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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

A EXPRESSÃO PEÇA DE ARQUITETURA NA MAÇONARIA

Em 27 de julho de 2022 o Irmão Marcos Barcelos Neves, Loja Santo Graal, 4690, REAA, GOB-RS, Oriente de Porto Alegre, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta o seguinte:

TRABALHO DE ARQUITETURA

Os trabalhos realizados pelo Aprendiz, Companheiro e Mestre são todos denominados "Trabalho de Arquitetura"? Poderia discorrer sobre o assunto para uma melhor compreensão se o trabalho em loja do A.·. M.·. pode ser chamado de trabalho de arquitetura.

CONSIDERAÇÕES:

O termo que é comumente utilizado para identificar os traçados maçônicos denomina-se "Peça de Arquitetura".

O título se deve às propriedades e afins da Ordem Maçônica estarem historicamente ligadas à arquitetura das antigas construções das Catedrais, Góticas, Igrejas, Abadias, Mosteiros, etc.

 Por conta disso, de maneira generalizada a arquitetura está intimamente ligada ao ofício dos nossos antepassados.

Atualmente, mesmo os maçons não sendo mais literalmente pedreiros operativos, porém especulativos, eles continuam simbolicamente sendo construtores, todavia, como construtores sociais.

Graças a isso é que expressões relativas aos traçados, geométricos comuns à arte da arquitetura também se identificam com a Moderna Maçonaria.

O projeto de arquitetônico, nesse caso, se refere à elevação de um edifício social em prol da moral e dos bons costumes. É nesse sentido que a Moderna Maçonaria se utiliza vocábulos próprios da construção e da arquitetura para construir o seu arcabouço doutrinário.

Nesse contexto, arquitetura e geometria andam de mãos dadas, pois o maçom simbolicamente é um construtor que materializa o projeto de um templo à Virtude Universal.

Concluindo, nos conceitos maçônicos a arquitetura, ou a “arte de criar”, está intimamente ligada Àquele que geometrizou o Universo – O Grande Geômetra (conceito filosófico do Criador).

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

PROPORÇÃO ÁUREA NA MAÇONARIA

Pedro Juk

Proporção áurea, em termos matemáticos, menciona ser uma constante real algébrica utilizada nas artes e na arquitetura.

Representada pela letra grega Phi, segundo alguns tratadistas a escolha desse nome se deu em razão de que o arquiteto e matemático grego Phidias muito provavelmente tenha, no século V a. C., empregado essa proporção no projeto arquitetônico do Parthenon.

Ainda segundo alguns historiadores, consta que Platão foi um grande admirador da proporção áurea, enquanto Euclides a descreveu na sua obra “Os Elementos”.

Mais tarde, por volta do primeiro quartel do século XIII, Leonardo Fibonacci descobriu propriedades sequenciais únicas relativas aos seus números: 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13 … (1 + 0 = 1; 1 + 1 = 2; 2 + 1 = 3; 3 + 2 = 5; 5 + 3 = 8; 8 + 5 = 13; …).

Quando esses números são utilizados proporcionalmente na construção de um retângulo, em geometria esse retângulo fica então conhecido como “retângulo de ouro”, tornando-se, segundo os experts, uma das formas geométricas mais agradáveis à contemplação dos olhos humanos.

Graças a isso é que essa forma, junto ao “espiral áureo”, comumente aparece aplicada nas artes e na arquitetura. Nessa conjuntura, vale lembrar que o espiral áureo é obtido em se seguindo o fluxo de quadrados formados e dispostos no interior do “retângulo de ouro”.

Muitos estudiosos relatam que a proporção áurea deve ter sido aplicada na construção das Pirâmides de Gizé, assim como também os gregos a utilizaram para projetar muitos dos seus mais importantes monumentos.

Especula-se também que a relação entre a proporção áurea e as artes se deve ao monge italiano Luca Pacilli que no século XVI a mencionava em um livro de sua autoria intitulado “De Divina Poroportione”. No seu histórico de amizade com Leonardo Da Vinci, comenta-se que o próprio Da Vinci teria se utilizado desse conceito áureo para definir as proporções das suas obras a exemplo da Última Ceia, assim como na criação da Mona Lisa e do Homem Vitruviano.

No intuito de alcançar equilíbrio, sobriedade e beleza, relata-se que além de Leonardo Da Vinci, muitos quadros e esculturas da Renascença, desenvolvidas por artistas como Michelangelo, Rafael, Rembrandt, dentre outros, foram desenvolvidas com base na proporção áurea.

Dado a essas impressões, nada mais natural que a Maçonaria de Ofício (canteiros medievais), então construtora de igrejas, catedrais, abadias e mosteiros da Idade Média, também tenha se valido da proporção áurea como um dos elementos necessários para projetar essas enormes construções a partir do século X.

A despeito desses comentários, é sempre bom lembrar que os ancestrais das Guildas dos Franco-maçons foram as Associações Monásticas e as Confrarias Leigas, destacando que o segredo da arte de construir era inquestionavelmente guardado pela Igreja Católica, já que a partir do ano 1000 d. C. ela (igreja) obteve um enorme progresso e alcance territorial – afinal, na virada do milênio o mundo não havia acabado e a humanidade agradecida elevava louvores erigindo com pedras grandes catedrais.

Essa expansão também atingiu à Franco-Maçonaria que com isso obteve elevado progresso, sobretudo pela premente necessidade de mão de obra para atender às necessidades das construções da época. Além da ascensão e progresso, essas associações organizadas de pedreiros passaram a ter, por um bom tempo, proteção do clero.

Sabe-se, contudo, que com o declínio das construções causado pela evolução político-social da Europa da época e o abandono do estilo gótico pelo advento do Renascimento, a Franco-Maçonaria sofreu uma paulatina transformação, passando do trabalho operativo (do ofício) para o especulativo, perdendo, inclusive, a proteção de outrora.

Com isso, no intuito de sobreviver e com a admissão de elementos estranhos à arte de cortar a pedra e elevar paredes, muitos conceitos tradicionais do ofício, especulativamente passaram a ser utilizados simbolicamente pelos Maçons Aceitos, ou seja, era construído um sistema iniciático de aperfeiçoamento humano utilizando símbolos e ferramentas dos maçons de ofício (o advento da Maçonaria Simbólica).

Desse modo, a construção – agora não mais operativa – passou a ser simbólica, tendo o homem como elemento primário e central em substituição à pedra bruta. Assim, com o advento dos ritos maçônicos a partir do século XVIII, a Maçonaria dos Aceitos saía dos adros das construções, das tabernas e cervejarias e começava a se acomodar em recintos próprios decorados emblematicamente conforme os trabalhos iniciáticos.

Assim, o Templo Maçônico, construído sob fundamentos hauridos da disposição das Igrejas e do Parlamento Britânico, figuradamente passava a representar um canteiro de obras estilizado. Em primeira análise o templo é também o próprio homem, moldado e aperfeiçoado no canteiro conforme as exigências da Arte.

Nesse particular a proporção áurea é um dos elementos simbólicos que deu estrutura à alegoria iniciática, ou seja, é um elemento construtivo de proporções ideais utilizada emblematicamente para reconstruir o novo homem.

Esse conceito iniciático dá ao iniciado o entendimento de que o templo é o próprio homem e é ele o habitat do Divino – a morada do sagrado. O seu caráter de beleza e perfeição plástica é comparado às dimensões áureas. Dir-se-ia ser essa uma conotação filosófica de aplicação embasada na proporção.

Vale mencionar que na proporção áurea, o retângulo de ouro, e outros conceitos do gênero, segundo muitos estudiosos, também se apresenta na construção da Natureza, cujo seu arquiteto criador é denominado como Grande Geômetra, ou “Aquele” que instituiu a Ordem, o Equilíbrio e a Harmonia do Universo.

Penso que esses são conceitos históricos, filosóficos e iniciáticos, portanto são simbólicos no contexto da Maçonaria, não cabendo sua aplicação como regra para construir os ambientes de trabalho maçônico (Lojas). Não tem o porquê de literalmente se construir obrigatoriamente um templo maçônico em se adotando a regra da proporção áurea. Lembro que essa é somente uma questão simbólica e assim deve ser tratada, não cabendo esse tipo de exigências construtivas numa época em que a arquitetura disciplina a utilização dos espaços de acordo com a necessidade de ocupação, assim como pelo caráter econômico.

Ao concluir, penso que muito mais importante do que o ambiente material está o do ambiente espiritual aonde de fato se concentram e concretizam os verdadeiros valores morais e éticos do ser humano. Longe de qualquer interpretação licenciosa, mais importante do que a suntuosidade de um ambiente está a matéria prima humana propícia ao aperfeiçoamento.

