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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

REFLEXÕES SOBRE O SERVIÇO FUNERÁRIO MAÇÔNICO

Jim Tome

Há apenas algumas ocasiões em que nós, como maçons, realizamos cerimônias e serviços públicos. Colocar a pedra fundamental de um prédio público, uma instalação aberta de nossos oficiais, a boa vontade e a caridade que oferecemos a uma causa carente ou a indivíduos em dificuldades são apenas alguns dos exemplos.

A apresentação de nosso serviço funerário maçónico é, no entanto, uma expressão pública diferente de nosso ofício. Ao contrário de nossos empreendimentos alegres, esta cerimônia é mais solene e sombria. Freqüentemente, o Irmão era um amigo querido e nossa conexão com ele transcende mais do que a membresia comum em nossa organização. Outras vezes, nós o conhecíamos mais pela reputação e nossa homenagem final à sua vida é a coisa certa a fazer.

Em ambos os casos, o Serviço Funerário Maçónico é uma celebração pessoal, reconhecimento e valorização da vida de um irmão. Estamos honrando suas contribuições, não importa quão pequenas ou grandes, para a Arte, seus efeitos na vida de familiares e amigos e, principalmente, o impacto que sua influência teve em nossa própria jornada e experiência.

Do ponto de vista do maçom operativo, a homenagem final a um colega de trabalho também foi observada com grande reverência. O falecido Irmão era um homem com quem trabalharam lado a lado por muitos anos, talvez até por toda a vida. Eles elogiaram suas virtudes e contribuições para a Arte. Eles falaram sobre a vida eterna após a morte e a necessidade de realizar um bom trabalho para toda a humanidade ao longo da vida de um homem. Toda a guilda e suas famílias compareceram para lamentar a morte do Irmão e oferecer solidariedade e apoio à sua família.

Como Mestres Maçons, todos nós temos os “direitos e benefícios” desse título. Isso inclui um serviço funerário maçónico bem atendido. De muitas maneiras, participar desses serviços é tão importante quanto participar das reuniões da Loja, talvez até mais. Como não podemos fazer mais nada, podemos fazer pouco mais por nosso irmão caído, o serviço solene é realmente para o benefício da família e amigos de nosso irmão. O serviço bem feito mostra nosso genuíno cuidado e preocupação com um dos nossos.

Finalmente, uma percepção importante é que este serviço é muitas vezes a primeira verdadeira exposição de um não maçom às maravilhosas tradições, belos e eternos rituais e ao profundo significado por trás de nossa Fraternidade. Neste serviço sombrio, eles provavelmente estabelecerão suas opiniões e formarão percepções importantes de nossa organização. Certamente, ao testemunhar o ritual e a cerimônia, o público fica curioso para saber quem somos, o que defendemos e no que acreditamos como organização.

Certamente, é lamentável quando soubemos do falecimento de um querido irmão, mas preste a ele e à sua vida a honra que merecem, participando de seu funeral maçónico. Assim como ele olha para baixo e fica satisfeito com a lembrança e o tributo que seus irmãos concedem à sua vida e à sua memória, assim também o seu espírito algum dia desfrutará dessa mesma honra quando você se juntar à Loja Celestial no alto.

Fonte: https://omalhetepodcast.blogspot.com

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

PARAMENTOS DO MESTRE MAÇOM - A FAIXA DO MESTRE

Em 16.09.2022 o Respeitável Irmão Andrei Barbosa de Almeida, Loja Guardiões da Luz, 3038, REAA, GOB-MS, Oriente de Campo Grande, Estado do Mato Grosso do Sul, solicita esclarecimentos para o que segue:

PARAMENTOS DO MESTRE (FAIXA)

Gostaria de consultar o irmão sobre o uso e a obrigatoriedade da faixa de Mestre em sessões do REAA, para Mestre que não exercem cargos. Em minha Loja e em outras tenho visto que o uso da Faixa de Mestre raramente ocorre. Gostaria de saber se devemos adotar de ora em diante como regra ou se é facultativo (opcional)?

E caso se estar em loja devemos adotar para todos usam ou todos não usam?

Ou podemos deixar livre até que todos se conscientizem?

CONSIDERAÇÕES:

Não há nada opcional nesse sentido. Conforme menciona o Ritual de Mestre Maçom do REAA e o SOR, Sistema de Orientação Ritualística do GOB RITUALÍSTICA, os Mestres sem cargo usam, além do avental a faixa de Mestre com a respectiva joia.

 Ainda, conforme orienta o SOR, os Cobridores e os Expertos, também usam a faixa por debaixo do colar no ofício dos seus cargos, pois a faixa, originária dos talabartes franceses do século XVIII, além da joia, traz um dispositivo anelar metálico que serve para acondicionar a espada. A serventia desse dispositivo está bem clara no ritual de Mestre Maçom.

Desse modo, aconselho a observar o contido no SOR que está na página oficial do GOB onde existem inúmeras orientações, correções e explicações que devem ser aplicadas de imediato sobre os rituais. O SOR é um dispositivo amparado pelo Decreto 1784/2019 do Grão-Mestre Geral e é uma orientação oficial do GOB. Confira.

A propósito, o Mestre Maçom, além do avental usa faixa descrita no ritual em qualquer Loja, seja ela do Grau 01, 02 ou 03.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MINUTO MAÇÔNICO

YORK

1º - Uma antiga cidade da Inglaterra, conhecida entre os romanos como Eboracum. Até metade do século XVIII, York foi considerada a capital do norte da Inglaterra e a segunda cidade daquele país.

2º - A história lendária da Maçonaria faz referência a esta cidade, na qual se teria realizado, no ano 926, uma pretensa Assembléia Geral dos Maçons.

3º - Segundo os anais maçônicos, foi edificada pelas sociedades de construtores, ou Colégios, que acompanhavam as legiões romanas e converteram essa cidade num centro das famosas Confrarias de construtores.

4º - Diz Alec Mellor: “Subsiste uma certa incerteza a respeito do que foi o seu ritual, ainda que numerosas Lojas americanas se dizem hoje do “Rito de York”, o qual permanece em vigor nos EUA,
supondo-se, pelo menos, que a denominação corresponda à verdade".

5º - A história da Maçonaria registra, todavia, que em 1705 várias Lojas do Yorkshire reuniram-se em federação e, em 1725, constituíram-se em Grandes Lojas como aquela fundada em Londres em 1717. Reivindicando maior antigüidade, esta federação assumiu a denominação de “Grande Loja para toda a Inglaterra reunida em York”, pretendendo remontar ao ano 926.

Nota: (A Trolha) O Rito de York abriga em torno de sete tipos de Rituais que muito se assemelham entre si cujas práticas variam de acordo com as regiões na Inglaterra. São eles: o Emulation, o Logic, o Taylor’s; o Alfaiate; o Bristol, o Stability e o West End.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

A MAÇONARIA PRECISA DE MESTRES

Sérgio Quirino

Não há como ignorar a realidade do momento. Sendo assim, devemos procurar levar luz aos Irmãos que, como eu, encontram-se apreensivos.

Todos nós aspiramos, ao sermos iniciados, a chegar ao Grau de Mestre, por termos a falsa impressão de que se trata de uma condição maior. Pode até ser, e será, se realmente compreendermos a missão do Mestre.

Acreditamos que a maestria é a condição de ensinar, de ter domínio do saber, e isso nos coloca em um degrau acima. A cada conhecimento adquirido, a cada grau conquistado, estamos mais elevados. Na prática, pode resultar em distanciamento do que se foi ao que se tornou e daqueles que de nós necessitam.

Talvez a maioria não se dê conta, mas o Mestre só tem duas missões:

ESPALHAR LUZ E REUNIR O QUE ESTÁ DISPERSO.

E quão dispersos estamos ficando! É hora de todos nós darmos um basta nas mútuas provocações, nas publicações debochadas e nas inflamadas posições de Irmãos sentados no conforto do lar aspirando a que outros vão aos campos de batalha. E o mais incrível: temos inúmeros casos de conflitos domésticos, e os Irmãos “progressistas” e “conservadores”, com discursos de ódio, esquecem-se de que, mesmo dentro da própria casa, não conseguiram que o sangue do seu sangue os acompanha-se na linha ideológica.

Será que eles estão dispostos ao Sacrifício de Abraão?

O MESTRE DEVE ENSINAR O QUE SABE E APRENDER O QUE IGNORA, CONCORRENDO PARA TODA A PARTE, A FIM DE QUE REINEMA HARMONIA E A FRATERNIDADE ENTRE OS SERES HUMANOS.

Se a realidade não está como desejamos, assumamos nossa responsabilidade. Perguntamos muito o que a Maçonaria está fazendo, e eu gostaria de saber o que o Maçom tem feito. Lembro que, em junho de 2014, a Grande Loja Maçônica de Minas Gerais lançou, a nível nacional, o projeto “Corrupção nunca mais! Por um país mais honesto!”.

