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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

sábado, 4 de dezembro de 2021

20 DE AGOSTO - DIA DO MAÇOM BRASILEIRO

20 DE AGOSTO - DIA DO MAÇOM BRASILEIRO
(republicação)

Em 23/02/2016 um Respeitável Irmão do GOB-PR ao Oriente de São Mateus do Sul, Estado do Paraná, me formulou a seguinte questão a qual respondi e fiz uma revisão para publicação no Dia do Maçom no Blog do Pedro Juk em 20/08/2017.

DIA DO MAÇOM

Meu Irmão gostaria de informações sobre 22 de fevereiro como Dia Internacional do Maçom e 20 de agosto como o Dia do Maçom brasileiro. O que comemoramos?

CONSIDERAÇÕES:

1 – Dia Internacional do Maçom, instituído em data de 22 de fevereiro por ocasião da Reunião Anual dos Grãos-Mestres das Grandes Lojas da América do Norte (Canadá, México e Estados Unidos) realizada nos dias 20, 21 e 22 de fevereiro do ano de 1994, quando o Grão-Mestre da Grande Loja Regular de Portugal, Irmão Fernando Paes Coelho Teixeira, sugeriu que no dia 22 de fevereiro fosse comemorado o Dia Internacional do Maçom em homenagem à data de nascimento de George Washington. 

Por ocasião dessa reunião, que teve a presença, dentre outros, da Grande Loja Unida da Inglaterra, da Grande Loja Nacional Francesa, do Grande Oriente da Itália, da Grande Loja das Filipinas, Grande Loja Regular da Grécia, de Portugal, inclusive do Grande Oriente do Brasil pelo seu Grão-Mestre Geral, saudoso Irmão Francisco Murilo Pinto, ao encerramento da assembleia, houve a concordância de que ficasse estabelecido, a partir daí, o Dia Internacional do Maçom a 22 de fevereiro homenageando assim o Irmão George Washington, fato que seria então comemorado por todas as Obediências Regulares.

Resumo histórico do homenageado – nascido em 1732, em Bridges, na Virginia, Estados Unidos da América do Norte, foi iniciado na Maçonaria no dia 04 de novembro de 1752 na Loja Fredericksburg, nº 04, estado da Virginia. No ano de 1753 foi elevado ao Grau de Companheiro e em 04 de agosto de 1754 ao Grau de Mestre.

Em abril de 1789, tornou-se o primeiro presidente norte-americano, quando na oportunidade, na intenção de prestar homenagem à Maçonaria, prestou seu juramento constitucional sobre a Bíblia da Loja Alexandria, na qual era à época Venerável Mestre. Lutou pela Independência dos Estados Unidos sustentando principalmente os ideais de liberdade para o povo. Foi ferrenho defensor da democracia e dos interesses da população. Veio a falecer na sua casa em 14 de dezembro de 1.799 e teve o seu sepultamento realizado no dia 18, cuja celebração fúnebre Maçônica foi realizada pelo Reverendo James Muir e pelo Venerável Mestre Elisha C. Dick, ambos, Irmãos do quadro da Loja Alexandria.

2 – Dia do Maçom no Brasil. Comemorado pela Maçonaria brasileira em 20 de agosto, infelizmente não se pode dizer a mesma coisa com relação a essa data, pois ao contrário do Dia Internacional do Maçom que tem uma data justificável, a brasileira foi construída sobre uma mentira histórica por uma falsa interpretação de calendário, o que aos olhos da razão, pode-se dizer com certeza que no dia 20 de agosto de 1822 não aconteceu absolutamente nada no Grande Oriente Brasílico (nome dado à época para o GOB).

O produto desse erro histórico que, dentre outros, originou a comemoração do Dia do Maçom está no ano de 1956 quando o Irmão Osvaldo Teixeira da Loja Acácia Itajaiense propôs à sua Loja comemorar no dia 20 de agosto o Dia do Maçom, pois, segundo ele, havia na época a convicção de que no Rio de Janeiro, naquele dia no ano de 1822, os maçons haviam proclamado a Independência do Brasil em uma reunião das três Lojas Metropolitanas.

É falsa essa presunção, já que nesse dia nunca houve qualquer reunião no Grande Oriente do Brasil e muito menos que tenha sido proclamada a Independência antes do dia 7 de setembro.

Na sequência dos fatos, a Loja de Itajaí acabou aceitando a proposta do Irmão Osvaldo Teixeira e levou a dita para apreciação na Grande Loja de Santa Catarina, onde também teve o seu conteúdo aprovado. Assim, a Grande Loja catarinense levou adiante endossando o embuste, inclusive se dizendo dela a autora, até V Mesa Redonda realizada em Belém do Pará de 17 a 22 de junho de 1.957. 

Em assembleia, a proposição seria então aprovada o que a tornou a data obrigatória para que todas as Grandes Lojas brasileiras comemorassem o Dia do Maçom, justificando enganosamente a efeméride como que a 14ª Sessão teria sido realizada em 20 de agosto de 1822 quando, sob a presidência do Irmão Joaquim Gonçalves Ledo, fora proclamada a Independência do nosso País – tudo isso pode ser constatado nas súmulas das Mesas Redondas, Assembleias e Conferências da CMSB de 1987, dela à página 23, item 3, das Conclusões. 

Desse modo, e com essa falsa justificativa, o Dia do Maçom paulatinamente acabaria por se tornar numa efeméride unânime alcançando toda a Maçonaria brasileira, além das Grandes Lojas Estaduais – é a boca que se entorta conforme o hábito do cachimbo.

Assim a balela da ocorrência da Independência do Brasil no dia 20 de Agosto dentro de uma Loja Maçônica e, por conseguinte a comemoração do Dia do Maçom brasileiro se consolidou, mesmo que tenha sido construída sobre uma mentira histórica, cuja qual suporta uma análise mais crítica, desde que embasada na autenticidade documental.

Na verdade a origem do erro de interpretação sobre o calendário usado pelo GOB na época e que seria divulgado posteriormente por outros compiladores, se deve ao Irmão José Maria Paranhos, o Visconde do Rio Branco, em notas sobre a “História da Independência do Brasil” ao se basear nos escritos do historiador e também maçom Manoel Joaquim de Menezes. Infelizmente Rio Branco, apesar de ser um bom historiador, na oportunidade cometeu o erro crasso de não se certificar se as afirmativas de Menezes eram de fato corretas.

Para se entender como ocorreu esse erro histórico, tome-se por base o que menciona a ata de fundação do Grande Oriente do Brasil ao consignar, segundo o calendário usado na época, que o fato se deu no 28º dia do 3º mês do ano maçônico de 5822 da V⸫L⸫, o que significa ser no dia 17 de junho de 1822 da E⸫V⸫.

Essa data, a do 28º dia do terceiro mês, sob a óptica do Irmão Rio Branco, e também dos desatentos que o copiaram, seria pura e simplesmente o dia 28 de maio destacando-se que 3º mês se iniciava (segundo Rio Branco) no dia 1º de maio. 

Contudo, essa não era a correta interpretação, pois na realidade o calendário usado naquela época pelo GOB era o mesmo utilizado pelo Rito Adonhiramita, e nele o ano se iniciava no dia 21 de março; nunca no dia 1º. 

À bem da verdade, esse calendário é muito próximo ao do calendário religioso hebraico que se inicia no equinócio de primavera no hemisfério norte. 

Assim o calendário maçônico da época era um calendário equinocial, a despeito de que as datas equinociais e solsticiais sempre foram caras aos cortadores de pedra, os nossos ancestrais.

Diferente do calendário gregoriano que se inicia no dia 1° de janeiro da E⸫V⸫, bem como do utilizado pelo Rito Moderno que inicia o ano maçônico no dia 1º de março da V⸫L⸫ (o que confundiu Rio Branco), o equinocial se inicia no dia 21 de março por coincidir com a primavera no setentrião (hemisfério onde nasceu a Maçonaria).

Tanto no calendário equinocial, bem como no utilizado pelo Rito Moderno, os meses não possuem nome, mas eles se identificam simplesmente pelo numeral ordinal correspondente a cada mês, como por exemplo: primeiro mês, segundo mês, terceiro mês, até o décimo segundo (último mês). A mesma regra é seguida para se identificar os dias correspondentes a cada mês. Por exemplo: primeiro dia, segundo dia, terceiro dia, até o trigésimo dia, ou trigésimo primeiro, dependendo do mês.

Foi essa substancial diferença, entre o primeiro e o vigésimo primeiro dia que ocorre entre os dois calendários utilizados pela Maçonaria (o do dia 1º e o do dia 21) que acabou se tornando a “pedra de tropeço” e causadora de todo esse embrolho histórico que culminou com a equivocada data relacionada a uma sessão que teria supostamente acontecido no dia 20 de agosto (sexto mês) do ano de 1822 da E⸫V⸫.

Na realidade ela não aconteceu no dia 20 de agosto do calendário gregoriano, mas sim no 20º dia do 6º mês do calendário equinocial maçônico. Há então que se notar que o 6º mês do calendário equinocial inicia no dia 21 de agosto e termina no dia 20 de setembro. Por essa razão é que o 20º dia do 6º mês do ano equinocial maçônico corresponde, não ao dia 20, mas ao dia 09 de setembro do calendário gregoriano (E⸫V⸫), quando verdadeiramente aconteceu à famosa 14ª Sessão.

