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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

quarta-feira, 10 de junho de 2026

FRASES ILUSTRADAS

 

SAUDAÇÃO 6 - REAA

Em 01/04/2026 o Respeitável Irmão Alexandre Miranda, Loja Obreiros de Macaé, 2075, REAA, GOB-RJ, Oriente de Macaé, Estado do Rio de Janeiro, apresenta a seguinte questão.

SAUDAÇÃO

Lendo o ritual e estudando seu blog me vieram algumas dúvidas. No início dos trabalhos o 1º Diác∴ recebe a palavra e desce para transmiti-la sem parada formal e/ou sinal pois se obedece a circulação, porém o Livro da Lei não está aberto. Seguindo o ritual, para a abertura do livro da lei o Venerável chama o Mestre de Cerimônias para conduzir o Orador ao altar dos juramentos, essa entrada no Oriente pelo Mestre de Cerimônias ele faz sem qualquer parada, sinal ou vênia correto? Pois o Livro da Lei ainda está fechado.

E ao final da sessão quando o Mestre de Cerimônia após conduzir o Orador para fechar o Livro da Lei e assim ele o faz. Ao descer para o Ocidente ele também não faz nenhuma parada formal, sinal ou vênia correto? Pois o livro da lei já foi fechado.

Outra dúvida que ocorreu foi com a postura do Mestre de Cerimônias ao levar a ata para o Orador e Venerável. O Mestre de Cerimônias ficaria à ordem à direita do Venerável, e no caso do Orador o Mestre de Cerimônias fica à ordem enquanto ele assina a ata? E ficaria a ordem voltado para qualquer posição ou a direita e voltado para o Orador?

Pois na orientação ritualística estando de pé teria que ficar a ordem. Seria esse o entendimento? Desde já agradeço os esclarecimentos.

CONSIDERAÇÕES:

Na transmissão da palavra, durante a abertura dos trabalhos, não existe saudação ao Ven∴ Mestre e nem parada formal, pois a Loja ainda não foi declarada definitivamente aberta (o Livro da Lei ainda continua cerrado). 

Assim, nessa ocasião, durante o trânsito pela Loja os titulares não fazem sinal e nem parada formal quando ingressarem ou saírem do Oriente 

No caso, transitam naturalmente, obedecendo apenas à circulação, conforme está previsto no ritual.

No caso do M∴ de CCer∴, em deslocamento para fechar o Painel do Grau, nessa ocasião também não presta nenhuma saudação e nem faz parada formal, em se observando que naquele instante o Livro da Lei já está fechado.

No REAA, quem estiver em pé e parado em Loja aberta fica à Ordem. Isso é regra. Assim, enquanto o M∴ de CCer∴ estiver aguardando as assinaturas do Ven∴ Mestre e do Orad∴, ele aguarda à Ordem, voltado para cada um dos titulares.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MINUTO MAÇÔNICO - 15

IDEAL OU OBJETIVO? - 15

1º - Ideal é sinônimo de objetivo; todo homem tem um objetivo a realizar; é o seu sonho, a sua esperança, a sua programação.
2º - Dentro de atividade humana cabe um ideal e assim sucede com a maçonaria. O ideal maçônico objetiva a reunião dos homens de boa vontade que passaram pela iniciação.
3º - O ideal é um objetivo programado; idealismo é a ação para alcançar e realizar essa programação.
4º - O maçom visualiza o seu ideal e o constrói, peça por peça e nesse trabalho ele vai construindo a sua meta até alcança-la para então objetivar um novo ideal.
5º - Quando definires um objetivo; quando definires as metas para alcança-lo, reflita sobre o seguinte: "De que vale um rio inteiro se um pote é suficiente para matar a sede"?

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

A MAÇONARIA E A ROUPA PRETA

Honório Sampaio Menezes

Diversas organizações uniformizam as pessoas na busca da disciplina, do controle e da integração. Basicamente, a uniformização da indumentária busca a harmonização do ambiente e das pessoas, gerando um clima psicológico favorável à integração e ao controle como no caso das Forças Armadas, dos Estudantes, das Polícias Militares, das grandes corporações de operários, etc.

Na Maçonaria, a uniformização tem os mesmos benefícios já citados, além de, naturalmente, os aspectos que se somam e que dizem respeito ao uso da cor preta. Na prática dos trabalhos nos Templos os maçons buscam, dentre outras coisas, esotericamente, captarem energias cósmicas, ou fluidos (Publicado em freemason.pt) positivos ou forças astrais superiores para o fortalecimento espiritual. Da física temos o conceito de que o preto não é cor, mas sim um estado de ausência de cores. As superfícies pretas são as mais absorventes de energias de qualquer natureza, assim, a indumentária preta torna o Maçom um receptor mais eficiente e mais que isso, um acumulador, uma espécie de condensador de energia. Por outro lado, a couraça formada pela roupa preta, faz com que as eventuais energias negativas que eventualmente possam entrar no Templo não sejam transmitidas aos Irmãos. Por isso o Maçom se veste de roupas pretas para participar dos trabalhos em Loja.

Importante observar que, tanto do ponto de vista linguístico como do ponto de vista maçónico, preto e escuro não são sinónimos. E, assim sendo, toda indumentária que não seja preta, embora escura, não é maçonicamente adequada, embora alguns autores sejam de opinião de que o rigor do traje preto deve ser exigência para as Sessões Magnas, podendo ser livre quanto à cor nas Sessões Económicas, mas, mesmo assim, todos são unânimes de que é indispensável o uso do fato e da gravata.

