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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

terça-feira, 27 de setembro de 2022

5ª INSTRUÇÃO DO GRAU DE APRENDIZ

SOLIDARIEDADE E FRATERNIDADE NA MAÇONARIA
Trabalho efetuado pelos IIr:.
Jairo Bonifácio
Marcelo da Silva Marques
Ronaldo Nunes
Marcio Felipe Dutra

Ao sermos iniciados na Maçonaria, aprendemos que ela é uma associação de homens escolhidos, cuja doutrina tem por base o G∴A∴D∴U∴, e que tem como principio a LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE.

Neste nosso trabalho, tentaremos falar alguma coisa sobre um dos princípios da Maçonaria que é a FRATERNIDADE e a SOLIDARIEDADE.

A palavra FRATERNIDADE pressupõe amor, abnegação, desvelo, compreensão e tolerância, enquanto a SOLIDARIEDADE seria um sentido moral que vincula o individuo a vida, aos interesses e às responsabilidades de um grupo social, nação ou da própria humanidade.

Nós, Maçons, temos conhecimento de que nosso dever é fazer o bem, sem olhar a quem. Devemos verificar as necessidades alheias e mesmo de nossos Irmãos para que cumpramos com eficiência nossa obrigação do dever assumido.

A atitude solidária é à saída de si para se dar ao outro, quem quer que ele seja . Ela não acontece apenas entre amigos , mas se estende a todos . Ela é o olhar atento que capta a necessidade do outro. A solidariedade revela o quanto uma pessoa é verdadeiramente humana. Em outras palavras, a pessoa “verdadeira” é aquela que é solidária ao outro nos momentos de felicidade e nas situações de dor e de sofrimento. Em determinadas ocasiões será aquele que estará ao lado do outro, silenciosamente, “colocando-se na sua pele”. A solidariedade será, num mundo marcado pelas desigualdades e injustiças, o gesto de abraçar a causa de todos os que vivem “à margem da vida”.

Vivemos hoje, num “sistema” que estimula as pessoas a lutarem, freneticamente , por tudo aquilo que as desfigura em sua própria essência: a ambição e a ganância sem limites , a fome pelo poder que oprime os outros, o consumo desenfreado, o narcisismo, a ostentação , o individualismo , a inveja e a competição a qualquer preço. Só tem valor quem possui, quem domina e manipula o outro. Para “subir na vida, vencem aqueles que são” espertos e aqueles que, “bajulam” e que fazem “alianças estratégicas”.

Não podemos esquecer que a Maçonaria também tem suas regras, e cada Maçom tem suas obrigações individuais, como por exemplo, o dever de freqüência, o de ser pontual com seus compromissos, e principalmente reconhecer como Irmão todo Maçom regular, ajudando-o, protegendo-o e defendendo-o, sempre de forma justa, contra as injustiças do mundo profano, se necessário for com riscos da própria vida.

Bem caríssimos IIrm∴ , levando-se em consideração que todo Maçom deve ter uma conduta digna e reta pode-se concluir como é difícil “ser Maçom de verdade”, não que se possa dizer que a Maçonaria exija demais de nós, mas sim pela conduta individual de muitos Maçons imperfeitos. Estes Maçons imperfeitos são aqueles Irmãos que mesmo tendo sido agraciados com a oportunidade de ingressar nesta tão sublime ordem, o que lhes proporciona conviver com princípios tão nobres, por vezes são conduzidos pela própria vaidade, deixando escapar por entre os dedos à oportunidade de tentarem se igualar a tantos verdadeiros Maçons.

Por isso, nós através da Fraternidade, devemos sempre aprimorar nossas relações sociais com os irmãos, com nossos familiares e com os profanos e ser também mais Tolerantes, ou seja, mais calmos, ponderados e justos em nossas decisões e menos agressivos, para podermos desenvolver em nossos corações a CARIDADE e com ela aliviar o sofrimento alheio, em vencer nossas próprias paixões e más tendências e a amar ao próximo como nos amou o G∴A∴D∴U∴.

Para encerrar, gostaria de citar São Francisco de Assis , em sua Oração, onde ele faz um relato da mais bela filosofia do Amor ao Próximo:

Senhor! Fazei de mim um instrumento da tua Paz”,
Onde houver trevas, que eu leve a luz,
Onde houver ódio que eu leve o perdão,
Onde houver dúvida que eu leve a fé,
Onde houver desespero que eu leve esperança,
Onde houver discórdia que eu leve união,
Fazei-me antes, Senhor,
Amar que ser amado,
Perdoar que ser perdoado,
Pois é dando que se recebe,
Perdoando que se é perdoado,
E é morrendo que se vive, para a vida eterna.

BIBLIOGRAFIA:
  • RITUAL DE APRENDIZ MAÇOM - RITO ESCOCÊS ANTIGO E ACEITO (Grande Oriente Paulista)
  • BOLETIM INFORMATIVO - O APRENDIZ  EDITORA A TROLHA
  • OPINIÕES PESSOAIS DOS INTEGRANTES DESTE TRABALHO
Fonte: http://trabalhosdamaconaria.blogspot.com

segunda-feira, 26 de setembro de 2022

PROCEDIMENTOS RITUALÍSTICOS

(republicação)
Questão apresentada pelo Respeitável Irmão Robson L. A. Lemos, Mestre Maçom da Loja Caminho das Oliveiras, 3964, GOB, Oriente de Alpinópolis, Estado de Minas Gerais.
robsonllemos@ig.com.br

Gostaria de merecer a atenção do Irmão Pedro Juk quanto à dúvida levantada pelo Irmão Ari, abaixo descrita. Frequentemente trocamos e-mails em nossa Oficina, sobre assuntos maçônicos, sendo que nesse específico também dei minha opinião (entendimento abaixo).

Na Sessão passada ocupei o cargo de 1° Diácono e pela primeira vez, desde 19 outubro 2009, observei um pedido do Venerável Mestre para transmitir algo (não sabia do conteúdo) através de um bilhete, ou seja, um objeto. 

Como regra de ritualística, não devemos fazer nenhum sinal portando qualquer objeto e o fiz assim até que entregasse o pedido do Venerável Mestre. ao Irmão 1° Vigilante. Mas assim que entreguei o objeto (bilhete) que portava, imediatamente fiz o sinal do grau para o Irmão 1° Vig. e voltei para o Oriente, fazendo o sinal do grau para o Delta depois de subir os degraus, até chegar ao lugar de ofício como ad oc. 

Como estava ali para transmitir as ordens ao Irmão 1° Vigilante às Dignidades e Oficiais, acho que o sinal dirigido ao Irmão 1° Vigilante foi correto, mas se fosse às Dignidades e Oficiais, no Oriente, não necessitaria, pois, a circulação é livre e sem sinais. 

Outros materiais que circulam em Loja devem ser dirigidos ao Mestre de Cerimonias, que os entregará , sempre sem o Bastão. Correto ou não, meus queridos Irmãos?

Quanto ao sinal de Ordem feito pelo 2º Diacácono, tenho o seguinte entendimento:

- Quando da transmissão da Palavra (fechamento da loja), deverá ser feito o sinal de Ordem do Grau pelos Diáconos aos Vigilantes, seguido da pena correspondente (conforme nosso ritual/2009). 

Caso o Venerável Mestre solicite ao Irmão 2º Diácono entregar algum objeto ele deverá realizar o giro ritualístico previsto, sem o sinal de Ordem, indo ao Irmão endereçado, somente se reverenciando ao delta no meridiano do templo (até aqui tudo Ok, como no ritual).

No caso descrito não vejo a necessidade do 2º Diácono fazer o sinal ao Irmão 1º Vigilante, caso contrário esse Irmão deveria se levantar e também retribuir a saudação maçônica (como na transmissão da palavra). 

Quando se espera, em pé e parado, o retorno de alguma informação ao Venerável Mestres; aí sim se esperaria com o sinal de Ordem em frente ao Irmão 1º Vigilante. 

No caso, com a loja aberta, ao retornar ao Oriente está previsto o giro com o sinal de Ordem e a pena do Grau, conforme o RGF. Ir. Robson.

CONSIDERAÇÕES:

Vamos por partes. Embora possa até parecer devido à dialética ritualística, os Diáconos são apenas mensageiros para a transmissão da Palavra Sagrada e não mensageiros do Venerável ou Vigilante para transmitirem recados e outras coisas do gênero.

Essa obrigação é dever de ofício do Mestre de Cerimônias. Nesse sentido há uma explicação que vou tentar resumir. Ocorre que o cargo de Diácono teve origem nos antigos “oficiais de chão” da Maçonaria operativa que levavam ordens nos canteiros das construções do passado, normalmente aos zeladores “wardens”, hoje os atuais Vigilantes. 