Para melhor entendimento sobre o tema recomenda-se o estudo sobre as práticas e características do calendário religioso hebraico, ao qual o calendário equinocial maçônico bastante se aproxima. Sugere-se também consultar publicação datada de 18/08/2017 no Blog do Pedro Juk sobre a Era Vulgar e Era da Verdadeira Luz em http://pedro-juk.blogspot.com.br

Ainda no tocante aos calendários utilizados pela Maçonaria, especialmente os que dizem respeito a esse tema, recomenda-se atenção especial na observação de que o Rito Francês, ou Moderno adota um calendário maçônico que tem início no dia 1º de março do calendário gregoriano, enquanto que o calendário equinocial utilizado pelo Rito Adonhiramita na época e, por conseguinte, também usado pelo GOB, inicia o ano no dia 21 de março do calendário gregoriano. Ambos da V⸫L⸫, possuem o ano com 12 meses, cujos quais se identificam como primeiro mês, segundo mês, terceiro mês e assim por diante. Os dois também têm a característica de iniciar num ano do calendário gregoriano (E⸫V⸫) e se encerrar no ano seguinte do mesmo calendário da E⸫V⸫).
Seguem alguns exemplos de aplicação do calendário equinocial (início no dia 21) sobre o gregoriano utilizando-se de algumas datas importantes para a história da Maçonaria brasileira e publicadas por Ato do Grão-Mestre Geral no ano de 1.822 da E⸫V⸫ por ocasião do centenário do GOB. Essas publicações demonstram a aplicação do calendário maçônico que iniciava o ano a partir do dia 21 de março.

a) Fundação do GOB em 17 de junho de 1822 da E\V\ ou no 28º dia do 3ª mês do ano maçônico de 5822 da V⸫L⸫.
b) A Iniciação do Príncipe D. Pedro I na Loja Comércio e Artes da Idade do Ouro em 02 de agosto de 1822 da E⸫V⸫ ou no 13º dia do 5º mês do ano de 5822 da V⸫L⸫.
c) Dia do Fico em 09 de janeiro de1822 da E⸫V⸫ ou no 20º dia do 11º mês do ano de 5.821 da V⸫L⸫.
d) Aceitação do Título de Defensor Perpétuo Constitucional, pelo Príncipe Regente em 13 de maio de 1822 da E⸫V⸫ ou ao 22º dia do 2º mês do ano de 5822 da V⸫L⸫.
e) Convocação da Constituinte Brasileira pelo Príncipe Regente em 02 de junho de 1822 da E⸫V⸫ ou ao 13º dia do 3º mês do ano de 5822 da V⸫L⸫.
f) Grito de Independência ou Morte dado pelo Príncipe Regente às margens do Riacho Ypiranga em 07 de setembro de 1822 da V⸫ L⸫ ou ao 18º dia do 6º mês do ano de 5822 da V⸫ L⸫.
g) Proclamação da Independência proposta por Joaquim Gonçalves Ledo votada nas sessões do Grande Oriente do Brasil a 09 e 12 de setembro do ano de 1822 da E⸫V⸫, delas a 14ª Sessão ao 20º dia do 6º mês do ano de 5822 da V⸫L⸫.
h) Posse do Príncipe Regente como Grão-Mestre da Maçonaria do Brasil, a Proclamação do Império e a Aclamação do Príncipe a Imperador Constitucional do Brasil e seu Defensor Perpétuo em 04 de outubro de 1822 da E⸫V⸫ ou no 14º dia do 7º mês do ano de 5822 da V⸫L⸫.

Como já comentado, o equívoco dessa má interpretação de se originou das notas de Rio Branco a Varnhagen sobre a História da Independência quando, em outubro de 1874, apenas 43 anos após a reinstalação do GOB[1], era publicado no Boletim nº 10 as Atas das primeiras sessões realizadas pelo Grande Oriente Brasílico (título do GOB em 1.822) e, dentre elas, a famosa 14ª sessão que fora concretizada pelo calendário equinocial no vigésimo dia do sexto mês e equivocadamente anotada como tivesse ela acontecido no dia 20 de agosto (sexto mês do calendário do Rito Moderno). 

O 20º dia do 6º mês pelo calendário equinocial corresponde ao dia 09 de setembro, ou seja, dois dias após a proclamação da Independência dada pelo Irmão Guatimozim às margens do Riacho Ypiranga. Provavelmente Rio Branco considerou o 6º mês iniciando no dia 1º de agosto tal qual o Rito Moderno, ao invés de considerá-lo iniciando no dia 21 de agosto. 

Foi devido a essa diferença que mais tarde autores como o ufano Arcy Tenório de Albuquerque se prestaria a transferir a falsa informação de que a Independência do Brasil havia ocorrido por primeiro no Rio de Janeiro dentro de uma Loja Maçônica no dia 20 de agosto de 1.822, relegando o absurdo de que à verdadeira data de 07 de setembro teria sido apenas um mero ato teatral para divulgar a efeméride – vide in “O que é Maçonaria”, Editora Aurora, Rio de Janeiro, páginas 246 e 247, citado no Livro Manias e Crendices de José Castellani.

A despeito dessas ilações que o Irmão Osvaldo Teixeira, nelas acreditando, em 1956 propôs a comemoração do Dia do Maçom no dia 20 de agosto por “acreditar” que nesse dia no ano de 1822 o Brasil havia sido declarado independente dentro de uma Loja Maçônica.

Vale a pena também comentar que de fato a Proclamação da Independência existiu durante a reunião das quatro Lojas Metropolitanas quando o Irmão Joaquim Gonçalves Ledo, Primeiro Grande Vigilante, dirigindo a 14ª Sessão, da cátedra da Loja em enérgico discurso exigiu a libertação da Pátria brasileira do jugo português, entretanto isso não aconteceu no dia 20 de agosto da E⸫V⸫, porém no dia 9 de setembro de 1.822 da E⸫V⸫ de acordo com o calendário utilizado na época. 

Evidentemente que D. Pedro I já havia proclamado em São Paulo a Independência do Brasil no dia 7 de setembro de 1.822, dois dias antes da Proclamação exigida por Ledo no dia 9.

Na verdade para se entender a razão do pronunciamento extemporâneo feito por Ledo, o mesmo ocorreu por óbvia falta de comunicação, a despeito de que num Brasil colonial, a notícia da Independência proclamada por D. Pedro I no dia 7 de setembro, até o dia 9 do mesmo mês ainda não havia chegado ao Rio de Janeiro. Não havia outro meio de comunicação senão o correio a cavalo que levava, segundo Bregaro, em média um mínimo de três dias para cobrir a distância entre São Paulo e o Rio de Janeiro.

Por assim ser e pelo aqui comentado, pode se perceber que não houve sessão no Grande Oriente do Brasil no dia 20 de agosto de 1822 da E⸫V⸫, senão houve uma falsa interpretação criada inadvertidamente por José Maria Paranhos (Visconde do Rio Branco) e que muitos escritores e compiladores, tendenciosos ou não, acabariam espalhando essa mentira histórica que chegou a gerar ainda no Século XX uma comemoração paro Dia do Maçom, apesar de que aos olhos da verdade, nesse particular, nada existiu nesse dia. 

Comprovadamente a 14ª Sessão existiu, porém no dia 9 de setembro, e não no dia 20 de agosto.  Mas mesmo assim, infelizmente e apesar de todas as provas angariadas por autênticos escritores, pesquisadores e historiadores, nossas autoridades ainda as não se preocuparam em consertar esse erro que atenta contra a disposição da Verdade.

Obviamente que sabemos ser o Maçom brasileiro merecedor de possuir o seu próprio dia comemorativo, todavia o que não se pode admitir é querer justificar isso com um acontecimento alicerçado em um equívoco, equívoco esse que de há muito tem sido exaustivamente combatido e demonstrado por farta e autêntica documentação. 

Nesse sentido, sugere-se pesquisa e comprovação em inúmeros arrazoados da lauda de Francisco de Assis Carvalho, Hercule Spoladore, Kurt Prober, Raimundo Francisco Xavier, José Castellani, João Alves da Silva, dentre outros. Existe um condensado em forma de um caderno de bolso datado de junho de 1.994 denominado “20 de Agosto – Dia do Maçom” - Editora Maçônica A Trolha, Londrina, que traz em seu conteúdo um trato confiável sobre o assunto e creditado a esses escritores mencionados. Veja também as “Atas de Ouro do Grande Oriente do Brasil”, todas contemporâneas à fundação do Grande Oriente Brasílico, mais tarde se denominaria Grande Oriente do Brasil.

T.F.A.
PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
MAIO/2016
REVISADO EM AGO/2017

[1] - O Grande Oriente Brasílico, fundado a 17 de junho de 1822 da E\V\ (28º dia do terceiro mês do ano de 5822 da V\L.\) foi fechado em 25 de outubro do mesmo ano pelo seu Grão-Mestre D. Pedro I e somente reinstalado nove anos mais tarde, em 1831, como Grande Oriente do Brasil.

Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

MAÇONS FAMOSOS

INICIAÇÃO MAÇÔNICA DE ANTUNES RIBAS

ANTÔNIO ANTUNES RIBAS (Santo Ângelo, RS, 1843 — Rio Grande do Sul, 1904). Magistrado e político brasileiro. Formou-se em 1868 na Faculdade de Direito de São Paulo, iniciou a carreira na magistratura como o cargo de promotor público na mesma cidade, neste período, filiou-se ao Partido Liberal, atuando também redator de A Reforma, jornal do seu partido. Na magistratura, exerceu o cargo de juiz municipal de Santo Ângelo de 1874 a 1878, sendo depois nomeado chefe de polícia; no final de quatro anos foi transferido para Pernambuco, no mesmo cargo. Com a proclamação da República, voltou ao Rio Grande do Sul, ainda como chefe de polícia. Filiou-se à loja Tolerância de Porto Alegre, sendo também membro fundador das lojas Luz da Serra, em Santo Ângelo (1877), e Luz Serrana, na cidade de Lages, Santa Catarina, da qual foi venerável. Além disso, foi um propagandeador do anticlericalismo por meio da imprensa, escrevendo diversos artigos sobre a questão religiosa e sendo um dos articuladores da campanha contra o jesuitismo ao idealizar os clubes anticlericais, que se difundiram em diversas cidades do estado. Criou o Grande Oriente do Rio Grande do Sul em 14 de outubro de 1893 sendo seu primeiro Grão-Mestre.

