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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

terça-feira, 11 de novembro de 2025

A MAÇONARIA PODE ACABAR?

Sim. talvez ou não…

Decerto iremos divagar, ou seja, trilhar caminhos tortuosos, visto que a resposta dependerá de qual parte da Maçonaria estamos indagando.

O Maçom pode acabar?
Sim! Basta ele, por suas atitudes, retornar à condição de profano.

Uma Loja Maçônica pode acabar?
Sim! Basta ela deixar de ser para o Maçom um lugar consagrado aos Sãos Princípios da Moral e da Razão.

Uma Potência Maçônica pode acabar?
Sim! Basta ela se tornar um Reino ou Empresa, acreditando que as Lojas são suas colônias / filiais, instituindo “Viscondes”, Condes”, “Duques” e aplicando leis imperialistas.

O Maçom pode acabar?
Talvez! Dependerá de seu padrinho e de seus Irmãos, que o alertarão sobre os desvios e evitarão sua queda às masmorras do vicio.

Uma Loja pode acabar? Talvez! Dependerá se a Loja tem associados ou Obreiros. Associados vão à procura de algo (vem a mim); Obreiros, por sua vez, disponibilizam-se para algo (vou pelo outro).

Uma Potência Maçônica pode acabar?
Talvez! Dependerá da compreensão da simbiose mutualista que deve reger as relações isonomia entre a Potência e as Lojas, cuja interação deve resultar em benefícios para ambas as partes.

Um Maçom pode acabar?
Não! Por menor que tenha sido seu tempo de convivência, houve um momento de discernimento do quão bom e suave era quando vivia em harmonia com os Irmãos. É uma semente plantada, aguardando o tempo para germinar.

Uma Loja pode acabar?
Não! Uma vez instalada, a Loja é imorredoura. As Colunas podem se abater, os caracteres da Carta Constitutiva esmaecer, mas poderá, a qualquer tempo, ser só erguida por livres gerações vindouras que resgataram a história e os feitos de seus fundadores.

Uma Potência pode acabar?
Não, pois ela não existe por si só. Potências são reflexos da pujança de suas Lojas e dos feitos de seus Obreiros. Potências não se expressam por quem está à sua frente, mas por quem está por trás.

Apresentei a pergunta em três segmentos e com três possíveis respostas. Friso o “possíveis respostas”, visto que não há verdade absoluta. Constantemente nos são apresentadas versões de tudo. Muitas vezes diante dessas versões, assumimos compromissos os quais, quando descobrimos o equívoco, não voltamos atrás por simples vergonha de assumirmos que fomos enganados e manipulados.

A MAÇONARIA PODE ACABAR?
ELA VIVE EM CONSTANTE PERIGO PELA IGNORÂNCIA, PELO FANATISMO E PELA AMBIÇÃO DAQUELES QUE NÃO COMPREENDEM SUA FINALIDADE NEM SE DEVOTAM À SUA SUBLIME OBRA.

Fonte: Facebook_Átrio do Saber

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

FRASES ILUSTRADAS

RÉGUA GRADUADA (RÉGUA COM 24 POLEGADAS)

Em 10.05.2025 o Respeitável Irmão Sebastião Fonseca e Silva, Loja Luz das Estrelas, 335, REAA, GLMMG (CMSB), Oriente de Santa Bárbara, Estado de Minas Gerais, solicita esclarecimentos, como segue:

RÉGUA GRADUADA

Oriente-me em relação a: Para a maçonaria, diante dos símbolos e alegorias, a régua de 24 polegadas está associada à maneira como nós maçons devemos administrar o tempo de forma racional. Dividida em 24 partes iguais, a régua simboliza as vinte e quatro horas do dia, que devem ser divididas em três terços: oito horas dedicadas à reflexão e meditação, oito horas ao trabalho e às atividades cotidianas e oito horas reservadas ao lazer e ao descanso. Em qual desses “terços” devemos dedicar aos nossos trabalhos maçônicos em Loja (ou fora dela), estudos e pesquisas, reuniões, ações solidárias e filantrópicas, etc.

CONSIDERAÇÕES:

Das diversas concepções que possam existir sobre este importante símbolo, sou simpático a seguinte versão da tripla divisão da Régua com 24 Polegadas: uma delas para o trabalho e a subsistência (construção da vida - material), outra para o estudo, medicação e aplicação da caridade (construção espiritual) e finalmente uma para o descanso (recuperação e vigilância para bem prosseguir na jornada).

T.F.A.
PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

FERNANDO PESSOA

A FORÇA DO RIO E O MOVIMENTO DAS ÁGUAS

Ir∴ Luiz Felipe Brito 

Parte 2

A energia é conduzida de tal forma a gerar movimentos específicos.

Uma eficiência na condução de energia garantirá uma eficiência maior com menor dissipação.

Energia mal conduzida irá gerar retenção com aumento da tensão.

Poderíamos fazer um paralelo entre nossa mente e o funcionamento do universo?

Poderíamos dizer que a ansiedade seria decorrente de um nó energético a gerar tensão, decorrente de uma condução inadequada de energia?

Poderíamos dizer que o sofrimento seria equivalente ao mal funcionamento decorrente da perda de energia? Como um fio mal condutor que gera calor? Sofrimento seria uma conseqüência direta da dissipação de energia?

No organismo cada órgão irá conduzir a energia de forma a garantir funções ou movimentos determinados. Peças especificamente planejadas pela natureza para garantir a continuidade da pesada complexidade.

Na mente poderíamos dizer que os pensamentos e sentimentos são peças condutoras de energia a garantir e sustentar nossa integridade consciencial?

Se assim o for poderíamos conjecturar que aquilo efetuado fora teria repercussão dentro.

Se por exemplo ultrapassarmos um sinal fechado, poderemos não ser flagrados pela polícia, mas os sentimentos e pensamentos gerados serão peças defeituosas a conduzir de forma pouco eficiente nossa energia mental.

Inconscientemente sentiremos uma sensação natural de mal estar e de ansiedade. Nossos pensamentos e sentimentos defeituosos constituídos no momento do ato impedirão uma sensação interior de bem estar ou de eficiente equilíbrio funcional.

O que fazemos fora repercutirá dentro.

Querendo ou não nossas ações têm repercussão direta e simétrica em nossa harmonia e saúde mental.

A moralidade afinal faria sentido. Não seria apenas uma maquiagem de cinismo para uma sociedade hipócrita.

Quanto maior o desvio cometido maiores seriam as conseqüências internas, podendo levar até a fragmentação total, como a loucura.

Existiria uma moral natural afinal.

Pessoas que ostentem uma falsa moralidade sempre serão infelizes no final.

Peças de alta tecnologia fornecem possibilidades múltiplas à condução da energia, com maiores possibilidades adaptativas permitindo um fluxo contínuo e estável.

Pensamentos e sentimentos densos fazem o mesmo.

