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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

quinta-feira, 8 de abril de 2021

FRASES ILUSTRADAS

 


ABREVIATURA MAÇÔNICA NA MAÇONARIA LATINA

Em 18.08.2020 o Respeitável Irmão Fernando Alves Queiroz, Loja Cláudio das Neves, 1.939, sem mencionar o nome do Rito, GOB-MG, Oriente de Uberlândia, Estado de Minas Gerais, solicita esclarecimentos para o que segue:

ABREVIATURA MAÇÔNICA

Estimado Irmão Pedro Juk, antecipadamente agradeço pela gentileza e presteza no esclarecimento de importantes pontos de nossa Fraternidade.

Gostaria de esclarecimentos sobre abreviatura de palavras, sempre que vou escrever procuro seguir à risca os ensinamentos, no entanto tenho visto circular orientações diferentes de como fazer as abreviações.

Então pergunto: temos no GOB uma orientação formalizada/oficial ou na Literatura Maçônica que devemos seguir? Se sim onde consigo?

Veja exemplo abaixo de duas formas, qual a correta?

À∴ G∴ D∴ G∴ A∴ D∴ U∴ ou À Gl∴ do Gr∴ Arq∴ do Un∴

CONSIDERAÇÕES:

Cabe antes mencionar que o modo de se abreviar por três pontos na forma de um delta com um dos ápices para cima (∴) não é unanimidade na Maçonaria universal, sendo essa forma é apropriada à Maçonaria de origem francesa (latina). Para a Maçonaria inglesa e americana não há nenhuma abreviatura tripontual triangular. Essas vertentes, com outras normas ortográficas, respeitam outras regras.

Embora queiram alguns tratadistas designar para essa tripontuação toda sorte de simbolismo, vale mencionar que não existe para ela nenhuma interpretação esotérica, mística e iniciática. A sua aplicação possui apenas o desiderato de indicar uma palavra abreviada.

A presença dessa forma tripontual de abreviatura maçônica no Brasil se deve à origem da Maçonaria Brasileira que é filha espiritual da França. Reforça ainda mais esse costume a forte presença do REAA no Brasil.

No que diz respeito às origens a forma de abreviar por três pontos em forma de delta, segundo Jules Boucher, tal costume já era registrado na Loja La Sinceritè em 1764 na França.

O Grande Oriente da França inseriu o modelo de abreviatura por apócope seguida por três pontos na intenção de dificultar o entendimento, por não iniciados, dos seus escritos em rituais e impressos maçônicos.

Evidentemente que no contexto do escrito o maçom compreende perfeitamente as palavras abreviadas, contudo, o que não deve acontecer são os excessos de abreviações que acabam às vezes tornando textos e rituais incompreensíveis até para o próprio maçom.

No que diz respeito a forma de se abreviar, geralmente seguem-se duas regras. A primeira é a de que o corte da palavra é feito entre uma consoante e uma vogal, embora, dependendo do contexto, possa existir caso em que a palavra é cortada entre consoantes. Há também a possibilidade de existir abreviatura pela letra inicial. Na verdade, não é uma regra que se identifique pelo excesso de rigidez. A segunda regra é aquela pertinente a palavras no plural. Nesse caso o plural se dá pela repetição da letra inicial.

Por fim, cabe salientar que no campo do entendimento maçônico - vasto e complexo - essa é a regra mais comum que se aplica sobre as abreviaturas na Maçonaria latina. Não há no GOB um dicionário para essa finalidade, cabendo, nesse caso, seguir a forma de abreviação utilizada nos seus rituais em vigência.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

JUSTO E PERFEITO

JUSTO E PERFEITO

“A ponte entre o humano e o divino: - o justo e perfeito.”

“...há um encontro entre o divino e o humano. Assim como em A
criação de Adão, os dedos dos homens tocam os dedos de Deus...”

Durante a abertura ritualística da sessão em grau de aprendiz, o 1º Diácono sobe os degraus do trono, pelo norte, com passos normais e coloca-se em frente ao Venerável Mestre, fazendo a saudação. O Venerável Mestre dá-lhe, ao ouvido direito, a Palavra Sagrada, letra por letra. O 1º Diácono dirige-se ao 1º Vigilante, transmite-lhe a Palavra Sagrada da forma que recebeu e volta ao seu lugar. O 1º Vigilante a envia ao 2º Vigilante, do mesmo modo, por intermédio do 2º Diácono, que volta a seguir ao seu lugar. Então, o 2º Vigilante, após um golpe de malhete, assegura: tudo está justo e perfeito na Coluna do meio-dia, Irmão 1º Vigilante, ao tempo em que este último, também acionando o malhete, registra: tudo está justo e perfeito em ambas as Colunas, Venerável Mestre.

Imagine-se que, neste passo da Sessão, o Venerável Mestre, após ouvir a assertiva de que tudo está justo e perfeito em ambas as colunas, indagasse ao Irmão 1º Vigilante: por que, meu Irmão? A partir dessa hipotética pergunta – por que justo e perfeito? – passamos à elaboração deste trabalho, como se fosse uma resposta a tal indagação.

quarta-feira, 7 de abril de 2021

TEÍSMO E DEÍSMO

TEÍSMO E DEÍSMO
(republicação)

O Respeitável Irmão Esmeraldino da Silva, GOB-DF, Oriente do Distrito Federal, Brasília, pede o seguinte esclarecimento: 
esmeraldino.silva@gmail.com

Gostaria que me enviasse em rápidas palavras, conceituando maçônicamente: Teísmo e Deísmo.

CONSIDERAÇÕES: 

Teísmo – do grego théos = DEUS + o sufixo ismo – Substantivo masculino – se refere em filosofia a doutrina que admite a existência de um deus pessoal e sua ação providencial no mundo (causa do mundo).

Deísmo – do latim Deus + ismo – Substantivo masculino, é o sistema ou atitude dos que rejeitando toda a espécie de revelação divina e, portanto, a autoridade de qualquer igreja.

Aceitam, todavia, a existência de Deus, destituídos de atributos morais e intelectuais, e que poderá ou não haver influído na formação do universo.Para alguns a causa de todos os fenômenos do Universo, mas que não atua sobre o mundo.

Sob o aspecto maçônico essas definições estão relacionadas aos ritos e sistemas maçônicos. Primitivamente a Maçonaria era fundamentalmente deísta de acordo com que apontam os regulamentos do início das Lojas dos Aceitos. 

Sob a influência britânica no tocante ao aparecimento da Moderna Maçonaria em 1.717, a grande parte dos rituais e trabalhos praticados assumiu uma forte tendência teísta, sendo inclusive exigida do candidato à Iniciação a condição sine qua non de crença em Deus e sua vontade revelada.

Embora na atualidade, uma grande parte dos ritos sejam teístas, existem, porém os que se apresentam com feição deísta e que se dizem racionais, rejeitando o dogmatismo sendo até confundidos e rotulados como agnósticos. Dos ritos deístas mais conhecidos a esmagadora maioria é de vertente francesa. 

Finalizado, devo alertar que tirar uma conclusão entre ritos teístas e deístas na Maçonaria carece de uma atenção acurada e criterioso estudo sobre a essência do rito no tocante à sua criação – época, costumes, origem, política, fase social, etc.

Deixo essa observação pelo fato de que a grande maioria dos ritos conhecidos está desfigurada e enxertada (colcha de retalhos), daí o alerta para a atenção de que nem tudo que reluz é ouro. 

