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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

terça-feira, 24 de março de 2026

FRASES ILUSTRADAS

PARADA FORMAL

Em 12/11/2025 o Respeitável Irmão Adilson Godoy de Carli, Loja Barão de Ramalho, REAA, GOB-SP, Oriente de Pirassununga, Estado de São Paulo, apresenta a dúvida seguinte:

PARADA FORMAL

Antes de iniciar, gostaria de expressar minha gratidão pela sua atenção e parabenizá-lo pelo excelente trabalho apresentado no blog. Estou buscando esclarecimentos sobre alguns pontos específicos do ritual e procedimentos maçônicos. A minha dúvida é a seguinte:

É praxe que o Irmão, sempre que estiver de pé em Loja, permaneça ao Sinal de Ordem. Sabe-se, igualmente, que se realiza uma parada formal antes de adentrar o Oriente.

Diante disso, considerando que o Irmão esteja com as mãos livres (não portando objetos), indaga-se: é necessário executar o Sinal de Ordem durante a referida parada para acessar o Oriente?

De modo análogo, é preciso fazê-lo antes de o Irmão tomar assento?

 CONSIDERAÇÕES:

Parada formal somente se faz quando alguém, em Loja aberta, estiver com as mãos ocupadas e for ingressar ou sair do Oriente. Nesse caso, deverá fazer uma parada rápida e formal, sem inclinação com o corpo e nem meneios com a cabeça. Essa parada formal é dirigida ao Venerável Mestre.

Nessa mesma conjuntura, se as mãos estiverem livres, então presta-se a saudação ao Ven Mestre pelo Sinal de Ordem do Grau. Note que tudo isso está claramente escrito no ritual. 

Vale a pena observar que em Loja aberta, aquele que ingressar ou sair do Oriente, obrigatoriamente deve saudar o Ven Mestre. Para tal, assim que se adentre ao Oriente, faz-se a saudação pelo sin. Concluída a mesma, segue-se imediatamente no deslocamento. Obviamente que no ato da saudação pelo sinal, fica-se à Ord, portanto parado, pois não se faz sinal durante a perambulação pela Loja. 

Quanto à parada formal em si, ela somente ocorre se no momento a(s) mão(s) estiver(em) ocupada(s).

No que diz respeito àquele que retorna ao seu lugar vindo de um deslocamento pela Loja, senta-se diretamente, não fazendo nenhum sinal.

Em Loja aberta, quem estiver no seu lugar em pé e parado, deverá se colocar à Ordem. Nesse caso, antes de se sentar novamente deve desfazer o Sinal de Ordem pelo Sinal Penal (isso não é saudação).

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

TRANSFORMAÇÃO DE LOJA E APROVAÇÃO DE ATA

Em 11/11/2025 o Respeitável Irmão Thadeu Ortona, Loja Marques de Pombal, 1220, REAA, GOB-SP, Oriente de São Paulo, Capital, apresenta a seguinte questão:

TRANSFORMAÇÃO DE LOJA

Tenho uma dúvida: no REEA, quando abrimos a sessão ordinária em grau 1, e transformamos a Loja para Grau 2, podemos ler uma ata de grau 2?

CONSIDERAÇÕES:


Em Loja transformada temporariamente para uma determinada finalidade não cabe leitura e aprovação de Ata de outra sessão, mesmo que do mesmo grau para a qual ela fora transformada.

Aprovação de Ata de uma sessão ordinária normal deve ser feita no período indicado pelo Ritual em Loja aberta de uma sessão ordinária normal que ocorre imediatamente após aquela que gerou a Ata.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

O CAVALETE DOUTRINÁRIO DA MAÇONARIA

O Cavalete Doutrinário da Maçonaria: Fundamentos Filosóficos e Constitucionais
Por Arbab Naseebullah Kasi

Se a história fornece o contexto para a renovação maçônica, então a doutrina fornece sua base imutável. A Maçonaria não é um mero clube social sujeito aos caprichos da moda passageira; é uma fraternidade de leis, definida por um conjunto de princípios constitucionais, preceitos imutáveis e princípios filosóficos que ancoram sua identidade há séculos. Qualquer modelo de reavivamento que ignore esse cavalete doutrinário, o plano de projeto do arquiteto mestre está fadado ao fracasso. Este capítulo examina os quatro pilares da doutrina maçônica que fundamentam o Modelo de Renascimento Maçônico Universal (UMRM): a carta universal das Constituições de Anderson, os marcos imutáveis, a cultura jurídica específica de Ahiman Rezon[1] da Pensilvânia e o padrão universal de integração de doutrina, ritual e ética.

A Carta Universal: Constituições de Anderson de 1723

A base doutrinária da Maçonaria moderna e especulativa são As Constituições dos Maçons de James Anderson. Encomendado pela Grande Loja da Inglaterra e publicado em 1723, este texto estabeleceu uma carta universal para a fraternidade, permitindo que ela se expandisse além das fronteiras da Grã-Bretanha e se adaptasse a diversas culturas, mantendo uma identidade coerente. As Constituições conseguiram isso por meio de vários princípios-chave. O principal deles foi sua abordagem revolucionária da religião. Em um mundo dilacerado por conflitos sectários, a primeira obrigação de Anderson, “Sobre DEUS e RELIGIÃO”, determinava que um maçom é obrigado apenas a “obedecer à lei moral” e aderir “àquela religião em que todos os homens concordam, deixando suas opiniões particulares para si mesmos”. Isso estabeleceu um requisito para a crença em um Ser Supremo sem prescrever nenhuma teologia específica, criando um ambiente pluralista e tolerante que se tornou uma marca registrada da Arte.   

Além disso, as Constituições estabeleceram firmemente a relação da Maçonaria com o Estado, obrigando os maçons de serem “súditos pacíficos dos poderes civis” e nunca se preocuparem com conspirações e mancomunações contra a paz e o bem-estar da nação”. Este princípio de lealdade cívica, combinado com sua estrutura moral universal construída sobre os princípios de “Amor Fraterno, Assistência e Verdade”, posicionou a Maçonaria não como uma sociedade secreta subversiva, mas como uma força construtiva para a harmonia social e melhoria moral.   

Os Preceitos Imutáveis: Os Marcos da Maçonaria

Parte integrante da identidade doutrinária da Maçonaria é o conceito de “Landmarks”, um conjunto de princípios fundamentais e inalteráveis considerados essenciais para a existência da fraternidade. Embora as Constituições de 1723 da Primeira Grande Loja da Inglaterra determinassem que os “antigos landmarks fossem cuidadosamente preservados”, ela não os enumerou, deixando sua definição precisa aberta à interpretação. A tentativa mais influente de codificar esses princípios foi realizada pelo estudioso maçônico americano Albert Mackey em meados do século XIX.   