Além do fato preto a maçonaria admite o uso de Balandrau (do latim=balandrana), veste talar (comprida até o calcanhar), em feitio de batina, feita de tecido leve e preto. Embora alguns autores afirmem que o balandrau não é veste maçónica, o seu uso remonta à primeira das associações organizadas de ofício, a dos Collegia Fabrorum, criada no séc. IV a.C., em Roma. Quando as legiões romanas saíam para as suas conquistas bélicas, os collegiati acompanhavam os legionários, para reconstruírem o que fosse destruído pela acção guerreira, usando, nesses deslocamentos, uma túnica negra; da mesma maneira, os membros das confrarias operativas dos maçons medievais, quando viajavam para outras cidades, feudos, ou países, usavam um balandrau negro.

No Brasil, segundo Nicola Aslan, a presença do Balandrau remonta à última metade do séc. XIX, tendo sido introduzida na Ordem Maçónica pelos Irmãos que faziam parte, ao mesmo tempo, de irmandades católicas e de Lojas Maçónicas, e que foram, sem dúvida, o motivo da famigerada Questão Religiosa, nascida no Brasil por volta de 1872. Outro autor, Rizzardo Da Camino, escreve: “O Balandrau surgiu no Brasil com o movimento libertário da Independência, quando os maçons se reuniam sigilosamente, à noite; designando o local, que em cada noite era diverso, os maçons percorriam o seu caminho, envoltos em balandraus, munidos de capuz, com a finalidade de penetrando na escuridão permanecerem ocultos, nas sombras para preservar a identidade”. O balandrau está presente na história da Maçonaria desde o princípio, pois era uma forma de igualar os participantes e proteger as suas identidades através do capuz, principalmente da perseguição da Inquisição.

O traje maçónico é composto por fato, gravata, sapato preto e camisa branca, embora a única peça de vestuário obrigatória em qualquer parte do mundo seja o Avental, sem o qual o obreiro é considerado nu, na acepção de Castellani. Embora a cor da vestimenta (calça, gravata, etc.) possa ser diferente para cada Rito ou mesmo dependendo de cada país, o Avental, como diz Jaime Pusch, é a insígnia obrigatória do Maçom em loja, não podendo sem ele participar nos trabalhos.

No Brasil, o traje, antigamente, era previsto nos Rituais (Séc. XIX e início do Séc. XX) como indicação e não imposição, devido à diversidade de ritos, posteriormente é que a exigência do traje foi colocada na legislação das obediências, padronizando conforme o rito maioritário no Brasil (REAA).

O negro significa ausência de cor, empresta às sessões um clima sóbrio, igualando a todos, não haverá distinção para analisar qualquer personalidade, todos estão envoltos (Publicado em freemason.pt) pela neutralidade. Nos Conselhos Kadosch o preto é a cor do luto e da tristeza que tomam conta do iniciado quando este acredita que a excelsitude que desejou, o seu ardor e o seu sacrifício foram em vão. O preto representa o elemento terra e lembra-nos a finitude do homem.

Numa sessão maçónica é criado um ambiente com emanações energéticas onde as energias são emitidas e absorvidas. Com a veste preta as energias são absorvidas reactivando os chacras frontal, laríngeo e coronário que estão descobertos, em contrapartida, os nossos chacras mais sensíveis estarão protegidos de enviar e receber vibrações negativas durante os trabalhos.

A igualdade na vestimenta demonstra um desapego a toda e qualquer vaidade humana, tão combatida pela Maçonaria, e nivela os irmãos em Loja, por uma veste, ou o parelho (calça e casaco) ou o balandrau. Assim irmanados numa igualdade sem par os maçons absorveram as energias positivas de modo a se transformarem numa fonte de luz divina onde quer que estejam, principalmente recebendo forças para agirem em prol de um mundo melhor.

Fonte: Fremason.pt

terça-feira, 9 de junho de 2026

FRASES ILUSTRADAS

NÚMERO DE NÓS NA CORDA (PAINEL DO GRAU)

Em 01/04/2026 o Irmão Companheiro Maçom Robson José Oliveira Martins, Loja Universitária de Cascavel, 3289, REAA, GOB-PR, Oriente de Cascavel, Estado do Paraná, apresenta a questão seguinte.

CORDA COM NÓS

Em primeiro momento, expresso meu respeito e a grande alegria que escrevo essa mensagem ao Irmão, trago uma dúvida para submeter à sua elevada apreciação uma questão de natureza ritualística, surgida durante estudo realizado acerca do Painel do Grau de Companheiro no âmbito do Rito Escocês Antigo e Aceito.

Especificamente, a dúvida refere-se à quantidade de nós presentes na corda que circunda o painel. Conforme a leitura ritualística adotada em Loja, em minha percepção de recém elevado a C∴ M∴ vejo existência de três nós. Todavia, alguns Irmãos sustentam a interpretação de que seriam cinco, 7 ou 12 nós, o que gerou divergência construtiva durante o pré-projeto dos trabalhos.

Buscando maior aprofundamento, consultei algumas obras que pouco falam sobre o número exato, encontrei na obra "50 instruções de Companheiro", Raymundo Delia Junior na qual se reforça a compreensão de três nós no contexto do REAA, ainda que haja menção simbólica ou interpretativa que deveria remeter ao número cinco, possivelmente em associação a outros elementos do grau.

Diante disso, e considerando sua reconhecida autoridade e profundidade nos estudos maçônicos, venho respeitosamente solicitar sua análise acerca do tema, especialmente no que tange à correta leitura ritualística e à distinção entre o símbolo formal e suas possíveis interpretações filosóficas.