INICIAÇÃO MAÇÔNICA: 1864

Loja: Sete de Setembro, São Paulo

Idade: 21 anos

Oriente Eterno: Faleceu aos 60 anos de idade.

Fonte: famososmacons.blogspot.com

MAÇONARIA COMO DISCIPLINA ACADÊMICA (PARTE I)

Rei George VI com maçons britânicos
MAÇONARIA COMO DISCIPLINA ACADÊMICA (PARTE I)
Autor: Andrew Prescott
Tradução: José Filardo

“Por que Reis e Príncipes, nobres, juízes e estadistas, soldados e marinheiros, Clero e doutores, e homens de todas as esferas da vida procuram adentrar os Portais da Maçonaria?” (G. W. Daynes, The Birth and Growth of the Grand Lodge of England, Londres: Masonic Record, 1926, p. 185)
Introdução

O livro de Stephen Yeo de 1976, Religiões e organizações Voluntárias em Crise, é um estudo da vida social da cidade de inglesa de Reading entre 1890 e 1914. Yeo descreve uma cidade cujo tecido social era unido por muitas associações e atividades voluntárias “de capelas Congregacionais até a Federação Social Democrata, do Hospital Sunday Parades até Sociedades Literárias e Científicas”. Esta ecologia social estava enraizada nas igrejas e em uma cultura paternalista incentivada por grandes empregadores, tais como os famosos fabricantes de biscoitos de Reading, Huntley & Palmer. Yeo pinta um retrato vívido de uma cultura associativa vibrante, que agora praticamente desapareceu. No entanto, Yeo admite, houve uma grande omissão em seu estudo. Ele descreve como “Um ministro Congregacionalista na década de 60, mostrando-me as fotografias de diáconos, etc., na parede da sacristia da sua capela, contou-me que eu não poderia realmente compreender a vida em capela do século 19 sem saber alguma coisa sobre os maçons”. Os vigários de St. Mary’s e de St. Giles em diferentes datas antes de 1914 eram ambos altos oficiais na hierarquia maçônica local. “Yeo foi ao salão maçônico local, mas não lhe foi permitido examinar os registros ali mantidos”. Os maçons, uma das maiores e mais prestigiadas organizações voluntárias de Reading, com três lojas distintas em 1895 foram consequentemente deixados de fora do livro de Yeo.

Desde que Yeo escreveu, tem havido uma revolução silenciosa na maçonaria inglesa. Parcialmente em resposta aos ataques à maçonaria por escritores como Stephen Knight, bibliotecas e museus maçônicos foram abertos ao público. A magnífica Biblioteca e Museu da Maçonaria no Freemasons’ Hall em Londres, oferece visitas públicas diárias, e em 2002 um evento ‘Open House’, atraiu mais de 2.000 visitantes em um único dia. Sua biblioteca está disponível gratuitamente para estudiosos e listas de sua correspondência histórica e respostas de membros iniciais estão sendo montadas na internet. A Província de Berkshire, onde se localiza Reading, tem uma das maiores bibliotecas provinciais, com mais de 13.000 livros, e a biblioteca agora está aberta diariamente ao público em geral. Berkshire foi uma das primeiras províncias inglesas a criar um site na web. Eu mesmo sou uma encarnação dessa nova política. Em 2000, a Universidade de Sheffield estabeleceu, com financiamento da Grande Loja Unida, da província de Yorkshire West Reading, e de Lord Northampton, o Pro Grão-Mestre, o primeiro centro em uma universidade britânica dedicado ao estudo acadêmico da Maçonaria. Embora eu não seja maçom, fui nomeado como o primeiro diretor deste centro.

É claro que o “cuidado” da Grande Loja Inglesa em relação a Yeo não foi compartilhado por todas as Grandes Lojas Europeias. O Grande Oriente da Holanda há muitos anos deu boas-vindas aos estudiosos que desejavam utilizar sua notável biblioteca. Pouco depois que o livro de Yeo foi publicado, a Professora Margaret Jacob usou da biblioteca do Grande Oriente e seu livro resultante, Iluminismo Radical: Panteístas, Maçons e Republicanos alterou profundamente a nossa percepção da história cultural da Europa do século XVIII. A boa-vontade do Grande Oriente da Holanda em disponibilizar suas coleções aos estudiosos desempenhou um papel significativo no aumento do interesse acadêmico pela Maçonaria ao longo dos últimos 20 anos. Trevor Stewart recentemente compilou uma bibliografia de artigos sobre a Maçonaria europeia, que apareceu em periódicos acadêmicos desde 1980. Esta contém 269 itens, e até mesmo isso dá apenas uma visão parcial de toda a extensão da pesquisa sobre a Maçonaria, uma vez que ela exclui artigos sobre a América, África e Ásia, bem como periódicos publicados por organismos maçônicos, teses e monografias.

Apesar de todo esse trabalho, nosso quadro da Maçonaria continua fragmentado. Em muitos países, particularmente na Inglaterra, a Maçonaria é ainda considerada um assunto exótico, fora do meio acadêmico geral. Ela é frequentemente esquecida pelos estudiosos, mesmo quando devesse se ampliar seus estudos. Por exemplo, a biografia do Duque de Connaught por Noble Frankland de 1993, que como Grão-Mestre de 1901-1939 foi uma das figuras dominantes na Maçonaria inglesa moderna, não faz menção da carreira maçônica do duque. O quadro é naturalmente diferente na Europa e Estados Unidos, onde há um interesse acadêmico de longa data pela Maçonaria, mas aqui não há um consenso geral sobre a sua importância e o seu significado. A bibliografia de Trevor Stewart ilustra como a Maçonaria é relevante para uma enorme gama de assuntos, desde a história da jardinagem até estudos de teatro, mas os temas mais amplos não são imediatamente evidentes. Os estudiosos usam, frequentemente, provas maçônicas simplesmente para confirmar e ilustrar ainda mais os temas e ideias estabelecidos. A história da Maçonaria francesa de Pierre Chevallier é uma das grandes conquistas da erudição maçônica, mas no final ela apenas reforça a historiografia republicana tradicional francesa. As limitações da pesquisa acadêmica atual sobre a Maçonaria são simbolizadas por um estudo recente de William Weisberger, sobre o papel da Maçonaria de Praga e Viena no Iluminismo. Embora o ensaio documente cuidadosamente as atividades das lojas Tchecas e Austríacas, o valor do estudo é limitado por sua visão estereotipada e banal do Iluminismo. Trabalhos como o de Margaret Jacob, que usa elementos maçônicos como um trampolim para o desenvolvimento de novas perspectivas que alteram nossa visão de todo um período são extremamente raros.

À medida que a exploração dos arquivos maçônicos por estudiosos continua, que tipo de temas mais amplos surgirá? Se a pesquisa sobre a Maçonaria afirma ser uma nova disciplina acadêmica emergente, quais serão suas características distintivas? Posso apenas esboçar brevemente algumas das possibilidades aqui, e espero que me perdoem se eu limitar as minhas observações à Grã-Bretanha, já que este tem sido o foco de minha própria pesquisa.

Dados históricos e sociais nos arquivos maçônicos

À medida que continuamos a explorar o arquivo maçônico, encontraremos uma grande quantidade de informações sobre tipos antigos da história, sobre a realeza, políticos e governos, e isso não pode ser ignorado. Muitos dos Grãos-Mestres ingleses desde 1782 foram membros da família real, mas o significado disso para a monarquia britânica como instituição, nunca foi completamente pesquisado. A Maçonaria é uma das instituições britânicas em que a aristocracia ainda exerce grande influência e o papel da aristocracia na Maçonaria britânica oferece uma área frutífera de estudo para acadêmicos interessados no declínio e queda da aristocracia britânica. Ocasionalmente, a Maçonaria foi envolvida em eventos políticos mais amplos. Por exemplo, em 1929, pouco antes da eleição do segundo governo trabalhista, uma nova loja maçônica, a New Welcome Lodge No. 5139 foi formada a pedido do então Príncipe de Gales. Esta loja era destinada exclusivamente a funcionários e diretores, membros do partido Trabalhista, e reflete a preocupação de que militantes do Partido Trabalhista tivessem sido, com frequência recusados por Lojas Maçônicas. A New Welcome Lodge tinha por objetivo garantir que o novo governo socialista não se alienasse da Maçonaria. Também se esperava que a loja atraísse mais trabalhadores para a Maçonaria, e que os valores maçônicos reduzissem ‘influências perturbadoras’ no chão de fábrica. Embora a New Welcome Lodge tivesse inicialmente muito sucesso no recrutamento de deputados trabalhistas (incluindo Sir Robert Young, o Presidente-adjunto, Arthur Greenwood, Ministro dos Negócios Estrangeiros e Vice-Líder do Partido Trabalhista, e Lindsay Scott, secretário do Partido Trabalhista), a formação do Governo Nacional alterou a situação política, e a partir de 1934, a New Welcome Lodge foi aberta a deputados de todos os partidos e ao pessoal que trabalhava no Palácio de Westminster, tornando-se, essencialmente, um anexo do Palácio de Westminster.

