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PERGUNTAS & RESPOSTAS
O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br
domingo, 25 de dezembro de 2022
sábado, 24 de dezembro de 2022
ESCRUTÍNIO SECRETO - PODE HAVER ABSTENÇÃO?
Em 14.06.2022 o Respeitável Irmão Petrônio Cardoso Junior, Loja Tiradentes, 1204, REAA, GOB-MG, Oriente de Campo Belo, Estado de Minas Gerais, apresenta a questão seguinte:
ABSTENÇÃO NO ESCRUTÍNIO SECRETO
Gostaria de saber, se é permitido a um obreiro (do quadro), se abster de votar num escrutínio secreto na própria Loja, postando-se de pé e a Ordem.
CONSIDERAÇÕES:
Destacando que no Escrutínio Secreto votam apenas os Irmãos regulares do quadro, todos esses Irmãos em se fazendo presentes nesta ocasião devem votar na forma de costume - pela admissão ou não do candidato.
É recomendável que no dia marcado para a realização do Escrutínio Secreto estejam presentes apenas Irmãos do Quadro.
Quanto a abstenção de votar, a própria dinâmica desse tipo de sufrágio já demonstra que não existe essa possibilidade, já todos recebem as duas esferas que identificarão o voto, se pelo sim ou se pelo não. Não há uma terceira esfera para identificar uma abstenção.
Inquestionavelmente todos os Irmãos aptos a votar votam nessa ocasião, inclusive o Venerável Mestre. Durante a apuração é conferido se o número de esferas coincide com o número de Irmãos que assinaram o livro de presenças da Loja naquela oportunidade.
Assim, o Escrutínio Secreto demonstra pela sua dinâmica que não se admite abstenção na votação.
Aquele Irmão que por algum motivo não queira votar, basta não comparecer aos trabalhos da Loja naquele dia.
T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br
UMA REFLEXÃO PARA O NATAL
José Carlos de Seixas
Caros Irmãos,
Imaginei escrever uma mensagem de Natal para todos. Melhor que uma mensagem de Natal, seria uma reflexão para o Natal. Acredito que ela poderá ser útil para os próximos e muitos Natais que desejo a vocês. Assim, a encaminharei a todos os grupos de que participo.
Eu pensei em escrever sobre algumas coisas muito desagradáveis que existem em nossa Fraternidade, mas depois me lembrei que falar delas não as tornaria menores do que são. Não podemos convencer ninguém a abandonar um procedimento adquirido, e que é mantido porque não houve a compreensão do que recebemos quando participamos dessa nossa Fraternidade. Infelizmente, alguns levam muito tempo para entenderem isso, enquanto que uns poucos aprendem com rapidez. Um outro grupo ainda menor não precisava estar na Fraternidade porque, antes mesmo de serem aceitos, já possuíam as qualidades que entendemos serem as melhores para um Maçom. De qualquer forma, não podemos julgar o mérito de ninguém, nem mesmo dos que não deviam estar entre nós. O GADU tem suas razões, e se estão por aqui, mesmo com todos os seus deméritos, certamente será porque servem a algum propósito que ainda desconhecemos.
Estamos comemorando mais um Natal. Recebemos centenas de mensagens de felicitações, algumas bem elaboradas, outras singelas, algumas verdadeiras, outras apenas feitas por “dever de ofício” ou por “razões sociais”. Eu imaginei formular uma mensagem para todos, convidando-os a refletirem no porque desta data, o que comemoramos nela, e porque razão.
A data tem relação com o que nos acostumamos a aceitar como a data de nascimento daquele que seria um dos maiores, se não o maior, líder espiritual de todos os tempos. Aquele que é visto como o “Filho de Deus”, nascido em circunstancias especiais, sem o pecado original estabelecido pela Bíblia, fruto de uma relação não sexual entre o próprio Deus e uma terrestre normal – que viria a ser vista por muitos como a “mãe de Deus”.
Excluindo as questões relativas a crença de cada um, não podemos negar – qualquer um de nós – que o legado deixado por Jesus foi de tamanha importância que, até hoje, permanece como fonte de inspiração para milhões e milhões de crentes pelo mundo afora. Crentes que advogam, alguns deles, que a sua forma de acreditar é melhor que a de seu vizinho. Crentes que entendem que o seu Rito de Crença – ou Religião se assim quiserem entender – é mais próxima de Deus que a de seu próximo. Crentes que entendem que a suntuosidade, o ouro, as riquezas e a pompa são necessárias para que Deus ouça suas preces.
Depois de muito refletir, cheguei á conclusão de que não deveria seguir qualquer uma dessas vertentes, mas me concentrar em tentar seguir o único Mandamento que Jesus nos deixou, a chave para tudo que se queira obter, a razão maior para que vivamos em harmonia, uns com os outros: “Amai uns aos outros como eu vos amei”. Há frase ou legado de significado mais profundo e importante que este? Porque insistimos em descumpri-lo, advogando procedimentos em desacordo com essa máxima de Jesus?
Será que ele precisava dizer mais alguma coisa, além dessa? Creio que não. E porque estou aqui relembrando essa frase? Porque considero que a Maçonaria é a iniciativa mais bem sucedida em nos aproximar dessa Verdade. “Oh quão bom e quão suave é que os Irmãos vivam em união...”. Quantas vezes já ouvimos essa parte do Salmo 133? Mas será que paramos para refletir no que significa? Provavelmente ainda não. Apesar de sermos abençoados por estar em uma Fraternidade que une – ou pretende unir – a todas as vertentes de pensamento, sob a unção de um Principio Criador, ainda não entendemos o que significa “estar em união”.
Hoje, ante véspera do Natal, fiz um pequeno exercício. Fui ao supermercado comprar coisas que ainda faltavam para nossa ceia de Natal. Imaginei que não pertencia àquele mundo. Dezenas de pessoas apressadas, atravancando-se em espaços reduzidos e também fazendo suas ultimas compras. O que me diziam seus rostos? Será que elas me enxergavam, ou não? Quem estava alegre ou triste, e porque? Quem tinha os recursos para fazer uma ceia suntuosa, com todas as variedades de alimentos da época, ou quem tinha apenas uma pequena porção de pão para comemorar o seu Natal? E os “craqueiros” na rua? Como seria o seu Natal? Mais pedras para fumarem? Será que tinham noção do que acontecia em volta deles? Que responsabilidade temos pela condição que ora ostentam? E as prostitutas, ou os que vivem na pobreza extrema, sem alimento ou esperança? E os que, tendo muito, na realidade estão dentre os mais pobres? O que será que um Maçom tem a ver com isso tudo?
Meus Irmãos: nós entramos nessa Fraternidade por livre e espontânea vontade. Pode ser que fossemos apenas hipócritas buscando realizações materiais, ou ingênuos achando que iriamos fazer parte de um “Exército de Brancaleone” capaz de mudar o mundo. Nem uma coisa, nem outra. A única coisa que podemos mudar é a nós mesmos. E o momento em que isso deve acontecer é agora.
Neste Natal, ao comemorar a data junto aos seus entes queridos, lembrem-se da miséria que campeia do lado de fora de sua porta, mas também da miséria que pode campear até dentro de seu próprio Eu. Deixe que os ensinamentos de idade imemorial penetrem em seu pensamento e modifiquem, aperfeiçoando, sua própria maneira de ser. Perdoem a quem tenham ferido, para também serem perdoados. Alimentem aos que tem fome, para também serem alimentados. Ensinai ao ignorante, para que vejam a verdadeira Luz e, assim o fazendo, também compartilheis dessa fonte impressionante de Sabedoria e Energia que está disponível para todos, curando, consolando, evoluindo, aperfeiçoando, a todos nós.
Não pretendam mudar o Mundo, ou o seu País, ou sua Cidade, seu Bairro. Nem mesmo a sua Rua ou Prédio. Nem mesmo precisam comentar ou responder a essa mensagem, para que não suceda que, gostando dela, venham a me fazer pensar que tenho alguma importância, e que escrevi algo significativo. Para responde-la, basta que comecem a mudança por vocês mesmos. Suas vibrações positivas serão sentidas por todos, inclusive por mim. Terão assim construído uma pequena parcela do Templo Interno que, todos nós, buscamos construir.
Que o GADU abençoe a todos e os mantenha na Senda da Virtude.
Fraternalmente.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2022
SIGNIFICADO DA ACLAMAÇÃO H. H. H. NO REAA
Em 13.06.2022 o Respeitável Irmão Acácio Siqueira, Loja Rio Pardo, 242, REAA, Grande Oriente Paulista (COMAB), Oriente de Santa Rosa de Viterbo, Estado de São Paulo, faz a seguinte pergunta:
ACLAMAÇÃO H. H. H.
Dentre as tantas diferenças, enxertos e idiossincrasias que acometem o REAA o Brasil, para algumas encontra-se justificativa, para outras não... E ainda bem que temos valorosos Irmãos que se preocupam em apontar e corrigir, ou, pelo menos, entender estes “erros”.
Desde de pouco tempo após minha Iniciação, me causou curiosidade o procedimento ritualístico adotado no REAA, na potência a que sou filiado, de estender o braço direito durante a aclamação do Rito. Como este procedimento não é visto nos rituais de outras vertentes maçônicas brasileiras, procurei entende-lo.
Confesso que nada encontrei que acalmasse minha curiosidade, apenas textos medíocres, recheados de achismos e crendices. Assim recorro ao Irmão, mais uma vez, para me ajudar (dei uma vasculhada nos textos em seu blog e não encontrei nada neste sentido; se minha busca foi falha, me indique o texto a ser lido).
