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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

A FRATERNIDADE NO SÉCULO XXI

A FRATERNIDADE NO SÉCULO XXI
Byron J. Collier
Adaptado de tradução feita por Luciano R. Rodrigues

Como maçons, nós orgulhamo-nos da antiguidade e da história da maçonaria, mas as nossas cerimónias e rituais em si serão suficientes para satisfazer as gerações futuras?

O futuro exigirá uma melhor compreensão do que realmente significa ser um Maçon através de um melhor conhecimento de nós mesmos e praticar os princípios que todos prometemos manter nos nossos juramentos ou obrigações. Acredito ainda que o exemplo silencioso de homens com integridade, que exibem as virtudes morais e sociais dos homens bons e que fazem a coisa certa por causa da justiça, prevalecerão e preencherão as lacunas sociais criadas nesta nova era.

Para que a nossa fraternidade não apenas sobreviva, mas cresça, devemos fazer do acolhimento de novos membros e da retenção dos irmãos existentes, uma parte importante do que fazemos em Loja. As experiências dos primeiros meses de um Aprendiz e de um Companheiro e os primeiros anos de um Mestre Maçon, determinarão como eles verão a Maçonaria pelo resto das suas vidas. É por isto que o compromisso com a orientação e a sustentação da comunhão é relevante, agora mais do que nunca. Acredito que as nossas Lojas devem procurar melhores maçons e não mais maçons.

Há uma velha história sobre um homem que estava a considerar propor-se como candidato à maçonaria, pelo que seleccionou uma das duas Lojas na sua área local. Depois de ter sido iniciado com Maçon, um amigo perguntou-lhe porque é que tinha seleccionado uma Loja em particular. A sua resposta foi que, após entrevistas com oficiais das duas Lojas, a sua selecção foi fácil porque uma Loja estava muito interessada nele como candidato enquanto a outra estava interessada nele como um irmão. Qual é que acha que ele escolheu?

Embora tornemos as nossas reuniões mais interessantes através de eventos sociais e educação maçónica, a força motriz que traz maçons a se unirem é a nossa irmandade quando nos encontramos, seja em reuniões na Loja ou por encontros casuais na rua. Não demora muito tempo para um novo Maçon perceber que ele pode formar novas amizades para o resto da sua vida. No entanto, um dos principais perigos vem quando a “novidade” da experiência maçónica se começa a desgastar. Quando o comparecer de um membro se torna irregular ou ele pára de ir à Loja, isso parece sugerir que:
As suas prioridades mudaram,
ele está sobrecarregado e/ou saturado com deveres da Loja
algo mudou na sua vida.

Visando descobrir o que mudou para este irmão, devemos estar dispostos e capazes de nos envolvermos num diálogo aberto e franco.

Para chegar ao ponto de conversa honesta e aberta com nossos irmãos maçónicos, devemos estar mais próximos. Temos que fazer um esforço concentrado para obter os pontos de vista e sentimentos de todos os membros, não apenas de alguns. Portanto, se a formalidade de uma Sessão de Loja, impede o envolvimento de alguns membros, devemos reconhecer isso e solicitar as suas opiniões em reuniões menos formais ou em discussões. É importante que cada Irmão sinta que não foi deixado de fora, que a Loja acolhe os seus pontos de vista, e que ele “teve a sua palavra”.

Uma das armadilhas mais comuns que devemos ter cuidado em evitar, é associarmo-nos apenas com os maçons que tem a mesma opinião que nós, pois podemos criar o que parecem ser “grupinhos”; eu digo “a mesma opinião”, porque às vezes não dedicamos tempo suficiente para poder entender completamente todos os nossos irmãos. Eles até podem ser da mesma opinião, ainda que o tivéssemos percebido!

Finalmente e mais importante ainda, devemos praticar a compreensão e a tolerância. Compreensão para nos sentirmos livres para discutir questões delicadas, questões humanas que são importantes para fazer e manter bons relacionamentos. Tenhamos em consideração que somos todos diferentes, cada um de nós vem de diferentes origens e cada um de nós pensa e age de forma diferente, portanto, devemos conhecer-nos bem uns ao outros o suficiente para que possamos conversar num nível que promova a amizade e, ao mesmo tempo, evite a discórdia.

Devemos também assumir uma atitude completamente tolerante com as opiniões e ideias dos nossos irmãos. Podemos sentir que a sua ideia ou ponto de vista está errado, mas devemos reconhecer que eles têm suas próprias razões para o que expressam, e não nos compete julgá-los por isso. A todo nos acontece dizermos e fazermos coisas de que mais tarde nos arrependemos. Bem, nós podemos abertamente ser honestos com nós mesmos e tentar corrigir-nos e tentar perdoar facilmente essas transgressões nos outros. Eu ousaria dizer que todos nós conhecemos irmãos na maçonaria que, por uma razão ou outra, estão em algum nível de disputa emocional com outros maçons. Estas disputas são realmente importantes no grande esquema das coisas? Eu acredito realmente que uma boa e honesta discussão faria com que a maioria das disputas não existisse. Cada um de nós deve aprender a procurar e a aceitar admoestações e bons conselhos de outros, e pelo menos ter alguma concordância, “concordando em discordar”.

Peço-lhe que considere e pratique esta compreensão, tolerância e expresse um interesse genuíno no seu companheiro Maçon, o homem que você chama de Irmão.

Fonte: https://bibliot3ca.com

domingo, 24 de outubro de 2021

FICAR À ORDEM - VIAGENS NA CERIMÔNIA DE ELEVAÇÃO

Um Respeitável Irmão cuja Loja pratica o REAA, GOB-SP, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte questão:

FICAR À ORDEM NA ELEVAÇÃO

O ritual de Companheiro não trazia a obrigação do Aprendiz colocar-se à Ordem durante as paradas das 5 viagens, porém, as novas instruções do site ritualistica.org.br, contém essas orientações.

Isso confundiu um pouco nossa cabeça, pois temos a "tradição" de não se fazer sinal portanto objeto de trabalho, tanto que, no momento que é pedido o Sinal de Aprendiz, ao final da primeira viagem, nosso Experto costuma recolher as ferramentas, para que o Aprendiz atenda à ordem do Venerável Mestre, devolvendo-as, em seguida.

Com as novas instruções, o Aprendiz JÁ ESTÁ à Ordem quando o Venerável Mestre lhe pede o sinal de aprendiz. Dessa forma, o que será dado, será apenas o sinal gutural, não o Sinal de Aprendiz, que é o sinal completo (Ordem e Gutural) e o que é pedido na fala do Venerável.

Estamos equivocados?

CONSIDERAÇÕES:

Aspectos iniciais para a apreciação da questão:

(1) O ritual falhava quando não previa que em Loja aberta, aquele que estiver em pé fica à Ordem. Essa é uma regra consuetudinária do REAA;

(2) Não se faz Sinal com o objeto de trabalho, isto é, não se faz uso do objeto de trabalho para com ele se executar o Sinal Penal (no caso ainda o Sin∴ Gut∴);

(3) Sinal de Ordem é a composição do Sinal do Grau. Em se estando à Ordem, corpo ereto e com nos pés em esquadria na forma de costume, se compõe o Sin∴ com a mão. No caso, o de Aprendiz. A composição do Sin∴ é a parte estática. Para complementar o Sin∴ faz-se então, no caso, o Sin∴ Gut∴(aplicação simbólica da pena). Essa é a parte dinâmica.

Dados esses três aspectos iniciais, o Sistema de Orientação Ritualística do GOB RITUALÍSTICA tem procurado ordenar a prática correta, já que no momento previsto o candidato, ainda Aprendiz, tem a sua mão esquerda ocupada, contudo a sua mão direita, que é a utilizada para compor e fazer o Sinal de Ordem, está livre.

Desse modo, ele, por ficar parado ao final das respectivas viagens, compõe normalmente o Sinal de Ordem com a mão direita mesmo que a sua esquerda esteja ocupada empunhando instrumentos.

Ato seguido, atendendo a ordem do Venerável ele por fim executa o Sin∴ Gut∴, pois ele está à Ordem, isto é, pronto e preparado. Executado o Sinal Penal do Grau (Gut∴) ele, por permanecer em pé e parado, volta ao Sinal de Ordem.

A questão de não se fazer Sinal portando o objeto de trabalho significa que não se compõe e nem se executa o Sinal usando o instrumento, isto é, não se arranja, no caso do Aprendiz, o Sinal de Ordem usando, em vez da mão, o instrumento. Exemplo, o Mestre de Cerimônias não coloca o bastão na região gut∴ para compor e fazer o Sinal. Do mesmo modo, nem o Cobridor faz uso da Espada para essa finalidade gestual. Nesse sentido como Elevação a mão direita do protagonista está livre e é a mão com que fará o gesto, é natural a orientação prevista SOR – GOB RITUALÍSTICA.

Apenas para ilustrar, veja, o Cobridor ou o Experto, portando a sua espada embainhada ele compõe o Sinal de Ordem e executa o Sinal Penal normalmente, isto é, com a mão, ou mãos, se for o caso.

