Este é um mergulho profundo na psicologia do "Profano Indiscreto" — aquele que confunde a entrada de um Templo com a recepção de um clube de vantagens. O texto abaixo explora esse choque entre a solenidade milenar e a superficialidade digital.
O Despertar do Sonho Oco: O Diálogo entre o Prumo e a Inércia
O cenário é o vasto e impessoal mundo digital. De um lado, a paciência lapidada de um Mestre Maçom; do outro, a urgência vazia de alguém que busca um segredo que não está disposto a merecer.
O Equívoco da Infância
Quando o suposto candidato proclama: "Meu sonho é ser maçom desde criança", ele entrega sua primeira fraqueza. A Maçonaria não é um parque de diversões para fantasias infantis; é o trabalho árduo de homens feitos, de espíritos maduros que trocaram o brinquedo pelo cinzel. Quem busca a Ordem por um "sonho de criança" geralmente busca o lúdico, o mistério de capa e espada, ignorando que o verdadeiro mistério é o peso da responsabilidade sobre os próprios atos.
A Máscara dos "Amigos Invisíveis"
Ao ser questionado sobre sua real motivação, o candidato recorre à dissimulação: "Tenho amigos maçons que já me convidaram três vezes". Aqui, o Mestre silencia e observa o abismo.
* Se o convite fosse real, por que ele busca um estranho na internet?
* Se os amigos são reais, por que não viram nele o brilho necessário para o apadrinhamento?
O "convite" que esses candidatos imaginam é cercado de tapetes vermelhos e promessas de ascensão financeira. Eles não entendem que, na Maçonaria, ninguém é "convidado" para o privilégio sem antes ser testado no sacrifício. O convite que ele menciona, provavelmente, foi para uma Sessão Pública — o pátio, nunca o Sanctum. Ele confunde a cortesia de uma visita com a honra de uma iniciação.
O Choque com a Realidade de Pedra
A conversa atinge o ponto de ruptura quando o Mestre toca na ferida do egoísmo: o custo.
Não apenas o custo em metais — que mantém o teto sobre a cabeça e a caridade em movimento — mas o custo do tempo, da dedicação e da disciplina.
Quando o candidato questiona: "Quanto tenho que pagar?", ele revela sua mentalidade de consumidor. Ele quer comprar uma identidade, quer etiquetar sua alma com um esquadro e um compasso como quem compra uma grife. A resposta do Mestre é um aviso: A Maçonaria não é comércio. Não se barganha a luz.
Se você procura uma "pesquisa de mercado" para ver onde é mais barato ser iniciado, você já foi reprovado pelo Grande Arquiteto antes mesmo de bater à porta.
O Veredito Final
A insistência do candidato em desmentir o Mestre, citando o "amigo que disse que não havia custos", é o último prego em seu caixão iniciático. Ele revela a face da mentira. Se o amigo fosse maçom, saberia que a gratuidade só existe na ignorância.
O diálogo termina não com uma porta aberta, mas com um espelho colocado à frente do curioso. O "sonho" do impostor se desintegra diante da primeira exigência de ação real.
O QUE PERCEBEMOS, AFINAL?
Percebemos que muitos batem à porta do Templo não porque desejam ser melhores, mas porque desejam parecer maiores.
Percebemos que a internet deu voz a uma legião de curiosos que confundem a facilidade do "clique" com a dificuldade da "lapidação". O que sobra, ao fim dessa conversa, é a imagem de um homem que queria as glórias de um Mestre, mas não tinha o caráter de um Aprendiz.
No final, percebemos que a Maçonaria continua seletiva, não por arrogância, mas por autodefesa: o Templo é feito de pedras vivas, e quem tem alma de areia não suporta o peso da estrutura.
Fonte: Federação Maçônica de S.Paulo
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