Ir∴ Sérgio Quirino Guimarães
ARLS Presidente Roosevelt 025
Belo Horizonte - Minas Gerais
HISTÓRIA DA MAÇONARIA BRASILEIRA ?
Tenho notado um grande vácuo histórico na Maçonaria Brasileira. Passamos para os Irmãos a impressão que nossa história começa no vigésimo oitavo dia do mês de Sivan do Anno Lucis de cinco mil, oitocentos e vinte e dois (17/06/1822) com a criação do Grande Oriente Brasiliano, cuja primeira diretoria foi composta pelos Irmãos José Bonifácio de Andrada e Silva, Joaquim Gonçalves Ledo e João Mendes Viana. Mas a questão é que estes Irmãos pertenciam há Lojas que estavam vinculadas a alguma Potência. Conhecemos bem os fatos que ocorreram depois da criação do GOB: Iniciação, Elevação, Exaltação e Posse de Dom Pedro I como Grão-Mestre, briga entre o grupo de Ledo e dos Andradas, fechamento do GOB e et coetera.
Mas e antes desta data? Qual é nossa história? Onde estão os documentos que mostram a gênese da Maçonaria em território brasileiro?
Em minhas pesquisas encontrei o obvio. Nossos laços estão fortemente entrelaçado com a Maçonaria Portuguesa. Uma maçonaria que começou por volta do ano de 1727, quando foi fundada por comerciantes ingleses uma Loja em Lisboa e muito sugestivo foi a alcunha que a Loja recebeu por parte da Igreja Católica: Loja dos Hereges Mercadores.
Mas se tratando de nome, a segunda Loja fundada (1733) nos inflama o espírito. Seu título constitutivo era: “Casa Real dos Pedreiros Livres da Lusitânia” em cujo quadro de obreiros constavam três frades dominicanos.
Nesta mesma Loja tivemos um grande “Maçom Operativo”, foi o Irmão Carlos Mardel que além de militar foi um dos principais arquitetos que projetaram uma nova cidade, pois Lisboa havia sido destruída (85%) pela catástrofe de 1755 (terremotos, tsunamis e incêndios).
A terceira Loja (fundada em 1741) foi um exemplo claro da frase do Irmão Chanceler no REAA; o Venerável Mestre e alguns Irmãos eram protestantes, mas a maioria dos Obreiros era católica, e veja que estamos tratando de uma época em que a Inquisição se faria presente e cruel. Nesta mesma Oficina conviviam harmoniosamente portugueses, ingleses, franceses, suíços, italianos.
Não seria natural supor que os brasileiros que vinham para a Metrópole estudar tomassem conhecimento dos ideais maçônicos e fossem iniciados em nossos Augustos Mistérios?
Na verdade não é uma suposição, mas sim uma realidade histórica que devemos resgatar! Alguns Past Grão Mestres lusitanos tiveram sua vida de alguma forma ligada ao Brasil; O Irmão Fernando Romão da Costa de Ataíde foi Grão Mestre entre 1809 e 1814 e era filho do Governador do Grão Pará e Maranhão. O Irmão Bernardino Luís Machado Guimarães, nasceu no Rio de Janeiro em 1851, foi Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano Unido, de 1895 a 1899. Foi também o primeiro Embaixador Português no Brasil e duas vezes Presidente da República em Portugal. O Irmão Sebastião de Magalhães Lima, também nasceu no Rio de Janeiro, foi Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano por 27 anos e, como “Livre Pensador”, condenava abertamente regime ditatorial implantado em Portugal.
Cito o GOL - Grande Oriente Lusitano - fundado em 1802, por acreditar que lá esteja “a coberto” um grande tesouro cultural.
Em 1935 o governo de Salazar proibiu a Maçonaria em Portugal, mas em 1974, após a Revolução dos Cravos, o Palácio do GOL foi restaurado e hoje abriga além da administração e Templos, a Biblioteca do Grêmio Lusitano e o Museu Maçônico Português. Oxalá permita-me o GADU que, o mais breve possível, eu atravesse os mares e vá matar minha sede nestes mananciais de cultura. Assim, simbolicamente irei plagiar Pero Vaz de Caminha: “Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem.”
Fonte: JBNews - Informativo nº 317 - 11 de Julho de 2011
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