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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

OS PRIMEIROS PASSOS DO APRENDIZ-MAÇOM

Ir∴ José Carlos Gomes de Oliveira - SP
O simbolismo maçônico a que o Aprendiz-Maçom está sujeito interfere na sua imaginação profana e, à medida que o entendimento dos significados dos símbolos maçônicos vai sendo esclarecido e com a assiduidade na participação da loja, percebe que sua vida está mudando.

O Aprendiz Maçom passa por diversas experiências nesta primeira fase da caminhada que o leva das trevas para a luz. O simbolismo maçônico a que ele está sujeito interfere na sua imaginação profana e, à medida que o entendimento dos significados dos símbolos maçônicos vai sendo esclarecido e com a assiduidade na participação da loja, percebe que sua vida está mudando.

Sua vida muda sem esforço pessoal dirigido para este fim. Muda no sentido do relacionamento humano, nas relações sociais, no entendimento de que pessoas diferentes pensam de forma desigual, por conta das suas experiências pessoais que viveram nos caminhos que trilharam na estrada da vida.

Essas mudanças ocorrem e são percebidas sempre que o aprendiz está sujeito a uma nova situação cotidiana que exige dele uma tomada de decisão. Ao tomar uma decisão diante dos fatos que compõem a situação, os compromissos assumidos na sua Iniciação vêm à mente e isso faz com que sua postura seja diferente daquela que teria se não fosse maçom.

Ao adentrar o Templo Maçônico no dia da minha iniciação, vendado e na condição de Candidato, ouvi que alguém solicitava que fosse lido para que eu ouvisse, a “Declaração de Princípios da Maçonaria Universal”. Naquele dia, emocionado com a cerimônia da qual participava, escutei e pude perceber o compromisso que a Maçonaria tem com o conhecimento ético e moral que deve ser aplicado nas ações humanas e na própria existência do homem como ser social.

Fiquei pensando desde aquele dia como os Maçons agem para atingir a meta contida naquela Declaração. Encontrei várias respostas nas leituras dos textos maçônicos que venho fazendo para elucidar minhas curiosidades sobre as paisagens que tenho visto na minha caminhada para a luz. Quando fui saber qual o objetivo da Maçonaria vi que a resposta era: “seu objetivo principal é o de arrumar o homem, pois entende que só arrumando o homem construirá um mundo melhor a toda a humanidade” e essa afirmação esclareceu a minha indagação sobre a forma de agir dos maçons para atingir aquela meta e conclui que a Maçonaria é, na verdade, uma Escola de Vida. Se é uma Escola de Vida, penso que mesmo evoluindo nos graus maçônicos nunca deixarei de ser aprendiz.

Constatado esse fato, meu interesse pela Maçonaria cresceu sobremaneira pois era exatamente isso que eu procurava nas janelas que a vida me mostrava no dia-a-dia. Comecei a estudar, pesquisar na Internet, conversar com os Irmãos e a prestar atenção em tudo o que ocorre nas Sessões em que participo, observando a forma de desenvolvimento e os procedimentos adotados para a sua condução.

Para elucidar melhor a magnitude do meu interesse pela evolução desse desenvolvimento, neste primeiro ano como Aprendiz Maçom visitei o Palácio Maçônico do Grande Oriente do Brasil, em Brasília, onde conheci o Soberano Grão-Mestre Geral do GOB: Ir∴ Laelso Rodrigues, além do Palácio Maçônico do Grande Oriente de São Paulo e o Palácio Maçônico das Grandes Lojas do Estado de São Paulo, em São Paulo, e de diversas Lojas da nossa região para participar de Sessões Ordinárias, Brancas e de Iniciação de novos Aprendizes Maçons.

Nas Sessões em que participei pude perceber que alguns Irmãos ocupam “Cargos em Loja” e que cada “Cargo” tem uma atribuição bem definida quanto a sua atuação no desenvolvimento dos trabalhos, de acordo com o Rito adotado naquela Loja. Alguns “Cargos” são de Comando e Instrução e outros, são Administrativos e Operacionais. As atribuições desses “Cargos” estão citadas no “Regulamento Geral da Federação”, a partir do Artigo 89.

Constatei que a evolução e o aproveitamento do Aprendiz Maçom está ligado diretamente às estruturas psíquicas (Órgãos), na personalidade (Templo) e no conhecimento inserido no Rito seguido em Loja e que a transmissão da sabedoria e do conhecimento é feita pelo exemplo, e seu aprendizado se faz assimilando os bons exemplos e percebendo os maus exemplos para evitá-los.

Em cada função exercida nos “Cargos em Loja” temos um Irmão que cuida da evolução de um Órgão, ou seja, de uma estrutura psíquica dos Aprendizes Maçons. A relação existente entre o “Cargo em Loja”, a “Função” exercida pelo Obreiro e a mensagem transmitida aos Aprendizes Maçons é a seguinte:

COBRIDOR: sua principal função é verificar se quem entra na Loja está apto a freqüentá-la, zelar pela sua segurança, não consentir entrada e saída de Obreiro sem a devida autorização e garantir o sigilo sobre os trabalhos que estão sendo realizados.

Para o Aprendiz Maçom ele passa a mensagem de construção de uma estrutura seletiva para as informações, ações e exemplos úteis, zelando para que sejam emitidas e executadas de forma que não causem danos a ninguém e que as intenções sejam reveladas no momento certo.

MESTRE-DE–HARMONIA: acompanha as Sessões, desde o seu início, com músicas orquestradas propícias, sugeridas nos documentos maçônicos.

Transmite ao Aprendiz Maçom a necessidade da construção em nossa personalidade de uma estrutura que tenha a capacidade de tornar as ações harmoniosas, atendendo diretamente os interesses dos envolvidos nessas ações e resguardando os direitos e deveres dos que sejam atingidos por essas ações.

HOSPITALEIRO: sua função é arrecadar os donativos junto aos Irmãos e encaminhar esses donativos para quem deles necessite comprovadamente.

Ajuda o Aprendiz Maçom a construir na sua personalidade uma estrutura (criar o hábito) de retirar algo que esteja em abundância para ele e repassá-lo, anonimamente, para quem dele necessite.

MESTRE-DE-CERIMÔNIAS: realiza e faz realizar, de acordo com a liturgia do Rito, todo o cerimonial das Sessões da Loja.

Mostra para o Aprendiz Maçom uma forma de vislumbrar o cerimonial intrínseco que existe em cada ação empreendida e que a mesma deve ser realizada com zelo, no tempo exato, no prazo certo e com a necessária qualidade e excelência.

CHANCELER: é o relações-públicas da Loja, responsável pela comunicação oficial da Loja com o mundo profano. Registra, timbra e sela os documentos expedidos pela Loja, bem como mantém o controle da freqüência dos Obreiros.

Passa a mensagem para o Aprendiz Maçom que ele deve passar mensagens facilmente identificáveis, por suas características virtuosas e que deve ter o máximo cuidado com a aparência externa, para que a mesma esteja sempre em consonância com o ambiente onde está presente.

TESOUREIRO: sua principal função é manter rigoroso controle dos metais e valores da Loja e arrecadar toda a receita da Loja para saldar, no prazo acertado, suas despesas.

Para o Aprendiz Maçom ele transmite a mensagem de que ele deve prover e fiscalizar, rigorosamente, todos os itens que fazem parte da sua subsistência, sejam ele materiais, financeiros ou intelectuais, honrando seus compromissos assumidos e tomando o cuidado para assumir somente compromissos quem possam ser cumpridos.

SECRETÁRIO: deve manter um rigoroso arquivo de todas as informações que dizem respeito à Loja, registrando tudo o que acontece nas Sessões, bem como receber e distribuir toda correspondência endereçada à Loja. Ensina o Aprendiz Maçom que ele deve construir em sua personalidade uma estrutura que registre de forma minuciosa tudo o que acontece a ele e saiba distribuir às outras estruturas psíquicas as suas auto-avaliações e informações externas.

ORADOR: Na Loja, a sua principal função é observar, promover e fiscalizar o rigoroso cumprimento das Leis Maçônicas e dos Rituais, cumprindo e fazendo cumprir os deveres e obrigações a que se comprometeram os Membros da Loja.

