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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

quarta-feira, 29 de abril de 2026

FRASES ILUSTRADAS

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ESCADA EM CARACOL - ELO ENTRE O 2º E O 3º GRAU

Em 22/02/2026 o Respeitável Irmão Dyogner do Valle Mildemberger, Loja Gralha Azul, 2514, REAA, GOB-PR, Oriente de São José dos Pinhais, Estado do Paraná, solicita esclarecimentos.

ESCADA EM CARACOL

Dada o grande conhecimento do irmão sobre a história da ritualística e do simbolismo maçônicos, gostaria que trouxesse luz à esta minha dúvida: a Escada em Caracol é uma alegoria do 2º ou do 3º grau?

Essa dúvida surgiu durante meus estudos sobre a Câmara do Meio, onde ficou evidente para mim que é impossível falar nela sem falar também na Escada em Caracol.

No livro O Mestre Maçom, do respeitável autor Xico Trolha, na página 162 em diante e depois na página 181 em diante, há uma dissertação interessante sobre essas alegorias e o autor é categórico em dizer que a Câmara do Meio e a Escada em Caracol estão originalmente unidas e que não faz sentido algum separá-las colocando parte no grau 2 e parte no grau 3. Uma das perguntas que ele coloca no livro me fez pensar sobre, é: "Como explicar para um Companheiro que a Escada em Caracol é para levá-lo à Câmara do Meio, se ele não sabe e não deve saber ainda o que é Câmara do Meio? (página 163).

Essa questão me causou inquietação, sobretudo porque as instruções de Companheiro do REAA do GOB citam a Câmara do Meio.

Agradeço desde já pelos esclarecimentos

CONSIDERAÇÕES:

De certa forma, a Escada em Caracol é a ligação entre o rudimentar, o intermeio e espiritualidade.

Assim, de fato a alegoria denota o caminho, ou a ascensão do Obreiro, até a sua plenitude maçônica.

Embora não mencionada na doutrina do Aprendiz, os seus três primeiros degraus se referem ao tempo de aperfeiçoamento do obreiro no 1º Grau (elementar - intuição). Em seguida, o Companheiro (análise), aspirando o 3º Grau (síntese), se prepara inicialmente desvendando os mistérios da Estrela Flamejante, depois perquirindo as cinco nobres Ordens de Arquitetura e finalmente indaga a essência dos cinco sentidos.

Estando devidamente preparado, e certo de ter compreendido o significado da Palavra de Passe, o Companheiro ascende passando pelo conhecimento das Sete Artes e Ciências Liberais, matéria primordial para se ingressar na Câmara do Meio e conhecer a Árvore da Vida – “A A∴ M∴ É C∴”.

No tocante à sinuosidade da Escada, ela lembra as dificuldades que a vida impõem, palmo a palmo, àqueles que precisam sobrepuja-las, com perseverança e coragem.

Assim, sob a óptica iniciática, essa é uma explicação sintética do que significa essa grande alegoria, que é a Escada em Caracol, a qual, de certa forma, sugere o elo entre as três grandes etapas que conduzem o Iniciado à sua Grande Iniciação – intuição, análise e síntese.

Sob contexto histórico da Escada em Caracol, é preciso primeiro entender que o Grau de Mestre Maçom apenas passou a existir na Maçonaria em 1725, quando foi oficializado somente em 1738 na segunda Constituição de Anderson para a Primeira Grande Loja inglesa. Por conta disso, vale mencionar que antes disso não existia o 3º Grau iniciático, senão o de ofício que era o Mestre da Loja, ou da Obra.

Em tempos primitivos, na Maçonaria Operativa, o ápice profissional chegava à classe de Companheiro, sendo que dentre seus pares era então escolhido o mais hábil para ocupar a Cadeira de Mestre da Obra (esse talvez seja o primeiro resquício do nascimento da Instalação na Cadeira da Loja).

Graças a isso é que a Escada em Caracol, desde os tempos primitivos, já pertencia do grau de Companheiro Maçom, a qual seria depois providencialmente dividida, em três etapas, mormente pelo advento, no século XVIII, do aparecimento do 3º Grau especulativo.

Isso explica o porquê dessa ligação entre as diversas etapas iniciáticas do simbolismo, valendo ressaltar que a imensa maioria dos símbolos e alegorias do Mestre, que hoje conhecemos, já pertenceram à classe dos Companheiros de Ofício do passado.

Por fim, esse é o caminho que nos leva a compreender as modificações e adaptações que foram surgindo paulatinamente no curso da história da Ordem. A verdade é que a Escada em Caracol, na conjuntura da Moderna Maçonaria, tem sido a alegoria de ligação entre os graus simbólicos, nomeadamente entre o 2º e 3º Grau.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

CERTIFICADO DE PRESENÇA PARA MEMBRO HONORÁRIO

Em 12/02/2026 o Respeitável Irmão Alvaro Mattos da Costa Filho, Loja Fé e Esperança, 426, REAA, GOB-SP, Oriente de Jaboticabal, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte questão:

CERTIFICADO DE PRESENÇAS

Mais uma vez recorro aos seus conhecimentos para esclarecer uma dúvida.

O Membro Honorário em visita à Loja que lhe concedeu o título, o mesmo tem direito ao Certificado de Presença?

CONSIDERAÇÕES:


Inicialmente, é bom que se diga que Membro Honorário é apenas uma honraria prestada por uma Loja a um determinado Ir∴.

Sendo assim, o Ir∴ que foi agraciado por uma determinada Loja não passa a ser nela um obreiro regular, ou seja, ele não se torna membro efetivo do quadro dessa Loja, pois nela ele não tem obrigação de frequência, não vota e nem é votado, nela recolhe metais e também não assina o livro de presença dos membros da Loja. Se ele estiver presente, assina o livro de visitantes.

Pelo exposto, o Membro Honorário presente deve receber o seu Certificado de Presenças.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MINUTO MAÇÔNICO - 9

MEU COMPORTAMENTO NA SALA DOS PASSOS PERDIDOS!