Mackey propôs uma lista de 25 landmarks, que, embora não seja universalmente adotada por todas as Grandes Lojas, tornou-se um ponto de referência fundamental para a jurisprudência maçônica. Esses princípios servem como os “limites rígidos” doutrinários da Arte, salvaguardando sua identidade ao longo do tempo e da jurisdição. Os principais landmarks de Mackey são: os modos de reconhecimento; a divisão da Maçonaria simbólica em três graus; a lenda do Terceiro Grau; a exigência de uma crença na existência de um Ser Supremo; a necessidade de um Volume da Lei Sagrada estar presente no altar da loja; o sigilo da instituição; e o governo da fraternidade por um Grão-Mestre. O conceito de Landmarks garante que, embora as práticas e regulamentos possam se adaptar, a essência central da Maçonaria permanece inviolada. O UMRM é projetado para operar estritamente dentro desses limites, garantindo que todas as estratégias propostas sejam consistentes com os preceitos imutáveis da fraternidade.   

A pedra angular da lei: Ahiman Rezon da Pensilvânia

O contexto constitucional e legal específico para esta tese é fornecido pelo Ahiman Rezon da Grande Loja da Pensilvânia. Este documento é a pedra angular que trava o alcance do UMRM, fornecendo-lhe sua restrição necessária e sua força única.   

Origens históricas na tradição “antiga”

O título Ahiman Rezon origina-se com Laurence Dermott, que escreveu a primeira versão em 1756 como a constituição da Grande Loja “Antiga” da Inglaterra, que se posicionou como guardiã de uma forma mais antiga e autêntica de Maçonaria do que os “Modernos” de 1717. Essa tradição “antiga” foi adotada na Pensilvânia, e o primeiro livro de direito maçônico da jurisdição, publicado em 1783, foi um resumo do trabalho de Dermott. O Ahiman Rezon foi revisado ao longo dos séculos, mas manteve uma cultura jurídica distinta caracterizada pela obediência disciplinada e pelo respeito à autoridade estabelecida.   

A máxima da renovação legal: “O que não é permitido é proibido”

O princípio mais crítico para o propósito desta tese é a máxima, explicitamente declarada na página de rosto do Ahiman Rezon da Pensilvânia, de que “Na Maçonaria o que não é permitido é proibido”. À primeira vista, essa regra parece ser uma barreira profundamente conservadora e restritiva a qualquer forma de mudança ou adaptação. No entanto, uma análise mais aprofundada revela que é uma poderosa ferramenta estratégica para uma renovação focada e legal. Ao fechar a porta para experimentações não autorizadas, caóticas ou frívolas, como tentativas de alterar rituais ou pontos de referência, a máxima não proíbe o progresso, mas canaliza a energia criativa e reformista para domínios específicos e legais. Práticas permitidas e historicamente incentivadas, como educação maçônica, orientação estruturada, hospitalidade familiar, caridade comunitária e a busca da excelência ritual, tornam-se as arenas designadas para inovação e melhoria. O UMRM não é, portanto, apenas compatível com este princípio; é sua expressão lógica. É um modelo nascido do potencial criativo encontrado dentro dessa restrição legal, enquadrando a renovação como um ato de profunda fidelidade e aplicação disciplinada, em vez de rebelião ou novidade não sancionada.   

A Integração de Doutrina, Ritual e Ética: Uma Visão Comparativa

A base doutrinária final é o reconhecimento de que os princípios maçônicos não são proposições abstratas, mas devem ser integrados a uma realidade vivida. Isso é alcançado através da conexão inseparável de doutrina, ritual e ética.

A Tríade Normativa na Maçonaria

Doutrina, ritual e ética formam a tríade normativa da Maçonaria. A doutrina fornece o conteúdo, os landmarks e as leis que definem a Arte. O ritual fornece a forma, o meio simbólico e dramático pelo qual a doutrina é transmitida e interiorizada. A ética fornece o fruto da expressão vivida do ensino maçônico na vida dos irmãos. A doutrina sem ritual é estéril. Ritual sem doutrina é vazio. A ética sem doutrina e ritual perde sua distinção. O UMRM insiste nessa integração, garantindo que uma loja que se destaca em todos os três esteja viva, enquanto uma loja que negligencia qualquer um esteja em declínio.   

Paralelos no estoicismo e nas religiões mundiais

Esse padrão de integração de crença, prática e moralidade não é exclusivo da Maçonaria, mas reflete uma estrutura universal de formação espiritual e filosófica humana. No estoicismo, logos (doutrina), exercícios ascéticos (ritual) e virtude (ética) são inseparáveis. No judaísmo, o estudo da Torá (doutrina), o culto na sinagoga (ritual) e as mitsvot (ética) formam um todo unificado. No cristianismo, credo (doutrina), liturgia (ritual) e discipulado (ética) estão unidos. No Islã, aqidah (doutrina), salat (ritual) e akhlaq (ética) estão ligados. A Maçonaria, em harmonia com essas grandes tradições, afirma o padrão universal de doutrina, ritual e ética como o caminho autêntico da formação humana.   


Notas

In  “Revitalizando a Maçonaria no Século XXI: O Modelo de Renascimento Maçônico Universal (UMRM) como uma estrutura legal, sistemática e mensurável para renovação.”

Uma tese submetida à Academia de Conhecimento Maçônico em Cumprimento Parcial dos Requisitos para a Certificação de Mestre em Estudos Maçônicos (Nível III) – 2025

Fonte: https://www.academia.edu/


Bibliografia

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Allyn, Avery. A Ritual of Freemasonry. New York: Redding and Co., 1831.

Anderson, James. The Constitutions of the Free-Masons. London, 1723.

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Aurelius, Marcus. Meditations. Translated by Gregory Hays. New York: Modern Library, 2003.

Bullock, Steven C. Revolutionary Brotherhood: Freemasonry and the Transformation of the American Social Order, 1730–1840. Chapel Hill: University of North Carolina Press, 1996.

Creswell, John W. Research Design: Qualitative, Quantitative, and Mixed Methods Approaches. 5th ed. Thousand Oaks: Sage, 2018.

Dumenil, Lynn. Freemasonry and American Culture, 1880–1930. Princeton: Princeton University Press, 1984.

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Hall, Manly P. The Secret Teachings of All Ages. Los Angeles: Philosophical Research Society, 1928.