T.F.A. - PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 412 Florianópolis (SC) 17 de outubro de 2011.

MINUTO MAÇÔNICO

AMIZADE

1º - Do latim “amicitia”, dedicação, benevolência, sentimento de afeição que une uma pessoa à outra. As características da amizade são eleição e fidelidade.

2º - A amizade implica numa igualdade de condições, pois tem como base afinidades profundas e múltiplas e, portanto, dificilmente sobrevive em situações de grande disparidade de gostos ou meio social.

3º - Sendo a escolha de amigos uma atitude tão espontânea, grande é a importância de freqüentar e fazer freqüentar pelos filhos ambientes em que esta escolha tenha a maior probabilidade possível de recair sobre pessoas de valor intelectual e moral.

4º - Estes sentimentos de interesse a respeito de outro, para constituir uma verdadeira amizade, não pode ser passageiro, mas deve ter a característica da permanência que vai constituir a fidelidade.

5º - A Maçonaria, mais do que qualquer outra associação, proporciona o ambiente propício para o desabrochar de sinceras amizades.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

O PAPEL DO REPRESENTANTE DO MINISTÉRIO PUBLICO MAÇÔNICO (ORADOR) EM LOJA

O PAPEL DO REPRESENTANTE DO MINISTÉRIO PUBLICO MAÇÔNICO (ORADOR) EM LOJA


A nova ordem constitucional maçônica não só atribuiu ao Ministério Público Maçônico - MPM a legitimidade democrática, constitucional, moral, ética e maçônica, como também lhe ampliou e dilatou as competências decorrentes da própria sociedade maçônica.

A Constituição do Grande Oriente do Brasil - GOB, ao fortalecer e erigir o Ministério Público Maçônico (orador) atribuiu-lhe posição de inquestionável eminência político-jurídica e concedeu-lhe os meios jurídicos necessários à plena realização de suas elevadas finalidades institucionais, deferindo-lhe uma condição singular na estrutura e organização do poder na federação e loja, inexistindo, hierarquia entre o mesmo e qualquer autoridade maçônica.

Um Ministério Público (orador) maçônico forte e independente, consciente da alta e irrenunciável responsabilidade institucional que lhe foi atribuída pela vontade soberana do Povo maçônico, com forte atuação, a iniciar pelas Lojas, é isso que espera cada irmão maçom, que lhe incumbiu o papel de proteger a moralidade maçônica, de impedir o abuso de poder, a prepotência dos governantes, o desrespeito às liberdades e a ofensa aos postulados estruturantes de nossa sublime Ordem, que possam gerar inadmissíveis retrocessos incompatíveis com o espírito republicano, progressista, libertário, democrata e humanitário de nossa escola de valores. (maçonaria).

Para viabilizar a consecução dos altos objetivos que orientam a ação fiscalizadora do Ministério Público Maçônico (Orador) foram-lhe atribuídas como Instituição, determinadas garantias de ordem objetiva, tanto que a autonomia da Loja é estritamente ligada a autonomia do seu Orador conforme disposto no inciso I, do artigo 16, da Constituição do GOB, verbis: Art 16 - A autonomia da Loja será assegurada: I - pela eleição, por maioria simples, da respectiva Administração e de seu Orador, que é membro do Ministério Público;

A eleição do membro de Ministério Público Maçônico (orador) tem por escopo homenagear e garantir o princípio do “promotor natural[1]” que se traduz numa garantia constitucional para os Irmãos, que no futuro, seu “acusador” seja aquele legitimamente eleito e que nenhuma autoridade poderá designar ao livre arbítrio, convenientemente, sem a observância de critérios legais, Orador ou procurador[2] específico para determinado feito.

É preciso enfatizar a relevância da atuação do Orador em Loja, sua função pedagógica, preventiva e também repressiva, se necessária, mas jamais sua omissão ou submissão, isso considerando o seu poder-dever na defesa da ordem jurídica, do regime democrático maçônico, dos interesses difusos e individuais indisponíveis e preservação da própria Maçonaria.

O Representante do Ministério Público Maçônico em Loja, o Orador, não constitui tão somente mais integrante da administração da Loja, mais um irmão, ele é o REPRESENTANTE DO MINISTÉRIO PÚBLICO, em outras palavras, lhe é estranha, no domínio de suas atividades institucionais, essa função subalterna que lhe é cotidianamente atribuída e imposta, aceita e exercida, diga-se de passagem, infelizmente.

A atuação independente dessa instituição (MPM) e do membro (ORADOR/PROCURADOR) que a integra, impõe-se como exigência de respeito a própria constituição da federação e aos princípios da Maçonaria.

[1] HAMILTON, Sérgio Demoro, Reflexos da Falta de Atribuição na Instância Penal. In: Temas de Processo Penal, Rio de Janeiro: Lumen Júris, 1998.

[2] Neste caso o processo de escolha também é constitucional, mas não é por eleição.

Fonte: https://artilheiro7.wixsite.com

terça-feira, 6 de abril de 2021

TELHAMENTO OU TROLHAMENTO - SENHA GRAU 2

TELHAMENTO OU TROLHAMENTO - SENHA GRAU 2
(republicação)

Em 14/03/2017 o Respeitável Irmão Cláudio Rodrigues, REAA, Grande Loja Maçônica do Estado de Minas Gerais, Oriente de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, solicita explicações para o que segue:

TELHAMENTO OU TROLHAMENTO E SENHA DE RECONHECIMENTO NO GRAU DE COMPANHEIRO.

Mano Pedro Juk. O Professor. Direto ao ponto: Telhamento ou Trolhamento? E sobre o Telhamento do Companheiro Maçom, a saber: quando da resposta, "E∴V∴ a E∴F∴ a resposta certa é "vi" ou "vejo". Pergunto-lhe porque me doeram os ouvidos sobre a resposta: "vejo". Ora, há tempos aprendi ser: "vi" e não "vejo".

CONSIDERAÇÕES:

A MÚSICA NA MAÇONARIA

A MÚSICA NA MAÇONARIA
Carlos M. Pantanali

A música é uma das sete artes liberais. Procede do vocábulo do grego “musa” que significa inspiração, poesia, harmonia e encanto. A música tem o Dom de preparar o ambiente, para meditação, para o culto espiritual; não só acalma, ameniza, conforta como pode curar certos tipos nervosos e ajudar na cura de processos orgânicos. Esotericamente, os sons penetram de tal forma no intimo dos seres humanos que lhe dão harmonia e paz.

Todo o universo é som, que por sua vez é matéria e espírito. Os vegetais e os animais sentem influência da música e deleitam-se em ouvi-la. Em todas as civilizações, a música era cultivada por meio do cântico e de instrumentos; inicialmente de percussão, depois de sopro e, mais tarde, de cordas; hoje, com a eletrônica, obtêm-se os sons mais variados que possam surgir.

Religião e música mantiveram-se inseparavelmente ligadas nos antigos tempos da humanidade. A música é um fenômeno universal. É a linguagem que todos entendem. É o traço de união entre os povos.

Pitágoras considerava a música e a dieta os dois principais meios de limpar a alma e o corpo e manter a harmonia e a saúde de todo o organismo.

