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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

ESQUADRO OPERATIVO E ESQUADRO EMBLEMÁTICO - OBJETOS DIFERENCIADOS

Em 13.07.2022 o Respeitável Irmão Petrônio Cardoso Júnior, Loja Tiradentes, 1204, REAA, GOB-MG, Oriente de Campo Belo, Estado de Minas Gerais, faz a seguinte pergunta:

ESQUADRO – RAMO MAIOR E MENOR

Meu questionamento é sobre o esquadro. Qual ramo deve ser posicionado à direita (sul), o menor ou o maior?

Tudo visto pela perspectiva do Orador, ao abrir o Livro da Lei.

Entendo ser o menor, por ser aquele que a haste do Compasso, se sobrepõe no 2⁰ Grau (conforme consta na Orientação Ritualística para REAA). Se puder me responder lhe agradeço.

CONSIDERAÇÕES:

A bem da verdade, esse é um assunto que nem deveria ser discutido se não fossem as inserções equivocadas que vemos rotineiramente em muitos rituais.

Historicamente, o Esq∴ que é parte componente das GGr∴ LL∴EEmbl∴ da Maçonaria não é literalmente um objeto utilizado nas construções, portanto, no rigor da tradição não deveria ter ramo maior ou menor, e nem possuir graduação. O Esq∴ que vai unido ao Comp∴ sobre o L∴ da L∴ não tem ramos desiguais. Por ser um elemento emblemático esse Esq∴ não é uma ferramenta de trabalho.

Vale lembrar que os componentes que formam o Esq∴ denominam-se “ramos”.

Diferente de um Esq∴ operativo que tem ramos desiguais, ou seja, com cabo e que é literalmente usado como ferramenta de trabalho na oficina (canteiro de trabalho), o Esquadro emblemático, com ramos iguais, forma com o Compasso um símbolo altamente expressivo na Maçonaria. Ambos unidos e posicionados sobre o L∴ da L∴ representam a Loja e a etapa de aperfeiçoamento do Maçom. É, para muitos estudiosos, inclusive um Landmark da Ordem.

No contexto esotérico da Maçonaria, o Esq∴ emblemático (ramos iguais) simboliza a atmosfera material, enquanto que o Comp∴, nessa circunstância, simboliza a espiritual.

Assim, sob essa conjunção esotérica de símbolos, o Esq∴ emblemático não carece possuir ramos desiguais, quer dizer, ter um cabo (segmento menor) e um elemento de graduação (segmento maior). Nessa contingência, ambos os ramos são iguais.

NOTA - É bom que se diga que o adjetivo “emblemático” aqui utilizado e associado ao substantivo Esq∴, tem o desiderato de dar um caráter abstrato ao símbolo, ou de um sinal distintivo. Quanto ao adjetivo “operativo” aqui utilizado e também associado ao substantivo Esq∴, busca evidenciar a ideia de algo operoso, construtivo, produtivo.

Não menos importante que o Esq∴ emblemático (ramos iguais), o Esq∴ operativo (ramos desiguais) é literalmente uma ferramenta de trabalho. Nesse sentido, o mesmo possui de fato um segmento menor que serve como cabo (por onde o profissional o empunha) e outro semento maior graduado (referências de medida). Graças a isso é que o Esq∴ utilizado na construção possui ramos diferenciados no seu comprimento.

Além de ser um objeto utilizado para medir e aferir os cantos, o Esq∴ operativo (ramos desiguais) é também o símbolo representativo do triângulo retângulo, figura geométrica elementar na aplicação 47ª Proposição de Euclides.

A geometria, criada no Egito para medir as terras férteis do Nilo e a posteriori trazida para a Grécia por filósofos e sábios gregos, acabaria construindo conceitos filosóficos como uma Verdade Universal – é a concepção do Grande Geômetra e a Ordem, Harmonia e Equilíbrio do Universo.

A proposição euclidiana, experimentada por Pitágoras, foi largamente difundida entre os maçons operativos, já que eles a utilizavam no ponto inicial de uma construção a partir da “pedra angular”, marco primitivo que ia assentado geralmente no canto nordeste do canteiro de obras.

Assim, o canto esquadrejado era demarcado pelo cordel com 12 nós equidistantes (trena) e conferido pelo Esq∴. Era o ponto de referência, ou o ponto de partida.

Nas guildas de construtores da Idade Média – nossos ancestrais - o Esq∴operativo, junto ao Nível e ao Prumo eram ferramentas largamente utilizadas na edificação das catedrais, igrejas, mosteiros e abadias, por exemplo.

Graças a isso e respeitando a verdadeira história é que o Esq∴ com ramos desiguais (com cabo e graduação) deveria ser a joia distintiva do Venerável Mestre, e não ao contrário como frequentemente constatamos em certos rituais. Lembra-se que o Venerável Mestre na Moderna Maçonaria era no passado operativo o Mestre da Obra. Ele, então de posse do Esq∴ operativo (ramos desiguais), junto com os Vigilantes, ambos munidos do Nív∴ e do Pr∴respectivamente, determinavam os parâmetros construtivos da edificação

É por isso que a joia distintiva do Venerável Mestre é de fato o símbolo do Esq∴operativo (ramos desiguais), enquanto que o Esq∴ emblemático (ramos iguais) é o que se junta ao Comp∴ sobre o L∴ da L∴.

É o mesmo artefato, mas de funções diferenciadas na liturgia maçônica. Bom mesmo seria se os “compiladores” de rituais se apercebessem disso.

Então, a questão do ramo maior ou menor do Esq∴, no caso dele ser uma das GGr∴ LLuz∴ EEmbl∴ me parece não fazer o menor sentido.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

A ESCOLA

Rui Bandeira

Uma Loja maçónica deve ser também uma escola. Uma escola diferente. Não propriamente um local onde se ensina matéria única para alunos múltiplos. Antes um meio de proporcionar a cada elemento, que é ÚNICO, porque diferente de todos os outros, os meios, o ambiente, a vontade, a orientação, para que ele apreenda (mais do que simplesmente aprenda…) os múltiplos ensinamentos éticos e morais que a vida nos ilustra e exige que um homem verdadeiramente de bem pratique.

A Loja maçónica é uma escola que não ensina. Pelo menos, nada ensina de novo. Ou nada que não possa ser aprendido noutros locais, noutras escolas, em livros, publicações, etc.. No entanto, é um lugar onde se aprende.

Aprende-se porque não se limita a ouvir uma palestra ou lição. Aprende-se porque se vivem as situações que demonstram ou sugerem os princípios ou ensinamentos éticos ou morais que se tornam patentes até perante os olhos mais distraídos.

Aprende-se porque não é exibido ou induzido um pensamento único, uma formatação, antes se facultam painéis de onde cada um retira elementos para que seja a sua própria inteligência, a sua própria vivência, a sua própria personalidade a formular o conceito, a integrar o pensamento.

Aprende-se – sempre! Mesmo quando se “ensina”. Sobretudo então. Porque, ao apontar ao Aprendiz um símbolo, ao fornecer-lhe pistas para que ele o interprete, ao executar o ritual para evidenciar um dado ensinamento ético ou moral, o Mestre está, por sua vez, ele próprio a aprender.

Aprende-se com o auxílio dos Mestres. Mas estes também aprendem com o auxílio dos Aprendizes e Companheiros. Não há alunos e professores. Há iguais descobrindo em conjunto como cada um pode ser melhor.

Aprende-se, aprende-se mesmo, coisas novas, porque a maçonaria procura pôr em prática o ideal iluminista em relação ao conhecimento. E, portanto, todos sabem que, por muito que saibam, muito mais desconhecem e podem aprender. Cada um contribui com a sua área de conhecimento para ilustração dos demais. E assim todos podem aprender um pouco de (quase) tudo. E quanto mais diversificada for a Loja, mais se pode aprender.

Por isso, em Loja tanto valor tem o Professor Doutor como o operário ou o indiferenciado. Aquele proporciona ensinamentos a estes – mas também destes recolhe ensinamentos, que complementam a sua profunda formação.

Em Loja, cada um põe em comum o que sabe e retira do bolo comum o que precisa de saber, da forma como lhe dá jeito retirar, ao ritmo a que lhe é possível retirar. Por isso em Loja não há ideologias incensadas ou proscritas ou recomendadas, não há conceitos únicos ou favorecidos ou aconselhados. Há um meio, um espaço e um tempo para cada um se melhorar a si próprio, aprendendo com os demais o que tiver de aprender, seguindo os exemplos que entender dever seguir.

Em Loja, homens livres e de bons costumes cultivam a Liberdade e, em espírito de Igualdade, Fraternalmente cooperam, no sentido de todos e cada um, permanecerem livres, em si mesmos e de preconceitos e de vícios, e sejam cada vez de melhores costumes.

Na escola que é a Loja maçónica, aprende-se e ajuda-se os outros a aprender. Mas – sobretudo! – vive-se!