CONSIDERAÇÕES:
Acredito que se as potestades maçônicas, autoras dessas barbaridades falaciosas, tal como a mencionada na sua questão, procurassem estudar e se despir de crendices e achismos, certamente a agressão à ritualística original do REAA seria bem menor, digamos, até aceitável.
Essa de se estender o braço direito à frente durante a aclamação no REAA, além de ser improcedente é, como diria Eça de Queirós, mesmo d’escrachar!
Na verdade, essa é uma aclamação feita ao Sol haurida dos Cultos Solares da Antiguidade e foi inserido no REAA por conta da Loja Geral Escocesa (Loja Mãe), esta então criada para na oportunidade gerenciar e planejar o primeiro ritual para o simbolismo do rito que, por circunstâncias históricas, ainda não possuía rituais próprios para os seus trê primeiros graus, ou o franco-maçônico básico universal. Desse modo, no início da caminhada do escocesismo eram utilizados, ainda nos EE. UU. da América do Norte, rituais das Lojas Azuis Norte-americanas, conhecidos também hoje em dia como York americano.
Ocorre que quando o rito retornou à Europa, mais precisamente para a França no ano de 1804, foi necessária então a criação de rituais para o simbolismo do REAA, já que o objetivo era o de expandir o rito pela Europa.
O 1º Ritual (1804) - As três fontes principais para elaboração desse primeiro ritual foram a exposure (revelação) relativa aos “Antigos” irlandeses de 1751 denominada The Three Distinct Knocks (As Três Pancadas Distintas), o Régulateur du Maçon (Regulador do Maçom) do Grande Oriente da França datado de 1801, e as contribuições oriundas da Loja Geral Escocesa de Paris datadas de 1804.
No tocante às contribuições da Loja Geral Escocesa podemos citar as Colunas Vestibulares B e J dispostas de acordo com os Antigos (B à esquerda e J à direita de quem entra); a abóbada decorada, nela se destacando na sua base os símbolos das 12 constelações do Zodíaco (daria origem mais tarde às Colunas Zodiacais); a cor encarnada (vermelha) em alusão ao stuartismo (catolicismo) e, por fim, a aclamação ternária H∴, H∴, H∴, sendo essa última contribuição o mote desse pequeno arrazoado.
Dados os comentários iniciais, vamos então ao objeto principal desses comentários – o significado da aclamação H∴ na liturgia do REAA.
Conforme mencionam bons tratadistas, a exemplo de Theobaldo Varolli Filho, José Castellani, Francisco de Assis Carvalho (Xico Trolha), Alec Mellor, dentre outros, o vocábulo H∴ é uma corruptela da palavra Uêzza que era utilizada pelos árabes, mais particularmente pelos drusos, quando, no solstício de inverno do Hemisfério Norte, saudavam a volta do Sol.
Assim, na noite de 21 de dezembro, quando o solstício hibernal produz a noite mais longa do ano no setentrião, eram naquela oportunidade acesas fogueiras, enquanto que munidos de ramos floridos de acácia os drusos saudavam o retorno do astro rei novamente para a meia-esfera Norte do Planeta.
Uma particularidade esse misticismo é a de que a acácia, por possuir pequenas flores amarelas feito pequenos sóis, era então utilizada nessa saudação – os drusos saudavam o Sol ao amanhecer do solstício chacoalhando os ramos floridos.
Graças a isso, autores desatentos acabariam inventando que a palavra H∴significa acácia, contudo, essa é uma afirmativa temerária, até porque H∴, como corruptela de Uêzza, é uma aclamação árabe feita ao Sol e não a simples tradução da palavra acácia.
Nesse mesmo raciocínio, podemos citar como outro exemplo dessa corruptela a aclamação “hip hurra!”, bastante utilizada pelos ingleses e muito provavelmente derivada da expressão árabe uêzza. Vale lembrar que os ingleses por muito tempo se estabeleceram nas regiões da Arábia.
Só para ilustrar, mais tarde, com o advento do Islamismo, Maomé proibiu essa saudação solar.
Dito isso, em Maçonaria a aclamação H∴, H∴, H∴ ocorre por três vezes porque o número 3 corresponde a unidade ternária (o primeiro plano), conceito que tem alto significado simbólico para o Iniciado.
Exegese da aclamação H∴ no REAA - Por ser um rito solar essa aclamação solsticial também menciona uma saudação diária ao Sol (sabedoria, conhecimento).
No contexto ritualístico do Aprendiz e do Companheiro essa aclamação trinária ocorre por primeiro ao meio-dia, isto é, quando o Sol está pino, ou na plenitude diária da sua Luz. Esse misticismo indica que o momento é propício para o início dos trabalhos porque exalta-se a igualdade onde ninguém faz sombra a ninguém. A segunda vez a aclamação se dá no encerramento dos trabalhos, simbolicamente à meia-noite. Por mais paradoxal que possa aparentar, nesse momento a aclamação trinária evoca a volta da Luz, pois quanto mais escura é a madrugada, mais perto está o raiar de um novo dia. Enquanto que ao meio-dia consagra-se a Igualdade, à meia-noite consagra-se a Esperança.
É esse pois o sentido da aclamação H∴ na liturgia do REAA, destacando que o meio-dia simboliza também a juventude e o vigor, enquanto que a meia-noite representa a senilidade e a experiência.
Nessa conjuntura, essa alegoria alerta para que o maçom trabalhe da sua juventude até a sua maturidade. Graças a isso é que a aclamação H∴ ocorre na abertura, ao meio-dia e no encerramento, à meia-noite nos graus de Aprendiz e Companheiro, não ocorrendo no grau de Mestre porque o Mestre Maçom quando passou pelo cerimonial de Exaltação, simbolicamente ingressou no lugar da Luz, portanto ele é agora um luzeiro, um farol, um ser que emite luz. Nesse caso, a conotação iniciática do 3º Grau se reporta ao último dos ciclos da Natureza e tem uma afinidade solsticial, e não mais diária do Sol. Esse entendimento está na passagem do plano inferior do Ocidente para o plano superior do Oriente (além da balaustrada). Por essa razão é que não existe a aclamação H∴ no 3º Grau, restringindo-se a mesma aos dois primeiros graus. É tudo uma questão iniciática.
Eis aí um resumo da exegese da aclamação trinaria H∴ no REAA.
Desafortunadamente, ainda encontramos carcaças de dinossauro (algo difícil de engolir e consumir) em meio aos nossos ensinamentos. Bem mais salutar é antes investigar a verdade, ao tempo de se ficar arquitetando invencionices e sofismas que agridem a razão dos fatos.
T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br
MAÇONARIA E A INDEPENDÊNCIA DOS PAÍSES LATINOS
Em 2010 a América Latina deu inicio às comemorações do bicentenário de sua independência, que começou com a América hispânica. Em 1806 Francisco de Miranda liderou uma tentativa malograda de libertar a Venezuela. Entretanto, as próximas tentativas obtiveram um melhor resultado devido à conjuntura na Europa, causada pela ocupação da Península Ibérica pelas tropas francesas sob o comando de Napoleão Bonaparte. Em 19 de abril de 1810 um grupo de insurgentes da província da Nova Granada (atuais Equador, Colômbia e Venezuela) aproveitou a reviravolta política na Espanha para declarar a sua independência. O mesmo ocorreu nas províncias do Rio da Prata (atuais Argentina, Chile e Paraguai). Embora a independência de fato e o reconhecimento internacional ainda levaria alguns anos para se concretizarem, o processo de libertação iniciado em 1810 teve um enorme papel psicológico no sentido de unir as lideranças regionais e desenvolver na população crioula o sentimento nativista.
As províncias da Nova Granada que em 1810 haviam se declarado independentes, em 1811 constituíram as Províncias Unidas da Venezuela que depois virariam a República da Nova Granada e a Gran Colombia. Dentro do grupo inicial que declarou a independência, destacava-se o jovem Simão (Simón) Bolívar (veja mais abaixo sua biografia), de 27 anos de idade, que havia retornado de Paris no ano anterior cheio de entusiasmo pelo ideário republicano. No ano seguinte, Bolívar, juntamente com Luís López Méndez e Andrés Bello partiu para Londres numa missão de angariar o apoio do governo Britânico e comprar armas. Em Londres, os três se encontraram com o patrício Francisco de Miranda y Rodriguez (veja mais abaixo sua biografia), conhecido simplesmente como Miranda, o precursor da independência que serviu como líder intelectual dos futuros libertadores.
Após a derradeira derrota de Napoleão a Espanha restabeleceu a sua monarquia, a qual rejeitou de imediato a declaração de independência de suas províncias na América. Quando isso ocorreu os governos independentes já haviam começado a se enfraquecer, e isso facilitou a retomada de poder por parte dos partidários da realeza. Com promessas de riquezas futuras, os caudilhos espanhóis partidários da realeza, como José Tomás Boves, conseguiram reorganizar exércitos para defender os interesses da metrópole.
A Guerra da Independência
A independência da América Latina foi conseguida apenas após um longo processo de lutas, permeado por problemas internos e à custa de milhares de vidas. Na América do Sul a guerra da Independência ocorreu em duas grandes frentes, a Frente Norte, formada em torno da Nova Granada, e a Frente Sul, formada pelas províncias do Rio da Prata. Na América Central a guerra da Independência começou no México e só depois envolveu os demais países ao sul.
Na Frente Norte as lutas pela independência começaram logo após o final da Guerra Peninsular, quando o exército espanhol foi reconstituído. O exército da Nova Granada ficou sob o comando do Generalíssimo Miranda, que havia retornado de Londres. Sob as ordens deste Bolívar ficou encarregado de defender Porto Cabello. A situação da Nova Granada passou de mal a pior, quando em 1812 um forte terremoto destruiu boa parte de Caracas e de outras cidades vizinhas e causou a morte de mais de dez mil pessoas.