A vida é som. Continuamente estamos cercados de sons e ruídos oriundos da natureza e das varias formas de vida que ela produz. A própria natureza é que nos dá a música; o que dela fazemos varia, conforme o temperamento, a educação, o povo, raça e a época.
Grande foi a influência da música sobre a mente humana. O homem primitivo dispõe apenas de poucas palavras. Quase somente o que ele vê é que tem nome. Para exprimir os sentimentos, serve-se de sons e cria a música que o ajuda a exteriorizar o Júbilo, a tristeza, o amor, os instintos belicosos, a crença nos poderes supremos e a vontade de dançar.

Para ele é parte da vida a música, desde o acalante até a alegria fúnebre, desde a dança ritual até a cura do doente pela melodia e pelo ritmo. O efeito música sobre o homem diminui no decorrer dos milênios; apesar disso, podem ser encontrados nos tempos históricos e até na atualidade interessantes exemplos do seu poder.

Davi toca harpa para afugentar os maus pensamentos do rei Saul; Farinelli, com o auxilio da música, cura a terrível melancolia de Felipe V.; Timóteo provoca, por meio de certa melodia, a fúria de Alexandre, o grande, e acalma-o por meio de outra.

Os sacerdotes celtas educam o povo com música; somente eles conseguiram abrandar os costumes selvagens. Santo Agostinho conta que um pastor foi, em virtude das suas melodias, eleito imperador.

Na literatura moderna, vemos numerosas obras de psicologia profunda em que as mais fortes excitações sentimentais são provocadas pela influência da música.

A música é, nas mãos dos homens, um feitiço o seu efeito se estende desde o despertar dos mais nobres sentimentos até o desencadeamento dos mais baixos instintos, desde a concentração devotada até a perda da consciência que parece embriaguez, desde a veneração religiosa até a mais brutal sensualidade.

Na verdade, muita coisa está envolvida na escolha da música para cada situação, pôr exemplo: Uma música relaxante tranquiliza e propicia a meditação. O estimulo musical é aprendido e assimilado em nível celular. O relaxamento ocorre tanto em nível fisiológico quanto psicológico. O corpo, até onde podemos verificar, parece adquirir aptidão para expressar sua própria natureza e harmonia interna. Um dos meus ditados favoritos sobre a vida harmoniosa comenta Estevem, é “som Saúde” e começo em casa.

Relaxamento, considerado por muitas autoridades médicas como condição essencial para conseguir e manter a saúde pode ser facilmente aprendido e praticado em casa. Se você teve um dia de ruído estressante no trabalho, merece o prazer de música agradável e relaxante, escolha o que parecer melhor para você para fins de relaxamento. Ouça especialmente música tranquilizadora na qual a própria música relaxa o sistema nervoso, em lugar de deixá-lo mais nervoso ainda. Desse modo, o corpo maneja o fluxo de energia numa maior eficácia do que com a música com forte padrão rítmico.

Algumas pessoas conseguem aliviar dores de cabeça devidas às tensões sem tomar remédios, apenas se concentrado totalmente na música.

Na medicina do som, grande parte da cura de que se fala hoje é na verdade uma auto cura. Realmente, muitos médicos admitem que eles não fazem a cura, apenas ajudam o organismo a se libertar de um problema que impede que o corpo se cure por si mesmo.. “Em toda história” escreve o Dr. David E. Bresler, a “música tem sido incorporada em muitos rituais de cura.

Estudos científicos recentes demonstraram que a música equilibra o metabolismo do corpo, a atividade muscular e a respiração influenciam também à velocidade do pulso e a pressão sangüínea, além de minimizar os efeitos da fadiga. “Outros estudos sugerem que a música pode até mesmo diminuir o colesterol na corrente sanguínea” e outras tantas deficiências do organismo como também para mentes conturbadas.

Mostrou a investigação diz David Tame que a música influi na digestão nas secreções internas, na circulação, na nutrição e na respiração. Verificou-se que a rede nervosa do cérebro são sensíveis aos princípios harmônicos. O Corpo é afetado de acordo com a natureza da música cujas vibrações incidem sobre ele.

Certamente não há dúvidas de que a música transmite estados emocionais muito reais e, às vezes, muito específicos do músico ou do compositor ao ouvinte. Eis porque, de tempos a tempos, os pensadores têm afirmado que a música é uma forma de linguagem.

Já, na Maçonaria, a música é um preceito ritual. Os Rituais recomendam que aja música durante a realização das sessões maçônicas, para que o espírito fique mais apto a captar a atmosfera esotérica das reuniões.

O Maçonólogo Dangler Travassos Guimarães orienta que o fundo musical, deve ser ouvido desde o inicio quando na sala dos passos perdidos, com melodias que elevem os presentes aos mais altos paramos*, preparando-os para o inicio dos trabalhos.

No Átrio, onde se deve entrar já paramentado e com as insígnias, a melodia pode ser religiosa por ser um local onde todos se limpam mental e espiritualmente para a entrada no Templo, por que nenhuma reunião de elevação espiritual deve ter início com pessoas despreparadas, sob pena de ser até prejudicial e sentida a baixa vibração e consequentemente, nada de positivo ser aproveitado.

É no Átrio, que o maçom faz sua preparação espiritual para os trabalhos, deixando para trás, as coisas do mundo profano, fazendo sua introspecção. O Mestre de cerimônias ao comandar para abrir a porta do Templo todos já conscientes preparados (limpos espiritualmente) para entrar no Templo sagrado, deve o Mestre de harmonia, nesse momento colocar o fundo musical de uma melodia suave.

Na abertura da bíblia, que seja executada uma melodia de “Câmara” e nos giros do mestre de cerimônia e do irmão hospitaleiro a melodia deve ser suave, convidativa a uma meditação porque é o momento em que os irmãos se conscientizam do que estão praticando.

Terminados os trabalhos com o fechamento do Livro da Lei, as melodias podem ser alegres e assim por diante. O ideal desejável é que todas as lojas dispusessem de vasto repertório de músicas maçônicas, isto é, músicas compostas exclusivamente para Ritualística Maçônica que, através de discos, fitas, o mesmo de partituras seriam executadas durante as sessões, a realidade, infelizmente está muito longe desse ideal.

Se, por um lado, são pouquíssimas as lojas que tem uma coluna de harmonia bem estruturada, por outro, são pouquíssimas, na literatura musical, as músicas rotuladas “maçônicas”.

Encontramos lojas que o Mestre de Harmonia coloca músicas cantadas ou músicas outras que acha bonita. Pensa que está contribuindo para a harmonia da sessão, a Egrégora, mas não. Ele sugere músicas maçônicas como Mozart, Beethoven, Amadeus e outras mais atuais, que não cantadas, mas que tenham um sentido suave e que leve a todos os presentes à meditação ou a tranquilidade de espírito.

O Mestre de harmonia deverá entender a psicologia da harmonia na maçonaria. Se colocar uma música gregoriana, estará induzindo a sentimentos cristãos. Se for hino evangélico a sentimento de sua religião.

Por isso que as músicas não poderão ter cunho sectário, para não desviar a Egrégora Maçônica a um sentimento religioso ou de culpa. Ou outro tipo de melodia que leve o irmão a fazer imagens mentais que o tire da Egrégora pelo efeito dos sons daquele ritmo. Por esse motivo as músicas devem ser neutras.

