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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br
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quinta-feira, 10 de setembro de 2026

PERDOEM-NOS

Ir∴ Naur Soares de Araújo Obreiro da ARLS Independência n° 119 
Or∴ São Paulo Baseado na crônica do Ir∴ Valdemar Sansão

Feliz daquele que pode todas as noites adormecer dizendo: nada tenho contra o meu próximo. Considero sagrada e merecedora de respeito todas as crenças. Na verdade, as pessoas com religiosidade conseguem viver mais, porque uma de suas características é perdoar. Não importa qual seja a religião.

A Maçonaria nos ensina que o perdão é estado de ânimo em que se encontra alguém ao ser perdoado. O pecado, na Religião, é um agravo de Deus, e o perdão consiste em não se considerar Deus agravado.

Estar com a mente sã e sem mágoas é uma ótima receita de prevenção.

Perdoar é um bálsamo para o espírito e para a saúde. Cultivar ressentimentos tende a se tornar um processo mórbido, pois fixa as pessoas num determinado ponto do tempo ou da vida, que limita horizontes e fecha possibilidades.

Perdoar significa, sob alguns aspectos, encerrar uma história marcada pela dor e libertar-se para que a vida possa seguir por caminhos mais promissores. Remoer o que já aconteceu e viver em função disso atravanca a mente e as possibilidades de ser feliz.

Na oportunidade, não podemos esquecer as lições de nossa própria história e de pedir ao Grande Arquiteto do Universo que nos perdoe e nos absolva pelas ofensas que lhe fizemos. Todos brigam, pai com filho, mãe com pai, irmão com irmão, mas quando descobrem que o perdão tem gosto de infinito ou gosto de céu, tudo é retornar à paz.

Perdoe-nos por termos ingressado na Ordem, possuir Diplomas e insígnias para sermos Maçons e termos tido todas as oportunidades para construir o “Nosso Templo” e tal fato não ocorreu. E, apesar das oportunidades de estudos e termos galgado os mais altos graus, não absorvemos os seus ensinamentos;

Perdoe-nos por termos feito comentários desairosos, promovendo a discórdia entre irmãos e contra administração de nossa Loja, tendo sido indiferentes e buscando apenas distração, ironizando aquilo que não pudemos conceber;

Por termos costumeiramente colocado a mão vazia no tronco da beneficência, por achar que o óbolo não seria bem usado, faltando assim, aos princípios da Caridade de nossa Instituição, esquecendo-nos que existem irmãos e tantos seres humanos necessitando de amparo material que podemos dar;

Pelas reuniões inócuas, resultando apenas num convívio social sem outros compromissos, se não um encontro entre amigos, como se fosse clubes recreativos, não produzindo frutos qual é nosso papel de construtores de uma sociedade sem discrepâncias sociais;

Pela vaidade e pela falta de saldar nossos compromissos com a tesouraria e de assiduidade às reuniões, só aparecendo na Loja em dias de festa;

Por considerarmos sagradas somente nossas próprias crenças desprezando a santida credo alheio; (sic)

Por deixarmos nosso idealismo descambar em fanatismo;

Por agirmos com insensibilidade aos sentimentos dos outros, fazendo o que não gostaríamos que fizessem conosco;

Por esquecermos as lições da nossa própria história e a dor que sentíamos quando outros nos ridicularizavam, desacreditando naquilo em que acreditávamos, porque não alcançamos aquilo que nossos próprios merecimentos negam;

Por não termos despido de nós as roupagens da vaidade, da soberba, da arrogância, da presunção e da prepotência, como também da inveja, da ira, do rancor, da mágoa, do ódio e do ressentimento, que nos envenenam, matando-nos devagar, tornando-nos verdadeiros suicidas;

Pela falta de coragem de olharmos bem para dentro de nós, como juízes severos e justos, para vermos claros os nossos defeitos e então podermos eliminá-los por meio do exercício de boas qualidades que abriram para nós as portas da Maçonaria; Por não termos desempenhado com seriedade as tarefas que na realidade nos competem e com as quais estamos como necessários, ajudando este mundo a ficar melhor;

Por não procurarmos o nosso próprio aperfeiçoamento e assim melhor servir a Maçonaria como realmente ela de nós espera;

Por termos mostrado descontentamento por não serem nossas idéias aceitas, ou de algum modo não nos terem notado;

Por não termos visitado e nem assistido os nossos irmãos e seus familiares necessitados nas suas tribulações, nos seus lares, nos hospitais e até mesmo na sua passagem para o oriente eterno;

Perdoe-nos, por não havermos perdoado do íntimo do nosso coração como gostaríamos de sermos perdoados pelo nosso irmão;

Por não termos feito o bem que podíamos e assim violamos o mandamento de nosso Livro da Lei - “amarás o próximo como a ti mesmo”;

Por colocar pedras no caminho e nos omitirmos no apoio do empenho do irmão que tem interesse por reconciliação, empregando a crítica negativa onde poderíamos tê-la usado na reconstrução ou reconciliação;

Por termos a consciência de que a sociedade em que vivemos está longe do desejável e mantermo-nos passivos e acomodados, nada fazendo para construção de uma humanidade mais justa e feliz;

Por aceitarmos esses falsos administradores de nosso País e achar que tudo está perfeito, e por nos tornarmos passivos e concordatários com tudo o que está se passando, como se nada estivesse acontecendo;

Por imaginarmos que precisamos dos órgãos físicos depois de mortos, recusando-nos a doá-los em compromisso para que alguém viva;

Por irmãos profanos do mundo inteiro, pelas graves ofensas que lhes fizeram alguns maçons;

Por nos esquecermos de perdoar, não sete, mas setenta vezes sete, àqueles que nos ofenderam; Pois até o direito de errar é sagrado, desde que o indivíduo assuma as conseqüências do que foi praticado. Por isso sempre que oramos o Pai Nosso, pedimos a Deus que perdoe a nossos ofensores como perdoamos a quem nos tem ofendido.

Por isso, ó Grande Arquiteto do Universo, Deus de misericórdia, perdoe-nos por ainda não conhecermos as bênçãos do Perdão, pois como dizia São Francisco de Assis, é perdoando que se é perdoado. Portanto, meus irmãos, perdoem sempre e terás muito mais vida e felicidade.

Fonte: JBNews - Informativo nº 320 - 14 de Julho de 2011

domingo, 6 de setembro de 2026

MAÇONARIA: DISCRIÇÃO X EXPOSIÇÃO

Kennyo Ismail

Ultimamente, temos visto no Brasil um movimento crescente de pessoas propagando velhas narrativas antimaçônicas, algumas delas, inclusive, criadas pelos Nazistas, em perfis do Instagram, vídeos no YouTube e Podcasts. E como observei em outra ocasião, entender suas motivações não é algo difícil: teorias conspiratórias envolvendo a Maçonaria são as mais longevas do mundo ocidental, persistindo por mais de trezentos anos, e já enriqueceram muitos mentirosos compulsivos ao longo desse período, que lucraram e ainda lucram impulsionando uma espécie de maçonofobia.

Um dos argumentos mais fajutos, e que ganham adeptos por sua simplicidade, é a de que um maçom favorecerá outro maçom em detrimento de um não-maçom. Dão como exemplo hipotético um juiz que seja maçom e que julgará a favor de um maçom, prejudicando assim a outra parte.

Além desse tipo de parcialidade ser o contrário do que ensinamos na Maçonaria, por acaso faz algum sentido que uma instituição que ensina ética e moral, que tem por princípios a igualdade e a justiça, promova esse tipo de favorecimento ilícito? Ainda, se seguirmos esse raciocínio antimaçônico simplista e nazista, não ocorreria o mesmo se um juiz for baiano e uma das partes for baiana? Ou se o juiz for flamenguista e uma das partes for flamenguista? Ou se o juiz for evangélico e uma das partes for evangélica? Ou se o juiz for de direita e uma das partes for de direita? Logo, todos os julgamentos serão suspeitos, bastando para isso que o juiz e uma das partes tenham alguma filiação ou afinidade em comum.

No meio maçônico, as opiniões frente a essas publicações antimaçônicas se dividem. Enquanto uns entendem que precisamos desmentir tais ataques, outros defendem que não devemos nos manifestar a respeito, de modo a não dar atenção a quem não merece. Sobre isso, há duas questões que devemos levar em consideração.

A primeira, é quanto ao Paradoxo da Tolerância, de Karl Popper. Por essa teoria, se a Maçonaria tolerar silenciosamente os ataques dos intolerantes, isso pode levar à destruição da Maçonaria. Conforme Popper, para se garantir a tolerância é necessário ser intolerante com os intolerantes. Exemplos claros disso são os países que foram tolerantes com grupos intolerantes, até que sofreram golpes de Estado e experimentaram governos intolerantes.

