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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

domingo, 24 de julho de 2011

O QUE É A MAÇONARIA? (ENTREVISTA)


Vice-presidente da Sociedade Teosófica no Brasil
Alfredo Puig Figueroa foi Venerável Mestre da Loja Corações Unidos (em Cuba) e Secretário do Supremo Conselho para o Grau 33 da Grande Loja de Cuba.

Entrevista enviada pelo Ir. José Robson Gouveia Freire, de Brasília

Existem no mundo, atualmente, muitas organizações fraternais e entre elas está a Maçonaria, da qual nós conhecemos muito pouco. Como temos agora conosco o Ilustre Irmão Alfredo Puig Figueroa, Soberano Grande Inspetor Geral da Ordem, Grau 33º, vamos solicitar-lhe gentilmente responder as nossas perguntas sobre a Maçonaria.

O que é realmente a Maçonaria?

A Maçonaria é uma instituição secreta que externamente, em o seu conjunto, sempre soube adaptar-se inteligentemente às limitações de determinada época ou nação, tanto que internamente manteve intacta às suas bases e estrutura, e os ensinamentos mais íntimos sempre foram perpetuados e transmitidos por sua tradição através dos séculos.

O Ilustre irmão poderia explicar brevemente a história da Maçonaria?

Segundo muitos historiadores a Maçonaria é uma das organizações mais antigas que existem no mundo e consideram a sua origem no Egito. Por exemplo, menciona-se que aproximadamente 5.600 anos antes da Era Cristã o Faraó Menes vinculou a Maçonaria à estrutura administrativa do país, criando uma sociedade muito eficiente e com uma base plenamente moral.

Na Europa, durante a Idade Média, a Maçonaria foi considerada herética e os maçons foram perseguidos, motivo pelo qual tornou-se uma organização clandestina. Os maçons formaram associações de pedreiros e construíram as igrejas góticas na Europa. (A palavra “mason”, em inglês, significa pedreiro.).

A Maçonaria moderna começou em 24 de junho de 1717, no dia de São João, em Londres, quando várias Lojas Maçônicas formaram a Grande Loja Maçônica da Inglaterra, que se converteu na Grande Loja Maçônica Mãe de todas as Grandes Lojas Maçônicas que se formaram posteriormente.

Existem várias organizações Maçônicas?

A explicação que temos dado anteriormente se refere à Maçonaria que denominamos “regular” e “universal”, que é masculina e que existe em quase todos os países do mundo.

Sim, existem alguns outros corpos maçônicos, como a Grande Loja da Co-Maçonaria “Le Droit Humain”, que tem a sua sede em Paris, França, e a Ordem do Oriente da Franco-Maçonaria Internacional, que tem a sua sede em Chennai, Índia, com uma característica muito particular, pois ambas são mistas e são formadas por homens e mulheres.

Poderia explicar-nos a estrutura da Maçonaria?

A Maçonaria é constituída por dois grandes grupos: a simbólica e a filosófica, com um total de trinta e três graus. A Maçonaria simbólica é formada pelos três primeiros graus: o 1º é do Aprendiz, o 2º é do Companheiro e o 3º é do Mestre Maçom. Com sete Mestres Maçons se constitui uma Loja e com sete Lojas Maçônicas se forma uma Grande Loja ou um Grande Oriente, que rege uma área geográfica determinada.

A Maçonaria filosófica compreende desde o grau 4º até o grau 33º. O 4º grau é do Mestre Secreto; o 9º grau é do Eleito dos Nove; o 14º grau é do Perfeito e Sublime Maçom; o 18º grau é do Príncipe da Rosa Cruz; o 30º grau é do Ilustre Cavaleiro Kadosh; o 32º grau é do Sublime e Valente Príncipe do Real Secreto; e o 33º grau é do Soberano Grande Inspetor Geral da Ordem.

Pode-se considerar a Maçonaria como uma religião?

Não, a Maçonaria não é uma religião porque não têm dogmas nem teologias que se aceitem como atos de fé. Mesmo que existam cerimônias em cada um de seus graus, como formas simbólicas de ensinar virtudes e princípios, o Maçom tem de ser um homem livre e de bons costumes, que acredita na existência de um Ser Supremo que não se define, e que se menciona simbolicamente como o Grande Arquiteto do Universo.

Qual é a base filosófica da Maçonaria?

As normas filosóficas adotadas pela Maçonaria, como lei universal, são os Antigos Limites da Fraternidade (Landmarks), que expressam: “A Maçonaria é a instituição orgânica da Moralidade e seu fim é dissipar a ignorância, combater o vício e inspirar o amor à Humanidade”. Um Maçom tem absoluta liberdade de consciência para acreditar em tudo o que considere como verdadeiro e de bom senso..

A Maçonaria é uma sociedade fraternal?

Um aspecto da Maçonaria a considera como uma sociedade fraternal, formada por homens honestos, que se auxiliam mutuamente e levam a cabo obras de beneficência. Não se pode negar que isso é importante, mas além disso a Maçonaria incentiva seus membros, que desejam encontrar em nossa Augusta Instituição do Esquadro e o Compasso os meios e as orientações para converterem-se em verdadeiros obreiros do progresso humano.

Como a Maçonaria considera os acontecimentos que se estão desenvolvendo ao nosso redor?

Em todos os acontecimentos que se estão desenvolvendo ao nosso redor, estamos conscientes de que neles, incluindo o cenário mundial, o que importa não é em que momento específico tem lugar cada fato, senão que cada um deles é um movimento definido que “poderosa e docemente” propicia o desenvolvimento espiritual da Humanidade.

Quais são os requisitos para ingressar na Maçonaria?

São dois os requisitos para ingressar na Maçonaria. Um é que o candidato deve ser um homem livre e de bons costumes. No outro se precisa acreditar na existência de um Ser Supremo que não se define, e que se denomina o Grande Arquiteto do Universo.

Como se valora a Maçonaria no mundo externo?

Pode-se afirmar que os Maçons crescem, de maneira silenciosa e contínua, por meio da coerência de seus ideais e convicções aplicadas a sua conduta diária, para mostrá-las em pensamento, palavra e obra. Quando a Maçonaria vive no coração de cada membro e se reflete em cada um dos atos da vida diária de cada Maçom, é natural que o mundo profano comece a julgar a Instituição Maçônica de maneira favorável pelo comportamento correto e pela integridade da conduta de cada membro e isso representa uma grande responsabilidade de como se valoram as práticas de virtudes tais como integridade, honestidade, honra e dignidade, as quais nos oferecem uma maravilhosa oportunidade de representar dignamente nossa Augusta Instituição do Esquadro e o Compasso a cada momento.

Significa isto a formação do Homem Novo?

Neste começo do novo milênio todos os pensadores modernos falam do advento de uma Nova Era e da formação do Homem Novo. Mas, para que estas aspirações possam tornar-se numa realidade precisa-se criar uma civilização baseada em um alicerce de valores de moralidade e em ideais espirituais, não simplesmente em valores puramente materiais.

Qual deve ser o principal objetivo de uma sociedade?

Uma sociedade que tenha como objetivo principal o progresso, a felicidade e o bem-estar de todos os homens, reconhecendo que o verdadeiro bem de cada um está profundamente unido ao maior bem de todos os demais, pode considerar-se que é uma sociedade maçônica, mesmo que todos os seus integrantes não sejam necessariamente membros de nossa Augusta Instituição do Esquadro e o Compasso.

De que modo os maçons trabalham para criar uma sociedade maçônica?

Os Maçons trabalham para criar uma sociedade maçônica principalmente pelo estudo da Verdade e a prática da Virtude, que são os dois instrumentos poderosos que possui todo Maçom consciente desses valores – o Esquadro e o Compasso simbólicos. Esses princípios se vinculam com as atividades diárias para alcançar o próprio progresso espiritual.

Que aspecto compreende o estudo da Verdade?

Na medida em que se estudam os ideais nobres e elevados da nossa Ordem, maior será nossa lealdade e nosso respeito para nossa Augusta Instituição. Este conhecimento é básico, pois somente pode ajudar de modo inteligente aquele que sabe como fazê-lo. Não basta ter boas intenções, precisa-se também estar bem qualificado para a tarefa a realizar. O estudo da Verdade significa também que cada Maçom deve refletir esta Verdade em pensamento, de modo que não deve pensar mal dos outros, não atribuir motivos sem fundamento às pessoas, nem sentir inveja ou ciúme dos demais, não prestar atenção às fofocas dos fracassados e não mentir. A palavra de um Maçom tem de corresponder à de um cavaleiro e deve servir sempre para oferecer alento, para consolar, para ensinar, para expressar afeto e compaixão.

Quem domina a sua palavra terá pleno controle sobre todos os seus atos. As ações de um Maçom devem ser de serviço constante, pois sabe que a maior felicidade está em dar e não em receber. Todos os seus esforços estarão unidos a toda ação nobre e a todo propósito justo.

Que se pode dizer sobre a prática da Virtude?

A prática da Virtude é uma questão fundamental na vida maçônica. Por vezes considera-se que basta ser bondoso, não se misturar com problemas alheios e ocupar-se somente dos assuntos próprios. Esta é uma forma refinada de egoísmo. Um egoísta é uma pessoa anacrônica e está destinado a viver em solidão. A prática da Virtude não é algo negativo e sim uma atitude vigorosamente positiva e profundamente ativa, que sempre será uma atitude cheia de otimismo.

A Maçonaria estimula a ajuda mútua e também a beneficência, que compreende a visita aos enfermos e a participação em funerais. Como podemos dizer que praticamos a Virtude se não nos preocupam os problemas, os sofrimentos e as dificuldades de nossos irmãos? Será possível falar da prática da Virtude se não cumprimos com os nossos deveres familiares, cívicos e maçônicos?

Temos de ter presente que a Humanidade está sempre representada na pessoa que se encontra perto de nós em um dado momento. Qualquer auxilio que brindemos a uma pessoa que tem um atrito ou uma necessidade, é uma ajuda que brindamos a todas as criaturas. Por isso, a prática da Virtude compreende o cumprimento estrito de todas as nossas obrigações e de nossos deveres sociais.

Qual é o dever imediato do Maçom?

O Maçom, assim como o cientista, tem o dever de adquirir conhecimento e domínio sobre todos os princípios e leis que regem os reinos da Natureza, mas difere do cientista porque o seu campo de atividade não está limitado somente ao físico, já que o seu estudo é muito mais abrangente, porque compreende o que denominamos o mundo moral ou espiritual.

Na linguagem habitual maçônica ao referir-nos aos Antigos Limites da Fraternidade (em inglês “Landmarks”), expressamos em que se constituem as bases ou fundamentos de nossa Augusta Instituição do Esquadro e o Compasso, que são leis universais, i.e., preceitos ou princípios que têm conservado os seus valores inalteráveis através dos séculos.

Poderia o Ilustre Irmão mencionar o primeiro destes preceitos?

Ao definir a Maçonaria se diz que ela é a Instituição orgânica da Moralidade. Este é um princípio muito controvertido e, em ocasiões, mal compreendido, já que deve explicar qual é o papel e o lugar que ocupa a Moralidade na vida de um Maçom.

