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PERGUNTAS & RESPOSTAS

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quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

CADEIRA DO VENERÁVEL

CADEIRA DO VENERÁVEL 
(republicação)

Em 13.04.2015 o Respeitável Irmão Cláudio Sant’Ana Rocha Vidal, Deputado Federal da SAFL-GOB, dentre outras membro da Loja Vale do Tocantins, 1.338, REAA, GOEG, Oriente de Uruaçu, Estado de Goiás, formula a questão seguinte: 
claudio_rocha_ur@hotmail.com

Na minha Loja mãe, o nosso Venerável esta com problemas médicos, estando em outro Estado fazendo tratamento de saúde. Como previsto o Primeiro Vigilante esta o substituindo. Em virtude de atividades profanas, na semana passada foi minha primeira sessão sob sua condução. Qual meu espanto (pois não concordo) ao ver que ele conduzia a Sessão sentado na cadeira lateral, pois um dos maçons antigos, disse que só Mestres Instalados podem sentar na cadeira de Venerável. Sei que ele não pode sagrar em sessões magnas. Pouco conheço, mais sempre busco estudar o REAA e para mim, isso não passa de mais uma das tantas invencionices que temos em nosso meio. Gostaria de saber algo a respeito bem com fundamentação. 

Considerações:

Mas isso não tem cabimento algum. Não existe nada de ilegal se o Primeiro Vigilante, como autêntico substituto imediato do Venerável, em cumprimento da sua missão, precariamente ocupar a cadeira central do Altar no Oriente. 

Infelizmente esses “antigos entendidos” (não todos) ainda confundem o título distintivo do Venerável com uma pretensa qualidade que possa impor esse lamentável equívoco. 

Ainda alguns não conseguem entender que instalação nos ritos de vertente francesa, como é o caso do REAA, significa simplesmente posse no sólio. Essas carcaças de dinossauros ainda insistem a de quando em quando se manterem aparentes. 

Para os defensores dessas inverdades, eu sugiro que estudem, pelo menos um pouco, os verdadeiros costumes oriundos da França (do Grande Oriente da França ou da Grande Loja da França). Talvez se eles bem compreenderem a arte vislumbrarão que tradicionalmente (na França) não existe qualquer cerimônia litúrgica amparada por rituais que mencionem sinais, toques, lenda, etc., senão o simples ato cerimonial da posse designado pela Obediência por intermédio de um Mestre Instalador (lá nem mesmo existe Conselho de Mestres Instalados). 

Mas, como aqui no Brasil, no GOB a partir do ano de 1.968, indubitavelmente houve a cópia inadequada da Instalação inglesa e adaptada para a francesa - por motivos que não cabem aqui serem relatados - uma boa parte dos Irmãos ainda não consegue entender que entre ambas (a inglesa e a francesa) existem substanciais diferenças e isso os faz achar que tudo é a mesma coisa como se o título distintivo de Mestre Instalado fosse uma espécie de Grau, quando não o considerando de modo falaz de qualidade equivalente a uma autoridade do simbolismo. 

Certo ou não, obviamente sabemos que tal exercício já se tornou consuetudinário no Brasil existindo inclusive a prática de se instalar indiscriminadamente (de modo francês ou inglês) via ritual específico, porém também é claro e transparente que, pelo menos no GOB, existe também regulamentação para esse ato através do RGF, Artigos 43 até o 45 que disciplinam essa “categoria especial honorífica” (Mestre Instalado).

Por ser uma categoria especial honorífica – não de Grau ou de autoridade - os detentores desse título têm assento no Oriente (abaixo do sólio), todavia confundi-lo ao ponto de que obrigatoriamente só toma assento no sólio um Mestre Instalado é querer “forçar a barra” ou mesmo demonstrar falta de conhecimento da prática maçônica, onde muito antes de aparecer a tal Instalação e o Mestre Instalado na Moderna Maçonaria, o Primeiro Vigilante operativo já era o substituto imediato do Mestre da Loja (Venerável). 

Quando venho alertando de há muito tempo a inexistência da prática de instalação no verdadeiro REAA, tenho me referido àquela instalação (esotérica) precedida de cerimônia especial e restrita aos Mestres Instalados ou aos Conselhos a eles relacionados, cuja ritualística se embasa na Lenda de Balkis e o Rei, Sinais Causais, Penais, etc. 

Ratifico: esse tipo de Instalação não é tradicional no REAA∴ (francês por excelência), senão da Maçonaria inglesa. Tenho dito que o costume a moda inglesa se ampara em uma cerimônia de instalação no trono, herdada em muito dos costumes oriundos da realeza inglesa através de membros da Royal Society que ajudaram a urdir a fundação da Primeira Grande Loja em Londres. 

Agora na Maçonaria Francesa, existe sim a instalação, todavia apenas como uma cerimônia simples de indução ao trono - o mesmo que instalar na cadeira principal da Loja - porém sem nenhum cerimonial esotérico, lendário ou similar, senão aquele inerente aos protocolos administrativos maçônicos para a Loja. Daí na França, não existir verdadeiramente o termo Mestre Instalado, pois lá o Venerável é aquele que foi instalado no sólio. Terminado o seu mandato, ele é simplesmente o ex-Venerável – ad aeternu. Nesse caso, instalação é sinônimo de posse.

Se isso ficasse bem esclarecido e fosse do entendimento de alguns Irmãos, mesmo em se obedecendo ao costume consuetudinário e legal brasileiro de se instalar mediante cerimônias e conselhos à moda inglesa titulando para a categoria especial honorífica o nome de Mestre Instalado, pelo menos não permaneceria essa falsa interpretação por parte de alguns, em se “achar” que os Mestres Instalados podem interferir nas tradições, usos e costume da Maçonaria em geral e da Loja em particular.

Concluindo: 

1 - O substituto imediato do Venerável em situação precária é o Primeiro Vigilante, apenas cabendo ao ex-Venerável imediato (Mestre Instalado) à condução das Sessões Magnas de Iniciação, Elevação e Exaltação, se o titular estiver ausente e o Primeiro Vigilante não pertencer à categoria especial honorífica dos Mestres Instalados. 

2 - Em sessões ordinárias, havendo a possibilidade de ausência do titular do Primeiro Malhete, assume de modo precário o Primeiro Vigilante e toma assento na cadeira principal do Altar (a do meio), independente de ter sido ele já instalado ou não. 

3 - Se a ausência do Venerável for definitiva, então haverá uma nova eleição e desta resultará uma nova “instalação no trono” caso o eleito não tiver ainda sido instalado. Caso seja um Irmão que já seja portador dessa categoria especial honorífica de Mestre Instalado, far-se-á então a “Reassunção do Venerável”.

T.F.A. 
PEDRO JUK – jukirm@hotmail.com 
Fonte: JB News – Informativo nr. 1.764 – Florianópolis (SC) quinta-feira, 30 de julho de 2015

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