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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

domingo, 10 de janeiro de 2021

INGRESSO DO PAVILHÃO NACIONAL - POSTURA COM A ESPADA

INGRESSO DO PAVILHÃO NACIONAL - POSTURA COM A ESPADA
(republicação)

Em 06/12/2016 o Respeitável Irmão Fernando Américo Guimarães, Loja Estrela de Luziânia, 1.644, REAA, Grande Oriente do Estado de Goiás - GOB, Oriente de Luziânia, Estado de Goiás, formula a seguinte questão:

INGRESSO DO PAVILHÃO NACIONAL

Tenho dúvida na questão em que depois de formada a guarda de honra para receber o Pavilhão Nacional. Estando os treze irmãos da maneira de costume quanto vai começar a tocar o Hino Nacional o Venerável Mestre dá o comando de "perfilados". Todos os Irmãos presentes desfazem o sinal. Pergunto: os treze Irmãos dessa guarda de honra devem também o fazer? Ou colocar o braço em que leva a espada na diagonal em direção ao solo? Passei por essa situação e foquei na dúvida e quero fazer o correto na próxima vez.

CONSIDERAÇÕES:

A Comissão de Recepção (13 Mestres) e a Guarda de Honra (Mestres), nessa oportunidade colocam as espadas em ombro-arma, isto é: empunhando-a pela mão direita com a lâmina na vertical apontada para cima tendo o pulso junto ao quadril direito com o braço, antebraço e cotovelo afastado do tronco. A postura é também conhecida como "espada à Ordem", embora esse não seja um termo muito correto.

Lembro que nessa postura os protagonistas terão os seus pés unidos formando uma esquadria pela união dos calcanhares e o corpo ereto.

Em se tratando da Comissão de Recepção cada integrante ainda terá na sua mão esquerda e pelo lado esquerdo do corpo uma estrela que vai empunhada e com o respectivo braço na vertical junto ao tronco formando com o antebraço na horizontal uma esquadria direcionada para frente.

Quanto à postura de apresentar armas (em continência), que é o gesto de manter a espada empunhada pela mão direita com o braço e antebraço esticado em direção ao solo (com a ponta a 15 cm do piso), diagonalmente em relação ao lado direito do tronco, ela somente se dará quando da passagem em deslocamento da Bandeira.

Assim, durante o canto do Hino Nacional as espadas ficam em ombro-arma. Com o Pavilhão em deslocamento após o canto do Hino, as espadas serão apresentadas em continência.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

A FIXAÇÃO DA RITUALÍSTICA NO INCONSCIENTE DO MAÇOM

A FIXAÇÃO DA RITUALÍSTICA NO INCONSCIENTE DO MAÇOM
por Eduardo Albuquerque Rodrigues Diniz **

Muitas vezes são imperceptíveis, mas as pessoas estão cercadas de Ritos. Eles, inclusive, contribuem para o bem-estar dos indivíduos. “Os ritos e rituais vêm da antiguidade com a mesma função: servem acima de tudo para facilitar o encontro com nós mesmos, para não nos desviarmos dos nossos objetivos e metas que traçamos com sinceridade; são uma ferramenta para nos lembrar quem somos, o que estamos fazendo e como estamos fazendo”, segundo España (2017).

Utilizados de forma equilibrada, os ritos ajudam o ser humano a ter mais autocontrole, a estar mais centrado nas ações que desempenham, impedindo-o de desconectar dele mesmo, e por isso, podem e devem ser criados e respeitados, como forma de trazer um ganho geral, melhorando sua motivação e consequentemente tudo ao seu redor.

sábado, 9 de janeiro de 2021

SÃO JOÃO NA MAÇONARIA

Em 25.06.2020 o Respeitável Irmão Walter Vieira, Loja Torre do Médio Jequitinhonha, 2.326, REAA, GOB-MG, Oriente de Medina, Estado de Minas Gerais, apresenta a questão seguinte:

SÃO JOÃO NA MAÇONARIA

Sobre "São João" ser considerado o padroeiro/patrono da Maçonaria de uma forma universal. Essa afirmação tem base para ser considerada verdadeira ou é válida somente para alguns ritos? Minha dúvida sempre surgiu em razão dele ser citado somente em alguns ritos mais "teístas" e não em todos os ritos. Aproveitando, há algum documento oficial da fundação da GLUI ou dos primórdios da Maçonaria especulativa que o cita como padroeiro/patrono?
Na mesma linha, "São João" é figura presente em quais ritos praticados pelo GOB, por curiosidade?

CONSIDERAÇÕES:

Ambos, João, o Batista, como João, o Evangelista, são personagens comemorados na Maçonaria em geral. Muitos acontecimentos históricos a ela pertinentes possuem relação com as datas comemorativas desses dois santos padroeiros – posse de Grão-Mestres, Lojas de Mesa, datas de fundação, etc.

Isso porque a Moderna Maçonaria, especulativa por excelência, é oriunda da Franco-Maçonaria - organização de pedreiros profissionais que floresceu na Idade Média. 

No período do ofício, essas associações de canteiros profissionais floresceram e cresceram à sombra da Igreja, portanto não é de se estranhar a sua influência sobre essas corporações de artesãos da pedra calcária (vide a sua história).

Historicamente, os personagens “Joões” apareceriam atrelados às datas solsticiais do verão e do inverno após a adesão do Imperador Constantino ao Cristianismo a partir do ano 313 d.C.[i] e a sua consolidação no ano 380 d.C. pelo Imperador Teodósio I.[ii] Com o advento do Cristianismo no Império Romano a Igreja teve que adequar seus santos religiosos às comemorações pagãs dos romanos.

Assim, correlatos aos solstícios de verão e de inverno no hemisfério Norte, o Batista e o Evangelista se firmariam como padroeiros da Maçonaria, já que ambos os solstícios eram datas importantes para os ciclos de trabalho nas construções da época – atividade total na primavera, verão e outono e o descanso nas agruras do inverno setentrional.

Foi por esse feitio que João, o Batista e João, o Evangelista assumiram o patronato amplo e geral da Maçonaria. 

Com a posterior profusão de vários ritos pelo advento da Maçonaria dos Aceitos, alguns ritos até mencionam outros personagens icônicos, contudo, o Batista e o Evangelista, sempre estarão presentes nas datas solsticiais em todos os ritos maçônicos. 