As virtudes seriam estados mentais. Espaços de possibilidade abertos e mantidos permitindo uma flexibilidade no conduzir da energia propiciando uma fácil solução de problemas e o continuar eficiente do fluxo.

Problemas são lacunas de continuidade. Deficiência de interação eficiente.

Os espaços são abertos pela força da vontade direcionada pela seta da sabedoria, haurida pela forja da experiência.

Depois que alguns estados mentais são estabelecidos criam adaptabilidade perante as necessidades interativas, porém com o tempo se cristalizam em hábitos, se faz necessária demolição e reconstrução para que novos ambientes mentais sejam construídos, frente agora a necessidades mais complexas de interação.

O maçom se reconstrói a cada dia, trocando espaços caducos limitantes por espaços mais adequados ao seu estado de evolução contínua.

Fonte: JBNews - Informativo nº 287 - 11.06.2011

domingo, 9 de novembro de 2025

FRASES ILUSTRADAS

TRÍPLICE BATERIA

Em 09.05.2025 o Respeitável Irmão Christian Emmanuel Dantas Roque, Loja Libertas Quae Será Tamen, 1180, GOB MINAS, Oriente de Ipanema, Estado de Minas Gerais, apresenta a questão seguinte:

TRÍPLICE BATERIA

Bom dia meu irmão, tudo bem? Espero que sim. Meu nobre irmão, me surgiu uma dúvida em uma sessão ordinária na qual na ordem do dia teve uma filiação. No ritual novo de aprendiz para celebrar a boa aquisição o V∴ M∴ convida os Irmãos a aplaudir a boa aquisição que acabaram de fazer. E em azul está aplaudir pela tríplice bateria, os Irmãos repetiram a bateria do grau por três vezes e confesso que isso me gerou uma dúvida se é realmente assim, ou se tríplice bateria se refere exatamente a bateria do grau que consistes em bater por três vezes.

Desde já agradeço a atenção, um excelente final de semana.

CONSIDERAÇÕES:


Sobre a sua questão. Tríplice bateria é simplesmente se percutir, com o malhete ou por palmas, por três vezes seguidas - apenas isso. O ritual é bem claro ao mencionar aplaudir “pela bateria” (página 169, 1º parágrafo), obviamente pela bateria de Aprendiz.

Ainda, o ritual não manda dar por “três vezes” a tríplice bateria. Assim, aplaude-se pela bateria do Aprendiz (a sessão está no Grau 01).

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

BREVIÁRIO MAÇÔNICO

CAVERNA

A caverna foi o primeiro abrigo que o homem encontrou para refugiar-se das intempéries e dos inimigos naturais, as feras.

Ainda hoje, essas habitações são encontradas nos povos incultos, em certas tribos africanas e nos místicos-hindus os gurus ou enviados divinos que escolhem os seus pensamentos filosóficos aos que vêm a eles.

As cavernas foram muito usadas como sepulcros naturais pelas antigas civilizações.

Filosoficamente, diz-se que o homem permanece em sua própria caverna para significar o espírito inferior que foge da luz, preferindo o isolamento e ostracismo.

O maçom nunca desse sentir-se só; ele pertence aos grupo e por esse motivo jamais se instalará em qualquer caverna.

Todos nós devemos fugir do isolamento e buscar o convívio com os Irmãos e com eles comungar.

Sobranceiramente, devemos buscar as altitudes para deslumbrar o que é livre.

Na Iniciação, já estivemos uma caverna; não retornaremos a ela porque ficaremos libertos das nossas paixões.

Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014, p. 88.

OFICIAIS

Léo Gama

Cada oficial da tua Loj∴ usa um colar e pendurada nesse colar há uma jóia que indica a função de cada um. O Esquadro é a Jóia do V∴ M∴ e é também sobre o Esquadro que os Maçons iniciam o seu caminho na Maçon∴, foi dele que partiste quando deste os teus primeiros passos como Maç∴.

Se a primeira qualidade que procuramos num Prof∴ que queira ser admitido nos nossos Mistérios é a Retidão, que a sua vida tenha sido um exemplo dessa retidão e elevação moral, é sobre a sua poderosa representação simbólica, o Esquadro, que entramos no T∴ pela primeira vez enquanto maçons. Foi sobre esse símbolo que começou a marcha de todos nós, como nos foi também transmitido pelo I∴ 2º Vig∴ no dia da nossa Iniciação, quando estamos entre Col∴ imediatamente a seguir a termos prestado o nosso Juramento de Apr∴ Maç∴, pelas palavras que lê do Rit∴ de Apr∴:

M∴ Ir∴, o Esquadro, o nível e a perpendicular são sinais de reconhecimento para o Maç∴. Peço que te mantenhas bem direito, com os pés em ângulo reto unidos pelo calcanhar. Agora das um passo na minha direção com o pé esquerdo e junta-lhe seguidamente o calcanhar direito, formando um ângulo reto. É o primeiro passo na Maçon∴.

Antes de outra coisa qualquer, é o Esquadro que nos deve definir. Por isso colocamos os pés em esquadria antes de iniciar a Marcha. Por isso colocamos os pés em esquadria quando nos colocamos à Ord∴. Por isso colocamos os pés em esquadria quando formamos a Cad∴ de Un∴, que ainda não viste mas da qual já fazes parte. Por isso fazemos um Esquadro com o braço quando desfazemos os sinais que identificam o Apr∴, o C∴ e o M∴ M∴. Por isso marchamos em ângulos retos na Loj∴ Simbólica no R∴ E∴ A∴ e A∴.

O Esquadro é o primeiro símbolo que o Apr∴ conhece, e é a Jóia que identifica o V∴ M∴, remete-nos para a verticalidade nas ações, a justeza nas opções. O Esquadro não dobra, não verga, não mente.

Do Apr∴ mais novo de uma Loj∴ ao seu V∴ M∴, o Esquadro é o primeiro elo que nos une e o único que está sempre presente em todas as curvas do caminho do Maç∴, até ao fim da sua vida. O que define, para mim, os maçons, é isso mesmo, viver pelo Esquadro. Assenta as suas pernas, as colunas que sustentam o seu templo físico e assenta a sua vida. Ser leal ao Esquadro, sempre, é o desafio permanente do Maç∴. E para mim, ser leal ao Esquadro não é ser bonzinho, ser um gajo porreiro ou fazer jeitos aos amigos e conhecidos. É ser reto, valente e justo. Honrar juramentos e compromissos. É ter a coragem de levar uma vida justa. É decidi-lo todos os dias, pela manhã e recordá-lo pela noite.

E como a nossa simbólica é a da construção, o melhor exemplo, para mim, dessa justeza, é precisamente o da utilização do esquadro para aferir da cubicidade da pedra que estamos a trabalhar. Se o esquadro e a pedra estiverem justos, então o trabalho está bem feito. Não cabe entre o esquadro e a pedra um fio de cabelo, não há irregularidade, então o trabalho está justo e perfeito.

