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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

domingo, 24 de setembro de 2023

A PALAVRA SEMESTRAL E A CADEIA DE UNIÃO

(republicação)
O Respeitável Irmão Fabricio Zerial de Almeida, Loja Amizade Fraterna, 3.919, GOB, REAA, Oriente de São Paulo, Estado de São Paulo. 
fzerial@gmail.com 

Sou do REAA, não encontrei no Ritual (págs. 82 e 83) e no RGF sobre a proibição de visitante na Cadeia de União. Fui visitar uma loja do GOB e dois Irmãos visitantes que lá estavam (de outra Loja do GOB), receberam a Palavra Semestral. Essa palavra não é só pra quem é do quadro de obreiros e esta em dia com presença e as mensalidades? Pode tomar parte da Cadeia de União Irmãos que não são do Quadro de Obreiro? Existe alguma punição para as Lojas que fornecem a Palavra Semestral para Irmãos do quadro de outras Lojas mesmo sendo do GOB? 

CONSIDERAÇÕES:

A Palavra Semestral prevista no RGF em seus Artigos 112 e 113 exara que esta somente é remetida àquela Loja que estiver em dia com todos os seus compromissos junto ao Grande Oriente do Brasil, por extensão aos Grandes Orientes Estaduais. 

Entendo assim que se a Loja está em dia com as suas obrigações, obviamente “todos” os seus Obreiros, conforme as Leis estarão em dia com a Loja. Assim, tomam parte da Cadeia de União para receber a Palavra Semestral apenas os membros do quadro da Loja. 

Visitantes, mesmo da mesma Obediência, dela não participam, já que o Venerável no momento da transmissão, não teria possibilidade de consultar se os visitantes pertencem a uma Loja que esteja em dia com as suas obrigações. 

Não quero ser subjetivo, senão apelar para o bom senso. Nesse sentido é que a Palavra Semestral é transmitida de maneira velada através da Cadeia de União, após terem sido encerrados os trabalhos da Loja. 

Note que o adendo inserido no Ritual em vigência está disposto dessa maneira. É pelo sigilo da transmissão (para que alguém não a ouça) que o Rito Escocês Antigo e Aceito se faz valer da Cadeia de União que a rigor, só é feita para a transmissão da Palavra Semestral e nada mais (assim está escrito no ritual). 

Quanto à punição o representante do Ministério Público (Orador da Loja), antes de cair no campo da penalidade, deveria alertar que o procedimento não seria correto. Agora, se ele existiu, cabe a ele, o Orador, tomar as providências devidas. 

Finalizando. A prática em si, pelo seu objetivo, denota o entendimento da uma atitude velada que, a meu ver, não precisa estar escrito. 

PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr.1002, Florianópolis (SC) – sábado, 1º de junho de 2013.

JOÃO, O EVANGELISTA

Pedro Juk
Em que pese muitos autores considerarem apenas João, o Batista como patrono da Maçonaria, essa afirmativa merece contestação.

Cabe mencionar que os períodos solsticiais sempre estiveram presentes nas comemorações dos nossos antecessores – as associações de pedreiros da Idade Média, ou a Franco-maçonaria.

Desse modo, e sob o aspecto prático, historicamente as datas solsticiais
eram comemoradas pelos nossos antepassados porque elas também serviam para marcar etapas das construções góticas.

Em Maçonaria, sempre com referência ao hemisfério Norte, o verão, em 21 de junho, tido como a plenitude da Luz, era o marco das atividades em sua plenitude nas oficinas de trabalho. A prevalência da Luz sobre as trevas se caracterizava na alegoria dos dias longos e noites mais curtas. Isso se correlacionava com a patente atividade do ofício.

Já o inverno, marcava o final do ciclo de trabalho. Concluíam-se as etapas nesse período porque as agruras do inverno no setentrião não eram próprias para o trabalho. As noites longas e os dias curtos indicavam um período impróprio para o trabalho. Os obreiros eram então pagos e despedidos para o merecido descanso até que as atividades fossem retomadas novamente na primavera.

Com a Terra viúva do Sol, era época de revisão dos planos da obra e também para admissão de novos membros no Ofício. Desse modo no inverno, em 21 de dezembro, a Franco-maçonaria comemorava a certeza de que a partir daquela data, o Sol iria começar o seu retorno do Sul para o Norte. A boa nova era a volta da Luz, cuja qual, após o inverno, na primavera reviveria a Natureza – em termos práticos, uma nova etapa se iniciaria.

Bem sabido é que a Franco-maçonaria floresceu e cresceu sob a proteção da Igreja. Comum a isso, os ancestrais da Franco-maçonaria, é bom que se diga, eram construtores advindos das Associações Monásticas e posteriormente, pela expansão do domínio eclesiástico, das Confrarias Leigas e das Guildas dos Construtores. Assim, muitas características religiosas acabariam temperando os costumes da Arte real. Nesse particular, as festas solsticiais acabariam se confundindo com festas patronais, geralmente comemoradas em Lojas de Mesa num ágape fraternal e em homenagem a João, o Batista, se no verão e a João, o Evangelista, se no inverno. Graças a esses antigos costumes é que as Lojas maçônicas ficariam conhecidas como as Lojas de São João.

Nesse particular, cabe destacar que os Joões patronais, são aqueles cujas datas comemorativas estão próximas às datas solsticiais. Assim, João, o Batista, aquele que anteviu a Luz é comemorado no dia 24 de junho, isto é, em pleno verão no hemisfério Norte. Por sua vez, João, o Evangelista, aquele que pregou a Luz é comemorado no dia 27 de dezembro, isto é, na plenitude do inverno no hemisfério Norte. Existe aqui uma sensível relação como o Natal – Natalis Invicti Solis.

Reitera-se assim, que a comemoração desses santos patronais é algo muito antigo na Maçonaria. Nesse contexto, as Lojas de São João correspondem ao Batista e ao Evangelista, já que os dois solstícios são partes integrantes da cultura e da liturgia maçônica de há muito – vide o significado das Colunas Solsticiais, conhecidas como B∴ e J∴.

Além das conotações místicas e iniciáticas, João - o Evangelista, tal como o Batista, assume um destacado simbolismo no contexto doutrinário maçônico, sendo comum na Moderna Maçonaria comemorarem-se as duas datas, a de verão em 24 de junho relacionada a João - o Batista e a de inverno no dia 27 de dezembro concernente a João - o Evangelista.

As comemorações pertinentes a João, o Evangelista podem ser encontradas no contextual histórico da Ordem. Exemplos disso, dentre outros, poder-se ia citar o ocorrido em meados do século XVI num episódio pertinente ao declínio das Corporações de Ofício, quando em 1558 a rainha Isabel, ao assumir o trono da Inglaterra renovava uma ordenação que proibia qualquer assembleia ilegal. Em dezembro de 1561, tendo os franco-maçons ingleses anunciado a realização de uma convenção em York, durante as festividades a São João, o Evangelista, a rainha ordenou a dissolução da assembleia, decretando a prisão de todos os presentes. Segundo historiadores, essa ordem só não se confirmou porque o Lord Thomas de Sackville, adepto da Maçonaria, demoveu a rainha do seu intento (in Maçonaria – Origem Histórica). Outro exemplo que se pode citar foi o ocorrido no século XVIII na França, mais precisamente em 27 de dezembro de 1766 quando das comemorações da festa da Ordem em homenagem a São João, o Evangelista. Nessa oportunidade, pela fragmentação da Grande Loja devido aos prepostos que assumiam autoritariamente cargos delegados pelo Grão-Mestre, Conde de Clermont, um extraordinário tumulto aconteceu proporcionado por membros excluídos devido a rixas internas. Nesse lamentável episódio foi necessária a intervenção policial para que a ordem fosse restabelecida. A consequência disso foi a de que as reuniões maçônicas na França acabariam por ser proibidas. Essas atividades somente seriam restabelecidas em 1771 (in A Maçonaria Moderna – José Castellani).

Nos dois exemplos logo acima apresentados, em que pese o seu argumento histórico, chamo a atenção para as datas comemorativas pertinentes à data de 27 de dezembro, dia de João, o Evangelista. Nesse sentido assegura-se também a presença do Evangelista no conteúdo histórico patronal da Sublime Instituição. Em síntese chama-se a atenção para a utilização dos dois santos padroeiros, sempre aqueles relativos aos solstícios.

A despeito do que aqui foi mencionado, cabe salientar que o arcabouço doutrinário da Maçonaria como um todo traz esses dois personagens relativizados às Colunas B∴ e J∴. Essas Colunas, dentre outros significados, de modo amplo trazem, no encadeamento alegórico da Ordem, uma relação solar e determinam os ciclos solsticiais.

Embora a Maçonaria não possa ser tomada como uma religião, é inegável, contudo, que por influência da Igreja muitas concepções maçônicas acabariam temperadas por um ideário religioso. Isso explica a presença dos santos Joões relacionados às portas solsticiais da alegoria maçônica.

Assim, em se tratando de Maçonaria, cabem apenas e tão somente os personagens que se relacionam com o ápice do verão e do inverno no hemisfério Norte da Terra. Hoje, especialmente no dia 27 de dezembro, João - o Evangelista, ou aquele correspondente à Coluna J∴

Concluindo, é bom lembrar que um dos símbolos mais antigos da Maçonaria é aquele constituído pelo círculo entre as paralelas tangenciais. Significa que o Sol não ultrapassa os trópicos. Junto à porta dos deuses está a figura de João, o Evangelista, um dos quais empresta o seu nome às Lojas de São João.

Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

sábado, 23 de setembro de 2023

CADEIRAS NO SÓLIO

(republicação)
Consulta que faz o Respeitável Irmão Ricardo Augusto Smarczewki, Loja Luz e Esperança, 3.486, REAA, GOB-PR, Oriente de Cascavel, Estado do Paraná. 
ras.cvl@terra.com.br 

Surgiu, em nossa Loja, uma questão acerca da ocupação da cadeira ao lado do Venerável Mestre. Apesar da clareza descrita no ritual para o Rito Escocês Antigo e Aceito, onde ao lado esquerdo do Venerável Mestre deve ser ocupado pelo Grão-Mestre Estadual, seu representante e na falta deles pelo ultimo Venerável Mestre (se não me engano, página 15). Um Irmão, após a leitura de uma matéria da revista “A Trolha” (em anexo a cópia do texto), entendeu que o Venerável Mestre anterior não poderia ocupar mais aquele lugar. Entramos então em contato, para que pudéssemos sanar essa dúvida. Se o Venerável Mestre anterior pode ou não sentar-se ao lado do Venerável Mestre atual. 

CONSIDERAÇÕES:

De fato, muitas considerações nesse sentido têm sido contraditórias. Não quero arrumar desculpas, mas essa inferência de ações que não dizem respeito às verdadeiras tradições do Rito tem sido ultimamente uma pedra de tropeço.

Sou sempre pelo que exara o ritual, esteja ele certo ou não em relação à verdadeira ritualística. Infelizmente alguns procedimentos acabam sendo inseridos no Rito para cumprir o disposto nos regulamentos da Obediência. Já de algum tempo essa questão de cadeiras ao lado do Venerável tem dado o que falar.

Primeiro, o ritual estava claro quando exarava que a cadeira de honra ao lado direito do Venerável era exclusiva do Grão-Mestre Geral, enquanto que a da esquerda para o Grão-Mestre Estadual. Em não estando presentes os dois, a da direita ficaria vazia e a da esquerda poderia ser ocupada pelo Ex-Venerável mais recente (apenas o mais recente). 

Ainda em relação aos lugares dos Grão-Mestres em não estando estes presentes, porém os seus Adjuntos, eles também têm direito de ocupar os assentos. É bom esclarecer que os Grão-Mestres Adjuntos é que são os substitutos legais, não “representantes do Grão-Mestre”. Assim, representantes não sentariam nas cadeiras, porém os “substitutos legais”. 

Da mesma maneira o Delegado do Grão-Mestre Geral em sua jurisdição poderia tomar o assento da esquerda em não estando presente o Soberano (o cargo de Delegado do Grão-Mestre Geral é ocupado em um Estado da Federação onde porventura ainda não exista Grande Oriente Estadual). 

Segundo, não tardaria, entretanto o apelo quase que geral se arvorando em também ter o direito de tomar assento ao lado do Venerável. Isso aconteceria com a promulgação da Lei 114 da Soberana Assembleia Federal Legislativa datada de 18 de setembro de 2.010 que alteraria o explicitado no Ritual. Em resumo essa Lei dava direito a um imenso número de “autoridades” a tomar assento ao lado do Venerável de acordo com a faixa. 

Terceiro, ocorreu, porém que houve entrada de ação de inconstitucionalidade contra a Lei 114 no Superior Tribunal de Justiça Maçônico que, após o trâmite legal foi publicada decisão no boletim oficial do GOB sob o nº 20 datado de 08 de novembro de 2.012 que exara através de acórdão a inconstitucionalidade da Lei 114. Assim, de acordo com a decisão do STJM∴, continua a prevalecer o previsto no Ritual. 

Na parte mais incisiva da vossa questão no tocante ao ex-Venerável mais recente, conforme o ritual em vigência, ele tem o direito de tomar assento ao lado esquerdo do Venerável, desde que a cadeira esteja vazia pela não presença de nenhuma outra autoridade que ali tenha direito de tomar assento. Esse procedimento é restrito apenas e tão somente na Loja a que pertence o ex-Venerável mais recente. 

Ainda: o termo “mais recente” é bem claro. Não estando presente o “mais recente”, ou mesmo que ele esteja ocupando cargo na sua Loja, nesse caso, a cadeira fica vazia. Demais ex-Veneráveis tomam assento no Oriente, todavia abaixo do sólio no local a eles destinado. 

Em resumo, ao lado direito e esquerdo do Venerável são admitidas apenas e tão somente “duas cadeiras” – uma de cada lado. A ocupação destas está de acordo com o ritual. Não existe qualquer indicação de que sejam colocadas mais cadeiras no Altar. 

Ratificando - nesse espaço são colocadas apenas três cadeiras - a do Venerável e as duas outras já explicitadas (ver planta do templo na página 22 do ritual em vigência). Demais autoridades ocupam o Oriente, porém abaixo do sólio. 

Enquanto não mudarem os fatos, acredito que esse é o procedimento correto. Se as minhas respostas anteriores foram contraditórias, sem querer me justificar, peço as minhas sinceras e humildes desculpas 

PEDRO JUK 
jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr.1001, Florianópolis (SC) – sexta-feira, 31 de maio de 2013.

AUTO-ESTIMA

AUTO-ESTIMA: [gr. auto: si mesmo; lat. aestimatione: estima] 1. Avaliação positiva que o ser humano faz de si próprio. 2. Entre os pagãos, o corpo humano era considerado uma prisão; algo que separava o homem do verdadeiro conhecimento. 3. Com o advento do cristianismo, o homem foi estimulado a erigir um autoconceito mais elevado. Afinal, conscientiza-nos a Bíblia termos sido criado à imagem e semelhança de Deus. 4. Na filosofia zen: o grande contido no pequeno, ou seja, só nos tornamos grandes quando assumimos nossa pequenez. 5. Desde criança somos treinados a parecer bem a outras pessoas. Temos de aprender a adivinhar o que agrada a nossos pais, nossos professores, e com isso deixamos de ouvir o nosso interior. Assistimos aulas de forma passiva, onde é esperada a concordância e não a troca de idéias. Falsas pessoas iluminadas, falsos mestres, falsos pais, impõem-nos suas verdades, em vez de auxiliar-nos na descoberta do nosso próprio ser. Precisamos começar a ouvir nosso corpo, nossas necessidades, nossos sentimentos. Só a partir disso, poderemos aprender a amar, a respeitar a nós mesmos e compartilhar esse amor com outros seres humanos. 6. Texto de Marcos Machado da Luz: Sou brasileiro e moro nos Estados Unidos e, para ajudar meu orçamento de estudante, sou babá. Ao cuidar de uma das meninas de quem eu "teoricamente‟ tomo conta, uma vez cantei Boi da Cara Preta para ela, antes de dormir. Ela adorou e essa passou a ser a música que ela sempre pede para eu cantar ao colocá-la para dormir. Antes de adotarmos o ‘boi, boi, boi’ como canção de ninar a canção que cantávamos em inglês, dizia algo como ‘boa noite linda menina, durma bem, e que os sonhos doces venham para você, sonhos doces por toda a noite’. Que lindo, não é mesmo? Mas eis que um dia a mãe da menina me pergunta o que as palavras em português da música ‘boi, boi, boi da cara preta, pega essa menina que tem medo de careta’ queriam dizer em inglês, e é claro que menti para ela, pois não tive coragem de dizer que a música, na verdade era uma ameaça do tipo „dorme logo senão o boi vai te comer‟. A partir daí, comecei a pensar em outras canções infantis e me lembrei do nana neném que a cuca vai te pegar...’ Caramba... Outra ameaça! Agora com um ser mais maligno que um boi preto. E assim, depois de uma frustrante busca por uma canção infantil do folclore brasileiro que fosse positiva e de uma longa reflexão, descobri toda a origem dos problemas do Brasil: os brasileiros em geral têm uma auto estima muito baixa. Isso faz com que os brasileiros se sintam inferiores e ameaçados, passivos o suficiente para aceitar qualquer tipo de extorsão e exploração, seja interna ou externa. E por que isso acontece? Trauma de infância causado pelas canções que nos ameaçam, amedrontam e nos relatam tragédias desde o berço. Por isso, levamos tanta porrada da vida e ficamos quietos. Tanto isso é verdade que ‘atirei o pau no gato-to, mas o gato não morreu-reu-reu, dona Chica-ca admirou-se, não berrou, não berrou, não berrou que o gato deu: miiiiaaauuuu...’ Para começar, esse clássico do cancioneiro infantil é uma demonstração clara da falta de respeito e crueldade aos animais. Por que atirar o pau no gato, essa criatura tão indefesa? E para acentuar a gravidade, ainda relata o sadismo dessa mulher sob a alcunha de dona Chica. Uma vergonha! E o que falar da música que canta ‘eu sou pobre, pobre, pobre... eu sou rica, rica, rica... ’ que coloca a realidade tão vergonhosa da desigualdade social em versos tão doces? É impossível não lembrar do amiguinho rico da infância com um carrinho de controle remoto, e você brincado com seu carrinho de plástico. Mas vamos adiante... ‘Marcha soldado, cabeça de papel, quem não marchar direito, vai preso no quartel’. De novo a ameaça: ou obedece ou vai preso. E na música ‘a canoa virou, foi deixar ela virar, foi por causa da (nome da pessoa) que não soube remar’ ao invés de incentivar o trabalho de equipe e o apoio mútuo, as crianças brasileiras são ensinadas a dedurar e condenar semelhante. E no ‘samba-lelê tá doente, tá com a cabeça quebrada, samba-lelê precisava de uma boa palmada’ a pessoa (que é samba-lelê) encontra-se com a saúde debilitada, necessita de cuidado médico, mas, ao invés de apoio, a música diz que ele precisa apanhar. Agora, o máximo mesmo é a música ‘o anel que tu me deste era vidro e se quebrou, o amor que tu me tinhas era pouco e acabou’ pois faz as pessoas crescerem sem acreditar no amor e, por consequência no casamento. E para arrematar isto tudo, preste atenção ‘o cravo brigou com a rosa, debaixo de uma sacada; o cravo ficou doente e a rosa despedaçada; o cravo ficou doente, a rosa foi visitar; o cravo teve um desmaio, a rosa pôs-se a chorar’. È só desgraça... E ainda incita à violência conjugal... È por isso que temos muito que mudar, a começar pelas músicas infantis, pois nossos filhos merecem um futuro melhor.

(V. Auto-Ajuda, Autoconhecimento, Autodeterminação, Preguiça, Procrastinação, Sucesso).

