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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

DESBASTANDO A MINHA PEDRA BRUTA

Com o malho e o cínzel vou desbastando esta pedra bruta que sou.Uma pedra irregular que almeja a forma cúbica e perfeita.

Somente através desse trabalho poderei alcançar algo mais e melhor, e tornar superior a minha existência.

Sem este desbaste não sou apenas mais que uma simples pedra no meio desta imensa pedreira em que me encontro.

Fonte: pedra-de-buril.blogspot.com

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

ELEMENTOS SOBRE A MARCHA DO APRENDIZ NO REAA

Em 07.08.2022 o Respeitável Irmão José Luiz Horner Silveira, Loja Renovação, 3387, REAA, GOB-SC, Oriente de Florianópolis, Estado de Santa Catarina, apresenta o que segue

MARCHA DO APRENDIZ REAA

Em primeiro lugar parabéns pelo serviço prestado à Maçonaria em geral e ao GOB em particular. Lendo as orientações no Sistema de Orientação Ritualística do GOB, verifiquei que a posição dos pés no momento da composição do sinal de ordem foi alterada, pé esquerdo não mais fica voltado para frente e sim acompanhando as linhas oblíquas do pavimento mosaico.

Com certeza é desconfortável ficar com o tronco torcido para conseguir manter o pé esquerdo voltado para frente durante a composição do sinal.

Mas minha dúvida é em relação a marcha do grau. Acredito que ficará esquisito executar a marcha com os pés nesse sentido.

A marcha deverá ser executada com os pés no sentido das linhas do pavimento mosaico, tipo o andar do Charlie Chaplin? Ou executamos com o pé esquerdo voltado para frente?

CONSIDERAÇÕES:

Inicialmente eu gostaria de comentar que a posição dos pés não foi alterada, mas corrigida, posto que de há muito fazia-se essa composição de modo equivocado, sobretudo porque o pavimento mosaico andou por longo tempo aparecendo no centro do Ocidente na forma de um limitado tabuleiro de xadrez. Isso não pertence ao REAA.

Sem dúvida, essa decoração equivocada no piso acabou contribuindo para que a formação da esq∴ com os pp∴ tomasse referência na distribuição do tabuleiro, no caso o pé esquerdo apontado para frente.

Contudo, para o bem da originalidade do rito, desde 2009 o ritual do REAA no GOB passou a trazer acertadamente o pavimento mosaico cobrindo todo o Ocidente da Loja e distribuído de modo oblíquo.

É bom que se diga que os quadrados brancos e negros dispostos no piso regulam os passos nas marchas de Aprendiz e de Companheiro. A junção diagonal entre as peças (juntas) serve de modelo aproximado para a posição dos pés. Cada um dos quadrados assentados de modo oblíquo do pavimento também serve para regular cada passo sobre o eixo do templo.

Sobre a forma de dar os passos, em se tomando o grau de Aprendiz como exemplo, eles ocorrem normalmente, isto é, andando de frente para o Oriente e não de lado. Também não existe o costume de se arrastar os pés durante a marcha.

Sem excessos de preciosismo, como dito, o pavimento construído de modo oblíquo direciona a posição dos pés, contudo não há exigência meticulosa de que a abertura da ponta dos pés acompanhe milimetricamente as linhas oblíquas do pavimento. Obviamente que ninguém vai executar a marcha andando como o personagem de Charles Chaplin no cinema. Absolutamente não se trata de nada disso. O pavimento disposto obliquamente é um elemento referencial nesse caso.

Vale a pena lembrar que na construção do primeiro ritual para o simbolismo do REAA em 1804 na França, os passos ainda não eram nem divididos por grau. Davam-se simplesmente oito passos normais. Na época, nem mesmo se falava em pés em esq∴ na marcha e muito menos em pavimento mosaico.

Com o passar do tempo e o aperfeiçoamento dos rituais, as práticas ritualísticas passaram a se sacramentar. No caso dos oito passos normais, eles acabariam divididos entre os três graus do simbolismo e paulatinamente assumiram a forma atualmente conhecida.

Ao concluir reitero que em nenhuma situação, no REAA, o pé esquerdo fica literalmente apontado para frente. A esq∴ com os pp∴ é formada tendo a ponta dos pp∴ afastados para ambos os lados de um eixo imaginário. O corpo deve dicar posicionado de frente, não de lado como que com o pé e o ombro esquerdo voltados para frente. A propósito, lembro que a marcha do Aprendiz no REAA é rompida sempre com o pé esquerdo e sem nenhum arrastar dos pés.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

O MEU PAÍS

A matéria da Capa desta edição é um grito de alerta a fim de despertar nosso povo adormecido e passivo A às aberrações dos dias atuais.

Um país de paradoxos, contrastes e absurdos, onde os que comem com talher de prata tropeçam naqueles que comem com as mãos quando lhes sobram migalhas. Um país que a cada minuto alguns ficam mais e mais ricos ao mesmo tempo em que cresce em progressão geométrica o já enorme percentual de miseráveis.

O Arte Real cumprindo seu papel social convoca seus leitores para exercerem sua cidadania; a exigirem seu direito de viver com dignidade; a saírem da inércia e partirem para ação; a reconstruir um Brasil de verdade.

Abaixo segue na íntegra o poema de João Almeida Neto – O Meu País, cujo trecho decora a Capa desta edição e nos convida a jamais aceitar um Brasil de impunidades, mentiras, descasos e injustiças sociais.

Esse, com certeza, não é e nem quero que seja “O Meu País”!

Um país que crianças elimina;
E não ouve o clamor dos esquecidos;
Onde nunca os humildes são ouvidos;
E uma elite sem Deus é que domina;
Que permite um estupro em cada esquina;
E a certeza da dúvida infeliz;
Onde quem tem razão passa a servis;
E maltratam o negro e a mulher;
Pode ser o país de quem quiser;
Mas não é, com certeza, o meu país.

Um país onde as leis são descartáveis;
Por ausência de códigos corretos;
Com noventa milhões de analfabetos;
E multidão maior de miseráveis;
Um país onde os homens confiáveis não têm voz,
Não têm vez,
Nem diretriz;
Mas corruptos têm voz,
Têm vez,
Têm bis,
E o respaldo de um estímulo incomum;
Pode ser o país de qualquer um;
Mas não é, com certeza, o meu país.

Um país que os seus índios discrimina;
E a Ciência e a Arte não respeita;
Um país que ainda morre de maleita,
por atraso geral da Medicina;
Um país onde a Escola não ensina;
E o Hospital não dispõe de Raios X;
Onde o povo da vila só é feliz;
Quando tem água de chuva e luz de sol;
Pode ser o país do futebol;
Mas não é, com certeza, o meu país!

Um país que é doente;
Não se cura;
Quer ficar sempre no terceiro mundo;
Que do poço fatal chegou ao fundo;
Sem saber emergir da noite escura;
Um país que perdeu a compostura;
Atendendo a políticos sutis;
Que dividem o Brasil em mil brasis;
Para melhor assaltar, de ponta a ponta;
Pode ser um país de faz de conta;
Mas não é, com certeza, o meu país!

Um país que perdeu a identidade;
Sepultou o idioma Português;
Aprendeu a falar pornô e Inglês;
Aderindo à global vulgaridade;
Um país que não tem capacidade;
De saber o que pensa e o que diz;
E não sabe curar a cicatriz;
Desse povo tão bom que vive mal;
Pode ser o país do carnaval;
Mas não é, com certeza, o meu país!

Fonte: Revista Arte Real nº 5 - 05/07/2007

domingo, 22 de janeiro de 2023

GRAU DE COMPANHEIRO - PÉ DIR∴ DESC∴ E INSTRUMENTOS DE TRABALHO

Em 06.08.2022 o Respeitável Irmão Daniel Lins de Sales, Loja Brasil, 0953, REAA, GOB-RJ, Oriente e Estado do Rio de Janeiro, apresenta as questões seguintes.

PÉ DIR∴ DESC∴ E INSTRUMENTOS DE TRABALHO

Tenho duas dúvidas em relação à cerimônia de grau 2.

1 - “Pé desc∴ na cerimônia de elevação” Eu acredito que faça parte apenas do ritual de iniciação, conforme o nosso ritual. No entanto, um irmão da minha Loja falou-me que é algo comum em todas as iniciações (grau 1, grau 2 e grau 3). Busquei informações no seu blog e encontrei a seguinte explicação: “O pé direito descalço com a respectiva perna desnuda até o joelho, o braço esquerdo e o lado esquerdo do peito despido, figuradamente representam a humildade e respeito pela Instituição.” http://iblanchier3.blogspot.com/2019/07/condutas-ritualisticas.html.

Diante disso, fiquei na dúvida, será que o pé direito descalço poderia ser aplicado também na cerimônia de elevação?