Quando a motivação, o impulso ou o incentivo para agir na vida de um membro está dirigido só para alcançar o poder pessoal, para a ambição por ocupar cargos, pela busca de louvor, para o seu orgulho ou a satisfação de suas ambições, este comportamento pode considerar-se “imoral” ou “antimaçônico”, não sendo possível praticar uma moralidade elevada porque seria uma contradição, provocando conflitos internos que levariam o membro a abandonar nossas fileiras. Como menciona um provérbio: “Não é possível estar com Deus e com o diabo ao mesmo tempo”.

O orgulho e a vaidade são considerados, do ponto de vista maçônico, como indecorosos. Um Maçom não somente deve parecer uma boa pessoa, mas tem de sê-lo!

Como se preserva a pureza dos membros?

A Maçonaria conta com um aliado valioso que é o tempo, que se encarrega de depurar gradualmente nossas fileiras, o que na linguagem mística se denomina “separar o grão da palha”.

Todos os que têm muitos anos como membros da Maçonaria têm sido testemunhas de que todos aqueles membros sem escrúpulos, em diferentes circunstâncias e épocas, têm ficado na beira do caminho.

Quais são os que permanecem na Maçonaria?

Aqueles que são fieis aos princípios e às leis universais da Maçonaria. São todos aqueles que sofreram injustiças pessoais e ficaram firmes em seus cargos; os que valorizam a Augusta Instituição acima das debilidades humanas; os que têm aprendido a enfrentar sacrifícios pessoais, de modo natural e simples, como quando se interrompe o descanso ou a comodidade de nosso lar para participar em uma sessão maçônica, visitar um enfermo ou participar de um funeral. São os irmãos humildes, que não procuram se sobressair, e que cumprem os seus deveres de modo simples, os que levam uma vida de elevada moral maçônica. Isso precisa anos de esforços, na prática de uma verdadeira vida maçônica.

Pode dizer-nos algo mais sobre a Moralidade da Maçonaria?

Para trilhar o caminho e colocar em prática a vida maçônica a que fazemos referência, precisa-se uma moralidade elevada, não uma moralidade do tipo convencional, nem mesmo do tipo religioso comum, que diz: “Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”. Do ponto de vista filosófico, a Maçonaria não é um credo, mas uma forma de comportamento, uma forma de vida, e pode-se considerar que um bom Maçom é aquele que é bom filho, bom esposo, bom pai, bom irmão...

Uma moralidade de tipo transcendental, que está baseada em leis e princípios da Natureza, e se deve praticar de modo a poder liberar o membro dos grilhões da ilusão e da ignorância, que é o que o tornará um exemplo vivo do que predica.

Que se poderia acrescentar ao respeito dessa ênfase na Moralidade?

O objetivo de praticar uma moralidade elevada não é para atingir uma felicidade temporal ou transitória, em meio das ilusões e da ignorância em que estamos envolvidos, mas sim para obter uma visão interior profunda de consciência que, quando conquistada, proporciona ao Maçom uma felicidade verdadeira e duradoura, um estado de paz e de tranqüilidade internos, um equilíbrio que nada exterior pode alterar. Então todas as comoções ou perturbações ao nosso redor não poderão alterar esse estado de equilíbrio e poderemos marchar pela vida seguros e repousados, com a nossa consciência tranqüila, pois não temos produzido dor, sofrimento ou crueldade a nenhuma pessoa.

Um outro aspecto a salientar é que a prática de uma moral elevada constitui um escudo protetor valioso e importante que protege o Maçom em sua luta no dia-a-dia. Temos que lembrar que somente podemos ser atacados por nossas debilidades e não por nossas virtudes.

Não se torna muito difícil a prática de uma Moralidade elevada?

Sim, a prática de uma moralidade elevada é algo difícil. Nossas vidas têm sido desenvolvidas em meio a enganos, mentiras e invejas. Sempre procurando as possessões e os cargos dos outros; considerando sempre nosso interesse pessoal acima de tudo, não tomando em consideração o bem-estar dos demais ou do coletivo. Vivemos em um mundo no qual quanto mais se tem, mais se quer, mais se deseja, onde a ambição sem limites por coisas materiais leva à dor e ao aprendizado de que tudo isso não proporciona a felicidade que estamos procurando.

Depois dessas reflexões breves feitas podemos perguntar: Por acaso não vale a pena aceitar este desafio e preencher as nossas vidas com as doutrinas inspiradoras e os ideais elevados da Maçonaria, para tornar-nos Maçons verdadeiros?

Com referência ao futuro da Maçonaria podemos afirmar que, como no passado, ela tem um papel maravilhoso a representar na civilização do futuro. Não foi inutilmente que os antigos ritos sagrados foram conservados secretos e os poderes imemoriais dos Mistérios foram transmitidos através dos séculos até nosso mundo moderno neste começo do terceiro milênio, pois atualmente nos achamos no limiar de uma nova era, segundo o plano do Grande Arquiteto do Universo, no qual muitos se sentirão atraídos pelo ensino filosófico e primitivo ministrado nos Mistérios do Egito, que são a herança que tem sido preservada na fraternidade maçônica.

Esta modesta contribuição está dedicada humildemente a essa grande alma que nas lutas do século dezoito trabalhou, sofreu e triunfou, e que é o Supremo Hierofante de Todos os Verdadeiros Maçons.

Fonte: JBNews - Informativo nº 330 - 24 de Julho de 2011

O VALE


Ir∴ Marco Antônio Nunes – Florianópolis – SC

fluxo e o refluxo das águas do mar escondem corpos putrefatos e acéfalos, enquanto cabeças sem língua de sacrílegos mergulhadas em permanente esquecimento emergem das águas como testemunhas mudas da sua cruel realidade.

Ventos carregam cinzas de entranhas arrancadas de corpos divididos ao meio e jogados em locais diversos, enquanto abutres ávidos e famintos banqueteiam-se em festim diabólico, de corações arrancados daqueles que um dia prometeram algo, mas, por absoluta falta de sinceridade e o empenho da palavra dada, esqueceram seus irmãos.

Este o cenário dantesco que se desenrola na realidade da hipocrisia de muitos falsos homens justos que se autoproclamam perfeitos. Esta é a trágica constatação para os que mergulham no mais profundo abismo das trevas, onde se manifestam os sentimentos brutalizados de uma subespécie dita humana.

Assim são certos homens que, hipocritamente, vivem num mundo irreal e absurdo, absolutamente convictos de que estão na mais perfeita e justa existência pelo simples fato de ostentarem paramentos coloridos, repletos de galardões e adereços do tamanho dos seus mal formados egos.

Que a Luz e a Glória do Grande Arquiteto do Universo se faça nos umbrais, onde vegetam os perjuros de uma instituição proclamada como o universo dos eleitos e faça dela a real vivenda dos iluminados e humildes servos do trabalho árduo no desbaste contínuo das imperfeições de suas pedras brutas. Também naqueles que usam e honram seus aventais, mesmo que simples e alvos com a abeta levantada, símbolo de quem não tem a menor ideia do que seja a hipocrisia, a traição e o perjúrio.

Aos Irmãos Aprendizes, a lembrança de que jamais deixem de se sentirem aprendizes, mesmo tendo galgado os mais altos cargos e graus na Instituição.

E assim que se demostra o verdadeiro sentimento de um Maçom.

Que o fluxo e o refluxo das águas do mar mostrem somente a imaculada brancura da areia e os ventos tragam apenas o perfume das flores desse vale chamado Maçonaria.

Fonte: JBNews - Informativo nº 330 - 24 de Julho de 2011

sexta-feira, 22 de julho de 2011

ASSIDUIDADE DO MAÇOM


Ir∴Albano de Castro 

"Assiduidade, pontualidade e postura do maçom"; são atributos importantíssimos, que deve ter o verdadeiro maçom, sendo que a "assiduidade" é de vital importância, pois dele depende a sobrevivência da loja, senão, como entender o funcionamento de uma loja, se seus membros não comparecem aos trabalhos?

Quem abrirá o templo?

Quem o adornará?

Quem preparará as ferramentas?

Deter-nos-emos com mais vagar neste primeiro atributo, mais abrangente e os outros só existem em função deste.

O que é assiduidade? Consultando o dicionário, deparamo-nos com a definição de que é a qualidade ou caráter de assíduo; e assíduo é o que comparece com regularidade e exatidão ao lugar onde tem de desempenhar seus deveres ou função.

São deveres do maçom, entre outros, o de "freqüentar assiduamente os trabalhos da loja e corpos a que pertencer.

Aliás, nós, hoje aprendizes, companheiros ou mestres, ao preenchermos nosso pedido de ingresso nesta Sublime Instituição, nos comprometemos a freqüentá-la com assiduidade e à pergunta do sindicante sobre o mesmo assunto, afirmamos ter disponibilidade de tempo para freqüentar os trabalhos semanalmente.

E reafirmamos este propósito, às perguntas do Venerável Mestre, durante a solenidade de iniciação, quando recebemos a LUZ.

Meus irmãos, tudo o que dissemos até agora, refere-se simplesmente aos aspectos legais, necessários e essenciais ao bom funcionamento de toda e qualquer instituição, organização, sociedade e também da maçonaria.

Mas o aspecto que vamos abordar, embora não se divorcie do legal, reveste-se de sentimento de amor, de solidariedade, de fraternidade, de irmandade.

Lembremo-nos do Livro da Lei, ao abrimos os nossos trabalhos, nos exorta à união, ao declamar o salmo 133 "Oh! Quão bom e suave é que os irmãos vivam em união".

É esse bom viver entre os irmãos que nos animam, nos confortam nos fortalecem, nos alegram.

Falamos de esse bom viver que aqui, semanalmente, nós experimentamos e compartilhamos com os que estão aqui conosco e queremos dividir com mais irmãos.

Conta-se que em uma pequena cidade no interior da Inglaterra, havia um pastor que conhecia praticamente todos os seus habitantes; nos cultos dominicais, era comum que algumas pessoas se sentassem sistematicamente nos bancos da frente; entre essas pessoas, havia um senhor muito conhecido e respeitado naquela localidade que se sentava sempre no mesmo banco.

Num determinado domingo, o pastor observou que aquele banco estava vazio; não se preocupou, porque era normal que alguns irmãos, por algum motivo tivessem faltado àquele domingo.

Na semana seguinte o banco continuou vazio; o pastor começou a ficar preocupado, começando a especular-se sobre o fato.

Na terceira semana, repetiu o episódio, novamente o banco continuava vazio.

Terminado o trabalho religioso, o pastor resolveu ir à casa do irmão para saber do motivo de suas ausências.

O irmão argüiu que já freqüentava o culto há muitos anos, sabia de cor e salteado o que o pastor iria pregar, conhecia todos os livros da bíblia, os cultos já estavam se tornando enfadonhos, cansativos, repetitivos, enfim, não via mais nenhum atrativo para ali se dirigir.

Então o pastor nada disse; foi até a lareira, retirou de lá uma brasa e colocou-a em cima do parapeito da janela. Sentou-se e esperou. Dentro de poucos minutos, a brasa começou a apagar-se.

Passados alguns instantes de silêncio entre os dois, o irmão faltoso disse ao pastor: pastor, compreendi a sua mensagem. E voltou a freqüentar o culto, como sempre o fizera.

