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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

terça-feira, 4 de março de 2025

DO MEIO DIA À MEIA NOITE - UMA EXPRESSÃO INICIÁTICA

Em 10/08/2024 o Respeitável Irmão Warley Pompeu Marques, Loja Major Adolfo Dourado, 2196, REAA, GOB-PA, Oriente de Belém, Estado do Pará, apresenta a dúvida seguinte:

MEIO DIA À MEIA NOITE

Gostaria saber onde, como e qual Ritual aparece a primeira menção aos termos: Meio-Dia e Meia-Noite? 

CONSIDERAÇÕES:

Para responder a vossa questão, eu teria antes que montar uma grade de pesquisas com elementos primitivos relativos às centenas de rituais maçônicos que já foram escritos ao redor da Terra, até hoje. Isto, desde já lhe adianto, não tenho como fazer no momento. 

À vista disso, seguem alguns apontamentos, que reputo importantes, sobre o conteúdo iniciático da Maçonaria dentro desta alegoria solar.

Do meio-dia à meia-noite” se trata de uma expressão iniciática que possui grande valor para a estrutura doutrinária da Moderna Maçonaria.

Genericamente, é possível se dizer que esta alegoria procura ensinar ao maçom que ele deve se dedicar ao trabalho - em prol do seu aperfeiçoamento e em favor da humanidade - desde a sua juventude até o final da sua vida. Nessa conjuntura, “meio-dia” simboliza a juventude e “meia-noite” a idade senil do iniciado (idades iniciáticas da vida e morte).

Historicamente, “do meio-dia à meia-noite” é uma alegoria creditada a Zoroastro (Zaratustra), um profeta e um mestre dos antigos mistérios. Fundou o Masdeísmo, ou Zoroastrismo – em grego menciona aquele que é um contemplador de astros (Astrologia/Astronomia). 

Acredita-se que Zoroastro viveu em algum período, por volta do século II a. C. Lendariamente é contado que ele reunia os seus discípulos ao meio-dia e os despedia à meia-noite, após um ágape fraternal. 

Assim, a Astrologia, precursora da Astronomia, evidencia-se no Zoroastrismo (contemplador de astros). A Lua em quarto crescente (primeiro quarto) é parte desta alegoria, pois a Lua nesta fase desponta ao meio-dia, quando o Sol está no zênite, e chega ao seu ocaso à meia-noite, no auge da escuridão. Aqui um exemplo da dualidade e dos opostos: luz e escuridão; dia e noite, nascimento e morte, etc.

Consequentemente, a Maçonaria, uma instituição eclética e iniciática, infinitamente mais nova do que o Zoroastrismo, acabou adotando, como um dos seus tantos elementos doutrinários, esta antiga alegoria da Luz haurida dos cultos solares da Antiguidade. 

Observação: esta abordagem não induz ninguém a imaginar existência de Maçonaria no século II a. C. Por seu caráter eclético, vale destacar que a Ordem Maçônica, com aproximados 800 anos de história documentada, construiu seu arcabouço doutrinário se valendo também de muitas manifestações religiosas e culturais advindas das antigas civilizações.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

OS SINAIS DA MAÇONARIA PRESENTES EM OBRAS ARTÍSTICAS

3 Livros Sagrados – Larysa Kalinichenko

Introdução

A Maçonaria, na sua filosofia trata da essência, propriedade e efeitos das causas naturais. Investiga as leis da natureza e relaciona as primeiras bases da moral e da ética pura. Não tem por princípio obter lucro pessoal de nenhuma classe, ao contrário, as suas arrecadações e os seus recursos servem ao bem-estar do homem – seu semelhante, sem distinção de nacionalidade, sexo, religião ou raça. Buscando a elevação espiritual e a tranquilidade de consciência, assim afirma Nut-sa-Tefnut, 2001, p.1. A pesquisa, objecto deste artigo tem como objectivo, o conhecimento dos sinais maçónicas em obras de arte e o significado dos mesmos. O Símbolo Maçónico utiliza a arte para transmitir as suas mensagens com a interpretação coerente, lógica, e inspiradora de lições morais. “Dissemos ‘inspiradora’, porque iniciação é inspiração e não simples ensinamento ou pregação” (VAROLI FILHO, 2000, p.17-18)

Desenvolvimento do trabalho

O quadro denominado “O arquitecto”, é uma obra da artista Camem-Lara que utiliza a técnica mista sobre uma tela de dimensões 90×60 (cm). O mesmo, encontra-se na obra de Vagner Veneziani Costa denominado: Maçonaria: Escola de mistérios – A antiga tradição e os seus símbolos

Figura 1: O arquitecto

Wagner Veneziani Costa na sua obra denominada Maçonaria – Escola de Mistérios – A Antiga Tradição e os seus Símbolos, escreve sobre a obra acima:

Esta é a real iniciação: Tornar-se uno na sua mente.
A Geometria é a quinta das 7 artes liberais, dos 7 ofícios.
Geometria significa medida da Terra
Geo – Terra
Metrona – medida
(…) que todas as artes só existem
Por causa da Geometria (…)
(…)
Ora, a proporção é medida
E a ferramenta ou instrumento
É a Terra,
Se a geometria é
Medida da Terra,
Podemos dizer que todos os homens
Vivem pela Geometria.
(…)


Figura 2: A criação de Adão por Michelangelo – http://metalberserk.blogspot.com.br

Nas figuras 2 e 3 surgem com clareza a letra M que representa a Maçonaria, sociedade secreta, ricas na disseminação de segredos e que possui mais de cinco milhões de integrantes. Os dedos do meio de Deus e Adão são mantidos juntos e os dedos indicador e mindinho são separados.


Figura 3 – Pintura de Michelangelo: Detalhe dos dedos de Deus e Adão – http://midiailluminati.blogspot.com.br/


Figura 4 – Escultura de Uma Cariátide – http://liberdadeeamorcassia.mvu.com.br/site/maconaria-nas-

Cariátide era uma guardiã do portal do Ministério da Agricultura, em Madrid. Na obra, ela segura na mão direita o maço ou malhete, insígnia do Venerável Mestre e da autoridade, e na mão esquerda o esquadro, símbolo da rectidão maçónica.