In Blog “A Partir Pedra” – Texto de Rui Bandeira (03.02.2010)

Fonte: rimad.net

quinta-feira, 5 de janeiro de 2023

VACÂNCIA DEFINITIVA DO CARGO DE 2º VIGILANTE

Em 12/07/2022 o Respeitável Irão Marcial Custódio Borges, Loja Luz do Triângulo, 4121, REAA, GOB-MG, Oriente de Uberlândia, Estado de Minas Gerais, apresenta a seguinte questão:

VACÂNCIA DEFINITIVA DO 2º VIGILANTE

Pergunto: Não tem legislação informando sobre a substituição do Segundo Vigilante; então, no caso de vacância definitiva, quem o substitui? Tem que realizar eleições?

CONSIDERAÇÕES:

O 2º Vigilante, terceiro na hierarquia da administração da Loja, por ser um cargo eletivo, a vacância do seu cargo deve seguir a legislação eleitoral do GOB (procure-a acessando GOB LEX).

Caso a ausência do 2º Vigilante for precária, isto é, temporária, no caso do 2º Vigilante, quem assume a sua vaga emergencialmente é o 2º Experto.

Em resumo, se a vacância definitiva, segue-se o que reza a legislação eleitoral; se for precária, não definitiva, segue o que é consuetudinário no Rito.


T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

FRASES ILUSTRADAS

 

O SIGILO MAÇÔNICO

Ir∴ Arthur Aveline
Pesquisa Ir∴ Jaime Balbino de Oliveira

A Maçonaria é uma Instituição universal, reservada, parcialmente secreta, de princípios iniciático-filosóficos. Segue uma simbologia e uma ritualística que envolve juramentos sigilosos. Apesar de possuir regulamentos conhecidos, não significa, como defendem alguns setores, que seja uma sociedade “discreta”. O Simbolismo e seus significados são ocultos para o mundo profano, e até mesmo para muitos, e porque não dizer, para a maioria dos Maçons. Seguindo essa ordem de raciocínio, podemos classificar a Maçonaria como uma sociedade Secreta, muito embora se possa encontrar bibliografia maçônica em qualquer livraria ou sebo.

Para uma melhor compreensão do tema, é importante ver o dizem nossas Leis básicas, que são os Landmarks e a Constituição de Anderson.

O 23º Landmark, da compilação de Mackey, refere-se ao sigilo dos mistérios e práticas maçônicas. Este Landmark prescreve a conservação secreta dos conhecimentos havidos pela Iniciação assim como os métodos de trabalho, as Lendas e Tradições, que somente poderão ser comunicadas a outros IIr∴

Nicola Aslan, em sua conhecida obra Landmarks e Outros Problemas Maçônicos, assim comenta este Landmark: “Não é certo que a Maçonaria seja uma sociedade secreta, pois entende-se por sociedade secreta aquela cuja existência é ignorada e cujos membros são desconhecidos. Mas é um Landmark que os segredos da Maçonaria não se devem divulgar.”(grifos nossos). Seguindo esse raciocínio, não poderiam existir sociedades secretas conhecidas, pois suas existências são desconhecidas, assim como seus membros. Ainda segundo Nicola Aslan, apenas alguns Landmarks podem realmente ser considerados com tal, e entre eles está o trabalho secreto das Lojas e a proibição de divulgação dos Segredos da Maçonaria, o que, por si só empresta à Maçonaria seu caráter secreto.

A Primeira Edição do Livro das Constituições, na parte concernente às regras de conduta que devem ser observadas diante daqueles que não são Maçons, recomenda que “os Maçons devem ser circunspectos em suas palavras e obras, a fim de que os profanos, ainda os mais observadores, não possam descobrir o que não seja oportuno que aprendam.”

Por seu turno, a Declaração de Princípios das Grandes Lojas Brasileiras, em seu art. 6º, aliena ‘a’, exige e considera essencial e indispensável o sigilo absoluto.

Também os Regulamentos Gerais da Ordem consideram infrações maçônicas graves revelar segredos da Ordem (sinais, toques e palavras), a quem estiver impedido de recebe-los, bem como violar juramento prestado, traindo os princípios, dogmas e credos da Ordem. Segundo esses mesmos Regulamentos, comete infração no grau de violação de juramento quem revela, sem autorização, rituais, cerimônias e outros mistérios, protegidos pelo segredo maçônico, ou revela fato ou assunto tratado em Loja, não gravado em Balaústre, ou discute publicamente, no mundo profano, as deliberações da Loja ou atos passados no interior do Templo. A pena para essas infrações pode ser até a exclusão da Ordem, tal a gravidade atribuída à quebra do Sigilo Maçônico. Essas regras são comuns a várias Obediências, em sua essência.

Como se nota, existem inúmeras razões para se classificar a Maçonaria como Sociedade Secreta. A existência de um método de reconhecimento de seus membros além de vários ensinamentos que só se comunicam aos que passaram por um ritual de iniciação — indispensáveis para que se reconheça um Ir.: como Maçom —, atestam esta afirmativa. 

Esta índole secreta é inerente à Maçonaria desde a sua fundação e está assegurada em seus antigos Landmarks. Se a despojarmos desse caráter secreto, por certo deixaria de ser Maçonaria para ser mais uma entidade ou instituição filantrópica e humanista, mas não Maçonaria, pois lhe faltaria um elemento caracterizador essencial: o sigilo. Todavia, nem tudo na Maçonaria é segredo, uma vez que seus propósitos e finalidades são de domínio público e os Maçons podem exibir sua condição publicamente como tal. Logo, há coisas que se pode revelar a profanos e outras que não se pode revelar. Nem tudo é mistério. Mas isso, não basta para caracterizar a Maçonaria como uma sociedade discreta, pois sua razão de existir, ou seja, seus ensinamentos, são sigilosos e secretos, transmissíveis apenas aos seus iniciados.

É importante referir que a palavra iniciação vem do Latim initiatio, de initiare, e designava, entre os romanos, a admissão nos mistérios de seus ritos secretos e sagrados. Durante a Antigüidade havia duas espécies de Iniciação, denominadas de pequenos e grandes Mistérios. A primeira se referia a uma compilação das ciências ditas elementares e de princípios gerais do Ocultismo. A segunda, a Iniciação dos Grandes Mistérios, abrangia a metafísica das ciências, assim como a prática da Arte Sagrada, ou seja, todo o conjunto das ciências denominadas ocultas.

No Ritual de Iniciação é dito ao profano, pelo Ven∴Mestr.:, que toda associação tem leis particulares e todo associado deveres a cumprir. Então o Ven∴ determina ao Ir∴Orad∴ que exponha ao profano a natureza desses deveres.

Diz então o Ir∴Orad∴

“O primeiro de vossos deveres é o mais absoluto silêncio acerca de tudo quanto ouvirdes e descobrirdes entre nós, bem como de tudo quanto, para o futuro, chegardes a ouvir, ver e saber.”

Esse primeiro dever é exageradamente rigoroso, todavia, a fórmula do juramento que é revelada ao candidato é um pouco mais flexível:

“Juro guardar o mais profundo silêncio sobre todas as provas a que for exposta minha coragem”.

Vemos que aí, o sigilo refere-se às provas, à prática maçônica, e não a tudo o que vier a ver, ouvir e saber.

No Juramento, propriamente dito, o candidato se compromete a nunca revelar os mistérios da Maçonaria que lhe serão confiados, senão em Loja regularmente constituída, nunca os escrever, gravar, traçar, imprimir, ou empregar outros meios, pelos quais possa divulgá-los. E o juramento, por comprometer de forma definitiva aquele que o presta, empresta à Maçonaria seu caráter secreto e sigiloso, sob pena de se cometer perjúrio.

Somente após o candidato prestar o juramento de segredo é são comunicados os segredos do Grau de Apr∴ M∴, ou seja os sinais, os toques e as palavras que permitem aos Maçons o reconhecimento entre si.
Não obstante os juramentos iniciáticos, Jules Boucher, autor de importantes obras sobre as ciências secretas, defende a opinião de que os segredos maçônicos devem ser compartilhados com os profanos, pois dessa forma, segundo o citado autor, a Maçonaria passará a ser encarada em sua verdadeira essência. Parece que tal posicionamento na verdade desvirtua a verdadeira essência maçônica, até porque, correríamos o sério risco de reconhecer um profano como Ir∴, já que nossos mistérios e segredos iniciáticos estariam ao alcance de qualquer um, tenha ele boas ou más intenções, em relação ao seu uso. As conseqüências daí resultantes são imprevisíveis.

Acreditamos que o fato de a Maçonaria ter dois aspectos distintos o Exotérico e o Esotérico faz com que as discussões sobre o Sigilo Maçônico não obtenham uma unanimidade, ou pelo menos, uma orientação única.

O aspecto exotérico (jurídico) lhe assegura a qualidade de sociedade civil e trata dos meios de organização da Instituição, seus regulamentos e princípios, que são públicos e de conhecimento geral. Essa característica faz com que certos setores considerem ser nossa Instituição apenas discreta.