Moral da história: uma brasa sozinha perde o seu calor muito rapidamente.

O que aconteceu com o irmão dessa história é bem parecido com o que acontece hoje com nossas lojas, de modo geral.

Muitos irmãos não comparecem às reuniões, alegando motivos vários, parecidos com os da história; ora porque não tem tempo, ou que as reuniões não têm motivação e são demoradas ou que tem compromissos mais importantes, que os temas abordados não tem interesse, ou são enfadonhos, cansativos, repetitivos; que para ouvir simplesmente o bater de malhete, melhor seria ficar em casa, etc., etc., etc.

É fácil reconhecer um maçom desinteressado: é aquele que está sempre reclamando que a sessão está demorando muito e que precisa ir embora por um motivo ou outro; aquele que sempre encontra razões para não colaborar com os afazeres da Loja.

Que esses irmãos não nos sirvam de lição; que não o imitemos; antes, porém que sejamos com eles tolerantes, não coniventes; que o incentivemos, que o apoiemos, enfim que com ele dialoguemos como irmãos e amigos, propiciando assim, a formação de uma corrente positiva, a que chamamos EGRÉGORA MAÇÔNICA, tão necessária durante os nossos trabalhos.

A Maçonaria visa à mudança do homem em seu interior, tendo como objetivo a sua evolução interior, contribuindo assim, para a evolução não só dos maçons em particular, mas de toda uma sociedade.

Os irmãos que desejam verdadeiramente evoluir em seu íntimo devem fazê-lo, mudando inicialmente sua maneira de pensar.

Devemos perguntar-nos, a exemplo do Presidente Kennedy em seu discurso de Posse, não o que a Maçonaria poderia fazer por mim, mas o que eu posso fazer para a Maçonaria?

PONTUALIDADE DO MAÇOM

Superado esse primeiro atributo, o da assiduidade, deparamo-nos com o segundo, também de suma importância para que nossos trabalhos possam ser considerados justos e perfeitos:

A Pontualidade.

O que será essa pontualidade? Consultando ainda mais uma vez o dicionário, constatamos que é a qualidade de pontual; exatidão no cumprimento dos deveres ou compromissos; rigor, donde pontual é o que chega parte ou cumpre as obrigações à hora marcada.

Assim, deve o maçom, sempre que possível, estar presente pelo menos quinze minutos antes da hora marcada de adentrar o templo, oportunando com isso um melhor congraçamento na sala dos passos perdidos, sem estar sujeito ao rigor e à solenidade ritualística de que se revestem as nossas sessões. Bem é estarem unidos os irmãos.

Um segundo enfoque para essa pontualidade está prescrito, precisamente, quando diz que são deveres do maçom, satisfazer, com pontualidade, contribuições pecuniárias ordinárias e extraordinárias que lhe forem cometidas.

Um irmão zeloso de seus deveres e de suas obrigações, não deve esperar que o irmão tesoureiro o procure para saldar suas contribuições, antes, porém de ser procurado, nivelará seus metais junto à tesouraria. Esse é o comportamento de um verdadeiro maçom.

POSTURA DO MAÇOM

Por fim, passemos a tecer algumas considerações sobre o terceiro atributo, a Postura que junto com os demais, formam uma das mais marcantes e principais características do maçom.

Ensina-nos o Mestre Aurélio que Postura é a posição do corpo; aspecto físico; atitude.

A primeira instrução que o aprendiz maçom tem, após ter recebido a luz é: quando de pé, deveis estar perfeitamente eretos, isto é, aprumado, direito, pois é assim, nesta posição que se comunicam as instruções do grau; quando assentado, também deveis estar com o tronco ereto, tendo as mãos apoiadas sobre os joelhos, em posição confortável e propícia a receber e absorver todos os eflúvios emanados dos irmãos.

Num outro sentido, não físico, a postura significa atitude, conjunto de conceitos, principalmente de cunho moral, de que deve estar revestido o maçom. A melhor forma de o maçom demonstrar sua postura maçônica é pelo exemplo; palavra, discurso, intenção, nada substitui o exemplo, que deve ser o de um homem livre e de bons costumes.

O mais importante é que os irmãos criem em seu viver diário, o salutar hábito da prática do bem, não como mero cumprimento dos deveres e obrigações, mas imbuídos dos mais puros propósitos maçônicos, nascidos espontaneamente do coração.

Tomara possamos ter a capacidade de absorver e adotar como prática em nossa vida maçônica e profana a assiduidade a pontualidade e a postura; se assim o fizermos, certamente nos tornaremos verdadeiramente obreiros úteis e dedicados.

Fonte: JBNews - Informativo nº 328 - 22 de Julho de 2011

O MESTRE DE CERIMÔNIAS

Ir∴ José Aparecido dos Santos (adaptação)

O Cargo de Mestre de Cerimônias é um dos cargos de real importância dentro de uma Loja Maçônica. Além das atribuições que lhe são de Regulamento, ele deverá ser um exímio executor da Ritualística e dos SSin∴ e PPal∴ dos Graus em que estiver vinculado. Na verdade esse Oficial deve ter o mais completo domínio do Cerimonial Maçônico, tanto nas SSess∴ EEcon∴ como nas Sessões Magnas. Por isso é de bom alvitre que se escolha para esse Cargo, Irmãos de capacidade comprovada. Esse não é um cargo secundário, não podendo, portanto ser entregue às mãos menos hábeis de Irmãos inexperientes.


Pode caminhar do Norte ao Sul, do Oc∴ ao Or∴, aproximar-se de qualquer Obreiro independentemente do cargo ou grau. Logicamente o ir∴ Hospitaleiro também tem essa prerrogativa, porém apenas num determinado momento da sessão; já com o M∴ de Cer∴ , tal situação faz parte de sua função e deve ser exercida na maior discrição possível. Ao levar o livro de presença, para a assinatura dos Irmãos e o encerramento pelo Venerável. Deve estar atento ao que passa no momento; é deselegante fazê-lo quando da apresentação de trabalhos ou durante manifestação de algum irmão. O cumprimento do horário do início dos trabalhos é também uma tarefa Sua, devendo solicitar aos irmãos que se paramentem, e se postem nos seus devidos lugares (varia conforme o Rito) Deve alertar o Venerável quando a Loja está composta, e zelar para que todos os Obreiros estejam devidamente paramentados, e com as insígnias dos cargos que ocuparão.

REFORÇANDO: Em primeira instância é o M∴ de Cer∴ que deve lembrar aos Irmãos que o traje é , TERNO preto (e não um moleton azul); e que a CAMISA é branca (e não listradinha); que a GRAVATA é preta (ela não é adereço): MEIAS e SAPATOS pretos ( e não tênis branco com solado vermelho). Lógico que ele deve compreender que em uma determinada situação, o irmão pode estar justificadamente fora dos “padrões” desde que isso não se torne um hábito. Mais importante que a vestimenta é a presença do irmão. Não sejamos exagerados como numa academia de imortais, mas jamais deveremos ser relaxados como numa agremiação de bairro, e nos vestirmos como se fossemos à praia, clubes, baile e sim devemos estar trajados a caráter, como se estivéssemos em uma Sessão Magna.

Nas circulações e devidas paradas, a única observação é que ELE não deve, NUNCA dar as costas para o Or∴ , em sinal de respeito. Ao anunciar o resultado das votações, deve apenas dizer se foi aprovado ou não (dizer que foi aprovado por unanimidade ou maioria é adjetivar a situação). ADJETIVAR é qualificar uma resolução da Assembléia da Loja, que deve ser sempre, justa e perfeita, não cabendo louvores ou questionamentos. É dele, a responsabilidade de colher dos Irmãos visitantes, a palavra semestral ou de convivência; afinal ele é o único que recebeu a PALAVRA duas vezes, e a confirmou ao Venerável Mestre. Vale ressaltar que esta função pode não ser dele conforme a Potência e o Rito praticados pela Loja. Outro aspecto que varia muito é seu instrumento de trabalho. Para alguns, é o bastão com as Jóias do Cargo, outros usam espadas, ou ainda, um cajado reto ou curvo, mas todos, tem a simbologia do GUIA, ou Pastor (aquele que vai à frente). È fácil compreender o Simbolismo do GUIAR, quando comparamos um rebanho de ovelhas com uma manada de bois. O Pastor via à frente guiando as ovelhas, já o Boiadeiro, vai atrás tocando a boiada. Como o Mestre de Cerimônias é o GUIA, deve ele ir à frente dos irmãos. Para despertarem os irmãos a pesquisarem sobre este valioso Cargo, peço que observem a disposição dos bastões do DDIAC∴ com a do M∴ de Cer∴; vejam que o do mestre de cerimônias está entre eles; os três devidamente perfilados. Dois são “fixos” e o outro circula pela Loja. Em duas situações eles se encontram, e formam uma estrutura muito interessante e para o trabalho ser Justo e Perfeito.

Nota-se por tudo o que foi exposto, que o Mestre de Cerimônias é um Oficial importantíssimo na Administração de uma Loja, devendo ser um perfeito conhecedor da Ritualística e possuir suficiente desembaraço para não truncar o correto desenvolvimento de uma Sessão. Ele é tão importante que tem o direito de, estando Entre Colunas, pedir a Palavra diretamente ao Venerável, através de uma simples pancada com as palmas das mãos...

Tão importante é o Mestre de Cerimônias, que já se disse, e com muita propriedade, que a gestão de um Venerável depende, primordialmente, do Secretário e do Mestre de Cerimônias, pois desses dois Oficiais, dependem, respectivamente, o bom rendimento administrativo e o correto desenvolvimento das Sessões.

Observação de Disciplina: Em tempos atrás tive a grata satisfação de ter uma palestra de um nobre e querido irmão, onde este cita com ênfase sobre a catástrofe ocorrido no Japão e a conduta moral de disciplina de educação que este povo tem em sua criação e a recuperação é rápida, sem reclamações e com regras de conduta moral e disciplinar em seguir o que lhes é colocado. E diante desta colocação em disciplina, será que também nós homens livres e de bons costumes, não poderíamos seguir a doutrina de disciplina que nos foi colocada em nossa iniciação e através de nossos padrinhos e dar seguimento ao plano maçônico??!!

Pensemos e façamos o ato de reflexão de nosso dia à dia e como devemos proceder tanto dentro e fora de nosso Templo Fixo e Humano.

Fonte: JBNews - Informativo nº 328 - 22 de Julho de 2011

MESTRE DA LOJA OU VENERÁVEL MESTRE?


Ir∴ Anatoli Oliynik

Há uma questão polêmica na denominação correta do cargo de presidente de uma loja maçônica simbólica: Mestre da Loja ou Venerável Mestre?

Para dirimir essa dúvida, vamos fazer algumas ilações a respeito deste instigante assunto, começando com a definição de seus elementos.

A palavra “Mestre”

A palavra mestre é um substantivo masculino [do francês antigo, maiestre], que designa aquele que é versado em uma arte ou ciência; o artífice que dirige outros oficiais; aquele que trabalha por conta própria, entre outras definições.

Na antiguidade, segundo Nicola Aslan, o título era usado entre os Talhadores de Pedra para indicar o Companheiro encarregado da direção de um canteiro de obras. Mais tarde, a Maçonaria especulativa atribuiu o título à quem presidia as assembléias de uma Loja. A partir de 1725, o termo foi usado para designar, não mais uma função, mas uma dignidade, e tornou-se a denominação de um terceiro grau.