2 - Composição da sala. Na frente da mesa do Primeiro Vigilante fica apenas a joia fixa ou também existem as ferramentas do Aprendizes? Na frente da mesa do Segundo Vigilante fica apenas a joia fixa ou também há as ferramentas dos Companheiros?

CONSIDERAÇÕES:

Na questão do p∴ dir∴ desc∴, infelizmente ainda encontramos Irmãos que por meio de mero achismo e sem nenhum fundamento ficam a semear dúvidas e plantar invencionices.

Ora, conforme consta nos rituais em vigência, o pé dir∴ desc∴; pern∴ dir∴ da calça arreg∴ até o j∴; peit∴ e br∴ eesq∴ ddesn∴ do candidato são procedimentos inerentes à Iniciação.

Já na Elevação e Exaltação isso não procede. Nessas cerimônias apenas o br∴esq∴ e o respectivo peit∴ esq∴ do candidato é que ficam desnudos.

No caso, basta que se siga os respectivos rituais em vigência e também o SOR, Sistema de Orientação Ritualística do GOB implantado pelo Decreto 1784/2019 do Grão-Mestre Geral.

Quanto ao Irmão achista que disse ser esse um procedimento comum nos três graus, com todo o respeito ficamos aguardando que ele apresente então os fatos e argumentos a esse respeito. Dizer que “acha” é fácil, já sustentar o “achismo” é que são elas. Com a palavra o achista.

No que diz respeito às joias fixas, destaco que mesmo em Loja do 2º Grau, sobre P∴ B∴ permanecem o Maço e o Cinzel. Ao Sul, sobre a P∴ C∴ fica apenas um Maço e, geralmente encostadas na mesa do 2º Vigilante, próximas a P∴ C∴, a Régua de 24 Polegadas e a Alavanca.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

EM BUSCA DE NOVA IDENTIDADE MAÇÔNICA

Márcio dos Santos Gomes

O termo “identidade” tem uma diversidade de conceitos e, segundo várias fontes, é entendido como um conjunto de caracteres próprios e exclusivos que permitem diferenciar pessoas, animais, plantas, objetos, produtos, a cultura de um povo, entidades, uma empresa etc.. No seu sentido mais popular representa um documento legal que acompanha um indivíduo e atesta que é o próprio.

É muito comum termos acesso ao documento de identidade de uma pessoa e constatarmos que a foto é antiga e marcas do tempo distanciam as duas imagens, donde se conclui que nada é estático, que a mudança é uma consequência natural da vida.

Na Maçonaria, um conjunto de princípios, chamados os “Landmarks” da Ordem, por se tratarem das mais antigas leis que a regem, lhe conferem uma identidade imutável, sendo considerado os seus limites e que não poderiam sofrer modificações. Muitos dizem que sem eles a Maçonaria já não existiria ou teria tomados outros rumos. Porém, resguardando a sua essência, que a fez prosperar até os nossos dias, não se pode refutar que a Maçonaria recebe influências de época e passa por esse processo sutil de transformação.

Aqui não se pretende atacar a prática da tradição constante nos Rituais e no Simbolismo que se constituem na seiva que mantém a Ordem fortalecida desde o século XVIII e nem por isso sofre de obsolescência, face aos valores morais defendidos. É fato que novos ritos derivaram do original, mantidos os princípios, para atender a projetos de poder inevitáveis quando outros motivos se tornam imperiosos.

Desde sua estruturação em 1717, na forma como hoje a conhecemos, a Maçonaria sempre se posicionou politicamente identificando-se com causas nobres, lutas sociais e movimentos cívicos, revolucionários e libertários, que a fez prosperar até nossos dias, sempre combatendo a intolerância, os preconceitos, os privilégios e defendendo novas ideias. Por isso angariou também a antipatia de poderosos.

No contexto atual, apesar do conceito positivo junto àqueles que a conhecem, ainda é desconhecida por grande parte da população brasileira. No cenário político nacional não tem nenhuma representatividade e não exerce qualquer influência a exemplo da norte-americana ou da europeia, não obstante todo o capital intelectual e consciência de sua importância para as transformações necessárias à promoção da justiça social.

A prática de reverenciar as glórias do passado é por muitos vista como desgastada, sob o argumento de que o seu potencial hoje não é utilizado na sua plenitude, passando ao largo de temas palpitantes e gravosos da atualidade, apenas manifestando-se a sua inconformidade através de posicionamentos perante o povo e reafirmando compromissos históricos de recolocar a Ordem na linha de combate contra as mazelas que pipocam aqui e acolá, sem, contudo, comprometer-se efetivamente na busca de soluções. Comprometimento e envolvimento têm dimensões diferenciadas. Somente caprichar na retórica e bradar que alguém tem que tomar uma providência, de que do jeito que está não pode ficar, de que não dá mais para aguentar et cetera e tal, é muito confortável. O comodismo e o obsequioso silencio político da Maçonaria do Brasil precisam ser quebrados.

Esse cenário nos remete a um acontecimento histórico ocorrido em 13 de maio de 1968, em Paris, onde cerca de um milhão e meio de pessoas participaram de uma marcha contra o governo de Charles De Gaulle. O movimento começou com uma revolta estudantil e foi ampliado com a incorporação de trabalhadores, sindicalistas professores e comerciários e, entre os meses de maio e junho, mais de nove milhões de pessoas declararam greve. Entretanto, De Gaulle venceu as eleições realizadas em junho daquele ano e o movimento se viu derrotado pela então denominada “maioria silenciosa”. Mas o movimento ganhou um simbolismo e transformou-se em um marco das mobilizações políticas e influenciou inúmeras revoltas mundo afora, provocando rupturas e revisão de valores da sociedade.

Neste particular, seria injusto e deselegante deixar de destacar o papel da Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, em face de sua permanente contribuição através de parcerias com os Governos do Estado e Municípios, que muita diferença tem feito em favor da Sociedade Mineira. Mas, recorrendo à abrasileirada metáfora de Aristóteles (384-322 a.C.), “uma andorinha não faz verão”. Como fica o Brasil?

É recorrente o argumento de que a Maçonaria brasileira não age como instituição, mas através dos Maçons, o que não comprova a sua história de verdadeiro partido político no passado. Essa realidade e as várias Potências em que se dividiu a Ordem, com destaque para as cisões de 1927 e 1973, com reconhecida perda de sinergias, nos relembra a necessidade de reflexão sobre o conceito de família unida representada pelo “Feixe de Esopo”, do fabulista grego de mesmo nome (séc. VI a.C), que relembra o combalido conceito de que a união faz a força.

Embora haja impedimentos regulamentares para discussão política partidária nas Lojas, dentre outros temas, nada obsta à promoção de debates públicos, fóruns de discussão, seminários, oferecimento de projetos e estudos, investimento em obreiros com potencial eleitoral e orientação do voto maçônico, que promovam o retorno da Maçonaria ao cenário político nacional, em especial na trincheira de combate às mazelas que desvirtuam os valores mais caros do nosso povo.

Para esse fim, torna-se inadiável para a Ordem no Brasil reaprender a traduzir em linguagem política os descontentamentos e anseios latentes em nossa sociedade, mostrando alternativas, ocupando espaços que permitam aos obreiros a reivindicarem, de forma organizada, as mudanças que todos exigem “como nunca antes na história deste país”, pois a perda de contato com a realidade paralisa a consciência crítica. O dramaturgo e poeta Bertolt Brecht (1898-1956) certa vez escreveu em uma poesia: “O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala. Nem participa dos acontecimentos políticos...”. Aquele pensador ainda reforçou: “Que continuemos a nos omitir da política é tudo o que os malfeitores da vida pública mais querem”.

Essa reflexão invariavelmente resvala na dúvida a respeito da identidade da Maçonaria. Teria ela se perdido nestes tempos de mudanças-minuto, ideias curtas e respostas rápidas? Atualmente, bastaria apenas parecer bonito e importante na foto? Restaria à Maçonaria no Brasil apenas um grande passado pela frente e permanecer contemplando-se no retrovisor da história?

E assim retomamos os questionamentos primitivos onde precisemos saber primeiro o que somos, para onde iremos, o que nos motiva, que questões nos unem e nos moldam. Sem isso a imagem no documento de identidade ficará cada vez mais irreconhecível em confronto com a realidade de quem a exibe.

“Não somos responsáveis apenas pelo que fazemos, mas também pelo que deixamos de fazer.” (Molière, dramaturgo francês)

Fonte: https://opontodentrocirculo.com

sábado, 21 de janeiro de 2023

A COR DO DOSSEL - DOSSEL VERMELHO NO REAA

Em 03.08.2022 o Respeitável Irmão Luiz Carlos Machado, Loja Conselheiro Ramalho, REAA, GOB-SP, Oriente de Mogi Mirim, Estado de São Paulo, faz a seguinte pergunta:

DOSSEL

Talvez possa ser considerada um preciosismo na questão que vou formular, mesmo porque tenho assistido algumas lives do irmão e que concordo que nosso objetivo principal é o trabalho na oficina no sentido de tornar o homem bom em homem melhor.