Reitero, os personagens João, o Batista e o Evangelista são oriundos de um período muito antigo e trazem resquícios dos nossos ancestrais que se firmaram na história como origens de muitas práticas maçônicas. Foi com relação a esses personagens que as Lojas ficariam conhecidas como “as Lojas de São João”.

Outros comentários a respeito podem ser encontrados no Blog do Pedro Juk em http://pedro-juk.blogspot.com.br

Dando por concluído, devo salientar que existem aspectos que são espontâneos e imemoriais, sobretudo quando se trata de Maçonaria onde tradicionalmente nem tudo se escrevia, mas se transmitia oralmente. Assim “documento oficial” relacionado ao padroado dos Joões não é comum numa instituição que mantém universalmente as suas tradições usos e costumes. Enfim, nem tudo precisa estar escrito, já que muitas vezes aparências se consagram pela sua obviedade. 

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MAÇONS QUE LEEM E MAÇONS QUE NÃO LEEM

MAÇONS QUE LEEM E MAÇONS QUE NÃO LEEM

Eu acredito que existam muitos maçons que são desconhecedores dos princípios da maçonaria, assim como há homens de todas as classes que estão sujeitos a ignorância da sua própria profissão. Não existe um relojoeiro que não saiba sobre os elementos de relojoaria, nem um ferreiro que não esteja totalmente familiarizado com as propriedades do ferro em brasa. Subindo para os mais altos caminhos da ciência, eu ficaria muito surpreendido se encontrasse um advogado que fosse ignorante dos elementos de jurisprudência, ou um médico que nunca tenha lido um tratamento sobre uma patologia, ou um clérigo que não saiba absolutamente nada de teologia. Entretanto, nada é tão comum quanto encontrarmos maçons que estão na completa escuridão a respeito de tudo que se refere a Maçonaria. Eles são ignorantes da sua história, não sabem se uma produção é atual ou se ela vem de eras remotas na sua origem. Eles não têm compreensão do significado esotérico de seus símbolos ou suas cerimônias e dificilmente entendem seus modos de reconhecimento. No entanto é muito comum encontrar esses socialistas na posse de graus elevados e, por vezes, sendo homenageados por altos membros da Ordem, presente nas reuniões de lojas e capítulos, se intrometendo nos procedimentos, tomando parte ativa em todas as discussões e persistindo na manutenção de opiniões heterodoxas em oposição ao julgamento dos irmãos de muito maior conhecimento.

Por que razão acontecem tais coisas? Por que, só na maçonaria, deve haver tanta ignorância e tanta presunção?

sexta-feira, 8 de janeiro de 2021

CHAPÉU

CHAPÉU
(republicação)

Em 01/12/2016 o Respeitável Irmão Marcelo Souza Pedro, Loja Amor e Justiça, 7, REAA, Grande Loja do Estado do Mato Grosso do Sul, Oriente de Coxim, Estado do Mato Grosso do Sul, solicita esclarecimentos para o seguinte:

CHAPÉU

A grande duvida da Loja é sobre o ritual 3º grau (Mestre Maçom) REAA, quando da abertura dos trabalhos após o 2º Diácono se postar ao Sul do Altar dos Juramentos o Venerável Mestre invoca o GADU para proceder à abertura dos trabalhos (todos se descobrem conforme o ritual), feito isso o Mestre de Cerimonias convida o Venerável estre mais moderno para formar o palio. DUVIDA: o Mestre de Cerimonias e o Venerável Mestre mais moderno irão descobertos ou só se descobrem após a formação do palio.

CONSIDERAÇÕES:

O uso do chapéu é tradicional no REAA∴, embora as instruções e rituais deixem muito a desejar quando mencionam essa cobertura da cabeça.

Na questão do uso do chapéu durante a abertura da Loja, geralmente em sinal de respeito ao momento em que as Luzes Emblemáticas serão expostas sobre o Altar e a correspondente leitura de abertura, os Irmãos devem permanecer descobertos (sem o chapéu) até o término específico dessa liturgia - geralmente quando todos sentam imediatamente após a abertura da Loja voltam a se cobrir.

Para o bom desenvolvimento da ritualística os Irmãos que se deslocam por dever de ofício nesse momento, deixam os seus respectivos chapéus nos seus lugares em Loja.

De retorno ao seu lugar após o cumprimento da missão litúrgica, ao tomarem assento, cobrem-se novamente.

Observação - como geralmente essas questões são publicadas no intuído de ajudar a esclarecer questões ritualísticas, lembro que a alusão aos Diáconos e a formação de pálio citados na questão pelo consulente se referem aos Rituais da Sereníssima Grande Loja. Sem discutir o certo e o errado, lembro que existem diferenças entre os rituais das Obediências brasileiras.

T.F.A.
PEDRO JUK jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

APRENDA A CALAR

APRENDA A CALAR
(da Folha Maçônica – Edição de novembro nr. 269)

Há muita necessidade de silêncio nos dias atuais...

As pessoas ansiosas por se fazer ouvir, falam cada vez mais alto, como se issobastasse para que os outros as escutassem.

Em restaurantes, shoppings, filas, salas de espera, salões de beleza, aeroportos, se ouvem os falatórios. E para aumentar o ruído, em alguns lugares tem um som ambiente mais alto ainda...

E quando não se tem alguém para falar, o celular serve. A pessoa faz uma ligação e se esquece de que está dividindo o ambiente com outros indivíduos que não estão interessados no seu assunto. 

É impressionante como as pessoas falam muito, e falam alto...

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

GARANTE DE AMIZADE: O QUE É?

GARANTE DE AMIZADE: O QUE É?
(republicação)

O Respeitável Irmão Abtino Berlanda Costa, Mestre Instalado da Loja José Guimarães Gonçalves, 120, R∴E∴A∴A∴, Grande Loja Maçônica do Estado do Rio de Janeiro, Oriente do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, apresenta a seguinte questão:
Contato: abtino.berlanda@gmail.com

Gostaria de obter uma resposta do Irmão Pedro Juk sobre o significado da existência do GARANTE DE AMIZADE, suas atribuições, responsabilidades e áreas de atuação dentro da Maçonaria e se ela se estende dentro da jurisdição da Obediência, ou não.

CONSIDERAÇÕES:

Garante, do francês garant. Substantivo de dois gêneros designa a pessoa responsável por alguma coisa; abonador, fiador.