Verbete Extraído do Vade-Mecum “Do meio-dia à meia-noite” do Ir∴ João Ivo Girardi.

Fonte: JBNews - Informativo nº 219 - 04.04.2011

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

APRENDIZ VISITANTE

(republicação)
O Respeitável Irmão Ilber Salgado, Venerável Mestre da Loja Otaviano Bastos, 1.584, REAA, GOB-RJ, Oriente do Rio de Janeiro, apresenta a seguinte questão: 
ilbersalgado@yahoo.com.br 

Venho por meio desta procurar saber se um Aprendiz visitante pode presenciar o exame do Aprendiz da Loja visitada? 

CONSIDERAÇÕES:

A visita de Aprendizes de outra Loja (GOB) em uma Loja (GOB) que na oportunidade fará exame ao seu Aprendiz, ou Aprendizes, se for o caso, visando o aumento de salário, não existe qualquer óbice para tal, posto que os visitantes sejam Aprendizes e a Loja visitada estará trabalhando em Grau de Aprendiz. Mesmo em se tratando de exame, o que importa é o Grau em que a Sessão estiver aberta, ou trabalhando. 

O que não é permitido é que Aprendizes, visitantes ou não, assistam uma Sessão Magna de Elevação, posto que essa obrigatoriamente esteja trabalhando no Grau de Companheiro. Nesse pormenor só participa mesmo o Aprendiz que receberá aumento de salário. 

Excessos de preciosismo às vezes se contrapõem ao bom senso. Se essa regra prevalecesse, Aprendizes recém-iniciados em uma Loja não poderiam visitar outra Loja que porventura estivesse ministrando a segunda instrução aos Aprendizes do seu quadro? 

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr.1000, Florianópolis (SC) – quinta-feira, 30 de maio de 2013

MAÇONS FAMOSOS




 
VENCESLAU BRÁS PEREIRA GOMES (São Caetano da Vargem Grande, 26 de fevereiro de 1868 — Itajubá, 15 de maio de 1966). Advogado e político brasileiro; presidente do Brasil entre 1914 e 1918, com um pequeno afastamento de um mês em 1917 por motivo de doença. Venceslau Brás definiu em 1916 os atuais limites entre Paraná e Santa Catarina.

INICIAÇÃO MAÇÔNICA: 07 de março de 1896

Loja: Caridade Mocoquense, Mococa, SP, Brasil

Idade que foi iniciado: 28 anos

Faleceu aos 98 anos de idade, de causas naturais.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonartia

O QUE É A MAÇONARIA E O NOSSO COMPORTAMENTO COMO OBREIRO

Ir⸫ Ademar Jardim Ferreira

A Maçonaria é a virtude personificada, não tem um só Símbolo que não seja a aplicação de alguma verdade transcendente, não possui um só mistério que não encubra a pratica de alguma virtude; a Paz Universal é o seu ideal; o Bem é o meio de ação; pela pratica da caridade pretende chegar à fraternização de todos os povos.

Uma associação de homens que se consideram Irmãos entre si e cujo fim é viverem em perfeita igualdade, inteiramente ligados por laços de recíproca estima e confiança, estimulando-se uns aos outros, na pratica das virtudes.

Um sistema de moral, velado por alegorias e ilustrados por símbolos. São insuficientes as palavras, por muitas que sejam, para se enaltecer uma entidade de princípios e fins tão nobres como e a Maçonaria, a qual, através de sua carta magna, ou seja, a Constituição do Grande Oriente de Minas Gerais, estabeleceu que a Ordem e uma instituição essencialmente filosófica, filantrópica, educativa e progressista por meio da pratica desinteressada da beneficência e da investigação constante da verdade, tendo por fins supremos, a LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE.

É bem verdade que alem destes princípios gerais, que norteiam os passos de tão decantada Instituição, existiam outros institutos correlatos que pautam a conduta, tanto em direito quanto em deveres dos membros filiados a Ordem.

Para efetuação de meu trabalho, minha imaginação foi despertada sobre a parte da nossa Constituição que regula os direitos e deveres individuais dos Maçons. Prega nossa Constituição, determinadas obrigações individuais, tais como o dever de freqüentar a Loja; quitar, com pontualidade, as contribuições impostas; reconhecer como Irmãos todos os Maçons regulares, dando-lhes justa ajuda e proteção e defendendo-os com risco da própria vida, contra injustiças; manter sempre no mundo profano, conduta digna e reta, praticando o bem e a tolerância e subordinando-se as leis, aos costumes e aos poderes constituídos do país. Através destes poucos deveres que pude observar que ostentar o titulo de Maçom não é uma barreira inexpugnável; o difícil é ser verdadeiramente um perfeito Maçom, não que esta dificuldade seja oriunda dos princípios maçônicos, mas sim da conduta individual de Maçons imperfeitos, os quais, mesmo convivendo com princípios tão nobres deixam escapar por entre dedos escorregadios a oportunidade de tentarem se igualar a tantos verdadeiros Maçons. Vir em Loja, com presença física ou pedir a algum Irmão que leve sua contribuição, quando podia leva-la pessoalmente, não significa que este Obreiro está cumprindo com o seu dever. Ou exemplificando mais simples, como está acontecendo nos nossos últimos dias ou meses, com uma quantidade de rifas que temos recebido para ajudar algumas pessoas desafortunadas, que estão necessitando de ajuda, ou seja, o Irmão adquire o bilhete da rifa quando e procurado por aquele que esta responsável em vender tais bilhetes e ele diz estar cumprindo, volto a dizer, com o seu dever. E a sua presença em Loja, para saber o que realmente esta acontecendo, como e que fica? Pergunta para aqueles que vem? Qual o assunto discutido? São simplesmente nove presenças no ano. E, realmente temos que mudar o nosso Regimento Interno que é tão arcaico como as idéias de alguns poucos Irmãos retrógrados, ou seja, não querem ficar a favor das mudanças verdadeiramente necessárias para que possamos ser mais bem vistos perante a sociedade e não simplesmente mais um MAÇOM.

Entendendo que os princípios maçônicos, alem da presença física ou monetária, exigem a presença espiritual do Obreiro, para que este, com espontaneidade, de tudo de si para beneficio na Ordem e assim conseqüentemente, da humanidade. 

Vai mais alem os deveres de um Maçom: reconhecer como Irmãos todos os Maçons regulares e fazer prestação de auxilio, inclusive com risco de vida, se necessário. É de se observar que a pratica é bastante adversária do que prega nossa doutrina maçônica. Salvo contáveis exceções, nos mostra o trivial, são Irmãos digladiando entre si como verdadeiros antagonistas, quando deveriam estar mais do que nunca unidos sob a égide protetora da base filosófica da Maçonaria, a qual vem atravessando os séculos como uma pirâmide bem elaborada, pois seu alicerce foi muito bem construído para não abater em face da má conduta de alguns elementos integrantes de seu quadro.

Há Irmãos que passam por Irmãos ou por Cunhadas e que são incapazes de lhe dirigir um bom dia ou boa tarde ou, na pior das hipóteses, acionar buzina do seu automóvel no sentido de emitir um cumprimento. Desculpe se comigo aconteceu alguma vez, pois não e do meu feitio.

Estes elementos que não são Maçons perfeitos, só causam pena, pois convivendo com o bom e com o bem, nada querem aprender, são incapazes de ler um bom livro sobre Maçonaria ou pelo menos pedir emprestado àqueles que sabemos que os possuem, continuando cegos como profanos só contrariando a filosofia maçônica e seus Irmãos, que ficam com a alma chorosa por verem um ente querido se desgarrar do caminho do bem, para trilhar uma estrada negra que macula o alto nome de nossa Ordem, mesmo perante o mundo profano.

Com todos estes reveses que sabemos existir, nossa Ordem haverá de varar séculos a fio, pois, apesar de um numero reduzido, possuímos no quadro da maçonaria elementos da mais alta estirpe; de sentimentos nobres, os legítimos Maçons, que jamais permitirão que se prostre por terra o inestimável legado de nossos antepassados no tangente a Maçonaria, procurando cada vez mais, como verdadeiros generais armados de inteligência para defesa da Ordem, a defesa do tríduo da Liberdade, Igualdade e Fraternidade, para colocar a Maçonaria em sua verdadeira posição de líder oculta da sociedade. Peço permissão aos Irmãos presentes e em especial ao Venerável Mestre, para que eu possa falar sobre o Avental e o Balandrau: O AVENTAL

Para freqüentar, no Templo, as Sessões da Loja, torna-se necessário e imperativo que ali se esteja "maçônicamente trajado". O traje do Maçom é o Avental. Sem ele, é impossível a qualquer Maçom tomar parte nos Trabalhos. Na Maçonaria Especulativa, o uso do Avental independe da posição ou cargo exercido pelo Maçom. Dentro da Loja, todos, sem nenhuma exceção, estão obrigados a estarem maçônicamente trajados, ou seja, revestidos de seu Avental. Insígnias, medalhas distintivas, podem ser dispensados. Nunca o Avental. 

O BALANDRAU

O Balandrau não é um traje maçônico, como nos mostra o nosso Irmão escritor Boanerges Barbosa Castro, em sua obra maçônica, já na 2ª edição e denominada: Templo Maçônico e seu Simbolismo. Seu uso é relativamente moderno e atende a considerações de ordem exclusivamente praticas. O traje civil exigido para o comparecimento em Loja é terno preto, camisa branca e gravata, sendo esta ultima preta. A economia nem sempre permite ao Maçom de ganhos mais modestos arcar com despesas para a aquisição de uma roupa preta, que de modo geral é uma roupa cara. Outros Irmãos não toleram o uso da gravata e quando são obrigados a usa-la sentem um desconforto total. O Balandrau preto, fechado em todo o seu comprimento, desde o pescoço ate os joelhos, resolve todos estes problemas e foi por isso que as Lojas consentiram em permitir o seu uso que, por outro lado, não quebra a dignidade do cerimonial, conforme também determinam os nossos regimentos. 