Harland-Jacobs, Jessica L. Builders of Empire: Freemasons and British Imperialism, 1717–1927. Chapel Hill: University of North Carolina Press, 2007.

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Moore, William D. Masonic Temples: Freemasonry, Ritual Architecture, and Masculine Archetypes. Knoxville: University of Tennessee Press, 2006.

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Önnerfors, Andreas. Freemasonry: A Very Short Introduction. Oxford: Oxford University Press, 2017.

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United Grand Lodge of England. “Annual Report Reveals Increase in Membership Enquiries.” Accessed September 22, 2025. https://www.ugle.org.uk/.

Wilmshurst, W. L. The Meaning of Masonry. London: Ride

[1] O Livro das Constituições desta Grande Loja ou Ahiman Rezon foi uma constituição escrita por Laurence Dermott para a Antiga Grande Loja da Inglaterra, que foi formada em 1751. A formação da Grande Loja Antiga reuniu lojas e maçons que, acreditando fazer parte de uma tradição maçônica original e mais antiga, optaram por não se aliar à Grande Loja Moderna formada anteriormente em 1717.

Fonte: https://bibliot3ca.com/

segunda-feira, 23 de março de 2026

FRASES ILUSTRADAS

APRESENTAÇÃO DE TRABALHO

Em 11/11/2025 o Respeitável Irmão Nivaldo Guirao Vera, Loja Vigilantes da Fraternidade, REAA, GOB-SC, Oriente de Botuverá, Estado de Santa Catarina, apresenta as seguintes questões:

APRESENTAÇÃO DE TRABALHO

Respeitável Irmão Pedro Juk, gratidão por toda a Luz que emana em seus preciosos comentários. Tomo a liberdade para fazer alguns questionamentos.

Questões:

1-) No tempo de estudos, o Aprendiz e o Companheiro são obrigados a fazer leitura, somente, entre colunas?

2) Após a leitura do trabalho, é proibido haver qualquer tipo de debate ou comentário? Se possível, quando é realizado?

3-) Somente o Orador pode comentar o trabalho apresentado pelo Aprendiz e Companheiro?

CONSIDERAÇÕES:

1 - Não há obrigatoriedade. Inclusive, nesse particular recomenda-se que a apresentação de trabalhos, leituras de textos e outros congêneres sejam feitos do próprio lugar do apresentante na Loja. Não há o porquê de se deslocar para entre colunas para fazer apresentações.

2 - Respeitando-se o tempo de 30 minutos previstos para o Tempo de Estudos no ritual, o Ven∴ Mestre ordeiramente pode até dispensar o giro da palavra em caso de haver debates e arguições – inclusive, isso está previsto no ritual.

3 – Não está previsto em lugar nenhum que apenas o Orad∴ pode tecer comentários a respeito. Com critério e atenção ao tempo previsto, outros irmãos podem arguir ou comentar. Inclusive, é de bom alvitre que o Vig∴ instrutor sempre se manifeste sobre a apresentação.

ATENÇÃO: Essas são condutas para simples apresentação de trabalhos e outros afins do gênero. Quando se tratar de atividades correlatas a procedimentos para aumento de salário, atentar para o que prevê o Diploma Legal (RGF) nos artigos pertinentes às "colações de graus".

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MUSEU MAÇÔNICO SUÍÇO

Por Luciano J. A. Urpia

O Museu Maçônico Suíço, em Berna, inaugurou uma abordagem inovadora ao tratar as histórias em quadrinhos não apenas como entretenimento, mas como uma linguagem gestual repleta de símbolos e narrativas iniciáticas. A exposição temporária "Maçonaria e Quadrinhos", em cartaz desde 12 de abril de 2025 e com previsão de encerramento para 27 de junho de 2026, explora mais de quarenta obras originais que vão de 1981 aos dias atuais. A curadoria propõe uma leitura que vai além da superfície, analisando como os quadrinhos se apropriam de temas maçônicos por meio de sete abordagens distintas: furtiva, humanista, histórica, policial, esotérica, conspiratória e humorística.

A exposição destaca que os quadrinhos e a Maçonaria compartilham uma estrutura narrativa baseada em elipses, símbolos e progressão por etapas, onde o leitor, assim como o iniciado, é convidado a preencher as lacunas e interpretar os significados. Com painéis bilíngues (francês e alemão), banners dedicados a autores e uma mediação cuidadosa, a mostra não evita as ambiguidades e até as teorias questionáveis presentes no imaginário popular, mas as coloca em diálogo, oferecendo pontos de referência para uma compreensão mais precisa. Títulos como "Fábula de Veneza", de Hugo Pratt, e "Os Protocolos dos Sábios de Sião", de Will Eisner, servem como exemplos dessa rica interseção.

Para marcar a reta final da exposição, o museu organizará duas conferências públicas em 2026. No dia 21 de março, Manuel Mathys abordará a representação da Maçonaria nos quadrinhos anglo-saxões, enquanto em 25 de abril, Arnaud de la Croix analisará a complexa relação entre Hergé, criador de Tintim, e o tema maçônico. Os eventos visam aprofundar a discussão e oferecer uma chave de leitura que distingua o símbolo vivo do clichê, consolidando a proposta central da mostra: ensinar a ver e a ler com novos olhos uma arte que é, ela mesma, um ritual de decifração.

Museu Maçônico Suíço: Jupiterstrasse 40, 3015 Berna.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

CARGOS EM LOJA

Ir∴ João Ivo Girardi
Loja Obreiros de Salomão nr. 39 (Blumenau)

Importante nesta época de renovação das Luzes, quiçà até para auxiliar os Irmãos a entenderem simbólica e administrativamente o que cada um deles representa.

1. Cargos em Loja.

São os lugares ocupados pelos Irmãos quando eleitos para uma Administração. Todos são cargos honoríficos e desempenhados com interesse dentro de suas atribuições, obedecendo a funções fixas, que independe de serem ordenadas e tomando parte da programação estabelecida com antecedência. Para que os membros da Loja possam executar com experiência suas funções, é de todo conveniente que iniciem com as funções mais simples; o futuro Venerável deverá ser um maçom que tenha passado pela secretaria, oratória e vigilâncias; somente, então, estará apto para conduzir os destinos da Loja.

Os nossos regulamentos preveem apenas a passagem pelas vigilâncias. O maçom não deve insistir em galgar um lugar para o qual não tenha aptidões; a distribuição de cargos não raro tem propiciado inconveniências e fracassos. O maçom deve aceitar o que lhe é proposto e gerir o seu cargo com respeito, diligência e tolerância.


