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sábado, 6 de novembro de 2021

O PAPEL DO SÍMBOLO NO RITO FRANCÊS

O PAPEL DO SÍMBOLO NO RITO FRANCÊS
Joaquim G. Santos

No âmbito do debate Maçônico, quando se conjugam Simbolismo e Rito Francês emergem frequentemente alguns lugares comuns, que não são mais do que o reflexo de ideias que se foram cristalizando ao longo do tempo, tendo vindo a alimentar várias vulgatas e preconceitos, sobre o caráter mais ou menos simbólico deste Rito.

Entre Irmãos praticantes de Ritos com expressão litúrgica mais extensa (tais como o REAA ou o RAPMM) predomina a opinião de que o Rito Francês é simbolicamente mais pobre, fundando-se a mesma sobretudo no aspecto mais “despojado” dos seus Rituais de Loja Azul.

Pelo contrário, muitos Irmãos obreiros de Lojas Francesas defendem que o mesmo se trata de uma forma mais ligeira e pragmática de fazer Maçonaria, na qual se perde menos tempo com aspectos simbólicos e rituais extensos, que já não são importantes para o aqui e agora.

O que há de verdade nestas suposições e, em que medida na prática atual, se deve contextualizar o papel do Símbolo no Rito Francês?

Para se tentar encontrar respostas para estas questões, teremos de as enquadrar num âmbito mais vasto, que passa naturalmente por uma reflexão relativa à função do Simbolismo na Maçonaria, em geral.

Tal como o pensamento maçônico, que se tem vindo a alterar em função dos sucessivos contextos sociológico-politico-culturais que lhe são contemporâneos, também as opiniões dos Maçons no que concerne ao papel do Símbolo têm vindo a variar, e a diversificar-se ao longo do tempo.

Durante os primeiros 150 anos de Maçonaria Especulativa sobressaiu sempre a ideia de que os Símbolos Maçônicos eram uma chave de acesso a um conhecimento de Ordem Superior, inacessível aos profanos.

Esta suposição, epistologicamente, baseia-se no pressuposto de que o ser humano possui dois meios para procurar a Verdade – a Razão e a Intuição, e de que existiriam dois patamares de conhecimentos, sendo um deles acessível à inteligência racional do homem comum e, o outro apenas alcançável pela Intuição, guiada pelo método simbólico.

Nesta linha de ideias, que teve uma grande revigorarão na primeira metade do século XX com as perspectivas Wirthiana e Guenoniana, muito embora as diferentes posições sejam coincidentes no pressuposto de base de que o Simbolismo Maçônico é o meio de acesso privilegiado a verdades transcendentes, não são todavia nada consensuais no que concerne à natureza destas verdades.

Não existe, assim, na filosofia Maçônica que sustenta estas correntes de pensamento, uma definição única para a Verdade, para o Conhecimento, ou para a Transcendência, mas sim várias, em muitos casos inclusivamente incompatíveis entre si.

Uma concepção corrente, entre os que defendem estas teses, entende o Absoluto como sendo uma divindade revelada ou uma entidade simbólica (o Supremo Arquiteto do Universo), acendendo-lhe o Maçom através dos Símbolos, Mitos, e Alegorias, que dão corpo aos Ritos. Ainda hoje, este é o axioma de base que sustenta a Maçonaria Anglo-Saxônica, e os Ritos Continentais mais espiritualistas (RER e RAPMM).

Outra visão, também frequente, identifica este Absoluto como sendo algo de caráter misterioso, que foi perdido, e que só poderá ser reencontrado pela via iniciática, através da hermenêutica dos Símbolos.

Trata-se de uma perspectiva que se sustenta numa base de pensamento gnóstico, e que tem como exemplo mais marcante o ponto de vista de René Guenon, segundo o qual os Símbolos e os ritos iniciáticos consubstanciam a Tradição, permitindo a sua exegese a redescoberta de uma Tradição Primordial, que ultrapassa o que releva estritamente do humano.

Em correntes Maçônicas mais congruentes com visões ocultistas, este Absoluto é inclusivamente considerado de ordem mágica, tendo os Símbolos e os ritos o poder de conjurar forças superiores existentes no Cosmos, e de as utilizar para acender ao Conhecimento, projetando-o na vida diária de uma forma positiva. Foram defensores desta tendência Maçons como Martinès de Pasqually, Cagliostro, ou Mesmer.

Por último, e como consequência de toda esta confusão de entendimentos, encontramos ainda no discurso Maçônico dos defensores do Símbolo – via de acesso ao Absoluto, quem identifique esta Transcendência com o Símbolo em si, caindo na mais perfeita simbolatria, numa floresta de redundâncias, e de conceitos vagos.

Em qualquer destes casos, o método de acesso a Conhecimento, seja ele qual for, é sempre o mesmo, e enquadra-se no conceito de misticismo, tal como o define André Lalande no seu “Vocabulário Técnico e Critico da Filosofia”, segundo o qual este consiste na “crença na possibilidade de uma união direta e intima do espírito humano ao princípio fundamental do Ser, união que constitui simultaneamente um modo de existência e um modo de conhecimento estrangeiros e superiores à existência normal”.

Na segunda metade do século XIX, muito por força da emergência de correntes filosóficas racionalistas, tais como o positivismo, e de preocupações no âmbito da laicização e da secularização da sociedade, o Simbolismo passou a ser encarado de forma diametralmente oposta, sendo visto como um método de trabalho ultrapassado, associado a reminiscências religiosas ou supersticiosas, que deveria pura e simplesmente ser abolido da Maçonaria.

Como consequência destas ideias, amputaram-se rituais, simplificaram-se as decorações dos Templos, reduziram-se os paramentos, informalizou-se o vestuário a usar nas Sessões, relaxou-se a prática, mas não se acabou, em absoluto, com as formas tradicionais de trabalho Maçônico.

Mais recentemente, no pós-segunda guerra mundial, surgiu uma nova visão do papel do Símbolo na vivência Maçônica, que tem sido responsável pelo recrudescimento do interesse pelo Simbolismo, entre os Maçons contemporâneos.

Esta atribui ao Símbolo um papel de ferramenta introspectiva, na exploração das profundezas do Ser, desempenhando assim uma função nuclear, no acesso ao Conhecimento pelo saber-Ser.

Encontramo-nos, pois, no domínio da procura de respostas a questões de ordem ontológica, relacionadas, no tempo e no espaço, com as envolvências do ser humano consigo próprio, com os outros e, com o Cosmos, numa demanda do Conhecimento e da Verdade, que lhe poderá ajudar a resolver conflitos existenciais, e a encontrar a Felicidade, através da construção de uma Espiritualidade própria.

Esta perspectiva, que filosoficamente não rejeita nem a possibilidade de acesso a um conhecimento de ordem superior, nem o racionalismo, mas que, pelo contrário, pretende ultrapassar estas vias através de uma demanda globalizante, encontra-se bem ilustrada por Michel Barat, quando refere que “Neste sentido, eu sou platoniciano, porque para mim também o simbolismo persegue o percurso racional para a verdade, e não contradiz em nada o esforço de racionalidade. Se se quiser reter bem as revoluções epistemológicas do século XX, um dos traços fundamentais da modernidade é precisamente a descoberta que o não-racional não é a negação da racionalidade, mas a abertura de um campo maior”.

Face a todo este amplo panorama, como contextualizamos o papel atual do Símbolo no Rito Francês, tendo em conta as suas idiossincrasias, fruto da sua base filosófica e, do seu percurso histórico ?

Ao longo da história do Rito estiveram presentes várias destas visões do Simbolismo, encontrando-se as mesmas plasmadas nas sucessivas revisões dos Rituais dos seus Graus Simbólicos.

De Rito deísta, tal como configuram os seus rituais do final do século XVIII e da primeira metade do século XIX, a Rito profundamente marcado pelo positivismo, com acentuadas preocupações de laicidade, como emerge das revisões Amiable (1880 e 1887), Blatin (1907), e Gérard (1922), passando pelas perspectivas atuais nas quais, desde as revisões Groussier (1938 e subsequentes) e o aparecimento das variantes ditas “Tradicionais”, se assiste a uma recuperação do seu Simbolismo original, o Rito Francês esteve sempre muito consonante com as ideias dominantes dos sucessivos períodos que atravessou.

Não admira, pois, que o seu debate e reflexão filosófica tenham sempre estado muito focalizados para o aqui e agora, e para a ação na construção do Templo Exterior, tendo este aspecto sido muito refletido na visão que os seus praticantes têm vindo a assumir, no que concerne ao Simbolismo Maçônico.

Contudo, quem comparar os Quadros de Loja relativos aos primeiros três Graus do Rito Francês com os de outros Ritos tidos por mais simbólicos, poderá facilmente constatar que os símbolos envolvidos são, praticamente, os mesmos.

É certo que no discurso Maçônico neste Rito não se recorrem a analogias de origem alquímica, cabalística, ou templária, na medida em que a sua Maçonaria Azul se sustenta exclusivamente nos mitos da dualidade entre a Luz e as Trevas, na Construção do Templo de Salomão e, de Hiram.

Constitui também um facto que a base filosófica do Rito Francês, exclusivamente racionalista, pode limitar o campo de interpretação dos símbolos, na abordagem de questões filosóficas de foro mais ontológico, que não sejam acessíveis à razão.

Igualmente se constata que os rituais relativos aos seus Graus Simbólicos, em algumas das suas variantes, apresentam um corpo litúrgico mais despojado do que outras formas de prática Maçônica.

No entanto, em minha opinião, nenhum destes aspectos torna o Rito Francês mais pobre simbolicamente do que outros.

Um símbolo é sempre algo inteligível que se associa a uma ideia, um significante que pretende representar um significado.

Será no significante, ou no significado, que se encontra a verdadeira riqueza do Símbolo?

O que é que deve ser mais valorizada, a hermenêutica do Símbolo Maçônico em si, nas suas múltiplas possíveis interpretações, ou a reflexão sobre os Valores que o mesmo suscita ?

Em minha opinião o Símbolo Maçônico é, fundamentalmente, uma ferramenta de reflexão filosófica, pelo que a valorização não deve estar centrada no mesmo “de per si”, mas sim na mensagem que transmite, uma vez que este constitui apenas um canal de comunicação.

Daí que, pessoalmente, entendo que não faz sentido comparar os Ritos Maçônicos em termos de riqueza ou pobreza simbólica, na medida em que são vias distintas, mas que na sua essência perseguem os mesmos objetivos de Libertação, Construção e, de Ligação pela Fraternidade.