Uma das suas obrigações era a de auxiliar na aprumada, esquadrejamento e nivelamento da obra em execução, tanto para iniciar os trabalhos, como para o encerramento das suas diversas etapas. 

Assim os antigos Vigilantes procediam e comunicavam através desses Oficiais de Chão (hoje Diáconos) que os trabalhos estavam aptos para serem iniciados, bem como corretos para as diversas conclusões das etapas no sentido de pagar os obreiros e despedi-los contentes e satisfeitos. É daí que aparece o termo “justo e perfeito”. 

Como atualmente vivemos a Moderna Maçonaria de maneira especulativa, essas tradições são revividas simbolicamente na transmissão de uma palavra que, se estiver certa no canteiro simbólico, os trabalhos são iniciados, ou encerrados. 

Assim os Diáconos representam essa alegoria entre as Luzes (Esquadro, Nível e Prumo – esquadrejamento, nivelamento e aprumada) na transmissão da Palavra que, se transmitida de modo correto, tudo estará Justo e Perfeito, tanto para se iniciarem os trabalhos quanto para se encerrarem os mesmos.

Ocorre que esses Oficiais de Chão são característicos na Maçonaria Inglesa, embora o Rito Escocês Antigo e Aceito que é de vertente francesa, assim adote o procedimento.

Isso se deve a razão de suas raízes estarem firmadas no conceito “antigo” que supre a tradição anglo-saxônica do Rito. Nos Trabalhos Ingleses (lá não se fala em rito) os Diáconos tem função mais específica, já que na vertente inglesa, não se faz uso de Mestre de Cerimônias, embora por lá exista um Diretor de Cerimonial que não atua no formato do Mestre de Cerimônias por nós tão conhecido no Rito.

Como o Rito Escocês Antigo e Aceito não nascera com graus simbólicos - esses só apareceriam com o primeiro ritual datado de 1.804 da França - cuja ritualística fora decalcada nos “antigos de York” trazidos por maçons egressos dos Estados Unidos da América do Norte que praticam até hoje o chamado Rito de York (americano) e decalcado na Segunda Grande Loja de 1.751 na Inglaterra autodenominada por Laurence Dermott de “Antigos” em oposição aos “Modernos” de 1.717.

Por assim ser o Rito Escocês, embora de origem francesa, não tardaria a acrescentar na sua ritualística muitos costumes ingleses (como é o caso do Segundo Vigilante ao Meio Dia), bem como adaptando uma transmissão de palavra para reviver o costume dos antigos canteiros medievais.

Nesse sentido é que os Diáconos no Rito em questão revivem esse desempenho. Com isso também permaneceu a dialética que, no modo francês, ficaria obsoleta, mas enraizada no Rito pelas antigas tradições.

Como os Ritos de origem francesa geralmente fazem uso de alguns cargos desconhecidos na Inglaterra - como são o caso do Mestre de Cerimônias, Experto e Terrível - na França estes têm funções específicas, o que geralmente na Inglaterra são cumpridos pelos Diáconos. Daí a permanência da dialética, porém em termos de obrigação de ofício, cada qual tem a sua própria missão. 

Portanto, no Rito Escocês, a função de transmitir recados, levar documentos, conduzir a Ata para assinaturas, abrir o Painel do Grau, revestir insígnias, fazer circular o Saco de Propostas e Informações, etc., é do Mestre de Cerimônias que, dentre essas e outras, também conduz Irmãos na Loja.

Assim e ratificando, no Rito Escocês Antigo e Aceito, os Diáconos, embora tenha permanecido a dialética inglesa, têm verdadeiramente como ofício apenas a Transmissão da Palavra Sagrada e nunca como condutores de recados.

Outros aspectos da questão – Sinais e Saudação.

Não está mais previsto no GOB⸫ a saudação ao Delta. Assim ela é feita apenas ao Venerável quando da entrada e saída do Oriente e às Luzes da Loja (Venerável, Primeiro e Segundo Vigilantes) quando do ingresso pela Marcha do Grau, ou se porventura esteja especificado no Ritual em vigência.

Nesse sentido e pela igualdade de ações no ato, carece-se ficar atento para não confundir um procedimento com saudação pelo Sinal. Saudar pelo Sinal é compor o mesmo em se estando à Ordem (corpo ereto e os pés em esquadria unidos pelos calcanhares). 

Assim um obreiro que estiver saudando alguém o faz compondo o Sinal Penal e imediatamente em seguida executa a pena simbólica. Dependendo do caso, volta à Ordem, caso contrário prossegue para o seu destino.

Agora existe uma regra consuetudinária nos ritos de origem francesa e particularmente no Rito Escocês que é a de que todo o obreiro que estiver em pé e parado em Loja aberta ficará à Ordem, isto é e repetindo: corpo ereto, pés em esquadria e a composição do Sinal Penal de acordo com o Grau de trabalho. 

Assim, antes de se deslocar, ou tomar assento, se for o caso, o obreiro desfaz o Sinal pela pena simbólica.

Note que o procedimento é igual, todavia o objetivo é diferente. Vamos citar, por exemplo, o Mestre de Cerimônias ao conduzir a ata para as devidas assinaturas. Ele a conduz até o destino e enquanto aguarda a assinatura, se posiciona à Ordem. Cumprido o objetivo, ele desfaz o Sinal na forma de costume, apanha o livro atas e se dirige ao outro destino.
Obviamente que o Mestre de Cerimônias não está saudando ninguém. Ele está apenas cumprindo a regra de que parado e em pé, posiciona-se à Ordem. Também aquele que estiver recebendo o livro ata não precisa se levantar e nem fazer qualquer saudação.

Como essas existem tantas outras situações cujo caso é apenas o de se cumprir o protocolo ritualístico. Isso não fica apenas na obrigação de um Oficial circulante. Por exemplo, no caso de um usuário da Palavra. Esse após ser autorizado, se posiciona à Ordem e sem desfazer o Sinal se dirige primeiramente às Luzes da Loja (isso não é saudação, porém um cumprimento protocolar) e posteriormente de maneira generalizada aos demais presentes (meus Irmãos). Ato seguido faz o seu pronunciamento e ao terminar desfaz o Sinal pela pena simbólica e toma assento novamente. 

Esse procedimento está muito longe de ser uma saudação, senão um cumprimento da praxe ritualística de um Rito. Exercitando o pensamento, encontraremos tantas outras situações que se encaixam nesse breve arrazoado.

Ainda em relação ao Sinal, encontramos a questão de que aquele que estiver empunhando, ou segurando um objeto de trabalho não faz Sinal. Aqui também o caso merece atenção. Não se faz Sinal com o instrumento, isto é, não se usa o instrumento de trabalho para com ele fazer o Sinal. 

Assim, o Mestre de Cerimônias não faz o Sinal Gutural passando o bastão no pescoço, por exemplo. Nem o Cobridor passaria a espada. Assim como o Venerável o malhete e o Hospitaleiro a bolsa. 

Para isso existem regras de se estar a rigor da Ordem com o instrumento o que não significa fazer Sinal com o objeto.

Tomando-se a regra que os objetos são sempre empunhados com a mão direita e o Sinal Penal também é sempre executado com a mão direita, é que existe a norma de não se usar o instrumento para com ele fazer Sinal. 

Da obrigatoriedade de se segurar o instrumento com a mão direita, excetuam-se a Espada Flamejante (mão esquerda no momento da consagração) e das bolsas de Propostas e de Beneficência que de maneira especial são seguras pelas duas mãos na altura da cintura pelo lado do quadril esquerdo.

Assim, se um Oficial estiver portando a espada embainhada (Expertos e Cobridores) ele faz normalmente o Sinal com a mão, o que significa que o Oficial não está usando o instrumento de ofício para com ele executar o Sinal.

Ainda complementando, no caso do Mestre de Cerimônias na condução de objetos, não o bastão, esse deve usar o bom senso. Sendo possível estes devem estar seguros pela mão esquerda para que na eventualidade dele precisar compor o Sinal tenha a sua mão direita livre. Isso se aplica inclusive para o Segundo Grau, onde o importante é a mão direita que executa a pena cordial. A esquerda nesse caso, pode ser perfeitamente dispensada já que ela estará ocupada pelo ofício da condução de objeto(s). 

Como a questão é de bom senso, sempre que possível e a cena não possa parecer ridícula, o ideal mesmo é que o Mestre de Cerimônias transporte objetos ocupando as duas mãos, desde que esse mistér não seja um minúsculo bilhete. Enfim, sempre está disponível um bolso para o caso.

