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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

sábado, 18 de abril de 2026

FRASES ILUSTRADAS

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SIGNIFICADO DO CHAPÉU - REAA

Em 22/01/2026 o Respeitável Irmão Álvaro Mattos da Costa Filho, Loja Fé e Esperança, 426, REAA, GOB-SP, Oriente de Jaboticabal, Estado de São Paulo, pede esclarecimentos.

SIGNIFICADO DO CHAPÉU

Irmão Pedro, mais uma vez recorro ao seu conhecimento para que nos esclareça em relação ao uso do chapéu preto e desabado pelo Venerável Mestre nas sessões de Aprendiz e Companheiro, "seu significado e sua simbologia".

COMENTÁRIOS:

Já escrevi bastante a respeito desse tema e isso pode ser conferido no Blog do Pedro Juk. Também em bibliografias de autores como José Castellani, Francisco de Assis Carvalho, Jules Boucher, Theobaldo Varolli Filho e em rituais brasileiros antigos do REAA no GOB, dentre outros.

Assim, o uso do chapéu não é nenhuma novidade em se tratando do REAA, portanto esse é um costume original que foi, em nome da tradição iniciática, resgatado nos novos rituais de 2024.

Genericamente, sob o ponto de vista histórico, o uso do chapéu é oriundo da Maçonaria Francesa, principalmente. Essa cobertura, constituída por um chapéu negro e desabado (abas moles) demonstra hierarquia e igualdade. Nesse contexto, corresponde ao Rei, que diante dos seus súditos, apenas ele sempre aparecia coberto, enquanto que diante dos seus pares, todos compareciam cobertos. Por analogia, o costume representa o Venerável Mestre que, diante dos Aprendizes e Companheiros, somente ele se apresenta coberto, já que em Câmara do Meio (Loja de Mestres), todos os Mestres comparecem cobertos.

Sob o ponto de vista místico, na Maçonaria Especulativa a cobertura na cabeça é um costume herdado do misticismo hebraico e revela a pequenez do homem diante do “Criador”; em linhas gerais significa que acima da mente falível do homem está a Onisciência, Onipresença e Onividência de Deus. Em última análise, quer dizer a submissão da criatura humana perante o Criador.

No tocante ao modelo desabado do chapéu negro, segundo alguns autores, ele também servia como uma espécie de camuflagem para esconder o rosto e com isso não revelar a identidade do usuário. Essa prática era comum em uma época em que os maçons, por estarem engajados em lutas por conquistas sociais, acabavam sendo perseguidos por governos tiranos e discricionários.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

ANDRÉ REBOUÇAS


André Pinto Rebouças nasceu no município de Cachoeira, na Bahia, em 3 de janeiro de 1838. Era filho de Antônio Pereira Rebouças e Carolina Pinto Rebouças. O pai, filho de ex-escravizada e de um homem branco, foi um advogado autodidata, deputado pela província da Bahia e conselheiro do imperador Dom Pedro I. A família mudou-se para o Rio de Janeiro em 1846, onde André e seu irmão Antônio formaram-se engenheiros militares. Após especializar-se na Europa, ele projetou portos, atuou na Guerra do Paraguai e tornou-se um dos principais engenheiros do Império, dirigindo obras como as Docas da Alfândega e as Docas de Pedro II.

Monarquista e abolicionista convicto, Rebouças engajou-se ativamente na luta pelo fim da escravidão, sendo cofundador da Sociedade Brasileira contra a Escravidão. Defendeu propostas visionárias, como a reforma agrária para integrar os libertos à sociedade. Com a Proclamação da República, exilou-se junto à família imperial. Após a morte de D. Pedro II, em 1891, partiu para a África, onde passou cerca de 15 meses entre Angola, Moçambique e a África do Sul, trabalhando em projetos de desenvolvimento e assumindo publicamente suas raízes africanas. Desiludido com a exploração colonial e as dificuldades encontradas, mudou-se para a ilha da Madeira. Em 9 de maio de 1898, foi encontrado morto ao pé de um precipício em Funchal, em circunstâncias nunca totalmente esclarecidas.

Por Luciano J. A. Urpia

Fonte; Facebook_Curiosidades da Maçonaria

A SABEDORIA É PARA A VIDA

Meus Irmãos 

Quantos homens estudam a Filosofia como quem coleciona moedas raras, apenas para mostrá-las, nunca para gastá-las? Quantos decoram palavras sublimes, mas as guardam como peças num museu, intocadas pela poeira da ação?

Saibam: a Sabedoria não foi feita para adornar a mente, mas para conduzir a vida.

A Filosofia não é um truque

Há uma antiga advertência: “A filosofia não é um truque divertido. É para a vida.”

Ela não é passatempo para horas ociosas, nem mero consolo para noites de angústia. Ela é o Malho que quebra as arestas do orgulho, da ira e do medo; é o Compasso que mantém nossos passos no traçado da retidão.

Sem ela, qualquer vento muda nosso rumo. Com ela, mesmo em mares revoltos, permanecemos firmes.

É dito que a retórica vazia é ruína.

Carnéades, o filósofo que defendia uma ideia hoje e seu oposto amanhã, tratava a justiça como um jogo de palavras. Catão, o Jovem, viu nisso um perigo: o discurso sem compromisso com a Verdade é como um Templo erguido sobre areia, bonito por fora, fadado a desmoronar.

Na Maçonaria, o risco é o mesmo: repetir palavras de ritual sem que elas penetrem no coração. Um obreiro pode saber todos os sinais, mas se não vive o que eles significam, sua obra será vazia.

A Sabedoria molda a alma sabiam?

A verdadeira Filosofia e a verdadeira Iniciação, dá ordem à vida, como o Mestre que organiza o canteiro de obras.

Orienta a ação, como o desenho que guia a construção.

Mostra o que deve e o que não deve ser feito, como o Compasso que limita e a Régua que mede.