O Aprendiz Maçom deve aprender que ele vive em comunidade e está sujeito às regras sociais devendo verificar se suas ações empreendidas estão de acordo com estas regras e, caso contrário, que as mesmas sejam adequadas para que as mesmas estejam em consonância com os Princípios Maçônicos.

VIGILANTES: os Irmãos Vigilantes têm sob sua responsabilidade a direção das colunas do Norte e do Sul e as instruções dos Obreiros dessas colunas visando a boa formação maçônica dos mesmos.

Mostram que o Aprendiz Maçom deve estar em constante aprendizado e instrução, aplicando os conhecimentos adquiridos em suas obras e ações e, através de exemplos, instruir outros Irmãos, mostrando que ao aplicar os conhecimentos adquiridos consolida-se o aprendizado.

VENERÁVEL MESTRE: é o cargo máximo na hierarquia administrativa da Loja. Condensa todo o conhecimento dos “Cargos em Loja” , pois para presidir é necessário conhecimento prévio de todas as funções desempenhadas em uma Loja.

Para o Aprendiz Maçom ele ensina que ele deve construir em sua personalidade todas as estruturas recebidas pelos Irmãos que ocupam “Cargos em Loja”, exercitá-las o máximo que puder e interligá-las para se conseguir um todo harmônico e proporcional, visando o completo domínio de cada uma, individualmente e em conjunto, adquirindo em etapas a sabedoria necessária para se tornar um verdadeiro mestre.

Há um ano, tenho freqüentado a Coluna do Norte, como Aprendiz Maçom, na Loja Maçônica “General Moreira Guimarães IV”, do Oriente de Garça – SP, sendo observado e instruído pelo Irmão primeiro Vigilante, para que aprenda, lenta e gradativamente, a adequar as minhas estruturas psíquicas e o meu intelecto, aparando as arestas de minha Pedra Bruta, me preparando para fazer parte da grande obra, que é a construção de nosso Edifício Social.

Fonte: JBNews - Informativo nº 182 - 25/02/2011

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

ABORDAGEM NO VENERÁVEL MESTRE. QUAL LADO? OMBRO DIREITO OU ESQUERDO?

Em 22/03/2022 o Respeitável Irmão Gilberto Martins Rocha, Loja Fraternidade Carmelitana, 2185, REAA, GOB-MG, Oriente de Carmo do Rio Claro, Estado de Minas Gerais, apresenta a seguinte questão:

ABORDAGEM NO VENERÁVEL MESTRE

Nas Iniciações (momento da taça sagrada) e nas posses tanto dos cargos eleitos como nos cargos nomeados a abordagem ao Venerável Mestre sempre foi feita por nós pelo lado sul (no ritual não determina o lado).

Recentemente fomos orientados por um irmão que o correto é pelo lado norte.

Qual é a orientação do irmão?

CONSIDERAÇÕES:

É como está orientado no SOR (Sistema de Orientação Ritualística do GOB) para o REAA: “as Luzes da Loja são abordadas pela sua direita”, isto é, pelo seu ombro direito.

Entenda-se por Luzes da Loja, o Venerável Mestre e os Vigilantes.

No entanto, a liturgia da Taça Sagrada ocorre pelo lado Sul do Altar ocupado pelo Venerável Mestre (lado do Secretário), porque a retirada peremptória do candidato sempre se dá em direção à Coluna do Sul. Nesse caso não faria sentido uma abordagem pelo lado oposto do Altar se a saída é pelo Sul.

Também, na cerimônia de Instalação e Posse das Dignidades e Oficiais os procedimentos se dão pelo lado Sul do Altar (lado do Secretário), isso porque esse lado está o consagrado em rituais específicos para essas ocasiões. É bom que se diga que o Ritual de Instalação e Posse é um ritual exclusivo para essa finalidade.

Salvo melhor juízo, fora essas duas situações, nas demais as Luzes da Loja geralmente são abordadas pelo seu lado direito (ombro direito).

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

FRASES ILUSTRADAS

 

1717? 11721? POR ENQUANTO, AINDA 1717...

Rui Bandeira 

O tema começou a chamar a atenção quando o Irmão Chris Hodapp, no seu blogue Freemasosns for Dummies, informou que, na Conferência sobre a História da Maçonaria que a Loja Quatuor Coronati, n.º 2076, o Queen's College e a Universidade de Cambridge organizaram, dedicada ao 300.º aniversário da fundação da Primeira Grande Loja de Inglaterra, em 1717, o prestigiado historiador Andrew Prescott, professor da Universidade Glasgow (que, além do mais foi o fundador e Diretor, entre 2000 e 2007, do Centro de Investigação sobre a Maçonaria na Universidade de Sheffield) e a historiadora Susan Mitchell Sommers, professora de História do St. Vincent College, apresentaram uma comunicação na qual terão reportado a descoberta, na parte de trás de um dos Livros de Atas da Loja Antiguidade, n.º 2, uma ata referente à criação da Grande Loja de Londres e Westminster (a primeira Grande Loja) em 1721, na qual, designadamente se refere como Grão-Mestre fundador John Montagu, o 2.º Duque de Montagu.

Este documento porá em crise a versão, até agora indisputadamente aceite, relatada por James Anderson, na edição de 1738 das Constituições dos Maçons, de que a fundação da primeira Grande Loja ocorreu no dia de São João de 1717, sendo seu primeiro Grão-Mestre Anthony Sayer. Este documento também, similarmente, poria em crise que George Payne e John Teophilus Desaguliers tivessem antecedido no ofício de Grão-Mestre, entre 1717 e 1721, Lord Montagu.

A Loja Antiguidade, n.º 2, é tida como sucessora da Loja que reunia na taverna The Goose and the Giridon, uma das quatro Lojas fundadoras da Primeira Grande Loja.

Na edição n.º 2176 do JB News, o Irmão Kennyo Ismail retoma o tema, sob o título O embuste da fundação da Grande Loja Unida de Inglaterra, repetindo a informação de Chris Hodapp e afirmando que sempre duvidara do acerto da data de 1717, por falta de "um documento com registro público da época, ou mesmo uma notícia reproduzida em um dos jornais londrinos".

Com todo o respeito pelo entendimento do Irmão Kennyo Ismail - de cujas posições raramente discordo -, este seu argumento não é válido, pela simples razão de que também se aplica a 1721... Com efeito, também nenhum registo público ou notícia de jornal existe sobre a fundação da Primeira Grande Loja em 1721... 

Não quero com isto dizer que a descoberta da ata relatada por Prescott e Sommers não venha a conduzir a uma revisão da data até agora aceite como sendo a da fundação da Primeira Grande Loja. A História faz-se em função de documentos e não se pode nem deve ignorar um novo documento descoberto.

Mas, se estou perfeitamente disponível para a revisão da data da referida fundação, acho que é ainda prematuro fazê-lo.

Não basta um relato de uma comunicação dando conta da descoberta de um documento. Aliás, essa comunicação ainda nem sequer está publicada: só será publicada em 2017, juntamente com as demais comunicações da Conferência.

Temos primeiro que ler essa comunicação, para podermos verificar se o que os seus autores declaram é efetivamente aquilo que o relato, em segunda mão, afirma. Mas, mais, os historiadores terão que verificar e analisar o documento descoberto, designadamente para se assegurar da sua autenticidade. E, concluindo-se que o documento é autêntico, os historiadores terão ainda de se assegurar da sua veracidade. Isto é, nesta questão estamos ainda no início do que pode ser um longo caminho e de ponto de chegada ainda incerto.

Será a dita ata autêntica ou forjada? Para já, desconfio do facto de estar na parte de trás de um dos livros de atas da Loja Antiguidade, n.º 2... Um documento na parte de trás de um livro de atas faz desconfiar que tenha sido elaborado depois dos que estão registados nas folhas do livro... Depois, é de desconfiar que num livro de atas com perto de 300 anos só agora alguém descobrisse tão importante documento... 

