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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

terça-feira, 23 de novembro de 2021

SUBSTITUIÇÃO DO VENERÁVEL

SUBSTITUIÇÃO DO VENERÁVEL
(republicação)

O Respeitável Irmão Gilson Adolfo Schonell, Venerável Mestre da Loja Luz do Ocidente, 3.015, GOB-SC, Rito Adonhiramita, Oriente de Chapecó, Estado de Santa Catarina apresenta a seguinte questão: gilsonsc@gmail.com

O Venerável de uma Loja (GOB), presente na sessão, pode passar os trabalhos para outro irmão conduzir, por exemplo, um dos Vigilantes, o Secretário, ou o Orador?

CONSIDERAÇÕES:

Se houver necessidade premente e os trabalhos já estiverem abertos, por exemplo: no caso do Venerável precisar se ausentar da Loja de imediato, nesse caso, o seu substituto imediato deve ser o Primeiro Vigilante conforme o Regulamento Geral da Federação (Artigo 120) que atribui às funções do Primeiro Vigilante, dentre as quais a de substituir o Venerável. 

Todavia, é sempre bom consultar se o ritual do Rito em questão prevê alguma coisa contrária, pois o próprio RGF.´. no Art. 120, inciso I, acresce no texto “de acordo com o Estatuto ou Ritual”.

Ainda tem a função de substituir o Venerável nas Sessões de Iniciação e Colação de Graus de Companheiro e Mestre (Elevação e Exaltação) um Mestre Instalado, Artigo 43, inciso I do RGF.´..

Ainda outras ponderações: na sua questão “um dos Vigilantes”. Está prevista a substituição do Venerável apenas pelo Primeiro Vigilante. Isso quer dizer que o Segundo Vigilante substituirá o Venerável Mestre em caráter precário somente se este estiver já substituindo o Primeiro Vigilante no momento em que se fizer necessário o procedimento. 

Há que se notar que para o Segundo Vigilante o RGF no seu Artigo 121, inciso I, exara apenas na substituição do Primeiro Vigilante etc. Assim se o Segundo Vigilante estiver ocupando o cargo do Primeiro, ele será então o Primeiro Vigilante que, nessa ocasião, se for o caso, pode substituir o Venerável Mestre.

Não está previsto no RGF nos Artigos 122 e 123 que os cargos de Orador e Secretário tenham a prerrogativa de substituir o Venerável, inclusive não fazendo qualquer alusão como “de acordo com o Estatuto ou Ritual”.

Um procedimento desses só poderia ocorrer se em uma Sessão Magna de Iniciação, Elevação ou Exaltação sem a presença precária do Venerável e o Primeiro Vigilante não ser um Mestre Instalado, sendo o Orador ou o Secretário Mestre Instalado, aí poderia haver essa substituição, todavia não é o cargo de Orador ou Secretário que assume, porém um ex-Venerável.

Obviamente, fica aqui reafirmado que essas substituições são de caráter precário e emergencial não devendo ser uma praxe. A vacância definitiva por quaisquer motivos de cargos eletivos carecem de atitudes legais, inclusive com nova eleição.

Eu não sei se é o caso da pergunta, mas um Venerável somente será substituído temporariamente se acontecer a sua falta no dia, ou mesmo a necessidade dele se retirar antecipadamente. O que não pode acontecer é o Venerável “achar” que pode colocar algum Irmão no seu lugar estando ele presente. Isso é um erro crasso em Maçonaria e não está previsto na Lei. 

Mesmo que porventura um absurdo dessa natureza esteja previsto em algum ritual em vigência e específico de um Rito, um ritual é um Decreto, enquanto que o Regulamento Geral da Federação é uma Lei.

Mesmo que haja a velha desculpa de que “isso é tradição na minha Loja”, ou que “o Rito assim prevê” etc., o representante do Ministério Público da Loja deve coibir ações dessa natureza fazendo cumprir primeiro o RGF.´..

E.T. – Presente o Venerável Mestre e ingressando na Loja o Grão-Mestre, nesse caso sim o Venerável entrega-lhe o malhete para a condução dos trabalhos.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmai.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 651, Florianópolis (SC) 08 de Junho de 2012.

MAÇONS QUE FORAM PRESIDENTES DOS ESTADOS UNIDOS

MAÇONS QUE FORAM PRESIDENTES DOS ESTADOS UNIDOS

Durante a Guerra da Independência, todos os regimentos britânicos tinham uma Loja maçónica incorporada, e existiam também lojas militares adicionados a alguns regimentos do exército colonial. A mais famosa delas era a Loja da União Norte-Americana, que se reunia de tempos em tempos, sobretudo, para celebrar os dias de São João.

Após a guerra, George Washington foi nomeado presidente no ano de 1789 (e reeleito nos presidenciais de 1792) e John Adams, seu vice-presidente. A cerimónia de posse, realizada em 30 de Abril daquele ano, foi marcadamente maçónica. O juramento foi dirigido por Robert Livingston, Grão-Mestre da Grande Loja de Nova York. A cerimónia foi dirigida pelo Maçom, general Jacob Morton. O candidato foi acompanhado pelo general Morgan Lewis, que também era um Maçom e Washington jurou a Constituição sobre a Bíblia da Loja N° 1 de São João de Nova York.

As Grandes Lojas criadas nas primeiras 13 colónias foram fundadas nas seguintes datas:
  • Virgínia, 13.10.1778
  • Carolina do Sul, 27.12.1783
  • Pennsilvania, 25.09.1786
  • Geórgia, 25.12.1786
  • Nova Jersey, 18.12. 1786
  • Maryland, 19.04.1787
  • Nova York, 6.06.1787
  • Carolina do Norte, 12.12.1787
  • Connecticut, 8.07.1789
  • New Hampshire, 8.04.1789
  • Rhode Island, 27.06.1791
  • Massachusetts, 5.03.1792
  • Vermont, 15.12.1794
À medida que os colonos se moviam para o oeste, os Maçons que se estabeleceram nas novas áreas solicitaram o privilégio de criar Lojas. As habitações militares e civis encontradas nas guerras indianas são uma razão para colaborar em conjunto. Muitos dos soldados e oficiais recém-chegados eram maçons.

As Lojas eram verdadeiros transmissores de ideias. A filosofia de Hume, Voltaire ou Locke não teria atingido tantos homens simples da América se não fosse por estas Lojas. Muitos soldados não se tornaram defensores de ideias esclarecidas se não pertencessem à Maçonaria. No entanto, os irmãos teriam que se enfrentar uns aos outros na Revolução Americana e colocar a sua fidelidade maçónica e patriótica à prova.
Listagens de Presidentes Maçons dos EUA

George Washington, primeiro presidente, 1789-1797, Comandante Geral durante a Revolução Americana, tornou-se Maçom em 4 de Agosto de 1753, na Loja Friedericksburg (agora n° 4), AF & AM, Friedericksburg, Virgínia.

James Monroe, 5° presidente, 1817-1825, foi iniciado na Maçonaria no dia 9 de Novembro de 1775, na Loja Williamsburg (agora n° 6), AF & AM, Williamsburg, Virgínia.

Andrew Jackson, 7° presidente, 1829-1837 tornou-se Maçom na Loja Harmony Lodge N°. 1, Nashville, Tennessee e foi membro honorário da Loja Federal nº 1, F. & AM, Washington, DC, e da Loja Jackson nº 1, F. & AM, Tallahassee, Flórida. Entre 1822 e 1823 serviu como Grão-Mestre dos Maçons no Tennessee.

James Knox Polk, 11° presidente, 1845-1849, foi iniciado na Maçonaria em 4 de Setembro de 1820, na Loja Columbia nº 31, F. & AM, Columbia, Tennessee.

James Buchanan, 15° presidente, 1857-1861, foi iniciado na Maçonaria em 24 de Janeiro de 1817, na Loja nº 43 (nome não identificado), F. & AM, Lancaster, Pensilvânia.

Andrew Johnson, 17° presidente, 1865-1869, tornou-se Maçom durante Maio de 1851, na Loja Greeneville nº 119 (agora n° 3), F. & AM, Greeneville, Tennessee.

James Abram Garfield, 20° presidente, 1881, foi iniciado na Maçonaria em 22 de Novembro de 1864, na Loja Columbus nº 30 F. & AM, Columbus, Ohio.

William McKinley, 25° presidente, 1897-1901, foi iniciado na Maçonaria em 3 de Maio de 1865, na Loja Hiram nº 21, AF & AM, Winchester, Virgínia.

Theodore Roosevelt, 26° presidente, 1901-1909, foi iniciado na Maçonaria em 24 de Abril de 1901, na Loja Matine-cock nº 806, F. & AM, Oyster Bay, Nova York.

William Howard Taft, 27° presidente, 1909-1913 – juiz principal do Supremo Tribunal em 1921-1930, tornou-se Maçom numa “Hospedagem ocasionais” convocada para esse fim em 18 de Fevereiro de 1909, na Catedral do Scottish Rite, Cincinnati, Ohio, por Charles S. Hoskinson, Grão-Mestre do Ohio.

Warren Gamaliel Harding, 29° presidente, 1921-1923, foi iniciado Maçom em 27 de Agosto de 1920, na Loja Marion nº 70, F. & AM, Marion, Ohio.

Franklin Delano Roosevelt, 32° presidente, 1933-1945, foi iniciado Maçom em 28 de Novembro de 1911, na Loja Holland nº 8, F. & AM, Nova York, a mesma Loja em que George Washington, o primeiro presidente da Nação, era membro honorário.

Harry S. Truman, 33° Presidente, 1945-1951 foi iniciado Maçom em 18 de Março de 1909, na Loja Belton nº 450, AF & AM, Belton, Missouri. Serviu como Grão-Mestre do Missouri em 1940. Foi feito Grande Soberano Grande Inspector-geral, 33°, e membro honorário, do Conselho Supremo em 19 de Outubro de 1945 no Conselho Supremo AASR nas Direcções da Jurisdição do Sul em Washington DC; nessa ocasião serviu de exemplo (Representante) para a sua classe. Foi também eleito Grão-Mestre Honorário do Conselho Internacional Supremo da Ordem de DeMolay. Em 18 de Maio de 1959, o ex-presidente Truman recebeu um prémio pelos seus 50 anos, tornando-se o único presidente dos Estados Unidos a conseguir este aniversário de ouro na Maçonaria.