Conduz na incerteza, como a Estrela Polar que orienta o navegador.

Sem ela, o medo e a inquietação nos dominam. Com ela, somos senhores de nós mesmos.

Meus Irmãos, não estudemos para impressionar. Não debatamos para vencer. Estudemos para viver.

Que a Sabedoria que buscamos em nossas Lojas sejam o facho de luz que guie cada palavra, cada decisão e cada obra que realizarmos no mundo profano.

Pois a Filosofia, como a Maçonaria, não é para o deleite da língua, mas para a retidão da vida.

E que cada um de nós, ao sair deste Templo, possa dizer:

"Hoje, mais que saber, aprendi a viver melhor."

Assim seja.

Fonte: Facebook_Aprendiz de Cavaleiro

sexta-feira, 17 de abril de 2026

FRASES ILUSTRADAS

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COMPANHEIROS E O VIGILANTE INSTRUTOR

Em 21/01/2026 o Respeitável Irmão Mário Inácio Giehl, Loja Progresso da Humanidade, 39, REAA, GORGS (COMAB), Oriente de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta a questão adiante:

COMPANHEIRO E O VIGILANTE INSTRUTOR

Quando fui iniciado há 20 anos, sentei na Col do S, isto é, há pouco tempo... Hoje sou MI e ocupo a 1ª Vig. Então de onde vem e qual a justificativa dos AApr estarem comigo, ou seja, na Col do N.

Se for seguir a hierarquia, deveriam estar comigo os CComp, não concorda comigo?

Agradeço de antemão, sua presteza. TFA

CONSIDERAÇÕES

Inicialmente é preciso deixar claro dois aspectos: primeiro, é que no REAA original o 1º Vigilante ocupa lugar na Coluna do Norte e o 2º Vigilante ao Meio-Dia (Coluna do Sul). Segundo, é que os Aprendizes se sentam no topo do Norte (junto à parede Norte) e os Companheiros no topo do Sul (junto à parede Sul). Rituais do REAA que porventura preconizem do contrário disso, estão redondamente equivocados.

A questão dos instrutores dos Aprendizes e Companheiros, como eu tenho dito, nada tem a ver com o lugar que eles ocupam na Loja. Assim, os instruídos não precisam necessariamente ocupar a mesma coluna do instrutor.

Nesse caso. a questão é de hierarquia, cujo costume advém do período primitivo (operativo) da Ordem. Nos tempos do ofício, quem recebia e dava as primeiras instruções àquele que seria feito maçom era o 2º Warden (ancestral do atual 2º Vigilante). Essa é a origem.

Resumidamente, o proposto era recepcionado no canteiro de obras pelo 2º Wardenque lhe ministrava as instruções iniciais. Ato seguido, era levado até o 1º Warden(ancestral do atual 1º Vigilante), oportunidade em que recebia em seu favor uma oração especial. 

Feita a oração, o candidato era conduzido até Mestre da Loja (ancestral do atual Venerável Mestre) onde prestava sua obrigação (compromisso) como Aprendiz do Ofício e recebia o avental e luvas de trabalho, sendo feito Aprendiz do Ofício. Finalmente era então conduzido pelo 2º Warden até o alojamento onde aprendia a praticar sua primeira atividade.

Vale ressaltar que nos tempos primitivos da Maçonaria não se usava o termo Iniciação. A cerimônia era bem simples e não existiam ritos nem templos maçônicos, como ocorre especulativamente na atualidade.

Graças a isso é que a Moderna Maçonaria, no caso o REAA, preserva esta antiga tradição, fazendo com que os Aprendizes ocupem o lado Norte da Loja e, por uma questão histórica e hierárquica, sejam instruídos pelo 2º Vigilante (Sul). Do mesmo modo, os Companheiros, que ocupam a banda Sul da Loja, sejam instruídos pelo 1º Vigilante (Norte).

Por razões iniciáticas, no REAA os Aprendizes sentam-se no topo do Norte e os Companheiros no topo do Sul. É equivocada a ideia de que o Vigilante instrutor necessariamente precise ocupar a mesma Coluna dos seus instruídos. Como foi dito, há nisso uma questão de história e de hierarquia entre as Luzes da Loja.

Por fim, apenas a título de esclarecimento, no GOB os rituais do REAA preconizam que os Aprendizes, ao Norte, sejam instruídos do Sul pelo 2º Vigilante, e os Companheiros, ao Sul, sejam instruídos do Norte pelo 1º Vigilante. Mais informações a respeito podem ser encontradas no Blog do Pedro Juk.

T.F.A.
PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

NÃO BASTA USAR AVENTAL

O Templo não é passarela, e o avental não é fantasia. Cruzar as colunas de um Templo Maçônico exige mais do que o pagamento de taxas ou o uso de paramentos luxuosos; exige a morte do ego. Infelizmente, vemos hoje figuras que se rastejam pelos corredores em busca de bajulação , homens que vestem a pele de cordeiro, mas cujas almas estão infladas pela soberba de quem se sente superior ao Irmão ao lado. 

A Maçonaria não comporta donos. Quem entra na Ordem para colecionar títulos ou para se sentir um "magnata" entre os pares, na verdade, nunca saiu do mundo profano. É um erro grotesco acreditar que o status financeiro ou a proximidade com "burgueses e ingleses" confere qualquer autoridade moral. Aquele que se vende, que endeusa o poder financeiro e ignora a dor do povo e da nação, é um traidor dos nossos princípios milenares. 

O Cinzel e o Caráter 
A lapidação da Pedra Bruta não é um conceito poético; é um trabalho árduo e constante.
* Reconheça seu semelhante: Se você não consegue enxergar humanidade no seu Irmão, o seu avental é apenas um pedaço de pano sem valor. 
* Abandone a soberba: A verdadeira hierarquia maçônica é a do exemplo, não a da conta bancária. 
* Sirva à Nação: O maçom que se cala diante da opressão para proteger interesses de "elites" está inferiorizando a força do povo e desonrando a nossa história. 