” (…) Embora a Maçonaria não seja uma religião e nem seja uma ordem mística, ela utiliza, nos seus rituais, na sua simbologia e na sua estrutura filosófica e doutrinária, os padrões místicos de diversas seitas, associações e civilizações antigas, principalmente os relativos às religiões e às ordens iniciáticas de cunho religioso daqueles povos que representaram o alvorecer das civilizações e que concentravam, desde o século V a. C., em torno dos rios Tigre e Eufrates e do Mar Mediterrâneo. (…) [A Maçonaria] nascida na sua forma moderna, nas asas das aspirações liberais e libertárias dos povos subjugados pelo poder real absoluto e pelos privilégios do clero, é também, liberal e libertária, evolutiva e adaptável às épocas, racional e democrática. Para armar, todavia, a sua doutrina moral, ela buscou o simbolismo nascido da mística de civilizações perdidas na noite dos tempos; e o simbolismo, fonte de espiritualidade oculta, será, sempre, por mais que a cibernética e a materialidade dominem o mundo, uma LUZ no caminho da humanidade (…)” (CASTELLANI: 1996. p.92).

A Estátua da Liberdade, localiza-se na entrada do porto de Nova Iorque e foi construída pelo escultor Alsaciano Fréderic Auguste Bartholdi. Os símbolos maçónicos que estão presentes na obra são: a tocha, o livro na mão esquerda e o diadema de sete espigões em torno da cabeça. O significado da estátua é: A Liberdade iluminando o mundo.

Há 25 janelas na coroa, simbolizando as pedras preciosas encontradas na terra e os raios celestes brilhando sobre o mundo. Os sete raios da coroa simbolizam os sete mares e continentes. A placa que carrega na mão esquerda tem escrito 4 de Julho de 1776 em algarismos romanos (JULY IV MDCCLXXVI). O significado da tocha é a iluminação dos caminhos.


Figura 5 – Estátua da Liberdade https://www.google.com.br/estátua

Na foto abaixo tirada na Igreja de são Francisco de Assis da cidade de São João Del Rei, destaca-se o Ostensório de ouro com a rosa e o sol.

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Figura 6 – Ostensório com o Sol e a Rosa. Foto de Adriano Santos Figueiredo

Esta obra fica na Igreja de São Francisco de Assis e na Igreja de São João Del Reis em Minas Gerais. O Sol ou representação do Deus Mitra. Sempre que o sol está com um rosto é também conhecido como Velho rosto de Bronze. Mitra era comparado com Jesus, também o deus de Zoroastro e dos Gregos, Romano, sendo a data de nascimento 25 de Dezembro.

Desde os mais remotos tempos, o Sol símbolo da Luz. Para a Maçonaria a Luz é a do Conhecimento, do esclarecimento mental e intelectual. No topo do ostensório a rosa como a simbologia de Maria Madalena e de Silencio. Maria Madalena era da cidade de Magdala antiga capital da Etiópia, descendente de família nobre muito culta, sabia ler e escrever, sendo considerada por estudiosos com uma discípula de Cristo, segundo Historiadores escreveu o evangélico apócrifo Maria Madalena, conta em relatos também apócrifo do evangélico de Felipe, estes apócrifos foram encontrados em jarros escondidos numa caverna no ano de
1945.

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Figura 7 – Profeta Oséias retratando Domingos Vital Barbosa (um dos membros da Inconfidência Mineira) Basílica do Bom Senhor do Matosinho – Foto de Adriano Santos Figueiredo

Os profetas são considerados obras-primas de Aleijadinho e as esculturas dos Doze Profetas de Congonha do Campo em Minas Gerais, retratam também os inconfidentes mineiros. Os pés do apóstolo são esculpidos em forma perpendicular, simbolizando o esquadro. O esquadro une a linha vertical com a linha horizontal e é considerado na Maçonaria como símbolo de rectidão e da acção do homem.


Figura 8 – Profeta Ezequiel, retratando Inácio Alvarenga Peixoto (outro membro da Inconfidência Mineira) Basílica do Bom Senhor do Matosinho Foto de Adriano Santos Figueiredo

A posição do braço representa o grau de companheiro na Maçonaria.


Figura 9 – O Homem Vitruviano Foto do vitral lateral da Catedral da Sé em São Paulo. Foto de Adriano Santos Figueiredo

Na obra de Leonardo Da Vince, o Homem Vitruviano forma com as mãos e pés uma estrela de cinco pontas (Estrela Flamígera ou flamejante. Esta estrela é o símbolo de grau de Companheiro.

Homem Vitruviano é um pentagrama, que é um símbolo estelar de cinco pontas representando o homem e a sua relação também com os quatro elementos (terra, água, ar e fogo) que por sua vez tem relação com os quatro corpos da Personalidade e a cabeça como o elemento racional da Tríade que traz o poder de discernimento adquirido pela obtenção de conhecimento.

Na figura 9, o Homem Vitruviano está dentro de um círculo e de um quadrado que tem relação com a numerologia sagrada, o círculo como símbolo da divindade e o quadrado símbolo da manifestação na matéria a partir da divindade.

A figura humana está totalmente integrada à esta figura geométrica, demonstrando a relação do homem com o universo, o macrocosmo aqui como o universo e o microcosmo como o homem totalmente integrado.

As figuras na posição de braços abertos longitudinais ao corpo formam uma cruz latina, símbolo da verticalização do homem em busca do sagrado com um trabalho na matéria (horizontal).


Figura 10 – Virgem Maria Igreja Nossa Senhora do Carmo/MG. Foto de Adriano Santos Figueiredo


Figura 11 – Virgem Maria e a flor de Liz Igreja Nossa Senhora do Carmo/MG Foto de Adriano Santos Figueiredo

As figuras 10 e 11 retratam a Virgem Maria e a Flor de Liz. É o símbolo da pureza, realeza, sabedoria e da humanização de Cristo. A Flor de Liz representa a Virgem Maria e é representada por três pétalas, o que faz dela um símbolo da Trindade. Para a Maçonaria, significa: a ponta da lança, dando a orientação e o rumo a seguir.