Mas a característica mais importante da Maçonaria é o seu aspecto esotérico, que lhe confere seu perfil de associação moral e espiritual, o que vem a ser a verdadeira razão de ser da Instituição Maçônica. Aí estão incluídos seus Ritos, Liturgia, bem como o ensino simbólico e filosófico, que devem, por força do Juramento Iniciático, serem cobertos das indiscrições profanas.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

quarta-feira, 4 de janeiro de 2023

EXPEDIENTE DA LOJA II

Em 26.07.2022 um Respeitável Irmão, sem mencionar o nome da Loja, do Rito e Oriente, GOB-SP, Estado de São Paulo, faz a seguinte pergunta:

MATÉRIA DO EXPEDIENTE

Rogo ao Irmão e sua sabedoria, ajudar-me sobre um tema o qual localizei vossas considerações em seu blog, porém, respeitosamente afirmo que ainda tenho dúvidas. O tema é sobre o que ler na "Leitura e destino do expediente". Em minha Loja houve uma ávida discussão sobre os conteúdos. Resumindo, gostaria de saber se pode ser lido as pautas que serão discutidas na Ordem do dia. Um exemplo: ler sobre os assuntos que serão discutidos e votados na Ordem do dia, tais como: cronograma de 2022 da Loja. Exemplo: instituição das comissões. Esses assuntos podem ser lidos no expediente?

CONSIDERAÇÕES:

O expediente da Loja consta de correspondências rotineiras recebidas e emitidas, tais como convites, requerimentos, ofícios, atos, Decretos, Leis e outros elementos do gênero.

O expediente maçônico envolve o que é rotineiro na repartição, no caso, na Loja, e em particular, na sua secretaria

Agora ler pauta da Ordem do Dia no expediente... Obviamente que não. Nesse sentido então pergunta-se: para que ler duas vezes a mesma coisa durante a sessão? Ora, isso além de ser um contrassenso, é também um artifício para abusar com a paciência dos outros.

Nessa conjuntura eu lamento é a Loja se propor à discussões sobre assuntos como esse durante a sessão.

Vale lembrar que andamento dos trabalhos de uma Loja é dividido em períodos, justamente para promover organização e ordem, ou seja, cada assunto abordado no seu devido tempo. Contrariar isso é algo no mínimo improdutivo.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

CERTIFICAÇÃO PELOS VIGILANTES

Em 11.07.2022 o Respeitável Irmão que se identifica apenas como Samuel, Loja Tabernáculo, 3418, REAA, GOB-SP, Oriente de São Paulo, Capital, apresenta a seguinte questão:

CERTIFICAÇÃO PELOS VIGILANTES.

Uma dúvida sobre a abertura dos trabalhos no REAA. Na parte onde há a verificação se todos os presentes são maçons, vejo que nos graus 2 e 3 os Irmãos de ambas as Colunas se viram para o Oriente, de modo a não saber como o irmão de trás está posicionado, e os Vigilantes conferem um a um (quando não ocupam cargos). Mas no 1º Grau não há uma explicação sobre se os Irmãos das Colunas ficam de frente para onde já estão posicionados ou se viram-se para o oriente. Qual seria a posição dos irmãos na hora da conferência pelo 1º Vigilante?

CONSIDERAÇÕES:

É uma questão de prudência em relação aos outros dois graus subsequentes.

No tocante ao REAA, conforme o ritual no 1º Grau, o 1º Vigilante faz a verificação de forma coletiva no Ocidente. Vale destacar que por questão iniciática no Oriente, por ser o lugar da Luz, não existe telhamento.

Por se caracterizar como a primeira etapa do aprendizado, durante essa passagem litúrgica ainda não há exame individual, bastando que cada um do seu lugar se apresente ao Vigilante ficando à Ordem. Por não existir nessa ocasião reconhecimento individual é que no 1º Grau não há necessidade de que todos os Irmãos do Ocidente se voltem para o Oriente. O examinador, nesse caso, é apenas o 1º Vigilante que, do seu lugar, no extremo do Ocidente faz a verificação visual.

Iniciaticamente isso implica que o Aprendiz, ainda em início de jornada, representando a infância - do homem e da humanidade – sem discernimento suficiente, não tem liberdade para se deslocar livremente pelo Ocidente da Loja – não está habilitado profissionalmente para trabalhar no Sul. Graças a isso é que o Aprendiz não tem Pal∴ de Pas∴.

Isso pode ser melhor compreendido em se fazendo, ainda que forma sintética, uma abordagem histórica sobre as nossas origens.

Desse modo, nos tempos da Maçonaria Operativa (nossos ancestrais desde o período medieval) não existiam graus especulativos, todavia eram classes profissionais, das quais somente a classe dos Aprendizes Admitidos e a dos Companheiros de Ofício.

Na época dos nossos antepassados a Loja (oficina, corporação de ofício profissional) era dirigida por um Companheiro dos mais experimentados.

Ele geralmente era escolhido pela sua habilidade profissional, bem como pelo seu senso de liderança e organização, pesando também, às vezes, até a sua condição econômico-social.

A esse Companheiro designava-se o título de Mestre da Obra, não da Loja, a despeito de que ele era na verdade um Companheiro Maçom escolhido entre os demais de uma mesma corporação profissional. Não existia na época o grau especulativo de Mestre Maçom, portanto a Loja (canteiro de obras), como visto, era constituída por Aprendizes e Companheiros, somente.

Vale lembrar que no período operativo, ou do ofício, as Lojas eram criadas com o fim único de construir uma determinada catedral, igreja, mosteiro, abadia, dentre outros. Geralmente se reuniam nos adros das igrejas e mais tarde também em tabernas e hospedarias.

No período medieval era uma corporação de ofício contratada para construir para a Igreja Católica (clero). Essas guildas de construtores privilegiados a partir do século XIII ficariam conhecidas como Franco-maçonaria.

Assim, na época dos nossos ancestrais os Aprendizes geralmente permaneciam reclusos ao canteiro de obras (sigilo profissional) e não tinham ainda permissão para se locomover à procura de trabalho. Por ser um negócio altamente lucrativo, os planos da obra eram cuidadosamente guardados e eram de fato verdadeiros segredos conservados pelas corporações.

O caráter de liberdade para o maçom aprendiz (protegido pelo Mestre da Obra) somente ocorreria após a sua ascensão profissional e também depois do pagamento pela carta que lhe autorizava, como maçom, agora livre, a viajar em busca de novos contratos de trabalho – era mesmo um negócio profissional.

Os maçons livres eram, em linhas gerais, os Companheiros do Ofício que, habilitados na forma de costume, recebiam também sinais e uma palavra de passe para “pedir passagem” pelas diversas corporações que atuavam naquela época em cantarias construindo catedrais e similares, principalmente no Norte da França e Alemanha, assim como na Irlanda, Escócia e Inglaterra.

Após o declínio da Franco-maçonaria e o florescimento da Maçonaria Especulativa, ou dos Aceitos, por volta do século XVII, a Moderna Maçonaria (primeiro quartel do século XVIII), por intermédio de alguns dos seus ritos, revive no simbolismo através de suas práticas ritualísticas essas velhas tradições.

Por exemplo, no caso do REAA e as verificações pelos Vigilantes, essa lembrança é revivida no segundo dever de um Vigilante quando das providências tomadas para se abrir uma Loja.

Assim, em Loja de 1º Grau, onde o Aprendiz iniciaticamente representa a infância e por isso simbolicamente possui restrição de mobilidade, para se identificar com tal à distância para 1º Vigilante, o faz do seu lugar e apenas pelo seu respectivo sinal, enquanto que nas Lojas de Companheiro e Mestre, devido a prudência ser maior nesses graus, as suas verificações, no Ocidente, ocorrem de modo individual por cada Vigilante na sua coluna.

Nesse contexto vale a pena lembrar que o grau especulativo de Mestre Maçom, em termos históricos é o mais recente, e é natural da Moderna Maçonaria, portanto do século XVIII. Nasceu oficialmente de um desdobramento do Grau de Companheiro em 1725 e fora universalmente oficializado na Inglaterra em 1738.

Por fim, essa é uma síntese das origens e do porquê dessas diferenças litúrgicas entre o grau de Aprendiz e o de Companheiro e Mestre Maçom nas verificações pelos Vigilantes.

Dependendo dos rincões terrenos em que nasceram os ritos maçônicos, é possível dizer que qualquer passagem ritualística originalmente construída, tem para si uma base histórica, iniciática e até mesmo cultural. Sob a óptica da razão e da originalidade, desprezando-se os enxertos e as invencionices, com certeza para tudo há uma explicação em Maçonaria.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MINUTO MAÇÔNICO

TOLERÂNCIA 2º

1º - No plano maçônico temos que a meta para combater e eliminar a mãe de todos os vícios, tem como premissa o culto aos sábios princípios da Tolerância, do Amor Fraternal e do Respeito a si mesmo.