1º - Muitas vezes escutamos piadas, ora inocentes, ora "ardidas". Será esse o local adequado para esse tipo de conversa?
2º - Sala dos Passos Perdidos é um local para a reflexão, deve imperar o silêncio, preparar-se para o momento da "invocação do auxílio do G.'.A.'.D.'.U.'." para assistir aos nossos trabalhos.
3º - Abraçar, beijar os irmãos com parcimônia, mantendo o silêncio onde nossos gestos expressem o nosso carinho e respeito por todos e principalmente pelo ambiente, que deve ser o mais acolhedor possível. (Seja aqui observado cada ritual)
4º - Elevar seus pensamentos ao Deus de seu coração, (GADU) em prece muda afim de contribuir para uma reunião J.'. e P.'. .
5º - Aguardar com paciência e tolerância a chamada para adentrar no templo, espargindo alegria e contentamento.

http://www.cavaleirosdaluz18.com.br/utilidades/trabalhos

USOS E COSTUMES EM LOJAS MAÇÔNICAS

Autor: Jorge Antonio Mendes

Este trabalho tem por objetivo analisar a prerrogativa da liberdade e colocação em prática de Usos e Costumes em Lojas Maçônicas. Justifica-se por ser algo pertinente a estas Lojas, bem como ao fato de que seu entendimento pode ter interpretações diversas. A adoção de alguns Costumes em Lojas pode ocasionar questionamentos diferentes, dependendo muitas vezes de observações pessoais e vantajosas para quem as pratica.

O questionamento destas práticas, em sua pretensão, coloca uma interpretação do conceito e definição em uma maior profundidade, sempre tendo por objetivo acrescentar, ajudar e evoluir cada vez mais em uma busca justa e perfeita. Por que se adotam práticas em Lojas que, em outras do mesmo Rito, estes costumes são abominados e não adotados?

Sabemos que na história, por circunstâncias diversas, Usos e Costumes tornam-se regras. Nas Lojas Maçônicas não foi diferente, pois com o passar dos tempos algumas coisas adotadas, e por serem usuais rotineiramente, tornaram-se regras oficiais. Além de que, com o passar dos anos, regras são alteradas devido à evolução dos tempos e adaptações aos momentos de vida dos segmentos envolvidos. Estas mudanças, quando necessárias, é que devem ser melhores analisadas. Esta análise deve ser feita, necessariamente, em caráter oficial para que não resida o grande descompasso na liberalidade de adoção de práticas que poderão se tornar regras. Urge decisões de instâncias oficiais, normatizando situações adotadas diferentemente por motivos circunstanciais.

Algumas interpretações devem se aproximar de um consenso, tendo em vista que o objetivo é único.

A liberdade para as mudanças necessárias de regras em Lojas Maçônicas, e isto está autorizado em Manuais com ressalvas, deve permear a análise profunda e histórica do Rito e adotar-se algumas regras particulares, acobertados pela liberalidade do Rito quanto aos seus Usos e Costumes estão descaracterizando-o. Mesmo que esteja bem claro que a atualidade de certas práticas não deve perder o contexto histórico do fato.

Apesar de ser uma premissa básica o entendimento do Rito, na sua primeira e decisiva finalidade, este entendimento fica em segundo plano quando se interpreta de forma errada o que está escrito. Está lá no Manual de Instruções do Rito Schöroder – Grau de Aprendiz Maçom: 

O termo Rito incute nas pessoas o hábito cerimonial. O termo Rito se aplica no sentido de regra, ordem, método, orientação, diretriz, uso e conotações, que impregnam a conduta humana de compromisso com um sentimento preconizado. 

E como complemento decisivo encontra-se na Edição 2015 do livro Docência Maçônica: 

Em Maçonaria a aplicação de Usos e Costumes deve ter sempre a observância atenta de suas componentes, entre elas sua temporalidade, não devendo ser confundida, pois, com a tentativa de modificações a serem introduzidas nas regras e normas ritualísticas e administrativas devidamente regularizadas. Exige-se que essas práticas contenham sua habitualidade em grande lapso de tempo, ou seja, observe certa antiguidade.

Reforçar este entendimento apenas traz consigo os elementos que devem ser analisados, entendidos e praticados em Lojas. Quando da adoção de certas normas particulares de costumes em Lojas, algumas coisas devem ser levadas em considerações: regras, normas, tradições, culturas, evolução da vida física, temporalidade e outras. Devemos considerar aquilo que nos faz diferentes dos demais, isto é, a tradição, a temporalidade quanto ao seu estágio inicial para que não percamos com o passar dos tempos algumas características que nos fazem diferentes.

Adotar-se certas práticas dentro de uma Loja que são confortáveis ou menos trabalhosas, atitudes estas amparadas em liberalidade dos Usos e Costumes, é afastar-se do caminho da persistência que deve ter um Maçom quanto ao seu esforço físico na busca de uma evolução.

Adotar-se atitudes particulares e transferi-las para o âmbito de uma Loja, é descaracterizar aquele esforço que se deve ter, mesmo que seja penoso, na busca de uma evolução. Não se deve adotar alguns Usos e Costumes em uma Loja porque uma maioria de irmãos achou que deveria ser assim, pois, entender que uma maioria é soberana, é diferente de uma unanimidade. Adotar algumas coisas pela sua praticidade é incorrer no erro dos que buscam apenas coisas pensando em si próprios e não na busca do coletivo.

Usos e Costumes não devem ser desculpas para adoção de interesses de pequenos grupos. Adaptações devem ser seguidas com relação a sua temporalidade, contudo, de tal modo que nunca fujam daquelas normas preconizadas às suas características básicas.

A adoção de Usos e Costumes, com a retórica baseada em uma simples análise de evoluções apenas ligadas ao calendário de que o mundo evoluiu, passa necessariamente pela análise de suas características iniciais de que a finalidade da evolução do homem em todos os seus aspectos é única e adaptações corriqueiras não devem ser manipuladas apenas visando o conforto dos que as propugnam, pois senão incorre-se no erro de que a evolução dos tempos os transforma em iguais na sua caracterização.

Entender que qualquer evolução pode ser benéfica, necessariamente não quer dizer que se deve adotá-las, pois, decisões de pequenos grupos podem trazer erros em sua concepção. O processo de implantação de regras e normas, necessariamente, têm características próprias e objetivos bem definidos quanto a sua diferenciação. Tentar a aproximação do unânime, quanto à evolução do tempo, e aos seus circundantes que navegam no acaso sem responsabilidades algumas, pode os tornar comuns e descaracterizar aquele grupo de pessoas que buscam, incessantemente, a evolução.

Notam-se em algumas Lojas pequenos grupos tentando adotar práticas que descaracterizam a Maçonaria na sua essência básica, com a simples desculpa que o mundo evoluiu. Nestes casos específicos, numa análise mais profunda, verificam-se adoções de práticas particulares com relação aos rituais que são feitos, sem a preocupação da preservação de uma tradição.

É necessário um entendimento e praticidade mais profunda do que significa Usos e Costumes, mesmo que, para isto, tenha-se que adotar certas regras impositivas de fiscalização que podem ser adotadas até mesmo dentro dos referidos grupos.

