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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

FRASES ILUSTRADAS

EXPOSIÇÃO DO PAINEL NA INSTRUÇÃO

Em 21/05/2026 o Respeitável Irmão Lucas Pontes, Loja Fraternidade Paraibana, 840, REAA, GOB-PI, Oriente de Parnaíba, Estado do Piauí, pede esclarecimentos.

EXPOSIÇÃO DO PAINEL

Na terceira instrução do grau de Aprendiz, novo ritual, orienta que a instrução seja feita mediante exposição do painel. Como é feita essa exposição? Virar o painel em direção ao Aprendiz? Ou Aprendiz fica entre colunas? O Mestre de Cerimônias vai apontando a simbologia durante à leitura?

De já agradeço sua atenção.

CONSIDERAÇÕES:

Inicialmente, eu gostaria de agradecer o convite que me foi feito. Aproveito a oportunidade para saudar a Loja pelo seu aniversário de 120 anos que se avizinha. Já estive no Piauí por duas vezes, uma na capital Teresina e outra no interior, na cidade de Picos. Naquelas oportunidades estive ministrando palestras sobre o REAA. São gratas as recordações.

No tocante à sua questão, não existe propriamente um protocolo para a apresentação do Painel em instrução.

A forma de se aplicar a 3ª Instrução de Aprendiz tendo o Painel como referência, ministrada pelo 2º Vigilante e pelo Venerável Mestre, fica a critério da Loja. Ela é que decide para onde deslocar o Painel no momento da instrução, podendo, inclusive, mantê-lo no seu lugar com o cada Ir∴ observando a figura que consta na página 11 do ritual de Aprendiz.

Para a 3ª Instrução, no caso de deslocamento do Painel, o mais comum seria colocá-lo bem próximo da porta, no extremo do Ocidente voltado para o centro, de tal maneira que todos, especialmente os Aprendizes, possam visualizá-lo durante os ensinamentos.

No momento da instrução com o Painel deslocado, quem deve ficar próximo a ele é o 2º Vig∴, o qual deixa momentaneamente o seu lugar. Concluída essa instrução, o 2º Vig∴ retorna imediatamente para o seu lugar e o Painel é recolocado no centro.

O 2º Vig∴, por ter deixado o seu lugar para se colocar próximo ao Painel, não precisa que outro Irmão o substitua. Não existem óbices sobre o lugar do Vig∴ficar vago por alguns instantes. Até porque ele não estará se retirando dos trabalhos.

Finalmente, em se optando pelo deslocamento do Painel, cabe ao Mestre de Cerimônias providenciar a sua mudança, e a sua recolocação.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

A MAÇONARIA CULTUA UM BODE?


Em nenhum grau da Maçonaria existe qualquer referência (simbólica ou não) a este animal como parte da nossa simbologia. A associação do bode com a Maçonaria certamente sugiu de fora para dentro, ou seja, de pessoas que não conheciam a Ordem (ou que simplesmente queriam depreciá-la).

O animal pode ter sido associado à figura de Baphomet (que também não faz parte de nossa simbologia e nem dos Templários) e, por ignorância, associado à Ordem Maçônica. O bode também foi tomado por Jesus como um animal desprezível, pois profetizou que, dentro da salvação, sob o aspecto religioso, as "ovelhas" seriam separadas dos bodes.

A associação do animal à Maçonaria é tão antiga que, os próprios maçons, ironicamente, se divertiam com tudo isso, e passaram a se chamar, um ao outro, de "Bode". Hoje, é comum, um maçom chamar o outro de bode, e ainda, usar adesivos em seus carros com a imagem do animal. Para nós é divertido, mas, nunca houve qualquer relação da Maçonaria com ele.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

ORIGEM DA MAÇONARIA

Palestra:
Ir∴ Vicente Sarubbi

1 - introdução — introduzindo o pensamento sobre a origem da Maçonaria, hoje é forçoso reconhecer que não podemos mais apresentá-la de forma simplória, como alias é feito por muitos autores que desconhecem os métodos históricos e científicos nos trabalhos deste gênero. Assim buscamos resumir o pensamento de autores sérios que tem credibilidade nacional e internacional, para dar um enfoque contemporâneo à tão interessante estudo problemático e interesse de todos os maçons.

Os estudos sobre a origem e os fundamentos da Maçonaria deixaram de pertencer exclusivamente aos maçons e tem sido apresentado em forma de monografia em faculdades e universidades nas disciplinas de história, política e sociologia, sobretudo pela grande participação da Maçonaria no pensamento universal e nos ideais liberais com a famosa trilogia: Liberdade, Igualdade e Fraternidade, ideais esses incorporados hoje nos Direitos Fundamentais de todos os Estados modernos.

2 - Falar sobre a origem da maçonaria, é falar sobre a sua história, seria um empreendimento difícil e um conhecimento quase enciclopédico, em mais de 30 anos de reflexão e pesquisa, percorrendo os caminhos dos autores maçônicos.

3 - A história como ciência e os níveis de conhecimento e suas abstrações:
3.1 - Conhecimento comum — fundamenta-se nos cinco sentidos
3.2 - Conhecimento científico — objetivo, racional, metódico e técnico
3.3 - Conhecimento filosófico — obtido pela razão natural
3.4 - Conhecimento metafísico — revelado a razão por Deus, dogmático, fé.
4 - Proponho 5 fontes de estudos ou Escolas de Pensamento Maçônico:
4.1 - Escola autêntica — metade do séc. XIX, conhecimento crítico a cerca de documentos, atas e monumentos — não leva em conta a tradição velada.
4.2  - Escola histórica filosófica — séc. XIX, con. crítico de lições de história e filosofia, investigadas com critérios científicos inclusive das tradições veladas.
4.3 - Escola antropológica cultural — séc. XIX, con. crítico, pesq. de antrop. cultural, utiliza critério científico para investigar a tradição maçônica e de sociedades a fins.
4.4 - Escola mística - maçônica mística — parte de estados de consciência estática, meditativa, busca a união com Deus através da meditação e da contemplação.
4.5 - Escola ocultista ou sacramental — eficácia do cerimonial maçônico — lado oculto do ritual, prática de treinamento a vontade, a natureza física, emocional e mental, busca a união ativa com Deus, num esforço coletivo, invocando Seres Superiores, cuja senda conduz a Deus.