2º - A Tolerância constitui uma das mais importantes virtudes para a Maç:. , pois possibilita a convivência dentro das LLoj:. e de IIrm:. de todas as tendências de pensamento e credos, fazendo com que se acate com suficiente humildade as diferenças e desníveis inerentes ao padrão de individuação de que somos possuidores.

3º - Desta forma faz-se necessário compreender a virtude da tolerância como imperativo essencial ao pleno exercício da atividade maçônica, por ser esse o caminho factível para suplantar os óbices e alcançar em sua dimensão plena a solidariedade e o espírito fraterno.

4º - A negação a atitudes intolerantes conduz necessariamente ao reconhecimento e à compreensão dos valores espirituais alheios, divergentes e até adversos.

5º - Ao Maçom, por ser Maçom, é dever por princípio estar atento e combater com veemência estas distorções da personalidade com constância e serenidade.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

SER MAÇOM

Ir∴Valdemar Sansão

Os fortes são tolerantes; os fracos são rígidos.
Os fortes compreendem; os fracos julgam!

Ser Maçom – Ser Maçom é usar as perdas para refinar a paciência. Usar as falhas para esculpir a serenidade. Usar a dor para lapidar o prazer. Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência.

Ser Maçom não é caminhar sem acidentes, trabalhar sem fadigas, relacionar-se sem decepções. Ser Maçom é encontrar força no perdão, esperança nas batalhas, amor nos desencontros.

Ser Maçom não é apenas valorizar o sorriso, mas refletir sobre a tristeza. Não é apenas comemorar o sucesso, mas aprender lições nos fracassos. Não é apenas ter júbilo nos aplausos, mas encontrar alegria no anonimato.

Ser Maçom é reconhecer que vale a pena viver a vida, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.

Ser Maçom é ter coragem para ouvir um “Não”. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. É conviver com os Irmãos, mesmo que algum deles nos magoe.

Ser Maçom é ter firmeza para falar “eu errei”. È ter ousadia para dizer “perdoe-me”, É ter sensibilidade para dizer “eu preciso de você”. É ter capacidade de dizer “Irmão, eu o amo”.

União Fraterna – é um esforço moral e intelectual através do qual os Maçons se unem para alcançar os objetivos da Instituição. Com a união fazendo a força, poderemos realizar propósitos que seriam inatingíveis por ação isolada de cada um. A União, a Concórdia é uma palavra que se opõe a desunião, discórdia etc. que dividem os homens, quando o objetivo essencial e básico é a união entre os seres humanos e principalmente entre os Maçons.

Em Maçonaria, a união é simbolizada pelo louro, pelo beijo da paz e pela Cadeia de União.

A União maçônica, ou seja, a união das Obediências e de todos os Maçons tem sido objeto de todas as comunidades maçônicas do mundo, que desejam implantar, além da concórdia e da harmonia, o sentimento de trabalho conjunto, em benefício do ideal da construção social, que é a meta maior da moderna Maçonaria. A realidade é que o Homem, sendo apenas perfectível – enquanto que a instituição, doutrinariamente, é perfeita – tem colocado a perder a maior parte das boas intenções nesse sentido. por vaidades pessoais e pela ambição do mando e da supremacia.

Enquanto não houver uma conscientização em torno do tema e enquanto os homens não se despirem de todos os preconceitos e de todas as vaidades, a união total será uma quimera, as uniões parciais serão cada vez mais efêmeras. Erramos e erraremos diversas vezes, mas esse é o preço da conquista. Não há vitórias sem derrotas nem pódio sem labuta. Mas sempre existe a esperança de que um dia isso se torne possível.

Rito – significa um caminho trilhado e, metaforicamente, um costume de há muito seguido. Como termo maçônico, significa um método de conferir a Luz Maçônica por uma coleção e distribuição de Graus. É o método e a ordem observados no governo de um Rito Maçônico.

Em geral, dá-se o nome de rito às cerimônias de uma religião, às formas e aos usos da liturgia e também à maneira como se praticam e à ordem prescrita para esta ou aquela cerimônia do culto, para distinguir um rito do outro.

Em Maçonaria chama-se Rito, o conjunto de regras ou preceitos com os quais se praticam as Cerimônias e são comunicados os Sinais, Toques e Palavras e todas as Instruções Secretas dos Graus. Rito é, em outras palavras, uma codificação de certas cerimônias.

A Maçonaria é composta de vários Ritos reconhecidos e de outros que não o são. Apesar de diversos, têm todos os pontos fundamentais de contato e de doutrina e em nada alteram seu fim essencial. A declaração de princípios que a Ordem apresenta nos seus Estatutos é respeitada por todas as Oficinas, de qualquer Rito. A unidade de doutrina se estabelece, servindo então eles para diferenciarem apenas os hábitos administrativos, para identificar o Iniciado no sentido oculto do Grau para estimular a perfeição necessária na aplicação da doutrina e estabelecer normas particulares de ação, baseadas, tão somente, em regras tendentes a disciplinar e cultivar a fraternidade. Nada, pois, têm os Ritos com a doutrina que fundamenta a Ordem.

Rito Escocês Antigo e Aceito - Este Rito compreende trinta e três Graus, inclusive os Graus universais de Aprendiz, Companheiro e Mestre.

O seu título original era “Rito Escocês Antigo e Aceito” e assim subsiste nos EUA, na Inglaterra e no País de Gales, ele é conhecido com o nome de Rito Antigo e Aceito”, a fim de evitar a crença errônea de que “Escocês” fosse o lugar geográfico do seu nascimento.

Ritual – Enquanto Rito é a cerimônia estabelecida pela lei, ou pelo costume, tendo um efeito religioso ou mágico, o Ritual é um sistema de Ritos e Cerimônias. Chama-se também Ritual o livro que indica os Ritos ou consigna as formas que se devem observar na prática de uma religião ou de um cerimonial.

Ritual, em Maçonaria, é o livro que contém a Ordem, as fórmulas e demais instruções necessárias para a prática uniforme e regular dos Trabalhos Maçônicos em geral. Cada Grau tem o seu Ritual particular e também cada espécie de Cerimônia, havendo Rituais de Iniciação, de Banquetes, de Adoção de Lowtons, de Confirmação de Casamento, de Honras Fúnebres etc. A adoção e aprovação dos Rituais são da alçada das autoridades superiores do Rito de cada Corpo ou Potência jurisdicional.

Cada prática que se deve observar só será útil se sair das páginas impressas do Ritual e for inscrita nas páginas do seu coração. Elas abrirão janelas da sua inteligência. Que janelas? As janelas que arejam seu potencial intelectual e sua capacidade de amar a vida, os Irmãos, a Loja, a Sublime Ordem e tudo que as promovem. Leia e releia-as, elas nos levam a contemplar o belo e fazer pequenas coisas lindas e ocultas que nos rodeiam. E perceber além das imagens e das palavras.

Estudar e Pesquisar - a busca, a pesquisa, o estudo são os meios de que dispomos para aumentar o conhecimento. Em Loja, corremos o risco de ser envolvidos por afirmações de Irmãos que desejam brilhar nas reuniões e emitir opiniões, mas não se dedicam ao estudo e não têm consciência de que Maçonaria é uma grande escola, mas pouco ensina para quem não sabe ser Aprendiz. Sabendo pouco sobre o que está nos Rituais, tentam explicar o que não sabem. É desse modo que nascem as “invenções”. A fala bonita, grande parte das vezes, faz com que nos coloquemos em guarda. É, sobretudo nesse ponto que, como Maçom, nos apegamos à moral cética (que duvida de tudo). Já os romanos afirmavam que é duvidando que alcançamos a verdade – dubitando ad veritatem pervenimus.

O Maçom deve adotar o comportamento cético, isto é, posicionar-se prudentemente diante de afirmações que pretendam ensinar alguma coisa ou mesmo solucionar os óbices apresentados por certos problemas que surgem a cada instante em nossas vidas.

Tenhamos sempre presente que, por mais que pensemos ter alcançado grande sabedoria, nosso conhecimento é quase nada, diante da imensidade de coisas que ignoramos.

Sigamos o exemplo dos céticos que ensinavam que a sabedoria não consiste propriamente no conhecimento da verdade, mas na constante busca da mesma. Para o pesquisador maçônico deve interessar, antes de tudo, a existência de indícios culturais entre a coisa pesquisada e o simbolismo da Ordem Maçônica.

Afinal, o que é estudar? O que é pesquisar? O estudar consiste na busca de novos conhecimentos para enfrentar as provas da vida; as rejeições, as angústias, as dificuldades, para aprender a dialogar; a pensar. E assim terá coragem de dizer e humildade ao falar.

Pesquisar é procurar saber o que escreveram sobre determinado assunto alguns bons escritores. Não se faz pesquisa buscando saber a opinião de um autor. Não, pesquisa se faz procurando saber o que escreveram dois, três ou mais autores. Pesquisar um só autor é meio caminho andado para nos tornarmos meros repetidores de idéias alheias. Pesquisar é reunir munição para a arma do pensamento. A pesquisa aumenta, sem dúvida alguma, o poder do conhecimento. Pensar, meus caríssimos Irmãos, é uma arte. Felizes aqueles que sabem pensar. E nada melhor para aprimorar o pensar que o hábito da busca, da procura, o hábito de estudar e pesquisar.