Há ainda dados que têm de ser considerados e analisados, para se poder com alguma segurança concluir, se for caso disso, da autenticidade do documento. Por exemplo, William Preston foi o Venerável Mestre da Loja Antiguidade, n.º 2, que a conduziu na secessão desta, ou de parte dos membros desta Loja, da Grande Loja dos Modernos (a Primeira Grande Loja), em 1779, integrando a Grand Lodge of All England at York, secessão esta que durou até 1790, tendo então cessado com a reunificação da Loja Antiguidade, n.º 2, sob a égide da Grande Loja dos Modernos. A causa desta secessão foi a expulsão de Preston, acusado de ter liderado uma procissão maçónica não autorizada pela Grande Loja. Na ocasião, Preston invocou a senioridade da Loja Antiguidade, uma das quatro Lojas fundadoras da Primeira Grande Loja, enquanto sucessora da Loja que reunia em The Goose and the Giridon, Em face do documento agora surgido, se autêntico, o normal seria que Preston invocasse, não a senioridade da Loja Antiguidade enquanto sucessora da Loja que reunia em The Goose and the Giridon, mas sim essa senioridade em nome próprio, em 1721... 

Mas, mesmo que estabelecida seja a autenticidade do documento, haverá ainda que verificar da sua veracidade. Sendo autêntico o documento, isso só prova que alguém, na época, escreveu o que nele está. Resta saber se o que está escrito é verdade!

Várias dúvidas terão de ser afastadas e para isso é indispensável conhecer o teor exato do texto. Por exemplo, não sucederá que o responsável pela escrita do texto considerasse que só com o início da liderança de Montagu, o primeiro de uma longa lista de nobres que dirigiram a Primeira Grande Loja e a Grande Loja Unida de Inglaterra até aos dias de hoje, é que verdadeiramente se podia considerar fundada a Grande Loja? Que as lideranças anteriores, entre 1717 e 1721, de simples plebeus, mais não foram do que trabalhos preparatórios para uma vera fundação, que só se podia considerar realizada sob a égide de um membro da nobreza? 

Uma outra interrogação me assalta ainda: em 1738 (aquando da publicação da edição das Constituições de Anderson que relata a fundação da Primeira Grande Loja), ainda certamente eram vivos muitos elementos que viveram a fundação da Primeira Grande Loja. Afinal, só tinham ainda passado 21 anos - ou 17 anos... Se Anderson falsificou a fundação da Primeira Grande Loja, ao ponto de a antecipar em quatro anos e inventar três Grão-Mestres antes de Montagu (ainda com a particularidade de um deles - George Payne - ter exercido o ofício por duas vezes, não consecutivas, pormenor que não lembraria ao Diabo inventar...), será que nenhum dos contemporâneos ainda existentes da fundação nada diria, nem escreveria, nem ao menos faria qualquer referência na sua Loja, que ficasse registada em ata?

Até pode ser que a data da fundação da Grande Loja tenha de ser revista e que a lista dos seus Grão-Mestres tenha de ser amputada de três elementos (incluindo Desaguliers). Mas, para já, o que sabemos, na minha opinião, ainda não permite essa conclusão. Ainda há que ler, que estudar o documento, que analisar, enfim, que fazer o trabalho que os historiadores fazem, antes de se chegar a uma conclusão definitiva. Que pode alterar a data até agora aceite ou manter essa data como a correta...

Aguardemos com paciência, que também deve ser uma virtude cultivada pelos maçons!

Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

MAÇONARIA E O PAVILHÃO NACIONAL - SÍMBOLOS MAÇÔNICOS?

(republicação)
Em 01/11/2017 o Irmão Companheiro Maçom Elóis de Arruda Rodrigues, Loja Flor da Acácia, 3.894, REAA, GOB-PR, Oriente de Francisco Beltrão, Estado do Paraná, apresenta o seguinte:

MAÇONARIA E O PAVILHÃO NACIONAL

Boa tarde meu querido Irmão Juk. Mais uma vez grato ao Grande Arquiteto do Universo por ter tido a oportunidade de assistir mais um ERAC moderado pelo Irmão. Mais uma vez, seu fã de Francisco Beltrão, vem por meio desta, tentar sanar dúvidas.

Conforme os avanços nos estudos de nossos símbolos e mistérios, identifiquei símbolos maçônicos intrínsecos na Bandeira do Brasil. O primeiro, para mim bastante evidente, é o “Olho” formado pelo losango amarelo e pela esfera azul. Depois, imaginando a bandeira dobrada na metade, visualiza-se uma forma semelhante ao Avental Maçom.

Ainda temos a abóbada celeste representada pela esfera com as constelações. Por fim, a expressão “Ordem e Progresso”, expressão que é o lema político do positivismo, e que em nossa bandeira aparece na forma abreviada do lema religioso positivista formulado pelo filósofo Maçom francês Auguste Comte: "O Amor por princípio e a Ordem por base; o Progresso por fim" (em francês L'amour pour principe et l'ordre pour base; le progrès pour but.).

Todas essas evidências me levam a crer que existe um simbolismo maçônico subliminar em nosso Pavilhão Nacional. Certo que a internet é repleta de bobagens; Certo também que a empolgação com as descobertas de um humilde CM podem levar ao fenômeno da “Pareidolia”, e fazer enxergar coisas que não existem. Portanto, apelo, mais uma vez, à vossa sapiência: A Bandeira do Brasil é um ícone da simbologia Maçônica?

CONSIDERAÇÕES:

COMENTÁRIOS SOBRE A BANDEIRA DO BRASIL[1]
Não há como se imaginar que a Bandeira do Brasil tenha sido idealizada e elaborada tendo por base símbolos da liturgia maçônica.

No máximo em Maçonaria o Pavilhão Nacional é parte integrante de uma alegoria respeitosa que lhe é devida e regida por leis constitucionais. Não existe nela nenhum apelo maçônico e nem é ela um símbolo haurido dos construtores do passado.

A Bandeira do Brasil foi instituída quatro dias após a Proclamação da República a 19 de novembro de 1889 substituindo a bandeira do Império do Brasil. 

Na realidade o Pavilhão Nacional é o resultado de uma adaptação sobre a bandeira do Império. No lugar do escudo Imperial português dentro do losango amarelo, foi acrescentado o círculo azul cravejado com estrelas na cor branca.

No que diz respeito a algumas normas que envolvem as dimensões e proporções do desenho da Bandeira Brasileira (heráldica), ela possui o formato retangular, com um losango amarelo sobreposto ao fundo verde, sendo que no centro vai uma esfera azul celeste atravessada pela faixa branca com o lema Ordem e Progresso em letras maiúsculas verdes, cuja divisa foi inspirada no positivismo de Augusto Comte.
Essa faixa é oblíqua, inclinada da esquerda para direita e tem a conotação de representar simbolicamente o equador terrestre. No círculo azul vão estrelas dispostas como a retratar o céu do Rio de Janeiro em 15 de novembro de 1889, incluindo várias constelações, das quais a mais famosa é o Cruzeiro do Sul. 

As estrelas em número de 27 representam simbolicamente os 26 Estados mais o Distrito Federal. A única estrela que fica na parte superior do círculo representa o Estado do Pará.

Oficialmente as quatro cores da Bandeira Nacional representam as famílias reais de que descende D. Pedro I, este o idealizador da Bandeira do Império. O campo verde e o losango dourado (amarelo) da bandeira imperial anterior foram preservados – o verde representava a Casa de Bragança de D. Pedro I, enquanto que o ouro (amarelo) representava a Casa de Habsburgo de sua esposa, a Imperatriz Maria Leopoldina. O círculo azul com as estrelas brancas substituiu o brasão das armas do Império.

Entretanto, essa conotação oficial acabou popularmente sendo substituída por uma adaptação originária do povo brasileiro. Sob essa óptica, o verde passou a representar as matas, o amarelo as riquezas do Brasil, o azul o seu firmamento e o branco a paz que deve reinar entre os povos.

A atual versão do Pavilhão Nacional, com 27 estrelas, entrou em vigor em 11 de maio de 1992, já que houve a inclusão de mais quatro estrelas (anteriormente elas eram 23) representando os estados do Amapá, Tocantins, Roraima e Rondônia.