5 - André Chédel denomina de “Pré - Maçonaria~~ — “tudo que nos vem do remoto passado, até a chamada Maçonaria Operativa” (apud Vanildo de Senna. Fundamentos jurídicos da maçonaria especulativa, Ed. Maçônica, Rio de Janeiro, RJ, 1981. P. 7.


6 - Nicola Aslan, na realidade histórica da Maçonaria comporta apenas dois períodos:
6.1 - Maçonaria Operativa — trata da história dos operários medievais, construtores das igrejas, palácios, abadias, catedrais, e que se estende por toda a Idade Média e a Renascença, termina em 1717, com a criação da Grande Loja de Londres.
6.2 - Período - Maçonaria Especulativa, de 1717 até nossos dias — em seu aspecto atual de associação civil, iniciativa, moral filosófica e humanitária.

7 - Minha classificação em 3 períodos históricos:
7.1 - 1º Período — Pré-Maçonaria — da antigüidade até a Maçonaria Operativa.
7.2 - 2º Período — Maçonaria Operativa - Idade Média e Renascença até 1717.
7.3 - - 3º Período de 1.717 até nossos dias.

8 - Alguns autores falam de um período lendário anterior ao 10 Período, que não é admitido pelos historiadores contemporâneos e podem ser classificados em duas classes:

8.1 - 1a classe lendas de fundo histórico —inventadas para afirmar a milenar existência da Ordem —suposta história de arquitetura, geometria e edificações, destinados maçons operativos. 

8.2 - 2a classe - histórias lendárias dos operativos que ligaram as origens da Maçonaria nas iniciações de povos primitivos e ambigüidade clássica - greco - romana. *Caráter iniciático. 

8.3 - Confusão históricas —as sociedades iniciáticas existem desde os primórdios da sociedade humana, e alguns autores confundem recepção, admissão e iniciação real (sociedades primitivas), com a iniciação simbólica maçônica - que ao lado das lojas profissionais, sempre existiram as confrarias - que permitiram a das pessoas estranhas à profissão - chamados Maçons Aceitos, que para alguns autores datam de 1.600 para outros durante o século XVIII. 

8.4 - Organizações ancestrais da Maçonaria — Em várias épocas, entretanto, várias antigas organizações foram apontadas como ancestrais da Maçonaria, incluindo as seguintes, por ordem de crescentes plausibilidades; 
1) os druidas; 
2) os Culdees;
3) os Rosa-cruzes; 
4) os essênios; 
5) os antigos Mistérios do Egito e da Grécia (ver Elêusis); 
6) os arquitetos viajantes trabalhando sob proteção de uma Bula Papal; 
7) os Mestres Comacinos; 
8) os Steínmetzen alemães; 
9) os Companheirismos franceses

9. - Origem da Ordem — como a conhecemos hoje — é quase certa a sua origem entre os maçons operativos da Inglaterra.

10. - Desaparecimento das lojas operativas na Inglaterra:
10.1- Reconstrução de Londres, após o grande incêndio de 1.666; 10.2-"A reforma que pôs termo aos grandes edifícios católicos”; 10.3 - À Renascença que destronou o estilo gótico; 10.4 - Sobreviveu a "Fraternidade dos Maçons Aceitos” — ligados as confrarias —tratavam dos socorros e festividades.

11. - Surgimento da Maçonaria Especulativa:

11.1 - Maçonaria Especulativa ou Moderna tem sua origem na Maçonaria Operativa, tendo como data oficial de sua fundação o dia 24/07/1717.

11.2 - Surgiu como uma associação civil, para a “Reforma da Conduta" um "sistema de moralidade”, filosófica, iniciática e humanitária.

11.3 - Denominação Especulativa — Afinal, devemos esclarecer que a decadência e a conseqüente extinção da Maçonaria Operativa, transformada em Maçonaria Especulativa pelos Maçons aceitos, deveu-se: - primeiro, à Reforma, que pôs termo à construção dos grandes edifícios religiosos católicos; segundo, à Renascença, que destronou o estilo gótico; terceiro, ao Grande Incêndio de Londres, de 1666, que fez perder à Companhia dos Maçons os seus privilégios medievais e permitiu aos estrangeiros o emprego da reconstrução da grande metrópole. Sobreviveu apenas a "Fraternidade dos Maçons Aceitos que se achava ligada à Confraria e que tratava apenas da parte social, festividades e socorros”.

11.4 - O termo Especulativo - significado —“De modo geral Especulativo sempre significa teoria, contemplação, quando, porém, o termo é utilizado em matéria de moral, de filosofia, de doutrinas esotéricas ou de princípios, significa Maçonaria”.

12. - Para Morivalde Calvet «a Maçonaria moderna é filha do liberalismo cultural, político e religioso do século XVIII, com seu lema fundamental: Liberdade Igualdade e Fraternidade”.

13. - Termino este modesto trabalho, percorrendo os caminhos dos autores maçônicos, transcrevendo Vanildo de Senna: “Convém assinalar, por oportuno, que a Maçonaria Moderna, ou Especulativa, surgiu como uma “sociedade” para reforma da “conduta”, como um “Sistema de Moralidade”, obtendo o maior sucesso e teve como data oficial de sua fundação o dia 24 de junho de 1717. Atendeu aos imperativos do momento histórico e local, quer político, religioso, moral, filosófico, social ou espiritual, aspectos estes devidamente analisados pelo eminente historiador, escritor maçônico e nosso brilhante Confrade Morivalde Calvet Fagundes, no seu trabalho: „é a Maçonaria filosofia espiritualista, moral social ou metafísica?”i