Nós não conseguimos o número de assinaturas necessárias para que o projeto de lei de iniciativa popular fosse apreciado. Com quantas assinaturas o Irmão colaborou?

É apenas um exemplo das inúmeras ações sociais, políticas, cívicas e filantrópicas que são promovidas pela Maçonaria e que não encontram apoio dos Maçons.

Precisamos de uma nova postura, aprender a carregar pedras e lembrar que o melhor ensinamento se faz pelo exemplo. A trolha – instrumento do Mestre – é usada simbolicamente para atenuar as imperfeições dos que ainda estão em aprendizado. É ter o sentimento de indulgência que anima o Irmão esclarecido para com as fraquezas humanas.

Não chegaremos a lugar algum como Maçons, como Irmãos, como pais, como cidadãos, se não compreendermos que:

A SABEDORIA NÃO ESTÁ EM CASTIGAR OS ERROS,
MAS EM PROCURAR-LHES AS CAUSAS E AFASTÁ-LAS.

Neste ­17º ano de compartilhamento de instruções maçônicas e provocações para o enlevo moral e ético dos Irmãos, permanecemos no nosso propósito maior de disponibilizar uma curta reflexão a ser discutida em Loja. O Ritual não pode ser delapidado. A Ritualística deve ser seguida integralmente. O Quarto-de-hora-de-estudo é fundamental em uma sessão Justa e Perfeita.

Sinto muito, me perdoe, sou grato, te amo. Vamos em Frente!

Fraternalmente
Sérgio Quirino
Grão-Mestre - GLMMG 2021/2024

https://www.facebook.com

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

ENTRADA E SAÍDA DO TEMPLO - INGRESSO EM FAMÍLIA

Em 16.09.2022 o Respeitável Irmão Marcos Antônio Santos, Loja 8 de Dezembro, 2317, REAA, sem mencionar a Obediência, Oriente de Diadema, Estado de São Paulo, formula a pergunta seguinte:

ENTRAR EM FAMÍLIA

Peço licença ao Irmão para sanar uma dúvida sobre "Entrar em Família". Estava eu exercendo o cargo de M.'. de CCer.'. e como de praxe na entrada foi feito chamada dos IIr.'. para o Cortejo, porém na saída o substituto um ex-Ven.'. Mestre, solicitou que "saíssemos em família" e, nesse momento foi dito que não precisaria fazer a chamada dos presentes IIr.'. no encerramento da sessão. E assim todos sairam e alguns permanecem dentro do Templo. Estive recente no curso do ERAM-22, em São Paulo e tivemos orientação que entrar em família é para aqueles IIr.'. que tem prerrogativa de cargos e abrem mão dele para entrar com todos os IIr.'. ou sair do Templo, mas deveríamos sim fazer todo o processo de chamada para a SAÍDA do mesmo modo que fizemos na ENTRADA e de forma invertida para encerramento da sessão. Agradeço pelo esclarecimento.

CONSIDERAÇÕES:

De fato, entrada em família é para Irmãos que têm direito ao protocolo de recepção, mas resolvem dispensar essas formalidades e com isso compõem o préstito de entrada e ingressam junto com os demais obreiros para a abertura dos trabalhos.

Já para a retirada do recinto ao final dos trabalhos, basta que o Mestre de Cerimônias comunique que a saída será na ordem inversa da entrada, sem necessidade de ficar nominando nomes ou montando préstito de saída. Isso seria apenas um excesso de preciosismo – algo explicitamente desnecessário.

Geralmente, na ocasião da saída o Venerável Mestre convida autoridades presentes que ingressaram em família para com ele se retirarem. Assim não há rigidez de regra ou de formalidade a saída do templo após o encerramento dos trabalhos.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

A VOZ DO SILÊNCIO

Reflexão Sábia e Profunda do dia, via Luiz Lobo

"Porque a mente é como um espelho; ela acumula pó enquanto reflete. Ela necessita a brisa suave da sabedoria da Alma para afastar o pó das nossas ilusões. Tenta, ó iniciante, unir tua Mente e tua Alma.

Evita a ignorância, e evita do mesmo modo a ilusão. Volta o teu rosto para longe dos enganos do mundo; desconfia dos teus sentidos; eles são falsos. Mas, dentro do teu corpo - o santuário das tuas sensações - procura, no Impessoal, pelo “Homem Eterno”; e, depois de localizá-lo, olha para o teu interior.

Evita o elogio, ó Devoto. O elogio leva à auto-ilusão. O teu corpo não é o seu Eu. O teu EU é em si mesmo destituído de corpo, e nem os elogios, nem as críticas, o afetam.
A vaidade, ó Discípulo, é como uma torre elevada à qual subiu um tolo arrogante. Lá ele se senta com solidão e orgulho, sem ser percebido por ninguém exceto por si mesmo.

O falso conhecimento é rejeitado pelo Sábio, e espalhado ao Vento pela Boa Lei. A roda da Boa Lei gira para todos, os humildes e os orgulhosos. A “doutrina do Olho” é para a multidão; a “doutrina do Coração”, para os eleitos. Os primeiros repetem, orgulhosamente: “Vejam, eu sei”. Os últimos, que fizeram sua colheita humildemente, confessam em voz baixa: “Isso é o que eu ouvi”.

(Trecho do Livro "A Voz do Silêncio" de Helena Blavatsky)

Fonte: https://www.facebook.com_Pedreiros Livres

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

COBRIDORES NO ENCERRAMENTO - POSTURA

Em 16.09.2022 o Respeitável Irmão José Luis Turra, Loja Obreiros Ocultos, 1984, REAA, GOB-MS, Oriente de Nova Andradina, Estado do Mato Grosso do Sul, apresenta a dúvida que segue:

COBRIDORES NO ENCERRAMENTO.

Estou com uma dúvida quanto aos Cobridores interno e externo. Quando a sessão chega ao fechamento, a posição dos cobridores também é estar à ordem ou ficam de guarda com as espadas a punho.

CONSIDERAÇÕES:

Quando do encerramento ritualístico, os Cobridores permanecem nos seus lugares em Loja e se colocam à Ordem normalmente até o fechamento do Livro da Lei. Isto é, nesse período não empunham espadas.

 Assim, ficam à Ordem como os demais presentes, ou seja, compõem o Sinal com a mão, ou mãos se for o caso. Fechado o Livro, desfazem o Sinal e aguardam. Nesse caso, a espada deve ficar presa ao dispositivo fixado na faixa de Mestre, ou no artefato apropriado preso na retaguarda do espaldar da cadeira.

À saída dos Irmãos do Templo, apenas o Cobridor Interno, logo que abre a porta deve se mantém com a espada em ombro-arma até que todos deixem o recinto. Ele é o último a sair.

Espada em ombro-arma (Espada à Ordem) significa que o titular deve manter a sua lâmina em riste, na vertical apontada para cima, empunhando-a com a mão direita que fica colada junto ao quadril direito tendo os respectivos braço e antebraço afastados do corpo. Corpo ereto (no prumo) e os pés em esq∴.

O Cobridor Externo, se estiver presente, não empunha espada e se retira junto com os demais.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

A HISTÓRIA DA MAÇONARIA NA UCRÂNIA

António Jorge, M∴ M∴ 

A história da Maçonaria na Ucrânia não foi ainda totalmente pesquisada. A Ordem entrou na Ucrânia directamente a partir da Europa Ocidental e através da Polónia, onde as primeiras Lojas datam de 1738, e da Rússia, onde a primeira Loja foi organizada em 1731. A primeira Loja Maçónica em território Ucraniano foi fundada por nobres polacos em 1742 em Vyshnivets, Volínia. Em 1758 a Loja The Three Goddesses já existia em Lviv. A Maçonaria começou a espalhar-se a partir da Rússia através da Left-Bank Ukraine (Uma região geográfica-administrativo-territorial que consiste nas terras Ucranianas a leste do rio Dnipro) e da Slobidska Ucrânia na década de 1740. A influência Maçónica na Left-Bank Ukraine aumentou a partir do reinado de Kyrylo Rozumovsky, que era membro da Loja The Three Brothers em Varsóvia e provavelmente tinha conexões com círculos Maçónicos em França e na Rússia. O irmão de Kyrylo, o conde Oleksii Rozumovsky, e os seus filhos – principalmente o mais velho, o conde O. Rozumovsky, ministro da educação russo, também eram Maçons.

Os filhos de oficiais cossacos, muitos dos quais estudaram em universidades europeias a partir da década de 1740, voltaram para casa com ideias Maçónicas. Representantes de famílias de nobres oficiais Ucranianos, como as famílias Kapnist, Kochubei, Kuliabka, Lomykovsky, Lukashevych, Martos, Poletyka, Rodzianko, Skoropadsky, Sulyma, Tarnovsky, Tomara, Tumansky e Khanenko eram Maçons na segunda metade do século XVIII e no início do século XIX.