Fonte: JBNews - Informativo nº 194 - 09/03/2011

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

ORADOR AD HOC

Em 10.07.2022 o Respeitável Irmão Aloísio Antonio Ferreira, Loja Jorge Emídio Cipriano, 4.098, sem mencionar o nome do Rito, GOB-RJ, Oriente e Estado do Rio de Janeiro, faz a seguinte pergunta:

ORADOR AD HOC

Gostaria de tirar uma dúvida que surgiu entre os irmãos. Na falta do Orador de ofício em uma sessão, é colocado um Mestre Maçom para ocupar o cargo como Orador Ad hoc. A pergunta é a seguinte: Após a leitura da Ata, da sessão anterior, onde o Orador foi o de Ofício e deu a sessão como justa e perfeita, o Orador Ad hoc vai poder assinar esta Ata, colocando o P/ seu nome e o CIM?

CONSIDERAÇÕES:

Em linhas gerais sim, porque é consagrada a forma de se ler e aprovar na sessão em curso, a ata da sessão anterior.

Entendo que na ocasião em que a ata é lida e aprovada, assinam nessa nessa oportunidade o Venerável Mestre, o Orador e o Secretário.

No REAA, tomando-o como exemplo, o Mestre de Cerimônias, colhe as assinaturas na ata, oportunidade em que ele coleta também a do Orador, não importando se é o de ofício ou o ad hoc.

Nesse sentido, o ocupante do cargo de Orador, no caso o Orador ad hoc, é quem acrescentará à sua assinatura a expressão latina que é comumente usada nessas ocasiões.

Vale mencionar que a expressão latina ad hoc menciona aquele que é designado ou arranjado especialmente para executar uma tarefa - no nosso caso é o Orador ad hoc que exerce o cargo pela falta do titular.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

OS LANDMARKS DA MAÇONARIA REGULAR: A REGRA EM 12 PONTOS

Rui Bandeira

Em inglês, "Land" significa "terra" e "mark" traduz-se por "marca", "alvo". "Landmark" é, assim, a marca, o sinal, na terra, e, mais especificamente, os sinais colocados nos terrenos para assinalar a sua delimitação em relação aos terrenos vizinhos. Em suma, "landmark" é, em português, o marco, no sentido de marco delimitador de terreno.

Fazendo a transposição para a Ordem Maçónica, Landmarks são, correspondentemente, os princípios delimitadores da Maçonaria, isto é, os princípios que têm em absoluto de ser intransigentemente seguidos para que se possa considerar estar-se perante Maçonaria Regular.

Ou seja, os Landmarks são o conjunto de princípios definidores do que é Maçonaria. Só se pode verdadeiramente considerar maçom quem, tendo sido regularmente iniciado, seja reconhecido como tal pelos outros maçons e observe os princípios definidores da Maçonaria constantes dos Landmarks.

Porque definidores do que é Maçonaria Regular, os Landmarks fixados são imutáveis.

Porém, existe um problema: não existe uma lista “oficial” de Landmarks comum a todo o mundo maçónico! São conhecidas várias listas de Landmarks, elaboradas por maçons estudiosos e ilustres, mas… por muito estudiosos e ilustres que foram, nenhum tinha mandato específico para fazer essa definição!

Há listas de Landmarks elaboradas por Albert G. Mackey (25), George Oliver (31), J. G. Findel (9), Albert Pike (5), H. G. Grant (54), A. S. Mac Bride (12), Robert Morris (17), John W. Simons (15), Luke A. Lockwood (19), Henrique Lecerff (29).

Estas listas de Landmarks, repito, não vinculam senão os seus autores e espelham, além dos seus conhecimentos, também os seus preconceitos e os das suas épocas. É célebre, por exemplo, o Landmark 18 de Mackey que, além de afirmar a masculinidade da Maçonaria, impõe que nem escravo nem aleijado possa ser admitido maçom. Perante o evidente preconceito de Mackey, fruto da época e ambiente em que vivia, modernamente faz-se uma interpretação “habilidosa” do Landmark e postula-se que o maçom deve ser “livre de vícios” e não deve ser “aleijado de caráter”. Mas, meus caros, não foi isso que Mackey quis dizer e disse: Mackey escreveu que “os candidatos à Iniciação devem ser “isentos de defeitos ou mutilações, livres de nascimento e maiores”. Manifestamente que se referia a defeitos e mutilações físicas, não morais. Evidentemente que, para ele, ser “livre de nascimento” não tinha nada a ver com ser nascido livre de vícios (pois todos nascemos sem vícios – quem os tem, adquire-os mais tarde), antes se referia a não ter nascido escravo. Repare-se que nem sequer os escravos libertos, segundo Mackey, podiam ser maçons… Percebe-se talvez assim porque é que algumas Grandes Lojas do Sul dos EUA, ainda eivadas de muito racismo, continuam a defender que Prince Hall não foi validamente iniciado maçom, pois o homem foi escravo liberto…

Nos tempos de hoje, com a evolução de mentalidade que (felizmente) houve no último século, esta postura preconceituosa não pode ser admitida. Daí a interpretação “habilidosa” a que me referi. Mas, se os Landmarks são imutáveis, então tem igualmente de o ser a sua interpretação! Logo, não há que interpretar habilidosamente o Landmark 18 de Mackey. Há que, pura e simplesmente afirmar, alto e bom som e de cabeça levantada, que aquilo não é Landmark nenhum, e ponto final!

Algumas Grandes Lojas optaram por criar listas de Landmarks próprias. É o caso, por exemplo, das Grandes Lojas de New Jersey (10), do Tennessee (os 15 de John W. Simons), do Connecticut (os 19 de Luke A. Lockwood), do Minnesota (26), do Massachussets (8), do Kentucky (os 54 de H. G. Grant) e a Grande Loja Ocidental de Colômbia (20).

Na Europa, a Grande Loja Nacional Francesa codificou o que designou de “Regra em 12 pontos”, pela qual definiu o que se contém dentro do conceito de Maçonaria Regular – ou seja, definiu os seus Landmarks da Maçonaria Regular (http://www.glnf.fr/fr/Regle-en-douze-points-franc-maconnerie-238).

Que tem isso de diferente ou especial, uma vez que, como acima referi, várias outras Grandes Lojas fizeram o mesmo? A diferença – de que o tempo se encarregará de nos mostrar a sua real relevância – é que, enquanto cada uma das Grandes Lojas da América que fixaram Landmarks o fizeram por si e sem preocupações de alinhamento ou partilha com as demais, a iniciativa da GLNF tem conduzido a um movimento de expansão da Regra dos 12 Pontos, de aceitação desta codificação de Landmarks por outras Obediências.

A Grande Loja Legal de Portugal/GLRP adotou também a Regra em 12 Pontos (https://www.gllp.pt/index.php/as-doze-regras-da-maconaria-regular). A Grande Loja de Espanha assim o fez também (http://gle.org/la-regla-en-12-puntos/). Mas o movimento não é só europeu. Várias Grandes Lojas africanas de países de expressão francesa também adotaram a Regra em 12 pontos, designadamente a Grande Loja Nacional Togolesa (http://glnt.tg/ e aí ir a Les principes fondamentaux/ La règle en 12 points). Também a Grande Loja de Moçambique adotou a Regra em 12 pontos (a GL de Moçambique não tem ainda sítio na Internet; têm de acreditar na minha palavra…).

A Regra em 12 pontos, verdadeiros Landmarks da Maçonaria Regular, vai sendo progressivamente adotada por Obediências Regulares da Europa e de África. É tempo de a divulgar junto dos Irmãos da América Latina – talvez no âmbito da Confederação Maçónica Interamericana.

Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br

segunda-feira, 2 de janeiro de 2023

SAGRAÇÃO DO ESPAÇO DESTINADO AOS TRABALHOS MAÇÔNICOS

Em 03.07.2022 o Respeitável Irmão Marcos Albuquerque, Loja Abrahão Jabour, Rito Brasileiro, GOB-RJ, Oriente do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, faz a seguinte pergunta:

SAGRAÇÃO DE TEMPLO

Templos não sagrados podem fazer sessão ordinária?

CONSIDERAÇÕES:

Entendo que se existe ritual para Consagração (sagração) de Templo em vigência, obviamente que uma Loja deve trabalhar ritualisticamente em um espaço consagrado para os trabalhos maçônicos, isto é, tenha sido inaugurado de acordo com o ritual previsto, cujo qual é amplamente conhecido como Ritual para Sagração de Templo.

No caso do GOB há um ritual desses em vigência. O mesmo se encontra encartado em um mesmo volume denominado Rituais Especiais (Sessões Exclusivas), edição de 2016.