14. - Bibliografia:
  1. Senna, Vanildo de. Fundamentos jurídicos da Maçonaria Especulativa. Ed. Maçônica, Rio de Janeiro, 1981.
  2. Aslan, Nicola. Grande Dicionário Enciclopédico de simbolismo e Maçonaria, 4 vol.
  3.  Leadbeter, W. Pequena Hist. da Maçonaria. Ed. Pensamento. SP.
  4. Fagundes, Morivalde Calvet. A Maçonaria e as Forças Secretas da Revolução. Ed. Maçônica. RJ.
  5.  Figueiredo, Joaquim Gervásio. Dicionário de Maçonaria. Ed. Pensamentos.
  6. Fagundes, Morivalde Calvet. Lições da História da Maçonaria.
  7. O Estudo de Maçonaria nas Universidades. (As duas obras supras são teses apresentadas no lº Congresso Maçônico Internacional de História e Geografia — Rio de Janeiro, Brasil, 1981

Fonte: JBNews - Informativo nº 318 - 12 de Julho de 2011

domingo, 23 de agosto de 2026

FRASES ILUSTRADAS

A ESTRELA FLAMEJ.'. E A LETRA G - REAA

Em 21/05/2026 o Respeitável Irmão Giovani Moreira da Silva, Loja Estrela do Vale, 1740, GOB MINAS, REAA, Oriente de Itabira, Estado de Minas Gerais, apresenta as perguntas seguintes:

ESTRELA E A LETRA G

1 - Em seu artigo https://pedro-juk.blogspot.com/2017/12/estrela-flamejante-v.html você fala sobre a especulação sobre o conceito da letra G, porém, no ritual de Companheiro Maçom na página 123 expressa uma opinião contrária ao seu artigo. Como respeito muito seus artigos, gostaria de sua orientação sobre o disposto no ritual atualizado em 2024.

Aproveitando sua boa vontade agradeço mais dois comentários:

2 – A Estrela Flamejante deve estar literalmente de ponta para cima, ou seja, perpendicular (pendurada) no teto ou pode estar afixada no teto na abóboda celeste;

3 – Podemos em uma reunião de grau de Aprendiz transformar a reunião em grau de Companheiro, retirando os Aprendizes no momento do tempo de estudos para a apresentação do grau de Companheiro, depois retornando com os Aprendizes, isso para não furtar os Aprendizes de participar da reunião naquele dia. Essa prática pode ser realizada?

CONSIDERAÇÕES:

1 - Em relação ao que eu publiquei em resposta a uma pergunta no meu Blog em 2017, continuo convicto do que escrevi, e mantenho a minha posição.

Sobre o Ritual de Comp Maçom em vigência no GOB, eu procurei minimizar a questão, deixando claro, em primeiro lugar, que a letra “G” significa Geometria. As outras definições, que a meu ver não condizem com a realidade doutrinária do REAA, são mencionadas no Ritual em segundo plano, sobretudo porque são consagradas nas instruções gerais da Maçonaria e até adotadas de modo amplo em outros rituais.

Foi graças a isso é que deixei bem claro que na Maçonaria a letra “G” também tem sido interpretada como Geração, Gravidade Gênio e Gnose. Note que, mesmo discutível, essas não são afirmativas minhas, mas são conceitos que estão presentes há muito tempo na Maçonaria, especialmente na vertente anglo-saxônica. Assim, a minha obrigação é também mencioná-los.

Nesse contexto, o que de fato eu abomino é falsa interpretação quando dizem que a letra “G” é uma referência ao "G A D U", mais especificamente à palavra "God", que é Deus na língua inglesa. Ora, se fosse assim, como ficariam então os ritos latinos onde a inicial do nome Deus é a letra "D" (Deus, Dio, Dieu)?

En passant, outro absurdo é se dizer que a letra hebraica “IÔD” se traduz pela letra “G”.

Graças a isso, sendo a Geometria a quinta ciência na ordem das Sete Artes e Ciências Liberais, procurei dar ênfase a ela como uma das grandes verdades universais (vide a 47ª Proposição de Euclides).

Para concluir este quesito, vale a pena lembrar que quando se trata de ritual maçônico, nem sempre é possível alterá-lo de imediato, sem antes, com muita prudência, ir se preparando o terreno. Por conta disso, deixo essa questão para reflexão dos IIr, mostrando que nem tudo o que reluz é ouro.

2 - A Estr Flamej – Este símbolo não é parte do mapa estelar da abóbada. Ela não aparece como as demais estrelas e astros, fixados no firmamento. Nesse sentido, a Estr Flamej não é um astro celeste, mas é um símbolo pitagórico, que fica pendente do teto, adotado por alguns ritos maçônicos. Historicamente essa estrela hominal somente apareceu na Maçonaria no século XVIII.

Como um símbolo pitagórico, o ritual do REAA/GOB menciona que a EstrFlamej - um dos ornamentos da Loja de Comp - aparece pendente(pendurada) do teto, ao Meio-Dia, sobre o lugar do 2º Vigilante.

Por ser um símbolo hominal, herdado do pitagorismo, é que essa Estr se apresenta no Templo pendurada e com apenas uma das suas cinco pontas voltada para cima. No contexto de símbolo hominal, a única ponta voltada para cima corresponde à cabeça (mente) do homem, enquanto que as demais relacionam-se aos seus membros superiores e inferiores (comparado ao homem vitruviano de Da Vinci. 

Em primeira análise, a Estr Flamej simula o Homem de cabeça para cima, naturalmente como foi constituído pela Natureza (teurgia). Também representa os cinco sentidos e a relação matéria-espírito: visão, audição, tato, olfato e paladar – o Iniciado vê o sin; ouve a pal; sente o t; percebe o ar dos pperf; distingue a doç do amarg presente na t das vicissitudes.

Como a Maçonaria é uma obra de Luz, a Estr Flamej não pode aparecer de ponta-cabeça, isto é, com duas de suas pontas voltadas para cima, mormente porque esse é um símbolo da Goécia, ou Goétia, que significa uma obra da escuridão, do desequilíbrio e da contrariedade. Com as duas pontas apontadas para cima, a Estr se torna a figura de um bode que, dentre outros, representa a animalidade e o mundo de ponta-cabeça; é o emblema do controverso, da obra das trevas e do giro anti-horário; simboliza o retrocesso.