 

Figura 12 – O Braço da Virgem Maria faz um ângulo de 90 graus – Foto de Adriano Santos Figueiredo Igreja: Catedral da Sé em São Paulo


Figura 13 – O detalhe no alto do quadro representa um anjo em forma de triângulo equilátero (perfeição). Foto de Adriano Santos Figueiredo

Conclusões

De acordo com Bondarik, R. cada vez que se analisa um símbolo referente à Maçonaria, esta análise por mais que seja baseada em outras tantas já publicadas, será normalmente original. A visão que se possui sobre um símbolo é sempre pessoal e intransferível. São estas múltiplas visões que dão a Ordem Maçónica o carácter dinâmico e de adaptação aos novos tempos e as novas ideias que constantemente surgem: repassar os seus diversos princípios aos seus.

As obras aqui apresentadas são parte do grande acervo que contem simbologias maçónicas que tanto interesse despertam em todos os apreciadores das artes e seus significados. Neste artigo fica, portanto, uma pequena colaboração desejando que o mesmo desperte novas pesquisas que enriqueçam o nosso conhecimento.

Maria do Carmo Jampaulo Plácido Palhaci [1], Luiz Antonio Vasques Hellmeister [2], Ricardo Nicola [3], Carmem Francisca Lourenço Pinto Hellmeister [4]
Notas

[1] Maria do Carmo Jampaulo Plácido Palhaci – Professora Doutora – Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho – Departamento de Artes e Representação Gráfica da FAAC – Faculdade de Arquitectura, Artes e Comunicação, Campus de UNESP -Bauru, SP, Brasil, palhaci@faac.unesp.br

[2] Luiz Antonio Vasques Hellmeister – Professor Doutor – Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho – Departamento de Artes e Representação Gráfica da FAAC – Faculdade de Arquitectura, Artes e Comunicação, Campus da UNESP – Bauru, SP, Brasil, hellmeister@faac.unesp.br

[3] Ricardo Nicola – Professor Doutor – Universidade Estadual Julio de Mesquita Filho – Departamento de Comunicação da FAAC – Faculdade de Arquitectura, Artes e Comunicação, Campus de UNESP -Bauru, SP, Brasil, midia.press@uol.com.br

[4] Carmen Francisca Lourenço Pinto Hellmeister – Professora Doutora – Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho – Departamento de Engenharia de Produção da FEB – Faculdade de Engenharia de Bauru, Campus da UNESP – Bauru, SP, Brasil, carmenfl@feb.unesp.br
ReferênciasCOSTA, Wagner Veneziani. “Maçonaria – Escola de Mistérios – A Antiga Tradição e seus Símbolos” – Madras Editora Ltda. 2006
NUT-SA-TEFNUT, Soror. Introdução à Maçonaria. 2001, p.1’
BONDARIK, Roberto ( bondarik@cp.cefetpr.br), M∴ M∴, ARLS Cavaleiros da Luz, nº 60 – Grande Loja do Paraná – Brasil.
VAROLI FILHO, Simbologia e Simbolismo da Maçonaria. Londrina: A Trolha, 2000.

Fonte: fremason.pt

segunda-feira, 3 de março de 2025

FRASES ILUSTRADAS

O PERÍODO DA PALAVRA A BEM DA ORDEM

Em 09/08/2024 o Respeitável Irmão Aderbal Luis Lopes de Andrade, Loja Estrela do Rio Formoso, 3036, REAA, GOB-MS, Oriente de Bonito, Estado do Mato Grosso do Sul, apresenta a dúvida seguinte:

PALAVRA A BEM DA ORDEM

Eminente gostaria de sanar as dúvidas sobre um questionamento que estamos tendo em Loja: os assuntos tratados no expediente, ordem do dia e tempo de estudos, podem ser comentados ou discutidos na Palavra a Bem da Ordem?

CONSIDERAÇÕES:

Veja, no período do Expediente é informado à Loja, pelo Secretário, as correspondências recebidas e expedidas e pelo Orador as Leis e Decretos oriundos da Obediência. Nele o Venerável Mestre dá o destino devido e não existem discussões sobre a matéria apresentada neste período. Caso algum assunto pertinente a este período merecer alguma discussão, o mesmo será levado para a Ordem do Dia, podendo, conforme o caso, ficar sob malhete pelo prazo legal, se o Venerável achar conveniente. 

Na Ordem do Dia, organizada previamente pelo Venerável e entregue ao Secretário, os assuntos são individualmente discutidos e votados, todos a aquiescência do Orador. Assim, matérias destinadas à Ordem do Dia são debatidas e concluídas na Ordem do Dia.

O Tempo de Estudos, como bem diz o seu título, é um período para estudos de assuntos inerentes aos graus, história, e outros de interesse da Maçonaria. 

À vista disso, é de péssima geometria a volta de assuntos que já tiveram destino finalizado no respectivo seu período apropriado.

Repetições são desnecessárias, improdutivas e desrespeitam a paciência alheia. Vale lembrar que é por isso que os trabalhos maçônicos têm os períodos distintos, portanto não devem ser repetidos no período da Palavra a Bem da Ordem. 

Observe-se que a separação dos trabalhos por períodos objetiva dar organização aos trabalhos maçônicos, então repeti-los para quê?

O período destinado à Palavra Bem da Ordem e do Quadro em Particular é próprio para breves, objetivos e suscintos comentários e não para repetir o que já foi dito, muito menos para proferir blá, blá, blás intermináveis que nada constroem algo de aproveitável.

T.F.A.
PEDRO JUK. - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

CARREGANDO O MALHETE PARA FORA DA LOJA

Em 07/08/2024 o Respeitável Irmão Maurício Américo Alves, Loja Monumento do Ipiranga, 3771, REAA, GOB-SP, Oriente de São Paulo, Capital, apresenta a dúvida seguinte:

MALHETE FORA DA LOJA

Uma dúvida: observei que algumas (poucas) Lojas, no encerramento dos trabalhos, levam consigo o malhete para fora do templo, empunhando (VenMestre, 1º e 2º VVig). Gostaria de saber se este procedimento está correto ou está incorreto?

