta de autogoverno e a primeira condição para aspirar a governar qualquer outra realidade.

Maçonaria, por isso, não promete descanso. Promete crescimento. Não oferece abrigos para fugir do mundo, mas ferramentas para compreendê-lo e transformá-lo. Não entrega coroas destinadas a satisfazer a vaidade, mas responsabilidades cujo peso aumenta à medida que a consciência cresce. O iniciado descobre então que o amor deixa de ser uma emoção passageira para se tornar a expressão mais elevada da inteligência moral: a vontade constante de construir, servir e aperfeiçoar-se.

A verdadeira Luz nunca desce como um dom imerecido. A luz conquista-se. Cincela-se. Lentamente forja-se na solidão do estudo, na disciplina do pensamento, na contemplação silenciosa e na nobreza das obras. É uma chama cuja fortaleza vem precisamente do fogo que tentou apagá-la.

Então o homem deixa de pedir uma existência sem batalhas.

Compreenda que cada combate representa uma oportunidade de ascensão; que toda dificuldade constitui uma pedra destinada ao Templo; que toda prova é, na verdade, um grau invisível.

E finalmente descobre que a vitória suprema nunca consiste em derrotar os outros.

Consiste em conquistar, de novo e de novo, a ignorância, o orgulho e o medo que ainda permanecem escondidos dentro de si.

Porque Maçonaria não é um caminho para o conforto.

É a arte de transformar a luta diária em uma arquitetura do espírito, onde cada pensamento reto, cada ato virtuoso e cada decisão justa adicionam mais uma pedra ao único templo destinado a sobreviver ao tempo:
o próprio homem.

Fonte: Facebook_Maçonaria com consciência

terça-feira, 14 de julho de 2026

FRASES ILUSTRADAS

ATIVIDADE DOS DIÁCONOS NO REAA

Em 01/05/2026 o Respeitável Irmão Luiz Augusto F. G. Castro, Loja Estrela Flamígera, 2069, REAA, GOB-SP, Oriente de Barretos, Estado de São Paulo, faz a pergunta seguinte:

ATIVIDADE DOS DIÁCONOS

Praticamos o REAA e venho pedir sua ajuda no esclarecimento de uma dúvida: a circulação em Loja é estabelecida após o Ven∴ determinar abertura dos trabalhos e os sinais são feitos somente após a abertura do L∴ L∴. Em assim sendo, na abertura dos trabalhos quando o 1º Diácono leva a palavra ao Ir 1º Vig∴, ele deve observar a circulação, mas fica dispensado de sinais e saudações quando sai e entra no Or∴, ou seja, caminha normalmente descendo os degraus sem meneios. Estou correto no meu entendimento? Agradeço desde já a atenção do Ir. Abraços Fraternos

CONSIDERAÇÕES:

O Irmão está correto no seu raciocínio, pois como a Loja ainda não está definitivamente aberta, mas em processo de abertura, os Diáconos exercendo o ofício de mensageiros na transmissão da palavra, obedecem à circulação horária, mas não fazem sinal e nem parada formal. Isso está bem claro no ritual.

Vale esclarecer que o único momento em que é feito sinal antes da Loja estar aberta é quando o 1º Vig∴, em Loja de Aprendiz, faz do seu lugar a verificação para se certificar se todos nas CCol∴ são maçons. No mais, sinais e parada formal somente são feitos quando a Loja estiver definitivamente aberta.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

CURIOSIDADES

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A APRENDIZAGEM E A VIDA MAÇÔNICA

Arnaldo Gonçalves, M∴ I∴ 

Meu Querido Irmão Aprendiz:

O momento que te terá apanhado de surpresa e sobre que captaste apenas um pouco dos seus inúmeros pormenores e significado, representa o instante mais importante na vida de um Guerreiro da Luz. Possibilitou o primeiro mergulho no interior de ti próprio, exercício que será repetido vezes sem conta na via que começaste agora a trilhar. O primeiro passo nesse trilho foi um exercício de vontade e perseverança, uma vez que as provas a que foste sujeito não te demoveu na vontade de ver a Luz e seres recebido entre os Irmãos, como novo Obreiro.

Os passos que te vão ser exigidos, a partir de agora, serão novos apelos à tua vontade, esclarecimento e vontade de aprender. Estás agora na idade infantil da Maçonaria, a idade de Aprendiz e é-te exigido um silêncio absoluto durante as sessões da Loja. Esse silêncio não significa amesquinhamento ou desconsideração pela tua condição de Homem Livre e de Bons Costumes, requisitos sobre que foste inquirido aquando do inquérito maçónico.

Significa enorme disponibilidade para ver, ouvir, cheirar e sentir, sem juízos pré-formados e ideias pré-concebidas. Este é o tempo de aprendizagem sobre as regras da Arte Real, as normas da nossa Augusta Ordem, as exigências do ritual, a interacção dos Irmãos Mestres nos trabalhos da Loja. Olhar vivo e sentidos bem despertos é o que te recomendo. Se e quando tiveres necessidade de expor alguma necessidade ou ideia fá-lo pelo Irmão Mestre mais próximo de ti ou quando eu, na qualidade de Mestre da Loja, te autorizar.

A boa aprendizagem é aquela que se faz gradualmente, sem pressas, sem saltar etapas na via que agora iniciaste, na via do conhecimento das leis que nos regem, na relação com os outros homens, no preito Àquele de que fomos feitos à imagem, Deus.