Poder-se-á discutir se um sistema que permite um campo de interpretação dos seus símbolos mais estrito ou mais amplo será mais ou menos eficaz na focalização das suas exegese para os aspectos mais essenciais a transmitir, mas esta é uma reflexão que deixo para cada um a fazer.

Em minha opinião considero que as diferentes formas de trabalho Maçônico são mais complementares do que antagônicas, possibilitando a sua coexistência que cada um encontre o Canteiro mais adequado às asperezas especificas da sua Pedra Bruta.

Tendo pois em conta que o Rito Francês, para além das suas dimensões filosófica e societária, não deixa de ter uma vertente simbólica, subsiste a questão relativa ao papel que nele hoje assume esta componente.

Atendendo a que não sustento que a Maçonaria, na sua concepção adogmática, seja uma religião substituída, ou uma anti-religião, mas sim uma não religião, sem prejuízo de não deixar de ser uma forma de Espiritualidade Laica, não me parece que continuem a fazer sentido, neste âmbito, visões místicas do Simbolismo.

No Rito Francês, em particular, sempre houve aliás uma preocupação de não se perderem de vista as questões da realidade concreta, como atesta a referência do “Régulateur du Maçon” segundo a qual o recipiendário, logo à entrada na Câmara de Reflexões, era confrontado com um esqueleto, ou um crânio, que “recordarão ao neófito as coisas humanas”.

No que concerne ao papel introspectivo do Símbolo, confesso a minha ignorância de Psicologia das “profundezas” para poder ter uma opinião cientificamente fundamentada, pelo que deixo aos Irmãos mais versados neste domínio a possibilidade de acrescentarem uma Pedra mais trabalhada do que a minha.

Parece-me, todavia, indiscutível, da minha vivência pessoal, que a percepção do Símbolo, sendo especificamente própria, não decorre de um processo estritamente consciente e racional, envolvendo componentes sensoriais, cinestésicas e, emocionais resultantes da prática de ritos iniciáticos, que se enquadram na estrutura ternária dos Ritos de Passagem, tal como foi tipificada pelos antropólogos Van Gennep e Victor Turner.

A Irmã Céline Bryon-Portet, investigadora no domínio das Ciências da Comunicação, realizou um interessante trabalho sobre o método Maçônico, no qual concluiu que “o ritual Maçônico assenta sobre a intuição que o Homem consiste numa vasta estrutura de relações externas e internas, cujo aperfeiçoamento depende de uma alquimia comunicacional a vários níveis. Propondo um modelo de interação global, fundado não apenas no “dizer”, mas também no “ver”, no “fazer” e no “sentir”, ele utiliza o princípio de triangulação da utilização da palavra, da gestualidade assim como da gestão espaço-tempo, que visa a produzir uma dialética visível-invisivel, transcendência-iminência, teoria-prática. In fine, este deve engendrar uma triangulação do agente ele próprio (…) quer dizer uma transmutação do indivíduo pela reconciliação dos contrários que opera o modelo ternário, preludio à unificação final do Ser.”

Como ela, acredito que os ritos Maçônicos, na sua essência de Simbolismo em movimento, podem realmente propiciar uma alteração ontológica de quem os pratica, fundamentando esta suposição apenas no facto de as minhas opiniões se terem alterado substancialmente, no decurso do meu percurso iniciático, relativamente a várias questões, anteriormente tidas por indiscutíveis.

O Símbolo não tem só pois, por missão, transmitir um conceito mas, acima de tudo, de colocar aqueles a quem se apresenta num estado de receptividade, de intuição e, de reflexão filosófica, permitindo-lhes a realização de um trabalho sobre si próprios, que os levará, progressivamente, a construir a sua Ética pessoal, e a interiorizar Valores, que lhe permitirão alterar a sua ação, e a sua relação com os outros.

Por isso concordo triplamente com a Irmã Céline Bryon-Portet, quando ela refere que “O ritual Maçônico não pode assim ser benéfico desde que não seja rigoroso e que o seu sentido seja perfeitamente compreendido”.

A prática inconsciente dos ritos Maçônicos apenas pode dar origem a condicionamentos do tipo Pavloviano, à semelhança do que sucede em determinados rituais militares, bloqueando todo o processo de Transmissão. A execução relaxada dos mesmos implicará sempre deficiências nesta Transmissão.

Não é difícil de constatar que mesmo nas suas formas mais despojadas, continuamos a encontrar no Rito Francês as características especificas do método Maçônico, referidas pela Irmã Céline Bryon-Portet, que o tornam num modelo de comunicação singular, que propicia operar-se um processo de mediação-transformação, no âmbito do próprio participante.

Como tal, podemos considerar-lhe aplicáveis as considerações atrás tecidas, no que concerne ao papel do Simbolismo nos Ritos Maçônicos.

Outro aspecto importante é que decorre da Simbólica um imaginário comum, partilhado por todos os Maçons, ao qual vão buscar uma linguagem específica, baseada na Construção, na Geometria, nos Números, que os une e identifica, reforçando a sua coesão de grupo, e facilitando a aproximação e o dialogo entre Irmãos.

A Simbólica constitui, pois, um patrimônio partilhado, de caráter Universal, com efeitos não menosprezáveis como elemento de ligação entre os Irmãos que, a coberto, se unem debaixo da mesma Abóbada Celeste para trabalharem do Meio Dia à Meia Noite, e para unirem as mãos na mesma Cadeia de União, na qual assumem um compromisso coletivo de irradiarem fora do Templo as verdades ali adquiridas, em prol do Progresso da Humanidade, e da aproximação de todos os seres humanos pela Fraternidade.

Por último, é importante não esquecer que a natureza polissêmica intrínseca do Símbolo favorece o aparecimento de interpretações diferentes, as quais quando confrontadas, lhe conferem um valor pedagógico elevado na interiorização da Tolerância.

Na hermenêutica simbólica todas as opiniões estão certas, desde que respeitem os valores Maçônicos, e o contexto do Grau no qual se trabalha, pelo que cada Irmão, quando intervém, não contradiz, apenas acrescenta. A liberdade que possui, para formular a sua interpretação, serve também para ilustrar/reforçar o caráter adogmático da Maçonaria.

São pois estes os aspectos que, em minha opinião, definem o papel atual do Simbolismo no Rito Francês, em cuja prática deve ser racionalmente compreendido, e corretamente vivenciado, de modo a poder ser interiorizado de uma forma útil.

Concordo pois, por três vezes três, com o comentário do Irmão Jean-Charles Nehr (um dos refundadores do Grande Capitulo Geral do Rito Francês do GOdF), que refere “No meu sentido, este regresso do Símbolo pode também ser considerado como o simples restabelecimento de uma verdade de evidencia: o que faz o Maçom deve ser bem feito, ou então ele não merece usar o titulo de Maçom do qual se honra. Isto é válido também para o Simbolismo e o Ritual (…) é necessário praticá-los com a maior dignidade. É o mais elementar dos sinais de respeito do Maçom por si próprio, pelos outros Maçons, e pelos profanos que pedem para ser recebidos como Maçons”.

O Simbolismo está, assim, na essência do método Maçônico, pelo que negligenciá-lo, no meu entendimento, não é fazer Maçonaria, é tão somente perder tempo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
  • Barat Michel ”La conversion du regard”, Editions Albin Michel, Paris, 1992;
  • Bouchard Maurice e Michel Philippe ”Rit français d’origine 1785: dit Rit Primordial de France”, Dervy éditions, Paris, 2014;
  • Boucher Jules ”A Simbólica Maçónica”, Editora Pensamento, São Paulo, 1979;
  • Bryon-Portet Céline ”Le principe de triangulation dans les rites maçonniques: un modele de comunication originel et ses effets”, Communication, Vol 27/1, 2009;
  • Lalande André ”Vocabulaire technique et critique de la philosophie”, PUF, Paris, 2010;
  • Lévy Jean-Bernard ”Mites et rites: à quoi ça sert”, Dervy éditions, Paris, 2013;
  • Mainguy Iréne ”La Symbolique maçonnique du troisième millénaire”, Éditions Dervy, Paris, 2006;
  • Marcos Ludvic ”Histoire Illustrée du Rite Français”, Éditions Dervy, Paris, 2012;
  • Mazet Edmond ”Note Historique sur le Rite Français”, Paris, 2007;
  • Nehr Jean-Charles e Porset Charles ”Symbolisme et Franc-Maçonnerie”, À l’Orient, Paris, 2008;
  • Ritual ”Régulateur du Maçon”, 1801;
  • Thomas Philippe ”Le parcours initiatique au Rite Français”, 2006;
  • Trébuchet Louis ”La spiritualité: à quoi ça sert”, Dervy éditions, Paris, 2013;
  • Vincent Frédéric ”Les Symboles Maçonniques: à quoi ça sert”, Dervy éditions, Paris, 2013;
  • Wirth Oswald ”La Franc-Maçonnerie rendue intelligible à ses adeptes”, Éditions Dervy, Paris, 2007.
Fonte: http://ritoserituais.com.br

sexta-feira, 5 de novembro de 2021

CONSIDERAÇÕES E QUESTÕES RITUALÍSTICAS

CONSIDERAÇÕES E QUESTÕES RITUALÍSTICAS
(republicaçào)

Considerações e questões apresentadas pelo Respeitável Irmão Edson Vinhas da Silva, Orador de Ofício da Loja Construtores do III Milênio, 3.158, REAA, GOB, Oriente de Cascadura, Estado do Rio de Janeiro.
vinhassilva@bol.com.br

Eminente Irmão. Gostaria de parabeniza-lo pela gama de conhecimento sobre o Rito Escocês Antigo e Aceito, o que nos possibilita gradativamente conseguir por em prática na nossa Oficina, os rituais e normas (RGF e outros) vigentes a partir de 2.009, que sem dúvida encontram resistências por parte de Irmãos que voltam a se regularizar, que foram Mestres Instalados na década de 1.980 a 1.990 e por aí vai. 

Duas questões que foram colocadas em Loja. Uma por parte do Irmão Chanceler de Ofício, questionando o porquê de atualmente os altares do Chanceler e do Tesoureiro não mais é acesa a luz, atualmente? A outra é se o Irmão Experto usa máscara nas iniciações, elevações e exaltações?

Questão formulada por outro Oficial. E por fim, por que foi retirado no REAA, ao final da Sessão o
termo “eu juro” mantido em outros Ritos? Também por outro Oficial qual a posição correta sentado do Cobridor com a espada, e como o mesmo deve portá-la ao ser convocado na Sessão? Sei o Respeitável e digno Irmão, por contingência do cargo e dos seus afazeres ritualísticos e profanos encontra-se às vezes assoberbado de tarefas, mas mesmo assim agradeço a atenção dispensada. 