A segunda questão é que, ao contrário do que alguns irmãos imaginam, que se permanecermos em silêncio, logo todos esquecerão, não é assim que a Internet funciona. Absolutamente tudo que é publicado na Internet e compartilhado, divulgado, propagado, fica disponível por quase uma eternidade. E atualmente, a Internet, em especial as redes sociais, fazem parte do cotidiano e da rotina das pessoas. Isso significa que, quanto mais conteúdo antimaçônico tiver publicado, e menos conteúdo maçônico desmentindo isso, toda pesquisa que alguém convidado a iniciar ou um interessado em ser maçom fizer, resultará em uma avalanche de falsidades sobre a Maçonaria, sem encontrar uma contraparte.

Há maçons que acreditam que a Maçonaria era mais fechada antigamente e veem com maus olhos qualquer exposição maçônica feita. Mas isso não passa de um achismo, uma fantasia. A história nos mostra que a Maçonaria especulativa, desde o início, era bem mais aberta, realizando, inclusive, procissões públicas há mais de 300 anos. Ela se encapsulou, se tornando mais “discreta”, exatamente a partir dos anos 1930, quando foi perseguida pelo Nazismo e pelo Fascismo, e os efeitos disso ainda são vistos em muitos países da Europa Continental, onde a Maçonaria é mais discreta, não por opção, mas por necessidade.

É chegada a hora de nós, maçons brasileiros, conhecermos melhor a nossa história, para garantirmos que ela nunca se repita.

Fonte: https://noesquadro.com.br

sábado, 5 de setembro de 2026

DA COMPREENSÃO SUPERFICIAL À SABEDORIA VIVIDA

Uma das maiores armadilhas no caminho do aperfeiçoamento humano é confundir informação com compreensão. Ouvir muito, ler muito e repetir conceitos não significa, necessariamente, ter aprendido. O verdadeiro aprendizado começa quando o homem se recusa a aceitar o raso, o imediato e o conveniente.

O homem em lapidação precisa aprender a observar com atenção, a escutar com discernimento e, sobretudo, a não concordar apressadamente com aquilo que soa bonito, mas não foi ainda examinado em profundidade. A pressa em aceitar ideias revela mais desejo de pertencimento do que compromisso com a verdade.

Buscar compreensão profunda é exercitar a paciência intelectual. É ler pouco, refletir muito. É permitir que cada ensinamento seja confrontado com a própria consciência, com a experiência de vida e com a prática diária. Aquilo que resiste a esse crivo não é apenas aprendido, é incorporado.

Quando um ensinamento é verdadeiramente assimilado, ele deixa de ser um discurso externo e passa a fazer parte da estrutura moral do homem. Ele molda decisões, orienta atitudes e sustenta a conduta, especialmente nos momentos em que ninguém está observando.

Por isso, o verdadeiro progresso não está na quantidade de palavras acumuladas, mas na qualidade das virtudes construídas. Melhor é compreender profundamente uma única lição e vivê-la com coerência, do que percorrer muitos ensinamentos sem permitir que nenhum deles transforme o caráter.

A lapidação do homem exige silêncio, tempo e honestidade consigo mesmo. Só assim o conhecimento deixa de ser ornamento e se torna fundamento. E é nesse ponto que a instrução cumpre seu propósito: não informar o intelecto, mas transformar o ser.

Fonte: Facebook_Aprendiz de Cavaleiro

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

OS MAÇONS OPERATIVOS

Maçonaria Operativa no Século 21 – Bibliot3ca FERNANDO PESSOA

Autor: H.L. Haywood
Tradução: José Filardo 

Hoje é geralmente aceito pelas autoridades maçônicas que a moderna fraternidade dos maçons teve sua origem entre as corporações de construtores da Inglaterra na Idade Média. Uma pesquisa rápida do sistema de corporações em geral, já foi publicada no blog; agora é o momento de se examinar com mais cuidado as próprias corporações maçônicas, com vistas à obtenção de um retrato (necessariamente um pouco bruto, e em linhas gerais) dos usos e costumes de nossos antepassados Maçônicos, um assunto que escapa de ser acadêmico e seco pelo fato de que a maioria das regras, regulamentos e costumes em funcionamento entre nós hoje são traçados até os antigos Maçons Operativos (como é hábito descrevê-los), de modo que é impossível para nós compreender a Maçonaria de hoje separada da Maçonaria de muitos séculos atrás.

O assunto é reconhecidamente difícil.

Não temos uma série de documentos, nem mesmo uma abordagem a uma série, suficientemente extensa para nos permitir criar qualquer história da conexão entre as instituições centenárias de Pedreiros e Maçons. Não temos, de fato, qualquer material através do qual possamos formar alguma ideia definida da natureza exata daquelas primeiras sociedades.

Estas palavras de Halliwell-Phillips, descobridor do Poema Regius, o mais antigo e mais precioso de todos os manuscritos maçônicos, foram proferidas em 1839; muito foi adicionado ao nosso conhecimento da história maçônica desde então; na verdade, a história maçônica estritamente assim chamada só viria a surgir quase meio século mais tarde, mas mesmo assim a declaração permanece substancialmente correta. Nossas fontes são dispersas, bem como escassas e muitas vezes exigem grande habilidade para encontrar absolutamente qualquer fonte. Além disso, deve-se ter em mente que a Maçonaria da Inglaterra antes de 1717 era uma instituição em desenvolvimento e mudança, de modo que variava muito de um lugar para outro e de tempos em tempos; é um erro generalizar muito amplamente, com base em algum fato isolado.

Também é necessário que desafiemos cada escritor sobre o assunto a nos fornecer suas autoridades e fontes, e que ele prove ser ele próprio livre de partidarismo; um vasto negócio da chamada “literatura maçônica”, que flutua sobre o mundo é derivado de segunda ou terceira mão de autores acríticos que tomam suas próprias teorias a partir de boatos, ou de má interpretação ignorante de fatos conhecidos. A existência de uma declaração em algum livro antigo, mesmo que seja um volume das “Constituições” mais ou menos oficialmente sancionado pela Grande Loja não é de forma alguma uma prova de sua autenticidade. As teorias dos escritores mais velhos – conhecidos há tanto tempo e tão frequentemente amados entre nós – a de Anderson, de Preston, de Oliver, de Hutchinson, e o resto, são, afinal, apenas teorias, e não mais a serem protegidas do escrutínio da crítica histórica que as teorias lançadas em nossos dias.

As fontes em geral a partir das quais os historiadores autênticos reúnem informações relativas à Maçonaria operativa podem ser divididas em sete ou oito grupos, tabulados por conveniência da seguinte forma:

  • A história geral da arquitetura medieval. Um estudo da arte da construção em toda a Idade Média, tal como se desenvolveu na Itália, Alemanha, Holanda, França e Inglaterra revela muito sobre os construtores, de modo que se pode muitas vezes, aprender mais sobre Maçonaria de um historiador não maçom que em outros lugares. A História Medieval de Porter em dois volumes é um desses casos.
  • A história geral do povo da Inglaterra. A vida corporativa da Idade Média desempenhou um papel tão visível na vida das pessoas quanto às igrejas e escolas o fazem na história dos povos e nos ajuda a compreender melhor as instituições em seu meio.
  • Os estatutos passados por diferentes reis e parlamentos para governar os trabalhadores. A Portaria dos Operários de 1349 e o Estatuto dos Operáriosde 1350 são casos típicos. Sob o mesmo cabeçalho geral podem ser incluídos os relatórios da corporação, que eram relatórios feitos pelas corporações ao governo mediante demanda oficial. Alguns escritores acreditam que o Manuscrito ou Poema Regius foi escrito em resposta a algum desses pedidos, a fim de fornecer informações oficiais sobre a história e a prática dos Maçons no final do século XIV.
  • Os Antigos Manuscritos do Ofício, o primeiro dos quais foi o “Poema” que acabamos de mencionar, geralmente datado de 1390. Estes documentos foram escritos por homens crédulos e amantes de milagres em uma época em que era mais fácil acreditar em maravilhas que não fazê-lo, de modo que como fontes da história eles devem ser lidos com muita atenção; mas a aplicação aos mesmos do método histórico conhecido popularmente como críptico “mais alto” e “mais baixo” gera resultados e raro valor.
  • Diários, cartas, atas de loja, rolos de tecido, etc. Os registros da Companhia da cidade de Londres, apresentado à Ordem por Edward Conder, e as antigas atas de lojas da Escócia são os casos em questão.
  • A literatura geral do século XVII e início do XVIII. Sir Richard Steele menciona a Maçonaria, assim como Plot, Dugdale, etc.
  • As relíquias do passado incorporadas à instituição atual, como restos fossilizados de uma camada de rocha, lembrando uma das linhas familiares do irmão Rudyard Kipling, que, ao escrevê-los, pode muito bem ter tido isso em mente:

“Eu limpei o terreno para um Palácio como um Rei deve construir. Eu decretei e corte até meus níveis, atualmente, sob o lodo, cheguei às ruínas de um Palácio como um Rei tinha construído.”