A concepção da Bandeira Nacional é de autoria de Raimundo Teixeira Mendes, com a colaboração de Miguel Lemos, Manuel Pereira Reis e Décio Villares.

COMENTÁRIOS SOBRE A QUESTÃO
O círculo nada tem a ver com o Olho Onividente. Por mais que possa ser sugestivo para esse tipo de imaginação, na Bandeira do Brasil ele não é em hipótese alguma símbolo maçônico.
Do mesmo modo, sem comentários é a imaginação de que a Bandeira dobrada simbolize um avental maçônico. Essa dobra não dá nenhuma conotação de que ela represente símbolo maçônico. Pode até parecer, mas nunca se teve essa intenção.

Abóbada, firmamento e estrelas não é apanágio da Maçonaria. Mesmo sob o ponto de vista maçônico, abóbada estrelada não é universalmente adotada. Nem todos os ritos a utilizam. Sem inverter os fatos, a simples aparência de um firmamento não nos dá o direito de imaginar a presença da Maçonaria. Assim, o céu estrelado apresentado no círculo central da Bandeira também não é e nem merece ser interpretado como símbolo maçônico.

O lema “Ordem e Progresso” é oriundo da ideia positivista. Sob o ponto de vista maçônico o lema é perfeitamente adaptável à doutrina maçônica, entretanto é clara a ideia de que na Bandeira Nacional ela é positivista e positivismo não é obra maçônica.

Nesse sentido, a Bandeira do Brasil não é um ícone e nem um conjunto de símbolos maçônicos. O Pavilhão é sim tratado como símbolo da Pátria e, nesse particular, ela é no Brasil o símbolo da maior autoridade na Loja. 

Agora, doutrinariamente ela não é parte de nenhum arcabouço de aperfeiçoamento maçônico. 

A Maçonaria acima de tudo respeita as Leis e as autoridades legalmente constituídas, portanto tem na Bandeira Nacional um símbolo de legalidade, mas nunca como objeto composto por obra e graça da simbologia maçônica. 

De fato, sob esse aspecto, eu diria ao meu nobre Irmão Companheiro que se afaste do hábito de imaginar “coisas” onde elas não existem.

Devo salientar que a Maçonaria é eclética e faz uso de inúmeros símbolos e artifícios oriundos das diversas manifestações das civilizações humanas. A existência de um esquadro, de um compasso, de um triângulo, de um prumo, e de um nível, dentre tantos outros objetos, não indicam pura e simplesmente a presença da Maçonaria. 

Herdamos sim uma enorme gama de símbolos dos construtores do passado, todavia isso não nos dá o direito de nos imaginarmos proprietários e inventores dos respectivos.

Infelizmente muitos maçons ainda “acham” que pela simples presença de um objeto representativo aproveitado na nossa liturgia, já indica a presença da Maçonaria. 

Assim, dando por concluído, devo orientá-lo a desviar-se desse caminho ilusório. Aprenda a separar o real do aparente, pois nem tudo o que reluz é ouro. A história e a doutrina da Ordem são riquíssimas e ela não precisa desse tipo de subterfúgio para representar a sua verdadeira grandeza.

[1] - Fonte dessa Pesquisa – Wikipédia, Enciclopédia Livre e www.suapesquisa.com – Portal de Pesquisas Temáticas Educacionais. Ambos relativos à Bandeira do Brasil.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

CADEIRAS AO LADO DO TRONO

(republicação)
Questão apresentada pelo Irmão Celso Mendes de Oliveira Junior, Companheiro Maçom da Loja Pioneiros de Mauá, 2.000, REAA, GOB-RJ, Oriente de Magé, Estado do Rio de Janeiro.
junior@hotmail.com

Poderoso Irmão Pedro Juk desculpe por estar lhe incomodando é que em minha loja tivemos uma duvida e todos os Mestres e Mestres Instalados, até o nosso delegado 25ª Circunscrição dificuldade em relação ao trono que é a seguinte:

1º O trono a direita do Venerável Mestre o conforme o Ritual senta-se somente o Grão Mestre geral ou o Grão Mestre geral Adjunto ou fica vazia.

2º O trono a Esquerda do Venerável Mestre e conforme o Ritual senta-se somente o Grão Mestre estadual ou o Grão Mestre estadual Adjunto ou o Past Máster ou fica vazia.

3º O trono do centro destinado ao Venerável Mestre somente senta-se o mesmo ou Past Máster ou o Mestre Instalado mais recente.

Bom o “X” da questão é: Com a falta do Venerável Mestre o 1º Vigilante assume a direção da Loja, mas se ele não for Mestre Instalado aonde ele senta no Trono da direita, do Centro ou da Esquerda?

Se a sessão for Magna o 1º Vigilante assume a direção da Loja? E se assumir como e feito já que ele não pode Iniciar, Elevar e Exaltar.

CONSIDERAÇÕES:

Embora isso não seja uma tônica particular do Rito em questão, porém uma determinação do Grande Oriente do Brasil, eu sou do parecer no cumprimento daquilo que está escrito no Ritual, embora me pareça haver outros pareceres a respeito. 

De qualquer maneira, vou pelo Ritual. Exara então este que a cadeira da direita é exclusiva do Grão-Mestre Geral, ou na sua ausência do Grão-Mestre Geral Adjunto. Reforça ainda o Ritual que na ausência dos dois a “cadeira fica vazia”. 

Assim entendo que se os dois estiverem presentes, o Grão-Mestre Geral ocupa a cadeira e o Adjunto Geral toma assento abaixo do sólio com as outras autoridades. Isso no meu modo de entender quer dizer que na cadeira da direita ou senta um, ou senta outro e mais ninguém, excetuando-se o Delegado do Grão-Mestre Geral apenas nas Lojas jurisdicionadas à sua Delegacia – ponto final. 

Agora sobre a cadeira da esquerda, também está bem claro o destino. Senta-se ali o Grão-Mestre Estadual e na sua ausência se estiver presente o Grão-Mestre Adjunto Estadual. Na presença dos dois, entendo que o Grão-Mestre Estadual Adjunto senta também abaixo do sólio destinado às autoridades. 

Na cadeira da esquerda ainda está previsto em não estando presentes o Grão-Mestre Estadual ou o seu Adjunto, toma assento o Mestre Instalado (ex-Venerável) mais recente. 

Eu particularmente estarei pedindo para que se corrija esse absurdo, até porque lugar de Mestres Instalados é abaixo do sólio à esquerda do Venerável e nunca ao lado do Venerável de ofício no Rito Escocês. 

Ora, isso é até natural nos Trabalhos Ingleses, onde existe a figura do “Past Master”, cujo mais recente em não raras vezes até auxilia o Venerável (Mestre da Loja). 

Agora no Rito Escocês que é de origem francesa a prerrogativa está mais para privilégio do que uma real necessidade.

Quanto ao Trono, senta mesmo o Venerável Mestre. Ex-Venerável mais recente como dito anteriormente e a contra gosto, se ocupar o Altar, senta à esquerda do Venerável em não estando presente o Grão-Mestre Estadual, ou se for o caso o seu Adjunto. 

Note que o Ritual ainda destaca o seguinte no tocante à cadeira da esquerda – se não tiverem presentes os três, a cadeira fica simplesmente vazia. Assim, conforme a Planta do Templo o lugar número 01 (um) é o lugar do Venerável.

Quanto ao “x” da questão: Aquele que substitui o Venerável toma assento no centro. Assim o substituto imediato do Venerável é o Primeiro Vigilante (seja ele Mestre Instalado ou não), porém isso em caráter precário ou temporário, nunca em definitivo.

No caso de afastamento definitivo haverá uma nova eleição. Essa substituição em não sendo o Primeiro Vigilante um Mestre Instalado é restrita às Sessões que não sejam de Iniciação, Elevação e Exaltação (agora intituladas as duas últimas de Colação de Graus como se fôssemos uma espécie de escola de normalistas). 

Para essas três Sessões Magnas, não sendo o substituto imediato um Mestre Instalado, é de direito de um Mestre Instalado dirigi-la (Artigo 43, Inciso I do Regulamento Geral da Federação).