Lyndon Baines Johnson, 36° presidente, 1963-1969. Inscrito Aprendiz na Loja Johnson City nº 561, Johnson City, Texas em 30 de Outubro de 1937. Decidiu não prosseguir.

Gerald R. Ford Junior, 38° presidente, 1974-1977. Foi elevado ao sublime cargo de Mestre Maçom em 18 de Maio de 1951 na Loja Columbia nº 3, F. & .AM, de Washington, DC, como uma cortesia da Loja Malta nº 465, F. & AM de Grand Rapids, Michigan.

William (Bill) J. Clinton, 42° presidente, 1993-2000. Foi membro da Ordem de DeMolay.

Fonte: http://www.brasilmacom.com.br

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

POSIÇÃO DOS PÉS

POSIÇÃO DOS PÉS
(republicação)

Questões que faz o Irmão Gustavo Giacomini, Aprendiz Maçom da Loja Arte Real Palhocense, nº 51, REAA, Grande Loja de Santa Catarina, Oriente de Palhoça, Estado de Santa Catarina.
gustavodgiacomini@hotmail.com

Em primeiro lugar, gostaria de parabenizá-lo pela coluna no JB News, sempre tão informativa, em especial aos Aprendizes, que como no meu caso, estão sempre em busca de conhecimento Maçônico. Se me permite, gostaria de fazer duas perguntas: 

1. Tenho reparado nos Irmãos de minha Oficina e em algumas Lojas que visitei (todas trabalham no REA∴A) no que se refere ao posicionamento dos pés na esquadria quando ficamos em Pé e à Ordem. Alguns colocam o pé esquerdo na frente, formando os 90º com o pé direto voltado para a direita (como num "L"). Outros o fazem com os pés em "V", ou seja, com o vértice no meio e abrindo 45º para cada lado. E reparo isso especialmente na abertura do Livro da Lei, quando os Diáconos se posicionam nos vértices do Altar dos Juramentos, onde alguns Irmãos viram o corpo para a direita, mantendo o pé esquerdo para frente, em direção ao Oriente. Se a posição dos pés é uma alusão ao Esquadro em cima do Livro da Lei ou na Joia do Venerável Mestre, estou certo em acreditar que o "V" é o mais correto?

2. Na circulação da Bolsa de Propostas e Informações ou no Tronco de Solidariedade, existe alguma regra sobre o que fazer antes e depois de colocar a mão na Bolsa? (Cito como exemplos: apoiar a mão sobre o coração antes de depositar; dar um toque na mão do Hospitaleiro ao tirar a mão; retirar a mão aberta, etc.).

CONSIDERAÇÕES:

Quanto à posição dos pés. Essa é uma questão que vem sendo praticada de maneira equivocada por uma grande parte dos maçons brasileiros no tocante ao Rito Escocês Antigo e Aceito. A falta de percepção de uma grande parte de ritualistas brasileiros tem feito com que seja copiada de um para outro ritual essa anomalia. O que fazer se muitos dos rituais em vigência das nossas Obediências ainda passam essa informação em caráter oficial? O jeito é ficar batendo incansavelmente na mesma tecla até que quem sabe um dia as coisas sejam colocadas no seu devido lugar. Isso para não se dizer que à “luz do arrepio” alguns Irmãos não querem nem mesmo ouvir essa arguição, embora muitos destes ainda componham o Sinal Penal sem nem mesmo formar a esquadria com os pés – é pelo tamanho do barulho que se sabe que a carroça está vazia.

No Rito Escocês Antigo e Aceito que possui o Pavimento Mosaico de maneira oblíqua, os pés devem formar a esquadria de tal maneira que as plantas dos pés fiquem orientadas no mesmo sentido oblíquo do pavimento e os calcanhares coincidam com a intersecção dessas linhas oblíquas. Cada quadrado em diagonal do piso representaria na execução da Marcha uma orientação para os passos. Em consequência dessa particularidade o Obreiro estando à Ordem assumiria essa posição aproximada sem que nessa oportunidade obviamente precisasse coincidir a posição dos pés e calcanhares com as linhas oblíquas do pavimento, porém os pés estariam unidos pelos calcanhares e os pés representariam os ramos do esquadro. 

Já a posição de se estar com o pé esquerdo apontado para frente não é prática tradicional do Rito Escocês Antigo e Aceito, embora, como dito, uma grande maioria dos nossos Irmãos ainda assim procedam.

Ah! Antes que haja alguma contestação no ângulo de noventa graus, devo dizer que os pés abertos e unidos pelos calcanhares a quarenta e cinco graus cada um de um eixo imaginário, a sua soma é igual à esquadria (90º).

Já no tocante ao Esquadro posicionado sobre o Livro da Lei, embora a posição coincida com o formato do passo verdadeiro do Rito em questão, nada tem a ver com ele, sendo, portanto apenas uma coincidência. O Esquadro sobre o Livro da Lei é sim um dos componentes das Três Grandes Luzes Emblemáticas da Maçonaria que, diga-se de passagem, conforme o Rito nem sempre tem os seus ramos voltados para o Oriente, ou nem mesmo é posicionado sobre o Livro aberto. 

Quanto ao Esquadro, ou a Joia do Venerável Mestre possuir elo com a posição dos pés, essa suposição é completamente falaz e não merece nem comentário.

Quanto à colocação da proposta ou do óbolo. Todo obreiro o faz indistintamente se vai depositar ou não. Sentado, coloca a mão direita fechada na bolsa, ou saco, oferecido pelo Oficial circulante e retira-a em seguida aberta. Apenas isso.

No rito Escocês Antigo e Aceito não se leva a mão na direção do coração, nem se faz sinal, ou qualquer outra atitude para o evento. O único Obreiro que deposita o óbolo, ou a proposta em pé é o Mestre de Cerimônias, ou o Hospitaleiro quanto estiver cumprindo a sua obrigação de ofício.

A colocação da mão fechada e a sua retirada aberta, principalmente no caso da coleta do óbolo, está ligada a discrição de que na apuração do produto, ninguém saiba quem deu mais, menos, ou não pode dar nada, assim como denota a evidente clareza de que de dentro do receptáculo, nada foi retirado.

Aliás, esse costume praticado pelos ritos de origem francesa (como é o caso do Rito Escocês), teve sua origem no personagem denominado Hospitalário, comum nas igrejas francesas que, ao final da missa, ficava na porta do templo religioso portando uma grande bolsa a tiracolo da direita para a esquerda onde os fiéis depositavam ajuda aos necessitados. 

Esse costume acabou influenciando as Lojas que adotaram a chamada “bolsa” ou “saco”, porém seguro com as duas mãos no lado esquerdo do quadril em alusão simbólica àquela usada pelo hospitalário da igreja. No costume maçônico, também pegou carona o mesmo receptáculo para as propostas e informações.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 649, Florianópolis (SC) 06 de Junho de 2012

DAS TREVAS PARA A LUZ

DAS TREVAS PARA A LUZ
Autor: Carlos Florêncio

O Iluminismo surgiu com a promessa de oferecer aos homens as luzes da emancipação. Nosso principal desafio, agora, é superar os desvios cometidos após o advento dessa doutrina filosófica, saber lidar com a própria liberdade e construir uma sociedade mais justa e fraterna.

Inicialmente, as ideias do Iluminismo foram disseminadas por filósofos e economistas que se diziam propagadores da luz e do conhecimento. Julgavam que a via para se adquirir o conhecimento era através da razão, e para isso, o estimula ao questionamento sobre a origem ou a ordem das coisas que se fazia presente em suas discussões; utilizavam-se da pesquisa e da investigação para entender, na natureza, a sociedade, a economia, a política e o próprio ser humano – o antropocentrismo, ou seja, o avanço da ciência e da razão.

Considerado como uma doutrina filosófica, o Iluminismo marcou a passagem da Idade Moderna para a Idade Contemporânea. Teve seu inicio na Inglaterra, no século 17 e seu auge na França, no século 18. A doutrina teve como “pai” o filósofo John Locke, além de René Descartes, pai do racionalismo, que possibilitou acontecer esse movimento.

Podemos resumir o Iluminismo em uma única frase, pode-se dizer que ele é, segundo Kant, a “saída do ser humano do estado de não emancipação em que ele próprio se colocou. Essa não emancipação é a incapacidade de fazer uso da razão sem recorrer a outros”. A partir dessas máximas, o Iluminismo precedeu e possibilitou a Revolução Francesa e suas consequências influenciaram também a história dos Estados Unidos e até mesmo do Brasil, além de influenciar a sociedade até hoje, afinal, todos os cidadãos que vivem em uma democracia são livres, iguais e tem o direito de adquirir uma propriedade.

Os princípios iluministas eram o racionalismo (duvidando-se de tudo é que se chega à verdade absoluta), individualismo (cada um deve ser responsável pela sua evolução) e a liberdade religiosa (eram contra a religião, mas não contra Deus – consequência da Reforma Protestante). Esses princípios refletem hoje em nossa sociedade, onde as pessoas não têm mais tanto afinco com as religiões.

Esse movimento intelectual defendia o uso da razão (luz) contra o antigo regime (trevas) e pregava maior liberdade econômica e política. Defendiam a liberdade da escolha e a igualdade perante a lei, até mesmo religiosa. Opunham-se às ideias do absolutismo e de todas as suas características que privilegiava a nobreza e o clero, além de críticos fervorosos do mercantilismo, da Igreja católica e de seus métodos, respeitando, porém a crença em Deus. Por meio dessa liberdade, a proposta do Iluminismo se estendia também ao direito a educação para todos, assim com essa visão mais solidária, e menos separatista, encontraram facilmente a adesão, das suas ideias na população, principalmente porque o povo se sentia aprisionado e limitado. Essa vertente acaba por atingir e intimidar alguns reis absolutistas que, com medo de perderem o governo, passaram a aceitar algumas ideias do movimento. Esses eram chamados Déspotas Esclarecidos (tentavam conciliar o Iluminismo com o absolutismo).

Consequência do movimento

O movimento causado pelo Iluminismo promoveu mudanças políticas, econômicas e sociais, baseadas nos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. Principalmente por ter apoio da burguesia, pois os pensadores e os burgueses tinham interesses comuns.