  • Uma análise cuidadosa do ritual, por exemplo, no contexto da história geral da Maçônica produz, nas mãos certas, achados seguros e valiosos.

I. Muitos problemas permanecem obscuros

Foi uma tarefa enorme desenvolver estas fontes de possíveis informações a respeito de nossa história antiga; o fim está longe ainda, de modo que um aluno sábio, como o caro Horace Bushnell costumava dizer, “pendura muitos assuntos em ganchos, como ainda não resolvidos”. Muitos dos mais importantes de nossos problemas históricos, como, por exemplo, a questão de saber o número de graus antes de 1717, ainda estão dependurados, e manuscritos longos, provavelmente ainda não descobertos e inúmeros outros ainda não examinados por estudiosos maçônicos.

O ofício do maçom operativo não era fácil de aprender, especialmente porque não havia livros, manuais e escolas, como as que estão agora em uso; um trabalhador tinha de ser ele próprio um aprendiz quando era apenas um menino, a fim de aprender a arte em primeira mão na escola da experiência. Uma organização compacta era necessária (como o era na maior parte dos outros ofícios), não só para proteger os segredos comerciais, mas também como um meio de ensino.

Muitas vezes, um pedreiro trabalhava sozinho, passando de um lugar para outro à medida que o trabalho exigia, e em conformidade com as normas e regulamentos existentes em diferentes comunidades, cada qual com suas próprias leis e “costumes” – este último normalmente reconhecido pelos tribunais como tendo o peso de lei. Neste caso a Maçonaria podia ser praticada em uma aldeia em que não existisse loja ou corporação.

Em muitas cidades, os maçons tinham suas próprias corporações, como os outros ofícios; neste caso, eles realizavam seu trabalho da maneira descrita nos artigos anteriores. É um fato digno de nota que a corporação dos pedreiros não deixou muitas marcas na vida da cidade, sendo geralmente relativamente pouco importante em comparação com corporações de outros ofícios; e, em alguns casos, eles eram simplesmente proibidos de ter corporação, o que nem sempre é fácil determinar, embora seja provável que grande parte dos edifícios das cidades médias era monopolizada pelos carpinteiros, porque estruturas de tijolo e pedra não entraram geralmente em uso até um período relativamente tardio.

Por exemplo, em Norwich, a cidade das igrejas, os pedreiros parecem não ter tido uma corporação própria em 1375, mas eram anexadas aos carpinteiros. Nas obras de Exeter os pedreiros dividem uma obra com os ourives, e em York estão unidos com os Chapeleiros. Em 1604, encontramos que uma corporação em Oxford recebeu estatutos que incluíam maçons. Carpinteiros, Marceneiros e Telhadistas.” (Vibert)

Parece que a “loja“ era peculiar dos Pedreiros, embora seja provável que outros ofícios tivessem por vezes edifícios ou salas próprias próximas ao local de trabalho; os carpinteiros, por exemplo; mas a loja como uma organização, um corpo controlador, assim como o edifício, a cabana, ou local onde ela se reunia, era característica apenas dos construtores. Ela estava geralmente anexada ao edifício em construção, mas às vezes era uma estrutura permanente, como em Aberdeen. Em alguns casos, como em York e Westminster, grupos permanentes de trabalhadores estavam em constante presença e, provavelmente, usavam salas ou edifícios permanentes. A existência de uma loja onde admitir aprendizes  é mencionada no Poema Regius, entre as normas que regulamentam os aprendizes está a de que eram proibidos de divulgar o que acontecia na “loja”. O Manuscrito Cooke ordena que um Pedreiro deva “ocultar o conselho de seus companheiros em loja e em câmara”, uma regra sábia que poderia, nestes dias atuais ser pendurada nas paredes da loja.

II. Existiu uma “grande fraternidade”?

Eram todas essas diferentes lojas e operários individuais regidos por “uma grande fraternidade” que tinha jurisdição sobre todo o Ofício? Costumava ser uma opinião comum que este era o caso; mas todos os fatos posteriormente descobertos apontam na direção oposta, uma conclusão bem indicada pelo Sr. Wyatt Papworth, em Transações do Real Instituto de Arquitetos:

Todos os documentos que me levaram a acreditar que não houve qualquer corporação suprema na Inglaterra, embora possa parecer provável a existência de tal órgão. Assim, as “ordens” dadas aos Pedreiros na Catedral de York em 1352, dão apenas uma ideia pobre de que houvesse, na época, naquela cidade alguma coisa como uma corporação ou fraternidade reivindicando autoridade em virtude de um estatuto, que se supunha tivesse sido concedida por Atheistan em 926, não só sobre a cidade, mas sobre toda a Inglaterra.

R.F. Gould, que cita o referido, concorda, e diz, com relação à teoria de uma corporação suprema, que “todos os elementos que possuímos apontam em uma direção completamente oposta”. A unidade da atividade dos Pedreiros era mantida como a de qualquer outro oficio, por leis gerais, regras, regulamentos e costumes respeitados por todo o país, e também, conforme explicado no primeiro capítulo desta série, pela natureza do trabalho em si que, como as ocupações técnicas dos dias atuais não admite ampla variação na prática. O controle uniforme de todas as lojas a partir de uma autoridade central só surgiu muito mais tarde; ele não foi tentado até depois da formação da Grande Loja em Londres em 1717, e não foi aperfeiçoado até a organização da Grande Loja Unida da Inglaterra, no primeiro quarto do século XIX.

Uma questão mais difícil de tornar simples, mas que é absolutamente vital para a compreensão do assunto, é a diferença entre corporação de Pedreiros e Pedreiros-livres. Esses dados que possuímos são tanto fragmentados quanto confusos, de modo que os melhores especialistas não foram capazes de esclarecer todos os problemas envolvidos. No entanto, parece bastante certo que sempre houve uma divisão bastante ampla entre os membros das corporações locais estacionárias, que tinham o monopólio da construção em cada cidade, e os Pedreiros-livres empregados para construir catedrais e outras estruturas eclesiásticas. A corporação de Pedreiros estava vinculada por leis locais e não estava autorizada a trabalhar fora de sua própria comunidade, fato que assumirá mais força, quando é lembrado que na Idade Média as cidades eram muito mais independentes e autocentradas do que são agora, e mais zelosas das leis e costumes locais. Mas não havia, naturalmente, nenhum trabalho constante em qualquer cidade para homens treinados para trabalhar em catedrais, uma forma especializada de arquitetura tão difícil e exigindo tanto conhecimento especial que é muito difícil entender como os construtores de catedrais conseguiram resolver alguns dos seus problemas. É quase certo que esses Pedreiros-livres eram uma classe à parte da corporação de Pedreiros, e que, ao contrário da corporação de Pedreiros, eles tinham regras e regulamentos próprios, e estavam autorizados a aderir aos mesmos onde quer que estivessem trabalhando, e qualquer que fossem as ordenanças obrigatórias vinculantes para os Pedreiros locais. Também é quase certo que a Maçonaria, como ela mais tarde evoluiu para o que hoje chamamos Maçonaria Especulativa, originou-se entre as lojas de construtores de catedrais, e não entre as corporações de Pedreiros, embora, naturalmente, devesse ter havido certa interação e sobreposição entre as duas, nossas Antigas Obrigações, nossas tradições, lendas e nosso simbolismo chegaram até nós a partir das lojas migratórias associadas a estruturas eclesiásticas. Pode não ser possível provar esta teoria para satisfação de um tribunal, mas todas as evidências disponíveis, direta e indireta indicam isso. O ponto é de extrema importância, não só no que diz respeito à história, mas sempre que pretendemos reger nossa Ordem atual por atividades do passado.

Era uma coisa difícil de governar adequadamente uma loja de Pedreiros construtores de catedrais, não somente por seu caráter essencialmente temporário, mas também pelo fato de ter em mãos a obra mais admirável possível na Idade Média, envolvendo o dispêndio de grandes somas, a importação de trabalhadores do exterior e da movimentação de massas de material caro. Em uma empresa desse tipo todos os tipos e maneiras de homens foram empregados, desde o superintendente geral, que seria um artista ilustre, até os trabalhadores rudes e moços de recados, um grupo cosmopolita no qual todas as classes seriam representadas, sacerdotes, bispos, senhores, homens livres, escravos, servos, necessitando um sistema complexo e altamente desenvolvido de administração. O controle geral de tal empresa, às vezes, ficava inteiramente nas mãos de religiosos, às vezes, totalmente em mãos leigas, e muitas vezes em um grupo misto.