Sem dúvida, as informações mais fascinantes nos arquivos maçônicos são os detalhes sobre pessoas conhecidas que eram maçons. O reformador social e legal, Lord Brougham foi iniciado maçom em um impulso, enquanto estava de férias nas Ilhas Hébridas. Foi este um episódio passageiro na vida de Brougham, ou os valores da Maçonaria influenciaram as reformas legais de Brougham? A mesma pergunta pode ser feita sobre muitas outras figuras de destaque na história britânica que eram maçons. Em julho de 1885, o jornal inglês maçônico, The Freemason, relacionava membros do governo e da família real que eram maçons. Entre os citados pelo The Freemason estavam Sir Charles Dilke, Presidente do Conselho de Governo Local de 1882-1885, que era o líder da facção radical dentro do Partido Liberal e o mais eminente defensor do republicanismo. Apesar de seus pontos de vista republicanos, Dilke se tornou um amigo íntimo do príncipe de Gales. Até onde essa amizade foi fomentada por suas participações na Maçonaria? Da mesma forma, Dilke estava próximo aos líderes republicanos franceses, como Gambetta, que também eram maçons. A lista do The Freemason também incluía um dos opositores políticos de Dilke, Lorde Randolph Churchill, pai de Sir Winston Churchill. Lorde Randolph era um conservador populista cuja personalidade era uma das mais intrigantes na política do século XIX. No caso de Lorde Randolph, uma investigação mais aprofundada de sua carreira maçônica seria interessante até onde ela pudesse ajudar a interpretar seu personagem difícil.

Assim como os arquivo maçônicos fornecem novas informações sobre pessoas, eles, da mesma forma, lançam uma nova luz sobre os lugares. Os arquivos maçônicos são particularmente ricos em informações sobre a vida local e as redes sociais. A campanha por um governo mais democrático da cidade na década de 1820 e 1830 foi ofuscada pelo movimento pela reforma parlamentar; mas a reforma municipal foi, de certa forma, um foco mais potente de ativismo político local. Na cidade de Monmouth, nas fronteiras galesas, uma campanha contra o controle da cidade pelo Duque de Beaufort criou polêmica local acirrada na década de 1820. Os arquivos da Grande Loja Inglesa incluem correspondência que fornecem novas informações sobre essa disputa. O líder do Partido Reformista, Trevor Philpotts, era o venerável mestre da loja maçônica local, a Royal Augustus Lodge. Um dos membros da loja era Joseph Price, membro mal-humorado do grupo que se opunha à reforma. Em 1821, Price foi acusado por Philpotts de abusar de sua posição como magistrado, ao conceder tratamento preferencial a um amigo na prisão. A loja maçônica aprovou uma série de resoluções contra Price, uma das quais se refere ao seu alegado abuso de sua autoridade judicial. Preço protestou junto ao Grão-Mestre, o Duque de Sussex, que aquele procedimento não era maçônico. O Duque suspendeu a loja, para desgosto de Philpotts que estava ansioso para que a loja participasse na próxima consagração de uma loja na cidade vizinha de Newport. Depois de protestos de Philpotts, o Duque levantou a suspensão da Loja. Esta notícia foi recebida com alegria na cidade e os sinos da igreja tocaram em festa. Isto provocou uma nova rodada de correspondência com a Grande Loja, uma vez que Price reclamou que ele só ouviu falar da decisão do Grão-Mestre neste caso, quando os sinos começaram a tocar.

Espaço público e privado

Esse caso ilustra como as lojas eram uma importante característica da vida local. Desfiles e procissões eram até recentemente o maior foco da vida pública nas cidades, e desfiles maçônicos eram particularmente importantes, porque estavam associados a cerimônias realizadas pela Maçonaria para a dedicação dos edifícios públicos e marcavam etapas importantes no desenvolvimento da cidade. Em Sheffield, por exemplo, a abertura de um canal proporcionando a primeira ligação da cidade ao mar em 1819 foi celebrado por procissões das lojas de Sheffield e da região, e extratos de livros de atas maçônicos descrevendo estas cerimônias foram emoldurados e exibidos com orgulho na sede da Companhia do Canal. Tais procissões forneciam uma face pública para a Maçonaria e associavam a Maçonaria à identidade cultural da cidade. Além disso, elas explicitamente vinculavam os maçons à remodelação física do espaço público urbano. Tais marcos na remodelação de Edimburgo entre 1750 e 1820 tais como a conclusão dos novos prédios da universidade, a ponte George IV e as docas em Leith foram marcadas por enormes procissões maçônicas. Em Londres, o Príncipe Regente, que era Grão-Mestre da Primeira Grande Loja era a força motriz por trás da reabilitação de grande parte do extremo oeste. Quando o Príncipe como Grão-Mestre inaugurava formalmente em enormes cerimônias públicas, tais grandes edifícios novos como o Covent Garden Theatre, no local do atual Royal Opera House, essa conjunção entre Maçonaria e espaço público alcançava uma expressão muito potente.

Enquanto a Maçonaria tinha um envolvimento íntimo com o espaço público através da sua atividade processional, as reuniões de loja, ao contrário, ocorriam em um espaço privado fechado, guardado pelo Cobridor. Em um artigo recente, Hugh Urban utilizou as ideias de teóricos como Pierre Bourdieu para analisar as formas como o espaço fechado e o sigilo da reunião de loja facilitaram a elaboração de conceitos de poder social e hierarquia no final do século XIX na América. Alterações em relações espaciais dentro da reunião de loja podiam refletir mudanças sociais mais amplas. Mary Ann Clawson, por exemplo, mostrou como o uso de cenários de palco com arcos proscênio e quedas elaboradas de cortina em iniciações do Rito Escocês a partir do final do século XIX podem estar relacionados ao aumento de atividades de lazer que destacavam o consumo de uma audiência passiva. Na Inglaterra, a expressão mais concreta dessa necessidade de um espaço fechado foi o desenvolvimento do templo maçônico. Até a década de 1850, a maioria das reuniões maçônicas tinha lugar em salas de tavernas, um espaço que estava na fronteira entre o privado e público. A campanha para a construção de templos com finalidade maçônica foi uma expressão do fetiche de respeitabilidade que era uma característica da classe média vitoriana. Em cidades como Sheffield, os templos maçônicos faziam parte do desenvolvimento de um novo centro da cidade com praças e prédios públicos. A criação de tais centros urbanos foi uma expressão espacial do poder da nova elite urbana de classe média, destinados a fornecer, nas palavras de Simon Gunn, “um centro simbólico no coração de um espaço público vazio para afirmar o poder coletivo e a presença da burguesias provincial”. Os templos maçônicos no meio desses centros cívicos, dedicado às cerimônias secretas realizadas por lojas, cuja participação era, em princípio, aberta a todos os homens respeitáveis da cidade, mas que, na prática, era cuidadosamente controlado, simbolizava poderosamente a natureza dessas novas elites.

Continua…

Fonte: https://opontodentrocirculo.com

sexta-feira, 3 de dezembro de 2021

SESSÃO ABERTA COM UM GOLPE DE MALHETE

SESSÃO ABERTA COM UM GOLPE DE MALHETE
(republicação)

Questão que faz o Respeitável Irmão Antonio Raia, sem declinar o nome da Loja, Oriente de Recife, Estado de Pernambuco. antonio_raia@hotmail.com

É que mais uma vez me deparei, com, como direi? Aberrações? Achismos? Falta de conhecimentos? Etc. Pois bem, em uma SESSÃO MAGNA DE INICIAÇÃO de uma Loja aqui no Recife a abertura e fechamento foram feitas por um GOLPE DE MALHETE. Pelo que sei só em SESSÃO DE ELEITORAL é que por ser uma reunião específica de eleição, se abre e se fecha com golpes de malhetes (por não se abrir e fechar o Livro da Lei, e os Irmãos não estarem vestidos maçonicamente). Além disso, o Tronco de Beneficência, também correu de forma errada: No percurso não se fez a estrela de David, foi feito pelo Mestre de Cerimônias no Ocidente e no Oriente feito pelo Irmão 1º Diácono, após levado ao Irmão Tesoureiro para fazer a contagem e ficar sob malhete. Pode ser feito assim? Quanto ao Tronco posso utilizar o Manual de Dinâmica Ritualística (Edição 2004) junto com o Ritual de Aprendiz. E quanto a Abertura e fechamento, só tenho o Código Eleitoral. Teria mais alguma Instrução para apresentar aos "SÁBIOS"? Quem teria autoridade suficiente para abrir e fechar com um golpe de Malhete? Veneráveis? Grão-mestres? E sob qual justificativa?

CONSIDERAÇÕES:

Estas seguem abordando o Rito Escocês Antigo e Aceito – GOB.

O que me relata o Irmão é uma verdadeira aberração, por conta de que o Orador da Loja está sendo conivente com um ato ilícito e que desrespeita um Ritual legalmente aprovado.

Sessão Maçônica aberta e fechada com um golpe de malhete não é Sessão Maçônica! Uma Sessão seja ela magna ou ordinária (econômica) deve seguir rigorosamente o Ritual vigente. O Venerável Mestre não tem prerrogativa alguma para cometer esse despautério. Aliás, jamais e em tempo algum o Orador deveria declarar essa sessão justa e perfeita, já que ela ocorreu de forma contrária às Leis.

Também não está previsto de forma alguma essa “estória” de deixar o Tronco sob malhete, pois para a lisura da sessão o produto deve ser conferido e anunciado aos presentes. Temos lutado contra esses costumes rançosos de tal maneira que fossem extirpados dos rituais - mais uma vez o Orador da Loja
está sendo conivente com uma atitude ilegal.

Salvo assuntos verdadeiramente comprovados nos contraditórios por erro de impressão ou contrários às leis constitucionais e do RGF, o que não é o caso do aqui comentado, descreve a página 12, segundo parágrafo do Ritual de Aprendiz - R⸫E⸫A⸫A⸫ em vigência no GOB: “Nos trabalhos litúrgicos, em qualquer Sessão, é proibida a inclusão de cerimônias, palavras, expressões, atos, procedimentos ou permissões que aqui não constem ou não estejam previstos, assim como é vedada a exclusão de cerimônias, palavras, expressões, atos, procedimentos ou permissões que aqui constem ou estejam previstos, sendo que a transgressão destas advertências configura ilícito maçônico severo e como tal será tratado”.

Como bem diz o texto, as atitudes tomadas conforme vossos relatos configuram-se como no mínimo “ilícito maçônico”.