Fonte: https://opontodentrodocirculo.wordpress.com

quinta-feira, 12 de janeiro de 2023

A ÉTICA NA MAÇONARIA

Ir∴ Paulo Jorge Costa
A∴R∴B∴L∴S∴ União e Silêncio nº 1582

I – INTRODUÇÃO

A origem da palavra ética vem do grego "ethos", que quer dizer “o modo de ser”, ou “o caráter”. Os romanos traduziram o "ethos" grego, para latim "mos" (ou no plural "mores"), que significa costume, hábito, ou regra, de onde então vem a palavra moral. Tanto "ethos" (caráter) como "mos" (costume) indicam um tipo de comportamento propriamente humano que não é natural, ou seja, o homem não nasce com ele como se fosse um instinto, mas que é adquirido ou conquistado pelo hábito. Portanto, ética e moral, pela própria etimologia, dizem respeito a uma realidade humana que é construída histórica e socialmente a partir das relações coletivas dos seres humanos na sociedade onde nascem e vivem.

Mas, afinal, o que é ética?

Ética é a parte da filosofia que estuda os valores morais e os princípios ideais da conduta humana. É a ciência que tem por objeto o estudo científico e filosófico sobre os costumes ou as ações humanas, ou, em resumo, é o estudo do comportamento moral dos homens em sociedade.

A ética é um campo de estudo que busca direcionar as relações entre os seres humanos e seu modo de ser, pensar e, principalmente, de agir dentro de um determinado contexto: comportamento ético é aquele que é considerado adequado, correto e permitido por uma organização.

Uma vez estabelecidos os princípios éticos que regem os comportamentos dos membros de uma determinada organização (social, política, profissional ou outras), pode-se então, naquele contexto, saber e distinguir entre o certo e o errado (o que pode ou não pode ser feito).

Logo, questões do tipo: “O que é certo? Qual o meu dever? O que devo fazer?” pertencem exclusivamente ao aspecto causal da busca do padrão ético e devem levar às respostas: se as ações são boas, com certeza terão bons efeitos.

A vida humana é essencialmente convívio. É justamente na convivência, na vida social e comunitária, que o ser humano se descobre e se realiza enquanto um ser moral e ético. É na relação com o outro que surgem os problemas e as indagações morais: O que devo fazer? Como agir em determinadas situações? Como comportar-me perante o outro? Diante da corrupção e das injustiças, o que fazer?

Portanto, constantemente no nosso cotidiano encontramos situações que nos colocam problemas morais. São problemas práticos e concretos da nossa vida em sociedade, ou seja, problemas que dizem respeito às nossas decisões, ações, escolhas, e comportamentos, os quais exigem uma avaliação, um julgamento, um juízo de valor entre o que socialmente é considerado bom ou mau, justo ou injusto, certo ou errado.

II - A ÉTICA NA MAÇONARIA

Mas, como é falar de ética na Maçonaria ?

A Maçonaria é uma Ordem Universal, formada por homens de todas as raças, credos e nacionalidades, acolhidos por iniciação e congregados em lojas, nas quais, por métodos ou meios racionais, auxiliados por símbolos e alegorias, se estuda e se trabalha para construção da Sociedade Humana.

A Maçonaria proclama que se deve lutar pelo princípio da equidade, dando a cada um o que for justo, de acordo com sua capacidade, obras e méritos, além de considerar o trabalho lícito e digno como dever primordial do homem.

A ética maçônica tem por fundamento os conceitos de liberdade, igualdade e fraternidade como máxima no relacionamento humano, a concretização ou realização dos valores do homem iniciado maçom e observância das regras morais tradicionais ou inscritas nos rituais e regulamentos maçônicos.

A Maçonaria não dispõe de um “Código de Ética” que possa constituir um compromisso de honra para os que aceitam ingressar em nossa Ordem, e todos sabem que, ao ingressar na Maçonaria, cada indivíduo traz consigo os valores do seu convívio social, suas concepções morais e éticas já elaboradas, o que pode provocar na convivência maçônica comportamentos aéticos, a exemplo das omissões, das disputas pelo poder, perseguições, malversação dos conhecimentos e da doutrina maçônica, excessos no uso da inteligência e da desinteligência e as mais variadas formas de indisciplina e inadaptabilidades às regras maçônicas, causando o enfraquecimento do sentido de unidade do corpo social.

A singularidade da ética maçônica nos permite dar um passo à frente. Preliminares do simbolismo e dos instrumentos maçônicos, as atitudes e os gestos ritualísticos estão a demonstrar o caminho a ser trilhado pelo maçom. A eles aditem-se, ainda, as Constituições Gerais da Ordem, os Landmarks, as Leis e Regulamentos específicos das Lojas. Então, aí temos quase que definidos um conjunto de regras de conduta válidas para todos os tempos e para todos os homens que adentraram pelos portais iniciáticos das cerimônias e ritualísticas maçônicas. E é a este conjunto prático-moral que se submete o maçom, sem muitas reflexões sobre ele.

O problema em sua saga ética e moral reside, basicamente, no que fazer ou em como se comportar frente a cada situação concreta do indivíduo na sociedade, se não existe um código de ética maçônico como escopo social que possa tipificar as condutas e registrar as violações às regras estabelecidas. É comum que em situação de tomada de decisão, os indivíduos se defrontem com a necessidade de pautar o seu comportamento por normas que julgam mais apropriadas ou mais dignas de serem cumpridas e é aí que as regras maçônicas vão para as laterais das regras sociais vigentes.

A abordagem de um assunto tão complexo exige algumas premissas, que, embora verdades incontestáveis, podem ser, muitas vezes, esquecidas, em benefício de interesses pessoais de momento.

A primeira premissa esclarece que a Maçonaria é uma fraternidade.

O substantivo fraternidade designa o parentesco de irmãos, o amor ao próximo, a harmonia, a boa amizade, a união ou convivência como de irmãos. Isso leva à conclusão de que, na organização designada genericamente como Maçonaria, definida como uma fraternidade, deve prevalecer a harmonia e reinar a união e convivência como de irmãos.

A segunda premissa afirma que a Maçonaria, como uma fraternidade, deve ser uma instituição fundamentalmente ética.

O substantivo ética designa a reflexão filosófica sobre a moralidade, ou seja, sobre as regras e códigos morais que orientam a conduta humana. Refere-se também à parte da filosofia que tem por objetivo a elaboração de um sistema de valores e o estabelecimento dos princípios normativos da conduta humana, segundo esse sistema de valores.

Sendo a Maçonaria, até pela sua definição, uma organização ética, devem ser rígidos os códigos de moral e alto o sistema de valores que orientam a conduta entre maçons.

Todos os códigos maçônicos ressaltam a importância dos valores éticos entre maçons. Isso está bem evidente em disposições inseridas em textos constitucionais, as quais, com pequenas variações de Obediência para Obediência, afirmam que, entre outros, são deveres do maçom:

"Reconhecer como Irmão todo maçom e prestar-lhe a proteção e ajuda de que necessitar, principalmente contra as injustiças de que for alvo”;

“Haver-se sempre com probidade, praticando o bem, a tolerância e a fraternidade humana".

E completam, destacando que:

"Não são permitidas polêmicas de caráter pessoal nem ataques prejudiciais à reputação de Irmãos, nem se admite o anonimato".

A ética, todavia, não fica restrita apenas às relações entre maçons, mas também às destes com as Obediências que os acolhem, principalmente nas referências a estas, ou aos seus dirigentes, em textos escritos. Isso está bem caracterizado no dispositivo legal, que admite ser direito do maçom:

"Publicar artigos, livros, ou periódicos que não violem o sigilo maçônico nem prejudiquem o bom conceito do Grande Oriente".

A Maçonaria deve ser exemplo de moral e de ética. Afinal de contas, ela afirma, em todas as suas Cartas Magnas, que:

"A Maçonaria pugna pelo aperfeiçoamento moral, intelectual e social da humanidade, por meio do cumprimento inflexível do dever, da prática desinteressada da beneficência e da investigação constante da verdade. (...) Proclama que os homens são livres e iguais em direitos e que a tolerância constitui o princípio fundamental nas relações humanas, para que sejam respeitadas as convicções e a dignidade de cada um".

Nem sempre, porém, isso acontece. A Instituição maçônica, doutrinariamente, é perfeita, mas os homens são apenas perfectíveis. Procuram se aperfeiçoar, mas muitos nem sempre conseguem o seu intento, mesmo depois de muitos e muitos anos de vida templária, persistindo nas atitudes aéticas e antiéticas, que lhes enfraquecem o espírito e assolam o ideal de solidariedade, de moral e de respeito à dignidade humana.