III. Os oficiais das lojas eram os líderes 

O encarregado do trabalho seria um chefe geral, de diversos estilos de superintendente, supervisor, arquiteto, chefe de obras, guarda das obras, mantenedor da fabrica, diretor, inventor, etc. O presidente era chamado mestre, guardião, diácono, presidente, conforme determinassem os costumes locais; o detentor dos fundos era um mestre de caixa ou tesoureiro; além disso havia outros funcionários, como contadores, que, naturalmente, caíram totalmente fora da forma de organização quando o Oficio se tornou especulativo, porque os oficiais das lojas operativas eram escolhidos tendo em conta o trabalho a ser feito, e não como representantes de graus ou categorias de uma ciência especulativa. Não parece que um cobridor era empregado, embora seja certo que alguns meios eram utilizados para guardar a porta da loja.

Os membros da Ordem eram regidos de acordo com um conjunto de regras e regulamentos que cada Pedreiro jurava respeitar, versões dos quais estão incorporadas em diferentes versões das Antigas Obrigações, a mais velha delas, assim se acredita, sendo a do Manuscrito Cooke, datado de meados do século XV, e preservado com algumas alterações nas constituições ainda usadas por Grandes Lojas; essas regras eram adaptadas às necessidades de tempo e lugar, e pode-se supor, mas, em linhas gerais, foram fielmente preservadas por muitos séculos. As “Ordens aos Pedreiros e Trabalhadores” encontradas nos Registros de Fabrica da Catedral de York, fornecem uma ideia razoável do horário de trabalho, condições de trabalho, e as regras gerais:

Os primeiro e segundo Pedreiros, que são chamados de mestres da mesma, e os carpinteiros, farão o juramento que eles farão com que os costumes antigos assumidos sejam fielmente observados. No verão, eles devem começar a trabalhar imediatamente após o nascer do sol até o toque do sino da Virgem Maria; depois até café da manhã na loja da fábrica (logium fabricae), então um dos mestres deverá bater à porta da loja, e imediatamente todos devem voltar a trabalhar até o meio dia. Entre Abril e Agosto, depois do jantar, eles dormirão na loja; em seguida, trabalharão até o primeiro sino de Vésperas, depois sentar-se-ão para beber até ao final do terceiro toque do sino, e retornarão ao trabalho enquanto puderem ver a luz do dia. No inverno, eles devem começar a trabalhar ao nascer do dia, continuar como antes, até o meio-dia, tomar sua refeição, e voltar ao trabalho até o fim da luz do dia. Em Vigílias e aos Sábados eles devem trabalhar até o meio-dia.

Parece que de tempos em tempos, assembleias eram realizadas, também chamadas congregações, e em um Manuscrito (O Papworth) era colocado as regras das associações, para que todas as lojas em um determinado distrito se mantivessem em devida ordem e sob o controle dos agentes do rei. As Antigas Obrigações fazem muitas menções a elas, apesar de apenas três assembleias serem claramente mencionadas; o Regius refere-se a uma convocada pelo rei Athelstan à qual compareceram grandes senhores e burgueses; outra versão fala de uma assembleia realizada em Windsor, quando Edwin foi iniciado; e quase todos eles referem-se às assembleias de York. “Cada mestre que seja um Pedreiro-livre”, diz o Regius, “deve estar na congregação geral.” É provável que algumas dessas reuniões fossem convocadas por oficiais da ordem, e outras pelo xerife do rei ou de outras autoridades, neste último caso, para zelar para que a Ordem estivesse obedecendo rigorosamente as leis do reino. O Manuscrito Cooke deixa claro que o comparecimento era obrigatório para os mestres: “Que cada Mestre seja notificado para vir a sua congregação, que ele venha no devido tempo, a não ser que seja desculpado por algum motivo. Mas, aqueles que desobedeciam a tais congregações, ou fossem falsos com seus empregadores, ou tivessem agido de modo a merecer a reprovação pela Ordem, deveriam ser dispensados somente por doença grave, notícia sobre a qual devia ser data ao Mestre que presidia a assembleia”. Não há registro de qualquer assembleia em nível nacional, nem é possível ter certeza sobre quando e onde tais reuniões eram realizadas; ou por quanto tempo o costume continuou; os registros são tão escassos, e muitas vezes tão confusos, que não podemos ter certeza de qualquer ponto, exceto que algum tipo de assembleia era realizado ocasionalmente. Alguma ideia da extensão do território abrangido pela autoridade de tal assembleia geral é sugerida pelas Antigas Obrigações, como em Cooke, Grande Loja, York, Sloane e outros que mencionam oitenta quilômetros; o Harleian, dezesseis quilômetros, e ainda outros, todos de uma data posterior, oito quilômetros. Com o passar do tempo e o aumento das cidades e da população da Inglaterra, as assembleias simplesmente saíram de moda; pode muito bem ser que a ideia de formar uma “Grande Loja” em Londres, em 1717, fosse sugerida a “algum velho irmão” pela leitura das Antigas Obrigações; podemos pelo menos estar certos de que os irmãos naquele tempo sentiam-se justificados em tomar a medida radical pelo fato de que as assembleias gerais “tinham sido realizadas em tempos antigos.”

IV. Quantos graus existiam?

As Lojas Maçônicas Operativas não empregavam graus, em nosso sentido moderno do termo, mas graus reconhecidos de trabalhadores e tinham regulamentos e, provavelmente, cerimônias correspondentes. Um jovem era feito aprendiz com apenas doze ou catorze anos de idade, portanto não é provável que o seu ingresso no ofício fosse realizado com qualquer cerimônia muito pesada, mas é certo que ele era obrigado a ouvir a Lenda do Oficio, suas regras e regulamentos, e era obrigado a fazer um juramento. Após sete anos, ele passava para o outro grau, e se tornava Mestre Pedreiro ou Companheiro, os dois sendo dois termos para o mesmo grau. As autoridades estão quase igualmente divididas quanto a ser esse avanço realizado por meio de qualquer tipo de cerimônia secreta; o fato de que se sabe que os aprendizes estavam presentes ao “se fazer um mestre” poderia indicar que tal coisa não ocorreu; mas o outro fato de haver uma divisão entre os dois graus sugeriria que um mestre recebia alguns segredos que nunca eram dados a um aprendiz. No continente, um operário viajava por cerca de dois anos ou mais, depois de ter sido feito Companheiro, mas este não era o costume na Inglaterra, onde, no século XIV, era expressamente proibido por lei. Todos os mestres estavam no mesmo nível com relação a direitos e privilégios, mas alguns mestres gozavam da maior honra de serem escolhidos para fiscalizar o trabalho, e que, portanto, estavam em um grau ainda mais elevado no que diz respeito à posição; mas mesmo assim eles não possuíam segredos do ofício que os companheiros não possuíssem. Os salários variavam de tempos em tempos, muitas vezes fixados por lei; geralmente os trabalhadores recebiam luvas, túnicas, aventais, e às vezes cama e comida; os aprendizes nada recebiam ou então pequenos montantes, além de cama e comida. Em cada construção, muitos trabalhadores não membros da loja eram necessariamente empregados, dos quais temos registros abundantes; eles eram conhecidos como pedreiros ordinários, profanos, assentadores, “pedreiros sem a palavra”, paredeiros, estucadores, etc. Era terminantemente proibido para qualquer mestre pedreiro expor os planos ou empregar seus segredos de ofício na presença destes homens, que eram vistos como “profanos”, ou estranhos. Além disso – este é um fato importante – era necessário dar a “liberdade da loja” a certos homens relacionados com as obras que não eram Pedreiros treinados, podia ser um bispo, estando encarregado de todo o trabalho, ou um homem especialmente qualificado em geometria ou outros itens importantes da maçonaria “especulativa”. Na Escócia, estes irmãos, assim, recebido na loja, mas não como trabalhadores efetivos, eram conhecidos como Maçons “geomáticos“ ou “cavalheiros”. Alguns deles eram, sem dúvida, muito sábios, e não é um palpite supor que certa quantidade de simbolismo e “trabalho” esotérico que, finalmente, evoluiu até o magnífico Ritual agora empregado pode, no início, ter sido devido à presença destes cavalheiros educados.