A circulação do Troco e das Propostas e Informações são formais e para tanto basta seguir a orientação explicitada no mesmo Ritual acima citado na sua página 42.

Em tempo - os Manuais de Dinâmica estão suspensos até segunda ordem pelo Soberano Grão-Mestre. O GOB está preparando um que visa igualar as práticas em todas as Lojas da federação.

Ainda a respeito da circulação da bolsa para coleta do Tronco, a questão não é “Estrela de David”, todavia os cargos de importância considerados tradicionalmente na Maçonaria. Essa correlação com a dita “estrela” é costume ultrapassado ao mesmo tempo em que carece de um bom exercício de imaginação para se hipoteticamente imaginar que o percurso percorrido corresponda a uma estrela que verdadeiramente é composta por dois triângulos equiláteros sobrepostos, estando um com o ápice para cima e o outro com o ápice para baixo. Pela disposição dos seis primeiros cargos abordados no Rito Escocês Antigo e Aceito (que é de origem francesa), jamais teríamos dois triângulos equiláteros (três lados iguais, cujos ângulos internos correspondem a 60 graus cada um – veja o Delta). Além do mais, a “Estrela de David”, ou “Magsen David”, ou ainda “Blazing Star” é alegoria simbólica da Maçonaria Inglesa. A do Rito Escocês (origem francesa) é o Pentagrama, ou a Estrela de Cinco Pontas (hominal).

Na sua colocação sobre Sessão Eleitoral o Capítulo X, Artigo 108, parágrafos e incisos que seguem do Regulamento Geral da Federação determinam o que é “Das Sessões e Da Ordem dos Trabalhos”. Nesse sentido, também é preciso ficar atento para que uma instrução do Tribunal Eleitoral Maçônico não interfira na prática ritualística, pois no Ritual do 3º Grau, Mestre Maçom, R⸫E⸫A⸫A⸫ em vigor no GOB, página 147 determina o procedimento de uma Sessão Extraordinária que, dentre outras, trata de eleições de Grão-Mestre Geral, de Grão-Mestre Adjunto, de Grão-Mestre Estadual e de Grão-Mestre do Distrito Federal e seus adjuntos (RGF, § 4º, Sessões extraordinárias, I). Há que se observar então que nesse ínterim a Sessão, além de ritualística, em hipótese alguma é aberta com um golpe de malhete. O dito “golpe” é dado por ocasião da abertura da Ordem do Dia.

Por fim, existem alguns elementos que se contradizem nos rituais, às vezes por mero erro de impressão ou da falta de atenção no momento da digitação, principalmente com o advento da informática e o costume “copiar e colar”.

Esses casos estão sendo analisados e corrigidos um a um nos três rituais. Ao se deparar com elementos dessa natureza, compete um procedimento de bom senso, estando esse longe de qualquer desrespeito ao ritual ou ilícito maçônico. Agora, alterações como as aqui relatadas e que foram objeto dessas considerações, pelo próprio bom senso dá para se notar que não é nenhum erro de impressão, senão práticas contraditórias e, sobretudo desrespeitosas e contra a Lei, já que um Ritual em vigência está amparado por um Decreto emanado do Soberano Grão Mestre Geral e competentemente publicado em Boletim do Grande Oriente do Brasil. Esse é um fato que não pode ser desconhecido pelo Venerável de uma Loja, muito menos ainda do Representante do Ministério Público Maçônico, o Orador (Guarda da Lei).

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 670 Florianópolis(SC) – 27 de junho de 2012

A LIBERDADE

A LIBERDADE
Autor: Anatoli Oliynik (*)

Liberdade é um termo que usamos todos os dias, pensando conhecer o seu significado; mas a um exame mais cuidadoso vemos que é difícil dar-lhe uma definição precisa e unívoca, tão variados e diversos são os casos em que nós o usamos. Todavia, existe um núcleo fundamentalmente igual que ocorre constantemente: é a ausência de constrangimento.

Em maçonaria, segundo Castellani:

"Liberdade - Substantivo feminino (do latim: libertas, atis), designa a faculdade de fazer ou deixar de fazer uma coisa por vontade própria, sem se submeter a imposições alheias; o gozo dos direitos de homem livre; a licença, a permissão."

Definição:

Geralmente, nós entendemos liberdade como a ausência de constrangimento. A coação pode depender de diversas causas e, por isso, podem ser distinguidos vários tipos de liberdade, dos quais os principais são:

a. Liberdade física: é a isenção de constrangimento físico;
b. Liberdade moral: é a isenção da pressão de forças relativas à ordem moral, como prêmios, punições, leis, ameaças.
c. Liberdade psicológica: é a isenção de impulsos de outras faculdades humanas sobre a vontade para fazê-la agir de uma determinada forma.
d. Liberdade política: é a isenção de determinismos políticos.
e. Liberdade social: é a ausência de determinismos sociais.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

ENTRANDO NO ORIENTE

ENTRANDO NO ORIENTE
(republicação)

Questão apresentada pelo Respeitável Irmão Sérgio Fritsch, Loja Cavaleiros Templários, 3.968, GOB-SC, REAA⸫, Oriente de Fraiburgo, Estado de Santa Catarina. veterinario@bichodamaca.vet.br

Tenho uma dúvida no que se refere à entrada dos Irmãos no Templo, mas precisamente no Oriente (REAA-GOB). Quando o Mestre de Cerimônias convoca os Irmãos a adentrarem ao Templo, os Irmãos sobem imediatamente e ocupam seus lugares; ou seria correto, esses Irmãos aguardarem na subida da Balaustrada como forma de respeito? No Rito Adonhiramita todos aguardam até o Mestre de Cerimônias leva-lo ao Trono de Salomão. Em minha Loja, GOB e do REAA, todos tomam assento imediatamente e por fim o Venerável Mestre adentra ao Oriente e ocupa seu posto. O que é mais correto?

CONSIDERAÇÕES:

No Rito Escocês Antigo e Aceito não existe qualquer procedimento de aguardar o Venerável chegar ao trono para que os demais que tem direito ingressem no Oriente.

Nesse sentido o Ritual em vigência é bem claro quando determina nas instruções da página 44, Rito Escocês Antigo e Aceito – Aprendiz Maçom: “(...) entrando todos em silêncio, ocupando cada qual o seu lugar, conservando-se em pé, (...)” – os grifos são meus. 

No complemento do texto, para que não se choque com o termo “todos”, o mesmo identifica que o Mestre de Cerimônias aguarda para conduzir o Venerável ao Trono. Assim, o termo “todos” especifica que exceto o Venerável e o Mestre de Cerimônias, os demais ocupam os seus lugares em Loja, inclusive os do Oriente. 

Todavia o texto ainda exara que se conservem em pé, obviamente nos seus lugares em Loja tendo cada qual imediatamente à sua retaguarda o assento que deverá ocupar no momento propício. Isso está implícito, porque a primeira ordem do Venerável ao tomar o seu lugar é: “Sentemo-nos, meus Irmãos”.

Resumindo a questão: todos os que ocupam lugar em Loja antes do Venerável entrar, sejam estes no Oriente ou nas Colunas dirigem-se imediatamente para os seus lugares e aguardam em pé. Por fim o Venerável entra, toma o seu lugar e permanece também em pé enquanto aguarda o Mestre de Cerimônias chegar ao seu lugar. Ato seguido ele, o Venerável, ordena: “Sentemo-nos”, o que significa que todos estavam em pé, inclusive o Venerável.

É oportuno o seguinte esclarecimento: os que tomam assento no Oriente o fazem abaixo do sólio. No Altar, toma assento apenas o Venerável Mestre e os Grão-Mestres se forem o caso, salvo a existência de algum artifício previsto em Lei. Mesmo assim, o primeiro a ingressar no Sólio é o Venerável Mestre da Loja.

Quanto à parte da vossa questão que aborda se seria correto numa atitude como forma de respeito, acredito que não por três simples razões. Primeiro, porque ela é inexistente no Rito em questão; segundo, porque a Loja não está ainda aberta e terceiro, porque não está previsto no Ritual em vigência.

Em relação ao que seria mais correto como vosso último questionamento, entendo que o que é correto é apenas e tão somente correto, nem mais, nem menos. Daí o correto é cumprir o que está escrito no Ritual.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JBNews nº 667, 24 de junho de 2012

FRASES ILUSTRADAS

 

VIAGEM AO NOSSO INTERIOR

VIAGEM AO NOSSO INTERIOR

Conceito fundamental 

A noção de que a vida não se encerra com a morte do corpo acompanha a humanidade desde seus primórdios. Na fase pré-histórica , quando não existia a escrita que, mais tarde, possibilitaria registrar as afirmativas da religião a esse respeito, alguns ritos funerários que a arqueologia permite reconstruir, sugerem a crença de que os mortos, de alguma sorte, continuariam a viver.

Já na época histórica mas ainda em plena antiguidade, com as grandes religiões do Egito e da Grécia, da Mesopotâmia e da Ásia, a idéia da sobrevivência se apresenta claramente, associada a mecanismos de justiça pelos quais bons e maus encontrariam sempre as conseqüências de suas ações terrenas.

Na Boa Nova esse conceito ocupa posição central: "Meu reino não é deste mundo" (João 18:36) - afirmou Jesus. Não seria na Terra, tantas vezes estigmatizada pela violência e pela injustiça, que o bem acharia sua recompensa. No Tabor , entidades materializadas se deixam ver ao lado de Jesus que, em diversas ocasiões, advertiu e afastou obsessores, restituindo à normalidade os que lhes sofriam a pressão.

Com o retorno do Mestre, após a crucificação, quando Ele é visto várias vezes, por inúmeras pessoas, a vida espiritual se torna uma certeza que sustenta aqueles companheiros valorosos nas mais difíceis circunstâncias e os leva a trabalhar incansavelmente pela causa do Evangelho.

