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quinta-feira, 16 de julho de 2026

DOMENICO ANGHERÀ

Por Luciano J. A. Urpia

Domenico Angherà (1803-1873) foi uma das personagens mais controversas entre a Igreja e a Maçonaria italiana (na época da Unificação da Itália). Era abade beneditino, arcipreste católico e, simultaneamente, patriota radical e maçom. Sua vida foi um exercício de conciliação entre a batina e o avental, a paróquia e a Loja, a Teologia e a Revolução.

Sua trajetória maçônica começou após envolver-se na Insurreição de 1847 que o obrigou a se exilar em Malta. Iniciado na Maçonaria na Sicília, no exílio colaborou com o patriota Nicola Fabrizi. De volta à Itália em 1860, fundou a Loja "Sebezia" e tornou-se Grão-Mestre do Grande Oriente de Nápoles, expandindo sua Obediência de 23 para mais de 50 Lojas, inclusive no Egito. Vestia paramentos maçônicos sobre a batina e desenvolveu uma teologia própria: reinterpretou a Trindade como "Ar, Água e Fogo" e o INRI cristão como "Igne Natura Renovatur Integra" (Pelo fogo, a Natureza se renova por completo).

Sua posição era tão singular que chegou a lançar um comunicado maçônico contra o Grande Oriente de Roma, assinando como representante legítimo da Maçonaria napolitana. Em sua villa em Sant'Elmo, recebia visitantes do mundo inteiro em um verdadeiro "bazar" maçônico, onde vendia patentes, diplomas e publicações. Acusado de lucrar com iniciações, foi expulso da Ordem, após um processo que revelou a arrecadação de 140 mil liras. Morreu aos 70 anos, deixando a imagem de "maçom controverso" da Maçonaria italiana.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

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