Perdoe pela prolixidade do texto, porém entendo que explicações sem um embasamento, tendem mais a aumentar as dúvidas do que saná-las. Também não sou daqueles que simplesmente dizem: “pode”, “pode sim”, “não é assim”, “faça assim”, etc. Até porque não faço uso desse palavreado nos meus textos, em respeito, sobretudo pela fraternidade que nos une e pela observação da boa educação.

T.F.A.
PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
Fonte: JBNews n. 810, 14/11/2012

A ÉTICA NA MAÇONARIA

Ir∴ Paulo Jorge Costa

I – INTRODUÇÃO

A origem da palavra ética vem do grego "ethos", que quer dizer “o modo de ser”, ou “o caráter”. Os romanos traduziram o "ethos" grego, para latim "mos" (ou no plural "mores"), que significa costume, hábito, ou regra, de onde então vem a palavra moral. Tanto "ethos" (caráter) como "mos" (costume) indicam um tipo de comportamento propriamente humano que não é natural, ou seja, o homem não nasce com ele como se fosse um instinto, mas que é adquirido ou conquistado pelo hábito. Portanto, ética e moral, pela própria etimologia, dizem respeito a uma realidade humana que é construída histórica e socialmente a partir das relações coletivas dos seres humanos na sociedade onde nascem e vivem.

Mas, afinal, o que é ética?

Ética é a parte da filosofia que estuda os valores morais e os princípios ideais da conduta humana. É a ciência que tem por objeto o estudo científico e filosófico sobre os costumes ou as ações humanas, ou, em resumo, é o estudo do comportamento moral dos homens em sociedade.

A ética é um campo de estudo que busca direcionar as relações entre os seres humanos e seu modo de ser, pensar e, principalmente, de agir dentro de um determinado contexto: comportamento ético é aquele que é considerado adequado, correto e permitido por uma organização.

Uma vez estabelecidos os princípios éticos que regem os comportamentos dos membros de uma determinada organização (social, política, profissional ou outras), pode-se então, naquele contexto, saber e distinguir entre o certo e o errado (o que pode ou não pode ser feito).

Logo, questões do tipo: “O que é certo? Qual o meu dever? O que devo fazer?” pertencem exclusivamente ao aspecto causal da busca do padrão ético e devem levar às respostas: se as ações são boas, com certeza terão bons efeitos.

A vida humana é essencialmente convívio. É justamente na convivência, na vida social e comunitária, que o ser humano se descobre e se realiza enquanto um ser moral e ético. É na relação com o outro que surgem os problemas e as indagações morais: O que devo fazer? Como agir em determinadas situações? Como comportar-me perante o outro? Diante da corrupção e das injustiças, o que fazer?

Portanto, constantemente no nosso cotidiano encontramos situações que nos colocam problemas morais. São problemas práticos e concretos da nossa vida em sociedade, ou seja, problemas que dizem respeito às nossas decisões, ações, escolhas, e comportamentos, os quais exigem uma avaliação, um julgamento, um juízo de valor entre o que socialmente é considerado bom ou mau, justo ou injusto, certo ou errado.

II - A ÉTICA NA MAÇONARIA

Mas, como é falar de ética na Maçonaria ?

A Maçonaria é uma Ordem Universal, formada por homens de todas as raças, credos e nacionalidades, acolhidos por iniciação e congregados em lojas, nas quais, por métodos ou meios racionais, auxiliados por símbolos e alegorias, se estuda e se trabalha para construção da Sociedade Humana.

A Maçonaria proclama que se deve lutar pelo princípio da equidade, dando a cada um o que for justo, de acordo com sua capacidade, obras e méritos, além de considerar o trabalho lícito e digno como dever primordial do homem.

A ética maçônica tem por fundamento os conceitos de liberdade, igualdade e fraternidade como máxima no relacionamento humano, a concretização ou realização dos valores do homem iniciado maçom e observância das regras morais tradicionais ou inscritas nos rituais e regulamentos maçônicos.

A Maçonaria não dispõe de um “Código de Ética” que possa constituir um compromisso de honra para os que aceitam ingressar em nossa Ordem, e todos sabem que, ao ingressar na Maçonaria, cada indivíduo traz consigo os valores do seu convívio social, suas concepções morais e éticas já elaboradas, o que pode provocar na convivência maçônica comportamentos aéticos, a exemplo das omissões, das disputas pelo poder, perseguições, malversação dos conhecimentos e da doutrina maçônica, excessos no uso da inteligência e da desinteligência e as mais variadas formas de indisciplina e inadaptabilidades às regras maçônicas, causando o enfraquecimento do sentido de unidade do corpo social.

A singularidade da ética maçônica nos permite dar um passo à frente. Preliminares do simbolismo e dos instrumentos maçônicos, as atitudes e os gestos ritualísticos estão a demonstrar o caminho a ser trilhado pelo maçom. A eles aditem-se, ainda, as Constituições Gerais da Ordem, os Landmarks, as Leis e Regulamentos específicos das Lojas. Então, aí temos quase que definidos um conjunto de regras de conduta válidas para todos os tempos e para todos os homens que adentraram pelos portais iniciáticos das cerimônias e ritualísticas maçônicas. E é a este conjunto prático-moral que se submete o maçom, sem muitas reflexões sobre ele.

O problema em sua saga ética e moral reside, basicamente, no que fazer ou em como se comportar frente a cada situação concreta do indivíduo na sociedade, se não existe um código de ética maçônico como escopo social que possa tipificar as condutas e registrar as violações às regras estabelecidas. É comum que em situação de tomada de decisão, os indivíduos se defrontem com a necessidade de pautar o seu comportamento por normas que julgam mais apropriadas ou mais dignas de serem cumpridas e é aí que as regras maçônicas vão para as laterais das regras sociais vigentes.

A abordagem de um assunto tão complexo exige algumas premissas, que, embora verdades incontestáveis, podem ser, muitas vezes, esquecidas, em benefício de interesses pessoais de momento.

A primeira premissa esclarece que a Maçonaria é uma fraternidade.

O substantivo fraternidade designa o parentesco de irmãos, o amor ao próximo, a harmonia, a boa amizade, a união ou convivência como de irmãos. Isso leva à conclusão de que, na organização designada genericamente como Maçonaria, definida como uma fraternidade, deve prevalecer a harmonia e reinar a união e convivência como de irmãos.

A segunda premissa afirma que a Maçonaria, como uma fraternidade, deve ser uma instituição fundamentalmente ética.

O substantivo ética designa a reflexão filosófica sobre a moralidade, ou seja, sobre as regras e códigos morais que orientam a conduta humana. Refere-se também à parte da filosofia que tem por objetivo a elaboração de um sistema de valores e o estabelecimento dos princípios normativos da conduta humana, segundo esse sistema de valores.

Sendo a Maçonaria, até pela sua definição, uma organização ética, devem ser rígidos os códigos de moral e alto o sistema de valores que orientam a conduta entre maçons.

Todos os códigos maçônicos ressaltam a importância dos valores éticos entre maçons. Isso está bem evidente em disposições inseridas em textos constitucionais, as quais, com pequenas variações de Obediência para Obediência, afirmam que, entre outros, são deveres do maçom:

"Reconhecer como Irmão todo maçom e prestar-lhe a proteção e ajuda de que necessitar, principalmente contra as injustiças de que for alvo”;

“Haver-se sempre com probidade, praticando o bem, a tolerância e a fraternidade humana".

E completam, destacando que:

"Não são permitidas polêmicas de caráter pessoal nem ataques prejudiciais à reputação de Irmãos, nem se admite o anonimato".

A ética, todavia, não fica restrita apenas às relações entre maçons, mas também às destes com as Obediências que os acolhem, principalmente nas referências a estas, ou aos seus dirigentes, em textos escritos. Isso está bem caracterizado no dispositivo legal, que admite ser direito do maçom:

"Publicar artigos, livros, ou periódicos que não violem o sigilo maçônico nem prejudiquem o bom conceito do Grande Oriente".

A Maçonaria deve ser exemplo de moral e de ética. Afinal de contas, ela afirma, em todas as suas Cartas Magnas, que:

"A Maçonaria pugna pelo aperfeiçoamento moral, intelectual e social da humanidade, por meio do cumprimento inflexível do dever, da prática desinteressada da beneficência e da investigação constante da verdade. (...) Proclama que os homens são livres e iguais em direitos e que a tolerância constitui o princípio fundamental nas relações humanas, para que sejam respeitadas as convicções e a dignidade de cada um".