Quando o Oficio se transformou em uma instituição especulativa no século XVIII, as cerimônias antigas e provavelmente muito simples empregadas pelos Maçons Operativos foram enormemente modificadas e ampliadas, em alguns casos, pela adição, pode-se acreditar, de materiais provenientes de fontes diferentes da Maçonaria Operativa; os um ou dois graus foram reorganizados e um terceiro foi adicionado, algum tempo depois de 1720. Após esse sistema de três graus se tornar permanentemente estabelecido – algo que levou muito tempo para ser feito, e depois de encontrar oposição – foi adotado na Escócia, na Irlanda e no Continente, dando origem à Fraternidade presente em todo o mundo. Deve-se notar aqui, e como um fato que nunca deve ser esquecido pelo estudante, que, embora muitos países além da Inglaterra tivessem um sistema de Maçonaria Operativa, foi só na Inglaterra que a Maçonaria Especulativa se desenvolveu; toda a Maçonaria Especulativa existente hoje veio inicialmente daquela única fonte. As tentativas de explicar em nossas práticas atuais por meio de referências à Maçonaria Operativa na Alemanha, Itália, Espanha e França são geralmente enganadoras. O segredo era vital para a Maçonaria naqueles primeiros tempos como é agora, e por razões semelhantes, exceto na questão das fórmulas comerciais, a posse dos quais tinha o mesmo tipo de valor monetário para um Maçom Operativo que a posse de uma patente tem hoje em dia. Sem uma cuidadosa guarda de tudo o que se passava na loja, todo o sistema teria ficado em pedaços, a arquitetura teria se tornado uma arte perdida, e o mundo teria ficado muito mais pobre, uma coisa que se poderia dizer com igual ênfase sobre a Maçonaria Especulativa, que mantém as portas fechadas aos estranhos, não porque tenha alguma coisa de que se envergonhar, como é a moda em alguns círculos se presumir, mas porque sem os seus arcanos, ela em breve deixaria de ser algo mais que um mero clube social, de que, só Deus sabe, já temos em abundância. Mas, enquanto nossos segredos são morais e especulativos, aqueles mantidos tão cuidadosamente pelos nossos antepassados eram da variedade comercial, e tinham a ver com os métodos de projeto e construção. Eu já citei um trecho do Poema Regius comandando o aprendiz a “ocultar” o “conselho de seus companheiros”; a regulamentação de importância semelhante ocorre em todas as Antigas Obrigações, conforme testemunha esta passagem do Harleian:

Você não revelará seu Mestre ou Dama [esposa do Mestre] seus Conselhos ou segredos, que eles lhe deram, ou o que deve ser ocultado, falado ou feito, dentro do perímetro de sua casa.

Esta passagem mostra que o segredo Maçônico Operativo tinha seu lado moral, bem como profissional. Assim é entre nós; a Maçonaria Especulativa ensina que o segredo é uma virtude a ser praticada em todos os lugares e sempre, e não apenas um dispositivo para manter os estranhos no escuro quanto aos assuntos da loja, uma sábia advertência em um mundo tão cheio de pessoas, onde a confiança que alguém coloca em um companheiro seu precisa ser mantida em confiança sagrada.

V. Os maçons se diferem de outros profissionais

O ofício dos Maçons Livres é diferente em um aspecto muito importante daquele de quase todas as outras corporações, ou seja, que o trabalho de seus predecessores permaneceu visível em seu meio. Um alfaiate, um carpinteiro, um funileiro poderia se importar pouco sobre a história de seu ofício, suas tradições ou seus ideais; por que ele haveria de fazê-lo, porque seu trabalho rapidamente pereceu e não poderia deixar para trás restos duradouros. Com os construtores de catedrais, foi o contrário. Eles estavam familiarizados com o trabalho que seus pais haviam feito, amado e reverenciado, e encontraram nele um livro aberto de lições, um poço de inspiração, uma casa de doutrina. Da mesma forma, era uma questão de grande importância para eles preservar as tradições do passado, sua luz e sua fama, porque eles estavam, eles mesmos, engajados em fábricas que durariam de geração em geração, e transmissores de uma arte tão duradoura quanto pedras forjadas em contraforte e paredes.

Por este fato em si, parece-me, ignorando todos os outros, seria quase inevitável o desenvolvimento de um sistema de simbolismo. Os homens que construíram igrejas tinham de pensar e praticar a religião, tinham que se familiarizar com a filosofia e saber algo de arte, e todos estes interesses nos dias em que não havia imprensa e o analfabetismo era geral poderia ser expresso de alguma outra forma que não fosse simbólica. O simbolismo era a língua popular, de modo que as esculturas na fachada de uma catedral eram um livro para o povo, a história do mundo, uma Bíblia para os olhos. Num tempo como este, teria sido realmente estranho, se os artistas que falavam ao povo através de símbolos não tivessem utilizado o mesmo meio para ensinar a seus próprios aprendizes e preservar os seus próprios segredos.

Basta olhar para a fotografia da fachada de uma catedral para ver que os homens que a construíram tinham mentes simbólicas, não para esconder as suas ideias, mas expressá-las; e que os pensadores mais poderosos do período deixaram para trás em símbolos algumas das ideias mais ricas e raras jamais conhecidas, e que muitas vezes não seriam descobertas de outra forma. Interpretar seus símbolos não é um jogo de antiquário, como o de juntar um velho quebra-cabeças, mas é um legítimo trabalho da mente, esforçando-se para traduzir em nossa própria linguagem e formas de pensamento as verdades aprendidas pelos maçons-livres e ensinadas por eles da maneira que sabiam; é como a tradução de um livro sábio e antigo de uma língua morta para uma língua viva.

Foi a Reforma que deu à Maçonaria Operativa seu golpe de misericórdia. Henrique VIII, após dissolver os mosteiros e conventos, foi secundado por Eduardo VI, que varreu os últimos vestígios das irmandades, confrarias e associações religiosas que não fossem a igreja, ambos os reis embolsando o dinheiro em nome da bolsa privada. Os mosteiros tinham sido os principais empregadores dos Maçons Operativos, e com a chegada de uma época de puritanismo no pensamento, na moral e na arte o período de construção das catedrais chegou a um triste, mas não inglório fim. As os pedreiros Operativos abandonaram e perderam completamente o interesse no Oficio; só os mais inteligentes entre os graus mais leves de trabalhadores continuaram a valorizar as antigas tradições, ler os velhos manuscritos, e debruçar-se sobre os símbolos consagrados pelo tempo.

No século XVII as lojas começaram a se tornar definitivamente especulativas, ou pelo menos não operativas; e até o primeiro quartel do século seguinte, todo o sistema foi reestruturado de cima para baixo, a Maçonaria Operativa desapareceu, exceto em casos isolados, e a Maçonaria Especulativa surgiu. Mas, afinal, e na sequência, o mundo foi quem ganhou. Muitos de nós são Maçons que nunca seguraram uma colher de pedreiro, continuando os vetustos costumes e mantendo vivo o fogo antigo, não porque somos supersticiosamente reverentes do passado, mas porque em nossa herança dos Maçons Operativos temos um tesouro de riquezas insondáveis pelas quais se é habilitado a se tornar em sua alma secreta um templo não profanado onde habita uma luz trazida do passado, através da qual somos ajudados a guiar nossos passos ao longo dos caminhos tortuosos da vida em direção à vocação de um homem, que é a honra, a retidão e a fraternidade.

Fonte: opontodentrodocirculo.com

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

ÂNGULO DO COMPASSO NA MAÇONARIA

Um leitor enviou um interessante questionamento:

“Qual o ângulo em que deve ser aberto o Compasso e por quê?”

Postado por Kennyo Ismail

O repasse é do Ir∴ Abtino Berlanda Cosyta

Antes de tratar do tema especificamente, devemos nos lembrar que os símbolos não são fórmulas fixas, variando de formas e significados conforme o tempo e as culturas e, no caso maçônico, também conforme os “achismos” dos ritualistas e autores. Por esse motivo, pode-se encontrar significados e explicações diferentes para um determinado símbolo maçônico conforme variações de país, obediência, rito, época, etc.

No caso do ângulo de abertura do Compasso, você encontrará por aí várias opções, cada uma com sua respectiva teoria e seus defensores:

O compasso aberto em 45° nos três graus simbólicos;

O compasso aberto em 60° nos três graus simbólicos;

O compasso aberto em 72° nos três graus simbólicos.

O compasso aberto em 30° no Ap, em 45° no Comp, e em 60° no Mestre;

O compasso aberto em 30° no Ap, em 60° no Comp, e em 90° no Mestre;

Veja que os ângulos variam entre 30° e 90°. Será que há algum motivo oculto para isso? Nenhum, além do fato que em menos de 30° ou mais de 90° o desenho do Compasso com o Esquadro fica um tanto quanto desarmônico!