E o Esquadro está presente sempre, não só quando estamos parados e eretos, assentando num angulo reto e fazendo outro, maior, cujas retas são o nosso corpo ereto e a superfície da Terra, está também enquanto marchamos, também enquanto circulamos.

Diz-nos isso que também a nossa marcha deve ser justa, sempre assente no Esquadro. Que as nossas ações devem ser justas, assentes no Coração e na Razão, que poderiam ser os dois braços do Esquadro. Que o nosso caminho na Terra deve ser sempre assente no Esquadro. Essa deve ser a Luz que refletimos no mundo lá fora, esse é o exemplo que devemos ser para os outros, testemunhado pelo que decidimos fazer todos os dias. E não apenas quando é conveniente, a Virtude não é apenas para quando dá jeito. Parado ou em movimento, deve sempre o Maç∴ assentar a sua existência no Esquadro. Esse é o nosso mínimo denominador comum, essa é a nossa responsabilidade, o que de nós se espera e o que esperamos uns dos outros.

Sermos o Esquadro, antes de outra qualidade qualquer, esse é o desafio do Maç∴. Sermos filhos, irmãos e maridos sobre o Esquadro. Sermos, pais, cidadãos e profissionais sobre o Esquadro. E finalmente morrermos um dia dignos de, no nosso epitáfio, figurar um Esquadro, descansando nós finalmente não já sobre o Esquadro, mas antes sob o Esquadro.

Se for sob um Esquadro entrelaçado com um Compasso, melhor. Mais um vez MM∴Q∴IIr∴ , sê muito bem vindo a esta Loj∴ que te recebe para a Maçon∴ em todo o Mundo.

Fonte_ Facebook_Átrio do Saber

sábado, 8 de novembro de 2025

FRASES ILUSTRADAS

O TECIDO DO TRAJE DE MAÇOM

Em 08.05.2025 o Respeitável Irmão Anderson Vilela, Loja Os Templários, 2722, GOB-SP, sem mencionar o Oriente, Estado de São Paulo, solicita o seguinte esclarecimento.

TECIDO DO TRAJE

Peço a gentileza de esclarecer uma dúvida quanto a vestimenta (trajes) em sessão maçônica.

Apesar de nunca ter visto em nossos rituais do REAA qualquer menção a respeito do tipo de tecido dos trajes, seja do terno ou da calça preta (usada com balandrau quando legalmente permitido), gostaria de saber se há qualquer restrição ao tipo de tecido, pois fui questionado a respeito da admissibilidade do uso de calça JEANS preta, quer com paletó preto, quer com uso de balandrau?

CONSIDERAÇÕES:

Absolutamente, não existe nenhuma exigência sobre a qualidade e a espécie do tecido usado no traje de um maçom. 

O que de fato interessa é que o terno seja preto, ou azul marinho. Sendo o traje um balandrau, para os ritos que o admitem, o mesmo deve ser preto, talar (até os calcanhares), fechado no colarinho, mangas compridas, sem inscrições – usado com calça preta.

Vale ressaltar que vestido com terno preto, ou azul marinho, o maçom deve usar camisa branca, gravata (clássica), meias e os sapatos pretos.

Agora, um maçom regular, vestido conforme a legislação, ser impedido de ingressar nos trabalhos por conta da qualidade e do tipo de tecido do seu traje, é atitude altamente ilegal... Uma verdadeira estupidez!

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MAÇONS FAMOSOS

MOZART, UM MAÇOM COMPLETO

Wolfgang Amadeus Mozart e sua passagem pela Maçonaria...

Mozart começou na Maçonaria Austríaca em 14 de dezembro de 1784 na loja "Zu Wohltätigkeit" de Viena. Eu tinha 28 anos nessa época. Logo se tornou mestre maçom e foi um irmão leal e comprometido até a sua morte em 1791. Especialistas afirmam que ele estava incluído como maçom de terceiro grau em uma lista de membros e que era um visitante muito assíduo da sua Loja.

Foi admitido com Grau de Aprendiz na Loja maçônica de Viena chamada Zur Wohltätigkeit (“Beneficência”) em 14 de dezembro de 1784. Foi promovido ao Grau de Companheiro Maçom em 7 de janeiro de 1785 e tornou-se Mestre Maçom “em um curto espaço de tempo”. Em 22 de abril desse mesmo ano, Mozart já figura como Mestre Maçom nos arquivos da Loja. Mozart também assistiu às reuniões de outra loja chamada Zur wahren Eintracht (“Concórdia verdadeira”). Ambas as logias praticaram o Ritual Zinnendorf. Segundo Otto Erich Deutsch, esta loja era “a maior e mais aristocrática de Viena.

Antes de ser iniciado na Maçonaria, Mozart foi encarregado de pôr música a vários textos maçônicos: os poemas «An die Freude» e «O heiliges Band» e, sobretudo, o drama maçônico «Thamos König in Aegypten», de T. Ph. Gebler (1773).

Em 14 de dezembro de 1784 Mozart foi iniciado na Loja Maçônica Vienense “La Benevolência” (“Zur Wohltätigkeit”). Nessa loja, entabularia uma amizade fraterna e duradoura com Emmanuel Schikaneder, autor de numerosas letras das partituras musicais de Mozart, como, por exemplo, “A flauta mágica”. O pai de Mozart, Leopoldo, seguiu o exemplo do filho e entrou para a loja em abril de 1785.

Ao longo de sua vida, o genial músico vienense compôs inúmeras obras para serem interpretadas no cerimonial maçônico:
- Canção "À alegria" "An die Freude" K. 53 (1768).
- Canção "Oh santo laço da amizade" "O Heiliges Band der Freundschaft" K. 148 (1772).
- Os Seis Quartetos de Cordas» K. 168 – K. 173 (1777).
- O “Adagio para instrumentos de sopro” K. 411 (1784).
- Cantata “A ti, alma do universo, ó Sol” «Dir, Seele des Weltalls» K 429, (1783-1785)
- As dissonâncias K. 465 (1785).
- “Canção para a viagem do companheiro; Você que acessa o novo Grau” “Lied Zur Gesellenreise: Die ihr einem neuen Grade” K. 468, (1785).
- Cantata "A Alegria Maçônica" "Die Maurerfreude Brüder" K. 471 (1785).
- "Música funerária maçônica" "Maurerische de luto" K. 477 (1785).
- Música "Elevai as vozes, amados irmãos" "Zerfliesset heut, geliebte Brüder" K 483 (1786).
- Canção “A Vos, o nosso novo Venerável” «Ihr unsre neuen Leiter» K. 484 (1786).
- Cantata "Vocês que honram o Criador do Universo" "Die ihr des unermesslichen Weltalls" K. 619 (1791).
- Cantata “Elogio à nossa alegria” “Laut verkündet unsre Freud” K. 623 (1791).
- Cantata “Entrelacemos nuestras manos” «Deixe-nos com as mãos inclinadas» K. 623a (1791).
★Outras obras:
Salmo 129 «De profundis clamavi» K. 93 (1771).
- «Sancta Maria Mater Dei» K 273 (1777).
- Adágio para quarteto de corda K. 546 (1788).
- Adagio e Rondó para flauta, oboé, viola... K. 617 (1791).
- Motete «Ave verum corpus» K. 618 (1791).
Um terceiro grupo é constituído pelas obras em que Mozart se inspira ou reflete o espírito maçônico:
- Thamos Rei do Egito "Thamos Rei no Aegypten" K 345 (1773-1779).
- Sinfonia no Meu B K 543 (1787).
- A flauta mágica, K. 620 (1791).