Os ensinamentos maçônicos são fundamentalmente éticos. A Maçonaria fomenta o desenvolvimento do homem através do aperfeiçoamento moral.

Quando a Maçonaria utiliza a Bíblia como sendo o seu Livro da Lei, está implícito que os ensinamentos do Grande Arquiteto do Universo, que são extremamente éticos devem ser acatados e praticados por todos os maçons.

Nas Constituições, Estatutos e Regulamentos Maçônicos, também encontramos postulados éticos que norteiam a Atitude Maçônica.

A Maçonaria defende, por exemplo, que um maçom só pode favorecer outro maçom numa situação incontestavelmente ética. Não podemos favorecer um maçom em detrimento de outra pessoa. Ou seja, se o mérito for do outro, o direito é do outro. Só em igualdade de condições podemos favorecer um irmão.

O RGF – Regulamento Geral da Federação do Grande Oriente do Brasil estabelece, como um dos deveres da Loja:

“Empenhar-se no aperfeiçoamento dos seus Membros nas áreas de Filosofia, Simbologia, História, Legislação Maçônica, Ética e Moral e promover o congraçamento familiar maçônico”.

Em muitos outros momentos de seus rituais, nos vários graus dos estudos maçônicos, são focalizados princípios que fundamentam a Ética Maçônica: juramentos de aceitação, de obediência e de sigilo; compromissos de fidelidade, de solidariedade e de ajuda mútua; e tantos outros, todos com o mesmo escopo: a Maçonaria é uma Escola de Aperfeiçoamento Moral.

A verdade e a virtude são os dois pólos de uma única busca que caracteriza a via ética de natureza iniciática. Adicionalmente, também se pode dizer que a busca da verdade já é uma das virtudes do maçom. O caminho para a prática da virtude se inicia no rito de iniciação e se desenvolve através dos trabalhos ritualísticos em Templo. Um caminho que é gradualmente percorrido na busca do aperfeiçoamento individual, no qual os princípios éticos devem ser praticados, tanto em Loja quanto no mundo profano.

Depende da vontade de cada um praticar a virtude. Para a Maçonaria, a virtude é a disposição habitual para o bem e para o que é justo e, por isso, nela vê a prova da perfeição e o próprio ideal do maçom.

Por isso, ela nos ensina, em seus Rituais, que devemos “levantar templos à virtude e cavar masmorras ao vício”.

A Ética maçônica não reduz a noção do bem só ao maçom como indivíduo ou aos demais membros da Ordem, mas se amplia e envolve toda a humanidade. Daí podermos dizer que a maçonaria se volta, de maneira sempre progressiva, ao bem comum, ao bem concreto, atual e futuro de todos os homens, independente de quais sejam as suas culturas, países, etnias ou religiões.

A vida do maçom envolve o seu trabalho em Loja e a sua atuação no mundo profano, no qual a sua postura deve ser profundamente ética e tolerante.

III – CONCLUSÃO

Um dos maiores desafios para um maçom é honrar e representar a instituição no desempenho de suas atividades como homem, profissional, cidadão e chefe de família, pois deve ser exemplo de postura ética e moral numa sociedade excessivamente individualista e voraz, onde o TER a todo momento procura absorver o SER numa luta desigual e numa competição desenfreada, incompreensível e desumana. Uma sociedade em que valores familiares nem sempre são considerados, onde a honestidade, a honradez e a correção de conduta muitas vezes são tidas como práticas ultrapassadas.

Os maçons devem dar exemplos de moral, de ética e de virtudes. Afinal nossa sublime Instituição afirma ser educativa, filantrópica e filosófica, que tem por objetivo os aperfeiçoamentos moral, social e intelectual do Homem por meio do culto inflexível do dever, da prática desinteressada da beneficência e da investigação constante da verdade.

Há bem pouco tempo, os maiores inimigos da Maçonaria eram agentes externos. Governos ditatoriais e o clero, de tempos em tempos, desferiam ataques contra nossa Instituição. E não podemos dizer que tudo isso passou, pois persistem ataques da ignorância e do preconceito, somados aí extremistas de algumas crenças, ou mesmo sem crença nenhuma, que trazem discursos inflamados de ódio contra o “Demônio”, com quem frequentemente nos relacionam. A multidão que os segue encontra, em seus templos e livrarias, uma infinidade de livros e artigos que destilam mortal veneno contra a Maçonaria. Livros esses que podem ser encontrados até mesmo nas livrarias comuns das grandes cidades.

Mas atualmente, infelizmente, os mais mortais inimigos da Maçonaria são os próprios maçons. Falo dos maçons mal selecionados, os não convictos e os despreparados, que trazem perigo constante à nossa instituição. A falta de estudo e instrução maçônica produz maçons que desconhecem a Ordem, verdadeiros profanos de avental. O desconhecimento da filosofia produz a ausência de autodisciplina, dificulta ou impede a reforma interior. Com isso, prevalecem a vaidade, o orgulho, a arrogância, a indulgência, a presunção, a preguiça. Alguns maçons se dão ao luxo de descumprir as Leis e os Regimentos Internos, sem falar no desprezo aos Rituais.

Por esta razão, espera-se que o maçom reitere seu juramento com sua presença nas reuniões maçônicas e se dedique, de corpo e alma, não somente ao estudo do simbolismo e da filosofia maçônica, mas também à prática da moral, da igualdade, da solidariedade humana e da justiça, em toda a sua plenitude.

Acreditamos que padrões éticos devem ser restabelecidos rapidamente entre os maçons para que sua influência possa frutificar. Deve-se começar a falar de ética. Deve-se voltar a estudar e recuperar o verdadeiro sentido das coisas.

Deve-se, enfim, divulgar pelos meios disponíveis, mas, sobretudo, cobrar de nossos irmãos em cargos de poder uma conduta ética que se transforme em exemplo para todos, profanos e iniciados, e trabalharmos sempre com Amor e Tolerância, e visando ao bem da Fraternidade.

Este deve ser o modo natural de agir do maçon, que deve ter nos princípios fundamentais da Ordem, os maiores princípios éticos que embasam sua conduta diária.

A cada reunião, reafirmamos que aqui estamos para cavar masmorras ao vício e levantar templos á virtude, e é isso, verdadeiramente, que chamamos de transformar a pedra bruta em pedra polida. Nesta luta não há lugar para os fracos. Qualquer que seja nossa luta interna, enfrentemos e seremos verdadeiramente construtores de um novo mundo.

Finalizo este trabalho, conclamando todos os irmãos a enfrentar com coragem os desafios cotidianos, a não esmorecer no empenho da justiça social, reconhecendo em cada pessoa a dignidade divina.

Fonte: http://goeam.com.br

O PADRINHO NA MODERNA MAÇONARIA

Em 27.07.2022 o Respeitável Irmão Pedro Arruda, Loja Universitária Pés Vermelhos, sem mencionar o Rito, GOB-PR, Oriente de Londrina, Estado do Paraná, apresenta a dúvida seguinte:

PADRINHO NA MAÇONARIA

Gostaria de sua ajuda para elucidar uma questão: Qual a origem histórica do Padrinho na Maçonaria, me refiro a nossos ancestrais ainda na Idade Média, nos canteiros profissionais, ou somente na Maçonaria especulativa temos esta figura?

CONSIDERAÇÕES:

No que tange aos primórdios da Maçonaria, nela não existia propriamente a figura poética de um padrinho como conhecemos atualmente na Moderna Maçonaria.

 Na Maçonaria Operativa, ou de Ofício, o Aprendiz Admitido comumente ficava sob a tutela do dono do canteiro de obras. Geralmente ele aprendia o ofício de esquadrejar a pedra durante três anos e levava mais dois para receber a recomendação que o levaria a ser recebido na classe dos Companheiros do Ofício. Um Companheiro trabalhava sete anos e mais para receber sua carta de contrato.

Era comum que o Aprendiz no período dos dois últimos anos ressarcisse ao Mestre da Obra as despesas da sua estada naquele período no canteiro, devolvendo, inclusive, os valores gastos com a sua alimentação e vestuário inerente ao tempo do aprendizado. Então nessa época não havia virtualmente a figura poética do padrinho protetor, tutor, etc.

Vale lembrar que na Maçonaria primitiva (a partir do século X) não existiam graus iniciáticos, mas classes de operários, isto é, a classe dos Aprendizes Admitidos e a dos Companheiros do Ofício. Não existia o grau especulativo de Mestre Maçom, mas apenas o Mestre dirigente da obra, cujo qual era escolhido entre os Companheiros mais experientes.