Há Irmãos que freqüentam nossa Loja e que comparecem em nossas reuniões mal trajados, ou seja, com camisas coloridas, com sapatos de todas as cores e às vezes até botina, também de cores diversas e nunca na cor preta, sem falar que usam o Balandrau todo aberto na frente deixando a mostra seu peito, como se ele estivesse fazendo parte do "clube das mulheres", que todos nos sabemos que existe por ai.
Desculpem mais uma vez se estou jogando a carapuça em algum Irmão, pois não é essa minha intenção. Isto é, no meu pequeno, modesto e parco conhecimento total desrespeito a nossa Sublime Ordem e aos demais Irmãos. Quero nesta oportunidade me dirigir aos Irmãos no sentido de solicitar uma prestação de maiores serviços ao alto nome da Maçonaria. Não se pode conceber que neste sagrado Templo onde se reúnem pessoas de tão vasto quilate de honestidade, compreensão e sabedoria, não partam idéias, não apresentem Trabalhos em Loja, que possam ser de grande ajuda para a Ordem e até mesmo para a sociedade profana. De tantas mentes sadias por certo haverá de brotar bons frutos, precisando somente de um pouco de boa vontade para não deixar nossas reuniões semanais se transformarem numa coisa rotineira e sem propósitos. Que sejam de escusas minhas palavras finais se foram bruscas, quando em verdade tive somente a intenção de louvar os excelsos ensinamentos da Maçonaria e agradecer a meus Irmãos tudo de bom que me foi deixado aprender nesta nobre instituição, que é a Maçonaria.

quinta-feira, 21 de setembro de 2023

ESCRUTÍNIO SECRETO

(republicação)
Questão que faz o Respeitável Irmão Pedro Bolis Junior, sem declinar o nome da Loja e rito, GOB, Oriente de Pirassununga, Estado de São Paulo. 
pedrobolis@oi.com.br 

A dúvida é: durante o escrutínio secreto, naquele momento em que o Venerável Mestre acaba de ler as sindicâncias e passa palavra nas Colunas... O Irmão pode se manifestar contra a Iniciação do Candidato? Ele não já teve oportunidade antes? Um Irmão que não é do quadro de obreiros da Loja pode se manifestar a favor ou contra? 

CONSIDERAÇÕES:

Embora no Ritual assim esteja prevista a manifestação sobre o Candidato na Sessão que ocorrerá o ato do Escrutínio Secreto, penso que oposições não cabem na ocasião. Oposições estão previstas no Regulamento Geral da Federação em seus Artigos 13, 14 e 15 antes de ser marcada a Sessão que realizará o Escrutínio.

No ato do Escrutínio Secreto dele só participam Irmãos do Quadro da Loja, inclusive Aprendizes e Companheiros – Artigo 17, Parágrafo Único do Regulamento Geral da Federação. 

Conforme especifica o Ritual de Aprendiz em vigência do R∴E∴A∴A∴, o Venerável dá entrada aos visitantes, todavia cumprindo o Artigo 17, estes apenas assistem o ato do escrutínio.

No caso da vossa questão final - Na Sessão que será executado o escrutínio não. Nesse caso o opositor deveria ter se valido da oportunidade mencionada nos Artigos 13, 14 e15 do RGF. 

Finalizando. Nunca é demais recomendar que a votação secreta pelas esferas brancas e negras (apenas pelos membros da Loja), carece atentar pelo previsto nos Artigos décimo sexto e seguintes até o vigésimo nono do Regulamento Geral da Federação, até porque uma oposição, ou mesmo aparecimento de esferas negras no escrutínio, estão previstos princípios conforme os Artigos mencionados e pertinentes ao Diploma Legal. 

T.F.A. 
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 0999, Florianópolis (SC) – quarta-feira, 29 de maio de 2013.

COMO A MAÇONARIA UNIU A ITÁLIA

Por Mirella Ionta

Um artigo publicado no Pravda russo (versão digital), de autoria de uma (provavelmente) católica canadense, cuja opinião não e totalmente isenta sobre a Maçonaria. Mas, contém informações interessantes sobre o poeta Caducci, maçom italiano que teve uma grande influência no movimento de unificação da Itália, juntamente com os irmãos Cavour e Garibaldi. Fica o registro e boa leitura

Tradução: José Filardo

Com estruturas que acomodavam atividades maçônicas ainda de pé atualmente nas principais cidades do mundo ocidental, somos muitas vezes lembrados da existência de uma sociedade secreta que se acredita ter controlado os eventos políticos e financeiros da história moderna. Um famoso discurso feito pelo Presidente John F. Kennedy em 1961, sublinhando o perigoso poder de tal fraternidade tão ativa “em uma sociedade livre e aberta,” confirma a natureza maligna de uma “máquina eficiente” que está equipada com empresas militares, diplomáticas, científicas, econômicas e políticas e é apoiada por intelectuais de elite não eleitos, e banqueiros financeiros privados. Em um tempo em que o Federal Reserve, o cartel de bancos centrais possuído por banqueiros ricos como os Rothschilds e Rockefellers, realizou uma firme parceria com o governo americano, ao qual emprestou grandes somas de dinheiro com juros, a preocupação de Kennedy evocava uma preocupação mais antiga expressada pela autoridade papal durante o período do Risorgimento, na Itália. Como o anterior fora deixado com o pesado encargo de informar publicamente o seu povo da sua eterna dívida com uma empresa ilegítima, o Papa Pio IX, cuja ordem “divina” foi ameaçada e eventualmente tornou-se marginalizada pelo movimento maçônico na Itália revolucionária, reagiu com a mesma urgência Kennediana à “propaganda” anticlerical que se espalhava como fogo em uma floresta em sua época.

Não é uma tese que seja fácil de desenvolver a de que a atividade maçônica era necessária para minar o poder do estado papal que se acreditava dificultar o processo de Unificação na Itália. A documentação insuficiente que existe à nossa disposição limita nosso entendimento de tais encontros maçônicos ocultos, marcando um grande desserviço à busca da verdade. A partir do que está disponível ao escrutínio público, ninguém pode confirmar com certeza que o “underground” italiano estava baseado exclusivamente em um genuíno desejo patriótico de unir a Itália. Declarações de misteriosas inclinações dos maçons em direção ao satanismo e ocultismo tornar suspeitas as atividades dessa sociedade. Além disso, o envolvimento do poeta nacional oficial da Itália unida, Giosue Carducci (foto) em uma aliança maçônica estabelecida, ajudou a forjar uma nova tradição literária, manchada por convicções radicais. Fornecendo uma retórica literária e cultural para a sociedade secreta, o poema “Ode a Satanás” é um perfeito reflexo das visões da “Nova ordem mundial”, que eram interpretadas como sendo graves ameaças à Ordem do Velho Mundo. A reação do Papa à Maçonaria, cuja doutrina da espiritualidade da nova ordem mundial pode ter inspirado a sensibilidade poética de Carducci revela a grave implicação que se considerava ter a operação clandestina tido em uma mudança da sociedade italiana.

Hoje, com o benefício da retrospectiva, afirmar que uma sociedade secreta composta por um pequeno grupo unido de poderosa aristocracia foi responsável por guerras mundiais, divisões políticas, esquemas de Ponzi em nível global, crises econômicas e o 11 de Setembro, não seria considerada altamente especulativa ou improvável. Mesmo no risorgimento italiano, o Papa Pio IX, em um esforço para preservar seu poder absoluto, percebeu os efeitos nocivos que de tal sociedade teria sobre a supremacia e a duração do seu reinado. Lilith Mahmud, uma pesquisadora publicada pela Universidade da Califórnia, admite que a prática de discrição foi o que tornou e o que ainda torna a sociedade prejudicial para processos mais transparentes e legítimos. Ela cita Giacomo Casanova de Seingalt ao descrever a natureza da fraternidade: “Aqueles que pensam que o segredo da Maçonaria consiste em sinais ou palavras estão redondamente enganados. O segredo é realmente uma experiência vivida, e, portanto, é apenas um segredo na medida em que ele é incomunicável em palavras humanas.”

Modelada segundo religiões que designavam certos rituais, símbolos, templos e estátuas como sagrados e transcendentais, a sociedade exclusiva dependia fortemente e ainda depende desses elementos para legitimar sua visão de mundo coletiva e suas aspirações. Eles também desenvolveram uma capacidade de identificar outras membros fora dos limites dos seus templos “sagrados”. Símbolos distintos como o compasso em um esquadro e pingentes com o formato de um pelicano ou uma estrela foram designados para representar a organização. Gestos calculados, apertos de mão, acenos e estilos de vestimenta foram todos estabelecidos para servir como características que permitiriam aos Membros reconhecerem-se em ambientes comuns. Nascida em Londres no século XVIII, a Maçonaria foi inspirada na ideia iluminista de “racionalidade”. Com a razão humana, os maçons acreditavam no seu poder de afetar e alterar os eventos políticos e históricos dos tempos. Na Itália, a construção de lojas maçônicas no século XIX coincidiu com outras associações nacionalistas conspiratórias como o Carbonária que eram a favor do desenvolvimento de um nacionalismo italiano, da criação de uma monarquia constitucional e erradicação do absolutismo.

Isso leva uma pessoa à pergunta de um milhão de dólares: A existência de sociedades secretas foi necessária para construir a nação-estado da Itália? Descobrir que uma sociedade subterrânea – que se desvia as normas do Estado e desafia as decisões tomadas pelo atual comando governamental que não leva em conta a população – lança um esforço concertado para opor-se a uma situação injusta pode oferecer algum alívio aos oprimidos. Entretanto, incitar dessa forma coercitiva a mudança na sociedade ou desenvolver uma identidade cultural pode não ser a solução certa para dilemas sociais e políticos existentes ou futuros.