Amizade, do latim vulg. amicitate. Substantivo feminino designa, dentre outros, estima, simpatia ou camaradagem entre grupos ou entidades. Vinculação de caráter exclusivamente social; relações. Entendimento, fraternidade. Nesse sentido, geralmente o Garante de Amizade é o representante de uma Obediência Maçônica estrangeira junto a uma Obediência nacional, ou o representante de uma Obediência nacional, junto a uma Obediência estrangeira. Normalmente nas Obediências brasileiras um Garante de Amizade deve satisfazer no mínimo alguns requisitos como – ser Mestre Maçom por um período mínimo de três anos; conhecer a língua falada no país da Obediência na qual ele pretende ser o representante; estar em pleno gozo dos seus direitos maçônicos perante a Obediência que será por ele representada, dentre outras.

Para tanto um Garante de Amizade tem como principais atribuições aquelas de visitar a Obediência pela qual ele fora nomeado geralmente a cada dois anos; manter correspondência epistolar com a Obediência que representa, estimulando a troca de informações, publicações, livros, etc.; estar presente em solenidades que indiquem relevância que venham ocorrer na Obediência que ele representa; prestar conta de suas atividades em relatório anual para a Secretaria de Relações Exteriores da Obediência que ele pertença, etc.

Em termos é o que posso relatar sobre o assunto, muito embora essa não seja a minha área. Por fim, sugiro ao Irmão que procure junto a sua Obediência (Grande Loja) informações mais detalhadas a respeito, já que cada Potência Maçônica possui suas características próprias, cujas informações talvez possam enriquecer melhor os detalhes do que é um Garante de Amizade.

T.F.A.
Pedro Juk - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 387 Florianópolis (SC) – 22 de setembro de 2011.

QUALIDADES DE UM CANDIDATO

QUALIDADES DE UM CANDIDATO

A condição exigida para que um candidato possa ser recebido maçom restringe-se a algumas palavras: “ser livre e de bons costumes”. 

Essa frase é consagrada nos rituais e cria certas confusões, uma vez que essas condições de “liberdade” e “moral” devem ser inatas no candidato e não serem obtidas por meio da Iniciação. 

Já foi dito que todo candidato representa um “risco” para o grupo maçônico e que o proponente deve atuar com toda prudência e bom senso. 

O que se esquece é que, uma vez que o candidato supere as provas iniciáticas, ele deixa de ser candidato para ser Neófito, Recipiendário e Irmão. 

No entanto, as condições virtuosas iniciais devem ser duradouras e, assim, o maçom será sempre livre e de bons costumes, que é o mínimo que se exige para uma cidadania social e maçônica. 

A análise do candidato, para constatar se ele é livre, abrange uma série de pesquisas; não se trata da liberdade de ir e vir, mas de “livre pensar”, de independência, liberto de compromissos, alguém em quem se possa confiar e receber no seio de uma família.

É o noivo que deve apresentar no noivado as garantias para a felicidade perene da noiva. 

O maçom, durante o resto de sua vivência maçônica, deverá manter-se livre e de bons costumes. 

Fonte: Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014, p. 321.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

REAA - DEGRAUS DE ACESSO AO ORIENTE

Em 25/06/2020 o Respeitável Irmão André Ricardo Ferraz Roque, Loja Barão do Rio Branco, 03, REAA, GOIPE, Oriente de Arcoverde, Estado de Pernambuco, faz a seguinte pergunta:

DEGRAUS DO ORIENTE 

Gostaria de seu esclarecimento acerca dos degraus de acesso ao oriente e à mesa do Venerável no REAA. Quantos são?

CONSIDERAÇÕES:

De pronto é preciso lembrar que o REAA originalmente no seu primeiro ritual (1804) não trazia Oriente elevado e nem balaustrada separando parte do recinto para o Oriente. 

Essa separação e a elevação só viria surgir pelo aparecimento das chamadas Lojas Capitulares, sistema esse criado em 1816 pelo Grande Oriente da França, cuja característica principal seria a administração pelo Grande Oriente a partir do grau 
de Aprendiz até o 18º Grau conhecido por Príncipe Rosa Cruz. Isso então significava que essa Obediência francesa passava a ter sob a sua tutela os graus 1º até o 18º, ficando os demais, do 19º (Kadosh) até o 33º (Consistório) sob a autoridade do Supremo Conselho da França. 

Nesse sistema misto de simbolismo e altos graus, a Loja Capitular era dirigida por um Príncipe Rosa Cruz – em linhas gerais o Athersata era também o Venerável Mestre dos três primeiros graus.

Sobre o primeiro ritual do simbolismo do REAA ainda cabem mais alguns comentários.

Em outubro de 1804 era criado em Paris o Segundo Supremo Conselho do REAA com a finalidade de difundir o Rito na Europa. É bom que se diga que o REAA fora em princípio concebido originalmente apenas com Altos Graus, isto é, do 4º ao 33º, já que nos EUA, onde se deu o seu nascimento em 1801 (baseado no Rito de Perfeição, ou Heredom), a prática dos três primeiros graus era suprida pelo empréstimo de rituais pertinentes às Lojas Azuis norte-americanas. 

E. T., Lojas Azuis correspondem aos graus de Aprendiz, Companheiro e Mestre praticados na Maçonaria dos EUA.

Com isso, quando o REAA chegou na Europa em 1804, o mesmo não possuía os três primeiros graus. 

Cabe destacar que o termo “simbolismo” ainda não era conhecido na França.

Assim, para suprir essa lacuna, o Segundo Supremo Conselho então fundou em Paris, em outubro de 1804, uma Loja Geral Escocesa para organizar e gerir um ritual em França para o simbolismo do REAA – até então inexistente.

Esse ritual, ainda com resquícios de costumes das Lojas Azuis norte-americanas trazidos por maçons franceses que retornavam dos EUA para a França, acabou temperado pela prática dos autoproclamados “Antigos” da Grande Loja surgida em 1751 na Inglaterra para fazer oposição aos “Modernos” da Primeira Grande Loja londrina que fora fundada em 1717 (vide essa história). 

Boa parte desse primeiro ritual do REAA então seria influenciado pela exposure atribuída aos Antigos e conhecida pelo título de The Three Distinct Knocks (As Três Pancadas Distintas). Esse acontecimento mais tarde acabou dando um viés anglo-saxônico para o REAA que é reconhecidamente um rito filho espiritual da França, portanto, latino.

Devido a essa influência é que o ritual de 1804 do REAA mencionava que o seu espaço de trabalho era tal qual a sala da Loja do Craft, isto é, na totalidade da sua extensão tudo ficava no mesmo nível. Não existia separação por balaustrada do Oriente para o Ocidente. 