Basta de Maçons de conveniência. Basta de "irmãos" que buscam royalties de influência enquanto a sociedade clama por justiça. Nossa força não reside em banquetes ou em tapinhas nas costas de poderosos, mas no aço temperado do nosso lema: LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE. 

Se você não está pronto para ser igual, se não tem coragem para lutar pela liberdade do seu povo e se não pratica a fraternidade com o mais humilde dos Aprendizes, você não é um Maçom. Você é apenas um profano com um diploma na mão. 

Fonte: Facebook_Federação Maçônica de São Paulo

quinta-feira, 16 de abril de 2026

FRASES ILUSTRADAS

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REFORMA DE TEMPLO - REAA


Em 19.01.2026 o Respeitável Irmão Leonardo Paixão, Loja Vigilantes da Guanabara, 1568, REAA, GOB-RJ, Oriente do Rio de Janeiro, Capital, apresenta as questões seguintes:

REFORMA DE TEMPLO

Aproveito para mais uma rodada de dúvidas.

1 - As colunas B e J da entrada do templo, que ficam no átrio, elas devem ser cor de bronze? Ou brancas? Na pág. 194 do ritual do aprendiz menciona na fala do 2º Vig∴ “Duas CCol∴ de Bronze, nas quais descansam, sobre os capitéis, três Romãs abertas mostrando suas sementes;” então gostaria de saber se devem ser branca ou cor de bronze e se os capteis podem ser desenhos iguais ou tem que ser diferentes?

2 - A porta do templo deve-se obrigatoriamente abrir para dentro ou poderá abrir para fora também?

3 - A caixa de madeira, onde são guardados os painéis dos graus, pode ser pintada de preto ou
deve-se manter cor de madeira?

4 - A balaustrada, preciso pintar, a cor teria alguma específica? Eu pensei em por a Imbuia ou Nogueira (segue imagem)

5 - Quando é mencionado que as joias são distribuídas no átrio, posso criar em uma das paredes um dispositivo porta joia em formato de quadro com vidro, para que o Mestre de Cerimônia vá e pegue?

6 - Talvez o mais importante. No grau 3 em exaltação as alfaias e avental não precisam ser mais viradas, correto? Então minha dúvida, é se o templo também não precisa mais ser coberto de preto, precisa ser coberto ou se estamos em câmara do meio já se entende que estamos de luto?

Pois caso não seja preciso. Eu removo do tempo uma caixa que mando em anexo, para usarmos no grau 3 (Exaltação).

Desde já agradeço

CONSIDERAÇÕES:

Vamos às respostas:

1 - É recomendável que as Colunas Gêmeas sejam pintadas na cor bronze. Os capitéis são exatamente iguais e trazem, em Loja de Aprendiz, sobre cada capitel, um conjunto com três romãs abertas. As Colunas B∴ e J∴ são solsticiais e também são conhecidas como Colunas Gêmeas. Assim, por analogia, as mesmas são exatamente iguais na sua aparência, altura e dimensão.

2 - Não há mais obrigatoriedade de que suas folhas abram para o lado de dentro, desde quando as legislações municipais e o corpo de bombeiros passaram a exigir adaptações para que as folhas abram para o lado de fora com a finalidade de atender o fluxo de evacuação de pessoas em caso de um sinistro de incêndio.

3 - O dispositivo que acondiciona os Painéis tem sido comumente na cor natural de madeira. É mais apropriado para atender, no REAA, parte da decoração dos seus templos, onde a madeira (vitalidade), pedra (estabilidade) e ouro (espiritualidade) são símbolos imprescindíveis. Por tudo isso, o receptáculo dos Painéis, mais apropriado, é de madeira na cor natural, preferencialmente madeira escura – imita o Cedro do Líbano.

4 - Não há uma regra específica para a cor da balaustrada, o mais comum encontrado é na cor de madeira natural, ou mesmo pintada de branco.

5 - É recomendável e mais apropriado. Pode sim.

6 - O absurdo de se usar alfaias pelo lado avesso foi retirado do ritual. Não existe mais essa prática indecorosa. Quanto à decoração do Templo, é necessário sim o uso de cortinas para adaptações à decoração da Câmara do Meio. Isso não tem nada a ver com paramentos vestidos pelo lado avesso. As cortinas negras estão previstas no Ritual de Mestre Maçom, REAA, 2024, páginas 14 e 15, em 1.3 Disposição e Decoração do Templo. É exatamente essa decoração, da Câmara do Meio, que exprime ambiente de consternação, e não os paramentos pelo avesso. Nas sessões ordinárias do 3º Grau é opcional o uso das cortinas. São obrigatórias nas sessões magnas de Exaltação.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

A INQUISIÇÃO E A MAÇONARIA EM PORTUGAL

Por Luciano J. A. Urpia

Em 1743, o lapidário suíço John Coustos, então residente em Lisboa, foi detido pela Inquisição portuguesa. A acusação formal foi a de cumplicidade no roubo de um diamante, uma alegação fabricada. A razão real de sua prisão era a sua condição de Venerável-Mestre de uma Loja Maçônica, atividade proibida após um édito papal. Uma denúncia anônima, feita por uma mulher a seu confessor, que descreveu os maçons como "monstros da natureza", bastou para que ele fosse levado para os calabouços do Santo Ofício.

