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PERGUNTAS & RESPOSTAS
O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026
ENTRADA RITUALÍSTICA EM LOJA
Em 27/08/2025 o Respeitável Irmão Sidney Campos, Loja Grão-Mestre Francisco Murilo Pinto, 3396, REAA, GOB-ES, Oriente de Serra, Estado do Espírito Santo, faz a pergunta seguinte
ENTRADA RITUALÍSTICA
Meu nobre irmão, sempre recorro a sua sabedoria e a seus textos para instrução. Minha dúvida é a seguinte, tem diferença entre entrada ritualística e marcha do grau.
CONSIDERAÇÕES:
A Marcha do Grau é a forma ritualística, por grau, em que o iniciado, em alguns ritos, faz simbolicamente a aproximação do Oriente. Essa atividade litúrgica também é conhecida como Passos do Grau e se reveste de vários e importantes significados iniciáticos. A Marcha é parte do Cobridor do Grau.
No que diz respeito à "entrada ritualística" em si, a Marcha do Grau é uma das suas formas. No caso do REAA, a Marcha do Grau, seguida da saudação às Luzes e do interrogatório, é uma "entrada ritualística" em Loja aberta. As entradas ritualísticas podem ser pela Marcha, em comitiva, sob abóbada, etc.
T∴ F∴ A∴
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br
COMISSÃO DE RECEPÇÃO - ESPADAS E ESTRELAS
Em 27/08/2025 o Respeitável Irmão Ayron Victor Oliveira dos Santos, Loja Imperador Dom Pedro II, 4583, REAA, GOB-PB, Oriente de Mamanguape, Estado da Paraíba, solicita esclarecimentos.
COMISSÃO DE RECEPÇÃO
Saudações, meu irmão. Recentemente, em minha Loja tivemos uma instrução para esclarecimento sobre a recepção dos convidados, autoridades e bandeira nacional. Na oportunidade perguntei ao irmão ministrante se há algum significado simbólico para escolha do número de espadas a receber cada autoridade na sua devida faixa, porém o mesmo disse que não tinha conhecimento. Gostaria de saber se o irmão tem alguma informação sobre isso, como também, aproveito o ensejo para perguntar se as estrelas empunhadas junto com as espadas também possuem algum significado especial. Desde já agradeço pela atenção.
CONSIDERAÇÕES:
Na Maçonaria, o número de espadas para a formação da abóbada (cruzadas pelas pontas ao alto) pode variar conforme dignidade e a faixa de recepção de cada autoridade maçônica recepcionada, podendo ser com três, até treze espadas empunhadas pela mão direita e cruzadas ao alto.
No tocante às estrelas, que são bastões com aproximadamente 120 cm. de altura com aparatos de iluminação no topo (uma vela acesa), são empunhadas pela mão esquerda e simbolizam artefatos de iluminação. Sua origem vem dos antigos tocheiros que eram usados para clarear o caminho próximo por onde os Irmãos percorriam para chegar na Loja.
Nos Templos da Moderna Maçonaria, onde aparentemente o Norte é menos iluminado do que o Sul, as comissões de recepção, munidas de estrelas, terão maior número de componentes ao Norte, ou seja, deverão ter um membro a mais. É por esta razão que a quantidade de componentes das comissões de recepção é sempre em número ímpar.
Na atualidade, muitas Lojas possuem estrelas modernas, as quais possuem aparatos de iluminação alimentados por dispositivos à pilha ou bateria.
T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br
ENTREGA DO PAR DE LUVAS FEMININAS
Em 26/08/2025 o Respeitável Irmão Cláudio Reis, Loja 14 de Julho, REAA, GOB-ES, Oriente de Barra de São Francisco, Estado do Espírito Santo, apresenta a seguinte questão:
LUVAS FEMININAS
Após a publicação do novo Ritual, ficou-me claro que a entrega das luvas brancas, conforme estabelecido, ocorre unicamente durante a cerimônia de Iniciação ao Neófito, para que este as destine segundo a sua própria vontade. Assim, não existe qualquer cerimonial paralelo que o induza a realizar a entrega das luvas recebidas na Iniciação.