2. O Manual de Cargos e Funções da GLSC determina a competência de cada um dos cargos, tanto na Grande Loja como nas Lojas Simbólicas.

3. O Companheiro e o Aprendiz jamais poderão ocupar cargo que implique assento ou circulação no Oriente.

O Aprendiz também jamais ocupará cargo que tenha assento na Coluna do Sul.

4. Cargos da Administração da Loja - Títulos e Jóias:

A Maçonaria trata dos Títulos dos cargos da Administração da Loja e das Jóias, de forma indissociável. Cada Título se vincula a uma Jóia que o representa, e a união de ambos origina uma unidade simbólica, através da qual a Loja Maçônica se organiza administrativamente e transmite os princípios que perfilha.

Ao Presidente da Loja Maçônica é conferido o único Título Especial: o de Venerável-Mestre.

Este, juntamente com o 1º e 2º Vigilantes, respectivamente o 1º. e 2º. Vice-Presidentes, constituem as Luzes da Loja que, ao lado do Orador, do Secretário e do Chanceler, compõem as Dignidades da Loja, representativas de cargos eletivos. Além das Dignidades, compõem o corpo administrativo das Lojas os assim titulados, Oficiais, nomeados pelo Venerável-Mestre, aos quais é reservada a missão, ou o ofício (daí o nome de Oficial), de auxiliar nos trabalhos de qualquer Sessão.

No Regulamento Geral da GLSC discrimina os Oficiais que poderão ser indicados pela Loja e nomeados pelo Venerável, a saber:

O Mestre de Cerimônias, o Hospitaleiro, o Arquiteto, o Mestre de Harmonia, os Cobridores (2) e os Expertos (2).

Porém, esse mesmo dispositivo deixa claro que o rol de Oficiais não é taxativo, porquanto, além daqueles expressamente previstos, também devem ser considerados outros previstos no Rito respectivo.

O REAA estabelece 22 cargos na Administração, sendo possível a indicação de Adjuntos para cada um deles, exceto para as Luzes da Loja, sendo que alguns desses Oficiais trabalham somente em Sessões especiais.

Além das Dignidades da Loja e dos demais Oficiais acima, o Rito Escocês Antigo e Aceito fixa os cargos de: Diáconos (2), Porta-Bandeira, Porta-Espada, Porta-Estandarte, Mestre de Banquetes e Bibliotecário.

As Jóias distintivas dos cargos, estampadas em metal, encontram-se presas à extremidade dos Colares ou Fitas que se adaptam ao pescoço das Dignidades e Oficiais.

As Jóias das Luzes da Loja são conhecidas como superiores e móveis, porquanto são entregues aos sucessores no dia de posse da nova administração.

Existem ainda as Jóias fixas, que são a Pedra Bruta, a Pedra Cúbica e a Prancheta, que representam respectivamente os graus de Aprendiz, de Companheiro e de Mestre.

1ª Dignidade: Venerável-Mestre - Esquadro com ramos desiguais:

O Venerável-Mestre é a autoridade máxima no Templo, detentora do único Título Especial. Ele representa a Natureza em todas as suas manifestações. Deve, pois, presidir os trabalhos com absoluta justiça e retidão, agindo de acordo com a Lei e de forma imparcial. Assim, deve traduzir a expressão dos sentidos de justiça, equidade e igualdade, ao abrir e presidir os trabalhos em Loja. Sentado no eixo da Loja, o Venerável-Mestre é neutro, mas ativo no sentido de promover a sociabilidade. Afinal, ele sabe que somente com o Esquadro é que se consegue controlar a talha das pedras que se ajustarão entre si na construção da Grande Obra. Nessa tarefa, cabe a verdade sob o controle da autoridade conquistada pelas virtudes, coragem e competência, bases de sua Sabedoria. A Joia confiada ao Venerável-Mestre é o Esquadro com ramos desiguais. Este artefato é formado pela junção da horizontal com a vertical formando um ângulo de 90º graus, que representa a quarta parte do círculo. Apresenta dois lados desiguais, como os dois lados do triângulo retângulo dos pitagóricos. É utilizado para traçar ângulos retos ou perpendiculares. Sobre o peito do Venerável-Mestre, o ramo mais longo fica do lado direito.

O Esquadro constitui em emblema dos mais expressivos em defesa da inteligência e melhoramento moral da raça humana. Representa a retidão de ação e de caráter. Determina a moralidade da conduta humana, demonstrando que é a linha e a régua maçônicas que indicam o caminho da virtude a que devemos trilhar na vida (profana ou maçônica), por meio de retos e harmoniosos pensamentos, ações e palavras que nos tornarão dignos do Ser Supremo.

Esse poder de representação abarca dois sentidos, pois, de um lado, incide sobre a ação do Homem sobre a Matéria e, de outro, sobre a ação do Homem sobre si mesmo. Porém, inclina-se para um único objetivo: vontade de praticar o bem. Constitui um artefato de capital importância para o processo de transformação da Pedra Bruta em Pedra Cúbica. Por tal motivo, deve ser confiado aquele que tem a missão de criar Maçons perfeitos – o Venerável-Mestre, que tem a obrigação de ser o Maçom mais reto e justo da Loja por ele presidida.

2ª Dignidade: 1º Vigilante - Nível:


O 1º Vigilante é o assessor direto do Venerável-Mestre, a quem solicita a palavra diretamente por um golpe de malhete e a recebe de igual modo. Tem o dever de dirigir e orientar a Coluna dos Companheiros, cabendo ao 2º Vigilante a orientação dos Aprendizes. Essa ordem, porém, por razões ainda, segundo os autores, não plenamente compreendida e que talvez mereçam um estudo apartado, não é seguida por todas as Lojas, sendo que muitas delas a invertem.

A Joia reservada ao 1º Vigilante é o Nível. Essa ferramenta é formada por um esquadro justo, com ângulo no ápice de 90º, utilizada tanto para traçar linhas paralelas na horizontal, como para se verificar a horizontalidade de um plano É um instrumento menos completo que o Esquadro, porém mais que o Prumo, e por tal razão é conferido ao 1o Vigilante, aquele que naturalmente pode assumir o lugar do Venerável-Mestre, em caso de sua ausência.

Objetivamente o Nível é o instrumento destinado a determinar a horizontalidade de um plano. Ao inserí-lo na ordem simbólica, provoca a reflexão acerca da igualdade, base do direito natural. Não permite aos Maçons deixar esquecer que todos somos irmãos - filhos da mesma Natureza -, e que devemos nos interagir com igualdade fraterna. Todos são dignos de igual respeito e carinho, seja aquele que ocupa o mais elevado grau da Ordem, seja o que se acha iniciando sua vida maçônica.