Seria uma simplificação exagerada e ingênua supor que a sociedade secreta, sob um mandato emitido para si mesma poderia, sozinha, proteger a população contra soberanos ambiciosos tanto do Estado quanto da Igreja. Perguntas sobre como eles eram financiados e se sua visão estava em consonância com o que a maioria da população que não era membro continuam a surgir quando se discute a “possível” legitimidade do grupo. Os cidadãos não serão provavelmente patrióticos em relação a um Estado-nação que se baseia em ideais e valores não compartilhadas entre eles e aprovados pela maioria dos seus cidadãos. Uma vez que a maioria das pessoas está fora do círculo exclusivo de segredo, seria difícil para eles identificar e compreender as práticas maçônicas, mesmo que fossem basear-se em uma agenda patriótica. Pelo simples princípio de exclusão, uma população é deixada no escuro sobre o destino do território compartilhado. Além da realidade do sigilo, o que preocupava mais o Vaticano era que o Satanismo era aberta e orgulhosamente praticado como uma forma de espiritualidade por maçons.

Considerando que os habitantes da Itália acreditaram em um Deus Cristão por muitos séculos antes do período do Risorgimento, eles achariam difícil digerir que um período crucial da sua história cultural, que tinha sido em grande parte moldada por princípios cristãos, foi montado sob um feitiço demoníaco lançado por maçons. De acordo com o livro de Enrico Nassi sobre a Maçonaria, os maçons acreditavam em ideologias e “retórica que mantinha o povo dividido” (24). Do ponto de vista do Papa, o Satanismo não era uma premissa legítima sobre a qual deveria se basear qualquer sociedade que quisesse penetrar os sistemas políticos, econômicos e sociais. Entretanto, para importantes intelectuais como Cavour, que foi um dos principais líderes do movimento do Risorgimento, o apoio estratégico de um lobby secreto não só era considerado crucial para o sucesso do projeto dos nacionalistas, mas procurou-se que fosse eficiente e bem sucedido.

Militarmente, enquanto Giuseppe Garibaldi e seu exército de mil homens estabeleciam um governo revolucionário no centro e sul da Itália no início do início da década de 1860 e proclamavam Vitorio Emmanuele rei de uma nação unida, Carducci estava escrevendo seu poema anti-clerical blásfemo. Enquanto Garibaldi falhava durante muitas vezes em libertar Roma das garras do absolutismo papal, que estava impedindo estas regiões de participar na unificação, o poema de Carducci foi publicado, primeiro em 1865 e, depois, em 1869. Enquanto a cidade eterna só era libertada quando a guarnição francesa retirou suas defesas dela para investir na guerra da França contra a Prússia em 1870, dando aos italianos a chance de reconquistar sua cidade, Carducci estava escrevendo seus primeiros trabalhos durante um tempo quando o sentimento republicano e anti-clerical era alto. Fornecendo uma retórica cultural para apoiar e alimentar uma agenda política, Carducci primeiro leu o poema como um brinde em um jantar maçônico. Um recurso admite que mesmo o mais liberal dos republicanos sentados entre seus companheiros maçons sentiram-se desconfortáveis com a forma radical de Carducci se opor ao Papa. É importante ter em mente que Satanás foi escolhido pelo poeta para simbolizar o progresso moderno devido ao seu status intimidativo, maldito e poderoso.

Como o clero experimenta grande desconforto com qualquer menção de Satanás, tentando ao longo de suas santas vidas afastar seus maus caminhos com óleos de exorcista, a poeta convida o diabo a desafiar a mentalidade antiquada dos retrógrados. Satanás é um herói para Itália moderna porque ele não é facilmente influenciado ou fácil de controlar. Ele se rebelou contra a palavra de Deus como Lúcifer e construiu seu próprio domínio sobre o qual ele governa como rei. No entanto, além de seu papel bíblico, Carducci dá a Belzebu um papel de liderança na história italiana, pois ele vem para representar a sensualidade, a beleza, a liberdade, o prazer, a alegria, a inovação intelectual e o progresso tecnológico. Além disso, ele simboliza as qualidades de coragem e ferocidade que Itália ganharia ao avançar para o futuro. Ele não deveria regredir com antigas tradições e absolutismo papal, mas deveria se libertar das amarras do pensamento limitado. O símbolo representa a liberdade de pensamento e de maneira radical do poeta de impô-la a uma população reprimida.

Uma vez que a Igreja era culpada de exportar a propaganda e a violência para as Américas e de oprimir seus seguidores ao longo de muitos séculos, qualquer credibilidade ainda lhe restasse, tinha finalmente sido derrotada pela razão humana. Encarnando a Razão, Belzebu lidera a nação moderna que anteriormente era flagelada pelo sentimentalismo e irracionalidade da Igreja. Há uma certa vulgaridade sobre Satanás que serve como valor de choque, também. Claramente, com a intenção de instigar a Igreja a reagir ao seu poema, o poeta refere-se a muitos intelectuais na esfera religiosa, que eram considerados hereges e que foram executados pela Igreja por seguir um padrão racional de pensamento. Entre estes rebeldes, Martinho Lutero é listado, uma figura histórica, cujas dúvidas sobre a autenticidade da Igreja Católica o levaram a fundar o que é conhecido hoje como a religião protestante. O poema termina com a imagem do motor de vapor, uma invenção do demônio, prometendo prosperidade à Itália, derrotando o atraso da Igreja, levando a nação unida ao mundo moderno e deixando para trás um rastro de vapor para anuviar seu passado cristão, para que ele caísse no esquecimento. Satã, o rebelde ativo com sua própria agenda pessoal foi utilizado como uma ferramenta para provocar as mentes conservadoras a pensar sobre o futuro da Itália em um mundo moderno.

Poderia o legado de Carducci ter existido se ele não fosse afiliado à Maçonaria? O próprio Carducci considerava sua aliança com a Maçonaria necessária para provar seu amor por sua terra natal, para empurrar a agenda nacionalista e minar o poder do clero. Ele não era discreto em sua crença de que o estabelecimento cristão servia de obstáculo à consolidação das regiões italianas divididas. Se a pergunta “Era necessário que a sociedade maçônica existisse para unir a Itália?” lhe fosse feita, Carducci provavelmente teria respondido “sim”. Carducci foi iniciado na Loja Galvani de Bolonha e também se tornou membro da Propaganda Uno, outra loja maçônica em Roma em 1886. No entanto, o livro de Angelo Martelli revela que em muitas cartas Carducci revela sua fé na existência de Deus, e que essa associação maçônica não exigia uma renúncia obrigatória à religião de nascimento.

Ao contrário de outros registros sobre admissões à sociedade maçônica, Martelli expressa que o maçom estava livre para praticar a religião que quisesse. Devido à sua natureza escandalosa, o livro teoriza que o símbolo ousado de Satã de Carducci para representar o progresso ofusca quaisquer crenças religiosas tradicionais que ele possa ter tido, especialmente ao final de sua vida. O Papa Pio IX, certamente sentiu que a supremacia de Cristo tinha sido atacada por projetos maçônicos. Em uma encíclica datada de 1867, o Papa expressou suas preocupações com o crescente sentimento anti-cristão, incitando seus irmãos companheiros “a afligir-se com as más abominações que agora poluem a infeliz Itália.”

Isso permanece como prova de que a associação maçônica era uma força poderosa na sociedade italiana. Ele abordou os poderes malignos que destruíam a providência da Igreja: “Pelos esforços de muitos, especialmente aqueles que detêm o poder na Itália, os veneráveis comandos de Deus e as leis sagradas da Igreja são completamente desprezados.” Ele se refere àqueles no poder como “os rebeldes de Deus”, os homens que laboram em impiedade e lutam sob o padrão de Satanás. “Corrompendo a palavra de Deus, eles são comparados a “lobos vorazes ofegante após suas presas, eles derramam sangue e destroem almas com seu grave escândalo”. O Papa considerava a situação como uma ameaça à centralização da Igreja: “Eles planejam elevar o padrão de mentiras nesta nossa cidade amada, diante da própria cátedra de Pedro, o centro da verdade e unidade católica.” Um sucessor do Papa Pio IX, o Papa Leão XIII também abordou e condenou a Maçonaria em toda a sua administração. Ele se opôs a credos e práticas que estavam alegadamente relacionados à Maçonaria, tais como o naturalismo e extremo secularismo (um estado que não reconhece ou não é modelado segundo a palavra de Deus).

Assim como o Vaticano pode ter sido um obstáculo à unificação política da Itália de acordo com os maçons, crenças e práticas radicais da sociedade secreta também podem ser vistos como um obstáculo impedindo a unificação espiritual e o crescimento de uma população cristã. Se é verdade que o poeta não conseguiu, mesmo ao fim de sua vida, transcender qualquer ressentimento que sentia em relação à instituição Católica ou à situação política do seu tempo, a fim de finalmente aceitar o amor infinito de Deus, então seus esforços intelectuais para unir a Itália foram baseado no poder e provocação, ao invés de em amor sincero pelo povo de sua nação. Qualquer campanha para a unidade política lançada por um poeta, sociedade secreta ou um político eleito não deve ser derivada do caos espiritual interno. Uma vez que as atividades maçônicas se baseavam em motivações políticas e sentimentos tóxicos, a Nova Ordem Mundial controlada por sociedades secretas e governos seculares corruptos não serviria como um bom substituto para o absolutismo Papal, que se tinha provado ser igualmente negativo.

Fonte: omalhete.blogspot.com.br

quarta-feira, 20 de setembro de 2023

LOJA RECUSANDO TRANSFERÊNCIA

Em 04/05/2023 o um Respeitável Irmão de uma Loja que pratica o REAA, da constelação das GLMMG (CMSB), sem mencionar o Oriente, Estado de Minas Gerais, apresenta a questão seguinte:

RECUSA DE TRANSFERÊNCIA

Seguinte: considerando que embora as Lojas Maçônicas sejam independentes e soberanas em suas decisões, bem como nada do que foi discutido em uma sessão possa ser revelado a quem dela não participou, gostaria de saber sua opinião sobre a seguinte questão: Pode uma Loja da jurisdição das Grandes Lojas e que pratica o REAA tomar a decisão de recusar um pedido de transferência de um irmão regular e ativo de loja que, também, pertença às Grandes Lojas sem apresentar uma justificativa para tal decisão? Ou seja, simplesmente recusar sem dizer o porquê?