Devido à atual contingência, Bolívar foi derrotado em Porto Cabello e obrigado a fugir para Cartagena das Índias, na Colômbia. De lá Bolívar escreveu o seu famoso Manifesto de Cartagena, datado de 15 de dezembro de 1812, no qual ele atribuiu a derrota aos seguintes motivos: (i) a incipiência do sistema federal instituído, (ii) a má administração do tesouro, (iii) o terremoto de 1812 que atingiu Caracas, (iv) a impossibilidade de estabelecer um exército permanente, e (v) a campanha contrária da Igreja Católica. Na sua crônica do acontecimento Bolívar escreveu: 'ainda que a natureza se oponha, lutaremos contra ela e faremos com que nos obedeça'.
De fato os partidários da realeza haviam se aproveitado da ignorância da população para promover a causa real, afirmando que o terremoto havia sido um castigo de Deus. A luta entre patriotas e realistas culminou com a vitória dos realistas enquanto que os patriotas sofreram um grande número de baixas, forçando o Generalíssimo Miranda a aceitar o armistício. Foi o fim da Primeira República.
Em 1813 Bolívar retornou triunfante a Caracas e em 1814 ele ajudou a criar a República da Nova Granada. Entretanto esta última não durou muito, pois no final do mesmo ano Bolívar foi derrotado pelas tropas realistas lideradas por José Tomás Boves. Entre 1813 e 1817 A Venezuela estava caótica e repartida entre facções de diversos caudilhos, o que dificultou ainda mais as lutas pela independência e a unificação do governo.
Em maio de 1815 Bolívar, que na ocasião tinha 32 anos de idade, teve que se refugiar em Kingston, na Jamaica Britânica. Foi de Kingston que ele escreveu a sua famosa Carta da Jamaica, datada de seis de setembro de 1815, da qual ficou apenas o rascunho em inglês, preservado no Arquivo Nacional de Bogotá. Embora na linha de saudação não constasse o nome do destinatário, supõe-se o mesmo era Henry Cullen, um súdito britânico residente em Falmouth, perto da Baía de Montego, na costa norte da Jamaica.
Na sua Carta da Jamaica Bolívar afirmou ter ciência de que o governo Britânico, por ser inimigo da Espanha e o principal denunciador das atrocidades cometidas pelos conquistadores contra os povos indígenas, era favorável ao movimento de libertação da América hispânica. Explicou que apesar das lideranças terem criado juntas populares para estabelecer as regras para a convocação dos congressos representativos, a revolução foi precipitada devido à ameaça de anarquia e a falta de um governo legítimo, justo e liberal, e que isso teria sido a causa dos inúmeros problemas da causa revolucionária. Empregando metáforas fortes, Bolívar queixa-se da 'omissão da Europa perante a política sanguinária e peçonhenta da Espanha para com as suas colônias ultramarinas, a sua discriminação aos nascidos na América no tocante à ocupação de cargos administrativos e à falta de apoio dos irmãos do Norte (os Estados Unidos). Outra queixa de Bolívar foi a hipocrisia da Europa ao taxar de crime o ato de Bonaparte contra os reis de Espanha enquanto ignoraram as atrocidades que os conquistadores praticaram contra Montezuma e Atahualpa, o primeiro monarca do após e o segundo imperador Inca do Peru.
Segundo a maioria dos historiadores, a guerra de independência das províncias hispânicas do norte começou de fato apenas em 1817. Boves faleceu e seu exército ficou acéfalo. Oito meses após a morte de Boves o exército dos patriotas foi refeito e contou com o apoio de muitos que antes participaram do exército de Boves, sob o comando de Bolívar. Bolívar se dirigiu para a região montanhosa de Ocumade del Tuy para posicionar-se melhor na tentativa de tomada de Caracas. Entretanto, foi derrotado e retirou-se por três meses da luta.
No sul do continente a luta pela independência das Províncias Unidas do Rio da Prata havia reiniciado em 1817, quando o general José de San Martín derrotou os espanhóis na batalha de Chavabuco após ter atravessado os Andes, resultando no estabelecimento da República do Chile.
A declaração de independência do México deu-se primeiramente em 16 de setembro de 1810, no vilarejo de Dolores, quando os conspiradores liderados pelo Padre Miguel Hidalgo, mandaram repicar dos sinos da igreja, num evento que passou a ser conhecido como o 'Grito de Dolores'. Um exército foi por eles improvisado na jornada para a capital, mas no seu retorno foram capturados e o padre Hidalgo executado. A liderança da revolta foi assumida por outro padre, José María Morelos, mas apesar do mesmo ter experiência militar e de já ter vencido diversas batalhas, Morelos foi capturado e executado em 1815. Os novos líderes do movimento pela independência, Vicente Guerrero e Guadalupe Victoria, já com seus exércitos, lutaram no centro sul e no sul do México. Embora em 1820 a Espanha tivesse conseguido reorganizar os seus exércitos para tentar sufocar as rebeliões, a causa realista foi perdida quando o general Agustín de Iturbide, que estava à frente do exército maior, passou para o lado dos revolucionários. A Espanha reconheceu formalmente a Independência do México em 24 de agosto de 1821.
Não há como ignorar o fato de que a independência da América Latina foi feita por um punhado de homens corajosos e determinados. Seguem abaixo as biografias resumidas desses heróis que hoje chamamos de 'libertadores'.
Francisco de Miranda y Rodriguez (1750-1816), conhecido simplesmente como Miranda, foi o precursor da independência da América hispânica e mentor intelectual dos libertadores. Miranda é também apontado como o principal disseminador da Maçonaria na América Latina, da qual ele se posicionou para unir os líderes revolucionários em torno da causa da independência.
Nascido de uma abastada família de comerciantes provenientes das Canárias, o desejo do jovem Miranda era fazer uma carreira militar. Julgando que teria melhores chances na Espanha mudou-se para lá aos vinte e um anos de idade. Na Espanha ele continuou a sua educação procurando se familiarizar com os grandes escritores da época. Após ter se alistado no exército espanhol em 1771 ele serviu como capitão no Regimento de Infantaria. A sua primeira missão foi a defesa de Melilla, território espanhol ao norte da África, lutando contra o sultão do Marrocos. Entre 1773 e 1775 ele serviu em Madrid, Argel, Granada e Cádiz. Em abril de 1780 ele foi para Havana onde foi nomeado capitão do Exército de Aragão e segundo ajudante de campo do General Juan Manuel de Cajigal y Montserrat. Sob o comando de Cajigal, Miranda participou da tomada de Pensacola, no oeste da Flórida, que havia sido ocupada pelos ingleses. Após a vitória dos espanhóis ele foi promovido por bravura a tenente-coronel. O General Cajigal enviou-o para a colônia britânica da Jamaica, para uma missão de troca de prisioneiros. Em 1782 Miranda participou da expedição de conquista colônia britânica Las Bahamas de onde ele conduziu a negociação de rendição dos ingleses.
Miranda foi acusado pela Inquisição de posse de livros e quadros proibidos. Pouco depois ele foi preso por ter permitido a visita do General Campbell a Cuba, embora conseguisse ser solto com a ajuda do General Cajigal. Em 1783 ele foi obrigado a fugir da pátria pela qual havia lutado durante tantos anos, chegando aos Estados Unidos no dia 10 de julho. Lá ele teria tomado conhecimento do processo da revolução de independência e conheceu importantes personagens como George Washington, Alexander Hamilton, Henry Knox, Thomas Jefferson, Samuel Adams, Gilbert de la Lafayette e Thomas Paine. Nos Estados Unidos ele também conheceu Juan Bolívar, o pai de Simão (Simón) Bolívar, e outros refugiados de Caracas.
Em 1784 Miranda partiu para a Inglaterra e fez de Londres a sua base, de onde se empenhou em aprender latim, grego e outras línguas, antes de iniciar uma viagem de aprendizado pela Europa, Ásia Menor e Egito. Na Inglaterra ele conheceu o Primeiro Ministro William Pitt, e procurou convencê-lo a apoiar a causa da independência das nações hispânicas na América. Durante a sua turnê Miranda fez amizades com vários notáveis. Há relatos não documentados de que ele teria usado o pseudônimo de 'Meeroff' durante uma turnê pela Holanda, Bélgica, Alemanha e Suíça. Em setembro de 1788 ele fez duas viagens a Marselha, França, lá retornando em fevereiro de 1789 quando participou da redação do primeiro documento de direitos humanos, juntamente com Thomas Payne e outros.
Em 1791 Miranda participou da Revolução Francesa e travou amizade com indivíduos pertencentes à facção moderada dos Girondinos, que se opunha à facção radical dos Jacobinos. Em 23 de março de 1792, Miranda mudou-se para a França quando esta se encontrava em plena revolução. Lá Miranda estabeleceu relações com o prefeito de Paris Jerome Petion. Embora tivesse até sido nomeado general da República Francesa, em 1793, depois que os jacobinos ganharam o poder e Robespierre implantou o seu Regime do Terror, Miranda foi preso acusado de conspirar contra a república, mas depois foi inocentado pelo Tribunal Revolucionário. Entretanto Miranda foi novamente preso e permaneceu na prisão La Force mesmo depois da queda de Robespierre. Tendo sido solto no ano seguinte Miranda ainda permaneceu na França por algum tempo antes de retornar à Inglaterra em 1798.
Em 1805 ele segue para os Estados Unidos, onde esteve com o Presidente Jefferson e o seu Secretário de Estado James Madison. Contando com a ajuda britânica em 1806 Miranda liderou a primeira tentativa de libertar o seu país do jugo espanhol, mas tendo fracassado ele fugiu e se refugiou no Haiti. Lá ele tentou organizar o movimento de independência, mas frustrado com a indiferença dos caribenhos, em 1807 ele retornou aos Estados Unidos. De lá seguiu de volta para a Inglaterra, onde se ocupou escrevendo artigos para uma revista. Durante sua última fase em Londres Miranda promoveu reuniões com outros líderes revolucionários de toda a América.