A palavra “Venerável”

A palavra venerável [do latim venerabile] é um adjetivo que designa algo ou alguém digno de veneração ou respeito.

Nicola Aslan, define como primeiro oficial e presidente de uma loja maçônica simbólica. Segundo Castellani, a utilização desta palavra para designar o presidente de uma loja maçônica, é um “erro crasso”, pois mesmo quando usada como Venerável Mestre, continua sendo o adjetivo relativo ao substantivo Mestre.

Ainda, segundo Aslan, e Castellani adota a mesma linha de raciocínio, o título surgiu no século XVII, quando as guildas inglesas começaram a denominar-se “Worshipful”, isto é, Venerável. A Companhia de Pedreiros de Londres passou então a chamar-se “The Worshipful Company of Masons”. Na Inglaterra, o título de “Worship”, significando veneração ou adoração, foi aplicado primeiro ao Grão-Mestre, depois às lojas, e mais tarde ao seu Mestre.

Se examinarmos as Constituições dos Franco-Maçons que são o documento básico da Maçonaria chamada Moderna, também conhecidas por Constituições de Anderson, de 1723, logo no primeiro título, constataremos o seguinte:

The CONSTITUTIONS OF THE
Free-masons Containing the
History, Charges, Regulations, &c. Of that most Ancient and Right Worshipful FRATERNITY
For the Use of de LODGES

[Tradução]

As

CONSTITUIÇÕES dos FRANCO-MAÇONS contendo a História, as Obrigações, Regulamentos, &c. Dessa mui Antiga e Mui Venerável FRATERNIDADE Para o Uso das LOJAS

A palavra “Worshipful” (o grifo é meu) aparece aí colocada como adjetivo qualificativo do substantivo feminino “Fraternidade”, sendo utilizada para qualificar a Instituição, no caso, a Premier Grand Lodge. No preâmbulo da parte histórica do mesmo documento, constata-se o seguinte:

The CONSTITUTION,
History, Charges, Regulations, &c. of the
Right Worshipful FRETERNITY of Accepted Free MASONS;
Collected
From their general RECORDS, and their Faithful TRADITIONS of many Ages.
To be read
At the Admission of a New Brother, when the Master or Warden fhall begin, …

[Tradução]

“A CONSTITUIÇÃO, História, Leis, Obrigações Ordens, Regulamentos, e Usos, Da Mui Venerável FRATERNIDADE dos MAÇONS Livres e Aceitos; Coligidos De seus ARQUIVOS gerais, e de suas fiéis TRADIÇÕES de muitas Eras. para serem lidas

Quando da Admissão de um NOVO IRMÃO, quando o Mestre ou o Vigilante começara...” Observem que o tratamento ao presidente da Loja é “Mestre” (o grifo é meu) e não “Venerável” utilizado para designar a Fraternidade. Isso corrobora que a palavra “Venerável” era utilizada, inicialmente, apenas para qualificar a Instituição, segundo afirmam Aslan e Castellani.

Na parte que trata dos Regulamentos Gerais, novamente aparece a designação “Mui Venerável GRÃO-MESTRE MONTAGU, ...”.

O artigo XII, por exemplo, descreve: “A Grande Loja é formada por Mestres e Vigilantes de todas as Lojas regulares e particulares Registradas, ...”.

Observe-se que Anderson refere-se a Mestre para designar o presidente da Loja, e Venerável, para designar a Fraternidade, no caso, a Grande Loja. Ele faz isso em todo o documento, sem exceção.

Aqueles que conhecem o Rito de York, mais especificamente o Ritual de Emulação inglês, encontrarão no Primeiro Grau e também no Ritual de Cerimônia de Instalação, alusões e referências ao Mestre e não Venerável Mestre.

Castellani, em seu Dicionário Etimológico faz a seguinte afirmação: “Em Maçonaria, o termo (Venerável) tem origem inglesa: derivado da palavra inglesa worship, que significa adoração, culto, reverência (como forma de tratamento), quando usada como substantivo, e venerar, idolatrar, adorar, quando usada como verbo transitivo, tem-se o vocábulo Worshipful, que significa adorador, reverente, ou, como forma de tratamento, venerável. Assim, o presidente de uma Loja passou a ser designado como Worshipful Master – normalmente apenas Master – expressão que significa Venerável Mestre e que seria adotada por todos os agrupamentos maçônicos, embora o termo Venerável, de princípio, fosse aplicado apenas às corporações (Venerável Ordem, Venerável Instituição)”.

Dissemos, que a partir de 1725 a palavra Mestre deixou de designar uma função para designar uma dignidade. Segundo Nicola Aslan, a razão dessa denominação, parece ter sido o desejo de fazer uma escolha entre os membros cada vez mais numerosos da associação e de constituir um “high Order of Masonry”, como o grau de Mestre foi algumas vezes denominado. O que quer que fosse, este grau representa uma criação própria da Maçonaria especulativa. Os seus autores que permaneceram desconhecidos, apelaram para todos os recursos de sua imaginação e para uma erudição tão vasta quanto incoerente e produziram um monstro enigmático do qual as pesquisas mais conscienciosas não puderam descobrir a verdadeira origem.

Conclusão

Assim, o cargo de presidente de uma Loja Maçônica, denominado Mestre, assume, inexplicavelmente e erroneamente, a denominação de Venerável Mestre.

Aceitamos que frase Venerável Mestre seja utilizada como um vocativo, ou forma de tratamento, segundo normas e regras gramaticais da língua portuguesa, mas não se pode aceitar que o termo designe um cargo.

Por este motivo, no livro O Rito de York, de minha autoria, denomino o cargo de presidente de uma Loja Maçônica simbólica, como sendo: Mestre da Loja e não Venerável Mestre.

Bibliografia
  • Aslan, Nicola. Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia. Rio de Janeiro: Ed. Artenova, V vol. 1975.
  • Castellani, José. Dicionário de Termos Maçônicos. Londrina: Ed. A Trolha, 2ª ed., 1995. 
  • Castellani, José. Dicionário Etimológico Maçônico. Londrina: Ed. A Trolha, 1990. 
  • Mellor, Alec. Dicionário da Franco-Maçonaria e dos Franco-Maçons. São Paulo: Ed. Martins Fontes, 1989. 
  • Oliynik, Anatoli. O Rito de York. Curitiba: Ed. Vicentina, 1997. Reprodução das Constituições dos Franco-Maçons. 
  • Tradução de João Nery Guimarães. Brasília: Ed. Gráfica do Grande Oriente do Brasil, 1997.
  • Dicionário Eletrônico Aurélio da Língua Portuguesa.
  • Dicionário Eletrônico DIC Michaelis.
Fonte: JBNews - Informativo nº 328 - 22 de Julho de 2011

quinta-feira, 21 de julho de 2011

O MAÇOM EA SUA LOJA


Ir∴José Alves Fraga
Loja Maçônica Estrela Da Serrinha 2033 
Goiânia – GOB/GO

Oh! Quão bom e suave é que os Irmãos habitem em união 

Existe uma historinha que volta e meia estamos ouvindo no meio maçônico, mas que nunca é demais repetir:

“Conta-se que em uma pequena cidade da Inglaterra, havia um pastor que conhecia praticamente todos os cidadãos da localidade.

“Nos cultos dominicais, era comum que algumas pessoas ocupassem sempre os mesmos lugares na igreja. Assim, num determinado banco, sempre estava um senhor muito respeitado e querido no lugar.

“Num determinado dia, o pastor notou que aquele banco estava vazio. Achou estranho. Porém, não se preocupou muito porque era comum alguém faltar ao culto esporadicamente por um motivo ou outro.

“Na semana seguinte, novamente o banco estava vazio, levando o pastor a especular-se sobre o fato.

“Na terceira semana o banco continuou vazio.

“Terminado o culto, o pastor dirigiu-se à residência daquele Irmão para indagar-lhe o motivo de suas ausências.

“O cidadão arguiu que há muitos anos freqüentava aquela igreja e que já estava achando os cultos muito enfadonhos e repetitivos. Disse que já sabia de cor e salteado tudo o que o pastor falava.

“Foi então que o pastor foi até a lareira, retirou de lá uma brasa e colocou-a em cima da pedra que servia de parapeito da janela. Dentro de pouco tempo, essa brasa começou a se apagar.

“Passados alguns instantes de silêncio entre aqueles dois homens, o cidadão faltoso disse: Pastor, compreendi a sua mensagem.

“E voltou a freqüentar o culto como sempre o fez”

Moral da história: Uma brasa sozinha perde o seu calor muito rapidamente.

Meus Irmãos!

A pequena história que contamos acima vem bem a calhar com o que acontece nas Lojas Maçônicas de forma geral. Muitos Irmãos deixam de freqüentar a sua Loja alegando motivos muitas vezes inconsistentes. Muitas vezes, quando comparecem, acham que a reunião está chata e demorada.

A Maçonaria, como já depreendemos, visa a mudança do homem em seu interior. O seu objetivo é que o homem evolua interiormente, e em fazendo isso, estará contribuindo para a evolução não só dos maçons de forma particular, como de toda a sociedade. O comportamento do homem normalmente reflete o seu interior. Alguns podem até conseguir disfarçar por algum tempo, mas nunca o conseguirão por todo o tempo.

O homem que deseja sinceramente evoluir em seu íntimo, deve fazê-lo mudando inicialmente a sua maneira de pensar. Deverá direcionar seus pensamentos para atitudes nobres. Quando nos propomos a realizar alguma coisa ou participar de qualquer evento, sociedade ou o que for, devemos inicialmente perguntar-nos se realmente é aquilo que queremos. Após a decisão tomada, devemos dar o melhor de nós na realização daquilo a que nós nos propusemos. Em outras palavras: devemos colocar AMOR naquilo que fazemos.

A Maçonaria é uma sociedade iniciática, isto é, os seus membros devem passar por uma cerimônia de iniciação, quando o neófito morre para o mundo profano, ou seja, o mundo dos erros e dos vícios e renasce em um mundo diferente. Um mundo dedicado ao trabalho e à virtude.

Mas será que a iniciação consiste somente naquela cerimônia do primeiro dia? Com certeza, a resposta é NÃO. A iniciação envolve todo um processo no qual o iniciado vai galgando degrau por degrau durante toda sua vida maçônica.

O verdadeiro maçom é aquele que busca extrair dos postulados da Ordem, os ensinamentos de que carece para sua evolução. Infelizmente, muitos maçons esperam que após a sua iniciação, lhes sejam aberta a cabeça e lá colocado vários tonéis de conhecimentos. Muitos maçons têm a ilusão de que com a iniciação, lhes seja revelada uma fórmula mágica que propicie uma mudança radical em sua vida. E isso, evidentemente, é só uma ilusão. A verdade é que os fatos não acontecem dessa forma.

