Quem caminha descalço não deve semear espinhos.(G. Herbert)
(Em memória ao saudoso Irmão Professor RAIMUNDO RODRIGUES)
O mundo já conheceu diversos escritores maçônicos que fizeram história, ensinando e deixando obras maravilhosas que são lidas e relidas com o passar dos anos. Nicola Aslan, saudoso e eminente maçom, historiador e escritor dos mais ilustres, que sempre se dedicou à Cultura Maçônica publicou em 1956, o “Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria”, obra maçônica séria e que revela um dos maiores escritores que o Brasil já produziu. Em seguida, surgiu outro escritor de nomeada: Theobaldo Varoli Filho, com o seu “Curso de Maçonaria Simbólica”, vols. I e II.
Vale lembrar que há 40 anos (abril de 1971), o idealismo do nosso inesquecível Xico Trolha teve a idéia de lançar um meio de comunicação entre os Irmãos: a Revista “A TROLHA”, trabalho perseverante de disseminação da riqueza cultural maçônica em nosso país.
Mas, jamais poderemos deixar de mencionar o Prof. RAIMUNDO RODRIGUES que se dedicando inteiramente ao serviço da Maçonaria, publicou muitos livros, centenas de artigos, fundou Lojas Simbólicas, Academias Maçônicas de Letras e nos blindou com vasto e confiável material de pesquisa e estudo sério e valioso sobre Maçonaria simbólica e filosófica, para nosso aprimoramento nas tarefas maçônicas onde aprendemos a interpretar o trabalho prático que a Maçonaria nos faculta com explicações de inestimável valor, de forma a nos orientar para a maneira mais adequada a quantos se dispuserem a aprender, servir e trabalhar.
Combateu com veemência “invencionices”, “suposições”, “achismos” criados pela imaginação de quem não tem coragem de estudar.
E nós, agora sem sua presença física, mas de posse desse tesouro de valor inestimável, que ele nos deixou, possamos atender a um pedido seu feito a todos nós maçons, para que defendêssemos a Maçonaria com todas as nossas energias e possibilidades, não com o uso da força, ou de argumentos e palavras rebuscadas pronunciadas da boca para fora, tentando passar por conhecedores da Maçonaria, mas sim, com o exemplo de bom maçom que já entendeu que o bom Obreiro não se faz de aparências exteriores, e sim, com procedimento que justifique nossa condição de Maçons verdadeiros, com benevolência para com todos, indulgência para com as imperfeições alheias e perdão das ofensas.
A história das últimas três décadas da Maçonaria do Brasil fecha uma página no dia 3/10/ 2010, quando RAIMUNDO RODRIGUES recebeu a sagração final que o transformou em espírito de luz e não estaria completa se deixássemos para as próximas gerações uma homenagem a esse grande Maçom que partiu sem nunca visar honrarias, aplausos ou recompensas futuras e que hoje no Oriente Eterno, onde não há maldade, não há dores, acompanha nossas obras e abençoa nossas ações. Por isso fundamos uma Loja Maçônica reverenciando a memória de quem realmente merece. Temos agora, desde 21 de abril de 2011, a Augusta e Respeitável Loja Prof. Raimundo Rodrigues, nº.726 (GLESP). Estamos todos de parabéns. Diante de tal obra, nossas esperanças se renovam e se agigantam. Nossa Oficina, Colméia de trabalho e fraternidade, de fé e de amor, tendo alcançado um porto seguro, hoje comemoramos olhando para o futuro, sem o passado perder de vista na herança que dele recebemos e que frutifica e se renova a cada dia. Devemos agir com a razão e deixar o emocional de lado, pois, quando agimos emocionalmente, acabamos escrevendo coisas que poderemos vir a nos arrepender no futuro, porque, por mais longe que o intelecto alcance, nunca irá tão longe como o coração.
Aos escritores maçons, ele ensinou que a fonte de escrita deve ser segura, com bases concretas e com um linguajar que abranja a maioria. Que nossa palavra seja sempre o que vai a nossa alma. Palavra amorosa, leve, fraterna e compreensiva, para que seja um instrumento de amor , que soma, pacifica, que confia e conforta nunca dissemina a discórdia. Pois, no fundo, o papel do Maçom é manter e formar o homem de bem.