A participação de Ucranianos no movimento Maçónico russo (Semen Hamaliia, F. Dubiansky, Mykhailo Antonovsky, Mykhailo Kovalinsky, V. Tomara, Kh. Chebotarov, Antin Prokopovych-Antonsky, Dmytro H. Levytsky, Volodymyr Borovykovsky e outros) facilitou a disseminação da Maçonaria na Ucrânia. Uma contribuição significativa para o movimento foi feita pelos numerosos estrangeiros do Ocidente e da Rússia que foram trazidos para a Ucrânia para servir em várias instituições governamentais e nas forças armadas ou para fornecer serviços profissionais, como serviços médicos, arquitectónicos, técnicos e comerciais.

Como resultado da anexação da Rússia da Right-Bank Ukraine após as partições da Polónia e a atitude mais liberal do governo em relação à Maçonaria, o número de Lojas Maçónicas na Ucrânia aumentou no início do século XIX. Duas Lojas surgiram em Odesa, que tinha uma associação multinacional e laços directos com o Ocidente: a Loja Pontus Euxinus em 1803 e a Loja dos Três Reinos da Natureza. Em 1818, a Loja de Osiris to the Fiery Star foi formada em Kamianets-Podilskyi. Uma das principais Lojas da Ucrânia foi a United Slavs Lodge em Kiev, que foi fundada em Março de 1818 e era constituída principalmente por russos e polacos, mas também por alguns Ucranianos, incluindo Vasyl Lukashevych. As suas actividades influenciaram o desenvolvimento de ideias sobre uma federação eslava na Ucrânia. Uma segunda Loja importante, conhecida como Loja Love of Truth, foi formada em Poltava em Abril de 1818. O seu orador era Ivan Kotliarevsky, e seus membros incluíam, entre outros, Semen Kochubei, Vasyl Kapnist, Volodymyr Tarnovsky, Lukashevych e D. Oleksiiv . Ambas as Lojas de Kiev e Poltava estavam ligadas ao movimento Dezembrista. O seu objectivo era envolver a “Pequena Nobreza Russa” na actividade política e preparar os membros para a Union of Welfare (Uma organização política clandestina que surgiu da União de Salvação no início de 1818 em São Petersburgo). A primeira organização Maçónica territorial na Ucrânia foi a Loja Provincial Volhynian, que uniu as Lojas polacas na Right-Bank Ukraine.

As actividades das Lojas Maçónicas na Ucrânia promoveram até certo ponto o desenvolvimento de um movimento político-nacional Ucraniano e encorajaram a oposição ao governo. Por essas razões, as autoridades russas suprimiram-nas. Em Março de 1819, a Loja de Poltava foi dissolvida. Em 1822, o movimento Maçónico foi proibido em todo o Império Russo por um decreto imperial. Apesar deste decreto e de proibições posteriores, as Lojas Maçónicas continuaram a funcionar de maneira conspiratória e os seus membros participaram no movimento Dezembrista e em organizações políticas secretas posteriores.

Enquanto todas as Lojas Maçónicas na Rússia cessaram as suas actividades em obediência ao decreto do czar, algumas lojas na Ucrânia continuaram a agir clandestinamente. Estas eram as únicas organizações secretas cuja existência a polícia czarista nem sequer suspeitava. Mykola Kostomarov não era Maçom, mas os Maçons Ucranianos inspiraram e apoiaram a Cyril and Methodius Brotherhood e seleccionaram dos seus membros, candidatos confiáveis para as suas Lojas secretas. Um dos líderes notáveis deste movimento Maçónico Ucraniano conspiratório no Século XIX foi Oleksander Konysky. Entre os militares, o tenente-coronel Andrii Krasovsky pertencia à Maçonaria. Em 1862, ele recusou-se a reprimir as revoltas camponesas na região de Zhytomyr e foi condenado à morte por insubordinação.

Durante o Século XIX, existiam Lojas Maçónicas em Kiev, Zhytomyr, Kamianets-Podilskyi, Odesa e Poltava. Em 1900, cinco Lojas dessas cidades formaram a Grande Loja da Ucrânia. Mais tarde, mais duas lojas foram organizadas: a Loja Shevchenko em Kharkiv em 1901 e a Loja da Fraternidade em Chernihiv em 1904. Figuras políticas e culturais ucranianas notáveis da virada do século pertenciam a essas Lojas.

Em 1917, foi formada a Loja da Young Ukraine em Kiev e, em Abril de 1919, a Grande Loja da Ucrânia foi restabelecida. O seu Grão-Mestre foi Symon Petliura, e incluia a Loja de Santo Andreas Praevocatus, bem como outras Lojas. As insígnias e parte do arquivo da Grande Loja estão preservados em Paris. Como resultado de eventos políticos, esta Grande Loja não se tornou muito activa e não ganhou o reconhecimento de outras Grandes Lojas ao redor do mundo. Pavlo Skoropadsky e S. Morkotun pertenciam à Loja de Martinistas de Kiev, conhecida como Narcissus. Esta Loja não reconheceu a Grande Loja da Ucrânia.

Com a ocupação soviética da Ucrânia, a Maçonaria caiu sob uma proibição estrita. Os historiadores soviéticos menosprezaram ou ignoraram o papel do movimento Maçónico na Ucrânia.

Lojas Maçónicas continuaram a existir e agir de forma conspiratória em territórios Ucranianos governados pela Áustria e depois pela Polónia. Na primeira metade do século XIX, Denys Zubrytsky e B. Didytsky pertenciam ao movimento. Em 1919-1923, a Loja Ucraniana Unity estava activa em Lviv.

Fora da Ucrânia, um dos primeiros Ucranianos proeminentes a se conectar com a Maçonaria foi Hryhor Orlyk, em França. Os emigrantes Ucranianos na Suíça formaram uma Grande Loja Ucraniana em 1902. Nos Estados Unidos não há Lojas Maçónicas Ucranianas, apenas clubes Maçónicos. Um deles é o Ukrainian Masonic Club em Nova York, que representa os Ucranianos que são membros de várias Lojas americanas.

Após a Segunda Guerra Mundial, S. Tataroula (moreeu em 1971) propôs que fosse formada uma Loja Ucraniana em França. Em 1966, a Loja Vox Ucrainae foi consagrada em Paris pelo Grão-Mestre da Grande Loge Nationale Française. Esta Loja mantém laços com a Maçonaria mundial e persegue a tarefa de reviver as tradições Maçónicas Ucranianas.

Em 24 de Setembro de 2005, em Paris, no Grande Templo, Grande Loge Nationale Française (GNLF) juntamente com a Grand Lodge of Austria consagrou a Grande Loja da Ucrânia (GLU.

Actualmente, operam (ou estavam a operar) 14 Lojas sob a jurisdição da Grande Loja de Ucrânia. Na Ucrânia, existem Lojas nas cidades de Kiev, Lviv, Odessa, Ivano-Frankivsk, Drohobych, Zaporizhia, Kharkiv e Chernivtsi, sendo que a Grande Loja da Ucrânia é reconhecida como uma Grande Loja regular por 133 jurisdições Maçónicas regulares do mundo.

A última sessão da Grande Loja da Ucrânia ocorreu em 11 de Setembro de 2021, em Kiev. Nela, foi feita a instalação do Grão-Mestre da Ucrânia eleito Anatoliy Dymchuk. Estiveram presentes delegações oficiais da Escócia, Bulgária, Azerbaijão, Geórgia, Polónia, Bielorrússia, Roménia, Moldávia e Tennessee (EUA). Durante a cerimónia, foi instalada uma nova Loja, a “Porta Pyretos” a Oriente de Chernivtsi.

Fonte: Brasil Maçom

domingo, 12 de fevereiro de 2023

ILUMINAÇÃO EM LOJA DE MESTRE - AMBIENTE ILUMINADO E EM PENUMBRA

Em 13.09.2022 o Respeitável Irmão Marcio José da Silva, Loja União e Liberdade, 4601, REAA, GOB-BA, Oriente de Uruçuca, Estado da Bahia, faz a pergunta seguinte:

ILUMINAÇÃO EM LOJA DE MESTRE

Tenho uma dúvida quanto aos trabalhos a serem desenvolvidos em Loja de Câmara do Meio na sessão Ordinária.

Em que pese as orientações da SOR no site do GOB, fiquei na dúvida com relação a iluminação interna do Templo em sessão ordinária se elas ficam acesas ou não, pois se dá uma maior ênfase aos trabalhos na sessão Magna de Exaltação, onde fica claro que o ambiente deve ficar em penumbra, onde ficam somente as luzes litúrgicas e a "lux in tenebris".

Espero ter me feito entender.

CONSIDERAÇÕES:

Em Câmara do Meio, que é como se denomina uma sessão em grau de Mestre, nas sessões ordinárias do REAA trabalha-se com as luzes, tanto as litúrgicas como as do ambiente, acesas normalmente, ou seja, o ambiente fica integralmente iluminado.

Já nas sessões magnas de Exaltação do REAA, conforme especifica o Ritual em vigência e o SOR, parte dos trabalhos ocorre em ambiente de penumbra para atender a liturgia do grau.