Alguns representantes do despotismo esclarecido foram: Frederico II, da Prússia; Catarina II, da Rússia; e Marquês de Pombal, de Portugal, cuja obra de reconstrução e melhoria em Lisboa após o terremoto, o tornaram símbolo de liberdade, cuja estátua está presente hoje na Avenida da Liberdade em Lisboa.

Marques de Pombal
Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782), dono dos títulos nobiliárquicos conde de Oeiras e Marques de Pombal, foi secretário de Estado durante o Reinado de d. José I [1750- 1777]. Embora não fosse o soberano, tinha poderes de estadista e tornou-se um dos representantes do despotismo esclarecido na Europa.

O Iluminismo sintetiza diversas tradições filosóficas, correntes intelectuais e atitudes religiosas. Considerado uma atitude geral de pensamento e de ação, os iluministas admitiam que os seres humanos estão em condição e possuem o poder de tornar este mundo melhor – mediante introspecção, livre exercício das capacidades humanas e do engajamento político-social. Um dos mais conhecidos expoentes do pensamento iluminista, Immanuel Kant, em um texto escrito precisamente como resposta à questão sobre o que é o Iluminismo, descreveu: “O Iluminismo representa a saída dos seres humanos de uma tutelagem que estes mesmos se impuseram a si. Tutelados são aqueles que se encontram incapazes de fazer uso da própria razão independentemente da direção de outrem. É-se culpado da própria tutelagem quando esta resulta não de uma deficiência do entendimento mas da falta de resolução e coragem para se fazer uso do entendimento independentemente da direção de outrem. Sapere aude! Tem coragem para fazer uso da tua própria razão! – esse é o lema do Iluminismo”.

A fraternidade humana, os direitos de igualdade, o respeito pela diversidade étnica, religiosa e os valores humanos da atualidade são frutos da separação ocorrida em decorrência desse movimento, mas creio que o poder que ainda persiste na atualidade não preserva como deveria os direitos humanos.

A incapacidade de sair das constantes repetições de padrões, ciclos que não permitem uma evolução, a falta de uma ética aplicada no cotidiano e a moral para que haja respeito, demonstra que possuímos algum tipo de obstáculo que impede a nossa evolução, embora tenhamos o conhecimento de ética, moral e respeito, pouco se percebe implantado com a intensidade que deveria. Hoje em dia, embora tenhamos muita informação, enfrentamos as limitações da consciência humana e seu ego destrutivo e suicida.

Possuímos hoje a sonhada liberdade, o neoliberalismo e a intensa e massiva informação. Dotados de maior liberdade de escolhas, o próprio ser humano se aprisiona, antes vítima de um poder e agora vítima de todos os poderes, inclusive o seu próprio e solitário; não consegue integrar a sociedade humana como um todo: cria divisões, partidos, times de futebol, entre vários outros grupos, mantendo o separatismo que existia antes do próprio Iluminismo. O ser humano hoje, e depois do Iluminismo, percebe claramente que ele sempre foi o seu pior inimigo, e embora livre, não sabe lidar com a sua própria liberdade, falta à consciência amorosa e o respeito a todos os níveis deste por si próprio, até para com os outros, para que assim possamos transitar e atingir o que os iluministas tentaram que foi o sair das trevas e ir para a luz.

Fonte: https://opontodentrocirculo.com

domingo, 21 de novembro de 2021

CIRCULAÇÃO ANTI-HORÁRIA

CIRCULAÇÃO ANTI-HORÁRIA
(republicação)

O Respeitável Irmão Jeronimo J. F. Lucena, Mestre Instalado, Loja Tríade de Santos, GOP (COMAB), Oriente de Santos, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte dúvida:
jeronimo@mercosafra.com.br

Iniciado em 1989 no Rito Adonhiramita e desde 2001 no REAA, algumas curiosidades me intrigam, por exemplo: gostaria de saber do amado Irmão se existe alguma explicação mística para circulação antihorária praticada na segunda viagem na iniciação do grau de Companheiro Maçom no Rito Moderno.

CONSIDERAÇÕES:

Rito Moderno, ou Francês - um Rito surgido no Século XVIII na França baseado na prática dos ditos “Modernos” de 1.717 na Inglaterra, tem na sua história um arcabouço doutrinário embasado na “razão” dando ao Homem e a sua consciência a interpretação devida da sua crença particular.

À época do nascimento do Rito, havia na França o mercantilismo dos ditos “altos graus”, imposto por aqueles que queriam aristocratizar a Maçonaria, torna-la como uma espécie de braço templário, cavalaria, etc. 

Nessa bagunça generalizada, o Rito adequou-se em não compactuar com os excessos dos graus superiores, a tal ponto que por uma comissão de exegetas a sua espinha dorsal ficaria composta pelos três graus simbólicos e mais quatro com uma espécie de aperfeiçoamento. 

Essa composição lhe daria então o conhecido título do Rito dos Sete Graus. Infelizmente, devido a certas bazófias humanas, já desfiguraram o belo Rito, incluindo nele mais graus acima dos seus sete originais, e isso sem contar que já o desfiguraram no próprio título, pois do seu original “Moderno, ou Frances” alguns “entendidos” o denominam apenas de Rito Francês e alguns ainda somente de Moderno. 

Ora, isso é mero desconhecimento da História da Maçonaria e do Rito em particular. O título de “Moderno, ou Frances” é parte integrante da sua história, pois o mesmo fora assim adquirido justamente para alicerçar o Rito que se associava na oportunidade com a vertente moderna surgida na Inglaterra por ocasião da fundação da Primeira Grande Loja em Londres. Omitir esses fatos e alterar uma tradição eu diria que é qualquer coisa de irresponsável.

Quanto à questão da “circulação” ela é tomada no Rito Moderno, ou Frances tradicionalmente com o deslocamento sempre no sentido horário quando houver a necessidade de se passar de uma para outra Coluna, pois é racional o deslocamento horário (dos ponteiros do relógio) relacionado à manhã, tarde e a noite (marcha diária do Sol). Esses deslocamentos quando relacionados às viagens partem do eixo imaginário que é o Equador. Sinceramente eu não sei o que pensam certos ritualistas que não observam o óbvio e ululante. 

Nessa questão colocada pelo Irmão eu já vi rituais que inclusive cometem esse disparate até na Iniciação.

Falando em Iniciação e para que não haja falsa interpretação, a Terceira Viagem é feita pelo Iniciando dando três passos sobre o eixo em direção ao Oriente. Posteriormente ele se volta para o Norte e Ocidente retornando ao seu lugar entre Colunas. Isso não quer dizer que ele circulou o contrário, pois sem cruzar o eixo (Equador) para o outro hemisfério (Sul) não existe circulação.

Agora, se deslocar para o Sul sem primeiro ter se passado pelo Norte é atitude imensamente equivocada.

Em relação às viagens do Grau de Companheiro (Elevação) todas elas definitivamente deveriam começar a partir do eixo pelo Norte. Infelizmente ainda existem rituais que vão intercalando o início – uma pelo Sul e outra pelo Norte sucessivamente. Sem dúvida, isso é uma verdadeira aberração ritualística. 

Entendo que essas anomalias geralmente foram impostas pela raiz do Rito possuir elo com os Modernos da Inglaterra, esquecendo-se, porém estes, de que nos Trabalhos Ingleses (lá não se fala em rito), não existe circulação, nem eixo do Templo, nem Colunas do Norte e do Sul, dentre outros. 

Penso que talvez pela lei do menor esforço e se achando que tudo é igual em Maçonaria, além de bonito para alguns, as coisas acabaram chegando onde estão. 

Bem, já observei até ritual chamando o Equador de “meridiano” – durma-se com um barulho destes.

Obviamente, essa modalidade de enxerto e achismo na Maçonaria não são privativas do belo Rito Moderno, ou Frances, porém de muitos Ritos espalhados pelos rincões terrestres. O grave erro que se comente no campo da ritualística do Rito, é que alguns “fazedores de rituais” não atentam, ou mesmo não sabem, a sua mensagem doutrinária. Daí para o passo seguinte é o caminho mais curto para as contradições.

Por assim ser, seria difícil uma explicação coerente entre o horário e anti-horário do Rito em questão.

Em se falando de Maçonaria Inglesa e Francesa, fica aqui a sugestão do estudo no sentido de se identificar a diferença existente entre essas duas vertentes, bem como as influências possíveis que possam acontecer de uma sobre a outra.

Finalizando e para se evitar que os críticos de plantão não se arvorem contra meus apontamentos como se tivesse eu desrespeitando alguns rituais aprovados e em vigência, deixo aqui o seguinte esclarecimento: “Meu ponto de vista é o da autenticidade e não o da instigação e desrespeito contra textos legalmente aprovados. 

Todavia, sendo eu membro da Sublime Instituição, também tenho o direito de discordar de opiniões, salvo quando se apresentem provas em contrário. Penso que devo pelo menos sugerir o caminho judicioso que objetiva uma melhor aprumada e nivelamento da Obra”.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 646, Florianópolis (SC) 03 de Junho de 2012.

A ORIGEM DA PALAVRA LOJA

A ORIGEM DA PALAVRA LOJA
(Cadernos de Estudos Maçônicos – Consultório Maçônico de José Castellani, Editora Maçônica “A Trolha” Ltda. 2a edição)

A verdade é sempre mais simples do que parece, ou do que a imaginam as mentes fantasiosas. É voz corrente entre muitos maçons, influenciados por obras pouco fidedignas, que a palavra LOJA, para designar uma corporação maçônica, seria originária da palavra sânscrita “loka”, que significa mundo. Sânscrito foi o nome dado ao idioma falado pelos invasores indo-europeus do Punjab, por volta do Século XIV antes de Cristo; tendo afinidades com o antigo persa, o grego e o latim, jamais foi uma língua popular, sendo restrita aos sacerdotes brâmanes e aos eruditos. Foi nesse idioma que foi escrita a literatura indicana mais remota, de inspiração filosófica e religiosa, constituindo os “Vedas”, coleção de hinos sagrados.

A verdade, todavia, é bem outra, mesmo porque “loka” significa, na realidade, espaço, lugar, tempo (como o “lócus” latino); a palavra LOJA tem sua origem nas GUILDAS medievais.

Entre as corporações de artesãos medievais (hoje chamadas de Maçonaria “Operativa”), destacavam-se as GUILDAS, características dos germânicos e anglo-saxões e que começaram a florescer no Século XII.

Anteriormente a essa data, elas eram entidades simplesmente religiosas e não formavam corpos profissionais. A elas se deve o uso da palavra LOJA.