O Nível lembra que ninguém deve dominar os outros. A exemplo da morte - que é a maior e inevitável niveladora de todas as efêmeras grandezas humanas, reduzindo todos ao mesmo estado -, o Nível nos faz lembrar que a fraternidade deve ser praticada entre os irmãos com igualdade, sem distinções, ainda que estas existam dentro da organização hierárquica da Ordem.

3ª Dignidade: 2º Vigilante - Prumo:


O 2º Vigilante é a Dignidade responsável pela direção e orientação da Coluna de Aprendiz, assim como é encarregado de substituir o 1º Vigilante em sua ausência e de transmitir as ordens do Venerável-Mestre em sua Coluna por intermediação do 1º Vigilante.

Cabem aqui as advertências já feitas a respeito das inversões de ordem feitas por muitas Lojas quanto ao papel dos Vigilantes na direção e orientação de Aprendizes e Companheiros e que, por certo, merecem um estudo à parte.

A Jóia confiada ao 2º Vigilante é o Prumo.

Este instrumento é composto de um peso, geralmente de chumbo, suspenso por um barbante que forma a perpendicular. Serve para se verificar a verticalidade de objetos.

Na Maçonaria, é fixado no centro de um arco de abóbada. Este artefato simboliza a profundidade do Conhecimento e da retidão da conduta humana, segundo o critério da moral e da verdade. Incita o espírito a subir e a descer, já que leva à introspecção que nos permite descobrir nossos próprios defeitos, e nos eleva acima do caráter ordinário.

Com isso, ensina-nos a marchar com firmeza, sem desviar da estrada da virtude, condenando e não deixando se dominar pela avareza, injustiça, inveja e perversidade e valorizando a retidão do julgamento e a tolerância. É considerado como o emblema da estabilidade da Ordem.

4ª Dignidade: Orador - Livro aberto:


O Orador é investido no dever de zelar e fiscalizar o cumprimento rigoroso das Leis Maçônicas e dos Rituais. Daí ser a única Dignidade que, na ordem administrativa da Loja Maçônica, não compõe o Poder Executivo, sendo um Membro do Ministério Público.

A atribuição desse Título implica no conhecimento profundo das leis, regulamentos e dos particulares do ofício, e, como assessor do Venerável-Mestre, pode a este solicitar diretamente a palavra. Como Guarda da Lei e tendo como uma de suas atribuições trazer luzes para uma dúvida de ordem legal, não é sem razão que o Sol, simbolicamente, está do lado do Orador.

O Livro Aberto é a sua Jóia, que nos faz lembrar de que nada estará escondido ou em dúvida. Simboliza o conhecedor da tradição do espírito maçônico, o guardião da Lei Magna Maçônica, dos Regulamentos e dos Ritos.

5ª Dignidade: Secretário - Duas penas cruzadas:


O Secretário, auxiliar direto do Venerável Mestre, é o responsável pelos registros dos trabalhos em Loja, para assegurar que serão passadas à posteridade todas as ocorrências; daí lhe ser confiado o dever de lavrar as atas das sessões da Loja nos respectivos livros, manter atualizados os arquivos, além de outras atribuições próprias do cargo, que são em grande número. Assim como a Lua, um símbolo desse cargo, deverá refletir o que ocorre em Loja.

A Jóia do Secretário é representada por Duas Penas Cruzadas, sabendo todos da utilidade antiga da pena como instrumento de escrita e, sendo duas penas cruzadas, asseguram que haja a ligação do passado com o presente, a tradição que registrará a memória da Loja para a posteridade.

6ª Dignidade: Tesoureiro


Duas chaves cruzadas: Cabe ao Tesoureiro praticar todos os atos inerentes à vida financeira e contábil da Loja, tais como: arrecadar toda a receita da Loja e pagar todas as despesas; cobrar contribuição em atraso, zelar pelo numerário pertencente à Loja, apresentar orçamento, balancetes e balanço geral da Loja, e organizar a escrituração contábil.

A sua Joia é representada por duas Chaves Cruzadas, símbolo maior da sua atribuição de zelar pelo numerário da Loja, obedecendo o que lhe disse seu Instalador quando de sua posse: Essa Joia deve lembrar-vos que vosso dever é zelar pela perfeita arrecadação das contribuições dos Obreiros e de outra receitas, bem como zelar pela exata execução das despesas da Loja.

7ª Dignidade: Chanceler - Timbre da Loja:


Ao Chanceler é confiada a condição de depositário do Timbre e do Selo da Loja, motivo pelo qual assume a obrigação principal de timbrar e selar os papéis e documentos expedidos pela Loja, dentre outras atribuições, tais como: zelar pelo livro de presença da Loja, emitir certificados de presença a irmãos visitantes, manter em dia o controle de presenças da Loja, para fins de votações, guardar o Livro Negro e o Livro Amarelo e manter manutenção dos arquivos com os dados necessários à perfeita qualificação dos Membros e seus cônjuges e dependentes. A Joia fixada em sua fita é o Timbre da Loja ou Chancela, a representar seu papel de Guarda-Selo da Loja. Este artefato não possui nenhum significado esotérico, representando apenas o símbolo alusivo ao título.

Oficial: Mestre de Cerimônias - Régua:

O Mestre de Cerimônias deve ser o encarregado por todo cerimonial da Loja, devendo, portanto, ser um profundo conhecedor da ritualística. A perfeição dos trabalhos em Loja, tendo como consequência e Paz e a Harmonia, depende muito de uma boa atuação do Mestre de Cerimônias.

É confiada a ele a Jóia representada por uma Régua Graduada, símbolo do aperfeiçoamento moral, da retidão, do método, da Lei e com uma gama de simbologia que bem merece um trabalho à parte sobre essa ferramenta. Vale lembrar também que o Mestre de Cerimônia empunha com a mão direita um Bastão (sucedâneo da Espada) encimado por um Triângulo que nos faz recordar do cajado dos primeiros pastores.

Oficial: Hospitaleiro - Bolsa:


O Hospitaleiro recebe atribuições diretamente relacionadas à organização dos atos de beneficência e solidariedade maçônicas em defesa dos menos favorecidos, passando desde a obrigação de fazer circular o Tronco de Beneficência durante as sessões até presidir a Comissão de Beneficência.