Quando Mozart foi admitido na Loja vienense "Zur Wohltatigkeit" ("Benificencia") na terça-feira, 14 de dezembro de 1784, a Maçonaria na Áustria tinha quarenta e dois anos proibida pela Igreja [Católica Romana]

A história e música da ópera A flauta mágica, cujo guião escreve em colaboração com o também irmão maçom Emanuel Schikaneder, é considerada por ter grandes influências maçônicas. De fato, apesar de estar cheia de piscadelas da cultura popular, você pode seguir nela o ritual de Iniciação Maçônica do Rito Zinnendorf. A abertura começa com três acordes semelhantes às chamadas “baterias maçônicas” de vários rituais. Além disso, o tema toral da obra; a luta entre a luz e as trevas é também o tema que atravessa todo o ensino maçônico.

A sua obra póstuma, o seu canto de cisne, foi a que intitulou «Pequena Cantata Maçônica», cuja audição deu em uma tentativa de sua loja, dirigindo ele mesmo a audição, dois dias antes de se sentir atacado pela misteriosa doença que o levou ao sepulcro.

Em 1784, seu amigo e patrono Otto von Gemmingen recomendou Mozart para se tornar membro da Sociedade do Bem-Estar de Viena. De acordo com isso, Mozart apresentou seu pai Leopold Mozart e seu amigo Franz Joseph Haydn na Maçonaria.

Fonte: Facebook_Romario Velasco

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

FRASES ILUSTRADAS

ANDANDO NA MESMA COLUNA (CIRCULAÇÃO)

Em 07/05/2025 o Respeitável Irmão Arimar Marçal, Loja Santo Graal, 4690, REAA, GOB -RS, Oriente de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, faz a seguinte pergunta:

ANDANDO NA MESMA COLUNA

O Ritual novo REAA página 46: – IIr∴ ajudai-me a abrir a Loja (A partir deste instante, todos os deslocamentos de uma para outra Coluna obedecem a circulação horária)

Ritual novo REAA página 52: Pelo lado Norte o 1° Diác∴ sobe os degraus (...) voltando em seguida ao se lugar; o 2° Diác∴ se coloca à direita do 1° Vig∴ - Durante a transmissão da Pal∴ os DDiác∴ obedecem a circulação

A DÚVIDA:

Alguns IIr∴ “defendem” que o 2° Diácono pode simplesmente se virar (retrocedendo um ou dois passos e se posicionar ao lado do 2° Vigilante para receber a palavra).

Nossos Templos não são construídos exclusivamente para o REAA, no nosso, na Sede do GOB RS as colunas estão dentro do Templo e pelo REAA deveriam estar no lado de fora, reforçando que para o 2° Diácono andar como alguns defendem, precisaria obrigatoriamente a andar alguns passos em sentido anti-horário para se posicionar ao lado do 1° Vigilante.

Eu defendo que o 2° Diácono precisa sim “contornar o Painel do Grau” para se dirigir ao 1° Vigilante e posteriormente, contornar novamente o Painel do Grau para se dirigir ao 2° Vigilante.

Num primeiro momento pode parecer preciosismo, mas como faz parte da Ritualística de uma Sessão, entendo que devemos definir qual a forma correta e assim, não criar mais uma regra estabelecida pelos “usos e costumes”.

Como sempre, antecipo os agradecimentos por seus sempre importantes esclarecimentos.

CONSIDERAÇÕES:

Sobre a sua questão, vale a pena mencionar por primeiro que na mesma Coluna (do Norte ou do Sul) não existe circulação horária. O Ritual de Aprendiz vigente, do REAA, menciona: "Andando na mesma Coluna, não há circulação horária".

Então o que isso quer dizer? Significa que só existe circulação horária (tendo o painel como referência) se o protagonista passar de uma para outra Coluna, isto é, atravessar do Norte para o Sul, ou vice-versa. Entenda-se que a Coluna B∴corresponde o quadrante Norte e a J∴, o Sul.

Soma-se a isso o fato de se dizer que a Coluna do Norte compreende, na sua largura, todo o espaço entre o Oriente e a parede Ocidental, enquanto que na sua altura é todo o espaço que fica entre o equador do templo e a parede Norte (onde se encontram as primeiras seis Colunas Zodiacais). Para todo este espaço, à esquerda de quem entra, dá-se o nome de Coluna do Norte. Simetricamente, à direita de quem entra, no espaço que fica no lado oposto ao Norte (onde se encontram as outras seis Colunas Zodiacais), dá-se o nome de Coluna do Sul. As paredes Norte e Sul do Templo situadas no Ocidente da Loja chamam-se Topos das Colunas do Norte e do Coluna do Sul, respectivamente.

Não menos importante é relatar que as Colunas B∴ e J∴, correspondentes aos lados Norte e Sul do Templo, são pilares (marcos) solsticiais (Câncer e Capricórnio) e ficam junto à porta pelo lado exterior (no Átrio). Infelizmente, ainda existem templos maçônicos do REAA no GOB que mantém estas Colunas interiorizadas, o que está em completo desacordo com o Ritual vigente.

A vista disso, quando se tratar de circulação em Loja, a passagem do Norte para o Sul se faz cruzando o equador (eixo do Templo) entre a retaguarda do Painel e o degrau que se sobe ao Oriente; já do Sul para o Norte, se faz cruzando o equador entre a frente do Painel e a porta de entrada.

Assim, quem precisar atravessar de uma para outra Coluna (do Norte para o Sul, ou do Sul para o Norte), segue o trajeto logo acima mencionado, o qual é comumente chamado de circulação horária (vide a página 42 do ritual de Aprendiz do REAA).

Como figuradamente o templo do REAA corresponde a uma faixa do planeta Terra sobre o Equador, cruzar o eixo Leste/Oeste é o mesmo que passar do hemisfério Norte (Coluna do Norte) para o hemisfério Sul (Coluna do Sul), ou vice-versa – de Norte para o Sul, cruza-se próximo à retaguarda do Painel, de Sul para Norte, cruza-se próximo à frente do Painel.

Dessa forma, quem estiver transitando na mesma Coluna (do Norte ou Sul) não precisa efetuar a circulação horária, ou seja, não é necessário dar uma volta no mundo para se chegar no mesmo lugar. Na mesma Coluna transita-se normalmente, indo e voltando. Vale ressaltar que é obrigatória a passagem pela Coluna do Norte àquele que for ingressar no Oriente, assim como, para dele se retirar, é obrigatória a saída em direção à Coluna do Sul.