Ontem, 02/08/22, um irmão Aprendiz perguntou-me porque o nosso dossel era azul e no ritual consta vermelho.

Fiz algumas referências ao surgimento do Rito onde a cor predominante era o vermelho e por aí foi.

Mas a questão que gostaria de abordar é sobre o Decreto 1784 que dispõe sobre algumas alterações pontuais na ritualista.

No artigo que trata sobre o Retábulo do Oriente, quando se refere ao Dossel, ainda consta que a cor é vermelha.

No seu blog, de 23/11/18, que trata sobre o assunto, o irmão em um dos parágrafos faz a seguinte observação: "Geralmente a sua cor está associada ao Rito praticado pela Loja - azul ou vermelho cuja decoração por franjas...."

Finalmente a pergunta: Esta frase acima mencionada não poderia substituir a palavra "dossel vermelho"?

Agradeço sua orientação.

CONSIDERAÇÕES:

Inicialmente eu gostaria de comentar que as decorações dos ritos em muitos aspectos se diferem entre eles. É o caso, por exemplo, da cor predominante. Conforme o rito ela pode ser a azul ou a vermelha, ou até mesmo de outra cor.

No caso específico do REAA, por razões históricas e culturais a na sua decoração prevalece o matiz encarnado (vermelho, cor do cardeal).

No tocante à sua característica encarnada, em primeira análise ela relaciona-se aos Stuarts (stuartismo) e os jacobitas (jacobismo) - católicos que nos séculos XVII e XVIII pretendiam restaurar o trono inglês à casa dos Stuarts. A cor vermelha nesse caso está ligada ao catolicismo e o matiz encarnado dos cardeais, altos dignitários da Igreja (usam solidéo vermelho) .

Em segunda análise a cor vermelha é também uma contribuição da Loja Geral Escocesa, então criada em 1804 pelo Supremo Conselho da França para trabalhar na formatação do primeiro ritual para o simbolismo. Essa Loja Geral, extinta em 1816, instituiu então a cor encarnada para o simbolismo do rito, não obstante que em um futuro próximo, esse matiz iria se sacramentar ainda mais pelo aparecimento das Lojas Capitulares e o Guia dos Maçons Escoceses entre 1820/21 (vide a cor vermelha no Capitulo R∴ C∴).

Já os ritos Moderno, ou Francês, e o Rito Adonhiramita, por exemplo, ambos tiveram estabelecido desde a sua criação na França do século XVIII a cor azul.

Assim, graças a essas particularidades históricas e culturais existentes entre os diversos ritos maçônicos é que não há como generalizar a cor predominante de um ou de outro. Por isso a minha referência sobre a cor estar associada ao rito adotado pela Loja, ou seja, sendo ele o REAA, sua decoração é encarnada (vermelha), sendo o Rito Moderno ou o Adonhiramita, trata-se de decoração onde prevalece o azul. E assim segue consecutivamente entre a diversidade de ritos maçônicos existente.

No caso específico da cor do dossel, como prevê o ritual do REAA em vigência no GOB e no SOR, a sua cor é vermelha.

Ao concluir devo destacar que as minhas considerações aqui prestadas se baseiam na originalidade do REAA. O matiz encarnado é historicamente consagrado no escocesismo.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

CHARGES

PALAVRA MAÇÓNICA

Nuno Raimundo

A “palavra maçónica” é um compromisso de honra efectuado pelo neófito quando tem contacto com os Mistérios da Arte Real. No qual ele se compromete a honrar e dignificar a Maçonaria, bem como em guardar segredo do que vir ou tomar conhecimento em sessão ritualista maçónica.

E como tal, nada mais é importante para o maçom do que respeitar a sua palavra, a sua palavra dada, a sua palavra de honra.

Sendo por isso, que uma das suas obrigações é a de ser um homem de bons costumes. Alguém que é honrado e vive sob bons preceitos morais.

Quando um maçom se compromete com algo, ele o cumpre ou o faz por cumprir, porque é a sua palavra que fica em questão. Se não o fizer, a sua credibilidade perante os seus irmãos e porventura demais profanos, será posta em causa, correndo o sério risco de ficar descredibilizado, e assim não poder viver da forma honrada como assim o deve fazer.

Essa palavra, vale mais que “mil assinaturas”, pois jamais poderá ser rasurada ou apagada. Quando ela é assumida, ela torna-se um compromisso para a vida do maçom. Tanto que a sua palavra deverá ser “eterna e imutável”. Logo será sempre um dever a ser cumprido!

Por isso, um maçom quando assume um compromisso ou quando opina sobre determinado tema ou matéria, tem de ter o cuidado e a parcimónia necessária. Pois com a sua opinião também pode ele pôr em causa a Maçonaria na sua generalidade.

Normalmente quando alguém opina publicamente, apenas essa opinião o vincula a ele próprio. Mas em Maçonaria isso é diferente. E diferente porque, quando um maçom opina na via pública, as suas afirmações encontram um eco desproporcionado por vezes em relação ao que afirma. E tudo fruto do que a sua imagem enquanto maçom suscitar.

A curiosidade sobre o que se passa no interior da Maçonaria é tão grande por parte dos profanos, que isso origina um excesso de “ruído” que maioritariamente causa um impacto negativo na Ordem em si. E é por isso que um maçom deve ser reservado quanto ao que opina, como opina e onde exerce a sua opinião.

Aliás, se existe alguém que falará pela Obediência em si, serão apenas o Grão-Mestre e o Grande Orador, os restantes Irmãos apenas poderão opinar, mas vinculando-se apenas a si próprios nas afirmações proferidas.

Já na vida interna das Obediências Maçónicas, as palavras dos irmãos são muito bem-vindas, isto é, cada um (excepto se em sessão litúrgica, os Aprendizes e Companheiros se abstêm de falar) é livre de opinar sobre o que quiser, respeitando apenas as regras impostas pela Obediência, seja no cumprimento dos Landmarks (no caso de Obediências Regulares) seja no cumprimento do seu Regulamento Geral.

Resumindo, o segredo que existe na palavra de um maçom, encontra-se à vista de todos. É apenas se tomar atenção ao que diz e como o diz.

Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br

sexta-feira, 20 de janeiro de 2023

DESFAZER O SINAL DURANTE O USO DA PALAVRA

Em 03.08.2022 o Respeitável Irmão Carlos Meurer, Loja União e Trabalho Mimosense, sem mencionar o Rito e a Obediência, Oriente de Luiz Eduard o Magalhães, Estado da Bahia, faz a seguinte pergunta:

DESFAZER O SINAL

Inicialmente agradecendo ao Irmão pelas orientações concedidas a todos Irmãos que lhe solicitam e as mesmas sendo publicadas na Internet acabam alcançando a muitos Irmãos que também tem suas dúvidas.

Pergunto sobre a autorização de desfazer o sinal quando do pronunciamento em Loja, O Irmão está em pé e a ordem fazendo seu pronunciamento. Quem autoriza que ele fale sem o sinal o Venerável Mestre ou os Vigilantes em suas devidas colunas.

CONSIDERAÇÕES:

A regra ritualística no uso da palavra é a de que quem estiver em pé, fala à Ordem, ou seja, com o corpo ereto, pés em esq∴, compondo o Sin∴ de Ord∴ do Grau. Concluída a fala, desfaz-se o Sin∴ pelo Sin∴ Pen∴ ante de retomar o assento.

Os que porventura tenham o direito de falar sentados, falam normalmente, todavia, se por deferência preferirem falar em pé, então falam à Ord∴.

Registre-se que no Ocidente os únicos que falam sentados, quando o ritual permitir, são os Vigilantes.

Posto isso, o único que pode autorizar alguém a desfazer o Sin∴ quando do uso da palavra é o Venerável Mestre. Isso não cabe, sob nenhuma hipótese, aos Vigilantes.

Recomenda-se, entretanto, que o Venerável Mestre seja bastante criterioso antes de autorizar o desfazimento do Sin∴. Destaca-se que essa atitude possa ocorrer esporadicamente e deve ser bem avaliada antes de ser autorizada. Não se deve fazer disso um procedimento corriqueiro. A regra ritualística é de que se fale à Ordem (em pé, porque ninguém fica à Ord∴ sentado). Isso deve ser rigorosamente observado.