Nesse sentido, em dado momento da cerimônia de Exaltação (vide no Ritual e no SOR) apagam-se todas as luzes do Templo, inclusive as Luzes Litúrgicas, ficando nesse momento acesas apenas a Lux in Tenebris e as três lanternas auxiliares dispostas junto ao Respeit∴ Mestre e aos VVenerab∴ VVig∴ (essas lanternas auxiliares constam no ritual).

Conforme também especifica o SOR, em dado momento dos trabalhos acendem-se novamente as nove Luzes Litúrgicas e mais adiante acendem-se outra vez todas as luzes que iluminam o templo, apagando-se nesse momento as lanternas auxiliaras. Basta para tal seguir a sequência designada pelo SOR – Sistema de Orientação Ritualística do GOB.

Ao concluir destaco que o ambiente em penumbra somente ocorre durante a liturgia da Exaltação que se dá dentro de uma sessão magna própria para tal. Isso não ocorre nas sessões ordinárias porque nela não há ambiente de encenação e exposição da lenda de H∴ A∴.

T.F.A.
PEDRO JUK – SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

CARGOS EM LOJA

Ir∴ Alexandre Wermelinger Machado

Meus queridos Irmãos: Tenho hoje o dever de apresentar mais um trabalho, que tem como tema os Cargos em Loja, que a princípio me pareceu simples e prático, no entanto após algumas pesquisas pude perceber que não era tão simples assim, por que do mais ao menos elevado, cada Cargo tem a sua devida importância para a força e harmonia da Loja, sendo vital a dedicação para com a execução das funções relacionadas a cada um dos Cargos pelos Membros. 

Como Aprendiz, ainda muito bruto, Procurei usar o máximo de sensibilidade na interpretação do material disponível para pesquisa. 

Luzes 

Venerável 

Assim como o Sol nasce no Oriente para iniciar sua carreira e romper o dia, ali é colocado o Venerável Mestre para abrir a loja, dirigi-la e esclarecê-la com as luzes da sabedoria. 

Dentro da ritualística Maçônica, o Presidente tem o título de Venerável Mestre. 

Senta-se no Trono de Salomão, donde se conclui que deve usar de sabedoria, ao presidir os trabalhos e representar a Loja onde se faça necessário. 

Deve ainda, imbuir-se nos princípios de amor e fraternidade; deverá, além disso, ser conhecedor da simbologia do três Graus básicos, bem como dos Rituais, Regulamentos, Constituição e Regimento Interno; deverá torna-se um líder natural, onde o orgulho e a vaidade não tenha acolhida. 

sábado, 11 de fevereiro de 2023

TRATAMENTO DE PODEROSO IRMÃO

Em 09.08.2022 o Respeitável Irmão Milton Souza, Loja União do Horizonte, 119, REAA, GLMEGO (CMSB), Oriente de Goiânia, Estado de Goiás, apresenta a seguinte questão:

PODEROSO IRMÃO

Irmão Pedro, bom dia.

O Irmão poderia falar resumidamente sobre o tratamento "Poderoso" no simbolismo?

CONSIDERAÇÕES:

Como adjetivo, o termo “poderoso” exprime o que tem poder; que exerce poderio; o que tem influência.

 Empregado a partir da Moderna Maçonaria (Especulativa ou dos Aceitos), o termo começou a ser utilizado como pronome de tratamento para autoridades maçônicas distinguidas entre as respectivas faixas de recepção na Loja (formalidades regulamentares).

De modo genérico, foi graças à nova organização estrutural da Maçonaria, após a fundação da Primeira Grande Loja em Londres no século XVIII, que tratamentos e títulos condizentes ao meio obediencial maçônico começaram a ser utilizados.

Na verdade, o vocábulo é utilizado mais como identificação para uma, dentre as diversas faixas de tratamento e recepção, do que propriamente pelo significado como adjetivo.

É bom que se diga que esses tratamentos são meras formalidades e não exprimem qualquer caráter de superioridade ou algo que carregue expressão de vaidade, sobretudo porque as virtudes da humildade e da igualdade são deveras cultuadas entre os membros da Sublime Instituição.

Para a Maçonaria o que importa é o caráter sadio do ser humano. Afinal, distinções mundanas não reconhecidas nos nossos templos.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MAÇONS FAMOSOS


GERALD RUDOLPH FORD JÚNIOR (1913-2006). 38º Presidente dos Estados Unidos entre 1974 e 1977, logo após ter servido como o 40º vice-presidente de 1973 a 1974, durante o governo do seu antecessor Richard Nixon. Após seu mandato, Ford permaneceu ativo no Partido Republicano. Enquanto presidente, Ford assinou os Acordos de Helsínquia, relaxando as tensões da Guerra Fria. Foi o último presidente norte-americano Maçom, até então.
  • INICIAÇÃO MAÇÔNICA: 30 de setembro de 1949.
  • Loja: Malta nº 465, Michigan, EUA (REAA).
  • Idade que foi iniciado: 36 anos.
Faleceu aos 93 anos de idade, vítima de pneumonia.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

DONOS DE LOJA?

Walter Roque Teixeira

Ao longo do meu caminho de aprendizado prazeroso nesta incrível Instituição, tenho lido e ouvido algumas afirmações que interpreto como sui generis.

Uma delas bastante comum, quando, especialmente em oportunidades de autoapologia, um Irmão afirma ter adoptado esta ou aquela atitude, incluindo a de se tornar “adormecido” – termo que precisaria ser mais bem explorado – porque a Loja “tem dono” (ou “tem donos”).

Muitos “adormecem” ou mudam de Loja e até, de Loja e de potência, buscando algo que nem sabem bem o quê; talvez algum caminho e local para se tornarem “donos”?

E mesmo mudando, muitos terminam “adormecendo” no novo ambiente sob o embalo do “canto da sereia” que encanta esta busca quimérica e que como tal, para onde quer que se dirijam, nunca se depararão com respostas que as suas angústias e insatisfações.

Atribui-se a Ghandi a frase: “Se quer mudar o mundo, comece por você mesmo” – mudanças fazem bem, mas apenas aquelas que acontecem internamente.

Olavo Bilac no seu apaixonante poema “Língua Portuguesa” (1919), dá a dica quando nos diz ser ela “… inculta e bela” e “… a um tempo esplendor e sepultura”; com a mente ligada no nosso principal parnasiano, devemos ter muito cuidado ao usarmos qualquer termo na nossa língua, pois sempre terão vários significados e nem sempre, uma mesma direcção. Elogio e ofensa tem o mesmo número de letras.

O termo “dono” vem do latim “dominium” que já diz quase tudo; é usado, pois, para indicar posse material de algo, mas sói referir-se também à atitude arrogante e controladora sobre ambientes e situações; enfim, é o famoso “dono da verdade”!

A Loja é uma entidade material; o grupo de irmãos é que traz o vigor, a motivação e lhe dá vida. E aí, aparentemente, é que reside o maior problema; é onde sempre tudo começa e termina: o relacionamento entre irmãos!

Se a frequentarmos com assiduidade, até poderemos conhecer um pouco do mosaico comportamental que nela reside e entendermos a imperiosidade do exercício da tolerância; mas somente se frequentarmos o grupo com assiduidade!

Muitos portadores de insatisfações angustiantes, não buscam esta análise, comprando de pronto, estereótipos comportamentais vendidos nos bastidores a preços módicos e que parecem justificar os seus anseios.

Nas demais lojas, somos ilustres visitantes – sempre muito bem recebidos – ou, no máximo, em alguma situação particular, conhecemos um número maior de irmãos; mas isto não nos autoriza a fazer suposições ou conjecturas, muito menos afirmações.

As notícias que correm pelas bocas e ouvidos nos encontros informais e ocasionais, como ensinam as peneiras da sabedoria, deveriam parar já na primeira.

Busquei recordar uma publicação do Irmão Hércule Spoladore intitulada – Antigo Venerável “Dono da Loja” (2018) – que sempre me impressionou bastante. Felizmente, ao reler, aliviado lembrei que várias vezes no texto, o brilhante Irmão Spoladore, ressalta a ocasionalidade de personalidades como aquela que descreve.

Cada um que assume o comando, acaba convencendo-se de que agora é a minha vez; que farei como penso; torna-se, então, o novo “dono”!

Não pensa que as concepções dos outros não são nem parecidas com as suas e que, se apenas ouvisse um pouco além, pouparia muita discussão.

Entre algo que, como defende no texto e concordo, beira a patologia ocasional e a maioria que se torna “sustentáculo da Ordem”, prefiro convencer-me de que dentro do que conheço, não encontro um só irmão ao qual poderia atribuir tal denominação, que sempre adquire um carácter desdenhoso, depreciativo ou mesmo, animoso.

Conheço e sou agradecido sim, aos irmãos persistentes, valentes, sustentáculos da Ordem, que lutaram e trabalharam por e para mim quando ainda não estava presente; que, aliás, continuam lutando e trabalhando, agora ao meu lado, para os que virão.