Nesse mesmo ritual, o que hoje conhecemos como Colunas do Norte e Sul, ambas se estendiam do Oriente até o Ocidente. O Oriente, em linhas gerais, era onde ficavam o Venerável Mestre e as autoridades. Detalhe é que a parede oriental era edificada em semicírculo.

No que concerne ao Oriente elevado em relação ao Ocidente do Templo, este costume somente surgiu pelo advento das Lojas Capitulares, época em que foi, em 1820, construído um outro ritual que se adequasse às então normas capitulares. É dessa época que a terça parte da área de trabalho da Loja foi elevada e separada por uma balaustrada com uma passagem central. Foi desse modo que o Oriente, à moda do Capítulo, acabou separado e elevado do Ocidente nos Templos do REAA.

Com isso, nas Lojas Capitulares o acesso para o Oriente era feito por quatro degraus. Na verdade, o Oriente elevado fora na época concebido para representar o Santuário do Grau Roza Cruz. Esse espaço, durante os trabalhos da Loja, era ocupado apenas por aqueles colados no Grau 18 ou acima dele.

Mais tarde, com o desaparecimento das Lojas Capitulares, já que o Supremo Conselho do REAA havia reivindicado justamente para si os graus a partir do 4º até o 18º, as modificações produzidas no ritual das Lojas Capitulares pelo Grande Oriente da França em 1820, modificações essas concernentes à divisão e elevação do Oriente, ao invés de serem extirpadas, ao contrário, ficaram incorporadas definitivamente no simbolismo do REAA. Isto é, extinguem-se as Lojas Capitulares, mas o Oriente das Lojas Simbólicas continua dividido e elevado.

A bem da verdade, não é de hoje que o REAA vem sofrendo com enxertos e adaptações com práticas que não lhe dizem respeito.

Com a evolução e o aprimoramento dos rituais do escocesismo a partir do século XIX na França, a performance topográfica do Oriente concernente aos quatro degraus de acesso acabaria se dividindo em um degrau de acesso para o Oriente e três para o sólio. 

Contudo, sob o aspecto doutrinário o simbolismo do REAA requeria a presença de sete degraus no seu Templo, o que seria então somado aos quatro primeiros de acesso ao Oriente e ao sólio, mais dois degraus para a cátedra do 1º Vigilante e um degrau para a do 2º Vigilante. 

Ao final, a soma desses desníveis totaliza o número de 7 degraus, cujo valor simbólico é incontestável no arcabouço doutrinário do REAA (o setenário do Mestre).

Quanto aos principais simbolismos desses degraus, esotericamente o número 7 alude ao shabat, ou o dia da criação (influência hebraica). De modo especulativo é a arte de criar um elemento humano que seja capaz de produzir templos à virtude universal (aprimoramento humano). Ainda, por influência anglo-saxônica, o número 7 também simboliza a presença na Loja das Sete Artes e Ciências Liberais estudadas desde a Idade Média. Divididas por Boécio em trivium e quadrivium, a primeira divisão ternária se relaciona com a Gramática, a Retórica e a Lógica (a arte de bem falar), enquanto a segunda divisão quaternária se pauta com a Aritmética, a Geometria, a Música e a Astronomia (a arte de conhecer os arcanos do Universo).

Entretanto, no que diz respeito à disposição correta dos degraus nos templos, sem dúvida ainda existem muitos deles que seguem rituais equivocados, ou seja, permanecem com o Oriente elevado, porém acessado por quatro degraus em vez de um apenas como descrito anteriormente. 

Infelizmente essa contradição, dos quatro degraus de acesso, acabou se generalizando porque ao longo dos tempos muitos Templos do escocesismo acabariam sendo construídos com número de degraus à moda capitular ou mesmo copiando outros Ritos. O problema é que corrigir essa disposição equivocada acaba sendo dispendiosa, resultando muitas vezes em reformas caras e economicamente inviáveis para as Lojas. Dado a isso é que muitos, mesmo errados, preferem permanecer como estão.

Ao concluir, reitero que a maneira mais apropriada para a distribuição dos sete degraus consagrados no simbolismo do REAA, desde a extinção das Lojas Capitulares (ainda no século XIX), é a de um degrau para o Oriente, três para o sólio, dois para o 1º Vigilante e um para o 2º Vigilante – total igual a sete.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

O QUE O INICIANDO DEVE SABER

O QUE O INICIANDO DEVE SABER
Ir∴ Antonio Onías Neto (Grupo de Estudos Atalaia)

"A Maçonaria é uma instituição essencialmente iniciática, filosófica, filantrópica, progressista e evolucionista. Proclama... “

A palavra Maçonaria é de origem francesa (Maçonnerie) e seu membro é chamado de Maçon, Maçom, ou pela forma aportuguesada mação. No Brasil, o Maçom é chamado também de "livre- pensador".

Maçom quer dizer pedreiro, membro da Maçonaria, chamado também de pedreiro-livre, do francês franc-maçon ou do inglês free-mason, nome dado aos construtores e artesãos que não eram subordinados aos feudos.

A origem da Maçonaria é, sem dúvida, a corporação de ofício da Idade Média, tanto que é ela, em seu estudo histórico, dividida em Maçonaria Operativa e Maçonaria Especulativa.

A Maçonaria Operativa, oriunda remotamente dos colégios de artesãos romanos, floresceu na Idade Média junto às grandes Catedrais, preservando a Arte da Construção. Já nessa época, por motivos profissionais, procuravam guardar em segredo suas atividades artesanais, criando sinais de reconhecimento entre si. Os maçons operativos se reuniam em "Lojas", que faziam às vezes de depósito, junto às construções, aparecendo o termo "Loja" a partir do século XIII.

terça-feira, 5 de janeiro de 2021

SÍMBOLOS NO TEMPLO DO REAA

SÍMBOLOS NO TEMPLO DO REAA
(republicação)

Em 29/11/2016 o Respeitável Irmão Marco Nascimento, Loja José Caravér, 101, REAA, Grande Loja Maçônica do Estado do Rio Grande do Sul, Oriente de Porto Alegre, Rio Grande do Sul, solicita o seguinte esclarecimento:

SÍMBOLOS NO TEMPLO DO REAA

Em conversa com meus Irmãos, nos deparamos com uma interrogação, "quantos Símbolos há em um Templo Maçônico do REEA?".