A Estr pendente do teto, perpendicular ao meridiano do Meio-Dia (sobre o 2º Vig), simula a luz intermediária, entre a aurora e o ocaso. É por isso que no REAA a alegoria da letra "G", ao centro da Estr, corresponde à 5ª Ciência, ou a Geometria aplicada na construção de um novo Homem. De modo óbvio, a letra "G" também não deve ficar de ponta-cabeça, senão seguir o padrão e a ordem natural das coisas da Natureza.

3 – Transformação de Loja - Conforme menciona o ritual, existe a possibilidade de transformação, no entanto isso somente deve ocorrer quando for necessário para se atender à legislação, ou por algum motivo comprovadamente imperioso. Transformação de Loja é procedimento previsto, mas esporádico, nunca corriqueiro. É oportuno lembrar que uma Loja transformada deve retornar ao grau em que fora inicialmente aberta para ser fechada definitivamente. Transformar Loja para ministrar uma instrução é possível, porém não recomendável. 

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

BREVIÁRIO MAÇÔNICO

O EGO

Profunda é a diferença entre eu e ego, pois enquanto o ego significa a pessoa humana vivente, o “eu” é a parte divina dentro do homem.

Eu é o nome de Deus. O maçom não pode dizer: “eu sou maçom”, porque pretenderia tomar o lugar de Deus. O eu comanda o espírito; o ego, a consciência.

Da palavra ego origina-se de “egoísmo”, que é a forma negativa da personalidade humana.

Porém, em certas ocasiões, o homem necessita desse egoísmo; quando zela pelos seus interesses, seu bem-estar, sua saúde, o egoísmo é salutar. Na máxima bíblica: “Ama o próximo como a ti mesmo”, encontramos a expressão egoísta de que, “antes de amar o próximo”, o homem deve aprender a amar a si mesmo, como exercício e como campo experimental, para depois poder com eficiência amar o próximo.

O maçom deve observar esses aspectos “lapidares”, tanto na sua vida maçônica como profana. Não pronunciar o nome de Deus em vão; o “eu sou”; “eu faço isto ou aquilo”.

O maçom deve ser prudente no falar.

Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014, p. 131.

MAÇONARIA DISCRETA

José Cantos

Outro dia me peguei pensando em uma contradição curiosa que vive rondando os corredores da Maçonaria.

Escuto frequentemente irmãos dizendo, com certo zelo, que a ordem é discreta, que guarda segredos antigos, que certos assuntos não devem ser levados para fora do templo. Alguns até vigiam com atenção quem escreve alguma lembrança, quem comenta uma experiência ou quem ousa refletir publicamente sobre algo vivido dentro da fraternidade.
Até aí, compreensível. A tradição sempre valorizou o silêncio como forma de respeito ao rito e ao simbolismo.

Mas então acontece uma cena curiosa nas ruas da cidade.

O mesmo irmão que defende a discrição estaciona o carro, e lá está ele: um grande esquadro e compasso colado no vidro traseiro, às vezes acompanhado de um adesivo “tamanho família”. O símbolo viaja pela avenida, passa pelo semáforo, entra no estacionamento do mercado e desfila pela cidade inteira anunciando silenciosamente:

— “Aqui vai um maçom.”

E eu confesso que isso sempre me fez pensar.

Não porque o símbolo seja proibido, ele nunca foi segredo. O esquadro e compasso é um emblema antigo e conhecido, parte da identidade pública da ordem. Mas a pergunta que surge não é sobre o símbolo.

É sobre a intenção.

Porque existe uma diferença muito grande entre guardar um segredo e exibir uma pertença.

Enquanto alguns escrevem discretamente sobre aquilo que sentiram numa iniciação, muitas vezes depois de vinte ou trinta anos de reflexão, outros preferem anunciar sua condição de maçom para qualquer motorista que esteja atrás no trânsito.

A vida humana tem dessas ironias.

Uma vez prof Ariel Pires (in memorian) me disse:

— O segredo que deveria estar guardado no coração às vezes vira adesivo no vidro.

E a experiência que deveria ser compartilhada com sabedoria às vezes é tratada como se fosse um crime.

Talvez porque a verdadeira discrição não esteja no silêncio forçado, mas na intenção que carregamos.

Os antigos símbolos da maçonaria sempre ensinaram que o esquadro representa a retidão do caráter e o compasso o domínio das paixões. Nenhum deles foi criado para medir o tamanho do ego.

No fundo, o verdadeiro sinal de um maçom não deveria estar no carro, no anel ou na lapela.

Deveria estar na forma como ele caminha pelo mundo.

Porque o maior segredo da maçonaria, aquele que nenhum ritual consegue esconder e nenhum adesivo consegue revelar, é simples: o homem que realmente aprende alguma coisa dentro do templo não precisa anunciar isso para ninguém.

O mundo acaba percebendo sozinho.

José

Fonte: Facebook_José Cantos

sábado, 22 de agosto de 2026

FRASES ILUSTRADAS

SAGRAÇÃO DE TEMPLO (INAUGURAÇÃO) - 7

Em 20/05/2026 o Respeitável Irmão Jorge Jesus Abreu, Loja Acácia, 177, sem mencionar o Rito, GOB-RJ, Oriente de Niterói, Estado do Rio de Janeiro, apresenta a seguinte questão.

SAGRAÇÃO DE TEMPLO

Sirvo-me do presente para, respeitosamente, solicitar a sua colaboração, no sentido de orientar o signatário acerca do amparo legal, pressupostos e requisitos para a sagração do Templo Maçônico.

Estou no cargo de Orador, cargo esse preteritamente já exercido em outras duas administrações, de forma intercalada.

Na vida profana, sempre pautei por princípios de estrita legalidade, na medida em que exerci, até a aposentadoria, o cargo de Delegado de Polícia no Estado do Rio de Janeiro. Mesmo na inatividade, desempenhei funções públicas na área da segurança pública, e hoje advogo, basicamente, na esfera administrativo-disciplinar no âmbito da Polícia Civil, tudo a moldar minhas ações em conformidade com as normas legais e estatutárias.