Entretanto, surgiu-me uma dúvida a partir de uma indagação feita por uma cunhada, para a qual não encontrei resposta suficientemente adequada. Diante de sua reconhecida erudição, recorro a ti em busca de esclarecimentos mais completos e fundamentados. A pergunta apresentada foi a seguinte:
“Para que servem essas luvas?”
“Vou usá-las para quê?”
“O que devo fazer com elas?”
Qual o significado delas?
Esse(s) questionamento(s) despertou em mim uma inquietação intelectual e o desejo de compreender com maior profundidade a verdadeira simbologia das luvas brancas, sobretudo porque percebo diferentes interpretações além daquelas expressamente apontadas no Ritual.
Certo de que tua valiosa opinião muito contribuirá para enriquecer a compreensão de todos, transmitirei também tais esclarecimentos às cunhadas.
Fraternalmente,
CONSIDERAÇÕES:
O par de luvas femininas que também é entregue ao neófito no dia da sua Iniciação (REAA) é para que ele, à sua livre escolha, entregue-a a quem desejar. Essa passagem ritualística evidencia um ato de liberdade, sem que haja nenhuma interferência ou coação na escolha. Em linhas gerais, vale observar que o ritual simplesmente menciona que o par de luvas femininas entregue ao iniciado é para que ele destine àquela que mais lhe causar estima e consideração. Não há data marcada para a entrega.Verdadeiramente, no REAA nunca existiu cerimonial paralelo para a entrega destas luvas. Trocando em miúdos, isso é assunto exclusivo do recém iniciado e ninguém deve interferir na sua escolha. Basta entrega-la, o resto fica por conta do recipiendário.
Este par de luvas é um mimo (objeto) que simboliza carinho, estima, amor e reconhecimento expresso por quem a entrega, e não uma peça de vestuário que deva ser literalmente vestida e utilizada. Assim, as luvas femininas são objetos simbólicos que ficam guardados por quem os recebeu.
Desafortunadamente, alguns no afã de criar fantasias, continuam ainda propagando esse falso sinal de socorro para as Cunhadas com a utilização de luvas femininas. Ora, isso não passa de mais uma inverdade, a despeito de que historicamente nunca se constatou a existência de nenhum sinal de socorro para cunhadas, e ainda feito com luvas brancas. Na verdade, isso não passa de mais uma jabuticaba, que por só existir no Brasil, ou é besteira, ou é privilégio de alguns.
A bem da verdade, a lição de liberdade, nativa da Maçonaria francesa, remete o Iniciado a escolher, sem interferências e interesses, aquela que dele receberá, com discrição e respeito, este vetusto símbolo. A escolhida pelo Iniciado poderá ser a sua esposa, a sua mãe, madrinha, professora, filha, avó, etc. Cabe apenas e tão somente ao Iniciado, nos recantos da sua consciência, eleger a escolhida.
Por isso é falsa a prerrogativa de se criar cerimônias à parte para a entrega de luvas femininas, e muito menos ainda apregoar o seu uso para que a Cunhada possa, com elas, fazer algum tipo de sinal de socorro. Afinal, não está previsto em nenhum ritual autêntico do REAA, a existência de sinal de socorro para as cunhadas.
T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br
OS PROTOCOLOS DOS SÁBIOS DE SIÃO
Em 1921, o jornal britânico "The Time" foi protagonista de um dos episódios mais paradoxais do jornalismo moderno. Após ter dado crédito, em 1920, à autenticidade dos Protocolos dos Sábios de Sião, um documento que alegava detalhar uma conspiração judaica para dominar o mundo, o próprio periódico foi forçado a expor a farsa. Através de uma série de artigos escritos por seu correspondente Philip Graves, o Times revelou que os Protocolos eram um plágio grosseiro de um panfleto satírico francês do século XIX, "Diálogo no Inferno entre Maquiavel e Montesquieu", que nada tinha a ver com judeus, mas criticava Napoleão III.