Fonte: opontodentrodocirculo@gmail.com

terça-feira, 28 de abril de 2026

FRASES ILUSTRADAS

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ATRASADO PEDINDO INGRESSO NOS TRABALHOS

Em 12.02.2026 o Respeitável Irmão Alexander Viana, Loja Obreiros de Macaé, 2075, REAA, GOB-RJ, Oriente de Macaé, Estado do Rio de Janeiro, apresenta a seguinte questão:

ATRASADO PEDINDO INGRESSO

Gostaria, muito respeitosamente, de dirimir algumas dúvidas com o Irmão sobre várias alterações ocorridas recentemente em nossos rituais.

Uma delas seria acerca do assunto abaixo, que respeitosamente, copiei do seu Blog.

O assunto diz respeito ao ingresso do Irmão retardatário no Templo.

Quando iniciado recebemos a instrução de que quando atrasados deveríamos bater na porta do templo pela bateria do grau de Aprendiz, caso o cobridor respondesse da mesma maneira bateríamos na porta do Templo pela bateria do grau de Companheiro e se o cobridor batesse da mesma forma bateríamos na porta do Templo pela bateria do grau de Mestre. Em todas as batidas caso o cobridor batesse a porta com apenas um toque o Irmão retardatário aguardaria até que o cobridor abrisse a porta e cumprisse a ordem dada pelo Irmão Primeiro Vigilante.

Ocorre que recebemos, recentemente, a instrução da mudança desse procedimento, onde o Irmão informa que não existe aumento de bateria na porta do Templo para atender retardatários. Mas como não existe se a pelo menos vinte anos foi feito dessa forma? E em conversa com Irmãos iniciados a bem mais tempo do que eu, sempre foi realizada da mesma maneira.

Tenho Irmão que foi iniciado em 1962 e também o era dessa forma.

Portanto, meu Irmão, sempre existiu o aumento de bateria na porta do Templo, inclusive em outras potências como as Grandes Lojas, e tal mudanças, tanto essas quanto outras, esta causando uma certa confusão entre os Irmãos.

Espero que o nobre Irmão tenha entendido a minha dúvida, esclarecendo que não estou afrontando as mudanças realizadas pelo Irmão, nem tampouco querendo causar divergências, só gostaria de entender tais mudanças que vem mudando bastante as tradições da nossa Ordem.

Um Tríplice e fraternal abraço.

CONSIDERAÇÕES:

Primeiramente eu gostaria de mencionar que nos rituais do REAA, edição de 2024, não houve propriamente mudanças, porém, em alguns casos, correções, esclarecimentos e por último o resgate de práticas autênticas inerentes ao REAA.

Dito isso, meu Irmão, eu tenho a convicção de que nenhum ritual até agora institucionalizou o atraso, portanto, nesse caso não são encontradas orientações oficiais instruindo IIr∴ que lamentavelmente chegam atrasados para os trabalhos.

À vista disso, esse mencionado aumento de baterias na porta do templo foi apenas uma atividade criada verbalmente para atender retardatários, já que oficialmente, a despeito de que isso nunca esteve previsto nos rituais gobianos. Afinal, nenhum ritual foi construído com a possibilidade de atender “atrasados”, partindo-se do pressuposto de que chegar atrasado é uma prática de péssima geometria e de desrespeito àqueles que são pontuais nas suas obrigações.

Mas, como infelizmente o atraso existe, e ainda persiste, com a intenção de organizar e uniformizar a ritualística, o Ritual de 2024 do REAA atreveu-se a abordar o assunto oficialmente, propondo assim extirpar as “batucadas” que ocorrem na porta do templo, batidas de alarme, etc., por conta de retardatários.

Reitera-se, nada disso nunca esteve previsto nos rituais vigentes.

Então, meu dileto Irmão, se esses procedimentos existiram, não foi porque estavam regularmente escritos nos rituais do GOB, mas porque foram informalmente criados para se ajustar às circunstâncias que nunca estiveram previstas.

Quando eu escrevi sobre isso no meu Blog, foi porque essa atividade nunca esteve presente nos rituais.

Em relação à produção dessa prática por outras Obediências, me reservo a não fazer nenhum comentário, até porque os seus rituais são diferentes dos utilizados pelo GOB, mesmo sendo do mesmo rito.

Seguindo essa lógica, devemos acompanhar o que de fato consta no Ritual de Aprendiz do REAA, edição 2024/GOB, cujo qual se atreveu a tratar desse assunto incluindo-o oficialmente no contexto – Título 4.4 Comportamento Ritualístico, pág. 210, Subtítulos: Ir∴ Atrasado; Bateria na Porta; Desconhecido Atrasado.

Autores nacionais consagrados como José Castellani, Francisco de Assis Carvalho, Theobaldo Varolli Filho, dentre outros, já mencionavam nas suas obras a inexistência desse aumento de baterias na porta do templo em razão de Irmãos que chegam atrasados.

Por fim, o ideal mesmo seria que todos chegassem pontualmente nos trabalhos.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

SETE MESTRES PARA SE ABRIR A LOJA

Em 10/02/2026 o Respeitável Irmão Maurício Américo Alves, Loja 3771, REAA, GOB-SP, Oriente de São Paulo, Capital, faz a seguinte pergunta:

SETE MESTRES

Peço por gentileza a orientação sobre uma dúvida: Irmãos das Obediência reconhecidas pelo GOB (COMAB ou CMSB) em visita podem assumir temporariamente cargo em loja (ad hoc) ex: Chanceler.

Outra dúvida, caso falte um Mestre do GOB para completar o mínimo de 7 Mestres, posso completar com um irmão Mestre da "COMAB ou CMSB"?

CONSIDERAÇÕES:

No caso do GOB, de modo nenhum Mestre de outra Obediência, mesmo que reconhecida, pode ocupar cargos nas Lojas a Federação. Assim, a composição da Loja dar-se-á tão somente com Mestres Maçons regulares (em plena atividade) do GOB.

Sustenta legalmente o que prevê no Regulamento Geral da Federação em seu Art. 229:

"CARGOS SOMENTE PARA MESTRES MAÇONS – Para o exercício de qualquer cargo ou comissão é indispensável que o eleito ou nomeado pertença a uma das Lojas da Federação e nela se conserve em atividade (o grifo é meu). § 1º – Os cargos são privativos de Mestre Maçom".

Com base nessa premissa, no GOB um Mestre Maçom de outra Obediência também não pode preencher cargo com a finalidade de completar o número mínimo de sete Mestres para que uma Loja possa ser aberta (Art. 96 do RGF - XXII – realizar Sessões com, no mínimo, 7 Mestres Maçons.