Com o tempo, contudo – e lamentavelmente – as noções de sobrevivência e vida espiritual perderam importância, passando a condição de simples informações, baseadas em antigos textos e pouco mencionadas, que não conseguiam despertar, em séculos posteriores, a convicção e a coragem que caracterizavam as primeiras gerações cristãs. Não mais se ouviam os profetas( na verdade médiuns) nem as "vozes"( fenômeno de voz direta) comuns nas assembléias do período apostólico, tão bem descritas por Paulo em suas cartas. É que a mediunidade, instrumento natural para o contato ostensivo entre dois planos da vida, fora silenciada ao tomar a organização cristã um cunho acentuadamente administrativo, com seus responsáveis absorvidos por problemas ligados a autoridade e patrimônio. Nesse contexto, os médiuns, que transmitiam as advertências e orientações da esfera superior, foram afastados, caminhando-se então numa religiosidade exterior que apenas afirmava, sem ênfase, a nossa dimensão espiritual, mas cujos praticantes, com raras exceções, viviam como se a vida material fosse a única verdadeira, objeto exclusivo de seu interesse.

Como observa Allan Kardec, "Jesus claramente se refere à vida futura, que Ele apresenta, em todas as circunstâncias, como a meta a que a humanidade irá ter e como devendo constituir objeto das maiores preocupações do homem na Terra".

Fonte: O Pesquisador Maçônico

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

SUBSTITUTOS NA LOJA E OUTRAS PRÁTICAS RITUALÍSTICAS

SUBSTITUTOS NA LOJA E OUTRAS PRÁTICAS RITUALÍSTICAS
(republicação)

Em 10/06/2017 o Respeitável Irmão Fernando Viana, Loja Areópago da Serra, REAA, GOB-RS, Oriente de Bento Gonçalves, Estado do Rio Grande do Sul, solicita informações para o que segue:

Recentemente ouvi algumas colocações feitas por Mestres que me deixaram em dúvida.

Peço teus esclarecimentos quantos as seguintes afirmativas:

a) Os Expertos são os substitutos dos Diáconos?

b) Os Diáconos são os substitutos dos Vigilantes? Se positivo, a substituição se daria de acordo com a joia?

c) Os Diáconos deveriam usar bastão?

d) Os degraus de acesso ao trono do Venerável Mestre significariam Pureza, Luz e Verdade?

CONSIDERAÇÕES:

a) Os Expertos são oficiais experientes (experts) no ofício da Maçonaria para os Ritos que possuem esses cargos. Devido a esse perfil, eles, pelo menos em tese, têm habilidade para substituir outros oficiais da Loja, inclusive, um deles, o Segundo Experto, no REAA⸫ é substituto tradicional do Segundo Vigilante. No que diz respeito à sua questão, eles podem perfeitamente substituir um Diácono em uma eventual ausência, todavia não é regra de que o Experto seja obrigatoriamente o substituto legal, podendo, nesse caso ser outro Mestre.

b) Quem tradicionalmente é o substituto imediato do Segundo Vigilante, como já mencionado, é o Segundo Experto. Mesmo precariamente, quem assume veste a joia do cargo que estará ocupando em substituição. Basta a joia, não os demais paramentos. A questão é de precariedade.

c) Originalmente nunca. No REAA os Diáconos não usam bastão, senão o Mestre de Cerimônias. Infelizmente existem rituais de Obediências brasileiras que por razões históricas enxertaram a prática do uso do bastão pelos Diáconos, mas é atitude equivocada, portanto não recomendada.

d) Os degraus que levam ao sólio tem apenas a finalidade de destaca-lo como lugar de dignidade do dirigente maior da Oficina. Muitos autores, entretanto, ao longo do tempo deram aos degraus nomenclaturas que envolvem tríades com títulos sugestivos inerentes a muitas virtudes aplicadas na Maçonaria. Assim, mesmo sem nenhum óbice quanto às eventuais denominações, não existe uma regra que obrigue identificar cada um dos degraus que levam ao trono. O que eles precisam mesmo é ser em número de três.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

MINUTO MAÇÔNICO

GALO

1º - Simboliza a alvorada de uma nova existência. Dizem os rituais que o profano vai entrar numa vida nova, ou melhor, que vai “renascer para a Maçonaria”.

2º - Simboliza também a Vigilância, indicando que o iniciado deve ser vigilante no papel que tem de desempenhar na sociedade.

3º - Colocado junto à ampulheta, o Galo mostra ao Candidato que o tempo não pára. O Galo é o gerador da esperança, o anunciador da ressurreição. O seu canto marca a hora sagrada de novo alvorecer e o triunfo da Luz sobre as trevas.

4º - No simbolismo dos três princípios herméticos, o Galo representa o Mercúrio, princípio da Inteligência e da Sabedoria. É também o símbolo da pureza.

5º - Em seu múltiplo simbolismo, o Galo alude ao despertar das forças adormecidas que a Iniciação pretende realizar. Esotéricamente, simboliza a “Força moral”, indestrutível, guiando os passos do Maçom dentro e fora do Templo

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

A COLONIZAÇÃO MAÇÔNICA INGLESA

A COLONIZAÇÃO MAÇÔNICA INGLESA: Na Contramão dos Princípios Maçônicos
Kennyo Ismail

1. Introdução

A pesquisadora Jessica Harland-Jacobs (2007) relata que, enquanto em muitos países a Maçonaria se mostrou uma instituição cosmopolita e inclusiva, a Grande Loja Unida da Inglaterra optou por seguir um caminho diverso, tornando-se essencialmente imperialista, branca, protestante e de classe média/média-alta. Em suas próprias palavras, os maçons ingleses “tiveram que negociar uma disjunção entre sua ideologia universalista... e suas funções e pressupostos como imperialistas”.

Jessica teve razões para chegar a essa conclusão. No artigo de Andrew Prescott (2007), por exemplo, vê-se que, logo após a fusão das duas Grandes Lojas inglesas, surgindo então a Grande Loja Unida da Inglaterra, iniciou-se um movimento, capitaneado por Robert Crucefix, para restringir na Inglaterra o ingresso à Maçonaria apenas para cristãos - não católicos, obviamente – além da promoção de um elitismo, taxando maçons escoceses e irlandeses como “mendigos maçônicos”. Prescott ainda registra fatos relacionados às primeiras Lojas Maçônicas inglesas em colônias como a Índia, e o preconceito que reinava nessas Lojas acerca dos nativos das colônias, suas religiões e classe social. Um dos fortes indícios apontados por Prescott para confirmar a tendência religiosa da Maçonaria inglesa são as melodias de origem cristã dos hinos adotados no Ritual de Emulação e em vários outros rituais ingleses.

Sobre a relação do Império Britânico e a Maçonaria, a Enciclopédia Britânica (2014) chega a creditar a disseminação da Ordem Maçônica à expansão do Império. Considerando que 2/3 dos maçons do mundo estão nos Estados Unidos, inicialmente uma colônia inglesa, isso não deixa de ser verdade.

No início do Século XX, o Império Britânico dominava 1⁄4 da população e do território do planeta (MADDISON, 2001). Entretanto, hoje possui de fato apenas quatorze territórios ultramarinos fora do Reino Unido, tendo todos os demais domínios, protetorados, colônias e territórios sob seu domínio decretado independência. Partindo da premissa de estrita relação entre a “colonização britânica” e sua “colonização maçônica”, o presente estudo tem por objetivo verificar o atual status dessa última.

2. A Maçonaria Inglesa fora da Inglaterra

A seguir, apresento um levantamento de todas as Grandes Lojas Distritais subordinadas à Grande Loja Unida da Inglaterra (UGLE, 2014). São, ao todo, 33 (trinta e três) Grandes Lojas Distritais sem soberania maçônica, localizadas na Europa, Ásia, Oceania, Américas e, principalmente, na África.

É feita uma breve descrição do histórico de domínio britânico no território em que está localizada cada Grande Loja Distrital, de forma a compreendermos as razões que levaram à sua existência. Dentre todos os casos, verifica-se apenas uma incongruência: o Brasil.

2.1. Europa 
2.1.1. Grande Loja Distrital de Chipre

Chipre é uma ilha do mar mediterrâneo, próxima à Turquia, Síria, Líbano e Grécia. Foi colônia britânica de 1878 até sua independência, em 1960. Ainda possui território ultramarino britânico (VARNAVA, 2009).

2.1.2. Grande Loja Distrital de Gibraltar

Gibraltar é uma pequena península no sul da Península Ibérica. É território ultramarino britânico desde 1713 (CONN, 1943).

2.2. Ásia 
2.2.1. Grandes Lojas Distritais de Bengala, Bombaim, Madras e Norte da Índia

Essas quatro Grandes Lojas Distritais estão localizadas em quatro importantes regiões da Índia, que foi colônia britânica a partir do Século XIX, até 1947 (TOMLINSON, 1975).

2.2.2. Grande Loja Distrital do Arquipélago Oriental

Localizada na Malásia. Muitos dos Estados da Malásia eram colônias britânicas do Século XVIII até a segunda metade do Século XX (POWELL, 2002).

2.2.3. Grande Loja Distrital de Hong Kong

Hong Kong tornou-se colônia britânica após a 1a Guerra do Ópio, no Século XIX, até 1997, quando a China reassumiu essa Cidade-Estado (BOYLE, 1997).

2.2.4. Grande Loja Distrital do Paquistão

O Paquistão esteve sob domínio britânico entre 1947 e 1956 (GANGULY, 2001).

2.2.5. Grande Loja Distrital de Sri Lanka

Sri Lanka, ilha ao sul da Índia, foi colônia britânica de 1796 a 1931 (SILVA, 1981).

2.3. África 
2.3.1. Grande Loja Distrital da África Oriental

Localizada no Quênia, colônia britânica de 1885 até 1963 (GERTZEL, 1970).