A investigação de Graves, baseada em uma pista fornecida por um emigrado russo, demonstrou que os "Protocolo" foram uma fabricação da polícia secreta do Czar (Okhrana) no contexto da Rússia pré-revolucionária. O objetivo era desacreditar reformistas e liberais, associando-os à suposta conspiração (A alegação de que a Maçonaria estava envolvida nesta suposta conspiração é uma camada adicional de falsidade, inserida para ampliar o escopo o ódio e aproveitar sentimentos antimaçônicos já existentes). O texto foi montado através de um plágio descarado, copiando trechos extensos do trabalho de Maurice Joly e distorcendo seu significado para alimentar o ódio antissemita, que servia como ferramenta política para setores reacionários.
Apesar da exposição pública da fraude, a correção chegou tarde demais. Os Protocolos já haviam se espalhado globalmente, alimentados pelo medo da Revolução Russa e por figuras influentes, como o magnata Henry Ford. A revelação do Times não conseguiu conter a disseminação do mito, que perdura até hoje. O episódio revela como narrativas falsas, quando ecoam preconceitos profundos, podem se tornar imunes aos fatos, e serve como um alerta permanente sobre o papel da imprensa, que, mesmo ao retificar um erro, pode ver sua credibilidade instrumentalizada para legitimar o veneno que tentou combater.
Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria
O SIGNIFICADO DOS NÚMEROS 2 E 3
O Número Dois
Como vimos, todas as coisas estão integradas e se realizam no UM, mas vimos também a transcendentalidade da UNIDADE e, por isto, tudo é imperceptível e manifestado até que, com o DOIS, tudo se torna real e inteligível. Segundo o Ritual de Aprendiz o número DOIS “é um número terrível”. Eis o texto:
“O número dois é um número terrível, um número fatídico. É o símbolo dos contrários e, portanto, da dúvida, do desequilíbrio e da contradição. Como prova disso, temos o exemplo concreto de uma das sete ciências maçônicas - a Aritmética - em que 2 + 2 = 2 X 2. Até na Matemática o número dois produz confusão, pois, ao vermos o número 4, ficamos na dúvida, se é resultado da combinação de dois números pela soma ou pela multiplicação, o que não se dá, em absoluto, com outro qualquer número. Ele representa o Bem e o Mal; a Verdade e a Falsidade; a Luz e as Trevas; a Inércia e o Movimento, enfim, todos os princípios antagônicos, adversos. Por isto representava, na antiguidade, o “inimigo”, símbolo da Dúvida, quando nos assalta o espírito”.
E adverte:
“O Aprendiz não deve aprofundar-se no estudo deste número porque, fraco ainda do cabedal cientifico de nossas tradições, pode enveredar pelo caminho oposto ao que deveria seguir”.
E explica:
“Esta é, ainda, uma das razões pela qual o Aprendiz é guiado em seus trabalhos iniciáticos: sua passagem pelo número 2, duvidoso, traiçoeiro e fatídico, pode arrastá-lo ao abismo da dúvida, do qual só sairá se o forem buscar”.
Como se vê, é cheio de cautelas o nosso Ritual, mas não cremos que devamos afastar o Aprendiz do estudo do número; antes, devemos guiá-lo, aclará-lo, ensiná-lo sobre os mistérios porventura existentes, a fim de que ele possa evoluir seus conhecimentos para o número seguinte sem solução de continuidade.
Em princípio, não cremos na terribilidade nem na fatidicidade do número DOIS; antes, preferimos ver nele a necessidade da manifestação da matéria através do aparecimento dos “contrários”. Se há “contrários” e se preferimos ver nestes “contrários” o símbolo do BEM e do MAL, temos que convir que tanto um quanto o outro serve para ressaltar os méritos ou os deméritos do seu oposto.
Assim, jamais saberíamos o que é o BEM, se não conhecêssemos o MAL! Não conheceríamos o Justo se não entendêssemos o que é Injusto! Não apreciaríamos a Luz se não provássemos as Trevas! Não exercitaríamos o Movimento se não estacionássemos na Inércia! E assim por diante. Não há, pois, ao que nos parece, que falar em número terrível, em número fatídico. Antes, há que se compreender os perigos que envolvem o aspecto negativo dos “contrários” e para esta compreensão necessário se torna o conhecimento de seu aspecto positivo. A cautela dos Mestres evitará, aos Aprendizes, os percalços da dúvida.