Será que algum livro há a descrição de todos e com as interpretações de cada um dadas pelo Autor?

Se o Irmão puder nos ajudar ficamos imensamente agradecidos.

Outro ponto que nos chama a atenção e que não encontramos uma boa definição são aquelas portas que ladeiam a entrada do Templo que são apenas figurativas. Se também o Irmão puder nos esclarecer onde poderemos encontrar na literatura maçônica.

CONSIDERAÇÕES:

FAMÍLIA É PRATO DIFÍCIL DE PREPARAR

FAMÍLIA É PRATO DIFÍCIL DE PREPARAR

"Família é prato difícil de preparar" (de "O Arroz de Palma”, de Francisco Azevedo)

Família é prato difícil de preparar. São muitos ingredientes. Reunir todos é um problema, principalmente no Natal e no Ano Novo. Pouco importa a qualidade da panela, fazer uma família exige coragem, devoção e paciência. Não é para qualquer um. Os truques, os segredos, o imprevisível. Às vezes, dá até vontade de desistir. Preferimos o desconforto do estômago vazio. Vêm a preguiça, a conhecida falta de imaginação sobre o que se vai comer e aquele fastio. Mas a vida, (azeitona verde no palito) sempre arruma um jeito de nos entusiasmar e abrir o apetite. O tempo põe a mesa, determina o número de cadeiras e os lugares. Súbito, feito milagre, a família está servida. Fulana sai a mais inteligente de todas. Beltrano veio no ponto, é o mais brincalhão e comunicativo, unanimidade. Sicrano, quem diria? Solou, endureceu, murchou antes do tempo. Este é o mais gordo, generoso, farto, abundante. Aquele o que surpreendeu e foi morar longe. Ela, a mais apaixonada. A outra, a mais consistente.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

INDICAÇÃO DE CANDIDATO: PROVIDÊNCIAS PRELIMINARES

INDICAÇÃO DE CANDIDADO: PROVIDÊNCIAS PRELIMINARES 
(republicação)

Questão apresentada pelo Respeitável Irmão Aécio Speck Neves, Loja Nereu de Oliveira Ramos, Rito Escocês Antigo e Aceito, GOB, Oriente de Florianópolis, Estado de Santa Catarina.
aeciospeckneves@hotmail.com

Sobre o mesmo caso tenho várias dúvidas, peço a fineza de um esclarecimento. É um mal a ser evitado. Como se deve proceder quando um profano que se conhece como mau elemento é indicado para ser iniciado na Loja em que se é obreiro? Em geral só se toma conhecimento do caso quando a proposta é colocada no Saco de Propostas e Informações. São feitas três leituras, em quaisquer desses dias poder-se-á fazer a objeção publicamente? Ou somente no dia da votação, antes de ocorrer o escrutínio? Se a objeção for feita logo na primeira leitura não se corre o risco do padrinho retirar a indicação? Aí o indicado poderia ser proposto em outra Loja, não? E nesse caso, se o indicado for realmente nocivo, não seria melhor que tivesse ocorrido o escrutínio, na esperança que houvesse bolas pretas o suficiente para barrar de vez com a pretensão – livro negro? Afinal, se é nocivo para uma Oficina de São João, justa e regular, ter em seu Quadro um sujeito ruim, também o é em quaisquer outras Lojas! O que fazer?

RESPOSTA:

Qualquer proposta de admissão dependerá de deliberação prévia de um a Loja da Federação (Art. 4º do RGF). Isso se traduz no seguinte: não se entrega qualquer proposta de admissão a candidato sem que antes a Loja esteja de acordo. Para tanto, o maçom interessado em apresentar um candidato deverá preencher o formulário de Prévia e posteriormente entrega-lo ao Venerável Mestre, que manterá em sigilo o nome do proponente.

Tal formulário com os dados básicos de identificação do candidato será lida na sessão subsequente em grau de aprendiz (Inciso I do Art. 4º do RGF). Após ter sido feita a competente leitura em Loja uma via do formulário será fixada no quadro da Loja, omitido o nome do proponente (Inciso II do Art. º 4 do RGF).

No máximo trinta dias da apresentação do candidato o Venerável fará a leitura do formulário a ele relacionado, colocando na Ordem do Dia a matéria em discussão e votação com o objetivo de entrega ou não da proposta (Inciso III do Art. 4º do RGF).

Caso seja negada a entrega da proposta, o pedido será arquivado, cujo fato será registrado no Livro Amarelo da Loja e imediatamente comunicado ao Grande Oriente Estadual ou do Distrito Federal, bem como à Secretaria Geral da Guarda dos Selos. Em caso contrário, sendo autorizada a entrega da proposta, a mesma será feita pelo Venerável ao proponente (Inciso IV, Art. 4º do RGF).

É salutar também lembrar que o proponente deverá ser um Mestre Maçom e com frequência mínima da cinquenta por cento nos últimos doze meses.

Como se pode notar a entrega da proposta depende indistintamente de aprovação prévia do candidato.

Da mesma forma é bom observar que a Loja deve manter o Livro Amarelo (e também o Negro se for o caso). No caso de rejeição do candidato a comunicação aos destinos competentes é primordial, pois assim, no caso do mesmo ser proposto sorrateiramente em outra Loja da Obediência, ele será descoberto e impugnado.

Obviamente, essa matéria tem que ser votada em Loja cujo resultado por maioria dará o direito ao andamento do processo, sendo que ao contrário este fica imediatamente estagnado sem a entrega oficial da proposta em cujos trâmites não chegarão ao escrutínio secreto.

A continuidade do processo está claramente explicitada no diploma lega (RGF) nos Artigos 5º e seguintes (recomendo a leitura).

Em se seguindo os trâmites legais, pelo menos na Obediência que tramita o processo de ingresso do candidato, este só receberá a autorização para ser iniciado (placet de iniciação) se todas as exigências hábeis e legais forem cumpridas.

Daí é de muito boa geometria o conhecimento das nossas Leis através da Constituição e Regulamento Geral da Federação, cujo Guarda da Lei deve ter perfeito conhecimento dos respectivos conteúdos.

Sob essa óptica, não vejo como melhor forma se chegar ao escrutínio para se barrar um mau elemento. A prévia de admissão já é o suficiente, todavia, se este for aprovado, ainda existem as sindicâncias e por fim o escrutínio.