Miranda retornou a Caracas em 10 de dezembro de 1810, sendo recebido calorosamente pela população ao desembarcar em La Guaira. Pouco depois ele foi nomeado Tenente Geral dos Exércitos da Venezuela e logo em seguida Promotor da Sociedade Patriótica. Em 1811 participou da Assembleia Constituinte da primeira república. Entretanto, após ter sido derrotado pelas tropas realistas de José Tomás Boves, Miranda foi preso e mandado para a Espanha, onde morreu na prisão de La Carraca em 24 de julho de 1816. Miranda é reconhecido não só como um herói da independência da América Latina mas também como um dos pioneiros da luta por direitos humanos. Seu nome encontra-se gravado junto ao de outros revolucionários no Arco do Triunfo, em Paris, e uma estátua sua foi colocada na Fitzroy Street, em Londres.
Simão (Simón) Bolívar, o Libertador, cujo nome de nascimento é Simón Antonio de La Santíssima Trindade Bolívar y Ponte Palácios y Blanco, nasceu em 1783 numa abastada e tradicional família venezuelana. Aos dois anos e meio ele perdeu o pai e sua mãe morreu antes que tivesse completado nove anos. Ele ficou sob a tutela do avô, sendo cuidado pelos tios maternos e pela ama Hipólita. Teve uma educação esperada fornecida pelos melhores tutores de Caracas. Dono de um temperamento sensível, porém rebelde, ele vivia às turras com os seus professores. Desses últimos destacou-se Don Simón Rodriguez, por ter inculcado no jovem as ideias de liberdade e de direitos humanos, difundidas pelo Iluminismo.
Quando tinha apenas dezessete anos de idade, o avô de Bolívar faleceu e Bolívar mudou- se para Madrid para completar seus estudos. Entretanto, o jovem se apaixonou pela jovem espanhola Maria Teresa Rodríguez del Toro y Alaysa, com a qual se casou em 1802, aos dezenove anos de idade. O casal mudou-se para Caracas e poucos meses depois Maria Teresa faleceu após ter contraído febre amarela. Em 1804 o jovem viúvo decidiu retornar à Europa, fixando-se desta vez em Paris, onde após um período inicial de farras ele aceitou os conselhos de um antigo mestre e passou a ler as obras dos autores importantes da época como Montesquieu, Rousseau, Voltaire e os enciclopedistas. Sob a influência desses autores Bolívar passou a nutrir uma grande aversão à Espanha e ao domínio espanhol, enquanto aumentava a sua admiração por Napoleão Bonaparte, recentemente coroado rei da Lombardia. Em 1805, durante uma visita à Itália, Bolívar fez seu famoso "Juramento do Monte Sacro", em Roma, quando jurou que não descansaria enquanto não cortasse as cadeias do jugo espanhol.
Na Europa Bolívar pôde testemunhar os primeiros anos da república francesa e a ascensão de Napoleão ao poder. Em 1805, em Paris, Bolívar se afiliou à Loja maçônica San Alejandro de Escócia, mas deixou a mesma no ano seguinte. Sobre a ligação de Bolívar com a Maçonaria, há também narrativas espúrias de Bolívar teria se afiliado à loja maçônica de Cádiz denominada Sociedad de los Caballeros Racionales de Lauraro, onde se agremiava os partidários da independência.
Um episódio ainda obscuro na biografia de Bolívar é seu envolvimento com o general patriota Manuel Piar e que culminou com a execução deste último a mando de Bolívar. Segundo consta a historiografia, em 1817 quando as forças espanholas se aproximaram das tropas de Bolívar este último requisitou reforços a Piar, que recusou ajudá-lo. Embora Bolívar tivesse sobrevivido, o episódio fez com que este perdesse a confiança em Piar. Sob o pretexto de que Piar viesse a desencadear uma guerra civil, no fim de março Bolívar se dirigiu para o sítio onde Piar se encontrava, próximo da cidade de Angostura, na Província da Guiana, tirou-o do comando e pôs-se à frente do seu exército. Pilar conseguiu fugir de Angostura em 25 de julho, mas em 16 de outubro foi capturado e depois fuzilado por traição e deserção, possivelmente por ordem do próprio Bolívar. O fato de Piar ser mestiço - ele era filho de uma negra e um marinheiro espanhol - levantou a questão de Bolívar teria agido por motivo racista. Entretanto, consta na historiografia que Piar havia se tornado um desafeto de Bolívar quando em 1814, Piar mandou prendê-lo, na ocasião em que se refugiou na ilha de Santa Margarita, controlada por Piar. Embora Piar logo tenha reconhecido o engano, Bolívar não esqueceu a afronta.
Enquanto em Angostura, atualmente chamada Cidade Bolívar, Bolívar escreveu seu mais famoso texto, o Discurso de Angostura, expondo o seu plano político e o seu desejo de criar no continente Americano uma grande e livre nação unida pela mesma língua. Ele também explica os motivos pelos quais não julgava viável nem uma grande república e nem uma monarquia universal, preferindo um meio termo entre tais extremos, que a seu ver só levariam à infelicidade e à desonra. Tendo se pronunciado a favor da democracia e contra a escravidão Bolívar expôs os motivos pelos quais ele não julgava possível um modelo único de governo para todas as nações: cada qual deveria adotar o sistema de governo que julgasse mais adequado. E para a sua própria pátria, que se chamaria Gran Colômbia, ele revelou a sua preferência por uma monarquia constitucional nos moldes daquela da Inglaterra:
'E quando nos tornarmos fortes sob os auspícios de uma nação liberal capaz de nos dar proteção, verão que somos capazes de cultivar as virtudes e os talentos que conduzem à glória; aí então prosseguiremos na majestosa marcha para as grandes prosperidades a que a América meridional está destinada; aí então as ciências e as artes que nasceram no Oriente e que ornaram a Europa, voarão para a Colômbia livre que as convidarão oferecendo abrigo.'
Após ter dado mostra de poder na execução do General Piar, Bolívar conseguiu a adesão de outras duas milícias, a de Santiago Marino e a de José Antonio Páez. Em 1819 Bolívar encontrava-se encurralado nos Andes do oeste venezuelano. Ao perceber que estava a menos de 300 milhas de Bogotá, ele partiu para a captura da mesma, liderando seus 2.400 homens através do estreito Páramo de Pisba nos Andes, muitos dos quais pereceram na travessia.
Bolívar conseguiu finalmente libertar as províncias do norte, após ter vencido a batalha de Carabobo em 24 de Junho de 1821. Seu próximo passo foi enviar tropas para o sul, sob o comando do General Antonio José de Sucre, que libertou o Equador. Mais tarde Bolívar partiu para se reunir às tropas de Sucre. Após encontrar-se com José de San Martín, decidiu-se que Bolívar se encarregaria da libertação do Peru, o último território realista do continente. O Peru havia se declarado independente em 1821, mas a verdadeira libertação só veio depois que Bolívar e Sucre venceram a batalha de Junín, em seis de agosto de 1824 e a batalha de Ayacucho em nove de agosto. Um ano depois, em agosto de 1925 Bolívar foi confirmado como presidente do Peru.
Com Bolívar ausente em novas investidas militares, as lideranças regionais tomaram proveito da situação para se fortalecerem, o que fez com que a nova República da Gran Colômbia começasse a desmoronar. Na Venezuela a situação já era delicada com as ameaças de ruptura por parte de José Antonio Páez, mas a profundidade da ruptura entre as províncias já não era reparável.
Para controlar a situação Bolívar acabou tomando o poder à força e passou a governar como ditador, alegando caráter excepcional e temporário para salvar a república. Na Nova Granada houve muitos protestos públicos contra Bolívar, organizados por uma campanha contraria que Bolívar atribuiu ao Vice-Presidente Santander. Bolívar foi vilificado perante a população, quando um boneco representativo do mesmo foi queimado em praça pública. Em 25 de setembro de 1828 Bolívar sofreu um atentado que ele também atribuiu a Santander, tendo escapado do mesmo pela intervenção da sua amante Manuela Saenz, à qual Bolívar costumava se referir como 'a libertadora do libertador'.
Em 1829, uma assembleia popular reunida em Valência decidiu pela separação entre a Venezuela e a República da Colômbia. Ignorando a autoridade de Bolívar a assembleia nomeou Paez como chefe supremo do novo país separado. Bolívar renunciou e decidiu afastar-se da vida pública. Uma nova assembleia constituinte foi formada em 36 de maio de 1830.
Após sua renúncia em 1829 Bolívar foi morar na costa. Entretanto, ao receber a notícia do assassinato do seu amigo, o General Sucre, ele ficou muito abalado e até cogitou partir para a Europa. O estado de saúde de Bolívar não era muito bom. Bolívar sofria dores de cabeça, falta de ar, febres e perdas de consciência, e mostrava sinais de que havia ainda contraído tuberculose. A amargura de Bolívar agravou o seu estado de saúde e ele veio a falecer pouco depois, em 17 de dezembro de 1830 em San Pedro Alejandrino, próximo a Santa Martha. Passou-se um bom tempo até que a imagem de Bolívar foi restaurada e ele passou a ser reverenciado como o grande herói da América do Sul.