CONSIDERAÇÕES:

E vamos inventando! O que seria da Maçonaria latina se não houvessem essas invencionices. De tudo, o que se tem é mesmo lamentável.

Isso simplesmente não existe. Nem está previsto no ritual em vigência. 

Ora, as Luzes da Loja, ao se retirarem após o encerramento dos trabalhos, deixam seus malhetes sobre o Altar e respectivas mesas. Afinal, a Loja já está fechada. O resto não passa da mais pura invencionice, coisas que só depõem contra a uniformidade dos nossos procedimentos ritualísticos.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

O PADRE QUE FOI VENERÁVEL MESTRE


FORTUNATO GONÇALVES PEREIRA DE ANDRADE foi um padre brasileiro que desconhecemos até as suas datas de nascimento e morte, pelo fato de ter sido um religioso comum, sem nenhum feito que o destacasse em nossa história.

Sabemos que ele foi iniciado na Maçonaria em 06 de fevereiro de 1847 na Loja Amizade (primaz da cidade de São Paulo), em São Paulo, e em 10 de fevereiro de 1862 (15 anos depois), chegou ao Grau 33º.

Quando o Maestro brasileiro Carlos Gomes foi Iniciado em 1859, na mesma Loja, o Padre Fortunato era o Venerável-Mestre de ofício, mas não dirigiu a sessão por se encontrar gravemente enfermo.

Outro fato curioso ocorreu em 1858, quando a Loja Amizade cedeu suas dependências para que um grupo de protestantes celebrassem um culto. A autorização foi dada diretamente pelo padre Fortunato, que era o Venerável-Mestre na época.

A data de falecimento do Padre Fortunato é desconhecida e a imagem que usamos no post é meramente ilustrativa.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

LIVRE E BONS COSTUMES

Ser “livre e de bons costumes” é a condição preliminar que se pede ao profano para ser admitido na nossa Ordem, condição necessária para todo progresso moral e espiritual, para todo avanço no caminho da Verdadeira Luz, ou seja, , na busca da Verdade e da Virtude.

Livre dos preconceitos e dos erros, dos vícios e das paixões que brutalizam o homem e o tornam escravo da sorte e do destino; de bons costumes por ter orientado a sua vida para o que é mais justo, para o que é mais elevado e ideal. Estas duas condições tornam latente em cada homem a qualidade de maçom e a possibilidade de se tornar ou “ser feito” como tal, desde que, na sua plenitude, essa mesma qualidade o caracterize. Pois, na medida da sua liberdade interior e da orientação ideal da sua vida, o homem é e “torna-se” um verdadeiro Maçom, um Trabalhador ao serviço da Inteligência Construtiva do Universo.

A desapropriação dos metais é, portanto, a desapropriação voluntária da alma, de suas qualidades inferiores, de seus vícios e paixões, dos apegos materiais que obscurecem a luz pura da Alma; É o abandono das qualidades e aquisições que brilham com luz ilusória na inteligência e impedem a visão. da Luz Maçônica, a Realidade que sustenta o Universo e o constrói incessantemente.

O intelectual também deve despojar-se de suas crenças e preconceitos, para que o Caminho da Luz e da Verdade se abra diante de seus olhos, onde ele se prepara para pisar - as crenças e preconceitos científicos e filosóficos, não menos que as superstições e preconceitos religiosos e vulgar.

Como o maçom deve aprender a pensar por si mesmo, alcançando a convicção e o conhecimento direto da Verdade, das crenças e preconceitos que constituem a moeda do mundo, as aquisições materiais, com as quais nunca se paga ou nunca são usadas, não lhe servem de nada. . compre a Verdade, para o que o Maçom deve alcançar com esforço individual.

Fonte: Facebook_Átrio do Saber

domingo, 2 de março de 2025

FRASES ILUSTRADAS

GRAVATA NO REAA - MODELO E COR

Em 07.08.2024 o Respeitável Irmão Fernando Alves Queiróz, Loja Cláudio Neves, 1939, REAA, GOB MINAS, Oriente de Uberlândia, Estado de Minas Gerais, apresenta o que segue:

GRAVATA NO REAA

Inicio parabenizando-o e agradecendo pelo brilhante trabalho, contribuindo para a disseminação de conhecimentos na Maçonaria.

Solicito esclarecimento quanto ao uso da gravata, nas Lojas que trabalham no REAA podemos usar gravata borboleta? Ou somente gravatas compridas na cor preta e sem estampas?

CONSIDERAÇÕES:

Conforme especifica o ritual de Aprendiz, REAA, edição 2024 vigente no GOB, dele a sua página 33, consta que a gravata, usada com terno preto ou azul marinho escuro, camisa branca, cinto, sapatos e meias pretas, deve ser “preta, lisa sem ornamentos, modelo tradicional”. 

Não há no ritual nenhuma referência à gravata borboleta. Assim, segue-se o que está previsto no ritual.

Vale ressaltar que no REAA o uso de terno é obrigatório em todas as sessões magnas, admitindo-se, nas sessões ordinárias, o uso do balandrau, cujo modelo está previsto no ritual, página 29, no título: “Dos Títulos, Joias e Trajes”.

Ao concluir, reitera-se: a gravata borboleta não é parte do vestuário no simbolismo do REAA no GOB.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

CARGOS EM LOJA - AUSÊNCIA DOS TITULARES

Em 07.08.2024 o Respeitável Irmão Tacachi Iquejiri, Loja Luz de Outubro, 2081, REAA, GOB-MS, Oriente de Campo Grande, Estado do Mato Grosso do Sul, apresenta a dúvida seguinte:

AUSÊNCIA DOS TITULARES

Gostaria de perguntar se existe fundamento na afirmação de que, estando ausentes dois dirigentes titulares, exemplo, Venerável Mestre e um Vig ou 2 VVig, mesmo tendo Mestres Maçons e Mestres Instalados para substituí-los, a Loja não deve realizar sessão ordinária regular? Deve realizar sessão administrativa ou informal. 