Desse modo, reitera-se: no GOB, a ocupação de cargos em Loja se dá apenas por Mestres Maçons que pertencem a Lojas do GOB e que estejam em pleno exercício da sua regularidade.

Mestres Maçons regulares de Obediências reconhecidas, em visita às Lojas do GOB, serão admitidos como "visitantes" (não podem ocupar nenhum cargo).

Caso ocorra o equívoco de Mestres Maçons de outras Obediências vierem a preencher cargos em Lojas do GOB, a sessão perderá a validade por afrontar o Art. 229 do RGF. Serão responsabilizados os que de ofício admitirem esta ilegalidade.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

O SALÁRIO DO MAÇOM

Autor: Rui Bandeira

A Maçonaria Operativa, como estrutura de regulação do acesso e prática da atividade profissional de construtor em pedra, regulava igualmente as formas de pagamento e os montantes dos salários dos seus associados.

Também na Maçonaria Especulativa os maçons recebem o seu salário. Simplesmente, como tudo na Maçonaria Especulativa, o salário que o obreiro recebe é simbólico.

O obreiro trabalha em Loja. Em quê? No seu aperfeiçoamento, na busca dos conhecimentos, das lições, dos exemplos, das práticas que dele farão uma pessoa melhor. Nesse trabalho tem de identificar e interpretar símbolos, atribuindo-lhes o seu significado pessoal, similar ou não ao que os seus Irmãos, ou alguns dos seus Irmãos, ou um particular Irmão, lhes atribuem. O trabalho do obreiro em Loja insere-se e une-se ao trabalho que os demais obreiros efetuam, constituindo o conjunto um acervo de estudos, atividades, interpretações, princípios desenvolvidos, que tem mais virtualidades como um todo do que a mera soma dos contributos individuais.

Virtualidades para quem? Para os próprios obreiros. O trabalho maçónico é eminentemente individual, mas coletivamente efetuado. O seu resultado, inserido no conjunto dos esforços e nele amalgamado, está à disposição para apropriação de todos e de cada um. A forma como cada um beneficia é com cada qual. O mesmo obreiro, em cada momento, pode retirar do trabalho que ele e seus Irmãos efetuam lições ou consequências diferentes. Hoje poderá ser uma lição moral, amanhã uma simples lição de vida ou regra de conduta, depois uma ferramenta para uso no seu dia a dia profissional ou de relação social, por vezes apenas (e tanto é…) uma simples sensação de Paz, de Segurança, de Conforto, a mera (mas por tantos tão dificilmente obtida) noção do seu lugar na vida e do significado da sua existência.

Perante a sua Loja, o maçom apresenta para o trabalho a Pedra Bruta que é ele próprio, o seu Carácter, a sua Personalidade, as suas Características, as suas Virtudes, os seus Defeitos, as suas Capacidades, as suas Insuficiências, as suas Potencialidades e o que falta para as transformar em Realidades. Junto de seus Irmãos, trabalha essa Pedra Bruta. Retira-lhe as asperezas. Melhora a sua forma. Determina o local onde deve ser colocada. Dá-lhe cor e atavio. A pouco e pouco, essa Pedra Bruta será cada vez menos Bruta, ganhará forma mais delineada e adequada, tornar-se-á mais útil para a função que está destinada a exercer. A pouco e pouco, tornar-se-á uma Pedra Aparelhada, já com alguma utilidade e capacidade para se inserir no grande Templo da Criação, Parede da Humanidade. Mas ainda será, não já áspera, mas rugosa, não já suja, mas baça.

Será ainda necessário alisá-la e poli-la, de forma a que, a seu tempo, a Pedra Bruta que é o maçom possa vir a ser a muito mais útil e bela Pedra Polida. Mas, ainda então, de pouca utilidade e valia será se não for inserida no local adequado, pela forma asada, para exercer a função destinada. Há que conhecer ou definir os Planos, efetuar e ler o Desenho que nos guie para colocarmos a nossa Pedra, que foi Bruta e que procurámos tão Polida quanto o lográmos que fosse, no lugar correto, em que será útil e contribuirá para a sustentação, imponência e beleza do Templo em cuja construção se insere.

Cada maçom, à medida que vai trabalhando, vai aprendendo a trabalhar, à medida que melhora, vai aprendendo a melhorar, a medida que aprende, vai aprendendo a aprender. E cada vez mais vê melhor trabalho, mais melhoria, mais larga aprendizagem. À medida que evolui vai aumentando o benefício que retira do trabalho que efetua. Não patrimonial, mas pessoal, intrínseco.

Esse benefício é o salário do maçom, a justa remuneração do seu esforço. Não tem valor de mercado, nem cotação de troca, porque vale muito mais do que uma mercadoria ou um serviço. Tem o valor supremo da Pessoa Humana, que cresce, que se educa, que evolui, que se aprofunda, que se realiza, que se enobrece, que se dignifica. Esse valor vale mais que todo o ouro do Mundo, que todas as riquezas e mordomias de que usufruem os afortunados do planeta. Porque nada vale mais do que um Homem digno, de espinha direita, cabeça lúcida, espírito forte. Aos outros, por mais ricos que sejam, conquistou-os o mundo. Este conquista o mundo, ainda que seja pobre e sem poder. O seu mundo. O que interessa.

O salário do maçom é o que ele retira do bolo comum que resulta do seu trabalho, do seu esforço e dos seus Irmãos. Em conjunto e com o fermento da Fraternidade, esse bolo cresce muito mais do que se lhe pôs, ao ponto de todos poderem retirar mais um pouco do que cada um lá pôs e ainda sobra bolo.

Esse salário não se conta, não se mede, não se pesa, não se avalia. Só o próprio o sente e dele beneficia. Não tem valor facial algum. Tem todo o valor moral e espiritual.

E, porque à medida que o maçom trabalha, aprende, cresce, melhora, de cada vez vai conseguindo retirar um pouco mais, de cada vez vai conseguindo aumentar um pouco seu salário. Imperceptivelmente. Até que um dia os seus Irmãos dão por ela e… oficializam-lhe o aumento de salário! Chamam os maçons aumento de salário à passagem de grau. Mais não é do que o reconhecimento dos progressos feitos.

Fonte: apartirapedra.blogspot.com

segunda-feira, 27 de abril de 2026

FRASES ILUSTRADAS

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ESQUECEU DE REDIGIR A ATA

Em 10/02/2026 o Respeitável Irmão Eduardo Marques de Souza Costa, Loja Aurora II, 2017, REAA, GOB-MS, Oriente de Campo Grande, Estado do Mato Grosso do Sul, apresenta a pergunta seguinte:


ESQUECEU DA ATA

Nosso Secretário deixou de fazer a Ata duas vezes, ou seja, não teve leitura. A pergunta é: Qual o procedimento, pode cancelar a sessão?