O importante é não abandonar a UNIDADE, que é a Lei Divina. Se, dentro de nós existe o BEM e o MAL, há que nos orientarmos no sentido de equilibrarem-se as suas influências, colocando- nos no círculo da Lei (ZERO), onde não há nem o BEM e nem o MAL, devolvendo-nos à UNIDADE para podermos dizer: EU SOU UM!
O corpo humano, em seu trabalho, não emprega mais do que a metade de seus componentes, ou sejam os átomos. Se através do Pensamento Concentrado, da Devoção, da Sabedoria e da Ação puder ele estimular a outra metade que queda inerte, haverá uma união consciente e perfeita que levará o homem a dizer: EU SOU! O número DOIS nada mais é que a dissociação do raio que parte do círculo (o UM partindo do ZERO) em sentido angular, É, pois, a DUALIDADE afastando-se da UNIDADE. Sabendo-se que o raio primitivo, o UM, parte do Ponto (YOD) situado no centro do círculo (ZERO), temos, neste ponto a origem de um ângulo cujos lados se afastam, percorrendo a circunferência até formar um ângulo raso, onde se verifica o maior afastamento dos “contrários”. Daí, continuando seu movimento, eles vão se aproximando novamente até se unirem em posição oposta àquela em que eles se separaram. O ângulo convexo (de 0 a 180 graus) representa a Involução de todas as coisas que partindo da UNIDADE, descem e se dissociam nos “contrários”, enquanto que o ângulo côncavo (de 180 a 360 graus) representa a Evolução, quando os “contrários” se buscam novamente, procurando o equilíbrio para, finalmente se reunirem de novo na UNIDADE!
Tudo isto pode ser resumido em uma simples frase: O Homem vem de Deus e volta novamente para Deus! Vemos então que o Aprendiz deve, muito embora assim não o aconselhe o Ritual, estudar e aprofundar-se nos mistérios do número DOIS a fim de que possa afastar-se das influências negativas, aperfeiçoando-se através de uma constante pureza de pensamentos, apoiado em uma devocional concepção religiosa, agindo racionalmente dentro de uma sabedoria pura e praticando ações benéficas e meritórias para que, trilhando tais caminhos, possa penetrar em seu próprio Reino Interno, assegurando, conscientemente, a sua volta à desejada UNIDADE.
Aos Mestres cumpre o dever de assisti-lo, encaminhá-lo e assegurar-lhe confiança em seus estudos afim de que ele possa vencer todas as dificuldades.
Esta é a simbologia do número DOIS que deverá ser estudada com atenção pelo Aprendiz.
O Número Três
Ficou claro, no estudo que até aqui fizemos, que a UNIDADE gera a DUALIDADE e esta é constituída pelos “contrários”, que se afastam na medida em que cresce o ângulo por ela formado para posteriormente se aproximarem novamente, com diminuição daquele ângulo, até à fusão dos dois raios no equilíbrio da UNIDADE.
Mas a existência destes dois aspectos “contrários”, cumprindo a eternidade do movimento perpétuo, nada cria de real. São aspectos metafísicos que não criam nenhuma forma real e nada materializam.
Assim, um terceiro elemento há que ser juntado aos dois primeiros para que a Vontade Suprema, expressa antes apenas pela sua manifestação, se materialize com o aparecimento da “forma”, eis que o ponto (YOD) situado no centro do círculo (ZERO), ou a linha que parte deste ponto (UM) e se divide nos “contrários” (DOIS) não constituem um sólido com “forma” definida. A adição de um terceiro elemento, originado pela firmeza do pensamento, por uma elevada devoção, regida por sólida Sabedoria e exercitado por louváveis desejos de Ações, cria a “forma” original que é a consequência do elemento formado por aqueles propósitos e que liga aqueles dois raios formando o Triângulo que é a “forma” primitiva e perfeita, geradora de muitas outras formas poligonais. É o TRÊS, número considerado perfeito porque resulta da soma da UNIDADE com a DUALIDADE, conduzindo ao equilíbrio dos “contrários” [Que o filósofo Hegel, ao tratar da "dialética", denominou de SÍNTESE. Pucci] e realizando os propósitos de Deus, que é a elevação do homem.