Vale também lembrar que alguns Irmãos – e isso é fato – têm o péssimo hábito da prolixidade na fala, ou seja, a utilizando com blá, blá, blás intermináveis e discursos providos de rançoso lirismo que esgota a paciência dos ouvintes. Assim, o Sin∴ serve também para conter a avidez desse tipo de discurso, pois com o Sin∴ composto geralmente o “papagaio” cansa e fala menos, para o deleite dos ouvidos dos demais.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

A VENDA

Ir∴Hercule Spoladore 
Loja de Pesquisas Maçônicas Brasil - Londrina-PR’’
Crônica ( continuação)

Sim, conforme o amigo havia lhe prometido, naquele sábado, naquela hora da tarde, um senhor vestido de preto foi buscá-lo e levou-o ao templo onde ele seria iniciado na Maçonaria.

Não tinha a menor idéia do que lhe esperava. Os mesmos pensamentos da manhã lhe ardiam na mente, curiosidade à flor da pele. Estava calmo.

Durante o trajeto a pessoa que o estava conduzindo ao templo lhe adiantou que não se assustasse que tudo por mais esquisito, por mais bizarro que lhe parecesse era tão somente de caráter simbólico e que tivesse confiança nos homens que iriam guiá-lo.

Ao chegar ao templo foi induzido a se virar de costas para a porta do templo e foi vendado imediatamente sem saber por quem. Inicialmente ficou constrangido por ser assim tratado embora que delicadamente. Não havia sido avisado que seria assim. Aceitou passivamente a vendagem, porem um tanto chocado. Houve pelo menos um protesto mental, silencioso. Também não gostou quando embora que simbolicamente conforme lhe foi dito quando estava chegando ao templo quando pediram e ajudaram a retirar parte de suas vestes. Pensou que poderia estar se expondo ao ridículo, mas como foi avisado que tudo tinha um fundo simbólico, não se importou.

Daí um certo tempo sentado em uma cadeira com certa comodidade, num ambiente em que quase não havia ruídos, a não ser uns passos cuidadosos de alguém, e alguns sussurros que ouvia de vez em quando. Então se sentiu mais calmo. Interessante... Começou a sentir bem, sim bastante bem. Por quê? Nunca havia tido uma experiência como aquela. Vendado. Não via nada, mas estava assim estranhamente disposto, espírito aguçado, até contente e confiante, Ora nunca havia pensado nisso. Seria aquela privação da visão que estava lhe causando esta sensação? Fantástico. Que incrível!

Depois de um certo tempo começou a não perceber e nem se importar com mais nada exterior, já não ligava para os passos ou qualquer ruído externo. Fez uma introspecção. Lembrou-se do seu velho Pai, de sua Mãe, de sua infância sofrida que desde menino, trabalhava de dia e estudava a noite. Lembrou da educação que seus Pais lhe deram. Firme e disciplinada. Lembrou-se de sua adolescência de seus questionamentos a respeito do fenômeno vida, qual a razão de ser de tudo isto, da religião que absolutamente não lhe trouxera respostas e também se lembrou das injustiças sociais. Lembrou-se de sua esposa, agora recém casados, a mesma que quando noivos havia questionado de inicio, sua entrada para a Maçonaria. Quando se apercebeu viu que aqueles momentos de introspecção, havia rodado o filme de sua vida.

Que fato extraordinário, questionou-se porque não iria doravante fazer isso sempre? De agora em diante poderia em sua casa colocar uma venda e fazer uma reciclagem de sua vida periodicamente. Tão simples e tão eficaz. Na pior das hipóteses, seria ótimo para livrar-se da depressão e do estresse.

A cerimônia continuava lenta, como costuma parecer aos iniciandos. Fisicamente se sentia um autômato, não opunha resistência quando lhe guiavam de um lado para outro. Não tinha com o que se preocupar. Num determinado momento ouviu alguém falar em viagens, ouviu ruídos estranhos. Quando lhe fizeram algumas perguntas, preferia não respondê-las, respondeu-as monossilabicamente, pois queria mesmo era dialogar consigo mesmo.

Mesmo lúcido algo maravilhoso ocorreu várias vezes. Teve a percepção para dentro, teve o encontro com o seu próprio Eu. Estranha sensação que nem todos os iniciandos a atingem no dia de sua iniciação onde quem entra em ondas alfa se sente como se tivesse se a mente estivesse num vácuo, num vazio, onde o espaço-tempo não faz sentido. Aí onde se situa a fonte do pensamento, onde o iniciando se identifica com o Todo onde a harmonia, evolução e vibração se sintonizam com todo o universo.

Ficou indignado quando lhe tiraram a venda e lhe deram a Luz, pois sentiu que na escuridão que a venda lhe trouxe ele havia encontrado uma verdadeira Luz, uma luz resplandecente que ele tinha dentro de si e não sabia.

Fonte: JBNews - Informativo nº 196 - 11/03/2011

quinta-feira, 19 de janeiro de 2023

ESCRUTÍNIO SECRETO EM LOJA DE APRENDIZ

Em 02.08.2022 o Respeitável Irmão Laercio Roque Tolfo Vieira, Loja Luz da Serra, Rito de York, GORGS (COMAB), Oriente de Santo Ângelo, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta a dúvida seguinte:

ESCRUTÍNIO SECRETO

O escrutínio de profanos tem que ser necessariamente feito em Loja de Aprendiz ou pode e deve ser feito em Loja de Mestre? Pergunto porque como Aprendizes e Companheiros não podem propor indicações e não podem fazer sindicâncias tivemos um debate em Loja sobre essa questão. E como estamos fazendo mensalmente sessões do Grau 2 e do 3 acaba que a pauta algumas vezes fica atropelada. E na última sessão do Grau 3 foi colocado na ordem do dia a realização do Escrutínio ocasião em que alguns MM questionaram se não teria que ser necessariamente em Loja de Aprendiz.

CONSIDERAÇÕES:

Salvo se os rituais do GORGS orientem ao contrário, de modo consagrado o Escrutínio Secreto para admissão de novos membros é sempre realizado em Loja de Aprendiz.

Nesse particular, os rituais atualizados que eu conheço mencionam no ritual de Aprendiz a liturgia para realização do Escrutínio Secreto.

Embora a praxe seja sempre de que o escrutínio se dê em Grau de Aprendiz, vale a pena antes conferir o que nesse sentido orientam os rituais do GORGS.

Não restam dúvidas de que os Aprendizes e Companheiros não indicam e nem participam da sindicância, contudo normalmente eles têm o direito de votar no Escrutínio Secreto.

Nesse sentido, o correto é que mesmo não estando presentes na sessão Aprendizes e Companheiros, o escrutínio deve ser realizado sempre em Loja de Grau 1.

Ao concluir, destaco que como medida de prudência, o Regulamento Geral da sua Obediência deve ser consultado para se certificar sobre o que exara nesse particular o competente Diploma Legal.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

FRASES ILUSTRADAS

TRONCO DOS POBRES, DE SOLIDARIEDADE OU BENEFICÊNCIA

(Desconheço autor)

No Pontifício do Papa Inocêncio III, 1198 a 1216, surgi o TRONCO DE SOLIDARIEDADE, que era destinado à dádiva. O curioso é que naquela época o tronco de solidariedade continha uma tampa.

Na maçonaria sua introdução é deste a maçonaria operativa, tendo a sua origem na IGREJA CATÓLICA (Igreja dos Judeus), a sua obrigatoriedade de pagamento era denominada de DIZÍMO.

Na maçonaria medieval fazia-se a coleta com muita discrição e colocava-se em uma caixa, em saco ou em outro recipiente, a dádiva era dada de acordo com a condição e a vontade de cada irmão sem prejuízo econômico e sem revelar a quantia dada de cada um, o valor espiritual era aceito na mesma proporção daquele que não contribuía, este valor era dedicadas às viúvas, segundo MARCOS 12: 47, LUCAS 21:1- 4.

Na ritualística maçônica, principalmente a do tronco de solidariedade, até hoje segue a mesma seqüência da Maçonaria Operativa onde a discrição, a espiritualidade, a dádiva para as viúvas e o sigilo na contribuição de cada irmão e seu giro procede com a mesma seriedade, mas sendo atribuído somente para solidariedade.

“Para que tua esmola fique em segredo e teu Pai, que tudo vê em segredo, de compensará.” (Mateus 6:41)
A palavra TRONCO origina-se do Francês “TRONC” e denominada pelos Irmãos (maçônicos) Francês e consagrado a ação de graça e a prática da caridade.

Na Maçonaria Operativa os salários dos Companheiros e Mestres eram pagos com as dádivas do tronco de solidariedade.

Na Maçonaria Especulativa, a maçonaria atual, não houve muita modificação em sua ritualística em seu giro e sim em sua contribuição da dádiva, ela é feita em comum acordo com todos os irmãos da Loja para onde direcionar o tronco, não podendo direcionar para fim festivo ou cobrir gasto da Loja.