Você poderá encontrar vários diferentes significados para o(s) ângulo(s) do Compasso. Segue os mais comuns:

Teoria dos “30°, 45°, 60°”: representa o alcance do conhecimento humano. O Maçom aumenta seu intelecto conforme o grau, mas nunca ultrapassa 1/6 (60° em 360°), que seria o “limite humano”. - Em resumo, chamam o Aprendiz de retardado mental;

Teoria dos “30°, 60°, 90°”: representa a relação do espírito com a matéria, em que o Aprendiz começa com o Compasso mais fechado, mostrando que a matéria está prevalecendo, e o Compasso vai se abrindo a cada grau, mas chegando ao máximo no ângulo da matéria (esquadro), de 90°. - Será que se abrir mais do que 90°, o maçom morre?!?;

Teoria dos "72°": representa o ângulo interno das pontas do Pentagrama, símbolo presente na Estrela Flamígera e desvendado por Pitágoras. - Mas o Esquadro e o Compasso não têm juntos 06 pontas?.

Das teorias do Compasso com ângulo fixo nos três graus, a teoria de 60° é a mais forte, presente na maioria dos rituais e gravuras atuais. Essa teoria se reforça nas seguintes questões:

É comum relacionar o símbolo do Esquadro e Compasso com o do Exagrama (estrela de seis pontas), ou melhor, a Estrela de Davi, que é um símbolo muitas vezes relacionado ao GADU e ao Templo de Salomão. As 06 pontas do exagrama possuem o ângulo interno de 60°.

O triângulo perfeito, que seria o símbolo maior da Maçonaria, com 3 lados iguais, é composto por 3 ângulos internos de 60°.

Considerando o Esquadro como símbolo da retidão e o Compasso como símbolo da perfeição, o Esquadro forma o triângulo-retângulo, 90° (retidão), e o Compasso em 60° forma o triângulo-perfeito (perfeição).

Porém, apesar de mais coerente e comum, a teoria do ângulo de 60° não é a correta. Aliás, nenhuma pode ser considerada como a verdadeira, a original.

Infelizmente, vê-se na Maçonaria uma tendência em adicionar à nossa simbologia significados extras, ocultos, inexistentes. O Compasso é apenas mais um típico exemplo disso. Uma breve análise de gravuras maçônicas de Esquadro e Compasso do século XVIII e XIX, quando do nascimento das primeiras Obediências e Ritos, é o bastante para comprovar que não havia uma conformidade no ângulo de abertura do Compasso. O símbolo era sempre composto de um Compasso aberto e um Esquadro, mas pouco importando o ângulo do compasso que, conforme as gravuras, era sempre inexato: 32°, 44°, 56°, 64°, etc.

Enfim, essa preocupação “numerológica” é coisa bem mais recente, apenas outro "enxerto" em nossos rituais.

Fonte: JBNews - Informativo nº 319 - 13 de Julho de 2011

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

MAÇONARIA É DE ESQUERDA OU DE DIREITA?

Essa pergunta parece simples, mas parte de uma premissa equivocada.

A Maçonaria não nasceu para defender um partido, uma ideologia ou um projeto de poder. Seu propósito é formar homens moral e intelectualmente melhores para contribuir para uma sociedade melhor. Por isso, reúne pessoas de diferentes posições políticas, desde que compartilhem princípios como liberdade de consciência, tolerância e fraternidade.

A imagem de que a Maçonaria é “de direita” ou “de esquerda” depende muito mais do contexto histórico do que da própria instituição. Em alguns países, ela é vista como conservadora porque a maioria de seus membros possui esse perfil. Em outros, foi identificada com movimentos liberais por defender a liberdade de consciência e resistir a regimes autoritários. Durante a Segunda Guerra Mundial, por exemplo, a Maçonaria foi perseguida pelo regime nazista. Lojas foram fechadas, seus bens confiscados e milhares de maçons foram presos e assassinados por defenderem princípios incompatíveis com o totalitarismo.

O dever do maçom, porém, não é escolher um lado da disputa política, mas compreender a política com profundidade. Se o objetivo da Ordem é contribuir para tornar a humanidade mais feliz, é impossível fazer isso sem entender como as sociedades se organizam.

Talvez o problema esteja nos próprios rótulos. As Forças Armadas, por exemplo, costumam ser associadas à direita por valorizarem hierarquia, disciplina e tradição. Mas também são uma instituição estatal voltada ao interesse coletivo, na qual a missão está acima do indivíduo, a identidade pessoal é subordinada à farda e a coesão do grupo é um valor fundamental. A Igreja enfrenta dilema semelhante: preserva valores tradicionais, mas também organiza comunidades baseadas no dever para com o próximo e na responsabilidade coletiva. Então, afinal, essas instituições são de direita ou de esquerda?

Talvez pensar como um homem livre comece quando deixamos de repetir rótulos e passamos a compreender os conceitos. A realidade quase sempre é mais complexa do que as categorias que usamos para descrevê-la.

Fonte: instagram_Desbastando

terça-feira, 1 de setembro de 2026

OS NÃO INICIADOS CURIOSOS

Hoje em dia, com o tribunal da internet aberto 24 horas, qualquer curioso que explora dois palmos abaixo da superfície da teoria maçônica já se sente no pleno direito de mentir, vestir uma capa imaginária e fingir ser maçom. 

O profano iludido acha que ser maçom se resume a decorar 5 letrinhas em abreviações, lançar em comentários de redes sociais e sair interrogando o próximo: "Qual sua potência? Qual o nome da sua Loja?". Fazem isso como se fosse um crachá de clube, esquecendo (ou melhor, desconhecendo) o mais absoluto e básico dos nossos princípios: a discrição. 

Entendam de uma vez por todas: para ser maçom, exige-se infinitamente mais do que prepotência e vaidade. Muitos usam o nome de um Oriente ou outro para sustentar uma fantasia digital, mas acabam fazendo papel de tolos. No mundo real, o Mestre bate o olho e já sabe. Ele percebe imediatamente que ali não há um Irmão, mas apenas um homem frustrado que não aceita a própria condição e precisa mentir sobre algo que nunca teve a honra, o mérito ou a oportunidade de ser. 

Vamos parar de passar vergonha na internet? Parem de fingir ser Mestre Maçom ou iniciado.

O iniciado é única e exclusivamente aquele que passou pela cerimônia e que hoje senta no banco dos Aprendizes. Aquele que fica catando PDF, lendo rituais vazados e acumulando livros na internet não é um iniciado. Na verdade, ao agir com essa afobação e arrogância de "sabe-tudo", você está apenas cavando um abismo e se afastando cada vez mais da chance de um dia ser convidado. Quer fazer parte? Saia do Google. Busque um Mestre de sua confiança no mundo real, prove seu valor como homem e demonstre sua vontade genuína. 

Agora, o recado para os de dentro.

Esse puxão de orelha não é só para o profano vaidoso. O recado também vai direto para muitos que são iniciados, mas que abrem a internet para espalhar prepotência, ofensas, xingamentos e chiliques em discussões rasas, manchando a imagem da Ordem.

Se você é Mestre e ainda se rebaixa a esse tipo de comportamento infantil e arrogante nas redes, você precisa urgentemente de um choque de realidade. Volte lá no Grau 1. Pegue o seu Maç:. e o Cin:., levante a ab:. do seu Av:. e retorne imediatamente ao trabalho exaustivo na P.B:..
Você ostenta o título, mas pelo visto, esqueceu completamente o básico da lapidação moral. 

Fonte: Facebook_Federação Maçônica de São Paulo

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

CONDUTA DO VERDADEIRO MAÇOM

Autor desconhecido – trabalho enviado pelo Ir∴ João Ferreira de Moraes Neto da A∴R∴L∴S∴ ACÁCIA IGUAPENSE - copiado e corrigido por: José Valentim Rodrigues - M∴I∴ da A∴R∴L∴S∴ ACÍLIO CÂNDIDO VENTURA – 3569 - Or∴ de Ilha Comprida – SP.


"Você possui apenas aquilo que não perderá com a morte; tudo o mais é ilusão". (Autor Anônimo)

Qual o estado de ânimo do maçom ao chegar a Loja?

1º - Cumprimentar seus irmãos com alegria e ser amável ao abraçar cada um, demonstrando a satisfação em participar daquela reunião.

2º - Se necessário, ajudar na preparação da loja e aproveitar a oportunidade para ensinar aos aprendizes os porquês de cada objetivo e seu significado.

3º - Procurar cumprir e estimular os Irmãos para que a reunião tenha início no horário previsto.