Nos interrogatórios, Coustos foi pressionado repetidamente a revelar os segredos da Maçonaria e a renunciar à sua filiação. Diante de sua recusa, foi submetido a uma série de torturas. Na primeira sessão, teve braços e pernas amarrados por cordas que foram esticadas com força por quatro homens, perfurando sua carne até o osso. Médicos presentes controlavam seu pulso, interrompendo o suplício para que não perdesse a consciência de forma irreversível. Seis semanas depois, foi torturado novamente: com as palmas das mãos voltadas para fora, seus pulsos foram puxados por um mecanismo até que as costas das mãos se tocassem, deslocando ambos os ombros. Dois meses mais tarde, uma grossa corrente de ferro foi passada em volta de seu estômago e presa a seus pulsos; ao ser tensionada por um rolo, a corrente pressionou seu abdômen com força suficiente para deslocar novamente suas articulações. Após cada sessão, cirurgiões recolocavam seus ossos, preparando-o para a próxima sess{ao de tortura.

Condenado a quatro anos de trabalhos forçados nas galés, a saúde debilitada pelas torturas impediu que cumprisse a pena. Foi transferido para uma enfermaria, onde permaneceu até outubro de 1744. Sua libertação foi obtida apenas após a intervenção diplomática do rei Jorge II da Grã-Bretanha. Banido de Portugal, Coustos retornou à Inglaterra e, em 1746, publicou um relato minucioso de sua experiência, The Sufferings of John Coustos for Freemasonry. O livro, um documento factual de métodos inquisitoriais e resistência individual, assegurou que os procedimentos e a sua recusa em falar fossem registrados de forma indelével.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

UM NÁUFRAGO MAÇOM NA ILHA DAS FLORES (AÇORES)

Esta é uma pequena história com 136 anos de vida, que fala de 12 náufragos e um bloco de pedra com uma inscrição e um símbolo maçónico que durante muito tempo não foi reconhecido por nenhum dos historiadores e curiosos que se debruçaram sobre o assunto. John Coustos, Mestre Maçon, dá mais pormenores. 

“No aprazível local da Fajã do Conde, junto à Ribeira da Cruz, na Ilha das Flores (Açores), entre uma densa e verdejante vegetação, encontra- se um bloco de pedra, de forma mais ou menos cúbica, onde se pode observar a seguinte inscrição:

CAPT. W. H. LANG

AND 11 MEN - LANDED MAY 5 73 FROM BARK MODENA

OF BOSTON MASS. FOUNDERD - APRIL 22

Hoje, sabe-se que esta enigmática inscrição se ficou a dever ao facto da tripulação de uma embarcação americana – registada em Boston pelos proprietários J. Rideout e H. O. Roberts com o nome Modena, de 206 toneladas –, quando se viu em apuros nas águas das Bermudas, ter sido socorrida por uma outra embarcação. Tinha saído da Serra Leoa e dirigia-se para Boston, na costa leste dos Estados Unidos da América.

No dia 9 de Março de 1873 aportara na Bermuda, onde fez escala até ao dia 15 de Abril. Uma semana depois de ter levantado ferro, a 22 de Abril, o seu comandante, o capitão W. H. Lang, ordena o abandono da Modena que se afunda nas águas do Atlântico, entre as Bermudas e Boston, a cerca de 150 milhas a Norte daquelas ilhas. Depois de alguns dias à deriva, o capitão Lang e os seus onze tripulantes são recolhidos, a duas mil milhas dos Açores, por um navio que vinha da América para a Europa. A primeira terra avistada foi decerto a ilhas das Flores, no extremo ocidental do Arquipélago dos Açores, onde no dia 5 de Maio foram “depositados”, no local conhecido por Fajã do Conde.

Sobre a barca Modena, sabe-se ainda que foi construída em Duxbury, Massachusetts (EUA), no ano de 1851, conforme registo em documentação naval. Já em relação à estada destes náufragos na ilha das Flores, o facto é apenas documentado por esta interessante inscrição, só descoberta em 1960. Até ao momento não se encontrou qualquer outro registo que nos ajude a conhecer melhor o destino destes homens que devem ter permanecido naquela ilha algum tempo a aguardar a oportunidade de embarcarem para o seu destino inicial.

A curiosidade desta história reside no facto do capitão W. H. Lang ser maçon, a atestar pelo esquadro e compasso que inscreve na pedra, logo abaixo do seu nome, símbolo que nunca foi reconhecido pelos historiadores e curiosos que descreveram e opinaram sobre a inscrição.

Bibliografia:

BRAGAGLIA, Pierluigi, Concelho de Santa Cruz das Flores: Roteiro Histórico e Pedestre, Câmara Municipal de Santa Cruz das Flores, 1999, p. 222

GOMES, Francisco António Nunes Pimentel, A Ilha das Flores: Da redescoberta à actualidade (Subsídios para a sua História), Câmara Municipal das Lajes das Flores, 1997, p. 359

TOMÁS, Jacob, Alguns apontamentos sobre naufrágios nas ilhas das Flores e Corvo, in “O Telégrafo”, 2 de Setembro de 1962″

Fonte: JBNews - Informativo nº 0305 - 29 de junho de 2011

quarta-feira, 15 de abril de 2026

FRASES ILUSTRADAS

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GRAVATA MAÇÔNICA - RITOS

Em 19.01.2026 o Respeitável Irmão Anderson Severino, Loja Ciência e Virtude, 968, REAA, GOB MINAS, Oriente de Formiga, Estado de Minas Gerais, solicita esclarecimentos.

GRAVATA

Ir∴ Pedro Juk, recentemente fui ao encontro de abertura do ano maçônico 2026 e fiquei curioso com alguns irmãos que situavam a fileira próximo a mim, todos com traje padrão, entretanto com gravatas borboletas brancas, ao final eles se dispersaram e fiquei sem tirar essa curiosidade sobre o motivo da gravata borboleta branca.

O Ir∴ poderia me tirar dessa ignorância?

CONSIDERAÇÕES:

Creio que os Irmãos presentes estavam usando gravatas previstas nos seus respectivos ritos. 

No caso da gravata tipo borboleta branca, a mesma é parte dos paramentos usados pelo Rito Adonhiramita e Schröder. 