Concluindo, o objetivo do Sistema de Orientação Ritualística é também explicar detalhes ritualísticos que de há muito não vinham sendo respeitados por mera falta de explicação. Nesse caso, especificamente o dos três aspectos que foram aqui abordados. Parabéns pela preocupação com a prática litúrgica e ritualística. Das teses e antíteses é que resultam as sínteses.

T.F.A.
PEDRO JUK
Secretário Geral de Orientação Ritualística – GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MAÇONARIA E PODER (I)

MAÇONARIA E PODER (I)
Rui Bandeira

Corrente e repetidamente, a Maçonaria é acusada de secretismo e de influenciar, ou exercer, o Poder, de forma subreptícia, escondida, por detrás das cortinas, obtendo benefícios para os seus, e de comandar os destinos do país, quiçá do mundo.

Quanto ao secretismo, a melhor prova de que a acusação é infundada é este blogue, bem acompanhado pelo sítio da Loja Mestre Affonso Domingues e por centenas de outros blogues e sítios de Lojas e Grandes Lojas maçónicas, em todas as línguas e publicados por todo o globo, em toda a parte onde há Maçonaria. Poucas instituições, nesta era da Sociedade de Informação, disponibilizam mais e mais detalhada informação sobre o que são, o que fazem, quais os seus propósitos, do que a Maçonaria. No entanto, o anátema persiste, a mentira mil vezes repetida continua a ser tomada por verdade. O tempo e a paciência acabarão por, paulatinamente, ir mostrando a todos que a acusação é vã. E tempo e paciência é algo que os maçons aprendem que são bens preciosos…

O outro cavalo de batalha dos maníacos das conspirações e dos escrevinhadores de tabloides é a alegada influência da Maçonaria no Poder. Periodicamente se elencam listas de ministros, ex-ministros, deputados, autarcas e correlativos que os autores desses textos dizem ser maçons, insinuando-se ou afirmando-se claramente que atingiram as suas posições de maior ou menor exercício do Poder porque beneficiaram das manobras da Maçonaria e que, por sua vez, subrepticiamente beneficiariam os maçons no exercício das suas funções.

Ainda recentemente foi escrito e afirmado na rádio e na televisão, até por eminentes comentadores políticos, que determinada pessoa, que não teria o apoio da maioria dos deputados da Assembleia da República iria, não obstante, ser eleito Presidente da Assembleia da República, porque a todo-poderosa Maçonaria, manobrando nos bastidores, garantiria a sua eleição. Azar! O dito cujo não foi eleito… e todos os “”eminentes” e “conhecedores” comentadores e “fazedores” de opinião assobiaram para o lado, como se as alarvidades por si inventadas e proclamadas não tivessem existido! Este episódio ilustra bem que o alegado poder oculto da Maçonaria é muito menos poderoso, se é que existe, do que os maníacos das conspirações inventam. Embora eu não me admire nada se algum desses “iluminados” resolver proclamar que, afinal, o dito suposto apoiado pela Maçonaria não foi, afinal, eleito, porque, à última hora, a todo-poderosa Maçonaria resolveu que o não fosse, como forma de enganar o mundo, fazendo-lhe crer que afinal não tinha poder nenhum…

Seja como seja, se, em relação ao alegado secretismo da Maçonaria só persiste na espúria afirmação da sua existência quem não quiser ver os factos nem ler os milhares de documentos e textos publicamente disponibilizados pela Maçonaria, em relação às relações, ligações, influências, entre a Maçonaria e o Poder, forçoso é reconhecer que o tema está muito menos esclarecido por parte da Maçonaria, que assim tem deixado campo aberto a todas as especulações, invenções, disparates.

Entendo que é tempo de este pequeno cantinho da Sociedade de Informação contribuir para que a situação mude, no sentido de um melhor esclarecimento, na linha do que tem sido o constante e firme rumo deste blogue: esclarecer o que tiver de ser esclarecido, calmamente, fundamentando o melhor possível as suas afirmações e, sobretudo, com equilíbrio e verdade. Entendo eu e entendem os maçons da Loja Mestre Affonso Domingues que a melhor maneira de descredibilizar os maníacos das conspirações, os mal-intencionados detratores da Maçonaria, os espúrios alarmistas que se comprazem a gritar que vem aí o lobo sem que o bicho esteja na redondezas, é serenamente tratar dos temas alegadamente polémicos, com verdade e a maior clareza que nos seja possível.

Vou, consequentemente, dedicar alguns textos ao tema Maçonaria e Poder, nos quais procurarei esclarecer as relações entre ambos, sua natureza e profundidade. E, como sempre, devidamente informado, cada um formará a sua opinião como muito bem entender, que a liberdade de opinião é coisa que, acima de tudo, se preza neste espaço!

Por hoje, e para terminar, deixo-vos a minha opinião preliminar sobre o tema: em matéria de relações entre a Maçonaria e o Poder, são mais as vozes do que as nozes – mas que há algumas nozes, isso há…

Fonte: http://www.brasilmacom.com.br

sábado, 23 de outubro de 2021

A DIVISA LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE NA MAÇONARIA

Em 13.05.2021 o Respeitável Irmão Adroaldo Araújo, Loja 14 de julho, GOB-PR, REAA, Oriente de Maringá, Estado do Paraná, solicita informações para o que segue:

LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE

Gostaria que comentasse as origens da trilogia, francesa, Liberdade, Igualdade e Fraternidade e a sua incorporação na maçonaria francesa e brasileira. Também sobre a
trilogia usada nos países de língua inglesa.

CONSIDERAÇÕES:

Não é como muitos pensam que esse foi um lema criado pela Maçonaria na época da Revolução Francesa. Vale mencionar que na Revolução Francesa estiveram envolvidos maçons em ambas as partes da contenda. É equivocado, portanto, o pensamento de que a Revolução Francesa foi obra da Maçonaria e que o lema Liberdade, Igualdade e Fraternidade foi por ela criado.

A divisa Liberdade, Igualdade e Fraternidade é conhecida como uma divisa da Revolução Francesa porque essas três palavras eram frequentemente utilizadas na época.

Muitos historiadores citam que essa tríade foi utilizada pela primeira vez por Robespierre em dezembro de 1790 no seu discurso sobre a organização da Guarda Nacional. No artigo XVI do mencionado discurso ia assim descrito: “Eles levarão no peito estas palavras gravadas: O POVO FRANCÊS, e abaixo, LIBERDADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE. As mesmas palavras serão inscritas em suas bandeiras, que suportarão as três cores da nação”.

Destaque-se, contudo, que essa tríade já havia aparecido no jornal “A Revolução da França e de Brabant[1]” sobre o Dia da Federação. Nele constava: "(...) foi uma visão comovente ver os soldados cidadãos correndo nos braços uns dos outros prometendo um ao outro, liberdade, igualdade, fraternidade."

Em 1793, na fachada da Prefeitura de Paris e demais edifícios públicos, assim como nos monumentos aos mortos, apareceria escrito o lema: “República Una e Indivisível. Liberdade, Igualdade, Fraternidade ou a Morte (o grifo é meu)”.

É fato, entretanto, que essa legenda iria praticamente desaparecer, só vindo novamente surgir com as Revoluções de 1848[2], quando esse lema é finalmente adotado oficialmente pela França.

A partir da constituição francesa de 1848 a tríade Liberdade Igualdade e Fraternidade é adotada como lema e princípio da República.

Graças a isso, a Maçonaria francesa por ser regionalmente ligada a esses fatos fez com que Grande Oriente da Franças adotasse o lema Liberdade, Igualdade e Fraternidade como uma tríade de normas definidas para a sociedade maçônica organizada naquele país, assim como em outros, a exemplo do Brasil, onde a Maçonaria é sua filha espiritual.

No que concerne à vertente anglo-saxônica (Maçonaria inglesa), talvez com raras exceções, originalmente não é do seu costume a adoção divisas como comumente ocorre na vertente latina.

[1] Revolução de Brabant ou Brabantina - (1789-90), uma revolta de curta duração das províncias belgas da Holanda austríaca contra o domínio dos Habsburgo.

[2] Revoluções de 1848 ou Primavera dos povos foi a série de revoluções na Europa Central e Oriental que eclodiram em função de regimes governamentais autocráticos, de crises econômicas, do aumento da condição financeira e da falta de representação política das classes médias e do nacionalismo despertado nas minorias da Europa central e oriental, que abalaram as monarquias da Europa, onde tinham fracassado as tentativas de reformas políticas e econômicas (fonte – Wikipédia).

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MAÇONS FAMOSOS

INICIAÇÃO MAÇÔNICA DE MAC-ARTHUR

DOUGLAS MAC-ARTHUR (Little Rock, 1880 – Washington, D.C., 1964). Comandante militar norte-americano. Na Segunda Guerra Mundial foi nomeado chefe de operações no Sudeste Asiático, combatendo a expansão japonesa pelo Oceano Pacífico, onde comandou a reação americana. Se tornou maçom sem Cerimônia de Iniciação, através do Grão-Mestre das Grandes Lojas das Filipinas, usando das prerrogativas estabelecidas nos Landmarks.

INICIAÇÃO MAÇÔNICA: 17 de janeiro de 1936 (Sexta-feira)

Loja: Iniciado por Comunicação (Sem Cerimònia de Iniciação).

Idade: 56 anos.