Ainda outras questões: Ainda existe o Sinal de Socorro no REAA, na Maçonaria Gobiana que era transmitida no Grau de Mestre?  

Questão em Loja: Por que o Mar de Bronze foi modificado no REAA Gobiano?

O uso das luvas atualmente é facultativo ou obrigatório nas Sessões Magnas?

Questão em Loja: É permitido o uso de terno azul marinho e gravata borboleta nas sessões ordinárias e magnas?

CONSIDERAÇÕES:

1 - Luz nas Mesas do Chanceler e do Tesoureiro – O ritual em vigência cumpre a tradição do Rito em questão. Luzes litúrgicas são apenas aquelas colocadas sobre o Altar ocupado pelo Venerável Mestre e mesas dos Vigilantes. No Rito Escocês Antigo e Aceito verdadeiramente não existem outras Luzes e cerimônias nesse sentido. Os procedimentos que porventura houveram em rituais passados eram fruto de enxertia e “achismo”, assim o GOB deixou na sua prática apenas as Luzes que se referem às “Luzes da Loja” (Venerável Mestre, Primeiro e Segundo Vigilantes), acesas em número coerente com o Grau em que a Loja estiver trabalhando.

2 – Capuz e o Experto – O uso do capuz para o Oficial em questão está previsto apenas para a cerimônia de Iniciação na oportunidade das suas preliminares quando o Candidato é apresentado. Não está previsto o uso do artifício na Elevação e na Exaltação. A vestimenta da peça está augurada apenas na Iniciação dado em conta que o Candidato só é vendado após ser introduzido no edifício, recomendando-se que o mesmo não veja ninguém, senão o seu introdutor. Nesse sentido o Experto estará encapuzado e sem insígnias para que simbolicamente o Candidato nada reconheça. Somente após ter sido vendado o coadjuvante é que o Experto dispensará o Capuz. Assim o uso do capuz é restrito apenas às preliminares do ato iniciatico, não devendo ser usado durante a Sessão Magna de Iniciação. O procedimento está explicitado no Ritual de Aprendiz (REAA) em vigência em sua página 95. Ainda fica esclarecido que na Sessão Magna em Loja o Experto (sem capuz) estará vestido conforme a legislação e revestido das suas insígnias.

3 – O termo “eu juro” – Se outros Ritos fazem uso do termo, não cabe aqui comentário. Em se tratando do Rito Escocês Antigo e Aceito esse costume foi retirado pela sua redundância. Isso porque o conteúdo da obrigação prestada durante o “juramento” na Iniciação, Elevação e Exaltação prevê a finalidade. O juramento ao ser prestado cerra o objetivo, sendo, portanto redundante se jurar mais do que uma vez para o mesmo afim. Trocando em miúdos o que está “jurado”, está “jurado” e ponto final. O uso do termo “eu juro” no final de cada sessão no Rito em questão daria a nítida impressão de que o compromisso assumido por ocasião do juramento solene da Sessão Magna estaria sujeito ao descumprimento, sendo necessária a sua ratificação a cada encerramento dos trabalhos de uma Loja. Indubitavelmente isso não faz sentido algum.

4 – A espada e o Cobridor – O Cobridor somente empunha a espada (sempre com a mão direita) por dever de ofício ou quando o Ritual orientar. Estando o Cobridor (sempre um Mestre) sentado manterá a espada presa a faixa de Mestre em dispositivo conforme orienta o ritual de Mestre em vigência na última oração (página 22 do Ritual) – “Na extremidade interna da faixa, existe uma presilha que serve de suporte para espada”. Caso a Loja possua um dispositivo especial do tipo “talabarte” com bainha, o Cobridor dele pode fazer uso. Também é permitido, porém em caráter precário, que a espada fique presa a um dispositivo fixado atrás do encosto do assento. Se por dever de ofício estando o Cobridor em pé empunhando a espada, esta estará em riste segura pela mão direita e junto ao lado direito do corpo (altura da cintura), cuja mão direita estará colada ao quadril direito, tendo o respectivo braço e antebraço afastados do tronco – corpo ereto e os pés em esquadria na forma de costume. Outras situações: em deslocamento o Cobridor somente empunhará a espada nos casos previstos no ritual, caso contrário ele a manterá embainhada. Durante a verificação por ocasião da abertura dos trabalhos ele não precisa desembainhar a espada, bastando que na porta seja dada a bateria com a mão direita. O Cobridor em pé e parado em Loja aberta estando à espada embainhada este comporá o Sinal do Grau na forma de costume (com a[s] mão[s]) - apenas não se faz Sinal com o instrumento de trabalho, o que significa não usá-lo para fazer o Sinal. Assim já está previsto o dispositivo para prender a espada na faixa do Mestre. No Rito Escocês Antigo e Aceito devem ser evitadas posições em que o cobridor sentado apoia a ponta da espada sobre o piso sob a alegação de descarregar energias, ou outras coisas do gênero. Isso no Rito em questão é um despropósito e não faz parte do seu arcabouço doutrinário, afinal nos cargos da Loja não existe o cargo de Irmão Para-raios.

5 – Sinal de Socorro – Está previsto no Ritual de Mestre em vigência dele a pagina 39, Cobridor do Grau de Mestre (REAA), parágrafo 3º.

6 – Mar de Bronze – As explicações estão contidas no Ritual de Aprendiz do Rito Escocês Antigo e Aceito em vigor, páginas 19 e 20.

7 – Luvas na Sessão Magna – Não está mais previsto, sendo, portanto facultativo o uso das mesmas. O que está previsto é a entrega dos pares das mesmas ao neófito como elemento simbólico por ocasião da Iniciação, porém não mais literalmente o seu uso. Em linhas gerais o objetivo da entrega das luvas possui uma lição de moral e liberdade com responsabilidade, daí a sua essência ter um caráter simbólico e não de uma insígnia ou paramento.

8 – Terno azul marinho e gravata borboleta – Está presente no Artigo 110 do Regulamento Geral da Federação dando enfoque que o uso estará de acordo com o Rito. Assim, conforme o que exara o Ritual em vigor de Aprendiz para o Rito Escocês Antigo e Aceito está escrito na página 33: “(...) obrigatória nas Magnas..., terno, sapatos, cinto e meias na cor preta, camisa branca, gravata (preta, lisa sem ornamentos, modelo tradicional ou borboleta), podendo portar somente suas insígnias e condecorações relativas aos graus simbólicos.” No parágrafo seguinte há ainda a referência sobre o uso correto do balandrau nas “demais sessões”. Assim, em relação ao terno azul marinho ele não está mais previsto. Quanto à gravata borboleta é ainda questionável, embora prevista. À bem da verdade a gravata borboleta não é tradição no Rito Escocês, assim ficaria melhor o uso da gravata tradicional.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 606, Florianópolis (SC) 25 de Abril de 2012.

A ABERTURA DA LOJA

A ABERTURA DA LOJA
Ir.·. Antonio J. Velásquez
Membro da ARLS.·. Hans Hauschidt nº 175
Or.·. de Ciudad Guayana

O Ritual de Abertura, assim com o de Encerramento, dos trabalhos em Loja é, talvez, um dos mais importantes dentro do simbolismo maçônico. Ele dá os passos necessários para passar do mundo profano para um estado superior de existência ou, em outras palavras, passar da aparência à realidade, sempre e quando cumpramos com uma série de atitudes e disposições.

É por isso que a palavra ritual significa "DE ACORDO COM UMA ORDEM". É penetrar em um plano supra-espacial e atemporal, o qual vai sendo criado e desenvolvido no interior de cada um dos irmãos presentes à sessão, proporcionalmente ao grau de concentração que se tenha para esse momento.

Abrir os trabalhos é abrir nossa Loja Interior, é fazer uso das primeiras palavras do axioma hermético "Visita Interiora Terrae... (Visita o Interior da Terra...), mas para que isso seja possível devemos obter a calma interior, abstraindo-nos das preocupações profanas e fazendo Silêncio, para que o Venerável, então, possa dizer: Em Loja, meus Irmãos.

quinta-feira, 4 de novembro de 2021

POSIÇÃO NA GENUFLEXÃO (AJOELHAR)

FORMAS DA GENUFLEXÃO
(republicação)

Em 02/06/2017 o Respeitável Irmão José Luiz Horner Silveira, Loja Renovação, 3.387, REAA, GOB-SC, Oriente de Florianópolis, Estado de Santa Catarina, através do meu Blog, http://pedro-juk.blogspot.com.br solicita esclarecimentos.

Em primeiro lugar agradecer pelo seu blog, está muito bom mesmo, já era leitor seu na revista A Trolha e no saudoso JB News, mais uma vez venho a recorrer a sua sabedoria e conhecimento da Maçonaria em geral e do REAA. Segue abaixo minha dúvida.

SESSÃO MAGNA DE INICIAÇÃO – Ritual de Aprendiz Maçom. 
Como o candidato ajoelha com dois joelhos no Altar do 1° Vigilante para leitura da Oração pelo 1° Vigilante - Página 109;

Como candidato ajoelha com joelho esquerdo para juramento do candidato no Altar dos Juramentos – Página 131;
Como o neófito ajoelha com joelho direito para consagração - Página 135;
Como o Aprendiz ajoelha com joelho esquerdo para trabalhar na Pedra Bruta junto ao 1° Vigilante - Página 139;

SESSÃO MAGNA DE ELEVAÇÃO – Ritual de Companheiro Maçom.
Juramento e consagração a Companheiro (ajoelha com joelho esquerdo) – Página 85;
Primeiro trabalho como Companheiro na Pedra Cúbica (Ritual não informa qual forma de ajoelhar) – Página 88;

SESSÃO MAGNA DE EXALTAÇÃO – Ritual de Mestre Maçom.
Juramento como Companheiro (dois joelhos) – Página 112;
Juramento e consagração a Mestre (dois joelhos) – Página 128;

SESSÃO MAGNA DE INSTALAÇÃO – Ritual de Instalação.
Declaração de compromisso e de fidelidade do Venerável a ser Instalado diante do Altar dos Juramentos se posiciona de acordo com as formalidades do Rito (qual joelho?) – Neste momento estão Companheiros, Mestres e Mestres Instalados no Templo.
Momento da Oração – Página 54 – Somente Mestres Instalados no Templo, Venerável a ser Instalado diante do Altar dos Juramentos se posiciona de acordo com as formalidades do Rito (qual joelho?) 
Juramento dos empossados – Página 91 - Irmãos que serão empossados diante do Altar dos Juramentos se posicionam de acordo com as formalidades do Rito (qual joelho?)