Na antiga língua germânica, a palavra LEUBJA (pronúncia: lóibja) significava LAR, CASA, ABRIGO, e acabou dando origem a palavra de sentidos diferentes, em outros idiomas: LOGE, em francês, LODGE, em inglês, LOGGIA, em italiano, etc. Em italiano, a palavra LOGGIA passou a designar a entrada de edifício, ou galeria, usada para exposições artísticas e para a venda de mercadorias artesanais.

As GUILDAS DE MERCADORIAS passaram a adotar a palavra LOJA para designar os seus locais de depósitos, ou de vendas, ou seja, onde os produtos manufaturados eram armazenados e negociados. As GUILDAS ARTESANAIS, por outro lado, passaram a chamar de LOJA os seus locais de trabalho, ou seja, as OFICINAS dos Mestres artesãos.

Assim, das guildas de mercadorias originou-se o nome das casas comerciais, que são as lojas onde são vendidos os produtos fabricados, enquanto que das guildas artesanais originou-se a palavra que designa as corporações maçônicas e seus locais de trabalho, as LOJAS MAÇÔNICAS. Ambas as palavras, embora não tenham, atualmente, nada em comum, possuem a mesma origem, sendo interessante destacar que o primeiro documento maçônico (da Maçonaria de ofício) em que aparece a palavra LOJA data do ano de 1292 e era uma guilda.

Se aceitássemos que a origem da palavra LOJA está no sânscrito “loka” e se admitíssemos que ela significa “mundo”, estão as lojas comerciais também teriam o mesmo significado, o que seria um absurdo. Acrescente-se que o que representa o mundo, é o Templo maçônico, e não a LOJA, pois o termo é mais destinado a designar uma corporação maçônica, quando os seus membros reúnem-se num templo: ao final de uma sessão maçônica, a Loja é considerada fechada, pois os seus membros se dispersarão, mas o templo continua aberto, inclusive para outras lojas.

Vale repetir: a Verdade, geralmente, é bem mais simples do que pretendem os maçons imaginosos e cheios de fantasias, que acabam influenciando os demais, divulgando e perpetuando histórias fantásticas e inverídicas.

Fonte: JBNews - Informativo nº 150 - 24/01/2011

sábado, 20 de novembro de 2021

AUMENTO DE SALÁRIO

AUMENTO DE SALÁRIO
(republicação) 

O Respeitável Irmão José Amaro Lopes Pereira, Venerável Mestre da Loja Fidelidade e Virtude, 0044, REAA, GOB, Oriente de São João da Barra, Estado do Rio de Janeiro, apresenta a seguinte questão: jamarolopespereira@hotmail.com

Tenho uma dúvida, os Irmãos Vigilantes são os “responsáveis” pelos Irmãos das suas Colunas. O Aprendiz e o Companheiro pedirá aumento de salário à quais dos Irmãos Vigilantes? Estou para perguntar ao Irmão Secretário de Ritualística (REAA), foi oportuna a leitura do  JBNEWS.

CONSIDERAÇÕES: 

Os Vigilantes ajudam o Venerável Mestre a dirigir os trabalhos da Loja cujo auxílio se dá de acordo com as Colunas do Norte e do Sul. Assim o responsável pelos trabalhos de uma Loja é o Venerável Mestre, sendo que uma Loja aberta compreende o Oriente, o Ocidente, o Norte e o Sul. É completamente equivocada a conclusão de que os Vigilantes dirigem de maneira autônoma as respectivas Colunas. Estes auxiliam o Venerável Mestre na direção dos trabalhos.

No caso do Grande Oriente do Brasil, embora o Artigo 120 do RGF∴ preconize o ato de “direção”, a sua redação é clara no tocante ao termo “conforme determina o respectivo Ritual”.

Assim, em uma análise mais crítica do “respectivo Ritual” podemos observar que em toda a dialética entre as Luzes da Loja para as atitudes de trabalho, sempre é o Venerável que dá a ordem por primeiro para os Vigilantes. 

Assim evidentemente existe um gerenciamento de direção nas Colunas pelos Vigilantes, porém nunca sem que antes qualquer ato tenha partido do Venerável Mestre. Note, por exemplo, que é o Venerável Mestre que põe a Palavra nas Colunas através dos Vigilantes. Se a Palavra estiver em uma respectiva Coluna, o Obreiro que quiser falar pede ao Vigilante, entretanto não devemos esquecer que o giro da Palavra lá está porque fora antes anunciado pelo Venerável através dos Vigilantes. Assim todos os atos partem do Venerável Mestre.

Outro pormenor, porém não menos importante é que o Aprendiz ou o Companheiro não pede aumento de salário. Quem verifica a qualidade e pede procedimentos para a possível mudança de Grau são os responsáveis pelas instruções – o Segundo Vigilante para os Aprendizes e o Primeiro Vigilante para os Companheiros – Artigo 35 e 36 com seus respectivos parágrafos do Regulamento Geral da Federação. 

Assim, também nos mesmos Artigos está preconizado o procedimento, dando-se aqui destaque que, depois de cumpridas as obrigações emanadas pelo diploma legal, o assunto é colocado pelo Venerável em votação para aprovação pela Loja.

Não menos importante é também se salientar que no Rito Escocês Antigo e Aceito os Aprendizes tomam assento no Topo da Coluna do Norte e o Segundo Vigilante ao Sul, ou Meio-Dia, enquanto que os Companheiros assentam-se no Topo da Coluna do Sul e o Primeiro Vigilante no extremo do Ocidente na Coluna do Norte. 

Isso não implica em “direção de Coluna”, todavia na antiga tradição de que os Aprendizes eram recebidos para admissão na Ordem pelo Segundo Vigilante, fato que remonta sobre a hierarquia – o Segundo Vigilante para os Aprendizes e os Companheiros pelo Primeiro Vigilante, independente da posição topográfica desses elementos no Canteiro. 

O Grande Oriente do Brasil, preservando esse costume coloca no Ritual em vigor essa disposição e orientação instrutiva, muito embora a justificativa emanada do Ritual seja ainda um tanto quanto pobre.

Finalizando, se faz cogente compreender esses aspectos usando-se uma análise mais apurada dos fatos, notando-se nas entrelinhas o que deriva do Regulamento Geral e do Ritual, dado que embora ainda haja a carência de alguns consertos e ajustes, o GOB tem procurado induzir suas leis constitucionais de acordo com o que emanam os rituais em vigência. Daí é comum se encontrar atualmente textos dos Artigos do RGF acompanhados da expressão “conforme o Ritual”. 

No GOB há a existência de pluralidade de Ritos, porém suas leis são regidas obviamente por uma única Constituição regulamentada por um Regulamento Geral que tem procurado no máximo respeitar as particularidades dos Ritos adotados.

E.T. – Sugere-se que em consulta ao Regulamento Geral da Federação tenha-se a atenção de observar a sua atualização de acordo com destaques aprovados por lei ao longo do exercício e publicados em Boletim.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmai.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 645, Florianópolis (SC) 02 de Junho de 2012.

MAÇONS FAMOSOS

INICIAÇÃO MAÇÔNICA DE GERALD FORD

LESLIE LYNCH KING JÚNIOR, passou a usar o nome GERALD RUDOLPH FORD JÚNIOR (Omaha, Nebraska, 14 de julho de 1913 — Rancho Mirage, Califórnia, 26 de dezembro de 2006). 38º Presidente dos Estados Unidos entre 1974 e 1977, logo após ter servido como o 40º vice-presidente de 1973 a 1974, durante o governo do seu antecessor Richard Nixon. Após seu mandato, Ford permaneceu ativo no Partido Republicano. Enquanto presidente, Ford assinou os Acordos de Helsínquia, relaxando as tensões da Guerra Fria.

INICIAÇÃO MAÇÔNICA: 30 de setembro de 1949 (Sexta-feira)

Loja: Malta Nº 465, Michigan, Estados Unidos (REAA).

Idade: 36 anos.

Oriente Eterno: Faleceu aos 93 anos de idade, vítima de pneumonia.

Elevação: 20 de abril de 1951.

Exaltação: 18 de maio de 1951.

Fonte: famososmacons.blogspot.com

ALBERT PIKE: BREVE RELATO DE SUA VIDA E OBRA

ALBERT PIKE: BREVE RELATO DE SUA VIDA E OBRA
Cloves Gregorio

Quando se fala em personalidade do Rito Escocês Antigo e Aceito, quase todo maçom pensa automaticamente em Albert Pike. O nome deste Maçom é citado tanto por estudiosos da história e filosofia da fraternidade, quanto por seus detratores, que por sinal não são poucos. Albert Pike, nasceu em Boston, Massachusetts, no ano de 1809. Segundo uma pequena biografia, na versão em português de Moral e Dogma da Livraria Maçônica Paulo Fuchs:

Estátua de Albert Pike em
Washington, D.C.
Recebeu sua educação inicial em Newburyport e em Framingham, e em 1825 ingressou no Harvard College, sustentando-se e ao mesmo tempo ensinando. Tinha chegado apenas ao ginásio quando suas finanças o compeliram a continuar seus estudos sozinho, ensinando enquanto estava em Fairhaven e Newburyport, onde era professor efetivo do curso de gramática e depois teve uma escola particular. Anos mais tarde, alcançou tal distinção na literatura, que recebeu o grau de Mestre Honorário em Artes na Universidade de Harvard, da qual ele tinha sido excluído no colégio por falta de possibilidade de pagar seus estudos.

Pike era como qualquer erudito de seu tempo e atuou em diversas áreas. Desde um nômade viajante pelas terras do Oeste, de onde lhe rendeu até mesmo um Livro (Prose sketches and poems written in the western country), a jornalista para o Little Rock Advocate. Em 1835 foi autorizado a advogar no Arkansas, e o fez até a guerra do México, quando se juntou as tropas em 1846. Depois de atuar como advogado até na suprema corte dos EUA, escreveu o livro “As máximas da legislação Romana e Francesa” em três volumes. Pike tinha uma proximidade grande com os povos indígenas, e atuou representando a defesa dos mesmos, chegou a ganhar uma causa milionária em conjunto com sua equipe em favor dos índios Choctaw. A pequena biografia ainda diz que Albert Pike “Foi indicado Comissário para as tribos do Território Indígena. Como tal, conseguiu a aliança dos índios Creek, Seminole, Choctaw, Chickasaw e parte dos Cherokee com a Confederação. ”.