Conheço e sou agradecido sim, aos irmãos altruístas e que colocaram, muito antes de tornar-me membro da loja, parte do seu tempo, da sua profissão, até recursos financeiros, por vezes, abdicando do convívio da sua família e que, agora ao meu lado, continuam nesta marcha, buscando através do exemplo de luta, a permanência da grandeza da entidade que ajudaram a construir, que amam e da qual querem continuar a se orgulhar.

Conheço e sou agradecido sim, aos irmãos que, apesar do tempo de instituição e mesmo, muitos deles, do tempo registrado na certidão de nascimento, continuam lutando para que os “adormecidos em actividade” não influenciem os que estão iniciando com “ideias insossas, inodoras e insípidas”, portanto, sem qualquer futuro.

É verdade que quando se luta por uma causa justa, nem sempre se é tão gentil; é preciso muitas vezes, uma certa rudeza nas exigências e o líder ou aquele que ajudou a fazer a história tem sim, o direito de exigir que o ouçam, que poderem as suas ponderações; os exageros deverão ser combatidos em grupo com compreensão, carinho e respeito; por vezes, com tarefas!

O que vejo e muito, é falta de resiliência; seja emocional, académica ou social.

É mister pensar que experiência é hierarquia e todos nós maçons, devemos respeito às histórias construídas, às experiências sedimentadas, às hierarquias conquistadas, aos trabalhos feitos, às decepções e frustrações vividas, assim como, às conquistas para as quais nem sempre contribuímos.

O que falta é planeamento; a cada venerabilidade uma cabeça e muitas cabeçadas; uma sentença e muitos equívocos; existindo um planeamento para um período além do somente “ir resolvendo o que aparece”, seguramente muita angústia será poupada e todos terão o seu papel na continuidade do processo e na construção da história.

Conheço e agradeço, pois, aos irmãos que estão sempre em pé e à ordem para ajudar os essseus irmãos, a Instituição ou a loja; sim, como se fosse sua!

Conheço e agradeço aos irmãos empreendedores, que não temem desafios e adversidades e, por isto, incomodam os acomodados e afugentam os amedrontados.

Não conheço qualquer irmão que tenha impedido qualquer outro de apresentar ideias e projectos para a discussão do grupo.

Conheço sim, irmãos que não conseguem conviver com recusas, com sugestões de aperfeiçoamento das suas boas ideias e abandonam facilmente a luta; e se algum dos irmãos mais antigos foi quem questionou algum aspecto da proposta, passa a ser o “dono da loja” que não o deixou fazer como queria.

A vaidade impede a percepção de que o crescimento se faz na medida do aperfeiçoamento individual e grupal.

Os “donos”, se existem, continuam “donos” porque não desistem da luta, da Loja e da Instituição; não desistem dos questionamentos, não desistem de buscar o melhor, não desistem de falar, de fazer, de opor-se ao que não concordam, de criar alternativas; ou seja: são lutadores natos! Ainda bem que existem! E sou muito agradecido pelo convívio!

Simplesmente não desistem! São perseverantes! Daí encontrarem resistência entre os momentâneos.

Conheço e agradeço sim, aos irmãos que são chamados de “donos” só porque são e exigem, enfaticamente, fidelidade aos irmãos, à Loja e à Instituição.

Conflitos? Apenas demonstram diferenças! E diferenças quando bem administradas é onde mais se encontra caminhos para o progresso individual e institucional.

Sempre disse que gostaria de ter muitos “donos” na Loja que frequento; infelizmente, ainda não cheguei lá; mas ficarei orgulhoso se um dia assim for identificado, pois significará que continuarei me importando, lutando e trabalhando pelo grupo e pelo futuro!

Fonte: brasilmacom.com.br

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2023

MANIFESTAÇÕES DURANTE A APRESENTAÇÃO DE UM CANDIDATO

Em 01/09/2022 o Respeitável Irmão Jocely Xavier Araújo, Loja Herbert Jurk, 2818, REAA, GOB-SC, Oriente de Timbó, Estado de Santa Cataria, apresenta o que segue:

MANIFESTAÇÃO SOBRE O CANDIDATO

Desculpe mais uma vez incomodá-lo. Quando da leitura da apresentação de candidato, quando o Venerável Mestre faculta através dos Vigilantes que os irmãos se manifestem, essa manifestação pode ser para elogiar ou só quando houver algo que desabone?

CONSIDERAÇÕES:

Não há nada que proíba, contudo, respeitado a regra da dialética contida no primeiro Trivium das Artes e Ciências Liberais, é de boa geometria que se fale somente o necessário.

 Nessa ocasião, qualquer manifestação deve ser em prol da construção do processo de admissão. Elogios repassados de lirismos e outras extensas retóricas não condizem com a formalidade e a sobriedade maçônica.

Certamente que no futuro, se o candidato alcançar a graça de ter sido recebido como maçom, ele receberá em momentos oportunos os merecidos cumprimentos.

Tudo é passível de bom senso, assim, manifestar contentamento pela indicação de alguém é perfeitamente admissível, desde que de maneira sucinta – copo carregado demais acaba transbordando.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

HERMENÊUTICA JURÍDICA

Ir∴ José Julberto Meira Júnior – M∴M∴
ARLS∴ “21 de Abril”, nº 82 (GOP/COMAB)
(Texto publicado no Jornal Maçônico “L.D.P.” – Liberdade de Pensamento - Edição no 12 – fevereiro/2011)

Os IIr∴ médicos e os profissionais da área certamente acorrerão em socorro dos que pouco ou nada conhecem acerca do chamado mal de Alzheimer, doença de Alzheimer, ou ainda, simplesmente Alzheimer, que em apertada síntese é uma forma comum de demência. É uma doença degenerativa incurável e letal de momento, tendo sido descrita pela primeira vez em 1906 pelo psiquiatra alemão Alois Alzheimer, de quem herdou o nome.

Segundo a rápida pesquisa que fizemos acerca do tema, cada paciente de Alzheimer sofre a doença de forma única, mas existem pontos em comum, e o sintoma primário mais comum é a perda de memória. Com o avançar da doença vão aparecendo novos sintomas como confusão, irritabilidade e agressividade, alterações de humor, falhas na linguagem, perda de memória a longo prazo e o paciente começa a desligar-se da realidade.

A esta altura dos acontecimentos, partindo-se da premissa de que esta coluna trata de temas atinentes à hermenêutica maçônica, o leitor mais atento deve estar se perguntando o que, em sã consciência, tem em comum o mal de Alzheimer como o tema interpretação aqui abordado.

E com razão! Afinal, numa primeira análise, não há nexo causal entre um tema e outro se olharmos apenas e tão somente o assunto sob a ótica científica e esquecermos que a maçonaria é recheada de símbolos.

Com o surgimento da Maçonaria no século XVIII, na Inglaterra, ressurgiu também uma releitura dos simbolismos religiosos que se encontravam deturpados pela ignorância eclesiástica medieval. Os maçons especulativos começaram a estudar os simbolismos religiosos e iniciáticos, dando origem a simbologia mística, dos maçons operativos, alquímicos e outros símbolos tradicionais. Foram incluídos, também, os símbolos de significado particular, como é o caso da Romã, Cadeia de União, a letra G, Acácia, Pelicano, etc.

De tudo o que já vimos em termos de literatura maçônica, são inúmeros os símbolos maçônicos, porém alguns se destacam pelo seu constante uso e conhecimento entre os maçons. Também, de tudo o que já vimos em nossos comentários anteriores acerca da hermenêutica maçônica que objetiva a busca do verdadeiro significado dos sinais, podemos nos valer de métodos (no sentido de caminho mesmo) para obtermos resultados pretendidos por este sistema de moral que é a nossa arte real, e que, assim é, porque pretende acrescentar algo de valioso ao nosso edifício moral.

Dessa forma, valho-me da analogia e do decantado direito ao exercício da criatividade para juntar coisas aparentemente díspares como a preocupação, traduzida em nossos juramentos, de “levantar templos à virtude e cavar masmorras aos vícios“ com uma doença secular que nos permitiu cunhar uma expressão de puro neologismo, ou seja, o “Alzheimer Maçônico”, que muito tem contribuído para que o número de irmãos que conseguem apreender o que está à nossa disposição seja cada vez menor, e, em linha diretamente oposta, porque o número de adormecidos aumenta a olhos nus, fazendo corar de inveja o autor da fabula da Bela Adormecida, pois se ao adentrarmos para a Ordem, somos escolhidos dentre muitos, tendo sobre nós a chancela de “livres e de bons costumes”, ouso dizer que somos pedras belas (em estado bruto evidentemente) e, cada vez mais, em estado letárgico, o que não condiz com nossas tradições e compromissos assumidos.