Assim também em qualquer Sessão da Loja a que pertença o Mestre Instalado preside os trabalhos na hipótese de falta ou impedimento do Venerável, ou seu sucessor estabelecido no Rito (Artigo 43, Inciso IV do Regulamento Geral da Federação). 

Então para que não pairem dúvidas sobre ser o Primeiro Vigilante o sucessor, ver o Artigo 120, Inciso I do Regulamento Geral da Federação.

Em resumo um Mestre Instalado dirige as Sessões Magnas de Iniciação, Elevação e Exaltação. Nas outras, assume o Primeiro Vigilante como substituto em caráter precário do Venerável. No impedimento definitivo do Venerável, haverá uma nova eleição.

Quanto ao lugar que é ocupado nas situações abordadas e relativas ao Venerável, é sempre no Trono, ou cadeira central.

Essa pelo menos é a minha interpretação em relação à revolução das “cadeiradas” no Oriente da Loja, bem como a existência de outra determinação emanada do Poder competente.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JBNews n. 824, 28/11/2012

MINUTO MAÇÔNICO

CÍRCULO

1º - Figura geométrica que a Maçonaria considera a mais perfeita, razão pela qual a tomou como símbolo do Universo, do Cosmos, isto é, da criação do Universo.

2º - O círculo significa criação, universo, consumação, universo sem princípio nem fim, sendo representado pela serpente Uróboros dos gregos, que mordia a sua própria cauda.

3º - O círculo representa o ideal de perfeição. Os egípcios figuravam o curso inteiro do sol e o comprimento do ano, por um círculo de ouro, para simbolizar a perpetuidade.

4º - Se for traçada no Círculo uma linha horizontal, dividindo-o ao meio, é uma alusão às 24 horas do dia e da noite, segundo as doutrinas rosacrucianas.

5º - O Círculo limitado ao norte e ao sul por duas linhas e tendo no centro um ponto, com a acepção de que não errará o maçom que orientar por ele a sua conduta. Neste caso, o centro simboliza o Eterno, a circunferência representa a conduta, e as duas linhas, as leis de Moisés e Salomão, ou a Lei e a Justiça, o Dharma e o Karma dos hindus.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

AS SETE ARTES E CIÊNCIAS LIBERAIS

Jeffson Magnavita Barbosa Filho
As “Sete Ciências Liberais” da Antiguidade e sua significação Maçônica e, a Reminiscência Monástica Introduzida na Maçonaria.

Na Maçonaria se mencionam muito as sete ciências liberais da antiguidade: Gramática, Retórica, Lógica, Aritmética, Geometria, Música e Astronomia. Os pedreiros-livres medievais enalteciam essas artes, nos seus regulamentos, envolvendo-as de lendas “secretas”. Numa época de menor divulgação da cultura, anterior à deste século, os maçons, ingenuamente, acreditavam também que essa arcaica seriação de ciências e artes fosse um mistério incomunicável a profanos, quer porque tivesse relação com o número sete, quer porque, de acordo com a opinião de “entendidos”, podiam representar os degraus que levam o maçom até o trono do Oriente, desde a Grade, como também poderiam ser o significado de certas escadas simbólicas.

terça-feira, 4 de outubro de 2022

BALANDRAU

(republicação)
Questão que faz o Respeitável Irmão Thiers Antonio Penalva Ribeiro, Loja “Deus” e Liberdade, 62, COMAB, Oriente de Montes Claros, Estado de Minas Gerais.
t.penalva@uol.com.br

Na reunião de ontem, o Venerável Mestre, colocou em votação uma questão levantada por ele que é que todos os irmãos devem comparecer as reuniões de terno. Como há trinta e cinco anos que a grande maioria dos irmãos usa o balandrau, pergunto: Pode o Venerável mudar aquilo que inclusive está no Ritual (a vestimenta do Mestre Maçom é o Avental), com a votação por maioria simples da Assembleia?

Sei que a vestimenta do maçom é o Avental, mas sei também que cada Obediência tem seus costumes. A nossa, pelo menos há trinta e cinco anos é o uso do balandrau. Esclareça-me, por favor.

CONSIDERAÇÕES:

Esse é outro assunto que no meu entender colabora para instituir o aparente em contraposição do real.

Se o uso do balandrau está previsto no Regulamento da Obediência o Venerável não pode sobrepor a Lei, e o que é pior, me parece com a aquiescência do Orador que ao contrário de fazer cumprir a Lei, consente uma votação contra a Lei.

Geralmente no Brasil as Obediências adotam o traje a rigor que é chamado de “terno” na cor preta para as Sessões Magnas e para as Econômicas (ordinárias) preveem o uso do Balandrau preto que deve ser talar (comprimento até os tornozelos) e sem impressões de gravuras estampadas (aquela do crâneo e das tíbias cruzadas de um total mau gosto). Assim também o balandrau deve ser de mangas compridas e abotoado até a região do colarinho.

Como bem disse o Irmão, a verdadeira vestimenta do Maçom é o avental, todavia infelizmente muitos na intenção de “dourar a pílula” adotam o terno dando ao tal uma importância que é totalmente descabida. 

Aliás, ainda por cima chamam de terno o que é na verdade uma parelha, já que o termo “terno” em vestimenta é composto por três peças – paletó, colete e calça da mesma cor. Já o que se usa normalmente da Maçonaria brasileira, com raras exceções é verdadeiramente a “parelha” ou par de vestimentas iguais que é composta apenas pelo paletó e pela calça da mesma cor.

Esse costume do uso do “terno preto” na Maçonaria tupiniquim é coisa do passado como traje de missa. Os defensores desse costume deveriam se atentar para a Maçonaria mundial onde em muitos países os Irmãos vestem um traje obviamente decente sem qualquer protocolo vestimental dando, porém ênfase ao avental. Existem países inclusive que os maçons usam o traje típico do país, tendo sobre ele o avental.

É verdade que em alguns países o terno preto é largamente usado pelos maçons, entretanto esse não é um costume exclusivo da Maçonaria, mas tradição de toda a população regional.

Como não bastasse isso, alguns escritores ocultistas já escreveram até sobre a importância do terno preto nas vibrações internas da Loja (sic). Agora se durma com um barulho desses.

Eu acho melhor parar por aqui, já que o uso de um traje tem feito até que um Venerável protegido pelo Orador “ache” que todos devem acompanha-lo talvez no seu gosto pessoal e de mais alguns.

Finalizando. Alguns maçons ainda não aprenderam a cumprir o que está escrito e legalmente aprovado, enquanto que outros que tem o dever de fazer cumprir a Lei, simplesmente a ignoram.

E.T. Se a Obediência à que se refere esse escrito não fizer previsão no tocante ao uso dos trajes maçônicos, infelizmente nada se pode fazer e aí estariam isentos de qualquer culpa o Venerável e o Orador.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JBNews n. 821, 25/11/2012

PROFESSA UMA CRENÇA NUM SER SUPREMO?

Jaime Paul Lamb
Tradução de António Jorge

É uma avaliação justa dizer que, nos tempos modernos, tem havido uma tendência cada vez supremomais popular para a secularização. No Ocidente, particularmente, um êxodo em massa da fé abraâmica e outras religiões monoteístas está em andamento há algum tempo. Por exemplo, uma recente pesquisa da Gallup mostrou que o número de americanos que se identificam como cristãos diminuiu de 80,1% para 75% entre os anos de 2008 e 2015. Actualmente, 21,3% dos americanos declaram não haver filiação religiosa. Tendências sociológicas deste tipo tendem a progredir exponencialmente; ou seja, podemos presumir que esta tendência não só continuará, mas fá-lo-á a uma taxa crescente de velocidade.