Em agosto de 1861 recebeu o posto de General Brigadeiro dos Estados confederados e comandou destacamentos de indígenas, mas sua carreira de militar não foi tão espetacular quanto foi a de advogado e escritor, perdeu batalhas e foi preso. Após o término da guerra Pike morou em Memphis no Tennesse e depois fixou residência em Washington D.C. Foi advogado atuante na corte até 1880 e Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito para a Jurisdição Sul dos EUA por 32 anos.

A pequena biografia termina descrevendo os dizeres da estátua de Pike, do qual reproduzirei agora:

“Pioneiro, um cruzado da justiça para os índios americanos, brincalhão, reformador, jornalista, filósofo, advogado proeminente…

…general da Guerra Civil, violinista, cantor, compositor; realmente, um homem da Renascença”.

Algumas Curiosidades sobre a vida Maçônica de Pike e suas Obras


Imagem do Livro Moral e Dogma, edição americana de 1919.

Maçônicamente Albert Pike é um expoente no Rito Escocês, tendo sido Soberano Grande Comendador do Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito para a Jurisdição Sul dos EUA do ano de 1859 até sua morte em 1891. Além de ter contribuído com a reformulação dos graus, diversas obras são utilizadas até hoje na educação maçônica dos irmãos filiados aquele Supremo Conselho, como por exemplo o programa Mastercraftsman (mestre artesão), que compreende ensinamentos complementares do Rito Escocês e que utiliza o Esoterika, que é um livro de apoio do Módulo I – Loja simbólica, e o Moral e Dogma, versão comentada por Arturo de Hoyos no Módulo III – A filosofia do Rito Escocês.

O Moral e Dogma, considerado sua obra prima, compreende ensaios filosóficos utilizando os símbolos do Grau 1 ao 32 do REAA, com o intuito de melhorar o entendimento dos irmãos que galgam aos graus superiores. O livro também é alvo de conspiracionistas e antimaçons, do qual até inventaram um capítulo contendo o “segredo” do Grau 33 que basicamente se resume em atingir a iluminação através de Lúcifer, sendo que conforme dito anteriormente, o Livro só vai até ao Grau 32. Talvez o mais famoso antimaçom detrator do sábio maçom seja Léo Taxil, que atribuiu a figura de Pike um título equivalente a “Papa da Maçonaria” e que em suas palavras em uma conferência realizada em 19 de abril de 1897, confessa suas mentiras:

Outro motivo era que tínhamos situado nos Estados Unidos, em Charleston, o centro do Paladismo, dando-lhe como fundador o defunto General Albert Pike, Grão-Mestre do rito escocês na Carolina do Sul. Este maçom célebre, dotado de grande erudição, havia sido uma das altas luzes da Ordem; nós o convertemos no primeiro papa luciferiano, chefe supremo de todos os francos-maçons do globo, conferenciando regularmente, toda sexta-feira, As três da tarde, com o Senhor Lúcifer em pessoa.

 
Ou seja, Léo Taxil só não passava de um embusteiro aproveitador.

Edição em português, distribuída pela Editora Yod. Mesma Editora do Livro Maçonaria Tipiniquim.

Aos que pretendem ler a famosa obra, é importante salientar que a parte que aborda o simbolismo no Moral e Dogma é referente ao trabalho Litúrgico realizado nas Blue Lodges americanas, ou seja, o Rito de York, e não ao Rito Escocês como conhecemos no Brasil. Um exemplo disso são as ferramentas apresentadas para o Grau de Aprendiz, que são o Maço e a régua de 24 polegadas, conforme imagem de apoio. Uma curiosidade a ser apresentada é que quando Falamos Rito Escocês Antigo e Aceito ou Rito de York nos EUA, refere-se aos sistemas de graus superiores.

Ainda Hoje existe uma estátua de Albert Pike que foi erigida pelo Supremo Conselho do Grau 33 do REAA para jurisdição Sul dos EUA, logo após sua morte em 1891. Segundo o site do “The El Paso Scottish Rite”, Pike é o único oficial militar confederado que tem uma estátua ao ar Livre em Washington, DC. Em 2017, o monumento foi alvo de protestos e vandalismos como denunciou Edgar Freitas em seu maravilhoso “York Blog”. Os protestos se devem ao Maçom ter sido General do exército confederado, mas como aponta o próprio autor do Blog, já aconteceu antes só que por fundamentalistas religiosos, além de ser um prato cheio para políticos aproveitadores.Sala de Pike. Situada no Vale de El Paso, EUA.

Outra curiosidade sobre Pike trazida pelo site do “The El Paso Scottish Rite”, é que o mesmo em 1883 foi recebido em El Paso para instalar a primeira Loja do Rito Escocês na região e na ocasião ele próprio supervisionou e ajudou um carpinteiro local chamado John J. Stewart (Mais escocês que isso impossível) na confecção da mobília para a sala da Loja, que incluía desde o altar em redwood (Sequóia) com chifres em cobre a colunas, corrimões e candelabros de madeira. Esse mobiliário foi utilizado pela Loja de Perfeição no vale de El Paso até 1952, quando perceberam que o material se deterioraria e o separaram em uma sala para preservação e exibição dos itens. Hoje essa sala é conhecida como a “Sala de Pike”.

Referências

PIKE, Albert. Moral e Dogma. Tradução de Ladislau Fuchs.

NETO, Edgard Costa Freitas Neto. Estátua de Albert Pike no centro de controvérsia nos EUA. Disponível em: https://york.blog.br/estatua-de-albert-pike-no-centro-de-controversia-nos-eua/. Acesso em maio de 2019.

TAXIL, Leo. A conferência de Leo Taxil. Tradução de L P Baçan.

El Paso Scottish Rite. Albert Pike Room. Disponível em: http://www.elpasoscottishrite.org/albert-pike-room.html. Acesso em maio de 2019.

Fonte: http://www.maconariatupiniquim.com.br

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

SUBSTITUIÇÃO ENVOLVENDO LUZES E OFICIAIS

SUBSTITUIÇÃO ENVOLVENDO LUZES E OFICIAIS
(republicação)

O Respeitável Irmão José Aparecido, sem declinar onome da Loja e Oriente, solicita esclarecimentos como segue:
aparecido14@gmail.com

Não querendo abusar, preciso de um retorno deste grande amigo, irmão, no abaixo:

Rito REAA - Rito Francês - Rito Moderno, Francês - Rito Brasileiro - Rito Adonhiramita - Rito Schroeder - Rito York ou Emulação.

Minha dúvida;

Em leitura no livro do nosso amado Xico Trolha 8ª Edição Cargos em Loja, este cita que na falta do Primeiro Vigilante (REAA), quem assume o segundo malhete é o Primeiro Experto e não o Segundo Vigilante!

E o que vejo nas Oficinas, que na falta do Primeiro Vigilante, quem assume o segundo malhete é o Segundo Vigilante, mas este já tem o seu cargo de oficio e em seu lugar assume o Primeiro Experto e na falta deste, assume o Segundo Experto.

Qual é a definição correta?

Isto eu estou colocando no REAA, mas não abusando do amigo, irmão, poderia citar nos demais Ritos citados acima.

CONSIDERAÇÕES:

Essa não é uma questão tão simples como parece. As Luzes de uma Loja são compostas pelo cargo do Venerável Mestre, Primeiro e Segundo Vigilantes.

Essa regra faz parte do que é denominado como “Landmarks da Ordem”, sendo, portanto muito antiga, assim como também o é independente dos ritos que compõem a Maçonaria.

A título de esclarecimento, o termo “Landmark” em Maçonaria tem o significado de “limite”, “demarcação” o que induz na interpretação das regras imemoriais, espontâneas e universalmente aceitas.

Dentre os Landmarks, está à da disposição de que uma Loja é dirigida por Três Luzes, o que nos trás ao contemporâneo na existência do Venerável Mestre, Primeiro e Segundo Vigilantes.

Note que essa regra viria atingir mais tarde (1.724) com o aparecimento do Grau de Mestre, a tônica que na Lenda do Terceiro Grau a Palavra somente seria transmitida na presença dos três personagens principais do folclore no tocante à construção do Templo.

Por assim ser, essa questão de substituição é bastante subjetiva e está mais ligada aos regulamentos das Obediências da Moderna Maçonaria, bem como o aparecimento dos ritos e as suas vertentes nos meados do Século XVIII.

O que é claro e cristalino é que uma Loja, independente de rito, isto é, universalmente aceito, é que nenhuma Oficina possa funcionar sem as competentes “Três Luzes” para dirigi-la e administra-la.

Quem substitui uma falta, está mais ligada à tradição do rito e os cargos que porventura dele venham a pertencer, a despeito de que alguns regulamentos predestinem à função dos ocupantes dos cargos em Loja. Assim, fica um pouco difícil argumentar com exatidão quem substitui quem.

À luz da razão, os Vigilantes em linhas gerais são os substitutos imediatos, em caso precário, do Venerável Mestre obedecendo à hierarquia. Assim também o Segundo é o substituto imediato do Primeiro.

Os Vigilantes eram os antigos “wardens” (zeladores) do canteiro de obra que hoje é simbolizado pela Loja. Não existiam tantos cargos como hoje conhecemos, senão, além das Luzes, o do Cobridor, do Secretário, do Tesoureiro, do Esmoler e os dos Oficiais de Chão (hoje por influência da igreja, os Diáconos).

O cargo de Experto, por exemplo, somente viria aparecer na vertente francesa da Maçonaria no Século XVIII.

A despeito do que regem os atuais regulamentos das diversas Obediências, não havia uma previsão oficial de “substitutos”.

No Rito Escocês Antigo e Aceito de forma tradicional, porém precária (ocasional) o substituto do Venerável é o Primeiro Vigilante e deste o Segundo Vigilante. Na vacância ocasional do cargo do Segundo Vigilante, assume precariamente o Primeiro Experto, até porque o termo “experto” significa nesse caso “experiência”.

Sem querer ser prolixo, mas, na hipótese de faltar o Primeiro Vigilante à Sessão, o Segundo assume o seu lugar, por conseguinte naquela oportunidade o Primeiro Experto será temporariamente o Segundo Vigilante.