CONSIDERAÇÕES:

De fato, não existe nada que impeça a abertura da Loja na ausência de duas das suas Luzes titulares, desde que estejam presentes Mestres Instalados ou Mestres Maçons para preencher os cargos vagos.

Na verdade, eu é que às vezes tenho dito que a Loja, no meu entendimento, não deveria abrir os trabalhos ritualísticos, pois se dois dos seus dirigentes eleitos para dirigir os trabalhos se fizerem ausentes, me parece que algo não estaria bem nos conformes. Todavia, esta é só a minha opinião, portanto, legalmente não há nenhum impeditivo, desde que, como foi dito, estejam presentes o mínimo de Irmãos em condição suprir os cargos vagos. 

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

BREVIÁRIO MAÇÔNICO

O APRENDIZ

Maçonicamente, intitulava-se de Aprendiz aquele que pretendia ingressar nos mistérios da construção.

Hoje, Aprendiz é a passagem pelo Primeiro Grau de um rito, sucedendo-lhe o Companheiro para alcançar, finalmente, o Mestre.

Com falsa modéstia, há quem se intitule de "eterno Aprendiz" para demonstrar o seu desejo de aprender mais e mais; no entanto, o aprendizado não passa de uma primeira fase e, forçosamente, conduzirá ao companheirismo.

Na realidade, a vida nos ensina que constantemente estamos aprendendo alguma coisa; o Companheiro aprende para ser Mestre, e esse, para desenvolver-se e alcançar o misticismo, cumpre o que aprende.

O aprender é permanente; todo maçom deve conscientizar-se de que pouco sabe da Arte Real e esforçar-se para adquirir conhecimentos, não como Aprendiz, mas como quem aspira a um lugar mais elevado.

A Iniciação pertence ao Primeiro Grau, logo, o verdadeiro Iniciado é o Aprendiz; a elevação e a exaltação são complementos iniciáticos, apenas aperfeiçoamentos.

Essa perfeição é que o maçom deve perseguir com pertinácia, e assim, obterá resultados surpreendentes.

Breviário Maçônico / Rizzardo da Camino, - 6. Ed. – São Paulo. Madras, 2014, p. 50.

A ABÓBODA CELESTE


Na Maçonaria, a abóbada celeste tem um significado simbólico profundo e está frequentemente relacionada à espiritualidade e à busca pelo conhecimento superior. A abóbada celeste é um dos símbolos utilizados para representar o céu ou o universo em seus rituais e ensinamentos, e ela simboliza a presença de uma força superior, algo além da compreensão humana, comumente associada ao Grande Arquiteto do Universo.

O Grande Arquiteto do Universo é uma figura central na Maçonaria, representando o princípio criador e a inteligência suprema que rege o cosmos. A abóbada celeste, portanto, lembra aos maçons que há uma ordem cósmica e divina, além das limitações humanas, e que os maçons devem buscar a verdade, a sabedoria e a moralidade em sua jornada espiritual.

Além disso, a abóbada celeste simboliza a ideia de que o céu ou o universo é um espaço de observação e reflexão, onde os maçons são incentivados a buscar sua própria luz interior e a refletir sobre sua relação com o divino e com a humanidade. O conceito de "estrelar" ou "estar sob a abóbada celeste" pode ser interpretado como um lembrete para viver de acordo com os altos princípios da Maçonaria, como a fraternidade, a bondade e a verdade.

Em um nível mais prático, a abóbada celeste também é um símbolo do ponto de encontro do homem com o divino, representando um espaço onde os maçons, em seu caminho de autodescoberta e crescimento espiritual, estão sempre sob a vigilância de uma força superior, que guia suas ações.

Fonte: Facebook_Estrela de Davi

sábado, 1 de março de 2025

FRASES ILUSTRADAS

REAA - TÍTULOS, CONDECORAÇÕES E INGRESSO NO TRONO

Em 06/08/2024 o Respeitável Irmão Luiz Roberto Lopes. Loja Fé e Perseverança, 426, REAA, GOB-SP, Oriente de Jaboticabal, Estado de São Paulo, apresenta as seguintes questões:

TÍTULOS E CONDECORAÇÕES E INGRESSO NO TRONO

O Irmão com a Condecoração de “Comendador da Ordem D. Pedro I” (Sapientíssimo) tem ou pode sentar no Oriente?

- Justificativa: Apenas no Regimento de Títulos e Condecorações aparece que o Sapientíssimo, após ser recebido na Faixa 5, deve ser conduzido ao Oriente. Entendo não ser ele Autoridade, pois senão seriam também: o Benemérito, o Grande Benemérito, o Estrela da Distinção Maçônica e o da Cruz da Perfeição Maçônica que deveriam sentar no Oriente, pois no Regimento de Títulos e Condecorações, eles também dentro de suas faixas deverão ser conduzidos ao Oriente.

Nas ¨Salvas de Bateria¨ e “Bateria incessante” o Venerável Mestre deve bater com o Malhete?

De que lado do Trono o Venerável Mestre deve ¨entrar¨ e ¨sair?

- Justificativa: Não acho em nenhum lugar uma explicação, apenas no Ritual de Instalação e Posse onde diz taxativamente: o Presidente da Comissão Instaladora conduz o Venerável eleito ao Trono de Salomão pelo lado Sul.

No aguardo das respostas, agradeço ao Irmão por ser a autoridade máxima da Ritualística junto ao GOB.

CONSIDERAÇÕES:

- Questão 01 - Vejamos o que menciona o Artigo 219 do RGF: "Art. 219 - O visitante, que seja autoridade maçônica, ou portador de título de recompensa(o grifo é meu) será recebido de conformidade com o Ritual adotado pelo Grande Oriente do Brasil para o Rito que a Loja visitada praticar e será conduzido ao Oriente (o grifo é meu)".

Ainda no Artigo 219, os incisos de I a VI indicam as autoridades e os portadores de títulos, conforme a sua faixa.