José de San Martín (1778-1850), o libertador da Argentina, Chile e Peru, nasceu em Yapeyú, atualmente San Martín, Corrientes, mas aos oito anos de idade ele mudou-se com seus pais para a Espanha. Em 1789, quando tinha apenas treze anos de idade ele entrou para a carreira militar, alistando-se no regimento de Murça. Ele participou da luta contra a ocupação francesa, que havia prendido o rei Fernando VII e colocado no seu lugar José Bonaparte, irmão de Napoleão. Numa outra missão ele lutou sob o comando do general inglês Beresford. Após a vitória na batalha de Baylen, em 19 de julho de 1808, a Andalúcia recuperou Madrid e San Martín foi condecorado com uma medalha de ouro e logo depois foi promovido a tenente-coronel. Embora não seja conhecida nenhuma evidência concreta a esse respeito, há relatos de que através de Bereford, San Martín veio a conhecer o nobre escocês Lorde Macduff, que o introduziu à loja maçônica La Gran Reunion Americana, de Londres, supostamente fundada por Miranda. San Martín teve uma passagem por Londres quando ele encontrou com Miranda e outros futuros libertadores. Quando San Martín retornou a Buenos Aires em janeiro de 1812, na fragata inglesa George Canning, as lutas pela independência já haviam começado nas províncias do sul. San Martín prontamente colocou-se a serviço dos revolucionários.
San Martín, juntamente com Carlos Maria de Avelar, criaram em Buenos Aires a loja maçônica nos moldes da loja de Cádiz, Ordem dos Cavalheiros Racionais de Lautaro. Há também especulações de que a loja de Cádiz e a Gran Reunión Americana, de Londres, supostamente fundada por Miranda, era uma só. Segundo Jasper Ridley, o autor do livro The Freemasons (1999), não existe evidência confiável que a Gran Reunión Americana, de Londres, se tratasse de uma loja maçônica oficial. A loja maçônica de Buenos Aires acabou servindo de modelo para diversas lojas 'Lautarinas' que se espalharam pelas Américas do Sul e Central.
Bernardo Riquelme O'Higgins (1778-1842) era filho ilegítimo de Ambrose Bernard O'Higgins, um engenheiro irlandês que servia a coroa espanhola e que chegou a galgar o posto de vice-rei do Peru, e Isabel Riquelme, filha de uma proeminente família chilena. Seus pais não se casaram devido à necessidade de aprovação da coroa para casamentos entre servidores da coroa e pessoas nascidas na província. O'Higgins recebeu uma esmerada educação no Chile, no Peru e mais tarde na Inglaterra, onde ele freqüentou durante três anos uma escola liberal baseada em Richmond. Em Londres ele conheceu Miranda, em cujo círculo ele absorveu o ideário político e revolucionário.
Depois de passar diversos anos na Inglaterra, O'Higgins mudou-se para a Cádiz, na Espanha, onde conheceu José de San Martín. Há narrativas não comprovadas de que tanto O'Higgins quanto San Martín e outros futuros libertadores teriam pertencido à loja maçônica de Cádiz, denominada Sociedad de los Caballeros Racionalles de Lautaro. O que parece mais certo é que havia sim tal loja maçônica e que a mesma teria servido de modelo para a loja de Buenos Aires, fundada por San Martín e Carlos Maria de Avelar, e denominada Ordem dos Cavalheiros Racionais de Lautaro.
Em 1800 O'Higgins embarcou de volta ao Chile, mas teve que retornar a Cádiz após seu navio ter sido interceptado por navios ingleses, que lutavam contra os franceses e os espanhóis. Em 1802 ele finalmente retornou ao Chile onde se iniciou na vida pública. Quando o governo da Espanha foi tomado por Napoleão Bonaparte, O'Higgins juntou-se aos líderes rebeldes que em 18 de setembro de 1810 haviam declarado a independência do Chile. O'Higgins usou a sua herança para formar duas milícias armadas para enfrentar a crescente oposição dos realistas e assim pode colaborar com o líder Juan Martinez de Rozas. Após ter comandado as suas tropas sob as instruções do Coronel Juan MacKenna, ele foi bem sucedido na batalha Sorpresa del Roble, contra os realistas. Na ocasião ele ficou conhecido pelas suas exortações aos soldados: 'Ou viver com honra ou morrer com glória!' e 'Aquele que for valente que me siga!' Em 1813, O'Higgins foi nomeado comandante-em-chefe do exército. A sua campanha foi bem sucedida até meados do ano seguinte, quando ele sofreu diversas derrotas e foi substituído no posto de comandante- em-chefe.
O'Higgins retirou-se com seus homens para a Argentina, atravessando os Andes, e lá ele lutou ao lado do General José de San Martín. Em 1817 O'Higgins e San Martín ganharam a independência do Chile após vencerem a batalha final de Chacabouco, após a qual O'Higgins foi designado Diretor Supremo do Chile. Nos anos seguintes O'Higgins continuou a luta para expulsar os espanhóis do Chile. Apesar de considerar-se um liberal, O'Higgins viu-se obrigado a tomar medidas autocráticas e isso acabou gerando descontentamento com o seu governo. Ao perceber que as suas duas opções eram seguir como ditador ou renunciar ele preferiu renunciar e exilar-se no Peru.
No Peru, O'Higgins tornou-se amigo de Simão Bolívar, e, em 1824, foi nomeado General de Exército da Grand Colombia, lutando sob as ordens de Bolívar. Devido à sua prolongada ausência do Chile e também por ter sido acusado de conspiração em 1826, O'Higgins recebeu baixa sem vencimentos do exército do Chile. Na ocasião ele tinha ido morar nas fazendas de Montalvan e Cuya, que havia recebido do governo peruano em pagamento pelos seus serviços. Em seis de outubro de 1842 o Congresso Chileno reverteu a decisão, decidindo que O'Higgins tinha sim o direito de receber sua pensão militar mesmo residindo no estrangeiro. Entretanto, a decisão veio tarde demais para O'Higgins, que faleceu poucos dias depois.
Antonio José de Sucre (1795-1830) nasceu em Sierra de Berruecos, atualmente Cumabá, Venezuela, numa tradicional família de militares a serviço da coroa espanhola. Seu pai, o tenente-coronel Vicente Sucre y Urbaneja, apoiou a causa da independência desde o início. Aos quinze anos ele se alistou no exército patriota como alferes de engenheiros, sendo promovido a tenente durante a campanha de 1812, sob o comando do General Miranda. No final de 1815 Sucre participou da defesa de Cartagena das Índias e passou a integrar as tropas que combatiam na Guiana e no baixo Orinoco. Em 1818, já no posto de general de brigada, ele foi para Angostura, onde Simão Bolívar havia instalado o seu quartel-general e de onde organizava a nova República, e ganhou a amizade do Libertador.
Em 1821 Sucre chefiou um exército de apoio a Guayaquil, nas proximidades de onde estavam as tropas do general San Martín. Ele participou da campanha de libertação do Equador, cujo sucesso consolidou a independência da Gran Colômbia, partindo a seguir para juntar-se à campanha pela libertação do Peru. Com a renúncia de San Martín, Sucre comandou o exército que entrou em Lima em 1823, precedendo Bolívar. Ele também participou da batalha de Junín, de nove de dezembro de 1824, cuja vitória significou o fim do domínio espanhol no continente sul-americano. Tendo sido nomeado grande marechal e general chefe dos exércitos, Sucre marchou com os mesmos para o Alto Peru, onde proclamou a independência da Bolívia, assim chamada em homenagem a Bolívar, a quem encarregou de elaborar a Constituição. Apesar de ter sido nomeado presidente vitalício pela assembleia local, em 1828 ele renunciou devido às pressões dos peruanos que se opunham à independência da Bolívia.
Mesmo depois de ter se mudado para o Equador com a sua família, Sucre foi prestar ajuda à Colômbia, que havia sido invadida pelo caudilho peruano José de la Mar, derrotando-o em Portete de Tarqui. Para assinar o Tratado de Piura, ele seguiu para Bogotá, como delegado do Equador no congresso ali reunido, num momento em que a Gran Colômbia já se encontrava no processo de desintegração. Enquanto participava de uma comissão encarregada de negociar com o general Páez, que defendia a independência da Venezuela, o Equador também se declarou independente da Gran Colômbia. Sucre morreu vítima de uma emboscada na serra de Berruecos, ordenada por José Maria Obando, o chefe militar da província de Pasto.
A Influência da Maçonaria
Existe uma enorme historiografia colocando a sociedade da Maçonaria no centro das guerras de independência das Américas. É um fato não contestado de que todas as grandes transformações sociais que aconteceram nos últimos três séculos contaram com a participação de um significante número de maçons. Quase todos os líderes dos movimentos de libertação da América inglesa, hispânica e portuguesa eram maçons. Laurentino Gomes, em seu livro '1822', publicado em 2010, afirmou que 50 dos 56 nomes que assinaram a declaração de independência dos Estados Unidos eram maçons. A maioria dos libertadores da América hispânica e os principais líderes que lutaram pela independência do Brasil também eram maçons.
Francisco de Miranda, o precursor da independência da América hispânica, fundou em Londres uma sociedade denominada Gran Reunión Americana, onde diversos futuros libertadores teriam se encontrado para discutir assuntos relativos à independência da América hispânica. Entretanto, de acordo com o livro de Jasper Ridley, The Freemasons (Os Maçons), publicado em 1999, não há nenhuma evidência concreta de que a Gran Reunión Americana tratava-se de uma loja maçônica vinculada à Grande Loja da Inglaterra.
Conforme já visto, havia em Cádiz, Espanha, uma loja maçônica denominada Sociedad de los Caballeros Racionalles de Lautaro, assim chamada em homenagem ao cacique que no século dezesseis lutou contra os invasores espanhóis, e da qual participou diversos revolucionários da América hispânica. Entretanto, segundo Ridley, a evidência de que o próprio Bolívar era maçon e afiliado à Sociedad de los Caballeros Racionales de Lautaro, de Cádiz, é circunstancial. Em Cumaná, na Venezuela em 1811 foi criada a loja Perfeita Amizade da qual participaram Bolívar além de diversos patriotas da Colômbia e Venezuela.