CONSIDERAÇÕES:

Genuflexão – do latim: geniculatio, onis, derivado de genu = joelho + flectere = dobrar; substantivo masculino menciona o ato de se ajoelhar, dobrar o joelho. Prática comum na Maçonaria em muitos dos seus atos e através dos seus ritos, geralmente é realizada nas iniciações e mudanças de graus, existindo inclusive em alguns costumes (Emulação, por exemplo) o “banco de ajoelhar” que é uma espécie de genuflexório. A genuflexão simboliza submissão e humildade.

O ato de se ajoelhar é costume adquirido dos tempos em que a igreja era protetora das Corporações de Ofício medievais o que acabou se estendendo até a Moderna Maçonaria, como é o caso do REAA.'. e a atual prática especulativa da genuflexão feita com os dois joelhos pelo Candidato quando da oração feita em seu favor que ocorre junto à mesa ocupada pelo Primeiro Vigilante.

Já durante a tomada da Obrigação (juramento) e na Consagração do Aprendiz, o mesmo se coloca em genuflexão diante do Altar dos Juramentos com o joelho esquerdo sobre o chão. Essa mesma postura ele assume quando prestar o seu primeiro e o último trabalho na Pedra Bruta (na Iniciação e Elevação respectivamente).

Na Elevação, quando da tomada da Obrigação e Consagração, bem como do primeiro trabalho na Pedra Cúbica, o Companheiro coloca sobre o chão o seu joelho direito, enquanto que na Exaltação o Mestre, em posição genuflexa, coloca os dois joelhos sobre o chão. 

Em síntese, no Rito em questão, no Juramento e Consagração o Aprendiz se ajoelha com o joelho esquerdo, o Companheiro com o direito e o Mestre com ambos. Isso se dá, segundo alguns tratadistas, porque em se estando de frente para o Oriente o joelho esquerdo corresponde ao lado Norte, lugar dos Aprendizes; o joelho direito ao lado Sul, lugar dos Companheiros e ambos os joelhos Norte e Sul onde o Mestre tem, além do Oriente, livre trânsito. Eu prefiro pensar que é apenas uma forma de diferenciar procedimentos por graus, porém essa é apenas a minha opinião.

Dados esses comentários, essa seria a forma correta de proceder à genuflexão nos três graus simbólicos do Rito Escocês, mas desafortunadamente muitos dos seus rituais em vigência apresentam contradições, cujas mesmas, eu prefiro pensar, que ocorreram por provável erro de digitação ou de impressão na confecção dos mesmos. Penso que é o caso do que foi mencionado a sua questão.

Já no que diz respeito à Instalação, pense que quem é instalado (toma posse) obrigatoriamente é um Mestre Maçom, portanto a genuflexão prevista na cerimônia deve ocorrer também com os dois joelhos, tal qual ele se posicionou na sua Exaltação – um Mestre Instalado é um Mestre Maçom que possui um título distintivo (honorífico) de Instalado, o que não é nenhum grau.

Quanto à posse dos Vigilantes, demais Dignidades e Oficiais da Loja a tomada de compromisso para o cumprimento do dever de ofício se dá com todos em pé diante do Altar dos Juramentos formando duas colunas. Os dois primeiros (Vigilantes), em pé, colocam a mão direita sobre as Luzes Emblemáticas enquanto que os demais descansam a sua mão direita no ombro (esquerdo ou direito – conforme previsto no Ritual) daquele que estiver imediatamente à sua frente. 

Quem presta juramento (em genuflexão) é o Mestre que é Instalado na cadeira como Venerável Mestre da Loja, enquanto os demais, embora as formalidades diante do Altar dos Juramentos, apenas se comprometem a cumprir o seu dever de ofício. 

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

FRASES ILUSTRADAS

 

COMPROMISSO

COMPROMISSO
Rui Bandeira

Porque a Maçonaria é um contínuo exercício de dar e receber entre cada maçom e os seus Irmãos, cada um aperfeiçoando-se através do que obtém do contributo do trabalho dos demais, a condição do sucesso nessa pretendida melhoria de todos pode resumir-se numa palavra: COMPROMISSO.

COMPROMISSO em relação à assiduidade de cada um (pois quem não está, não participa). 

COMPROMISSO em relação ao cumprimento dos deveres de cada um, designadamente quanto ao pagamento das respetivas quotas (pois a manutenção da estrutura tem custos, que necessariamente têm de ser equitativamente suportados por todos os que a integram). COMPROMISSO em relação ao trabalho, ao estudo individual, em relação à partilha dos resultados do seu esforço.

Uma Loja maçónica potencia, acrescenta, valoriza, através de todo o grupo, a valia individual de cada um. É um fermento que auxilia no crescimento da massa que cada um amassa. Mas o fermento de nada serve se não houver farinha para amassar ou se ninguém se dispuser a executar ou a cooperar na tarefa de fazer a massa...

Uma Loja maçónica vale a soma do valor de cada um dos seus obreiros, acrescentada da mais-valia resultante das sinergias, complementaridades e eficiências geradas pela cooperação no grupo. Mas de nada serve o valor que potencialmente algum elemento possa dar ao grupo. Só importa o que efetivamente dê, transmita, acrescente.

Uma Loja de eminentes pessoas que se juntem apenas dar conta das respetivas eminências mas se não deem ao trabalho de produzir, fazer, compartilhar, pode ser uma eminente Loja - mas está na iminência de ser um completo e absoluto fracasso!

Por seu turno, uma Loja que agrega homens comuns, sem particular engenho, sem especial importância, sem extraordinária inteligência, se estes dedicada e persistentemente trabalharem, partilharem, propuserem projetos, debaterem e executarem alguns, fará sucessivamente pequenas coisas, modestos empreendimentos, pequenas obras - mas o conjunto do que fará terá cada vez mais significado. Cada um sentir-se-á satisfeito com cada pequena conquista e propenso a continuar a ajudar, a colaborar, a propor, a fazer.O esforço de cada um, devidamente coordenado, propicia resultados coletivos visíveis. Essa Loja pode ser de formiguinhas - mas será uma Loja bem mais satisfatória do que a "eminente" Loja de homens eminentes que nada façam além de observarem as suas mútuas "eminências"...

O COMPROMISSO tem de ser persistente, constante. De pouco vale hoje o que se fez de bom há anos atrás. Será uma história bonita, mas é já passado. Serve como exemplo, como inspiração, mas não substitui o trabalho de hoje para lograr a realização de amanhã.

O maçom que se queixa de que a sua Loja nada faz, que as sessões "são sempre a mesma coisa", se só faz essa constatação e nada mais faz para superar aquilo de que se queixa, esse é precisamente um dos culpados da situação que acusa. É estulto queixar-se que "a Loja não tem projeto". O que há a fazer é tomar a iniciativa de fazer, ele próprio, algo que considere valha a pena ser feito - por pequeno, por modesto que seja. E, pelo exemplo e persuasão, levar outros da Loja a também tomarem a iniciativa de fazer pequenas coisas. Ao fim de algum tempo, três, cinco, dez, vinte pequenas coisas feitas já constituem algo que se veja, algo que merece alguma satisfação pelo dever cumprido...

Ou então, em vez de se aguardar, expectante mas indolentemente, que a Loja imagine, descubra, prepare, debata, organize e execute o fantástico, importantíssimo e relevantíssimo projeto que gravará a letras de ouro o nome da Loja nos anais da História Maçónica e quiçá mereça uma nota de rodapé nos manuais do ensino elementar das futuras gerações, talvez seja melhor conceber um pequeno projeto, dar vida a uma ideia cuja forma final ainda nem sequer se saberá qual vai ser, combinar com dois ou três dos seus Irmãos e começarem a executar. Não é necessário que toda a Loja formalmente adote o projeto (mas convirá que não se trate de iniciativa que mereça a discordância da Loja...). Dois ou três começam. Dois ou três ou quatro dão os primeiros passos de algo que é feito em nome da Loja, enquanto elementos da Loja. Se efetivamente a ideia tiver pernas para andar, mais cedo do que mais tarde os demais ajudarão, incentivarão, participarão. E, quando nos damos conta, o projeto é já mesmo o projeto da Loja - não dos dois, três ou quatro que o iniciaram - e terá condições para ser prosseguido enquanto houver Loja...

Na Loja Mestre Affonso Domingues nunca nos preocupámos em fazer grandes organizações. Tudo o que na nossa Loja se foi fazendo começou da mesma maneira: dois ou três ou quatro conversam e avançam, os outros vão dar uma ajuda e, sem disso nos darmos conta, o que se faz é já de todos, é já da Loja. Foi assim que começaram as ações de doação de sangue - e há mais de dez anos que periodicamente ajudamos neste campo. Por vezes com poucas doações, outras vezes com mais gente a associar-se. Mas faz-se! Quem começou já não está na Loja há muito tempo. Os mais novos nem sequer ouviram falar dele. Mas a semente que lançou germinou e, mais de dez anos passados, uns anos mais, outros anos menos, os frutos continuam. É um contributo modesto, quase apenas umas gotas no oceano das necessidades, sabemo-lo. Mas persistirmos em dar esse contributo modesto e esperamos continuar a fazê-lo por muitos mais anos. É do conjunto de todos os modestos contributos que se satisfazem as necessidades de sangue no País.

Este blogue começou por ideia de um, concretização de outro e imediata adesão de um terceiro. Os três autores iniciais não criaram o "seu" blogue. Criaram um "blogue escrito por maçons da Loja Mestre Affonso Domingues". Oito anos passados, outros se juntaram, mais de 1.300 textos estão à disposição de quem os quiser ler. E espero que continue mesmo quando já nenhum dos mentores iniciais nele escrever...

O sítio da Loja foi criado por iniciativa de um, com a ajuda de outro, foi remodelado e mantido por um terceiro, que conta agora com a ajuda de um quarto e os contributos de todos os obreiros da Loja. Contém já um enorme acervo de textos postos à disposição de qualquer pessoa.

A Loja não gastou um minuto sequer a discutir se criava um sítio na Internet ou se mantinha um blogue. Uns avançaram, outros ajudaram, todos contribuem quando é preciso ou têm disponibilidade. Mas a obra está feita e está à vista de todos. E não é obra do Manuel, do António ou do Joaquim. É obra dos obreiros da Loja Mestre Affonso Domingues.

Os obreiros da Loja Mestre Affonso Domingues têm um COMPROMISSO com a Loja. É estarem presentes. É tudo livre e lealmente debaterem, sem o mínimo problema, tolerando as posições divergentes, cada um concordando ou discordando quando assim o entender, e todos sermos um grupo unido e solidário. É cada um sentir-se à vontade para arrancar com um projeto, executar uma ideia, pedindo e obtendo, ou obtendo mesmo sem pedir, o apoio e a colaboração de outros obreiros - se valer a pena e for necessário, de toda a Loja.