Esse volume na realidade contempla vários rituais, como o de Pompas Fúnebres, Sagração de Estandarte, etc. Dentre eles está o de Sagração de Templo.

Por oportuno vale mencionar que o termo "sagração" em Maçonaria nada tem a ver com práticas de conceitos religiosos ou mesmo relacionado a uma religião.

Sagração, no nosso caso, se trata de consagrar, ou seja, dar dignidade a um espaço, ou recinto, para que neles possam ser efetuados trabalhos ritualísticos em sessões ordinárias e magnas.

Em linhas gerais é a inauguração de um espaço próprio para práticas maçônicas. É o lugar ajustado onde se reúne a Loja identificada pelo sei Estandarte.

Nesse sentido, é a Obediência a quem a Loja está subordinada que expede o Ato de Sagração, bem como cabe também a ela nomear a Comissão de Sagração.

Salvo em algumas reuniões em que se admite a presença de não-maçons, no geral Sessões Ordinárias (econômicas) ou Magnas exclusivas para maçons devem ser realizadas em espaços consagrados conforme os costumes.

Por fim, é oportuno lembrar que os trabalhos maçônicos ocorrem em ambientes cobertos, ou seja, onde de fora nada se escute e nem se veja o que se passa. Assim não se justificam certas invencionices de alguns que querem irregularmente realizar as tais “sessões a céu aberto”. Ora, se assim fosse, então que finalidade teria um ritual de Sagração de Templo? Qual a serventia do Ato de Inauguração expedido pela Obediência? Acaso seria o ritual opcional? Parece que não.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

DEVÍAMOS TER UM RITO MODERNO BRASILEIRO? UM RMdoB?

José Filardo M.M

Publicamos anteriormente um artigo onde explicamos, ou tentamos explicar, o motivo pelo qual o Rito Moderno no Brasil (e na Bélgica) atingiu seu estado atual de extrema objetividade e racionalidade.

O artigo provocou interessantes reações, entre elas a reação do irmão Victor Guerra, respeitado autor espanhol de obras sobre o Rito Francês ou Moderno, que tem uma enorme vivência do rito, não só na Espanha, mas também diretamente no Grande Oriente de França. Dia o irmão Victor: “Muito interessante a entrada, embora falte um estudo do impacto do positivismo no GOdF e suas consequências.”

Ao que respondemos: “Sim, por suposto, mas esse é um tema que foge à proposta de visualizar o Rito Moderno no Brasil. Na França o que deve ter acontecido é o que sempre acontece na maçonaria: os conservadores descontentes desertaram o RF em favor do REAA, e os novos irmãos, nos cinquenta anos em que a reforma Amiable vigorou, passaram a ter um perfil mais politizado que finalmente colocou o GOdF mais à esquerda no espectro político francês. Essa é minha opinião, fique claro.

Em termos de Brasil, sim, é necessário ─ com todas as dificuldades que a falta de documentos traz ─ analisar como e se a adoção do RM resultante da reforma Amiable teve consequências mais ou menos importantes para o Grande Oriente do Brasil.”

Assim, propomos uma discussão do assunto, até que as condições excepcionais da pandemia permitam a realização do Segundo Congresso Nacional do Rito Moderno, que é o fórum adequado para tal discussão. Todos sabemos que os congressos servem muito mais para expor conclusões de estudos, mais que propriamente discuti-los.

Devemos, penso eu, aproveitar o tempo e as facilidades virtuais descobertas com a pandemia para conduzir uma ampla discussão do Rito, visando resultados a serem desovados no congresso nacional.

A DISCUSSÃO

A educação no Brasil deixa muito a desejar, todos sabemos. As melhores escolas raramente oferecem uma formação medianamente aprofundada e palidamente abrangente. O resultado é que poucas pessoas, exceto especialistas, conseguem discutir assuntos filosóficos e políticos, com segurança.

Sendo assim, como pedreiro-livres precisamos construir essa discussão a partir dos princípios. Proponho, primeiramente uma atualização de conhecimentos sobre Augusto Comte e o Positivismo enquanto filosofia e visão de mundo.

Para isso, sugerimos a leitura dos textos do Prof. José Arthur Giannotti emAUGUSTE COMTE

Além disso publicamos um trabalho de excelente qualidade sobre o Positivismo no Brasil, que convido todos a ler cuidadosamente como alimento para a discussão do Rito.

Podemos ainda encontrar na Wikipedia um verbete bastante completo em POSITIVISMO.

Como lembrete importante que deve “iluminar” nossa discussão precisamos nos lembrar que o ritual do Rito Moderno foi adotado no Brasil pelo decreto no. 109 de 30/07/1892 do então Grão Mestre Irmão Antonio Joaquim de Macedo Soares, ou seja em um momento em que o positivismo estava em seu topo entre os golpistas de 1889.

A reforma Amiable acontecera havia poucos anos e o Grande Oriente do Brasil, nessa época acompanhava atentamente as evoluções rituais do Grande Oriente de França, onde o Rito Francês continuou a evoluir, enquanto o Rito Moderno introduzido no Brasil foi congelado até nossos dias, congelando princípios que provavelmente não servem mais nos dias atuais.

Na França, a Reforma Amiable provocou reações intensas entre os conservadores que preferiram se bandear para o REAA, aumentando ainda mais a presença desse rito, mas, ao mesmo tempo alterou a “qualidade” dos novos maçons, recebendo uma geração influenciada pelos acontecimentos políticos como a Grande Guerra e a Revolução Russa, que valeu ao GOdF uma reputação de “mais à esquerda” e de uma suporte aberto ao socialismo.

Em 1938, o Rito Francês sofreria a reforma conduzida pelo irmão Arthur Goussier, que alterou bastante o espírito da reforma Amiable. O ainda viria a sofrer outras reformas desde então, o que leva o irmão Victor Guerra, em seus livros, a defender a ideia de que Rito Francês não é a mesma coisa que Rito Moderno.

E o Rito Moderno é realmente moderno?

Fonte: https://bibliot3ca.com

domingo, 1 de janeiro de 2023

VISITANTE DE OUTRO RITO E A PRÁTICA RITUALÍSTICA

Em 23.06.2022 o Respeitável Irmão que se identifica apenas como Samuel, Loja Tabernáculo, 3418, REAA, GOB-SP, sem mencionar o Oriente, Estado de São Paulo, apresenta a dúvida seguinte:

VISITANTE DE OUTRO RITO

Uma dúvida sobre visitantes: Um irmão que vem de outro rito, por exemplo, minha loja é REAA e o visitante é do Adonhiramita, ele não saberá como é o giro em loja, palavras sagradas e de passe do meu rito por ter diferenças. Em vista que o art. 217 do RGF diz que o visitante está sujeito a disciplina interna da loja, isso inclui em como ele faz o giro, a saudação, aclamação e essas coisas ritualísticos? Ou somente a formalidade do momento que ingressar ao Templo?

CONSIDERAÇÕES:

Antes de tudo entendo que essa é uma situação que deve ser avaliada com muito critério e bom senso.

Um Mestre Maçom, principalmente, precisa compreender que a Maçonaria, embora de objetivo único, é composta por ritos e trabalhos que não raras vezes carregam suas próprias características litúrgicas e ritualísticas. Geralmente estas hauridas da sua história e da sua cultura.

Nesse sentido pode-se dizer que o traje e a ritualística de cada rito são duas das mais visíveis e latentes figuras para serem analisadas nesse contexto.

Por exemplo, no que diz respeito ao traje, quem for visitar uma Loja deve antes procurar saber qual é o rito que a anfitriã pratica e, o mais importante, saber se esse rito admite, no caso, o uso do balandrau nas suas sessões.

Não sendo possível saber com antecedência, o recomendável é que o visitante se apresente vestido com terno preto, já que praticamente convencionou-se essa vestimenta na grande maioria dos ritos maçônicos, principalmente aqui na nossa Maçonaria (tupiniquim) onde o terno é oriundo do emblemático “traje de missa”.

Além do terno preto (parelho), complementa-o sapatos e meias pretas, camisa branca, podendo a gravata ser na cor e no formato do seu rito (não precisa trocar). Do mesmo modo o visitante usa o avental do seu rito.

Voltando ao uso do balandrau, caso o rito da Loja visitada admita-o, ele deve ser usado na forma adequada, isto é, negro e talar (comprimento até os tornozelos); sem nenhum elemento simbólico nele gravado, bordado ou pintado; ter manga comprida e estar fechado no colarinho. Em conjunto com o balandrau negro, a calça deve ser preta, bem como vestir sapatos e meias pretas. Não e apropriado o maçom se apresentar aos trabalhos calçando tênis, ou outros calçados desse gênero.

No quesito traje aqui comentado, penso que no GOB essas providências já bastam para atender o Artigo 217 do RGF.

