O silêncio, na Maçonaria, não é ausência: é presença profunda. É o espaço onde a palavra se prepara, onde o símbolo se revela, onde a alma ouve. Nos rituais, o silêncio não se impõe como castigo, mas como privilégio: é o limiar que separa o profano do sagrado. O iniciado aprende que antes de falar deve compreender, e que a sabedoria nem sempre é transmitida por sons, mas por gestos, olhares e pausas carregadas de sentido. Neste contexto, o silêncio se torna uma ferramenta de construção interior, tão poderosa quanto o esquadrão ou o compasso.
Narrativamente, o silêncio aparece como um companheiro fiel do Mestre. Quando Hiram Abif é interrogado pelos seus assassinos, responde com silêncio. Não por medo, mas por fidelidade a um conhecimento que não pode ser entregue sem mérito. Esse ato transforma o silêncio em resistência, em dignidade, em testemunho. O iniciado que fica calado não se esconde: protege. Não evite: honra. Neste sentido, o silêncio também é uma forma de linguagem, uma que só os corações preparados podem decifrar.
Historicamente, o silêncio foi uma estratégia de sobrevivência. Em tempos de perseguição, quando as logias eram fechadas e os maçons perseguidos, calar era preservar. Palavras podiam ser interceptadas, mas o símbolo silencioso uma mão colocada no peito, um olhar sustentado, um gesto ritual continuava a transmitir a fraternidade. Assim, o silêncio tornou-se um arquivo vivo, memória criptografada, ponte entre gerações. O que não podia ser dito, podia ser sentido. O que não podia ser escrito, podia ser guardado na alma.
Mas o silêncio maçônico não é apenas defensivo: é criativo. Nele se gestam as ideias, afiam-se os princípios, purifica-se a intenção. O silêncio prepara o terreno para a palavra justa, para o gesto nobre, para a ação coerente. Em um mundo saturado de ruído, o silêncio maçônico é uma rebelião elegante: um convite à profundidade, à escuta, ao respeito. É o espaço onde o iniciado se encontra consigo mesmo e com o mistério que o habita.
Fonte: Facebook_Maestros Masones
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