No Brasil a Maçonaria começou com a Loja Cavaleiros da Luz, fundada em 1797 em Salvador, e a loja União fundada em 1800 no Rio de Janeiro. A coordenação a nível nacional de todas as lojas brasileiras deu-se em 1822, por iniciativa de duas lojas do Rio de Janeiro, a Comércio e Artes e a União e Tranquilidade, junto com a loja Esperança, de Niterói, as quais passaram a ser subordinadas à loja O Grande Oriente do Brasil, cujos primeiros mandatários foram José Bonifácio de Andrada e Silva, Joaquim Gonçalves Ledo, e por um breve período, o próprio Imperador Dom Pedro I.
Segundo Gomes, apesar da grande influência que a Maçonaria exerceu na independência do Brasil, havia disputas políticas entre grupos pertencentes à mesma loja maçônica (Comércio e Artes), as quais chegaram a dificultar consolidação da monarquia constitucionalista instituída após 1822. A participação de Dom Pedro I como líder da Grande Oriente do Brasil durou pouco pois esta foi suspensa devido às disputas políticas. O livro de Gomes traz mais informações pormenorizadas sobre a Maçonaria na Independência do Brasil.
Embora a historiografia da Maçonaria na América Latina faça referências à loja maçônica La Gran Reunión Americana, que teria sido fundada em 1797 por Francisco de Miranda y Rodriguez (1750-1816), na Fritzroy Square, perto de Piccadilly Circus, em Londres, e subordinada a Grande Loja de Londres, em seu livro 'The Freemasons' publicado em 1999, Jasper Ridley nega a existência de qualquer evidencia concreta sobre tal. Como suporte extra Ridley reitera o caráter não político da Maçonaria inglesa e o fato de que nas Maçonarias americanas e francesas havia membros que eram tanto a favor quanto contra as revoluções de libertação nesses países.
Embora não se possa negar que a Maçonaria teve sim um importante papel na independência tanto da América hispânica quanto do Brasil, o seu papel foi indireto já que não tomava nenhuma decisão de ordem política, além de que uma mesma loja costumava ter partidários revolucionários e não revolucionários. Como se pode esperar, qualquer sociedade unida em torno de uma causa tem uma grande capacidade de persuasão devido à psicologia de grupo. No caso da Maçonaria tal causa era o ideário iluminista sobre liberdades individuais e direitos humanos.
Apesar do engajamento de Bolívar com o ideário Iluminista ser bem evidente nos seus escritos, Bolívar nunca se engajou confortavelmente no seio da Maçonaria da maneira como fizeram os outros libertadores. Numa carta de 21 de outubro de 1825 que Bolívar escreveu ao general Santander, seu desafeto, ele desancou por atacado os membros da Maçonaria chamando-os de malditos e charlatães. Cerca de um mês e treze dias depois do atentado que sofreu em 1828, Bolívar aprovou um decreto proibindo todas as sociedades secretas da Colômbia, incluindo a Maçonaria.
Conclusão
Embora a Maçonaria seja apresentada como uma mola propulsora dos movimentos de libertação nas Américas, tal reputação deve-se ao elevado numero de patriotas revolucionários que eram maçons e não à atuação direta da Maçonaria. A Maçonaria moderna inglesa, que deu origem a todas as demais, era apolítica apesar de ser um veiculo de divulgação das ideias iluministas. Entretanto, não há nenhuma prova de que a Gran Reunión Americana, a sociedade fundada em Londres por Miranda, estivesse ligada oficialmente à Maçonaria inglesa. A Maçonaria teve sim um papel nos movimentos de independência das Américas, mas tal papel foi sempre indireto, e apenas como veículo disseminador das ideias do Iluminismo. Apesar dos altos e baixos nos cenários interno e externo, a história dos primeiros cem anos das novas repúblicas hispânicas mostra um saldo positivo no legado iluminista introduzido pelos libertadores.
Fonte: https://liberdadeeamorcassia.mvu.com.br
quinta-feira, 22 de dezembro de 2022
REAA - CERIMÔNIA DE EXALTAÇÃO E AS SUAS RELAÇÕES COM RITOS SOLARES
Em 11.06.2022 o Respeitável Irmão Cloviton Henrique Pereira Ozório, Loja União da Estrelas, REAA, GOMG, Oriente Conselheiro Lafaiete, Estado de Minas Gerais, solicita o seguinte:
EXALTAÇÃO E AS RELAÇÕES SOLARES
Primeiramente, parabenizo-o pelo trabalho que realiza no GOB, sendo eu um assíduo seguidor do irmão nas redes sociais e palestras on-line.
Gostaria, por gentileza, que o irmão estabelecesse a relação da exaltação ao grau de mestre e o desenvolvimento da cerimônia, desde a decoração, bateria do grau, número de velas acesas, a marcha dos irmãos e seu quantitativo à procura do mestre H∴, etc., com os ritos solares da antiguidade.
CONSIDERAÇÕES:
Em síntese, o REAA é um rito iniciático de conotação solar. Assim, a jornada do Iniciado é baseada na aparente revolução anual do Sol, ou seja, utiliza esse movimento ilusório para desenvolver uma liturgia que associa o homem iniciado a essa mecânica astronômica solar.
Um referencial desse conceito pode ser observado pela presença das Colunas Zodiacais no templo que, em primeira análise, servem para marcar a senda do Aprendiz, do Companheiro e do Mestre respectivamente, comparando cada um desses estágios iniciáticos aos ciclos da natureza, largamente conhecidos como as estações do ano, iniciadas a partir de 21 de março, equinócio de primavera na meia-esfera Norte da Terra.
Tomando essa alegoria solar e fazendo essa analogia com os graus do simbolismo maçônico, no REAA o Aprendiz associa-se à infância e adolescência, o Companheiro à juventude e o Mestre à maturidade da vida.
Enfim, essa jornada solar menciona o Iniciado representando a vida, a morte e a ressurreição da Natureza. A bem da verdade, é visível que essa conjuntura de aprimoramento foi baseada nos Cultos Solares da Antiguidade.
No que diz respeito propriamente dito à cerimônia de Exaltação no REAA, a sua liturgia representa a transição do Mestre ao efetuar sua passagem (transição) do Ocidente para o Oriente. Em síntese é o alcance da plenitude maçônica através da Grande Iniciação – o encontro da Pal∴ perdida que significa a transição do material para o espiritual (vai o homem, fica a sua obra).
Em se comparando com ciclo natural do inverno - ciclo que simboliza a idade senil - o Mestre Maçom representa a meia-noite, ou o final da jornada e a sua preparação para uma nova etapa, no caso, como o renascimento da Natureza que certamente ocorrerá na primavera que se avizinha.
No contexto esotérico, os três meses que compõem o inverno, cuja característica é ter dias mais curtos e noites mais longas, aludem à prevalência das trevas, o domínio da escuridão (ignorância). É, portanto o período do ano que no Hemisfério Norte a Terra fica viúva do Sol.
Debaixo desse ambiente alegórico é que foi arquitetada a cerimônia de Exaltação a Mestre Maçom no REAA.
Em primeira análise, a Exaltação do Mestre iniciaticamente representa a sua passagem, ou seu renascimento no Oriente, destacando nesse pormenor que o quadrante oriental é o lugar da Luz. Figuradamente é o lugar em que nasce a Luz.
No tocante à decoração enlutada como característica da Câmara do Meio, ela se reporta à Natureza que morre no inverno, enquanto que a Lux in Tenebris, presente pendente do teto, alerta para o breve retorno da Luz na primavera que se avizinha (morre o homem, mas fé permanece para os pósteros).
No período hibernal a Terra, agora inerte na sua profundeza, aguarda nova fecundação pelo fogo logo a partir da primavera. Em linhas gerais isso está contido na máxima hermética “I. N. R. I.”, Igne Natura Renovatur Íntegra (o fogo renova a Natureza inteira) – o Sol fecundando a Terra e a Natureza se renovando. Iniciaticamente é a purificação pelo elemento fogo.
Graças a isso é que no cenário iniciático da Lenda do 3º Grau, o personagem lendário H∴ A∴ é a representação do Sol, enquanto que os doze CComp∴representam meses que compões do ano a partir da primavera. Assim, as nove luzes litúrgicas acesas em Câmara do Meio simulam nove, dos doze meses do ano. Os três meses faltantes se referem ao inverno, coclo em que a Terra fica viúva do Sol no Hemisfério Norte.
No contexto ritualístico da marcha do M∴ M∴, os passos imitam o deslocamento aparente do Sol na sua eclíptica. O seu afastamento máximo do Equador para o Sul e para o Norte marcam os períodos solsticiais tanto o do ápice da luz, assim como do ápice das sombras. Toda a simulação solar representa pelos passos do Mestre ocorrem sonre o quadrângulo mosaico entre duas balizas, a do solstício de inverno e a do solstício de verão, destacando que essa referência astronômica está harmonicamente conjugada ao hemisfério setentrional da Terra porque o REAA com a sua doutrina iniciática nasceu nas latitudes setentrionais.
Graças a essa relação solar é que na Lenda do 3º Grau os três rruf∴, ou os três mm∴ CComp∴, simbolizam o inverno, ciclo da Natureza em que as sombras prevalecem pela morte simbólica do Sol.
A procura dos despojos do M∴ H∴ A∴, representada pelas perambulações em torno da sep∴ simb∴ que descansa ao centro sobre o quadrângulo mosaico, simbolizam à revolução anual do Sol.