Nem sempre, porém, isso acontece. A Instituição maçônica, doutrinariamente, é perfeita, mas os homens são apenas perfectíveis. Procuram se aperfeiçoar, mas muitos nem sempre conseguem o seu intento, mesmo depois de muitos e muitos anos de vida templária, persistindo nas atitudes aéticas e antiéticas, que lhes enfraquecem o espírito e assolam o ideal de solidariedade, de moral e de respeito à dignidade humana.

Os ensinamentos maçônicos são fundamentalmente éticos. A Maçonaria fomenta o desenvolvimento do homem através do aperfeiçoamento moral.

Quando a Maçonaria utiliza a Bíblia como sendo o seu Livro da Lei, está implícito que os ensinamentos do Grande Arquiteto do Universo, que são extremamente éticos devem ser acatados e praticados por todos os maçons.

Nas Constituições, Estatutos e Regulamentos Maçônicos, também encontramos postulados éticos que norteiam a Atitude Maçônica.

A Maçonaria defende, por exemplo, que um maçom só pode favorecer outro maçom numa situação incontestavelmente ética. Não podemos favorecer um maçom em detrimento de outra pessoa. Ou seja, se o mérito for do outro, o direito é do outro. Só em igualdade de condições podemos favorecer um irmão.

O RGF – Regulamento Geral da Federação do Grande Oriente do Brasil estabelece, como um dos deveres da Loja:

“Empenhar-se no aperfeiçoamento dos seus Membros nas áreas de Filosofia, Simbologia, História, Legislação Maçônica, Ética e Moral e promover o congraçamento familiar maçônico”.

Em muitos outros momentos de seus rituais, nos vários graus dos estudos maçônicos, são focalizados princípios que fundamentam a Ética Maçônica: juramentos de aceitação, de obediência e de sigilo; compromissos de fidelidade, de solidariedade e de ajuda mútua; e tantos outros, todos com o mesmo escopo: a Maçonaria é uma Escola de Aperfeiçoamento Moral.

A verdade e a virtude são os dois pólos de uma única busca que caracteriza a via ética de natureza iniciática. Adicionalmente, também se pode dizer que a busca da verdade já é uma das virtudes do maçom. O caminho para a prática da virtude se inicia no rito de iniciação e se desenvolve através dos trabalhos ritualísticos em Templo. Um caminho que é gradualmente percorrido na busca do aperfeiçoamento individual, no qual os princípios éticos devem ser praticados, tanto em Loja quanto no mundo profano.

Depende da vontade de cada um praticar a virtude. Para a Maçonaria, a virtude é a disposição habitual para o bem e para o que é justo e, por isso, nela vê a prova da perfeição e o próprio ideal do maçom.

Por isso, ela nos ensina, em seus Rituais, que devemos “levantar templos à virtude e cavar masmorras ao vício”.

A Ética maçônica não reduz a noção do bem só ao maçom como indivíduo ou aos demais membros da Ordem, mas se amplia e envolve toda a humanidade. Daí podermos dizer que a maçonaria se volta, de maneira sempre progressiva, ao bem comum, ao bem concreto, atual e futuro de todos os homens, independente de quais sejam as suas culturas, países, etnias ou religiões.

A vida do maçom envolve o seu trabalho em Loja e a sua atuação no mundo profano, no qual a sua postura deve ser profundamente ética e tolerante.

III – CONCLUSÃO

Um dos maiores desafios para um maçom é honrar e representar a instituição no desempenho de suas atividades como homem, profissional, cidadão e chefe de família, pois deve ser exemplo de postura ética e moral numa sociedade excessivamente individualista e voraz, onde o TER a todo momento procura absorver o SER numa luta desigual e numa competição desenfreada, incompreensível e desumana. Uma sociedade em que valores familiares nem sempre são considerados, onde a honestidade, a honradez e a correção de conduta muitas vezes são tidas como práticas ultrapassadas.

Os maçons devem dar exemplos de moral, de ética e de virtudes. Afinal nossa sublime Instituição afirma ser educativa, filantrópica e filosófica, que tem por objetivo os aperfeiçoamentos moral, social e intelectual do Homem por meio do culto inflexível do dever, da prática desinteressada da beneficência e da investigação constante da verdade.

Há bem pouco tempo, os maiores inimigos da Maçonaria eram agentes externos. Governos ditatoriais e o clero, de tempos em tempos, desferiam ataques contra nossa Instituição. E não podemos dizer que tudo isso passou, pois persistem ataques da ignorância e do preconceito, somados aí extremistas de algumas crenças, ou mesmo sem crença nenhuma, que trazem discursos inflamados de ódio contra o “Demônio”, com quem frequentemente nos relacionam. A multidão que os segue encontra, em seus templos e livrarias, uma infinidade de livros e artigos que destilam mortal veneno contra a Maçonaria. Livros esses que podem ser encontrados até mesmo nas livrarias comuns das grandes cidades.

Mas atualmente, infelizmente, os mais mortais inimigos da Maçonaria são os próprios maçons. Falo dos maçons mal selecionados, os não convictos e os despreparados, que trazem perigo constante à nossa instituição. A falta de estudo e instrução maçônica produz maçons que desconhecem a Ordem, verdadeiros profanos de avental. O desconhecimento da filosofia produz a ausência de autodisciplina, dificulta ou impede a reforma interior. Com isso, prevalecem a vaidade, o orgulho, a arrogância, a indulgência, a presunção, a preguiça. Alguns maçons se dão ao luxo de descumprir as Leis e os Regimentos Internos, sem falar no desprezo aos Rituais.

Por esta razão, espera-se que o maçom reitere seu juramento com sua presença nas reuniões maçônicas e se dedique, de corpo e alma, não somente ao estudo do simbolismo e da filosofia maçônica, mas também à prática da moral, da igualdade, da solidariedade humana e da justiça, em toda a sua plenitude.

Acreditamos que padrões éticos devem ser restabelecidos rapidamente entre os maçons para que sua influência possa frutificar. Deve-se começar a falar de ética. Deve-se voltar a estudar e recuperar o verdadeiro sentido das coisas.

Deve-se, enfim, divulgar pelos meios disponíveis, mas, sobretudo, cobrar de nossos irmãos em cargos de poder uma conduta ética que se transforme em exemplo para todos, profanos e iniciados, e trabalharmos sempre com Amor e Tolerância, e visando ao bem da Fraternidade.

Este deve ser o modo natural de agir do maçon, que deve ter nos princípios fundamentais da Ordem, os maiores princípios éticos que embasam sua conduta diária.

A cada reunião, reafirmamos que aqui estamos para cavar masmorras ao vício e levantar templos á virtude, e é isso, verdadeiramente, que chamamos de transformar a pedra bruta em pedra polida. Nesta luta não há lugar para os fracos. Qualquer que seja nossa luta interna, enfrentemos e seremos verdadeiramente construtores de um novo mundo.

Finalizo este trabalho, conclamando todos os irmãos a enfrentar com coragem os desafios cotidianos, a não esmorecer no empenho da justiça social, reconhecendo em cada pessoa a dignidade divina.

Fonte: http://goeam.com.br

domingo, 25 de setembro de 2022

SUBSTITUIÇÃO E TRATAMENTO DE VENERÁVEL

(republicação)
O Respeitável Irmão Fernando José Silveira, Chanceler da Loja Porphyrio Sécca, 1.592, GOB-GOB/RJ, sem declinar o nome do Oriente (Cidade), Estado do Rio de Janeiro, apresenta a seguinte questão: fernandounirio@hotmail.com

Antes de tudo gostaria de parabenizá-lo pelo brilhante trabalho na revista ‘A Trolha’. Respeitável Irmão, esta semana fui interpelado por um Irmão sobre alguns itens da Ritualística (REAA/GOB), mas que, de certa forma, também entram pela legislação maçônica. Sabemos pelo RGF, que o Irmão 1º Vigilante é o substituto legal do Venerável Mestre quando de sua ausência (RGF Art. 120). Mas, na ausência do Venerável Mestre e do 1º Vigilante, quem é o substituto legal? O Irmão 2º Vigilante? O RGF não traz esta indicação. No caso de os Irmãos 1º e 2º Vigilantes faltarem, quais Irmãos devem ocupar as Vigilâncias? Fui instruído, desde Aprendiz Maçom que, na ausência do Venerável Mestre, o Irmão que ocupar o Trono de Salomão deve ser tratado por ‘Irmão Venerável’. No caso de um Mestre Instalado ocupar o Trono de Salomão momentaneamente, ele deve ser tratado por Irmão Venerável ou por Venerável Mestre?

CONSIDERAÇÕES:

Bem com essas faltas todas entendo que por primeiro dever-se-ia perscrutar o problema sério existente na Loja.