COMENTÁRIOS:

Essa não é uma questão que se adequa ao meu ofício, já que atuo no campo da liturgia, história e ritualística maçônica. À vista disso vou emitir apenas uma opinião sem entrar no mérito da decisão da Loja.
Nesse sentido, genericamente penso que se um Irmão é regular e pede transferência nos conformes da lei, de uma para outra Loja da mesma Obediência, o mais natural seria que fosse deferido o seu pedido.

É bem verdade que eu não conheço amiúde a legislação da sua Obediência e nem o regimento interno da respectiva Loja. Como foi dito, em primeira análise é desconhecido o porquê do pedido ser ter sido indeferido

Por outro lado, saliento que a minha opinião – apenas opinião - se prende a um fato corriqueiro nas Lojas. Assim, no contexto da sua questão é preciso ouvir as razões pelas quais fora negada a transferência (isso é importante).

Vale salientar que nas entrelinhas da lei existem sobre os fatos situações prós e contras, portanto, as justificativas devem fazer parte do processo. Trocando em miúdos, antes de se emitir um parecer laudatório é preciso antes que se tenha ouvido os dois lados da questão.

Salvo melhor juízo, essa é a minha opinião.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

FRASES ILUSTRADAS

A ABÓBODA CELESTE

"No princípio, Deus criou o Céu e a Terra... Deus disse: Haja Luz! E houve Luz... Viu que a Luz era boa e separou a Luz das Trevas... Deus disse: Haja um firmamento... e chamou o firmamento de Céu. O Céu da Loja em Maçonaria, simbolicamente, representa o firmamento natural e se denomina de Abóbada Celeste. Platão já nos falava:

"Para crer em Deus basta erguer o olhar para cima". 

A Abóbada, de cor azulada, está decorada com astros, estrelas e nuvens. É a representação do firmamento celeste. Não apenas na Maçonaria, como também em várias religiões. O Templo significa o Cosmo, é o símbolo da universalidade. Está atribuída à construção da primeira abóbada aos romanos, que tiveram influência dos etruscos e gregos na arquitetura, construindo-a com tal habilidade e beleza que, naquela época, foi considerada como inspirada pelos deuses.

"No teto da Loja figuram: do lado do oriente, um pouco à frente do Trono do Venerável, o Sol; por cima do Altar do Primeiro Vigilante, um estrela de cinco pontas; acima do Altar do Segundo Vigilante, a Lua; no centro do teto, três estrelas da constelação de órion; entre estas últimas e o nordeste, as estrelas da constelação de Plêiades, Híades e Aldebaran; a meio do caminho entre Órion e o nordeste, Réguluz; ao norte, a Ursa Maior; a nordeste, em vermelho, Arcturos; a leste, a Spica da Virgem; a Oeste, Antares; ao Sul, Formalhaut. Júpiter no Oriente; Vênus no Ocidente; Mercúrio nas proximidades do Sol; Saturno e seus anéis, próximo a Órion.

A distribuição dos astros e estrelas no teto da Loja variam em alguns ritos. Cada astro e estrela têm sua importância simbólica e merece um estudo mais aprofundado. Mas para não deixar o trabalho muito longo, farei apenas alguns comentários a respeito dos astros e estrelas, começando pelas duas luminárias principais do nosso planeta:

O SOL é a estrela do centro do sistema solar (e pensar que Galileu Galilei quase morreu por defender o óbvio!!!), tem cerca de cinco bilhões de anos e continuará brilhando por mais cinco bilhões de anos. O Sol também é o símbolo do Deus Único, sustentado por Akenaton (faraó egípcio) no século XIV antes de Cristo, numa época em que o politeísmo (vários deuses) era a idéia predominante. No Egito Osíris era representado no Sol; na Síria Adônis era o Sol; na Grécia, o sumo sacerdote conhecido como Hierofante, simbolizava o Sol. No nosso caso não vamos adentrar na figura mitológica do Sol (ex. a lenda do Deus Rá, símbolo do Sol); tendo seu significado para cada povo da Antiguidade. Basta verificarmos o Panteão de deuses e deusas na mitologia grega.

O Sol na Maçonaria aparece no painel de Aprendiz; no avental do Mestre Instalado; na jóia do Orador; no oriente da Loja à frente do Trono e na denominação do 28º grau Adonhiramita, Cavaleiro do Sol. O mais importante para nós, neste grau, é o que está escrito no ritual de Aprendiz Adonhiramita, pg. 33: "Assim como o Sol aparece no Oriente para principiar sua carreia e romper o dia, assim o Venerável ali tem assento para abrir a Loja, ajudar os Obreiros com seus conselhos e iluminá-los com suas Luzes.

A LUA é o único satélite natural da Terra, tendo exatamente ¼ do tamanho da Terra. Nas antigas Escolas de Mistério, sempre esteve representada. No Egito era a deusa Ísis, patrona dos Mistérios Menores; na Síria, era a deusa Astaroth; na Grécia, Hecate. Na Loja a Lua aparece acima do Altar do Segundo Vigilante e no Painel de Aprendiz.

Os Planetas: Mercúrio é o menor dos planetas e o mais próximo do Sol; Vênus é o segundo mais próximo, quase do tamanho da Terra e de estrutura semelhante; Júpiter é o quinto planeta e o maior do Sistema Solar, existindo 16 luas jupterianas conhecidas; Saturno é o sexto planeta em distância do Sol, quase tão grande quanto Júpiter, possuindo 18 luas.Astros e estrelas estiveram representados em estátuas, quadros, arcos e pórticos de várias Igrejas do Velho Mundo. Para deixar mais claro, citamos um trecho do livro "Os Mistérios das Catedrais" de Fulcanelli, que faz comentários de uma gravura da Catedral de Notre Dame de Paris: "No centro do tímpano, na cornija média, olhai o sarcófago, assessório de um episódio da vida de Cristo; vereis aí sete círculos: são os símbolos dos sete metais planetários. O Sol indica o Ouro, o Azougue o mercúrio; o que Saturno é para o chumbo, é-o Vênus para o bronze; a Lua da prata, Júpiter do estanho; e Marte do ferro, são a imagem.

Sem dúvida, a configuração desses planetas, que são os mesmos do teto da Loja, juntamente com o Sol e a Lua, é de cunho alquímico, um paradoxo do pensamento alquímico/rosacruz da época, iluminando o Templo do pensamento cristão. As Nuvens representam a ascensão da consciência e a pureza de pensamento que se volatiliza em direção ao Cosmos. A Abóbada Celeste é um Caminho Simbólico para alcançarmos verticalmente o Conhecimento Espiritual, dentro do Universo Infinito. O salmo 18 diz: "Os céus contam a Glória de Deus e o Firmamento proclama Sua Obra.

Os Cargos Em Loja E Os Planetas

Os sete principais cargos estão diretamente relacionados com os sete planetas esotéricos. Alguns autores maçons dizem que estão grafadas na Abóbada Celeste as presenças destes planetas por sobre os cargos a eles relacionados. Abordaremos a questão da Abóbada Celeste no próximo tópico. Iniciando pelo Ven.'. M.'. Está relacionado ao planeta Júpiter, visto que representa a Sabedoria. Júpiter rege a visão, a prosperidade, a misericórdia, a liturgia, o sacerdócio, o mestre e a felicidade. 

O Orad⸫ Está relacionado com Mercúrio o planeta que rege a expressão da Verdade, pois é o enviado de Deus. Mercúrio tem asas nos pés e é o porta-voz, aquele que dá as boas vindas e domina os escritos. O cargo de Secr⸫ relaciona-se com o planeta Saturno . É ele o responsável de gravar para a eternidade os fatos de forma fria e exata. Ele é o controlador rígido da ordem dos processos e cioso pela documentação dentro das normas. O M⸫ de Cer⸫ por sua vez está relacionado ao planeta Sol. O Sol caminha diariamente pelo Céu, levando e trazendo a existência, a verdade e a justiça. É ele que anima a vida e que circula no oriente e no ocidente. O Tes⸫ recebe a simbologia da Lua em sua atividade. A Lua dispõe sobre os assuntos mundanos e materiais. Ela é o principal elemento de ligação com o mundo concreto regendo toda geração de uma nova vida ou o desenvolvimento de um corpo já existente. A Lua rege a família, a cidade, o lar e o corpo; portanto rege o Templo.

De forma óbvia, o 1º Vig⸫ e o 2º Vig⸫ são regidos respectivamente por Marte e Vênus, planetas da força e da beleza, simbologia das CCol⸫ onde têm seus tronos. Marte rege o início, a coragem, o pioneirismo e o impulso. Vênus rege a harmonia, o prazer, a alegria, e a beleza como reflexo da manifestação do G⸫A⸫D⸫U⸫

Como sempre nos é ensinado devemos associar as ferramentas de trabalho aos sentidos místicos e extrair delas o seu significado e a sua essência para que possamos transmutar este conhecimento e realizar a obra criadora da luz divina.

O Circulo

Símbolo da livre criação, do infinito e do universo, visto não ter começo nem fim e resultar apenas de um ponto central (o homem), que o traça utilizando um instrumento (o compasso) cujo raio é o limite dos seus conhecimentos, da sua iniciativa e da sua ousadia.

Compasso

Símbolo do espírito, do pensamento nas diversas formas de raciocínio, e também do relativo (círculo) dependente do ponto inicial (absoluto). Os círculos traçados com o compasso representam as lojas. Algumas ciências naturais e artes acabaram se perdendo através dos séculos e acabe a maçonaria reunir os seus ensinamentos e preservar a sua essência, dois exemplos bem claros destes são a Alquimia e a Cabala Judaica.

Contra o racionalismo do Século XVIII, sobreveio uma reação no Século XIX, com o crescimento de um misticismo novo que muito deve à Santa Cabala, tradição antiga do Judaísmo, que relaciona a cosmogonia de Deus e universo à moral e verdades ocultas, e sua relação com o homem. Não é tanto uma religião, mas, sim, um sistema filosófico de compreensão fundamentado num simbolismo numérico e alfabético, relacionando palavras e conceitos.