Ao nos tornarmos maçons, assumimos o compromisso de incentivar a virtude e combater nossos vícios, mas depois de aprendermos o significado do maço e do cinzel quando aprendizes, vamos aos poucos – talvez pela idade, pelo estresse, ou coisa que o valha – esquecendo-nos de que este é um trabalho de uma vida inteira e que deve resultar em evolução constante, mesmo daqueles que insistem em mostrar as suas condecorações maçônicas e seus brilhosos aventais dos graus superiores, de cargos ou de funções nas respectivas potências, fazendo corar o próprio Grande Arquiteto pelo brilho excessivo que a vaidade produz.

À medida em que os anos passam e os graus nos chegam, tendo em vista não voltarmos constantemente às nossas origens, começamos, paulatinamente, a esquecer que já fomos aprendizes um dia, e, quando menos percebemos, continuamos nossa caminhada deixando no espaço percorrido inúmeros compromissos com a Ordem, com nossos IIr∴, com a sociedade, com nosso País e com a humanidade a ponto de não mais lembrarmos, pela idade avançada, inclusive a maçônica, o que viemos fazer em nossas oficinas.

Esta indesejável doença do esquecimento que deixamos brotar porque não compreendemos e não desejamos compreender o grande objetivo da Arte Real, cresceu a ponto de esquecermos o mais sagrado dos compromissos, aquele que fizemos como nosso eu interior, permitindo que, silenciosamente, evolua e cresça em nossos corações e mentes privilegiadas o que chamamos de Alzheimer Maçônico e que se explica simbolicamente no exercício da metáfora.

A fim de nos prevenirmos desse mal do período especulativo, ainda em analogia à medicina, e, conforme nossas pesquisas, a prevenção possível aqui, diferente da doença real, é mais eficaz, pois todos os estudos de medidas para prevenir ou atrasar os efeitos do Alzheimer (referindo-nos agora à doença) são frequentemente infrutíferas.

Hoje em dia não parece existir provas para acreditar que qualquer medida de prevenção é definitivamente bem sucedida contra o Alzheimer enquanto doença, mas enquanto sintoma de abandono de nossas crenças e compromissos, diferentemente daquele, o Alzheimer Maçônico pode ser combatido freqüentando nossos trabalhos, estudando maçonaria e, principalmente, praticando, mesmo que lentamente, nossos ensinamentos pois, quando menos esperarmos, estaremos fazendo a diferença para um mundo melhor e caminhando, tal qual Mercúrio entre os Planetas, em direção à verdadeira luz.

O mal do esquecimento maçônico é perfeitamente tratável, permitindo-se com o esforço esperado do verdadeiro maçom, não só o seu retardamento, mas também a sua regressão absoluta, pois o investimento nestas práticas – que resultam em mero cumprimento de nossos juramentos – é a retomada do comprometimento por meio de gestos, palavras e ações produzirá um resultado cartesiano, que é a nossa natural evolução.

Por derradeiro, não se encerrando a discussão, sabemos que não se muda a instituição, mas sim o homem que a compõe. Por isso, ainda no exercício livre da analogia à medicina, há uma máxima na medicina que diz que uma doença pode ser intratável, mas o paciente não.

Fonte: JBNews - Informativo nº 197 - 12/03/2011

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

ORDEM DE ARQUITETURA - COLUNA TOSCANA

Em 29.08.2022 o Respeitável Irmão Wesley Di Tano de Oliveira, Loja 16 de Julho, 242, REAA, GLESP (CMSB), Oriente de Ituverava, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte questão:

COLUNA TOSCANA

Consultei nosso irmão Moura, Editora Trolha, e o mesmo indicou que eu solicitasse sua ajuda.

Estudando o Plano do Templo, símbolos e significados, deparei com duas Colunas Toscanas localizadas no Oriente, ao lado do Dossel.

As mesmas estão no Plano do Templo do Ritual de Aprendiz e Companheiro Maçom - REAA
- GLESP; as Colunas também estão na mesma disposição, na Árvore da Sabedoria Maçônica, no Ritual de Mestre Maçom do REAA - GLESP.

Pesquisei nos Livros que possuo, na Internet e também alguns irmãos, mais antigos e de graus superiores, mesmo assim ainda não consegui a resposta. Alguns artigos falam sobre elas, sua origem, forma, consistência, mas nada sobre o significado ou o que representam no Templo maçônico.

Se possível, gostaria que o prezado irmão, me desse Luz para poder encontrar a resposta.

Qual o significado ou o que representam estas Colunas Toscanas, ao lado do dossel do Venerável Mestre, no Templo Maçônico do REAA - GLESP?

Desculpe incomodar e tomar seu precioso tempo.

CONSIDERAÇÕES:

Inicialmente eu gostaria de mencionar que no REAA, rito de origem francesa, originalmente essas duas colunas da ordem Toscana situadas sob as extremidades do dossel no Oriente da Loja não existem como elementos do simbolismo. Nem no Oriente e nem no Ocidente. Podem ser consideradas apenas elementos decorativos.

Agora, se consta isso no ritual, como descrito na questão, é preciso então averiguar quem as colocou e por conta do que elas foram inseridas no Oriente do templo.

Destaco que originalmente nos Painéis originais de Loja do REAA não consta nenhuma coluna Toscana. Os Painéis do 1º e 2º Grau trazem apenas as colunas do pórtico (B e J). No Painel do 3º Grau não há nenhuma coluna. As colunas do pórtico nesses painéis trazem um sincretismo de culturas, babilônicas e egípcias, portanto elas não fazem parte das
Cinco Nobres Ordens de Arquitetura.

Como aqui foi abordada a relação entre os Painéis e as Colunas, vale então mencionar que na decoração de um templo do REAA existem apenas e tão somente dois Painéis, a saber: o da Loja (conforme o grau), e o Retábulo do Oriente que é o espaço da parede situado imediatamente atrás do trono onde ficam fixados o Delta Radiante, o Sol e a Lua. Como conteúdo do grupamento de símbolos, nenhum desses dois Painéis franceses trazem nos seus interiores a Coluna Toscana.

Reitero então que em se tratando do REAA não existem outros painéis na Loja, senão os logo acima mencionados. Digo isso porque não raras vezes encontramos, em alguns rituais, a menção de um certo “painel alegórico” na decoração da Loja. Na verdade, esse painel é um produto de enxerto que copia a Tábua de Delinear inglesa e não deveria estar presente no REAA.

Na verdade, esse painel alegórico que é às vezes indevidamente encontrado no REAA, é a Tábua de Delinear Inglesa (Tracing Board) que pertence ao Rito de York do Craft, portanto é um elemento que nada tem a ver com o escocesismo.

Desse modo ele não deveria estar presente nos rituais do REAA, sobretudo por ser ele um rito de origem francesa. Nesse caso, ao que parece foi inserido indevidamente um painel inglês em um rito de origem francesa e para justificar essa equivocada presença, deram-lhe o nome de “painel alegórico”, algo inexistente no escocesismo.

Muitas vezes deve-se a essas indevidas inserções o aparecimento de símbolos e alegorias que não fazem parte do corolário doutrinário-iniciático de um rito propriamente dito. Nessa conjuntura é importante saber que cada rito, ou trabalho (working) maçônico tem suas próprias características.

NOTA – Embora a presente abordagem dos painéis pareça nada ter a ver com a questão aqui apresentada, fiz essa alusão porque boa parte dos símbolos utilizados pelos ritos se encontram condensados nesses Painéis (Quadros da Loja). O Painel do Grau é a síntese da Loja no grau de um rito.

É bem verdade que na estrutura de símbolos da Moderna Maçonaria, alguns desses emblemas são universais, isto é, são símbolos presentes em qualquer rito. Entretanto, existem símbolos que são comuns apenas a um determinado rito. Como exemplo disso poderíamos citar a Estrela Hominal (cinco pontas) que é comum em um rito enquanto que em outro ela é hexagonal (seis pontas). Seguindo o mesmo raciocínio, a Escada de Jacó, que aparece no Rito de York, mas não no REAA. Outro exemplo: os símbolos que compõem as três virtudes teologais, estes presentes na Tábua de Delinear inglesa e não nos Painéis franceses. Ainda, as Colunas Zodiacais, que não existem na decoração do Rito de York, porém estão presentes no REAA, etc.

Existe ainda outro grupo de símbolos, os que são abstratos em alguns ritos, mas visíveis e palpáveis em outros. Explica-se: em muitos ritos alguns símbolos, ou mesmo a sua ideia, não são visíveis, contudo, se fazem presentes nas entrelinhas do ideário doutrinário.

Nesse caso, tomemos como exemplo as colunas da ordem Jônica, Dórica e Coríntia. Esses são símbolos consagrados e universalmente representam, na Maçonaria Simbólica Universal, a Sabedoria, a Força e a Beleza. Essa tríade basicamente serve a todos os ritos, pois é a sustentação da moral maçônica, no entanto, visíveis, palpáveis e materializadas elas não aparecem no Painel do REAA, mas são mencionadas nas entrelinhas do seu ritual e nas suas instruções correspondentes. Já no Rito de York, ao contrário do REAA, essas colunas aparecem com destaque na sua Tábua de Delinear do 1º Grau.