É nesse cenário que, dentre as três perambulações mencionadas na Lenda, na segunda delas nove MM∴ saem à procura dos ddesp∴ de H∴ A∴. Esses nove MM∴ simbolizam exatamente os nove meses correspondentes à primavera, ao verão e ao outono respectivamente.
O cenário teatral e místico da L∴ de H∴ A∴ é a Loja de Mestre, enquanto que o quadrângulo mosaico (a Terra) é onde um ramo de Ac∴ indica o lugar em que se encontra a chave para se desvendar o enigma do Mestre.
A título de esclarecimento, vale comentar que quadrângulo mosaico é o termo apropriado para o pavimento mosaico em Câmara do Meio.
Eis aí um breve sumário do significado da Grande Iniciação (Exaltação) no REAA. Obviamente que revelar detalhes precisos dessa emblemática alegoria iniciática não seria prudente, sobretudo em nome de se preservar o sigilo que essa prática merece.
Ao concluir, vale dizer que não raras vezes a verdade está tão próxima de nós que o seu brilho intenso acaba por ofuscar a nossa visão. Assim, a a∴ m∴ é c∴.
T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br
O LUGAR DO APREDIZ
Rui Bandeira
O local onde uma Loja maçónica se reúne é pelos maçons designado de Templo. Dentro do Templo, e no decorrer de uma reunião de Loja, tudo existe segundo uma ordem determinada e todos têm assento em locais definidos. O sentido de ordem, a segurança que psicologicamente é transmitida a quem se encontra num local ordenado, onde tudo e todos estão no seu lugar, ajudam à criação de uma atmosfera de confiança, descontracção e concentração que é preciosa, quer para o bom desenrolar da sessão, quer para o conforto de todos, quer para a predisposição para atender aos assuntos do espírito, deixando-se efectivamente os metais à porta do Templo.
Como todos os outros obreiros, o Aprendiz tem o seu lugar determinado. Ou, melhor dizendo, uma zona da sala destinada a que ele ali se coloque e assista a tudo o que se passa. Esse lugar, essa zona, situa-se nas cadeiras traseiras do lado Norte da sala.
O lado Norte aqui em causa é, como quase tudo em Maçonaria, simbólico. Pode, portanto, corresponder ou não ao Norte geográfico. Normalmente, as salas onde decorrem as reuniões de Lojas têm a forma rectangular, com a entrada colocada num dos lados mais pequenos. E quando não tem essa forma, utilizam-se os adereços necessários para que o local onde decorre a reunião tenha essa disposição. O lado onde se situa a entrada é, por convenção, designado de Ocidente. Logo, o lado oposto, onde se coloca a Cadeira de Salomão, é o Oriente. A generalidade dos obreiros toma assento nos lados direito e esquerdo da entrada. Convencionado que está que a entrada se situa no Ocidente, o lado direito de quem entra é, portanto, o Sul e o lado esquerdo de quem entra é o Norte.
Portanto, o Aprendiz toma assento na segunda fila do lado esquerdo de quem entra. Como sempre, esta disposição tem um significado simbólico. Para ser entendido, há que ter presente que a Maçonaria nasceu no hemisfério Norte. Neste hemisfério, o que está situado a Norte é menos ensolarado, menos iluminado. Em termos de Maçonaria, o Aprendiz ainda está na fase de transição da vida profana para a vivência maçónica. Está em processo de aprendizagem dos símbolos, dos princípios, da vivência, da Maçonaria. Está no início do percurso que todos os maçons procuram fazer, do seu aperfeiçoamento, da busca do Conhecimento do significado da Vida e da Morte, da Criação, do Universo, do Material e do Imaterial. Está, como os maçons dizem, no início do caminho para a Luz. O Sol nasce a Oriente. Simbolicamente a Luz que o maçon busca encontra-se a Oriente. Daí que seja no lado que simboliza o Oriente que se encontra a Cadeira de Salomão, onde toma assento o Venerável Mestre, que conduz a Loja e os seus Obreiros na busca, individual e colectiva, do aperfeiçoamento e do Conhecimento, na busca da Luz. O Conhecimento, para quem não está preparado, pode ser nefasto, pode ser incompreendido ou mal compreendido e, logo, recusado, afastado, distorcido. Portanto, o acesso à Luz deve ser gradual, em função da capacidade, da preparação, do Caminhante. Consequentemente, aquele que está ainda menos preparado, aquele que está ainda na fase inicial da sua Jornada, deve ser protegido do excesso de Luz, para que nele se não torne nefasto o que deve ser benfazejo. Assim, deve tomar assento na zona mais protegida da Luz, ou seja, no Norte.
Quanto ao facto de tomar assento nas cadeiras traseiras, e não na primeira fila, tal deve-se, quer ao facto de, quanto mais ao Norte estiver, mais protegido estar da Luz em excesso, quer, muito mais prosaicamente, ao facto de o Aprendiz ainda ter uma reduzida intervenção nos trabalhos e ser conveniente deixar a primeira fila ser ocupada por quem pode intervir ou necessita de circular pela sala...
Esta regra só tem uma excepção: no dia da Iniciação, finda a respectiva cerimónia, o nóvel Aprendiz toma assento, até ao final da sessão (e só nessa sessão), na primeira fila do Norte. Também por uma razão muito prática: não faz sentido ser colocado mais atrás, porventura obrigando outros obreiros a desviarem-se para lhe dar passagem, para o que resta da sessão. Dá muito mais jeito manter reservado um lugar na primeira fila que, a seu tempo, será então ocupado pelorecém-iniciado. Afinal, depois do turbilhão de emoções que constitui a Iniciação, sabe bem sentar-se pertinho, pertinho, no primeiro lugar disponível e facilmente acessível...
A partir da´sessão seguinte, e durante todo o tempo em que for Aprendiz, tomará, então assento na zona que lhe está destinada, os assentos traseiros do lado Norte. Protegido na sua zona, subtraído a movimentações, o Aprendiz está sossegado, em plenas condições de se concentrar, de tudo observar, de tudo apreender. Em Maçonaria, o Aprendiz é um Homem do Norte...
Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br
quarta-feira, 21 de dezembro de 2022
BATERIA E ACLAMAÇÃO - SAUDAÇÃO SOLAR
Em 10.06.2022 o Respeitável Irmão Lauro Goerll Filho, Loja Luz, Justiça e Caridade, REAA, GOB-PR, Oriente de Paraíso do Norte, Estado do Paraná, apresenta a seguinte questão:
BATERIA E ACLAMAÇÃO
Gostaria de saber porque existe a mudança na Bateria do Grau de Aprendiz (3) para Companheiro (5), e isso não é acompanhado na Aclamação, que permanece com 3.
CONSIDERAÇÕES:
Na verdade, o que deve na ocasião estar de acordo com o grau de trabalho é apenas o sinal e a bateria, exatamente por identificarem o grau em que a Loja está trabalhando.
Já diferente disso, a aclamação tem caráter universal no REAA, isso porque ela é uma das alegorias herdadas da Loja Mãe Geral Escocesa, então criada em 1804 na França para gerenciar a elaboração do primeiro ritual para o simbolismo do REAA. Como influência direta da Loja Mãe, ela então menciona nessa passagem ritualística apenas três aclamações, seja no 1º como no 2º grau, portanto ela não muda como ocorre com a bateria e o sinal.
Explica-se que a aclamação H∴ é originária de uma saudação antiga ao Sol que os árabes, particularmente os Drusos, faziam no solstício de inverno no Hemisfério Norte.
Como o solstício de inverno traz a noite mais longa do ano, eram então acesas fogueiras enquanto acenavam-se ramos floridos de acácia dando boas-vindas ao Sol que iniciava novamente o seu retorno. Mais tarde, com o advento do Islamismo, Maomé viria proibir essa prática.
Nesse sentido, alguns bons tratadistas mencionam que H∴ é uma corruptela da exclamação Uezza, então clamada na oportunidade pelos Drusos.
Levando-se em conta de que o Natal no Hemisfério Norte é comemorado bem próximo ao solstício de inverno que ocorre a 21 de dezembro, vale lembrar que essa saudação ao Sol tem a mesma conotação do Natalis Invicti Solis(Nascimento do Sol Vitorioso, ou Invicto) do Mitraísmo Persa e Romano.
Diante de que o número três em Maçonaria é uma unidade ternária, essa aclamação solar não se diferencia entre os dois graus. Para o misticismo do REAA a aclamação trinaria (H∴ H∴ H∴) é única e permanece igual em ambos os graus em que ela é pronunciada, ou seja, não muda como ocorre com o sinal e com a bateria.
T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br
MINUTO MAÇÔNICO
NOSSAS VIAGENS
1º - Na Inic∴, ao nos fazerem viajar do Oc∴ para o Or∴ e do Or∴ para o Oc∴, recebemos as primeiras instruções.
2º - A princípio por um caminho escabroso no meio de ruídos e de trovões atordoadores, que, fisicamente, representam o caos, que se acredita ter precedido e acompanhado a organização dos mundos.
3º - Depois, por outra estrada menos difícil, ouvindo o tilintar incessante de armas, representando a idade da ambição, os combates que a sociedade é obrigada a sustentar, antes de chegar ao estado de equilíbrio.
4º - Finalmente, em uma Terc∴ Viagem, por caminho plano e suave, envolto no maior silêncio, encontramos maior facilidade, porque ela nos mostra o estado de paz e de tranqüilidade resultante da ordem e da moderação das paixões do Homem, que atinge a idade da maturidade e da reflexão.
5º - Cada uma dessa viagens, termina em uma porta, onde batemos. A primeira e a segunda, no Oc∴ e a terceira no Or∴. Na primeira, mandaram-nos passar; na segunda, fomos purificados pela Água; e, na terceira pelo fogo.