CONSIDERAÇÕES

Entendo que apesar do reprovável esquecimento do Secretário não ter confeccionado a ata, mesmo assim a sessão correspondente não merece ser cancelada. No entanto é preciso que a ata esquecida seja o mais breve possível elaborada, lida e posta em aprovação sessão ordinária próxima vindoura da Loja. O que não pode é a ata deixar de ser redigida.

Sob o aspecto disciplinar, o Venerável Mestre e o Orador devem cobrar a efetividade na obrigação do Secretário, o qual foi eleito para cumprir o seu ofício. Nesse sentido, vale ressaltar que os cargos eletivos para uma Loja, dos quais o do Secretário, têm deveres e obrigações a serem cumpridos conforme menciona o Regulamento Geral da Federação, em seu Art. 123, por exemplo.

De tudo, esse é um assunto que a Loja precisa resolver internamente o mais breve possível, pois não é aceitável que ela fique sem registro dos seus trabalhos por duas vezes porque o Secretário, sem uma justificativa plausível, simplesmente não a tenha redigido a ata.

Ao Secretário é preciso lembrar que quando ele tomou posse como uma das Dignidades da Loja, ele prometeu, sob juramento, diante do Livro da Lei, cumprir todos os seus deveres e obrigações.

Finalmente, é oportuno lembrar que a ata abriga o registro da história da Loja, possuindo, inclusive, um período próprio no ritual para a sua leitura e aprovação. Em Maçonaria a ata também é conhecida como “balaústre”. Como substantivo, o termo designa um colunelo de madeira, concreto ou metal, que junto com outros do mesmo espécime, lado a lado, servem como sustentação e apoio de um corrimão (balaustrada). No sentido figurado, o “balaústre” é o apoio; é a sustentação que ampara a história escrita da Loja. Assim, a ata não é um elemento que simplesmente possa ser esquecido.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

SUBSTITUIÇÃO DE CARGO - PROCEDIMENTOS

Em 06/02/2026 o Poderoso Irmão Pedro Rodrigues Bueno Junior, Secretário Estadual de Orientação Ritualística do GOB-SP, Oriente de São Paulo, Capital.

SUBSTITUIÇÃO DE CARGO

Espero que este o encontre na mais perfeita saúde.

Mais uma vez venho solicitar vossa ajuda a fim de me orientar sobre duas situações que alguns IIr∴ me questionaram:

É sabido que é no Átrio que nos revestimos com o colar com a joia do cargo que iremos ocupar em Loja, porém, se após início da sessão um determinado Ir∴, que está ocupando cargo, precisar se retirar de forma definitiva e outro Ir∴ for indicado para ocupar seu lugar como devemos proceder com relação a passagem do colar para esse Ir∴ que irá ocupar o cargo. A passagem pode ser feita no interior do Templo ou os dois devem se dirigir ao Átrio e lá ser feita passagem?

A segunda questão é um pouco mais complexa e inusitada:
Um Ir∴ se acidentou, quebrou o braço direito e uma das pernas, porém, faz questão de frequentar as sessões. Daí temos as seguintes questões:

1. Pelo fato de estar com o braço direito engessado está impossibilitado de fazer o Sinal de Ordem;

2. Pelo fato de estar com uma das pernas engessada está impossibilitado de utilizar calça comprida, meia e sapato.

Como a Loja deve se posicionar numa situação dessa?

Pode abrir um precedente e autorizar esse Ir∴ a frequentar a sessão, mesmo com as limitações citadas, ou, simplesmente, proibi-lo de ir à Loja até que esteja em condições de cumprir nossos Rituais/Legislação?

Agradeço vosso auxilio para que assim eu possa orientar de forma correta as Lojas que me consultaram.

CONSIDERAÇÕES:

Seguem as considerações.

1 - O Irmão que for se retirar deixa o colar e joia sobre a cadeira, ou mesa se for o caso. Em seguida é conduzido pelo M∴ de CCer∴ (na forma de costume) para fora do templo; de retorno, o condutor guia o Ir∴ substituto ao lugar em que assumirá o cargo, o qual então veste o colar com a joia distintiva e, sem fazer sinal ou outro gestual qualquer, toma assento imediatamente; o M∴ de CCer∴por fim retorna ao seu lugar. Dispensam-se no o ato da substituição de cargo firulas, tais como a de se dar TFA, assim com proferir palavreados desnecessários. Lembra-se que as ações de um maçom devem ser práticas e objetivas, nesse caso são desnecessários os improdutivos enfeites ritualísticos. Por fim, não há necessidade de que o Ir∴ substituto vá até o átrio para vestir o colar com a joia e depois retorne aos trabalhos.

2 - Criar procedimentos litúrgicos que não constam no Ritual não é da alçada do Secretário Geral de Orientações Ritualísticas. Situação inusitada, tal como a mencionada na questão, merece apreciação de Irmãos que militam no direito maçônico, talvez o Ministério Público ou o Procurador.

Como titular da pasta de Orientação Ritualística devo observar o rigoroso cumprimento do ritual em vigência e não autorizar ou produzir práticas estranhas ao cerimonial aprovado.

Sendo assim, deixo aos Irmãos de evidenciado saber jurídico maçônico que apresentem uma solução para esse caso.

Ao concluir, entendo que em tudo deve sempre imperar o bom senso.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MARQUÊS DO HERVAL

Retrato do Marechal Manuel Luís Osório, Marquês do Herval (1808-1879) com suas vestes de Maçom Grau 33. Acervo da Biblioteca do Palácio Maçônico do Lavradio, Rio de Janeiro.

Osório ingressou na Maçonaria no Rio Grande do Sul em 1840 durante a Guerra dos Farrapos.

De espírito liberal, Osório teve simpatia pela causa farroupilha, combatendo inicialmente ao lado dos rebeldes, até a proclamação da República Rio-grandense (República de Piratini), em 1836, quando o movimento tomou feição separatista, o que ele não aceitou, motivo pelo qual integrou-se ao Exército Imperial, no qual permaneceu até o fim da revolta. Foi como capitão do Exército Imperial Legalista que Osório ingressou no Grande Oriente do Brasil, simbolizando sua lealdade as forças simpáticas a união com o Império sendo membro da loja Honra e Humanidade , de Pelotas.

Se acordo com seu filho Fernando Luiz Osorio: "Osorio não discutia sobre matéria religiosa  Era católico, mas partidário da liberdade de cultos e Respeitava as alheias crenças"

Fonte:Facebook_Curiosidades da Maçonaria

TOLERÂNCIA?

Ir∴ Roberto Donato MM.