Nunca é demais ratificar que essas são situações “precárias”, pois impedimentos definitivos devem ser solucionados de acordo com as constituições e regulamentos que não raras vezes proclamam uma nova eleição para a “Instalação”, no caso do Venerável Mestre.

Quanto aos escritos do meu saudoso e grande conhecedor de Maçonaria, Francisco de Assis Carvalho, o Xico Trolha, em não raras vezes que tivemos a oportunidade de nos encontrar e trocar ideias sobre Maçonaria, o Xico me confessava que faria uma revisão nos seus escritos, e particularmente nessa questão.

Infelizmente o Mano resolveu repousar sob a sombra da acácia sem que houvesse tempo para tal. À bem da verdade o Irmão Xico pesquisava muito sobre os costumes da Sublime Instituição e na oportunidade que ele escreveu esse livro ele observava costumes regionais da Maçonaria Francesa, fato que fez concluir um procedimento regional, porém não universal.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 639, Florianópolis (SC) 27 de Maio de 2012

O DEVER, CAMINHO PARA A REALIZAÇÃO

O DEVER, CAMINHO PARA A REALIZAÇÃO
Rui Bandeira

Os maçons falam muito de Dever. É natural. O aperfeiçoamento individual a que se dedicam implica, inevitavelmente, que identifiquem o que têm a corrigir e definam como fazer a correção, isto é, o que se deve fazer para melhorar.

O caminho do maçom não é uma avenida de direitos, é uma vereda de deveres a cumprir. Mais: um conjunto de deveres que o maçom escolhe cumprir.

Na ética maçónica, em primeiro lugar vem a obrigação, o cumprimento dos deveres - só depois se atenta nos direitos. Porque o caminho é este, não há constrangimentos nem vergonhas na reclamação ou no exercício dos direitos, porque se interiorizou que estes são o reverso correspondente aos deveres que se cumprem. Assim, o cumprimento do dever é preâmbulo do exercício do direito - nunca o oposto.

Esta postura, que é o oposto do facilitismo e do hedonismo tão propalados por certos media comummente referidos de cor-de-rosa, que insidiosamente vão influenciando as mentes mais frágeis ou menos avisadas, é, no entanto, a mais consistente com as caraterísticas da espécie humana - as caraterísticas que nos permitiram evoluir, descer das árvores, deixar de ser meros caçadores-recoletores, nos possibilitaram aprender a produzir o que necessitamos para consumir e até mais do que aquilo que necessitamos, enfim, o que nos fez chegar, como espécie, ao estádio atual (no melhor e no pior...) e nos fará, creio-o firmemente, evoluir sempre mais e mais.

Ao contrário do que se possa levemente pensar, desde a mais tenra infância que o bicho-homem valoriza mais o que deve fazer, o que esforçadamente conquista, o que trabalhosamente obtém, do que aquilo que recebe sem esforço, fonte porventura de prazer imediato, mas arbusto sem raiz sólida para segurar o interesse por muito tempo. Todos aqueles que educam crianças verificam que, ao contrário do que as próprias julgam, elas não apreciam tanto assim - e, no fundo, temem - a liberdade total, a possibilidade de fazerem o que querem, quando querem, como querem. Se isso lhes for temporariamente possibilitado, poderão extasiar-se perante a ausência de limites, mas não tarda muito que procurem o aconchego, a segurança, a certeza das fronteiras, dos limites, das restrições - contra as quais tanto refilam, mas que tão securizantes são. Afinal de contas, quando não há limites, como se pode transgredir? Como se pode forçar barreira inexistente para ir além dela? E o crescimento, a evolução humana, da criança como da espécie, é feito de transgressões, de ultrapassagens de barreiras, de partidas para o incerto apenas possíveis porque se sabe que, se e quando necessário, se pode recuar e voltar para o certo e seguro...

O dever é, pois, essencial para a espécie humana. Para o cumprir e, por vezes, para o transgredir, aceitando os riscos e as consequências, mas também buscando o além para lá do horizonte...

Os direitos possibilitam-nos satisfação e conforto, mas são redutores, limitadores, meras pausas agradáveis, obviamente necessárias, mas afinal fatores de simples manutenção, não de conquista ou avanço. Os direitos gozam-se e, ao gozarem-se, fica-se - não se vai, nem se avança. É no cumprimento do dever, com o esforço e o custo que isso necessariamente implica, que se avança, se conquista, se constrói, se vai além.

Gozar os direitos é obviamente bom e agradável. Mas, bem vistas as coisas, cumprir os deveres, ainda que tal implicando trabalho, custo, esforço, é melhor. Porque no fim do cumprimento do dever acaba por estar sempre um prémio. Por vezes de simples, mas saborosa, satisfação. Outras vezes com vitórias, com prazeres, com ganhos que não se teria se se tivesse mantido no simples gozo dos direitos que já se tinha, sem mais nada fazer. A áurea mediocridade pode ter brilho - mas não deixa de continuar a ser mediocridade...

Os maçons falam muito do Dever, dão atenção aos seus deveres, cumprem os seus deveres. Não por serem masoquistas. Pelo contrário: por entenderem que é assim que conseguem realizar-se. E a realização pessoal é mais do que meio caminho andado para a felicidade...

Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

REAA - COLUNA DA HARMONIA, BATERIA SURDA , PELA BATERIA E ACLAMAÇÃO

Em 16.11.2021 o Poderoso Irmão Derildo Martins da Costa, Secretário Estadual de Orientação Ritualística do GOB-ES, Oriente de Vitória, Estado do Espírito Santo, apresenta as seguintes questões para o REAA

COLUNA DA HARMONIA, BATERIA SURDA, PELA BATERIA.

Aqui no Espírito Santo a grande maioria das Lojas já operam segundo as orientações do SOR. Alguma resistência surge de maçons mais antigos, mas nada que atrapalhe. Ao longo do tempo perguntas vão surgindo e, em alguns casos, eu não sei responder. Peço ajuda ao irmão para dirimir as três dúvidas a seguir para o REAA:

1. Um Mestre de Harmonia queixou-se comigo que em determinados momentos, como por exemplo entrada e saída do Pavilhão Nacional, ele tem de estar à ordem e ao mesmo tempo operar o aparelho de som. Me perguntou se, nesses casos ele é obrigado a estar à ordem ou se pode ficar sentado operando o som.

2. Eu não tenho nenhuma orientação formal sobre “bateria surda”. O que sei é “de ouvido” de maçons mais antigos, sempre aplicada no fechamento da Loja em caso de luto. Um irmão me interpelou dizendo que, segundo você, Pedro Juk, a bateria no grau 3 é sempre surda justificando o luto inerente à sessão. Como o Cobridor do Grau não faz essa referência e o 3º Grau ainda não foi revisado por você, peço sua orientação para esse caso específico.

3. Quando da abertura e encerramento dos trabalhos em Loja um Venerável me disse que é errado o Venerável Mestre, participar da bateria. Cumpre-lhe ficar à ordem e não a executar, posto que a bateria é para ele (a mim, meus irmãos). Procede?

CONSIDERAÇÕES:

01. É um assunto de bom-senso para se adequar a uma ocasião. Nesse sentido, se o equipamento de som da Loja exigir nesse momento que o Mestre de Harmonia o opere sentado, nada mais natural que ele assim o faça para cumprimento satisfatório do seu ofício.

02. Penso que há um mal-entendido. Tenho explicado que bateria surda, dada por pancadas no antebraço vestido pelo paletó, geralmente ocorre nas sessões de Pompas Fúnebres e a sua percussão abafada denota sentimento e dor pela perda de um Irmão. Nesse sentido, tenho dito que em Câmara do Meio, por si só, a bateria normal, dentre outros, também representa consternação e dor, mas também o renascimento. Assim, meus comentários são os de que ambas as baterias, a surda e a normal, conforme o contexto, têm “o mesmo significado”. Isso não quer dizer que eu tenha afirmado que as baterias sejam também surdas nas sessões ordinárias ou magnas de Exaltação. Minhas colocações são de significado, mas não de prática propriamente dita. Vale mencionar que alguns autores respeitados defendem que no 3º Grau todas as baterias deveriam ser surdas, mas isso se dá sob o viés de interpretações deles e não uma prática consagrada. Desse modo, reitero que bateria surda é comumente aplicada em sessões de Pompas Fúnebres, não nas magnas de exaltação ou ordinárias, “embora” uma Câmara do Meio, simbolicamente não deixe de ser também uma exortação ao fenecimento e ressurreição do Mestre.

03. De forma alguma a saudação é ao Venerável Mestre. Nessa ocasião, o Sinal e a Bat∴ são feitas em aclamação à Luz, no caso, o Sol. Desse modo todos os presentes nos trabalhos executam e exclamam, inclusive o Venerável Mestre. O termo “a mim, meus IIr∴” expresso no ritual, em linhas gerais expressa um chamado do Venerável Metre para que todos, unidos a ele façam a saudação, no caso, para o Sol (símbolo do esclarecimento e da sabedoria). Por oportuno vale mencionar que esotericamente H∴ H∴ H∴, na abertura, é uma saudação ao Sol pelo momento de plenitude da Luz (início dos trabalhos); no encerramento é a certeza de que o Sol voltará com a próxima aurora, pois quanto mais escura é a madrugada, mais próximo está o raiar de um novo dia. Esotericamente essa saudação não ocorre em Câmara do Meio porque o ambiente simboliza o luto pela perda do Mestre (a morte do Sol no inverno). Assim, antes de se ficar imaginando que é uma saudação para si próprio, seria bem mais viável antes compreender a origem da exclamação H∴ e o seu significado. É uma saudação ao Sol que os árabes faziam no solstício de inverno no hemisfério Norte. No REAA é uma prática advinda da Loja Mãe Geral Escocesa criada na França em outubro de 1804 com a finalidade de criar o primeiro ritual para o simbolismo do Rito.