Há ritos que usam gravata preta normal e lisa, como o REAA e o York, outros, gravata lisa normal azul, como é o caso do Rito Moderno, outros ainda, gravata lisa normal grená, como é o caso do Rito Brasileiro, e assim por diante.

Acredito que foi isso que o Irmão viu no encontro de abertura do ano maçônico de 2026 do GOB.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
ABR/2026
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

DIA DE REUNIÃO! VOCÊ JÁ SABE O QUE TEM A FAZER? (7)

1º - Hoje é dia de reunião, vou dar uma lida no meu ritual para não esquecer dos detalhes!

2º - Mesmo que eu já saiba de-cor o ritual, não devo negligenciar com o meu cargo ou função em Loja.

3º - Se o irmão cometer alguma falha, corrija se possível com discrição sem fazer disso motivo de chacota e gozação.

4º - Quando a Cerimônia é desenvolvida por todos de forma consciente e com amor, todo o ambiente reflete a atmosfera de Paz e tranqüilidade entre todos.

5º - O ritual, deve ser cumprido em todos os seus detalhes. Quando participado com boa vontade, tudo fica mais belo, sem falhas, sem erros, proporcionando um bem-estar geral.

Fonte: https://www.cavaleirosdaluz18.com.br

PALAVRA DE UM MAÇOM

Na Maçonaria, a palavra não é apenas som pronunciado — é compromisso assumido diante da própria consciência. O verdadeiro Maçom compreende que sua palavra é reflexo direto do seu caráter. Ela carrega o peso da honra, da lealdade e da responsabilidade.

Desde os primeiros graus, aprendemos que o homem deve ser justo e reto como o Esquadro, e firme como a Pedra bem talhada. Assim também deve ser sua palavra: alinhada à verdade, polida pela prudência e sustentada pela integridade. O Maçom não promete levianamente, pois sabe que cada promessa é um vínculo moral.

A palavra empenhada vale mais que qualquer contrato escrito, pois nasce de um juramento interior. Quando um Maçom fala, fala com consciência; quando promete, cumpre; quando afirma, sustenta. Seu compromisso não depende de vigilância externa, mas da vigilância constante de sua própria honra.

Nos ensinamentos maçônicos, aprendemos que o silêncio também é virtude. Saber quando falar e quando calar é prova de sabedoria. A palavra deve edificar, orientar e unir — jamais dividir ou ferir.

Assim, o valor da palavra de um Maçom está na coerência entre o que pensa, o que diz e o que faz. Pois mais importante do que parecer justo é ser justo; mais importante do que falar sobre virtudes é praticá-las diariamente.

A palavra do Maçom é, portanto, um selo de confiança — e sua honra é o seu maior patrimônio.
M.M Paulo Moraes

Fonte: Facebook_Instituto Maçônico

terça-feira, 14 de abril de 2026

FRASES ILUSTRADAS

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DEUS, O CRIADOR

Em 15.01.2026 o Respeitável Irmão Vicente Alberto Duarte Miranda, Loja Luzes da Fraternidade e Justiça, REAA, GOMG (COMAB), Oriente de Francisco Sá, Estado de Minas Gerais, apresenta a seguinte questão:

O CRIADOR

Sobre aquela parte da Cerimônia de Iniciação: “Ven: Credes em um Ente Supremo, senhor? / Cand∴ - Sim. / Ven∴ - Essa crença, que honra e enobrece o vosso coração, não é patrimônio exclusivo do filósofo. Desde que o homem primitivo percebeu que não existe por si mesmo, interrogou à Natureza quem seria o autor de todas as coisas, desde a Terra até os astros celestes. O silêncio impenetrável o fez render tosca, mas sincera homenagem a um Ente Supremo que é o Criador do Mundo.”

Indago: esta passagem está presente nos rituais mais antigos do REAA?

Sabe se ela existe em outros ritos?

CONSIDERAÇÕES:

Concepções religiosas e filosóficas para os ritos maçônicos foram sendo paulatinamente integradas às estruturas iniciáticas, principalmente a partir do século XIX com a consolidação da Moderna Maçonaria, seus ritos maçônicos e a sua estrutura organizacional (Grande Loja ou Grande Oriente).

Esses entendimentos foram se amoldando nos rituais na medida em que os arcabouços doutrinários se aperfeiçoavam e se adequavam à cultura dos ritos, podendo esses ser de conotação teísta, deísta ou até mesmo agnósticas.

Especificamente o REAA, rito originário da França, por razões históricas, o mesmo foi estruturado sob a égide do deísmo francês, não obstante também tenha recebido forte influência teísta, haurida da vertente anglo-saxônica de Maçonaria, mormente pela exposure As Três Batidas Distintas, um dos elementos fundamentais na construção do primeiro ritual em 1804, na França.

Assim, conforme a vertente maçônica, latina (deísta) ou anglo-saxônica (teísta), os textos ritualísticos se integram a essas concepções.

Quanto à ideia de “Criação”, o ideário maçônico segue um caráter conciliatório, em que "Deus Criador" assume o caráter de Arquiteto Criador, conceito esse retirado da Geometria, ciência que fora criada no Antigo Egito para medir e calcular as terras férteis do Rio Nilo. Essa ciência acabaria sendo levada à Grécia por sábios gregos, os quais lhe deram uma compreensão filosófica de Grande Verdade Universal, onde o “Grande Geômetra”, ou “Aquele” que geometrizou, recebeu conceitos de Ordem, Harmonia e Equilíbrio do Universo.

À vista disso, na Maçonaria, por influências religiosas e filosóficas por fazerem parte da sua história, Deus, o "Criador", é tratado como o "Grande Arquiteto do Universo".

Foi nesse contexto que os ritos maçônicos da Moderna Maçonaria acabariam sendo construídos e influenciados, ou de concepção teísta, ou deísta.