A tolerância sendo uma virtude é, portanto, um valor. Valores, como é sabido, não podem ser definidos, entretanto, podem ser descritos e analisados de acordo com comportamento dos integrantes de uma sociedade.

A idéia de tolerância somente pode ser analisada, com certa precisão, se estiver interada socialmente, pois está indissoluvelmente atrelada ao agir das pessoas nesta mesma sociedade.

Para abordar esse tema tão subjetivo por se tratar de uma virtude e também, sendo um dos valores da nossa Ordem, deixo duas perguntas para a nossa reflexão: “Julgar que há coisas intoleráveis é dar provas de intolerância?” Ou, de outra forma: “Ser tolerante é tolerar tudo?” Em ambos os casos a resposta, evidentemente é não, pelo menos se queremos que a tolerância seja uma virtude.

Partindo da afirmação que Filosofar é pensar sem provas, somente espero não ter indo longe demais nas minhas divagações filosóficas.

No opúsculo O que é Maçonaria, temos a seguinte frase: “A Maçonaria é eminentemente tolerante e exige dos seus membros a mais ampla tolerância.

Respeita as opiniões políticas e crenças religiosas de todos os homens, reconhecendo que todas as religiões e ideais políticos são igualmente respeitáveis e rechaça toda pretensão de outorgar situações de privilégio a qualquer uma delas em particular”.

A definição acima aborda a tolerância maçônica no seu aspecto religioso e político que, sendo um valor é muito mais abrangente, discutível e contestável do que os apresentados.

Quem tolera a violação, a tortura, o assassinato deveria ser considerado virtuoso? Quem admite o ilícito com tolerância tem um comportamento louvável? Mas se a resposta não pode ser negativa, a argumentação não deixa de levantar um certo número de problemas, que são definições e limitações. Nem tão pouco podemos deixar de considerar às questões sobre o sentido da vida, a existência do G\A\D\U\e o valor dos nossos valores.

Tolerar é aceitar aquilo que se poderia condenar, é deixar fazer o que se poderia impedir ou combater? É, portanto, renunciar a uma parte do nosso poder, desejo e força! Mas só há virtude na medida em que a chamamos para nós e que ultrapassamos os nossos interesses e a nossa impaciência.

A tolerância vale apenas contra si e a favor de outrem. Não existe tolerância quando nada temos a perder e menos ainda quando temos tudo a ganhar, suportando e nada fazendo. Tolerar o sofrimento dos outros, a injustiça de que não somos vítimas, o horror que nos poupa não é tolerância, mas sim egoísmo e indiferença. Tolerar Hitler é tornar-se cúmplice dele, pelo menos por omissão, por abandono e esta tolerância já é colaboração. Antes o ódio, a fúria, a violência, do que esta passividade diante do horror e a aceitação vergonhosa do pior.

É o que Karl Popper denomina como “o paradoxo da tolerância”: “Se formos de uma tolerância absoluta, mesmo com os intolerantes e não defendermos a sociedade tolerante contra os seus assaltos, os tolerantes serão aniquilados e com eles a tolerância”.

Uma virtude não pode ocultar-se atrás de posturas condenáveis e contestáveis: aquele que só com os justos é justo, só com os generosos é generoso, só com os misericordiosos é misericordioso, não é nem justo, nem generoso e nem misericordioso. Tão pouco é tolerante aquele que o é apenas com os tolerantes. Se a tolerância é uma virtude, como creio e de um modo geral, ela vale, portanto por si mesma, inclusive para os que não a praticam. É verdade que os intolerantes não poderiam queixar-se, se fôssemos intolerantes com eles. O justo deve ser guiado “pelos princípios da justiça e não pelo fato de o injusto poder queixar-se”. Assim como o tolerante, pelos princípios da tolerância.

O que deve determinar a tolerabilidade deste ou daquele indivíduo, grupo ou comportamento, não é a tolerância de que dão provas, mas o perigo efetivo que implicam: uma ação intolerante, um grupo intolerante, etc., devem ser interditos se, e só se, ameaçam efetivamente a liberdade ou, em geral, as condições de possibilidade da tolerância.

Numa República forte e estável, uma manifestação contra a democracia, contra a tolerância ou contra a liberdade não basta para a pôr em perigo: não há, portanto, motivos para a proibir e faltar com tolerância. Mas se as instituições se encontram fragilizadas, se uma guerra civil ameaça, se grupos pretendem tomar o poder, a mesma manifestação pode tornar-se um perigo: pode então vir a ser necessário proibi-la ou impedi-la, mesmo à força e seria uma falta de prudência recusar-se a considerar esta possibilidade.

Estando diante de mais um paradoxo sobre a tolerância, para entende-la entramos por um caminho não muito claro e como não poderia deixar de ser exato, Karl

Popper acrescenta: “Não quero com isto dizer que seja sempre necessário impedir a expressão de teorias intolerantes. Enquanto for possível contrariá-las à força de argumentos lógicos e contê-las com a ajuda da opinião pública, seria um erro proibi-las. Mas é necessário reivindicar o direito de fazê-lo, mesmo à força, caso se torne necessário, porque pode muito bem acontecer que os defensores destas teorias se recusem a qualquer discussão lógica e respondam aos argumentos pela violência. Haveria então de considerar que, ao fazê-lo, eles se colocam fora da lei e que a incitação à intolerância é tão criminosa como, por exemplo, a incitação ao assassínio. Democracia não é fraqueza. Tolerância não é passividade”.

Moral e politicamente condenáveis, a tolerância universal não seria, nem virtuosa e nem viável. Ou por outras palavras: existe, de fato, coisas intoleráveis, mesmo para o tolerante! Moralmente condenado é o sofrimento de outrem, a injustiça, a opressão, quando poderiam ser impedidos ou combatidos por um mal menor.

Politicamente é tudo o que ameaça efetivamente a liberdade, a paz ou a sobrevivência de uma sociedade.

Como vimos, o problema da tolerância só se põe em questões de opinião. Ora, o que vem a ser uma opinião senão uma crença incerta. O católico bem pode estar subjetivamente certo da verdade do catolicismo. Mas, se for intelectualmente honesto (se amar mais a verdade do que a certeza), deverá reconhecer que é incapaz de convencer um protestante, ateu ou muçulmano, mesmo cultos, inteligentes e de boa-fé. Por mais convencido que possa estar de ter razão, cada qual deve, pois, admitir que não pode prová-lo, permanecendo assim no mesmo plano que os seus adversários, tão convencidos como ele e igualmente incapazes de convencê-lo. A tolerância, como virtude, fundamenta-se na nossa fraqueza teórica, ou seja, na incapacidade de atingir o absoluto. “Devemos tolerar-nos mutuamente, porque somos todos fracos, inconseqüentes, sujeitos à variação e ao erro.