Já com relação ao rito praticado pelo visitante e o da loja visitada, em sendo eles diferentes um do outro, o que não pode acontecer são interferências por conta de diferenças litúrgicas entre ambos os ritos. Isto é, o visitante sob nenhuma circunstância pode impor práticas ritualísticas do seu rito no da Loja que ele está visitando. Quanto mais neutralidade, melhor.

No geral isso quer dizer que independente de quem seja o visitante, o ritual a ser seguido é o da loja visitada, portanto sem interferências na sua ordem dos trabalhos – afinal, casa dos outros nos sujeitamos aos costumes de quem nos recebe.

Em todo esse contexto (de ritos diferentes), o mais recomendado é que o visitante apenas assista os trabalhos, reservando-se apenas a usar da palavra no momento em que a mesma lhe seja concedida.

Embora que se saiba que infelizmente essa é uma prática usual das Lojas, nessas circunstâncias também a Loja anfitriã não deveria oferecer cargo ao visitante.

Contudo, longe dos excessos de preciosismo é o bom senso que deve sempre imperar, destacando-se que muitas possibilidades nessas circunstâncias podem se apresentar.

Entendo que quando a legislação previr que um visitante deva se sujeitar à disciplina da Loja que o recebe, ela se reporta principalmente à observação do ordenamento litúrgico dos trabalhos. Trocando em miúdos é simplesmente respeitar os trabalhos ritualísticos da Loja anfitriã.

Por outro lado, recomenda-se que a loja anfitriã também tenha tolerância para com o visitante em certos aspectos que são próprios do seu viés iniciático. Um exemplo disso é a composição do sinal do grau que, embora até possam existir pequenas diferenças na sua composição e no seu gestual entre os ritos, certamente que em nada elas alteram o andamento litúrgico dos trabalhos então realizados naquele instante.

Para o bem da harmonia nos trabalhos é preciso que isso seja considerado – em síntese, é mais uma vez o uso do bom senso nas situações que possam porventura advir.

Em contra partida, é dever do visitante comparecer com antecedência, de modo que ele possa se apresentar e ser reconhecido na forma de costume. Quem sabe até mesmo aprender particularidades ritualísticas do outro rito, se for o caso, para utilizá-las durante os trabalhos.

Diante disso é que atitudes eivadas de bom senso podem perfeitamente se adequar sem ferir o diploma legal e nem os trabalhos da Loja.

Antes de encerrar, porém, eu gostaria de comentar uma atitude que não é recomendável aos visitantes porquê de pronto ela fere o andamento ritualístico dos trabalhos da Loja visitada.

Nesse caso tem-se visto - e até com certa frequência - que visitantes de outro rito quando fazem uso da palavra solicitarem aos seus acompanhantes que com ele também fiquem em pé.

Ora, salvo em ritos que adotam esse procedimento, isso não é comum à maioria dos ritos, portanto não pode ser generalizado porquê essa é uma providência que fere a disciplina ritualística da Loja anfitriã.

No REAA, por exemplo, é o Vigilante da coluna que autoriza alguém a falar nessa coluna, portanto deve ficar em pé apenas aquele teve autorização para falar. Não procede, portanto, que seus eventuais acompanhantes também fiquem em pé. Pelo menos no REAA isso não procede. Destaque-se que nem mesmo está previsto no seu ritual.

Reitera-se: essa prática cabe apenas em Loja cujo ritual do rito determina esse procedimento, o que não é o caso do REAA.

Ao concluir destaco que nas questões pertinente aos visitantes, graças à pluralidade de ritos maçônicos praticados pelas Obediências, é prudente analisa-las individualmente.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

FELIZ 2023


PURIFICAÇÃO PELOS ELEMENTOS

Joaquim G dos Santos

A Simbologia da Purificação pelos Elementos e as Origens da sua Introdução nos Rituais Maçônicos

A simbologia da purificação pelos quatro elementos encontra-se presente na maior parte dos rituais de iniciação, dos ritos maçônicos continentais, e ausente na globalidade dos ritos de origem anglo-saxônica. Este procedimento litúrgico, que integra as provas sucessivas da terra, água, ar, e fogo, baseia-se numa concepção simbólica da constituição da matéria, profundamente enraizada na cultura clássica ocidental.

O estudo do Cosmos foi um dos temas recorrentes entre os filósofos gregos pré-socráticos. Segundo Actius “Foi Pitágoras o primeiro que deu o nome de Cosmos à envolvente do universo, em razão da organização que aí se vê”.

O mesmo filósofo refere, ainda, que “Thales, Pitágoras e os da sua escola tinham dividido a totalidade da esfera celeste em cinco círculos, que eles chamavam zonas”. Estes consistiam no equador, nos trópicos, no circulo ártico, e no circulo antártico.

Tião de Esmirna nos conta dos ensinamentos de Filolaos (Filolau de Crotona), que estabelece uma correspondência simbólica entre as cinco zonas da esfera celeste e cinco elementos: “Os corpos da esfera são cinco: o fogo, a água, a terra e o ar, que se encontram contidos na esfera, aos quais se acrescenta um quinto, a casca da esfera”.

Resulta, pois, evidente a correspondência dos quatro elementos atrás referidos às cinco zonas da esfera celeste, e a crença na existência de um quinto elemento representativo da unidade de todo o Cosmos. Esta correspondência identificava a água com a região antártica, os trópicos com o ar, o ártico com o fogo e, a terra com a zona equinocial.

Para além deste arquétipo cosmológico, os quatro elementos tradicionais tiveram, também, interpretação metafísica, simbolizando Zeus o fogo, Hera a terra, Nestes (Hefesto) a água e Adonis o ar.

Tendo em conta a sua proveniência e essência, estes quatro elementos da física pré-socrática não podem ser considerados literalmente, mas apenas simbolicamente, seja no seu contexto de origem, seja no âmbito dos domínios que, posteriormente, os importaram por sincretismo, tais como a filosofia hermética, a alquimia, ou a maçonaria.

É neste último caso, que importa aprofundar a sua gênese e disseminação.

Muito embora a temática das viagens tenha estado presente, nas cerimônias de iniciação, desde os primórdios da maçonaria especulativa, o mesmo não se passa relativamente às purificações pelos quatro elementos. Assim:

– Em 1730, Samuel Prichard na sua “Masonry Dissected” (Maçonaria Dissecada) refere, somente, que o candidato efetuava uma volta à Loja, para se apresentar à assistência;

– Em 1737, no mais antigo Ritual Francês conhecido, o recipiendário fazia três viagens, antes de ser conduzido ao Venerável Mestre. Não existem, neste ritual, nem elementos, nem provas, nem purificações, apenas no decurso das viagens era vertida resina em pó sobre os candelabros justapostos ao Quadro de Loja, para causar maior impressão no recipiendário;

– Em 1767, os “Rituais do Marquês de Gages” descrevem o recipiendário conduzido à volta da Loja pelo 1º Vigilante, sem que intervenham nas viagens nem elementos, nem purificações, se bem que a prova do fogo figure na iniciação;

– Todavia, um catecismo de 1749, de uma Loja de Lille, comporta a resposta “Fui purificado pela água e pelo fogo”. Trata-se da mais antiga menção desta inovação, a qual já existia em altos graus
praticados na época, podendo ter migrado daí para a maçonaria azul.

Estas duas purificações não têm, aliás, origem hermética, mas sim bíblica, correspondendo aos batismos da Antiga e da Nova Aliança.

Recorde-se as palavras de S. João Batista, em Mateus 3.11 “Em verdade vos batizo com água… mas aquele que vem após mim… vos batizará com o Espírito Santo e com fogo”;

– Em 1786, no “Régulateur du Maçon” (Regulador do Maçom), documento fundador do Rito Francês, o Grande Oriente de França fixa a purificação pela água após a segunda viagem, e a purificação pelo fogo após a terceira, sem haver qualquer referência a outros elementos;

– Os três elementos constituintes da matéria, na perspectiva Martinista (fogo, água, terra) só aparecem tardiamente na maçonaria retificada, em 1786-1787, apenas e somente com a interpretação especifica do RER, sem qualquer relação com a que se encontra nos restantes ritos;

– O “Guide des Maçons Écossais” (Guia dos Maçons Escoceses), de 1804, mais antigo documento regulador dos graus simbólicos do REAA, faz passar o recipiendário pelas chamas purificadoras na terceira viagem, sendo as duas anteriores isentas de purificações;

– Enfim, em 1820, o Ritual do Rito de Misraïm explicitamente prevê a purificação pelos quatro elementos, sendo a prova da terra objetivamente associada à passagem pela Câmara de Reflexões, e as purificações pela água, fogo, e ar, realizadas sucessivamente por esta ordem, associadas a três viagens realizadas fora do Templo, nos Passos Perdidos. Tratou-se, pois, de uma completa inovação, relativamente a um século de pratica maçônica anterior, neste país.

Este modelo repetiu-se no Ritual do 1º Grau do Rito de Memphis, de 1838, no qual apenas foi alterada a ordem dos elementos, para terra-ar-água-fogo. A migração desta simbologia foi quase imediata, dos Ritos Egípcios para os demais ritos praticados à época na França, passando, contudo, as purificações a serem realizadas no interior do Templo.