Agora, em sendo esse elemento nocivo e ele chegar aos trâmites finais, alguma coisa está errada, ou com o proponente, ou com o Mestre que abona, ou mesmo com os sindicantes. Nesse sentido não sei quem seria o pior – o elemento que ainda não entrou, ou aqueles que insistem em coloca-lo para com ele se ombrear lado a lado.

Quanto ao padrinho (proponente) retirar a proposta é um ato ilegal e não está previsto no Regulamento. Entendo que o mínimo que um proponente deve fazer é evitar esse tipo de elemento e, se passível de engano, pedir desculpas à Loja e dar destino ao Livro competente.

Entendo perfeitamente que errar é humano e ninguém traz a identificação de homem probo na testa, todavia, se verificados os fatos e constatados de forma justa e imparcial que esse alguém não é elemento digno, o melhor mesmo é abortar o plantio, já que a colheita sempre é feita conforme a semeadura.

Finalizando, devo dizer que a responsabilidade maior é do padrinho. Em muitas Obediências estrangeiras esse procedimento é deveras levado a sério. Lá, sem muitas delongas, artigos, incisos e parágrafos, o proponente é o primeiro a ser punido se o seu afilhado não se comportar dignamente nas lides maçônicas. Tudo é muito simples. É só uma questão de responsabilidade.

T.F.A.
Pedro Juk
jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 386 Florianópolis (SC) – 21 de setembro de 2011.

A IMPORTÂNCIA DA ÉTICA NA MAÇONARIA

A IMPORTÂNCIA DA ÉTICA NA MAÇONARIA
Ir∴ José Castellani

A abordagem de um assunto complexo exige algumas premissas que, embora verdades inconcussas podem ser esquecidas em benefício de interesses pessoais de momento. A primeira premissa esclarece que a Maçonaria é uma fraternidade. O substantivo feminino fraternidade designa o parentesco de irmãos, o amor ao próximo, a harmonia, a boa amizade, a união ou convivência como de irmãos. Isso leva à conclusão de que na organização designada genericamente como Maçonaria, ou Francomaçonaria, definida como uma fraternidade deve prevalecer a harmonia e reinar a união ou convivência como de irmãos.

domingo, 3 de janeiro de 2021

PAVILHÃO NACIONAL E COR DA GRAVATA

PAVILHÃO NACIONAL E COR DA GRAVATA
(republicação)

Em 29/11/2016 o Respeitável Irmão Juvenal Cordeiro Barbosa, Loja Novo Tempo, 19, sem mencionar o nome do Rito, Grande Oriente de Mato Grosso do Sul (COMAB), Oriente de Campo Grande, Estado do Mato Grosso do Sul, solicita esclarecimentos para o seguinte:

PAVILHÃO NACIONAL E COR DA GRAVATA

Se possível for, solicito orientação sobre duas perguntas que abaixo segue: 

1 - Por ocasião da recepção do Pavilhão Nacional é formada uma comissão de treze membros, o porquê do numero treze?

2 - O porquê Rito como Brasileiro, Adonhiramita, utilizam gravatas que não do tradicional o preto.

CONSIDERAÇÕES:

ADMISSÃO À MAÇONARIA

ADMISSÃO À MAÇONARIA
Ir∴ Valdemar Sansão - M∴M∴A∴R∴L∴S∴ Arnaldo Alexandre Pereira - GLESP
Or∴ de São Paulo

A Maçonaria submete o candidato a um longo e rigoroso processo seletivo de análise e avaliação dele próprio, de seus horizontes profissionais, sua identificação, seu comportamento, sua família, seu trabalho... A todos os homens livres, que fazem da defesa da liberdade de consciência e da liberdade de pensamento, a luta constante de suas vidas.

Maçonaria Moderna - O destino das grandes Instituições é de começar na humildade; o Cristianismo numa manjedoura, a Maçonaria numa taverna.

As quatro Lojas Maçônicas que em 1717 realizaram, ao que parece, uma reunião preparatória na Taverna da Macieira e resolveram criar a Grande Loja de Londres, que passou a denominar-se Grande Loja da Inglaterra, quando se expandiu além do perímetro londrino. A reunião de 24 de junho de 1717, da qual resultou a fundação da Grande Loja, teve lugar na Cervejaria do Ganso e da Grelha.

Os “Deveres de um Maçom”, constantes do Livro das Constituições de Anderson, substituída, nas Constituições adotadas em 1815 pela Grande Loja Unida da Inglaterra, e consubstanciada nesta frase: ”Um Maçom é obrigado pela sua dependência a obedecer à lei moral; e se bem entender a Arte, nunca será um estúpido ateu nem um irreligioso libertino. De todos os homens, deve ele compreender melhor que Deus vê de maneira diferente do homem; pois o homem vê a aparência exterior enquanto Deus vê o coração... Qualquer que seja a religião de um homem ou sua maneira de adorar, não será excluído da Ordem, contanto que creia no glorioso arquiteto do céu e da terra, e que pratique os deveres sagrados da moral...”

sábado, 2 de janeiro de 2021

MESTRE INSTALADO

MESTRE INSTALADO
(republicação)

Em 22/11/2016 o Respeitável Irmão Osni Adres Lopes, Triângulo Maçônico Colunas da Harmonia, 301, REAA, Oriente de Congonhinhas, Paraná, sob aos auspícios da Loja Quintino Bocaiuva III, nº 09, Grande Oriente do Paraná (COMAB), Oriente de Cornélio Procópio, Estado do Paraná, apresenta as questões seguintes:

QUESTÕES SOBRE MESTRE INSTALADO

Recorro novamente à vossa costumeira e fraterna gentileza, para submeter às questões abaixo às devidas considerações.

Para alguns Irmãos deve ser um enorme sacrifício admitir que eventualmente estejam errados, mas, como todo maçom, antes de mais nada, é humano...

Em meus poucos na Ordem tenho observado alguns desses, vamos denominar, equívocos, que fico a imaginar, como um Irmão como você, não só com muitos anos, mas com conhecimento e experiência cabalmente demonstrados no dia-a-dia, já não deve ter presenciado?!

E no teu caso, deve ser ainda mais incômodo, até mesmo pela oferta que você cotidianamente faz aos maçons, de um modo geral, desse conhecimento e experiência.

Mas, para poupar (vosso precioso) tempo, vamos às dúvidas (na verdade não as tenho como 'dúvidas') presentes:

Sei que exaustivamente você já discorreu sobre a condição de Mestre Instalado não ser 'grau', mas a imensa maioria continua ignorando isso, e lascando M∴I∴ nos livros de presença.