Assim, reputo de muita relevância suas considerações em torno da sagração do Templo Maçônico, notadamente a necessidade dessa medida em havendo benfeitorias no interior do recinto.

No mais, externo o sincero desejo de sua visita a minha Loja, em estando na Cidade de Niterói, evento esse motivo de júbilo para toda a família maçônica fluminense.

Sem mais para o momento, colho o ensejo para externar ao querido Irmão protestos de fraterna estima e consideração.

CONSIDERAÇÕES:

Em Maçonaria, a sagração de um Templo ocorre no sentido de conferir dignidade ao espaço ou dependência em que serão realizados os trabalhos litúrgicos e ritualísticos de uma Loja. Tudo isso sem a intenção de transformar esse recinto em um lugar sagrado, santificado ou religioso.

Nesse contexto, é sempre bom lembrar que a Maçonaria não é uma religião e nem uma Instituição religiosa. A religiosidade, nesse caso, está no íntimo de cada maçom. 

Sobre a sagração de um Templo maçônico - Em linhas gerais é a consagração de um lugar; é a sua inauguração que se dá por meio de um ritual específico vigente na Obediência.

Como se trata de uma inauguração, esses trabalhos são dedicados a uma nova edificação ou dependência, que nunca antes tenha sido inaugurada (consagrada, sagrada). Em linhas gerais, um Templo, já passou pelo ato de consagração assim permanece ad aeternum, isto é, enquanto ele existir e estiver em condições de uso.

Reformas de edifícios maçônicos já inaugurados, a meu ver não devem passar por outra sagração, a não ser que o prédio tenha sito totalmente demolido e reconstruído, ou mesmo uma ampla reforma que o descaracterize do original, o que seria tratado como uma nova construção. Esses casos seriam passíveis de uma inauguração (sagração).

Enganam-se redondamente os que tratam a sagração de um Templo maçônico como fosse uma prática religiosa. Consagrar, nesse caso, é conferir dignidade ao espaço, inclusive ao grau de um maçom (consagração de um candidato).

O ato de Sagração de um Templo - No GOB, o ritual específico para essa finalidade, em vigência, encontra-se no volume de Rituais Especiais (Sessões Exclusivas), 2016, dele a página 77 e seguintes. 

Para que ocorra a sagração de um Templo maçônico, a Loja interessada deverá formalizar um pedido ao seu Grande Oriente Estadual ou do Distrito Federal, o qual irá, mediante ato formal, designar uma comissão formada por Mestres Maçons (Comissão de Sagração) para a exercer a cerimônia ritualística de inauguração.

Nesse contexto, é importante lembrar de um detalhe significativo. Trata-se do que especifica o Ritual de Consagração vigente, página 80: "É vedado (o grifo é meu) ao Grão-Mestre Geral, Grão-Mestre Geral Adjunto, Grão-Mestre Estadual e respectivos Adjuntos e ao Delegado do Grão-Mestre participar da Comissão de Sagração e ter ingresso no Templo antes de sua Sagração".

Em face a isto, as autoridades mencionadas logo acima não podem fazer parte da comissão de inauguração, assim como também não podem ingressar no Templo sem que ele tenha sido antes regularmente inaugurado (passado pela sagração).

Eram essas as informações possíveis neste momento.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

JOSÉ MIGUEL CARRERA


A filiação de Carrera à Maçonaria nunca foi posta em dúvida, pois em seu diário, mantido durante sua visita aos Estados Unidos, de novembro de 1815 a outubro de 1816, ele escreveu o seguinte:

Quarta-feira, 21 de fevereiro (1816): "Discuti formalmente meu pedido de admissão na Loja de São João. Este passo pode trazer alguma vantagem para meus projetos."

Sábado, 24 de fevereiro: “… Às 19h, fui recebido na Loja Maçônica St. John's nº 1. Meu padrinho foi o Sr. Shaw. Eles me conferiram o 3º grau . Mais tarde, o Sr. Hoffman também foi recebido. Escrevi meu nome de próprio punho no Livro da Loja…”

Alguns historiadores, no entanto, interpretaram as palavras de Carrera de que ele "recebeu o 3º grau " como prova de que ele já era maçom, iniciado em Cádiz, e que em Nova York ele foi elevado apenas ao grau de Mestre.

Uma cópia da ata da Loja St. John n° 1 de Nova York, obtida por intermédio do Irmão Thomas M. Savini, Diretor da Biblioteca Maçônica Chanceler Robert R. Livingston da Grande Loja de Nova York, esclarece finalmente a maneira pela qual o herói da independência chilena, José Miguel Carrera, foi iniciado na Maçonaria.

As atas da Loja St. John comprovam que Carrera não era maçom antes de 24 de fevereiro de 1816, quando recebeu os três graus da Maçonaria Simbólica, um após o outro. Seu amigo, Phillip H. Hoffman, também foi iniciado, passou e foi elevado na mesma noite, seguindo Carrera. Um detalhe curioso é que Carrera pagou sua taxa de iniciação, e também a de Hoffman, apenas seis semanas depois.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

OS TRÊS TRAIDORES DO TEMPLO INTERIOR

Por Carlos L. Sánchez

Dentro da tradição maçônica, poucos relatos possuem uma profundidade simbólica tão poderosa quanto a morte de Hiram Abif, o Mestre Construtor do Templo de Salomão. Longe de ser apenas uma alegoria ritual, este drama representa um ensino inicático sobre a queda e regeneração do ser humano.

Os chamados “três traidores” não devem ser entendidos apenas como personagens históricos ou rituais. Desde a interpretação filosófica e esotérica da Maçonaria, simbolizam as forças inferiores que ameaçam constantemente a construção do Templo interior.

A ignorância é o primeiro deles.

Não é simplesmente falta de informação, mas sim permanecer voluntariamente na escuridão. É a negação da busca, a rejeição da reflexão e a renúncia do autoconhecimento. Quando domina, o homem perde a orientação e esquece o propósito superior da sua existência.