Desse modo, na Maçonaria a crença em Deus é de caráter individual e deve ser respeitada por toda a coletividade maçônica.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

DIFERENÇAS RITUALÍSICAS (RITUAIS DE UM MESMO RITO)

Em 05/04/2026 o Respeitável Irmão Francisco Phelipe Gomes Pontes, Loja Jesus Sales de Andrade, 4863, REAA, GOB-CE, Oriente de Varjota, Estado do Ceará, apresenta as seguintes questões:

DIFERENÇAS RITUALÍSTICAS

Grande Irm Pedro Juk, venho desta vez indagar:

1° Qual a origem do primeiro rastro da Maçonaria no mundo? 

2° Qual o primeiro Rito que se tem ideia no mundo?

3° Qual o motivo da diferença de ritualísticas existentes entre o REAA praticado pelo GOB e COMAB e o Rito REAA praticado pelas Grandes Lojas?

4° No mundo o REAA caminha do mesmo jeito que praticamos no GOB ou nas Grandes Lojas?

5° O primeiro ritual dos graus simbólicos REAA surgido no Brasil é oriundo de qual potência ou
influência?

6° O Ritual dos graus simbólicos elaborado pelo Conde Grasse Tilly foi baseado em três no livro três batidas distintas?

7° Todos os ritos existentes hoje se dividem entre a Maçonaria Dissecada ou as três batidas distintas, ou seja, na briga entre os antigos e os modernos?

CONSIDERAÇÕES:

1 – Como corporação de ofício organizada, a “arte de construir” somente apareceu no século VI a.C. com os Collegiati (Collegia Fabrorum). Essas corporações de ofício foram instituídas pelo imperador romano Numa Pompílio. 

Formada por construtores, ela acompanhava as legiões romanas durante as conquistas territoriais. A sua função era reconstruir o que eventualmente fosse danificado, ou destruído, pelas atividades belicosas. 

Mais tarde, por volta do século X, iriam aparecer as Associações Monásticas, organizações formadas exclusivamente por clérigos que edificavam para a Igreja Católica. Esses monges construtores eram detentores do conhecimento da arte da construção, em pedra calcária.

No século XI, com a expansão dos domínios da Igreja, notadamente depois do ano 1000, já que o mundo, como preconizado não havia acabado, eram criadas as Confrarias Leigas, cujo desiderato era de suprir o déficit de mão de obra pela alta demanda de trabalho - como o mundo não havia passado pelo juízo final no ano 1000, os homens correram para louvar e agradecer a Deus construindo cada vez mais imensas catedrais. 

Em resumo, os clérigos construtores das Associações Monásticas passaram a ensinar leigos na “arte de construir”, no caso, para construir igrejas, mosteiros, abadias e catedrais. 

É por volta do final do século XI que aparecem as Guildas de Artesãos, dentre elas a dos construtores medievais. Historicamente, deve-se às Guildas o uso da palavra Loja. Elas foram elementos fundamentais na construção da história da Maçonaria.

É aproximadamente no século XIII que aparece a associação de pedreiros mais importante daquela época, a Franco-maçonaria. Como corporação de ofício, ela era formada por profissionais da cantaria que usavam a pedra calcária como matéria prima. Seus membros, os franco-maçons, eram profissionais privilegiados e tinham proteção direta da Igreja Católica. Esses profissionais gabaritados eram contratados pelo clero para construir Igrejas e Catedrais. Nessa conjuntura, a palavra franco, que se opunha ao que era servil, também designava liberdade de locomoção e isenção dos impostos feudais e eclesiásticos. Assim, essa organização privilegiada de profissionais floresceu e alcançou grande prestígio. Uma marca especial dos franco-maçons era a aplicação do “estilo gótico” nas suas edificações. 

Mais tarde, por questões de mudanças sociais, políticas e religiosas, a Franco-maçonaria passa a sofrer perseguições, inclusive do próprio clero, seu antigo protetor. Com o advento do Renascimento, o estilo gótico é relevado a segundo plano. Assim, tudo isso fez com que a Maçonaria de ofício fosse paulatinamente caindo em declínio, ao ponto de que no século XVII, em outubro de 1600, na Chapell Mary’s Lodge, em Edimburgo na Escócia, fosse admitido, com o fito de proteção financeira à Loja em decadência, o primeiro maçom aceito que se tem registro na história. Trata-se de Ir John Boswell, um nobre latifundiário na região, que de fato não era um “pedreiro”.

Graças a isso, em 1600 é inaugurada a Maçonaria dos Aceitos, ou Especulativa. Esse novo formato iria se desenvolver paulatinamente até o desaparecimento total da Maçonaria Operativa, ou de Ofício. 

É a partir desse período que os maçons especulativos, ou aceitos começam a se reunir em Lojas organizadas nas tabernas e cervejarias, notadamente na Inglaterra.

Desse modo, a 24 de junho de 1717, em Londres, por influência de Jean Théophile Désaguliers, quatro Lojas das cervejarias o Ganso e a Grelha, a Macieira, o Copázio e as Uvas e a Coroa, se reúnem para fundar a Primeira Grande Loja de Londres e Westminster, sendo esse o registro de nascimento da Moderna Maçonaria, formada somente por maçons aceitos. 

Inaugurava-se assim o primeiro sistema obediencial do mundo, onde aparecia a figura de um Grão-Mestre. 

Esta é uma síntese da história da Maçonaria até a fundação da Premier Grand Lodge, no dia de São João, o Batista.

2 – Ritos maçônicos fazem parte da Maçonaria Especulativa e, por extensão, da Moderna Maçonaria. Não se fala em ritos maçônicos nos períodos primitivos da Maçonaria Operativa.