Alquimia - é a arte espagírica: aquela que separa e reúne. Isto é perfeitamente expresso na máxima alquímica "solve et coagula" (dissolve e coagula). A alquimia é a arte de entender o universo. Ao seu modo, os alquimistas foram os psicólogos, filósofos e médicos de sua época. Suas idéias em comum envolvem: Imortalidade - Longa Vida Androginia - Pedra Filosofal - Tornar-se um Deus - Panacéia.

Para Dante Alighieri o décimo céu é o empíreo, ou esfera do fogo, onde se encontra a Cidade Santa. Mas enquanto os nove céus inferiores são animados de moto rotatório que transmite ao cosmo a fluência do tempo, o décimo permanece imóvel, num eterno presente sem passado nem futuro. Para Pitágoras o cosmo era envolvido pela esfera do tempo, ou periekon, e Arquitas afirmava que além do periekon existia uma esfera caracterizada por um tipo diferente de tempo que ele chamava de tempo psíquico. Na Divina Comédia, Dante mostra como, passando da consciência humana à consciência divina (localizada no décimo céu) se torna possível a conexão entre o tempo físico e o tempo psíquico. Nesse tempo psíquico o princípio e o fim se reúnem garantindo assim a solução do problema da mortalidade física dos seres humanos.

Ninguém sabe exatamente o que existe além dos extremos limites do universo, mas a cosmologia moderna nos oferece uma visão extremamente sugestiva. Vários bilhões de anos atrás, uma explosão primordial (big bang) deu origem não apenas ao mundo material como também ao cenário onde o cosmo está mergulhado, os seja o espaço-tempo. Desde o instante inicial do big bang o espaço-tempo tem se propagado com a velocidade da luz uniformemente em todas as direções fazendo com que o universo ocupe agora um volume limitado, embora ainda em expansão. É claro, então, que além dos limites do universo sempre se encontrará algo de indefinível, mas que não é espaço vazio, pois o espaço-tempo ainda não chegou lá. Nessa região, que envolve totalmente o cosmo, o tempo não transcorre porque lá ele não existe. Assim, a visão cosmológica dos antigos pitagóricos apresenta, pelo menos na questão do tempo, uma considerável analogia com a estrutura do universo proposto pelos cientistas modernos.

Os efeitos dos corpos celestes sobre os assuntos terrestres tem sido observados e registrados por milhares de anos. Evidencia-se que nenhum sistema de conhecimento poderia ter sobrevivido às vicissitudes de centenas de eras se não estivesse fundamentado numa verdade demonstrável. Os antigos estavam convencidos por incontáveis observações que os corpos celestes não apenas influenciam os assuntos do mundo, mas também que tal influencia é periódica e consistente, e os elementos envolvidos podem ser representados numa Ciência Exata - a única Ciência Profética Exata que o Homem preservou. "Assim como ao final do grande ciclo do ano sideral, medido pela precessão dos equinócios em torno do círculo do Zodíaco, os corpos celestes voltam a ocupar as mesmas posições relativas, assim também, no final do ciclo de Iniciação, a parte divina do homem recuperava seu prístino estado de divina pureza e conhecimento", do qual partiu para realizar sua peregrinação através da. Matéria, mas enriquecido pelas experiências então obtidas.

O mais antigo zodíaco circular conhecido se encontra em Dendera, no Egito.As constelações estão representadas no medalhão central, circundado por outro círculo que contem caracteres hieróglifos, contidos em um quadrado.As constelações zodiacais, misturadas a outras configuram uma espiral. Nas extremidades desta espiral após uma revolução estão Leão e Câncer.O Leão está sobre uma serpente e sua cauda é segurada por uma mulher.Após o Leão vemos uma Virgem segurando uma espiga de milho, e logo depois a balança (Libra), acima da qual num medalhão aparece a figura de Harpócrates. Em seguida vemos representados os signos deEscorpião e Sagitário, o qual foi representado como um Centauro alado com dupla face.Após Sagitário estão sucessivamente colocados Capricórnio (Cabra com rabo de peixe), Aquário (figura humana), Piscis (Peixe) , Áries (Carneiro), Taurus (Touro)e Geminis (Gêmeos) A precessão zodiacaltermina em Câncer (representado pelo escaravelho, o emblema da alma). Os planetas também são exibidos, com os signos nos quais estão exaltados (Vênus em Piscis; Marte em Capricórnio; Mercúrio em Virgo e Saturno em Libra). O círculo externo indica a precessão dos equinócios.

Esta era a forma de representar o universo no passado associando as constelações e conhecimentos existentes a sua relação esotérica, pois muito se não tudo que o homem tem e conhece ou foi ensinado pelas palavras do GADU ou transmutado das estrelas, ou seja, o conhecimento contido na estrutura do universo se deposita em forma de luz ao chegar a terra e este conhecimento depositado é transmutado e renasce como a fênix das cinzas em forma de ensinamento e de interpretações da lógica universal e das viagens físicas e mentais que a consciência percorre na sua busca através dos conhecimentos que uma vez assimilados são extraídos da forma mais pura de consciência e associados à essência do Universo e de sua infinita sabedoria. 

(Desconheço o autor)

terça-feira, 19 de setembro de 2023

CINCO NÓS

(republicação) 
O Irmão Sergio Ricardo de Souza, Companheiro Maçom da Loja Cavaleiros do Vale de Rio Negro, 106, sem declinar o nome do Rito e Obediência, Oriente de Rio Negro, Estado do Paraná, apresenta a questão que segue: 
sergio@maxicarfiat.com.br 

Ao responder o questionário do Grau, o mesmo tinha uma pergunta sobre a Corda de 5 Nós, corda esta que não encontrei nada à respeito em nenhum lugar que pesquisei, nem mesmo no Google, li e reli o manual de Companheiro no mínimo umas 3 vezes e não encontrei nada. Conto com sua vasta experiência e sabedoria para sanar minha dúvida. 

CONSIDERAÇÕES:

Acho mesmo bastante difícil o Irmão achar algo a respeito. Embora não tenha sido declinado o nome do Rito, a corda com nós é um símbolo representativo dos limites dos canteiros operativos medievais. Esses canteiros de construções eram cercados, ou delimitados por uma corda presa por anéis de metal em paliçadas com número compatível ao tamanho do espaço. Junto à entrada do canteiro de obras existiam duas paliçadas maiores que delimitavam o acesso. 

Como uma Loja Maçônica significa em linhas gerais simbolicamente esse espaço operativo a corda em alguns ritos maçônicos aparece sugestivamente como lembrança do passado. No caso do Rito Escocês Antigo e Aceito ela é representada com oitenta e um nós, cujos nós em seu número atendem as influências místicas adquiridas provavelmente nos séculos XVIII e XIX. Alguns tratadistas definem o formato desses nós como “laços do amor”. 

Agora, numero de nós que não sejam iguais a oitenta e um, somente se alguns observadores encontraram algumas gravuras de painéis antigos onde, pela falta de espaço para neles serem gravados um número grande de nós, os artistas representaram a corda com um número menor, porém sem relação com números alusivos a idade simbólica dos respectivos graus do franco maçônico básico. 

Como em Maçonaria o campo está aberto à fértil imaginação, provavelmente alguém “achou” que seria plausível inserir nós nos painéis franceses conforme a idade simbólica do Grau. Penso que isso não tardaria a fazer parte de certas instruções, cujo resultado poderia ser a do significado de uma pretensa corda de cinco nós. 

A única resposta que eu poderia dar a respeito da questão é que o número cinco é do estudo do Companheiro. Agora, se o número possui elo com a corda eu francamente não sei. 

Talvez, mas isso fica no campo da suposição, se os nós estiverem relacionados a uma medida, eu diria que na representação da 47ª Proposição de Euclides – Teorema de Pitágoras onde em um triângulo retângulo a soma dos quadrados dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa, em se usando no cálculo as medidas três e quatro para os respectivos catetos o resultado seria cinco para a hipotenusa. Agora se os cinco nós representarem a hipotenusa é que são as coisas. Note como é fácil viajar na maionese.

Se é que eu tenho uma vasta experiência com gentilmente o Mano se refere à minha pessoa, acredito que nessa vastidão ainda não cheguei à compreensão de algumas temerárias asseverações. Assim, me junto ao Irmão para que ambos façamos um apelo: com a palavra para uma explicação plausível, o autor dessa questão! 

T.F.A. 
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 0998, Florianópolis (SC) – terça-feira, 28 de maio de 2013.

PÍLULAS MAÇÔNICAS

nº 13 - A Maçonaria Operativa

Na Idade Média os maçons eram distintos. Era essa a sensação generalizada na Inglaterra, França e Europa Central, pois enquanto os outros trabalhadores trabalhavam para os senhores feudais, sem sair de seu vilarejo, os maçons eram especialistas e serviam aos reis e nobreza e viajam para todos os cantos desses paises. Trabalhavam as pedras e erigiam castelos, catedrais e abadias.

Inglaterra

A vida profissional era bem estabelecida. Existiam dois tipos de maçons: os “rústicos” que cortavam e moviam os blocos para o alicerce e os “especialistas” que faziam o trabalho em blocos para a arquitetura em geral, acabamento e ornamentação.

Pertenciam a Grêmios que eram compostos pelos principais empregadores do ramo e, as vezes, controlados por um funcionário real. Tinham “deveres” (Charges) estabelecidos por esses Grêmios. O primeiro era com Deus: deviam crer na doutrina da Igreja Católica e repudiar todas as heresias. O segundo era com o Rei, cuja soberania deviam obedecer. O terceiro era para com seu mestre, o empreiteiro das obras.

Formavam sindicatos, ilegais, pois contrariavam as determinações salariais dos grêmios, e se reuniam secretamente correndo o risco de penalidades da lei.