Fechando a sua questão, o 2º Diác∴, que se senta no Norte, vai do seu lugar diretamente até o 1º Vig∴. Para dali ele se dirigir até o 2º Vig∴, no Sul, o 2º Diác∴cruza o equador pela retaguarda do Painel. Para retornar ao seu lugar, cruza o equador em direção ao Norte pela frente do Painel.

Para finalizar, reitera-se: circulação horária só existe no Ocidente da Loja se o caso for o de passar de uma para outra Coluna; no Oriente não existe circulação horária formalizada; apenas obrigatoriamente ingressa-se no Oriente pela Coluna do Norte e dele se sai obrigatoriamente em direção à Coluna do Sul.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

O ESQUADRO E A ESQUADRIA

O Esquadro
Somente quem souber esquadrejar poderá transformar a pedra bruta em pedra angular e devidamente desbastada, visando em um trabalho oportuno a poli-la e burilá-la para ser transformada em pedra de adorno na construção.

O esquadro que forma um ângulo reto ensina-nos a retidão de nossas ações; o maçom em sua linguagem simbólica diz que pauta a sua vida "dentro do esquadro".

Tudo está na dependência da retidão, tano na horizontalidade como na verticalidade.

Seguindo-se as hastes do esquadro, teremos dois caminhos que vão se afastando, quanto mais distantes seguirem; isso nos ensina que se nossa vida for pautada de forma correta, encontraremos o caminho da verticalidade espiritual e o da horizontalidade material.

Esse instrumento é imprescindível na construção; caso não for usado, teremos uma obra torcida, sem equilíbrio e pronta para ruir.

A Esquadria
A esquadria decorre do uso correto do esquadro, que é um instrumento de construção.

Quando o maçom assume em Loja a postura correta, diz-se estar em esquadria, o que equivale ao perfeito equilíbrio.

O maçom aprende, logo após sua iniciação, a postar-se em Loja, tanto de pé como sentado.

A perfeição da postura equivale a um exercício de vida, pois, como sucede como os iogues, assumindo posições adequadas, o corpo humano pode purificar-se ou pelo menos manter a saúde de seu organismo.

Essas posturas maçônicas aplicam-se também à vida profana, uma vez que o maçom deve manter-se em esquadria, seja mantendo-se ereto ao caminhar, postando-se ao sentar e pautar o seu comportamento social de conformidade com o aprendizado maçônico.

Estar em esquadria significa ser obediente às leis do seu país, interessar-se pelos problemas sociais e pautar sua vida familiar de conformidade com os preceitos que lhe foram ministrados na Loja.

Toda vez que, ao caminhar, relaxamos o corpo, devemos reagir e endireitar os ombros; isso nos relembrará que a postura é posicionamento relevante para que a vida transcorra normalmente.

A esquadria moral é muito importante; o maçom é, sobretudo, alguém que serve de exemplo na conduta social.

Fonte: Facebook_Átrio do Saber

quinta-feira, 6 de novembro de 2025

FRASES ILUSTRADAS

OLHO ESQUERDO NA MAÇONARIA

Em 07.05.2025 o Poderoso Irmão Pedro Rodrigues Bueno Junior, Secretário Estadual de Orientação Ritualística do GOB-SP, Oriente de São Paulo, Capital, solicita esclarecimentos para o que segue:

OLHO ESQUERDO

Mais uma vez venho lhe pedir auxílio no esclarecimento de uma dúvida que me foi apresentada e que não pude esclarecer.

Na 3ª Instrução do Ritual de Aprendiz - REAA (pág. 196) consta o seguinte texto: "É o limite entre as trevas e a Luz (...), símbolo das qualidades espirituais; o olho esquerdo no interior do Delta, etc.

A pergunta que me foi feita: Por que o olho esquerdo? Existe algum simbolismo para ser o esquerdo e não o direito, por exemplo?

Agradeço mais uma vez por sua valiosa ajuda, assim poderei orientar de forma correta ao Ir∴ que me consultou.

CONSIDERAÇÕES:

Em Maçonaria o olho esquerdo no interior do Delta menciona, em primeira análise, a presença da Divindade. Como Olho que Tudo Vê, é o símbolo da Onisciência Divina - é o Olho da Providência e da Vigilância.

 A questão de se referir ao olho esquerdo, provavelmente porque ele faz alusão ao Olho de Hórus, no qual, segundo o misticismo da civilização egípcia, o olho esquerdo relaciona-se à Lua, enquanto o direito ao Sol. Nesse contexto a Lua, símbolo do abstrato, se caracteriza pelo intuitivo e o espiritual. 

Para falar a verdade, o olho esquerdo simboliza a capacidade de se enxergar além do mundo material, isto é, a aptidão para se conectar com o plano dos sentimentos e da intuição.

A vista disso, e graças ao ecletismo maçônico, o olho esquerdo de Hórus no interior do Delta é parte do enorme conjugado de símbolos e alegorias maçônicas, das quais o Olho Onividente é o emblema da Onisciência, da Onipresença do “Grande Arquiteto do Universo”. 

Além disso, conforme a vertente maçônica, se teísta ou deísta, o olho esquerdo cumpre o desiderato de representar o Criador, bem como, em uma expressão filosófica, a Verdade.

Portanto, o olho esquerdo, segundo as antigas civilizações, refere-se à espiritualidade, ao abstrato e a intuição. Foi graças a estas concepções que o “Olho” veio a aparecer no interior do Delta no Retábulo do Oriente da Loja.

Não há como se afirmar peremptoriamente, mas ao que tudo indica que vem daí a preferência pelo “olho esquerdo”, na Maçonaria.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

THOMAS WEBB

A MULHER NA MAÇONARIA

Ir∴ Anatoli Oliynik*

A base da Instituição maçônica é a fraternidade. Por isso reúne os homens em suas Lojas, nas quais reinam a moral, a tolerância e a solidariedade. Porém, a Maçonaria também dedica à família o melhor de suas atenções. E embora a mulher não participe diretamente dos trabalhos maçônicos, não se pode dizer que não lhes presta a sua colaboração, pois, enquanto os maridos se dedicam aos trabalhos da Loja, as esposas se constituem em guardiãs do lar e dos filhos.

Os Maçons tributam, portanto, à mulher não somente o respeito que ela merece como mãe, esposa, irmã e filha, mas também pela admiração a que tem direito por ser o ornamento da humanidade, na qual tem exercido um grande papel civilizador e propulsor do progresso dos povos.

A Maçonaria não admite, por tradição, as mulheres em suas Lojas como membros ativos. Mas, em muitas Lojas, têm a seu cargo os trabalhos assistenciais da Oficina , e espalham a seu redor o carinho, o amor ao próximo e todas as virtudes peregrinas que formam os dotes da sensibilidade feminina.