Assim, se faz necessário observar que nesse universo de símbolos e emblemas maçônicos, muitos elementos que fazem parte da decoração da planta do templo de um determinado rito, podem não estar presentes em outros - mesmo estando conexos a uma mesma estrutura doutrinária.

Conhecer essa regra significa evitar o achismo e a nociva licenciosidade de se achar que cada um pode interpretar o símbolo à sua maneira. Licenciosidade na interpretação dos símbolos é erro crasso em Maçonaria. O símbolo na Maçonaria tem no contexto uma mensagem única.

A arte está em desvendar o mistério que o cerca. Assim, indaga-se: o que um determinado símbolo significa para a doutrina do Rito? Ele foi ali colocado por quê? No contexto iniciático, qual é a sua contribuição? E no contexto histórico e cultural? E assim vai...

Com as devidas ressalvas, se essas regras básicas fossem observadas, certamente estaríamos livres da enxurrada de bobagens escritas que desafortunadamente ainda assolam o campo literário da nossa Ordem.

Feitos esses esclarecimentos e comentários, vamos ao símbolo mencionado na questão ora aqui apresentada – a coluna da Ordem Toscana.

No que diz respeito a ela e a Maçonaria, de maneira sintética dá para se dizer primeiramente que essa Coluna é parte de um conjunto de símbolos que formam a alegoria da Escada Sinuosa, ou em Caracol.

Porém, antes é bom que se diga que a alegoria da Escada em Caracol é natural no Craft, no caso, no Rito de York. Observe-se que essa Escada é o elemento central da Tábua de Delinear do 2º Grau do Rito de York (inglês). Ela não está presente, por exemplo, no Painel do REAA.

NOTA – Tábua de Delinear é o nome dado ao Quadro da Loja na Maçonaria Inglesa. Na Maçonaria Francesa é conhecido como Painel do Grau, ou da Loja. Apesar de terem a mesma função, o conjunto de símbolos é diferente em conteúdo de um e do outro.

Em um dos modelos da Tábua de Delinear, a Escada Sinuosa, ou em Caracol, aparece como figura detalhada no Craft. Composta por três segmentos de três, cinco e sete degraus, no seu segundo estágio (lance com cinco degraus), literalmente o corrimão se apoia sobre cinco colunas representativas das Cinco Nobres Ordens de Arquitetura, das quais três gregas, a Dórica, a Jônica e a Coríntia, e outras duas romanas, a Toscana e a Compósita.

Como parte das preleções inglesas, a Escada Sinuosa, ou em Caracol, se caracteriza por representar um percurso sinuoso e difícil, cujo objetivo é o de mostrar ao iniciado as dificuldades que naturalmente serão encontradas ao longo da vida. Nesse contexto o agrupamento das Cinco Nobre Ordens de Arquitetura representa o 2º estágio do iniciado – ver, ouvir, meditar, bem agir e calar.

A relação das Cinco Nobres Ordens de Arquitetura com o ideário instrucional maçônico se consolidou especulativamente no século XVI com o tratado escrito por Giacomo Vignola, denominado Regras das Cinco Ordens de Arquitetura. Embora já na fase de declínio do estilo Gótico e, por extensão da Maçonaria de Ofício, muitos arquitetos da época passariam a utilizar as regras e proporções hauridas desse tratado.

Com o advento do Renascimento, as regras de Arquitetura seriam inseridas por Inigo Jones na Inglaterra, o que sacramentava de vez o declínio da Maçonaria de Ofício e a ascensão da aceitação – o ingresso de homens estranhos ao ofício se tornava cada vez mais evidente.

Do ofício ao especulativo, a doutrina dos maçons aceitos fora elaborada debaixo de símbolos e alegorias ligadas à Arte de construir. Graças a isso é que esses elementos se fazem naturalmente presentes no simbolismo e nas instruções atuais da Moderna Maçonaria.

Em relação às colunas Toscanas situadas no Oriente de uma Loja do REAA, particularmente junto à parede nas extremidades do dossel conforme mencionadas na sua questão, ao que parece são meros elementos decorativos sem nenhum conteúdo iniciático, ou de outro significado especial.

Como descrito na questão, essas colunas de fato parecem ser apenas molduras decorativas fixadas à esquerda e à direita do Retábulo do Oriente, e nada mais. Muitas Lojas costumam usar esse tipo de decoração, sem que haja nela qualquer conotação iniciática.

Como elemento simbólico oficial a Coluna Toscana somente aparece, de fato, na alegoria da Escada em Caracol no CRAFT, não sendo, portanto, símbolo comum ao REAA. No que diz respeito ao escocesismo propriamente dito, no máximo talvez seja possível ligá-la como parte de um conjunto composto por “cinco” colunas, destacando neste contexto que número “cinco” é universalmente um dos elementos de estudo do Companheiro Maçom.

Não obstante às considerações até aqui apresentadas, seguem alguns elementos técnicos e históricos concernentes às Cinco Ordens de Arquitetura que tendem auxiliar na compreensão desse tema dentro da conjuntura instrucional maçônica. 

1. Ordem de Arquitetura – Sinteticamente menciona aquilo que dá características próprias à construção associando-a a um determinado estilo histórico (características únicas). Confere harmonia, unidade e proporção a um edifício segundo as normas clássicas de beleza. As Ordens de Arquitetura nasceram na Antiguidade Clássica, embora eventualmente tenham sido reinterpretadas, a exemplo do que ocorreu durante o período renascentista.

2. As primeiras normas - Desenvolvidas na Grécia, essas normas tiveram seu ápice no século V a.C. (Período Clássico) quando deram lugar à criação de três Ordens de Arquitetura a saber: Dórico, Jônico e Coríntio.

No século I a.C. essas Ordens foram readaptadas no Império Romano e deram lugar a outras duas outras – a Toscana (variante simplificada do Dórico) e a Compósita (uma mistura combinada entre o Jônico e o Coríntio).

3. De Architecturae (Tratado de Arquitetura) de Vitrúvio - Datado do século I a.C., esse foi o único escrito herdado da Antiguidade que chegou ao século XV. Foi no século seguinte que aparece o tratado escrito por Giacomo Vignola sob a denominação de Regras das Cinco Ordens de Arquitetura. Esse tratado acabou por definir regras geométricas e de proporção que até o presente ainda são utilizadas por arquitetos. Graças a esse tratado é que foram então reconhecidas as Cinco Nobres Ordens de Arquitetura. Essas Cinco Ordens se dividiram em dois grupos – o das Ordens Gregas e o das Ordens Romanas. As Ordens Gregas formadas pelas ordens Dórica, Jônica e Coríntia, e as Romanas pelas ordens Toscana e Compósita.

4. A Ordem Dórica (grega) – natural das costas sul do Peloponeso teve o seu auge no século V a.C. Empregada principalmente na banda exterior dos templos então dedicados às divindades do gênero masculino. De caráter sólido, com aparência de força é a mais simples das três Ordens Gregas.

5. A Ordem Jônica (Grega) - aparece na Grécia oriental e, aproximadamente em 450 a.C. parece ter sido adotada também por Atenas. De desenvolvimento concomitante à Ordem Dórica, pela sua forma e característica suave acabaria sendo mais utilizada nos templos dedicados a deusas femininas. Se caracteriza pelo capitel com volutas.

6. A Ordem Coríntia (Grega) - natural do último quartel do século V a.C., notoriamente possui capitel mais decorativo e trabalhado. Inicialmente foi muito utilizada na banda interna dos palácios e assemelhados. Seu capitel é abundantemente decorado com rebentos e folhas de acanto. Tornou-se um capitel bastante utilizado no período de dominação romana.

7. A Ordem Toscana (Romana) – Se desenvolveu no período de dominação romana e é um elemento simplificado com proporção igual ao da Ordem Dórica. Sua característica é a simplicidade do seu capitel.

8. A Ordem Compósita (Romana) – Como a Toscana, também se desenvolveu no período de dominação romana. Até o advento do Renascimento ela foi considerada uma versão tardia da Ordem Coríntia. Caracteriza-se por ser um estilo mesclado em cujo capitel vão inseridas as volutas do Jônico e também as folhas de acanto do Coríntio.

Espero que esses comentários sirvam para trazer luzes a respeito desse tema.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

FRASES ILUSTRADAS

OS GRANDES PENSADORES DA HUMANIDADE E O RITO MODERNO

O Irmão Gustavo Vernaschi Patuto teve a ideia de reunir os Irmãos e discutir a maçonaria, o Rito Moderno e os Grandes Pensadores da Humanidade e acabou gerando quatro livros sobre o tema já lançados e em produção de mais quatro livros, com mais 40 escritores.

Além de desenvolver novos escritores e palestrantes - verdadeiros “Experts” sobre os referidos Pensadores, a iniciativa buscou produzir novos conteúdos e contribuir para a elevação do patamar dos estudos maçônicos.