Devemos reconhecer que existem falhas por parte das Lojas. E elas não são poucas. Por outro lado, notamos que existe uma grande apatia de parcela significativa de maçons em procurar conhecer a Maçonaria profundamente. E a forma de fazê-lo é só através da leitura, do estudo persistente. Observa-se uma situação peculiar nessa questão: quem já está dentro há mais tempo, não possui os conhecimentos necessários a uma boa orientação aos neófitos e estes por sua vez, não sendo bem orientados, tendem a seguir o comportamento dos mais velhos. É aquela velha máxima que diz que“o homem é um produto do meio”. O verdadeiro maçom é aquele que busca conhecer a Ordem a que pertence sem esperar que os outros o façam por ele.

Por outro lado, devemos compreender que se queremos ser verdadeiramente maçons, não podemos ficar somente observando as falhas dos outros. Se ingressamos na Ordem e deparamos com um ambiente que não corresponde à expectativa que tínhamos, certamente que o caminho mais correto não é o de abandoná-la, ou pior ainda, continuar fazendo parte da mesma, porém de forma indiferente. O procedimento correto do verdadeiro maçom é procurar se evoluir e tentar, através de seus conhecimentos, buscar iluminar aqueles menos interessados. Se cada um de nós procurar agir dessa maneira, com certeza estaremos construindo uma Maçonaria muito melhor, formando melhores maçons e por conseqüência, contribuindo para a melhoria da sociedade como um todo. É fácil reconhecer um maçom desinteressado: ele está sempre reclamando que a sessão está demorando e que precisa ir embora por um motivo ou outro; ele sempre encontra razões em não colaborar com os afazeres da Loja.

Assim, um dos preceitos básicos que devemos observar é o da tolerância. Sem a tolerância não haverá companheirismo. Para haver tolerância e companheirismo, é necessário muita humildade e respeito. Talvez resida aí o primeiro passo que devemos dar para a nossa mudança interior, da qual falamos linhas acima. Tolerância não significa conivência. Devemos sim, ser tolerantes com as falhas dos

Irmãos, com todos os seus defeitos e fraquezas, jamais com a preguiça e a indolência.

Falamos também acima, que devemos colocar AMOR em toda empresa de que participarmos. Então, quando participamos de uma sessão maçônica, devemos fazê-lo com a maior boa vontade possível. Ao nos dirigirmos para a Loja a fim de assistirmos os trabalhos, devemos procurar ter pensamentos nobres e sublimes. Só assim estaremos contribuindo para a formação de uma corrente positiva dentro do templo, e por conseqüência, auferindo os benefícios que dela advém. Essa corrente de pensamento positivo é a chamada EGRÉGORA MAÇÔNICA. Os Irmãos certamente já experimen-taram a sensação de paz que existe em determinados locais, principalmente em templos religiosos ou outros lugares onde não exista a presença de energias negativas. É justamente esse ambiente de paz e serenidade que devemos procurar proporcionar em nossas reuniões.

Conforme prevê a nossa Constituição, “a Maçonaria pugna pelo aperfeiçoamento moral, intelectual e social da humanidade, por meio do cumprimento inflexível do dever”.

A Maçonaria propaga e defende a VERDADE como simples verdade. Assim, se o maçom busca sua mudança interior, o primeiro preceito que ele deve procurar desenvolver é o da verdade. Verdade sobre si mesmo e para consigo mesmo. Será se o motivo alegado para faltar a uma sessão é o verdadeiro? Será se estamos doando de nós tudo o que podemos em benefício de nossa Loja, em benefício do grupo a que pertencemos, ou seja em benefício de nós mesmos? Vale a pena meditar sobre isso.

Se cada um de nós fizer a sua parte, com certeza, os resultados nos surpreenderão a todos. Alguém já disse que “o todo é muito maior do que a simples soma das partes”.

Fonte: JBNews - Informativo nº 327 - 21 de Julho de 2011

OS DOIS COVEIROS DA MAÇONARIA


Por Ricardo Vidal

Meus prezados Irmãos!

Meus amados irmãos Aprendizes e Companheiros!

Mais de uma década de rica experiência na Maçonaria, de convívio com pessoas que pensam e agem das mais diversas maneiras; de observação, pesquisa, investigação e busca incessante da verdade, permitiu-me identificar inúmeros tipos de maçons, dois dos quais são altamente deletérios à saúde da nossa sublime instituição, fonte de seus principais problemas: o místico supersticioso e o vaidoso arrogante. Conhecer um pouco da personalidade desses dois impostores, existentes em nosso meio em razoável número, bem como as desordens psicológicas que definem o comportamento anormal e antimaçônico de ambos, é uma boa maneira de proteger-se deles, em especial em situações em que não é fácil ou possível evitá-los.

Estou certo de que o presente trabalho será de grande valia para os irmãos mais novos, sobretudo para aqueles que ingressaram em nossa instituição com a mente cheia de pensamentos honestos e ideais elevados. Servirão também para fazer corar de vergonha aqueles que se enquadram em nossa análise, persuadidos de que estão a salvo dos olhares atentos de irmãos mais esclarecidos.

PARTE I
O MÍSTICO SUPERSTICIOSO
(O paraíso do idiota é o mundo de ilusões por ele criado)

Antes de iniciarmos a análise desse tipo de maçom, seria interessante passarmos os olhos em alguns princípios fundamentais da Maçonaria que ele contraria ou ignora, total ou parcialmente:

a) A Maçonaria não impõe limites á livre INVESTIGAÇÃO DA VERDADE e exige de todos a maior TOLERÂNCIA;

b) A Maçonaria é acessível a homens de todas as CLASSES, CRENÇAS RELIGIOSAS E OPINIÕES POLÍTICAS, excetuando-se aquelas que privem o homem da liberdade de consciência, restrinjam os direitos e a dignidade da pessoa humana, ou que exijam submissão incondicional aos seus chefes, ou, ainda, PRIVEM O HOMEM DA LIBERDADE DE MANIFESTAÇÃO DO PENSAMENTO;

c) O objetivo da Maçonaria é COMBATER A IGNORÂNCIA em todas as suas modalidades;

d) E o FANATISMO e as paixões que acarretam o OBSCURANTISMO (*)

(*) Ritual do Simbolismo do Aprendiz Maçom do Rito Escocês Antigo e Aceito, págs.1-2. (Grande Loja Maçônica do Estado de São Paulo-GLESP).

a) Intolerância e mediocridade

Violador contumaz dos regulamentos acima, e de dezenas de outros que disciplinam as nossas relações, incluindo os landmarques, o maçom supersticioso é inimigo da verdade e amante da mentira. A facilidade com que se entrega aos encantos de certas imposturas – algumas fabricadas por bárbaros e alucinados que viveram na Idade do Bronze–, chega, em alguns casos, a ser revoltante. Preguiçoso mental por excelência – característica notória de todo indivíduo supersticioso –, ele nunca se dá ao trabalho de investigar o que lhe apregoam ou as falsidades que instila deliberadamente na própria cabeça, permanentemente cheia de minhocas e voltada para o mundo das coisas extravagantes. Ele absorve dogmas, fábulas e teorias mirabolantes sem jamais submetê-las ao crivo da razão. Quanto mais fantástico e absurdo é o mito que lhe apregoam, mais fácil e avidamente ele o devora. Para ele as coisas irreais valem mais do que as reais; as invisíveis, mais do que as visíveis. Runas, mantras, chacras, cristais, sefirotes, bruxedos, pentagramas e amuletos valem mais do que pontes, pomares, diques, vacinas, adubos, medicamentos, escolas, asilos, Filosofia, Matemática, Medicina etc. A Ciência não é objeto de suas preocupações, a Filosofia o aborrece e da realidade ele foge como a barata das cerdas de uma vassoura. São coisas incompatíveis com o seu cérebro indolente e obscuro, porque a Ciência requer investigação, a Filosofia exige estudo e reflexão e a realidade não combina com a covardia. No seu tosco entendimento, esses assuntos maçantes devem ser deixados a cargo dos desprezíveis materialistas, indivíduos afastados de deus.

O maçom supersticioso não vê com bons olhos o progresso da Ciência e raro é o que têm respeito pelos irmãos que só aceitam o que ela ensina e a experiência confirma. Nesses costuma lançar a pecha de ateus, ímpios, descrentes e outros termos rebaixados, cujas etimologias muitas vezes nem conhece. Autênticas e dignas de louvor são para ele apenas a confissão religiosa que professa, as quimeras que fermentam em seu cérebro, e as divindades nas quais crê. Tudo o mais ele rechaça como coisa vil e falsa.

Quais são os ídolos do maçom supersticioso? Os irmãos Francisco Miranda, George Washington, Simon Bolívar, San Martin e Gonçalves Ledo, que sacudiram o jugo do colonialismo e libertaram o continente americano de seus opressores europeus? Não, são os impostores Cagliostro e Saint-Germain, dois assíduos frequentadores de cadeias que perambulavam pela Europa no séc. XVIII, aplicando golpes por onde passavam! Por esses nutre um amor todo especial, ainda que em suas respectivas folhas de serviço não conste o registro de um único ato comprovado praticado em prol da humanidade.

Em quem se espelha esse tipo de maçom? Nos irmãos Tomas Jefferson, Tomas Paine e Lafayette, que fundaram a nação mais poderosa e próspera do planeta, os Estados Unidos da América? Talvez ele nem saiba quem foram esses três gigantes! Sua preferência é por gente ignota, paspalha e sem biografia, tais como Martinez de Pasqually e o Barão de Tschouldy, dois impostores que inundaram a coreografia maçônica de graus fraudulentos!

Quais são os “líderes espirituais” do nosso maçom? Algum filósofo que contribuiu para içar a humanidade das trevas da ignorância, abrindo-lhe as alamedas do progresso, tais como os irmãos Montesquieu e Voltaire? Não, são os visionários Emmanuel Swedemborg e Luís Claude de Saint-Martin, que em seus livros descreveram os mistérios da criação com a mesma autoridade que algumas doses de aguardente confere a um bêbado, que fala o que lhe vem na cabeça quando fica fora de si!

Nas palavras de quem nosso personagem dá crédito? Nas que se acham nas páginas monumentais deixadas pelos cientistas maçons Alexander von Humboldt e Samuel Hahnemann? Não, interessam-se mais pelas depravações saídas da pena de libertinos como Charles Leadbeater e Aleister Crowley, dois notórios maníacos!

Quais são os poetas preferidos do maçom em exame? Os imortais e insignes irmãos Pushkin, Lessing e Goethe? Não, conhece-os apenas pelo nome, quando os conhece! Em compensação, tem na ponta da língua cada parágrafo escrito pelos impostores e visionários Eliphas Levi, Papus, Madame Blavastky e Anne Besant, que poluíram a Maçonaria com suas teorias absurdas!

Quais são as preferências musicais desse nosso irmão sonhador? Alguma sinfonia composta pelos irmãos Haydn, Liszt ou Mozart? Não, prefere ouvir ruídos eletrônicos conhecidos no mercado como música New Age, ou, opcionalmente, compassos repetitivos e distorcidos produzidos pela cítara de algum faquir esquelético!

Que livros figuram na estante do maçom supersticioso? Algum escrito pelos luminares maçons Franklin, D´Alembert e Knigge? Não, prefere orná-la com engendros sensacionalistas e inúteis do tipo Conceito Rosacruz do Cosmos (Max Heindel), O Casamento Alquímico de Christian Rozencreutz (autor desconhecido), A Força Oculta (Helena P. Blavatsky), Dogma e Ritual da Alta Magia (Eliphas Levi), Eram os Deuses Astronautas (Erich von Daniken), O Despertar dos Mágicos (Jacques Bergier e Louis Pauwels) e outros lixos congêneres que usa para adubar diariamente o jardim do mundo de ilusões em que vive!