Desde já, agradeço pela atenção dispensada e pela constante contribuição ao aprimoramento dos estudos na Ordem.

COMENTÁRIOS:

Não existe um padrão quantitativo para o número de “nós” que aparece em cada uma das “cordas” desenhadas nos painéis. Esclareça-se que no decorrer do século XIX, principalmente na França, concomitante aos ritos maçônicos que iam paulatinamente aparecendo, uma enorme quantidade de painéis também era elaborada, muito ao gosto dos artistas da época.

Um detalhe interessante a respeito, que deve ser levado em consideração, é que muitos desses painéis abrangiam, em um mesmo quadro, dois graus, principalmente para Lojas de Aprendiz e Companheiro. Assim, era comum que um mesmo painel servisse para dois graus.

Em se tratando da sua origem histórica e seu significado, conforme o rito a “corda” de sisal corresponde à cerca que delimitava cada canteiro de obra operativo da Maçonaria. No tocante ao seu significado especulativo, especialmente no REAA a corda acabaria se consagrando como a “Corda com 81 Nós”.

Em relação a esses nós, na Maçonaria Especulativa eles ficariam conhecidos como os laços do amor, enquanto que a corda que contorna o templo (canteiro) é um símbolo representativo da união dos Irmãos agregados no seio da Loja. Esotericamente, significa a “resistência pela união”, sobretudo pelo formato que lhe dão as fibras trançadas e retorcidas, tornando-a mais resistente. A corda também simboliza a força dos operários unidos em prol de um mesmo objetivo.

Além disso, essa corda também é uma reminiscência do antigo cordel com 12 nós, instrumento com o qual se aplicavam as propriedades do triângulo retângulo pela 47ª Proposição de Euclides (Teorema de Pitágoras), elemento geométrico essencial para a construção dos "cantos da obra". Essa prática operativa se dava a partir da pedra angular da construção, a qual, como ponto de partida, primitivamente era fincada no canto nordeste da obra.

Assim, tanto a “corda” como o “cordel” representados nos diversos painéis elaborados na França, a partir do século XVIII, sugerem essas interpretações. O número de nós aplicados na corda, ou cordel, é simbólico. Possivelmente pela falta de espaço na distribuição dos símbolos sobre o painel, os artistas desenhavam a corda apenas com um número representativo de nós, às vezes com três, outras com cinco, com sete, com doze, nove e mais.

Basicamente são esses os breves comentários sobre a história da “corda” e do “cordel” nos painéis das Lojas de Aprendiz e de Companheiro. Quanto as interpretações, vai depender do arcabouço doutrinário de cada rito.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

IRMÃO AJUDA IRMÃO

“O que seria de uma família onde um irmão vê o outro cair e não o ajuda a levantar? Que ORDEM queremos construir: a dos rituais apenas ou a das ações verdadeiras?”

Se nossa Ordem fosse uma mãe viva, como nos ensinam os símbolos que nos remetem ao princípio materno da Sabedoria, ela olharia para nós como filhos e se entristeceria profundamente ao ver irmãos que não se ajudam, que se espreitam com inveja, que se sabotam silenciosamente e que se recusam a estender a mão uns aos outros.

A Ordem não é um salão de festas, nem um clube de vaidades. É uma Escola de Virtudes, uma forja de Homens Novos, uma família espiritual que tem como meta transformar o bruto em lapidado, o egoísta em fraterno, o mesquinho em generoso.

Ser irmão não é apenas sentar na mesma coluna, fazer os mesmos sinais ou repetir as mesmas palavras ritualísticas.

Ser irmão é reconhecer no outro um reflexo de si mesmo, é ser capaz de se alegrar com o progresso do outro e, mais ainda, contribuir para que esse progresso aconteça.

Quando um irmão tem um comércio, uma profissão ou um ofício, e você tem necessidade daquilo que ele oferece, escolher o irmão como a sua primeira opção não é favoritismo, é coerência. É aplicar na vida profana o que você diz acreditar dentro do Templo.

Infelizmente, ainda vemos irmãos que se perdem no labirinto da mesquinharia.

Preferem gastar fora, com estranhos, e não fortalecem o elo da cadeia de união.

Pior: criticam o irmão que trabalha honestamente e cobra justamente pelo seu serviço, como se ele tivesse obrigação de servi-lo de graça.

Isso, meus irmãos, é desvirtuar o que juramos.

Ajudar não é sustentar. Apoiar não é dar esmola.

Ajudar é fazer circular a energia, é fazer com que o pão do irmão seja sagrado porque veio do suor digno e foi reconhecido como tal.

A verdadeira ajuda é colocar o irmão na primeira fila de suas escolhas.

É ter no coração que, se posso contribuir para que o sustento de seu lar venha com dignidade, isso honra meu Avental, honra minha Palavra e honra nossa Mãe Simbólica, que nos ensinou o segredo da Arte Real.

Não ajudar um irmão, quando é possível fazê-lo, é negar a si mesmo.

É cortar o próprio elo da corrente e enfraquecer a Luz que deveria brilhar sobre todos.

O mundo profano já é cheio de competição desleal, de falsidade, de interesses escusos.

Dentro da ORDEM não pode ser assim.

Somos chamados a ser melhores, a viver como uma verdadeira família, onde um irmão é o primeiro a aplaudir o sucesso do outro, o primeiro a contratá-lo, o primeiro a recomendar o seu nome.

De que adianta o maior dos templos, o mais belo dos rituais, se o coração dos que o frequentam está frio e fechado?