Tendo isto em mente, voltamos a nossa atenção para uma certa cláusula nos Landmarks maçónicos; ou seja, que o candidato à Maçonaria deve professar uma crença num Ser Supremo. Como estes Marcos são um pouco maleáveis ​​no nível da Grande Loja de cada jurisdição, concentrar-nos-emos na redacção da questão como proposta ao candidato no estado de Connecticut: “declara solenemente, na presença destas testemunhas, que é um crente firme na existência de um Ser Supremo?” [Ritual Oficial da Grande Loja de Connecticut AF & A.M., 2010] É importante notar que nunca se pergunta ao candidato se ele acredita em Yahweh, Jesus, Allah, Mithras, Buddha, e outros, nem jamais deveria ser assunto de um Maçom questionar o candidato para além de uma resposta afirmativa à questão proposta. Nem o candidato nem o Irmão são solicitados a elucidar ou esclarecer os detalhes da sua filosofia religiosa. De facto, a propósito do costume comum de que a discussão sobre religião ou política é desaprovada em Loja aberta, ele é activamente admoestado a guardar essa informação para si mesmo, preservando assim a harmonia da Loja ao não introduzir um assunto potencialmente divisivo.

A formulação da questão proposta ao candidato é muito concreta – é-lhe perguntado se acredita num Ser Supremo. Antes de prosseguirmos, peço ao leitor que reflita sobre as seguintes entradas do dicionário:
  • su·pre·mo |ê| (latim supremus, -a, -um) adjectivo 1. Superior a tudo. = SUMO; 2. Mais importante. = PRINCIPAL; 3. Que atingiu o limite ou grau mais alto. = EXTREMO, MÁXIMO, SUMO; 4. Último e mais solene. 5. Relativo a Deus. = CELESTE, DIVINO
  • ser |ê| – substantivo masculino, 1. Aquilo que é, que existe. = ENTE; 2. O ente humano; 3. Existência, vida; 4. O organismo, a pessoa física e moral; 5. Forma, figura.
O leitor notará o amplo leque de possíveis interpretações produzidas pela combinação destas duas palavras. Observe também que não há dados aqui que sejam particularmente indicativos de uma entidade criadora transcendental residente num reino etéreo, por exemplo – embora essa seja uma interpretação tão válida como qualquer outra. Certamente não há implicações inerentes que perturbem as sensibilidades da sua era deísta típica do Iluminismo, como as que foram contadas entre os nossos Irmãos durante o desenvolvimento da Arte.

Além disto, uma crença num Ser Supremo – mesmo como um conceito teosófico interpretado pelo indivíduo, intelectualmente, e baseado no nível actual da sua compreensão cosmológica e escatológica racional – exclui quaisquer acusações de ateísmo, mantendo assim a cláusula seguinte das Old Charges: “Um Maçon é obrigado pelo seu mandato a obedecer à lei moral; e se ele entender correctamente a Arte Real, nunca será um ateu estúpido, nem um libertino irreligioso. ”[ Charges of a Freemason, Grand Lodge of England, 1722]. Se a universalidade e a inclusão da Maçonaria em assuntos religiosos não eram o caso, os nossos antepassados deístas, quase gnósticos e joaninos podem ter tido dificuldade em cumprir os padrões de admissão na nossa nobre Arte, sem mencionar muitos outros homens bons e dignos, bem recomendados, nesta era moderna e cada vez mais secular.

Fonte: http://www.brasilmacom.com.br

segunda-feira, 3 de outubro de 2022

APROVAÇÃO DO BALAÚSTRE

(republicação)
O Respeitável Irmão Osnivaldo de Oliveira Simões, Mestre Maçom da Loja Luz, Ciência e Liberdade, 87, sem declinar o Rito e a Obediência, Oriente de Umuarama, Estado do Paraná, apresenta a questão que segue:
patto.simoes@hotmail.com

Na hora em que o Venerável Mestre (Os Irmãos que aprovam a redação do Balaústre queiram fazer o sinal de costume). Se eu não participei da reunião anterior na minha Loja ou estou em outra Loja; tenho que votar ou ficar em pé e a Ordem. Como é o correto então?

CONSIDERAÇÕES:

Se fôssemos levar em consideração as tradições maçônicas e o seu sigilo, Irmão que não assistiu à Sessão a que se refere o balaústre deveria entrar somente após a sua leitura, já que a regra é de não se saber nada de tudo quanto se passou nos trabalhos.

Baseado nessa premissa é que muitos rituais preveem a entrada de visitantes somente após a Ordem do Dia, todavia é sabido que isso nunca acontece na prática.

Por esses procedimentos que em nome da boa vizinhança nunca são cumpridos, pelo menos é coerente que no caso de um Irmão do quadro faltante na sessão relativa aos escritos no balaústre, este deve se abster de votar sobre um assunto que ele não esteve presente. Assim também procedem aos visitantes que tenham entrado em família.

De acordo com os ritos praticados, existe uma maneira protocolar de abstenção. No caso do Rito Escocês Antigo e Aceito a maneira correta é que em abstenção o obreiro fique à Ordem.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JBNews n. 820, 24/11/2012

A PALAVRA NA MAÇONARIA

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Autor: José Airton de Carvalho

“A palavra é de prata e o silêncio é de ouro” (Provérbio chinês)

Muito se tem questionado sobre o uso da palavra na Maçonaria, principalmente em relação aos Aprendizes. Algumas Lojas têm por norma não conceder a palavra ao Aprendiz, por constar nas nossas lições que “simbolicamente” o mesmo deve permanecer em absoluto silêncio, cabendo-lhe somente ouvir e observar.

Recorrendo ao ilustre Irmão José Castellani, em seu livro “Consultório Maçônico“ – Volume VIII – Editora A Trolha, ele afirma textualmente, que:

“…essa proibição não é constitucional nem regimental. Tradicionalmente, sabe-se que as sociedades iniciáticas, geralmente de cunho religioso, os Neófitos limitavam-se durante certo tempo, a ouvir e aprender.” 

“Era o caso do Mitraísmo persa – culto do deus Mitra, o Sol – que era composto de sete etapas; na primeira o neófito era o Corvo, por que o corvo, no Mitraísmo, era o servo do Sol e porque ele pode imitar a fala, mas não criar idéias próprias, sendo assim, mais um ouvinte, do que um participante ativo. Idem para as Escolas Pitagóricas, onde existiam três etapas: Ouvintes, Matemáticos e Físicos.”

“…em Maçonaria, todavia, não existe essa tradição, mas, sim, o Simbolismo. Ou seja, simbolicamente, o Aprendiz é uma criança, que não sabe falar, mas só soletrar. Isto é simbólico e não pode ser levado ao pé da letra. O Aprendiz pode e deve falar em assuntos inerentes ao seu Grau, ou nos que interessem a comunidade, de maneira geral.”

Entendamos, de uma vez, que o Aprendiz Maçom não usa da palavra em Loja, por lhe faltar capacidade da oratória, mas, sim para observar o cumprimento de um período de silêncio, que é de fundamental importância para o seu aperfeiçoamento. É no silêncio que o Aprendiz vai se livrando das asperezas da Pedra Bruta que é ele próprio. O silêncio é o primeiro salário que a Loja lhe concede, é uma ferramenta que, sabendo utilizá-la, muito contribuirá para o seu aprimoramento.

Para os que já estão na senda, desde longas datas, recomenda a razão que o Maçom, seja qual for o grau que ostente, deve refletir e ouvir a voz da consciência, antes de fazer um pronunciamento.

Em todos os momentos moldamos nosso destino de conformidade com a nossa consciência, sendo o pensamento o principal alicerce de  toda a criação.

Quando externamos o pensamento através da palavra, automaticamente lançamos uma centelha energética que viabilizará o processo criativo. Através da fala criamos uma vibração que faculta uma melhor aceitação daquilo que estamos pensando. Precisamos, pois, ter ciência da importância da palavra proferida. Se assim não procedermos, poderemos estar criando situações embaraçosas e alimentando acontecimentos indesejados.

Sejamos mais objetivos em nossos pronunciamentos; que nossas palavras sejam alentadoras, que expressem o nosso zelo e amor, ao contrário dos que, infelizmente, carregam acirradas críticas, inconformismo, insatisfação, sem contribuir para o crescimento da Loja e da nossa Ordem.

Mudemos nossa postura como tribuno. Falemos de coisas boas, mesmo que sejam apenas perspectivas, ou então voltemos à condição de Aprendiz, permanecendo em silêncio, demonstrando sabedoria.

Fonte: https://opontodentrocirculo.com

domingo, 2 de outubro de 2022

TAÇA SAGRADA - QUE LADO DO ALTAR?