Entretanto, toda cautela não é demais! Todos sabem que desde o início de nossa Ordem, em nossa marcha incessante à luz, enfrentamos muitas dificuldades e, porque não dizê-lo, muitos inimigos. Cada escritor, na sua categoria, deve doar o melhor de si, e quando houver a necessidade da crítica, que a faça não como uma agressão, mas sim, pura e simplesmente uma atitude em defesa da moralidade e do interesse público, com a intenção de construir um mundo melhor, criando idéias para um melhoramento naquilo que se predispôs a comentar ou criticar. Não devemos criticar apenas pelo hábito, mas que seja por um ideal e não por vaidade.
Mas não é exatamente isso o que ocorre. Poucos são os IIr.’. que sabem fazer da palavra e de seus escritos um uso correto. Possuímos um poder construtivo ou destrutivo sobre o nosso ser, o nosso caráter, a nossa vida e as nossas relações; o que dissermos ou escrevermos de “positivo” detém um poder construtivo, e de negativo, destrutivo. O seu uso indevido, às vezes, fogem ao bom senso. É necessário que sejamos práticos e objetivos no manejo da palavra e da “pena”, procurando dizer ou escrever exata e adequadamente o que pensamos. O Maçom tem o direito de manifestação, seja por via oral ou escrita, mas deve expressar sempre a verdade.
Não devemos nos envaidecer quando nosso trabalho for reconhecido. Devemos estudar ainda mais, pois é nosso dever ter um maior entendimento sobre a doutrina, caso contrário, não teremos condições de concluir nossa tarefa. Nosso aperfeiçoamento moral, intelectual e espiritual, depende mais das críticas que dos elogios que recebemos. Quando ouvimos uma crítica, agradeçamos duas vezes mais que a um elogio. Rudyard Kipling, maçom, dizia que o verdadeiro Homem é aquele que consegue ser indiferente às críticas e aos louvores, estes dois grandes impostores.
Toda a palavra, escrita ou falada, pode levantar o astral de uma pessoa, como pode levá-la literalmente ao fundo do poço.
Comunicar é uma arte tanto quanto educar também o é. Os comunicadores maçons possuem a responsabilidade de representar, através da mídia, não uma doutrina nem dogma, o que permite a todos compartilhar uma concepção do mundo onde “a tolerância é dever primário que a Ordem impõe a seus adeptos”.
Jornais, revistas, programas radiofônicos e televisivos, portais, enfim, toda e qualquer mídia maçônica deve possuir o sentido sagrado do compromisso com a verdade, do compromisso com a Ordem, constantes de sua Constituição, Regulamentos, dos seus Estatutos, Regimentos, Normas, Procedimentos e a renovação moral do homem de bem, do compromisso com a educação do ser humano e da sociedade.
Assim, o comunicador maçom, na finalidade educativa da comunicação, deve:
1. Antes de transmitir uma mensagem aos outros deve tentar vivenciá-la.
2. Fazer apreciação razoável dos fatos, e das consequências que deles decorrem.
3. Ter como objetivo sempre chegar à verdade para não alterar preceitos fundamentais.
4. Acolher todas as observações sobre o assunto.
5. Discutir os assuntos sem se desviar da ética.
6. Estudar a Maçonaria e fazer da Sublime Instituição sua base no mundo da informação.
7. Fazer abstração das próprias idéias, procurando expor o pensamento da Maçonaria.
O desânimo aniquila só o entusiasmo constrói. Lembrando que estudar Maçonaria é como um tratamento homeopata: deve ser feito diariamente e de forma paulatina. Não é em uma leitura somente que iremos compreender a mensagem trazida. È necessário tempo, dedicação, desejo de se melhorar para que nossos exemplos não conflitem com as nossas palavras.
O Maçom só é mesmo “Maçom” se conhecer Maçonaria; em sua história, sua Simbologia, sua Filosofia, sua Ritualística e sua Liturgia, tendo uma visão consciente do passado, do presente e do futuro. E o Maçom só saberá sobre esses itens se ler muito.
Que o Grande Arquiteto do Universo nos ajude a manter os corações alegres e unidos hoje e sempre no firme propósito de amar e servir cada vez mais e melhor, e nos conceda força para sermos portadores da mensagem de uma Maçonaria transformadora, espiritualizada, presente e em defesa da família, da sociedade e da humanidade.
Fonte: JBNews - Informativo nº 322 - 16 de Julho de 2011
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