O Primeiro Vigilante substitui o Venerável Mestre em caráter precário. Em uma Sessão Magna de Iniciação, Elevação ou Exaltação, se o Primeiro Vigilante não possuir o título de Mestre Instalado, o mais recente (M⸫I⸫) assume para a consagração e uso da Espada Flamejante.

No caso do Primeiro Vigilante assumir em carácter precário o posto do Venerável, assume em seu lugar o Segundo Vigilante que, por sua vez será substituído pelo Primeiro Experto. 

Na falta dos dois Vigilantes, por primeiro é um verdadeiro “abacaxi” para o Venerável. Devem então assumir precariamente o cargo dos Vigilantes os Primeiro e Segundo Expertos, apesar de que uma Loja que enfrente essas ausências, talvez nem mesmo tenha no seu quadro o cargo preenchido pelos Expertos. Nesse caso, como dito, o melhor mesmo é verificar a condição de existência legal dessa Loja.

Mesmo em substituição precária, quem assume no momento o posto é tratado pelo título do cargo. Assim, quem estiver dirigindo os trabalhos é tratado de Venerável Mestre, bem como os que estiverem substituindo Vigilantes, serão tratados como Vigilantes. Ocupou o cargo, mesmo que seja temporário, é tratado pelo título do ofício.

Nem tudo está escrito nos Regulamentos, e advêm das tradições, usos e costumes, assim como os Landmarks. Dentre os verdadeiros Landmarks um deles é o de que uma Loja é dirigida por três Luzes. Em se levando em conta que um Landmark para fazer jus ao título, tem que ser espontâneo, imemorial e universalmente aceito, muitas vezes ele está sutilmente inserido nos regulamentos da Moderna Maçonaria.

Em Maçonaria, não raras vezes, as concepções carecem de uma busca acurada no mosaico histórico. Regulamentos de Obediências geralmente regulam superficialmente os procedimentos. 

Assim, o Maçom precisa de muito mais do que regulamentos para entendê-la na sua essência, sobretudo porque a Sublime Instituição é universal nos três Graus, todavia nela, povoam inúmeros ritos e trabalhos maçônicos com suas próprias características e cultura.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JBNews n. 807, 11/11/2012

O PAVIMENTO DE MOSAICO

A três passos da porta, que se encontra no Ocidente, estão situadas as duas colunas, J. e B., emblema dos dois princípios e dos pares de opostos que dominam o mundo visível. A atividade combinada destes dois princípios aparece manifestadamente no pavimento de mosaico em ladrilhos brancos e negros, que se estendem desde a base das colunas em direção ao Oriente, igualmente em forma de quadrilongo, ocupando o centro do Templo.

O pavimento de mosaico é um belo emblema da multiplicidade engendrada pela dualidade, constituída pelos pares de opostos que se encontram constantemente um perto do outro; o dia e a noite, a obscuridade e a luz, o sonho e a vigília, a dor e o prazer, as honras e as calúnias, o êxito e a desilusão, a sorte e o azar, etc. Sobre estes opostos, que se encontram em todos os caminhos e em todas as etapas de nossa existência, o iniciado que tenha provado da Taça da Amargura deve marchar com ânimo sereno e igual, sem deixar-se exaltar pelas condições favoráveis nem reprimir-se pelas aparências desfavoráveis.

Por cima desta visão dualista da vida formada por pares opostos, levanta-se a ara ou Altar (etimologicamente "altura" ou elevação), símbolo da elevação de nossos pensamentos, por meio do qual percebemos a realidade transcendente que se esconde sob a aparência contraditória, e atingimos o conhecimento da palavra, ou seja da Verdade, que é o propósito intimamente benéfico de toda experiência, sempre compreendida como útil ao nosso progresso e benefício mais verdadeiro.

As três luzes que se encontram sobre o altar, formando um triângulo equilátero, representam a necessária relação, que deve existir em nossa inteligência, entre a dualidade ocidental (ou fenomênica) das colunas e a Unidade Oriental da Verdadeira Luz, por meio da qual se realiza o ternário da harmonia e do perfeito equilíbrio, sobre todos os extremos e as tendências dualistas.

Entre estas luzes tem seu lugar mais conveniente o livro sagrado, símbolo da Verdade que se encerra na tradição, uma vez que saibamos convenientemente interpretá-la por meio de nossas faculdades inteligentes, representadas pelo esquadro e o compasso que são colocados sobre esse livro para que possamos realmente compreendê-lo e medi-lo em toda a sua extensão.

Fonte: http://espacodomacom.blogspot.com

sábado, 24 de setembro de 2022

DÚVIDA NO GRANDE SINAL - SIN⸫ DE H⸫

(republicação)
Em 01/11/2017 o Respeitável Irmão André Ricardo Ferraz Roque, Loja Barão do Rio Branco, 03, REAA, GOEPE (COMAB), Oriente de Arcoverde, Estado de Pernambuco, formula a seguinte questão:

DÚVIDA SIN⸫ DE H⸫

Gostaria de tirar uma dúvida a respeito do Sin⸫ de H⸫ do Mestre Maçom do REAA.

Sabemos que o referido sinal é feito[1]. Dúvida é: devemos fazer este gesto de (...) apenas uma vez ou por 03 vezes?

CONSIDERAÇÕES:

Suprimi a descrição do Sin⸫ na questão por razões óbvias.

Esse Sin⸫ também se origina na da Lenda do Terceiro Grau, mais especificamente na interpretação teatral quando o Rei se certifica do ocorrido pelo desaparecimento de Hiran Abif. 

Na narrativa, Salomão ao constatar o fato, demonstrando surpresa e indignação, gesticula e exclama por três vezes seguidas expressando o seu doloroso lamento. É desse trecho da narrativa que surgiu o Sin⸫ de H⸫, repetido por três vezes consecutivamente no momento apropriado.

Durante a tríplice execução e exclamação do Grande Sinal, concomitantemente a cada execução e exclamação, se dá de modo uníssono, por três vezes e na forma de costume, a bateria sobre o a⸫ (3 + 3 + 3).

Destaque-se que o Sin⸫ de H⸫ será sempre executado de conformidade com a narrativa da lenda. No caso relacionado à questão, a lenda é descrita para o REAA⸫, cujo mesmo é oriundo da vertente francesa de Maçonaria (deísta). 

Assim, é oportuno mencionar que por existirem descrições variáveis da lenda conforme a vertente maçônica (francesa ou inglesa), o Grande Sinal, ou Sin⸫ de H⸫ pode também se diferenciar em alguns aspectos entre os Ritos, ou Trabalhos (workings).

Bem, eu gostaria de comentar muito mais a respeito, entretanto é melhor não entrar em detalhes devido ao “up roar” que pode porventura aparecer causados por puristas que geralmente se mostram indignados com os meus comentários. 

Tudo como se estivesse eu a revelar segredos; segredos esses que provavelmente nem mesmo eles saberiam reconhecer.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com.br
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

MAÇONS FAMOSOS

INICIAÇÃO MAÇÔNICA DE LÉO CAMPION

LÉON LOUIS OCTAVE CAMPION (Paris, 1905 - Paris, 1982). Artista multifacetado, escritor, cantor, ator, humorista, comediante e cartunista. Como desenhista tinha um traço de lápis muito peculiar. De 1930 a 1936, ele exerceu seus talentos como cartunista para o jornal de Bruxelas "Le Rouge et le Noir" enquanto iniciava sua carreira como compositor. Na década de 1940 trabalhou como ator, gerente de cabaré e produtor. Nos anos 1950, tornou-se diretor do "Caveau de la République" (1951-1953) e do "Tabou" (1952-1953), onde se apresentou com Pierre Dac. Produtor da Rádio Televisão Francesa (RTF) entre 1951 e 1961, apresentou o “Cabaret du Soir” na rádio e participou da novela “Signé Furax”. Em 1937, filiou-se à Loja La Clémente Amitié (Grand Orient de France). Atingiu o Grau 33º do Rito Escocês Antigo e Aceito.

INICIAÇÃO MAÇÔNICA: 7 de abril de 1930 (Segunda-feira).

Loja: Philanthopes Les Amis, Bruxelas, Bélgica.

Idade: 25 anos.

Oriente Eterno: Faleceu aos 86 anos de idade.

Fonte: famososmacons.blogspot.com

PORQUE SÃO SECRETOS OS RITUAIS MAÇÓNICOS

Paulo M.

Como se disse já, a Maçonaria tem apenas três tipos de segredos: os rituais, os meios de reconhecimento e a identidade dos seus membros. Debrucemo-nos hoje sobre os rituais.