A melodia maçônica deve ser aquela que induza ao irmão a entrar dentro de Si, se elevando á uma reflexão de seu EU. E não a uma música que faça com que seu pensamento saia de si para ir ao ambiente da qual, costumeiramente é tocada. A música mexe no comportamento do SER. Uma melodia romântica faz com que fiquemos pensativos e até nos faz chorar. Depende da sensibilidade de cada um. Já um samba, faz o corpo balançar automaticamente, e assim por diante. Portanto, em loja o Mestre de Harmonia deve ser sensível ao conhecimento da harmonia a ser executada. Pois, a Egrégora depende muito do conjunto das músicas executadas durante uma sessão.

Assim perguntou um aluno a seu professor:

– Mas, o que é música?

E o mestre respondeu-lhe:

– “A música é um fenômeno acústico para o prosaico. Um problema de melodia, harmonia e ritmo para o teórico; e o desdobramento das asas da alma, o despertar e a realização de todos os sonhos e anseios de quem verdadeiramente a ama”.

Fonte: opontodentrodocirculo

segunda-feira, 5 de abril de 2021

NEÓFITO: ATÉ QUANDO?

NEÓFITO: ATÉ QUANDO?
(republicação)

Questão apresentada pelo Irmão Carlos Manoel de Jesus, Aprendiz Maçom da Loja Voluntas, 75, Grande Loja de Santa Catarina, Oriente de Florianópolis, Estado de Santa Catarina. carlosmdj@ig.com.br

O profano após ser iniciado é tratado como NEÓFITO. Em que momento é desconsiderado esse tratamento?

RESPOSTA: 

Neófito – (do grego: neóphytos, = recém-plantado, pelo latim: neophytus). Substantivo masculino – aquele que recebeu ou acabou de receber o batismo. 

Na igreja primitiva era o elemento recentemente convertido ao cristianismo; o noviço; indivíduo há pouco admitido em uma corporação; principiante, novato.

Em termos de Maçonaria o vocábulo é usado para indicar um Aprendiz recém-iniciado. Entretanto ele não pode ser considerado como sinônimo de Aprendiz, mesmo porque o ocupante do Primeiro Grau permanece nesse patamar por um tempo que geralmente ultrapassa um ano.

Assim um Aprendiz só pode ser considerado como um neófito na Sessão que ele foi iniciado (após ter prestado o juramento e recebido a Luz), excedendo-se o tempo no máximo até uma semana após o ato iniciático. 

Nos ritos que primam por um arcabouço doutrinário embasado na investigação da Natureza comparando a senda do Maçom aos ciclos naturais, como é o caso do simbolismo do Rito Escocês Antigo e Aceito, o recém-iniciado ao passar pela Câmara de Reflexão (prova da terra) assume o elemento alegórico de uma semente recém-plantada (néo=novo; phytos=planta) que germina em busca da Luz. 

Daí a associação do Aprendiz com as seis primeiras Colunas Zodiacais colocadas no topo da Coluna do Norte que representam em linhas gerais a senda do Aprendiz (Primavera e Verão no Hemisfério Norte). A Câmara nesse caso assume a alegoria do interior da terra donde a semente germina em busca da Luz.

De maneira doutrinária de renovação a Iniciação representa o broto, a infância, o recém-nascido. Nesse caso é que o novo iniciado é tomado como um “neófito”, pois a partir desse momento ele se desenvolverá para a produção dos bons frutos (as suas obras) que se bem entendidas na “Arte” prevalecerão para sempre na mente dos pósteros. 

A verdadeira “arte” está na renovação, por conseguinte diretamente conectada à reconstrução do Homem que parte da infância, passa pela juventude em destino à maturidade. 

Esses ciclos compreendem os três graus simbólicos. Note que após a saída da Câmara (Terra) os ciclos iniciáticos são representados na Iniciação pela infância (prova do Ar), juventude (prova da Água) e maturidade (prova do Fogo). Todas essas etapas são concomitantes aos ciclos da Natureza – Primavera, Verão, Outono e Inverno. 

O Homem como elemento primário (Pedra Bruta), na Maçonaria Especulativa trabalha sobre si mesmo para desbastar as suas asperezas, daí os ciclos vão desde o nascimento (Iniciação), passam pelo aprendizado e da serventia ao Mestre, seguem pela Juventude (Meio-Dia, ação e trabalho) e por fim o conhecimento adquirido (o Mestre e o fim da vida – Meia-Noite). O Iniciado mata o Iniciador – renova-se o ciclo e as boas obras permanecem perenes. Afinal, em Maçonaria, tudo começa pelo Neófito. 

T.F.A. - PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 411 Florianópolis (SC) 16 de outubro de 2011.

CIRCULO ENTRE PARALELAS

CIRCULO ENTRE PARALELAS
(o Mistério da 2ª Instrução do Aprendiz)

Diz nosso Ritual:

Em toda Loja Regular, Justa e Perfeita , existe um ponto dentro de um círculo pelo qual um Maçom não pode transpor. Este círculo é limitado entre o norte e o sul por duas grandes linhas paralelas, uma representando Moisés, a outra representando o Rei Salomão. Na parte superior do círculo fica o L∴ da L∴, que suporta a Escada de Jacó, cujo cimo toca os Céus. Caminhando dentro deste circ∴, sem nunca o transpormos, limitar-nos-emos às duas linhas Paralelas e ao L:. da L:. e enquanto assim procedermos, não podemos errar.

Atrás desta explicação escondem-se alguns mistérios e simbologias, que tentaremos humildemente decifrar a partir desta peça de arquitetura.

Se o Temp∴ é a representação do Universo, e está orientado de Leste a Oeste e de Norte a Sul, podemos dizer que o eixo que vai do Ocidente (representado pelas colunas J e B) ao Oriente (representado pelo Delta), corresponde ao equador terrestre. Sua profundidade é da superfície ao centro da terra e sua altura é da Terra ao Céu.

Quando verificamos que o círculo é limitado entre norte e sul, podemos observar no Globo Terráqueo, que de fato, entre o equador e o norte e o sul, existe os trópicos de câncer (no Norte) e de Capricórnio (no sul). Assim, simbolicamente, estamos desvendando este mistério pela luz da Astronomia.

Algumas explicações astronômicas se fazem necessárias para entender melhor esta simbologia oculta.

Além de girar em torno de seu eixo, a Terra desloca-se no espaço, com um movimento de translação em torno do Sol, quando descreve uma elipse, de acordo com as leis de Kepler. Para o observador situado na Terra, todavia, é como se esta fosse fixa e o Sol se movesse em torno dela, seguindo um caminho, que, como já foi visto, é chamado de eclíptica.

Em sua marcha em torno do Sol, a Terra, descrevendo uma elipse, ficará mais próxima, ou mais afastada do astro da luz. O ponto mais próximo --- 147 milhões de quilômetros --- é o periélio; o mais afastado --- 152 milhões de quilômetros --- é o afélio. Se a Terra, no movimento de translação, girasse sobre um eixo vertical em relação ao plano da órbita, as suas diferentes regiões receberiam iluminação sempre sob o mesmo ângulo e a temperatura seria sempre constante, em cada uma delas. Mas, como o eixo é inclinado, em relação à órbita, essa inclinação faz com que os raios solares incidam sobre a Terra segundo um ângulo diferente, a cada dia que passa. E, assim, vão se sucedendo as estações: verão, outono, inverno e primavera.

Como os planos do equador terrestre e da eclíptica não coincidem, tendo uma inclinação, um em relação ao outro, de 23 graus e 27 minutos, eles se cortam ao longo de uma linha, que toca a eclíptica em dois pontos: são os equinócios. O Sol, em sua órbita aparente, cruza esses pontos, ao passar de um hemisfério celeste para outro; a passagem de Sul a Norte, marca o início da primavera no hemisfério Norte e do outono no hemisfério Sul; a passagem do Norte para o Sul, marca o início do outono no hemisfério Norte e da primavera no hemisfério Sul. Esses são os equinócios de primavera e de outono.