Eu até já fui questionado por que insiro M∴M∴, e para o circunstante eu explico o motivo.

E digo mais, inclusive que obviamente não é uma atitude depreciativa à condição, mesmo porque tenho imensa satisfação em ter sido Instalado e ter presido uma Oficina por duas gestões.

Lamento que ainda que eu 'explique' o porquê faço constar o grau, em que de fato (e de direito, claro) estou, mas percebo que não convenço 'muito', ainda mais quando o inquiridor também é Mestre Instalado, e este já tenha registrado essa condição no espaço próprio para grau. Confesso que geralmente fico constrangido com tal tipo de situação.

A outra, (também vamos chamar de 'dúvida'), é a insistência que um Irmão (mas sei que muitos o fazem) costuma exigir (pasme) que se registre na Ata que ele, na condição de 1º Vigilante, foi o 'Venerável' da sessão em que substituiu o Venerável (de ofício)!

Como diriam alguns: "pelamor...".

De nada adianta explicar que a condição de 'Venerável' é só de quem tenha sido eleito, devidamente Instalado (ou apenas empossado - se já tiver sido Instalado anteriormente, é claro) assuma o chamado '1º Malhete'.

De nada adianta explicar que até mesmo um Mestre Instalado que esteja substituindo temporariamente o Venerável, também não deverá ser denominado como tal, mas sim como Presidente, porque de fato é o que ele é naquela circunstância.

O grave disso tudo, caro Irmão, tanto na questão do grau quanto na exigência que o substituto temporário do Venerável (e bem claro, esse substituto nem Mestre Instalado é - e mesmo que fosse...), acaba por confundir até Irmãos antigos, mas que se submetem a essas (e outras) informações absolutamente equivocadas, e vão levando isso consigo, muitas vezes passando adiante, criando assim uma verdadeira legião de 'analfabetos maçônicos'.

Desculpe a maneira extensa que utilizei para solicitar tuas considerações, as quais, inclusive (e evidentemente) podem me contestar sem o menor constrangimento de minha parte.

CONSIDERAÇÕES:

VIRTUDES MAÇÔNICAS - LEALDADE

VIRTUDES MAÇÔNICAS - LEALDADE

Neste terceiro trabalho, posso dizer que encontrei certa dificuldade em elabora-lo, pois falar sobre virtudes, para mim, não é tão simples assim, pelo fato de estarmos descrevendo princípios de vida, atitude e índole.

Buscando diferentes definições sobre a palavra Lealdade, encontrei no dicionário Aurélio o seguinte:

“Lealdade - Qualidade, ação ou procedimento de quem é leal”.

“Leal - do latin legale, cuja raiz é lex, ou seja, lei. Sincero, franco e honesto. Fiel aos seus compromissos”.

Contesto os adjetivos empregados acima, pois essas qualidades necessariamente não estão intrínsecas em uma pessoa leal. Tomando como exemplo a afirmação do escritor de que uma pessoa leal é honesta, creio que primeiro será necessário se perguntar o que é uma pessoa honesta, pois se considerarmos que um traficante de drogas é leal aos seus comparsas e hierarquia, podemos concluir que é uma pessoa honesta?

Entretanto, sendo menos radical nas minhas interpretações do dicionário profano, podemos dizer que o escritor tenha tido a intenção de dar uma conotação de ação para com alguém ou naquilo que se crê, porém não deixando isso claro.

A afirmação “fiel aos seus compromissos”, também não tem a minha integral concordância, pois a fidelidade, no meu ponto de vista, sempre será com alguém ou em que se acredita e que vai muito além de compromissos. Possui um significado muito diferente de comprometimento, que creio eu, talvez seja a palavra mais indicada para esta definição.

Pesquisando no Dicionário Maçônico é dito que:

“A lealdade é um atributo maçônico virtuoso exigido pelo grupo. A tolerância decorre da lealdade. Será leal o observador dos preceitos maçônicos. Os juramentos maçônicos nada mais são que incentivos à lealdade, tanto para com os IIr∴, como para consigo mesmo, para com o Criador, para com a Pátria, para com a família e com todos os seus semelhantes”.

“A lealdade arrasta muitas outras virtudes. Desperta-as e as fortalece, como a sinceridade, a fidelidade, o amor, o carinho e a piedade, enfim, enfeixa um universo de bons propósitos e, o homem torna-se um ser útil à humanidade, a sociedade e a família”.

Na expectativa de interpretar o texto contido no Dicionário Maçônico, vejo que, nas reuniões e encontros que ocorrem em nossa Loja, se torna mais fácil à compreensão desta virtude, pois nela sempre acontecem fatos que não podem ser explicados e que trazem o ideal da fraternidade para mais perto dos acontecimentos da nossa conduta diária.

Um homem pode ser bom, isto é, pode ser amoroso, caridoso, de bons costumes, etc, pertencendo a qualquer religião, entidade, associação ou na verdade a nenhuma. Um homem é leal, não pelo que está escrito ou que lhe ensinam, mas sim, naquilo que está em seu próprio ser.

A convivência e os ensinamentos irão auxiliar o homem a despertar as virtudes latentes que nele existem. No entanto, o homem pode também chegar a origem dessas virtudes por si próprio, se simplesmente atender as determinações internas de sua alma e mente.

Então podemos dizer que a lealdade está dentro de todos nós e que, o convívio com os IIr∴, somados a aquisição de conhecimentos maçônicos, faz com esta virtude seja despertada do centro do nosso ser, na sua mais pura essência.

Lendo sobre o entendimento que a Maçonaria possui sobre a virtude, temos:

.......“A virtude não retrocede nem ante o sacrifício, nem mesmo ante a morte, quando se trata do cumprimento do dever”.

Analisando o texto acima e procurando sintetizar minhas interpretações, faço analogia a virtude, concluindo que: A lealdade decorre da crença em alguém e a algo que se tem como referencial de vida, doando-nos sem se medir esforços.

Bibliografia:
Rizzardo da Camino - Dicionário Maçônico - Madras Editora
Opúsculo - O que é a Maçonaria
Revista 7º Milênio - Artigo os Ideais da Maçonaria - C. Jinarajadasa
Dicionário Aurélio

Fonte: http://cidademaconica.blogspot.com

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

ABERTURA DO LIVRO DA LEI NO PRIMEIRO GRAU DO REAA - SALMO OU S. JOÃO?