Ambição desordenada é o segundo traidor.

Nas antigas tradições iniciáticas, as ferramentas do construtor simbolizam faculdades espirituais destinadas ao aperfeiçoamento do ser. No entanto, quando a ambição substitui o serviço, essas ferramentas param de construir e começam a destruir. Poder, posição ou reconhecimento acabam ocupando o lugar da virtude.

O terceiro é o fanatismo.

Historicamente, a Maçonaria combateu todas as formas de dogmatismo que impedem o livre pensamento. O fanático não procura compreender, mas impor. Confunde convicção com verdade absoluta e transforma sua própria cegueira em bandeira. Por isso, este traidor representa o golpe final contra a sabedoria.

Em conjunto, estes três inimigos simbolizam a rebelião da natureza inferior contra os princípios superiores do homem.

Então, Hiram morre cada vez que:

- A razão é substituída pelo preconceito.
- A virtude é sacrificada por interesse pessoal
- A tolerância cede ao ódio ou à intolerância

A tragédia hirâmica não pertence apenas ao ritual maçônico. Manifesta-se constantemente na história humana. Civilizações inteiras viram seus templos morais cair quando a ignorância foi exaltada, a ambição glorificada e o fanatismo legitimado como verdade.

Por isso, a busca da Palavra Perdida representa muito mais do que um símbolo ritual: é a recuperação da consciência, do equilíbrio e da luz interior enterrada sob as ruínas do ego.

O ensino final é claro:

O templo não é destruído primeiro na pedra, mas na alma do homem.

E enquanto os três traidores continuarem habitando no interior humano, o trabalho do iniciado permanecerá o mesmo:

Vigiar-se, purificar-se e reconstruir-se.

Fonte: Facebook_Masoneria Guayaquileña

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

FRASES ILUSTRADAS

ROMPER A MARCHA DO GRAU

Em 20.05.2026 o Respeitável Irmão Gilbert A. Povidaiko, Loja Fraternidade Acadêmica de Guarulhos, GOB-SP, REAA, Oriente de Guarulhos, Estado de São Paulo, solicita esclarecimentos.

ROMPER A MARCHA

Meu Irmão, um Irmão que entrará ritualisticamente, seja por instrução ou atraso, ou seja, irá realizar a marcha seguida do interrogatório, numa loja funcionando nos graus 2 ou 3, ao entrar em nosso espaço reservado, fica à ordem no grau de trabalho (2 ou 3), desfaz o referido sinal, compõe o de Aprendiz, para dar início à marcha, de acordo com o grau da Loja, ou, já que vai realizá-la, independente do grau de trabalho, já se conserva à ordem como Aprendiz, realizando em seguida à marcha de acordo com o grau de trabalho da Loja? Em síntese, ao ingressar na Loja num grau diferente de Aprendiz, e antes da marcha, qual sinal deve-se fazer?

Como de costume, agradeço os esclarecimentos e o saúdo pelo excelente trabalho desenvolvido!

CONSIDERAÇÕES:

Antes de romper a Marcha do Grau, o protagonista ingressa no Templo e primeiramente se coloca à Ord∴ no grau em que a Loja estiver aberta.

Nesse caso, se a Loja estiver trabalhando no 2º Grau, o protagonista se coloca à Ord∴ como Comp∴ Maç∴. Logo a seguir desfaz esse sin∴ e se coloca à Ord∴ no 1º Grau. Ato seguido, rompe a Marcha dando os t∴ pp∴ de Apr∴, seguidos de mais d∴ de Comp∴.

Se a Loja estiver trabalhando no 3º Grau, o protagonista se coloca à Ord∴ como M∴ M∴, desfaz esse sin∴ e se coloca à Ord∴ como Apr∴. Ato seguido, rompe a Marcha do 3º Grau dando os tr∴ pp∴ do 1º Grau, os d∴ do 2º Grau e, finalmente os outros tr∴ do 3º Grau.

No que diz respeito a aplicação correta da ritualística, é sempre salutar praticá-la na ordem prevista, sem adiantar procedimentos. Antes que se peque por excesso, do que por negligência.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

HÁ QUANTOS ANOS?

VENCER PAIXÕES

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

FRASES ILUSTRADAS

ABÓBADA CELESTE DO TEMPLO - REAA

Em 20/05/2026 o Respeitável Irmão Flávio Augusto Batistela, Loja Solidariedade e Firmeza, 3052, REAA, GOB-SP, Secretário Geral Adjunto de Comunicação, Estado de São Paulo, solicita o que segue:

ABÓBADA CELESTE

Eminente Ir∴ Pedro, saudações fraternais! Meu irmão, preciso passar para os nossos Aprendizes uma explicação sobre a abobada celeste e o significado de cada estrela, constelação e planetas pintados no teto, conforme o ritual de Aprendiz vigente. Achei muita coisa na internet, mas gostaria de algo "oficial" vindo do nosso Secretário-Geral, pois nas suas explicações posso confiar.

O Irmão tem algum texto que poderia compartilhar comigo.

CONSIDERAÇÕES:

Em relação ao à abóbada (teto do templo) e o ritual do REAA/GOB vigente, editado em 2024, vale ressaltar que nela houve correções. Por exemplo: corrigido o número de luas de Saturno; corrigida a forma de representação da Lua em quarto-crescente quando vista do hemisfério Norte; corrigido o número de estrelas que formam a constelação da Ursa Maior (sete estrelas, cujo número deu origem à palavra setentrião); foi inserida, na banda setentrional da abóbada celeste, a Estrela Polar (ponto consagrado de orientação para várias civilizações); foi excluída uma estrela de cor vermelha presente ao Sul da abóbada (equivocadamente alegava-se que ela era a Estrela Flamejante, o que não condiz com a verdade, pois essa estrela é um símbolo hominal pitagórico e não faz parte do mapa estelar da abóbada (fica pendente do teto sobre o 2º Vig∴).