Por outro lado, nos momentos em que o Sol atinge sua maior distância angular do equador terrestre, ou seja, quando é máximo o valor de sua declinação, ocorrem os solstícios. Os dois solstícios ocorrem a 21 de junho e a 21 de dezembro; a primeira data marca a passagem do Sol pelo primeiro ponto do trópico de Câncer, enquanto que a segunda é a passagem do Sol pelo primeiro ponto do trópico de Capricórnio. No primeiro caso, o Sol está em afélio e é solstício de verão no hemisfério Norte e de inverno no hemisfério Sul; no segundo, o Sol está em periélio e é solstício de inverno no hemisfério Norte e de verão no hemisfério Sul. Portanto, o solstício de verão no hemisfério Norte e de inverno no hemisfério Sul, ocorre quando o Sol está em sua posição mais boreal (Norte), enquanto que o solstício de verão no hemisfério Sul e de inverno no hemisfério Norte, ocorre quando o Sol está em sua posição mais austral (Sul).

Por herança recebida dos membros das organizações de ofício, que, tradicionalmente, costumavam comemorar os solstícios, essa prática chegou à Maçonaria moderna, mas já temperada pela influência da Igreja sobre as corporações operativas. Como as datas dos solstícios são 21 de junho e 21 de dezembro, muito próximas das datas comemorativas de São João Batista --- 24 de junho --- e de São João Evangelista --- 27 de dezembro --- elas acabaram por se confundir com estas, entre os operativos, chegando à atualidade. Hoje, a posse dos Grão-Mestres das Obediências e dos Veneráveis Mestres das Lojas realiza-se a 24 de junho, ou em data bem próxima; e não se pode esquecer que a primeira Obediência maçônica do mundo, como já foi visto, foi fundada em 1717, no dia de São João Batista.

Graças a isso, muitas corporações, embora houvesse um santo protetor para cada um desses grupos profissionais, acabaram adotando os dois São João como padroeiros, fazendo chegar esse hábito à moderna Maçonaria, onde existem, segundo a maioria dos ritos, as Lojas de São João, que abrem os seus trabalhos “à glória do Grande Arquiteto do Universo (Deus) e em honra a S. João, nosso padroeiro”, englobando, aí, os dois santos.

No templo maçônico, essas datas solsticiais estão representadas num símbolo, que é o Círculo entre Paralelas Verticais e Tangenciais. Este significa que o Sol não transpõe os trópicos, o que sugere, ao maçom, que a consciência religiosa do Homem é inviolável; as paralelas representam os trópicos de Câncer e de Capricórnio e os dois S. João.

Tradicionalmente, por meio da noção de porta estreita, como dificuldade de ingresso, o maçom evoca as portas solsticiais, estreitos meios de acesso ao conhecimento, simbolizados no círculo cósmico, no círculo da vida, no zodíaco, pelo eixo Capricórnio-Câncer, já que Capricórnio corresponde, ao solstício de inverno e Câncer ao de verão (no hemisfério Norte, com inversão para o Sul). A porta corresponde ao início, ou ao ponto ideal de partida, na elíptica do nosso planeta, nos calendários gregorianos e também em alguns pré-colombianos, dentro do itinerário sideral.

O homem primitivo distinguia a diferença entre duas épocas, uma de frio e uma de calor, conceito que, inicialmente, lhe serviu de base para organizar o trabalho agrícola. Graças a isso é que surgiram os cultos solares, com o Sol sendo proclamado --- como fonte de calor e de luz --- o rei dos céus e o soberano do mundo, com influência marcante sobre todas as religiões e crenças posteriores da humanidade. E, desde a época das antigas civilizações, o homem imaginou os solstícios como aberturas opostas do céu, como portas, por onde o Sol entrava e saía, ao terminar o seu curso, em cada círculo tropical.

Tradicionalmente, tanto para o mundo oriental, quanto para o ocidental, o solstício de Câncer, ou da Esperança, alusivo a São João Batista (verão no hemisfério Norte e inverno no hemisfério Sul), é a porta cruzada pelas almas mortais e, por isso, chamada de Porta dos Homens, enquanto que o solstício de Capricórnio, ou do Reconhecimento, alusivo a São João Evangelista (inverno no hemisfério Norte e verão no hemisfério Sul), é a porta cruzada pelas almas imortais e, por isso, denominada Porta dos Deuses. Para os antigos egípcios, o solstício de Câncer (Porta dos Homens) era consagrado ao deus Anúbis; os antigos gregos o consagravam ao deus Hermes. Anúbis e Hermes eram, na mitologia desses povos, os encarregados de conduzir as almas ao mundo extraterreno.

Continua, aí, a dualidade, princípio da vida: diante de Câncer, Capricórnio; diante dos dias mais longos, do verão, os dias mais curtos, do inverno; diante de São João “do inverno”, com as trevas, Capricórnio e a Porta de Deus, o São João “do verão”, com a luz, Câncer e a Porta dos Homens (vale recordar que, para os maçons, simbolicamente, as condições geográficas são, sempre, as do hemisférios Norte).
Ainda para os cabalistas que influenciaram no início da Maçonaria especulativa, as linhas paralelas simbolizam Moisés e o Rei Salomão. O Rei Salomão conforme descrição cabalística representa além da sabedoria, o arguto espírito científico, a observação minuciosa das coisas da natureza, a comparação inteligente entre a natureza e o ser humano, que dever guiar todo Iniciado. Moisés é, segundo o Zoar, um portador da Verdadeira Luz, um ser espiritualizado, pois Moisés viu a Deus, isto é, era detentor da verdadeira Gnose, do auto-conhecimento, depois de uma vida sofrida e cheia de atribulações.

O círculo, também pode ser representado por uma serpente mordendo a própria cauda, é um dos símbolos mais antigos, é um símbolo de eternidade – o universo sem começo ou fim, completo em si e totalmente sábio. O ponto no centro do círculo representa a unidade absoluta, o Centro da Criação, o princípio gerador universal, o G A D U.

Podemos ainda interpretar este símbolo da seguinte maneira: as paralelas representam as colunas B e J que dão entrada aos nossos Templos, o círculo representa a própria Loja, ou seja, o universo que ela encerra, e o ponto central é o próprio Grande Arquiteto do Universo, presidindo nossos trabalhos, distribuindo o Verdadeiro Amor a todos os Obreiros.

Elaborado por Irm∴ Luis Genaro Ladereche Figoli
Loj∴ Simb∴ Palmares do Sul nro° 213
G∴L∴R∴G∴ do S∴

Fonte de Consulta:
Prancha “São João” de Jose Castellani
Ritual do Grau do Apr∴ M∴
Prancha do Irm∴ Altivo Tavares de Souza Filho;
Outros artigos da Internet

Fonte: http://espacodomacom.blogspot.com

domingo, 4 de abril de 2021

CRENÇA EM UM ENTE SUPREMO

CRENÇA EM UM ENTE SUPREMO
(republicação)

Em 13/03/2017 o Respeitável Irmão Alisson Marcos, Loja Acácia do Sudoeste, REAA, GOB-PR, Oriente de Pato Branco, Estado do Paraná, formula a seguinte questão:

É possível dizer que a maçonaria (especulativa) sempre teve como requisito a crença em um Ser Supremo?

