Páginas

PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

domingo, 19 de julho de 2026

A MÚSICA E A FRATERNIDADE DOS HOMENS LIVRES

Relacionar a música e a fraternidade dos homens livres evoca o ideal de que a arte musical transcende barreiras, promovendo a união, a igualdade e o pensamento autônomo. Historicamente, essa conexão profunda é celebrada desde o clássico Hino à Alegria de Beethoven até tradições filosóficas que usam a música como via de elevação moral.

Dialogando com ideais de liberdade, igualdade e solidariedade, presentes em princípios maçônicos e humanistas que defendem o desenvolvimento cultural como um caminho para a emancipação do ser humano, a música se estabelece como uma loquaz linguagem universal capaz de harmonizar a diversidade e de aproximar os indivíduos.

Da pré-história aos dias atuais, a música assume papel fundamental ao servir como forma de comunicação, expressão de emoções, celebração, preservação cultural e afirmação de identidade. Artistas e grupos musicais atuam como embaixadores culturais, transmitindo a essência de suas origens e enriquecendo o panorama musical global.

Indubitavelmente, a Flauta Mágica (Die Zauberflöte) é a obra mais genial de Wolfgang Amadeus Mozart. Estreada em 1791, a ópera funciona como uma fábula iniciática repleta de ideais iluministas e maçônicos, onde a jornada dos protagonistas simboliza a transição das trevas da ignorância para a luz da sabedoria e da fraternidade universal.

Na trama, o príncipe Tamino representa o buscador da verdade que, guiado por uma flauta mágica, precisa superar provas severas de coragem e silêncio impostas pelo sacerdote Sarastro. A jornada é uma clara representação da iniciação maçônica, onde o aspirante deve vencer os medos e as ilusões para alcançar o autoconhecimento.

Nela percebemos alguns dos simbolismos mais marcantes, dentre os quais: a Rainha da Noite que manifesta o lado obscuro, as paixões cegas, o obscurantismo e a manipulação. Sarastro e o Templo da Luz, representam a razão, a verdade, a tolerância, o bem e a fraternidade. O número 3 que reflete a estabilidade, o equilíbrio e a trindade.

Mergulhado em prazeres materiais e imediatos da vida, o homem-pássaro contentando-se com a vida terrena sem aspirações intelectuais é o contraponto cômico e essencialmente humano ao idealismo de Tamino. O príncipe que representa o iniciado. Ele começa a jornada cego e perdido, buscando a sabedoria e o amor verdadeiro.

A Flauta Mágica, feita de ouro – materializa a máxima pureza espiritual e a iluminação – moldado sob o som do trovão antigo – exprime a força da justiça divina e a expulsão das forças das trevas e da ignorância – consubstancia o poder da música e da harmonia que transformam emoções negativas e guiam o homem em suas provações.

As provas do silêncio, de água e do fogo cumprem a purificação dos elementos necessários para que o homem supere seus medos e domine suas paixões humanas, já que, a verdadeira nobreza não vem do sangue ou de títulos de realeza, mas sim, do caráter e do coração humano nos quais vicejam liberdade, igualdade e fraternidade.

O lema Liberté, Égalité, Fraternité, consagrado historicamente, encontra seu real significado quando praticado de dentro para fora, através das suas atitudes diárias. Afinal, se o que buscas não o achares primeiro em si, jamais o encontras em lugar algum e não lho poderás manifestar a bem de si, do progresso e da felicidade de todos.

Feliz, a "Ode à Alegria" (An die Freude), escrita por Friedrich Schiller em 1785 e imortalizada na Nona Sinfonia de Ludwig van Beethoven, nos chega como símbolo do triunfo Iluminista e dos ideais humanistas. Manifestando a fraternidade universal, a liberdade e a superação das divisões sociais através do amor e da união entre os homens.

Nela percebemos muito mais do que felicidade, movimenta uma força cósmica e criativa (centelha divina) que une a humanidade e iguala todos os indivíduos perante o Criador. O famoso verso "todos os homens se tornarão irmãos" reflete a superação das barreiras criadas pelas convenções sociais e políticas que obstam a igualdade e a fraternidade.

