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terça-feira, 15 de setembro de 2026

A MADAME NEGRA

Por Luciano J. A. Urpia

Em 1848, os maçons de Toulouse (França) encomendaram uma estátua da Liberdade, inaugurada pouco antes da abolição da escravatura. Representando a República como um escravo liberto, essa imponente figura de 1,20m e 90kg sofreu décadas de indignidades: foi alvejada, enterrada durante a Segunda Guerra Mundial e esquecida num canto, coberta de teias de aranha. Até que, nos anos 1970, foi resgatada por um museu comunitário de ex-resistentes e deportados.

A "Marianne Negra", como é conhecida, é um verdadeiro enigma histórico. Um buraco no peito, talvez de um tiro ou do roubo de uma joia, permanece sem explicação definitiva. Restaurada e estudada por entusiastas, ela revelou-se um símbolo potente: usa o barrete frígio dos escravos libertos e o peplo (vestimenta) das mulheres livres de Atenas, além de esconder iconografia maçônica e referências à Antiguidade em seus detalhes.

Hoje, ocupando um lugar de destaque no Museu Departamental da Resistência e da Deportação de Toulouse, ela é celebrada como a primeira Marianne Negra da França. Sua trajetória, da perseguição pelo regime de Vichy à redescoberta como “combatente da resistência” material, transformou-a num testemunho silencioso, porém imponente, das lutas pela liberdade, da repressão e da resiliência da memória.

Na imagem, o busto original da Liberdade que está em exposição no Museu Departamental da Resistência e da Deportação em Toulouse.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

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