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segunda-feira, 10 de agosto de 2026

OS ONZE CAVALEIROS DE CHARLESTON


Em maio de 1801, na esquina das ruas Church e Broad, em Charleston, Carolina do Sul, onze homens reuniram-se discretamente na antiga taverna de Mr. Shepherd e fundaram o Supremo Conselho, Conselho Mãe do Rito Escocês. Charleston era então um próspero porto cosmopolita, conhecido por sua promessa de liberdade religiosa, ainda que limitada, e por uma intensa atividade maçônica que já durava mais de sessenta anos. A cidade abrigava Lojas de língua inglesa e francesa, entre elas a Loja La Candeur, formada por refugiados da revolução haitiana.

Os dois principais protagonistas foram o coronel John Mitchell, veterano da Guerra da Independência e amigo de George Washington, e o dr. Frederick Dalcho, médico e futuro padre episcopal. Em 25 de maio de 1801, Mitchell conferiu a Dalcho o 33.º grau, e em 31 de maio abriram oficialmente o Supremo Conselho. Até agosto de 1802, o grupo foi ampliado para onze membros, vindos de diferentes nações (Irlanda, Inglaterra, França, Boêmia, Polônia), religiões (judeus sefarditas, cristãos) e ofícios (médicos, comerciantes, impressor, açougueiro, líder religioso).

Em dezembro de 1802, publicaram a "Circular aos Dois Hemisférios" (Manifesto de 1802), provavelmente redigida por Dalcho, que proclamava ao mundo maçônico a criação do Supremo Conselho e trazia as inscrições "Deus et mon droit" e "Ordo ab chao". Apesar de resistências iniciais, a Grande Loja da Escócia acusou o documento de "respirar o espírito dos Illuminati", o reconhecimento veio com o tempo. Incêndios e a Guerra Civil destruíram quase todos os arquivos originais, mas o legado dos onze cavalheiros de Charleston perdura há mais de 225 anos, transmitido de geração em geração. Como se diz em hebraico: L'dor v'dor, de geração em geração.

Por Rui Samarcos Lora, In: masonica.com.br

Fonte: Facebook_Curiosidades de Maçonaria

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