Oriente Eterno: Faleceu aos 84 anos de idade, vítima de Cirrose biliar primária.

Fonte: famososmacons.blogspot.com

O AGIR MORALÀ LUZ DA LIBERDADE E DA RESPONSABILIDADE

O AGIR MORALÀ LUZ DA LIBERDADE E DA RESPONSABILIDADE
Autor: Edir Martins Moreira


Introdução

Paulo já lançara as bases de uma ética para a vida[1]. No alvorecer do cristianismo, a originalidade da proposta desenvolvida por Paulo consistiu em aliar a liberdade à responsabilidade: “tudo me é permitido, mas nem tudo convém”[2]. Todos os seres humanos prezam a liberdade, tendo sido criados para ela. Para não diminuí-la ou até destruí-la, no entanto, requer-se que se viva com responsabilidade.

Em tempos mais recentes, o Vaticano II resgatou essa intuição, sobretudo, com a Gaudium et Spes, atribuindo grande valor à consciência: “a consciência é o sacrário das pessoas”[3]. Vê-se aí a enorme importância dada às decisões individuais. Até então, o que trazia tranquilidade moral às pessoas de fé era o seguimento às normas. O importante era “enquadrar-se” nas leis. O que vigorava era a heteronomia moral. De agora em diante, as leis passam a funcionar como importantes subsídios, mas nunca como elementos decisórios às pessoas. A última palavra é sempre dada pela pessoa, em consonância com seu contexto vital (Sitz im Leben), seu desenvolvimento psíquico e sua situação particular. O que passa a vigorar é a defesa da autonomia moral.

Por conseguinte, permeando o horizonte da ética, é possível encontrar um grande desafio lançado a todo ser humano: saber discernir quais são os melhores caminhos a serem percorridos no dia-a-dia. “O sentido da responsabilidade é uma atitude do homem total que o impele a colocar-se em situação de radical disponibilidade quanto aos imperativos morais”[4].É assim que a pessoa se realiza e edifica o mundo à sua volta.

A liberdade se exerce no relacionamento entre os seres humanos. Dessa forma, toda pessoa tem o direito natural de ser reconhecida como ser livre e responsável[5]. “Quanto mais pratica o bem, mais a pessoa se torna livre. Não há verdadeira liberdade a não ser a serviço do bem e da justiça. A escolha da desobediência e do mal é um abuso de liberdade e conduz à ‘escravidão’”[6].

Em tempos de pensamento fraco e de relativismo, nesse contexto do século XXI, onde até o amor é tido como líquido, é mais do que oportuno revisitar as intuições éticas que nos foram legadas na Tradição.
O amor: fundamento da liberdade responsável

Antes de tudo é preciso explicitar o que se entende por liberdade. Para esta nossa reflexão podemos entender que “liberdade consiste em permanecer aberto e disponível para escolher o que há de melhor, de mais conveniente em cada circunstância. O Espírito torna a pessoa apta para uma verdadeira opção e suprime a necessidade de buscar sempre a própria vantagem ou a própria segurança”[7].

A categoria da responsabilidade é uma das mais mais importantes em termos de moralidade. “Somente um comportamento responsável é comportamento moral”[8]. Trata-se de um tema complexo, visto que toda a pessoa, de forma integral, deve ser levada em conta na hora de estudar a categoria antropológica da responsabilidade.

Frente a uma situação sócio-cultural, eclesial e societária onde vive-se a falta de liberdade criativa e de uma ação ousada, alternativa e esperançosa, queremos encontrar caminho para uma experiência nova e concreta. Sabemos que é imprescindível assumir a vida com responsabilidade e superar toda “escravidão”, em outras palavras, o que vale é viver em liberdade na experiência do amor diante do império da impotência e da morte. Toda reflexão tem que levar ao agir ético que revele uma vida livre e construtora de uma nova realidade, de relacionamento e de compromisso no atual contexto[9].

Faz-se necessário, com certa urgência, que sejam encontrados critérios ético-filosófico-teológicos para um repensar à moral. Daí, é possível uma reorientação do comportamento humano em vista de uma práxis mais humana, alternativa e libertadora, sobretudo frente a um contexto fundamentalista, conservador e acomodado, no intuito de trazer luz e novidade para o agir. Significa ter a lucidez de traduzir e testemunhar em concreto o cerne da reflexão ética.

A verdadeira liberdade nada mais é que um sinal eminente da consciência no homem, pois ela inclusive deixa ao homem o poder de decidir. Diante de uma proposta nova e radical para a experiência existencial dos seres humanos, a liberdade, que relativiza as normas e exige que a pessoa humana assuma com responsabilidade a vida, dá uma perspectiva nova e ousada de como viver uma verdadeira não escravidão. A liberdade é um dos elementos éticos fundamentais do ser humano.

Trata-se realmente da valorização da liberdade, por outro lado, chama-se a atenção para determinados comportamentos que, desencadeados pelo próprio ser humano podem torná-lo escravo. Alerta, então, para a vigilância. Somente quem é vigilante mantém sólida sua liberdade e nela cresce: “tomai cuidado para que a vossa liberdade não se torne ocasião de queda para os fracos”[10], afirma Paulo. A recomendação é a de que se mantenha sempre a sadia humildade e o respeito, em todas as dimensões, perante as outras pessoas. Liberdade com responsabilidade! Isso significa uma verdadeira adesão e compreensão de uma maneira nova de pensar a si mesmo, aos outros e às relações humanas.

A partir do momento em que se consente em viver segundo as proposições da vontade, o sujeito vai se capacitando a descobrir por si mesmo o caminho a seguir no cotidiano de sua vida. Muitas vezes, mesmo o autêntico pensador se vê preso à cultura das imagens na qual nos encontramos. Uma forma de ver o mundo “que trocou a reflexão pela emoção, o espírito crítico pelo espetáculo animado”[11]. Essa cultura estimula o individualismo, desarticulando iniciativas éticas dos que procuram se organizar para atender às necessidades dos outros.

Em meio ao crepúsculo do dever de um mundo hiper-individualista, também deve haver lugar para iniciativas de pessoas mais ousadas. “Ousar é mover-se e agir com destemor. Ousar é desprender-se do lugar onde se está. Ousar é desamarrar-se, é lançar-se, é atirar-se a um projeto. É atitude corajosa, é ímpeto arriscado… Ousar é promover a dignidade da pessoa humana que está sendo violentada pela crueldade e envergonhada pela miséria. Ousar é abrir clareiras que permitem enxergar horizontes fecundos para o futuro da humanidade”[12].

Portanto, o fundamental é construir uma vida alicerçada no amor, e não num sistema (de preceitos, leis, normas, estruturas, costumes, etc.). O fundamental para que as relações pessoais e comunitárias possam gerar a vida é o amor. Toda lei fica aquém da experiência do amor.
A experiência de fé e o agir ético

Uma vivência marcada pelo compromisso amoroso, o qual acolhe incondicionalmente, e que deseja a mudança para o bem da pessoa, e não para satisfazer estruturas, autoridades, vai encontrando forças para um “salto qualitativo” da ação ética. A práxis ética é a escolha de um modo de ser que é essencialmente social, ou seja, uma nova maneira de ser com os outros e contribui com um novo modus vivendi.

Nesse sentido, para que cada indivíduo cumpra com mais solicitude o seu dever, ele deve ser educado com diligência para tal. O homem dificilmente chega a um sentido de responsabilidade se as suas condições de vida não lhe possibilitam tomar consciência da dignidade da pessoa humana, tanto em relação a si mesmo quanto a outrem. Por isso, ao analisar as fontes da ética filosófica, temos comprovado que o ideal de perfeição moral nelas contido apresenta um caráter prático. Sendo assim, a pessoa, com seus comportamentos, vai realizando o ideal de perfeição que lhe é peculiar: fazer o bem[13].

A experiência vai apontando para atitudes positivas e maduras, que assumem os “riscos” da liberdade. Inclusive, para não haver desvios em nome da fé, como tem acontecido na história, é importante entender qual o lugar da fé na experiência cristã. A fé é um aspecto dum sistema de vida e do mundo que “supera a lei”: uma maneira de se viver que não favorece uma submissão a um sistema de opressão ou de morte. Ou seja: “é a fé na força de Jesus que supera toda lei, cria no homem uma liberdade nova pela qual o homem se torna capaz de agir por amor. A fé é aquela que atua pela caridade não somente a partir da lei ou da obediência à mesma, mas da espontaneidade e da liberdade do amor. A fé é o caminho que desemboca na liberdade”[14].

Viver é lançar-se à experiência do novo, do risco e da incerteza. Dentro dos diversos contextos, é o Espírito que inspira e leva a pessoa humana a um discernimento, tornando-a apta para escolher de acordo com o bem de toda a humanidade. Não há sistema ou estrutura que sejam portadores do Espírito por si próprios, por isso o Espírito capacita, à luz do discernimento, para a escolha do que edifica. Enfim, não cabe a ninguém receber um sistema pré-fabricado de preceitos, normas. A exigência é discernir em todos os momentos da história pessoal, familiar, eclesial e societária, quais são as possibilidades mais convenientes, as que estão de acordo com a promoção da vida do povo de Deus[15].
Conclusão

O essencial, moralmente afirmando, é agir segundo a voz da própria consciência, tendo sempre presente que enquanto se vive há a obrigação de aperfeiçoar essa voz, em consonância com o querer de Deus para o presente histórico de cada pessoa. Encontramos aí uma das “exigências” para o cristão verdadeiro.