Recordo claramente o "ritual" de início de cada dia de escola: entrávamos todos em fila, ordeiramente e em silêncio, colocávamo-nos em locais pré-determinados, respondíamos à chamada, preparávamos os instrumentos de trabalho (a caneta e o caderno diário) e escrevíamos o local e a data do dia, seguidos do sumário; depois disso, cada um tinha procedimentos a seguir - se, por exemplo, pretendia falar, tinha que levantar o braço - bem como tinha variadas limitações à sua ação - não podíamos levantar-nos sem autorização, por exemplo.

Identicamente, os rituais maçónicos determinam e regulam uma série de acontecimentos que sucedem durante uma reunião (a que os maçons chamam "sessão"), no sentido de conferir alguma ordem aos trabalhos - precisamente do mesmo modo que numa sala de aula. Assim, fazem parte dos rituais procedimentos meramente administrativos como o são a chamada ou a leitura da ata da sessão anterior. Estes procedimentos nada têm de secreto, e poderia dizer-se que só não se referem por não o merecerem, de tão enfadonhos que são...

Por outro lado, os rituais também são uma espécie de "peças de teatro", no sentido em que há vários "atores" com "falas" e ações bem definidas e pré-determinadas. Estas ações são um pouco mais elaboradas do que é costume noutras circunstâncias do nosso dia-a-dia, e muito do que se diz e faz é simbólico. O simbolismo, em si, não é oculto; já o significado que lhe é atribuído em determinado contexto pode sê-lo. Há coisas que estão à vista desde o primeiro dia em que se entra num templo maçónico e que nunca são explicadas, antes sendo deixadas - como tantas outras - à interpretação e interiorização de cada um. De outras é dada uma explicação em determinado contexto, como na cerimónia de Iniciação - em que se passa de Profano a Aprendiz - na passagem de Aprendiz a Companheiro, ou na de Companheiro a Mestre. Esses "rituais secretos" nada têm de interessante para quem esteja fora do contexto. Imaginem um músico a assistir a uma secretíssima reunião de alta finança num banco; ou uma pessoa como eu, avessa a futebol, a assistir às secretíssimas reuniões do Mourinho com a sua equipa em vésperas de um grande jogo... Para essas pessoas, pouca ou nenhuma valia teria esse conhecimento.

Então porquê o secretismo? Por uma razão: porque, para aqueles a quem interessa, há um momento certo para se saber. E porque é que há esse "momento certo", e não se pode saber logo? Procurei um bom paralelismo que o explicasse, e creio que o encontrei: imaginem-se a ler um bom livro policial, daqueles bem elaborados; ou a ver um bom filme de suspense. Agora imaginem que alguém chega, e vos diz: "Ah, conheço, já vi, foi o mordomo na biblioteca com o candelabro." Pior: imaginem que vo-lo dizem mesmo antes de iniciarem o livro ou o filme. Acham que irão retirar o mesmo prazer, ler com o mesmo empenho, analisar com o mesmo estímulo? Claro que não. A experiência ficou arruinada pelo conhecimento prévio. O mesmo se passa com os rituais maçónicos. Por isso se recomenda a quem pretenda ingressar a Maçonaria que não leia, não procure, não se informe. Mas, se o fizer, apenas a si mesmo se prejudica - na mesma medida de alguém que, sorrateiramente, ludibriando-se a si mesmo, ardendo de curiosidade, fosse ler as últimas páginas do tal romance policial.

Por isso, e se não pretendem alguma vez ser admitidos na Maçonaria - ou se pretendem mas querem garantir que a experiência fique irremediavelmente arruinada - então basta procurarem que, com o auxílio do nosso "amigo" Google, terão, com alguma diligência e arte, acesso a dezenas de versões de rituais maçónicos de diversas épocas, locais e obediências.

Encontrarão também, se as procurarem, partituras de obras musicais famosas, e mesmo vídeos das mesmas. Mas - ah! - só quem já cantou num coro ou tocou numa orquestra sabe o quão diferente é estar de fora a ver, ou participar de dentro. Tentem que vos expliquem a diferença, e serão unânimes: "não dá para explicar, tens que viver a experiência para a compreenderes". Com um ritual maçónico - já o adivinharam - passa-se o mesmo. Não se explica, não se revela, não se estuda - vive-se, ou não se entende.

Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br

sexta-feira, 23 de setembro de 2022

SAUDAÇÃO NA TRANSMISSÃO...

(republicação)
Questão apresentada pelo Respeitável Irmão Manoel V. B. Corrêa, membro da Loja Fênix da Luz, 3671, GOB, sem declinar o nome do Oriente (cidade) e Estado da Federação. 
mavibraco@uol.com.br

Ocorreu em nossa Loja durante uma Sessão Ordinária do REAA uma dúvida de procedimento que passo a consultar: No encerramento ritualístico, quando da transmissão da Palavra Sagrada e quando o 1º Diácono sobe os degraus do Trono, o mesmo deve fazer a saudação e receber a Palavra à Ordem ou não?

CONSIDERAÇÕES:

Como os trabalhos ainda estão abertos, o Primeiro Diácono sobe os três degraus do sólio pela direita do Venerável e o aborda. O Venerável que estará à Ordem (o malhete fica sobre o altar) vira-se de frente para o Diácono. O Diácono por sua vez ao chegar diante do Venerável se posiciona à Ordem. Ambos para a sequência do ato desfazem o Sinal e é procedida a transmissão da Palavra pelo Venerável ao Diácono. 

Nessa transmissão, não existe a troca de letras ou sílabas se for o caso. Quem transmite a transmite por inteiro (letra por letra ou sílaba por sílaba). Esse procedimento não pode ser confundido com telhamento e a dita transmissão e recebimento envolvem apenas Mestres. 

A questão também não é puramente de saudação, porém de procedimento. Existe uma regra que em Loja aberta o obreiro que estiver em pé e parado, fica à Ordem. Assim, o Diácono ao parar diante do Venerável, se posiciona imediatamente à Ordem, enquanto que o Venerável que já o aguarda também estará à Ordem. 

Ocorre que para o ato de se transmitir e receber a Palavra e por questão de postura e conforto, desfaz-se o Sinal na forma de costume. Transmitida a Palavra, volta-se à Ordem novamente. 

Como o Diácono precisa romper a marcha em direção ao Primeiro Vigilante, atendendo também a regra de que não se anda com o Sinal, este o desfaz para o cumprimento da missão.

Na verdade, o que sanaria esse pequeno embrolho seria se corretamente fosse usado o método tradicional que infelizmente ainda não está no Ritual, porém será proposto. A maneira correta de se transmitir a Palavra é pelo toque. 

Assim aquele que necessite receber a Palavra no ato da transmissão, daria o toque na forma de costume para recebê-la.

É também oportuno salientar que muitas Lojas ainda procedem à transmissão de maneira totalmente equivocada quanto ao posicionamento dos protagonistas no Altar ocupado pelo Venerável. 

Infelizmente por interpretação errada, alguns insistem em abordar o Venerável pela frente do Altar para receber a Palavra. Além de incômodo e inconveniente (imagine Lojas que ainda usam velas), essa não é a forma correta. 

A transmissão da Palavra se dá sempre pela direita do Venerável e dos Vigilantes. Se assim não fosse, o Ritual do GOB, por exemplo, não indicaria que o Primeiro Diácono deva subir os degraus do sólio pelo lado norte. 

Para os nossos Irmãos teimosos é preciso esclarecer que os protagonistas ficam de frente um para o outro e assim as Luzes da Loja é que se viram de frente para os Diáconos. Isso para não se falar do espaço muitas vezes limitado pelas dimensões adequadas de um Templo.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JBNews n. 806, 10/11/2012

A VIDA DE SAMUEL JOHNSON, DOUTOR EM LEIS

SAMUEL JOHNSON nasceu em Lichfield em 1709 e foi educado na Lichfield Grammar School e, por um curto período, no Pembroke College, em Oxford. Em 1735 ele se casou com Elizabeth Jervis Porter e em 1737 mudou-se para Londres. Lá, ele se tornou um colaborador regular da revista Gentleman’s Magazine, mas lutou para ganhar a vida escrevendo. Seu Londres: Um Poema em Imitação da Terceira Sátira de Juvenal foi publicado anonimamente em 1738 e atraiu alguma atenção. De 1750 a 1752 ele publicou o Rambler, um periódico escrito quase inteiramente por ele mesmo, e consolidou sua posição como notável ensaísta moral com cerca de vinte e cinco ensaios no Adventurer.