Concretiza o verdadeiro símbolo do mensageiro do amor fraterno, sendo-lhe confiada a Joia representada por uma Bolsa, artefato que bem representa o ato de coleta dos óbolos da Beneficência.

Oficiais: Diáconos (2) –


Pomba: A palavra Diácono deriva do grego e significa servidor. Os Diáconos, em número de dois no Rito Escocês Antigo e Aceito, exercem a função de verdadeiros mensageiros.

O 1º Diácono é encarregado de transmitir as ordens do Venerável-Mestre ao 1º Vigilante e a todas as Dignidades e Oficiais, de sorte que os trabalhos se executem com ordem e perfeição;

já o 2º Diácono deve executar a mesma tarefa, sendo que as ordens partirão do 1º Vigilante e serão transmitidas ao 2º Vigilante, zelando para que os Irmãos se conservem nas Colunas com respeito, disciplina e ordem.


A Jóia confiada aos Diáconos é a Pomba, uma alusão à simbologia de mensageira inerente a essa ave.

Oficiais: Expertos (2) - Punhal:


Esses Oficiais são encarregados, dentre outras funções, de proceder ao Telhamento dos visitantes antes de ingressarem no Templo, e, como Irmão Terrível, de acompanhar e preparar os candidatos à Iniciação, inclusive durante as provas às quais são submetidos.

Durante a Sessão, são substitutos eventuais dos Vigilantes, em caso de ausência. O Punhal é a sua respectiva Jóia, e simboliza o castigo e o arrependimento reservados aos perjuros. Também representa uma arma a ser usada na defesa da liberdade de expressão, tendo, ao invés do tradicional significado de traição, uma simbologia ligada à fortaleza.

Oficial: Porta-Bandeira - Bandeira:


O Porta-Bandeira abraça o dever de portar o Pavilhão Nacional segundo o protocolo de recepção da Loja, com o propósito precípuo de representar a Pátria, zelando pelo mais alto sentimento patriótico. Assim, como não poderia ser diferente, lhe é confiada a Joia representada por uma Bandeira, que reproduz em forma diminuta o Pavilhão Nacional.

Oficial: Porta-Estandarte - Estandarte:


Compete ao Porta-Estandarte guardar e transportar o Estandarte da Loja e suas condecorações, fazendo-os presentes em eventos como convenções, solenidades, congressos, encontros e reuniões maçônicas.

A Joia a ele confiada é o Estandarte.

Oficial: Porta-Espada - Espada:


O Porta-Espada tem, como Joia, uma Espada, mais especificamente a Flamejante (de fogo) com suas doze ondulações ou curvas, tida como a espada dos guardiãs angélicos. Com este desenho estilizado de raio, lembra a Espada de fogo dos Querubins (Gen. 2:24) - símbolo do poder criador ou da vida. É apresentada nas Sessões Magnas de Iniciação, pelo Porta-Espada ao Venerável-Mestre, quando da Sagração do neófito.


Somente nessas ocasiões, e também nas Sessões Magnas de Elevação e Exaltação, é que este Oficial deixa seu assento no Oriente, à esquerda do Venerável-Mestre para exercer seu ofício.

Como somente um Mestre Instalado pode tocar na Espada Flamejante, esse artefato é entregue ao Venerável sobre uma almofada, para que o Venerável possa pegá-la e empunhá-la com a mão esquerda, para o ato de Consagração.

Oficiais: Cobridores (2) –


Duas espadas cruzadas (Cobridor Interno). Alfanje (Cobridor Externo):

Os Cobridores, tanto o Externo como o Interno, possuem obrigações bem específicas. O Cobridor Interno deve guardar e vigiar a entrada do Templo, zelando pela plena segurança dos trabalhos da Loja e controlando a entrada e a saída de Obreiros.

É o responsável, portanto, direto pela proteção contra o mundo externo e pela regularidade ritualística no acesso ao Templo. Ele carrega em seu colar Duas Espadas Cruzadas, que é o símbolo do combate franco e leal e da vigilância.

Em guarda para o combate, as duas espadas cruzadas nos ensinam a nos pormos em defesa contra os maus pensamentos e a ordenarmos moralmente nossas ações.

São as armas da vigilância e de proteção contra o mundo profano. A seu turno, o Cobridor Externo é o contato entre o mundo externo e o interior da Loja, garantindo o rigoroso silêncio nas cercanias do Templo e zelando para que não haja evasão sonora durante a realização dos trabalhos em Loja. Assim, esse Oficial deve permanecer no vestíbulo do Templo, como seu Guardião, cobrindo-o, telhando-o (ou fazendo o Telhamento) para que não haja Goteira. A sua Jóia é a Alfanje, que consiste em um sabre de folha curta e larga.

A literatura não traz maiores explicações sobre esta Jóia, mas como o sabre é uma espécie de espada, permite-se deduzir que o seu sentido simbólico é semelhante ao da Jóia do Cobridor Interno, isto é, o de defesa, no caso externa, contra qualquer violação contra o templo.

Esse cargo, infelizmente, está sendo relegado e abandonado pelas Lojas.

Oficial: Mestre de Harmonia - Lira:


É conferido ao Mestre de Harmonia o dever de selecionar e executar belas peças musicais, pertinentes a cada sessão, em sequência apropriada à luz do Ritual, bem como fazer soar, nos momentos oportunos, o Hino Maçônico, o Hino Nacional Brasileiro e o Hino à Bandeira Nacional. A Joia que lhe é confiada é a Lira - instrumento musical dos mais antigos de que se tem notícia, considerado símbolo da música universal.

Oficial: Arquiteto - Trolha:


Ao Arquiteto são conferidas as tarefas de garantir tudo quanto pertencer às decorações, ornatos e cerimoniais do Templo, segundo cada sessão, além de assumir a guarda e responsabilidade dos materiais usados e inventariá-los.

A verificação das condições de uso dos utensílios e móveis, providenciando eventuais reparos e substituições, também é inerente à sua função do Arquiteto.

Este Oficial carrega, como Joia, uma Trolha, que simboliza a indulgência, o perdão, a tolerância, a equidade e a união. Trata-se de um artefato usual dos pedreiros, aqueles que manipulam a argamassa da União Fraterna, cimentando as pedras do Edifício na busca da Unidade. A Trolha tem a função de reunir, misturar e unificar, constituindo-se no símbolo do amor fraterno que deve unir todos os Maçons.

Oficial: Mestre de Banquete - Cornucópia:


O Mestre de Banquete está incumbido de organizar os Banquetes, Coquetéis e Ágapes fraternais de sua Loja. Este Oficial usa como Joia uma Cornucópia, que simboliza a abundância, a fartura, às vezes cercada por flores e frutas.