Entende-se que o principal desenvolvimento ritualístico na Maçonaria ocorreu paulatinamente na Inglaterra, Escócia e Irlanda, seguido da França e norte da Alemanha. Não como um rito propriamente dito, mas como uma forma especulativa de trabalho (liturgia e ritualística) construída para os maçons aceitos, dentro das Lojas. É bom que se diga que o primeiro templo maçônico do mundo foi o do Freemason’s Hall, em Londres na Inglaterra, o qual teve a sua pedra angular cravada em maio de 1775, e a sua inauguração e consagração a 23 de maio de 1776.

Se nos tempos operativos o artífice era feito maçom em um canteiro de obras, no período Especulativo os maçons passavam a ser iniciados através de uma liturgia sigilosa que ocorria coberta, dentro de uma Loja oficialmente consagrada para os trabalhos maçônicos.

É depois do Ato de União, em novembro de 1813, que se encerram definitivamente as escaramuças entre os Antigos e os Modernos pertencentes às duas Grandes Lojas rivais (vide essa história na Inglaterra).

Dessa união, construída passo a passo por quase cem anos, é que surge, no ano de 1813, a Grande Loja Unida da Inglaterra. Concomitante aos trabalhos para a sua fundação, também é apresentado por uma Loja Especial de Promulgação (1809-1811), o restabelecimento dos Landmarks e a nova forma de trabalho (working). Essa demonstração ficou inicialmente a cargo dos Stwards e depois, a partir de 1823, pela Emulation Lodge of Improvement. 

Assim, o working, ou o Craft (a Arte), se desenvolveria conforme o trabalho ritualístico inglês, sendo a vertente anglo-saxônica de Maçonaria.

No que diz respeito à Maçonaria francesa (vertente latina de Maçonaria), sabe-se que inicialmente ela foi instituída pela Maçonaria Inglesa, ligados à Primeira Grande Loja em Londres, não obstante mais tarde ela tenha desenvolvido características próprias, hauridas principalmente do caráter deísta e mesmo agnóstico, em oposição ao teísmo inglês. Os primeiros Grão-Mestres da Grande Loja da França tinham sido Grão-Mestres da Grande Loja dos Modernos de 1717.

Na sequência, a reforma pela qual passaria a Maçonaria francesa, com a extinção da sua Grande Loja e a criação do Grande Oriente da França, são capítulos importantes sobre o desenvolvimento da Maçonaria em solo francês a partir do século XVIII.

Ainda, no que diz respeito à Maçonaria na França, não menos importante é lembrar da vertente Stuartista de Maçonaria, a qual iniciou suas atividades em solo francês a partir do ano de 1649 devido a revolução puritana de Cromwell e a deposição e decapitação do rei católico Carlos I da Inglaterra. 

É logo após a chegada em Saint Germain-en-Laye da rainha viúva Henriqueta Maria de France e seu séquito em exílio, que se inicia a trama para retomada do trono inglês pelos reis católicos (escoceses, stuartistas). Segundo alguns autores, essa operação contou com a criação dos Guardas Irlandeses - Regimento Walch – cujos planos sigilosos eram mantidos sob sigilo por debaixo da capa de lojas maçônicas.

De certa forma, esse acontecimento é um dos registros de nascimento do REAA na França, um importante ramo de Maçonaria que cresceu em solo francês. Diferente do Grande Oriente da França (inicialmente se chamava Grande Loja da França), a Maçonaria escocesista (stuartista, jacobita) francesa manteve-se no início independente de qualquer obediência à Primeira Grande Loja inglesa, a dos Modernos de Londres e Westminster.

Diante de tudo disso, citar propriamente um rito ou ritual inicial seria algo temerário. Na verdade, os ritos maçônicos passaram a existir a partir do século XVIII e XIX sob circunstâncias históricas e culturais. Muitos dos elementos ritualísticos até já faziam parte dos costumes e tradições regionais das Lojas, principalmente na Inglaterra, Irlanda e Escócia. 

3 – Isso não é tão simples de se explicar. Nesse sentido, é preciso conhecer como foi desenvolvido o primeiro ritual para o simbolismo do REAA na França, em 1804. Nesse cenário se faz cogente compreender a história das Lojas Capitulares do REAA, então criadas pelo Grande Oriente da França. Seguindo essa mesma linha, também é preciso compreender a influência das Lojas capitulares na estrutura dos rituais escocesistas da Maçonaria Brasileira a partir do século XIX.

Obviamente que não é possível se resumir toda essa história em um pequeno arrazoado como este.

Dito isso, há outro aspecto a ser considerado. No caso, perscrutar a história da primeira grande cisão no GOB, a de 1927, que deu origem às Grandes Lojas Estaduais Brasileiras (CMSB), e mais tarde a cisão de 1973, a qual proporcionou a criação dos Grandes Orientes Independentes (COMAB).

Após a cisão de 1927, Mário Marinho Béhring criava para a sua Obediência recém fundada um Ritual para o REAA (1928). Obviamente que esse ritual se diferenciava do então praticado pelo GOB, sobretudo pelas influências capitulares herdadas da França. 

Não obstante ao afastamento de Béhring das influências capitulares, mesmo assim apareceram muitos elementos estranhos à conjuntura ritualística original do REAA. Provavelmente isso se deu por conta da busca de reconhecimento para as Grandes Lojas estaduais brasileiras na Maçonaria Norte-americana. 

É por conta disso que substanciais diferenças na ritualística do REAA viriam aparecer por aqui. Por exemplo, formação de pálio, Diáconos portando bastão, Altar dos Juramentos no centro do Ocidente, aventais azulados, etc. Nada disso é original no REAA, onde primitivamente não existe formação de pálio, Diáconos não usam bastão, Altar dos Juramentos fica no Oriente, a cor predominante do rito é encarnada, etc.

Dessa forma, a partir de 1928 passava existir oficialmente na Maçonaria brasileira dois rituais diferenciados para o REAA. O ritual de 1928, criado para as Grandes Lojas estaduais, ficaria também conhecido como o REAA de Mário Béhring. 