Giz G. Huard (L‟art Royal – p. 145) que no seu famoso discurso, datado de 21 de março de 1737, Ramsay justificou a exclusão das mulheres da Maçonaria, alegando que a sua presença poderia alterar a pureza dos costumes.

Sabemos, no entanto, que os motivos são muito diferentes e remontam aos alvores das sociedades humanas. No que se refere propriamente a instituição maçônica, convém ter na devida conta que, ao ser fundada a Maçonaria Moderna , as suas reuniões se realizavam em tavernas, as quais, por mais seletas que fossem, não eram locais muito apropriados para as senhoras. Além da tradição da arte dos pedreiros que excluía as mulheres da profissão, os clubes, então em grande voga, só admitiam homens que se reuniam entre si para tratar dos seus negócios. Os ingleses sempre gostaram dos clubs only for man (clubes somente para homens) e a maçonaria nasceu na Inglaterra.

Esta regra, contudo, não foi expressa em palavras precisas em nenhum dos “Antigos Deveres” (Old Charges), embora todos os regulamentos se refiram apenas a homens e muitos deles, de forma alguma, poderiam ser aplicados a mulheres. Os regulamentos corporativos proibiam o emprego das mulheres na indústria, com exceção da viúva do mestre da oficina, e mesmo de sua filha.

A exclusão da mulher, na Maçonaria operativa, prendia-se, muitas vezes, ao fato de a mulher operária daquela época, ganhando salário inferior ao homem, tornar-se uma concorrente tão poderosa quanto nefasta, ou pelo menos assim julgava uma sociedade que vivia atrofiada pela falta de mercados e de empregos.

Mas se a corporação deixava a mulher viúva ou filha órfã, do mestre, continuar o negócio-privilégio do marido para poder manter-se e aos filhos, não lhe permitia, contudo, aceitar aprendizes, por lhe faltarem conhecimentos profissionais para instruí-los devidamente.

Sabe-se, porém, por meio das relações do imposto de capitação, da existência de mulheres gesseiras, almofarizeiras , e mais raramente pedreiras. Não obstante, Bernard E. Jones fala de várias viúvas que faziam parte da Companhia de Maçons de Londres.

Somente em 1723, nas Constituições maçônicas é que, pela primeira vez, a palavra “mulher” foi introduzida na lei. Diz-se, e de maneira explicita, que “as pessoas admitidas como membros de uma Loja devem ser homens bons e verdadeiros... e não escravos, nem mulheres etc.”

Eliane Brault em La F.M. et l‟Émancip. des Femmes (A Franco- maçonaria e a emancipação da mulher) expõe os motivos dessa medida. Dizendo:

“Decretando desde a sua fundação que não aceitaria senão homens livres e de bons costumes, a Maçonaria afastava os mercenários (o termo proletário não existia ainda naquela época) como privados de liberdade, os assalariados dependendo de um patrão, os judeus que não tinham ainda conquistado os direitos de cidadãos, os comediantes e os artistas, que não eram considerados como de bons costumes, já que o acesso à igreja lhes era proibido; a fortiori era obrigada a afastar as mulheres, visto que as leis e os costumes as mantinham em estado de menoridade e de subordinação” (pp. 12-13).

Apesar da Maçonaria Moderna excluir terminantemente as mulheres de qualquer participação ativa na Loja, são conhecidas algumas narrativas de casos raros de mulheres que receberam o Primeiro Grau. As narrativas referem-se a:

1. Sra. Aldworth (Elisabeth Saint-Leger - 1693-1773) 
Conhecida na Inglaterra como a “Dama Maçom” teria sido iniciada, ainda solteira, por volta de 1710. Era filha do 1º Visconde de Doneraile, do condado de Cork, na Irlanda, casando- se, em 1713, com Richard Aldworth. Entretanto, não há evidências documentais de que a Sra. Aldworh tenha sido efetivamente iniciada no Primeiro Grau da Maçonaria.

2. Sra. Beaton: 
Escondeu-se uma tarde no forro de madeira de uma Loja de Norfolk, na Inglaterra, surpreendendo os segredos maçônicos. Foi então iniciada. Esta mulher, que era chamada “o Maçom”, guardou o segredo até a sua morte em 1802. Não existem evidências documentais que confirmem o fato narrado.

3. Madame de Xaintrailles:
Segundo a narrativa, que não cita a data em que se passou, o fato teria se passado na Loja des Frères Artistes , em França, presidida pelo Irmão Cuvelier de Trie, quando era celebrada uma Festa de Adoção.

“Antes da introdução dos membros femininos, os Irmãos abriam a Loja no primeiro grau". "Entre os visitantes que esperavam na antecâmara estava um jovem oficial em uniforme de cavalaria". "O Irmão encarregado do exame dos visitantes pediu-lhe o diploma ou o certificado (de maçom) para ser examinado pela Loja". "Após uma pequena hesitação (o oficial) entregou um papel dobrado que foi imediatamente encaminhado ao Orador da Loja, o qual, ao abri-lo, descobriu tratar-se de uma patente de ajudante de ordens, outorgada pelo Diretório (1795-1799) à esposa do General Xaintrailles, uma mulher que, com várias outras, naqueles tempos conturbados, tinha revestido o traje masculino, alcançando uma graduação militar pela espada".

Maçonaria Feminina ou de Adoção

O estado de inferioridade física da mulher foi o motivo de menoridade jurídica em que se achou relegada até este século. E também a razão por que não foi admitida, pelo menos oficialmente, na Maçonaria Operativa e, conseqüentemente, na Maçonaria Moderna, salvo uma ou outra exceção, que não fazem mais do que confirmar a regra geral.

As Constituições maçônicas de 1723 tornaram explicita a exclusão da mulher na Ordem maçônica. Esta regra transformada em Landmarque , é uma daquelas que são exigidas para a regularidade de uma Obediência maçônica e o subseqüente reconhecimento.

Não obstante, na sua Convenção de 1935, a Grande Loja de França encarregou o seu Conselho Federal de “submeter ao estudo das Lojas, de acordo com as Lojas de adoção, as modalidades permitindo a outorga a essas Lojas da independência ou da autonomia, mesmo obediencial, que lhes permitiria, em condições novas de administração, prosseguir, do ponto de vista feminino, a obra de fraternidade e de tolerância da Maçonaria masculina”.