Oficial: Bibliotecário –


Livro fechado cruzado por uma caneta:

O Bibliotecário é o responsável pela Biblioteca da Loja. Cabe a ele organizar e coordenar a utilização dos livros pertencentes à Loja. A Joia confiada a este Oficial é o Livro fechado cruzado por uma caneta, símbolo auto-explicativo para as atribuições desse cargo.

Conclusão:

A despeito de serem breves as considerações formuladas, há de se reconhecer sobeja importância dos Títulos dos cargos e suas respectivas Jóias no universo maçônico.

Em primeiro plano, gozam de relevante papel na administração de uma Loja Maçônica, porquanto distinguem os cargos e elevam os seus ocupantes à honorificência, o que certamente contribui para a seriedade e disciplina dos trabalhos desenvolvidos no dia a dia. Já no plano litúrgico, os Títulos e Jóias também merecem deferência.

A Maçonaria se expressa através de Símbolos.

A ampla compreensão e o pleno exercício dos ideais e deveres maçônicos estão indissoluvelmente condicionados ao desafio de desvendar justamente as alusões do simbolismo maçônico.

Afinal, já dizia A. Micha se a verdade sobre a natureza essencial do ser e da vida universal é tão alta e tão sublime que nenhuma ciência vulgar ou profana não pode chegar a descobrir, o simbolismo é, por sua vez, como uma espécie de revestimento, de meio de conservação ideal dessa verdade e uma linguagem ideográfica que a Iniciação entrega à nossa meditação, e que só os Iniciados podem traduzir sem deformar-lhe o sentido. E, certamente, os Títulos e a Joias constituem ricos e valiosos símbolos a serem cada vez mais refletidos, com vistas a libertar o pensamento universal, evoluir e se aproximar do Grande Arquiteto do Universo. (Do Livro: A Maçonaria e a Liturgia: uma Poliantéia Maçônica, João Nery Guimarães).

5. Explicações para o Aprendiz:

Em cada função exercida nos Cargos em Loja temos um Irmão que cuida da evolução de um Órgão, ou seja, de uma estrutura psíquica dos Aprendizes Maçons. A relação existente entre o Cargo em Loja, a Função exercida pelo Obreiro e a mensagem transmitida aos Aprendizes Maçons é a seguinte:

Cobridor: sua principal função é verificar se quem entra na Loja está apto a frequentá-la, zelar pela sua segurança, não consentir entrada e saída de Obreiro sem a devida autorização e garantir o sigilo sobre os trabalhos que estão sendo realizados.

Para o Aprendiz Maçom ele passa a mensagem de construção de uma estrutura seletiva para as informações, ações e exemplos úteis, zelando para que sejam emitidas e executadas de forma que não causem danos a ninguém e que as intenções sejam reveladas no momento certo.

Mestre-de-Harmonia: acompanha as Sessões, desde o seu início, com músicas orquestradas propícias, sugeridas nos documentos maçônicos.

Transmite ao Aprendiz Maçom a necessidade da construção em nossa personalidade de uma estrutura que tenha a capacidade de tornar as ações harmoniosas, atendendo diretamente os interesses dos envolvidos nessas ações e resguardando os direitos e deveres dos que sejam atingidos por essas ações.

Hospitaleiro: sua função é arrecadar os donativos junto aos Irmãos e encaminhar esses donativos para quem deles necessite comprovadamente.

Ajuda o Aprendiz Maçom a construir na sua personalidade uma estrutura (criar o hábito) de retirar algo que esteja em abundância para ele e repassá-lo, anonimamente, para quem dele necessite.

Mestre de Cerimônias: realiza e faz realizar, de acordo com a liturgia do Rito, todo o cerimonial das Sessões da Loja. Mostra para o Aprendiz Maçom uma forma de vislumbrar o cerimonial intrínseco que existe em cada ação empreendida e que a mesma deve ser realizada com zelo, no tempo exato, no prazo certo e com a necessária qualidade e excelência.

Chanceler: é o relações-públicas da Loja, responsável pela comunicação oficial da Loja com o mundo profano. Registra, timbra e sela os documentos expedidos pela Loja, bem como mantém o controle da frequência dos Obreiros.

Passa a mensagem para o Aprendiz Maçom que ele deve passar mensagens facilmente identificáveis, por suas características virtuosas e que deve ter o máximo cuidado com a aparência externa, para que a mesma esteja sempre em consonância com o ambiente onde está presente.

Tesoureiro: sua principal função é manter rigoroso controle dos metais e valores da Loja e arrecadar toda a receita da Loja para saldar, no prazo acertado, suas despesas.

Para o Aprendiz Maçom ele transmite a mensagem de que ele deve prover e fiscalizar, rigorosamente, todos os itens que fazem parte da sua subsistência, sejam ele materiais, financeiros ou intelectuais, honrando seus compromissos assumidos e tomando o cuidado para assumir somente compromissos quem possam ser cumpridos.

Secretário: deve manter um rigoroso arquivo de todas as informações que dizem respeito à Loja, registrando tudo o que acontece nas Sessões, bem como receber e distribuir toda correspondência endereçada à Loja. Ensina o Aprendiz Maçom que ele deve construir em sua personalidade uma estrutura que registre de forma minuciosa tudo o que acontece a ele e saiba distribuir às outras estruturas psíquicas as suas auto-avaliações e informações externas.

Orador: Na Loja, a sua principal função é observar, promover e fiscalizar o rigoroso cumprimento das Leis Maçônicas e dos Rituais, cumprindo e fazendo cumprir os deveres e obrigações a que se comprometeram os Membros da Loja.

O Aprendiz Maçom deve aprender que ele vive em comunidade e está sujeito às regras sociais devendo verificar se suas ações empreendidas estão de acordo com estas regras e, caso contrário, que as mesmas sejam adequadas para que as mesmas estejam em consonância com os Princípios Maçônicos.

Vigilantes: os Irmãos Vigilantes têm sob sua responsabilidade a direção das colunas do Norte e do Sul e as instruções dos Obreiros dessas colunas visando a boa formação maçônica dos mesmos. Mostram que o Aprendiz Maçom deve estar em constante aprendizado e instrução, aplicando os conhecimentos adquiridos em suas obras e ações e, através de exemplos, instruir outros Irmãos, mostrando que ao aplicar os conhecimentos adquiridos consolida-se o aprendizado.