Assim, o RGF em seu Artigo 219 é bem claro quando menciona "autoridade ou portador de título de recompensa". Também está claro que serão conduzidos ao Oriente. Desse modo, os portadores de título de recompensa listados nos incisos I a VI do Art. 219 do RGF têm o direito de ocupar lugar no Oriente.

- Questão 02 - Se o Venerável Mestre estiver ocupando o seu lugar na Loja, ele participará da bateria incessante percutindo seu malhete. Todavia, se ele não estiver no seu lugar por estar recebendo uma autoridade na linha da balaustrada, no centro do templo, ou próximo à porta, obviamente ele não participará, nem da bateria incessante, nem de salvas pela bateria. Vale ressaltar que estes procedimentos constam nos novos rituais do REAA (2024), no título “Recepção de Autoridades e Portadores de títulos de Recompensa”.

- Questão 03 – Por convenção, o Venerável Mestre ingressa no trono sempre pelo lado Norte do Altar e dele sai pelo lado Sul. Nada disso tem a ver com a condução do novo Venerável pelo Mestre Instalador na cerimônia de Instalação. Nesse caso, o que houve foi uma adequação para facilitar a ocupação da cadeira de honra da direita do Trono pelo Mestre Instalador, logo após a condução do novo Venerável.

Assim, reitera-se: práticas ritualísticas da cerimônia de Instalação não podem interferir na liturgia das sessões ordinárias ou magnas de Iniciação, Elevação e Exaltação que constam nos respectivos rituais dos graus vigentes.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

USO DA PALAVRA - ORDEM AO SE DIRIGIR À LOJA

Em 06/08/2024 o Respeitável Irmão Roberto Tiefensse, Loja Evolução e Cultura, 4321, GOB-SC, REAA, Oriente de Florianópolis, Estado de Santa Catarina, apresenta a questão seguinte:

ORDEM AO SE DIRIGIR À LOJA

Respeitosamente venho lhe solicitar orientações em relação à saudação no início da Palavra a Bem da Ordem em Geral e do Quandro em Particular.

Julgo que a saudação inicial deveria ser na sequência abaixo, isto com os Grão-Mestres presentes:

-Grão-Mestre Geral – GOB

-Grão-Mestre Geral Adjunto – GOB

-Grão-Mestre Estadual - GOB-SC

-Grão-Mestre Estadual Adjunto - GOB-SC

-Ven Mestre;

-Autoridades e Dignidades que ornamentam o Oriente em todos os seus graus e qualidades;

-IIr1º e 2º Vig;

-Meus Respeitáveis, Amados e Queridos IIr.

Porém, tenho observado em minha Loja e em visitas que eu faço o seguinte:

-Ven Mestre;

-IIr 1º e 2º VVig;

-Autoridades e Dignidades que ornamentam o Oriente em todos os seus graus e qualidades;

-Meus Respeitáveis, Amados e Queridos IIr.

Em algumas vezes ocorre o seguinte:

-Ven Mestre;

-IIr1º e 2º VVig;

-Meus Respeitáveis, Amados e Queridos IIr;

-Autoridades e Dignidades que ornamentam o Oriente em todos os seus graus e qualidades.

Sabendo que o Irmão é profundo conhecedor da nossa Ordem solicito, se possível, sua orientação.

CONSIDERAÇÕES.

Vale a pena mencionar que quando um Ir estiver usando a palavra, no início da sua fala, ao se dirigir à Loja, ele não está se saudando ninguém. O que de fato existe é o modo protocolar para se dirigir à Loja – isto não é saudação.

As saudações em Loja estão previstas nas páginas 42/43 do ritual vigente do REAA (edição 2024), onde é mencionado que saudação é feita apenas ao Venerável Mestre quando da entrada e saída do Oriente, e às Luzes da Loja logo após entrada formal, ou ainda, quando alguém precisar se retirar definitivamente do templo antes do encerramento dos trabalhos.

Dito isto, um Ir ao fazer o uso da palavra deve primeiramente seguir o "modo protocolar" consagrado de se dirigir à Loja.

Nesse caso, independentemente da autoridade estiver presente, o usuário da palavra deve inicialmente se dirigir às Luzes da Loja, que são os dirigentes da Oficina e os detentores do malhete. Depois disso, genericamente, ele se dirige à(s) autoridade(s) presentes e, por fim, de modo genérico, diz: meus Irmãos. 

Não há necessidade de mencionar individualmente cada autoridade, nem mesmo as mencionar uma a uma.

Nessa situação, é possível também se eleger a mais alta autoridade presente para que, em nome dela, todas as demais sejam mencionadas – vide “Usando a Palavra” e “Protocolo de se dirigir à Loja” (Ritual de Aprendiz, 2024, página 209).

A seguir, alguns exemplos objetivos e recomendáveis do modo protocolar se dirigir à Loja:

·       “Venerável Mestre, Irmãos 1º e 2º Vigilantes, Autoridades presentes, meus Irmãos...”.

·       “Luzes da Loja, Irmão Fulano de Tal (tratamento conforme a sua faixa), em nome de quem me dirijo às demais Autoridades presentes, meus Irmãos...”.

·       “Luzes, Autoridades, meus Irmãos...”.

·       “Luzes, Autoridades, demais Dignidades, meus Irmãos...”.

A Maçonaria prima pela objetividade, sobretudo porque isso dá fluidez ao andamento da sessão. Não há necessidade de floreios e enfeites, pois estes além de nada acrescentar, ainda colaboram para tornar a sessão prolixa.

Ao concluir, lembro que o tratamento de “Amado Irmão” é próprio do Rito Adonhiramita, não sendo comum no REAA, por exemplo.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MAÇONS FAMOSOS


WILHELM FRIEDRICH ERNST BACH (Buckeburgo, Alemanha, 1759 - Berlim, 1845). Compositor alemão, filho de Johann Christoph Friedrich Bach e o único neto de Johann Sebastian Bach a ganhar fama como compositor.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

CONTRIBUIÇÕES A UMA PEDAGOGIA MAÇÔNICA (O RELATÓRIO JACQUES DELORS)

Ir∴Francisco C. L. Pucci. 
Repasse: Ir. Hercule Spoladore

Muito se fala sobre a Maçonaria ser uma escola. Se por isso se entende que nela aprendemos e apreendemos uma nova perspectiva de vida, que modificará nossas atitudes, valores, hábitos e práticas – nossa práxis social -, creio que a expressão é correta. Afinal, somos seres que aprendem e a Maçonaria é uma instituição que recruta homens bons para torná-los melhores. Isso, lato senso, é educação.