Fonte: Facebook_Pedreiros Livres

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

O LUGAR DO APRENDIZ RECÉM-INICIADO NO REAA

Em 01.08.2022 o Respeitável Irmão Carlos Augusto Guimarães, Loja Irmão Firmino Escada, 2220, REAA, sem mencionar o Rito e a Obediência, Oriente de Lorena, Estado de São Paulo, apresenta o que segue:

LUGAR DOS RECÉM INICIADOS

Primeiro gostaria de parabenizá-lo pelo blog que muito tem me ajudado nos esclarecimentos maçônicos.

Em segundo lugar, informo-lhe que estou redigindo uma peça de Arquitetura que se intitula PORQUE É QUE OS AAP∴ SE SENTAM NA COL∴ DO NORTE?

Em minhas pesquisas tive a oportunidade de consultar o blog do Irmão onde discorre sobre o assunto, mencionando que: “Assim, simbolicamente o Aprendiz inicia sua jornada no topo da Col∴ do Norte junto às três primeiras CCol∴ - Áries, Touro e Gêmeos – que correspondem à Primavera (renascimento) no hemisfério norte, e assim sucessivamente até as três CCol∴ correspondentes ao verão”.

Concordo com o Ir∴ quando menciona que o recém-iniciado deve ocupar o topo da Coluna do Norte e, no meu singelo entendimento, próximo ao Altar do Ir∴ 1º Vig∴ que é o lado escuro do Templo.

Entretanto, o Ritual de Apr∴ do R∴ E∴ A∴ A∴, quando o Ven∴ M∴ determina ao Ir∴ M∴ de CCer∴, faça o Ir∴ assinar o livro de presença, “e depois fazei-o sentar-se no topo da Col∴ do Norte, destinada aos AApr∴ próximo da balaustrada (pág. 142).

MINHA INDAGAÇÃO. O recém-iniciado deve sentar-se próximo da balaustrada ou próximo ao Altar do Ir∴ 1º Vig∴, que o lado escuro do Templo?

CONSIDERAÇÕES:

Eu gostaria antes lhe esclarecer que no GOB o Sistema de Orientação Ritualística – SOR, implantado pelo Decreto 1784/2019 do Grão-Mestre Geral, corrige essa anomalia ritualística do recém-iniciado ocupar lugar próximo à balaustrada.

Nesse particular, o SOR (mecanismo de orientação oficial do GOB) orienta que no REAA o Aprendiz recém-iniciado se sente próximo ao 1º Vigilante, ou seja, no topo da Coluna do Norte (que é toda a parede Norte).

Isso se justifica porque na banda noroeste se encontram as três primeiras Colunas Zodiacais (Áries, Touro e Gêmeos) correspondentes ao ciclo anual da primavera no Hemisfério Norte.

Já expliquei e escrevi inúmeras vezes que as Colunas Zodiacais no REAA indicam a jornada por onde o iniciado tem que passar. Esse caminho, que passa pelos topos do Norte e do Sul, corresponde aos ciclos da Natureza no Hemisfério Norte do nosso Planeta. Assim, por esse comparativo a jornada do Aprendiz começa na primavera – próximo ao 1º Vigilante em Áries, que é o início da primavera no Norte.

Em se tratando de onde se localiza simbolicamente a parte mais escura no templo, a mesma situa-se em todo o topo da Coluna do Norte (parede setentrional). Isso ocorre porque o topo do Norte é o lugar mais distante do equador - no caso do eixo do templo.

Nesse caso, o topo compara-se às regiões polares do Norte e do Sul (ambas mais distantes do equador).

Vale lembrar que no REAA o templo maçônico representa um segmento retangular da superfície da Terra localizada sobre o equador. As colunas do Norte e do Sul simbolizam os dois hemisférios terrestres. O Oriente é o lugar onde nasce o Sol e o Ocidente é o seu poente. A abóbada é o céu e o pavimento mosaico o solo terrestre.

Também é preciso se levar em conta que o deslocamento aparente do Sol na sua eclíptica é visto, nesse caso, da meia-esfera Norte – a Maçonaria nasceu no Hemisfério Norte e os seus ritos que possuem características solares foram construídos debaixo da abóbada setentrional do nosso Planeta. Destaco que o REAA é um rito solar nascido na França, portando em latitudes setentrionais.

Graças a isso, para quem observa do Norte, aparentemente o Sol passa pelo Sul, razão pela qual se diz que o Sul, ou Meio-Dia é mais iluminado. Sob essa óptica, não à toa é que as três janelas (passagem do Sol) que aparecem no Painel se localizam no Leste, Sul e Oeste – ao Norte não há janela (claridade).

Por oportuno é bom mencionar que sobre a alegoria da Luz a Maçonaria utiliza no seu arcabouço iniciático os dois deslocamentos imaginários do Sol - o diário como jornada de trabalho; e o anual com alegoria do nascimento, da vida, da morte e da renovação do iniciado.

No tocante à fase iniciática do Aprendiz, no REAA ele veio da Câmara de Reflexão (interior da terra) para em seguida se submeter às provas pelos elementos e finalmente receber a Luz no extremo do Ocidente.

Dessa maneira, não procede que em um rito de vertente solar como é o REAA, o recém-iniciado ocupe lugar próximo à balaustrada, ou seja, inicialmente longe do Ocidente onde ele devidamente recebeu a Luz. Afinal, ele partiu do Oeste em direção à Luz, e não ao contrário. É por isso que as marchas (passos) dos três Graus simbólicos são sempre executadas no sentido Oeste para Leste.

Entenda-se que próximo à balaustrada é o final da jornada do Aprendiz - que vai de Áries até Virgem - isto é, quando ele estiver apto a receber seu aumento de salário ingressando no 2º Grau – é quando ele atingir simbolicamente os três primeiros anos de existência (Q∴ id∴ tend∴? T∴ aa∴).

Depois que o Aprendiz paulatinamente tiver passado uma a uma as seis colunas que se encontram no topo do Norte (tempo do aprendizado), ele então estará apto a atravessar para o outro hemisfério, lugar onde fica o topo da Coluna do Sul, e assim prosseguir na sua jornada.

No Sul, agora como Companheiro Maçom, o iniciado prossegue na sua senda a partir de Libra que fica próxima à balaustrada na retaguarda do Chanceler.

Nesse contexto, o Companheiro, ao contrário do Aprendiz, parte agora da balaustrada em direção ao Oeste, ou seja, iniciáticamente segue da juventude para a maturidade e a idade senil.

Simbolicamente ele vai do outono até o inverno, que é o final da jornada e onde a Natureza morre no complemento do seu ciclo anual.

Esotericamente é o tempo em que há menos luz e a Terra fica viúva do Sol – no inverno os dias são curtos e noites longas (predomínio das trevas).

Sob o aspecto iniciático, esses quatro ciclos naturais correspondem, no REAA, às etapas de aperfeiçoamento do Maçom. Inicia-se na infância, comparada à primavera, e termina no inverno (senilidade).

Dados esses comentários, essa “estória” de no REAA o recém-iniciado sentar próximo à balaustrada é um grande equívoco que infelizmente vem se perpetuando em muitos rituais há bastante tempo.

Ora, Aprendiz ocupando lugar no canto nordeste da Loja (próximo a Leste) ocorre no Rito de York (inglês) e não no REAA.

No rito de York isso ocorre porque a Maçonaria Inglesa (anglo-saxônica) não menciona no seu ideário iniciático o termo topo da Coluna do Norte, e nem do Sul. Apenas Norte e Sul. Isso porque na sua doutrina ele compara o Aprendiz recém-iniciado à pedra angular das construções góticas.

É por isso que no rito de York os Aprendizes não sentam junto à parede Norte como no REAA, mas na fileira da frente, próximos ao Leste (nordeste). Note que no Rito de York não existem Colunas Zodiacais.

No Rito de York o lugar dos Aprendizes se explica da seguinte forma: por ser o início, ou o princípio da construção, a pedra angular que servia de base para o nivelamento e o esquadrejamento da construção era fincada no canto nordeste do canteiro de obras. A partir da pedra angular (pedra cubo-piramidal) era aplicada, com auxílio do cordel de 12 nós equidistantes, a 47ª Proposição de Euclides. Assim, o início de tudo se dava a partir da pedra angular. Por analogia, essa pedra é comparada aos Aprendizes por serem aqueles que dão início à jornada iniciática.

Enquanto no Rito de York os Aprendizes simbolizam a pedra angular, no REAA eles simbolizam a primavera. De objetivo único, a Maçonaria ensina seus membros através dos seus ritos, não obstante cada rito, em muitos aspectos, apresentar ensinamentos que lhe são mui particulares.

Possivelmente vem daí essa adaptação indevida de se colocar no REAA o Aprendiz recém-iniciado próximo à balaustrada.