Nos últimos anos, alastra-se mundo afora determinada cultura defensora do indiferentismo. Livros que defendem o ateísmo são bastante veiculados. Se à nossa volta a imensa maioria das pessoas afirmam crer, na prática vive-se uma fé infantil. Essa postura reflete-se, também, na moral cristã. Declarações oficiais da Igreja são relativizadas ou ignoradas até mesmo por pessoas que têm prática religiosa com certa regularidade. A superficialidade religiosa reflete-se na superficialidade dos comportamentos morais.

A vida não pode ser pautada simplesmente por um preceito obrigatório. O risco é cair na inautenticidade, pelo fato de que uma vida a partir da legislação pode levar à “uniformidade da ação”. Torna-se uma ação por obrigação, não por livre escolha, isso não é liberdade, mas escravidão. Contudo, o preço da liberdade é a obrigação de escolher e, portanto, de assumir responsabilidades.

A verdadeira liberdade ética é fruto de uma experiência comunitária e de uma responsabilidade social. A comunidade é o “verdadeiro sujeito moral”. Viver a partir de uma atitude individualista e irresponsável diante do outro é morrer para uma experiência de autenticidade.

A fé é um lançar-se para frente, é conquistar a estrada da liberdade diante das injustiças. A fé é um risco e uma aposta, não se sabe o que vem depois e acredita-se no caminho da vida. A partir da fé tudo recebe nova iluminação, profundidade, valor e sentido. É um ato ligado ao agir, nele o ser humano é provocado a descobrir a presença do outro, e ter compaixão do que sofre, a viver a tensão dialética entre o pessoal e o social.

Nesse sentido, ainda que num contexto de interrogações, para o cristão deve permanecer clara a consciência de que o fato de crer em Jesus Cristo interessa à vida da pessoa na sua totalidade e perpassa inteiramente toda a responsabilidade, nos vários níveis de suas livres decisões. O comportamento moral, então, apresenta-se como uma situação favorável para a verificação da sinceridade da adesão à fé[16].

Um agir moral que humaniza e liberta tem que nascer de uma experiência de fé que abre os olhos, dá sensibilidade e comunhão com cada realidade, e faz acreditar que é possível mudar tudo aquilo que discrimina e escraviza a vida. Uma sociedade só é sólida se os membros que a formam forem portadores de valores sólidos. Para isso, é necessária a preocupação com os valores éticos que oxigenam a vida da sociedade.


Notas

[1] – MATTOS, Luiz Augusto de. Paulo e a ética da liberdade. Disp. in: http://www.teologia-assuncao.br/reeletronica/numeros/n3/n3_luizaugusto.html
[2] – BÍBLIA DE JERUSALÉM. 1Cor 6,12.
[3] – CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Gaudium et Spes, nº 16.
[4] – HORTELANO, Antonio. Moral responsável, p. 268.
[5] – CIC, 1738.
[6] – CIC, 1733.
[7] – COMBLIN, José. O espírito no mundo, p. 65.
[8] – VIDAL, Marciano. Moral de atitudes, p. 187.
[9] – HORTELANO, Antonio. Moral responsável, p. 268-269.
[10] – BÍBLIA DE JERUSALÉM. 1Cor 8,9
[11] – LIPOVETSKY, Gilles. A sociedade da decepção, p. 57.
[12] – ARDUINI, Juvenal. Antropologia: Ousar para reinventar a humanidade, p. 40.
[13] – WOJTYLA, Karol. Max Scheler e a ética cristã, p. 93.
[14] – COMBLIN, José. A liberdade cristã, p. 23.
[15] – COMBLIN, José. O espírito no mundo, p. 66.
[16] – VIDAL, Marciano. Dicionário de Teologia Moral, p. 400.

Referências bibliográficas

ARDUINI, Juvenal. Antropologia: Ousar para reinventar a humanidade. São Paulo: Paulus, 2002.
BÍBLIA DE JERUSALÉM. 5º impressão. São Paulo: Paulus, 2008.
CATECISMO DA IGREJA CATÓLICA. Trad. da CNBB. São Paulo: Loyola, 1999.
COMBLIN, José. A liberdade cristã. Petrópolis: Vozes, 1977.
COMBLIN, José. O espírito no mundo. Petrópolis: Vozes, 1978.
CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Gaudium et Spes, in: Compêndio do Vaticano II: constituições, decretos e declarações. 29.ed. Petrópolis: Vozes, 2000.
HÄRING, B. Práxis Cristã (moral fundamental), vol. 1. São Paulo: Paulus, 1983.
HORTELANO, Antonio. Moral responsável. Lisboa: Edições Paulistas, 1970.
KLOPPENBURG, Boaventura. O cristão secularizado. Petrópolis: Vozes, 1970.
LIPOVETSKY, Gilles. A sociedade da decepção. Barueri: Manole, 2007.
MATTOS, Luiz Augusto de. Paulo e a ética da liberdade: por um agir humanizador e libertador da vida. Disp. in: http://www.teologia-assuncao.br/re-eletronica/numeros/n3/n3_luizaugusto.html, acessado em 24/08/09.
MESTERS, Carlos. Carta aos romanos. São Paulo: Paulinas, 1983.
VIDAL, Marciano. Dicionário de Teologia Moral. São Paulo: Paulus, 1997.
VIDAL, Marciano. Moral de atitudes (moral fundamental, vol. 1). 3.ed. Aparecida: Santuário, 1978.
WOJTYLA, Karol. Max Scheler e a ética cristã. Trad. de: Diva Toledo Pisa. Curitiba: Champagnat, 1993.

Fonte: https://opontodentrocirculo.com

sexta-feira, 22 de outubro de 2021

DÚVIDAS RITUALÍSTICAS - CIRCULAÇÃO DA BOLSA E OCUPAÇÃO DAS CADEIRAS DE HONRA - GOB

DÚVIDAS RITUALÍSTICAS – COLETA E OCUPAÇÃO DE CADEIRAS DE HONRA
(Republicação

Em 20/07/2017 o Respeitável Irmão Emerson Melo, Venerável Mestre da Loja Fraternidade Águas Claras, 3.673, REAA, GOB-PR, Oriente de Goioerê, Estado do Paraná, solicita a seguinte informação:

O Irmão coordenador do Grão-Mestre da nossa região nos instruiu que o Irmão Mestre Cerimonia ao convocar os obreiros para entrarem no templo, após a convocação se posta na porta do templo na Coluna Norte, e no final da sessão também, está correto? Quanto a circulação no Saco de Propostas e Informações que ao coletar no do Venerável Mestre não se deve neste momento coletar de mais ninguém que esteja no trono, somente após quando for coletar no Oriente passará pelo trono de Salomão coletar dos Irmãos que estiverem ao lado do Venerável Mestre. A ordem seria está? Venerável Mestre, 1° Vigilante, 2° Vigilante, Orador, Secretário, Irmãos Cobridores, do lado esquerdo do Oriente passando pelo trono, depois lado direito, e vai ao ocidente, coleta Coluna do Sul de todos os Mestres independendo se sejam oficias, e depois continua. 

Ainda sobre o assento do lado direito do Venerável Mestre obedecendo às faixas conforme decreto do Grão-Mestre, o assento da direita quando estiver o coordenador regional, este assento deverá ser oferecido a ele como representante do Grão-Mestre, ou ao Irmão Deputado ou outros pela faixa hierárquica. Alguns Irmãos dizem para representar o Grão-Mestre somente por decreto por ele destinado?

CONSIDERAÇÕES:

Mestre de Cerimônias – Ingresso e retirada. Após a bateria pedindo ingresso no Templo e a porta estar aberta, o Mestre de Cerimônias, ao centro, entre as duas colunas de Irmãos, do Átrio vai orientando o acesso conforme especifica o Ritual em vigência e os Procedimentos Ritualísticos do GOB-PR (2016). Assim ele ali permanece para conduzir por último o Venerável Mestre. Como oficial condutor, o Mestre de Cerimônias vai à frente do conduzido até o Oriente onde tem assento o Venerável. 

Não está designado que o Mestre de Cerimônias fique no lado Norte conforme está mencionado na sua questão – vide o Ritual e os Procedimentos Ritualísticos. Dependendo do tamanho do recinto (às vezes reduzidos em alguns Templos) ele se posiciona de tal maneira que não atrapalhe o préstito. 

No encerramento dos trabalhos, conforme também especifica os Procedimentos Ritualísticos do GOB-PR, ele comanda a saída organizada dos Irmãos do recinto posicionado dentro do Templo na Coluna do Sul próximo a porta.

Durante as circulações das Bolsas – De fato, mesmo que as duas Cadeiras de Honra estejam ocupadas, o primeiro a ser abordado é sempre o Venerável Mestre (não importando quem esteja ao seu lado), seguido dos Irmãos Primeiro e Segundo Vigilantes, Orador, Secretário, Cobridor Interno (o grifo é meu), os demais ocupantes do Oriente começando pelos que ocupam as cadeiras de honra, Mestres da Coluna do Sul, Mestres da Coluna do Norte, Companheiros, Aprendizes e, por último, auxiliado pelo Cobridor Interno, o próprio Oficial circulante (Mestre de Cerimônias ou o Hospitaleiro).