Isto significa, do ponto de vista daquela Potência francesa, que a tutela masculina não se justificava mais, daí a necessidade de adaptar as Lojas femininas. Porém a Guerra de 1939-1945 atrasou a realização do projeto. Não obstante, na Convenção de 1945 da Grande Loja de França, diz Alec Mellor, o Grão-Mestre Michel Dumesnil de Gramont voltou ao assunto nos seguintes termos:

“Desejaria chamar a vossa atenção sobre a participação da mulher na obra maçônica e, por conseguinte, sobre as Lojas ditas de adoção. Hoje, a emancipação da mulher é, no domínio político, plenamente realizada. É de se pensar que o será, brevemente, no domínio jurídico. – Seria realmente um paradoxo ofensivo de ver a Maçonaria, inteiramente voltada para o progresso, permanecer como último refúgio da concepção antiquada, visando manter a mulher num estado humilhante de menoridade. – Assim, quando as nossas Irmãs manifestaram a intenção muito natural de reconstituir as suas Oficinas, decidimos por um termo a uma fórmula já caduca para chegar enfim ao que devia ser a conseqüência lógica do esforço pretendido desde há quarenta anos e mais nas nossas Lojas de Adoção, quer dizer à criação, em França, como isto existe na Inglaterra, de uma Maçonaria feminina autônoma.

As nossas Irmãs asseguraram-nos, aliás, que se consideravam sempre como permanecendo sob o patrocínio espiritual da Grande Loja de França e que a sua atividade se inspirava constantemente nos princípios da Maçonaria escocesa.

Quanto a nós, não podemos esquecer que, durante longos anos, as Irmãs, que uma evolução natural terá conduzido à independência, contribuíram para a ação e a prosperidade da Grande Loja.

Isto nos cria para com elas deveres que não poderíamos esquecer e que se devem traduzir por um concurso material e moral tão extenso quanto for necessário, para permitir-lhes organizar a primeira Maçonaria feminina autônoma que a França terá conhecido.

Esperamos, meus Irmãos, que haveis de querer consagrar com a vossa aprovação um ato que pode ter, no porvir, as mais importantes e as mais felizes conseqüências....” (pp. 194-195).

E assim, em 17 de setembro de 1945, a Grande Loja de França ab-rogava os textos regendo a Maçonaria de adoção, abolia esta última definitivamente e em 21 de outubro de 1945 uma nova obediência, a União Maçônica Feminina, realizava a sua primeira assembléia geral. Em 1952, esta obediência passou a denominar- se Grande Loja Feminina de França e em 1959 adotou o Ritual masculino do Rito Escocês Antigo e Aceito, ligeiramente modificado em alguns pontos e detalhes. Em 1963, Alex Mellor (op. Cit.) escrevia ainda:

“A jovem obediência conta atualmente com cerca de vinte Lojas e um pouco mais de 50O membros. A sua orientação difere da do Direito Humano no fato de ela preferir nitidamente as questões de simbolismo, quer dizer as verdadeiras questões maçônicas, às questões de política, mesmo qualificada de „sociais‟”.

“Os Maçons das outras obediências são admitidos como „visitantes‟, incluídos os do Direito Humano e as Irmãs do Direito Humano também, liberalismo que alguns acham excessivo por duas razões: a primeira é que os Maçons do Direito Humano não são admitidos como visitantes nas Lojas da Grande Loja de França, e que a unidade do Escocesismo teria a ganhar se a Grande Loja Feminina de França não desse a esta última uma espécie de reprovação pelo menos aparente". "A segunda é que o Direito Humano não admite como visitantes as Irmãs da Grande Loja Feminina de França, tendo como motivo que esta última seria „irregular‟, crítica que, por certo, não falta de audácia e mesmo de comicidade para quem compara as origens do Direito Humano àquela diretamente saída da Grande Loja de França!"

A Grande Loja Feminina de França compreende certos elementos de valor e várias mulheres célebres.

Falta-lhe resolver um problema difícil: o dos Altos Graus. Até aqui ela só pratica os graus simbólicos, e somente o Supremo Conselho do Rito Escocês poderia permitir às mulheres ter acesso aos graus superiores. A questão não se apresentou ainda, segundo o nosso conhecimento pelo menos. Não é querer ser profeta pelo fato de conjeturar que a Grande Loja Feminina de França permanecerá uma obediência simbólica” (pp. 195-196).

Em 1965, em razão de suas relações cada vez mais íntima com o Grande Oriente de França, a Grande Loja caiu na irregularidade, produzindo-se então uma cisão. O Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito reconheceu a Grande Loja Nacional Francesa como Obediência legitima, para lá se retirando com numerosas Oficinas que o seguiram, depois de proibir à Grande Loja de França que se considerasse, no futuro, escocesa.

O progresso, em nossos dias, estabeleceu, entre homens e mulheres, igualdade de direitos sociais, políticos e jurídicos. Poderá este novo status influir para a reconsideração de uma posição à qual faltam as bases tradicionais que colocavam a mulher sob a dependência e tutela do homem?

Maçonaria Mista ou Comaçonaria

Denominação dada a obediências formadas por Lojas nas quais são admitidas as mulheres, em pé de igualdade com os homens, não sendo por isso reconhecidas pela Maçonaria regular.

A Maçonaria Mista teve início em 1882, com a iniciação de Marie Deraismes, na Loja “Livres Pensadores”, jurisdicionada à Grande Loja Simbólica Escocesa de França, que não reconheceu aquela iniciação e a declarou nula e ilegal e demoliu a Loja.

O Dr. Georges Martin, Venerável da Loja “La Jerusalém Ecossaise”, apresentou, em 1890, uma proposta à Grande Loja para a admissão das mulheres na Maçonaria, que não foi tomada em consideração. Em vista disso, o Dr. George Martin e Marie Deraismes fundaram. Em 1893, a Grande Loja Simbólica Escocesa Mista de França “O Direito Humano”, que não foi reconhecida pelas Obediências francesas “masculinas”.

Em 1903, a Grande Loja de França reconheceu a qualidade maçônica das Obediências Mistas, submetendo, porém, os seus membros masculinos à admissão e regularização, após expedição de sindicâncias.

Em 1920, o Grande Oriente de França reconheceu o “Direito Humano”, havendo troca de Garantes de Amizade. Não admitiu, porém, as Irmãs em seus Templos.

A cooperação da mulher nos trabalhos maçônicos tem sido cogitada pelas Lojas de vários países, todavia as opiniões divergem a esse respeito.

Com o propósito de dar consistência ao desejo das Oficinas de ver os membros femininos das famílias de seus obreiros ocupar- se do setor filantrópico das Lojas, a Constituição de 1967, do Grande Oriente do Brasil criava a “Fraternidade Feminina Cruzeiro do Sul”, entidade paramaçônica sem caráter iniciático, constituída das esposas, das ascendentes, descendentes e colaterais e afins de Maçons regulares, com o fim de prestar os serviços de filantropia, educação e cultura, preconizada pelo Grande Oriente do Brasil.

No Paraná a representante (Presidente) da “Fraternidade Feminina Cruzeiro do Sul” é a nossa cunhada Sarah Gennari.

Com a permissão do meu Confrade na Academia Paranaense de Letras Maçônicas, Irmão Frederico Guilherme Costa, reproduzo a seguir o seu artigo, denominado “O Ideário da Maçonaria e as suas Preocupações com a Questão da Sexualidade”. Trata-se de uma posição particular do Irmão Frederico e que não expressa o pensamento da maioria dos maçons brasileiros, mas que merece a atenção dos maçons e das cunhadas, levando-os a uma profunda reflexão.