O que é comum encontrarmos na cabeceira da cama onde se deita o nosso maçom, quando ele nos convida a conhecer a sua residência? Algum livro útil que fortaleça as funções do cérebro? Alguma obra que aperfeiçoe e aguce o raciocínio? Algum material útil à sociedade e ao progresso do país? Não, mais fácil é acharmos amuletos de toda a natureza ou, como eu mesmo já tive oportunidade de presenciar, copos contendo pedaços de cristais imersos em água, cuja função é, segundo ele, atrair “vibrações positivas” e as “forças cósmicas do Universo”. (**)

(**) E também fêmeas de insetos e mosquitos transmissores de pragas e doenças contagiosas.

Inconsciente de sua própria pequenez, incapaz de enxergar um palmo na frente dos olhos embotados pelo véu da ignorância, ao discorrer sobre os enigmas da criação o maçom supersticioso acaba se revelando uma criança atrevida, quando não um perfeito idiota. Ele fala da criação dos mundos com uma fluência tal que torna difícil conter o riso. Da maneira como descreve o Grande Arquiteto Universo, chega a passar a impressão de ser o próprio, ou pelo menos de alguém com quem diariamente toma um trago no bar da esquina. No íntimo, ele não crê nem aplica os pontos das doutrinas quiméricas que apregoa, sobretudo aqueles que versam sobre a prestação de ajuda aos pobres. Raro é o que não se omite nesse particular. Ele costuma deixar a máscara cair quando um irmão necessitado solicita a sua ajuda ou uma criança pobre aparece-lhe na frente mendigando algo para comer ou para se vestir.

b) Lixeiros e Mercadores de Ilusões

O maçom supersticioso age como lixeiro na Maçonaria, só que de maneira inversa ao do valoroso funcionário do serviço público de limpeza, que cuida do asseio de nossas ruas. Toda a porcaria que consegue catar no esterco místico da sociedade ele traz para dentro da sua loja para fortalecer suas arengas, conquistar sequazes, e gente com quem compartilhar suas fantasias excêntricas. Se a loja dispõe de uma biblioteca, ele logo a transforma em depósito de lixo, em uma réplica quase idêntica da que possui em casa, entulhando-a com títulos iguais ou semelhantes aos citados lá atrás.

Por fanatismo, inocência, ou mesmo princípio de loucura, nosso personagem assim age porque julga ser uma criatura especial, um verdadeiro “iniciado”, um iluminado com missão divina na Terra, quando na verdade não passa de um desequilibrado emocional, de um visionário movido por “delírios de poder”, de um infeliz que nutre certo desprezo pela vida na Terra. Seu comportamento proselitista, contrário ao regulamento que proíbe toda e qualquer discussão de caráter político ou religioso em loja, compromete o maior tesouro que a Maçonaria “ainda” possui, único no planeta, que é o de poder reunir, sob um mesmo teto, irmãos de todas as nacionalidades, etnias e religiões.

Ao lado desse irmão não poderia faltar, é claro, o onipresente mercador de ilusões, o maçom falsário que vive com ele em permanente estado de simbiose, que lucra com a sua credulidade. Este embusteiro começa a sua carreira na Maçonaria construindo pacientemente uma auréola mística em torno de si, deixando transparecer aos desavisados ser um homem sábio e virtuoso, de ser o “conhecedor da verdadeira Maçonaria”. Sua única intenção é mais tarde colocar à venda no mercado as porcarias que vai escrever com a sua pena fraudulenta, a partir de concepções quiméricas geradas nos antros obscuros do seu cérebro ou de material sensacionalista publicado dentro e fora do país. Mais do que lixeiro, o mercador de ilusões atua na Maçonaria da mesma forma que o proxeneta na zona do baixo meretrício. Não há nada que fique a salvo de suas prostituições: nossa filosofia maçônica de vida, nossos símbolos, nossas reuniões, nossas alegorias, nossas comemorações, nossos banquetes e, lamentavelmente, nossos irmãos Aprendizes e Companheiros. Esses são as suas maiores vítimas, pois enquanto não adquirem resistência intelectual e conhecimentos maçônicos suficientes para rechaçarem as suas imposturas (alguns não adquirem nunca!), eles as assumem como verdades sublimes e, o que é pior, passam a apregoá-las por toda parte como tais, inclusive no mundo profano, expondo nossa instituição ao ridículo. Em tudo esse defraudador põe o seu dedo ruinoso para corromper e mistificar, jamais se lembrando, porém, de usá-lo para ressaltar o real, simples, mas magnânimo propósito de nossas alegorias, QUE É O DE FAZER COM QUE O MAÇOM (pedreiro por definição) JAMAIS SE ESQUEÇA DO SEU PAPEL DE CONSTRUTOR SOCIAL. Com o tempo, palavra dele vai adquirindo ares de autoridade e os erros que dissemina nas calamidades que escreve passam a triunfar sobre a verdade.

c) Comportamento e atuação como Mestre Maçom

Como Mestre esse tipo de maçom desencoraja a livre e sadia investigação dos fatos, de modo a fazer com que os Aprendizes e Companheiros assumam como verdadeiras suas ridículas superstições. Por ser um zero intelectual, costuma tratá-los como crianças, apregoando-lhes pseudociências, anedotas místicas pueris, e bobagens de fácil assimilação. Só recebem o seu aplauso os trabalhos que estiverem floreados com as quimeras com as quais está de acordo. Ao mesmo tempo opõe-se aos Mestres que se esforçam para ministrar-lhes ensinamentos maçônicos úteis. Sua estupidez ele a demonstra quando é questionado a respeito das doutrinas que tenta propagar em loja. Quando não as ignora por completo, como é de praxe, conhece-as muito superficialmente, limitando-se apenas a repetir chavões surrados assoprados em seu ouvido por outros visionários tão ou mais ingênuos do que ele. Com frequência, e às vezes sem se dar conta do desrespeito com que o faz, o maçom supersticioso costuma inserir seus irmãos no âmbito de suas fantasias místicas particulares, negando esse mesmo direito aos outros quando está em seu poder fazê-lo. Como orador, ou mesmo quando pede a palavra nas reuniões, é quase sempre para arengar uma impostura que absorveu sem exame ou uma frase feita colhida em algum dos “livros” que enumeramos há pouco. Como Venerável, recorre com frequência ao expediente arbitrário da censura para defender da destruição uma fábula qualquer que cultiva no cérebro, ou mesmo para silenciar um irmão que tente incinerá-la com a tocha da razão. Por fim, o maçom supersticioso tem carinho especial pelas “verdades reveladas” que, a rigor, nada mais são do que anedotas destituídas de sentido impressas em papel pintado, transmitidas em sonho por criaturas do além a um número seleto e reduzido de bárbaros que supostamente viveram nos pródromos da civilização. Esse amor é de certa forma compreensível porque, primeiro, essas “verdades” são brechas que facilitam o enxerto de imposturas (de fabricação própria ou de terceiros) em nossas alegorias e manuais de instrução; segundo porque os rituais de alguns “altos graus”, que ele assume como maçônicos, acham-se repletos delas, de forma velada ou explícita, o que pode encorajar o seu “instinto reformador” a torná-los ainda mais fraudulentos do que já são, se estiver em seu poder fazê-lo, tal como muitas vezes ocorreu no passado; terceiro porque elas permitem-no transformar a Maçonaria – pelo menos em sua imaginação–, em uma espécie de local de culto particular, em apêndice de alguma religião que o frustra ou frustrou. Quando se compara os rituais modernos com os originais – ou mesmo os atuais em circulação–, nota-se de imediato a enorme quantidade de invencionices grosseiras que foram sendo introduzidas ao longo dos anos por impostores como Cagliostro, Saint-Martin, Fessler, Willermoz e outros, de modo a adequá-los às suas personalidades excêntricas. Não é demais sublinhar aqui que essas “verdades reveladas”, que se esfarelam facilmente quando recebem o bafejo de um raciocínio bem aplicado, durante séculos foram empregadas para atrasar a marcha da Ciência, cobrir o planeta de místicos e monges inúteis; escravizar a humanidade; derramar rios de sangue e lágrimas; encher o mundo de órfãos e viúvas, inventar instrumentos de tortura e dor; destruir civilizações inteiras, acender as chamas da perseguição; encarcerar cientistas, investigadores, poetas e filósofos honestos (muitos maçons); promover guerras; atiçar levantes sangrentos; semear o ódio e fazer milhares de vítimas por toda parte.

d) Prejuízos à Maçonaria

Essa fé que ordena-nos crer cegamente no que nos dizem, que não permite o emprego da razão, é a fé do ignorante; ou do estúpido que se converte em fácil instrumento dos demais. O homem que não estuda o que não compreende, que aceita sem exame o que lhe dizem, degenera sua condição, igualando-se ao bruto.

(Ritual do Grau 18 – Cavaleiro Rosa Cruz – Rito Escocês Antigo e Aceito) 

A fé no desconhecido é patrimônio da ignorância.

(Ritual do Grau 19 – Grande Pontífice – Rito Escocês Antigo e Aceito)

O maçom supersticioso difere-se do obscurantista religioso apenas na arte da dissimulação e no que diz respeito aos seus objetos de culto. Ambos são inimigos da liberdade de expressão e amigos da censura e da arbitrariedade: o primeiro no íntimo e o segundo de forma manifesta. No resto, são iguais em quase tudo.

Julgando-se acima da lei, nosso personagem não compreende que para que a “Fraternidade dos Maçons Livres e Aceitos” continue merecendo assim ser denominada e funcionando, é mister que seus membros guardem para si suas fantasias e crenças particulares, bem como respeitem outras formas de fé e maneiras de pensar, tal como mandam os nossos regulamentos. Teimoso, intolerante e insolente, ele chega às vezes ao extremo de agir como um velho decrépito, não importando a sua idade e o ridículo que o seu comportamento suscita. Em qualquer esfera da vida, ante um fato novo e incontestável, uma descoberta científica que lança por terra uma quimera que fermenta em seu cérebro, ele passa a odiar o fato e, sobretudo quem o descobriu. Na Maçonaria, procede de modo idêntico: mesmo estando demonstrada a incompatibilidade de suas concepções com a realidade, com a história e filosofia maçônicas, continua a defendê-las com unhas e dentes, caso creia nelas. De maneira alguma se curva às evidências e aos fatos, que falam mais alto do que qualquer opinião.