Mas se muito se fala, pouco se escreve. Conheço raríssimos textos que discutem o processo formativo na Ordem. Temos, sim, muitos livros "didáticos" e muitos outros que se pretendem "manuais" de Maçonaria, mas uma reflexão sobre o processo formativo do Homem maçônico é mais rara, e como toda raridade, urgente.

"Escola" é um substantivo que permite adjetivação. Num processo de reflexão, cumpre-nos des-velar as qualidades que em "nossa" escola se reproduzem, para que tornemos consciente esse processo. Que tipo de Homem pretendemos formar na Maçonaria? Com vista a que objetivos? Com que meios pretendemos essa formação? Que filosofia e que ideologia orientam esse processo? As perguntas se multiplicam e esperam por respostas.

A pretensão deste texto é levantar alguns pontos para essa reflexão. Estamos conscientes, contudo, que é condição absolutamente necessária (mesmo que não suficiente) para produzir alguma ação que esse trabalho seja coletivo. Quando "a bola rola", se ninguém der o segundo, o terceiro e os demais toques o jogo não acontece.

Mas um início não precisa necessariamente sair do nada. A Comissão Internacional sobre a Educação para o século XXI, da UNESCO, sob o título Educação – Um tesouro a descobrir, publicou um relatório que se tornou conhecido pelo nome de seu coordenador, Jacques Delors.

Iniciado em 1993 e concluído em setembro de 1996, recebeu a contribuição dos melhores especialistas do mundo, representando países de cultura e desenvolvimento os mais variados.

Considerando sobretudo o irreversível processo de globalização, o relatório considera que a orientação do desenvolvimento humano se dá pela "capacidade de raciocinar e imaginar, da capacidade de discernir, do sentido das responsabilidades". Mais do que razão, o século XXI exige imaginação, discernimento e responsabilidades. A era da complexidade e da incerteza já superou em muito a era das "luzes".

Os sonhos milenares do Homem, contudo, continuam vetoriando essa caminhada. Já em seu prefácio, o relatório ressalta como função precípua da educação "ante os múltiplos desafios do futuro, (...) sua construção dos ideais da paz, da liberdade e da justiça social. (...) Não como um 'remédio milagroso', não como um 'abre-te sésamo' de um mundo que atingiu a realização de todos os seus ideais, mas, entre outros caminhos e para além deles, como uma via que conduz a um desenvolvimento humano mais harmonioso, mais autêntico, de modo a fazer recuar a pobreza, a exclusão social, as incompreensões, as opressões, as guerras...".

Essas colocações são fundamentais. A idéia de um mundo pronto, a ser transmitido às novas gerações, visando reproduzir "uma ordem, uma moral e os bons costumes", conduziu sempre a pedagogias autoritárias (sejam democráticas, socialistas, comunistas ou maçônicas) que invariavelmente desqualificam "o outro".

Nessa perspectiva, o "educando" não tem valores, conhecimentos, sentimentos, que mereçam consideração. Temos que "transmitir" a ele, como se fosse um depósito bancário, o "capital" de nossos conhecimentos, do qual ele deverá nos dar conta quando solicitado. O educador é "do bem", o educando "do mal"; um "sabe", outro é "ignorante"; um é "iniciado", outro "profano".

A superação dessa postura por uma que reconheça que a diferença do outro não o faz menor (ou maior) e que, pelo contrário, é essa diferença que torna possível o nosso mútuo desenvolvimento, é a pedra de toque que transmutará nossa pedagogia numa andragogia, um processo educativo de "crianças" num processo educativo de "adultos".

Essa transmutação verdadeiramente paradigmática não implica em que o Mestre deixará de ser Mestre e que o Aprendiz deixará de ser Aprendiz. Longe disso. É apenas nessa mudança que o Mestre poderá tornar-se um Mestre e o Aprendiz um Aprendiz. Do contrário, teremos apenas "professores" e "alunos", "adultos" e "crianças", "sábios" e "ignorantes".

Na postura pedagógica "tradicional", a atitude é de "dar" ao outro um conhecimento que "possuo" e que ele não tem. Na postura andragógica, a atitude é de ajudá-lo a extrair de suas próprias potencialidades uma riqueza que nelas está contida. É isso que significa a construção de si mesmo, princípio da filosofia Socrática/Platônica e que está implícito na própria origem de nossa doutrina.

Um segundo ponto deve ser bem sublinhado nesse parágrafo. Não há desenvolvimento que não seja total. Podemos "crescer" num aspecto ou em outro, mas só nos desenvolvemos por inteiro. Por isso, dizer que a construção do Homem Novo, que é o objetivo implícito na Arte Real, não tem a ver com as questões sociais, políticas e econômicas (exclusão, corrupção, pobreza), é utópico – para não dizer ideológico.

Se reduzirmos a Ação Social a caridade, viramos um clube de serviço. Se reduzirmos a Política a política partidária, nos tornaremos alienados. Se reduzirmos a Economia a seus interesses exclusivamente materiais, nos tornaremos desumanos.

Continua o relatório: "A Comissão considera as políticas educativas um processo permanente de enriquecimento dos conhecimentos, do saber-fazer, mas também e talvez em primeiro lugar, como uma via privilegiada de construção da própria pessoa, das relações entre indivíduos e nações" (grifo meu). Começam a delinear- se objetivos aos quais não nos negamos a aderir. Estamos no núcleo dialético desse processo: só podemos construir a nós mesmos em relação e só podemos construir relações construindo a nós mesmos. Como produzir em nós mesmos, em nossas Lojas, em nossas Potências, visando contaminar o mundo, essa atitude básica que nos oriente permanentemente à construção de nós mesmos e de nossas relações (familiares, políticas, econômicas)?

