Páginas

PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

domingo, 17 de julho de 2011

UTOPIA

Ir∴ Marco Antônio Nunes
M∴M∴ da ARLS “Fraternidade Catarinense” nº 9 – GOSC

Há dias, uma palavra vinha se sobrepondo aos meus pensamentos, intrometendo-se em frequentes divagações.

Até que vi e ouvi, pela televisão, um famoso sociólogo estrangeiro sendo entrevistado num desses programas culturais, tão raros hoje em dia. Não lhes poderei dar mais detalhes sobre o sociólogo e nem qual o programa e muito menos qual o canal. Foi numa dessas costumeiras passadas de controle remoto a esmo pelos canais, na esperança de encontrar um que estivesse transmitindo um pouco de cultura.

Falava ele sobre as diversas utopias que a humanidade criou para satisfazer a sua curiosidade e pela necessidade de entender os mistérios que sempre a desafiaram.

Vai daí, comecei a desenvolver um raciocínio sobre as utopias que nos cercam, especialmente das tantas que se nos acompanham vida a fora, entre as quais uma delas, a principal, é a própria existência do homem.

O primeiro homem, antes de experimentar o fruto, não tinha utopias, não criava desejos inalcançáveis, pois tudo que havia no paraíso supria suas necessidades e vontades sem nenhum esforço. Bastava andar a esmo pelo Éden e tudo estava ao alcance de suas mãos. A saciedade das vontades, que não eram muitas, era satisfeita quase que instantaneamente. Até que...

... desejou uma companhia para a sua solidão. Criou-se neste instante a primeira utopia humana. O Criador, atendendo à ansiedade e à formação do livre-arbítrio humano, transformou uma simples costela na companheira desejada. Talvez não fosse bem aquilo que Adão (vamos chamá-lo assim) desejava, mas só o fato de ter alguém para ouvi-lo compensava.

Errado!

Passou mais a ouvir daí em diante, já que sua companheira desenvolveu a fala com mais eficiência. Nasce aí a paciência e a tolerância. Duas utopias novinhas em folha, especialmente a segunda, muito comentada e pregada nas nossas lojas, cuja aplicabilidade, sabemos, não é lá muito fácil.

A utopia de contar com uma companhia que lhe completasse o vazio da solidão, até hoje é questionada, e não se tem nenhum indício de que a ciência vá conseguir elaborar uma atenuante, a não ser os antidepressivos tão em evidência e engolidos com avidez em larga escala.

O homem vem experimentando de tudo, inclusive criando novas utopias para satisfazer as que já fazem parte da sua eterna procura e só o que consegue é acumular mais e mais angústias.

A utopia de que um ser superior está a guiar seus passos, fiscalizando seus deslizes éticos e morais é a que mais se fixou e ficou enraizada na sua concepção existencial. Porém, somente crer neste ser superior não foi o bastante. Foi preciso criar outras utopias para chegar até Ele, criando as religiões, os dogmas, as orações, os rituais, as oferendas - muito comuns em épocas passadas sob a forma de sacrifícios de animais e até de vidas humanas -, como se fossem "moedas" de troca por um milagre salvador que dissipasse as doenças, as catástrofes, as secas, por boas colheitas, ou de um aperto qualquer. Ainda hoje o homem as pratica de diversas formas mais ou menos civilizadas, no mundo ocidental, sob a forma de dízimos enriquecedores de religiões e abnegados sacerdotes e sacerdotisas que, em nome de Deus, sacrificam-se em estafantes viagens internacionais levando em suas bagagens os dízimos transformados em dólares com “objetivos carismáticos” na compra de mansões e outras futilidades para satisfazer as utópicas esperanças dos seus fiéis, que ficam aguardando fervorosamente pelos apregoados milagres. Muitos até que conseguem, tal é o poder da fé.

Fazer o que! Afinal, o homem necessita de utopias para manter a esperança acesa, mesmo que lá do fundo do seu senso de racionalidade algo lhe inspire de que jamais conseguirá desvendar os mistérios da realização plena e a de alcançar a utópica perfeição.

Isso tudo porque o Criador, no momento de escolher os genes que formariam a humanidade, separou o da perfeição para Si, liberando o da esperança para dar sentido à Sua obra.

O homem, por si só, passou a ser um "ser" utópico. Até hoje, não descobriu de onde veio e muito menos para onde vai, devido ao fato de desconhecer a fórmula de desvendar os meandros da sua própria consciência e, por consequência, o seu destino.


Os mais ilustres pensadores não conseguem vislumbrar um epílogo definitivo à longa trajetória da humanidade no que se refere às suas origens, mas qualquer um pode antever o que lhe espera por manter acesa a sua eterna e utópica procura, sem dar o devido valor ao paraíso que lhe foi dado.

Enquanto isso, na Maçonaria, a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade formam a tríade que todo o Maçom batalha para se inserir e praticar. Não são caminhos nem metas. Constituem a própria essência da vida maçónica.

O Maçom que diz que precisa andar muito para alcançar essa tríade fundamental, além de utópico, está criando a utopia de um caminho e de uma meta que redundantemente não existem, já que, para entrar na Maçonaria, ele ja teria que ter essas qualidades, pelo menos de forma latente, e, uma vez Maçom, trabalhar para aperfeiçoá-las.

Quem é totalmente livre? Quem se considera igual? Quem pratica a fraternidade?

Todos nós, no coletivo. Poucos no individual. Raros no espiritual. O que estaria faltando?

Um novo projeto do Grande Arquiteto para o paraíso e deixar Adão se virar sozinho com todas as suas costelas.

Fonte: JBNews - Informativo nº 323 - 17 de Julho de 2011

Nenhum comentário:

Postar um comentário