4º - Abandonar os problemas ditos "profanos" antes de entrar na sala dos passos perdidos.

5º - Tudo o que for realizar, faça com amor e gratidão, pois muitos desejariam estar participando e não podem.

Lembre-se: MAÇONARIA ALEGRE E CRIATIVA DEPENDE DE VOCÊ (SABER-QUERER- OUSAR-CALAR)

Você pretende ir à Loja hoje?

1º - Sua participação será sempre mais positiva quando seus pensamentos forem mais altruísticos.

2º - Participação positiva será daquele que, com poucas palavras, conseguir contribuir muito para as grandes realizações.

3º - Ao falar, passe pelo crivo das "peneiras", seja sempre objetivo e verdadeiro em seu propósito. Peneiras: 1) Verdade 2) Bondade 3) Altruísmo.

4º - Às vezes um irmão precisa ser ouvido; dê oportunidade a ele para manifestar-se.

5º - Falar muito quase sempre cansa os ouvintes e pouco se aproveita. Fale pouco para que todos possam absorver algo de importante e útil que você tenha a proferir.

Entendendo meus irmãos.

1º - Eu não posso e não devo fazer julgamentos precipitados daqueles que comigo convivem.

2º - Estamos todos na escola da vida aprendendo a relacionar-nos uns com os outros, e o discernimento é diferente de pessoa para pessoa.

3º - Quanta diversidade existe nas formações individuais. Desejar que o meu Irmão pensa como eu é negar a sua própria liberdade.

4º - Temos a obrigação de orientar, ensinar, mas nunca impor pontos de vista pessoais inerentes ao nosso modo de ver, sentir e reagir.

5º - Não é por acaso que nos é sempre cobrada a tolerância. Devo aprender a ser tolerante primeiro comigo mesmo e, então, estende-la aos demais.

Dia de reunião! Você já sabe o que tem a fazer?

Iº - Hoje é dia de reunião, vou dar uma lida no meu ritual para não esquecer os detalhes!

2º - Mesmo que eu já saiba de cor o ritual não deve negligenciar seu cargo ou sua função em Loja.

3º - Se o irmão cometer alguma falha corrija: se possível, com discrição, sem fazer disso motivo de chacota e gozação.

4º - Quando a cerimônia é desenvolvida por todos de forma consciente e com amor, todo o ambiente reflete a atmosfera de paz e tranqüilidade entre todos.

5º - O ritual deve ser cumprido em todos os seus detalhes. Quando participado com boa vontade, tudo fica mais belo, sem falhas, sem erros, proporcionando um bem estar geral.

Como devo me apresentar em loja?

Iº - O templo é o lugar onde acontece a reunião dos Irmãos imbuídos do desejo de evoluir e contribuir para a evolução dos demais.

2º - Valorizar a reunião, apresentar-se com sua melhor roupa, ou seja: Despido de toda maldade, manter os pensamentos nobres e altruísticos, valorizando cada Irmão e cumprindo com todas as regras existentes.

3º - Traje limpo, com bom aspecto, revela a personalidade de quem o usa e influenciará diretamente no relacionamento entre os participantes daquela reunião. Tomemos cuidado, pois!

4º - Aquele que é fiel no pouco será fiel no muito, aquele que é infiel no pequeno será igualmente infiel no grande. Cuidado com os relapsos, eles não respeitam nem a si próprio!

5º - Bom seria que todos fossem responsáveis; cabe a cada um de nós criticar construtivamente, visando sempre ao progresso do Irmão imaturo cujo comportamento nos causa constrangimento.

Elegância.

1º - Como é gratificante constatarmos a elegância de um Irmão; verificar em seu comportamento a expressão de uma educação fina e irrepreensível.

2º - É um dom que vai muito além do uso correto dos talheres e que abrange bem mais do que dizer um simples obrigado diante de uma gentileza.

3º - A elegância deve nos acompanhar desde o acordar até a hora de dormir; devemos manifestá-la sempre, nos mais simples relacionamentos, onde não existam fotógrafos nem câmeras de televisão.

4º - Elegante é quem demonstra interesse por assuntos que desconhece, é quem presenteia fora das datas festivas, é quem cumpre o que promete e, ao receber uma ligação, não recomenda à secretária que pergunte antes quem está falando para só depois mandar dizer se atende.

5º - Se os amigos, os Irmãos, não merecem uma certa cordialidade, os inimigos é que não irão desfrutá-la. Educação enferruja por falta de uso. E, detalhe, não é frescura. É A ELEGÂNCIA DO COMPORTAMENTO. .

O Iniciado

1º - Quando vossos olhos se abriram para a verdadeira luz, uma infinidade de objetos, novos para o vosso entendimento, atraiu a vossa atenção.

2º - As diversas circunstâncias que rodearam a vossa recepção, as provas a que fostes submetidos, as viagens que vos fizeram efetuar e os adornos do templo em que vos encontraste tudo isso reunido deveria ter excitado a vossa curiosidade, e para satisfazê-la não há outro caminho senão o da busca do conhecimento e da verdade.

3º - A maçonaria, cuja origem se perde na noite dos tempos, teve sempre por especial escopo agremiar todos os homens de boa vontade que, convencidos da necessidade de render sincero culto à virtude, procuram os meios de propagar o que a doce e sã moral nos ensina.

4º - Como esses homens desejam trabalhar nessa obra meritória com toda tranqüilidade, calma e recolhimento, reúnem-se para isso nos Templos Maçônicos.

5º - Os verdadeiros Maçons trazem constantemente na sua memória não somente as formas gráficas dos símbolos maçônicos, como, e muito principalmente, as grandes verdades morais e científicas que os mesmos representam. Sejamos então todos verdadeiros.

Livre e de bons costumes.

1º - Para que um candidato seja admitido à iniciação, a maçonaria exige que ele seja "livre e de bons costumes".

2º “- Existindo os servos, durante a idade média, todas as corporações exigiam que o candidato a Aprendiz para qualquer ofício tivesse nascido livre”, visto que, como servo ou escravo, ele não era dono de si mesmo.

3º - De bons costumes por ter orientado sua vida para aquilo que é mais justo, mais elevado e perfeito.

4º - Essas duas condições tornam o homem qualificado para ser maçom e com reais possibilidades de desenvolver- se a fim de tornar-se um ser perfeito.

5º - Verdadeiro Maçom é: "Livre dos preconceitos e dos erros, dos vícios e das paixões que embrutecem o homem e fazem dele um escravo da fatalidade.

O que não devo esquecer.

1º - A maçonaria combate a ignorância, de todas as formas com que se apresenta.

2º - Devo cultivar o hábito da leitura para enriquecer em conhecimento, ajudar de forma consciente todos aqueles que estão a minha volta.

3º - Estar atento e lembrar sempre a meus irmãos que um maçom tem de ter uma apresentação moral, cívica, social e familiar sem falhas ou deslize de qualquer espécie.

4º - Não esquecer: as palavras comovem, mas os exemplos arrastam! Tenho, como Maçom que sou, de servir sempre de exemplo, em qualquer meio que estiver.

5º - Lutar pelo princípio da eqüidade, dando a cada um, o que for justo, de acordo com a sua capacidade, suas obras e seus méritos.

O tronco de beneficência.

1º - Possui várias denominações, como: Tronco de solidariedade, de Beneficência, dos Pobres, da Viúva, etc.

2º - A segunda bolsa é conduzida pelo Hospitaleiro, que também faz o giro, obedecendo à hierarquia funcional; oferece a bolsa aos Irmãos sem olhar para a mão que coloca o óbolo.

3º - Contribuir financeiramente para a beneficência é um dos deveres mais sérios de todo maçom, uma vez que, junto com o seu óbolo, lança os "fluidos espirituais" que o acompanham, dando afinal muito mais que os simples valores materiais.

4º - "Mais bem aventurado é o que dá, do que o que recebe", é um preceito bíblico que deve estar sempre em nossa mente.

5º - Quando colocamos o nosso óbolo, devemos visualizar o destinatário, enviando-lhe nosso carinho e votos de prosperidade.

Fonte: JBNews - Informativo nº 319 - 13 de Julho de 2011

domingo, 30 de agosto de 2026

A CERIMÓNIA DE INSTALAÇÃO DO MESTRE MAÇOM

Francisco Feitosa

Qual será a origem da cerimónia de instalação?

Alguns escritores dividem a história da Maçonaria em dois momentos: primeiro, a Maçonaria Operativa ou de Ofício (antiga); segundo, a Especulativa (moderna), que surge com a criação da primeira Obediência Maçónica, a Grande Loja de Inglaterra, em 1717.