No que diz respeito a colaborar com a instrução mencionada na sua questão, segue anexo com uma peça de arquitetura sobre a Abóbada do Templo no REAA, trabalho esse que eu escrevi há muitos anos atrás. Essa matéria encontra-se publicada em um compêndio de trabalhos chamado de Caderno de Estudos Maçônicos da Editora Maçônica A Trolha, da época.

Todavia, sobre esse conteúdo alerto para que quando o escrevi, me servi de um mapa da abóbada um pouco diferente da que atualmente se encontra em vigência no GOB. De qualquer forma, se bem observado esse pormenor, nesse trabalho existe muito material instrutivo que pode ser aproveitado.

Sob o ponto de vista histórico do REAA, a sua abóbada celeste, particularmente decorada com astros e estrelas, foi uma das contribuições deixadas pela Loja Geral Escocesa, então criada pelo Grande Oriente da França, em Paris no ano de 1804, para gerenciar a construção do primeiro ritual para o simbolismo do REAA.

É bom que se diga que naquela época, a primitiva decoração estelar da abóbada ainda não era tão rica e detalhada como hoje é conhecida, no entanto já se faziam presentes as doze constelações do Zodíaco, as quais inicialmente ficavam fixadas - pintadas ou desenhadas - na base da abóbada, seis ao Norte e seis ao Sul.

Mais tarde, essas doze constelações passariam da base da abóbada para as paredes Norte e Sul, agora por 12 Colunas Zodiacais encravadas e distribuídas em distâncias iguais, seis de cada lado do templo.

Ao longo do curso da história, não só as constelações zodiacais, mas toda a decoração estelar relativa ao firmamento (abóbada celeste) foi sendo paulatinamente formada.

Nessa conjuntura, vale ressaltar que toda a referência estelar da abóbada no REAA relaciona-se ao ponto de vista do hemisfério Norte da Terra, mormente porque a Maçonaria nasceu e construiu todo o seu simbolismo solar nesse hemisfério.

Particularmente, no REAA a sua abóbada celeste é o firmamento, sobretudo porque no misticismo maçônico o templo é a representação simbólica do mundo em que vivemos. Em linhas gerais, sua superfície corresponde a uma faixa de terras localizada sobre o equador da Terra. Essa superfície tem a forma de um quadrilongo e é orientada de Leste para Oeste no seu comprimento, e de Norte para o Sul na sua largura. O pavimento mosaico (chão da Loja) é o solo terrestre, e a abóbada o firmamento. As colunas B∴ e J∴ marcam a passagem dos trópicos de Câncer (Norte) e Capricórnio (Sul). As 12 Colunas Zodiacais, agrupadas de 3 em 3, marcam as estações do ano e os ciclos de vida e morte da Natureza (caminho do Iniciado). Assim, o templo sugere o palco e os maçons os atores que trabalham nesse teatro.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

TEORIA DA CONSPIRAÇÃO

Por Luciano J. A. Urpia

Uma nova teoria da conspiração que circula na Rússia desde o final de maio de 2026 colocou a icônica cantora Kristina Orbakaïté, filha da lenda do pop Alla Pugacheva, no centro de um debate que mistura simbolismo e rumores. A artista foi acusada de ser maçom, mas a Grande Loja da Rússia (GLR), a ordem maçônica oficial do país, negou veementemente as alegações e classificou a narrativa como infundada.

O boato teve origem em 27 de maio de 2026, quando Vitaly Borodin, chefe do FPBC (grupo pró-Kremlin ligado à propaganda), publicou uma postagem viral no Telegram afirmando ter detectado simbolismo maçônico na imagem pública de Orbakaïté. Segundo Borodin, uma fotografia da cantora mostra um "olho que tudo vê" (imagem), o famoso "olho da providência", frequentemente associado aos Illuminati e à Maçonaria, cobrindo um de seus olhos. "Não descarto a possibilidade de que Orbakaite tenha sido feito refém por esses representantes do establishment ocultista", concluiu.

Andrei Bogdanov, Grão-Mestre da Grande Loja da Rússia desde 2007, negou categoricamente os rumores em declaração à imprensa. "Orbakaïté não pode ser maçom", afirmou, reiterando um princípio fundamental da organização: a Maçonaria regular é exclusivamente masculina, e mulheres não podem ser admitidas em suas fileiras. Bogdanov, que é maçom do 33º grau do Rito Escocês Antigo e Aceito, foi reeleito em junho de 2025 para um novo mandato de dois anos na assembleia geral da GLR, que celebrou seu 30º aniversário. A entidade possui aproximadamente 1.300 membros em 54 Lojas ativas e é reconhecida por mais de cem Grandes Lojas em todo o mundo.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

SOIS MAÇOM?

Ir∴ Francisco Geraldo Fernandes de Almeida 
Colaboração Ir∴ Deusdeth de Menezes Costa (Rio Branco)

Lembrava daquela forte dor no peito. Como viera eu parar aqui? O ambiente me era familiar. Já estivera aqui, mas quando?

Caminhava sem rumo.

Pessoas desconhecidas passavam por mim, contudo, não tinha coragem de abordá-las.

Mas espere! Que grupo seria aquele reunido e de terno preto?

Lógico! Não estariam indo e vindo de um enterro; hoje em dia não é tão comum pessoas irem a velório com roupa preta. É claro! São irmãos!

Aproximei-me do grupo. Ao me verem interromperam a conversa. Discretamente executei o sinal de Aprendiz, obtendo resposta.

A alegria tomou conta de mim. Estava entre amigos. Identifiquei-me.

Perguntei ansioso o que estava acontecendo comigo.

Responderam-me com muito cuidado e fraternalmente que havia desencarnado.

Não tinha mais dúvidas. Estava no Oriente Eterno. Fiquei assustado.

E a minha família, meus amigos, todos, como estavam?

- Estão bem, não se preocupe. No seu devido tempo você os verá, responderam.

Ainda assustado indaguei sobre o motivo de suas vestes.

- Estamos nos encaminhando ao nosso Templo Maçônico, foi a resposta.

- Templo Maçônico? Vocês tem um?