Com o advento da Maçonaria Especulativa (dos Aceitos) a partir do século XVII e a Moderna Maçonaria a partir do século XVIII, por circunstâncias organizacionais passou-se a exigir alguém que apadrinhasse o candidato a ingressar na Ordem, ou seja, a figura do maçom apresentante do proposto à Iniciação. Era essencialmente quem indicava.

De certo modo o apresentante é o padrinho e é o tutor do iniciado, guiando-o até a sua maioridade maçônica, no caso, até quando ele atingir a plenitude maçônica ao alcançar o 3º Grau.

É bem verdade, contudo, que nem sempre é isso que acontece, pois atualmente alguns “padrinhos” desconhecem por completo esse dever - eu poderia citar como exemplo o meu padrinho na Ordem que só assistiu a minha iniciação e depois desapareceu completamente da Loja.

Ao concluir, lembro que o grau especulativo de Mestre Maçom somente apareceu em 1725 na Moderna Maçonaria e foi oficializado na Inglaterra em 1738. Assim, é impossível se imaginar grau de Mestre Maçom nos tempos primitivos da Maçonaria.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

FRASES ILUSTRADAS

PERPLEXIDADE MAÇÔNICA

José Filardo M⸫M⸫

Confesso que meus recentes estudos sobre Maçonaria deixaram-me perplexo. Não que eu ignorasse completamente o assunto, pelo contrário, por quarenta anos busquei entender o seu funcionamento, suas origens, seus métodos pedagógicos condensados nos rituais e no sistema de graus.

Cabeça dura que sou, recusei-me sempre a ingressar nos Altos Graus, tanto do R.E.A.A quando do Rito Moderno, por achar que a Maçonaria se esgotava no grau de Mestre, chegando a repetir inúmeras vezes que “quem não entendeu o que é Maçonaria ao chegar ao grau de Mestre, pode desistir.” Que idiota!

Tive que morder a língua e dar o braço a torcer. Depois de 35 anos no grau de Mestre, descobri que era totalmente ignorante sobre a Ordem. Descobri que o “segredo” da Maçonaria existe e é revelado progressivamente nos Altos Graus, sendo necessário percorrer toda a série de graus para ter uma ideia do que é Maçonaria, o que de certa forma é frustrante, diante das garantias de exercício pleno dos direitos e deveres do maçom ao atingir o grau de Mestre.

Por outros caminhos consegui vislumbrar uma parte do segredo, e estou certo de existem muitos outros que em minha santa ignorância eu negava a existência.

Descobri também a razão pela qual a crença no princípio criador, que chamamos GADU é essencial para o maçom, o que colocou-me em uma camisa de onze varas, pois ao longo da vida, mesmo depois de ingressar na ordem, ignorando o que agora descobri, perdi completamente a fé em um ser divino. Tornei-me ateu e com base em meus estudos, constatei que o ateísmo não é realmente impedimento para o ingresso na Maçonaria, mas o ateu somente vivenciará uma pequena parte da Maçonaria, aquela da fraternidade, do networking, da sociabilidade, mas, ele jamais será realmente um maçom completo. Falo daquele ateu raiz, que realmente não acredita no plano sobrenatural, nem deus nem orixá, nem caboclo, nem satã, nem nirvana, nem ganesha, nem céu, nem daime, nada.

Eu poderia, se quisesse, ingressar nos Altos Graus. Nada me impede. Mas não vejo sentido nisso, à luz de meus achados das pesquisas e principalmente meu estado atual de ateísmo.

Penso que hoje em dia o segredo deveria ser revelado ainda que resumidamente quando do ingresso no grau de Mestre, para que o obreiro pudesse encaminhar-se para o grande objetivo. O homem contemporâneo perdeu a capacidade e a sensibilidade da análise do símbolo e não reage muito bem à sutil pedagogia dos rituais maçônicos.

Mesmo assim, gostaria de ajudar os irmãos mestres e, para tanto, estou publicando em nosso blogue algumas matérias que abordam o tipo de conhecimento exigido para desenvolver a sensibilidade necessária, tanto para compreender o ritual quanto compreender e desfrutar o segredo maçônico em sua plenitude.

O texto que gostaria de apresentar aborda a Alquimia, uma das principais disciplinas que juntamente com o Rosacrucianismo, a Cabala Cristã e o Hermetismo são essenciais para a fruição da condição de maçom.

O texto é bastante completo, relativamente claro (o que é difícil nesses campos) e certamente será apreciado.

Quem tiver interesse pode acessar o texto clicando em ALQUIMIA ESPIRITUAL

Fonte: https://bibliot3ca.com

quarta-feira, 11 de janeiro de 2023

RELIGIÃO DO CANDIDATO E A BÍBLIA NAS LOJAS - LIVRO RELIGIOSO x LIVRO DA LEI

Em 24.07.2022 o Respeitável Irmão José Aparecido, sem mencionar o nome da Loja, REAA, GOP (COMAB), Oriente de Londrina, Estado do Paraná, apresenta as questões que seguem:

RELIGIÃO DO CANDIDATO – BÍBLIA NAS LOJAS MAÇÔNICAS

Procurando entender um pouco mais da Ordem a nível Mundial!

1- A Bíblia, não sendo o Livro da Lei, mas sim, Livro de Deus, correto?

2- A Bíblia, no Altar dos Juramentos, é usada a nível Mundial ou somente no Brasil ou América do Sul?

3 - Também participo do Rito Francês e no lugar da Bíblia, usado a Constituição de Anderson, com o Esquadro/Compasso e Espada, agora, alguns professores de Deus, pedem para colocar a Bíblia! É correto?

4 - Ao iniciar um profano, é pedido ao mesmo, em dado momento, se acredita em um ente criador, é somente, sim ou não, mas o Primeiro Experto, induz no ouvido profano, a falar em Deus.

Obs.: Pode ser que o profano, acredite em Jesus Cristo, Alá, Buda, Shivaa ou outro e como fica?

É muita precipitação e falta de estudos e busca só entendimento... Sou obreiro da COMAB e usamos o Avental Vermelho, quando do Grau 3 e com a letras M.'. B.'. e as duas Potências GOB - GL em azul e com rosetas...

Fui Instalado e tomando Posse do Veneralato, a maior parte dos Obreiros, fazem colocação de Venerança e quando os VMs vão assinar o Livro de Presença, ao invés de colocar o Grau 3 - coloca no Grau, de M∴ I∴ - o qual o M∴ I∴ é cargo e não grau.

Espero a vossa análise e retorno.

CONSIDERAÇÕES:

Seguem abaixo comentários concisos. Dentro do conteúdo dos seus questionamentos, busquei enumerar os temas e as diversas abordagens.

1. A Bíblia na Loja - Representa um código de moral e de ética do Iniciado. Graças a isso é que ele presta as suas obrigações sobre o Livro da Lei da sua fé. Além da Bíblia como Livro da Lei, podem estar presentes também outros Livros Sagrados que atendam, cada qual a uma determinada religião (do Budismo, do Hinduísmo, do Judaísmo, etc.).

Em Linhas gerais a Bíblia é a mas requisitada nesse contexto, inclusive alguns ritos adotam leitura de trechos correspondentes para abertura dos trabalhos da Loja. Nesse contexto vale lembrar que historicamente sofremos forte influência da Igreja Católica nos tempos primitivos da Ordem. 

2. Adoção da Bíblia - A imensa maioria dos ritos pelo mundo adotam como volume da Lei Sagrada, a Bíblia. Isso ocorre por razões históricas, levando-se em conta que a Maçonaria nascera à sombra da Igreja, sobretudo quando ela era uma associação de construtores de igrejas e catedrais da Idade Média.

Já no Rito Moderno, ou Francês, por exemplo, originalmente não se adota nenhum livro religioso. Reserva-se no rito que essa é escolha de foro íntimo de cada um. É bom que se diga que a ausência de um livro religioso como Livro da Lei nada tem a ver com ateísmo. Sugere sim o respeito à liberdade de consciência que cada um deve ter nesse mister.

3. Bíblia no Rito Moderno - Como abordado logo acima, o Rito Moderno, ou Francês, não traz nenhum livro sagrado na sua composição emblemática sobre o Triângulo dos Compromissos. Comumente adota-se o Livro das Constituições que embasam a Carta Magna da respectiva Obediência.

Infelizmente, alguns ainda não compreendem esse desiderato e acham que Maçonaria é religião. Nesse sentido, é mesmo um lamentável engando inserir a Bíblia no Rito Moderno, ou Francês.

4. O Experto e a resposta do Candidato – Sem dúvida, por se caracterizar como um ato de indução, essa não é uma prática recomendável, porquanto não deveria acontecer. Em resumo o guia, ou condutor, não deve ditar ao candidato uma resposta pronta.