Meus irmãos, quando você precisar de algo amanhã, quem virá à sua mente primeiro: o estranho da rua ou o irmão que divide contigo o mesmo Templo?

Fonte: Facebook_Aprendiz de Cavaleiro

segunda-feira, 8 de junho de 2026

FRASES ILUSTRADAS

GESTO DE REPROVAÇÃO NA VOTAÇÃO NOMINAL

Em 30/03/2026 o Respeitável Irmão Almy Pereira, Loja Acácia Mangabeirense, REAA, GLEB, Oriente de Governador Mangabeira, Estado da Bahia, pede esclarecimento.

GESTO DE REPROVAÇÃO

Boa tarde me irmão, eu gostaria de saber onde diz qual é o sinal de reprovação no REAA.

CONSIDERAÇÕES:

Quando se tratar de Maçonaria é preciso se levar conta que o termo “sinal” é de uso mais apropriado quando se tratar de movimento gestual iniciático, como por exemplo, fazer o Sin∴ de Ord∴, do Grau, Pen∴, etc.

Por conta disso, é preciso separar o que é um simples gesto convencional efetivado em uma votação nominal para manifestar aprovação, reprovação ou abstenção, dos movimentos manuais e pedestais feitos na composição dos SSin∴ iniciáticos.

No caso do REAA, nas votações nominais, o mais comum é o gesto de aprovação pela forma de costume, o qual é feito geralmente sentado, estendendo-se o braço e antebraço direito para a frente. 

Nessa mesma conjuntura, há ainda o gesto de abstenção, fica-se em pé e à Ordem, e o voto contrário (ou de desaprovação), quando se permanece sentado, como está, ou seja, não faz nenhum gesto.

T.F.A.
PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

AGA KHAN III

Por Luciano J. A. Urpia

O Aga Khan III, Sultan Mahommed Shah (1877-1957), uma figura preeminente como líder espiritual ismaelita e político, é ocasionalmente referido em algumas fontes como maçom. Publicações como Lettres Mensuelles, citando o Kansas Masonic Digest, afirmam que ele foi iniciado em dezembro de 1951 e teria recebido serviços funerários maçônicos em 30 de julho de 1957, informação também reproduzida na famosa obra "10.000 Maçons Famosos", de William R. Denslow. No entanto, uma análise dos registros disponíveis não oferece suporte a essa alegação.

Não há documentação primária que sustente essa afirmação. Suas próprias memórias, publicadas em 1954, não fazem qualquer menção à Maçonaria. Além disso, durante o período de inverno de 1951-1952, quando supostamente teria sido iniciado, ele estava bastante doente e não se ausentou de sua vila na Suíça. Na ausência de um relatório oficial da Grande Loja Alpina do país, a conclusão é que ele não foi iniciado.

Seu funeral também não corrobora a História. Após sua morte em 1957, o corpo foi transladado para o Egito, onde foi realizado um serviço religioso islâmico. O sepultamento definitivo ocorreu em 1959, em uma cerimônia breve perante 500 convidados. Nem fotografias nem relatos da época mencionam a realização de um funeral maçônico, sugerindo que a história sobre isso possa ter surgido a partir deste segundo sepultamento, realizado mais de um ano após seu falecimento, e não de um ritual em julho de 1957.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

PARANORMALIDADE E MAÇONARIA III - CADEIA DE UNIÃO (I)

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Ir∴Hercule Spoladore
Loja de Pesquisas Maçônicas “Brasil”-Londrina-PR

Lembro-me muito bem. Em minha Loja-mãe, a Loja Regeneração 3ª de Londrina quando o velho maçom Koichi Assegawa, não havendo necessidade de frisar que era descendente de japoneses, iniciado lá pelos idos de 1947, já em idade provecta, quase cego, usando lupas para ler todo livro que lhe aparecesse pela frente, usando da palavra no período à bem da Ordem, todos os Irmãos presentes ouviam-no com uma atenção especial. O Irmão tinha boa voz, entonação perfeita, boa dicção e raramente traia o seu sotaque nipônico. Geralmente ultrapassava seu tempo, mas ninguém percebia.

Nem o venerável olhava para o relógio. Parecia um sábio oriental, nos trazendo mensagens de sabedoria, otimismo e calma.

Ele parecia ter tido acesso ao seu autoconhecimento, e nos dava a impressão de ser um iluminado. Suas palavras acalmavam a todos, trazia uma sensação boa, de meditação e de riqueza interior. Certas ocasiões ficava tão entusiasmado que parecia transfigurar-se. Ele nos transmitia uma empatía muito grande.

Ele era um espécime raro de maçom que ainda existe em algumas lojas e a maioria dos Irmãos não dão o devido valor a eles, às suas mensagens à sua experiência, às suas verdades, sem atinar para o fato de que o seu saber com o passar dos anos torna-se cada vez mais profundo.

Todavia, quando por qualquer razão o venerável anunciava que seria formada uma Cadeia de União, ele sempre tentava entrar na corrente. mas ao dar as mãos aos dois Irmãos entre os quais ele formaria um dos elos, uma espécie de “choque elétrico” o tirava abruptamente do círculo, tal qual uma corrente rejeitando um de seus elos.

Ai sentava-se uma das cadeiras do templo, supostamente prostrado, cansado apresentava suas escusas e permanecia quieto por alguns minutos, recuperando suas forças, segundo ele. Pelo menos era também esta impressão que passava aos Irmãos. Alguns que não sabiam, até se assustavam.

Ele se desculpava e explicava que era muito sensível e por esta razão acontecia aquele fenômeno.