Nosso modelo de mundo está exaurido. Nunca antes o mundo assistiu a tanto "crescimento" econômico. "E contudo, parece dominar no mundo um sentimento de desencanto que contrasta com as esperanças surgidas logo a seguir à Segunda Guerra Mundial. Pode-se, pois, falar de desilusões do progresso, no plano econômico e social. O aumento do desemprego e dos fenômenos de exclusão social, nos países ricos, atesta-o. A persistência das desigualdades de desenvolvimento no mundo, confirma-o".

Qualquer mudança, como nós Maçons bem sabemos, passa por um ato de Vontade. Como que a adivinhar isso, nos diz o relatório: "Mas como aprender a viver juntos nesta 'aldeia global', se não somos capazes de viver nas comunidades naturais a que pertencemos: nação, região, cidade, aldeia, vizinhança? A questão central da democracia é saber se queremos, se podemos participar da vida em comunidade. Querê-lo ou não, é bom não o esquecer, depende do sentido de responsabilidade de cada um" [grifo meu].

O que conduz alguém se Iniciar na Arte Real é essa Vontade? Como discernir entre as várias motivações possíveis (algumas não tão nobres)? Mais: como desenvolver essa Vontade de forma que ela cresça e contamine seu ambiente?

Lembro-me de que quando era criança, no interior do Paraná, ouvia os adultos falarem com reverência sobre alguém: ele é Maçom! Sempre se referiam a alguém socialmente "importante", isto é, socialmente significativo. Ser Maçom é possuir um sentimento de responsabilidade para com o mundo. É "ter tempo" e "sentir vontade" de participar de sua família, de seu condomínio, dos movimentos de seu bairro, de sua cidade, etc. É ser alguém significativo. Como desenvolver esse sentimento de responsabilidade para com o mundo? Como construir essa atitude ecológica?

Isso não é fácil. O relatório Jacques Delors levanta essa questão. Tratando das Tensões a ultrapassar, cerne da problemática do século XXI, releva: "A tensão entre o global e o local: tornar-se pouco a pouco cidadão do mundo sem perder as suas raízes (...). A tensão entre o universal e o singular: (...) [manter] a riqueza das suas tradições e de sua própria cultura ameaçada, se não tivermos cuidado, pelas evoluções em curso. A tensão entre tradição e modernidade tem origem na mesma problemática: adaptar-se sem se negar a si mesmo, construir a sua autonomia em dialética com a liberdade e a evolução do outro, dominar o progresso científico. (...) A tensão entre as soluções a curto e a longo prazo, tensão eterna, mas alimentada hoje em dia pelo domínio do efêmero e do instantâneo, num contexto onde o excesso de informações e emoções efêmeras leva a uma constante concentração sobre os problemas imediatos. (...) A tensão entre a indispensável competição e o cuidado com a igualdade de oportunidades. (...) A tensão entre o extraordinário desenvolvimento dos conhecimentos e as capacidades de assimilação pelo homem. A Comissão não resistiu à tentação de acrescentar novas disciplinas, como conhecimento de si mesmo e dos meios de manter a saúde física e psicológica, ou mesmo matérias que levem a conhecer melhor e preservar o meio ambiente natural. (...) Finalmente, e trata-se, também neste caso, de uma realidade permanente, a tensão entre o espiritual e o material. (...) Cabe à educação a nobre tarefa de despertar em todos, segundo as tradições e convicções de cada um, respeitando inteiramente o pluralismo, esta elevação do pensamento e do espírito para o universal e para uma espécie de superação de si mesmo".

Colocados num longo parágrafo temas que no relatório vêm em parágrafos distintos, se pretendeu reunir as tensões fundamentais da problemática moderna. Da sabedoria de resolvê-las depende o bem estar e, talvez, a própria sobrevivência da humanidade. Não há processo educacional que possa olvidá-las.

Repisa sempre o relatório na questão fundamental desse novo paradigma: "Tudo nos leva, pois, a dar novo valor à dimensão ética e cultural da educação e, deste modo, a dar efetivamente a cada um os meios de compreender o outro, na sua especificidade, e de compreender o mundo na sua marcha caótica para uma certa unidade. Mas antes, é preciso começar por se conhecer a si próprio, numa espécie de viagem interior guiada pelo conhecimento, pela meditação e pelo exercício da autocrítica". Do ponto de vista maçônico poderíamos definir melhor nossa tarefa? Cabe aprendermos a executá-la. Aqui, novamente, a razão tem que se aliar à imaginação.

A esta altura das reflexões, o relatório resume os quatro pilares considerados básicos para essa tarefa:

o grande pilar é o aprender a viver juntos, desenvolvendo o conhecimento acerca dos outros, da sua história, tradições e espiritualidade. Principalmente, aprendendo a respeitar as diferenças.

O outro pilar, o primeiro, é o aprender a conhecer, no sentido tradicional de conhecer a realidade, as tecnologias, a política, a cultura, estar afinado com seu tempo.

Em seguida, aprender a fazer, não só no sentido profissional, mas adquirir uma competência ampla que permita o trabalho em equipe, o pensar junto, o fazer coletivo.

Finalmente, e mais importante, o aprender a ser. Desenvolver todos os talentos latentes em si. Conhecer-se o mais profundamente possível. E, acrescentamos, amar-se, para poder amar aos demais.

Mas é preciso cuidado, pois "... demasiadas reformas em cascata acabam por matar a reforma, pois não dão ao sistema o tempo necessário para se impregnar do novo espírito, nem para pôr todos os atores à altura de nela participarem. Por outro lado, como mostram os insucessos do passado, muitos reformadores, optando por soluções demasiado radicais ou teóricas, não tomam em consideração os úteis ensinamentos da experiência, ou rejeitam as aquisições positivas herdadas do passado". O projeto de lapidar o Homem e o mundo é um projeto secular, não é algo para prazo determinado. Por isso, ele depende mais de Vontade e Atitudes do que de instrumentos e medidas. Ser secular, contudo, não significa que não deva começar já.

Fonte: JBNews - Informativo nº 264 - 19.05.2011