Os Landmarques 19, 20 e 21, que estabelecem, respectivamente, a obrigatoriedade do maçom crer em um “princípio criador”, crer em uma vida futura, e crer nas verdades reveladas em algum “Livro da Lei”, parecem ser os únicos regulamentos que o nosso maçom costuma obedecer, ou melhor, supõe-se que o faça, pois não há como saber no quê ele realmente crê na intimidade, sobretudo se for um hipócrita. E hipocrisia é o que não falta no meio religioso. (***) Além do mais, como são bastante vagos nesses três pontos, esses landmarques obsoletos –que por estarem em frontal contradição com a liberdade de pensamento há muito tempo já deveriam ter sido suprimidos–, podem ser interpretados de inúmeras maneiras e, por isso mesmo, serem empregados para impor o arbítrio a um irmão que professa uma crença incomum (ou nenhuma), censurar concepções a respeito da vida além-túmulo diferentes das que estão na moda, criticar o que alguns entendem como “revelação” e, ainda, anatematizar grupos religiosos minoritários que manifestem suas crenças particulares, ainda que de maneira honesta. Tente o leitor afirmar, por exemplo, que crê em um deus diferente do judaico-cristão e observe o semblante de desaprovação do maçom em exame! Melhor ainda, diga com ar de seriedade que crê nos deuses indianos (Brahma, Ganesha, Xiva etc.) e veja o como o seu rosto se retorce! Teste a tolerância que ele diz praticar rejeitando a Bíblia como “Livro da Lei” e exigindo a sua substituição pelo Alcorão! Questione os dogmas e os sofismas que ele apregoa em loja dirigindo-lhe uma pergunta bem simples: com que autoridade você afirma isso? Peça pelas credenciais dos impostores cujas doutrinas abraçou e observe o seu tartamudear!

(***) É mais fácil fazermos passar um camelo pelo buraco de uma agulha do que encontrarmos um crente que já se deu o trabalho de estudar o livro sagrado do credo que abraçou (ou que lhe foi imposto), usado geralmente como enfeite em prateleiras.

Com raras exceções e em inúmeros particulares, todo maçom supersticioso é um ser nocivo à Maçonaria, não importando que seja um cidadão de boa índole e honesto. Sua mentalidade irracional, sua intolerância, sua mediocridade, seu desprezo pela Filosofia, seus incontroláveis impulsos proselitistas, terminam por afugentar irmãos sóbrios e esclarecidos, causando um prejuízo incalculável à nossa instituição. Por serem incapazes de conviver em harmonia com a diversidade, estes maçons buscam a companhia somente daqueles que creem nos mesmos devaneios místicos; que padecem dos mesmos preconceitos e desordens psicológicas. Com o tempo passam a constituir grupelhos de gente hipócrita e insuportável, excluindo de suas relações irmãos que cultivam valores com os quais não estão habituados, sobretudo aqueles que utilizam a Razão como guia e a Filosofia como farol nos caminhos da vida. Depois, fundam lojas não para trabalharem em prol da sociedade, da nação, da família, e de si mesmos, mas para entupirem-se de crendices e falsidades, prostituírem os objetivos da nossa Veneranda Instituição, e imbecilizarem-se mutuamente.

PARTE II
O VAIDOSO ARROGANTE

a) Baixa autoestima e complexo de inferioridade

Nenhum ditador provocou ou vêm provocando tanto dano à Maçonaria quanto o maçom vaidoso, este sapador inveterado, este Cavalo de Tróia que a destrói por dentro, sem o emprego de armas, grilhões, ferros, calabouços, e leis de exceção. Ele é indiscutivelmente o maior inimigo da Maçonaria, o mais nefasto dos impostores, o principal destruidor de lojas. Ele é pior do que todos os falsos maçons reunidos porque se iguala a eles em tudo o que não presta e raramente em alguma virtude.

Uma característica marcante que se nota neste tipo de maçom, logo ao primeiro contato, é a sua pose de justiceiro e a insistência com que apregoa virtudes e qualidades morais que não possui. Isso salta logo à vista de qualquer um que comece a comparar seus atos com as palavras que saem da sua boca. O que se vê amiúde é ele demonstrar na prática a negação completa daquilo que fala, sobretudo daquilo que difunde como qualidades exemplares do maçom aos Aprendizes e Companheiros, os quais não demora muito a decepcionar. Vaidoso ao extremo, para ele a Maçonaria não passa de uma vitrine que usa para se exibir, de um carro de luxo o qual sonha um dia pilotar. E, quando tem de fato este afã em mente, não se furta em utilizar os meios mais insidiosos para tentar alcançá-lo, a exemplo do que fazem nossos políticos corruptos.

Narcisismo em um dos extremos, e baixa autoestima no outro, eis as duas principais características dos maçons vaidosos e arrogantes. No crisol da soberba em que vivem imersos, podemos separá-los em dois grupos distintos, porém idênticos na maioria dos pontos: os toscos ignorantes e os letrados pretensiosos.

A trajetória dos primeiros é assaz conhecida.

Por serem desprovidos do talento e dos atributos intelectuais necessários para conquistarem posição de destaque na sociedade, eles ingressam na Maçonaria em busca de títulos e galardões venais, de fácil obtenção, pensando com isso obter algum prestígio. Na vida profana, não conseguem ser nada além de meros serviçais; de mulas obedientes que cedem a todos os tipos de chantagem. Por isso, fazer parte de uma instituição de elite como a Maçonaria (isso mesmo, de elite!) produz neles a ilusão de serem importantes; ajuda a mitigar um pouco a dor crônica que os espinhos da incompetência e da mediocridade produzem em suas personalidades enfermas.

O segundo em quase tudo se equipara ao primeiro, porém com algumas notáveis exceções.

Capacitado e instruído, em geral ele é uma pessoa bem sucedida na vida. Sofre, porém, desse grave desvio de caráter conhecido pelo nome de “Narcisismo”, que o torna ainda pior do que o seu êmulo sem instrução. Ávido colecionador de medalhas, títulos altissonantes e metais reluzentes, este maçom é uma criatura pedante e intragável, que todos querem ver distante. No fundo ele também é um ser que se sente rejeitado; sua alma é um armário de caveiras e a sua mente um antro habitado por fantasmas imaginários. Julgando-se o centro do Universo, na Maçonaria ele obra para que todas as atenções fiquem voltadas para si, exigindo ser tratado com mais respeito do que os irmãos que atuam em áreas profissionais diferentes da dele. Pobre do irmão mais jovem e mais capacitado que cruzar o seu caminho, que ousar apontar-lhe uma falta, que se atrever a lançar-lhe no rosto uma imperfeição sua ou criticar o seu habitual pedantismo! O seu rancor se acenderá automaticamente e o que estiver ao seu alcance para reprimi-lo e intimidá-lo ele o fará, inclusive lançando mão da famosa frase, própria do selvagem chefe de bando: Sabe com quem está falando!!! Desse modo ele acaba externando outra vil qualidade, que caracteriza a personalidade de todo homem arrogante: a covardia.

O número de irmãos que detesta ou despreza este tipo de maçom é condizente com a quantidade de medalhas que ele acumula na gaveta ou usa no peito. Na vida profana seus amigos não são verdadeiros; são cúmplices, comparsas, associados e gente que dele se acerca na esperança de obter alguma vantagem. E nisso se insere a mulher com a qual vive fraudulentamente. Todos os que o rodeiam, inclusive ela, estão prontos a meter-lhe um merecido chute no traseiro tão logo os laços de interesse que os unem sejam desfeitos. O seu casamento é um teatro de falsidades e o seu lar um armazém de conflitos. Raramente familiares seus são vistos em nossas festas de confraternização. Quando aparecem, em geral contrariados, não conseguem esconder as marcas indeléveis de infelicidade que ele produz em seus rostos.

Em sua marcha incessante em busca de distinções sociais, que supram a sua insaciável necessidade de autoafirmação, é comum vermos este garimpeiro de metais de falso brilho farejando outras organizações de renome, tais como os clubes Lyons e Rotary, e gastando nessas corridas tempo e dinheiro que às vezes fazem falta em seu lar. A Maçonaria, que tem a função de melhorar o homem, a sociedade, o país, e a família, acaba assim se convertendo em uma fonte de problemas para os seus familiares; e ele, em uma fonte de problemas para a Maçonaria.

Um volume inteiro seria insuficiente para catalogar os males que este inimigo da paz e da harmonia pratica, este bacilo em forma humana que destrói nossa instituição por dentro, qual um cancro a roer-lhe as células, de modo que limitar-nos- emos a expor os mais comuns.

b) Comportamento em loja

Incapaz de polir a Pedra Bruta que carrega chumbada no pescoço desde o dia em que nasceu, de aprimorar-se moral e intelectualmente, de lutar para subtrair-se das trevas da ignorância e dos vícios que corrompem o caráter; de assimilar conhecimentos maçônicos úteis, sadios e enobrecedores, para na qualidade de Mestre poder transmiti-los aos Aprendizes e Companheiros, o que faz o nosso personagem? Simplesmente coloca barreiras em seus caminhos, de modo a lhes retardar o progresso! Ao invés de estudar a Maçonaria, para poder contribuir na formação dos Aprendizes e Companheiros, de que modo ele procede? Veda a discussão sobre assuntos com os quais deveria estar familiarizado, fomentando apenas comentários sobre as vulgaridades supérfluas do seu cotidiano! Ao invés de encorajar o talento dos mesmos, de ressaltar suas virtudes e estimular o seu desenvolvimento, o que faz ele? Procura conservá-los na ignorância de modo a escamotear a própria! Ao invés de defender e ressaltar a importância da liberdade de expressão e da diversidade de opiniões para a evolução da humanidade, como ele age? Censura arbitrariamente aqueles cujas ideias não estejam em harmonia, ou sejam contrárias às suas! Ao invés de fomentar debates sobre temas de importância singular para o bem da loja em particular e da Maçonaria em geral, como age ele? Tenta impedir a sua realização por carecer de atributos intelectuais que o capacitem a participar deles! E, nos que raramente promove, como se comporta? Considera somente as opiniões daqueles que dizem “sim” e “sim senhor” aos seus raramente edificantes projetos!

Tal como o maçom supersticioso, este infeliz em cujo peito bate um coração cheio de inveja e rancor nutre ódio virulento e dissimulado pela liberdade de expressão, que constitui um dos mais sagrados esteios sobre os quais repousam as instituições democráticas do mundo civilizado, uma das bandeiras que a Maçonaria hasteou no passado sobre os cadáveres da intolerância, da escravidão e da arbitrariedade.

Dos atos indecentes mais comumente praticados por este falsário, o que mais repugna é vê-lo pregando “humildade” aos irmãos em loja, em particular aos Aprendizes e Companheiros, coberto da cabeça aos pés de fitões, joias e penduricalhos inúteis, qual uma árvore de natal. Outro é vê-lo arrotando, em alto e bom som, ter “duzentos e tantos anos de Maçonaria” e exibindo o correspondente em estupidez e mediocridade. O terceiro é vê-lo trajando aventais, capas, insígnias, chapéus e colares, decorados com emblemas que lembram tudo, exceto os compromissos que ele assumiu quando ingressou em nossa sublime e veneranda instituição.

Cego, ignorante e vaidoso, nosso personagem não percebe o asco que provoca nas pessoas decentes que o rodeiam.