Como sempre, mesmo que timidamente, já que estes assuntos são tabus havendo contra eles uma verdadeira conspiração do silêncio, alguns Irmãos conjeturavam após as sessões em que aconteciam estes fatos a dar suas próprias explicações.

Uns diziam que era pura ilusão ou alucinação e outros achavam que ele era um sensitivo e que as energias provenientes da Cadeia de União, desencadeavam neste Irmão um efeito semelhante a choque elétrico.

Sabemos que a Cadeia de União foi criada na Maçonaria com a única e exclusiva finalidade para a transmissão da Palavra Semestral.

Como costuma acontecer na Ordem, pelo menos no REAA, onde os enxertos, invenções, “achismos” acabam sendo incorporados ao costumes das lojas, outros usos para a Cadeia de União tais como: orações, invocações durante sua execução ritualística em favor de Irmãos ou parentes de Irmãos enfermos, a falecidos, sendo que ela é até formada em cemitérios ao redor do esquife quando um Irmão falecido está para baixar ao túmulo.

Também ela é feita quando há desavença entre dois Irmãos, quando todos nós sabemos que o melhor caminho seria um Conselho de Família, e nunca uma Cadeia de União. É que ela dá menos trabalho para o venerável.

Os Irmãos que trouxeram tal cerimônia para Maçonaria, tão somente para uma única finalidade, nunca poderiam imaginar, que hoje ela poderia ter tantos desdobramentos.

Porem, já que foi assim, poderíamos tentar uma explicação simples que a Parapsicologia Moderna e Independente nos oferece. Ora, uma Cadeia de União é feita em um templo, isto é num local, onde a rigor todos os Irmãos estão vibrando numa mesma freqüência mental, pelo menos teoricamente.

Quando a Cadeia está fechada, pelo fato dos Irmãos se darem a as mãos, eles passarão de um para outro, um fluxo de energia psíquica, formando uma verdadeira bateria de energia mental, ou seja, energia armazenada.

Está comprovado cientificamente que certos indivíduos com um tipo de potencial mental chamados de paranormais ou o nome que se queira dar, possa ter entre outros potenciais mentais o de curar enfermos. Entre os vários tipos de cura, há o da imposição das mãos. O paranormal toca a parte afetada, ou então com as mãos a uma certa distância, apontadas para o enfermo como que emanando uma energia estranha.

Esta energia chama-se energia psíquica. Ela tem vários nomes, mas a chamaremos de Energia PSI que é a mais usada pelos parapsicólogos. Ela é de origem extrasensorial e as mãos no caso serão os canais pelos quais fluirá a dita energia do emissor para o receptor. Mas quem tem este potencial não há necessidade da imposição das mãos. O potencial emana da mente.

Se tal situação ocorre e é já comprovada pela Ciência, muito embora muitos não aceitem, está mais que claro que ao se formar uma Cadeia de União, com os Irmãos usando as mãos, alguma energia em maior ou menor quantidade passará de um para o outro.

Uma Cadeia de União sendo uma corrente fechada de pessoas, não resta a menor dúvida que se formará uma bateria de energias psíquicas somadas.

Quando dirigida ou endereçada, ou canalizada para um fim determinado, o qual geralmente em favor de um Irmão enfermo, se este como receptor for também sensível ele saberá que em tal hora em tal dia, foi feita uma corrente, uma verdadeira oração cientifica em seu favor de bom augúrio, de boa saúde, de restabelecimento rápido.

Este princípio ocorre nas chamadas correntes de oração que grupos de adeptos das várias religiões, vêm praticando cada vez mais na atualidade para que enfermos se restabeleçam.

Poder-se-ia argumentar que estamos raciocinando que todos os Irmãos que fazem parte de uma Cadeia de União seriam paranormais.

Acontece que todos nós temos esta energia chamada de Energia OS latente. Ela é universal. Ela é exteriorizada espontaneamente por algumas pessoas. Mas todos os seres humanos têm esta energia mesmo que ela não seja exteriorizada.

Há Indivíduos que podem exteriorizá-la espontaneamente. São as pessoas que têm uma abertura maior entre o Consciente e o Subconsciente e podem causar fenômenos chamados parapsicológicos ou paranormais, preferimos este ultimo termo.

Esta energia PSI não depende do espaço-tempo e nem dos nossos sentidos.

Muitos pesquisadores destes fenômenos sugerem que esta energia provem de algo alem de nosso conhecimento físico.

A Cadeia de União na Maçonaria criada tão somente para a transmissão da Palavra Semestral, os maçons descobriram outros usos, aliás, contestados por alguns irmãos, especialmente os Irmãos evangélicos.

Será que o “choque elétrico” que o Irmão Koichi Assegawa era apenas alucinação?

Fonte: JBNews - Informativo nº 309 - 03 de Julho de 2011

domingo, 7 de junho de 2026

FRASES ILUSTRADAS

SIGLA - TÍTULO ABREVIADO

Em 30/03/2026 o Respeitável Irmão Janse Ricardo Reis Ferreira, Loja Mensageiros do Bem, 812, REAA, GOB-PE, Oriente Garanhuns, Estado de Pernambuco, pede esclarecimentos.

SIGLA

Meu irmão, tenho uma dúvida, sobre as siglas REAA, em conversa em loja pronunciei a sigla REAA e depois falei o significado Rito Escocês Antigo e Aceito, fui recriminado por falar as siglas REAA, gostaria de saber é errado pronunciar, mesmo falando o significado.

CONSIDERAÇÕES:

 
O mais formal é mencionar o nome do Rito por extenso, ou seja, "Rito Escocês Antigo e Aceito". 