Não obstante o momento às vezes confuso para o Iniciando, e também pelas próprias circunstâncias da cerimônia, o que acaba fazendo com que o candidato vacile nas respostas, a obrigação do Experto é discretamente, nesse momento, alertá-lo para o dever de responder às perguntas que ora lhe estão sendo feitas, contudo isso não significa induzir o candidato a dar uma resposta pronta (ditada por ele).

5. Ente Supremo - Indubitavelmente, a pergunta deve ser de modo generalizado, assim, bons rituais determinam que a interrogação seja feita sobre a crença em um “Ente Supremo”, sem propriamente nominar nenhuma entidade divina. Graças a isso é que a Maçonaria adota a forma conciliatória de nominar Deus como o G∴ A∴ D∴ U∴.

O que é perfeitamente dispensável nesse cenário é anexar (complementar) ao título distintivo de G∴ A∴ D∴ U∴ a expressão “que é Deus”. Ora, isso é simplesmente desnecessário e redundante, pois o título de Arquiteto Criador, por si só já atende a esse respeitável significado.

6. Aventais Vermelhos – Quanto aos aventais de Mestre Maçom do REAA pode-se dizer com segurança que eles são originalmente encarnados (vermelhos).

Desafortunadamente, faz muito tempo que algumas Obediências têm andado, nesse particular, na contramão da história.

No entanto, este é um tema complexo e delicado que envolve também particularidades de cada uma das respectivas Obediências. Alterar as suas resoluções demandam de uma ampla discussão no seio de cada uma delas. Embora isso possa parecer ser um paradoxo, vale lembrar que cada Potência Maçônica é soberana nas suas resoluções.

7. Venerança ou Veneralato - Sem dúvida, de acordo com o nosso vernáculo, a forma correta da expressão é “veneralato” e não “venerança”.

Essas explicações podem ser facilmente encontradas na rede – basta pesquisar sobre: Venerança ou Veneralato?

8. Mestre Instalado - De fato, o Mestre Instalado não é grau iniciático. É com certeza um título distintivo, ou honorífico. O grande problema é que essa Instalação inapropriada e generalizada nos ritos acabou virando consuetudinária, pelo menos no seio das três Obediências Regulares no Brasil.

Sem entrar no mérito desta questão, observe-se que verdadeiramente cerimônia de Instalação é natural da vertente anglo-saxônica de Maçonaria. Já na vertente francesa, Maçonaria latina excelência, onde nascera o REAA, instalação do Venerável Mestre significa simplesmente “posse” (já escrevi bastante sobre isso no meu Blog).

No caso da abreviatura M∴ I∴ utilizada por aqueles que foram um dia instalados (empossados) na cadeira principal da Loja, me atrevo a dizer que a mesma nos acompanhará “ad aeternum”.

Ao concluir me reporto ainda à Bíblia como um dos Livros da Lei na Maçonaria. Digamos, que em determinadas circunstâncias, o livro principal.

Não obstante a Bíblia ser um livro religioso, principalmente cristão, na Loja ela não tem o desiderato de professar serviços religiosos. Na Maçonaria ela é o Livro da Lei, ou seja, um emblema da fé que cada iniciado professa no seu íntimo, por conseguinte é o código de moral que o maçom segue. A Bíblia, ou outro Livro da Lei (de acordo com a fé de cada um) é o emblema desse comprometimento. Como um símbolo emblemático o Livro da Lei, presente na Loja, lembra ao maçom do compromisso por ele assumido diante da sua fé.

No entanto, o problema é que muitos maçons ainda não entenderam isso e passam a cultuar o Livro da Lei dentro da Loja como se estivessem em um serviço religioso na sua própria igreja. É preciso que o maçom entenda que Maçonaria não é religião, porém respeita a fé de cada indivíduo. Assim, cada indivíduo também deve respeitar a fé do seu semelhante.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MINUTO MAÇÔNICO

FOGO

1º - O Fogo é o mais útil dos quatro elementos, princípio ativo, germe e origem da geração, o mais puro, animador e macho (por oposição a água) e fonte de energia. Do ponto de vista hermético, o fogo possui as qualidades quente e seca, que correspondem ao verão, ao meio-dia, à cor vermelha, ao sabor ardente.

2º - Desde os tempos mais recuados da humanidade, o Fogo tem sido adorado por todos os povos, como símbolo da vida ou da força animadora, seja diretamente como fogo aceso, seja como Sol.

3º - Os antigos o conservavam cuidadosamente em seus templos; entre os persas e os arias era objeto de adoração. Os romanos rendiam culto e adoração a Vesta, deusa do Fogo, considerando o seu apagamento como o mais funesto dos presságios.

4º - Tamanho era o respeito que se tinha pelo Fogo que os antigos gregos e romanos não cometiam nenhuma ação culpável diante dele. O Fogo identificava um lar ou uma família e representava os antepassados.

5º - Manifestado nas três chamas em volta do Altar dos Juramentos, elas significam Sabedoria, Força e Beleza, que são os três elementos fundamentais do trabalho maçônico, pois representam os três atributos da divindade que sustentam o Universo e também a Loja. (Algumas Obediências não usam)

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

O SALÁRIO


“Todo operário é digno de seu Salário” é a palavra de ordem cristã e, maçonicamente, é a recompensa do esforço e da boa vontade.

O maçom recebe periodicamente o seu salário com o significado de premiação; esse prêmio corresponde ao recebimento de maiores conhecimentos.

Passa, assim, o Salário a ser parcela intelectual e espiritual.

O maçom, dentro do seu rito, recebe o Salário contínuo até chegar ao ápice de seu grau, quando receberá a “coroa”.

O Salário do pecado é a morte; o Salário do fiel é a Vida Eterna.

O maçom assíduo aos seus trabalhos é digno de receber o Salário Maçônico, como um direito a que se faz jus.

Porém, a máxima franciscana do que é dando que se recebe deve servir de norma para o maçom.

Nada deve esperar se não tomar a iniciativa da dação.

É a Lei Divina.

Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, – 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014, p. 356.

Fonte: http://www.brasilmacom.com.br

terça-feira, 10 de janeiro de 2023

DIALÉTICA RITUALÍSTA COMUM AOS RITUAIS MAÇÔNICOS

Em 20.07.2022 o Respeitável Irmão Carlos Fernandes dos Santos, Loja Acácia, 0177, GOB-RJ, REAA, Oriente do Rio de Janeiro, Estado do Rio de Janeiro, pede esclarecimentos para o que segue:

REPETIÇÃO DE DIÁLOGO

Agradeço se o respeitável Irmão pudesse esclarecer as razões para que o REAA possua uma metodologia na ritualística de repetição do diálogo entre o Venerável Mestre e seus Vigilantes. Esse formato contido nos Rituais do REAA segue o mesmo padrão dos Rituais de 1804, 1820/21? Seria um exercício de desenvolvimento permanente de autodisciplina?

Refiro-me a forma de circular a palavra, onde o Venerável Mestre anuncia, 1º Vigilante repete, 2º Vigilante repete e informa ao 1º Vig que por sua vez retorna ao Venerável Mestre.

CONSIDERAÇÕES:

Na realidade a dialética ritualística empregada na liturgia maçônica é uma característica dos ritos maçônicos, embora entre eles possam existir algumas diferenças de locução.

Assim essa arte de diálogo busca a universalidade da Maçonaria, pois diz-se que a Maçonaria é universal e o Universo é uma Oficina.

Coletivamente, as Lojas representam a oficinas trabalhando espalhadas pela face da terra.

Em linhas gerais, a superfície de uma Loja corresponde a segmento retangular situado sobre a Terra. Geralmente essa simbólica porção territorial é orientada no seu comprimento do Leste para o Oeste e na sua largura do Norte para o Sul.

 Graças a isso é que a posição das Luzes da Loja (Venerável e Vigilantes) é determinada conforme o rito. No caso do REAA, historicamente estruturado na forma dos Antigos, o Venerável Mestre fica no Leste desse segmento (onde nasce o Sol); o 1º Vigilante no Oeste (noroeste), onde o Sol de põe; e o 2º Vigilante no Sul, sobre o meridiano do meio dia (para ver a passagem do Sol de Leste para o Oeste).

É com base nessa amplitude simbólica que a dialética maçônica atua. É como se as extensões na sala da Loja representassem grandes distâncias e para tal as mensagens chegassem por repetição ou mesmo enviadas por mensageiros. É preciso lembrar que nesse contexto tudo na Loja é simbólico. Basta observar que no mesmo ambiente está representado o lugar que o Sol nasce e se põe diariamente.

