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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

quarta-feira, 25 de outubro de 2023

PÍLULAS MAÇÔNICAS

nº 18 - Esclarecendo: Tronco de Solidariedade e Reflexão no Átrio

O Tronco tem origem na França, daí seu título, pois, em francês, a palavra “tronc” tanto significa tronco de árvore como caixa de esmolas. As igrejas francesas têm, logo à entrada, uma caixa de coleta, onde se lê, simplesmente a palavra TRONC. E o nome primitivo, em Maçonaria, era Tronco da Viúva, ou seja, Caixa de Esmolas da Viúva (já que os Maçons são Filhos da Viúva). Nem se sabe por que cargas d’água ele passou a ser Tronco de Beneficência ou Tronco de Solidariedade, já que “caixa de esmolas de beneficência” é redundância (Castellani).

No Rito Escocês Antigo e Aceito, é comum, no Átrio, antes da entrada no Templo, o Mestre de Cerimônias solicitar a um dos Obreiros presentes que faça uma oração, ou invocação, ou reflexão, ao fim da qual todos os Irmãos devem dizer “Assim Seja”. Sem criticar ou desmerecer tal ato, devo esclarecer, porém que, essa prática não pertence ao Rito Escocês Antigo e Aceito, mas sim, ao Rito Adoniramita.

Fonte: pilulasmaconicas.blogspot.com

O MAÇOM É PROGRESSISTA!

Sérgio Quirino
Grão-Mestre - GLMMG 2021/2024

Por conta de um artigo (933 – A Maçonaria não é para o Maçom!), recebi manifestações quanto ao perigo de o progresso abalar a estrutura maçônica, pois o progressismo contrapõe-se ao conservadorismo.

O conservadorismo está presente na Maçonaria em apenas dois pontos: VALORES e TRADIÇÕES. Tudo o mais que nos cerca está voltado ou direcionado à SUPERAÇÃO ou à TRANSFORMAÇÃO.

Para uma melhor compreensão, usaremos o simbolismo: o Cinzel e o Malho são nossos valores e nossas tradições; a Pedra Bruta e a Pedra Cúbica são a superação e a transformação.

Conservamos, portanto, o necessário para a missão final, ou seja, o Progresso.

Conceitualmente, Progressismo é uma instrução maçônica, tendo em vista que se trata de um conjunto de doutrinas filosóficas, sociais e, até mesmo, econômicas, visando ao aperfeiçoamento da condição humana.

Somos uma Instituição que objetiva tornar feliz o gênero humano, baseada no amor, no respeito, no aperfeiçoamento dos bons costumes, na visão tolerante e no princípio da igualdade de direito e deveres.

E, assim, surge nosso viés de combater a tirania, a ignorância e os preconceitos, uma vez que tais condutas geram injustiças sociais. Esse posicionamento resulta da influência do Iluminismo na Ordem Maçônica, visto que não ignoramos o ser humano e não o colocamos à mercê de um destino do qual é apenas uma marionete.

O HOMEM É O ARTÍFICE DO SEU PRÓPRIO DESTINO.
SEU PROGRESSO É CONSEQUÊNCIA DE SEU PRÓPRIO LABOR.

“Se queremos progredir, não devemos repetir a história, mas fazer uma história nova”. Mahatma Gandhi.

Não nos concentramos, porém, apenas no progresso material. Isso porque, com amparo na premissa da imortalidade da alma e na crença em um Princípio Criador infinito, não nos aferramos a dogmas, previsões ou superstições.

Não impomos qualquer obstáculo ao esforço dos seres humanos pela busca da verdade nem reconhecemos outro limite nessa busca senão o da RAZÃO com base na CIÊNCIA.

Razão, no sentido geral, como faculdade da intelectualidade própria do ser humano, é a capacidade do pensamento dedutivo, realizado por meio de argumentos e especulações das instruções, dos valores e das tradições, gerando superações pessoais e transformações coletivas.

Ao juntarmos o intelecto com os propósitos virtuosos, cumprimos a missão maçônica, e tais ações são contínuas, perenes e de curto, médio e longo prazos. O filósofo Auguste Comte, criador do Positivismo, preconizava: “O progresso é a lei da história da humanidade, e o homem está em constante processo de evolução”.

LIBERDADE, IGUALDADE E FRATERNIDADE INSPIRAM OS MAÇONS.
ORDEM E PROGRESSO NORTEIAM A MAÇONARIA.

Neste ­17º ano de compartilhamento de instruções maçônicas e provocações para o enlevo moral e ético dos Irmãos, permanecemos no nosso propósito maior de disponibilizar uma curta reflexão a ser discutida em Loja. O Ritual não pode ser delapidado. A Ritualística deve ser seguida integralmente. O Quarto-de-hora-de-estudo é fundamental em uma sessão Justa e Perfeita.

Sinto muito, me perdoe, sou grato, te amo. Vamos em Frente!

Fraternalmente

Fonte: Facebook_Maçonaria

terça-feira, 24 de outubro de 2023

SESSÃO PÚBLICA E O HINO NACIONAL

Em 18.05.2023 o Respeitável Irmão Roberto Aparecido dos Santos, Loja Consciência, Justiça e Perfeição, 2732, REAA, GOB-SP, Oriente de Ribeirão Preto, Estado de São Paulo, faz a pergunta seguinte:

SESSÃO PÚBLICA E O HINO NACIONAL

Venho mais uma vez solicitar seus esclarecimentos, tendo em vista que não localizei nada sobre o assunto.

Pergunta: Em uma Sessão Magna Comemorativa onde existem convidados profanos, poderia ser feito a entrada da Bandeira e cantado o Hino Nacional após o ingresso destes convidados?

CONSIDERAÇÕES:

Para todas as sessões públicas realizadas por Lojas no GOB, orienta-se que seja usado como modelo o ritual de Sessão Pública em Homenagem ao Dia das Mães, fazendo-se as adaptações para a finalidade do evento.

Esse ritual (modelo) encontra-se em Rituais Especiais (Eventos Irrestritos) do GOB, edição 2017 que está em vigência.

No tocante ao Hino Nacional, todas as orientações a respeito podem ser encontradas no Decreto 1476/2016 que dispõe sobre o Cerimonial da Bandeira Nacional. Esse Decreto pode ser encontrado no GOB-LEX, assim como in Rituais Especiais (Eventos Irrestritos) acima mencionado.

Concluindo, esclareça-se que o Decreto 1476/2016 trata de sessões exclusivas para maçons e também para aquelas abertas a não maçons (públicas).

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

O QUE É UM RITO?

Edgar Gencsi, M∴M∴
Pesquisa Ir∴ Jaime Balbino de Oliveira

Algo muitas vezes difícil de compreender tanto para os profanos como para os Maçons é a multiplicidade de ritos praticados pela Augusta Ordem. Os primeiros estão naturalmente desculpados uma vez que não entendem a não aplicabilidade da noção geral de rito à particularidade deste termo na Maçonaria. Os segundo são geralmente vítimas, dado pertencerem a uma obediência que trabalha num só rito (o que não é uma falta) mas que padecem de falta de instrução adequada enclausurando-os no sistema iniciático que os viu nascer sem a subsequente educação necessária.

Ora a Iniciação Maçónica é um acto libertador pois que graças ao trabalho em Loja nos leva aos confins do Universo! Então o que é um Rito?

Uma definição muito profanadir-nos-ia tratar-se de um hábito cuja origem tem pouca importância, por vezes mesmo inexplicável, que rege certas fases da vida. Isto vale para a vida familiar, a vida profissional, (gestos dos artífices), a vida espiritual....

Mais significativa é a definição que se reporta ao espiritual, que entre outros nos diz: «conjunto de cerimónias em uso nas comunidades religiosas; organização tradicional das cerimónias».Esta definição é que nos interessará uma vez que situa o Rito no espaço-tempo sagrado onde os iniciados evoluem. A Maçonariatransmite o seu conhecimento esotérico progressivamente permitindo que quem a procura tenha tempo de a digerir : faz-se por graus. Graus de conhecimento, concretamente, graus hierarquizando os Maçons na escada dos meios de aquisição que lhes é posta à disposição. Cada um destes graus comporta cerimónias de recepção, provas, discursos e instruções que só são valiosos e eficazes numa única condição: têm que se encadear entre eles numa perfeita coerência dialéctica.

Portanto o encadeamento dos graus de conhecimento de um método particular, na Maçonaria define-se como UM RITO. A ideia de coerência é fundamental, primordial, e condiciona a existência espiritual do Rito maçónico. Tomemos por exemplo o R.E.R com uma Iniciação em seis graus, onde o primeiro constitui o Beabá e o sexto o toque final. Portanto não será bom ou mesmo correcto interromper no grau de Companheiro e prosseguir a progressão num rito de coloração completamente diferente como por ex. no Memphis-Misraim sem que se tenha recomeçado ab initio toda uma educação, sob orisco de uma dissolução completa do conhecimento Iniciático adquirido.

Os meus Irmãos responder-me-ão que não é proibido mudar para um rito que parece corresponder melhor às suas necessidades espirituais precisas. Certo, mas prudência, e perseverança...... Já muito jovens maçons na sua ânsia de mudar de rito muito rapidamente se vieram a perder numa implosão radical ao nível do plano mental e espiritual.

Porquê a pluralidade dos Ritos?

Apesar de difícil confirmação julga-se que a nível mundial existiram em tempos cerca de 480 ritos maçónicos diferentes. Tal cenário fez com que eminentes movimentos maçónicos ao longo da sua história tenham tentado uniformizar os Ritos. Entre 1717 e 1823 a Grande Loja de Londres tornou-se na Grande Loja Unida de Inglaterra e esforçou-se por uniformizar a Maçonaria, impondo progressivamente ao conjunto de Lojas que trabalhavam sob a sua jurisdição um método de trabalho que reduzia os rituais às bases estritas simbólicas das profissões de construtores. De facto constata-se que este esforço deu os seus frutos na Inglaterra que pratica o rito de Emulação em cerca de 95% das suas Lojas..... Com um espírito completamente diferente e menos organizado, o Grande Oriente da França também tentou a uniformização das práticas rituais, com a finalidade de aproximar os seus membros. O que veio quase praticamente a ser conseguido....- mas só no seu seio... Com efeito, aquilo que à cerca de 150 anos atrás parecia uma federação de ritos bem definidos, do Francês Moderno ao Escocês Antigo e Aceite, do Escocês Rectificado ao Misraim de Bedarride, veio a transformar-se numa simples federação de lojas que praticam uma versão muitolivredo Rito Francês, de resto muito variável de Loja para Loja.

Portanto atente-se que a reforma inglesa que pretendeu revolucionar e uniformizar suavemente a Babilónia Maçónica, só conheceu sucessos notórios na Escócia e Irlanda, mas não conseguiu influenciar os novos países de cultura britânica que surgiram nos séculos XVII e XIX. A implantação do rito de Emulação nos países latinos e na França só conheceu um sucesso diminuto. O mesmo se veio a passar com o Grande Oriente da França relativamente aos países francófonos. Esta dicotomia reformista chegou mesmo a ter efeitos perniciosos, com os ingleses a retirar o reconhecimento aos irmãos do Grande Oriente em 1877, data em que o espírito laico que pulsava nas terras da Gália levou a Obediência a permitir a livre escolha de invocar ou não o G.A.D.U.

Então como acreditar na cacofonia ritual que mais do que unir parece levar à desunião dosfilhos da viúva ? A resposta é simples: um sueco médio e um português médio não reagem da mesma maneira perante a mesma situação. Uma população tradicional possui um florilégio de culturas, de mentalidades e de cuidados espirituais próprios. Isto parece uma argumentação pouco simplória para alguns, mas como se explica a nascença de um Rito Sueco na Suécia, e que por exemplo a França só conheça trabalho assíduo no Rito Francês? O primeiro responde com a Iniciação à demanda de uma população de forte componente luterana, a uma história rude, e por tal uma dialéctica muito cristã e muito impregnada por uma vertente calvaleiresca. O segundo faz eco a uma cultura mais latina, menos militarista, de um eclectismo mais marcado por uma ligeira atracção ao misterioso, a um clerocatólico mais propenso a uma influência moral e espiritual mais diminuta.

Mais subtilmente dito, o francês poder-se-á sentir mais atraído para os trabalhos operativos e teúrgico dos santuários herméticos de Memphis e Misraim, enquanto que o outro, o sueco,se envolvena busca da moral e estabilidade mais prosaica, preferindo abandonar-se totalmente ao duro e longo caminho da aprendizagem do Rito de York.

Apesar de tudo a Torre de Babel Maçónica é Una!

Ela é Una porque todos os povos que a construíam partilhavam os mesmos ideais em múltiplas línguas. A Maçonaria é constituída por homens diferentes perante o Eterno. Os Maçons utilizam os seus meios limitados e as suas contingências locais na busca da Palavra Única. Esta busca sublime em todos os Ritos, longe de ser desacreditada pela oposição permite o acesso de cada um a um método de regresso à Palavra Única transcendendo rivalidades e incompreensões. É por isso que um Rito Maçónico, seja ele qual for, parte sempre de uma aprendizagem alegórica da Arte Real, passa pelo desaparecimento do Respeitável Mestre Hiram e dos seus segredos, e continua-se por uma aventura que nos conduzirá a encontrar algo de ainda mais sublime. E apesar de alguns Ritos ignorarem mesmo a pessoa de Hiram, as forças postas em movimento serão sempre da mesma natureza.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

segunda-feira, 23 de outubro de 2023

APRENDIZ - TELHAMENTO DO APRENDIZ NA ENTRADA FORMAL

Em 18.05.2023 o Respeitável Irmão Alex Coelho, Loja Integração e Ciência, 4462, REAA, GOB-SC, Oriente de Florianópolis, Estado de Santa Catarina, apresenta a dúvida seguinte:

TELHAMENTO DO APRENDIZ


Recentemente fui telhado no grau de Aprendiz, e fiquei com uma dúvida. No Ritual fala sobre a marcha e seus passos, e em outro momento o Venerável franqueia o ingresso e inicia o telhamento.

Na prática ocorreu assim, entrei no templo, fechou a porta, iniciei a marcha a ordem, após os passos parei. Falei Venerável Mestre, Irmão 1º Vig, Irmão 2º Vig, peço permissão para participar dos trabalhos.

Eu achei que o Venerável iniciaria o telhamento após a marcha, sem antes eu saudar as 3 luzes e pedir para participar dos trabalhos. Falo isso, porque no Ritual não tem essa parte no telhamento.

CONSIDERAÇÕES:

Não está previsto no ritual do REAA esse pedido para ingressar nos trabalhos, pois tudo isso já está prenunciado no questionário aplicado ao visitante, mais especificamente ao final do interrogatório.

Desse modo, autorizado o ingresso entra-se formalmente em Loja como Aprendiz em se executando por primeiro a Marcha na forma de costume e, ao concluí-la, faz-se, sem nada pronunciar, a saudação às Luzes da Loja. Ato contínuo o protagonista permanece à Ordem enquanto aguarda o Venerável Mestre aplicar o interrogatório.

Reitera-se, o Aprendiz nada fala durante o ingresso, senão quando responde o interrogado aplicado pelo Venerável Mestre.

Vale destacar que se o Venerável Mestre observar que quem pede ingresso é um Irmão conhecido, ele pode dispensar o interrogatório, simplesmente solicitando ao Mestre de Cerimônias que conduza o protagonista ao seu lugar logo após ele ter saudado as Luzes.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

SER MAÇOM

Ir∴ César Luis Bueno Gonçalves
Ser maçom implica, acima de tudo, em trabalhar em si mesmo. Nosso ideário, expresso em nossos rituais e em nossas leis, objetivam a transformação do "eu", nos dizeres maçônicos, na transformação da pedra-bruta em pedra cúbica polida, a única que tem serventia na construção do Templo.

Este trabalho, em nós mesmos, é penoso e muito difícil. Facilmente podemos constatar que é um trabalho para toda uma vida e que nunca o terminaremos enquanto vivermos.

Embora por vezes nos confundamos, os frutos deste trabalho não são os graus que nos são conferidos nos diversos sistemas ritualísticos maçônicos, não são os cargos que possamos ter em loja ou na estrutura da obediência maçônica.

O verdadeiro fruto é o Maçom, o artífice proficiente em sua arte, a pedra cúbica polida que pode se encaixar perfeitamente em 99 % da obra de construção do Templo.

O maçom, é justo em suas medidas, realiza obras de boa geometria, sabe usar o esquadro e o compasso, é mestre no trabalho com a tríplice argamassa e a trolha. Utiliza a régua de 24 polegadas e a alavanca com a
necessária força e vigor, nem mais nem menos do que a necessidade lhe impõem.

Ao utilizar o cordel, o lápis e a prancheta de traçar sempre se vê como o operário que irá executar seu plano de trabalho, desta forma não impõem aos outros operários tarefas que ele próprio não saberia ou teria forças para executar.

O Maçom cuida bem de suas ferramentas de trabalho... não se vê em sua oficina ferramentas espalhadas e em desordem. Também não admite que utilizem suas ferramentas de forma a estragá-las ou inutilizá-las. Elas estão sempre prontas para serem utilizadas de forma correta e com presteza e maestria.

O Maçom vai em socorro dos outros operários com suas ferramentas e Arte, pronto a auxiliá-los em suas próprias obras, mas não pode fazer toda a obra dos outros operários, pois aí a obra seria sua e não do outro e, a sua própria obra, ficaria abandonada... Também não pode emprestar indefinidamente suas ferramentas, pois não teria com o que trabalhar em sua própria obra...

Mas este Maçom, operário competente, sabe que somente a prática continua de sua Arte pode lhe proporcionar resultados justos e perfeitos em seu trabalho. Por isso nunca se afasta do seu canteiro de obras. Está sempre atento a sua obra e a forma e estrutura que a mesma vai adquirindo. Sempre repensando se as medidas de cada trabalho que realiza estão harmônicas com o todo da obra.

Também não titubeia em refazer um trabalho quando necessário. Pois tem consciência que uma peça mal feita ou um erro de medida poderá por toda a obra a perder. A obra poderá ruir ou não ter funcionalidade ou então se tornar uma construção feia que em nada lembrará os elegantes e bem alicerçados Templos que estão a sua volta.

Fonte: JBNews - Informativo nº 221 - 06.04.2011

domingo, 22 de outubro de 2023

MOEDAS NO TRONCO DE BENEFICÊNCIA E SIGNIFICADO DAS JANELAS DO PAINEL

Em 17.05.2023 o Respeitável Irmão Andrei Pinho, Loja Probidade, 4473, REAA, GOB-RS, Oriente de Pelotas, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta o que segue:

MOEDAS NO TRONCO DE BENEFICÊNCIA

Gostaria de saber sobre moedas no Tronco de Beneficência são permitidas?

E a simbologia das janelas no Painel do Grau de Aprendiz.

CONSIDERAÇÕES:

No que se refere às moedas, sendo elas vigentes no sistema monetário do País, as mesmas são perfeitamente aceitáveis. 

Assim, desde que de valor corrente, não existe nenhuma regulamentação que as proíba de serem depositadas na bolsa de caridade da Loja (Tronco de Beneficência).

Acerca das janelas (aberturas) que se apresentam no Painel, elas representam a marcha diária do Sol, ou seja, aberturas no alvorecer (Leste), ao meio-dia (Sul), e no ocaso (Oeste). 

Essa representação está de acordo com ponto de vista daquele que do hemisfério Norte olha para o Sul.

Essa distribuição se justifica para os ritos maçônicos nascidos no hemisfério Norte (acima da linha do equador). 

À vista disso as alegorias solares utilizadas no processo iniciático correspondem ao setentrião do nosso Planeta.

T.F.A.
PEDRO JUK - SGOR/GOB
jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

O ESOTERISMO NA MAÇONARIA

Gilson de Azevedo Lins - CIM- 231313

Amados irmãos quando se fala a respeito de esoterismo, a maioria das pessoas acreditam que a matéria está fora do alcance e que é limitada a um pequeno grupo de iniciados, quando na realidade não é bem assim. Na Arte Real, no contínuo desbaste da pedra bruta, apreendemos que para perfeita compreensão de certos princípios tudo depende da maneira como o assunto apresentado é assimilado.

É por esta razão que nossos rituais utilizam a linguagem simbólica, para transmitir sob forma de alegorias os grandes mistérios. Mas, para uma melhor compreensão desta linguagem esotérica, faz-se necessário um estudo sério da Cabala.

Irmãos, no combate às trevas da ignorância, primeiramente, vos sugiro o estudo da tradição esotérica do oriente, através da obra “Noções Elementares de Cabala”, de Francisco Valdomiro Lorenz, editada em l9l2, para que possam apreciar devidamente este ramo da ciência oculta e comparar a essência de sua doutrina com os ensinamentos da Teosofia e do Espiritismo.

As chamadas Ciências Ocultas são os conhecimentos transmitidos pela Cabala, magia e hermetismo. Este conhecimento que foi transmitido por Moisés especialmente para o povo Hebreu, fora conservado na essência somente entre os essênios.

Assim, já que a doutrina secreta (ou a Cabalá) é a alma ou o espírito da tradição; pode-se também deduzir que é a sua parte religiosa e filosófica. A maçonaria que, historicamente, sob a nossa ótica, teve sua infância no Egito e adolescência no Templo de Salomão, hoje, pode-se afirmar que é a mais perfeita e bem sucedida oficina de aperfeiçoamento moral e espiritual do homem, conforme os nossos usos e costumes.

Então, segundo as antigas escolas, este ensinamento tradicional era trino, ou seja: histórico, moral e místico.

As Escrituras Sagradas contém também um tríplice sentido, a saber: o literal, histórico, que corresponde ao corpo e ao Átrio do Templo; o moral, que se dirige à alma e pertence ao lugar santo do Templo; e por fim o místico, que representa o Espírito e o Santíssimo.

A maçonaria, como a legítima herdeira de uma parte da tradição esotérica, nos orienta na inabalável crença da existência do GADU; e, por consequência, tanto na imortalidade da alma como na existência de vida após a morte.

A AMORC, herdeira de outra parte da tradição mística, nos ensina que todas as formas de vida nos diversos reinos, visíveis e invisíveis, são emanações do Amor de Deus, na evolução da personalidade-alma.

No princípio eram as trevas do CAOS, mas surgiu a Luz, e ela se infiltrou por todas as esferas materiais e imateriais, para viabilizar através do milagre da vida que a ORDEM fosse estabelecida.

Enfim, com a percepção do Ser, nasceu a consciência humana que ao se desenvolver, no finito plano de nossa existência, permite a perfeita realização do iniciado.

Fonte: Facebook_Pedreiros Livres

sábado, 21 de outubro de 2023

DIFICULDADE NA COMPOSIÇÃO DA LOJA

Em 16.05.2023 um Irmão Apr∴ Maç∴ de uma Loja praticante do REAA da constelação de Oficinas do GOB-RS, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta as dúvidas seguintes:

DIFICULDADE PARA COMPOR A LOJA

Estou com uma dúvida sobre a dificuldade de compor loja. Qual é o tempo mínimo para Aprendizes e Companheiros se tornarem Mestres?

Quais são as medidas que uma Loja deve tomar quando a dificuldade de compor quadro da loja por falta de Mestres se torna evidente? Existe alguma medida emergencial para evitar abatimento de Colunas?

CONSIDERAÇÕES:

Inicialmente eu gostaria de dizer que esse assunto não é do meu ofício, já que atuo mesmo é na área de ritualística, liturgia e história, não no campo do direito maçônico. Assim, entendo que essa é uma questão de legislação e deve ser tratada com quem desse ofício.

 Desse modo, segue apenas um comentário da minha parte, e como tal destaco ele não possuir nenhum caráter laudatório.

Vamos lá: quanto ao interstício de Aprendiz para Companheiro e Companheiro para Mestre, bem como as demais providências, sugiro consulta ao Regulamento Geral da Federação, Artigos 35 e 36.

No tocante às medidas que uma Loja deve tomar, entendo que o Venerável Mestre e o Orador da Loja devem consultar a Obediência Estadual, expondo minuciosamente
as dificuldades.

Sob o aspecto prático, me parece que nada há a fazer senão solicitar ajuda às Oficinas coirmãs (do GOB) para compor a Loja conforme o previsto na legislação, ou seja, abrir a Loja com o mínimo de sete Mestres Maçons. Vale ressaltar que nessa condição, no mínimo o Venerável Mestre e os Vigilantes devem ser Irmãos do quadro, levando-se em conta que eles foram eleitos para administrar a Loja.

À vista disso, destaque-se que sob nenhuma hipótese Aprendizes e Companheiros podem ocupar cargos (Artigo 229 do RGF).

Finalizando, reitero a necessidade de se consultar a Obediência Estadual e ao mesmo tempo lembrar que é imperativo atender ao previsto na legislação vigente. Essa é a minha opinião.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MAÇONS FAMOSOS


JOSÉ MARIA DA SILVA PARANHOS JÚNIOR (Rio de Janeiro, 1845 — Rio de Janeiro, 1912). Advogado, diplomata, geógrafo e historiador brasileiro. É o patrono da diplomacia brasileira e uma das figuras mais importantes da história do Brasil. Sua maior contribuição ao país foi a consolidação das fronteiras brasileiras, em especial por meio de processos de arbitramento ou de negociações bilaterais, conseguindo incorporar definitivamente ao Brasil 900 mil quilômetros quadrados.

INICIAÇÃO MAÇÔNICA: 3 de fevereiro de 1872.

Loja: Estrela do Norte, Rio de Janeiro, Brasil.

Idade que foi Iniciado: 27 anos.

Faleceu aos 66 anos de idade, vítima de insuficiência renal.

Fonte: Facebook_Curiosidades da Maçonaria

DEFENDAMOS NOSSA LINHA

Nos grandes centros, onde a diversidade de opinião é maior, onde a publicação de idéias e doutrinas é fato rotineiro, as idéias crescem e pululam com intensidade notável. O homem vive, diariamente, sujeito aos impactos do momento.

Se ele lê todos os dias um periódico ou ouve determinado programa de rádio, nas suas horas de lazer, pouco a pouco, vai se solidarizando com a idéia apresentada, ou ainda, com a linha geral do programa ou da publicação.

A maioria dos indivíduos, nas grandes metrópoles, segue esta ou aquela orientação, deixando-se levar pelas idéias expostas ou defendidas.

Quando os programas são de construção, ele adquire idéias construtivas, mas quando o programa é de alteração flagrante de conduta rotineira, e estas idéias são afins a velhas idéias guardadas no subconsciente, ele as aceita, sem nenhuma critica, e passa a seguir aquele código, religiosamente.

Daí a diversidade de orientação, filosófica ou política, existentes nos grandes meios. Isto, em parte, não deixa de ser uma parcela do evoluir, pois, é da diversidade de opiniões que surgem os processos evolutivos – Seguir o profano fielmente essas orientações, é um direito que lhe assiste, especialmente, se as suas idéias com elas se coadunam. Para os Maçons, contudo, não há necessidade de andar às cegas, abraçando esta ou aquela doutrina, esta ou aquela filosofia.

A Maçonaria dispõe de uma orientação. Ela dispõe da ciência para ministrar tal orientação que é dada de acordo com as causas e fenômenos – Para que então, nós que temos orientação deixamos de segui-la e vamos abraçar uma orientação estranha?

Não é possível seguir, ao mesmo tempo, duas orientações que se chocam, ir para a direita e para a esquerda ao mesmo tempo.Temos que nos resolver quanto a nossa preferência. Se somos Maçons, aqui estamos, temos afinidades com as causas maçônicas, vamos segui-las, vamos lutar pelo nosso ideal. Os outros lutam pelos seus ideais, por que não lutarmos pelo nosso? Para que abandonarmos o nosso e seguirmos o alheio? – Se não estamos de acordo com a linha de conduta maçônica, nesse caso, não fiquemos dentro das colunas, afastemo-nos e sigamos outros ideais. A doutrina maçônica é clara; ela tem seu caminho pré-estabelecido.

A Maçonaria é local de livres pensadores, em que se cultua a verdade e se examinam os fatos, à luz da lógica e da ciência. Se não podemos ser livres pensadores, ou não quisermos investigar o porquê das coisas, então deixemos a Maçonaria, porque sua orientação não nos serve; mas, se, na realidade, estamos em busca de uma orientação segura, vamos fazer e fincar-pé naquilo que temos, e guiarmos a nossa conduta, e influenciar o mundo profano, de acordo com essas idéias.

Tomemos, como exemplo, o que fazem as religiões. Todos os adeptos fazem questão de tudo ser de acordo com seus princípios. Ou mesmo os credos políticos que procuram tudo explicar, de acordo com as regras do seu jogo. Nós temos a nossa linha, podemos tudo explicar de acordo com sua orientação; por que então fugirmos dela e adotarmos outras orientações?

Quando um irmão diz ter entrado na Maçonaria, e não ter visto a tão decantada linha ou então, vou me retirar da Maçonaria por não ter visto, até agora, nada que me oriente. Serão afirmativas verdadeiras? Na realidade procurou ele estudar o que é Maçonaria? Procurou ele interpretar os rituais ao seu alcance? Estudou-os atentamente? Será que ele não se limitou, apenas, a freqüentar sessões quando apenas se tratava da parte administrativa ou do expediente rotineiro? Leu livros sobre assuntos maçônicos? quantos livros especializados possui? Gosta de ler? Gosta de aprender? – Talvez, nas respostas esteja a sua falta de interesse – Maçonaria, não se aprende apenas na Loja. A Loja é o local da reunião, onde se faz o contacto, e quando muito se adquire a motivação necessária para o estudo. A sessão serve de orientadora. Os graus são conferidos aí, e aí é que ele adquire o direito de ir mais além, recebendo um novo ritual, com novas idéias a serem expostas.

Novas idéias precisam ser estudadas, avaliadas e compreendidas. Elas servem de incentivos, o resto é o esforço de cada um, aliado a uma vontade de pensar. O pensamento é elástico, aumenta se nós quisermos estira-lo e diminui se para isso não nos esforçarmos.

TEMAS MAÇÔNICOS:
Ir∴ Clemildes Sant'Ana

COLABORAÇÃO:
Ir∴  NELSON FRARE

sexta-feira, 20 de outubro de 2023

POSTURA DOS DIÁCONOS - LITURGIA DE ABERTURA E ENCERRAMENTO

Em 15.05.2023 o Respeitável Irmão Luiz Antonio, Loja Paz e União, 80, REAA, GLMMG (CMSB), Oriente de Capinópolis, Estado de Minas Gerais, apresenta a dúvida seguinte:

POSTURA DOS DIÁCONOS

Novamente "abusando da sua boa vontade e especial da sua sabedoria e conhecimento".

Meu Irmão, tenho tentado ao longo desta pequena caminhada, me esclarecer e esclarecer os Irmãos.

Em relação a postura dos Diáconos, me foi "ensinado" que na abertura do Livro da Lei, onde cruzam os bastões, jamais os Diáconos devem ficar com o cotovelo virado para o Or∴

Fiz algumas pesquisas solicitei material na Biblioteca da GLMMG, mas ainda não obtive resposta. Poderia me ajudar?

CONSIDERAÇÕES:

A bem da verdade, uma pesquisa sobre esse tema dificilmente obteria sucesso porque originalmente no REAA não existe formação de pálio e nem cruzamento de bastões. 

Ainda nesse contexto, vale lembrar que no REAA os Diáconos não portam bastões, pois eles estão no rito em questão apenas para exercer o ofício de mensageiros quando da transmissão da palavra na abertura e no encerramento dos trabalhos.

Assim, mesmo que despidas de justificativas convincentes, com o decorrer do tempo alguns rituais adotariam práticas originárias de outros ritos, cujas quais, mesmo que enxertadas e distorcidas, acabariam consagradas pelo uso.

À vista disso, não há como encontrar algo crível para algo que a autenticidade seja suspeita. Veja como são as coisas: se no REAA originalmente não existe o cruzamento de bastões e nem os Diáconos trazem bastões, fica difícil encontrar justificativas para o se ter ou não o "cotovelo virado para o Oriente". Temo que argumentos sobre isso não passem de ilações temerárias.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

O OUTRO TERMO DA EQUAÇÃO

Rui Bandeira
A afirmação de que o que se busca na Maçonaria é o aperfeiçoamento individual através da interação com a Loja transcrita para linguagem matemática seria qualquer coisa como Maçom + Loja = Aperfeiçoamento.

O primeiro termo da equação, o Maçom, é abundantemente tratado nos escritos, nos seus mais variados aspetos. É natural: os maçons que escrevem sobre Maçonaria integram eles próprios o primeiro termo da equação, conhecem-no literalmente por dentro e por fora, é mais fácil escrever sobre o que se conhece, analisar o que o próprio sente, definir os objetivos que o próprio anseia.

Mas, para que a equação funcione, exista realmente, é indispensável a presença e o efeito do seu segundo termo: a Loja. É a Loja que é o ponto de confluência de todos os obreiros, onde todos levam as suas idiossincrasias pessoais, mas também os seus esforços, preocupações e anseios. É no confronto de tudo aquilo que se junta e partilha na Loja que cada um escolhe e retira os materiais e as ferramentas que utilizará no seu próprio desbaste. Ser maçom só faz plenamente sentido se e quando integrado em Loja. Aí, sim, o método disponível para ao aperfeiçoamento individual concretiza-se. Maçom e Loja completam-se e mutuamente se influenciam.

Há muita matéria escrita sobre o primeiro termo da equação, o maçom. Sobre o segundo termo dessa equação, a Loja, os elementos disponíveis são muito menos. Não é só por ser mais fácil escrever sobre o maçom do que sobre a Loja. É também porque, se bem virmos a coisa, a relação entre o maçom e a Loja é similar ao que, dizem os entendidos no assunto, sucede no âmbito da física quântica: o observador, pelo simples facto de observar o fenómeno, altera esse fenómeno.

Efetivamente, o maçom integra-se numa Loja. É influenciado por ela, mas também ele próprio a influencia. O simples facto de o maçom observar, analisar, efetuar juízo crítico sobre a sua Loja, faz com que, seja a sua análise melhor ou pior, seja o resultado dela mais ou menos agradável, altere a perceção que dela tinha. E, ao tal suceder, inevitavelmente que se modifica, quiçá impercetivelmente, a sua relação com a Loja e, assim, a forma como a Loja o influencia, mas também a sua própria influência sobre a Loja. O simples facto de observar a Loja resulta na modificação da Loja observada, tal como na modificação do próprio observador. Mudanças insignificantes, impercetíveis, talvez. Mas estão lá, ficam lá, interagem com outras subtis modificações. Assim evolui o maçom. Assim evolui a Loja. Assim evoluem ambos.

Esta relação mutuamente influenciadora entre o maçom e a sua Loja deve alertar-nos para a necessidade de não nos concentrarmos apenas no primeiro termo da equação, o maçom, isto é, nós - apesar de ser esse, de sermos nós, o objetivo principal -, mas também não descurar a atenção no segundo termo da equação, a Loja.

Não nos enganemos: a Loja não são as paredes dentro das quais nos reunimos. Não são os adereços que nos rodeiam. Não é o mero ambiente que criamos. Nem o conjunto de lições que aprendemos. A Loja é, somos, o conjunto de maçons que nela se integram. A Loja não é ELA. A Loja é NÓS. A Loja, sendo algo diverso de nós, é algo de que nós fazemos parte, que nós influenciamos e que nos influencia.

O maçom deseja aperfeiçoar-se. É meritório. Ao fazê-lo, está a cuidar de si. Mas o maçom sabe que a sua tarefa só plenamente se executa se em consonância, em interação, com sua Loja. Assim sendo, o mínimo de bom senso manda que também se preocupe com a sua Loja, com o bom estado dela. E, repito, o que aqui menos importa são as paredes, a decoração ou os artefactos. O que importa, a essência da Loja, são os seus obreiros. Um a um. Todos. O conjunto de todos. A influência de cada um sobre cada um e sobre todos e a influência de todos sobre cada um.

Observar, estudar, a dinâmica da Loja, procurar determinar o estado dela, as correções que nela porventura haja a fazer, o contributo que relevantemente a ela possamos dar, é tarefa que o maçom não deve, não pode descurar. É uma tarefa ciclópica, eu sei! Parece, muitas vezes, uma tarefa impossível, de tal forma se nos afiguram insignificantes os resultados que a nossa ação individual é suscetível de obter, também o sei. Mas a colmeia vive e cresce graças ao aparentemente insignificante resultado do trabalho de cada uma das suas abelhas...

O maçom que aprendeu a sê-lo não esquece que tem de zelar pelos dois termos da equação. Porque o resultado individual depende do coletivo. Porque o coletivo depende do individual, mas também influencia o individual. Ao zelar pelo bom estado da sua Loja, o maçom está simultaneamente a melhorar-se a si próprio. Ao melhorar-se a si próprio, está a contribuir para a melhoria da sua Loja.

Bem vistas as coisas, sim, a relação entre o maçom e a sua Loja é como a física quântica: parece muito difícil, aparenta ser muito inacessível, mostra-se muito esotérica, mas o que é preciso é afinal apenas trabalho e bom senso!

Fonte: http://a-partir-pedra.blogspot.com.br

quinta-feira, 19 de outubro de 2023

REAA - O LUGAR DOS VIGILANTES E DO VENERÁVEL MESTRE

Em 11/05/2023 o Respeitável Irmão Otávio Alvares de Almeida, Loja Deus e Fraternidade, 51, REAA, GLEB (CMSB), Oriente de Cruz das Almas, Estado da Bahia, apresenta a dúvida seguinte:

PRIMEIRO VIGILANTE DE FRENTE PARA O VENERÁVEL

Há muito tenho a curiosidade de saber o porquê do 1º Vig ser o único obreiro que senta de frente para o Venerável Mestre.

Também por que na verificação se os obreiros são Maçons na Sessão de Companheiro saem os dois Vig conferindo quando nas de Aprendiz e Mestre apenas o 1º Vig?

Aguardando o seu pronunciamento

CONSIDERAÇÕES:

Inicialmente vale salientar que no Ocidente de uma Loja do REAA, não só no que concerne aos Vigilantes, uma parte dos lugares fica voltada para o Oriente e outra voltada para o eixo do templo.

 Especificamente sobre os lugares dos dois Vigilantes, o 1º fica à noroeste voltado para o Oriente e o 2º ao Meio-Dia voltado para o eixo do templo.

A justificativa para os Vigilantes assim se situarem é porque o 1º, a noroeste, representa o ocaso do Sol, isto é, oposto ao Venerável Mestre que fica no lugar da aurora. O Venerável Mestre e o 1º Vigilante ficam voltados um para o outro porque ambos, respectivamente, se relacionam com o nascer e o poente do Sol. Já o 2º Vigilante, do meridiano do Meio-Dia, tem a função de observar essa transição. Desse modo, ele vê do topo do Sul, à sua frente e a direita, o nascer do Sol, vê também o seu ápice no zênite, e finalmente à sua esquerda, o poente.

Nessa conjuntura, vale relatar que o REAA é um rito solar e os limites do seu templo correspondem aos quatro pontos cardeais – Leste/Oeste no seu comprimento, e Norte/Sul na sua largura. O templo é a oficina onde trabalham os maçons. Sob essa óptica, o seu piso (pavimento mosaico) representa um segmento retangular da superfície da Terra situado sobre o equador. O céu é a abóbada.

Graças a isso é que o Venerável e os Vigilantes, como as Luzes da Loja, têm seus lugares distribuídos nos extremos do Sul, do Leste e do Oeste.

Vale notar que no Ocidente, além dos Vigilantes, também há Oficiais distribuídos de frente para o Oriente (Expertos, 2º Diácono, etc.), e outros voltados para o eixo do templo (Mestre de Cerimônias, Chanceler, Tesoureiro, etc.).

No que diz respeito à verificação nas Colunas, obviamente que ela é simbólica e denota o exercício da prudência. Assim, no grau de Aprendiz apenas o 1º Vigilante do seu lugar faz a verificação em ambas as Colunas, Já no Grau de Companheiro e de Mestre, observando maior prudência, cada Vigilante percorre a sua Coluna e individualmente faz a verificação. Esses exames relembram o passado operativo onde primitivamente os construtores se protegiam dos cowans.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

FRASES ILUSTRADAS

A IMPORTÂNCIA DE INSTRUIRMOS NOSSAS CUNHADAS

Ir∴ Sérgio Quirino Guimarães
Durante a atividade na ARLS Casa do Caminho - GLMMG, um Irmão me perguntou como instruir a cunhada em relação ao uso das luvas brancas. Ele como a maioria de nós recebeu o par de luvas com o pedido que encaminhasse àquela que mais estima e que tem mais o seu respeito.

Assim o Irmão chegou em casa, entregou o par a naturalmente ressabiada cunhada e ela perguntou: - O que é isso? O que faço com isso? Como uso? E o Irmão responde: - Eu ainda não sei, mas quando souber lhe contarei! E quando acontece esta instrução? 

Às vezes nunca, um Irmão conta para o outro o que sabe e cada um floreia da maneira que acha mais bonito. De forma institucional, não recebemos esta e muitas outras instruções. Jamais devemos esquecer que Maçonaria não é "coisa só de homem" é sim "coisa de família". A cunhada tem o direito e nós o dever de instruí-las sobre o que é a Maçonaria. 

Coloque-se no lugar delas, imagine que sua esposa entrasse para uma organização chamada “YZ” e algum colega ou familiar lhe perguntasse: - Afinal o que é a “Organização XY”? - O que elas fazem? - Por que se vestem assim? - Quem criou esta organização? E para todas as perguntas você só responderia: - Não sei! Como você se sentiria? Pior ainda seria encontrar a cunhada após as reuniões da XY e lhe perguntar: - Como foi à reunião? Do que trataram? Se ela responder que não pode falar porque é segredo, você com certeza ficaria desconfiado, ou chateado, ou deslocado. E será que não agimos assim com nossas cunhadas? 

Os esclarecimentos sobre o que é um Maçom e o que é a Maçonaria, devem começar na sindicância. O primeiro sindicante ou o padrinho deve assentar com o candidato e a esposa e contar a origem da Maçonaria, nossos princípios, NOSSOS DEVERES, esclarecer sobre as obrigações que teremos que cumprir, os preconceitos que poderão sentir. 

Existem situações muito simples e que podem colocar a cunhada em constrangimento; algumas não sabem o nome da Loja e a maioria não tem nem idéia do que seja Potência, Obediência, Oriente, se o Irmão é um Oficial, uma Luz ou Dignidade. Se o Irmão adoece ou está com algum problema, algumas sequer tem o telefone do Venerável da Loja. E posso afirmar que a maioria absoluta desconhece a estrutura de uma Grande Loja ou de um Grande Oriente, estrutura esta que em determinados momentos pode lhe favorecer (hospitalaria por exemplo) e outras que poderia interagir positivamente (Fraternidade Feminina por exemplo). 

Precisamos desmistificar nossas ações, é necessário compartilhar com a esposa os nossos ideais, nossas aspirações, pois são as cunhadas que nos trazem consolação, conforto e alento nesta vida tão atribulada que levamos. 

O escritor alemão Johann Wolfgang Von Goethe disse que "Uma esposa é um presente dado ao homem para consolá-lo da perda do Paraíso." Que assim seja! Não vamos permitir que a duvida, a insegurança ou o sentimento de deslocamento tome conta das cunhadas, lógico que há certas coisas que não podemos expor, mas também não podemos deixá-las na mais profunda ignorância.

Fonte: JBNews - Informativo nº 220 - 05.04.2011

quarta-feira, 18 de outubro de 2023

SINAL DE COMPANHEIRO NO REAA - UMA OU DUAS MÃOS?

(republicação)
Em 19/02/2018 o Respeitável Irmão André Ricardo Ferraz Roque, Loja Barão do Rio Branco, 03, REAA, GOEPE/COMAB, Oriente de Arcoverde, Estado de Pernambuco, solicita esclarecimentos.

SINAL DO COMPANHEIRO MAÇOM NO REAA

Gostaria que o Irmão se possível fizesse um comentário sobre a questão que apresentarei abaixo:

Quando fui elevado ao Grau de Companheiro me foi comunicado que o sinal de ordem do segundo grau seria feito com as duas mãos da forma que sabemos. Mas de certo tempo para cá a minha Potência (GOEPE/COMAB) vem nos orientando a fazer o sinal apenas com a mão direita. Gostaria de saber qual a forma correta de compor tal sinal.