Como se verá, no estudo do número TRÊS, o Triângulo é o mais importante símbolo maçônico. Aliás não é só a Maçonaria que cultua o simbolismo desta figura. Outras religiões também o fazem, principalmente porque é a representação simbólica perfeita dos TRÊS aspectos do ABSOLUTO, aspectos estes de absoluta igualdade perfeitamente representada pelos lados do Triângulo equilátero. [Na verdade a Maçonaria não "cultua" seus símbolos e nem é parte de "outras religiões". O autor cometeu um deslize. PUCCI].
Nas religiões cristãs ele representa a Trindade Divina - Pai, Filho e Espírito Santo -; as religiões orientais vêem nele os três aspectos do Logos. Em qualquer delas se vê a Unidade do Todo, a Dualidade da Manifestação e a Trindade Perfeita.
Diz o nosso Ritual do Primeiro Grau que:
“A diferença, o desequilíbrio e o antagonismo que existem no número DOIS cessam repentinamente quando se lhe ajunta uma TERCEIRA unidade. A instabilidade da divisão ou da diferença, aniquilada pelo acréscimo de uma TERCEIRA unidade, faz com que, simbolicamente, o número TRÊS a converta em unidade”.
O que há de importante a ser esclarecido neste parágrafo do Ritual é que a unidade que ele diz dever ser juntada ao número DOIS e, ainda, a unidade nova em que ela diz transformar-se o número TRÊS, não é, de nenhuma forma, a UNIDADE de que até agora vimos falando. Esta, imaterial e incognoscível, que se exterioriza simbolicamente no número UM, é a própria Lei Divina, código regulador do ABSOLUTO, representado pelo ZERO. [Esta colocação do autor nos parece de extrema importância simbólica, pois nos permite pensar que do Incognoscível, da Fonte Original, se originam a Força, a Beleza e a Sabedoria que simbolizam a estruturação da coisa criada, pois do Criador nada podemos saber. Pucci]
A unidade preceituada no ritual é um marco, uma medida nova, destinada a ser comparada pelas coisas do campo material. A medida justa pela qual o homem deve medir os seus atos materiais e as suas ações espirituais. Prossegue o Ritual: “A nova unidade, assim convertida, não é uma unidade vaga, indeterminada, na qual não houve intervenção alguma; não é uma unidade idêntica com o próprio número, como se dá com a unidade primitiva; é uma unidade que absorveu e eliminou a unidade primitiva, definida, verdadeira e perfeita. Foi assim que se formou o número TRÊS, que se tornou a unidade da vida, do que existe por si próprio, do que é perfeito”.
Ainda aqui o trecho do Ritual é obscuro e de difícil interpretação. Quando ele diz que a nova unidade “não é uma unidade vaga, indeterminada, na qual não houve intervenção alguma” ele está dizendo por certo que esta não é a UNIDADE Superiora, incognoscível e infinita, criadora incriada, sem qualquer intervenção externa e que por si mesma se identifica com o número (UM), antes do Princípio. Ela é, segundo o texto, “verdadeira, definida e perfeita” porque “absorveu e eliminou a unidade primitiva” (ou seja a UNIDADE). Para se compreender isto é necessário atentar-se para a última frase: “absorveu e eliminou a unidade primitiva”. Da absorção da UNIDADE imaterial pela unidade material advém a esta o caráter de “verdadeira” e de “perfeita”, mas justamente pelo fato de ser esta unidade “definida” é que foi necessária a eliminação de si mesma, da UNIDADE indefinida.
Uma, a UNIDADE incognoscível é infinita; a outra, a UNIDADE definida é finita e é justamente por isto que houve a eliminação, eis que um infinito não pode estar contido em um finito! Temos então uma UNIDADE verdadeira e perfeita porque recebeu os influxos da verdadeira e perfeita UNIDADE, e é ainda finita porque dela se retirou o caráter infinito da UNIDADE primitiva.
Constituído pelos dois contrários e pela unidade finita e perfeita, o número TRÊS se tornou então um novo marco unitário para medir a vida, o que existe por si próprio (ou seja a mesma vida) e do que é considerado perfeito no plano material.