CONSIDERAÇÕES:

É bastante natural, já que os nossos ancestrais operativos viviam à sombra da Igreja Católica – veja as Associações Monásticas e as Confrarias leigas como percussoras da Francomaçonaria.

Os construtores da pedra viriam a ganhar grande impulso, sobretudo a partir do ano 1.000, época em que, segundo a Igreja, se esperava o final dos tempos. Como a previsão apocalíptica não aconteceu e visando agradecer a Deus por ter poupado o Mundo, os homens se arvoraram a elevar louvores de agradecimento ao Criador, dentre outros feitos, os de edificar igrejas e catedrais como que a deixar mensagens das suas almas na pedra. Nessa época a Igreja-Estado expandia os seus domínios e os Construtores, protegidos e ao seu serviço, edificavam igrejas, abadias, obras públicas, etc. Sob essa óptica, com a expansão desses domínios, as Guildas dos construtores amparadas e protegidas pela Igreja (ofícios livres) viriam experimentar um avanço extraordinário de desenvolvimento.

Assim, essa influência e cunho religioso dado ao trabalho, acompanhariam os canteiros da Idade Média.

Com o advento mais tarde da Maçonaria Especulativa, que surgiria principalmente pela queda de prestígio dos construtores operativos devido ao renascimento das Artes, muitos homens não ligados à Arte de Construir acabariam por adentrar nos quadros das Lojas no intuito de proteger e colaborar com a sobrevivência das construtoras. Documentalmente, o primeiro especulativo a ingressar na Maçonaria foi o latifundiário John Boswell, na Loja Capela de Maria na Escócia no ano de 1.600.

Esses novos protetores, geralmente detentores de prestígio e respeito, quase sempre eram ligados aos reinados da época que, por sua vez, mantinham estreitos laços com a Igreja Católica.

Por esse particular e pelas influências do passado, de modo imemorial e universalmente aceito, a Maçonaria Especulativa (dos Aceitos) adotaria o Landmark da crença em um “Arquiteto Criador” o que faria dela (da crença) uma condição de regularidade perante a Primeira Grande Loja, desde 1.717 já no período da Moderna Maçonaria – vide a Constituição de Anderson em 1723 e a sua revisão em 1.738.

Cabe aqui um pequeno comentário: não raras vezes presenciamos Irmãos a confundirem a Moderna Maçonaria com a Maçonaria Especulativa. Na verdade, o período Especulativo teve o seu início em 1.600 com aceitação do primeiro elemento estranho ao ofício. Já a Moderna Maçonaria, que é especulativa por excelência, teve o seu início no ano de 1.717 com a fundação da “Primeira Grande Loja” em Londres, cujo marco histórico inauguraria o sistema obediencial e a figura do Grão-Mestre. Cronologicamente a Maçonaria Especulativa, ou dos Aceitos teve o seu início documental no início do século XVII na Escócia, enquanto que a Moderna Maçonaria é do primeiro quartel do século XVIII em Londres.

Retomando o raciocínio, foi por essas influências cristãs sobre a Francomaçonaria, brevemente aqui relatadas durante o desenvolvimento da sua história que possui aproximadamente 800 anos de idade (Maçonaria não é milenar), é que a crença em um Ente Supremo se tornaria uma condição “sine qua non” para obter ingresso na Sublime Instituição.

É bem verdade que essa crença não está na atualidade atrelada a nenhuma religião, já que essa crença é de consciência individual, nela não imperando qualquer prevalência das preferências religiosas. Em síntese, o maçom deve acreditar em Deus que, de modo conciliatório é denominado na Maçonaria como o Grande Arquiteto do Universo.

Cada maçom, à sua maneira, seja ela do ponto de vista teísta ou deísta, tem a liberdade, e deve, de professar a sua religião, desde que se manifeste sobre ela fora dos umbrais dos recintos maçônicos.

Talvez até possa parecer um paradoxo, mas na Maçonaria não se discute religião, embora ela, a Instituição condicione aos seus membros, de modo irrestrito, a acreditar em “Deus”.

A crença em um Ser Supremo é um Landmark da Ordem haurido dos nossos ancestrais e que se mantém até o presente na Moderna Maçonaria.

T.F.A.
PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

O SENTIDO DA PÁSCOA

O SENTIDO DA PÁSCOA
(republicação)

Embora tido como símbolo da Páscoa cristã (representando Cristo, que é filho e “Cordeiro de Deus”, sacrificado em prol de todo o rebanho, a humanidade), o cordeiro já era muito importante na Páscoa judaica e em vários cultos da Antiguidade, em que era frequente o sacrifício de animais aos deuses.

A Páscoa para os cristãos é a festa que comemora a ressurreição de Jesus Cristo. Para os judeus, os descendentes dos hebreus, a Páscoa (pessach) é a festa que comemora há mais de 3.000 anos a saída dos hebreus do Egito, onde eram escravos. Embora sejam acontecimentos diferentes, tanto a Páscoa cristã como a judaica tem o mesmo sentido: a libertação.

Nesta comemoração judaica, Moisés conduziu seu povo pelo Mar Vermelho e deserto do Sinai, e ficou para sempre como um marco na história do povo hebreu. Antes de partir, cada família deveria preparar a última refeição para a longa viagem que fariam pelo deserto. A refeição incluía um cordeiro assado, pães ázimos (sem fermento, para lembrar que saíram com pressa do Egito) e ervas amargas (para lembrar do sofrimento do povo no deserto, rumo à Terra Prometida).

Todas as casas deveriam passar o sangue do cordeiro nos umbrais das portas, como sinal de submissão a Deus e também para preservar a vida. Esta Páscoa, para os hebreus, representou um tempo de esperança e libertação, a passagem pelo deserto para chegar a um lugar preparado por Deus, muito melhor de se viver. Nos anos seguintes, continuou sendo lembrada com um ritual especial.

Todo ano, na noite de luz cheia de primavera no Hemisfério Norte (entre 22 de março e 24 de abril, outono para nós no Hemisfério Sul), os hebreus passaram então a celebrar a Páscoa, com o sacrifício de cordeiro e o uso de pães ázimos, conforme a ordem recebida por Moisés.

Já na Páscoa cristã, Jesus ofereceu seu corpo e sangue assumindo metaforicamente o duplo sentido da Páscoa judaica: sentido de libertação e de aliança. No Novo Testamento, Cristo é o Cordeiro de Deus, sacrificado em prol da salvação de toda a humanidade. É a nova Aliança de Deus realizada por Seu Filho, agora não só com um povo, mas com todos os povos.

As tradições nas comemorações de Páscoa variam de país para país, porém sempre lembram de uma forma mística a vida e a libertação. Os símbolos mais conhecidos acabaram por ser a união de arquétipos mais fortes de algumas culturas: os ovos (que representam o nascimento), o chocolate (considerado sagrado pelos maias e astecas), o coelho (símbolo máximo da vida, fertilidade inesgotável) e o cordeiro. (desconheço o autor)

sábado, 3 de abril de 2021

ORIGEM DOS CARGOS EM LOJA

Em 12.08.2020 o Respeitável Irmão José Ferreira Soares Neto, Loja Manoel dos Santos, 4.424, Rito Francês, ou Moderno, GOB-RJ, Oriente do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, apresenta a seguinte questão:

ORIGEM DOS CARGOS EM LOJA

Fui iniciado no REAA em 1991 e a partir de 2018, estou filiado a uma Loja do Rito Moderno, a saber: Loja Major Manoel dos Santos nº 4424 - Oriente do Rio de Janeiro/RJ.