(republicação)
Questão enviada através do Respeitável Irmão Hercule Spoladore feita pelo Respeitável Irmão Irineu Capaner, membro da Loja Justiça de Cambé, GOP⸫, Oriente de Cambé, Estado do Paraná.
irneu@campaner.com.br
hercule_spoladore@sercontel.com.br

A pergunta é: de que lado do Altar do Venerável o candidato ao passar pela Cerimônia da Taça Sagrada deve ficar à direita ou à esquerda? Qual é o correto? Considerando-se a direita ou esquerda de quem entrar no Templo.

P.S. quando fui iniciado entrei pela direita no sentido de quem entra no Templo, correspondendo ao lado esquerdo Venerável. Parece que algumas lojas da região mudaram o lado, o candidato está entrando pela esquerda no sentido de quem entra no Templo, ao chegar ao Altar do Venerável para Cerimônia da Taça Sagrada.

Ir⸫ Hercule

Conforme falamos por telefone, peço que me ajude a esclarecer o Venerável de Minha Loja, sobre qual é a forma correta do Candidato se aproximar do Trono, no momento da Taça Sagrada, a direita de quem entra, ou seja, lado esquerdo do Venerável, ou pela esquerda de quem entra ou seja lado direito do venerável.

Muito embora eu dissesse a ele que isso até não significaria muito, pois a meu ver o que conta mesmo é o significado do momento, que nas sessões seguintes deve ser passado para o Aprendiz, mas também entendo que deve haver uma forma correta, que é pela direita de quem entra, na minha humilde opinião.

Ir⸫ Irineu Campaner.

CONSIDERAÇÕES:

Bem, já que ainda existe essa prova da “Taça Sagrada” no Rito Escocês Antigo e Aceito, prova essa inexistente no verdadeiro escocesismo, sendo, pois uma cópia mal feita de um procedimento verdadeiro no Rito Adonhiramita, vamos às considerações.

Tenho visto sempre pelo lado esquerdo do Venerável (direita de quem do Ocidente olha para o Oriente). Acredito que isso deva acontecer pelo desenrolar da peça teatral, principalmente após a bebida do amargo na “Taça das Vicissitudes” (esse deveria ser o nome certo). 

Como é conhecida a tal prova, o Candidato vendado é retirado do local pela alteração do seu semblante esboçando-se certa truculência teatral pelo Irmão Terrível. 

Como a sequência demanda da retirada do Candidato do Oriente e dele regularmente sempre se sai pelo lado Sul (sudeste) passando pela Coluna do Sul em direção à porta, essa prova ficaria mais cômoda e, digamos menos perigosa no percurso abrupto, já que a passagem é obrigatória pelo Sul. 

Se a prova viesse acontecer pelo lado Norte do Altar, o percurso seria menos cômodo e maior em seu trajeto com o Candidato vendado e tendo ainda pela frente o Altar dos Juramentos diante do Altar ocupado pelo Venerável (no Rito Escocês Antigo e Aceito o Altar dos Juramentos fica no Oriente) como mais um obstáculo que, como dito exige uma brutalidade teatral, assim aumentado à dificuldade para a melhor desempenho do ato.

Apenas a título de esclarecimento, no escocesismo original é inexistente essa passagem iniciática, ficando as taças do amargo e do doce apenas na Câmara de Reflexão, sem que dela o Candidato precisasse provar, apenas observasse, já que em dado momento da cerimônia iniciática o Venerável faria a explicação. 

Hoje em dia esse costume acabou por virar consuetudinário no Rito em questão, caráter esse adquirido das misturas de rituais e ritos no passado, muitas vezes procedentes dos que “acham bonito”. 

Certo ou errado, a tal prova atualmente no Brasil tomou conta dos rituais escoceses no simbolismo e se acha arraigada ao ponto de quase virar tradição.

Já que ela existe de fato e a boca se entorta conforme o hábito do cachimbo, os Irmãos pelo menos deveriam compreendê-la sob o ponto de vista de uma lição de comedimento contra o exagero na vida. 

Na verdade não há qualquer juramento sobre a Taça Sagrada que de sacro não tem mesmo nada. Afinal ela é apenas uma prova e não caberia a ninguém prestar juramento sobre o que ele nem conhece e pior, ainda nem vê.

Juramento tradicional em Maçonaria é apenas a obrigação tomada no Altar dos Juramentos – quem jura, jura uma vez só.

De qualquer maneira, pelos menos os Irmãos precisam entender que a prova não é um trote para observar a mudança de semblante ao enfiarem goela abaixo do Candidato um generoso gole de bebida amarga, fazendo com que a plateia assuma no momento um semblante cínico e risonho.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JBNews n. 817, 21/11/2012

DESABAFO

Por Marcosoel Vieira Souza*

Ao ingressar na maçonaria, nos é dito logo de início, que precisamos combater nossas vaidades.

Porém ao ver dentro da própria loja tanta vaidade, começo a me perguntar realmente o que estou fazendo aqui? Serei eu mais um desses irmãos a encher o paletó de medalhas e títulos, e ostentá-las com tanta vaidade?

Começo a pensar e refletir em tudo que venho presenciando em loja, não que não sejam merecedores desses títulos e honrarias, mas parece que para alguns ostentá-las é mais importante que a própria maçonaria.

Vejo também tanta hipocrisia, irmãos que julgam outros irmãos, olhando o defeito, por assim dizer do outro, mais se esquecendo dos muitos defeitos que eles mesmos têm.

E ainda falam de amor fraterno entre irmãos, mas não fazem sequer uma visita aos irmãos doentes ou que esteja passando por algum problema.

Ao invés de dar apoio a esses irmãos, começam a criticar e, pior, se afastam deles como se eles não tivessem mais importância para loja, ou nem fizeram falta para os trabalhos.

Vejo também irmãos competindo para ver quem sabe mais, quem faz o melhor trabalho, vaidade tudo vaidade, vaidade e hipocrisia.

Me entristeço ao ver a maçonaria pagar o preço por tantos hipócritas em suas fileiras, me entristeço mais ainda ao ver a felicidade de alguns desses, digamos, “irmãos”.

Quando um pobre irmão comete um erro, e eles já vêm todos envaidecidos apontar o erro como juízes dando uma sentença. Covardemente não o instrui mais o condena como se fosse um pecado mortal.

Gostam de ser tratados com respeito, mais não têm respeito pelo próprio irmão, nem ao menos compaixão, pois o reprime mesmo quando a loja está repleta de visitantes, pois assim demonstram o seu “conhecimento”.

Já dizia o ditado, elogio se faz em público e crítica em particular.

E assim começa a debandada da maçonaria, pois aqueles que deveriam ser mestres e apontar o caminho mal sabem para eles mesmos, pois se soubessem o peso da palavra irmão ou amor fraternal, não fariam tantas críticas, se preocupariam com a felicidade do irmão, com o seu bem-estar.

Conhecimento não é sinônimo de sabedoria, está muito longe disso, conhecimento adquirimos lendo estudando, sabedoria é preciso ter humildade, é preciso ter sensibilidade, empatia, amor, discernimento, compaixão etc.

Fico pensando quando o irmão orador vai ao altar dos juramentos e começa a ler o salmo 133 e logo de início diz OH! QUÃO BOM E QUÃO SUAVE É QUE OS IRMÃOS VIVAM EM UNIÃO.

Pedimos ao GADU, que venha assistir aos nossos trabalhos e fico pensando o quão decepcionado ele ficaria.

Que união e essa que vivemos? Que amor fraterno e esse? Que templos a virtude estamos erguendo? Que masmorras estamos cavando para os vícios?

Condenando os erros dos nossos irmãos, se nós mesmo os cometemos, lembro a todos que Jesus Cristo não condenou nem mesmo aquela mulher adúltera que os fariseus levaram diante d’Ele.

Ao contrário, ele os fez refletir antes de atirar a primeira pedra; reflitamos todos, se realmente estamos sendo verdadeiros irmãos, tomemos como exemplo essa passagem de Jesus Cristo: “Se eles não te julgaram quem sou eu para te julgar. ”

Vamos olhar para nosso semelhante com mais amor, menos preconceito, se Jesus Cristo que é filho do próprio Deus, que poderia ter julgado aquela mulher, preferiu ao invés de julgar, tratá-la com amor, reconhecendo as nossas fraquezas como seres humanos que somos.