França

Os maçons eram, como na Inglaterra, a elite dos trabalhadores. Diferentemente, formaram uma organização que não tinha paralelo na Inglaterra: a “Compagnonnage”. Os “Compagnons” (companheiros), seus membros, que algumas vezes eram trabalhadores com outros ofícios, formavam uma forte organização. Os reis e governos da França não aprovavam essa situação e, por diversas vezes, ditaram leis e decretos contra a Companonnage (1498, 1506, 1539...). Em 1601, um estatuto proibia que se reunissem em mais de três nas tabernas. Em 1655, a Faculdade de Sorbone, proclamou que os compagnons eram malvados e ofendiam as leis de Deus.

Alemanha e centro da Europa

Os maçons eram chamados de Steinmetzen, e da mesma forma eram a elite dos trabalhadores. Suas atividades eram também reguladas por corporações do ramo. Havia Lojas importantes de Steinmetzen em Viena, Colônia, Berna e Zurich, mas todas aceitavam a liderança dos maçons de Estrasburgo. Inclusive, o imperador Maximiliano I proclamou um decreto em que dava força de lei ao seu código de conduta (diferente do que foi escrito para Inglaterra e França).

Essa liderança durou até 1685, quando a cidade foi invadida pelo exercito de Luiz XIV e anexada à França.

Escócia

Os Grêmios de maçons eram mais antigos do que os da Inglaterra. Em 1057, o rei Malcolm III Canmore outorgou uma Carta, com o poder e obrigação de regular o oficio, à Companhia de maçons de Glasgow.

Infelizmente, por não haver em abundancia a pedra franca na região, tiveram menos êxito para manter a boa posição já citada. Inclusive, nesse país foi modificada a regra para os “aprendizes ingressados” de tal modo que, o aprendizado ficou com um lapso de tempo mais curto, do que na Inglaterra, por exemplo. Os mestres mais antigos, qualificados, para se protegerem profissionalmente, começaram a usar uma palavra secreta que era transmitida entre eles, para o reconhecimento entre si. Essa palavra chave ficou conhecida como a “Palavra Maçônica”.

Fonte: pilulasmaconicas.blogspot.com

A ACÁCIA E A MAÇONARIA

Alcinei Feitosa*
A Acácia: planta símbolo por excelência da Maçonaria; representa a segurança, a clareza, e também a inocência ou pureza. A Acácia foi tida na antiguidade, entre os hebreus, como árvore sagrada e daí sua conservação como símbolo maçônico. Os antigos costumavam simbolizar a virtude e outras qualidades da alma com diversas plantas. A Acácia é inicialmente um símbolo da verdadeira Iniciação para uma nova vida, a ressurreição para uma vida futura.

NA BOTÂNICA

A Acácia é uma árvore espinhosa que possui espinhos penetrantes, da família das leguminosas-mimosas, Acácia Dialbata. É dela que se extrai a goma arábica.

No texto original grego do Novo Testamento o termo usado é akanqwn (akanthon), que foi traduzido ao português tanto como Acácia ou como acanto, e que também pode significar espinho, espinhoso, etc. Esta palavra grega aparece em várias passagens da Bíblia mencionando a coroa de espinhos e também a árvore conhecida como shittah. A coroa de Acácia espinhosa na cabeça de Jesus é símbolo de sabedoria. Mas como devemos interpretar o gesto dos soldados romanos quando coroam Jesus com espinhos?

Podemos entender como mais um ato de crueldade com sentido unicamente pejorativo ou será que, aparentemente, houve alguém que conhecendo a simbologia encetada no ramo de Acácia induziu à soldadesca a usar este tipo de ramo?

NA ANTIGUIDADE

Em hebraico antigo o termo shittah é usado para Acácia sendo o plural shittin. Os povos antigos tiveram um respeito extremado pela acácia chegando a ser considerada um símbolo solar porque suas folhas se abrem com a luz do sol do amanhecer e fecham-se ao ocaso; sua flor imita o disco do sol. Entre os árabes, na antiga Numídia seu nome era Houza e acredita-se ser a origem de nossa palavra "Huzé". Também é chamada como Hoshea, palavra sagrada usada num capítulo do R⸫ E⸫ A⸫ e A⸫ O sentimento dos israelitas pela Acácia começa com Moisés, quando na construção dos elementos mais sagrados é utilizada a Acácia (Arca, Mesa, Altar) devido, principalmente, por suas características de imputrescibilidade. Os Egípcios também a tinham como planta sagrada, mas Maomé ordenou que a destruíssem.

A Acácia é dedicada a Hermes - Mercúrio e seus ramos floridos relembram o celebre “Ramo Dourado”, dos antigos mistérios. Trata-se, efetivamente, da Acácia Mimosa, cujas flores se parecem pequenas bolas de ouro. É a planta de que fala a fábula de Osíris e o Rito Maçônico do Grau de Mestre. Essa planta teria florescido sobre o túmulo do deus, o iniciado, morto por Tifão e que era para fazer reconhece-lo. 

NA BÍBLIA

Altar dos Holocaustos - "Farás o altar de madeira de Acácia. Seu comprimento será de cinco côvados, sua largura de cinco côvados e sua altura será de três côvados". (Êxodo, 27 - 1).

Arca da Aliança - farão uma arca de madeira de cetim (Acácia)... (Êxodo 25:10)

Mesa dos Pães Propiciais - farás uma mesa de madeira de cetim (Acácia)... (Êxodo 25:23)

Bete-Sita, no hebraico significa Lugar da Acácia, e no Atlas moderno aparece localizado no paralelo 32 e 30’ ao lado do rio Jordão.

A Bíblia é rica em alusões da madeira de Acácia dando para ela usos sagrados (a cruz do sacrifício de Jesus teria sido feita de Acácia) o que, por sua vez a converte em uma árvore sagrada. A Acácia é o Shittah ou Shittim no plural (Espinho em Hebreu), como o Pau de Cetim da Arca da Aliança (Êxodo, 35 e seus versículos).

A Acácia é considerada como árvore sagrada. Moisés, a pedido do Senhor, ordenou seu povo, enquanto descansava no deserto, ao pé do Sinai, usasse a Acácia - Pau de Cetim na fabricação do Tabernáculo e nos móveis nele usados - A Arca da Aliança, a Mesa dos Pães da Proposição, os Varais da Arca, os adornos, etc.

NA MAÇONARIA

Entre os rosacruzes, assim como em alguns ritos maçônicos já desaparecidos, ou de pequena expressão, na Europa, ensina-se que a Acácia teve a sua madeira utilizada na confecção da cruz, onde Jesus foi executado, o que é pura especulação.

Quando o Resp⸫ M⸫ pergunta ao Ven⸫ Irm⸫ 1º Vig⸫ "Sois M⸫ M⸫ ? E o interpelado responde ”A A⸫ M⸫ é C⸫" ele estabelece de imediato sua qualidade de Maç⸫, o que, equivale a dizer "tendo estado na tumba, e triunfado levantando-me dentre os mortos e, estando regenerado, tenho direito à vida eterna". A interpretação simbólica e filosófica da planta sagrada é riquíssima e lembra a parte espiritual que existe dentro de nós que, como uma emanação de Deus, jamais pode morrer. A Acácia é, simplesmente, a representação da alma e nos leva a estudar seriamente nosso espírito, nosso eu interior e a parte imaterial de nossa personalidade.

Outra importante significação simbólica da Acácia foi dada por Albert Gallatin Mackey e Bernard E. Jones que ressaltam a Inocência e a iniciação; o grego akakia também é usado para definir qualidade moral, inocência ou pureza de vida. E do Maç⸫, que já conhece a Acácia é esperado uma conduta pura e sem máculas. Estima-se que em 1737 a Acácia nasce em nosso simbolismo junto com a Maçonaria especulativa, sendo a consciência da vida eterna. "Este galho verde no mistério da morte é o emblema do zelo ardente que o M⸫M⸫ deve ter pela verdade e a justiça, no meio dos homens corruptos que se traiçoam uns aos outros".

Maçônicamente simboliza Inocência, Iniciação, Imortalidade da Alma (os 3 I⸫) e Incorruptibilidade, porém na lenda de Hiram simbolizou a Inveja, o fanatismo e a Ignorância. Incorruptibilidade, por isso, foram enterrados os membros de Osíris, num caixão de Acácia; Imortalidade, Ressurreição (renovação, metamorfose) de Osíris, Hiram e Jesus; Iniciação, pois a Imortalidade é o apanágio dos adeptos e Iniciados; Inocência, pois os espinhos representam aqueles que não se deixam tocar por mão impuras. Sendo da família da “mimosa” , como a planta “sensitiva”, fecha as folhas ao serem tocadas. Akakia (em grego) quer dizer sem maldade ou malícia. Quando O Maç⸫ diz que a A⸫ M⸫ é C⸫, significa que conhece a imortalidade da alma.

Na história de Jacques Molay, também, surge a citação de que alguns Cavaleiros disfarçados que colocaram Ramos de Acácia sobre suas cinzas quando as mesmas foram levadas para o Monte de Heredom. Três dos quatros Evangelistas a mencionam em seu Evangélio, Mateus (27:29), Marcos (15:17) e João (19:2), ligando-a ao “coroamento de Jesus”.

Concluindo, quando o M⸫ M⸫ responde A⸫ M⸫ é C⸫, significa: Levantei-me do túmulo e saí com vida. Sou eterno, consciente de meu ser como homem livre e regenerado; estou cultivando o desenvolvimento de todas as minhas dificuldades, procurando engrandecer, amar e socorrer meus irmãos que tiverem justas necessidades; estou procurando significar minha existência, fazendo feliz a humanidade; a vida presente é a preparação da futura. A felicidade eterna do homem começará quando ele tiver alcançado a mais profunda paz, que resulta da harmonia e do equilíbrio perfeito, com a Sublime Luz do G⸫A⸫D.'.U⸫

A Acácia á a árvore da vida. Suas flores cegam, suas sementes matam, as suas raízes curam. A semente é o veneno; a raiz o antídoto.

*Agradecimento à assessoria do consultor Ir⸫ Jose Roberto Mira do G⸫O⸫P⸫ Caraguatatuba