Como já foi dito, a Maçonaria serve apenas de vitrine para ele. Como não é possível permanecer sozinho dentro dela sem a incômoda presença de outros impostores – os quais não têm poder suficiente para enxotar–, ele luta ferozmente para afastar todo e qualquer novo intruso, imitando alguns animais inferiores aos humanos na escala zoológica, que fixam os limites de seus territórios com os odores de suas secreções e não toleram a presença de estranhos. Qualquer irmão que comece a brilhar ao lado desta criatura rasteira é considerado por ela inimigo. A luz e o progresso do seu semelhante o incomoda, fere o seu ego vaidoso. Por este motivo tenta obstaculizar o trabalho dos que querem atuar para o bem da loja; por isso recusa-se a transmitir conhecimentos maçônicos (quando os possui) aos Aprendizes e Companheiros, sobretudo aos de nível intelectual elevado, ou os ministra em doses pífias, para que futuramente não sejam tomados como exemplos e ofusquem ainda mais a sua mediocridade. Um maçom exemplar, íntegro, que cumpre rigorosamente os compromissos que assumiu quando ingressou em nossa instituição, não raro converte-se em alvo de suas setas, pois seus olhos míopes não conseguem ver honestidade em ninguém; sua mente podre o interpreta como potencial “concorrente”, que nutre interesses recônditos semelhantes aos seus.

O maçom arrogante mal conhece o significado de nossas belas e simples alegorias. Se as conhece, as despreza. Sua mente acha-se preocupada unicamente com o sucesso de suas empreitadas, em encontrar maneiras de estar permanentemente ao lado das pessoas cujos postos ambiciona. Fama e poder são os seus dois únicos objetivos, tanto na vida maçônica, como na profana. As palavras Liberdade, Igualdade e Fraternidade, que compõem a Trilogia Maçônica, não fazem parte do seu vocabulário, e com frequência é visto pisoteando os valores que elas encerram. A história, a filosofia e os objetivos da nossa Veneranda Instituição não lhe despertam o menor interesse, pois é frio, calculista, e não tem sensibilidade nem conhecimento para compreendê-los e assimilá-los. Ele é diametralmente oposto ao que deve ser o maçom exemplar, em todos os pormenores. É a antítese de tudo o que a Maçonaria apregoa e deseja de seus membros: uma criatura vil e rasteira que semeia a discórdia, afugenta bons irmãos, e termina por destruir ou fragmentar a loja (ou lojas), resultado às vezes de anos de trabalho árduo, caso ela teime em não se colocar sob a sua batuta ou se mostre contrária às suas aspirações egoístas.

A insolência desse tipo de maçom – e também o asco que destila–, vai crescendo conforme ele vai “subindo” nos altos graus (ou graus filosóficos), lixo maçônico fabricado por impostores no passado unicamente para explorar a estupidez e a vaidade de homens como ele. Sentindo-se importante por ter sido recebido em determinado grau, com a pompa digna de um rei, ele passa a considerar-se superior aos irmãos de graus “inferiores”, em particular aos Aprendizes e Companheiros, ignorando o que reza o segundo landmark, que estabelece a divisão da Maçonaria Simbólica em apenas três graus. Mas reservar um tempo para dedicar-se à sua loja, um momento para confraternizar com irmãos íntegros e honestos, ler algo de útil que possa servir de instrução a si e aos demais, essas são as suas últimas preocupações. O seu tempo disponível ele o reserva inteiramente às festinhas fúteis, nas quais pode ser notado e lisonjeado, onde pode ajuntar-se a outros maçons falsos e vulgares, prontos para lhes enterrar um punhal nas costas na primeira oportunidade que surgir. Perceba o leitor com que velocidade esse “irmão” deveras atarefado arruma tempo quando é chamado para arengar em um tablado representando a Maçonaria! Note a pontualidade com que chega à passarela onde vai desfilar e ser fotografado com os seus paramentos. Observe como ele fica cheio de si quando é agraciado com uma rodela de lata qualquer ou vê o seu lindo rosto estampado nas páginas de alguma revista maçônica! Perceba como se curva aos pés dos que tem mais prestígio e poder do que ele! Note como ele os bajula!

Este prevaricador vagabundo não trabalha e não deixa os outros trabalhar para não ter de arregaçar as mangas também. Quando se mete a ministrar instruções aos Aprendizes e Companheiros ele o faz de modo precário, sem estar familiarizado com elas. Raramente sabe responder questões que os irmãos lhe dirigem. Tergiversa sempre com a mesma resposta: É preciso pesquisar! Ele não faz nada porque não sabe fazer nada, não quer aprender nada, e no íntimo não gosta da Maçonaria e não ama seus irmãos! Nossas reuniões são para ele um fardo. Nas vezes que comparece em loja, exige ser ouvido e jamais dá atenção ao que falam os demais, obrando para que a sua palavra sempre prevaleça nas decisões a serem tomadas. Quando o seu nome não consta na Ordem do Dia – o que significa que não terá a oportunidade de exibir a sua hipocrisia ou arengar as suas imposturas–, retira-se antes da reunião terminar ou, quando permanece, o faz com o olhar fixo no relógio.

Campeão em faltas e em delitos, quando este falso maçom comparece à loja ele o faz para dar palpites indevidos, censurar tudo e todos, propor projetos mirabolantes e soluções inconsistentes com os problemas que surgem em nossas relações. Jamais faz uso de críticas sadias e construtivas, aquelas que apontam erros e sugerem soluções para os mesmos.

c) Comportamento na Sociedade

Passemos agora à exposição do comportamento deste detestável impostor na sociedade, outra praia onde adora se exibir, embora poucos o notem.

Ele circula pelas ruas do bairro onde vive de nariz empinado, cheio de empáfia, tentando vender a todos, sobretudo aos mais humildes, a falsa imagem de alguém assaz importante. Ostentando correntes, anéis, gravatas, broches e outros adereços maçônicos – alguns com peso suficiente para curvar o tórax–, tão logo se acerca de uma roda de amigos, ou melhor, de gente com paciência para aturá-lo, ele passa a ensejar conversas maçônicas desnecessárias, fazer alarde de sua condição de maçom e de ser membro de uma poderosa “gangue”, com o único propósito de colocar-se acima deles. Quando, porém, um profano lhe dirige algumas perguntas a respeito de nossa instituição, movido por uma sadia e natural curiosidade, ele responde geralmente o que não sabe, fitando-o de cima para baixo, com desprezo, como se estivesse encastelado sobre um pedestal de ouro.

Como o caracol, este tipo de maçom costuma deixar um rastro visível e brilhante por onde trafega, tornando muito fácil a identificação sua e do seu paradeiro, que é o que ele efetivamente deseja, embora afirme o contrário. Mas, para a sua infelicidade, pouca gente dá importância aos seus recados vaidosos. O automóvel, o lar e o local onde trabalha correspondem ao exoesqueleto deste animal, ao passo que os adereços e os objetos maçônicos que ele usa e espalha por todos os lados à gosma que libera. Impulsos provenientes de regiões recônditas do cérebro onde se alojam o seu complexo de inferioridade e a sua baixa autoestima dizem a ele onde derramá-la.

Do mesmo modo que prostitui nossa instituição, transformando-a em templo da vaidade, ele corrompe também a natureza de muitos objetos inanimados, desvirtuando os propósitos para os quais foram concebidos. Os vidros do automóvel não servem para proteger os passageiros do vento e da chuva, mas para ostentar adesivos maçônicos escandalosos que avisam os transeuntes e os motoristas dos carros que estão na retaguarda que “alguém muito importante” maneja o volante. As paredes da sua casa não servem como divisórias, mas de outdoors para a colagem de diplomas maçônicos que levam o seu nome. O isqueiro ele usa para tentar acender um cigarro que talvez nem fume ou sabendo que ele não funciona mais (o importante é as pessoas notarem o compasso e o esquadro colados nele!). A caneta com compasso encravado na tampa ele usa para mostrar que é maçom àquele que está perto do papel no qual finge estar escrevendo alguma coisa. O relógio da sala não serve para mostrar a hora certa, mas para dizer aos visitantes que o seu dono é maçom. As estantes da sala não servem para acomodar bons livros, mas para armazenar troféus, medalhas, placas comemorativas, mimos e tudo o mais que avise que há um maçom por ali. O mesmo vale para pratos, talheres, lenços, gravatas, bonés, bolsas, bonecos, malas, bengalas e, pasmem, até revólveres e espingardas! (ver fotos) Enfim, qualquer objeto que possa lhe servir de propaganda ele o corrompe.

d) Prejuízos

O Maçom arrogante sabe muito bem que é um desqualificado moral, que carece das virtudes necessárias para dirigir homens de caráter, mas mesmo assim quer assumir o cargo de Venerável e nele perpetuar-se por tempo indeterminado, se possível. Insolente, julga-se o único com aptidão para empunhar o malhete, menoscabando a capacidade dos demais irmãos. Sempre que pode procura manobrar as eleições para que os cargos em loja sejam preenchidos por integrantes de sua medíocre camarilha, que, uma vez empossada, vai aprovar seus atos malsãos e alimentar a sua vaidade. Dessa maneira ele trava as rodas da loja, impedindo-a de progredir, de desfraldar as suas velas.

Nosso personagem costuma mais faltar do que comparecer às reuniões, como já foi dito. Quando o faz, é quase sempre para tentar colocar-se em destaque, humilhar alguém, violar regulamentos, e fazer prevalecer os seus caprichos pessoais. É claro que ele não age só, pois se assim fosse a sua eliminação seria fácil e sumária. Ele conta com o respaldo de pequenos grupelhos de gente sórdida e submissa, que aprova suas ações, que corrompe e deixa-se corromper. Às vezes conta até com a cumplicidade dissimulada de alguns delegados, que, por motivos políticos ou de ordem pessoal, fazem vista grossa aos seus insidiosos manejos e prevaricam no que constitui uma das mais importantes missões dentro da Maçonaria.

Terminado o período de sua administração como Venerável, este impostor passa a meter o nariz em assuntos que não mais lhe dizem respeito, usurpando funções de outros irmãos da loja, incluindo as do seu sucessor. Quer mandar mais do que os outros, quer ser o dono da loja; quer admitir candidatos sem escrutínio para engrossar a sua camarilha; quer manobrar a todos e violar leis; expõe os Aprendizes e Companheiros a constantes querelas com outros Mestres, quase sempre motivadas pela vaidade e pela sede de poder.

Especialista em apontar erros nos outros, o maçom arrogante jamais admite um seu. Quando, porém, as circunstâncias tornam isso impossível, ele o faz rangendo os dentes e disparando setas em todas as direções, muitas vezes ferindo os poucos irmãos que o querem bem. Além de tudo é um indivíduo vingativo. Caso sofra uma contrariedade qualquer, ou veja descartada uma irracional conjectura sua, ele passa a fomentar intrigas e provocar cismas na loja. Aquele que for investigar as causas que levaram uma determinada oficina a abater colunas notará em seus escombros a marca indelével da sua mão, que muitas vezes deixa impressa com orgulho!

Elemento altamente desestabilizador e perigoso, o maçom vaidoso é o principal responsável pelo enfraquecimento das colunas de uma loja, pela fuga em massa de bons irmãos, e pela decadência da Maçonaria de uma forma geral. Quanto maior for o seu número agindo no corpo da Maçonaria, mais fraca, enferma e suscetível à contração de outros males ela se torna, mais exposta a escândalos e prejuízos ela fica. Sua eliminação é, portanto, condição “sine qua nom” para a conservação da saúde da nossa Sublime Instituição.

Fonte: JBNews - Informativo nº 327 - 21 de Julho de 2011