- Sim claro, por que não?

Senti-me mais à vontade, afinal, sou um grande inspetor geral e com certeza receberei as honras devidas a meu grau.

Pedi para acompanhá-los, no que fui atendido.

Ao fim de pequena caminhada divisei o Templo. Confesso que fiquei abismado, sua imponência era enorme. As Colunas do Pórtico eram majestosas, nunca vira nada igual. Imaginei como deveria ser seu interior e como me sentiria tomando parte nos trabalhos.

Caminhos em silêncio. Ao chegar no salão de entrada verifiquei grupos de irmãos conversando animadamente, porém, em tom respeitoso.

O que parecia o líder do grupo que me acompanhava chamou um irmão que estava adiante:

- Irmão Experto! Acompanhai o irmão recém chegado e com ele aguarde.

Não entendi bem. Afinal, tendo mostrado meus documentos, esperava, no mínimo, uma recepção mais Calorosa.

Talvez estejam preparando uma surpresa à minha entrada. Para um irmão Grau 33, não ;poderia se esperar nada diferente.

Verifiquei que os irmãos formavam o cortejo para entrada no Templo.

À distância, não pude ouvir o que diziam, no entanto, uma luminosidade esplendorosa cercou a todos.

Adentraram silenciosamente no Templo. Comigo ficou o Irmão Experto.

De tanta emoção não conseguia dizer nada. O tempo passou...não pude medir quanto.

A porta do Templo se entreabriu e o Irmão Mestre de Cerimônias encaminhando-se a mim comunicou que seria recebido. Ajeitei o paletó, estufei o peito, verifiquei se minhas comendas não estavam desleixadas e caminhei com ele.

Tremia um pouco, mas quem não o faria em tal circunstância? Respirei fundo e adentrei ritualisticamente no Templo.

Estranho...esperava encontrar luxuosidade esplendorosa, muito ouro e riqueza. Verifiquei, rapidamente, no entanto, uma simplicidade muito grande. Uma luz brilhante, vinda não se sabe de onde,iluminava o ambiente.

Cumprimentei o Venerável Mestre e os Vigilantes na forma usual.

Ninguém se levantou à minha entrada. Mantinham-se calados e respeitosos.

Não sabia o que fazer...aguardava ordens...e elas vieram na voz firme do Venerável Mestre:

- Sois Maçom?

Reconhecendo a necessidade do telhamento em tais circunstâncias, aceitei respondê-lo.

Estufei o peito, estiquei o corpo e respondi:

- MM∴II∴C∴T∴M∴RR∴

Aguardei, seguro, a pergunta seguinte. Em seu lugar o Venerável Mestre dirigindo-se aos presentes perguntou:

- Os Irmãos aqui presentes o reconhecem como Maçom?

Assustei-me. O que era isso? Por que tal pergunta? O silêncio foi total. Dirigindo-se a mim, o Venerável emendou:

- Meu caro irmão visitante, os irmãos aqui presentes não o reconhecem como Maçom.

- Como não? Disse eu. Não vêem as minhas insígnias? Não verificaram os meus documentos?

- Sim, caro Irmão, retrucou solenemente o Venerável Mestre, Contudo não basta ter ingressado na Ordem, ter diplomas ou insígnias. Para ser um Maçom é preciso, antes de tudo, ter construído o “seu Templo”.

E verificamos que tal não ocorreu com o Irmão. Observamos, ainda, que apesar de ter tido todas as oportunidades de estudo e de ter galgado ao maior dos graus, não absorveu seus ensinamentos. Sua passagem pela Arte Real foi efêmera.

Não pude agüentar mais. Retruquei:

- Como efêmera? Vocês que tudo sabem não observaram minhas atitudes fraternas? Fui interrompido.

- Irmão, vejamos então sua defesa...

Automaticamente desenhou-se na parede algo parecido com uma tela imensa de televisão e na imagem reconheci-me junto a um grupo de irmãos tecendo comentários desairosos contra a administração de minha loja. Era verdade. Envergonhei-me, Tentei justificar, mas não encontrava argumentos. Lembrei-me então, de minhas ações beneficentes.

Indaguei-os sobre tal.

E mudando a imagem como se trocassem de canal, vi-me colocando a mão vazia no tronco de beneficência. Era fato e, costumeiramente, o fazia por achar que o óbulo não seria bem usado.

Por não ter o que argumentar me calei e lágrimas de remorso brotaram-me nos olhos, iniciei a retirar-me cabisbaixo e estanquei ao ouvir a voz autoritária e ao mesmo tempo fraterna do Venerável.

- Meu Irmão, reconhecemos suas falhas quando pó orbe terrestre e na Maçonaria, contudo, reconhecemos, também, que o irmão foi iniciado em nossos augustos mistérios. Prometemos em suas iniciações protegê-lo e o faremos.

O Irmão terá a oportunidade de consertar seus erros, afinal, todos nós aqui presentes já os cometemos um dia.

Descanse neste plano o tempo necessário e, ao voltar à matéria para novas experiências, nós o encaminharemos novamente para a ordem Maçônica.

Sua nova caminhada com certeza será mais promissora e útil.

Saí decepcionado, mas estranhamente aliviado.

Aquelas Palavras parecem ter me tirado um grande peso. Com certeza ali eu desbastara um pedaço de minha pedra bruta.

Acordei, sobressaltado e suando. Meu coração disparado.

Levantei-me assustado com certa alegria no peito. Havia sonhado! Dirigi-me ao guarda-roupa. Meu terno ali estava.

Instintivamente retirei do paletó as medalhas e insígnias e as guardei em uma caixa, para nunca mais usar.

Ainda emocionado e com os olhos molhados de lágrimas dirigi-me à minha mesa e com as mãos trêmulas e cheio de uma alegria enlevante, indescritível, retirei o Ritual de Aprendiz-Maçom e decidi começar tudo de novo.

Devemos fazer de tudo, meus irmãos, para que esse pesadelo não se transforme em realidade na outra dimensão!!!

Fonte: JBNews - Informativo nº 318 - 12 de Julho de 2011