A Ode à Alegria, que manifesta a crença de que a humanidade, guiada pela razão e pela compaixão, pode alcançar a harmonia e viver em paz, tornou-se um hino global de liberdade – que inexiste onde não respiram a igualdade e fraternidade – utilizada em momentos de grande mudança histórica, como a queda do Muro de Berlim.

Schiller eleva a alegria a uma categoria espiritual e filosófica. Chamada de "Funken aus Elysium" (Centelha do Elíseo), ela conecta diretamente com o sagrado, uma dádiva divina que habita o interior de cada ser humano para guiá-lo ao bem. A alegria é a força que move os astros e os ciclos da natureza, que dá sentido à vida e ao amor.

Amor notabilizado no verso mais famoso da Ode à Alegria, "Deine Zauber binden wieder, was die Mode streng geteilt" (Teu feitiço une novamente o que a moda rigidamente separou). Sendo o vetor de superação das divisões de classes e fronteiras – e de robustecimento das colunas que sustentam a inclusão social: identidade e pertencimento.

Evocar Jean-Sibelius, compositor finlandeses de fértil veio que compôs peças exclusivas para rituais maçônicos – como a famosa suíte Musique Religieuse –, embora sua lavra não se resuma apenas à maçonaria. É, também, celebrizá-lo como o "pai" da identidade musical finlandesa, por suas sinfonias e pelo poema sinfônico Finlândia.

Sibelius foi um membro ativo da Suomi Lodge No. 1 em Helsinque, tendo, também, atuado como o grande organista da Grande Loja da Finlândia, da qual ele recebeu a tarefa de criar uma trilha sonora original para as cerimônias. Apesar do segredo que envolve a fraternidade, a beleza das melodias foi arranjada para concertos públicos.

A obra de Sibelius cobrir todas as etapas rituais da loja: Avaushymni (Hino de Abertura); Marchas e cortejos processionais (como Salem ou Onward, Ye Brethren); Veljesvirsi (Ode à Fraternidade), adicionada em 1946 e considerada uma de suas últimas composições originais; e a Marche funèbre, composta para o luto maçônico.

Não é à toa que a música, segundo Charles Darwin, proporciona uma vantagem evolutiva, facilitando a corte, o desenvolvimento de laços entre mães e bebês, como também, fortalecendo a cooperação social e a unidade em grupos. Através da música, os valores, crenças e costumes de uma sociedade são refletidos e perpetuados, desempenhando um papel crucial na formação cultural a bem do homem.

A música conta a História, sendo além de um adereço da história, uma fonte histórica em si mesma. Desde ritmos primitivos até sinfonias complexas, ela narra tradição e descreve as identidades de diferentes povos, sendo um motor para o florescimento da espécie humana em suas dimensões pessoais, laborais, empresariais e sociais. 

A música viceja felicidade e a felicidade conduz a evolução humana. Pessoas felizes demonstram melhor capacidade de lidar com desafios, possuem um senso de propósito mais exato e contribuem para a melhoria coletiva a partir da criatividade e do desenvolvimento de relações interpessoais saudáveis, contribuindo para um mundo mais fraterno.

Como linguagem universal, a música permite ao ser humano expressar seus sentimentos mais profundos, contribuindo para a interação social e o desenvolvimento afetivo, pois, agrega e humaniza. Ela ativa o sistema límbico, responsável por emoções, liberando neurotransmissores que aumentam o prazer e a sensação de plenitude

Sendo um espelho sonoro da jornada humana, a música manifesta as emoções, as lutas e as esperanças que compõem este caminhar. Ao ecoar essas vivências, ela une as pessoas, fortalecendo os laços de fraternidade e inspirando ideais de liberdade, empatia e respeito mútuo, que alimentam a igualdade sobre a qual os homens livres têm felicidade.

Fonte: https://brunobmacedo.blogspot.com

Nenhum comentário:

Postar um comentário