O COMPROMISSO dos maçons da Loja Mestre Affonso Domingues não é de fazer a mais importante e merecedora de elogios obra que o espírito humano possa conceber, O seu COMPROMISSO é ajudar o seu Irmão a levar a cabo a sua ideia, é avançar com a execução das nossas ideias, sabendo que algum ou alguns dos nossos Irmãos estará ou estarão presentes com a sua ajuda.

O nosso COMPROMISSO na Loja Mestre Affonso Domingues é ir fazendo, em cada momento, o que for preciso para ajudar. Assim fazemos. Às vezes mais, às vezes menos, às vezes muito, às vezes pouco, às vezes bem, às vezes nem tanto assim. Mas, bem vistas as coisas, sempre algo se faz!

Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br

quarta-feira, 3 de novembro de 2021

POTÊNCIAS MAÇÔNICAS

POTÊNCIAS MAÇÔNICAS
(republicação)

O Respeitável Irmão Elvo Adami, Loja Duque de Caxias III, Rito Escocês Antigo e Aceito, sem declinar o nome da Obediência, Oriente de Caxias do Sul, Estado do Rio Grande do Sul.
e.adami@terra.com.br

Recebo pela internet o Jornal JB News e tenho apreciado muito sua respostas as perguntas formuladas pelos Irmãos, diante disto, me animei para solicitar, se possível, informações sobre as Potências Maçônicas reconhecidas (fundação, alguns dados históricos etc.), ainda alguma coisa sobre as potencias espúrias e quais são. Meu pedido prende-se ao fato de não possuir maiores informações em meu arquivo sobre assuntos maçônicos.

EXPLANAÇÕES:  

No Brasil atualmente existem três Obediências tidas com reconhecidas entre si, o que poderia se argumentar como “Obediências Regulares” – Grande Oriente do Brasil, Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e Grandes Orientes Independentes (COMAB).

Na questão do reconhecimento internacional diretamente relacionado à Grande Loja Unida da Inglaterra teríamos o Grande Oriente do Brasil. 

Em relação às outras duas Obediências, nessa questão de reconhecimento internacional, a prudência me faz não opinar, simplesmente porque sou Obreiro regular do Grande Oriente do Brasil, daí tecer considerações nesse sentido sobre as outras duas coirmãs não me parece muito ético.

Na história da Maçonaria regular brasileira a partir do ano de 1.800 a Obediência mãe é indubitavelmente o Grande Oriente do Brasil (à época Grande Oriente Brasílico) fundado em 17 de junho de 1.822 com o objetivo máximo naquela oportunidade de promover a Independência do Brasil. 

No seguir dos tempos o Grande Oriente passou por várias dissidências por motivos que aqui não cabem comentar devido a sua complexidade, porém destas, duas viriam ser as mais importantes. Uma ocorrida em 1.927 e outra em 1.973. Em relação às outras, estas acabariam se acomodando e novamente absorvidas pelo Grande Oriente do Brasil.

Aquela referente ao ano de 1.927, com a retirada do Irmão Mário Marinho Behring, deu origem às Grandes Lojas Estaduais. Naquela oportunidade Behring buscou reconhecimento das Grandes Lojas Norte Americanas e esse sistema obediencial funciona até os dias atuais com uma distribuição estadual de Grandes Lojas regidas por um colegiado de Grão-Mestres estaduais - Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil (CMSB).  

Quanto à dissidência de 1973, no seio do Grande Oriente do Brasil, esta deu origem aos Grandes Orientes independentes estaduais que aos moldes das Grandes Lojas estaduais também é regido por um colegiado de Grão-Mestres denominado Confederação Maçônica do Brasil - COMAB. 

Na questão de reconhecimento, esses Grandes Orientes - não tenho certeza se todos - estão ligados à CMI.

Já o Grande Oriente do Brasil possui um sistema de federação de Lojas ligadas a um Grande Oriente estadual que por sua vez é jurisdicionado a um Poder Central, daí a característica do GOB é que nele existe, além dos Grão-Mestres Estaduais, a figura do Grão-Mestre Geral. 

Na questão de reconhecimento o GOB o tem pela Grande Loja Unida da Inglaterra e por quase todas as Grandes Lojas Norte Americanas.

Em relação à convivência doméstica das três Obediências brasileiras, em linhas gerais há um relacionamento cordial e amistoso, inclusive com muitos tratados estaduais de mútuo reconhecimento. 

É bastante comum a intervisitação e a participação nos trabalhos das Lojas entre os obreiros desta
ou daquela Obediência, todavia sem a interferência nos procedimentos legais de cada Grande Oriente ou Grande Loja.

Nesse sentido, muitos Irmãos sonham na existência de uma só Obediência no Brasil, o que não deixa de ser interessante a proposta, entretanto penso que isso embora salutar, é utópico. Nesse caso cada uma dessas Obediências já possui a sua própria história que, diga-se de passagem, é bastante sedimentada. Além desse fato existe o “nome”, o “patrimônio” e a característica administrativa. 

Assim, para uma união sacramentada, vejo que no tocante a essas questões as coisas se tornam praticamente impossíveis.

Penso sim que o ideal seria que tivéssemos uma só Palavra Semestral e que os diversos ritos praticados fossem exatamente iguais em todos os rincões do nosso querido Brasil. Essa proposta, sem dúvida, também é bastante difícil, porém não impossível, a despeito de que em termos de resultado seria imensamente mais proveitoso.

Ainda na questão de reconhecimento, as três Obediências brasileiras tem sempre a característica do Franco Maçônico Básico Universal, ou os três graus simbólicos, muito embora apareça a figura do Mestre Instalado que, diga-se de passagem, não é grau, todavia uma distinção. 

Assim também não pode haver interferência dos Supremos Conselhos de ritos inerentes aos que porventura os possuam. 

Ainda na questão de regularidade essas três Obediências são essencialmente masculinas atendendo particularmente a tradição, usos e costumes e o reconhecimento internacional. Nessa questão da Maçonaria Mista ou Feminina estas possuem o seu próprio espaço, todavia não podem interagir nem estarem ligadas com Lojas do Grande Oriente do Brasil, Grandes Lojas e Grandes Orientes Independentes.

Quanto à Maçonaria espúria, essas estão se disseminando progressivamente através da Internet. Não cabe aqui comentário, pois o próprio título já a conduz para a irregularidade. Assim, se apenas três aqui no Brasil se reconhecem, o resto...

De qualquer maneira, vou remeter em anexo um rol (de autoria do Irmão Hideraldo A. Teodoro) de algumas tantas que se intitulam como Maçonaria, mas não são reconhecidas. Evidentemente essa relação tende a aumentar cada vez mais, contudo cabe às Lojas Regulares esclarecer essas aparições anômalas aos seus Obreiros.

Finalizando e a título de esclarecimento, qualquer Obreiro oriundo do Grande Oriente do Brasil, Grandes Lojas Estaduais (CMSB) e Grandes Orientes Estaduais Independentes (COMAB), pode ser regularizado em qualquer uma dessas Obediências obedecendo primeiro aos preceitos administrativos e legais inerentes à Obediência receptora. Até aonde eu sei, é vedada sim a filiação de um obreiro que possa vir pertencer a duas Obediências.

T.F.A.
PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 603, Florianópolis (SC) 22 de Abril de 2012.

MINUTO MAÇÔNICO

JUSTIÇA

1º - Era uma das quatro virtudes cardeais admitidas pelos antigos. Em direito natural, consiste em tratar cada um de acordo com o seu direito, dando-lhe o que lhe é devido.

2º - Para conhecer os deveres que ela nos impõe, é preciso discernir quais são os direitos dos nossos semelhantes, que é o bastante respeitar: Liberdade, propriedade, etc..

3º - O seu emblema é um dos mais importantes do simbolismo maçônico, encontrando-se constantemente reproduzido nos templos. O Compasso, o Nível, o Esquadro e o Prumo e muitos outros instrumentos alegóricos ensinam constantemente ao Maçom que deles se devem servir para que os seus trabalhos, isto é, as suas ações e sua vida, sejam justos e perfeitos.

4º - Na Maçonaria, esta virtude, à qual são obrigados todos os Maçons, é explicada no primeiro grau simbólico, sendo realçada a sua necessidade e importância.

5º - Apoiando-se na Lei Moral e Divina, é também a balança que pesa todas as manifestações do gênero humano, servindo de fundamento à sociedade civil.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

AS BASES FILOSÓFICAS DO RITO MODERNO

AS BASES FILOSÓFICAS DO RITO MODERNO
André Otávio Assis Muniz

Nosso Rito pode, sem dúvida nenhuma, orgulhar-se de seu papel de vanguarda junto à plêiade de Ritos praticados pela Franco-Maçonaria mundial.

De fato, grande parte dos feitos heróicos encabeçados por maçons ou dos movimentos sociais nascidos em lojas maçônicas, tiveram grande envolvimento com o ideário preconizado por nosso rito.

O Rito Moderno, desde sua criação oficial no ano de 1761, sempre caracterizou-se por um pensamento progressista, uma filosofia coerente, uma lógica arrebatadora e, principalmente, pela defesa corajosa e pujante da Liberdade Absoluta de Consciência.

Caberia perguntar: onde o Rito Moderno abeberou-se para formar seu “arsenal explosivo” de idéias?

A resposta para essa pergunta, nos faz retornar ao século XVII, época do genial Francis Bacon, chamado com justiça de pai do enciclopedismo moderno.

Bacon, além de estadista, foi o primeiro exemplo notável da tendência empirista do pensamento inglês e, ainda mais significativamente, foi o profeta e protetor da revolução científica nascente.

Bacon foi o primeiro autor a tentar identificar os métodos adequados para uma ciência bem sucedida, uma vez que uma ciência cujas investigações se dão desorganizadamente e feitas por um excêntrico qualquer, não podem trazer resultados significativos.

Bacon assume em “New Atlantis” (1627) a tarefa de apelo e encorajamento à colaboração dos sábios, defendendo que é ao Estado que compete criar as instituições de investigação e ensino de que a ciência moderna necessita.

Para Bacon, a prosperidade e o bem estar da comunidade dependem dos esforços dirigidos para o progresso da pesquisa científica, uma idéia completamente nova para a época. Na obra supra-citada, Bacon defende a idéia que é melhor várias pessoas trabalhando em conjunto do que uma isoladamente, para a prática das ciências e o desenvolvimento da sociedade como um todo. A “Casa de Salomão”, instituição científica utópica descrita em seu “New Atlantis”, clama pela aplicação da ciência e a fundação de uma academia de cientistas. Notemos aí a semelhança da simbologia aplicada por Bacon e a simbologia maçônica. Nossas lojas devem estar baseadas no Templo de Salomão, mas não o da antigüidade obscurantista e crédula, e sim do preconizado por Bacon, centro de irradiação da luz, da razão e da ciência para o mundo.