Cada obra publicada reúne dez Grandes Pensadores sendo escrita por 10 maçons.

Por meio desta coletânea é demonstrada a essência do Rito Moderno, com ideias e opiniões de valorosos irmãos do Brasil e do exterior.

Mas indo além: os capítulos desenvolvidos representam horas de estudos e de- bates. Patuto afirma com convicção: “são obras para acelerar a evolução, a investigação e a prática da filosofia dos nossos irmãos aprendizes, companheiros e mestres que primam por aprimorar os seus conhecimentos maçônicos e mais importante: isso independe de qual rito o irmão pratique”.

Sobre os Tomos:

O primeiro, começa com a reflexão de Victor Guerra, onde o autor pondera: a maçonaria e a filosofia como paradoxos.

Há também, estudos com os filósofos gregos Sócrates, Aristóteles e Epicuro.

Ainda, no Tomo I, “viajaram no tempo” até Espinoza, John Locke, passando pelo iluminismo com David Hume, Rousseau e Voltaire. Por fim, neste primeiro tomo, também trazem os fundamentos do fundador da economia clássica Adam Smith”.

Já no tomo dois, os estudos e reflexões são retomados com Immanuel Kant e o seu idealismo Alemão.

Avançando para Augusto Comte, foi abordada a sua sociologia e positivismo para, em seguida, voltar ao idealismo alemão com Kant e Schopenhauer.

Também há Karl Marx e, no século vinte, foi abordado Nietzche e a obra: Maçonaria, o antípoda da moralidade.

Joseph Campbell com a mitologia e a filosofia na perspectiva maçônica não ficou   de fora.

No final desse segundo tomo, há a reflexão sobre a regularidade e filosofia maçônica, uma paráfrase com Patrick Négrier, escrita por Joaquim Villalta, sendo o último filósofo deste tomo, Habermas.

No capítulo 20, há uma abordagem cronológica da maçonaria, filosofia e ritos antes do Rito Moderno, de autoria do escritor Luiz Cichoski.

O tomo 3, contém as análises de Confúcio, Platão e Napoleão Bonaparte e falam sobre o Adogmatismo no Rito Moderno na obra de José Ingenieros.

Há a filosofia de Ludwig Wittgenstein para depois analisar de que modo a Logoterapia de Viktor Frankl pode contribuir não só para aproximar os mais diversos Ritos e, sobretudo, servir como um quadro de referência para o agir maçônico, tanto no plano individual quanto no plano das relações sociais no cotidiano.

Em Seguida, tem o que John Rawls diria aos Maçons e no cap. 28, tem os Filósofos Maçons: Leo Apostel e Marcel Bolle de Bal.

O tomo 3 foi finalizado com um olhar crítico de Zygmunt Bauman e a Gestão de Conhecimento, na visão de Nonaka e Takeuchi.

No tomo 4, foi mantido o alto nível dos trabalhos maçônicos, com o apoio de valorosos irmãos de diferentes ritos e em especial o Rito Schröder pois neste livro foram contemplados 10 “Grandes Pensadores Alemães”.

O livro começa com Lessing, o maior poeta do Iluminismo alemão, em seguida há Schiller e o amor à liberdade, em todas as suas formas essenciais.

No capítulo 33 há o Idealismo Fichteano e a construção do sistema ou “doutrina da ciência” desenvolvida por Fichte e derivada das ideias de Kant (cap. 11 – Tomo 2).

Ainda com o Idealismo alemão, está presente Hegel, com o seu projeto que abrangia a totalidade da história, da realidade e do pensamento num único sistema filosófico.

É possível ver o Romantismo em Goethe e o Idealismo de Krause fazendo um contraponto ao de Fichte.

O capítulo 37 fala sobre Cassirer e a filosofia das formas simbólicas.

A Escola de Frankfurt e a dialética de Adorno no capítulo 38, a defesa inflexível da dignidade e da liberdade do indivíduo com Hannah Arendt no capítulo 39 e foi finalizada a jornada neste livro com o capítulo 40 e a “Grande Rejeição de Hebert Marcuse.”

Estes 4 tomos de “Os Grandes Pensadores da Humanidade e o Rito Moderno” contou com 40 escritores maçons explorando ao máximo os legados de 40 “Pensadores” em mais de 1.468 páginas e fazendo um contraponto com o Rito Moderno, a Maçonaria e a Sociedade.

Essas obras estão disponíveis para todos os irmãos que se identificam como livres pensadores e buscam expandir seus conhecimentos por meio de reflexões filosóficas e na busca de fatos e dados históricos que engrandecem e estimulam pensar a maçonaria com propriedade e conhecimentos cada vez maiores.

Para maiores informações, ou adquirir os exemplares, os interessados podem contactar o Organizador e Coordenador da Série, Irmão Gustavo Vernaschi Patuto, através do WhatsApp (41) 9900-8601.

Fonte: Revista M∴ B∴

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

QUESTÃO SOBRE O LIVRO DA LEI

Em 26.08.2022 o Irmão Aprendiz, Wagner Fincatto Coswig, REAA, Loja Acácia Balneário Camboriú, 3978, REAA, GOB-SC, Oriente de Camboriú, Estado de Santa Catarina, faz a seguinte pergunta.

O LIVRO DA LEI

Olá irmão, eu tenho uma dúvida a respeito do Livro da Lei no REAA e gostaria de perguntar ao Irmão se na mesma Loja encontram-se irmãos com diferentes religiões qual Livro da Lei será aberto? Qual Livro da Lei será preconizado?

CONSIDERAÇÕES:

No caso do REAA, onde há leitura de um trecho do Livro da Lei estarão sempre presentes a Bíblia, o Esquadro e o Compasso, não existindo, contudo, nenhum impeditivo que sobre o Altar estejam também presentes outros Livros correspondentes às religiões distintas.

Nesse caso, os demais livros, tais como a Torá, o Corão, o Vedas, etc., não são abertos, bastando simplesmente as suas presenças.

O Livro da Lei que é aberto e lido um trecho correspondente é apenas o que estiver previsto no ritual em vigência – no caso do REAA é a Bíblia.

 O que cada maçom precisa compreender é que o Livro da Lei na Maçonaria não tem conotação de pregação religiosa, ou mesmo de difundir qualquer religião. A sua presença em Loja é a de ser o emblema do código de moral e ética que o cada iniciado segue. É daí o adjetivo “emblemático” que acompanha as três Grandes Luzes.

Quando da Iniciação, Elevação e Exaltação, conforme a sua crença, cada iniciado tem o direito de prestar a sua obrigação sobre o Livro da Lei da sua religião, isto é, a que ele segue.

Nesse caso, por ocasião das tomadas de obrigação, a Loja deve disponibilizar o Livro correspondente para que cada iniciado preste sobre o seu código de moral o seu juramento.

Cabe ressaltar que mesmo com a presença de outros Livros, a Bíblia como o Livro da Lei previsto no ritual do rito praticado pela Loja permanece ao centro do Alt∴ dos JJur∴ junta ao Esq∴ e o Comp∴. Essa é uma identificação do rito e não possui nenhum caráter de indução religiosa.

Infelizmente, ainda há maçons que precisam entender a finalidade do Livro da Lei como Luz Emblemática. Muitos ainda não entenderam que Maçonaria não é religião, e que a Ordem Maçônica respeita todas elas, incentivando, inclusive, que cada um pratique a sua religião, mas na sua igreja e não na Loja.

Uma das finalidades da Maçonaria é manter os homens unidos e respeitosos entre si independente da religião que cada um pratique, portanto é vedado ao maçom fazer qualquer proselitismo religioso durante os trabalhos maçônicos.

Assim, se bem compreendida a Arte, a Loja deve ser um centro de união onde todos trabalham em prol de um mesmo ideal – o de construir um Templo à Virtude Universal.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MINUTO MAÇÔNICO

LABOR

1º - O trabalho, diz Mackey, é um dos mais belos característicos da Instituição maçônica, porque ensina não somente a necessidade, mas a nobreza do labor. Desde a sua abertura até o seu encerramento, a Loja é considerada estar em trabalho.

2º - Da mesma forma que os Maçons Operativos estavam empenhados na construção de edifícios materiais, assim os Maçons Livres e Aceitos são considerados empregados em erigir uma superestrutura de virtude e de moralidade sobre a fundação dos princípios maçônicos em que são instruídos desde a sua admissão na Ordem.

3º - Quando a Loja está empenhada nas formalidades e cerimônias de iniciação em qualquer dos graus, diz-se que ela está em trabalho.

4º - Como Maçons, trabalhamos em nossa Loja para construir pessoalmente em edifício perfeito, sem defeitos, trabalhando com esperança para o acabamento.

5º - Quando a casa do nosso tabernáculo terrestre acabar, quando a Palavra Perdida da Divina verdade for finalmente descoberta, e quando encontrarmos pelos nossos próprios esforços para a perfeição a certeza de termos realizado o serviço divino.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br