Por Luciano J. A. Urpia
No final do século XVIII, duas obras tentaram vincular a Maçonaria francesa aos Illuminati da Baviera como força motriz da Revolução: "Provas de uma conspiração", do professor escocês John Robison, e "Memórias para servir à história do Jacobinismo", do abade jesuíta Augustin Barruel. Ambos, porém, construíram narrativas repletas de erros factuais e anacronismos flagrantes, como atribuir discursos maçônicos a Mirabeau em datas e lojas que ainda não existiam, ou confundir ritos e jurisdições.
Robison e Barruel demonstraram profunda desinformação sobre a estrutura maçônica da época: misturaram lojas, citaram membros que nunca pertenceram a elas (como Condorcet nas Neuf Sœurs) e ignoraram que o Grande Oriente e a Grande Loja coexistiam sem controle unificado. O suposto elo entre os Illuminati e a Maçonaria francesa baseava-se numa missão fictícia de Bode e Busche a Paris, mas os Illuminati já estavam dissolvidos quando essa viagem ocorreu, e os registros mostram que os encontros em lojas parisienses não tinham caráter político.
Apesar de suas afirmações terem sido refutadas por documentos históricos, como listas de membros, atas de reuniões e datas de fundação de lojas, o mito criado por Robison e Barruel ecoa até hoje. A realidade é que as lojas maçônicas na França do século XVIII não eram monoliticamente políticas: abrigavam tanto defensores do Antigo Regime quanto reformistas, e a maioria deixou de funcionar durante o Terror. A Revolução não nasceu em assembleias secretas, mas em conflitos sociais complexos que nenhuma "conspiração maçônica" poderia explicar.
As tentativas de John Robison e do Abade Barruel de provar uma ligação causal entre os Illuminati da Baviera , a Maçonaria Francesa e a Revolução Francesa foram construídas sobre erros e falsidades.
Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria
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