Eu, particularmente prefiro escrevê-lo de modo abreviado: R∴ E∴ A∴ A∴, ou REAA∴, todavia, ao pronunciá-lo durante uma leitura, opto por ler o título por extenso: Rito Escocês Antigo e Aceito.

O que eu acho desnecessário é se pronunciar por primeiro a sua abreviatura e em seguida dizer o título por extenso. 

Ora, o mais salutar é se evitar a prolixidade, bem como o excesso de preciosismo.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

BREVIÁRIO MAÇÔNICO

A MAÇONARIA

Definir Maçonaria é tarefa ingente, uma vez que a instituição define-se no dia a dia, dentro e fora das Lojas.

A definição mais comum pode ser: "instituição que tem por objetivo tornar feliz a humanidade, pelo amor, pelo aperfeiçoamento dos costumes, pela tolerância, pela igualdade e pelo respeito à autoridade e à religião".

É evidente que as virtudes nomeadas, em qualquer terreno, prestam-se a redimir a humanidade.

No entanto, a definição é individual, vista por duas óticas: pelo próprio maçom procedendo a uma autocrítica; pelos profanos diante do comportamento individual do maçom.

Um deslize cometido por um maçom compromete a definição, uma vez que o profano não compreende a instituição como um todo.

Logo, a responsabilidade individual torna-se relevante, e cada maçom, de per si, deve observar a si mesmo e conter os ímpetos distorcidos dos seus Irmãos.

Ser maçom não é apenas ser membro de uma Loja Maçônica, mas sim comprovar ter sido Iniciado.

Um autoexame periódico seria mais que conveniente.

Se cada um puder definir-se, o conceito de Maçonaria ressaltará para os profanos.

Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014, p. 117.

LÉXICO MAÇÔNICO: ÁGAPE

Rui Bandeira

Nos vários textos anteriores, foi várias vezes mencionado o termo "ágape", aliás num deles definido como refeição tomada em conjunto por maçons, em regra depois, ou imediatamente antes, das reuniões de Loja.

Em circunstâncias ideais, as instalações onde decorrem reuniões de Lojas devem estar preparadas para ter uma sala, de tamanho adequado e devidamente mobilada, onde possa ser servida e consumida a refeição, e ainda local para a confecção desta.

Durante um ágape, são efectuados pelo menos sete brindes, dedicados ao Presidente da República, a todos os Chefes de Estado que protegem a Maçonaria, ao Grão-Mestre, ao Venerável Mestre da Loja, aos demais Oficiais da Loja, aos Visitantes (ou, nos ágapes brancos, às senhoras presentes) e a todos os Maçons, onde quer que se encontrem.

O ágape branco é um ágape em que estão presentes não maçons, em regra familiares e amigos. No ágape branco, o cerimonial é aligeirado ao mínimo, mantendo-se apenas os brindes.

O ágape ritual é considerado o prolongamento dos trabalhos em Loja. Nele, os Aprendizes e Companheiros têm oportunidade de exprimir as suas opiniões, relativamente aos assuntos debatidos em Loja (já que, em sessão de Loja, os Aprendizes e Companheiros devem observar a regra do silêncio, para mais concentradamente poderem dedicar a sua atenção ao que vêm e ouvem) ou colocados em discussão no próprio ágape.

Quando existem condições de privacidade que o permitam, o Venerável Mestre, no início do ágape, informa qual o tema sobre o qual todos os elementos presentes devem emitir as suas considerações, pela forma que entenderem. Seguidamente, cada um dos elementos presentes deve, à vez, levantar-se, apresentar-se e proferir uma alocução breve sobre o tema indicado. Esta rotina possibilita o melhor conhecimento mútuo de todos os membros de uma Loja (pois cada um expõe, em plena liberdade e perante a atenção silenciosa dos demais os seus pontos de vista), facilita a integração dos membros mais recentes (que verificam a prática da igualdade entre maçons e a aceitação das diferenças de opinião entre eles) e contribui para a superação do receio de falar em público de que sofrem algumas pessoas.

Quando existem condições para a refeição ser preparada e consumida nas instalações da Loja, por regra é nomeado um elemento da Loja, que fica com a responsabilidade de dirigir a preparação da refeição e do local onde a mesma vai ser consumida.

Quando não existem as condições de privacidade entendidas necessárias, o ritual do ágape reduz-se aos brindes ou é, mesmo, eliminado, servindo a refeição apenas (e já é bom!) para possibilitar a sã convivência entre os elementos da Loja.

Os ágapes em muito contribuem para a criação e o fortalecimento dos laços de amizade e solidariedade entre os maçons.

Fonte: apartirapedra.blogspot.com

sábado, 6 de junho de 2026

FRASES ILUSTRADAS

INSTALAÇÃO E POSSE - PARAMENTOS

Em 04.06.2026 o Respeitável Irmão Carlos A. M. Costal, Loja Terceiro Milênio, 2540, REAA, GOB-PR, Oriente de Maringá, Estado do Paraná, apresenta a seguinte questão:

INSTALAÇÃO – PARAMENTOS

No dia 27/6, vou presidir a Comissão de Instalação e Posse do meu sucessor.

Minha dúvida, nessa sessão que eu vou presidir, eu vou usar os paramentos do V∴ M∴ (Avental, Colar, Punho e Chapéu), ou já faço a instalação com o paramento do Mestre Instalado (sem punho e sem chapéu).