Grifei o cargo de Cobridor Interno porque já existe orientação da Secretaria Geral de Orientação Ritualística em Brasília (página da web - Ritualística – Grande Oriente do Brasil) para que a coleta seja feita apenas do Cobridor Interno nessa oportunidade e não mais “dos Cobridores”, sendo que o Cobridor Externo somente será abordado na circulação da bolsa junto com os Mestres que ocupam a Coluna do Norte. 

No Oriente não existe regra para circulação, todavia durante o trajeto das Bolsas, segue-se por primeiro os seis cargos tradicionalmente mencionados no Rito. Nunca se faz coleta de outrem junto com a do Venerável, mesmo que estejam ocupadas as duas Cadeiras de Honra. 

Outra opção: também é comum e de bom alvitre que durante a coleta no Oriente, após ter sido abordado o Cobridor Interno no Ocidente, que o oficial circulante faça a coleta por primeiro dos ocupantes do lado Norte oriental, inclusive daquele que estiver ocupando lugar na Cadeira de Honra no lado direito do Venerável, e por fim, do mesmo modo os do lado Sul oriental. 

Ainda, no que diz respeito à coleta, afora a ordem dos seis primeiros cargos obrigatórios (Venerável, Vigilantes, Orador, Secretário e Cobridor Interno), para os demais cargos preenchidos, tanto no Oriente como no Ocidente, não existe ordem de precedência para coleta. Todos os que ocupam cargos serão abordados junto aos demais Mestres sem cargo. Isso se estende às outras autoridades e Mestres Instalados.

Ocupação de Cadeiras de Honra – O Decreto 1469 datado de 12/02/2016 menciona dentre outros a figura do “Delegado Regional” e não um “Coordenador Regional” e nem o “Representante do Grão-Mestre”. 

Penso que se deve seguir irrestritamente o Diploma Legal e a sua ordem de precedência, lembrando que um Coordenador Regional, ou mesmo um “Representante” mesmo acompanhado de um Ato oficial não é o Grão-Mestre. Prova disso é a de que um Coordenador ou um Representante não recebe o malhete como é comumente recebido pelo Grão-Mestre.

Vale a pena mencionar que são apenas e tão somente duas as Cadeiras de Honra, uma à direita e outra à esquerda que serão ocupadas de acordo com o que preceitua o Decreto mencionado. Não é permitido colocar mais cadeiras além das previstas para se satisfazer “outras vontades”.

Penso que essa questão, se ainda suscitar dúvidas, deverá ser encaminhada a um “legislador maçônico” para produzir uma resposta coerente em relação à de que um Coordenador Regional ou um Representante do Grão-Mestrado possa usufruir o direito de ocupar uma das Cadeiras de Honra posicionadas ao lado do Trono, sobretudo a da direita do Venerável. 

Eu não me acho apto para produzir uma afirmativa legal nesse sentido, embora eu, se porventura estivesse na condição de um Coordenador ou de um Representante, jamais me preocuparia em ocupar uma cadeira ao lado do Venerável, salvo se a ocasião exigisse extrema e comprovada necessidade. Imagino que autoridades e Irmãos com direito a assento no Oriente poderiam perfeitamente ocupar esse espaço, porém abaixo do sólio, deixando as duas Cadeiras de Honra apenas para os Grão-Mestres ou, nas suas ausências aos seus Adjuntos, ou ainda ao Delegado do Grão-Mestre Geral no Estado da Federação que porventura não exista ainda Grande Oriente Estadual – mas essa é apenas a minha opinião. 

Eu não consigo compreender o porquê de numa Instituição que se ampara na virtude da discrição e da humildade, ainda fiquem alguns preocupados em ocupar lugares no Oriente da Loja e, em especial, junto ao Venerável Mestre.

A propósito, nunca é demais lembrar que orientações sobre liturgia e ritualística quando essas suscitarem dúvidas, mesmo após terem sido consultados os cadernos de Procedimentos Ritualísticos do GOB-PR, há que se recorrer então à Secretaria Estadual de Orientação Ritualística (obviamente que estou me referindo às Lojas do GOB-PR).

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

SALMO 133

SALMO 133
Ir∴ Romênio Batista da Silva Reis
A∴R∴L∴S∴Fênix do alto Paranaíba no 2552 - Patos de Minas - MG.

Oh! Vêde quanto é bom, quanto é suave morarmos todos juntos como irmãos!

A abertura do Livro da Lei marca o início real dos trabalhos numa loja maçônica, o ato, embora simples, porém solene, é de grande importância, pois simboliza a presença efetiva da palavra do Grande Arquiteto do Universo. Neste momento é feito a leitura do salmo 133, que segundo historiadores, foi lido pela primeira vez, perto da metade do século XVIII, por algumas Lojas do rito York, na Inglaterra.

Ele é atribuído ao Rei David, e há historiadores que afirmam ser obra do período pós exílio; época que em forte clima emocional, é retomado o culto a JAVEH em plena Jerusalém. O importante é que o tempo não apagou nem alterou tão profunda mensagem, que tendo sido transmitida com o tradicional zelo judaico através de gerações até chegar aos dias hoje, de forma familiar, a todo maçom.

quinta-feira, 21 de outubro de 2021

O LUGAR DA ESPADA FLAMEJANTE

Em 19/10/2021 o Respeitável Irmão Teodoro Robens Freitas Silveira, Loja Apóstolos da Galileia, 2.412, REAA, GOB-MG, Oriente de Montes Claros, Estado de Minas Gerais, apresenta a questão seguinte.

ESPADA FLAMEJANTE

Quando estive Venerável Mestre a Espada Flamejante ficava no altar, na minha frente. Como ela simboliza superioridade e autoridade da ciência e das virtudes; e contém em si o fogo e a luz, sugere mais brilhantismo e vigor aos trabalhos maçônicos.

Hoje vejo, em minha Loja, a Espada Flamejante numa bancada me causando um sentimento de falta de importância.

Gostaria de saber onde deve ser colocada a Espada Flamejante dentro da Loja apenas nas sessões ritualísticas.

CONSIDERAÇÕES:

Ao que me parece a Loja está descumprindo o ritual em vigência do Rito no GOB e é preciso que o Orador, guardião das leis, interceda nesse sentido.

Ora, no mobiliário da Loja não consta nenhuma “bancada” conforme relatado na sua questão. Conforme o previsto, a Espada Flamejante fica sobre o Altar principal que é ocupado pelo Venerável Mestre.

Seque abaixo, em relação à Espada, parte do que consta no ritual em vigência, edição 2009, REAA, Aprendiz Maçom, GOB, página 15, segundo parágrafo, 1.3 Disposição e Decoração do Templo:

“Sob o dossel, num estrado de três degraus estão o Trono e o Altar ocupado pelo Venerável, de forma retangular; na face frontal, deverá estar gravado, aplicado ou pintado um esquadro (Joia exclusiva de Venerável Mestre de Loja). Sobre o Altar, um candelabro de três braços, com três luzes (devendo ficar acesa somente a luz do centro), um malhete, um exemplar da Constituição, do Regulamento Geral da Federação, o Regimento Interno da Loja, a Espada Flamejante (o grifo é meu) e o Ritual para (...)”.

Como se pode notar, está límpido e cristalino que a Espada Flamejante fica sobre o Altar ocupado pelo Venerável, não havendo nenhuma bancada separada para essa finalidade.

Ainda em relação à Espada, orienta-se que ela descanse sobre o Altar em cima de uma almofada ou dentro de um escrínio. Isso porque na regra ritualística do REAA a Espada Flamejante só pode ser empunhada por um Mestre Instalado. Visando seguir essa regra, se o Porta-Espada não for um Mestre Instalado, ele, por dever de ofício, ao conduzir a espada para os afins litúrgicos pela almofada ou o escrínio, não toca na Espada.

Dando por concluído, essas são as orientações que devem ser seguidas.

T.F.A.
PEDRO JUK
Secretário Geral de Orientação Ritualística – GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

FRASES ILUSTRADAS

 

NÃO É ENGRAÇADO?

NÃO É ENGRACADO?
(Desconheço o autor)

“Não é engraçado com R$ 100,00 parece tanto quando o levamos ao tronco de beneficência e tão pouco quando vamos ao shopping? Não é engraçado quando uma hora é tão longa quando servimos à Loja, mas tão curta quando assistimos a um jogo de futebol? Não é engraçado como duas horas na Loja parecem mais longas do que quando assistimos a um filme?

Não é engraçado como não achamos as palavras quando ministramos as instruções, mas elas estão sempre na ponta da língua para conversarmos com um amigo?

Não é engraçado como ficamos excitados quando um jogo vai para prorrogação, mas reclamamos quando uma sessão dura mais que o normal?

Não é engraçado acharmos cansativo ler os rituais, o regulamento geral ou a constituição, mas é fácil ler 100 páginas do último romance de sucesso?

Não é engraçado como precisamos de duas ou três semanas de antecedência para agendar um compromisso na Loja, mas para outros programas estamos sempre disponíveis?