A idéia baconiana de uma “república dos sábios” figurada pela simbólica “ilha de Bensalém, inspirará o movimento nascente de constituição das academias, através de Leibniz e Oldenburg (1615-1677), primeiro secretário da Royal Society e grande admirador de Bacon.

Muitos outros grandes vultos seguiram os passos de Bacon e a abertura da “via racional” para o progresso da humanidade deu a sólida estrutura para a formação filosófica do Rito Moderno. Vejamos brevemente alguns deles.

Pierre Bayle (1647 – 1706), filósofo francês, foi o precursor do ceticismo de Hume, refutou a doutrina de Spinoza a respeito da criação. A importância de Bayle se encontra na enorme influência que seus escritos tiveram, inclusive sobre os enciclopedistas que, sob muitos aspectos, o imitaram.

Bayle lançou a idéia de que nenhum dogma é solidamente fundamentado na razão, declarando a inutilidade completa das disputas teológicas em que se envolviam calvinistas, jansenistas, molinistas sobre a graça, o livre-arbítrio etc… Bayle, apesar de calvinista, defendia a tolerância religiosa e o respeito à consciência individual.

John Locke (1632-1704) foi filósofo, político e médico. Destacou-se tanto com sua filosofia política, quanto com sua teoria do conhecimento, estabelecendo os limites do inteligível aos humanos.

Locke, ao contrário de Descartes que considerava que o conhecimento, originava-se de um conjunto de idéias claras e distintas, inatas em nossa mente, considerava que a filosofia deveria ser erigida sobre a razão e sobre o senso comum e não sobre especulações metafísicas, uma vez que o conhecimento não pode ser adquirido antes da experiência, esta a fonte da razão.

Além disso, Locke advogava uma ampla tolerância religiosa e filosófica, dando à consciência o direito de revoltar-se contra qualquer sistema opressor e intolerante.

David Hume (1711-1777), filósofo escocês, nascido em Edimburgo, irmão maçom iniciado na “St.Mary’s Chapel Lodge” iniciou seus estudos na área jurídica mas logo apaixonou-se pela filosofia. Hume é um empirista radical, o naturalista mais influente e completo da filosofia moderna, além de uma figura essencial do iluminismo.

A ética de Hume vê o pensamento moral como a expressão de sentimentos que sofrem uma evolução devido à nossa necessidade de cooperação social. Assim, a moral não seria originada em uma “lei divina” mas sim na necessidade humana de conviver em sociedade.

Hume encara a ciência como a busca pela descoberta de princípios simples que nos permitiriam discernir a ordem em meio ao caos. Assim, para Hume os acontecimentos naturais são, em si mesmos, “irregulares e separados”, e a arte científica consiste em detectar os padrões em que se inserem.

Bernard de Mandeville (1670-1733), filósofo holandês, de expressão inglesa, também empirista, fundamentou a moral nas tendências do homem, e não sobre um raciocínio filosófico-metafísico. Também não fundamentou a sociedade, seu progresso ou declínio nos princípios gerais morais de valor absoluto, mas em fatores, experimentalmente detectados, dos interesses e similares.

Charles Louis de Secondat, barão de Montesquieu (1689-1755), nascido nobre, iniciado na Maçonaria no dia 12 de maio de 1730 na Horn Tavern Lodge, desenvolveu uma profunda admiração pela Revolução Inglesa de 1688 e pelos ideais constitucionalistas de tolerância e liberdade a ela associados. Sua obra prima “O Espírito das Leis” (1748) introduziu um traço positivista na discussão das leis das nações, que era até então terreno para vários tipos de deduções teológicas e racionalistas. Montesquieu atribui o sistema legal dos diferentes países a acasos externos, como a geografia e o comércio.

Foi o maior responsável pela teoria da tripartição dos poderes do Estado (Legislativo, Executivo e Judiciário) e o maior mestre em Direito Constitucional que a humanidade já viu.

Adam Smith (1723-1790), filósofo e economista escocês, membro da loja maçônica “St. Mary Chapel”, foi influenciado pelo empirismo moral de Hume, apoiando-se na experiência para estabelecer uma ética. Admitindo a liberdade, formulou os conceitos de liberalismo político e econômico. Defendia que o melhor meio de um Estado desenvolver a economia é deixá-la desenvolver-se livremente de acordo com suas leis naturais, com um mínimo de fiscalidade e interferência.

Jeremy Bentham (1748-1832), pensador, jurisconsulto e economista inglês, nascido em Londres. É considerado um dos últimos representantes da Escola Moralista Inglesa. Defendeu a moral utilitarista, em que a utilidade do indivíduo e da sociedade são o fundamento da norma moral. A utilidade dos objetos é definida pela sua capacidade de produzir prazer e de evitar a dor, ou o infortúnio. A sociedade ideal é a que permite a felicidade do indivíduo sem comprometer o bem estar coletivo. Suas idéias terão continuidade com James Mill e Stuart Mill.

John Tolland (1670-1722), filósofo e Teólogo, filólogo e político da Irlanda. Fez estudos filosóficos em Glasgow, Edimburgo, concluindo em Leiden, Holanda.

Seu livro mais famoso “Christianity not mysterious” (1696) foi mandado queimar pelo Parlamento Irlandês e colocado fora da lei na Inglaterra.

Tolland defendeu uma religião natural, sem sobrenaturalismo. Foi um dos mais representativos deístas e o primeiro a ser chamado “livre pensador”. Negou a autenticidade da revelação. Tolland foi, juntamente com Shaftesbury, um dos principais artífices da transição do deísmo para o agnosticismo.

Anthony Ashley Cooper, terceiro conde de Shaftesbury (1671-1713), filósofo inglês, teve a John Locke como preceptor.

Shaftesbury foi um dos principais representantes da moral do sentimento, foi sempre um otimista metafísico, mas assim como Bayle, se revelou cético frente às religiões sobrenaturalistas, limitando-se à religião racional de deísmo.

Voltaire, pseudônimo de François-Marie Arouet(1694-1778), foi um filósofo empirista, deísta, liberal que cedo se tornou um livre pensador. Permaneceu três anos na Inglaterra e lá absorveu a filosofia empirista inglesa, que difundiu a seguir na França, onde até então predominavam várias formas de racionalismo cartesiano. É sua a frase que ainda soa atual: “para um só filósofo ainda há hoje cem fanáticos”

Meus irmãos, não querendo me estender em demasia, finalizo por aqui esse mostruário de celebridades intelectuais que deram contribuições essenciais ao nosso rito. Se houvesse tempo, teríamos que citar toda a nata intelectual da Revolução Francesa, todos os grandes cientistas desde Galileu, Copérnico, Giordano Bruno, Newton, Tycho até os atuais como Stephen Hawking, Feynman, Planck, Heinsenberg, entre tantos outros que ainda levam corajosamente o estandarte da ciência e da razão em um mundo, apesar de toda a evolução, ainda estranhamente assombrado pelos demônios do passado.

Nosso rito não precisa de mistificações para ser grandioso, não precisa de invencionices e enxertos para ser especial e não precisa de crendices para atestar sua mais pura essência maçônica. O mais maçônico entre os maçônicos.

Nosso rito só precisa de homens compenetrados de seus ideais, homens dispostos a muito mais do que a mera repetição mecânica de fórmulas rituais. Nosso rito precisa dos espíritos mais ousados. Os mais genuinamente maçons entre os maçons. (grifo meu)

Bibliografia

GOTTSCHALL, Carlos Antonio Mascia. Do Mito ao Pensamento Científico, A busca da realidade, de Tales a Einstein. 2ª Edição. Porto Alegre: Atheneu, 2004

BLACKBURN, Simon. Dicionário Oxford de Filosofia.Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997

DIVERSOS.Enciclopédia Simpósio de Filosofia. http://www.cfh.ufsc.br/~simpozio

RUSSEL,Bertrand.História do Pensamento Ocidental.Rio de Janeiro: Ediouro,2001

Fonte: https://bibliot3ca.com

terça-feira, 2 de novembro de 2021

TRANSFORMAÇÃO DE LOJA

TRANSFORMAÇÃO DE LOJA
(republicação)

O Respeitável Irmão Mar Sakashita, Orador da Loja Fraternidade Águas Claras, 3.672, REAA, GOB-PR, Oriente de Goioerê, Estado do Paraná, apresenta a seguinte questão:
marsaka@uol.com.br

Saudações, com grande prazer venho à presença do Ilustre Irmão grande conhecedor de ritualística Maçônica, esclarecer uma dúvida em relação à transformação de Loja de Aprendiz direto ao Grau 3, se pode ser feita direto, após a retirada de Aprendizes e Companheiros, com golpe de malhete e mudança de esquadro e compasso na posição do Grau? Qual a maneira correta?

CONSIDERAÇÕES:

No R⸫E⸫A⸫A⸫, rito de origem francesa, a Loja pode ser transformada do Grau de Aprendiz ao de Mestre, sem que se faça todo o procedimento ritualístico da abertura ou encerramento da Loja no grau em questão. Diferente do sistema francês, no inglês é que se aplica o procedimento de abertura e encerramento de grau em grau. 

Em linhas gerais no formato anglo-saxônico não se abre uma Loja de Grau de Companheiro ou de Mestre diretamente como acontece com o Rito Escocês, por exemplo.

Nos trabalhos ingleses para se abrir uma Loja de Companheiro, primeiro se abre a de Aprendiz. Se o caso for à de Mestre, abre-se primeiro a de Aprendiz, posteriormente a de Companheiro e por fim a de Mestre (a atitude é a mesma para o encerramento). Nesse conjunto ritualístico é feita toda a dialética de abertura de grau por grau, não existindo o procedimento de “transformação”.

Voltando ao Rito Escocês Antigo e Aceito, de origem latina, o método é diferente, pois nele existe a prática da transformação, todavia não sem antes obedecer alguns critérios. 

Primeiro que essa de abrir a Loja com um só “golpe de malhete” é atitude equivocada e não está prevista. Nenhuma “sessão” será verdadeiramente maçônica se for aberta por um só golpe de malhete. 

Não confundir com a abertura de uma parte da sessão onde geralmente ao estar proclamado pela dialética ritualística o Venerável anuncia dando um golpe de malhete: “está aberta a Ordem do Dia”, ou “está aberto o Tempo de Estudos” (isso não é abertura de sessão).