Muito embora nas revisões do Rito Francês efetuadas até à versão Murat, de 1858, tenha sido mantido, formalmente, o protocolo inicial das duas purificações, a identificação das viagens com os quatro elementos foi, correntemente assumida pelos autores maçônicos da época ligados a este Rito, nomeadamente por Clavel e, por Ragon.

A partir de 1877, as purificações foram retiradas dos rituais do Grande Oriente de França, na sequência de uma revisão laicizante do Rito, tendo sido reintroduzidas, já com referência aos quatro elementos, no decurso dos últimos decênios. Tanto no Rito Francês Groussier, como no Rito Francês Moderno Restabelecido, a ordem dos elementos considerada é terra-água-ar-fogo.

Tal foi, também, a ordem elegida por Robert Ambelain, na sua revisão dos rituais dos Ritos Egípcios, que deu origem ao Ritual do Rito Antigo e Primitivo de Memphis-Misraïm, atualmente praticado.

No REAA, a importação também se deu imediatamente, estando a mesma presente em todos os Rituais da Grande Loja de França, desde a sua fundação em 1896, com a ordem terra-ar-água-fogo, que é hoje característica deste Rito. Se o REAA influenciou, na sua gênese, os Ritos Egípcios, também podemos considerar que estes vieram, reciprocamente, a inspirar, de algum modo, a sua
matriz original.

Perante toda esta sequência cronológica, duas perguntas surgem naturalmente:

- Porque é que estas purificações apareceram em 1820?
- E porquê num Rito Egípcio?

A resposta para elas poderá estar em… Mozart!

No libreto da ópera “A Flauta Mágica”, de 1791, no seu segundo ato, cena 7, consta a seguinte referência:

“Aquele que avançará por esta estrada plena de obstáculos
Será purificado pelo fogo, a água, o ar e a terra
Se ele pode superar os receios da morte
Se elevará da terra até ao céu”

Sendo esta ópera da autoria de dois Maçons, Mozart e Shikaneder, e reproduzindo a mesma uma iniciação, será que esta simbologia já existia na maçonaria austríaca trinta anos antes de ter surgido em França?

Mozart foi iniciado em 14 de dezembro de 1784, em Viena, na Loja “Zur Wohltätigkeit”, sob os auspicios da Grande Loja Nacional Austríaca. Antes dessa data, praticavam-se, em Viena, quatro ritos: a Estrita Observância, o Rito de Zinnendorf, o RER e o Rito de Adopção.

Muito embora a Loja-Mãe de Mozart tenha sido constituída para praticar o RER, à data da sua iniciação, a oficina utilizava já outro ritual, do qual se encontra depositada, em Copenhaguem, uma cópia manuscrita.

Trata-se de um ritual claramente de influencia francesa, todavia com alguns pontos comuns ao Ritual do 1º Grau do Rito de Zinnendorf. Nesta cerimônia, o recipiendário, depois de passar pela Câmara de Reflexões, faz três viagens. Segundo o texto deste ritual, o Venerável Mestre ordena ao Segundo Vigilante que faça o recipiendário realizar a primeira viagem “pelo ar e pela terra”, a segunda “pela água”, e a terceira “pelo fogo”, sem haver, contudo, qualquer referência a purificações.

Se este conceito migrou da maçonaria para a ópera, tal não pode ser objetivamente confirmado. Constitui, contudo, um facto, que Mozart foi iniciado através de um ritual que mencionava os elementos, não assumindo, todavia, no mesmo a forma presente no libreto de “A Flauta Mágica”, que se parece reproduzir no Rito de Misraïm.

No final do séc. XVIII a maçonaria austríaca irá cair na penumbra, e praticamente desaparecer, em virtude dos éditos restritivos de José II, o mesmo não sucedendo, contudo, à “A Flauta Mágica”, que conhecerá uma notoriedade assinalável por toda a Europa.

Subsistem, todavia, as perguntas: porquê 1820, e porquê num Rito Egípcio. Poderá, no entanto, ter sido recentemente descoberto o elo da cadeia, que faltava para lhes dar resposta.

Em 1801, Ludwig Wenzel Lachnit, natural de Praga, apresentou ao público parisiense uma “nova ópera de Mozart” denominada “Os Mistérios de Isis”. Esta obra, com libreto em Francês, da autoria de Étienne de Chédeville, e música reciclada a partir da partitura da “A Flauta Mágica”, e de importações de outras óperas de Mozart, conheceu um assinalável sucesso, atingindo um total de 130 representações até 1810, com reposições em 1816, e 1827.

Terá sido a ópera mais representada durante o Império, não sendo estranho ao seu êxito o facto de a sua estreia ter coincidido com o final da Campanha do Egito, e de ter beneficiado de uma quinzena de anos nos quais os temas egípcios estiveram na moda.

No livreto desta obra, publicado em Paris, em 1806, as personagens são precipitadas “num sombrio subterrâneo”, passando posteriormente para um outro “sombrio e profundo subterrâneo destinado às provas do fogo, da água, e do ar” antes de, finalmente, acenderem ao “Templo da Luz”.

Será que, numa altura em que a informação existente sobre o Antigo Egito era escassa e mítica, o livreto de “Os Mistérios de Isis” não poderá ter servido de inspiração aos irmãos Bédarride para escreverem o Ritual do seu Rito de Misraïm?

Trata-se, contudo, de uma pergunta que só eles poderiam responder, sendo, todavia, comprovado, que nos meios maçônicos da época, lhes foram, merecida ou imerecidamente, atribuídos propósitos idênticos aos que teria tido o promotor desta ópera, e que teriam mais a ver com metais, do que com valores maçônicos.

A ter-se verificado, este “transfer” constituiria mais um exemplo de que nem a sociedade é impermeável a ideias veiculadas na maçonaria, nem esta última o é a ideias, ou modas, provenientes da sociedade.

Este sincretismo pode, ainda, ser indiciado pelo fato de Alexandre Lenoir ter publicado, em 1814, o livro “La Franche-Maçonnerie rendue à sa véritable origine”, o qual marca a origem da Egiptologia Maçônica e, onde se descrevem as iniciações no Antigo Egito (mítico), referindo-se as purificações pelos quatro elementos e, a necessidade das cerimônias maçônicas se ajustarem aos procedimentos dos Antigos Mistérios.

Ainda no que concerne à ópera de Lachnit, apesar do enorme sucesso comercial obtido, não se eximiu de ser severamente criticada nos meios musicais mais eruditos, nomeadamente por Berlioz, ou por Otto Jahn, que lhe alterou o titulo de “Les Mystères d’Isis” para “Les Misères d’ici”.

Em conclusão, as purificações pelos elementos, introduzidas em força e vigor na maçonaria, no primeiro quarto do séc XIX, ganharam plena profundidade simbólica já no séc. XX, através da contribuição de vários simbolistas notáveis, dos quais destaco Oswald Wirth, que incorporou muitas interpretações herméticas à simbólica tradicional maçônica do REAA. Termino, pois, com palavras suas, bem elucidativas do sentido iniciático que podemos dar a este procedimento ritual:

Esta vida de ordem superior proporciona-se através do desenvolvimento do princípio da personalidade, dado que o ser inferior não é mais do que um autômato que reage mecanicamente sobre a ação das forças das quais é o joguete. A sua vida permanece material ou elementar porque ela resulta unicamente do conflito dos Elementos… Mas as forças exteriores, tão potentes sejam elas, devem ser dominadas pela energia que acha a sua origem na personalidade. É porque o homem é chamado a desenvolver em si um princípio mais forte que os Elementos, que ele entra em luta com eles no decurso das provas iniciáticas”

Pessoalmente, penso que este princípio reside no Conhecimento, principal impulsionador da elevação da Condição Humana, entendendo-se o mesmo não só como sapiência, mas também e, fundamentalmente, como consciência. Cada um, contudo, dentro do seu livre-pensamento deverá encontrar a sua interpretação pessoal para o mesmo.

Só assim estaremos, realmente, a fazer Maçonaria.

Joaquim G dos Santos


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
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  • Dachez Roger ”Les Rites Maçonniques Égyptiens”, PUF, Paris, 2012;
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  • Giambello Sylvain ”Les Mystères d’Isis (Lachnit, Paris, 1801)”, Paris, 2013;
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  • Mainguy Iréne ”La Symbolique maçonnique du troisième millénaire”, Éditions Dervy, Paris, 2006;
  • Marcos Ludvic ”Histoire Illustrée du Rite Français”, Éditions Dervy, Paris, 2012;
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  • Ragon Jean-Marie ”Cours Philosophique et Interprétatif des Initiations Anciennes et Modernes”, Berlandier Libraire-Éditeur, Paris, 1841;
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  • Wirth Oswald ”La Franc-Maçonnerie rendue intelligible à ses adeptes”, Éditions Dervy, Paris, 2007;
Fonte: http://ritoserituais.com.br