E agora o que estamos fazendo ? ? ?
Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br
LA MASONERÍA MODERNA LIBERAL Y ADOGMÁTICA Y LOS NOVOS TIEMPOS
Víctor Salazar Soto - G∴M∴
Ante todo quiero remitir, un fraternal saludos a todos los RR∴y QQ∴HH∴ Alrededor del mundo, nuestra madre tierra. A los luvetones y amigos de la fraternidad, que hoy nos acompañan. Este día concertaremos en esta reunión de HH∴ Algunos temas, relacionados con el desarrollo de la masonería, y el aporte de la institución, en el bienestar de la sociedad y del mundo que hoy nos toca vivir. Sin olvidarnos de aquellos grandes maestros constructores, que en el camino de su viva, aportaron lo mejor de sí, para contribuir nuestra magna institución, de hombres y mujeres Libres de buenas costumbres, una masonería moderna liberal y adogmática, dejando un camino de ejemplo de viva masónica. Liberta, palabra de alto significado, derecho que el Gran Arquitecto del Universo. Ha otorgado a todos los géneros de vida, y su libre albedrio de vivir su vida, derecho a la Educación, a la salud a la seguridad, a la oportunidad del derecho al trabajo que nos gratifique, para la seguridad y el bienestar de la familia, que el estado debe promover, sin distinción de raza y credo. La responsabilidad de la institución masónica, de mantener, los principios básicos. Libertad Igualdad y Fraternidad. No puede existir una sin la otra, porque todas ellas están entrelazadas formando una cadena. La institución no debe dar para a la soberbia, a la tiranía institucional, porque no es su naturaleza. La masonería es una sola institución donde existe la democracia, los HH∴ no debemos caer el terminologías de los que algunos HH∴ se autodenominan regulares, palabra usada por algunos HH∴ que disocian, que no aporta nada al desarrollo armónico de la igualdad. La masonería es una solo institución. Los masones somos iguales, ante el Gran Arquitecto del Universo, no somos disociadores, somos constructores. Hay HH∴ que se han quedado en ideas del siglo pasado, con ideas anquilosadas. La naturaleza es constante evolución, que es un constante cambio, las ideas y conceptos pasadas son la historia, que nos enseña para no cometer los mismos errores. Damos Paso a la modernidad sin perder los principios de la institución, porque la ley de la vida lo exige así. Son nuevos tiempos, se ha dado el inicio de una nueva era, con sus propias características, una era con grandes de cambios sociales, culturales con una ciencia que constantemente progresa, se avizora un futuro al cual debemos prepararnos para estar en acorde con este nuevo tiempo. La nueva corriente masónica, obedece a los nuevos conceptos de una masonería moderna liberal y adogmática. El gran triunfo de esta masonería adogmática, es el reconocimiento de la incorporación de mujer en las instituciones. El mundo debe cambiar, pero para llevar esta obra debemos aportar lo mejor de cada uno de vosotros, las cosas no se arreglan con tan solo mirar, sino debemos ser protagonista, en el desarrollo de la sociedad y su historia. Sin esperar ser gratificado materialmente, caminemos juntos, desde donde estemos, por un futuro en un mundo mejor. Quizás ven algunos que este mundo está en un caos, pero debemos recordar que después del caos sale la luz, debemos de tratar, que los intereses de cierto grupo de poder económico, no dañen nuestro futuro. No miremos en el atrás inmediato, trabajemos en este presente para salvar el futuro, quizás no para nosotros, pero debemos de dar el gran paso para las siguientes generaciones. Desde la tierra de mí. Decirte que todo está entrelazado en una fuerte cadena fraternal de Libertad Igualdad y Fraternidad el sostenimiento de la sociedad constituida por toda la raza y credos. Gracias un saludos de los Hermanos de la tierra del Sol (Taita Inti) AMA SUA . - No seas ladrón AMA KELLA. No seas mentiroso AMA LLULLA. - No seas ocioso.
Fonte: https://fenix137rls.blogspot.com
terça-feira, 20 de dezembro de 2022
INDUMENTÁRIA DO VENERÁVEL MESTRE - PUNHOS
Em 09.06.2022 o Respeitável Irmão Rubens Batista, Loja Constância, 1147, REAA, GOB, Oriente de Campinas, Estado de São Paulo, apresenta a dúvida seguinte:
PUNHOS DO VENERÁVEL MESTRE
Certa vez, acompanhei o Venerável Mestre de minha Loja em uma visita a uma Loja que trabalha no mesmo rito que a nossa Loja, o REAA e da mesma potência GOB.
O Venerável Mestre foi abordado por um Irmão do quadro que pediu para ele retirar os punhos dos paramentos. O Venerável Mestre questionou o porquê de ter que retirar os punhos. O Irmão respondeu, que só utiliza o punho o Venerável Mestre que vai presidir a sessão!
Está correto este procedimento ou será mais um dos “achismos” que encontramos em alguns procedimentos do REAA?
Se for possível, sua orientação e esclarecimento sobre este assunto.
CONSIDERAÇÕES:
Em se tratando do REAA, quem pediu para que o Venerável Mestre visitante retirasse os punhos agiu de maneira completamente equivocada.
Nas Lojas que praticam o REAA, um Venerável Mestre visitante se apresenta com os paramentos completos, isto é, colar e joia, avental e punhos.
Como visitante ele continua a ser Venerável Mestre para o período em que ele fora eleito na sua Loja. Obviamente que ele apenas se utiliza do 1º malhete na sua Loja, e não na em que ele é um visitante.
Em linhas gerais, os punhos simbolizam o poder de um dirigente no contexto legal do seu mandato e nada tem a ver com uso apenas na sua Loja.
Cabe aqui mencionar que um Venerável Mestre ao concluir o seu mandato passa a ser um ex-Venerável, comumente chamado de Mestre Instalado mais recente. Como Mestre Instalado ele não usa mais punhos, já que estes são privativos de um Venerável Mestre.
Vale alertar que esse não é um costume unânime. Alguns ritos possuem outras particularidades nesse sentido. O Rito de York, por exemplo, geralmente não adota o uso de punhos para o Venerável Mestre fora da Loja onde ele é o titular, mas isso é particularidade do Rito de York e não do REAA. Assim, devemos respeitar as características que cada rito possui.
T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br
O SACRIFÍCIO DOS BODES
Ir∴ João Anatalino - Mogi das Cruzes/SP
(repasse: Ir∴ Marcos A.Bergantini∴)
No dia da consagração do Tabernáculo, Aarão imolou um bode pelos pecados do povo, por que essa era uma tradição antiga que dizia que esse animal possuía características especiais que o faziam ser capaz de catalisar os influxos espirituais do povo. E desde então o bode passou a ser considerado um animal sagrado. (1)
Em muitas culturas ele é o confessor dos pecados do povo e o seu redentor. Para os antigos povos, a figura do bode sempre esteve conectado com questões místicas. Os gregos, por exemplo, o utilizavam na representação dos Mistérios Dionísicos.
Nas cerimônias egípcias de iniciação nos Mistérios de Isis e Osíris, costumava-se também lançar ao Nilo um bode, com os seguintes votos: “se algum mal paira sobre a cabeça desses que estão sendo iniciados, ou sobre a terra do Egito, que ele desapareça com essa oferta.” (2) A cerimônia dos hebreus, sacrificando um bode pelo povo, ou levando-o para o deserto e abandonando-o lá, tinha o mesmo sentido de sacrifício que levava os gregos e os egípcios a essas práticas. Pensava-se que o animal podia ser um catalisador de forças malignas e com a sua destruição, o mal seria também destruído. Com base nessa tradição, alguns povos desenvolveram o costume de “confessar para o bode” os seus pecados, por que, segundo se dizia, ele era um animal confiável, ou seja, não divulgava para ninguém os segredos do confessor.
A identificação do bode com temas luciferinos é uma inspiração da Igreja Católica, que assim fez para desacreditar e estigmatizar antigas tradições, especialmente oriundas da cultura grega, que conectavam esse animal com o Deus Pã, a deidade protetora dos pastores, que era representada por uma figura semelhante a um bode.
Para a Maçonaria o termo “bode” pode assumir vários sentidos.
Ao sacrificar, na iniciação, os vícios da vida profana e assumir o seu compromisso de maçom, o Irmão assume a condição de “bode” do sacrifício. (3)
Por outro lado, o segredo é um dos princípios da boa Maçonaria.
Daí o termo se referir, principalmente, ao indivíduo que sabe guardar segredo, isto é, àquele que mesmo torturado não fala. Essa tradição vem dos tempos da Inquisição, quando a Igreja mandava prender e torturar os praticantes das chamadas heresias.
Diziam os torturadores que tais indivíduos eram como “bodes”. Berravam mas não falavam (4).
Notas
1 - Levítico: 16: 20 a 28.
2 - CF. E. Wallis Budge, op citado, Vol I. Para os antigos egípcios, o bode também representava o signo zodíaco de Capricórnio e era o guardião do portão por onde o iniciado entrava para receber os Divinos Mistérios.
3- Os maçons são chamados de “bodes” por diversas razões. Uma delas é o caráter sagrado que esse animal assumia nos antigos rituais iniciáticos.
4- Diz-se que Napoleão Bonaparte fechou várias Lojas maçônicas em seus domínios e mandou torturar muitos irmãos para que eles denunciassem pretensos conspiradores. Segundo a tradição, os torturadores, ao reportar ao Imperador o resultado de suas torturas, disseram a ele a mesma coisa que os carrascos do Santo Ofício: “Majestade, esses maçons berram como bodes, mas não dizem um único nome”.
Fonte: JBNews - Informativo nº 193 - 08/03/2011
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