Humildade e misericórdia andam juntas e levam à tolerância”.

Um outro ponto a ser considerado prende-se mais com a conduta política do que com a moral, mais com os limites do Estado do que com os do conhecimento.

Ainda que tivesse acesso ao absoluto, o soberano seria incapaz de impô-lo a quem quer que fosse, porque não se pode forçar um indivíduo a pensar de maneira diferente daquela como pensa, nem a acreditar que é verdadeiro o que lhe parece falso. Pode impedir-se um indivíduo de exprimir aquilo em que acredita, mas não de pensar.

Para quem reconhece que valor e verdade constituem duas ordens diferentes, existe, pelo contrário, nesta disjunção uma razão suplementar para ser tolerante: ainda que tivéssemos acesso a uma verdade absoluta, isso não obrigaria a todos a respeitar os mesmos valores, ou a viverem da mesma maneira. A verdade impõe-se a todos, mas não impõe coisa alguma. A verdade é a mesma para todos, mas não o desejo e a vontade.

Esta convergência dos desejos, das vontades e da aproximação das civilizações, não resulta de um conhecimento: é um fato da história e do desejo dessas civilizações.

Podemos perguntar, finalmente, se a palavra tolerância é, de fato, a que convém. Tolerar as opiniões dos outros não é considerá-las como inferiores ou faltosas?

Temos então um outro paradoxo da tolerância, que parece invalidar tudo que vimos anteriormente. Se as liberdades de crença, de opinião, de expressão e de culto são liberdades de direito, então não precisam ser toleradas, mas simplesmente respeitadas, protegidas e celebradas.

A palavra tolerância implica muitas vezes, na nossa língua, na idéia de polidez, de piedade ou ainda de indiferença. Em rigor, não se pode tolerar senão o que se tem o direito de impedir, de condenar e de proibir. Mas acontece que este direito que não possuímos nos inspira no sentimento de possuí-lo.

Não temos razão de pensar o que pensamos? E, se temos razão, os outros não estariam errados? E como poderia a verdade aceitar – senão, de fato, por tolerância – a existência ou a continuação do erro? Por isso damos o nome de tolerância àquilo que, se fôssemos mais lúcidos, mais generosos, mais justos, deveria chamar- se de respeito, simpatia ou de amor. Se, contudo, a palavra tolerância se impôs, foi certamente porque nos sentimos muito pouco capazes de amar ou de respeitar quando se tratam dos nossos adversários.

“Enquanto não desponta o belo dia em que a tolerância se tornará amável”, conclui Jankélévitch, “diremos que a tolerância, a prosaica tolerância é o que de melhor podemos fazer! A tolerância é, pois uma solução sofrível; até que os homens possam amar, ou simplesmente conhecer-se e compreender-se, podemos dar-nos por felizes por começarem a suportar-se”.

A tolerância, portanto, é um momento provisório. Que este provisório está para durar, é bem claro e, se cessasse, seria de temer que lhe sucedesse a barbárie e não o amor! É apenas um começo, mas já é algum. Sem contar que é por vezes necessário tolerar o que não queremos nem respeitar e nem amar. Existem, como vimos, coisas intoleráveis que temos de combater. Mas também coisas toleráveis que são, no entanto, desprezíveis e detestáveis. A tolerância diz tudo isto, ou pelo menos autoriza.

Assim como a simplicidade é a virtude dos sábios e a sabedoria a dos santos, a tolerância é sabedoria e virtude para aqueles – todos nós – que não são nem uma nem outra coisa.

Fonte: JBNews - Informativo nº 306 - 30 de Junho de 2011

domingo, 26 de abril de 2026

FRASES ILUSTRADAS

DISTRIBUIÇÃO NA FORMAÇÃO DA CADEIA DE UNIÃO

Em 06/02/2026 o Respeitável Irmão Gilbert A. Povidaiko, praticante do REAA em uma Loja do GOB, formula a seguinte apreciação.

CADEIA DE UNIÃO

Acompanho todas as publicações que realiza em seu site, e agradeço pelo compartilhamento de informações e conhecimento!

Se me permite, em sua última publicação, sobre a Cadeia de União (reproduzida "ctrol C - ctrol V do site) que coloco ao final deste, o posicionamento dos irmãos está em desacordo com o que está no novo ritual, no qual o Ven∴ Mestre é ladeado pelos Secretário e Orador, e não pelos VVig∴, como publicado...

APRECIAÇÃO

Veja, não existe uma regra exata mencionando quais os Irmãos que imediatamente ladeiam o Venerável Mestre e o Mestre de Cerimônias na formação da Cadeia de União no REAA.

O preceito que de fato existe é que a Cadeia seja distribuída de maneira circular, no centro da Loja e nela esteja o Venerável Mestre na banda oriental e o Mestre de Cerimônias na ocidental.

À vista disso, como o Irmão que fez a consulta não pertence ao GOB, mas é membro da COMAB, eu não quis repassar exatamente o que se encontra no ritual do REAA no GOB, pois, a meu ver isso pareceria um tanto quanto arrogante, soando como se só os rituais do GOB é que estão certos, e não é esse o caso.

Esses são ossos do ofício de quem se propõe a responder com seriedade e isenção as perguntas recebidas de Irmãos das três Obediências regulares brasileiras. São detalhes que precisam ser levados em consideração.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

PROCESSO DE FILIAÇÃO - APRENDIZES E COMPANHEIROS

Em 04/12/2026 o Respeitável Irmão Robson Augusto Apolinário, Loja Liberdade, GOB MINAS, REAA, Oriente de Uberlândia, Estado de Minas Gerais, solicita esclarecimentos.

PROCESSO DE FILIAÇÃO

Bom dia estimado e valoroso irmão.

Queria esclarecimento sobre uma situação. No caso de filiação de um Aprendiz ou Companheiro, como proceder o juramento, pois como sabemos ambos não podem ir ao Oriente, salvo nas Sessões Magnas, quando o profano inicia, Aprendiz, Elevação e Companheiros na Exaltação.

CONSIDERAÇÕES;

Como é regulamentar a filiação de um Aprendiz Maçom ou um Companheiro Maçom, portador de Quitte-Placet dentro do prazo de validade, o mesmo ao passar pela cerimônia de Filiação, quando prestar o juramento, deve ser conduzido até o Altar dos Juramentos, apenas nesse momento, tal como ocorre nas cerimônias de Iniciação e Elevação.

Em um caso desses, recomenda-se o uso do bom senso, a despeito de que os juramentos (obrigações) são sempre tomados no Altar dos Juramentos.