Pergunto: Qual a Origem ou como foram criados os CARGOS em Loja/Maçonaria.

No aguardo do seu retorno, agradeço antecipadamente e envio meu.

CONSIDERAÇÕES:

Segue como resposta um texto instrucional de minha autoria que versa, acredito, sobre o tema da sua questão.

PAINÉIS E TAPETES

 

INFLUÊNCIAS CRISTÃS NA MAÇONARIA

INFLUÊNCIAS CRISTÃS NA MAÇONARIA
Sérgio Quirino Guimarães
ARLS Presidente Roosevelt 025
Belo Horizonte - Minas Gerais

Além da lenda que norteia nossos trabalhos, as religiões judaico-cristãs exerceram e pode até parecer estranho, ainda exercem influências em alguns Ritos. 

No Brasil o Rito mais praticado é o Escocês Antigo e Aceito e percebemos nos diversos graus que o constituem, citações explicitamente católicas (nome de santos por exemplo), porém não há dogmatismo religioso, mas em outros ritos temos situações muito interessantes: O Escocês Retificado tem seus princípios baseados e fundamentados na fidelidade à religião cristã, principalmente fé na Santíssima Trindade.

sexta-feira, 2 de abril de 2021

MESTRE INSTALADO É GRAU?

MESTRE INSTALADO É GRAU?
(republicação)

O Respeitável Irmão Cláudio Rodrigues, Mestre Maçom, Ex-Venerável Mestre da Loja Harmonia, nº 26, Rito Escocês Antigo e Aceito, Grande Loja Maçônica de Minas Gerais, Oriente de Belo Horizonte, Estado de Minas Gerais, apresenta a seguinte questão: voclarodrix@yahoo.com.br 

A pergunta que gostaria de fazer ao Ir Pedro Juk, e, se possível com esclarecimento para todos os Mestres Instalados, portanto, aos Veneráveis Mestres e aos Past Veneráveis Mestres é a seguinte: Mestre Instalado é Grau? E se não o é, por que os Irmãos na condição de Veneráveis Mestres ou de Past Veneráveis Mestres assinam os Livros de Presenças apondo o característico M.´. I.´. e não Venerável Mestre ou Past Venerável Mestre?

CONSIDERAÇÕES: 

O SONHADO E O POSSÍVEL

O SONHADO E O POSSÍVEL
Autor: Sebastião Telles Filho Telles é obreiro da ARLS Jesus Christo, Nº 1718 – GOB, Oriente de Rio de Janeiro.

O sonhado e o possível sob a perspectiva de uma Loja Maçônica

Com a simples entrega duma proposta de admissão nos Augustos Mistérios a um candidato, temos o inicio daquilo que podemos chamar de ‘vínculo tácito’, sim, tácito, porque esta vinculação não compromete o futuro adepto materialmente a loja que fora representada pelo Mestre observador externo (expressão autoral), uma QUALIDADE importantíssima para a manutenção dostatus quo da Instituição.

A possibilidade de se sentir pertencido a um grupo, associação, clube, religião, sempre despertou no ser humano interesses com as mais diversas variáveis: bem comum, status, poder, prestigio, etc, e ouso a afirmar que isto faz parte do processo civilizatório.

De toda sorte, a forma de ingresso têm suas particularidades, mas não há a olhos vistos, alguma instituição que trabalhe a entrada do iniciando com tanta preocupação em desenvolver nos sentidos humanos características essenciais ao seu desenvolvimento, o Divino e a Ciência.

Como a síntese se faz necessário no “Quarto de hora do Tempo de Estudos”, não aprofundaremos na iniciação em si, mas na consequência desta, e é aí, que nos deparamos com o sonhado e o possível.

Ensina o Prof. Bauman que, há mais de dois milênios, os sábios da Grécia desenvolveram a noção de PAIDEI, ou seja, uma ideia de transformação por toda a vida. No mesmo sentido, o historiador Luis Antônio Simas, um estudioso da filosofia africana, nos apresenta a importância da oralidade e a sua força quando emanada a partir dum Griot, cuja representação da honra, conhecimento e experiência são matérias primazes para a comunidade a que pertença.

Nestas duas referências em análise de comparação, nos esclarece que o desejo de pertencimento do individuo a uma Loja está vinculado à transformação pessoal. Ora, se nos deparamos com um arcabouço de símbolos, obras cientificas, e até mesmo MAÇONS, cujo seus atos, positivos ou negativos, nos são referências de fazer e não fazer, a Loja na representação do seu quadro de obreiros tem dois tensionamentos que titulam este artigo, o sonhado e o possível, em contra ponto, como já revelado, a paixão pela sociabilidade e, paixão pela individualidade. Este tipo de dualidade de intenções e dialética impacta objetivamente a Loja. (façamos um regresso de memoria…)

Levando em consideração as grandes diferenças individuais que são importantes para a maçonaria, e estas dão sentido ao NIVELAMENTO proposto, a Loja espera que a dedicação e os compromissos assumidos em posição genuflexa diante do Sagrado, tragam para ela o tão sonhado Maçom ideal…

A psicologia nos ensina que a construção do IDEAL DE EGO, é iniciada em casa, na escola, nos espaços de lazer, ou seja, o homem adquire e projeta modelos de convivência social fundada nestas experiências.

Sonhamos com obreiros úteis e dedicados, no entanto, não é o caminho que faz o caminhante, e sim o contrario. Ouvimos inúmeras vezes que uma de nossas Obras importantes é o auto desbastar, e este dar-se-á cada qual ao seu TEMPO. Porém, a Loja é a GRANDE OBRA FÍSICA que, diante de tantos trabalhos individuais, alguns complexos, outros menos, precisa do MAÇOM POSSÍVEL.

Um ótimo exemplo sobre o sonhado e o possível vem do Rev. Marthin Luther King, e do nosso herói da Pátria Luís Gonzaga Pinto da Gama. MLK toma conhecimento dos casos de racismo em Montgomery/Alabama, em especial, a uma senhora, Rosa Parks, que sofre a violência no interior de um coletivo por APENAS sentar em local EXCLUSIVO para brancos. Saldo: desencadeia-se um boicote a empresa de ônibus em virtude do fato. O Rev. King lidera o feito com enorme adesão forçando a prestadora de serviço rever sua politica de segregação.

Luís Gama (1830 – 1882) nos reforça a ideia de sonhado e possível, rábula com uma percepção apurada para a publicação das legislações garantistas do século XIX, como por exemplo, a Lei 07 de Novembro de 1831 (escravos que entrarem no território ou portos, ficam livres), entre o sonhado e o possível, este advogado percebeu que a constituição do império 1824 e a lei infraconstitucional (apelidada para inglês ver) abriam possibilidades para garantir liberdade de mais de 500 negros que entraram por estas terras pós o advento da normativa que, até então, não havia noticias de sua eficácia. Luís Gama, muito influenciado pelos ideais maçônicos à sua época, e, sobretudo, membro fundador da Loja América junto a Rui Barbosa, levou a júri as demandas dos invisíveis argumentando que entre o sonhado e o possível, há um abismo, mas nada nos impede de se construir pontes…

Irmãos, quando vos apresento dois personagens com características tão díspares e similares, torno a lembrar que ambos são construtores sociais que pautaram seus objetivos na busca do sonhado e do possível, ambos tiveram dificuldades, hesitações, e quem não as tem? Mas optaram por construir pontes.