Quando seu Dicionário da Língua Inglesa foi publicado em 1755, Johnson assumiu as proporções de um monarca literário na Londres de sua época. Na necessidade de dinheiro para visitar sua mãe doente, ele escreveu Rasselas (1759) supostamente nas noites de uma semana, terminando alguns dias após a morte de sua mãe. Em 1763, Boswell tornou-se seu seguidor fiel e é principalmente devido a ele que devemos nosso conhecimento íntimo de Johnson. A última grande obra de Johnson foi “Vidas dos Poetas”. Ele morreu em dezembro de 1784.

Sub biografia que publicamos hoje na Amazon.com tem mais de 1000 páginas e cobre praticamente todo o século XVIII, justamente o século em que a Franco-Maçonaria se desenvolveu na Inglaterra.

Ele tinha o perfil certo para ser um membro da Ordem, porém sua biografia não nos autoriza a considera-lo um maçom. Ele fundou e era membro de diversos CLUBES LITERÁRIOS que tinham características muito semelhantes às lojas maçônicas, mas não há menção de uma filiação a alguma loja. Eles se reuniam e jantavam juntos, pagavam mensalidades e só se entrava por recomendação.

Em todo o livro, aparecem apenas três menções da Maçonaria, sem qualquer destaque, o que nos leva a pensar até que ponto a visão da importância da Maçonaria durante os anos de seu desenvolvimento não é exagerada. Johnson conhecia deus e todo mundo em Londres, privava da companhia do Rei e dos aristocratas e, mesmo assim, não se nota seu envolvimento.


O autor da biografia, James Boswell (1740-1795) foi advogado, diarista e autor nascido em Edimburgo. Ele é mais conhecido como o biógrafo de Samuel Johnson. Boswell é conhecido por tomar notas vorazes na grande turnê da Europa que ele tomou como um jovem nobre e, posteriormente, de sua turnê pela Escócia com Johnson. Ele também registrou reuniões e conversas com indivíduos eminentes pertencentes ao ‘The Club’, incluindo David Garrick, Edmund Burke, Joshua Reynolds e Oliver Goldsmith.

Também ele, que pertencia à família do primeiro maçom especulativo a ser iniciado na Escócia, em 1600, John Boswell, o Terceiro Laird of Auchinleck, não demonstra pertencer à Maçonaria. De duas uma, ou ele era ultra-discreto ou talvez por não se dar bem com seu pai, não tenha ingressado na Maçonaria.
Resenhas:

“De certa forma, o retrato A vida de Johnson como um herói moral começa no mito… À medida que a história biográfica se desenrola, é claro, essa imagem se dissolve e surge a figura de um Johnson infinitamente mais complexo e heroico, cuja sabedoria moral é conquistada através de uma luta constante com o desespero, cuja sanidade moral é equilibrada por excentricidades pessoais visíveis demais para serem ignoradas. e cuja penetração moral deriva de seu próprio senso de auto-engano trágico. No entanto, a imagem nunca se dissolve completamente, pois no final percebemos que sempre houve uma verdade essencial no mito, que a imagem idealizada e desencarnada de Johnson existia na mente de seu público… Desta forma, o mito serve para expandir e autenticar a imagem mais complexa de Johnson “(William Dowling )

“Boswell escreveu um bom livro porque tinha um coração e um olho para discernir a sabedoria e uma expressão para revelá-la; devido à sua percepção livre, seu talento vivo, acima de tudo, de seu amor e espírito aberto infantil. Suas bajulações furtivas, sua ganância e sua frieza, o que quer que fosse bestial e terrestre nele são tantas falhas em seu Livro, que ainda nos perturbam em sua clareza; obstáculos completos, não ajuda. Para Johnson, no entanto, seu sentimento não era a bajulação, que é o mais baixo, mas a reverência, que é o mais elevado dos sentimentos humanos.[21] Aquela obra de aparência descuidada e displicente é como uma foto de um dos artistas da própria Natureza; a melhor semelhança possível de uma realidade; como a própria imagem em um espelho claro. O que de fato era: deixe que o espelho seja claro, este é o grande ponto. a imagem deve e será genuína. Como o balbuciante Bozzy, inspirado apenas pelo amor, e o reconhecimento e visão que o amor pode emprestar, sintetiza todas as noites as palavras da Sabedoria, os feitos e aspectos da Sabedoria, e assim, pouco e pouco, inconscientemente trabalham juntos para nós uma Johnsoniada inteira, um retrato mais livre, perfeita, iluminada pelo sol e de espírito que durante muitos séculos fora atraída pelo homem do homem! ” (Thomas Carlyle)

Fonte: https://bibliot3ca.com

quinta-feira, 22 de setembro de 2022

O TERNO x O BALANDRAU

(republicação)
Em 29/10/2017 o Respeitável Irmão Fredison Martins, Loja Acácia Paulistanense, 3.221, REAA, GOB-PI, Oriente de Paulistana, Estado do Piauí, solicita a seguinte informação:

USO DE BALANDRAU

Gostaria de receber orientações a respeito do uso do Balandrau nas sessões ordinária do R.E.A.A.

Procurando respostas na internet, vi que o assunto não é novo, só que na nossa Loja apareceu agora, quanto foi proibido o uso de balandrau nas sessões ordinárias, encontrei um artigo seu de 24/11/2012, que já tratava do assunto, queria saber se continua com a mesma opinião ou ouve alguma mudança.

Queria algum subsidio para apresentar na sessão, como uma posição oficial do GOB, se é proibido ou é uma questão apenas de imposição.

Fiz uma consulta no GOB (atendimento digital) que não sei se é o local correto e obtive a seguinte resposta:

“Prezado Sr. Fredison, Boa tarde. Informamos que o processo de n° 730387 foi respondido em 19/09/2017 as 11:06 e encaminhado para o e-mail fredisonmartins@uol.com.br, conforme informado na solicitação. Segue novamente a resposta do processo de n° 730387: Para maiores informações da sua solicitação, orientamos entrar em contato com o Grande Oriente estadual. Atenciosamente, Desde já agradecemos o contato com a Central de Atendimento Digital”.

Quanto à orientação do Grande Oriente Estadual aqui do Piauí é que é proibido, mais não sei até que ponto eles podem estar corretos.

CONSIDERAÇÕES:

Pura interpretação equivocada e sustentada por uma descrição contraditória do Ritual do REAA⸫ em vigência no GOB e que diz respeito aos termos “sessão ordinária” e “nas demais sessões”. 

O ritual é simplesmente mal redigido e isso tem sido a causa dessas confusões que envolvem procedimentos que pouco, ou quase nada alteram a essência da arte maçônica.

Devo mencionar que quando fui Secretário Geral do Rito no Poder Central, dentre tantas, apontei essas redações contraditórias, mas lamentavelmente nunca me fora dado ouvido. 

Mesmo sem o aperfeiçoamento e a correção dos escritos (Ritual e RGF), antes de tudo é descabido alguém imaginar que a ausência de um terno como vestimenta possa diminuir o valor humano de um praticante da Ordem.

Aqui no Brasil culturalmente é comum nas sessões ordinárias (econômicas) do REAA⸫ o uso do balandrau negro e talar nos trabalhos simbólicos da Loja. 

Eu mesmo já escrevi bastante sobre o uso do balandrau nos ritos que o admitem e continuo com a mesma opinião (vide algumas publicações no Blog do Pedro Juk em Perguntas e Respostas – http://pedro-juk.blogspot.com.br).

É só ter um pouco de boa vontade e veremos que no Brasil o terno preto ou escuro é o originário do traje de missa comumente usado no passado.

Fica difícil de compreender essa “neura” que alguns têm com o terno preto como fosse ele o principal traje maçônico, esquecendo que a verdadeira vestimenta do maçom é o Avental. Ora, encontramos pelo mundo nas regiões de temperatura alta maçons em manga de camisa trabalhando nas Lojas. É o caso de algumas Grandes Lojas Norte-Americanas. 

Como ausência da obrigatoriedade terno nas sessões maçônicas, também poderíamos citar a Escócia onde muitos Irmãos trabalham vestidos com os seus kilts, assim como nos países árabes e os Irmãos trabalham trajados com albornozes. 

Já os ingleses por sua vez, por uma questão cultural, mas não de liturgia maçônica, comumente adotam a formalidade do terno em todas as suas sessões em Loja.

Como se pode notar, o terno negro ou escuro é um traje usado por maçons e “não maçons”. Em Maçonaria, embora alguns ritos ou rituais possuam essa característica (Rito Schröder e Craft Inglês, por exemplo), ele não é veste universal e nem é parte condicional de doutrina e filosofia da Sublime Instituição.

A despeito de tudo isso, o balandrau, que também não é veste universal maçônica, como traje tem história. Registra-se o seu uso desde a primeira associação de construtores organizados (Collegia Fabrorum) até os canteiros medievais das Associações Monásticas e das Confrarias Leigas (precursores da Francomaçonaria).