Eu me pergunto, quem de nós pode julgar o outro?

Fica aí a pergunta para que possamos refletir sobre o que estamos vivendo na maçonaria e na vida profana.

*O Ir⸫ Marcosael é M⸫I⸫ da Loja Maçônica União e Caridade nº 0322 – Oriente de Prata – MG.

Fonte: https://bibliot3ca.com

sábado, 1 de outubro de 2022

POSIÇÃO DOS PÉS À ORDEM

(republicação)
Questão apresentada pelo Respeitável Irmão Gilberto Barbosa Gomes, membro da Loja Obreiros de Macaé, 2.075, GOB, Oriente de Macaé, Estado do Rio de Janeiro.
mictmrc@viacabo.com.br

Quero saber qual e a posição dos pés nos Graus 2 e 3 no Rito Escocês Antigo e Aceito - GOB, visto que no ritual não cita.

CONSIDERAÇÕES:

Bem com A rigor, esse é um tópico que não precisaria nem estar escrito, pois é regra universal que o obreiro que estiver à Ordem, sempre terá os pés em esquadria unidos pelos calcanhares.

Uma questão simples, às vezes acaba por se tornar complexa devido à pluralidade de pensamentos que não se atém ao óbvio. Assim, como dito do pretérito imperfeito, não precisaria, todavia me parece que a cada Grau há carência de explicação. Assim lá vai a regra: “todo obreiro que estiver à Ordem, mantém o corpo ereto, pés unidos pelos calcanhares formando a esquadria, compondo com as mãos, ou mão, se for o caso, o Sinal Penal do Grau”. Também existe a regra que ninguém compõe o Sinal Penal de qualquer grau sem estar à Ordem (corpo ereto e os pés em esquadria). Isso não precisa estar escrito no Ritual, pois é um costume universal. A responsabilidade desses ensinamentos sempre foi da Loja logo após a Iniciação, Elevação e Exaltação.

Infelizmente, alguns Irmãos, não é o seu caso, defendem veementemente posições contrárias porque não está escrito isso, ou aquilo, esquecendo-se esses do caráter consuetudinário e tradicional nos usos e costumes da Ordem. Até porque pelo caráter sigiloso da Maçonaria, seus segredos (sinais, toques e palavras) não são - ou pelo menos não deveriam – ser encontrados em apostilas explicativas. É então que alguns defensores do contraditório ficam emitindo opiniões no mínimo condenáveis de que isso, ou aquilo não existia porque nos rituais passados não são encontrados esses procedimentos. Tenho a dizer que pesquisas feitas em rituais passados, destes a grande maioria é fruto de especulação, não se pode primar pela autenticidade sem uma aplicação metodológica e acadêmica de pesquisa. Aliás, para os defensores de concepções temerárias que normalmente em defesa das suas convicções proferem o jargão “onde está escrito isso?”, em resposta eu questionaria também: “onde está escrito que não é isso?”.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JBNews n. 814, 18/11/2012

MAÇONS FAMOSOS

INICIAÇÃO MAÇÔNICA DE CALDAS JÚNIOR

FRANCISCO ANTÔNIO VIEIRA CALDAS JÚNIOR (Neópolis, SE, 1868 - Porto Alegre, 1913). Escritor, jornalista, poeta e empresário brasileiro. Foi também um dos fundadores da Academia Rio-Grandense de Letras, patrono da cadeira de nº 23. Fundou o próprio jornal, o Correio do Povo, em 1º de outubro de 1895, também chamado de “O Róseo”, devido à cor das suas páginas. Tinha 26 anos e um objetivo: publicar o primeiro diário gaúcho apartidário, independente e voltado somente aos interesses dos leitores e da comunidade. Chegou ao Grau 33 e foi ele um dos organizadores do Congresso de Veneráveis de 1902, de Porto Alegre.

INICIAÇÃO MAÇÔNICA: 1893.

Loja: Orientação, Porto Alegre-RS, Brasil.

Idade: 25 anos.

Oriente Eterno: Faleceu aos 44 anos de idade, vítima de um erro médico (injeção mal aplicada).

Fonte: famososmacons.blogspot.com

UMA ÓTIMA LOJA

Ir∴ Wilson Marques Barbosa 
Com frequência ouvimos alguém dizer, “minha loja é uma boa loja” E nós ficamos a nos perguntar: “o que é uma boa Loja?”. Não basta que ela seja regular, que tudo esteja funcionando de acordo com a tradição e os regulamentos?

Podemos dizer que uma boa Loja é aquela que tem boa frequência, onde os irmãos sejam pontuais e assíduos. Sem dúvida isto pode ser um critério. Não deixa de ser um bom indicativo: se os Irmãos comparecem é porque ali eles encontraram o que buscam.

Parece-nos que uma boa Loja é aquela que cuida criteriosamente do recrutamento e da seleção dos seus obreiros; que é minudente e rigorosa durante a formação do processo e no ato do escrutínio; que não se deixa levar por paixões de qualquer natureza, quando da escolha de um novo membro para a Maçonaria Universal.

Parece-nos que uma boa Loja não esquece a importância e significação do ritual, e se esmera para que tudo esteja absolutamente de acordo com a letra do manual. Se nos parecer que o manual merece reparos e mesmo contém erros ou enganos trabalhemos para ele seja modificado - enquanto tal ocorre, cumpramos fielmente o atual.

Os rituais devem ser lidos com frequência e os oficiais devem treinar, ensaiar principalmente no início de mandato e quando da realização de iniciações, Adoção de Lowton e outras cerimônias contidas nos Rituais Especiais.

Se a Maçonaria é herdeira das Escolas de Mistério, cabe-lhe a tarefa de transmitir o saber esotérico aos seus iniciados através das claras Instruções. Precisamos ir além das Instruções contidas nos manuais.

É indispensável que o Iniciado seja elevado ao grau seguinte por meio de conhecimento teórico e prático. Exige-se de uma boa Loja que ela faça com que o seu Aprendiz e Companheiro interiorizem a sabedoria e moral maçônica para que amanhã ele seja realmente exaltado ao Grau de Mestre. Pois a Maçonaria está interessada em povoar a sociedade atual de Mestres-Maçons que sejam, antes, Mestres em si mesmo. E só é Mestre de si mesmo quem submete os seus instintos, quem domina a sua vontade, quem disciplina o seu pensamento, quem desenvolve a sua inteligência e quem exercita a sua sensibilidade no sentido do bem comum.

Entendemos que uma boa Loja não esquece os aspectos materiais e, portanto, cuida da construção e conservação do seu templo próprio. E a hospitalaria não pode se esquecer da benemerência interna e externa. Mesmo porque esta atividade é formativa; fazendo nascer o espírito de solidariedade que conduz à caridade - virtude por excelência.

E, claro, que uma boa Loja não esquece os procedimentos administrativos internos nem os referentes aos Grandes Orientes do Brasil e Estadual  (ou Distrital) ou às co-irmãs. Uma boa Loja é administrativamente bem organizada e financeiramente estável.

As promoções abertas à comunidade e as festas públicas devem ser planejadas nos mínimos detalhes para que projetem uma impecável imagem da sublime Instituição.

Mas o que tipifica mesmo uma boa Loja é o clima psicossocial que ai se respira; uma boa Loja é aquela em que os Irmãos se sentem em plena harmonia por circular a paz verdadeira - pois a amizade é um verdadeiro culto.

Uma boa Loja é aquela em que a confiança recíproca nasce da fraternidade e se solidifica na igualdade. E, em consequência, em uma boa Loja não há espaço para discórdia, nem para cambalachos, nem para disputas eleitoreiras nem para a inveja e menos ainda para a intolerância.

Eu estou trabalhando realmente para construir uma boa Loja, uma ótima loja Maçônica? Caso a resposta seja afirmativa, creia que todos os Irmãos lhe são gratos. E que o Supremo Arquiteto do Universo lhe cubra de incessantes bênçãos.