Desde já agradeço sua orientação

CONSIDERAÇÕES:

Sendo você o atual Venerável Mestre da sua Loja e também presidirá os trabalhos de Instalação do novo Venerável, seu sucessor, sugiro que na cerimônia, como Presidente da Comissão Instaladora, uses apenas os paramentos de Mestre Instalado (Ex-venerável), deixando os paramentos de Venerável Mestre para aquele que tomará posse. É mais coerente, assim entendo.

No tocante ao uso do chapéu pelo Presidente da Comissão Instaladora, o seu uso fica dispensado, pois na instalação e posse o Venerável Mestre também receberá o chapéu como parte da sua indumentária (evita-se assim a duplicidade de uso da cobertura na sessão).

Atendendo a essa orientação, evita-se a troca de paramentos em plena sessão, bem como o uso indevido de cobertura na liturgia dos trabalhos.

Finalizando, os novos rituais de Instalação, que já se encontram na gráfica em Brasília para impressão, logo serão distribuídos. Neles, esses particulares ficam claramente especificados.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

OLEGARIO VÍCTOR ANDRADE


Olegario Víctor Andrade (Alegrete, Brasil, 6 de março de 1839 - 30 de outubro de 1882) foi um poeta, jornalista e político argentino.

Nasceu durante o exílio de seus pais no Brasil, retornou à Argentina em 1845. Começou a escrever poesia no ensino médio em Concepción, Uruguai, e tornou-se político e jornalista durante os turbulentos anos de formação da nação. Poeta romântico e épico da Argentina do século XIX, especialmente da geração de 1880. Escreveu suas melhores poesias durante os anos 1876-1881, nas coleções "El nido de condores" e "El arpa perdida".

Foi iniciado na Maçonaria em 1862 na "Logia San Juan de la Fe" Nº 20, em Paraná, Argentina e foi membro honorário da Logia Unión y Filantropía N° 56 de Gualeguaychú.

Fonte: Facebook_Coluna Cultural Maçônica

LONDRES: O INCÊNDIO DE 1666

Autor: Maurício da Cunha Müller(*)

Era um verão seco e com ventos fortes quando, na madrugada de 2 de setembro de 1666, um incêndio iniciado em uma padaria na Pudding Lane se alastrou rapidamente pela cidade de Londres. As ruas eram estreitas e as casas de madeira. O fogo, que durou até o dia 5 de setembro, consumiu cerca de 13.200 casas, 87 igrejas — incluindo a antiga Catedral de São Paulo — e deixou aproximadamente 100 mil pessoas desabrigadas (HANSON, 2001; PORTER, 1994). Os registros de Samuel Pepys evidenciam a dimensão do desastre e a urgência das medidas adotadas para sua contenção (PEPYS, 1666).

A destruição causada pelo Grande Incêndio de Londres comprometeu profundamente a infraestrutura urbana, habitacional e religiosa da cidade, exigindo uma resposta estatal imediata e coordenada (PORTER, 1994). Nesse contexto, o Parlamento inglês promulgou o Rebuilding of London Act, estabelecendo diretrizes para a reconstrução da cidade. O diploma legal previa, entre outras medidas, a padronização do uso de materiais mais resistentes ao fogo, como pedra e tijolo, além da reorganização do traçado urbano, com ampliação de vias públicas e maior ordenamento espacial (REBUILDING OF LONDON ACT, 1667; PORTER, 1994).

O referido ato também incluiu disposições que flexibilizavam, ainda que de forma controlada, a atuação de trabalhadores não vinculados às corporações locais (guildas), permitindo que carpinteiros, pedreiros e demais artesãos oriundos de outras cidades participassem das obras de reconstrução. Tal medida ampliou a disponibilidade de mão de obra e atendeu à necessidade urgente de reconstrução, sem, contudo, extinguir a estrutura corporativa tradicional, sendo interpretada pela historiografia como uma adaptação pragmática diante da emergência urbana (REBUILDING OF LONDON ACT, 1667; PORTER, 1994).

Sob a autoridade do Rei Charles II e coordenação do exímio e reconhecido construtor Christopher Wren, a reedificação de Londres foi conduzida com base em novos parâmetros urbanísticos e de segurança populacional. Embora o conjunto dessas medidas não trate explicitamente de maçonaria ou de associações iniciáticas, seu impacto sobre as dinâmicas de trabalho e organização dos ofícios é reconhecido pela historiografia como parte de um processo mais amplo de transformação social e urbana (JACOB, 2007; PORTER, 1994).

Nesse cenário, a ampliação da mobilidade de trabalhadores e a necessidade de colaboração entre diferentes agentes do ofício podem ser interpretadas como fatores que talvez tenham favorecidos a comunhão de técnicas e experiências profissionais. Não há evidência documental direta de que tais interações entre guildas tenham resultado, de forma imediata ou estruturada, em transformações institucionais nas organizações de ofício ou em práticas iniciáticas específicas, sendo essa conexão tratada com cautela por historiadores da maçonaria (GOULD, 1904; STEVENSON, 1988).

A historiografia indica que o processo de transição das antigas corporações operativas para formas associativas de caráter especulativo ocorreu de maneira gradual e multifatorial, especialmente entre os séculos XVII e início do XVIII, envolvendo mudanças sociais, econômicas e intelectuais mais amplas (STEVENSON, 1988; JACOB, 2007).

No século XVII, com o declínio das construções em pedra e o avanço das técnicas construtivas arquitetônicas, a demanda por grandes obras — como igrejas, fortalezas e catedrais — reduziu-se substancialmente. Conforme Strong Man Lodge (2025), “o declínio da construção em pedra no final da Idade Média provocou a queda gradual do ofício de pedreiro e das lojas operativas, fragilizando o modelo estrito de guilda operativa”, interpretação que encontra respaldo indireto em estudos clássicos sobre a evolução das corporações de ofício (FINDEL, 1865; GOULD, 1904).