Em 25/06/2020 o Respeitável Irmão Leonardo Abreu Amorim Neves, atual Secretário das Relações Exteriores do Grande Oriente da Bahia, COMAB, Estado da Bahia, apresenta o que segue:

ABERTURA DO LIVRO DA LEI

Antes de assumir essa função eu estava em um local mais natural e confortável para mim, a Grande Secretaria de Orientação Ritualística. Como fiz um bom trabalho, acaba que me tornei referência para os Irmãos de nossa Obediência e de nosso Oriente sobre essas questões. Atualmente estou trabalhando em um artigo sobre o Evangelho de São João na Abertura do Grau de Aprendiz e me deparei com uma publicação sua em diversos sites. Porém não há referências de pesquisa, sendo esses a que busco diretamente com o Irmão através desta.

Tenho alguns Rituais antigos, mas em nenhum deles é mencionado qual o trecho do Livro da Lei, é usado para a abertura da cerimônia.

Achei em Rituais franceses, portugueses e alemães a abertura feita no Evangelho de João, mas não nos brasileiros.

Será que posso contar com a sua ajuda?

CONSIDERAÇÕES:

Caro Irmão, em se tratando de rituais brasileiros mais antigos há de fato uma deficiência de indicação pertinente a abertura do Livro e a leitura do evangelho, em João I, 1 – 5 no REAA. 

Existem falhas propositais e outras de mero esquecimento. Assim, esse tratado deve ser abordado no contexto doutrinário do REAA que prevê, no 1º Grau, a prevalência da Luz sobre as trevas. Reitera-se, é isso que a liturgia do Rito propõe.

Em termos de Brasil, nem todos os rituais trazem essa abertura, contudo também não a excluem, provavelmente pelo seu caráter de obviedade. 

Infelizmente vivemos no Brasil uma Maçonaria de origem francesa, peripatética e abusivamente sob o estigma de carimbos e convenções. Assim, criou-se a marca de que se deve fazer o que está escrito, mesmo estando o escrito equivocado ou mesmo omisso. Isso acabou despertando muitas mentes preguiçosas que se valem da comodidade do “aonde está escrito”, ao contrário de proporcionar discussões de entendimento ou aplicação de bom senso sobre o conteúdo ritualístico.

Já sob a óptica da autenticidade e de se saber a razão das coisas é que pesquisadores legítimos têm procurado fontes de água limpa para pesquisas a esse respeito. Ou seja, nos rituais franceses. É bem verdade que na França também apareceu um tal São João da Escócia que, a bem da verdade nem mesmo existe no hagiológio da Igreja.

Autores respeitadíssimos como José Castellani, Francisco de Assis Carvalho, Theobaldo Varolli Filho, dentre outros, sempre fizeram a afirmativa de que a abertura no grau de Aprendiz no REAA é feita em João, I, 1 – 5. A essência socrática do grau prevê ao iniciado primeiro conhecer-se a si mesmo, o que em linhas gerais instiga o autoconhecimento, por conseguinte a procura da Luz (... e as trevas não a compreenderam.). 

Nesse sentido, sugiro que o Irmão busque nas obras desses autores, também referências bibliográficas, contudo alerto que nada está pronto. É preciso antes, como já dito, envolver a pesquisa no contexto doutrinário do Rito.

Em termos de rituais escoceses, aqui no Brasil existem alguns que trazem a abertura em João, é o caso de muitos rituais da COMAB, além dos famosos rituais de capa vermelha compostos por Varolli Filho. Numa pesquisa mais abrangente o Irmão encontrará inclusive em rituais antigos do GOB (mesmo que sob o estigma do João da Escócia). Isso não invalida a abertura em João I, 1-5.

Desafortunadamente, muitos rituais brasileiros em vigência trazem o Salmo 133, ou 132 conforme a versão bíblica. Esse é um erro crasso haurido de rituais contraditórios, sobretudo os advindos após a cisão de 1.927 e a fundação das Grandes Lojas Estaduais Brasileiras. Essa anomalia acabou se espalhando, investindo inclusive sobre os rituais escoceses do GOB como se pode ver atualmente.

A leitura do Salmo 133 teve sua origem no Yorkshire, na Inglaterra. Segundo Harry Carr esse costume logo teria sido abandonado. 

Não como abertura do Livro da Lei, mas como passagem iniciática, o Salmo 133 é lido durante a iniciação nas Blue Lodges (Maçonaria Norte-Americana). É muito provável que foi daí que Bhéring trouxe esse costume e o incluiu no REAA, sobretudo com a edição de novos rituais para as suas Grandes Lojas que por aqui haviam sido recém-criadas. Em síntese o Salmo não possui nenhum caráter de autenticidade, principalmente se tratando do REAA.

De tudo meu Irmão, concito-o a pesquisar na fonte do REAA que é na França. Certamente assim, com uma grade bem fundamentada de pesquisa, conclusões acertadas haverão de ser tomadas. 

Afirmar apenas que um determinado assunto está num ritual, em princípio pode parecer lógico, contudo, é preciso antes perscrutar os “porquês” dos fatos, caso contrário o rumo do estudo poderá estar legado à meras repetições.

T.F.A.
PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

O SIMBOLISMO DA CADEIA DE UNIÃO

O SIMBOLISMO DA CADEIA DE UNIÃO
Ir∴ Luis Conceição
M.·. M.·. - R.·. L.·. Convergência, nº 501
Oriente de Lisboa, G∴ O∴L∴ - Lisboa - Portugal

Há, em Magia, palavras de pronunciação perigosa; há também ritos maçónicos aos quais será melhor não nos associarmos quando não temos plena consciência do seu poder oculto. O tema da "Cadeia de União" é um desses que, apesar da sua aparente simplicidade, encarna uma das figuras mais complexas do Ritual, no sentido em que implica "entrelaçamentos secretos" que ultrapassam largamente a simples ideia de União no sentido simbólico. Do mesmo modo que, no plano físico, ao pretender estudar a qualidade de uma corrente metálica, o engenheiro terá que se preocupar com o número dos seus anéis, o seu encadeamento, o metal que os compõe, a sua secção e curvatura, para se entrar no sentido profundo da nossa "Cadeia de União", é necessária uma apropriação dos seus componentes, para os integrar numa síntese simbólica irrefutável.

Os principais elementos de que nos ocuparemos serão, assim: