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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

segunda-feira, 23 de agosto de 2021

UMA PEQUENA HISTÓRIA, UM GRANDE E FRATERNO SIGNIFICADO!

UMA PEQUENA HISTÓRIA, UM GRANDE E FRATERNO SIGNIFICADO!

A Respeitável Loja Mestre Affonso Domingues, como todas as outras lojas maçónicas, recebe, na qualidade de visitantes, Ir:. das mais diversas e variadas nacionalidades. Por aqui, na Loja Mestre Affonso Domingues, temos gosto em fazê-lo e, segundo dizem os Ir:. que o GADU faz questão de colocar no nosso caminho, fazemo-lo bem.

Assim aconteceu, com um Ir∴ oriundo da IIr. da Loja Fênix, n. 4053 do Grande Oriente do Brasil – GOB que, na sua “despedida”, brindou os obreiros da Respeitável Loja Mestre Affonso Domingues nº 5, com a prancha hoje aqui transcrita na íntegra.

Ainda em sessão, solicitei autorização ao Ir∴, pois é ainda Aprendiz e, como tal, não pode publicar textos, nem utilizar da palavra em sessão, o qual aceitou prontamente.

Como seu Ir∴ é uma honra o poder publicar em seu nome, esta belissima prancha, como obreiro da Respeitável Loja Mestre Affonso Domingues, foi compensador tê-lo por cá e, estou certo que o GADU, irá proporcionar novamente que os nossos caminhos se cruzem.

Portanto, a prancha que aqui vão ler, foi lida em loja, em sessão ritual, por um Ir∴ visitante que assina a autoria da mesma, eu Daniel Martins apenas proporciono ao universo do A Partir Pedra, a sua leitura em âmbito alargado.

Meu querido Ir∴, obrigado, mais uma vez pelas tuas palavras, bem hajas e, estou certo, até breve.

Uma pequena história, um grande e fraterno significado!

Vou contar uma história para vocês, meus IIr. Serei breve, serei leve. Uma história ainda em reflexão, uma história que ainda está sendo vivida e que foi possibilitada pelo G.A.D.U.

Quando se fala em projeto logo se indica qual o seu âmbito: profissional, pessoal, familiar, e por ai vai. Embora indicando e dividindo nossos projetos, aqueles de maior importância tem inserção e interação direta com nossas vidas pessoal e profissional, profana e fraterna. Afinal, o que é de mais importante é (ou deveria ser) partilhado.

E essa pequena história foi compartilhada com vocês.

No dia 01 de novembro de 2014 cheguei em Lisboa, Portugal, para uma estadia de 120 dias, foco profissional, meu Estágio de Doutoramento em Direito, foco pessoal, uma experiência familiar certamente inesquecível. Não cheguei só. Cheguei com minha família: esposa e filho.

A viagem começou muito antes da chegada em Lisboa no dia 01 de novembro. Iniciou de certa forma quando constituímos os laços familiares, 12 anos atrás, e com a chegada do nosso filho.

Quero dizer com isso que 120 dias distante do nosso meio comum, ao mesmo tempo em que um sonho, uma perspectiva maravilhosa que seria vivida, seria um grande desafio para 3 pessoas. Afinal, estaríamos sozinhos vivendo a experiência de estar em um continente, um país, uma cidade, muitas milhas além de casa.

Assim que decidimos pela viagem anunciei em minha Loja, perante meus queridos IIr. da Loja Fênix, n. 4053 do Grande Oriente do Brasil – GOB. De imediato VM, 1 e 2 Vig., IIr. Mestres indicaram: “Deves procurar nossos IIr. em Portugal! Contate o Grande Oriente para te indicar o caminho dos IIr.”

Contatei o Grande Oriente do Brasil e em pouco tempo recebi uma resposta: “Meu Ir. Somente é permitida a visitação a Ir. MM., como és Ap.’.M.’. não pode realizar visitas. Mas como li em seu pedido que irá com sua família, por longo período, necessitará estar em ambiente fraterno, por isso, autorizo e encaminharei sua documentação”.

Logo na semana de chegada a Lisboa, percebi que estaria seguro e em família. Fui recebido muitíssimo carinhosamente pelo Ir. José Ruah na GLLP/GLRP, o qual de pronto deixou as portas abertas e indicou a RL Mestre Affonso Domingues, n. 5 para que freqüentasse no período em que estivesse em Lisboa.

Na primeira oportunidade, dia 12 de novembro de 2014, visitei pela primeira vez a RL Mestre Affonso Domingues, n. 5. Fui recebido sem formalidades pelos IIr. Em seguida tive a oportunidade de visitar outras L. da GLRP, mas retornei somente a RL. Mestre Affonso Domingues, n. 5.

E aqui esta pequena história passa a ter um grande e fraterno significado.

A RL Fênix, n. 4053, minha Loja Matter, tem uma verdadeira egrégora familiar. A egrégora que lá se firma é o mais puro sentimento e congregação de energias de pessoas que convivem em união fraterna, nos seus mais diversos graus e qualidades. Minha casa fraterna!

Embora com somente 6 visitas a RL Mestre Affonso Domingues, n. 5, me senti em uma verdadeira egrégora familiar. E aqui, meus IIr., sinto que a egrégora que se firma é, também, o mais puro sentimento e congregação de energias de pessoas que convivem em união fraterna.

Durante este período de 120 dias tive mais vínculo com alguns IIr. do que outros, o que é normal, mas sem dúvida sempre muito bem recebido por todos, realmente me senti em casa.

Algo que reparei e senti é que os IIr. que aqui estão querem estar aqui, realmente estão aqui além da presença física. Isso faz da RL Mestre Affonso Domingues uma verdadeira Loja. Para quem chega a RL Mestre Affonso Domingues isso faz toda a diferença.

Percebi que os IIr. que aqui estão, por óbvio, entraram na Maçonaria, mas, também, e o mais complexo, que infelizmente não acontece sempre, a Maçonaria também entrou nos IIr. Com isso não estou a dizer que a RL Mestre Affonso Domingues não tenha problemas, necessidades... afinal, se fosse perfeita, o que restaria?!

Quero dizer com essas poucas palavras que a convivência fraterna com os IIr. da RL Mestre Affonso Domingues fez a total diferença no decorrer dos 120 dias que aqui estivemos. A segurança que senti e sinto por estar entre vocês auxilia imensamente em fortificar a segurança que passei e passo para minha família durante a estada em Lisboa. Saber que possuímos uma família grande, com muitos IIr. Em pé e à Ordem, faz a total diferença.

Regressaremos ao Brasil no próximo sábado, dia 28. Retornarei ao seio fraterno de minha Loja Matter, estou com saudades dos IIr. que lá estão. O que também é certo é que sentirei saudades de todos vocês, assim como serei eternamente agradecido pela forma que fui acolhido pela RL Mestre Affonso Domingues, n. 5.

Fica o registro de que sempre estarei Em pé e à Ordem para todos os IIr. da RL Mestre Affonso Domingues, e que o referido registro não seja um Adeus, mas um até breve.

Afinal, não se está distante quando se mantém perto no coração, e todos vocês estão em meu coração.

São palavras simples, porém sinceras, e assim me despeço de todos.

Que o GADU ilumine todos os IIr. e suas respectivas famílias.

Ir. José Carlos Kraemer Bortoloti
Passo Fundo, Rio Grande do Sul, Brasil.
Lisboa, Portugal, 25 de fevereiro de 2015

Daniel Martins

Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br

domingo, 22 de agosto de 2021

O CAPUZ DO EXPERTO E, EXISTE EGRÉGORA NA MAÇONARIA?

CAPUZ DO EXPERTO E EGRÉGORA
(republicação)

Em 18/05/2017 o Respeitável Irmão Tristão Antonio Borborema de Carvalho, Loja Obreiros de Abatiá, REAA, GOP (COMAB), Oriente de Abatiá, Estado do Paraná, solicita esclarecimentos para as seguintes dúvidas:

Prezado Irmão, seguem as minhas indagações:
1- Qual a razão do Irmão Experto usar capuz no cerimonial de iniciação?
2- O que é Egrégora? Consta nos rituais? Pertence, genuinamente, à maçonaria tradicional ou foi introduzido por correntes místicas?

COMENTÁRIOS:

1. No caso do REAA.'. o Primeiro Experto faz uso do capuz apenas quando ele recebe o candidato e antes de vendá-lo para introduzi-lo na Câmara de Reflexão. A ideia do capuz é apenas para que o candidato não reconheça o seu guia antes de receber Luz, o que atende em partes a um preceito iniciático de confiança no seu guia – mesmo sem conhecê-lo. Obviamente que essa confiança não é pessoal, porém de se entregar à Instituição. É devido a isso que o Experto se apresenta sem insígnias e com o rosto coberto para disfarçar a sua identidade.

Há que se considerar que o candidato ao chegar ao local onde se dará a Iniciação, na antecâmara, ou sala contígua à Câmara, deve estar desvendado e é por isso que o Experto se apresenta encapuzado.

O termo “capuz” é na verdade uma cobertura para a cabeça e geralmente presa à capa, ao hábito, ou a um casaco. No caso da Maçonaria, geralmente era de tamanho grande ao ponto de quase cobrir também o rosto e ia preso ao balandrau negro, porém ao longo dos tempos foi transformado em uma máscara tipo saco de pano preto com apenas dois ofícios para permitir a visão do usuário.

É oportuno ainda salientar que só se venda o candidato na antecâmara, ou em outro recinto do Templo de tal modo que ele não possa reconhecer o trajeto apenas dentro do ambiente. É equivocado o costume de se vendar o proposto desde a saída da sua residência, ou outros procedimentos análogos, inclusive o de conduzi-lo a um cemitério, pois a Maçonaria não é necrópole e nem admite prática de trotes.

2. Essa tal de Egrégora não merece nem comentários, aliás, é palavra inexistente no nosso idioma vernáculo. É pura obra de imaginação e de fato não consta nos rituais, pois na Maçonaria não existe lugar para proselitismos de credos particulares. A Maçonaria procura construir um novo homem liberto de preconceitos, vícios, fanatismo e superstições. Que cada qual mantenha os seus credos e neles busque conforto, entretanto fora dos umbrais dos nossos templos. É uma questão da lógica da convivência – o que serve para mim, obrigatoriamente não precisa servir ao meu próximo.

A propósito, está publicado no meu Blog no mês de junho do corrente – http://pedro-juk.blogspot.com.br – uma Peça de Arquitetura que foi apresentada pela Loja Caminho de Luz no Encontro Regional de Aprendizes e Companheiros que trata muito bem do assunto. O trabalho não é da minha lauda, mas é bastante recomendável. Confira.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

LIBERDADE

LIBERDADE
Vladimir Duarte Dias*

O livro aborda a liberdade sob dois prismas: seria a liberdade uma condição natural do homem? ou seria uma forma a ser elaborada, uma meta a ser conquistada?

A distância entre uma e outra hipótese encerra uma multiplicidade de situações.

A mitologia contém histórias dos deuses que infligiam castigos, ou concediam benefícios. Os castigos aparecem como represália a todos atos que ultrapassassem os limites das liberdades - os muitos desejos e vontades divinas estabelecidas. O mito de Hércules e os seus doze castigos, são condições impostas para ele poder voltar a ter liberdade. Essa história tem origem no crime dele ter tirado a vida de seus familiares num alegado estado de loucura.

Mas o fato mais marcante para a civilização ocidental está contido no mito judaico-cristão que está no primeiro livro da Bíblia, o Gênesis, onde e quando Adão e Eva, como símbolos da humanidade, desobedeceram a limitação imposta pelo Criador de que podiam viver "livres" no Paraíso, desde que não comessem dos frutos das duas árvores do centro do paraíso: da árvore do Bem e do Mal, e da árvore da Vida.

Mas Adão e Eva não resistiram a tentação das limitações impostas. Aparece, nesse caso, que o instinto de liberdade, das muitas lutas que a humanidade vai travar com a natureza, fora do "paraíso", desde a sua criação, uma delas seria contra as limitações das liberdades. Mas se Adão e Eva não tinham exemplos anteriores a seguir, nem instrutores que orientassem suas mentes, como no caso, a essência desse desejo de liberdade seria uma condição inata, própria do Ser.

No capítulo seguinte vem a história da fuga dos hebreus do cativeiro do Egito. A base da história está contida no livro de êxodo, o segundo da Bíblia. O mesmo desejo de liberdade aparece com outros contornos e de uma maneira mais nítida e fundamentalmente com base na razão.

Moisés apresenta ao faraó muitos argumentos. Como o faraó não cedia, surgem as forças da natureza atuando como que com vontade própria. Na crença religiosa é a vontade do Criador que se manifesta a favor da liberdade.

Para avançar mais no cerne dos dois pontos de vista de que a liberdade seria uma condição inata, ou seria uma forma crescente do desenvolvimento da mente humana, o texto avança sobre a área da ciência. Mais especificamente da física quântica, da astronomia e da fisiologia.

Nesse novo contexto são lembradas as mais recentes descobertas sobre as condições existentes além da fronteira de uma "singularidade". Isto é, aquela fronteira onde as leis da física deixam de serem válidas e que ainda não se sabe maiores detalhes. O que importa dizer é que dentro de um chamado buraco negro, uma singularidade, a temperatura e as forças gravitacionais são tão elevadas que nem os átomos tem possibilidade de se formarem. As partículas, nessas condições, são "livres".

Paradoxalmente esse estado de "amplas liberdades" das partículas aparece como o "caos", onde a Lei ( leis da física e de outras ciências ) pelo menos as conhecidas, não tem validade, nem produzem nenhum efeito.

Transportando esse tema para dentro do enfoque que se deseja, parece que esse "caos" se assemelha com o caos primigênico, que antecedeu a criação, conforme descrito no Gênesis da Bíblia. Nos primeiros capítulos consta que o caos é a situação anterior ao "cosmos", ( que é a ordem ) gerada a partir do "fiat lux" e de toda a criação, onde se inclui, no sexto dia e em ato solene, a criação do homem e sua companheira.

Mais uma vez aparece a Lei, a ordem, como uma condição necessária para o convívio das muitas forças da natureza e da vida como um todo.

Começa a se delinear que as vontades das muitas forças da natureza precisam de um ordenamento para que vivam em harmonia e em paz. Mas seria a Lei, no caso mais específico, a Lei feita pelos homens, o instrumento mais adequado? A resposta pode ser muito mais complexa do que possa aparecer à primeira vista. 

As leis dos homens somente são sábias, verdadeiras e justas, quando proporcionam a paz e a harmonia. Estudos sociológicos indicam que muitas leis são iníquas, porque provém da vontade de determinados grupos que, chegando ao poder, legislam em causa própria, obrigando uma parcela significativa das populações as mais diversas situação de constrangimento, onde se incluem as contribuições pelos impostos criados que não beneficiam, não apresentam retorno equivalente do esforço e do custo social, a todos aqueles que, submetidos, são obrigados a sustentar uma máquina administrativa, burocrática ou bélica, em detrimento da liberdade de usarem de seus bens, frutos de seus trabalhos, como desejam. 

Em outras palavras, um uso mais adequado dos recursos que uma falsa liberdade pode estar mascarada por aparentes princípios democráticos. Nesse enfoque do tema não convém ampliar e se falar dos regimes ditatoriais que são, por natureza, muito mais despóticos e limitadores das liberdades.

Até aqui se falou das liberdades intrínsecas à condição humana e aquelas decorrentes do convívio social, com a figura central das limitações que podem ser impostas às pessoas, inclusive através da Lei. Resta falar da liberdade de pensar, frente a todo o complexo sistema de informações e sua sofisticada tecnologia, que invade nossas casas e, de maneira especial, da força da "mídia" que tem por objetivo formar opinião e submeter as populações aos mais variados desejos e impulsos. Nessa campo se inserem as técnicas de persuasões de ordem política, religiosa e de consumo.

Parece que cabe a pergunta: quando alguém emite uma opinião sobre determinado político, ou dá seu voto nas eleições, ou tem seu desejo voltado à compra de determinado bem, suas idéias e conceitos estão baseadas em que razões, que fatos e argumentos fornecidos por quem? Da mesma forma a liberdade de pensar fica restrita, muito limitada, para aquelas pessoas que não conseguem fazer uma análise crítica do volume de informações colocadas à sua disposição. Esse aspecto das limitações de se obter a razão, a verdade, pode ser analisado sob qualquer atividade que esteja submetida ao processo de formação de opinião através dos meios mais sofisticados da publicidade.

O consumismo é uma espécie de escravidão aos produtos colocados à disposição do mercado, decorrente de um processo de geração de necessidades forçadas, criadas, muitas vezes com argumentos falaciosos de que é fruto do desenvolvimento e da geração de empregos.

A liberdade aparece nos mais variados campos da atividade humana, limitada e mascarada sob muitas facetas. Em muitos casos está acompanhada da sua contra-partida, que são as mais variadas formas de escravidão, determinadas pela dependência à determinadas condições estabelecidas. Nesse caso aflora, de imediato, aquele desejo natural da humanidade: quando criada uma forma de limitação, surge o desejo inato das pessoas de ampliarem suas liberdades.

* O Ir∴ Vladimir Dias é membro da Loja de Pesquisas Universum Nr. 147, de Porto Alegre - GLMRGS. É palestrante onde fala sobre temas maçônicos, interpretação de rituais e Filosofia. Também é membro da Academia Maçônica de Letras do Rio Grande do Sul.

Fonte: JBNews - Informativo nº 139 - 13/01/2011

sábado, 21 de agosto de 2021

HISTÓRIA DE DUAS PRÁTICAS RITUALÍSTICAS NO REAA

HISTÓRIA DE DUAS PRÁTICAS RITUALÍSTICAS NO REAA
(republicação)

Em 18/05/2017 o Respeitável Irmão Weber Koiti Yagui, REAA, Loja Amor e Liberdade, GOB-PR, Oriente de Ivaiporã, Estado do Paraná, formula através do meu blog http://pedro-juk.blogspot.com.br, as questões seguintes:

1) Gostaria de saber qual a razão histórica para quando o Venerável pede para o 1º Vigilante “Podeis fechar a loja”?

2) Qual a história e a razão da liturgia da transmissão da Palavra e o porquê da sua existência?

CONSIDERAÇÕES:

Essas são reminiscências dos nossos ancestrais operativos que são lembradas na liturgia da Moderna Maçonaria dos Aceitos.

As duas questões podem ser respondidas de uma só vez, já que entre ambas existe relação.

A origem da Transmissão da Palavra como a prática aplicada na liturgia do simbolismo do REAA.'. relembra o Ofício no passado, e nela a demarcação, conferência, nivelamento e aprumada dos cantos da construção.

Sinteticamente o que se poderia comentar seria o seguinte:

Nos canteiros da Idade Média, durante o início da jornada de uma etapa de trabalho, o Mestre da Obra solicitava aos seus auxiliares imediatos, os antigos wardens (zeladores), atuais Vigilantes da Moderna Maçonaria, que antes de se dar início aos trabalhos no canteiro (hoje a Loja), os mesmos fizessem a verificação acurada dos cantos erguidos para o fechamento com qualidade das paredes conferindo neles a aprumada e o nivelamento. Munidos do nível e do prumo e auxiliados pelos antigos oficiais de chão mensageiros (hoje os Diáconos), eles então percorriam a imensidão da obra (construção de uma catedral, por exemplo) e faziam meticulosa conferência. Concluída esta e estando tudo nos conformes, os mensageiros eram enviados para comunicar ao Mestre da Obra que tudo estava “justo e perfeito”, oportunidade na qual o Mestre ordenava que imediatamente fossem iniciados os trabalhos.

Concluída aquela etapa da obra, o Mestre da Obra então determinava novamente aos seus auxiliares que os mesmos conferissem os trabalhos realizados, verificando se a sua qualidade estava a contento. Assim, munidos dos seus instrumentos de trabalho, novamente os wardens, auxiliados pelos oficiais de chão, conferiam o nivelamento e a aprumada das paredes que haviam sido construídas naquela fase. Em estando nela tudo a contento, o Mestre era informado que os trabalhos estavam “justos e perfeitos”. Ao receber essa afirmativa ele então declarava encerrada aquela etapa da obra e mandava o seu primeiro warden (hoje o Primeiro Vigilante) fechar a Loja, pagar os operários e despedi-los contentes e satisfeitos, não sem antes recomendar a todos o retorno ao canteiro depois de merecido descanso para dar início à outra etapa da obra.

Na verdade o canteiro de obras era fechado no solstício de inverno no hemisfério norte e assim permanecia por toda essa estação graças às dificuldades trazidas pelas intempéries tão comuns ao ciclo natural do inverno - excesso de frio, noites longas e dias curtos (a Terra fica viúva do Sol), levando-se em conta também os obstáculos operacionais comuns àquele período da história.

Há que se considerar igualmente que os nossos ancestrais construtores atuavam no hemisfério Norte, em cujas latitudes sempre ocorrem invernos rigorosos, a despeito de que foi principalmente nessa região que a Francomaçonaria floresceu.

Em síntese essa era uma pequena parte do teatro natural onde se desenvolviam os trabalhos nos canteiros de obras medievais, sendo também apropriado lembrar-se da complexidade que envolvia as construções de pedra no passado, principalmente em se tratando da edificação de igrejas, monastérios, obras públicas e catedrais.

Foi relembrando as práticas dessa época que a Moderna Maçonaria, especificamente o REAA.'. durante a evolução dos seus rituais desde meados do século XIX e início do XX, manteve essa tradição na sua liturgia, a despeito de que de modo especulativo os maçons da atualidade não trabalham mais literalmente na construção de catedrais, porém se dedicam, por um método de aperfeiçoamento moral, a construir simbolicamente um Templo à Virtude Universal.

Assim, simbolicamente a estrutura dialética do ritual através das suas práticas litúrgicas faz lembrar o passado distante, não mais literalmente aprumando e nivelando os cantos de uma construção, mas de modo prático, comparam aquelas atividades de antanho à transmissão atual de uma Palavra envolvendo os personagens do Venerável Mestre (o Mestre da Obra do passado), dos Vigilantes (os wardens do passado) e dos Diáconos (os antigos oficiais de chão). Toda essa alegoria representa o aprimoramento do Homem como um elemento primário apropriado para fazer parte da edificação simbólica. A Palavra estando correta e transmitida nos conformes, isto é justa e perfeita ao Meio-Dia o Venerável declara a Loja aberta. Do mesmo modo, ao final da jornada, estando tudo justo e perfeito, os trabalhos são encerrados à Meia-Noite e o Primeiro Vigilante declara a Loja fechada – observe o que exara o ritual: o Venerável abre a Loja e o Primeiro Vigilante a encerra.

Concluindo, não é por acaso que as joias dos Vigilantes se constituem pelo Nível e pelo Prumo respectivamente. Do mesmo modo essa também é a razão de existir a expressão maçônica: “justo e perfeito em ambas as Colunas” como condicionante para que os trabalhos da Loja possam ser abertos e encerrados regularmente.

T.F.A.
PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

MAÇONS FAMOSOS

INICIAÇÃO MAÇÔNICA DE RICHARD BURTON

RICHARD FRANCIS BURTON (Torquay, Inglaterra, 1821 — Trieste, Itália, 1890). Escritor, tradutor, linguista, geógrafo, poeta, antropólogo, orientalista, erudito, espadachim, explorador, agente secreto e diplomata britânico. Das explorações e aventuras como agente e estudioso na Ásia e África aos escândalos e controvérsias que permearam sua vida, Burton é sem dúvida uma das personalidades mais extraordinárias e fascinantes do século XIX. Falava 29 idiomas e vários dialetos, sendo perito na arte do disfarce, o que lhe possibilitou em seus anos de militar na Índia e em Sindh viver entre os povos do Oriente, os quais registrou em uma série de livros. Estudou os usos e costumes de povos asiáticos e africanos, sendo pioneiro em estudos etnológicos. Viajou a cidade sagrada de Meca, mortalmente proibida a não muçulmanos, disfarçado de afegão, e também a Harar, capital da Somália, de onde nenhum outro homem branco havia saído com vida.

INICIAÇÃO MAÇÔNICA: Não identificada.

Loja: Hope, Scinde, Índia.

Idade: Não identificada.

Oriente Eterno: Faleceu aos 69 anos de idade.

Fonte: famososmacons.blogspot.com

REAA - POR QUE TRINTA E TRÊS

POR QUE TRINTA E TRÊS?
Por Ir∴ S. BRENT MORRIS 33° G.C.
Tradução José Antonio de Souza Filardo, M∴I∴

Houve grande entusiasmo sobre a criação da Sociedade de Pesquisas do Rito Escocês, mas a questão foi levantada muitas vezes, “há temas realmente suficientes para pesquisa no Rito Escocês?” É certo que existem dificuldades, se olharmos para as origens mais remotas do Rito na França, pois os materiais primários de pesquisa estão em outro país do outro lado de um oceano. Além disso, é intimidador olhar para os escritos sobre o Rito por mestres eruditos como Baynard, Carter, Harris, Jackson, ou Lobinger. É fácil imaginar quão pouco resta para ser feito, a não ser ocasionalmente admirar seus esforços esplêndidos.

Nada poderia estar mais longe da verdade! Existem dezenas de questões interessantes, estimulantes e importantes sobre o Rito Escocês que nunca foram abordadas. Alguns exigem acesso a materiais de pesquisa especializados, mas muitos estão ao alcance de qualquer estudante interessado. Para estimular a pesquisa nesta área pouco estudada, várias questões se colocam sobre o Rito Escocês Antigo e Aceito de Maçonaria. Nenhuma reivindicação é feita que essas perguntas nunca foram respondidas, apenas que um novo exame seria bem acolhido.

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

SESSÃO CONJUNTA (LOJAS INCORPORADAS)

Em 24.12.2020 o Respeitável Irmão Joab José de Andrade, Loja Fraternidade Alfenense, 3.373, GOB-MG, Oriente de Alfenas, Estado de Minas Gerais, faz a seguinte pergunta:

SESSÃO CONJUNTA

O RGF no seu Art. 97 diz o seguinte: São direitos da Loja: Item VII - Realizar sessões, podendo ser em conjunto com outras Lojas. Meu entendimento: “em conjunto” com outras Lojas da Federação (GOB).

Questionamento: Como vou realizar sessão em conjunto com uma Loja das Grandes Lojas ou da COMAB se nossos rituais são totalmente diferentes do início ao final embora sejam Obediências Reconhecidas pelo GOB? Podemos realizar sessões com outras Lojas como visitante, s.m.j.

Espero que tenha entendido.

CONSIDERAÇÕES:

Em que pese esse não ser propriamente um assunto da Secretária Geral de Orientação Ritualística, contudo da Guarda dos Selos, na minha modesta opinião, sessões conjuntas com Lojas incorporadas do GOB só podem se dar entre Lojas do GOB, até porque o Regulamento Geral da Federação é um regulamento do GOB. Destaque-se que cada Obediência Regular deve possuir a sua Constituição e o seu Regulamento Geral. Nesse sentido as incorporações de Lojas são apropriadas apenas
entre aquelas pertencentes a uma mesma Obediência.

Em síntese, somente entre as Lojas do GOB com Lojas do GOB, Lojas da CMSB com as da CMSB e as da COMAB com as da COMAB.

Ainda o detalhe de que as Lojas incorporadas (conjuntas) devem trabalhar o mesmo rito, evitando assim que se apresentem desencontros ritualísticos.

A título de ilustração, menciona a súmula do Regulamento Gera da Federação do GOB:
(...), Grão-Mestre Geral do Grande Oriente do Brasil (o grifo é meu), FAZ SABER a todos os Maçons, Triângulos, Lojas, Delegacias, Grandes Orientes Estaduais e do Distrito Federal, para que cumpram e façam cumprir (...).
Assim, o Art. 97 do RGF se refere propriamente a Lojas do Grande Oriente do Brasil.

De qualquer maneira, independente dessas considerações, penso que é de boa geometria ainda consultar a respeito à competente Secretaria Estadual, ou Geral, da Guarda dos Selos.

Concluindo, Lojas quando não incorporadas são tratadas como Lojas visitantes e seguem ao protocolo de recepção da Loja anfitriã. Nesse caso é perfeitamente permitido a intervisitação de Lojas de Obediências reconhecidas, bem como de outro rito, contudo sem a divisão dos trabalhos.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR-GOB
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

A FARSA HISTÓRICA DO DIA DO MAÇOM BRASILEIRO

A FARSA HISTÓRICA DO DIA DO MAÇOM BRASILEIRO (republicação)
José Castelani

A farsa
“Em 1822 --- 20 de agosto --- foi proclamada a Independência do Brasil, em assembléia geral do povo maçônico, em reunião das três Lojas metropolitanas”.

“Na pág. XXIX, do volume 1º, do Arquivo Diplomático da Independência, publicação oficial do Ministério do Exterior, feita em 1922, lemos o seguinte: «Já em 20 de agosto de 1822, Ledo mostrava, na Maçonaria, “a necessidade de se proclamar quanto antes a independência do Brasil e a confirmação da realeza na pessoa do príncipe regente” ». E quando chegou a notícia de que as Côrtes lisbonenses haviam declarado nula a convocação dos procuradores gerais e pretendiam a apuração da responsabilidade dos Secretários de Estado do Govêrno do Rio, e o processo e o julgamento dos signatários da representação dirigida ao príncipe pela Junta de São Paulo, nas vésperas do Fico, não se fêz esperar a ruptura completa, cuja proclamação foi reboar nos campos do Ipiranga”. Vejam bem, foi reboar nos campos do Ipiranga. Foi reboar o que? Aquilo que a Maçonaria já decidira”. (A.T. Cavalcanti de Albuquerque em “O que é a Maçonaria” – Edit. Aurora – Rio de Janeiro – págs. 246 e 247)

Comentários
Tal crença, de que, a 20 de agosto, a maçonaria brasileira, então representada pelo Grande Oriente Brasílico, “proclamava” a independência, que, depois, seria apenas corroborada pelo “grito do Ipiranga”, surgiu a partir de erro de Rio Branco, em notas à “História da Independência do Brasil”, de Varnhagen, copiando o erro difundido pelo maçom Manoel Joaquim de Menezes. Embora emérito historiador, Rio Branco confiou numa informação totalmente falsa.

E o erro era considerar que o Grande Oriente Brasílico utilizava o calendário maçônico francês, que inicia o ano no dia 1º de março, quando, na realidade, o utilizado era um calendário equinocial, (utilizado pelo Rito Adonhiramita) baseado no calendário religioso hebraico (este inicia o ano no mês Nissan --- março-abril --- na lua nova que se segue ao equinócio de março; o ano civil tem início no Rosh Hashaná, na lua nova que se segue ao equinócio de setembro).

Desta maneira, o ano maçônico tinha início no dia 21 de março. A errada interpretação gerou, até, controvérsias em torno da data de fundação do Grande Oriente Brasílico, a qual, em ata, consta como o 28º dia do 3º mês maçônico, o que, de acordo com o calendário realmente adotado, mostra, corretamente, que a data é 17 de junho, pois o terceiro mês tivera início a 21 de maio de 1822.

Por conta desse erro --- divulgado por Tenório, autor já comentado, e repetido por outros “papagaios”, sem qualquer pesquisa --- foi criado o “dia do maçom”, que ocorre no dia 20 de agosto, quando, supostamente, em sessão do Grande Oriente Brasílico, teria sido “proclamada” a independência, quando, na realidade, não houve sessão no Grande Oriente, no dia 20 de agosto.

A realidade histórica
“20 do 6o. mês
9 de Setembro --- Aberto o Gr∴ Or∴ em Assembléa geral de todo o povo Maçon∴ o Ill∴ Ir∴ 1º Vig∴ (17) dirigiu á Aug∴ Assembléa um energico, nervoso e fundado discurso, ornado d’aquella eloquencia e vehemencia oratoria, que são peculiares a seu estilo sublime, inimitavel e nunca assaz louvado, e havendo nelle com as mais solidas rasões demonstrado que as actuaes politicas circumstancias de nossa patria, o rico, fertil e poderoso Brazil, demandavão e exigião imperiosamente que a sua cathegoria fosse inabalavelmente firmada com a proclamação de nossa Independencia e da Realeza Constitucional na Pessoa do Augusto Principe Perpetuo Defensor Constitucional do Reino do Brazil, foi a moção approvada por unanime e simultanea acclamação, expressada com o ardor do mais puro e cordial enthusiasmo patriótico.

Socegado, mas não extincto o ardor da primeira alegria dos animos, por verem prestes a realisar-se os votos da vontade geral pela Independencia e engrandecimento da Patria, propoz o mesmo Ir∴ 1º Vig∴ que a sua moção deveria ser discutida, para que aquelles, que ainda podessem ter receio de que fosse precepitada a medida de segurança e engrandecimento da Patria, que se propunha o perdessem pelos debates, de que a proclamação da Independencia do Brazil e da Realeza Constitucional na Augusta Pessoa do Principe Perpetuo Defensor do Brazil, era a ancora da salvação da Patria. Em consequencia do que sendo dada a palavra a quem quizesse especificar seus sentimentos, fallárão os IIr∴ --- Apollonio Mollon, Camarão, Picanço, Esdras, Democrito e Caramurú (18) e --- posto que todos approvarão a moção reconhecendo a necessidade imperiosa de se fazer reconhecida a Independencia do Brazil e ser acclamado Rei d’elle o Principe D. Pedro de Alcantara, seu Defensor Perpetuo e Constitucional, comtudo, como alguns dos mesmos opinantes mostrassem desejar que fossem convidadas as outras provincias colligadas para adherirem aos nosso votos, e effectuar-se em todas simultaneamente a desejada Acclamação, ficou reservada a discussão para outra assembléa geral, sendo todos os IIr∴ encarregados de dissiminar e propagar a persuasão de tão necessaria medida política.

Sendo proposto por um dos IIr∴ que a doutrina politica proclamada no periodico intitulado O Regulador éra subversiva dos principios constitucionaes e jurados n’esta Aug∴ Ord∴ emquanto pretendia fazer persuadir aos povos do Brazil principios aristocraticos, que não se compadecem com a liberdade constitucional, que os Brazileiros anhelão e que só pode fazer a sua felicidade politica, e muito mais, quando tal doutrina é diametralmente opposta ao systema constitucional abraçado, proclamado, jurado e seguido pelo Aug.: e Perpetuo Defensor do Reino do Brazil, e por tanto, só propria para ofender a seus interesses provando as asserções insidiosas do congresso de Lisbôa de que os aulicos do Rio de Janeiro pretendem restabelecer o despotismo, o que é falso, e que por isso deveria ser chamado ante o Gr∴ Or∴, em assembléa geral, o redactor d’aquelle periodico, para ser reprehendido, por procurar propagar taes principios desorganisadores, em contavenção aos juramentos que prestára n’esta Aug∴ Ord∴, quando foi empossado no lugar que occupa no Quadro Nº 1, foi approvada a proposição, debaixo da comminação de penas MMaç∴ no caso de desobediencia ao chamamento, ficando logo resolvido que deveria effectuar-se o comparecimento em Assembléa, que então se destinou para o dia 23 deste mesmo mez, e que aquelles dos nossos IIr∴ que fossem assignantes do Regulador, enviassem immediatamente ao redactor os numeros do mesmo periodico, que tivessem, com carta em que lhe significassem que o dispensavão da continuação da remessa dos numeros ulteriores, bem como da restituição da assignatura recebida por se contentarem conhecer um homem com tão pouca despeza. (19)

Fazendo-se por fim, do solio acostumado annuncio para as proposições a bem da Ordem, concluio o Ir∴ que tomára o Gr∴ Malhete, propondo a collocação de uma caixa de beneficencia na sala dos passos perdidos, onde em todas as sessões os Iir∴ que a ellas concorressem, ficassem obrigados a lançar algumas moedas em signal de sua caridade, e que fazendo-se receita em separado do producto dessa caixa, elle fosse applicado ao socorro de viuvas necessitadas e a educação de orphãos, carecedores de meios de frequentar as escolas de primeiras letras. Esta proposição que bem dá a conhecer a sensibilidade e humanidade do proponente foi geralmente approvada com um enthusiasmo, cujos effeitos a Assembléa fará sem duvida proveitosos aos objectos da mais bem empregada caridade”.

Essa ata da 14ª sessão --- Assembléia Geral --- do Grande Oriente Brasílico, fundado a 17 de junho de 1822, fechado a 25 de outubro do mesmo ano, pelo seu Grão-Mestre, D. Pedro I, e reinstalado como Grande Oriente do Brasil, em 1831, foi publicada, junto com outras, no Boletim Oficial do Grande Oriente do Brasil, Nº 10, de outubro de 1874, no Ano III da publicação (criada em 1872).

Mostra, ela, a assembléia em que se decidiu que era imperiosa a proclamação da independência e da realeza constitucional, na pessoa de D. Pedro. Mostra, também, que o dia da sessão, 20º dia do 6º mês maçônico do Ano da Verdadeira Luz de 5822, era o dia 9 de setembro. Isso porque o Grande Oriente utilizava, na época, um calendário equinocial, muito próximo do calendário hebraico, situando o início do ano maçônico no dia 21 de março (equinócio de outono, no hemisfério Sul) e acrescentando 4000 aos anos da Era Vulgar (calendário gregoriano). Desta maneira, o 6º mês maçônico tinha início a 21 de agosto e o seu 20º dia era, portanto, 9 de setembro, como situa o Boletim de 1874.

Nessa época, ainda não havia sido inventada a farsa do 20 de agosto, baseada na errada suposição de que o Grande Oriente utilizava o calendário francês, que inicia o ano maçônico no dia 1º de março. Se isso fosse correto, é claro que o 6º mês teria início no dia 1º de agosto e o seu 20º dia seria o dia 20 do mesmo mês. Esse erro serviu para que autores mais ufanos do que realistas saíssem apregoando que o Grande Oriente “proclamou a independência antes do grito do Ypiranga, de 7 de setembro, e que este foi uma simples ratificação do que já havia sido decidido”. E o lamentável é que o erro, embora já largamente comprovado, continua frutificando até hoje, tendo gerado até um Dia do Maçom (brasileiro), sem a base histórica que lhe é atribuída.

Além desse documento, todavia, existem outras provas históricas de que o 20º dia do 6º mês não poderia ter sido o 20 de agosto:

1. Da ata da nona sessão --- Assembléia Geral --- do Grande Oriente Brasílico, realizada no 13º dia do 5º mês do AVL de 5822, consta que o maçom Felipe Nery Ferreira, membro do governo provisório de Pernambuco, foi recebido como visitante. Nery havia chegado ao Rio de Janeiro no dia 19 de julho, chefiando a delegação enviada pela Junta governativa, para levar a solidariedade do povo pernambucano ao príncipe. Ora, se a sessão do 13º dia do 5º mês maçônico fosse a de 13 de julho --- como defendem erradamente alguns --- e não 2 de agosto, como poderia Felipe Nery estar presente?

2. Da ata da décima-sétima sessão do Grande Oriente --- Assembléia Geral --- realizada no 14º dia do 7º mês, consta que o 1º Grande Vigilante propôs à consideração da assembléia as queixas, que ouvira, do Ir∴ Francisco Pedro Limpo, relativas à Portaria que regulava o modo de guarnecer a esquadra brasileira, que estava sendo aparelhada. Ora, essa Portaria do Ministério da Marinha, assinada pelo Ir∴ Manoel Antônio Farinha, tem a data de 1º de outubro; o Ir∴ Limpo, portanto, não poderia se referir a ela, se o 14º dia do 7º mês fosse 14 de setembro e não o correto 4 de outubro.

3. Respondendo a uma prancha do escritor Mello Moraes, em 1861, Ruy Germack Possolo, Grande Secretário do Grande Oriente do Brasil e contemporâneo dos fatos de 1822, por delegação do Grão-Mestre, Marquês de Abrantes, informava qual era o correto calendário usado pelo Grande Oriente Brasílico.

4. Em Ato de 1922, ano do centenário da Independência e do Grande Oriente do Brasil, assinada pelo Grão-Mestre Mário Behring, o Grande Oriente citava as datas principais de sua História, comprovando qual era o calendário usado na época, ou seja, aquele que iniciava o ano maçônico a 21 de março:

“1º - O FICO, pronunciado pelo Principe D. Pedro de Alcantara, Regente do Reino do Brasil, a 9 de Janeiro de 1822 da E∴ V∴, 20 do XI mez do anno de 5821, da V∴ L∴ ;

2º - A aceitação do titulo de Defensor Perpetuo e Constitucional do Brasil, pelo Principe Regente, a 13 de Maio de 1822, da E∴ V∴, 23 do II mez do anno de 5822 da V∴ L.∴;

3º - A convocação da Constituinte Brasileira, pelo Principe Regente, por solicitação dos procuradores das Provincias e accordo dos Ministros da Regencia, a 2 de Junho de 1822, da E∴ V∴, 13 do III mez do anno de 5822, da V∴ L∴;

4º - Fundação do Grande Oriente do Brasil, com a divisão da Loja “Commercio e Artes” em tres outras Officinas, eleição e posse da administração daquelle e posse dos VVen∴m∴ destas, a 17 de Junho de 1822, da E∴ V∴, 28 do III mez do ano de 5822, da V∴ L∴;

5º - Iniciação do Principe Regente como maçon, na Loja “Commercio e Artes” a 2 de Agosto de 1822, da E∴V∴, 13 do V mez do anno de 5822, da V∴ L∴, donde resultou sua mais intima ligação com a independencia, como se verifica do seu manifesto de 6 do mesmo meu;

6º - O grito de Independencia ou Morte, dado pelo Principe Regente nas margens do Ypiranga, 7 de Setembro de 1822, da E∴ V∴, 18 do VI mez do ano de 5822, da V∴ L∴, e proclamação da independencia votada nas sessões do Grande Oriente do Brasil a 9 e 12 de setembro do mesmo mez e por editaes do Senado e da Camara do Rio de Janeiro, de 21 do dicto mez e ando:

7º - Finalmente, a posse do Principe Regente como Grão Mestre da Maçonaria no Brasil, a proclamação do Imperio e a aclamação do Principe a Imperador Constitucional do Brasil e seu Defensor Perpetuo, a 4 de outubro de 1822, da E∴V∴, 14 do VII mez do anno de 5822, da V∴ L∴, e designação do dia 12 do mesmo mez (22-VII-5822) para se tornar publico e official esse acto”. (os grifos são meus)

Esse Ato do Grão-Mestre Mário Behring foi emitido, exatamente, para acabar com as dúvidas em torno do calendário usado pelo Grande Oriente Brasílico, em 1822. Trata-se, portanto, de mais um documento que mostra qual era a realidade. Embora não houvesse surgido, ainda, nessa data, a farsa histórica do dia do maçom, o ato acaba abordando a verdadeira data do acontecimento: 9 de setembro e não 20 de agosto. (20)

É claro que o fato existiu e que é digno de ser lembrado e comemorado por todos os maçons, mesmo porque não era possível, no dia 9, os obreiros terem conhecimento dos fatos do dia 7, dados os escassos recursos de comunicação da época. Mas não ao ponto de falsear a verdade histórica, por ufanismo, ou por ignorância.

Notas:
17. O 1º Vigilante referido era Joaquim Gonçalves Ledo, que empunhava o primeiro malhete na ausência do Grão-Mestre José Bonifácio de Andrada e Silva.

18. Esses eram nomes simbólicos (ou históricos), segundo costume vigente na época: Apolonio Mollon era João José Vahia, Camarão era José Clemente Pereira, Picanço era Antônio Corrêa Picanço, Esdras era José Joaquim de Gouvêia, Demócrito era Pedro José da Costa Barros e Caramuru era Cypriano Lerico.

19. A referência é ao Regulador Brasílico-Luso (depois Regulador Brasileiro), lançado a 29 de julho de 1822 e cujo redator era o frei Francisco de Santa Tereza de Jesus Sampaio, um dos maiores intelectuais do Grande Oriente e figura maiúscula da Maçonaria da época: Orador da Loja Comércio e Artes, foi o redator da representação dos fluminenses a D. Pedro, no episódio do “Fico”, de 9 de janeiro de 1822, e em sua cela, no convento de Santo Antônio, reuniam-se os líderes do movimento emancipador. Apesar disso, foi submetido a um grande constrangimento, nesse episódio que marcou mais um ato da luta política intestina entre os grupos de Ledo e de José Bonifácio. Isso porque o Regulador, como órgão oficioso do governo, defendia as idéias de José Bonifácio, que pretendia uma monarquia constitucional dentro de uma comunidade brasílico-lusa, em oposição às idéias do Revérbero Constitucional Fluminense, jornal lançado a 11 de setembro de 1821, redigido por Ledo e pelo cônego Januário da Cunha Barbosa e que defendia o rompimento total com a metrópole. Convocado, frei Sampaio compareceu à sessão do 23o. dia do 6o. mês (13 de setembro), para declarar, com “docilidade”, segundo a ata, que o que fora publicado não refletia sua opinião pessoal e era fruto de extratos de correspondência, transmitida por pessoa a quem ele devia respeito e consideração ; e terminou, declarando que nos próximos números emitiria a sua opinião pessoal, suspendendo a publicação da matéria objeto da inquirição. Apesar da docilidade, foi duramente invectivado pelo 1o. Vigilante Ledo, que não aceitou sua justificativa, mas, depois de criticá-lo com veemência, afirmava que “a assembléa geral ficava persuadida da sinceridade dos protestos d’elle accusado, pela docilidade e reverencia com que se comportava, e elle Pres.: convidava a todos os IIr.: para que, esquecendo-se do escandalo que lhes havia causado o Ir.: Fr. Sampaio, se congraçassem perfeitamente com este, dando-lhe o abraço e o ósculo fraternal”. O episódio mostra, apenas, que, além da luta pela independência, havia a luta pelo poder.

20. A data de 20 de agosto, escolhida para ser o dia do maçom, sob a alegação que foi nesse dia que a maçonaria “proclamou a independência”, foi aprovada em reunião da Confederação da Maçonaria Simbólica, órgão que reunia as Grandes Lojas brasileiras, em 1957, por proposta da G.L. de Santa Catarina. O criador das Grandes Lojas, em 1927, foi Mário Behring, Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil, o qual assinou o Ato de 1922. Pelo jeito, ou não houve pesquisa nenhuma --- o mais provável --- ou os participantes não acreditaram nem no fundador de suas Obediências.

quinta-feira, 19 de agosto de 2021

REAA - O PAVIMENTO MOSAICO E A POSIÇÃO DOS PÉS

Em 15.01.2020 o Respeitável Irmão, Luiz Antonio Varzini, Loja Conselheiro Ramalho, REAA, GOB-SP, Oriente de Mogi Mirim, Estado de São Paulo, apresenta a questão que segue:

POSIÇÃO DOS PÉS NO SINAL DE ORDEM E NA MARCHA

No dia 08 de dezembro p.p. a ARLS Conselheiro Ramalho realizou Sessão Virtual, quando foi feita a leitura e, posteriormente, comentários sobre as Orientações constantes no SOR (site do GOB). Nessa oportunidade apenas sobre a Sessão Ordinária.

Uma dúvida surgiu. A que está exposta abaixo.

Ritualística – REAA – Site do GOB

Item 23 – Sinal de Ordem.

No Texto editado no Ritual consta “... p. esq. voltado para frente, ...”

Na Orientação: I - “... os pp. unidos pelos cc. em esq. posicionados normalmente. No REAA as interseções (cruzamentos) das linhas oblíquas do Pav. Mos. orientam os passos e a posição de para onde os pés ficam voltados (apontados).” – II - .... “Subentende-se que o formato aproximado simboliza a esquadria.”

Na Justificativa - “... Seguindo o Pav. Mos., no REAA o pé esq. não fica especificamente voltado para frente. Aproximadamente os pés se posicionam conforme o cruzamento das linhas oblíquas que formam o pavimento.”

Ritual – Pág. 40 – Marc.– Est∴ à Or∴ dar tr∴ ppas∴ para a fr∴ com o p∴ esq∴ e unin∴ o p∴ dir∴ em esquad∴ a cada pas∴, de maneira a ter os ccalc∴ uun∴ a cada pas∴, depois fazer o sin∴ gut∴ em cumpr∴ às LLuz∴.

Dúvida – O Pav. Mos. da “nossa” Loja é disposto na forma de quadrados e não de linhas oblíquas (losangos), por isso, não temos como segui-lo com os pés.

Orientação solicitada – a) Neste caso o pé esq. fica voltado para a frente ou “imaginamos” que o piso seja de linhas oblíquas e os pés ficam na forma de um “V”? b) Como ficaria, portanto, a posição dos pés na Marcha?

CONSIDERAÇÕES:

Independente de como esteja disposto o Pavimento Mosaico a posição dos pés segue a orientação do SOR haurida da tradição do REAA, cujo seu primeiro ritual do simbolismo, em 1804, teve a sua espinha dorsal montada nos costumes dos “antigos”.

Assim, o Pavimento Mosaico no aperfeiçoamento dos rituais escoceses acabou disposto de modo oblíquo com seus quadrados brancos e negros.

Note que a disposição oblíqua do pavimento não forma losangos, mas quadrados brancos e negros alinhados e intercalados obliquamente. Cada um dos ângulos internos de cada peça que constrói o pavimento é exatamente de 90 graus, o que caracteriza o polígono como um quadrado.

Já um losango, mesmo que com lados iguais, os seus ângulos internos são diferentes de 90 graus. Quando ligados internamente por duas diagonais, uma delas é maior que a outra.

No tocante ao Pavimento Mosaico oblíquo, seus componentes são polígonos quadrados que medem aproximadamente o comprimento de um passo.

As linhas oblíquas partidas de um vértice disposto sobre o eixo do Templo regulam os passos e orientam a disposição dos pés.

Em linhas precisas, os pp∴ uu∴ pelos cc∴ formam uma esq∴ onde o vértice é o ponto onde se unem os cc∴ e os lados do quadrado indicam a direção de para onde apontam os pés. Obviamente isso é simbólico, pois não carece de passos milimétricamente precisos.

Desse modo, orienta-se que o passo seja dado na forma de costume o mais natural possível, de tal modo que os pp∴ uu∴ correspondam à posição do Esq∴disposto sobre o Livro da Lei no Alt∴ dos JJur∴.

É um erro crasso no REAA ter o pé esquerdo apontado para a frente. Isso é prática de outros ritos. No escocesismo o protagonista, à moda antiga, se desloca com naturalidade e de frente para o Oriente. Nem de lado e nem arrastando os pés.

No caso de Templos do REAA que equivocadamente possuam o pavimento mosaico na forma de um tabuleiro de xadrez (contrário ao que prevê o ritual), os pés ficam posicionados de modo oblíquo e não seguindo o tabuleiro de xadrez.

Em síntese, um erro não pode se sustentar em outro. Daí as orientações previstas no SOR no GOB-RITUALÍSTICA amparado pelo Decreto 1784/2019 do Grão-Mestre Geral publicado no Boletim do GOB em outubro de 2019.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

FRASES ILUSTRADAS

 

A MORAL MAÇÔNICA

A MORAL MAÇÔNICA
Ir∴ Ricardo Martinez

A Moral está na base da Maçonaria, em sua origem, em sua história, em suas leis e em todo o seu desenvolvimento. É a razão de ser e o principal objetivo da Instituição milenar que, sem ela, não se poderia manter. Esse objetivo é assinalado no art. 1º da primeira Constituição Maçônica de 1721 (publicada em 1723) em Londres, que já estabelecia: “Um Maçom é obrigado, por sua condição, a obedecer à Lei Moral”, ou seja, ficou estabelecido que a moral fosse requisito essencial na vida de um maçom, pois o mesmo deve ter a sua moral ilibada e consagrar esse requisito para toda sua vida. Assim, a Moral Maçônica, que é imutável, também é uma moral solidária (que tem responsabilidade recíproca).

A Moral Maçônica não é a mesma moral profana, porque os princípios morais para os membros da ARTE REAL não traduz o comportamento comum da sociedade, pois adota uma atitude espiritualizada, ou seja, o comportamento maçônico cultiva a fraternidade, o amor, a tolerância e o mútuo respeito. Os ensinamentos maçônicos orientam seus membros a se dedicarem a felicidade de seus semelhantes, não somente pela razão e pela moral que lhes impõem tal dever, mas também porque esses sentimentos de solidariedade os fazem irmãos.

A Maçonaria exige de seus filiados, entre outras exigências, boa reputação social e moral. É intolerável que o maçom, uma vez vencido em suas pretensões, faça uso de palavras ou de gestos para denegrir aqueles que deles divergem, desprestigiando ou ofendendo a honra ou o caráter daqueles de quem divergem.

Esse é um comportamento mesquinho e sórdido que afeta a Moralidade Maçônica.

Aliás, não se justificam o inconformismo e a insatisfação como elementos de represálias ou de intolerância contra seus opositores. A liturgia espiritualista da Maçonaria não doutrina isso nem produz esse tipo de energia negativa. O ressentimento, o ciúme e o ódio são vícios que devem ser varridos dos templos maçônicos, para que não venham produzir resultados prejudiciais à Maçonaria Universal e nem a humanidade em geral.

A deslealdade, a falsidade e a hipocrisia que já são comportamentos indesejáveis entre os profanos devem ser evitados pelo Maçom, que deve pautar seu comportamento na lealdade, na fraternidade e no sigilo. A verdade entre maçons, como já dizia o velho sábio Mahatma Gandhi, deve ser “dura”... E Gandhi disse mais: “Aprendi através da experiência amarga a suprema lição: controlar minha ira e torná-la como o calor que é convertido em energia. Nossa ira controlada pode ser convertida numa força capaz de mover o mundo”.

O filósofo e matemático francês René Descartes, nascido em 1596, ilustre maçom e pai da matemática, dedicou grande parte da sua obra às questões relacionadas com a moralidade. Em sua obra “O Tratado das Paixões” deduz que é no livre-arbítrio que o homem poderá buscar a educação do intelecto, capaz de livrálo do vício. Afirma que o “erro moral” é precedido pela falta de sabedoria. Para ele a utilidade da moral consiste em governar o desejo sobre o nosso modo de agir.

Na opinião do autor maçom Raimundo Rodrigues: “Moral é a parte da filosofia que trata dos costumes ou deveres do homem para com os seus semelhantes e para consigo mesmo”. A moral é para a Maçonaria uma ciência com base no entendimento humano. É a lei natural e universal que rege todos os seres racionais e livres. É a demonstração científica da consciência. E essa maravilhosa ciência nos ensina nossos deveres e a razão do uso dos nossos direitos. Ao penetrar a moral no mais profundo da nossa alma sentimos o triunfo da nossa Essência.

Para refletirmos sobre o significado de fazermos parte da Ordem.

Fonte: https://www.facebook.com

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

SAUDAÇÃO POR 3 X 3 - ORIGENS

Em 13.12.2020 o Respeitável Irmão Nidovaldo Longo, Loja XV de Maio, 3.059, REAA, GOB-SP, Oriente de Monte Alto, Estado de São Paulo, apresenta a seguinte questão:

SAUDAÇÃO POR 3X3

Por favor, dá uma Luz. Sobre a saudação em visita a uma Loja o visitante diz ao Venerável Mestre que ele traz do seu Venerável a saudação por 3 x 3. Peço-lhe a interpretação dessa saudação.

CONSIDERAÇÕES:

Vou reeditar e atualizar uma resposta que dei há tempos atrás sobre esse tema.

De pronto devo salientar que tanto como produto da multiplicação de fatores (3 x 3 = 9), bem como a soma de parcelas (3 + 3 + 3 = 9), o número 9 possui alto valor simbólico na Moderna Maçonaria.

Sob o ponto de vista esotérico, na Moderna Maçonaria o número 9 tem alto valor iniciático. Dentre outros corresponde aos 9 meses em que a Luz perdura no ciclo anual do Sol – 12 meses menos os 3 que correspondem ao inverno, obtém-se o número de nove meses (geração e vida da Natureza).

Nesse contexto, a Terra fica viúva do Sol uma vez por ano por um período de três meses.

Historicamente e de modo prático, era comum que entre os Irmãos que frequentavam as Lojas das tabernas (estalagens, cervejarias) dos maçons antigos saudassem o Mestre da Loja fazendo 9 vezes seguidas o sinal. Com o aperfeiçoamento dos costumes e posteriormente o aparecimento dos rituais, já no século XVIII, essa prática se adaptou à particularidade de cada rito. Essa tríplice saudação geralmente se dava quando da posse do dirigente da Loja. Nesse caso, 3 vezes 3 significa a antiga saudação executada por 9 vezes seguidas.

Nesse sentido, os ritos que adotam o questionário de reconhecimento para os visitantes, a frase “vos saúdo por três vês três” representa, de modo amplo, essas nove saudações.

Já sob a égide do misticismo maçônico, sobretudo o herdado dos cultos solares da antiguidade, o número 3 corresponde aos três meses que compõem cada ciclo natural, ou seja, três meses para a primavera, três para o verão, três para o outono e finalmente três para o inverno.

Como a Natureza revive, frutifica e amadurece consecutivamente nos ciclos naturais da primavera, do verão e do outono, os construtores medievais - nossos antepassados - seguiam esses mesmos ciclos na prática do seu ofício.

As agruras do no inverno não permitiam que houvesse trabalho, portanto, durante essa estação do ano os operários eram pagos e despedidos para o merecido descanso.

Emblematicamente, a morte da Natureza, representada pela pouca luz que ocorre no inverno, isto é, com dias curtos e noites longas, traz a conotação de que a Terra fica viúva do Sol (vide os cultos solares da antiguidade).

Sob essa óptica o número 9 corresponde ao produto da multiplicação dos fatores que representam os ciclos onde o trabalho era profícuo no canteiro. Em linhas gerais denota saudação às etapas em que a Luz prevalece (nove meses). Essa alegoria é bem demonstrada pelas nove luzes que se apresentam na liturgia do REAA.

De modo operativo, sob o aspecto prático que envolve as técnicas do ofício e a Geometria aplicada no plano das obras, o cubo, poliedro com seis faces congruentes, representa a pedra poliédrica perfeita, desbastada e preparada.

Simbolicamente o cubo (pedra cúbica) era um elemento geométrico que fazia parte dos cantos da obra (pedra angular). Formado por um componente poliédrico de igual largura, altura e profundidade, a geometria justa e perfeita das construções nomeava o número três como unidade de largura, altura e profundidade da pedra angular. Nas construções das antigas catedrais, o marco inicial indicado pela pedra angular era colocado no canto nordeste da obra. A partir desse marco aplicava-se a 47ª Proposição de Euclides na razão 3, 4 e 5 para determinar os cantos. Para a aplicação desse triângulo retângulo, os artífices da pedra calcária se faziam valer de um cordel com 12 nós equidistantes (não confundir cordel com corda de 81 nós). Em síntese, a pedra referencial ia assentada nos cantos da obra (largura = 3; altura = 3; profundidade = 3).

Graças a isso o número 9 mais uma vez é parte de uma alegoria iniciática haurida da soma dos elementos geométricos do cubo, ou seja, a adição da unidade ternaria (3) correspondente à sua largura, altura e profundidade – 3 + 3 + 3 = 9

Concluindo, sob o viés iniciático solar, o número 9 alude aos ciclos da Natureza e a geração da vida, enquanto que sob a aparência operativa, o número 9 é a representação de um poliedro cuja base, largura e altura é igual a 3. A soma das medidas ternárias do poliedro (pedra angular), assim como o produto da multiplicação dos ciclos naturais (geração) é igual a 9.

Obs. As relações que envolvem o movimento aparente anual do Sol e os ciclos da Natureza aqui mencionados se reportam ao hemisfério Norte do planeta Terra (onde nasceu a Maçonaria).

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MINUTO MAÇÔNICO

ALMA

1º - São inúmeras as definições da alma e sempre de acordo com as idéias religiosas ou filosóficas de cada um. Para alguns, é a parte incorpórea do homem, sede da sensibilidade, do entendimento e da vontade. Para outros, isto é, para os materialistas, é a fórmula que exprime o conjunto dos fatos de sentimento, de inteligência e de vontade.

2º - Todos nós temos a consciência imediata da existência em nós de um princípio interior, que dá vida a nosso corpo e que dá origem em nós a ações e atividades inexplicáveis unicamente pelas formas físico-químicas e biológicas de nosso corpo. Este princípio é o que chamamos alma.

3º - Na Teologia ou na Metafísica modernas, a alma é sempre considerada como um princípio simples e distinto da matéria.

4º - A Maçonaria crê na existência da alma e exige esta crença de seus adeptos. Não a define, porém, sabendo que cada religião, cada filosofia tem a respeito da alma uma definição particular.

5º - A Maçonaria não é uma teologia dogmática, nem é sectária; ao contrário, mostra em matéria de religião a mais ampla tolerância; porém exige de todos aqueles que admite em seus templos a crença em Deus e na existência da alma.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

LIBERDADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE

LIBERDADE, IGUALDADE, FRATERNIDADE

Há séculos a Franco-maçonaria adotou para seu lema o moto Liberte, Égalité, Fraternité, que mais tarde foi incorporado à Revolução e República Francesa. Todavia, para ser válido, esse elevado ideal deve ser vivido e aplicado integralmente.

Mormente na Maçonaria, por seu brilhante passado, tem de ser tão amplo e generoso que inclua indistintamente todos os indivíduos, de ambos os sexos, e não ficar restrito a um pequeno grupo de privilegiados, como vem ocorrendo dentro e fora dela.

A rigor, o ideal expresso nesse conhecido trinômio não nasceu com a Franco-maçonaria; é muito mais antigo. Suas raízes mais profundas remontam à antiga Índia, onde tem sido enunciado e vivido em termos diferentes e com significação mais subjetiva, ou seja,Libertação, União e Compreensão, fatores básicos para uma formação saudável tanto do caráter individual como do nacional.

Onde quer que se desrespeite esse ideal, ali reinam o caos, a confusão, a discórdia e a desintegração final.

Da Libertação nasce à liberdade individual e coletiva, da União a igualdade, e da Compreensão a fraternidade. Mas a iniciativa tem de ser espontânea e partir do interior de cada um, individualmente.

No país de Gandhi e Nehru há milênios este ideal é fundamental em todas as suas escolas, religiões e sistemas de Yoga.

Onde houver qualquer tipo de discriminação, mesmo que justificada, ali se estará negando o tão proclamado ideal de Liberdade, Igualdade e Fraternidade, e bloqueando a plena efusão do Amor infinito que, segundo Cristo (Mat.6:45), “O Pai que está nos céus faz que seu sol se levante sobre bons e maus, e chuva desça sobre justos e injustos”. E que dizer então quando uma discriminação é feita, não por serem as pessoas más ou injustas, mas simplesmente por serem de sexo diferente, o sexo que Deus lhes deu?

Liberdade é o anseio nato de todas as criaturas, pequenas ou grandes, de se tornarem integralmente livres, subjetiva e objetivamente. Igualdade é o reconhecimento da origem divina comum de todos os seres humanos e a outorga de oportunidades iguais, que o famoso socialista e maçom francês Pierre Joseph Proudhon (1809-1865) assim formulou: “a cada segundo suas necessidades e de cada um segundo suas capacidades”. Fraternidade é a implantação de uma irmandade de seres humanos livres e justos, isentam de discriminação de raças, sexo, crenças, castas e nacionalidades.

A Franco-maçonaria foi idealizada e constituída numa época em que na Europa ainda subsistiam leis e costumes, os mais retrógrados, herdados do feudalismo medieval e que mais tarde provocaram a eclosão da revolução francesa e a radical transformação dos sistemas econômicos, políticos e sociais, inaugurando progressivamente uma nova era mais democrática para todos os povos.

Desde então, homens e mulheres passaram a tornar-se cada vez mais livres e auto-suficientes, política e culturalmente, e desafiando abriram novos caminhos e preparou o terreno para a implantação de uma ampla democracia, capaz de derrubar todas as barreiras separatistas. E a democracia aí está, vicejante e forte, conseguida à custa de muito “ suor, lágrimas e sangue”, porém, ainda se encontra em processo de aperfeiçoamento.

Nesta sua fase de transição a democracia ainda mostra lacunas, porém são menores que as de outros regimes. Com o tempo e nosso esforço ela atingirá a sua maturidade, tal qual a sonhou Platão em sua Atlântida, Sir Thomas Moore em sua Utopia, e o Apocalipse a prenuncia aos cristãos em sua Nova Jerusalém, que “descerá do Céu a Terra”, ou seja, a democracia celeste se fundirá com a terrena.

Hoje assistimos a uma irreversível evolução social em que as mulheres, antes discricionariamente relegadas a um plano secundário, atuam ativas e altivamente, ombro a ombro com os homens, na vida política, econômica, cientifica, social, artística, militar e administrativa de seus países.

Na Inglaterra, berço da Franco-maçonaria, tanto os homens como as mulheres só atingiram a plenitude de seus direitos democráticos durante o século vinte.

Por outro lado, em muitos outros países, dos mais civilizados, evidencia-se a brilhante atuação do elemento feminino como seus presidentes, primeiras-ministras, ministras, diplomatas, magistradas, e exercendo funções militares tanto na paz como na guerra.

Durante os quase 300 anos que decorreram, desde a reforma da Maçonaria em 1717, as Constituições e leis dos países tem sido profundamente alteradas no sentido de democratizá-las à evolução dos tempos.

A escravidão, por exemplo, essa terrível chaga que a Europa herdou de um passado remoto e tenebroso, nos fins do século dezoito começou a levantar na Inglaterra ondas de protestos contra o seu comércio, porém em 1807 o Parlamento promulgou uma lei proibindo-o.

Em 1833 outro decreto libertou cerca de 800.000 escravos nas Índias Britânicas, e em 1838 a escravidão foi totalmente abolida na Índia. Depois foi extinta na colônia francesa em 1848; nas portuguesas em 1856; na Rússia em 1861, e nos Estados Unidos em 1865, depois de vencida a Guerra de Secessão. Finalmente em 13 de maio de 1888, após longa, dura e memorável campanha, foi abolida na Brasil, entre profusão de flores e extensos festejos populares.

Também na Inglaterra a Senhora Millicent Garrett, G.B.E., (1847 – 1929), iniciou por volta de 1867 sua campanha em prol do sufrágio das mulheres, a qual só culminou em 1918, nos fins da I Grande Guerra Mundial, quando o Parlamento Britânico estendeu o direito de voto à cerca de seis milhões de mulheres. Foi o glorioso resultado de um longo e duro prélio em que as sufragistas, tanto nas ruas como nas prisões, mostraram a tenacidade de suas fibras de lutadoras e a acuidade de sua inteligência bem aplicada.

Durante as duas últimas Guerras Mundiais as mulheres se destacaram e celebrizaram como mártires e heroínas nas frentes de batalha em terra, mar e ar. Na França lutaram entre os “Partisans” nas guerrilhas de resistência, e só depois da II Guerra adquiriram ali o direito de voto e ingressar na Academia de Ciência e Letras. Na Inglaterra desempenharam papéis importantes no Real Serviço Naval das Mulheres, no Serviço Territorial Auxiliar, no Serviço Aéreo Auxiliar Feminino, em que milhares de senhoras inglesas da nobreza e da plebe auxiliaram ombro a ombro as forças combatentes, e mesmo, em alguns casos, assumiram funções combatentes.

Por outro lado, na retaguarda, em seus países empenhados na Guerra, elas constituíram verdadeiros exércitos femininos operando nos campos, fazendas e fábricas, para prover recursos vários para a manutenção das forças combatentes, contribuindo notavelmente no esforço nacional em prol da vitória. Terminada a guerra, continuaram as mesmas atividades, porém em escala reduzida.

Milhares dessas heroínas perderam suas vidas, saúde, ou filhos e pais nas frentes de batalha ou nos campos de concentração inimigos. Que melhor prova que essa para mostrar o grau de maturidade moral e espiritual atingida pela mulher moderna?

Na Bíblia cristã, nas antigas Escrituras Sagradas de outras religiões, como na história de cada nação, numerosas são as figuras femininas que as ilustram como modelos de virtudes e exemplos de amor, abnegação e lealdade, para glória dessas nações e religiões, e servir de padrão de conduta a seus cidadãos e adeptos.

Nos panteões das divindades e heróis das mais antigas religiões e países, como o Egito, Índia, China, Ásia Menor, Grécia antiga, Roma e outros, ao lado de seus deuses e heróis geralmente está a sua Consorte, diversamente denominada Deus-Mãe, Mãe Divina, Magna Master, Virgem Mãe, a Consolatrix Afflictorum, como o Divino Arquétipo feminino a que devem aspirar ser todas as dignas esposas e mães.

Em suma, em todos os tempos e regiões os povos cultos sempre reservaram um lugar de relevo para a Dama Arquétipica a ser cultuada, respeitada e imitada, por seus sublimes dotes de ternura, compaixão, proteção, paciência, compreensão, beleza e sabedoria.

Em 24 de Outubro de 1945, finda a II Guerra mundial, com a vitória total das potências democráticas, foi fundada a Organização das Nações Unidas (ONU), com sede permanente nos Estados Unidos, cuja Carta Magna, entre outros objetivos, visa garantir o desenvolvimento dos direitos humanos e liberdades fundamentais de todos os povos, sem distinção de raças, sexo, línguas e religiões. Essa carta foi aceita e assinada praticamente por todos as nações do mundo.

No Brasil, desde 1891 sua Constituição declara que todos os cidadãos são iguais são iguais perante a lei, sendo proibido e passível de punição qualquer discriminação de raça, sexo, cor ou crença.

De sorte que, neste país, toda mulher pode livremente concorrer a cargos públicos na Magistratura, Universidades, Governo, Parlamento, Escolas, Academia de Ciências e Letras, exército, bem como no comércio em geral.

Via de regra, em todo o mundo civilizado contemporâneo não mais se antepõe óbices à admissão e colaboração do elemento feminino, mas, antes, são solicitadas, e a tendência é tornar-se cada vez mais atuante a sua participação em todas as atividades, nas mesmas condições do elemento masculino, segundo as aptidões e méritos de cada um.

Sendo esse o quadro social imperante no mundo moderno, qualquer discriminação antidemocrática irracional, que se faça nos dias de hoje contra nossos semelhantes, se chocará inevitavelmente contra as suas leis e costumes, muito mais avançadas no século vinte do que as suas congêneres vigentes no século dezoito e em épocas anteriores.

Data vênia, eis porque as Grandes Lojas e demais autoridades maçônicas devem estar atentas para esse grande fato, vital e universal, antes de estabelecerem ou acoroçoarem normas discriminatórias entre seus membros ou em seus regulamentos contra outras entidades, maçônicas ou não, animadas de nobres objetivos e legal e legitimamente constituídas.

Cabe refletir que com o desaparecimento da escravidão, mesmo a palavra “escravo”ou “servo”que ainda figura no Landmark 18º da compilação de Mackey, emparelhado com o de “mulher”, tornou-se anacrônico, obsoleto. Por esse Landmark o notável filósofo mas “escravo”Epicteto seria recusado na Maçonaria, mas o seu senhor e torturador e qualquer tirano poderia ser ali admitido com todas as honras, sob a “abóbada de aço” !

A Maçonaria, que tanto se ufana, com justa razão, de seu passado de gloriosas tradições, porém amiúde sendo golpeada por rígidas discriminações, está agora destinada a entrar num futuro muito promissor e de maior esplendor.

Para tanto basta que ela franqueie generosamente seu portal de Fraternidade a todos os povos, de ambos os sexos, e que a única condição a exigir de quem busque a iniciação maçônica seja aquela mesma “regra de ouro” usada desde seus remotos dias: a de que ele ou ela seja “livre e de boas referenciais”. Nada mais.

Alegoricamente, uma Loja maçônica é o próprio mundo; simbolicamente, suas medidas se calculam, o comprimento do Leste ao Oeste, a largura do Norte ao Sul, e a profundidade do Zênite ao centro da Terra. Portanto ela está capacitada a acolher em seu recinto os povos procedentes de todos os quadrantes e a tornar-se o Templo Universal, acima de todo sectarismo.

Então, e só então, daquela Sublime Loja Branca no Alto, da qual o próprio G.'.A.'.D.'.U.'. é o Grão Mestre, lhe fluirão aquela tão decantada Suprema Benção e Paz que ultrapassam o entendimento humano

Fonte: https://focoartereal.blogspot.com