É contraditório? Pode ser, mas não há outra forma de se resolver.


T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

BREVIÁRO MAÇÔNICO

A COROA

Coroa é um adorno cujo nome provém da mesma raiz da palavra "corno" (os cornos na cabeça de Moisés); o adorno usado pela realeza significa poder; inicialmente, era formada com ramos de certas espécies de plantas que possuíam atributos mágicos, como o louro, a oliveira, o mirto e a hera; faziam-nas com flores para os adolescentes e mulheres.

Posteriormente, os ramos foram substituídos por adornos leves de ouro; reis e imperadores passaram a usá-las; os lombardos usavam-nas de ferro.

O poder e a majestade, no caso de Jesus, foram substituídos pela humilhação, na forma de coroa de espinhos.

Em certas cerimônias, a Maçonaria usa a coroa, em especial nos graus superiores filosóficos.

A coroa simboliza, também, a proteção; quem a usa estará protegido pelo poder superior.

Com o surgimento da universidade, o estudante, alcançada a etapa final, recebe o capelo, substituto da coroa; os magistrados usam-no simbolizando estarem sob a proteção da lei.

Os atletas vigorosos recebem a coroa de louros.

Os cristãos que mantém a fidelidade, ao final de uma etapa, recebem a coroa da vitória. Esse ideal deve ser perseguido por todos os maçons.

Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014, p. 108. 

A CULTURA DO EQUINÓCIO


Todo ano ocorre duas vezes o fenômeno conhecido como Equinócio. A palavra vêm do Latim Aequinocticum que significa “noite igual”. A duração do dia e da noite variam durante todo o ano marcado pelos momentos do nascer e do pôr do sol, de forma que num período do ano os dias são mais longos e no outro período a noite possui maior duração, alterando gradualmente até chegar num ponto onde os dois possuem a mesma duração, ou seja, o equinócio.

O Equinócio Vernal dá-se por volta do dia 21 de Março, marcando o início da Primavera no hemisfério norte do planeta e o Outono no hemisfério sul, assim como o Equinócio Outonal que se dá por volta dos dias 22 e 23 de Setembro, marcando a entrada do Outono no hemisfério norte e a Primavera no hemisfério sul.

Tais eventos foram muito bem observados por várias culturas e civilizações antigas que deram a este fenômeno uma importância muito especial, como momentos preciosos para se integrar com as forças da natureza e do cosmos. Esta tamanha importância é vista pelos numerosos monumentos e construções erguidas com sincronia matemática em relação as características dos equinócios.

A grande esfinge Egípcia por exemplo foi deixada de forma que o seu olhar se direciona para a posição do sol nascente quando está no equinócio de Primavera. O seu corpo de Leão associa-se ao signo que representa o próprio sol, o astro rei dos céus.

Os monumentos celtas de Stonehenge e Newgrange apresentam engenharia alinhada com a projeção do Sol no ponto do equinócio vernal, representando que o Sol (princípio masculino) fecunda a Terra (princípio feminino) trazendo vida em abundância.

A pirâmide maia de Kukulcán possui as suas faces alinhadas com os pontos cardeais. Durante os equinócios de Primavera e Outono, grandes esculturas de serpentes emplumadas que guarnecem a escadaria Norte, criam sombras que parecem mover-se dando a sensação de estarem vivas.

Muitos outros povos como os Sumérios e Babilônios aproveitavam estes momentos do início e final de cada estação para realizar cerimônias de agradecimento as divindades por tudo o que lhe era concedido, em especial em relação aos alimentos e a agricultura, base para a sobrevivência e prosperidade do povo.

Semelhantemente a cultura Judaica na sua tradição Birkat Hahama afirma que Deus criou o Sol ao quarto dia colocando-o no céu no equinócio de Primavera. Este dia é considerado importante para as criaturas abençoarem a Deus pelas suas obras.

Na cultura Cristã vemos que as datas comemorativas para os processos de nascimento, morte e ressurreição do Senhor também coincidem com as características dos equinócios e o drama cósmico que vive o sol na abóboda celeste. Tais comemorações são uma herança de ritos de culturas mais antigas, como o mitraísmo.

Culturas mediterrâneas celebravam a entrada da Primavera como o retorno de Perséfone, que antes disso permanecia com Hades no submundo (as trevas). A sua volta representa o retorno da fertilidade da natureza para a renovação de todas as coisas. Perséfone é a deusa das ervas, das flores, frutos e perfumes, foi também chamada de Karpophoros, que em grego significa frutífera, e Praxidikê, que significa executora da justiça, o que significa que a mesma força que vêm para fazer as coisas frutificarem vêm também para dar uma oportunidade à humanidade de acertar as contas ou karmas pendentes. O momento preciso dos equinócios representa também quando a balança se encontra no ponto de equidade.

O momento do Equinócio é também o ponto de equilíbrio entre a Luz e as Trevas, representado pelo Yin Yang chinês, cujo símbolo mostra que a semente de um está contido na polaridade do outro.

Para os antigos Celtas, o Equinócio é a união entre os princípios masculino e feminino da criação. Estes costumavam celebrar a Primavera com fogueiras nos cumes das montanhas, simbolizando a luz do sol que é capaz de iluminar a terra fazendo-a fértil. Reconheciam os Solstícios e Equinócios como festas consagradas ao Sol, a força fecundante.

Na natureza a Primavera marca o momento quando em geral as plantas e animais iniciam o seu ciclo de reprodução. Desabrocham as flores, as folhas tornam-se mais verdes e há mais luminosidade e alegria na natureza, bem como no ser humano, onde desde a sua psicologia interna tende a tornar-se mais optimista, ativo e expressivo. Já no Outono, período onde folhas secam e a natureza entra um processo de esfriamento e reclusão, há também uma grande influência que propicia na nossa psicologia bons momentos de introspecção, reflexão e revisão de si mesmo.

Assim por mais que a cultura moderna parece ter fugido do encontro com as forças naturais, estas nunca nos abandonaram, e seguirão exercendo a sua influência sobre os seres vivos incluindo o homem, proporcionando-lhe a energia e sustento que necessita para seguir vivendo neste planeta. Aqueles indivíduos que abrem o seu coração com sensibilidade para se integrarem com estes eventos naturais, poderão trabalhar e canalizar para dentro de si mesmos um tipo especial de energia, capaz de ajudar-nos a superar as adversidades e obstáculos da vida, além de trazer-nos maior inspiração e serenidade para uma coexistência ligada à própria natureza que nos gerou.

Fonte: Facebook_Atrio do Saber

sábado, 25 de abril de 2026