Como colateral ao Leste, muitos ritualistas desavisados acabariam generalizando, provavelmente por falta de conhecimento, essa prática. Certamente não se aperceberam que há diferenças entre as estruturas ritualísticas e doutrinárias dos ritos maçônicos – algumas sensíveis e outras gritantes.

Eram esses os meus comentários.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MINUTO MAÇÔNICO

CÂMARA DAS REFLEXÕES

1º - Diz-se também Câmara de Reflexão. É um lugar secreto e fúnebre, forrado de preto, e com emblemas fúnebres e sentenças morais espalhadas pelas paredes. Não deve receber a luz de fora, sendo iluminado apenas por uma pequena lâmpada fosca ou uma vela. Deve imitar uma gruta ou caverna sombria.

2º - O Candidato permanece nesta câmara antes de sua recepção; ela simboliza o centro da terra de onde vimos e para a qual teremos de voltar. O profano é, logo de início introduzido neste lugar de meditação, para ensinar-lhe que o homem profano deve morrer naquele lugar, a fim de poder sair de lá regenerado e purificado.

3º - Esta prática tem como significado a purificação do profano pelo elemento Terra. Este costume teve origem no Egito, onde o Iniciado era deixado só, rodeado de múmias e emblemas fúnebres, para que refletisse sobre o passo que ia dar, e do qual, se não saísse vitorioso, dependia a sua liberdade pelo restante de sua vida, pois, não podendo mais voltar ao mundo profano, permanecia no Templo como escravo.

4º - São os três princípios herméticos figurados na Câmara de Reflexão. O enxofre, símbolo do Espírito e o Sal, símbolo da Sabedoria e da Ciência, estão colocados cada um em uma taça. O Mercúrio, atributo de Hermes, é representado pelo Galo. Para os hermetistas, os três princípios, Enxofre, Mercúrio e Sal, encontram-se em todos os corpos.

5º - Os Ossos, o Crânio, a Foice e a Ampulheta. Todos estes emblemas se relacionam com Saturno e, por conseguinte, com o Chumbo, como metal. Simbolizam a morte do "profano" que vai renascer à vida espiritual: transmutação do chumbo vil em ouro. Não se trata de assustar o "profano", mas ensinar-lhe a despojar o "velho homem" para se preparar para um novo nascimento.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

A PEDRA BRUTA E SUAS APLICAÇÕES FILOSÓFICAS

Geraldo Batista de Camarcos
A∴M∴ - ARGBLS Fênix de Brasília nº 1959, Brasília - DF, Brasil

PREFÁCIO

A pedra bruta é a pedra de cantaria, que é uma pedra própria para ser esquadrejada e usada nas construções, já que só a pedra esquadrejada cúbica, ou em forma de paralelepípedo - é que encaixa perfeitamente nas construções, sem deixar vãos. Os homens que nela trabalhavam eram os canteiros, ou esquadrejadores da pedra, os quais a transformavam na pedra cúbica. Daí os dos símbolos em Loja, já que praticamente tudo o que fazemos, hoje, tem sua origem nas organizações dos franco-maçons de ofício, ou operativos, como a dos canteiros. (José Castellani)

INTRODUÇÃO

Para os iniciados nos Augustos Mistérios da Maçonaria, a apresentação do seu primeiro trabalho é um passo de valor imensurável, por tratar da importância de pesquisar, comparar obras de mais de um autor, tirar conclusões próprias, externar o que pôde aprender e o que progrediu com os ensinamentos prestados pelos irmãos de Loja.O tema escolhido é palpitante haja vista sua aplicabilidade tanto no meio profano como na maçonaria simbólica, de vez que podemos verificar desde as mais antigas civilizações já se faziam menções sobre as pedras, que ao longo do tempo foram utilizadas das mais diversas formas para expor o pensamento humano, seja ele religioso como filosófico. Não obstante a maçonaria especulativa muito sabiamente aproveita esses conceitos retirados das pedras a expressão marcante e lança ensinamentos para todos seus membros, desde sua iniciação.O objetivo principal desse trabalho é apresentar a simbologia das pedras presentes em várias civilizações e em diferentes épocas e sua aplicação na formação dos maçons-aceitos.

DESENVOLVIMENTO

A história da humanidade desde seu inicio tem um vínculo forte com as pedras. O homem das cavernas descobriu-as como grandes aliadas. A pedra foi utilizada para vários fins seja como arma ou outra ferramenta qualquer que facilitara a vida de nossos ancestrais.O tempo foi passando e o homem evoluía cada vez mais, seus aprendizados foram aprofundando-se, até que adquiriu o domínio de várias técnicas, as quais eram vitais para sua sobrevivência. Essas técnicas deram origem a ciência, produto do intelecto humano, como somatório dos conhecimentos adquiridos. Ainda em sua primitividade o homem, por seus caracteres que diferem dos outros animais (corpo, alma e mente), sentia a necessidade de comunicar com o ser superior, pois percebia em sua espiritualidade que foi criado, logo, desse sentimento nasceu a religião que era manifestada de forma muito variada conforme cada região onde habitava.As pedras dentro da religiosidade têm um valor sem par, elas eram erigidas para representar seus deuses. E vemos que de simples pedras não-talhadas, gradativamente os homens foram utilizando pilares lavrados e depois para colunas talhadas esculturalmente segundo a semelhança de animais ou homens destinados a tornarem objetos de reverência e culto como representação de deuses, que por sua solidez e durabilidade servia para sugerir o poder e a estabilidade de uma divindade.O culto utilizando pedras tem sido rastreado em quase todas as regiões da terra e entre quase todos os povos bárbaros. A Bíblia Cristã, desde o livro do Gênese até o Apocalipse, faz alusões às pedras, vejam alguns exemplos:

Em Gênese, capítulo vinte e oito, versículo dezoito, lemos: “No dia seguinte pela manhã, tomou Jacó A PEDRA sobre a qual repousara a cabeça e a erigiu em Estela derramando óleo sobre ela;

As tábuas onde foram escritos os dez mandamentos eram de PEDRA (Êxodo, capítulo trinta, versículo dezoito);

Há referências bem conhecidas tanto no Velho com no Novo Testamento sobre as pedras-símbolos. No Livro dos Salmos, capítulo cento e dezoito, lemos: “ A PEDRA que os construtores rejeitaram, tornou-se PEDRA ANGULAR”. Considera-se isso uma profecia dirigida a Jesus, como o Cristo, que foi rejeitado pelos judeus, mas tornou-se a PEDRA fundamental da igreja.

Jesus cita essas palavras em Mateus, capítulo vinte e um, acrescentando: “Aquele que tropeçar nesta PEDRA, far-se-á em pedaços, e aquele sobre quem cair será esmagado”.

Pedro denomina Jesus em sua segunda epístola, capítulo quatro, como PEDRA PRECIOSA;

Ao passo que Pedro foi chamado CEPHAS, quer dizer PEDRA, pelo próprio Jesus em Mateus, capítulo vinte e seis, versículo dezoito.