Historicamente essa amplitude simbólica remonta aos nossos antepassados (Maçons Operativos) e as construções das antigas catedrais, cujos canteiros de obras, pela grandeza das edificações, eram imensos e setorizados entre os três dirigentes dos trabalhos - o dirigente geral (Mestre da Obra), o encarregado pelas ferramentas e operários (1º Vigilante) e o que fiscalizava as atividades no ofício (2º Vigilante). As suas ordens eram geralmente transmitidas por mensageiros.

Inegavelmente toda essa complexa estrutura operativa de trabalho acabaria influenciando os costumes da Maçonaria dos Aceitos e logo a Moderna Maçonaria.

Assim, esse conjugado operativo (ofício) e especulativo (aceitos) resultou na formalidade dialética que conhecemos atualmente, até porque a Loja, que outrora fora um canteiro de obras, hoje é uma oficina especulativa de trabalho.

Portanto nada mais natural que nos dias atuais seus processos de trabalho imitem o ambiente das enormes e antigas construções.

Foi desse modo é que a dialética foi introduzida nos rituais modernos, mencionando personagens que supostamente estão distribuídos à distâncias consideráveis nos pontos cardeais e colaterais da Terra (universalidade maçônica).

É isso que caracteriza a arte do diálogo iniciático maçônico, aperfeiçoado simultaneamente com a evolução dos rituais a partir do século XIX.

Por fim, é bem verdade que todo esse “mise en scène” também possui seu caráter iniciático.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

O APRENDIZADO MAÇÔNICO

Ir∴ Robson Rodrigues da Silva
Oriente de Niterói – RJ
(Repasse: Ir∴ Goulart Moreira – Belo Horizonte - MG)

Não bastassem os problemas ligados à Ritualística, à Liturgia, e à Administração Maçônica a maioria das Lojas Simbólicas, em que pese o esforço dos seus Vigilantes e Veneráveis Mestres, deixa muito a desejar no que diz respeito ao aprendizado maçônico. Mas embora as Lojas tenham o dever de empenhar-se no aperfeiçoamento dos seus membros em contrapartida seus Aprendizes, Companheiros e Mestres têm igualmente o dever empenharem-se na busca do aprendizado maçônico. É o que tentaremos demonstrar a seguir.

À Loja que iniciou o Aprendiz cabe doravante a tarefa de ministrar-lhe os ensinamentos necessários à sua formação maçônica nos três graus da Maçonaria Simbólica.

No entanto, no dizer de Nicola Aslan, “as Lojas Simbólicas, geralmente sobrecarregadas por preocupações de ordem administrativa, litúrgica ou filantrópica dispõem de muito pouco tempo para ministrarem instruções eficientes dos três primeiros graus, limitando-as, via de regra, à comunicação dos Sinais, Toques e Palavras, além do adestramento dos Obreiros na liturgia e no ritualismo...”.

Ora, se as Lojas Simbólicas, como constatado pelo Irm∴ Aslan, via de regra, limitam-se à comunicação dos Sinais, Toques e Palavras, não é difícil deduzir que não haja nesses casos propriamente aprendizado maçônico. O que há é transmissão de conhecimentos, informações, mas não aprendizagem.

“Aprender é a capacidade que o ser humano tem de assimilar, introjetar, produzir e reproduzir conteúdos novos” -- ensina a educadora Dulce Magalhães.1[1]

Esses conteúdos -- ela prossegue -- são os elementos que formam percepção, intenção, interpretação e decisão – as quatro modalidades de construção da realidade. Quando aprendemos alteramos nossos conteúdos de forma a produzir uma nova realidade. Para que haja aprendizagem é preciso que haja alteração da realidade. Quando aprendemos a percepção e interpretação da realidade já não é a mesma que tínhamos antes. Podemos dizer que nosso mundo mudou. Houve mudança. Nós mudamos. Por outro lado, se apesar do estudo e conhecimento que adquirimos a nossa realidade não mudou é sinal que não aprendemos.

Aprender, portanto, é muito mais que simplesmente estudar ou receber as informações sobre determinado conhecimento, pois nem sempre isto irá gerar uma nova perspectiva ou realidade.

Para que o Aprendiz, o Companheiro e o Mestre possam de fato aprender é necessário muito mais que simples comunicação de Sinais, Toques e Palavras ou informações sobre os conteúdos simbólicos dos instrumentos de trabalho do seu grau. A mesma professora aponta para algumas qualidades necessárias para que ocorra o aprendizado, dentre as quais, elegemos três e sobre elas passaremos a discorrer.

Abertura – A abertura é uma das primeiras condições para que o processo de aprendizagem desabroche. O Aprendiz Maçom há que estar aberto ao conhecimento do novo, à mudança, à formação de novos paradigmas. Em hipótese alguma ele deve estar fechado em suas “verdades”. É preciso que duvide daquilo que sabe ou conheceu até então.

Interesse – Interessar-se é voltarmos nossa atenção para aquilo que a nós convém, julgamos conveniente, importante, oportuno; que irá acrescentar algo mais em nossa vida. O Aprendiz tem que ter o interesse despertado para os ensinamentos maçônicos. Caso ele considere o processo de ler, pesquisar, inquirir e ouvir a respeito dos ensinamentos maçônicos uma tarefa chata e enfadonha não há interesse e, portanto, a aprendizagem não ocorrerá.

Curiosidade. A curiosidade é outra qualidade indispensável para o aprendizado. Sem ela não teríamos os maiores gênios e filósofos. Quando é iniciado o Candidato é advertido: “Se a curiosidade aqui te conduz, retira-te!” Mas não nos referimos aqui à curiosidade no sentido pejorativo do termo. O Aprendiz Maçom não deverá ser um xereta, bicão ou intruso, mas alguém insatisfeito com aquilo que lhe é repassado, disposto a querer mais, perguntar, saber mais, investigar. Ele deverá ter sempre em mente as perguntas “Por que?” e “O que é?” Por que Loja? Por que orla dentada? Por que a Bíblia? Por que três passos? O que é pavimento mosaico? O que é Oriente? E assim sucessivamente.

O Aprendiz Maçom recebe os ensinamentos do seu grau nas Sessões Maçônicas. Mas por diversos fatores eles não são suficientes para que ele adquira os conhecimentos necessários ao seu aprendizado. Assim como um aluno não consegue apreender tudo apenas comparecendo às aulas do seu curso, também o Aprendiz deverá, além das instruções recebidas nas Sessões, dedicar-se em casa ampliando os seus estudos a respeito daquilo que lhe foi repassado nas Sessões Maçônicas. Para tanto, ele deverá atentar para alguns pontos fundamentais:

O Local. A escolha do local é fundamental. Um ambiente tranquilo em qualquer canto da casa é o suficiente. Não precisa ser super equipado. Basta que nele o acesso aos livros e demais materiais de estudo estejam à mão. Não é conveniente estudar no local de trabalho, nem nas conduções no trânsito.

Horário. O horário também deve ser estabelecido e preciso. É importante reservar um horário determinado. Nunca deixar para estudar no horário que sobrar, pois o tempo passará e não sobrará tempo nenhum. É importante lembrar que o tempo somos nós que fazemos, dando prioridade àquilo que nos interessa. Aqueles que alegam não ter tempo para estudar, na verdade, não estão é priorizando os estudos.

Além disso, o Aprendiz deverá ter:

Disciplina. A disciplina é uma virtude e como tal pode ser adquirida pelo hábito. Caso o aprendiz decida estudar um pouco sobre o seu grau todos os dias criará um hábito. No entanto, não é preciso que ele chegue a tanto. Basta decidir por um ou dois dias na semana, uma ou duas horas e já terá um aprendizado satisfatório.

Espírito crítico. O espírito crítico aqui referido não é o de atentar apenas para o lado negativo de pessoas e coisas, mas de não aceitar tudo como pronto e acabado. Trata-se de questionar, analisar os méritos e deméritos do que estão nos livros, revistas, internet e outros ensinos repassados.

A leitura dos rituais é de extrema importância. Mas não é o suficiente. Os estudos maçônicos vão além dos rituais. Estes, embora indispensáveis, não devem ser o único objeto de estudo. Xico Trolha, um dos maiores escritores maçônicos do nosso país, costumava dizer que os rituais são apenas o feijão com arroz. As cartilhas, instrucionais e manuais de estudos maçônicos criados por algumas Lojas e Obediências são subsídios importantes, mas também não são suficientes. O Aprendiz deverá dispor ainda de alguns bons livros, nacionais e estrangeiros, inclusive, dicionários maçônicos etimológico e de termos maçônicos. A relação dos livros próprios para o Aprendiz deverá ser feita pelos principais instrutores da Loja, os Vigilantes e o Orador. Além destes qualquer outro Irmão com o conhecimento necessário deverá orientar o Aprendiz quanto aos livros que deve comprar e aqueles que não deve comprar, por serem produto da fantasia de determinados autores e nada confiáveis.