(...)
Já vimos, linhas atrás, que o ponto e a linha não têm capacidade para comunicar uma forma real. Enquanto aquele é sem dimensão, simples e isolado, esta é apenas a trajetória do deslocamento daquele ponto quase imaterial. Quando, porém, reúnem-se TRÊS linhas e completa-se o Triângulo, este se apresenta com forma superficial perfeitamente compreensível e verificável.
Aqui, com um pouco de meditação, chegaremos a compreender o fenômeno de transformação do imaterial, do informe, para o aspecto material com forma concreta. Várias linhas isoladas não nos dão qualquer ideia de forma, mas, quando TRÊS delas se reúnem e afirmam um Triângulo, temos uma figura de superfície perfeitamente clara e definida. O Aprendiz deve meditar sobre este simbolismo que explica como o transcendente, o espiritual, o imaterial, pode, segundo as determinações de sua Vontade Suprema, manifestar-se e tornar-se perfeitamente claro e compreensível aos nossos olhos. É o que podemos chamar de manifestação do Imanifestado!
Na Maçonaria, o Triângulo assume um simbolismo de capital e transcendental importância. É, pode-se dizer, o fulcro em torno do qual gira toda a simbologia maçônica.
Tenório d‟Albuquerque, em sua obra: “O que é a Maçonaria”, cita Iseckson, Eliphas Levi e Dario Velloso, cujas opiniões se completam e combinam para uma explicação sobre o Triângulo. À página 165, diz ele:
“O Triângulo Maçônico é o triângulo dos Pentáculos cabalísticos, o Triângulo de Salomão dos ocultistas, o Infinito da altura ligado às duas pontas do Oriente e do Ocidente, o triângulo indivisível, isto é, o ternário do Verbo, „origem do dogma da Trindade‟ para os magos e cabalistas.. É, afinal, um „Supremo mistério‟ da Cabala: „imagem simbólica do Absoluto‟, „a um tempo emblema da Força Criadora e da Matéria Cósmica‟, o „símbolo maçônico do Livre Pensamento‟; pela significação literal, é simples delta ou triângulo; pela significação figurada, é o Equilíbrio, a Perfeição; pela significação esotérica, é energia da Cabala, Trindade na Mística e Deus na Teurgia”.
Toda a Perfeição, em seu mais alto grau, está representada, simbolicamente, na figura ímpar do triângulo equilátero com seus TRÊS lados e TRÊS ângulos, matemática e absolutamente iguais. Já os antigos egípcios davam ao triângulo uma interpretação esotérica na qual ele representava a própria natureza, o germe, a gênesis, a criação e tudo o mais que, por suas próprias qualidades intrínsecas e extrínsecas, é capaz de produzir e de manter a vida. A base do simbolismo egípcio assentava-se no triângulo isósceles, no qual a linha vertical de seu ângulo reto, simbolizava Osíris, o princípio masculino, a linha horizontal representava Isis, o princípio feminino e a hipotenusa, que une as duas, era Hórus, resultante da fusão daqueles dois princípios criadores. [O Pai, a Mãe e o Filho da Trindade cristã. Pucci].
Pitágoras, conhecedor desta simbologia, confirmou-a na demonstração do teorema por ele proposto de que a soma dos quadrados dos dois lados menores era igual ao quadrado do lado maior, o que pode ser entendido simbolicamente que Hórus é o resultado da conjunção de Osíris e Isis e representa, assim, a vida.
Este teorema corresponde em todos os sentidos à perfeição preconizada pelo ideal maçônico e, por isto mesmo, sua representação foi adotada para o Grau Três da Maçonaria constituindo a joia do Past-Master; é conhecido como Postulado de Euclides e é a quadragésima sétima proposição de Pitágoras, por ter sido, como já se viu, provada por ele geometricamente.
(*) Extraído do livro “ O Simbolismo dos Números na Maçonaria”
De Boanerges B. Castro (negritos e observações do Ir.'. Pucci)
Fonte: JBNews - Informativo nº 296 - 20.06.2011
quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026
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