A nomeação do Marechal Bernard Pierre Magnan (1791-1865) como Grão-Mestre do Grande Oriente da França em 1862 foi um evento curiosamente estranho imposto pelo Imperador Napoleão III. Este ato foi uma intervenção direta do poder imperial para acabar com um período de grande instabilidade dentro da Maçonaria francesa. A turbulência havia sido causada pelo Grão-Mestre anterior, o Príncipe Lucien Murat, cujo mandato autoritário e alinhamento com os interesses do Papa geraram profundo descontentamento entre os muitos maçons daquela Obediência. Quando o mandato de Murat expirou em 1861, a situação chegou a um ponto de ruptura: Murat tentou reeleição e diante do atrito entre apoiadores e opositores de sua permanência como Grão Mestre, foi o imperador Napoleão III que interveio para restaurar a ordem e o controle.
A solução do Imperador foi tão pragmática quanto controversa: ele nomeou o Marechal Magnan, um militar de sua confiança, para o cargo de Grão-Mestre. O fato singular é que o marechal não era maçom no momento da sua nomeação. A sua iniciação na Ordem foi uma formalidade realizada às pressas. Em 6 de fevereiro de 1862 ele foi iniciado como Aprendiz e no mesmo dia recebeu todos os 33 graus do Rito Escocês Antigo e Aceito. Dois dias depois, assumiu o cargo de Grão Mestre. Esta progressão relâmpago foi vista como um procedimento não maçônico, e embora a maioria das Lojas tenha aceitado a autoridade imperial, algumas poucas recusaram-se a aceitar esta nomeação.
O mandato de Magnan (1862-1865) foi marcado por este início peculiar. Apesar de ser um agente do controle de Napoleão III, ele conseguiu conquistar certa simpatia ao adotar uma postura mais benevolente e ao revogar medidas impopulares do seu antecessor. O seu ato mais significativo foi negociar com o Imperador a restauração do direito das Lojas de elegerem democraticamente o seu Grão-Mestre. O Marechal Magnan morreu no ano seguinte, em Paris, no dia 29 de maio de 1865. Teve um funeral religioso celebrado pelo Arcebispo de Paris, Georges Darboy, que oficiou sobre um caixão coberto com emblemas maçônicos.
Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria
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