Não é engraçado como temos dificuldade de aprender a propagar a Filosofia de Ordem, e como é fácil aprender a contar a última fofoca? Não é engraçado como acreditamos nos jornais, mas questionamos os rituais?

Não é engraçado como todo mundo quer ascender aos mais altos graus, desde que não tenha que acreditar, dizer ou fazer nada? Não é engraçado como mandamos milhares de piadas pelo e-mail que espalhamos como um incêndio, mas quando recebemos mensagens sobre o Senhor não reenviamos para ninguém?

Não é engraçado ? Você está rindo ? Você está pensando? Não é engraçado?

NÃO ! É TRISTE !!!!!

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

UTILIZAÇÃO DA EXPRESSÃO LATINA "AD HOC" NA MAÇONARIA

Em 22/04/2021 o Respeitável Irmão Genivaldo Antonio Gasparini, Loja União e Trabalho VI, REAA, GOB-SP, Oriente de Paulínia, Estado de São Paulo, faz a seguinte pergunta

UTILIZAÇÃO DO TERMO AD HOC

Estou com uma dúvida a respeito da utilização do termo AD HOC para designar as Dignidades que ocupam os cargos em Loja, quando das ausências dos titulares.

Na minha interpretação, devemos a utilização do termo Ad Hoc como forma de registro, tratando-se a Ata de um documento de registro legal de todos os fatos e decisões deliberados em uma Sessão.

Como o substituto não foi eleito, legalmente não preenche o qualificativo do cargo (Orador, Secretário, Tesoureiro etc.), havendo a necessidade da distinção "Ad Hoc". Mormente o cargo de Orador que tem ainda as peculiaridades da função. O Orador AD HOC substitui no cargo, mas não está investido das prerrogativas de representante do Ministério Público, portanto tem que haver a distinção pelo AD HOC.

Contudo em uma nossa Sessão foi dito que não se utiliza mais essa designação que teria caído em desuso.

Qual a forma correta de registro em Ata? Houve alguma normatização a esse respeito.

CONSIDERAÇÕES:

A expressão latina Ad hoc menciona “para esta finalidade”, “para isso” ou “para este efeito”. De modo geral é utilizada para informar que determinado acontecimento tem caráter temporário e que se destina para uma finalidade específica.

Um cargo ad hoc se define com algo provisório para atender apenas um determinado propósito.

Consagrada na Maçonaria essa expressão tem sido utilizada constantemente quando um Irmão é designado para executar ou suprir uma tarefa específica de ofício pela falta do titular do cargo. Em síntese, sob esse aspecto, ad hoc significa a nomeação temporária de um Irmão para ocupar um cargo cujo titular não se encontre presente.

No que concerne à sua questão propriamente dita, o substituto é registrado na ata como ad hoc. Ao que me consta, nada nesse sentido caiu em desuso.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MINUTO MAÇÔNICO

ATAÚDE

1º - Emblema que encerra um simbolismo da mais alta importância. Figura nas cerimônias mais importantes da Maçonaria para simbolizar a decadência da matéria.

2º - É o emblema das “Portas da Morte”, que todo iniciado deve transpor, para morrer na vida profana e “renascer” no mundo superior.

3º - Como o túmulo, o Ataúde era o símbolo do confinamento, da prisão ou de manifestação na matéria.

4º - O Ataúde com a Acácia, crescendo naturalmente ao seu lado, significa que enquanto o corpo está preso na matéria, a alma é imortalmente livre.

5º - É um ensinamento para o orgulhoso, o vaidoso e para aquele que dedica a sua existência apenas à vida animal e vegetativa.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

SER MAÇOM EM CUBA

SER MAÇOM EM CUBA
(Como se pensar livre em um país que não é)
por Jean-Moïse Braitberg
Tradução J. Filardo

A maçonaria nunca foi proibida pela ditadura comunista cubana. Sua rica e longa história, ligada pelo poder à luta emancipadora da ilha, é mais complexa do que parece. E a tolerância que o regime mostra em relação a ela é mais uma tática política do que uma convergência real de ideais.

“Em 2006, enquanto morava no Equador, irmãos de uma das principais lojas de Quito me propuseram acompanhá-los em uma delegação a Cuba, dizendo: “Venha conosco, nós te apresentaremos ao irmão Fidel”. Eu nunca tinha ouvido falar que Castro era maçom e quando pedi esclarecimento me responderam muito seguros de si mesmos: “Ele foi iniciado com Che Guevara quando eles estavam no México antes da Revolução” sem me contar mais. Eu não tinha motivos para colocar em dúvida as palavras desses irmãos e já me imaginei, posando de avental ao lado do “Líder Máximo”. Infelizmente, quando chegamos a Havana, soubemos que Fidel adoecera seriamente e não o encontramos.”

Esta anedota, relatada por Jacques Lafouge, que foi Grão-Mestre do Grande Oriente da França em 1996-1997, confirma uma lenda tenaz que continuam a vender os irmãos que, na América Latina, veem na Maçonaria a mãe de todo o progressismo, inclusive entendido em sua suposta conivência com o marxismo autoritário da versão cubana.

Isso ocorre porque Fidel era maçom, eles tentam explicar, que Cuba seja o único país comunista que não apenas tolerou a Maçonaria, mas também a protegeu e até mesmo exaltou.

O fato é que a situação não é trivial e questiona. Já em 1920, Lenin fizera da não-associação à Maçonaria uma condição obrigatória para ingressar na Terceira Internacional e, subsequentemente, todos os países colocados na órbita soviética baniram todas as práticas da Arte Real, Cuba foi a única ditadura comunista que ofereceu uma relativa paz aos maçons, mas mesmo assim, uma paz.

Muitas respostas são possíveis. A primeira, a mais óbvia, é como sempre aquela que nos recusamos a ver. Assim como os sacerdotes depositários de confissões secretas de seu rebanho eram, ao longo dos séculos os melhores agentes de inteligência da Igreja Católica e os poderes que estavam ligados a ela, também havia confidências entre irmãos feitos sob o selo do segredo maçônico podem informar utilmente vários poderes. Nesse sentido, Castro provavelmente foi sem dúvida mais esperto, ou mais maquiavélico do que seus colegas comunistas europeus …

Medo e instrumentalização

Além disso, os maçons da Grande Ilha não são idiotas. “Não fale principalmente de política, senão amanhã de manhã estaremos todos na cadeia”, disse o venerável da loja de Havana que me convidou, continua Jacques Lafouge .

É, portanto, uma questão entendida. Se os cerca de 20 mil irmãos cubanos repartidos entre as trezentas e dezoito lojas cubanas não mencionam nenhuma questão social, política ou religiosa, não é só porque se dedicam exclusivamente ao simbolismo e querem preservar a serenidade dos seus trabalhos. É também porque eles têm medo.

Isso posto, se a maçonaria cubana é indubitavelmente tão controlada quanto instrumentalizada pelo poder castrista, ainda não é Fidel Castro que a inventou com o único propósito de usá-la. É uma instituição antiga na ilha, com mais de 200 anos de história, se ela não se confunde totalmente a história da emancipação anticolonial recuperada pelo castrismo, ela contribuiu largamente para ela. Como ela fez tão bem na França, pretendendo ser o cadinho dos ideais de 1789, a maçonaria cubana identificou-se com aqueles de seus irmãos que lutaram por sua independência e sua emancipação social. Começando com seu Libertador, o poeta José Martí que, como Simon Bolívar, eram maçons.

Um maçom “apóstolo”

José Martí (1853-1895) é considerado “a alma” de Cuba, onde ele é comumente chamado de “o apóstolo”. Nascido em uma família modesta, ele manifestou seu ideal de independência em tenra idade. O que lhe valeu na idade de 16 anos, ser preso e depois exilado na Espanha, onde reforçou suas convicções liberais e sociais em contato com movimentos antimonarquistas. É em Madri que ele será iniciado em 1871 na loja Caballeros Cruzados Nº 62, filiada ao Grande Oriente Lusitano Unido, do qual foi o orador.

O Grande Oriente Lusitano Unido, cuja sede era em Portugal, era resolutamente favorável à independência dos povos e tudo mostra que as ideias, como o engajamento político de José Martí, estavam diretamente relacionadas à sua filiação maçônica. Fermín Valdés Domínguez, amigo íntimo do “apóstolo”, foi o primeiro a mencionar sua ligação com a Maçonaria dez anos após sua morte no jornal madrileno El Triunfo: “Eu dedicava minhas noites ao teatro […] ou à loja maçônica em que Martí era o orador; um lugar onde se reuniam semanalmente todos os jovens cubanos que se encontravam em Madri […] “.

A vida de José Martí foi a de um exilado. Depois da Espanha, ele ficou em Paris, onde conheceu Victor Hugo, depois na Guatemala, México, Venezuela, antes de passar muitos anos em Nova York. Não sabemos nada sobre sua pertença à Maçonaria durante todos esses anos, mas há provas de que ele continuou a manter relações fraternas com a maçonaria cubana. Em um livro publicado em Cuba em 2007 sob o título Martí ciñó el mandil – (Martí cingiu o avental) – o pesquisador Samuel Sánchez Gálvez reproduziu vários documentos encontrados nos arquivos da loja Ferdinanda de Jugua em Cienfuegos, uma cidade no centro de Cuba. Duas cartas trocadas com o irmão Amelio de Luis Vela de los Reyes, também membro do Grande Oriente Lusitano, mostram que Marti, de seu exílio, continuou fiel aos seus ideais maçônicos. Além do interesse histórico desta descoberta, o fato de que este livro não somente foi publicado em Cuba, mas também ter sido objeto de vários artigos de imprensa, mostra o interesse dos cubanos pela maçonaria e o lugar que autoridades atribuem a ele no romance nacional.