2.3.2. Grande Loja Distrital de Gana

Gana, país da África Ocidental, foi colônia britânica entre 1874 e 1957 (AUSTIN, 2007).

2.3.3. Grandes Lojas Distritais de Kwazulu-Natal, do Estado Livre de Orange, da Divisão Central da África do Sul, da Divisão Oriental da África do Sul, da Divisão Ocidental da África do Sul, e do Norte da África do Sul 

São seis Grandes Lojas Distritais em diferentes regiões da África do Sul. A África do Sul foi colônia britânica de 1843 até 1961 (WORDEN, 2012).

2.3.4. Grande Loja Distrital de Namíbia

A Namíbia foi uma província da União Sul-Africana a partir de 1918, a qual era um domínio britânico desde 1910, até 1961. A África do Sul declarou independência do Império Britânico em 1961, mas permaneceu colonizando a Namíbia por mais cinco anos, quando a mesma conquistou sua independência (MARSHALL, 1996).

2.3.5. Grande Loja Distrital da Nigéria

A Nigéria, localizada na África Ocidental, foi colônia britânica do final do Século XIX até 1960, quando se tornou independente (GALLAGHER, 1982).

2.3.6. Grande Loja Distrital de Serra Leoa e Gâmbia

Serra Leoa foi protetorado britânico a partir de 1808 até 1971. Gâmbia foi colônia britânica de 1857 a 1965 (MARSHALL, 1996).

2.3.7. Grande Loja Distrital de Zâmbia

Zâmbia está localizada na África Austral. Colônia britânica a partir de 1888 até 1963 (HYAM, 2010).

2.3.8. Grande Loja Distrital de Zimbabwe e Malawi

O Zimbabwe tornou-se colônia britânica em 1888, declarando independência em 1965. Malawi também esteve sob domínio britânico, de 1891 a 1964 (MARSHALL, 1996).

2.4. Oceania 
2.4.1. Grandes Lojas Distritais da Ilha do Norte e da Ilha do Sul – Nova Zelândia

A Nova Zelândia foi colônia britânica a partir de 1841. Em 1947, passou a ser um reino da Comunidade Britânica, tendo a Rainha Elizabeth II como Chefe de Estado (GALLAGHER, 1982).

2.5. Américas 
2.5.1. Grande Loja Distrital de Bahamas e Ilhas Turcas

Bahamas e Ilhas Turcas foram colônias britânicas a partir de 1718. Bahamas é internamente independente, mas ainda está sob a tutela da Inglaterra, tendo a Rainha Elizabeth II como Chefe de Estado. As Ilhas Turcas são território ultramarino britânico (OLSON, SHADLE, 1996).

2.5.2. Grande Loja Distrital de Barbados e Caribe Oriental

Barbados tornou-se colônia britânica ainda em 1624, alcançando sua independência em 1966, mas mantendo-se membro da Comunidade Britânica (ARMITAGE, 2000).

2.5.3. Grande Loja Distrital de Bermuda

Bermuda é território ultramarino britânico desde 1609 até atualmente (Ibidem).

2.5.4. Grande Loja Distrital de Guiana

Anteriormente conhecida como Guiana Inglesa, foi cedida pela Holanda à Inglaterra em 1814. Tornou-se independente em 1966, mas permanece como membro da Comunidade Britânica (MARSHALL, 1996).

2.5.5. Grande Loja Distrital da Jamaica e Ilhas Cayman

A Jamaica tornou-se domínio britânico em 1655, alcançando independência em 1962, mas ainda compondo a Comunidade Britânica e tendo a Rainha Elizabeth II como Chefe de Estado. As Ilhas Cayman ainda são um território britânico ultramarino (GALLAGHER, 1982).

2.5.6. Grande Loja Distrital de Trinidad e Tobago

Trinidad e Tobago foram cedidas à Inglaterra em 1802, alcançando sua independência em 1962 (MARSHALL, 1996).

2.5.7. Grande Loja Distrital da Divisão Sul da América do Sul

Sede na Argentina. A Inglaterra domina as Ilhas Malvinas desde 1833 e venceu a Argentina pela disputa desse território num conflito conhecido como Guerra das Malvinas, em 1982. As Ilhas Malvinas são consideradas território britânico ultramarino (BECK, 1988).

2.5.8. Grande Loja Distrital da Divisão Norte da América do Sul

Localizada no Brasil, único país com uma Grande Loja Distrital da Grande Loja Unida da Inglaterra que nunca foi colônia britânica e que nunca teve ou tem em seu território um território britânico ultramarino.

3. Brasil: única exceção

Para compreender essa anomalia maçônica ocorrida no Brasil, faz-se necessário recorrer à obra de Peter Swanson (1928), intitulada “A História da Maçonaria Simbólica ‘Craft’ no Brasil. Ressalta-se que tal obra foi à época sancionada pelo Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil. Em suas páginas, há a menção de que a Loja “Eureka”, trabalhando no Ritual de Emulação, apresentou em 1902 ao Grande Oriente do Brasil o que o autor chama de “diferenças”, pois acreditavam “que não poderiam reconciliar os seus princípios com certas disposições estabelecidas pela Constituição” (SAWNSON, 1928, p.10).

Em seguida, o autor esclarece quais seriam essas “diferenças”, esses “princípios” irreconciliáveis, ao relatar episódio ocorrido em 1909 (p. 10):
Mas a tese que causou um alarme muito sério para os Irmãos de fala inglesa foi a proposta (do GOB) de que “o momento histórico atual exige a simplificação dos rituais, através do que o princípio da mais ampla tolerância dominará no interior de todos os templos, abraçando o âmago da Maçonaria, deístas e ateus, sectários de quaisquer religiões e livres pensadores”. Tal era a situação naquela época e muitos Irmãos acharam que era impossível continuar sob o Grande Oriente, nas circunstâncias (GRIFO NOSSO).

Os maçons ingleses, temerosos por essas iniciativas maçônicas do Grande Oriente do Brasil, que afrontavam os princípios de regularidade da Maçonaria inglesa, enviaram várias correspondências suplicando a atenção da Grande Loja Unida da Inglaterra para o problema que enfrentavam. O receio maior, conforme o autor, era o de serem considerados irregulares em sua própria terra natal. A reação da Grande Loja Unida da Inglaterra foi por meio de correspondência de seu então Grande Secretário, E. Letchworth, ao Grande Oriente do Brasil, em 1912. Correspondência essa que consta como anexo da obra (pp. 38-40):
Foi representado, à Grande Loja Unida da Inglaterra que assuntos britânicos que pertencem a diversas fraternidades Maçônicas no Brasil e na Argentina, encontram-se em considerável dificuldade em termos de consciência, vendo que os princípios e objetivos da Maçonaria praticada na América do Sul diferem muito daqueles observados neste país. Estes Irmãos estão, é claro, ansiosos para serem recebidos como Maçons quando retornarem à sua terra natal e existem sérios obstáculos para eles serem reconhecidos como tal, em vista de sua associação presumida com propaganda antagônica aos seus corpos religiosos e com simpatia por movimentos políticos. 
Deve ser, naturalmente, do vosso conhecimento que os princípios vitais e fundamentais da Maçonaria inglesa, impedem os membros do Craft neste país e em todo o Império Britânico, de se engajarem, como Maçons, em controvérsias religiosas ou políticas, de maneira que eles são, naturalmente, avessos a associação com aqueles que se acredita que usam a Maçonaria para essa finalidade. (...) 
Nestas circunstâncias, o Venerabilíssimo Grão-Mestre da Grande Loja Unida da Inglaterra decidiu enviar uma representação de eminentes Irmãos para averiguar in loco dentro das circunstâncias reais do caso e relatar à Grande Loja (GRIFOS NOSSOS).
O resultado dessa missão inglesa ao Grande Oriente do Brasil foi a criação do Grand Council of Craft Masonry in Brazil, um embrião do que viria a se tornar a Grande Loja Distrital, proposta inglesa inicial que havia sido devidamente rejeitada pelo então Grão-Mestre, Lauro Sodré.

Posteriormente, a Diretoria de Assuntos Gerais do gabinete do Grão-Mestre da Grande Loja Unida da Inglaterra envia um relatório da referida missão no Brasil, a ser lido na Comunicação Trimestral daquela Grande Loja, em 1813 (pp.11-21):
Por alguns anos, foram feitas representações ao Muito Venerável Grão-mestre a respeito de que os Maçons Ingleses residentes no Brasil encontravam dificuldades de reconciliar a sua associação com os Maçons daquele país, com estrita adesão aos princípios dos Maçons Ingleses, sendo estes de reconhecimento do G. A.D.U. e a abstenção, nas Lojas, de controvérsias religiosas ou políticas. (...)
Profundamente impressionado com a importância dessas representações e convencido de que nada, a não ser a negociação pessoal, poderia obter um acordo satisfatório, o M. V. Grão-Mestre decidiu, com o consentimento da Diretoria, a quem essa intimação fora cortesmente comunicada, adotar a conduta incomum de mandar uma Missão ao Brazil. (...)
O Grão-Mestre considera que a Missão se desincumbiu da sua missão com habilidade e sucesso, altamente creditáveis a eles próprios e amplamente satisfatório para ele. Descobriu-se que seria impossível obter o consentimento do Grande Oriente para o estabelecimento da jurisdição direta da Grande Loja da Inglaterra no território do Brasil, mas um acordo foi concluído, o qual, na opinião do Grão Mestre, asseguraria, efetivamente, a independência para as Lojas no Brasil compostas de britânicos e garantiria a regularidade dos seus trabalhos, em conformidade com os princípios da Maçonaria inglesa. Mais do que isso, descobriu-se ser não somente impraticável, mas impossível e a Diretoria à qual o Venerabilíssimo Grão Mestre atenciosamente comunicou a correspondência concernente à Missão, recebe com prazer a garantia de que o acordo é aceitável e satisfatório (GRIFOS NOSSOS).
As razões que motivaram os maçons ingleses no Grande Oriente do Brasil a recorrerem à Grande Loja Unida da Inglaterra ficaram explícitas no relatório: a supressão da menção ao Grande Arquiteto do Universo e a discussão de questões políticas e religiosas. A Grande Loja Unida da Inglaterra agiu rapidamente, enviando uma comitiva ao Brasil para negociar a fundação de uma Grande Loja Distrital da Grande Loja Unida da Inglaterra em território brasileiro. A proposta foi, acertadamente, rejeitada pelo Grande Oriente do Brasil, de forma tão enfática que a comitiva relatou que “seria impossível obter o consentimento do Grande Oriente para o estabelecimento da jurisdição direta da Grande Loja da Inglaterra no território do Brasil”.