Não tenhas, por isso, pressa. Na caminhada, que iniciaste, serás conduzido pelo oficial da Loja que tem a incumbência de instruir e supervisionar os Aprendizes, o Irmão Segundo Vigilante. Irmão que está sentado à tua frente, na mesa triangular que lhe serve de enquadramento. Deixa-te seguir pela mão dele, pela sua experiência e sensibilidade; cumpre as suas orientações. Será ele que me relatará os teus progressos e que me informará, ultimada a instrução, que estás em condições de veres o teu salário aumentado, isto é, progredires para Companheiro Maçom.

Na coluna onde te sentas, a coluna do Norte, não terás grande visibilidade, porque as três janelas do Templo estão fora da tua área de visão. Como saíste não há muito tempo do sepulcro onde morreste para a vida profana e terrena, os teus olhos têm dificuldade em se adaptarem à luminosidade que advém da iluminação do Grande Arquitecto, aqui representado pelo Delta luminoso que está por detrás do teu Venerável Mestre. Ela ser-te-á concedida paulatinamente, passo após passo, esforço após esforço. Porque o excesso de luz deslumbra e cega.

Os homens que vês em teu redor já fizeram essa caminhada, cada um de per si, e chegaram a outros estádios da evolução maçónica quando foram julgados merecedores desse progresso. Eles são os teus Irmãos e companheiros nessa jornada. Confia neles e observa-os.

Nós, Maçons, somos a mais antiga fraternidade humana. Fraternidade que, segundo uns, data do tempo das guildas e corporações de pedreiros e maçons operativos que construíram as grandes catedrais, os castelos, as igrejas paroquiais; segundo outros, de mais atrás das grandes civilizações da Antiguidade: dos egípcios, dos fenícios, dos babilónios, dos judeus. Nunca saberemos ao certo onde começámos e quando mas sabemos que desde então temos uma Regra, vários Rituais e Ritos, alguns segredos e princípios que nos orientam: tratar o outro como um fim e não como um meio; fazer o bem sem olhar a quem; ser solidário com os que têm dificuldades; ajudar a tornar o mundo em que vivemos um mundo melhor.

Somos uma Fraternidade com segredos que despertam enorme curiosidade do mundo profano, que entrevê em nós e nas nossas tradições ausência de transparência, ideias conspirativas e a subversão da Ordem Pública, inspiração satânica. Tudo isso nos merece uma enorme gargalhada que é a melhor forma de reagir perante as tolices de gente mal-informada ou apenas ignorante. Temos segredos mas apenas segredos ligados à nossa tradição e à transmissão do conhecimento que, como em épocas arcanas, é feito boca a orelha, pessoa a pessoa, para aqueles que merecem recebê-lo e aprendem a interpretá-lo.

Há o conhecimento imediatista, que poderíamos designar por exotérico com x, intuitivo; há depois o conhecimento esotérico, intimista, reflexivo. O primeiro está nos livros, na Internet, nas revistas sensacionalistas, nos documentários da conspiração; o segundo encontrarás por ti próprio, com esforço, observando os símbolos que te rodeiam mas olhando para dentro, para a tua alma, procurando a razão de estares aqui nesta particular comunidade de homens.

Procuraremos aqui despertar-te para este segundo domínio.

A Aprendizagem exige estudo, e muita reflexão, aplicação e vontade de melhorarmos como seres humanos e como maçons. A informação pode-nos ser mostrada e indicada mas esse caminho é individual e muito solitário. Buda disse “Somos o que pensamos. Tudo o que somos surge com os nossos pensamentos. Com os nossos pensamentos, fazemos o nosso mundo.” Jesus disse “O olho é a lâmpada do corpo. Se o teu olho é bom, todo o teu corpo se encherá de luz. Mas se ele é mau, todo o teu corpo se encherá de escuridão. Se a luz que há em ti está apagada, imensa é a escuridão”. Maomé acrescentou “A verdadeira riqueza de um homem é o bem que ele faz neste mundo”.

Toma estes ensinamentos como guia do teu comportamento, aqui e lá fora.

Todos os meses reunir-nos-emos aqui, duas vezes, longe dos olhares profanos para erguer novos templos à virtude e cavar sepulcros ao vício, exercitando o que designamos por Arte Real. Os nossos trabalhos são guardados por Irmãos que têm a missão de manter a sacralidade deste espaço e impedir a entrada de intrusos. A espada é o símbolo desse ofício, hoje puramente simbólico e essa a razão que o guarda interno está armado com uma espada. Mas por vezes os intrusos não são físicos mas mentais, são os nossos julgamentos precipitados, os nossos impulsos mesquinhos, os nossos ódios de estimação.

Habitua-te a deixar os teus pensamentos profanos à porta do Templo. Aquieta o teu pensamento quando entrares no Templo. Participa com alegria e empenho nos nossos trabalhos. Por vezes vê-se em lojas, irmãos a consultar repetidamente o relógio e o telemóvel. Isso é muito mau sinal: ou os trabalhos não estão a decorrer com a elevação, o rigor e a profundidade que deviam ter; ou esses irmãos não deveriam estar na sessão. A reunião em Loja é o momento quinzenal de convívio com os Irmãos e isso deve merecer a nossa concentração e respeito.

Finalmente o Templo em que estás não teria sido construído sem a ajuda fraterna e o contributo de todos os Irmãos desta Loja. Como te foi explicado na entrevista é-nos pedida uma contribuição mensal para que possamos fazer face à renda e à conta de electricidade e limpeza. O nosso Irmão Tesoureiro que se senta na coluna do Sul, à minha esquerda, tem a função de garantir que essas despesas sejam pagas a tempo e que os Irmãos façam, em tempo as suas contribuições.

Fonte: freemason.pt

segunda-feira, 13 de julho de 2026