No período da Maçonaria Operativa, apenas, existiam os graus de Aprendiz e Companheiro e quando se referia ao Mestre, dizia-se o Mestre da Loja, aquele que a dirigia os trabalhos da construção, um Maçon experiente, escolhido entre os Companheiros do Quadro de Obreiros. O Grau de Mestre Maçon, somente, foi criado em 1723, portanto, depois da criação da Grande Loja de Inglaterra (1717), já na Maçonaria Especulativa, ou Moderna, sendo, somente, implantado, de facto, em 1738, inclusivamente a sua lenda é uma adaptação, embora seja inquestionável a riqueza do conteúdo dos seus ensinamentos.

Vale citar que é um grande erro considerar o Grau de Companheiro como um Grau de transição para se chegar ao mestrado maçónico. O seu conteúdo é de fundamental importância para que, o Maçon, no seu caminho, possa iniciar os primeiros passos nos Mistérios Maiores da nossa Ordem.

O título de Mestre da Loja, ou Venerável Mestre, dado ao presidente de uma Oficina maçónica, tem a sua origem em Inglaterra, nos meados do século XVII, quando já estava avançada a paulatina transformação da Maçonaria de Ofício em Maçonaria dos Aceites.

Deriva da palavra inglesa “worship”, que significa adoração, culto, reverência, quando usada como substantivo; ou venerar, adorar, idolatrar, quando usada como verbo transitivo. Dá origem ao termo “worshipful”, que significa adorador, reverente, ou venerável (neste último caso, como forma de tratamento). Assim, o presidente da Loja tinha o título de Master (Mestre), ao qual se adicionou, posteriormente, o tratamento reverente de “worshipful” (venerável), pois, no início, o termo venerável era aplicado, apenas, às corporações de artesãos, originando a expressão “worshipful master” (venerável mestre). A expressão, todavia, não é muito utilizada nos países de fala inglesa, onde se prefere, simplesmente, o termo “Master”, dando-se o título de Past-Master ao antigo Venerável Mestre, na Maçonaria Inglesa, Rito de Emulação. Past Master, é também um dos quatro Graus do Arco Real Inglês. Nada tem a ver com o R∴ E∴ A∴ A∴.

Na Maçonaria de Ofício, no seu formato original, não era acompanhado de nenhuma cerimónia litúrgica particular, bastando para tal a simples transferência do cargo pelo ocupante que cumprira o seu mandato. A Moderna Maçonaria inglesa, entretanto, introduziu um cerimonial para a posse do Mestre da Loja (Venerável), cuja ritualística se desenvolve por um complexo enredo lendário. Neste sentido, esta Cerimónia é própria dos Trabalhos Ingleses (em Inglaterra não se conhecem “ritos”) e em particular ao Trabalho de Emulação. Já na Maçonaria de vertente francesa (latina), originalmente, não existe esta prática, lembrando, oportunamente, que o Rito Escocês Antigo e Aceito é filho espiritual de França.

Infelizmente, nos meios maçónicos latinos, esta prática acabou por ganhar força, talvez pelo cerimonial investido de pompa e misticismo. Daí, ritos desta origem como o Escocês, o Francês ou Moderno e o Adonhiramita adoptaram a prática, adaptando algumas passagens para suprir às suas características ritualísticas. É bem verdade que muitos ritos de origem não-britânica, porém com base no Trabalho de Emulação, preferiram não aderir a esta prática, mantendo a pureza das suas origens.

Para a Instalação e Posse de um Venerável Mestre é necessário que seja constituído, pelo Grão-Mestre, um Conselho de Mestres Instalados. Este Conselho, vez por outra é confundido com um Conselho permanente, o que não é correcto, pois o dito só é legitimamente formado para a finalidade da Instalação e posteriormente, é desfeito. O que existe na Loja é um “Colégio de Mestres Instalados”, que tem a função, quando solicitado pelo Venerável Mestre, de o assessorar nos assuntos que ainda lhe falte a experiência para resolver.

Após a criação do terceiro grau, passamos a ter no Simbolismo, apenas, os Graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre Maçon. O Mestre Instalado não é Grau, significando, apenas, um título distintivo para o Mestre Maçon que, em cerimónia própria, foi instalado na Cadeira do Rei Salomão, a fim de que possa estar habilitado a conduzir os trabalhos da sua Loja Maçónica. Dadas estas considerações, adquiriu-se o costume de se apor ao nome do Obreiro na qualidade de Venerável, ou antigo Venerável, as letras MI, como rótulo do Mestre Instalado. Esta maneira não tardou a ser qualificada de modo equivocado por alguns como se a qualidade distintiva de um Mestre Instalado fosse um Grau.

Quando do término do mandato, como Venerável Mestre da sua Loja, ele transmitirá o cargo a outro Mestre Maçon eleito regularmente pelos membros do quadro. Sendo um Antigo Venerável, conservará perpetuamente a sua condição de Mestre Instalado ao deixar de exercer as funções de presidente da oficina.

No tocante às Obediências brasileiras e, particularmente, ao Rito Escocês Antigo e Aceito, severamente, o mais praticado no Brasil, o Ritual de Instalação e Posse viria ser introduzido através das Grandes Lojas brasileiras, nascidas da cisão de 1927, quando as suas lideranças buscaram base nos trabalhos perpetrados pelas Grandes Lojas norte- americanas, onde se pratica o Rito de York (Craft Americano) que, de certa forma, seguem o modelo Inglês dos Antigos (1751) que, por sua vez, aderem ao Cerimonial de Instalação. Desta forma, este cerimonial viria aportar na Maçonaria Brasileira, consolidando-se como prática, imediatamente, após a cisão de 1927.

A partir de 1968, o Grande Oriente do Brasil, também, adoptaria este costume, introduzindo-o através de um Ritual específico, para todos os Ritos nele praticados, salvo o inerente aos Trabalhos de Emulação (conhecido, equivocadamente, como York), que já praticava na sua essência, por ser nele um costume original. Salvo melhor juízo, no Brasil, actualmente, este costume está imbuído na Maçonaria Simbólica em geral, sendo uma prática de todos os ritos estabelecidos na constelação das Obediências nacionais.

Vale lembrar que o plano do Templo passou a ter a separação do Oriente e Ocidente após 1820, quando o Grande Oriente de França (G∴ O∴ d∴ F∴) e o Supremo Conselho do R∴ E∴ A∴ A∴ de França entraram em litígio, e com isso a administração dos Graus 1° ao 18°, por determinado tempo, ficou sob a direcção do G∴ O∴ d∴ F∴, surgindo, naquela época, as chamadas Lojas Capitulares, onde o Oriente era mais elevado que o Ocidente, separado por uma balaustrada. No Oriente, somente, tomavam assento o Venerável Mestre, e os Irmãos que possuíam o Grau de Cavaleiro Rosa Cruz (18°).

A Maçonaria no Brasil retomou as suas actividades, com força e vigor, após 1831, com a queda de D. Pedro e o seu retorno a Portugal. Sendo filha da Maçonaria Francesa, este formato de templo passou a ser usado no Brasil, assim como as Lojas Capitulares. Posteriormente, o Supremo Conselho de França reivindicou e retomou a administração dos Graus desde o 4° ao 33°, porém, no Brasil, isto somente veio a ocorrer com a criação das Grandes Lojas, em 1927, quando Mario Behring, Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do R∴ E∴ A∴ A∴ , denunciou tal prática. Com isto, as Lojas Capitulares, no Brasil, também, deixaram de existir, muito embora, os Templos mantiveram o Oriente elevado e a balaustrada, já que muitas Lojas que aderiram ao sistema de Grandes Lojas, não modificaram os seus templos e assim se mantiveram até aos dias actuais.

A partir de então, o Oriente que era exclusivo dos Cavaleiros Rosacruzes, passou a dar lugar aos Mestres Instalados, mesmo que estes não possuíssem o Grau 18°. Por um lado, tais Irmãos perto do Venerável Mestre, servem-lhe como um órgão consultor, a fim de lhe dar esclarecimentos em situações inusitadas de emergência, utilizando-se da experiência daqueles que, já tiveram a espinhosa missão de dirigir os destinos de uma Oficina.

Enfim, acreditamos que estes factos, sirvam como um estímulo a mais para que busquemos conhecer melhor as origens do Rito e rituais que praticamos. O R∴ E∴ A∴ A∴ devido ter sofrido diversas influências ao longo da sua história e sendo modificado, a bel prazer, por alguns descomprometidos com a sua originalidade, actualmente, tornou-se um trabalho inglório, praticá-lo na sua prístina pureza.

Fica aqui a nossa contribuição, à guisa de estímulo ao estudo e à pesquisa sobre o que estamos a praticar nos nossos templos.

Fonte: freemason.pt