Já no judaísmo se vê a velha lenda sobre o maravilhoso depósito de PEDRA DE FUNDAÇÃO, É encontrada no livro Talmúdio-yoma, que afirma, ela tinha sobre si o nome sagrado de DEUS gravado na síntese da sigla G.A.O.T.U. Alguns rabinos hebraicos dos tempos antigos adeptos à doutrina metempsicose acreditavam que uma alma humana podia após a morte não só renascer num corpo humano, mas também, por culpa de seus pecados, num corpo de animal e até mesmo aprisionado numa PEDRA. No fólio hebraico número cento e cinqüenta e três, podemos ler: “A alma de um caluniador pode ser forçada a habitar uma PEDRA SILENCIOSA.Os antigos gregos costumavam erguer colunas de pedras consagradas diante de seus templos e ginásios e até mesmo as habitações de seus cidadãos insignes. No mundo árabe em Meca (cidade de peregrinação islâmica), acha-se a PEDRA mais notável do mundo, é uma PEDRA PRETA, que está preservada na “kaaba” ou casa cúbica que fica no átrio da mesquita sagrada. Acredita-se que seja um aerólito ou pedra meteórica. Esta PEDRA PRETA tem sete polegadas de comprimento aproximadamente, e é oval, segundo diz, ela foi quebrada durante o assédio de Meca em 683 DC, foi recomposta com cimento e encerrada numa cinta de prata. Está embutida na parede do ângulo nordeste da kaaba a uma altura que permite que os devotos a beijem em ato de adoração.Esses são apenas alguns dos inúmeros exemplos da correlação homem e pedra, presente na cultura religiosa que é a mais antiga manifestação circundada na vida humana. Assim também para a maçonaria as pedras têm um valor imensurável, posto que a própria origem desta instituição tenha muito haver com elas, uma vez que é herdeira o conhecimento de várias associações de construtores, principalmente daquelas manifestada durante a Idade Média. A representação simbólica das pedras está intimamente ligada com a vida de um maçom, desde sua iniciação, seu primeiro trabalho realizado à frente do irmão primeiro vigilante, onde ele ainda não percebe a riqueza existente nesse gesto.A PEDRA BRUTA é o ponto de partida para a grande transformação a ser feita no espírito do maçom. Desbastar esta PEDRA BRUTA significa que esse trabalho simbólico deve-se dedicar o maçom para chegar a ser o obreiro que domina a boa arte de construir. Na realização desse trabalho o iniciado é ao mesmo tempo obreiro, matéria-prima e instrumento. Ele mesmo é a PEDRA BRUTA, que representa seu atual estado de imperfeito desenvolvimento, que deve converter-se em forma de perfeição interior.Como a perfeição é infinita e seu absoluto é inacessível, o que nos resta fazer é tão somente aproximar da perfeição ideal, por etapas de progresso, desenvolvendo-as através de sucessivos graus de perfeição relativa. O próprio reconhecimento de nossa imperfeição por um lado e de outro um ideal desejado são as primeiras condições indispensáveis para que possa existir o trabalho de desbaste. Se o Aprendiz souber relevar, quando algum irmão o aborrecer, estará retirando uma aresta, se ele usar o exercício da tolerância contra as agressões, mais arestas caem. O construir, o participar, o contribuir e o atender são atributos que também retiram arestas.Contudo a melhor maneira de desbastar a PEDRA BRUTA é a própria comprovação fraterna – chave para abrir portas aos irmãos e assim estaremos dando mostras de que os amamos. Este é o caminho certo, o início do aperfeiçoamento, que certamente será longo, áspero e de sacrifícios, mas vale a pena ser trilhado. É dando que se recebe lembra-nos Francisco de Assis, em uma mensagem de amor.Assim pedem os aprendizes-maçons, sempre haja alguém que os ajudam a suportar o fardo, a torná-lo leve, colaborando com seu progresso mostrando sempre o caminho do bem e da virtude. É necessário ainda que cada um de nós, sendo PEDRA BRUTA conheça sua natureza, descubra de que material é feito, que resistência possui, se é pedra-ferro, pedra mármore, granito ou outra composição. Esse trabalho deve ser uma contínua rotina em nossas vidas, uma vez que a necessidade de aprimoramento seja ele intelectual; espiritual ou psíquico faz parte da natureza humana para atingir novos paradigmas do verdadeiro progresso, a serviço da própria humanidade que vai adentrando por séculos e séculos cumprindo seu destino. Pois somos degraus na cadeia da divindade, e cada degrau sustenta um e é sustentado por outro, o ser evolucionado além de limpar e polir seu degrau tem também o dever de contribuir para a limpeza dos outros, para que nada de feio se veja, assim estaremos evoluindo e colaborando para a evolução do todo, pois “o todo é muito maior que a simples soma das partes”.

CONCLUSÃO:

O valor alegórico inspirado nas pedras, desde os primórdios tempos, é refletido para toda a existência, que o homem moderno precisa obter os ensinamentos que elas – as pedras proporcionam, a fim de melhorar sua própria vida, para contribuir na construção de uma sociedade centrada nos bons costumes. Desta forma, faz-se necessário buscar incessantemente o aprimoramento individual e coletivo, quer nos trabalhos das oficinas, nos encontros fraternos, na aplicação da doutrina, no ensinamento geral a que todos abrangem, nas ocupações do mundo profano, que o maçom cumpre integralmente sua finalidade na sociedade humana.A transformação de PEDRA BRUTA EM PEDRA POLIDA só encontra seu significado real com o trabalho primitivo dos PEDREIROS LIVRES, quando, a própria oficina procura anular as arestas de seus próprios membros quaisquer que sejam as suas posições em Loja, sejam quais forem seus títulos iniciáticos.Reflitamos, pois meus Irmãos.E que o G∴A∴D∴U∴ a todos ilumine e guarde.

Bibliografia:
  • Constituição do Grande Oriente do Brasil
  • Ritual (REAA) 1º Grau - Aprendiz
  • Enciclopédia Barsa
  • "A simbólica Maçônica" – Jules Boucher
  • "Caderno de Estudos Maçônico" – José Castellani
  • Manual do Aprendiz
  • Maçom Bíblia Sagrada
  • Enciclopédia da Sociedade de Ciências Antigas
Fonte: http://espacodomacom.blogspot.com

terça-feira, 17 de janeiro de 2023

INGRESSO NO ORIENTE E SAUDAÇÃO AO VENERÁVEL MESTRE

Em 30.07.2022 o Respeitável Irmão Danilo Ribeiro da Conceição, Loja Luzeiro da Verdade, 3864, GOB-PE, Oriente de Recife, Estado de Pernambuco, apresenta a questão seguinte:

INGRESSO NO ORIENTE

Me trouxeram uma indagação dizendo que eu estava errado em como eu me dirijo ao Oriente. Na orientação ritualística diz na página 18 sobre a saudação ao subir no Oriente se faz na balaustrada, não em baixo ou na escada e sim no meio da balaustrada. Mostrei ao Irmão e ele falou na frente dos Aprendizes que eu estava errado, só que eu me baseie na orientação ritualística. Como sou mestre recém exaltando o irmão mestre ficou chateado comigo. Peço uma pequena explanação para que eu possa levar em loja explicações aos irmãos para que não fiquem dúvidas sobre ritualística. Desde já agradeço.

CONSIDERAÇÕES:

No REAA, em Loja aberta, ao se ingressar no Oriente faz-se a saudação ao Venerável Mestre (página 42 do ritual). Essa saudação é prestada assim que alguém ingressar no Oriente, tendo como referência simétrica o alinhamento com a balaustrada, isto é, alguém vindo da Coluna do Norte, sobe e, ao se alcançar o nível do piso do Oriente, próximo ao Orador, presta a saudação pelo Sinal.

Nessa condição e como referência, quem for saudar, logo que alcançar o nível do piso oriental deve parar, ficar à Ordem (com o Sinal de Ordem), saudar o Venerável Mestre pelo Sinal Penal e, sem recompor o Sinal de Ordem novamente, prossegue na sua jornada.

Vale lembrar que no REAA, salvo na Marcha do Grau, ninguém anda com o Sinal de Ordem composto.

Quanto à saída do Oriente, antes de descer, ainda sobre o piso do quadrante oriental, junto à balaustrada e próximo ao Secretário, o protagonista pára, volta-se para o Venerável Mestre, se coloca à Ordem e imediatamente faz a saudação pelo Sinal Penal. Ato seguido, sem recompor o Sinal de Ordem, prossegue no seu deslocamento de saída descendo do Oriente rumo à Coluna do Sul.

Não se saúda antes de se ingressar no Oriente, e nem parado sobre algum dos degraus. A saudação pelo Sinal é sempre feita quando se alcançar o piso oriental. A saudação de entrada e de saída é sempre feita em se estando em pé e parado sobre o piso oriental.

Vale mencionar que o ingresso no Oriente se faz pela banda nordeste (próximo ao Orador) e dele se sai pela banda sudeste (próximo ao Secretário). Quem ingressar no Oriente, em qualquer circunstância vem da Coluna do Norte. Quem dele sair, em qualquer circunstância sai em direção à Coluna do Sul.

Nessa condição, estando um Mestre Maçom empunhando um objeto de trabalho, tanto na entrada, quanto na saída, ele fará, em vez do Sinal, apenas uma parada rápida e formal, porém sem inclinação do corpo e nem meneios com a cabeça – o Oriente não é um tatame para prática de judô.

Também não se faz sinal com o objeto de trabalho, isto é, segurando um objeto e com ele fazendo o sinal. Seria no mínimo grotesco o M∴ de CCer∴, por exemplo, passando o bast∴ na garg∴ ao fazer o Sin∴ Gut∴.

O Sistema de Orientação Ritualística (SOR) que está hospedado na plataforma do GOB-RITUALÍSTICA traz todas essas orientações. Destaca-se nesse sentido que o SOR fora implantado em 2019 através do Decreto 1784/2019 do Grão-Mestre Geral e encontra-se publicado no Boletim Oficial do GOB nº 31 de outubro de 2019.

Por oportuno, alerta-se que fora o SOR, todos os Manuais de Ritualística, de Dinâmica Ritualística, de Orientação Ritualística, etc., estão suspensos por Decreto do Grão-Mestre Geral desde o ano de 2009 (vide os Decretos que instituem cada ritual).