Martí não é o único herói nacional cuja qualidade maçônica é destacada na ilha. Em Santiago de Cuba, a estátua representando José Martí, cujo pedestal é decorado com esquadro e compasso, é erguida na praça Céspedes dedicada a Carlos Manuel de Céspedes (1819-1874) herói da “guerra de dez anos” entre os independentistas cubanos e os espanhóis de 1868 a 1878 que fez quase trezentas mil vítimas do lado cubano.

Céspedes era membro da Loja Estrella Tropical 19 fundada em 28 de março de 1868 em Havana sob os auspícios do Grande Oriente de Cuba e das Antilhas, uma obediência ligada ao Grande Oriente da França, cuja maioria dos membros era resolutamente republicanos e independentistas. Céspedes, em seguida, tornou-se venerável da loja Buena Fe localizada em Manzanillo, não muito longe de Bayamo. Paradoxalmente, havia em suas colunas vários representantes das autoridades espanholas, incluindo o chefe de polícia do setor. Pode ser que essa frequência não tenha sido a gosto de Céspedes. Em 1870, ele se encontra no comando da Independência, uma loja de combate itinerante nas florestas da Sierra de Najasa, província de Camagüey. Nessa época, Céspedes estava à frente de um exército de cerca de mil homens em grande parte formados por ex-escravos de sua propriedade que ele havia libertado dois anos antes. A escravidão não cessou oficialmente em Cuba até 1886 e Céspedes fez de sua abolição uma condição consubstancial para a luta pela independência: “Uma Cuba livre é incompatível com uma Cuba escravagista, a abolição das instituições espanholas deve incluir a abolição da escravatura por razões de alta justiça, porque ela condiciona todas as outras liberdades”. Por esta declaração, Céspedes juntou-se às preocupações do irmão José Martí: “Não há ódio racial porque não há raças. Os pensadores fracos, os pensadores de gabinete descobrem e requentam raças livrescas. […] Aquele que fomenta e propaga a oposição e o ódio das raças, peca contra a humanidade.”

Maçons escravagistas

A lembrança frequente dessas tomadas de posição pelas autoridades cubanas inscreve hoje a maçonaria em uma visão “progressista” que se encaixa com a orientação política da ilha. No entanto, o ideal de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, proclamado durante cada participação nas lojas cubanas de hoje, nem sempre foi a diretriz dos maçons cubanos, incluindo aqueles que assumiram a causa da independência, a exemplo de Narciso López (1797-1851), cujo nome permanece ligado à primeira aparição da bandeira cubana.

Originalmente de Caracas, na Venezuela, esse filho de mercadores bascos se alistou muito jovem no exército de libertação de Simón Bolívar antes de ir para o lado espanhol, onde fez carreira militar. Enviado a Cuba, onde se casou com uma aristocrata espanhola, ele tomou partido em favor dos separatistas e foi forçado a partir para os Estados Unidos. Membro da Loja de Savannah, na Geórgia, ele se comprometeu a reunir os círculos escravagistas do sul à causa separatista. Ele os fez refletir o interesse de uma Cuba livre, onde a escravidão ainda estava em vigor, o que no futuro poderia se tornar um estado americano escravagista como tinha se tornado pouco tempo depois o Texas, arrancado da dominação mexicana. Para realizar seu projeto, Narciso López recrutou um exército particular de várias centenas de homens com financiamento de plantadores sulistas. Após uma primeira tentativa fracassada em 1850, ele conseguiu desembarcar no ano seguinte e tomar a cidade cubana de Cardenas. Mas esta expedição, que prenunciou o desastroso desembarque da Bais dos Porcos tentado por Kennedy contra o regime de Castro pouco mais de cem anos depois, chegou ao fim. O esperado apoio da população cubana não veio. Ela significou fato e causa para os espanhóis que fizeram prisioneiros Lopez e seus companheiros antes de passa-los pelas armas.

Este episódio turbulento mostra que, embora os maçons emancipadores tenham acompanhado Cuba no seu caminho rumo à independência política e social, a instituição maçônica desempenhou um papel, no mínimo contraditório.

E, afinal, proprietários franceses de escravos nas Antilhas quem primeiro introduziram a Maçonaria em Cuba. Um deles, Joseph Cerneau, personalidade polêmica por trás de um rito derivado do Rito Escocês Antigo e Aceito ainda praticado hoje, fundou a primeira loja em Havana em 1804 em nome da Grande Loja da Pensilvânia, sob o título distintivo de Templo das Virtudes Teológicas. Mas como demonstrou a historiadora Agnès Renault, desde 1801, lojas foram instaladas em Santiago de Cuba por franceses que fugiam da “rebelião dos negros” no Haiti.

Influência francesa, vitória americana

Esses maçons muito ativos para alguns membros da Reunião dos Corações da França e da América, presentes na ilha de Santo Domingo, foram em sua maioria expulsos em 1809, principalmente durante as guerras franco-espanholas. Muitos deles então foram para a Louisiana, onde lançaram as fundações de uma maçonaria inspirada no rito de Cerneau. Isso explica em parte os antigos laços que não cessaram de crescer depois, entre a maçonaria americana e a cubana. No entanto, após 1820, vários maçons franceses retornaram a Cuba na região de Santiago, onde criaram as lojas La Constante Sophie e Humanité, sob a égide do Grande Oriente de França e trabalhando no rito francês. Um dos eminentes membros da Humanité, Charles Préval, que veio com sua família de Santo Domingo, enriqueceu graças ao tráfico de escravos, tendo sua própria plantação próxima a Santiago cerca de quarenta. No plano político, não se distingue uma tendência clara nos maçons dessa época, sejam eles franceses ou hispânico-cubanos: “Havia muita diferença nos ideais dos maçons hispano-cubanos entre os tradicionalistas […] e os mais liberais […] A tendência liberal ainda não parece ter-se afirmado. Esta união representava mais um grupo de interesses, com vontade de controlar os negócios e manter a tranquilidade, evitando mudanças muito marcadas “, escreve Agnès Renault.

Em termos de orientação maçônica geral, apesar dos esforços feitos nessa direção pelos membros da Loja L’Humanité, o rito francês e a influência do Grande Oriente da França na maçonaria cubana foram diminuindo em favor das obediências espanholas. e aquelas do sul dos Estados Unidos. O movimento acompanhou o desaparecimento do rito francês em favor dos ritos York e escocês (REAA).

A história da Maçonaria cubana ao longo do século XIX, casou-se com a história particularmente atormentada da ilha. Aos episódios de repressão antimaçônica iniciada pela Espanha – 18 irmãos, entre os quais o Grão-Mestre da Grande Loja de Colon foram fuzilados sem julgamento em 1868 – se somam as inúmeras disputas e divisões que se opunham tanto as obediências entre si quanto aquelas nas jurisdições de altos graus..

José Marti morreu aos 42 anos lutando contra os espanhóis durante a Batalha de Dos Rios em janeiro de 1895. Pouco antes de morrer, ele escrevia a um amigo: “Estou agora todos os dias em risco de dar minha vida por meu país e por meu dever […] de evitar, com o tempo, pela independência de Cuba, que os Estados Unidos se estendam nas Antilhas e não caiam, com essas forças poderosas, sobre nossas terras da América. Tudo o que fiz até agora e tudo o que farei é por isso.”

Esta visão profética se realizará palavra por palavra. Ganha graças à ajuda dos Estados Unidos após a Guerra Hispano-Americana de 1898, a independência cubana teve como consequência tornar a ilha um domínio americano, comandado por diferentes ditadores a soldo dos empresários e mafiosos americanos. Foi nesse contexto de dominação que a maçonaria cubana se desenvolveu até a revolução castrista de 1959.

Uma maçonaria sob controle

Naquela época, a principal e quase exclusiva obediência cubana, a Grande Loja de Antigos Livres e de Maçons Aceitos de Cuba tinha cerca de 34.000 afiliados trabalhando no rito Escocês – REAA – ou no rito de York. De acordo com o site da Grande Loja, ela atualmente tem 318 lojas, das quais 111 na cidade de Havana, espalhadas por 220 templos. O efetivo seria da ordem de 20.000 membros. A obediência tem um grande número de irmãos de origem afro-cubana, a exemplo de seu grão-mestre Ernesto Zamora. Existe também um “para-maçonaria” feminina e uma maçonaria de perfeição “escocesa” muito ativa.

Encontramos também em Havana uma Academia Cubana de Altos Estudos Maçônicos, uma biblioteca e um Museu Maçônico instalados na sede da Grande Loja, que ocupa parte do imponente edifício art déco de propriedade da obediência antes de 1961, nacionalizado e parcialmente restituído à ordem na década de 1990. A Grande Loja também se ocupa de várias instituições filantrópicas, incluindo um lar de apoio para irmãos idosos em necessidade.