Quanto à maneira correta de se fazer a transformação ela está inserida no ritual de Mestre (página 42 e seguintes) em vigência no tocante ao Grau 02 para o Grau 03. 

Esse procedimento também é usado no caso da Loja de Aprendiz diretamente para Mestre. No caso de Aprendiz para Companheiro, o procedimento é o mesmo com atitudes ritualísticas distintas ao grau de transformação.

Note que pelo ritual referenciado, após a cobertura (retirada) do Templo aos Irmãos que estavam impedidos de permanecer, faz-se o telhamento através dos Vigilantes; ato seguido o Orador lê no Livro da Lei o trecho compatível mudando a posição do Esquadro e do Compasso. O Mestre de Cerimônias expõe o Painel do Grau e as luzes são acesas conforme está previsto. 

Como se pode notar, a Loja já estava aberta, todavia sofreu uma transformação para outro Grau, entretanto, alguns costumes básicos que determinam a característica do Grau devem ser rigorosamente observados. 

Assim, não se faz uma transformação apenas mudando a posição do conjunto emblemático por um golpe de malhete. Um golpe de malhete é dado pelo Venerável para anunciar que os trabalhos estão a partir dali abertos em outro grau, porém não sem antes cumprir determinadas regras ritualísticas.

Ratifico: o procedimento correto está no Ritual de Mestre em vigência. Mesmo ele se referindo de Companheiro à Mestre, ele pode ser executado do Aprendiz, diretamente ao Mestre. O retorno para os trabalhos originários da abertura da Loja também no ritual citado está previsto.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 599, Florianópolis (SC) 18 de Abril de 2012.

O BODE

O BODE
Autoria de Jose Castellani

Dentro da nossa organização, muitos desconhecem o nosso apelido de bode.

A origem desta denominação data do ano de 1808. Porém, para saber do seu significado temos necessidade de voltarmos no tempo.

Por volta do III ano d.C. vários Apóstolos saíram para o mundo a fim de divulgar o cristianismo. Alguns foram para o lado judaico da Palestina.

E lá, curiosamente, notaram que era comum ver um judeu falando ao ouvido de um bode, animal muito comum naquela região. Procurando saber o porquê daquele monologo foi difícil obter resposta. Ninguém dava informação, com isso aumentava ainda mais a curiosidade dos representantes cristãos, em relação aquele fato.

Até que Paulo, o Apóstolo, conversando com um Rabino de uma aldeia, foi informado que aquele ritual era usado para expiação dos erros. Fazia parte da cultura daquele povo, contar a alguém da sua confiança, quando cometia, mesmo escondido, as suas faltas, ficaria mais aliviado junto a sua consciência, pois estaria dividindo o sentimento ou problema.

Mas por que bode? Quis saber Paulo. É porque o bode é seu confidente. Como o bode nada fala, o confesso fica ainda mais seguro de que seus segredos serão mantidos, respondeu-lhe o Rabino.

A Igreja, trinta e seis anos mais tarde, introduziu, no seu ritual, o confessionário, juntamente com o voto de silêncio por parte do padre confessor – nesse ponto a história não conta se foi o Apóstolo que levou a ideia aos seus superiores da Igreja, o certo é que ela faz bem à humanidade, aliado ao voto de silêncio, 0 povo passou a contar as suas faltas.

Voltemos em 1808, na França de Bonaparte, que após o golpe dos 18 Brumários, se apresentava como novo líder político daquele país. A Igreja, sempre oportunista, uniu-se a ele e começou a perseguir todas as instituições que não fossem do lado do governo ou da Igreja. Assim a Maçonaria que era um fator pensante, teve seus direitos suspensos e seus Templos fechados; proibida de se reunir.

LojaPorém, irmãos de fibra na clandestinidade, se reuniram, tentando modificar a situação do país. Neste período, vários Maçons foram presos pela Igreja e submetidos a terríveis inquisições. Porém, ela nunca encontrou um covarde ou delator entre os Maçons.

Chegando a ponto de um dos inquisidores dizer a seguinte frase a seu superior: – “Senhor este pessoal (Maçons) parece BODE, por mais que eu flagele não consigo arrancar-lhes nenhuma palavra”. Assim, a partir desta frase, todos os Maçons tinham, para os inquisidores, esta denominação: “BODE” – aquele que não fala, sabe guardar segredo.

Fonte: http://www.brasilmacom.com.br

segunda-feira, 1 de novembro de 2021

LUGAR DO COBRIDOR EXTERNO - REAA

LUGAR DO COBRIDOR EXTERNO
(republicação)

Em 18/07/2017 o Respeitável Irmão André Malaman, Loja Filhos do Pelicano, 3.866, REAA, GOB-PR, Oriente de Cianorte, Estado do Paraná, solicita o seguinte esclarecimento.

Quando da entrada ao templo o Cobridor Externo tem que ficar prostrado já na coluna B ou na J? Pois pelo ritual vê-se a migração do Cobridor Externo para a Coluna J. Isso seria quando da saída do templo? Assumimos o cargo de Mestre de Cerimônias e o temos a premissa de cumprir o procedimento ritualístico à risca. Grato.

CONSIDERAÇÕES:

Durante a formação do préstito e o ingresso dos Irmãos no Templo, o Ritual de Aprendiz do REAA.'. apenas menciona nessa oportunidade (página 21) que ele fica junto à porta do Templo, no Átrio, durante a abertura dos trabalhos. Posteriormente depois de declarada aberta a Loja, ele então ingressará no Templo e ocupará lugar no Ocidente ao lado Norte da Porta (página 51 do Ritual).

Já os Procedimentos Ritualísticos do GOB/PR, edição atualizada (2016), indica na sua página 14 que o Cobridor Externo durante a formação do préstito e entrada no Templo permanece no Átrio junto à porta no seu lado Sul, ou o lado correspondente a Coluna Vestibular J. 

Essa posição do Cobridor Externo se dá somente no momento de entrada. Fechada à porta e tendo sido iniciada a Sessão ele permanece próximo à porta, ainda no Átrio, porém sem que seja necessária para ele, a partir daí, a permanência numa posição fixa. É aconselhável, entretanto, que ao se aproximar o momento do seu ingresso no Templo conforme especifica o Ritual mencionado na sua página 51, ele já esteja posicionado no Átrio ao lado Norte da porta (Coluna B) para facilitar o seu ingresso, a despeito de que, ingressando ele ocupará assento no Norte - simétrico à posição do Cobridor Interno que fica no Sul.

A explicação para que o Cobridor Externo se posicione no Sul do Átrio (próximo à Coluna Vestibular J) durante a entrada do préstimo conforme orienta os Procedimentos Ritualísticos, é apenas de caráter prático para a ação, já que geralmente entre as duas colunas formadas pelos que ingressam, ou próximo delas no lado norte pela parte externa da porta, fica o Mestre de Cerimônias comandando os deslocamentos e aguardando o momento para conduzir o Venerável Mestre ao Altar.

Ainda em relação ao Cobridor Externo, porém agora durante a retirada dos Irmãos do Templo após o encerramento dos trabalhos, ele permanece dentro do Templo e se retira junto com os demais Mestres que ocuparam o Ocidente. Não existe para ele nenhuma recomendação ritualística nessa ocasião.

Concluindo, vale a pena lembrar que o último Oficial a se retirar do Templo é o Cobridor Interno que, ao sair, literalmente fecha a porta do recinto. 

E.T. – Para os Irmãos do GOB-PR continua a disposição os três volumes atualizados (2016) dos Procedimentos Ritualísticos – Aprendiz, Companheiro e Mestre do REAA.'.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

A IMPORTÂNCIA DA MAÇONARIA NA CRIAÇÃO DE UM ESTADO LAICO

A IMPORTÂNCIA DA MAÇONARIA NA CRIAÇÃO DE UM ESTADO LAICO
Autor: Anderson Lupo Nunes

Introdução

O Maçom deve sempre depositar sua confiança em Deus, logo, não existe Maçom de verdade que seja ateu. Na constituição do reverendo James Anderson, que determina as regras universais da Maçonaria, chamadas de landmarks, consta um artigo específico sobre Deus e Religião.

Um Maçom é obrigado, por dever de ofício, a obedecer a Lei Moral; e se ele compreende corretamente a Arte, nunca será um estúpido ateu nem um libertino irreligioso. Muito embora em tempos antigos os Maçons fossem obrigados em cada País a adotar a religião daquele País ou nação, qualquer que ela fosse, hoje se pensa mais acertado somente obrigá-los a adotar aquela religião com a qual todos os homens concordam, guardando suas opiniões particulares para si próprios, isto é, serem homens bons e leais, ou homens de honra e honestidade, qualquer que seja a denominação ou convicção que os possam distinguir; por isso a Maçonaria se torna um centro da união e um meio de conciliar uma verdadeira amizade entre pessoas que de outra forma permaneceriam em perpétua distância (ANDERSON, 2003).

A Constituição de Anderson foi publicada pela primeira vez no ano de 1723 em Londres, uma época de muita perseguição religiosa. Apesar disso, determina que o Maçom não deva aceitar de maneira imposta a religião do País, qualquer que seja, devendo guardar sua opinião para si mesmo. De maneira tímida, convenhamos, está o germe de uma grande ideia sonhada e conquistada pelos Maçons, a criação de um Estado laico.

Como não é religiosa, a Maçonaria aceita em seus quadros profanos oriundos de diversas religiões. Segundo Ismail (2012), quando se faz uma oração no altar da Franco-Maçonaria, estão presentes irmãos de diversas religiões, logo estão todos orando para o mesmo Deus. Está evidente que a Maçonaria considera que todas as religiões se originam de um Deus único. As diversas denominações religiosas não implicam deuses diferentes, apenas formas diferentes de conceber o mesmo Deus. Se eu sou espírita e o meu irmão é evangélico somos todos filhos do mesmo Pai, logo, somos irmãos.

Talvez tenha sido o seu caráter ecumênico que despertou por parte da cúria romana a intenção de coibir o crescimento da Maçonaria. Foi publicada em 1738 a encíclica In Eminenti Apostolatus Specula, pelo papa Clemente XII que proíbe a existência da Maçonaria. Segundo Durão (2011), foi o cardeal Néri Corsini, sobrinho do papa, que elaborou a encíclica, pois o Clemente XII já estava com 86 anos e cego. Contam historiadores que Corsini levava os documentos para a chancela de sua santidade e colocava a mão do pontífice no local da assinatura.