T.F.A.
PEDRO JUK
Secretário Geral de Orientação Ritualística - GOB/PODER CENTRAL
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

O EVANGELICO E A MAÇONARIA

Nilson Ribeiro Leite
Loja Maçônica Luz no Horizonte
(Repasse: Ir∴ Gustavo Ribeiro Gonçalves – Guto – Goiânia – GO)

Quando eu ainda era jovem, estudei em um colégio religioso; e por sinal um excelente educandário. Lá, dentre as muitas orientações que repassavam para os alunos, uma delas era que o evangélico (protestante) não pertencia a Deus, e sim, ao Diabo.

Passados alguns anos, conhecendo melhor o evangelismo, conclui que o evangélico fiel e obediente também pertence a Deus tanto quanto aqueles religiosos. Haja vista, que tive o privilégio de me tornar um evangélico.

Hoje, ouve-se dizer que certas religiões não aprovam os princípios maçônicos e alegam, inclusive, que a Maçonaria é de origem satânica, e que os maçons pertencem ao Demônio.

Infelizmente muitos evangélicos fazem coro com aquelas outras religiões, pregando a mesma coisa, isto é, que a maçonaria é diabólica e que os maçons são de Satã. Certo escritor protestante até já chegou a dizer que o evangélico maçom é um falso crente.

Outros evangélicos vão mais longe. Dizem eles que a Maçonaria promove a idolatria, afirmando que "ela admite um tal de ''São João da Escócia" ou "São João de Jerusalém" como padroeiro, e abre os seus trabalhos em seu nome."

Realmente a Maçonaria abre seus trabalhos em nome de São João, como padroeiro. Mas os críticos se esquecem de que padroeiro, segundo Aurélio, é o mesmo que patrono. E patrono é aquele que serve de exemplo, que é espelho, modelo ou paradigma. 0 Exército Brasileiro tem o seu patrono, o Duque de Caxias, e nunca se viu nenhum evangélico deixar de seguir a carreira militar por ter o Caxias como patrono. Tem mais, em toda solenidade de formatura, sobretudo, de curso superior, existe alguém como patrono; e jamais soube-se que um evangélico se omitisse em participar daquele ato porque lá estivesse a figura de patrono.

Há evangélico anunciando por aí que a Maçonaria é religiosamente sincretista. Não é verdade. Para se ingressar na Maçonaria o candidato necessita, sim, professar uma religião. Com isso o maçom pode e dever pertencer a um segmento religioso. E isso não demonstra sincretismo religioso. Pelo contrário, vem provar que a Maçonaria não é religião mas aceita nos seus quadros a convivência de todos os credos religiosos.

Porém não é somente na Maçonaria que os integrantes de vários credos religiosos se inter-relacionam. Não. Nas repartições públicas ou privadas, nos bancos ou em quaisquer outros órgãos, vamos encontrar funcionários dessas instituições professando as mais diversas crenças. E no entanto, ninguém é discriminado ou escandalizado pelo seu princípio de fé ou crença. Geralmente todos trabalham na mais perfeita harmonia e ordem, relacionando-se muito bem entre si.

A Maçonaria é também censurada por determinados evangélicos quanto aos, segredos maçônicos. Esses crentes dizem que na Igreja Evangélica nada há em oculto, tudo é feito à vista de todos, e as suas reuniões privativas nada têm de secretismo."

Todavia a Bíblia não diz assim e a prática não confirma tal afirmação. As Sagradas Escrituras, em Mateus - 8:4, registram: "Disse então Jesus ao leproso que havia curado: Olha, não digas a ninguém, mas vai e mostra-te ao sacerdote ...". Ainda em Apocalipse -10:4 está escrito.. "Guarda em segredo as cousas que os sete trovões falaram, e não as escreve". Há também assuntos tratados no seio das igrejas que não são levados ao conhecimento público da congregação; sobretudo nas chamadas reuniões privativas, as quais, entende-se, são a mesma coisa que secretas.

Portanto as referências ora mencionadas são exemplos de segredo ou sigilo. As primeiras os evangélicos devem conhecer, pois são bíblicas. E as outras, especialmente os líderes, com certeza as praticam em suas reuniões administrativas particulares e privativas.

A maçonaria também é criticada por alguns protestantes pela adoção dos símbolos.

Na realidade existem muitos símbolos maçônicos. Todavia, todos eles têm os seus significados específicos, como a Estrela Radiante, que é o emblema da Divindade; e tantos outros, os quais vão sendo conhecidos de acordo com os graus atingidos pelo maçom.

Por outro lado, no mundo profano também encontram-se vários símbolos, dentre eles, a Bandeira Nacional que é o símbolo da Pátria; a balança no direito, simbolizando a Justiça; e muitos outros.

A Bíblia, por sua vez, mostra também, muitos e muitos símbolos, tais como o arco-íris, símbolo que representa uma aliança entre Deus e os homens, e ainda a beleza, respectivamente (Gênesis - 9:13 e Apocalipse - 4:3), o cavalo, símbolo da força (Apocalipse - 6); o dragão, simbolizando Satanás (Apocalipse - 13). Há inúmeros outros símbolos contidos no Livro Sagrado.

Existem evangélicos afirmando que a Maçonaria é uma Instituição Pagã. Aí há mais um erro por eles cometido. Pois os trabalhos em uma loja maçônica são abertos invocando o auxílio do Supremo Arquiteto do Universo, que é o próprio Deus. E esse Supremo Arquiteto é relatado em Hebreus - 11:3 e 10, e Jeremias - 10:12. Pois em toda abertura dos trabalhos lê-se um texto no Livro da Lei (Bíblia), de conformidade com o grau em que estão sendo realizados os trabalhos.

E tem mais, pode-se afirmar que existe dentro da Maçonaria um respeito muito grande entre os irmãos quanto aos seus princípios ideológicos, culturais e acima de tudo religiosos.

Finalizando, quero testemunhar que há mais de quarenta anos sou evangélico, e tenho plena convicção que, graças a Deus, não sou do Diabo, como antes ouvia afirmar. Outrossim, há aproximadamente quinze anos sou maçom, e me sinto também confiante de que não pertenço a Satanás como muitos afirmam por aí, mas a Deus, o Supremo Arquiteto do Universo.

Portanto, irmãos, o evangélico pode e deve ser um maçom, acima de tudo justo, verdadeiro e eficiente.

Fonte: JBNews - Informativo nº 195 - 10/03/2011

segunda-feira, 16 de janeiro de 2023

A ORDEM DA COLETA DURANTE A CIRCULAÇÃO - REAA

Em 29.07.2022 o Respeitável Irmão Adriano Eloi Salles, REAA, sem mencionar o nome da Loja, Obediência, Oriente (Cidade) e Estado da Federação, apresenta a dúvida seguinte:

ORDEM DA COLETA NA CIRCULAÇÃO

No momento da circulação no REAA, tendo junto ao Venerável, Autoridades, Ex: Coordenador Regional, Mestre Instalado e etc..., como devo fazer a circulação do saco de proposta e do tronco de solidariedade no Oriente?

CONSIDERAÇÕES:

Caso a Loja do Irmão pertença ao Grande Oriente do Brasil, todas essas orientações podem ser encontradas desde 2019 na plataforma do GOB-RITUALÍSTICA, SOR – Sistema de Orientação Ritualística, criado pelo Decreto 1784/2019 do Grão-Mestre Geral e publicado no Boletim Oficial do GOB nº 31, datado de outubro de 2019.

Para verificar qual o procedimento indicado, em sendo o Irmão de outra Obediência regular (CMSB ou COMAB), que não o GOB, sugiro consulta no ritual específico adotado pela sua Obediência.

 A título de esclarecimento, a ordem consagrada de abordagem no REAA nessas ocasiões se inicia pelas cinco Dignidades, ou seja, o Venerável e os dois Vigilantes respectivamente (Luzes da Loja), depois o Orador e do Secretário (formam as 5 Dignidades) e, imediatamente após, o Cobridor Interno (Landmark do sigilo).

Os ocupantes das cadeiras de honra, não importando quem as esteja ocupando, inclusive o Grão-Mestre, só serão abordados depois do Cobridor Interno, nunca antes.

Assim, inicia-se a abordagem sempre pelos detentores de malhete (dirigentes da Loja) e em seguida a ordem acima mencionada.

Depois dos seis primeiros cargos mencionados e dos ocupantes das duas cadeiras de honra, o coletor faz a coleta de todos os demais do Oriente; em seguida aborda os Mestres da Coluna do Sul, os da Coluna do Norte, os Companheiros e os Aprendizes. Por último, antes de se colocar novamente entre colunas, o próprio oficial circulante faz o seu depósito.

Vale mencionar que os seis primeiros cargos nada tem a ver com a invencionice de uma tal estrela de seis pontas, que por sinal é um emblema que nem mesmo existe no simbolismo do REAA. É bom lembrar que no REAA, a estrela simbólica é a pitagórica, ou a hominal com cinco pontas.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br