Mais tarde, em 1973, com o advento da segunda grande cisão no GOB, nasciam os Grandes Orientes Estaduais independentes. À vista disso, outros rituais para o REAA foram sendo criados, desta vez construídos sob influências dos rituais do GOB e das Grandes Lojas Estaduais. 

Esse é o motivo pelo qual são encontrados no Brasil, em um mesmo rito, substanciais diferenças na sua liturgia e ritualística, com cada Obediência defendendo o seu ritual.

4 – Pelo mundo existem muitas diferenças e isso pode ser constatado em se verificando rituais do REAA existentes na França, em Portugal, Espanha, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, dentre outros.

Por várias questões, principalmente pela característica latina de ser, lamentavelmente o REAA sofreu ao longo da sua existência muitos enxertos e tenebrosas adaptações, ao ponto de ser classificado por muitos autores como uma verdadeira colcha de retalhos. No entanto, nem tudo está perdido, pois em muitos casos, pelo menos, o rito vem mantendo a sua estrutura litúrgica e ritualística primitiva. Na Maçonaria latina, se imaginar um único ritual universal por rito é algo sustentado pela utopia.

5 – O REAA chegou oficialmente no Brasil em 1832, embora ele já estivesse sendo praticado em maio de 1822, pela Loja Buclie D’Honneur. Essa Loja teve vida efêmera. 

A segunda Loja foi a Educação e Moral (1829 até 1833). Fundada por Joaquim Gonçalves Ledo, ela foi instalada por João Paulo Barreto que tinha uma carta patente do Grande Oriente da França o autorizando a fundar Capítulos Rosa-Cruz, razão pela qual a Educação e Moral trabalhava com 18 graus – características de uma Loja Capitular (é preciso conhecer essa história).

Como a primeira grande cisão somente viria ocorrer em 1927, notadamente antes de 1928 o REAA era praticado seguindo rituais do GOB, caracterizados pelas Lojas Capitulares. Como a Maçonaria brasileira é filha espiritual da França, os rituais primitivos para os ritos de origem francesa no Brasil eram oriundos da França e também de Portugal. Da França para os ritos Moderno (Grande Oriente de Ilhe de France) e REAA (Grande Oriente da França); do Grande Oriente Lusitano, para o Rito Adonhiramita, que é também um rito com registro de nascimento francês.

6 – O Ritual de 1804, o primeiro para o simbolismo na França, foi estruturado em três elementos fundamentais: o Regulateur du Maçon de 1801 (Grande Oriente da França); as Três Pancadas Distintas (exposure relacionada à Grande Loja dos Antigos de 1751); a Loja Geral Escocesa (criada em outubro de 1804 na França para gerenciar a elaboração desse primeiro ritual).

7 – Em alguns casos sim, em outros não. The Masonry Dissected de Samuel Pritchard foi uma revelação bombástica publicada em 1730 na Inglaterra e muito do seu conteúdo serviu como elemento básico para a construção de vários rituais, notadamente o working inglês. 

Na verdade, em relação aos Antigos e os Modernos, as suas exposures(revelações) muito serviriam como referência para rituais. Ressalte-se as revelações Jachim and Boaz, direcionada à Grande Loja dos Modernos e as Três Pancadas Distintas, relaciona à Grande Loja dos Antigos. 

Nesse contexto, também vale a pena mencionar que muitos rituais latinos foram construídos sob a égide do deísmo francês, no entanto, o REAA, rito nascido na França, além de possuir raízes deístas, também possui forte influência do teísmo anglo-saxônico herdado das Três Pancadas distintas, um dos elementos fundamentais construtivos do seu primeiro ritual.

T.F.A.
PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

SIC TRANSIT GLORIA MUNDI

SIC TRANSIT GLORIA MUNDI: O Prumo da Humildade e a Efemeridade do Ser 

A expressão latina "Sic Transit Gloria Mundi" — Assim passa a glória do mundo — ressoa nos corredores de nossos templos não apenas como uma máxima filosófica, mas como uma ferramenta de desbaste essencial para o Maçom que busca a verdadeira Luz. 

A Vaidade sob o Olhar do Compasso 
No mundo profano, o homem é frequentemente medido por suas medalhas, títulos e posses. No entanto, ao cruzar o pórtico do Templo e ser despojado de seus metais, o iniciado aprende que a Glória é uma sombra fugaz.

* O Trono e a Cinza: Nem a suntuosidade dos paramentos, nem a autoridade do malhete são eternos. Eles são empréstimos temporários para que a Ordem seja mantida. 

* O Esquadro da Realidade: A morte, a grande niveladora, nos lembra que, perante o Grande Arquiteto do Universo, todos retornamos ao estado de pedra bruta se não houvermos trabalhado o espírito. 

A Lição do Tempo e do Nível 
O tempo é o mestre implacável que consome impérios. Para o Maçom, esta máxima serve como um lembrete para:
* Praticar a Humildade: Reconhecer que o conhecimento é vasto e nossa passagem é curta. 

* Valorizar o Eterno: Focar nas virtudes — as únicas "joias" que não se oxidam. 
* Construir Edifícios Morais: Enquanto a glória material desmorona, a retidão do caráter permanece. 

> "Que o brilho efêmero das velas não nos cegue para a luz perene da Verdade. Pois, quando a última chama se apagar, restará apenas o que construímos no coração de nossos semelhantes." 

Viver o "Sic Transit Gloria Mundi" é entender que a verdadeira nobreza não está em ser superior aos outros, mas em ser superior ao seu "eu" de ontem. Que saibamos usar o Prumo para manter nossa retidão, cientes de que a única glória que não transita é aquela gravada nas obras de fraternidade. 

Qual virtude você considera a mais resistente ao teste do tempo na construção do seu templo interior? 

Fonte: Facebook_Federação Maçônica de São Paulo

segunda-feira, 13 de abril de 2026