Venerável Mestre: é o cargo máximo na hierarquia administrativa da Loja. Condensa todo o conhecimento dos Cargos em Loja, pois para presidir é necessário conhecimento prévio de todas as funções desempenhadas em uma Loja.

Para o Aprendiz Maçom ele ensina que ele deve construir em sua personalidade todas as estruturas recebidas pelos Irmãos que ocupam Cargos em Loja, exercitá-las o máximo que puder e interligá-las para se conseguir um todo harmônico e proporcional, visando o completo domínio de cada uma, individualmente e em conjunto, adquirindo em etapas a sabedoria necessária para se tornar um verdadeiro mestre. (José Carlos Gomes de Oliveira).

6. Máximas:

Tolo é aquele que toma, para si, o respeito dado ao cargo que ele ocupa. - O verdadeiro Cargo da Maçonaria, é o de Irmão. O cargo existe, e o Ocupante? (V. Joias, Loja Regular, Justa e Perfeita, Luzes).

Fonte: JBNews - Informativo nº 302 - 26 de junho de 2011

domingo, 22 de março de 2026

FRASES ILUSTRADAS

DISPOSITIVO DA BANDEIRA E O USO DE LUVAS

Em 09/11/2025 o Respeitável Irmão Robson Augusto Apolinário, Loja Liberdade e Justiça, 3837, sem mencionar o Rito, GOB MINAS, Oriente de Uberlândia, Estado de Minas Gerais, apresenta a dúvida seguinte:

RECEPÇÃO À BANDEIRA

Estimado irmão, peço uma orientação a respeito da formação da Guarda de Honra, para sessões magnas, recepção ao Pavilhão Nacional.

São 13 mestres que se postam nas Colunas. É necessário o *uso de luvas* para tal função. Desde já agradeço a atenção.

CONSIDERAÇÕES.


Isso vai depender do rito que a Loja pratica. No caso dela ser praticante do REAA, não está mais previsto o uso de luvas para os integrantes da comissão de recepção, da guarda de honra e para o próprio Porta-Bandeira.

O Decreto 1476/2016 do GOB que dispõe sobre o cerimonial para ingresso e saída do Pavilhão Nacional, não menciona o uso de luvas para o dispositivo e nem para a comissão de recepção.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

BREVIÁRIO MAÇÔNICO

O CORAÇÃO

Esse órgão sempre foi considerado o "centro vital" do organismo; "amar com o coração" é a expressão poética.

Maçonicamente, o coração é o símbolo das emoções, e no Grau de Companheiro, a postura correspondente é feita colocando a mão destra, sob forma de garra, sobre o coração.

O rei Salomão ordenou, nas exéquias do seu grande artífice Hiram Abiff, que seu coração fosse conservado em uma urna.

Em certos graus da Maçonaria Filosófica, há várias alusões sobre o coração; no julgamento de Isis, o coração do morto é pesado para ver se as suas boas obras preponderam sobre a má conduta.

A "cordialidade", o "ser cordial", provém do vocábulo coração, que tem origem latina. A cordialidade é um atributo maçônico.

A Igreja venera os corações de Jesus e Maria e os representa flamejantes, ou seja, em sua forma anatômica, envolto em pequenas chamas.

Em determinado grau filosófico, é feita reverência ao símbolo do "coração flamejante".

Nas catatumbas romanas notam-se as lápides dos cristãos primitivos adornadas por corações, simbolizando o amor.

O maçom deve amar, profundamente, com todas as forças do coração, aos seus Irmãos.

Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014, p. 105.

A PROFANAÇÃO DO CONVITE

Meus Irmãos, lamento pelo o que vou dizer agora mas, há desvios que não são simples erros administrativos.

São rupturas morais.

Entre eles, um dos mais graves é a tentativa de recrutar homens por telefone, internet, formulários ou campanhas disfarçadas de interesse institucional.

Isso não é modernização.

Isso é profanação.

Não foi assim que nos ensinaram.

Não foi assim que recebemos a Ordem.

E não será assim que a preservaremos.

O ingresso na Ordem não é um pedido, não é uma inscrição, não é um cadastro, e jamais foi uma manifestação de vontade unilateral de quem "se interessa".

O ingresso na Ordem é e sempre foi, por convite.

E convite não se faz a desconhecidos.

Convite não se faz a curiosos.

Convite não se faz a quem levanta a mão e diz "quero entrar".

Convite é pessoal.

Convite é observação silenciosa.

Convite é resultado de tempo, convivência e percepção de virtudes.

Quem convida assume responsabilidade.

Quem convida responde pelo homem que traz.

Qualquer prática diferente disso revela uma verdade incômoda:
* Não se busca mais qualidade, mas quantidade;
* Não se busca mais lapidação, mas arrecadação;
* Não se busca mais construtores, mas números.

Quando uma Ordem passa a "captar interessados", por internet, sites, telefone, ela já deixou de escolher e passou a vender pertencimento.

Perguntemos com honestidade:
Desde quando o caminho se inverteu?
Desde quando o profano escolhe a Ordem, em vez de a Ordem discernir o homem que deve entrar?
Desde quando virtude se declara em formulário de internet?
Desde quando caráter se avalia por mensagem privada?
Desde quando TRADIÇÃO se preserva por marketing?

Não nos enganemos meus irmãos, qualquer sistema que recruta por meios impessoais não está formando homens, está montando clientela.

E clientela sustenta caixa, mas não sustenta Templo.

Aquela Ordem que tem meta de recrutamento anual, também está se desviando sem perceber, pois não existe metas pra isso, Deus colocará em nosso caminho, aquele que ele quer que nós recrutemos.

Aquele que compactua com esse tipo de prática financeira, não pode alegar ignorância.

E aquele que se cala diante disso, não pode alegar fidelidade àquilo que jurou respeitar.

A Ordem não precisa crescer.

Ela precisa permanecer íntegra.

Poucos homens bons constroem mais, do que muitos homens vazios repetindo palavras que não compreendem.

Que fique claro, sem rodeios:
* Recrutamento não é iniciação.
* Interesse declarado não é vocação.
* Quantidade nunca foi sinônimo de força.

E nós não reconhecemos como legítima, qualquer prática que transforme o convite, ato sagrado de discernimento, em mecanismo de captação.

Que cada Irmão reflita.

E que aqueles que ainda compreendem o peso da TRADIÇÃO, não se calem diante de sua diluição.

Porque o que se perde por omissão hoje, não se reconstrói amanhã.

Lamento a dureza das palavras mas foi preciso.

Fonte: Facebook_Aprendiz de Cavaleiro