T.F.A.
PEDRO JUK
Secretário Geral de Orientação Ritualística/GOB
http://pedro-juk.blogspot.com.br

Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

FRASES ILUSTRADAS

 

A MAÇONARIA E A INQUISIÇÃO PORTUGUESA

A MAÇONARIA E A INQUISIÇÃO PORTUGUESA
Roberto Aguilar M. S. Silva

A maçonaria e a inquisição portuguesa: perseguição ao Maçom Hipólito José da Costa

Antecedentes históricos
A inquisição Portuguesa no Final do Século XIX

A partir da nomeação de Sebastião José de Carvalho e Mello, marquês de Pombal, para o cargo de ministro de D. José I, em meados do séc. XVIII, a Inquisição foi mantida como mero braço da coroa, para que a esta servisse sem a interferência de Roma. O irmão de Pombal, Paulo de Carvalho, foi nomeado inquisidor-mor e, por alvará de 1769, declarou a Inquisição “tribunal régio”. O último Regimento da Inquisição portuguesa foi o de 1774, que acabou com os “autos-de-fé” , aboliu a tortura e a pena de morte, apesar de prever excepções, sendo tido até hoje , guardadas as proporções históricas, como um modelo escorreito de execução penal. No início do séc. XIX, os ideais libertários, a ascensão da burguesia e até a expansão da franco-maçonaria, com a sua pregação racionalista e ateísta, foram transformando a Inquisição portuguesa em instituição anacrónica, sendo ela extinta, a final, em sessão de 31 de Março de 1821, pelas Cortes Gerais, Extraordinárias e Constituintes da Nação Portuguesa.

O condenado era muitas vezes responsabilizado por uma “crise da fé”, pestes, terremotos, doenças e miséria social, sendo entregue às autoridades do Estado, para que fosse punido. As penas variavam desde confisco de bens e perda de liberdade, até a pena de morte, muitas vezes na fogueira, método que se tornou famoso, embora existissem outras formas de aplicar a pena. Os tribunais da Inquisição não eram permanentes, sendo instalados quando surgia algum caso de heresia e eram depois desfeitos. Posteriormente tribunais religiosos e outros métodos judiciários de combate à heresia seriam utilizados pelas igrejas protestantes (como por exemplo, na Alemanha e Inglaterra). Embora nos países de maioria protestante também tenha havido perseguições – neste caso contra católicos, contra reformadores radicais, como os anabaptistas, e contra supostos praticantes de bruxaria, os tribunais constituíam-se no marco do poder real ou local, geralmente ad-hoc , e não como uma instituição específica. O delator que apontava o “herege” para a comunidade, muitas vezes garantia a sua fé e status perante a sociedade. A caça às bruxas não foi perpetrada pela Inquisição, mas sim por Estados e tribunais civis independentes, sem reais ligações com a Inquisição. Ao contrário do que é comum pensar, o tribunal do Santo Ofício era uma entidade jurídica e não tinha forma de executar as penas. O resultado da inquisição feita a um réu era entregue ao poder secular. A instalação destes tribunais era muito comum na Europa a pedido dos poderes régios, pois queriam evitar condenações por mão popular.

Efervescência na Política Portuguesa em Maio de 1817

O ano de 1817 seria agitadíssimo para a Maçonaria Portuguesa, devido à efervescência política. Em Maio de 1817, a Polícia de Lisboa apreendeu numa casa do pátio da Galega, à Rua Boa Vista, onde funcionava uma Loja, mobiliário ritualístico, colunas com as letras B e J, pirâmides, balaustradas, panos pretos, triângulos e outros objectos. Os movimentos políticos estavam em preparação, contra a regência de Beresford [1] e pelo estabelecimento de uma Monarquia Constitucional, ou mesmo de uma República.

Diante da transferência da corte portuguesa para o Brasil (1808-1821), Portugal continental viu-se invadido pelas tropas napoleónicas. Embora batidas com o auxílio de tropas britânicas, o país viu-se na dupla condição de colónia brasileira e protectorado britânico. A assinatura do Decreto de Abertura dos Portos às Nações Amigas, que na prática significou o fim do chamado “pacto colonial” e, posteriormente, dos Tratados de 1810, garantindo privilégios alfandegários aos produtos britânicos nas alfândegas portuguesas, mergulhou o comércio de cidades como o Porto e Lisboa numa profunda crise, de que se ressentia a sua classe burguesa. O controle britânico das forças militares também acarretava profundo mal-estar entre a oficialidade do Exército Português.

A Conspiração de Lisboa (1817)

Libertado Portugal da ocupação das tropas francesas, e após a derrota definitiva de Napoleão Bonaparte (1815), formou-se em Lisboa o “Supremo Conselho Regenerador de Portugal e do Algarve”, integrado por oficiais do Exército e Maçons, com o objectivo de expulsar os britânicos do controlo militar de Portugal, promovendo a “salvação da independência” da pátria.

Este movimento, liderado pelo General Gomes Freire de Andrade [2], durante o seu breve período de existência, esforçou-se no planeamento da introdução do liberalismo em Portugal, embora não tenha conseguido atingir os seus propósitos finais.

Denunciado em Maio de 1817, a sua repressão conduziu à prisão de muitos suspeitos, entre os quais o general Gomes Freire de Andrade, Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano (1815-1817), acusado de líder da conspiração contra a monarquia de João VI de Portugal, em Portugal continental representada pela Regência, então sob o governo militar britânico de William Carr Beresford.

Em Outubro de 1817, o tribunal considerou culpados de traição à pátria e sentenciou à morte, por enforcamento, doze acusados. As execuções de José Ribeiro Pinto, do major José da Fonseca Neves, de Maximiano Dias Ribeiro (todos maçons), e de José Joaquim Pinto da Silva, do major José Campello de Miranda, do coronel Manuel Monteiro de Carvalho, de Henrique José Garcia de Moraes, de António Cabral Calheiros Furtado de Lemos, de Manuel Inácio de Figueiredo e Pedro Ricardo de Figueiró (possivelmente maçons), tiveram lugar no dia 18, no Campo de Santana (hoje Campo dos Mártires da Pátria). O general Gomes Freire de Andrade, foi executado na mesma data, no Forte de São Julião da Barra.

Este procedimento da Regência e de Lord Beresford, comandante em chefe britânico do Exército português e regente de facto do reino de Portugal, levou a protestos e intensificou a tendência antibritânica no país. Após o julgamento e execução dos acusados, o general Beresford deslocou-se ao Brasil para pedir ao soberano mais recursos e poderes para a repressão do “jacobinismo” [3]. Na sua ausência, eclodiria a Revolução do Porto (1820) de modo que, quando do seu regresso do Brasil naquele ano, onde conseguira do soberano os poderes pedidos, foi impedido de desembarcar em Lisboa.

Sinédrio

Enquanto isto, no Porto, o desembargador da Relação, Manuel Fernandes Tomás [4], fundou o chamado “Sinédrio”. Integrado por maçons, visava “afirmar” o Exército Português no país. Aproveitando a ausência de Beresford no Brasil, o Sinédrio cooptou militares que pudessem materializar o seu projecto revolucionário. O Sinédrio foi uma associação secreta criada em Portugal pelo juiz desembargador portuense Manuel Fernandes Tomás e por José Ferreira Borges, José da Silva Carvalho e J. Ferreira Viana, no Porto em 22 de Janeiro de 1818. O seu nome deriva de uma Organização homónima – o Supremo Tribunal judaico. A criação do Sinédrio dá-se após a Revolução falhada que se tentara em Lisboa pelo General Gomes Freire de Andrade, que visava o fim do domínio inglês sobre Portugal através da instauração de uma Monarquia Constitucional. A criação do Sinédrio é um dos sinais que antecederam a implantação do liberalismo em Portugal, e foi encorajado pela revolução espanhola de 9 de Março de 1820. Após a revolução liberal, que ocorreu na cidade do Porto a 24 de Agosto de 1820, e associação extinguiu-se, tendo alguns dos seus membros participado na Junta Provisional do Governo Superior do Reino, que iniciou o período do liberalismo em Portugal.

Hipólito José da Costa e a Inquisição Portuguesa

O Brasileiro mais famoso perseguido pela inquisição foi Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça (Colónia do Sacramento, 13 de Agosto de 1774 – Londres, 11 de Setembro de 1823). Nascido na Colónia do Sacramento, então domínio da Coroa portuguesa (hoje pertencente ao Uruguai), Hipólito era filho de família abastada do Rio de Janeiro. Foi um jornalista, Maçom e diplomata brasileiro, patrono da cadeira 17 da Academia Brasileira de Letras.

Recém-formado, foi enviado como diplomata pela Coroa portuguesa aos Estados Unidos da América e ao México, para onde embarcou em 16 de Outubro de 1798, com a tarefa de conhecer a economia desses dois países e as novas técnicas industriais aplicadas pelos norte-americanos. Viveu nos Estados Unidos por dois anos onde, na Filadélfia, veio a ingressar na maçonaria o que influenciou a sua vida daí em diante. De volta ao reino, viajou a serviço da Coroa Portuguesa para Londres em 1802, com o objectivo declarado de adquirir obras para a Real Biblioteca e maquinário para a Imprensa Régia. Ocultamente, entretanto, os seus motivos eram o também de estabelecer contactos entre as Lojas Maçónicas Portuguesas e o Grande Oriente em Londres. Três ou quatro dias após o seu retorno ao reino foi detido pela Inquisição por ordem de Diogo Inácio de Pina Manique [5], sob a acusação de disseminar as ideias maçónicas na Europa.

Hipólito da Costa foi preso pela Inquisição lisboeta porque era Maçom (iniciado na Loja Washington, em Filadélfia, EUA). Também eram maçons ou simpatizantes da franco-maçonaria os principais rebeldes sul-americanos reunidos em Londres em torno da figura de El Precursor, o general venezuelano Francisco Miranda – que lutou contra os ingleses na Revolução Americana, contra o Antigo Regime na Revolução Francesa e contra Bonaparte na restauração espanhola. Simon Bolívar integrava o mesmo grupo.

A obstinada luta contra a Inquisição não foi uma vendeta pessoal de Hipólito da Costa contra os seus algozes, mas uma cruzada contra a ignorância, o atraso cultural e o fundamentalismo religioso. A Narrativa da Perseguição de Hipólito da Costa (dois volumes, português e inglês, Londres, 1811) não foi a primeira denúncia contra o Santo Ofício aparecida no mundo desenvolvido. Foi o golpe mortal no dragão da maldade que sufocou a inteligência portuguesa (e por decorrência a brasileira) ao longo de 285 anos (1536-1821).