Embora nunca tenha sido proibida, a Maçonaria cubana experimentou um período de adormecimento parcial entre 1961, quando seus bens foram nacionalizados e 1982. Naquela época, seus números haviam caído abaixo de 20.000 membros. Há também uma confraria de origem africana, a Abakua, que se chama de “Maçonaria dos negros”.

Paradoxalmente, as relações entre a Maçonaria e as autoridades cubanas só melhoraram realmente depois da visita do Papa João Paulo II em 1998. As relações com a Maçonaria são de fato administradas pela mesma administração que a dos cultos. A Maçonaria esteve, portanto, associada ao relaxamento geral que se seguiu à visita do papa. A flexibilização das relações com os Estados Unidos sob o governo Obama acabou levando a uma aproximação entre a Grande Loja de Cuba e a Grande Loja de Cuba no exílio, que reunia os maçons que fugiram da ditadura de Castro. Em dezembro de 2016, o encontro entre o Grão-Mestre da Grande Loja Cubana Lazaro F. Cuesta Valdez e o Grão-Mestre da Grande Loja da Flórida resultou na criação de uma Grande Loja de Cuba no exterior, uma extensão daquela do interior. No nível doméstico, a Grande Loja de Cuba multiplicou os encontros com as obediências estrangeiras “regulares”. Uma delegação cubana participou assim das celebrações do 300º aniversário da Maçonaria, celebrada em Londres pela Grande Loja Unida da Inglaterra. A Grande Loja Nacional Francesa (GLNF) mantém relações cordiais com a Grande Loja de Cuba e envia regularmente doações destinadas às suas obras. Uma situação, no mínimo, paradoxal se levarmos em conta o conservadorismo e o apego às liberdades que tradicionalmente prevalecem na Maçonaria “Regular”

Segundo o El Nuevo Herald, um jornal diário de língua espanhola no sul da Flórida, enquanto a Maçonaria é legal em Cuba, ela é “monitorada de perto pelo Escritório de Assuntos Religiosos do Partido Comunista de Cuba”. O governo obriga as lojas a prestar contas detalhadas de suas atividades, pedir permissão antes de empreender atividades incomuns e cancelar a adesão dos maçons que emigraram. Segundo o mesmo jornal, em março de 2003, durante a onda de repressão chamada “Primavera negra”, treze maçons estavam entre os setenta e cinco dissidentes presos.

Também não há dúvida de que muitos agentes de segurança interna há muito se infiltraram na maçonaria cubana, inclusive no mais alto nível, como evidencia o caso de José Manuel Collera, um agente da polícia política que tinha ingressado na loja Solano Ramos e havia subido os escalões até se tornar Grão-Mestre da obediência. Sua loja votou sua exclusão em 2011 por “crimes maçônicos” – apropriação indébita e viagens ao exterior injustificadas – mas o governo fez pressão pela sua reintegração.

De fato, seria preciso ser muito ingênuo para acreditar que os maçons cubanos são maçons livres em lojas livres. O regime de Castro, que há sessenta anos administra Cuba com mão de ferro para o melhor, e muitas vezes para o pior, não pode tolerar nenhuma estrutura social independente. Se a maçonaria é tolerada, e até mesmo encorajada hoje, é menos pela concordância do ideal do que pela disposição de usá-la como ferramenta de propaganda, ou seja como instrumento diplomático, sugerindo que uma ditadura que tolera a Maçonaria não pode ser tão ruim quanto parece. A mesma coisa está acontecendo com a China …

Isso não diminui a sinceridade da imensa maioria dos maçons cubanos, felizes demais para se dar a ilusão de serem livres em um país que não o é.

Uma bandeira muito maçônica

A bandeira cubana foi desenhada em junho de 1849 pelo poeta Miguel Teurbe Tolon a pedido de Narciso Lopez. Ela será içada pela primeira vez em Cardenas em 19 de maio de 1850, durante a primeira expedição de Lopez para libertar a ilha dos espanhóis … e anexá-la aos Estados Unidos da América.

No início da guerra da independência, esta bandeira foi adotada como emblema nacional pela Assembleia Constituinte da República de Cuba em 11 de abril de 1869. A Guerra dos Dez Anos foi desencadeada por Carlos Manuel de Céspedes, maçom, proprietário açucareiro que libertou seus escravos. Céspedes usava outra bandeira (com as mesmas cores), dita La Demajagua, a partir do nome da plantação onde foi içada. Segundo o site cubano http://www.nacion.cult.cu/fr/bandera.htm “o triângulo equilátero – que se destaca do conjunto – é a figura geométrica perfeita por seus 3 lados e seus 3 ângulos iguais, que significam a igualdade entre os homens. As três cores (branca, azul e vermelha) são aquelas da revolução e na conotação latina, associadas ao tríptico revolucionário francês da liberdade, igualdade, fraternidade. Eles unem, além disso, os ideais de justiça expressos na pureza da cor branca, o altruísmo e a grandeza de seus ideais no azul, com o vermelho, reflexo do sangue derramado pela liberdade. Elas também encarnam as novas idéias republicanas e democráticas que se sintetizam no cidadão da república, livre e igual, assumindo plenamente seus direitos e deveres […]. E finalmente, a estrela de cinco pontas – uma das quais é orientada para o Norte, indicando estabilidade – expressa o equilíbrio entre as qualidades morais e sociais que devem definir o estado e também significa a estrela brilhante de seu próprio brilho, isto é, um estado independente.”

Todos os maçons do mundo podem se reconhecer nela.

As Filhas da Acácia

As Filhas da Acácia, uma instituição criada na década de 1930, reúne cerca de 15.000 mulheres no modelo de lojas de adoção. Eles são atualmente cerca de vinte lojas colocadas sob a proteção de uma loja masculina. As “irmãs” são iniciadas de acordo com um ritual adaptado e são totalmente vestidas de branco.

Em um país que quer ser o defensor da igualdade, é surpreendente que as condições exigidas para se tornar uma Filha da Acácia não sejam progressistas. Seus regulamentos internos, conforme descrito no site da Grande Loja Cubana, indicam que não podem ser iniciadas as mulheres que não são “boas mães, nem boas esposas, boas filhas ou boas irmãs”, pois não podem transmitir o ideal de ser uma irmã se não vê na família a base fundamental da vida dos povos. ” Não se exige tanto dos irmãos.

A Abakua, uma “maçonaria negra”

Aparecida em Cuba em 1836, a Abakua é definida como uma maçonaria negra que, se agora aceita brancos e mestiços, se situa muito precisamente na tradição iniciática dos povos do sul da atual Nigéria e de Camarões. Como a Santeria, uma religião sincrética que combina cristianismo e vodu africano, a Abakua se refere aos espíritos e, mais particularmente, aos espíritos da floresta. O Leopardo ocupa ali um lugar importante. Organizada em lojas como a Maçonaria, a Abakua tem pouca relação com ela. Alguns afirmam, no entanto, que entre os escravos libertados por Céspedes alguns pertenciam à Abakua e teriam lutado pela independência de Cuba ao lado dos maçons independentistas. Os membros da Abakua são chamados Ñañigos, ou “diablitos”, reconhecíveis por seus trajes coloridos adornados com um avental xadrez durante o carnaval. Afirmando ser detentores de fórmulas mágicas e uma linguagem conhecida apenas por eles, atribuem uma particular importância ao segredo, e é por isso que alguns cubanos os equiparam a uma espécie de seita mafiosa.


Fonte: https://bibliot3ca.com

terça-feira, 19 de outubro de 2021

PARAMENTOS DO VENERÁVEL MESTRE EM VISITA A OUTRA LOJA

Em 19/04/2021 o Respeitável Irmão Carlos Almada, Loja Tzedek, 4.124, REAA, GOB-RS, sem mencionar o nome do Oriente, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta a questão seguinte:

PARAMENTOS DO VENERÁVEL MESTRE

Meu irmão, te escrevo, pois, em um grupo nacional de irmãos, que também são escoteiros foi levantada uma dúvida sobre os paramentos de Venerável Mestre ao visitar outra Loja (REAA). A questão é: Um Venerável Mestre ao visitar uma loja amiga, usa o seu avental de Venerável Mestre ou de Mestre Instalado? Se for o de Venerável Mestre, ele usa completo o paramento, com punhos e a faixa? Já saíram as respostas mais absurdas possíveis, então resolvi consultar quem é propriedade no assunto.

CONSIDERAÇÕES:

Obviamente que sim, enquanto o Mestre Maçom Instalado estiver no exercício do veneralato de uma Loja, estando ele em visita a outra Loja ele usa os paramentos completos inerentes ao seu cargo de ofício, isto é avental, punhos, colar e joia de Venerável Mestre.

Não há o porquê de ele não usar os seus paramentos. 

Evidentemente que a posteriori, quando ele deixar o cargo de Venerável, ele passa a usar os paramentos de ex-Venerável que nada mais é do que os de um Mestre Instalado – avental, colar e joia. 

Não usa punhos e a joia se diferencia da do Venerável Mestre (vide Ritual do 3º Grau do REAA em vigência).

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br