A preparação do caminho inicia-se bem antes do futuro postulado. Aquele quem um dia receberá a proposta, se dê conta que haverá o momento de se bater a porta do Templo, o sonhado torna-se possível pelas mãos do Observador Externo, a quem chamamos de padrinho. É neste momento que nos diferenciamos dos demais, ainda que eles, os profanos, sejam bons cidadãos, profissionais, altruístas, em alguns casos sacrificam-se pela humanidade, ainda assim, é em nossa oficina que exercitamos o autocontrole, o autoconhecimento, e a conexão com Aquele que tudo vê!

Sonhar é intangível, porém, o possível é construível.

E é neste sentido que se segue a Grande Obra, despertando mentes e corações pois, os verdadeiros obreiros da Arte Real, aqueles que ajudam o VENERÁVEL MESTRE a abrir a Loja, têm por OBRIGAÇÃO ser exigentes consigo mesmos, e tolerantes para com os outros.

Entretanto, se faz mister o exercício inexorável do SER-VIR e não VIR-a-SER, pois o primeiro não esmorece com a rudeza do caminho.

Fonte: opontodentrodocirculo.com.br

quinta-feira, 1 de abril de 2021

VISITA E RECONHECIMENTO

VISITAS E RECONHECIMENTO
(republicação)

Em 11/03/2017 o Respeitável Irmão Jorge Cabeceira, Loja Nova Luz Vazantina, sem mencionar o nome do Rito e a Obediência, Oriente de Vazante, Estado de Minas Gerais, através do meu blog, formula a seguinte pergunta.

Gostaria de fazer as seguintes perguntas a você: Na sua Loja Maçônica (GOB) vocês aceitam visitas de Irmãos da COMAB? O que você acha sobre este assunto? Como você enxerga o final desta "história"?

CONSIDERAÇÕES:

Embora o Quadro da minha Loja, pelo que me pareça não concorde com essa atitude em relação à COMAB, os Irmãos são “obrigados” a cumprir a Lei. Nesse caso, mesmo a contragosto, respeitamos o que impera a vontade da nossa autoridade maior – tratando-se de Maçonaria, não há como vestir um santo para desvestir o outro.

Sob o meu ponto de vista, os Irmãos da COMAB não são merecedores dessa proibição que se diz amparada pela falta de regularidade!

Infelizmente, essas decisões acontecem por atitudes que não me cabem aqui comentar, pois discutir regularidade em Maçonaria requer da nossa parte muita reflexão, bom senso, boa vontade e o exercício da tolerância.

Da minha parte, mesmo não podendo conviver em Loja com alguns confrades pelas circunstâncias atuais, tenho-os como Irmãos em se tratando daqueles pertencentes à CMSB (Grandes Lojas Estaduais) e à COMAB (Grandes Orientes Estaduais Independentes), assim, como maçom, não perco a esperança de que num futuro próximo as coisas voltem aos seus devidos lugares, imperando entre as três Obediências brasileiras a nossa tão sonhada harmonia.

Cumpro a Lei, mas isso não implica em me tornar subserviente a vontade de alguns.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

FRASES ILUSTRADAS


 

A ARTE DE SER MAÇOM NO AMBIENTE PROFANO

A ARTE DE SER MAÇOM NO AMBIENTE PROFANO
Aroldo Lopes de Paula Valácio – M∴M∴ A∴R∴L∴S∴ Fraternidade Nepomucenense
Nepomuceno – Minas Gerais - GOMG

Vez ou outra deparo-me com situações no dia a dia embaraçosas. Outro dia em uma padaria perguntei a balconista que me atendeu muito bem por sinal qual o motivo de alguns concidadãos não estarem observando o disposto no protocolo de controle a COVID 19 naquele estabelecimento! Ao prontificar-se em responder subitamente vem o dono que tratou de fazer um relato mínimo sobre o indagado e desconversar. E eu entendi. Atrapalho perguntando! Minha venda nos olhos “desceu” quando eu notei a sádica tentativa de tornar não consensual algo amplamente notório e seguro. Confesso que me decepcionei com a frieza. Frieza essa que nós sabemos e conhecemos em nossos estudos. Reparei no cingir das pálpebras dos olhos o desconforto e a ganância propriamente dita estampada.

No ambiente profano somos confrontados com a infidelidade das boas práticas e secretamente pessoas em condições menores de força são submetidas a intolerância. Quanta ignorância salta aos olhos daqueles que ainda são afetos aos desejos mais mundanos. No exemplo anterior não me deixei dominar pelo autoritarismo e pus-me a tranquilizar aquele ser veladamente arrogante, atendo-me aos protocolos de saúde e reiterando-o como um bom cidadão e consumidor. A balconista de costas lavava alguns copos e mais tarde me confessou haver perdido uma irmã pela doença. Parece drama. Mas não é. Fato. Calada e resignada ouviu em silêncio toda a minha explanação sobre o protocolo discorrido aquele profano proprietário de um estabelecimento que talvez se esqueça de que sua colaboradora não teve a doença, mas sentiu o efeito colateral dela. “Vaidade, tudo é vaidade”.

Cada irmão interpreta o ensinamento e o prática diariamente dentro obviamente de sua realidade. Somos instruídos sempre a buscar o conhecimento dentro da impessoalidade e capacidade intelectual ativa de cada um. A filantropia pelo menos a mim relembra a todo momento que somos todos iguais. E assim sendo temos que ter sempre compaixão um com o outro. Isso traduz na vida a melhor prática que sirva a todos. Eis que a humanidade sofre com os desejos individuais dos poderosos e totalitários.


A cultura da lei de Gerson no Brasil ainda se estabelece como prática fiadora dos cegos profanos. Lidamos com atitudes corriqueiras que deliberadamente afrontam a verdadeira noção de cidadania e moral. A SOBRIEDADE nas lições devem ser guardadas para que o maçom ao lapidar-se meça com clareza o tamanho de suas ações e gire o compasso na busca da fiel justiça a que deve apetecer o coração do obreiro. A sombra que acompanha a venda nos olhos e obstrui enxergar a luz da razão precisa ser afastada pelo irmão que ainda está preso as amarras da ignorância e que não se abstém de um passivo de aberrações morais passadas profanas para obter o novo, a transformação, a sobriedade mental que a busca por ensinamentos maçônicos traz.

Qualquer que seja o obstáculo a transpor no inventário moral ao lapidar a pedra bruta devemos ater nossa razão e não nossa paixão. No exemplo acima o proprietário antes do fato era tido por mim como uma pessoa digna e de total confiança. Percebi que a paixão pela nossa amizade não poderia ser maior do que a razão frente a algo maior. Confesso que a decepção foi sentida. Mas o alívio de ter construído um pilar de força e estabilidade durante todo esse tempo de estudo me possibilitou sabedoria para transpor com firmeza aquela situação. O olho que tudo vê me permitiu enxergar tamanha aberração. O G.A.D.U. nos permite o dom diário da vida. Saber reconhecê-lo e praticar de forma justa esse dom cabe a cada irmão na busca pelos estudos e conhecimento. Assim podemos ser melhores. Assim podemos tornar melhor o universo ao nosso redor.

Fonte: Revista Triponto