Encaminhado às celas do Tribunal do Santo Ofício, onde permaneceu até 1805, logrou evadir-se para a Espanha sob um disfarce de criado, com o auxílio dos seus irmãos maçons. foi vítima de torturas, sem crime e sem processo regular. Hipólito, em “Narrativa”, tempos depois, diz que “nada irrita tanto o inquisidor, como um homem que raciocina”. Os maçons portugueses, embora na clandestinidade e ameaçados, estavam atentos, procurando a melhor ocasião para ajudar Hipólito a libertar-se das garras do Santo Ofício. Só em 1804, depois de dois anos e meio de sofrimentos, foi Hipólito da Costa retirado da prisão numa fuga novelesca e perigosa. Através de terras espanholas e via Gibraltar, Hipólito chega a Londres, onde é protegido pelo Duque de Sussex, filho do Rei George III, da Inglaterra. Sussex era Maçom.

Na Inglaterra, o Duque de Sussex conseguiu a sua naturalização como cidadão britânico, a fim de evitar um possível pedido de extradição pelo Governo português, sob a alegação de criminoso político fugitivo.

Na Inglaterra, obtêm a nacionalidade inglesa com a ajuda do Duque de Essex, adquirindo acções do Banco da Escócia o que lhe outorgava tal direito de forma imediata.

Em Londres, de 1806 a 1808, dava lições e fazia traduções para ganhar o seu sustento. Neste período, é iniciado Maçom na Loja “Antiquity n° 2”, em Londres.

Casa em 1817 com Mary Ann Troughton da Costa com quem tem 3 filhos, além de já ter tido 1 filho com Mary Anne (Lyons ou Symons). Obtendo a condição de estrangeiro neutralizado, um estrangeiro residente com alguns direitos políticos.

De Londres passou a editar regularmente aquele que é considerado o primeiro jornal brasileiro: o Correio Brasiliense ou Armazém Literário, que circulou de 1° de Junho de 1808 a 1823 (29 volumes editados, no total). Com este veículo, passou a defender as ideias liberais, entre as quais as de emancipação colonial, dando ampla cobertura à Revolução liberal do Porto de 1820 e aos acontecimentos de 1821 e de 1822 que conduziriam à Independência do Brasil. O seu principal inimigo era Bernardo José de Abrantes e Castro, conde do Funchal, embaixador de Portugal em Londres, que chamou ao Correio: “Esta terrível invenção de um jornal português na Inglaterra”, vindo a editar um periódico contra ele, que circularia até 1819 (O Investigador Português em Inglaterra).

O primeiro número do Correio Brasiliense saiu directo de Londres para o Rio de Janeiro, chegando por aqui em Junho de 1808. Apesar de ser redigido em Londres, não deixava de trazer nas suas páginas notícias voltadas para o interesse da sociedade luso-brasileira. Este periódico atravessava o atlântico com a finalidade de levar aos brasileiros inúmeros assuntos, desde a política até a literatura e tudo mais que julgasse relevante para a formação do que ele denominou de o “Novo Império do Brasil”. Para Hipólito José da Costa a função do periódico seria o de propagar as luzes, retirando das trevas ou da ilusão aqueles que a ignorância atirou no labirinto da apatia. Assim, o redactor seguia os ideais maçónicos tão característicos na sua trajectória de vida e que influenciou directamente o seu jornalismo. Sempre pautado nos princípios de virtude, igualdade, liberdade e fraternidade, Hipólito conduzia a sua empreitada com o objectivo de esclarecer aos seus compatriotas, que tão importante quanto à liberdade civil, seria, também, a liberdade propiciada pelo esclarecimento, pelas luzes, pois, desta forma, todo cidadão poderia reivindicar e lutar pelos seus direitos de forma consciente sem a necessidade de haver revoluções, uma vez que a busca pela Perfeição Universal dar-se-ia através da expansão das Luzes. O facto de o Correio Brasiliense ser redigido em Londres, longe das garras da inquisição e da censura do governo luso-brasileiro, deixava o seu redactor mais a vontade e, com certeza, mais seguro para expor tudo aquilo que julgava importante, mesmo quando o assunto fosse desagradável para a Corte portuguesa. O peso da pena de Hipólito não poupava nada e nem ninguém, a ponto de condenar até mesmo a enorme influência da Inglaterra, país que lhe tinha dado abrigo, nos negócios de Portugal e consequentemente do Brasil. As leis da Inglaterra davam-lhes respaldo, pois conhecedor da constituição inglesa, Hipólito sabia das garantias de liberdade de imprensa no país. Nas páginas do Correio fica evidente a admiração que o redactor tem pela Constituição inglesa a ponto de transcrever várias partes da constituição e desejar que o Brasil seguisse o exemplo dos ingleses.

Faleceu em 1823, sem chegar a saber que fora nomeado cônsul do Império do Brasil em Londres. No Brasil é considerado o patrono da imprensa. Em Porto Alegre foi homenageado emprestando o seu nome ao Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa. Estava sepultado em St. Mary the Virgin, em Hurley, condado de Berkshire; mas em 2001 os seus restos mortais foram trasladados para Brasília. Actualmente os seus restos mortais estão nos Jardins do Museu da Imprensa Nacional. O seu irmão, José Saturnino da Costa Pereira, foi Senador do Império do Brasil e Ministro da Guerra.

Notas

[1] William Carr Beresford (Irlanda, 1768 – 8 de Janeiro de 1854) foi um militar britânico, marechal (1809) e depois marechal-general (1816) do Exército português. Foi comandante em chefe durante toda a Guerra Peninsular, de Março de 1809 à revolução liberal de 1820, gozando de poderes de governação dada a ausência da Corte portuguesa, refugiada no Brasil (1808-1821).

[2] Gomes Freire de Andrade (Viena, 27 de Janeiro de 1757 – Forte de São Julião da Barra, 18 de Outubro de 1817) foi um general português.

[3] Originário da revolução francesa, o termo jacobinismo, também chamado jacobismo, teve uma significação diferenciada e evolutiva ao longo dos tempos. Originalmente, um jacobino era um membro do Clube Jacobino, clube maçónico francês com representação nos Três Estados e, depois, na Assembleia Nacional Francesa. No seu início, nos finais do século XVIII na França, a expressão era geralmente aplicada de forma pejorativa a qualquer corrente de pensamento que, para quem aplicava o termo, fosse defensora de opiniões revolucionárias extremistas! Os primeiros jacobinos, setecentistas, eram pequeno-burgueses ainda muito ligados às suas origens rurais e pobres, com pensamentos políticos e sociais radicais (queriam o extermínio dos nobres). Receberam a denominação de jacobinos pois reuniam-se inicialmente no Convento de São Tiago dos dominicanos (do nome Tiago em latim: Jacobus e do francês Saint-Jacques). Os seus membros defendiam mudanças mais radicais que os girondinos: eram contrários à Monarquia e queriam implantar uma República. Este grupo era apoiado por um dos sectores mais populares da França – os sans-cullotes – e, juntos, lutaram por outras mudanças sociais depois da revolução. Sentavam-se à esquerda do salão de reuniões.

[4] Manuel Fernandes Tomás (Figueira da Foz, 30 de Junho de 1771 – Lisboa, 19 de Novembro de 1822), por muitos considerado a figura mais importante do primeiro período liberal, foi um magistrado e político vintista que se destacou na organização dos primeiros movimentos pró liberalismo.

Era juiz desembargador na Relação do Porto quando foi um dos fundadores do Sinédrio, assumindo um papel central na revolução liberal do Porto de 24 de Agosto de 1820. Foi figura primacial do liberalismo vintista, fez parte da Junta Provisional do Governo Supremo do Reino, criada no Porto, que administrou o Reino após a revolução liberal, sendo encarregue dos negócios do Reino e da Fazenda. Eleito deputado às Cortes Gerais e Extraordinárias da Nação Portuguesa, pela Beira, participou activamente na elaboração das Bases da Constituição da Monarquia Portuguesa, que D. João VI jurou em 1821.

[5] Diogo Inácio de Pina Manique (1733 – 1805) foi um magistrado português. Formado em Leis pela Universidade de Coimbra, ocupou diversos cargos, antes de ser designado Intendente- Geral da Polícia. Foi juiz do crime em diversos bairros de Lisboa, superintendente-geral de Contrabandos e Descaminhos, desembargador da Relação do Porto, desembargador dos Agravos da Casa da Suplicação. Homem da confiança de Sebastião José de Carvalho e Melo, só foi, no entanto, nomeado Intendente-Geral da Polícia depois da queda do marquês de Pombal. Acumulou este cargo com os de desembargador dos Agravos da Casa da Suplicação, contador da Fazenda, superintendente-geral de Contrabandos e Descaminhos e fiscal da Junta de Administração da Companhia Geral de Comércio de Pernambuco e Paraíba. Em 1781, começou a funcionar no Castelo de São Jorge, em Lisboa, a Casa Pia, fundada por Pina Manique e destinada inicialmente a recolher mendigos e órfãos. Durante o reinado de D. Maria I, a sua acção como Intendente-Geral da Polícia orientou-se para a repressão das ideias oriundas da Revolução Francesa, designadamente através da proibição de circulação de livros e publicações, e da perseguição a diversos intelectuais. A pedido de Napoleão Bonaparte, o regente D. João acabaria por demiti-lo. Faleceu dois anos depois de abandonar o cargo.


 
BRASIL SEFARAD. Inquisição. http://www.brasilsefarad.com/joomla/ index.php?option=com_content&view=article&id=89:inquisicao&catid=35:inquisi cao&Itemid=93
DINES, A. Hipólito da Costa, o crítico boicotado. http://www.almanaquedacomunicacao.com.br/artigos/216.html
GRANDE ORIENTE DO ESTADO DO AMAZONAS. A Maçonaria em Portugal (1727-1820) http://www.goeam.com.br/macon_port/A_MAC_EM_PORTUGAL (1727-1820).pdf
LOJA MAÇÓNICA HIPÓLITO DA COSTA, N° 1960. Hipólito da Costa.
http://www.hc1960.org.br/Paginas/Historia%20de%20Hipolito%20da%20Costa. htm
SANTOS, B. M. O Correio Brasiliense: Um olhar sobre a sociabilidade maçónica. http://www.encontro2010.rj.anpuh.org/resources/anais/8/1276655741_ARQUIVO_Texto_ANPUH_2010.pdf
SINAGOGA ADAT ISCHURUM – SHIL DA VILA. Acção da Inquisição Portuguesa no Brasil. http://shildavila.com/new/?p=1405WAPEDIA. Inquisição http://wapedia.mobi/pt/Santo_Of%C3%ADcio

Fonte: https://bibliot3ca.com