Meus amados Irmãos, se desejamos ser estáveis, é preciso antes compreender que a estabilidade não nasce do que nos acontece, mas do modo como escolhemos julgar o que nos acontece.
A essência do bem não está nas coisas externas, nem nos cargos, nem nos aplausos, nem mesmo nas dificuldades.
O bem, assim como o mal, reside em um tipo específico de escolha racional.
As coisas exteriores, meus Irmãos, são apenas matéria-prima.
Elas não carregam em si valor moral algum.
É o nosso julgamento que lhes dá forma.
Quando julgamos corretamente, a escolha se torna boa.
Quando julgamos de forma distorcida, a escolha se torna má, ainda que o objeto seja o mesmo.
Por isso, o homem verdadeiramente livre não se maravilha com o que é material.
Ele não se deixa conduzir pelo brilho das aparências, nem pelo peso das circunstâncias.
Ele aprende a filtrar o mundo externo pelo crivo da razão.
Os antigos estoicos chamaram esse estado de constância, tranquilidade e firmeza interior.
Não como fuga do mundo, mas como domínio de si no meio do mundo.
Essa estabilidade não é fruto da sorte.
Não nasce do isolamento, nem do silêncio imposto, nem da ausência de desafios.
Ela nasce da capacidade de ordenar interiormente o que é caótico exteriormente.
A razão é a ferramenta que nos foi dada para isso.
Ela toma os acontecimentos confusos, inesperados e muitas vezes duros da vida e os transforma em ensinamento, medida e direção.
Contudo, se abandonamos a razão, nossos julgamentos se deformam.
E quando o julgamento se deforma, tudo o que se segue se desorganiza:
— nossas palavras,
— nossas atitudes,
— nossos relacionamentos,
— e, por fim, nosso próprio Templo Interior.
O homem que não governa seus juízos não se mantém firme no caos.
Ele reage.
Ele oscila.
Ele se perde.
Por isso, se desejamos equilíbrio, clareza e estabilidade, devemos trabalhar onde sempre trabalhamos: em nós mesmos.
Não tentando controlar o mundo, mas aperfeiçoando o olhar com que o observamos.
Não eliminando o externo, mas disciplinando o interno.
Assim como lapidamos a pedra bruta, devemos lapidar nossos julgamentos.
Pois quem aprende a julgar corretamente, aprende também a escolher corretamente.
E quem escolhe corretamente, constrói dentro de si um Templo que não se abala com o ruído do mundo.
Que cada Irmão reflita.
Que cada Irmão observe seus próprios juízos.
E que cada Irmão se lembre:
A estabilidade não é ausência de tempestade,é firmeza no meio dela.
Fonte: Facebook_Aprendiz de Cavaleiro
Nenhum comentário:
Postar um comentário