No entanto, em 1935, um tratado de reconhecimento mútuo foi assinado entre a Grande Loja Unida da Inglaterra e o Grande Oriente do Brasil, e as dez Lojas que compunham o Grand Council of Craft Masonry in Brazil foram desligadas do Grande Oriente do Brasil e passaram a pertencer à recém-fundada Grande Loja Distrital, recebendo registros na Grande Loja Unida da Inglaterra (GENZ, 2013). Ou seja, o que antes era impossível aconteceu, e a Grande Loja Unida da Inglaterra alcançou seu intuito inicial, fazendo valer os esforços daquela comitiva de 1912.

A justificativa mais aceitável para essa mudança drástica de postura do Grande Oriente do Brasil, de “nunca” para “só se for agora”, foi a transformação do cenário maçônico nacional. Em 1935, já havia dez Grandes Lojas Estaduais brasileiras, somando muitos reconhecimentos internacionais, principalmente nos Estados Unidos. Portanto, aquela soberania maçônica territorial, que anteriormente tornava a proposta inglesa totalmente inaceitável, agora estava ameaçada. Assim, os termos ingleses pareciam naquele momento tanto quanto toleráveis em contrapartida ao que estava sendo oferecido: exclusividade de reconhecimento, a qual durou mais de meio século.

4. Considerações Finais

É fato que o Império Britânico alcançou plena expansão no Século XIX, levando consigo sua cultura e tradições às colônias, entre elas, sua Maçonaria elitista, composta por homens brancos de ternos pretos. Entretanto, apesar do declínio do império no Século XX, acentuado após a 2a Guerra Mundial, a Grande Loja Unida da Inglaterra conseguiu manter sua colonização maçônica nos principais territórios que um dia estiveram sob domínio britânico.

Como pôde ser visto, a disparidade ocorre no Brasil, único país sem qualquer histórico de autoridade britânica em seu território, mas que permitiu a presença de uma Grande Loja Distrital da Grande Loja Unida da Inglaterra em sua jurisdição a partir de 1935, por força de um tratado entre o Grande Oriente do Brasil e a Grande Loja inglesa. É, assim, o único país com uma Grande Loja Distrital que não é uma ex-colônia e não tem em sua costa um território britânico ultramarino. E as razões e motivos que levaram a isso foram explicitados no capítulo anterior.

Até mesmo algumas colônias britânicas que alcançaram sua independência já “nacionalizaram” sua Maçonaria, extinguindo uma ou mais Grandes Lojas Distritais de seus territórios. Essa é a tendência a ser observada nas demais localidades durante o Século XXI, e espera-se que no Brasil não seja diferente, com a incorporação das Lojas que compõem a Grande Loja Distrital da Divisão Norte da América do Sul a uma Obediência brasileira, de preferência o próprio Grande Oriente do Brasil, que permitiu seu surgimento.

Ora, todo maçom já ouviu falar que a Maçonaria é universal, sem preconceitos de fronteiras e raças. Sendo assim, não há qualquer necessidade de um maçom, seja qual for sua nacionalidade, se submeter à organização maçônica de sua terra natal enquanto vive em uma nação que possui suas próprias organizações maçônicas. As Obediências brasileiras estão repletas de estrangeiros em suas Lojas. Com os ingleses não deveria ser diferente.

Importante registrar que, quando essa incorporação ocorrer, isso nada acarretará ao reconhecimento da Grande Loja Unida da Inglaterra a Obediências brasileiras (reconhecimento esse, diga-se de passagem, tão superestimado no meio maçônico nacional), visto não ocasionar em qualquer irregularidade que justifique um rompimento. Trata-se não apenas de um futuro ato de soberania maçônica, tão explícita na literatura da antiga fraternidade, num território que simplesmente nunca esteve sob o cetro da Coroa Britânica. Trata-se, principalmente, de honrar o trabalho e vida maçônica de maçons patriotas como Lauro Sodré, que há mais de 100 anos fizeram o que era certo e disseram não à Inglaterra e sim ao Brasil.

5. Referências Bibliográficas

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Fonte: www.cienciamaconaria.com.br

MAÇONS, "LIVRES PENSADORES". . .

MAÇONS, "LIVRES PENSADORES". . .

Aqui há uns tempos em conversa com um amigo sobre determinado tema, disse-lhe eu isto: “eu apenas te mostro o mapa, caberá a ti escolheres o caminho”. E de facto esta é a realidade em que temos de viver. Ou seja, nós somos as nossas “escolhas”, nós somos as “decisões” que tomamos e as ações que decidimos praticar.

Por mais que uns nos digam para irmos para a “esquerda” , outros para a “direita” e alguns inclusive nos digam para seguir pelo “meio”, a decisão final sairá de nós próprios, da nossa vontade, independentemente das indicações e dos conselhos que recebamos e que possam nos auxiliar na decisão a tomar.

Se decidirmos agir de certa maneira, coincidindo ou não com o que a generalidade ou somente com o que alguns considerem sobre tal , foi a nossa mente que o decidiu.

Assim, todos nós na nossa Vida somos - e seremos sempre - responsáveis por aquilo que decidirmos, sejam ações ou palavras e até mesmo pelos mais simples pensamentos.
- Fomos nós que os criamos/produzimos, logo somos nós responsáveis por eles, por inerência-.

Por mais influências que recebamos externamente, é o nosso íntimo, o nosso “Soi”, que irá efetuar a escolha do que concretamente iremos fazer.

Será a mais correta?!

Será a mais eficaz?!

Será a mais proveitosa?!

O que sabemos é que é a nossa decisão e apenas isso. Foi o que optámos por decidir. E que tal decisão seja sempre tomada em consciência com os princípios que advoguemos e com os quais nos sintamos devidamente identificados.

-Sejamos honestos, íntegros e coerentes nas nossas decisões!-

Os maçons, “livres-pensadores” como orgulhosamente se assumem, devem ter bem a noção de tal. Não bastará assumir algo ou determinada coisa para depois não se praticar isso na realidade.

É sempre esperado que um maçom use o seu bom senso e os seus bons costumes para decidir, se possível sempre, da melhor forma possível face às situações que a vida lhe apresenta.

-Tem o dever de agir dessa forma!

O que poderá acontecer, e muitas vezes é inevitável tal, é que nem sempre as decisões tomadas possam ser as melhores ou mais corretas, uma vez que o maçom, tal como outro ser humano qualquer, também erra, mas como maçom tem a obrigação de aprender com esse erro e evitá-lo no seu futuro.

E aqui assumo que os maçons também erram, infelizmente algumas vezes e talvez, digo eu, vezes demais. Mas como o maçom é alguém que busca evoluir espiritualmente, ele também estará susceptível de efetuar mudanças no seu comportamento; logo também as suas decisões serão influenciadas pelas mudanças/”transformações” que sofrer e as suas atitudes se revelarão melhor no seu comportamento e carácter. Tudo isto em prol do seu auto-aperfeiçoamento enquanto ser humano.

Isso será o tal “polimento”, o tal “burilamento da pedra bruta” que na Maçonaria tanto se fala.

Os vícios ou erros comportamentais que possam ter existido na sua conduta no passado, deverão ficar aí mesmo, no passado. E “como de passado apenas vivem os museus” (como é usual se afirmar), no momento da Iniciação, no momento em que o recém neófito encontra a sua primeira centelha da Luz, nasce como uma nova pessoa, um “novo Homem”, e como tal terá acesso a “ferramentas sociais e espirituais” que poderá utilizar para melhor atingir o seu “nirvana”, por assim dizer.

O que interessa por vezes não é o mapa mas o caminho que se seguiu, mesmo para o nosso auto-aperfeiçoamento, o que importa é que decidimos livremente as decisões que tomámos e que escolhemos sempre, mediante o que a vida nos vai apresentando e mediante as condições que temos, mas que foram as melhores decisões que considerámos que podíamos e/ou devíamos tomar ou ter tomado. Isso sim, é o mais importante nisto tudo.

Este caminho que seguimos é feito sozinho (somos nós que o temos que fazer) mas não é solitário (pois outros o fazem também) e temos ter a consciência e a noção disto.

Se olharmos para o lado veremos alguém a viver as mesmas situações ou outras, com decisões tomadas semelhantes ou completamente diferentes daquelas que, se fosse connosco, tomaríamos. A vida é isto mesmo, cheia de imponderáveis e é essa uma das mais valias de viver, a cada passo dado, a cada momento, nunca sabemos o que se seguirá, apenas o podemos tentar prever e nada mais.

O que concluindo posso afirmar é que independentemente das decisões e escolhas que tomemos, somos nós que o deveremos fazer e não outrem. E por elas nos responsabilizarmos. São estas decisões que nos definem como pessoas!

A grande diferença que temos em relação aos restantes seres vivos é a nossa “massa cinzenta” e que é devido a ela que pudemos livremente pensar.

É altura de a começarmos a valorizar mais e principalmente em a começar a usar de uma forma correta e eficiente.

E posto isto, porque não… pensar?!

Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br