Estudos como os de David Stevenson e Margaret Jacob apontam que tal transformação esteve relacionada a mudanças mais amplas no contexto social, intelectual e cultural, incluindo o desenvolvimento de novas formas de sociabilidade urbana e o ambiente intelectual que culminaria no Iluminismo (STEVENSON, 1988; JACOB, 2007).

Dentro desse contexto de mudanças, ocorreu, em 24 de junho de 1717, uma reunião na taverna Goose and Gridiron (Ganso e Grelha), em Londres, local onde quatro lojas londrinas se reuniram para eleger Anthony Sayer como o primeiro Grão-Mestre. Esse evento é convencionalmente associado à fundação da Grande Loja de Londres, considerada um marco na organização institucional da maçonaria moderna (ANDERSON, 1723; JACOB & CROW, 2014).

As quatro lojas envolvidas, tradicionalmente identificadas por seus locais de reunião, eram: a Goose and Gridiron (Ganso e Grelha), a Crown (A Coroa), a Apple Tree (A Macieira) e a Rummer and Grapes (A Taça e as Uvas). Essas lojas já operavam de forma independente antes dessa data. Embora fontes maçônicas clássicas apontem que as composições sociais eram variadas entre elas, tais interpretações derivam principalmente de tradições internas e obras de caráter não acadêmico, não havendo documentação suficiente para estabelecer, com precisão, o perfil detalhado de seus membros ou a natureza exata de suas práticas internas nesse período (GOULD, 1904; MACKEY, 1914; COIL, 1961).

A reunião de 1717 é interpretada pela historiografia como um processo de formalização organizacional, e não como uma ruptura abrupta com o passado operativo. Nesse sentido, a transição da maçonaria operativa para a especulativa deve ser compreendida como um fenômeno progressivo, no qual elementos simbólicos e tradições associadas aos ofícios foram reinterpretados em um novo contexto social, voltado à construção moral e à sociabilidade entre seus membros (STEVENSON, 1988; JACOB, 2007).

Dessa forma, embora não seja possível estabelecer um nexo causal direto entre a reconstrução de Londres após o incêndio de 1666 e a formação da maçonaria especulativa, o contexto do pós-incêndio — caracterizado por intensa atividade construtiva, maior circulação de trabalhadores e reorganização das práticas urbanas — pode ser considerado ambiente fértil entre os diversos fatores histórico no qual tais transformações ocorreram.

Assim, finalizando, o Grande Incêndio de Londres, além de sua relevância como tragédia urbana de grandes proporções, e de evolução construtiva, pode ser compreendido como parte importante do contexto histórico mais amplo que antecede a consolidação da maçonaria moderna. Sua influência, no entanto, deve ser interpretada com cautela reflexiva e não como um fator determinante ou catalisador direto único da transição entre formas operativas e especulativas.

Referências:

ANDERSON, James. The Constitutions of the Free-Masons. Londres: William Hunter, 1723. Disponível em: https://www.constitution.org/mas/anderson1723.htm

COIL, Henry Wilson. Coil’s Masonic Encyclopedia. Nova York: Macoy Publishing, 1961. Disponível em: https://archive.org/details/coilsmasonicency0000coil

FINDEL, Joseph Gabriel. History of Freemasonry from its Rise Down to the Present Day. Londres: Asher & Co., 1865. Disponível em: https://archive.org/details/historyfreemaso00findgoog

GOULD, Robert Freke. A Concise History of Freemasonry. Nova York: Macoy Publishing, 1904. Disponível em: https://archive.org/details/cu31924030281459

HANSON, Neil. The Dreadful Judgement: The True Story of the Great Fire of London. London: Doubleday, 2001

INGLATERRA. Parlamento. An Act for Rebuilding the City of London. 1667. Disponível em: https://www.morrlaw.com/wp-content/uploads/partywall/rebuilding-of-london-act-1666.pdf

JACOB, Margaret C. The Origins of Freemasonry: Facts and Fictions. Philadelphia: University of Pennsylvania Press, 2007

JACOB, Margaret C.; CROW, Matthew. Freemasonry and the Enlightenment. In: Handbook of Freemasonry. Leiden: Brill, 2014

MACKEY, Albert G. An Encyclopedia of Freemasonry and its Kindred Sciences. Nova York: The Masonic History Company, 1914. Disponível em: https://archive.org/details/encyclopaediaof01mack

NEWTON, Joseph Fort. The Builders: A Story and Study of Masonry. Cedar Rapids: Torch Press, 1914. Disponível em: https://archive.org/details/buildersstorystu00newt

PEPYS, Samuel. The Diary of Samuel Pepys. 1666. Disponível em: https://www.pepysdiary.com

PICK, Fred L.; KNIGHT, G. Norman. The Pocket History of Freemasonry. Londres: Frederick Muller Ltd., 1953

PORTER, Roy. London: A Social History. Cambridge: Harvard University Press, 1994

STEVENSON, David. The Origins of Freemasonry: Scotland’s Century, 1590–1710. Cambridge: Cambridge University Press, 1988

STRONG MAN LODGE. Nossos primeiros dias. 2025. Disponível em: https://www.strongmanlodge.org.uk/history/.

* Maurício é Aprendiz Maçom na loja União Fraternal 318 na cidade de Cachoeira do Sul – RS, GOB – GORGS – REAA.

Fonte: opontodentrodocirculo.wordpress.com

sexta-feira, 5 de junho de 2026