O Ideário da Maçonaria e as suas Preocupações com a Questão da Sexualidade.

“Falar sobre a preocupação da Maçonaria com a questão da sexualidade é tratar do assunto da mulher na Instituição, o que não é tarefa muito confortável". "Em l774 temos um rito ou Maçonaria de Adoção, destinado às mulheres. Esta iniciativa coube ao Grande Oriente da França que exigiu subordinação a uma Loja regular masculina. Gervásio de Figueiredo , especialista no assunto, nos fala dos seguintes graus:

l - No Sistema Francês e Escocês, cinco: Aprendiz, Companheira, Mestra Perfeita e Soberana Ilustre Escocesa.

2 - No Sistema de Menfis, cinco: Aprendiz, Velada, Mestra, Mestra Perfeita e Sublime Eleita.

3 - Na Maçonaria Egípcia de Cagliostro, três: Aprendiz, Companheira e Mestra Egípcia.

4 - Na Comaçonaria, cujo lema é o “Direito Humano”, são as mulheres admitidas em perfeita igualdade com os homens, tanto nos graus como nas funções, tal qual foram, segundo acreditam, nos Antigos Mistérios do Egito e da Grécia.

Observamos que uma forte dose de misticismo está presente no único sistema que existe até hoje: o “Direito Humano”, criado em l893, fruto de uma importante reivindicação feminina visando a igualdade civil e política.

Tentando justificar o impedimento da mulher na Maçonaria dita regular, os maçons tradicionais invocam o item dos OITO PONTOS exigido pela Grande Loja Unida da Inglaterra para reconhecer uma Obediência Maçônica:

“Os membros da Grande Loja e das Lojas individuais devem ser, única e exclusivamente homens. Nenhuma Grande Loja poderá manter relações com Lojas que admitam mulheres como membros”.

O maçom francês e católico Alec Mellor procura justificar o impedimento por razões históricas, psicológicas e morais. Tenta demonstrar que na Maçonaria dita operativa não era possível existirem pedreiras, o que é verdadeiro. Com acerto declara que quando da fundação da Moderna Maçonaria, o Club maçônico londrino, a exemplo dos tradicionais clubes de homens, não aceitavam a iniciação feminina. Cabe a transcrição do autor citado:

“Na época da Franco-Maçonaria operativa, por definição, não era possível existirem 'pedreiras'. Quando, no século XVIII, fundaram-se as primeiras lojas especulativas, o seu modelo foi o desta instituição tipicamente britânica, o Club, essencialmente masculinos. Por razões psicológicas e morais: a pretensa inaptidão das mulheres para guardarem segredo é um absurdo puro e simples, mas o mesmo não ocorre com a sua dificuldade de admitirem a igualdade social entre elas, nem com a sua sensibilidade mais viva do que a dos homens. Em um mundo fechado, onde a sensibilidade se torna mais arrebatada, a vivacidade de certas reações femininas decuplicaria, prejudicando o espírito fraternal. Enfatizou-se igualmente a hostilidade muito fácil que as mulheres nutrem umas pelas outras, sobretudo se são de idades diferentes, assim como o perigo que o espírito fraterno correria de eventuais adultérios e também de brigas entre homens tão caras às coquetes”

Mesmo admitindo que a pretensa inaptidão das mulheres para guardarem segredo é um absurdo puro e simples, Mellor tropeça no seu entendimento psicológico quando entende que as mulheres não admitem a igualdade social entre elas e que a vivacidade de certas reações femininas decuplicaria, prejudicando o espírito fraternal ao lado de eventuais adultérios. São argumentos falhos, machistas. Como impedir uma cidadã que elege e é eleita, o ingresso numa sociedade que defende a liberdade e a igualdade? A única resposta possível se encontra no “espírito” do clube londrino, e, não nas absurdas considerações morais e psicológicas, pois para que exista uma adúltera é óbvio que deve, igualmente, existir um adúltero.

Enquanto este “espírito” londrino existir e as Obediências reconhecidas pela Grande Loja Unida da Inglaterra insistirem na necessária regularidade, só restará o protesto e a incompreensão dos maçons que vêem na mulher algo mais do que o simples e agradável prazer sexual.

Isolada, a mulher maçona encontra-se no espaço excludente reatualizando-se a cartografia aristotélica dentro da ética da natureza: “os homens são desiguais pela própria natureza humana”. Embora tratando com carinho a mulher, o maçom, dentro de um processo de longa duração, não quer inseri-la no espaço da produtividade, da eficácia. Excluída dos Templos fica, a “cunhada”, no espaço próprio das reprodutoras dos “sobrinhos”.

A Maçonaria, desde o seu início regular, recebeu nos seus quadros uma quantidade significativa de conservadores marcados pelo positivismo do século XIX onde “pensar a sexualidade” não é possível. Muito própria da época, a idéia conservadora não deve ser entendida como uma crítica à Maçonaria dos oitocentos, mas um perfeito enquadramento da sua doutrina com a realidade política praticada na Europa. Todavia permanece o vazio frustrante naquilo que deveria ser o desenvolvimento das idéias maçônicas. Com relação a questão da sexualidade, não seria temerário afirmar que a Maçonaria brasileira não tem tradições intelectuais, apesar de muitos dos seus ilustrados membros, no rigoroso sentido metodológico. Não se consegue saber o que pensa a Maçonaria sobre a sexualidade. Portanto será mais sábio, por enquanto, não falarmos sobre o tema; antes é preciso desembaraçar a Maçonaria das peias do autoritarismo.

A transposição de forma de comportamento social da Europa para o Brasil seria a explicação mais correta às dificuldades opostas à formação de um pensamento maçônico brasileiro na direção de uma discussão mínima sobre a questão da sexualidade, dos excluídos, da mulher, do homossexual, para ficarmos apenas nestes. Fundamentalmente o universo maçônico brasileiro mantém-se coeso em torno do princípio burguês com relação aos excluídos, apesar de alguns maçons se considerarem “liberais” e a favor do ingresso da mulher na Maçonaria, mas somente esta “excluída” eventualmente “poderia” interpretar, “um dia”, a doutrina e as práticas ritualísticas que sempre estiveram sujeitas à localização social dos maçons e, neste espaço, não se discute sexualidade. Compreendem-se, assim, os cismas a partir de uma perspectiva de mudança e ruptura com o modelo existente.”

*Escritor, Pesquisador Maçônico, Palestrante, Membro da Academia de Cultura de Curitiba, Benemérito do Grande Oriente do Brasil e Benemérito da Maçonaria Catarinense. É Obreiro da Loja "Laelia Purpurata" nr. 3496 de Camboriú GOB/SC – Rito York.

Fonte: JBNews - Informativo nº 287 - 11.06.2011