Cremos que cumprindo a Loja a sua tarefa de orientar e ministrar ao Aprendiz os ensinamentos maçônicos básicos do seu grau e este se dedicando com interesse aos estudos o aprendizado com certeza virá.

Por derradeiro é importante ressaltar que o ser humano está continuamente aprendendo. Não há limite de idade para aprender. Qualquer pessoa é capaz de aprender, desde que deixe de lado a baixaestima, o “eu não consigo”; tenha garra, vontade, determinação e atente para alguns requisitos básicos para o aprendizado.

Fonte: JBNews - Informativo nº 195 - 10/03/2011

segunda-feira, 9 de janeiro de 2023

CONDUÇAO DO ORADOR PELO MESTRE DE CERIMÔNIAS

Em 20.07.2022 o Respeitável Irmão Fábio Felizari, Loja Luz da Perfeição, 2810, REAA, GOB-PR, Oriente de Quatro Barras, Estado do Paraná, apresenta a dúvida seguinte:

CONDUÇÃO DO ORADOR

Desculpe incomodar, mas estou com uma dúvida, estou Mestre de Cerimônias de minha loja. Semana que vem, terei minha primeira sessão em grau 2, e estou estudando para desempenhar a função corretamente, mas o último ritual impresso que possuímos no GOB PR, é de 2009, o de procedimentos é de 2016 e o SOR que é o mais atualizado, na transformação da Loja para grau de Companheiro, no Ritual, após o Venerável Mestre mandar todos ficarem de pé e a ordem, o Mestre de Cerimônias levanta e conduz o Ir∴ Orador, nos procedimentos o Venerável Mestre solicita a condução, enquanto que no SOR ele determina, ao meu ver, são 3 formas diferentes de execução desta parte, qual seguir?

CONSIDERAÇÕES:

O ritual de 2009 é o que está em vigência, contudo há sobre ele o SOR – Sistema de Orientação Ritualística, este criado pelo Decreto 1784/2019 do Grão-Mestre Geral para orientar, esclarecer e corrigir, quando necessário, procedimentos e práticas ritualísticas que se encontram no ritual.

No que diz respeito aos manuais de procedimentos ritualísticos, de dinâmica ritualística e outros similares, todos eles estão suspensos no GOB desde 2009 (consta no Decreto que institui o Ritual).

Dessa maneira, prevalecem no GOB todos os rituais de 2009, observadas as orientações e correções inseridas no Sistema de Orientação Ritualística do GOB (Decreto 1784/2019 publicado no Boletim Oficial nº 31 de outubro de 2019).

Em relação às formas diferentes mencionadas na sua questão, ao meu ver parece que não há nada de tão contraditório.

Veja, o Venerável Mestre ao determinar, solicitar ou mandar não altera o desenvolvimento da ação ritualística. O Venerável determina (manda, solicita) que o Mestre de Cerimônias "conduza" o Orador.

Entendo que nesse caso quando o Venerável "manda, determina ou solicita" é para que o Mestre de Cerimônias, no cumprimento do seu ofício, "conduza" o Orador. Em todos os casos alegados, a ação é conduzir alguém. Então o Venerável pode mandar conduzir, pode solicitar que se conduza, como também pode determinar a condução. A ato é o de conduzir.

O que importa é que a essência do ato litúrgico não se altera, ou seja, o Mestre de Cerimônias, munido do seu bastão deve conduzir, no caso, o Orador. Lembro que o Mestre de Cerimônias ao conduzir alguém vai à frente do conduzido. Todas essas explicações se encontram no SOR.

T.F.A.
PEDRO JUK

Secretário Geral de Orientação Ritualística - GOB/PODER CENTRAL
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

A FRATERNIDADE ROSACRUZ (1ª PARTE)

Ir∴ Ítalo Aslan

O movimento rosacruciano surgiu no século XVI e desapareceu completamente no final do século XVIII. Muitas lendas e fantasiosas histórias envolvem com misteriosa nebulosidade os caminhos dessa fraternidade e seus supostos seguidores. Ela se conservou sempre sob o véu do anonimato, nada se conhecendo a respeito de qualquer atuação no campo da política ou do social.

Esse termo “rosacruz” designava um envolvimento profundo com o misticismo cristão, sendo os seus membros altamente espiritualizados e dedicados a pesquisas em torno da transmutação da matéria.

Através de exercícios místicos, procuravam os seus membros atuar sobre as forças latentes, desenvolvendo-as.

De sua nebulosa história só se conhece, de seus primórdios, a sua passagem pela França e pela Alemanha, sendo neste último país onde houve número maior de adeptos. Teve, no entanto, seguidores na Europa de um modo geral. A Inglaterra, a Itália e a Espanha conheceram alguns.

A Fraternidade Rosacruz começou a ser conhecida a partir da publicação, em 1614, de um pequeno livro intitulado “Fama Fraternitatis”, de autoria do alquimista alemão Valentim Andréa, no qual é narrada a lenda de Cristiano Rosenkreutz, considerado seu fundador.

Muitas lendas surgiram sobre os Rosacruzes, entre elas a de que tinham o dom das línguas, que eram invisíveis, que eram cosmopolitas e adotavam os usos e costumes dos países em que viviam, que eram mágicos, etc. Foram, no entanto, livre-pensadores e as doutrinas morais e religiosas por eles divulgadas eram o que mais os caracterizavam.

Segundo alguns autores, o objetivo dos Rosacruzes era a destruição da Igreja Católica e dos poderes constituídos, cujas condutas em nada combinavam com os seus ensinamentos.

Naquela época, os alicerces da cristandade foram duramente abalados pelas idéias inconformadas dos Rosacruzes e dos mentores da Reforma.

O movimento rosacruciano tinha como objetivo o entendimento e a divulgação do verdadeiro e puro esoterismo eminentemente cristão, menos corrompido e aviltado pelo luxo e pelos desvios morais da classe dominante da época.

O selo de Lutero era constituído de uma rosa com uma cruz no centro. Como a maior parte dos Rosacruzes era alquimista e luterana, isto denunciava o vínculo que unia esses reformadores de conduta.

Continua no próximo número...

Fonte: O Pesquisador Maçônico

domingo, 8 de janeiro de 2023

SUBSTITUTO IMEDIATO DO 2º VIGILANTE - REAA

Em 13.07.2022 o Respeitável Irmão Fernando Queiroz, Loja Cláudio Neves, REAA, GOB-MG, Oriente de Uberlândia, Estado de Minas Gerais, solicita esclarecimentos para o que segue:

SUBSTITUTO DO 2º VIGILANTE

Parabenizo pelo trabalho de orientar no sentido de padronizar nossa Maçonaria. Gostaria de esclarecer: Pelo citado nesta resposta o substituto do Irmão 2º Vigilante é o Irmão 2º Experto, essa orientação está contida no RGF ou na Constituição do GOB ou é um caso tratado como orientação?

CONSIDERAÇÕES:

No tocante a sua questão e o substituto imediato do 2º Vigilante, o RGF e a Constituição do GOB não tratam de particularidades ritualísticas e litúrgicas dos ritos.

Cada rito tem o seu costume haurido das suas origens e que é determinado pelo seu ritual.

Algumas particularidades que caracterizam o rito muitas vezes não aparecem detalhadas no ritual, mas são universalmente aceitas.

Esse é o caso do REAA que na ausência do 2º Vigilante consagra a utilização o 2º Experto[1] como seu substituto precário (imediato), mas não definitivo, pois no caso de vacância determinante, aí sim é um assunto de legislação maçônica, pois o 2º Vigilante é um cargo eletivo e está sujeito ao código eleitoral maçônico, não importando o rito.

Por fim, vale destacar que nenhum ritual é construído e organizado prevendo atrasos, substituições de cargos, faltas, etc. Quando isso acontece, por não estar previsto no ritual, então se dá preferência às práticas já consagradas.

[1] É também uma questão estratégica. No caso do REAA ocupa lugar na Coluna do Sul.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

VALORIZAÇÃO CONTEMPORÂNEA

Ir∴ Thiago Frasson

Agora é meio-dia, muito se ouve nas reuniões da Ordem, principalmente nesta época em que se comemora a fundação do Grande Oriente do Brasil sobre as glórias maçônicas do passado em nosso pais. Ouvem-se contínuas oratórias sobre a participação dos maçons na abolição da escravatura, sobre a providencial participação maçônica na independência do nosso Brasil, alem da ajuda da Maçonaria na independência e construção de outras nações pelo mundo.