Em 1751, o sucessor de Clemente XII, o papa Bento XIV emitiu a bula Providas Romanorum Portificum enumerando seis razões para a condenação da Maçonaria. Dentre elas a que mais nos chama a atenção é “(…) nas tais sociedades e assembleias secretas, estão filiados indistintamente homens de todos os credos; daí ser evidente a resultante de um grande perigo para a pureza da religião católica;” (DURÃO, 2011).

É fato que a Maçonaria na sua fase operativa gozava de apoio e patrocínio da Igreja. Foram os maçons operativos os construtores das catedrais e Igrejas na Idade Média. Nossos antepassados estavam a serviço dos clérigos e eram portadores de salvo conduto para viajarem entre os feudos. A Maçonaria sempre conviveu harmoniosamente com os dirigentes religiosos (judeus, católicos, maometanos, protestantes) da fase operativa até o início da fase especulativa. A situação de conflito da Igreja com a Maçonaria persistiu com os papas Pio VII (em 1800), Leão XII (em 1823), Pio VIII (em 1829), etc. Várias bulas e encíclicas reafirmaram a condenação da Maçonaria ao longo dos séculos XIX e XX. Em 1983 a Congregação para a Doutrina da Fé, sob direção do então Cardeal Ratzinger manteve o parecer negativo a respeito da Maçonaria, sendo chancelado pelo papa João Paulo II. (DURÃO, 2011)

Com o papa Paulo VI a postura do Vaticano relaxou consideravelmente e o católico tinha permissão para se tornar Maçom, desde que não se envolvesse em atividades anticlericais. Um arcebispo brasileiro, Cardeal Avelar Brandão Vilela chegou a celebrar uma missa especial em homenagem ao 40º aniversário da Loja Maçônica Liberdade, de Salvador, no Natal de 1975. Naquela oportunidade, o Cardeal foi agraciado com distinta honraria maçônica. (Cerinotti, 2004)
Atuação maçônica: liberdade e religião

Quase todos os iluministas franceses eram maçons, incluindo Voltaire (1694-1778), Diderot (1713-1784) e Condorcet (1743-1794). Eles mantinham estreito contato com Benjamin Franklin (1706- 1790), também maçom. Outros dos chamados pais fundadores dos Estados Unidos da América, George Washington (1732-1799) e Thomas Jefferson (1743- 1823) igualmente eram maçons. A ideia e implementação do Estado laico veio de maçons. Foi Washington que presidiu à convenção que elaborou a Constituição Americana, a qual veio substituir os Artigos da Confederação e estabelecer a posição de Presidente, tornando-se o primeiro a ser eleito para o cargo (CERINOTTI, 2004).

Artigo I (1ªemenda) – O Congresso não legislará no sentido de estabelecer uma religião, ou proibindo o livre exercício dos cultos; ou cerceando a liberdade de palavra, ou de imprensa, ou o direito do povo de se reunir pacificamente, e de dirigir ao Governo petições para a reparação de seus agravos.

No Brasil, a sua independência também foi arquitetada por maçons. Segundo Ismail (2012), foi na seção de 20 de agosto de 1822, do então Grande Oriente Brazílico, presidida por Gonçalves Ledo, que a Independência do Brasil foi aprovada, sobre a qual D. Pedro (também maçom) deveria escolher: tornar-se imperador ou voltar para Portugal. Há controvérsias de diversos autores quanto a data precisa da reunião. Ismail (2012) conclui pelas evidências históricas que a data de 20 de agosto está incorreta.

De acordo com Souza (2007) a Questão Religiosa teve o seu início em 1872, com um incidente envolvendo a Maçonaria. O motivo foi a suspensão do padre Almeida Martins pelo bispo do Rio de Janeiro devido à sua participação em uma solenidade maçônica. Na época, o convívio entre católicos e maçons era uma coisa bastante comum no Brasil, e mesmo o Imperador Dom Pedro II (também maçom) tinha no rol de seus principais amigos e conselheiros políticos maçons que também eram católicos.

O bispo de Olinda, dom Vital Maria Gonçalves de Oliveira, e o bispo do Pará dom Antônio de Macedo Costa, decidiram interditar aos maçons os sacramentos, inclusive extensivo aos filhos e esposas. Dom Pedro II baseado do regime de padroado determinou aos prelados que a interdição fosse suspensa, mas eles mantiveram suas posições e acabaram sendo presos e condenados a trabalhos forçados. O governo neste episódio usou dos direitos do padroado para manter o controle do aparelho eclesiástico. Para o governo, os bispos envolvidos infringiram o direito do padroado, no ato de interditar confrarias que tinham maçons como membros, bem como recusar os sacramentos aos maçons católicos.

A partir do incidente, D. Pedro II favoreceu a instalação de igrejas protestantes no Brasil. Na opinião de Leôncio Basbaum (1957), a própria visão política e intelectual do governo imperial favorecera os ideais republicanos, bem como a implantação de um Estado laico. Daí, a questão política avança mais no Império, quando o Partido liberal e Republicano se unem em torno da criação da República, a qual veio consolidar embora que formal e juridicamente a separação da Igreja do Estado (SOUZA, 2007).

Na opinião de Vieira (1980) deve-se observar que no Brasil como em outras partes, a Maçonaria foi um dos grandes veículos da divulgação do liberalismo. Por esta razão, ela foi a causa ostensiva da luta entre os bispos e a coroa (1872-1875) e do fortalecimento de uma ideologia de criação de um Estado laico.

A primeira Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro, fundada em janeiro de 1865, foi a primeira designação protestante a ser oficialmente instalada no Brasil. Há registros bem mais antigos da presença dos calvinistas no Brasil, mas de maneira não oficial. Os maçons sempre apoiaram o Estado laico, mas ao mesmo tempo mantinham uma relação amistosa com o Império e a Igreja, pelo menos até a crise da Questão Religiosa (SOUZA, 2007).

Em 13 de janeiro de 1874, por ocasião da prisão do bispo de Olinda, por razão da Questão Religiosa, iniciou-se um movimento político popular, no qual se uniram protestantes, maçons, advogados e intelectuais, dirigidos por Tavares Bastos e Quintino Bocayúva para separar o Estado da Igreja (SOUZA, 2007).

O Espiritismo também possui relações históricas com a Maçonaria. Não há uma comprovação de que Allan Kardec (1804-1869) tenha sido maçom. Segundo Monteiro & Lefraise (2007), existe uma hipótese, não comprovada, de que Kardec tenha sido martinista. Léon Denis (1846-1927) era, de fato, maçom. Foi iniciado em 26 de outubro de 1868 na Loja Demófilos de Tours. Em menos de um ano Denis passou de A:.M:. a C:.M:. e um mês depois chegou a M:.M:., o que era muito raro na época.

O primeiro Centro Espírita do Brasil, o Grupo Familiar de Espiritismo fundado em 17 de setembro de 1865 em Salvador, sob a presidência de Luiz Olympio Telles de Menezes contava com maçons em suas fieiras. O registro oficial só veio ocorrer em 1874. Apesar de não serem encontrados registros que comprovem que Telles de Menezes era maçom, o estatuto do grupo baiano possui uma similaridade com o funcionamento de uma Loja Maçônica impressionante. Os membros efetivos possuíam três graus. Havia um pagamento estipulado na ocasião da passagem de grau. Veja o artigo 26 do seu estatuto:

Artigo 26º – Uma bolsa denominada Bolsa de Beneficência será apresentada em todas as seções quer magnas, quer particulares a cada membro de qualquer grau ou classe e a cada um dos visitantes para aí deporem uma diminuta quantia cujo produto, imediatamente verificado e declarado pelo Vigilante, ficará a cargo do Tesoureiro e será aplicado a atos de beneficência.

Vianna de Carvalho (1874-1926) foi um maçom e espírita brasileiro nascido no Ceará. Em Fortaleza, o apoio maçônico foi imprescindível para a organização e fundação do Centro Espírita Cearense em 1910. Quase todos os membros indicados por Vianna para compor a diretoria eram maçons. Júlio César Leal (1837-1897), um dos pioneiros espíritas do Brasil, foi convertido ao Espiritismo em uma Loja Maçônica, o qual era membro. Tornou-se presidente da Federação Espírita Brasileira. (MONTEIRO; LEFRAISE, 2007)

Conclusão

A Maçonaria promove o direito universal do ser humano professar a religião que bem entender. Em uma Loja Maçônica não existem discussões religiosas porque a liberdade de cada irmão ter a sua escolha religiosa é respeitada. Nas oficinas há irmãos candomblecistas, budistas, evangélicos, católicos, espíritas, umbandistas, muçulmanos, judeus e de demais credos que convivem em paz e harmonia, pois todos têm a certeza de que são filhos do mesmo Deus, independente de rótulos. Que um dia a Humanidade compreenda esse fato e que ninguém seja morto ou ofendido pela fé que professa, nem pela cor de sua pele, nem pela sua orientação sexual. Todos somos filhos de Deus e, como tal, herdeiros de sua Luz.

Autor: Anderson Lupo Nunes

Fonte: Revista Fraternitas in Praxis

Anderson possui graduação em Física pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2003) e mestrado em Engenharia Nuclear pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2006). Tem experiência na área de Engenharia Nuclear, com ênfase em Núcleo do Reator, atuando principalmente nos seguintes temas: equações da cinética pontual, método de confinamento da rigidez e métodos numéricos. Atua também na área de Ensino de Física e de Eletrônica. É Mestre Maçom da ARLS de Pesquisas Rio de Janeiro No. 54—GOIRJ/COMAB.

Referências Bibliográficas

ANDERSON, James. tradução: Décio Cezaretti. Constituição de Anderson, As Obrigações de um Pedreiro-livre. Publicado pela A:.R:.L:.S:. Guatimozin, São Paulo, 2003. BASBAUM, Leôncio. História Sincera da República. Livraria São José, Rio de Janeiro, 1957. CERINOTTI, Angela. Maçonaria: A Descoberta de um Mundo Misterioso. Editora Globo, São Paulo, 2004. DURÃO, João Ferreira. Cavaleiros de Jesus: breve história do cristianismo. Ed. Madras, São Paulo, 2011. ISMAIL, Kennyo. Desmistificando a Maçonaria. Universo dos Livros, São Paulo, 2012. MONTEIRO, Eduardo Carvalho; LEFRAISE, Armand. Maçonaria e Espiritismo, encontros e desencontros. Ed. Madras, São Paulo, 2007. SOUZA, Mauro Ferreira de. A Igreja e o Estado: uma análise da separação da Igreja Católica do Estado Brasileiro na Constituição de 1891. Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2007. VIEIRA, David Gueiros. O Protestantismo, a Maçonaria e a Questão Religiosa no Brasil. Editora Universidade de Brasília, Brasília, 1980.

Fonte: https://opontodentrocirculo.com