Assim o conhecido balandrau supre perfeitamente o modo de se vestir do maçom brasileiro em uma sessão maçônica comum - aquela que não é magna.

Lendo a sua questão, outra coisa que me chamou atenção foi, para variar, o trato com que algumas autoridades maçônicas dão às dúvidas que aparecem entre os Irmãos – um verdadeiro “empurra”, fato que eu prefiro nem comentar.

Retomando o curso, como mencionei, eu penso que no caso da obrigatoriedade do uso do terno escuro e a exclusão do balandrau, tirando algumas teimosias, o assunto nada mais é do que interpretação equivocada nascida de textos confusos e contraditórios que contribuem com fatos irrelevantes que nada somam em favor liturgia maçônica. 

De qualquer modo, o que se tornou tradição na Maçonaria Brasileira é o uso do terno preto ou escuro para as sessões magnas, enquanto que nas demais, se o Rito permitir, admite-se o uso do balandrau negro e talar sem que nele existam quaisquer gravuras e inscrições. 

Assim, os nossos legisladores deveriam se preocupar com a correção de textos como os aqui mencionados e relativos a um mesmo assunto, mas que se tornam contraditórios se observados no Ritual e no Regulamento Geral da Federação – é o caso das “sessões magnas” e as “demais sessões”.

Por fim, espero que a Obediência Estadual mencionada na sua questão, por quem eu tenho o maior apreço, possa, de acordo com as nossas tradições, usos e costumes, rever essa decisão unilateral e sem sustentação doutrinária.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

FRASES ILUSTRADAS

 

TELHAMENTO DA ALMA

Carlos Abel*

O Telhamento é um ato de examinar um Irmão desconhecido para certificar-se de sua condição de maçom, sua regularidade e conferir se nossos IIr.’. estão aptos a receber seu aumento de salário.

Sois Maçon?
MM∴II∴C∴T∴M∴RR∴
-Será que o Ir∴ está fazendo para ser reconhecido, será que o Ir∴ está estudando, praticando e se polindo para os IIr.’. o reconhecerem?

De onde vindes?
De uma Loja de São João Justa e Perfeita.
-Sua Loja é perfeita, a sua casa é perfeita? Meu Ir∴, a sua casa é sua loja também, onde tem sua família seus pais e seus filhos e precisamos deixa-la Perfeita ou o mais próximo disso.

O que trazeis?
Amizade, Paz e votos de Prosperidades a todos meus IIr∴.
-“O quão bom e quão suave é que os IIr∴ vivam em união.” Se trazeis Amizade, Paz e Prosperidades então deixastes as mazelas fora do Templo quando entraste?

Nada mais trazeis?
O V∴M∴ de minha loja vos saúda por T∴V∴T∴.
-Vós vinde de sua residência, será que a cunhada e os sobrinhos mandaram saudações aos IIr∴ de sua loja, vós desejaste uma única vez hoje saúde, paz e prosperidade em seu lar ou até mesmo diante de Deus aos seus?

O que fazeis em vossa loja?
Levanta-se Templo as virtudes e cavam-se masmorras aos vícios.
-Será que nossos vícios estão sendo deixados atrás de nossos muros? Não só vícios contra a saúde, mas também vícios na língua e na mente e mais importante, o vício de comentarmos tudo que acontece dentro de nosso Templo.

Que vindes fazer aqui?
Vencer minhas paixões, submeter minhas vontades e fazer novos progressos na Maçonaria, estreitando os laços de fraternidade que nos unem como verdadeiros irmãos.
-Quantas paixões teremos que vencer para um dia podermos dizer “eu sou Maçom”, as vontades são mais difíceis, mas o importante é tentar, e tentar e acreditar. Progresso na Maçonaria ou progresso na minha Maçonaria que tem uma diferença grande. Quando digo minha Maçonaria seria lapidar a si mesmo é ser melhor que ontem e que amanhã serei melhor que hoje. E o mais difícil, estreitar os Laços de Fraternidade que nos unem como verdadeiros irmãos, essa Fraternidade seria o próximo, a família, os IIr.’. de sua loja, sem mentiras, sem falsidade, sem maldade. Essa Fraternidade que todo Maçom precisa aprender se inicia em casa, junto de sua esposa, filhos e pais, ensinando que o próximo as vezes precisa apenas de um abraço, mas um abraço verdadeiro, com muito Amor e carinho.

O que desejais?
Um lugar entre vós.
Este vos é concedido meus IIr∴, não só dentro deste Templo mas também dentro do meu Templo, no meu coração

*Carlos Abel – 25 fev.2019 – E∴V∴ – M∴I∴ da A.R.L.S. José Nilson de Carvalho do GOMB – Or∴ Caraguatatuba – SP

Fonte: http://www.brasilmacom.com.br

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

O MALHETE E A POSTURA DO VIGILANTE

Em 17.03.2022 o Respeitável Irmão Pedro Guglielme Neto, Loja Cavaleiros da Paz, 164, GOP (COMAB), Oriente de Curitiba, Estado do Paraná, apresenta a seguinte questão:

POSTURA DO VIGILANTE

Surgiu uma dúvida na sessão de ontem na nossa loja, onde o Irmão 2º Vigilante deve colocar o malhete na hora do cumprimento para receber a Palavra Sagrada do Diácono? Passa para a mão esquerda ou deposita sobre a sua mesa de Vigilante?

CONSIDERAÇÕES:

No REAA, as Luzes da Loja (Venerável Mestre e os Vigilantes), ao ficarem em pé no seu lugar em Loja aberta ficam à Ordem normalmente, isto é, deixam os seus respectivos malhetes para compor o Sinal como todos os demais da Loja.

Infelizmente ainda persiste por parte de alguns o anacrônico gesto de, ao ficar em pé, pousar o malhete no lado esquerdo do peito.

Para o bem da ritualística isso deve ser evitado, salvo quando por dever de ofício as Luzes precisem se ausentar dos seus lugares trazendo consigo o malhete.

Fora isso, o Venerável Mestre e os Vigilantes ao ficarem à Ordem deixam seus respectivos malhetes para compor o Sin∴ com a mão, ou mãos se for o caso.

Entretanto, há uma única situação onde é recomendável que o 1º Vigilante empunhe o malhete. Ela ocorre quando o Vigilante, na abertura dos trabalhos no Grau de Aprendiz Maçom do REAA, do seu lugar, verifica se todos os presentes nas Colunas são maçons.

Nesse caso, o 1º Vigilante deve ficar em pé com o malhete pousado no lado esquerdo do peito. Essa postura se justifica para que o Vigilante não demonstre naquele momento o Sin∴ àqueles que deverão fazê-lo como forma de se identificar como maçons.

Assim, fora essa passagem ritualística onde o 1º Vigilante, por dever de ofício empunha o malhete, nas outras ocasiões, em Loja aberta, as Luzes da Loja ao se colocarem à Ordem compõem o Sin∴ normalmente com a(s) mão(s).

Concluindo, no caso da transmissão da Pal∴ Sagr∴, quando a ocasião exigir que os protagonistas fiquem à Ordem, os titulares que usam malhetes devem deixá-los sobre a mesa e fazer o Sin∴ normalmente como os demais.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MINUTO MAÇÔNICO

ESFERA CELESTE E TERRESTRE

1º - Sobre o capitel das colunas B e J, que se acham à porta do templo, em certos ritos, vê-se duas esferas: uma representando a esfera celeste e a outra o globo terráqueo.

2º - No antigo simbolismo da coluna B, havia a interpretação de que esta coluna representava a Terra, por isto que sobre ela é colocada a Esfera Terrestre. Na coluna J, ao Sul, é colocada a Esfera Celeste.

3º - A Esfera Terrestre simboliza as forças materiais do mundo, que o Aprendiz deve tentar dominar. Por outro lado, a Esfera Celeste representa o Universo e simboliza a Cosmografia e a Astronomia, ciências muito aplicadas no cerimonial maçônico e temas de estudo indispensáveis ao Maçom.

4º - As esferas que figuram sobre o capitel das colunas da Ordem, nos templos de muitos graus maçônicos simbolizam a verdadeira ciência que o homem adquire pelo estudo e pela contemplação das maravilhas que nos oferece a Natureza e que nem todos podem compreender.

5º - "As esferas, uma das quais é terrestre e a outra celeste, indicam-nos que o Universo inteiro que se oferece às nossas investigações e que representam o domínio dentro do qual todos temos de trabalhar se quisermos realizar a nossa pedra cúbica".

OBS: Em algumas Obediências são usadas Romãs em vez das Esferas e com significados diferentes.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br