Pensamentos refletidos em momentos de glórias austeras, invocados em nome de grandes maçons que viveram naquelas épocas distantes e que muito participaram nestes episódios históricos munidos por historiadores e irmãos que se orgulham das glórias do passado. Todos os maçons tem que se orgulhar daqueles episódios muitas vezes heróicos protagonizados por irmãos, que com certeza, precisavam realizar aqueles atos em determinados momentos da história para termos a nação dos dias de hoje.

Mas ao ouvir taís narrativas e histórias gloriosas do passado muitos irmãos sentem-se inábeis, inutilizados, presos dentro das muralhas do seu templo sem poder realizar atos que poderiam mudar o rumo da história do pais ou do mundo. Para esses irmãos lembro que o Brasil não precisa mais ser liberto de Portugal, que pelas leis do pais não há mais escravidão, que os tempos são outros e a sua ajuda tem sido muito importante para muitas pessoas no seu e em outros orientes.

Agora é meia-noite, o nosso papel é o de manter o que foi construído, de fazer doações aos necessitados mesmo que incógnitos os nossos nomes, de levar palavras gentis aos próximos, de reforçar as nossas colunas com cortesia, caráter e retidão. Aos irmãos que se sentem assim lembrem-se que a sua ajuda diária, mesmo que pequena, faz o dia de muitas pessoas um pouco melhor, e isso é o que importa!

Por isso meus irmãos, valorizem-se e sintam-se como os proclamadores de uma nova era, a da valorização contemporânea do maçom! Quem ganha com isso é você e a maçonaria.

• Irmão Thiago Frasson
ARGBLS "22 de Agosto" n° 1819
Or∴ de Colatlna (ES)

Fonte: omalhete.blogspot.com

sábado, 7 de janeiro de 2023

PRÁTICAS DO 1º VIGILANTE - REAA

Em 13.07.2022 o Respeitável Irmão Hemerson Pegoraro, sem mencionar o nome da sua Loja, REAA, GOB-SC, Oriente de Caçador, Estado de Santa Catarina, apresenta as dúvidas seguintes:

PRÁTICAS DO 1º VIGILANTE

Como estou no cargo de 1º Vigilante, fiquei com dúvida no ritual, quando na abertura página 45, o Venerável ordena que eu faça a verificação se os Irmãos presentes são maçons. Então ordeno em pé e à ordem em ambas as colunas. DÚVIDA – Nesta hora também tenho que ficar de pé e à Ordem? Ou somente ordeno, verifico e respondo ao Venerável sentado?

Outra dúvida: Em meu ritual, que é de 2009, na página 80, quando faço o fechamento da Loja não tem nenhum sinal de malhete para bater, mas, no ritual de outro Irmão que é de 2009 também, tem o malhete para bater depois da fala. Aí fiquei perdido. Teve algum erro de impressão?

CONSIDERAÇÕES:

A postura do 1º Vigilante nessa ocasião é ficar em pé trazendo o malhete encostado no lado esquerdo do seu peito. Essa postura evita que ele hipoteticamente, não venha antes revelar o Sinal que os demais Irmãos do Ocidente devem fazer para serem reconhecidos como maçons. 

Assim, exceto o 1º Vigilante, todos os demais nas colunas, inclusive o 2º Vigilante, ficam à Ordem no 1º Grau para a observação do Vigilante em cumprimento à sua segunda obrigação em Loja.

No tocante ao golpe de malhete dado pelo 1º Vigilante, é como também está orientado no SOR, deve ser executado. Esse único golpe no encerramento não se trata de um sinal, mas é a ação formal de encerramento dos trabalhos que tradicionalmente é sempre feita pelo 1º Vigilante.

Por fim, destaco que todas essas orientações podem ser encontradas na plataforma do GOB RITUALÍSTICA no SOR - Sistema de Orientação Ritualística (Decreto 1784/2019 do Grão-Mestre Geral).

T.F.A.
PEDRO JUK
Secretário Geral de Orientação Ritualística - GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

CURIOSIDADES

 

A ESPERA...

Ir∴ Hercule Spoladore 
Loja de Pesquisas Maçônicas Brasil – Londrina – PR

Ele acordara bem cedo naquele dia, e era num sábado.Imediatamente vieram à sua mente aqueles pensamentos novamente. Não chegavam a lhe causar temores, não o deixavam nervoso, mas traziam uma expectativa que chegava a ser angustiante. Sabia que após o almoço seria procurado por alguém e que partiria para uma experiência totalmente nova.

Sentou-se na beira da cama e continuou a pensar “Será que vale a pena?” Porque não lhe deram mais detalhes? Porque ao invés de lhe adiantarem alguma coisa séria, já que gostava das coisas bem explicadas, estava apenas ouvindo através de telefonemas, ou de algum amigo ou conhecido quando andava pelas ruas, piadas jocosas e sem sentido tais como que ele deveria levar milho no bolso, que teria que montar um determinado animal. Coisas tão esquisitas. Para que isso? Por acaso iria a algum circo? Achava que deveria ter tido aulas á respeito da filosofia daquela sociedade. que o receberia como um deles. Estava achando que estava prestes a viver uma aventura sem saber nada a respeito. Isso o intrigava. Para ele havia qualquer coisa de errado. Não podia ser assim.

Sempre tinha ouvido falar bem da honorável sociedade, coisas boas a seu respeito. Mas também tinha ouvido muita coisa ruim, contra. Havia inclusive pressão de membros de sua família para que não se envolvesse com aquelas pessoas.

Inclusive, há alguns meses havia dito à sua noiva que ingressaria naquela associação. Ela não gostou, franziu a musculatura da face, ficou quieta e como e religiosa que era, foi logo falar com o seu confidente religioso e este inexplicavelmente, já que os religiosos por má programação de suas mentes sempre dizem horrores contra a tal sociedade, mas este disse a ela que não haveria problemas, que conhecia seu noivo, que era um homem íntegro e que sabia o que queria. Afirmou ainda que aquela sociedade não era contra Deus, conhecia-a muito bem e tinha certeza de que ela procurava o bem da humanidade e investigava a verdade.

Continuou a pensar. Havia ainda uma razão muito forte. Estava procurando buscar algo novo que preenchesse o vazio que tinha dentro de si e que vinha lhe causando um conflito existencial. As religiões não lhe deram as respostas necessárias. Elas não respondiam a uma série de questionamentos. A civilização está em crise, abandonando velhos paradigmas e buscando novos. A tecnologia avançou demais e desintegrou valores antigos. O Homem estava tentando se reencontrar. Ele vivia dentro destas indagações

E ele se sentia inserido neste contesto, sabia que talvez por esta série de razões estivesse naquele dia ansioso, naquele estado de espírito. Um reencontro consigo mesmo, buscar e atingir os aspectos transcendentais da existência era a sua esperança. Achava que aquela sociedade lhe daria uma nova oportunidade, e lhe traria muitas respostas.

Continuava a pensar “Não disseram um só palavra que lhe desse uma pista”. O amigo que o convidara a fazer parte da sociedade não lhe dissera coisa alguma. Gostaria de saber para que fosse mais receptivo aos ensinamentos que iria receber pelo menos uma direção, um trajeto, mas nada lhe foi revelado.

Um amigo que era contra a tal sociedade lhe dissera que teria que fazer um juramento. Que espécie de juramento? Seria magia? Seria uma lavagem cerebral?

Ou seria aquela ladainha longa e entediante que as religiões impingem aos seus fiéis? Seria um psico-drama? Não seria exposto ao ridículo?

Lembrou-se que leu que grandes homens da humanidade pertenceram ou pertencem à sociedade. Pensou: Se eles o foram, se seguiram este caminho, também ele poderia segui-lo tranquilamente.

Ai se sentiu pronto e preparado. Restava apenas aguardar o momento de ser procurado por alguém que viria buscá-lo.

Verificou o terno preto, a gravata preta conforme lhe instruíram, lustrou seus sapatos pretos, e assim vestido ficou calmamente ficou esperando...

Desde a hora em que havia acordado pela manhã, tinham-lhe passados centenas de pensamentos pela mente, milhões de fantasmas e ele sem querer já havia iniciado a catarse, que iria modificar sua vida.

Realmente à hora marcada, naquela tarde de sábado, alguém muito afável, com um sorriso sincero e acolhedor veio buscá-lo para a grande viagem, para a sua grande jornada; Sim, era o dia de sua Iniciação na Maçonaria...

Fonte: JBNews - Informativo nº 195 - 10/03/2011