CONSIDERAÇÕES:

PÍLULAS MAÇÔNICAS

nº 17 - Venerável Mestre e Vigilantes

Brethren, mais uma vez vamos recorrer aos conhecimentos do inesquecível Ir.'. José Castellani:

“Os poderes do Venerável Mestre são legitimados, não na eleição, mas sim, na posse, ou seja na Instalação, pois instalação é sinônimo de posse, mesmo que não haja a Cerimônia de Instalação, que é própria do Rito de Emulação (York) e que foi copiada pelos demais Ritos.

Assim, um Vigilante, na ausência do Venerável Mestre, pode assumir o primeiro Malhete da Loja e despachar todos os assuntos administrativos. Só não pode atuar em algumas cerimônias Litúrgicas, que são privativas de quem tem o poder de fato e de direito: o Venerável Mestre que foi empossado (Instalado) no cargo.”

Fonte: pilulasmaconicas.blogspot.com

AUTO-OBSERVAÇÃO

Por Benjamin, Meliton.
Ao buscar observar um Estado Interno o indivíduo poderá encontrar algumas dificuldades. Um Estado Interno é resultante da equação entre diversos fenômenos externos e internos. Dentre os fenômenos externos estão toda a classe de estímulos sensoriais que sejam captados pelos nossos órgãos dos sentidos. Logo que captados pelos sentidos os estímulos chegam as respectivas áreas de processamento primário do Córtex e, ainda sim, podem não promover nenhum efeito significativo em nosso comportamento.

Assim que as informações sensoriais são mais processadas, ou seja, assim que são transmitidas a outras regiões corticais pelas Vias de Associação, então estendem sua inevitável influência sobre muitas regiões do organismo criando assim um Estado Interno, podendo este ser mais ou menos visível em nosso comportamento.

Mas nem todo Estado Interno é proveniente direto da estimulação ambiental. Alguns estados internos podem ser gerados apenas por uma lembrança, seja uma emoção ou uma ideia, um pensamento.

Um Estado Interno é dependente das duas variáveis comportamentais mais básicas: as características inatas e as condicionadas. Todo o comportamento humano pode ser subdividido nestas duas categorias sendo que, ao mesmo tempo, todo comportamento conta com alguma porção de influência de nossas tendências inatas (características genéticas e neonatais) e de nossos condicionamentos (características assimiladas com as experiências).

Ao observar o seu Estado Interno o indivíduo estará diante de todas estas classes de informações e a partir destas poderá progressivamente ampliar suas capacidades de Autorregulação, Controle Inibitório e Alteração Voluntária do Comportamento. Entretanto, a Auto-observação exige do indivíduo o desenvolvimento de uma função Neuropsicológica normalmente pouco desenvolvida: a Interocepção.

Em 1906 o cientista britânico Charles Scott Sherrington publicou algumas de suas mais interessantes descobertas em sua obra The Integrative Actions of the Nervous System. Ele percebeu que algumas terminações nervosas dos organismos animais não eram ativadas de nenhuma maneira por estímulos externos. Avançando com suas pesquisas Sherrington pode entender que estas terminações nervosas eram responsáveis pela percepção dos estímulos internos ao corpo tais como: movimento, diferenças de pressão, variações metabólicas, etc. Notou que alguns destes nervos eram especialistas na percepção do movimento e postura corporal e outros pareciam mais especializados na percepção de variações metabólicas, temperatura e outras variáveis internas.

Os primeiros batizou pelo nome de Proprioceptores (responsáveis pela percepção do Movimento) e os segundos pelo nome de Interoceptores (responsáveis pelas demais percepções internas) os quais, ambos, se distinguiam dos Exteroceptores (responsáveis pelas percepções dos estímulos externos).

Com o avanço das pesquisas com respeito a Interocepção se pode entender que no Encéfalo humano existe uma região específica responsável pelo controle das funções Interoceptivas. Esta região está batizada sob o nome de Córtex Insular (Damasio et al., 1996, 2000 apud PAYNE, Peter; LEVINE, Peter A.; CRANE-GODREAU, 2015). O Córtex Insular já foi apelidado pelo nome de “A Ilha Escondida de Reil” em homenagem ao seu descobridor o alemão Johann Christian Reil. O nome “A Ilha Escondida” se deve ao fato de sua singular localização, abaixo de camadas corticais mais exteriores. Por conta desta mesma localização faz ponte entre as camadas neocorticais e a região Límbica – importante comentar a relevância do papel das áreas límbicas na produção e modulação de nossas emoções.
Córtex Insular.

Partindo-se da premissa Neuropsicológica deveremos entender que cada manifestação do que comumente chamamos de pensamento e de emoção conta com a ativação de certos circuitos neurais, com a produção de determinados neurotransmissores e outras substâncias, com a manifestação de determinado equilíbrio no balanço autonômico, na termogênese, etc. Assim o estudo da Psicologia, do Comportamento, segue a via das manifestações do corpo porém das manifestações muito sutis as quais só podem ser melhor apreendidas por sistemas Interoceptivos bem desenvolvidos.

Um dos primeiros obstáculos à Auto-observação e ao desenvolvimento Interoceptivo são as nossas marcadas tendências Exteroceptivas. Estamos comumente orientados para fora, não há uma pedagogia comum que tenha nos ensinado a orientação para dentro. Assim, todas as nossas manifestações internas, todas as nossas variáveis comportamentais, costumam ser geridas ao mero acaso. É precisamente este erro ou esta carência pedagógica que a Psicologia e, em nosso caso, mais especificamente a Neuropsicologia, busca suprir.

Quando nossas atividades mentais e emocionais encontram-se mal geridas tendem apenas a perpetuar os mesmos problemas ou mesmo a multiplicá-los diariamente. Um comportamento, seja qual for, pode ser reforçado não apenas por estímulos externos mas também por suas próprias manifestações internas. Assim, se temos medo de algo, por exemplo, e não gerenciamos as nossas emoções e os nossos pensamentos podemos seguir reforçando a experiência e o comportamento de medo mesmo muitos dias após o evento ocorrido. Tudo isto para o nosso próprio malefício.

Para o exercício da Auto-observação é necessário, em primeiro momento, exercer um mínimo de Auto-controle: de Atenção Seletiva e Controle Inibitório. É preciso também, por meio de certos mecanismos básicos, saber refrear o curso das experiências internas e provocar Estados Internos voluntariamente, ainda que de forma parcial.

Dizemos “de forma parcial” especialmente porque o nosso controle exercerá domínio a apenas alguns poucos circuitos do Sistema Nervoso Central e contará com um parda manifestação comportamental. Mais além de nosso controle estarão ainda muitas regiões e muitos mecanismos Neuropsicológicos não alcançados os quais seguem se processando de forma autômata segundo seus próprios condicionamentos.

O exercício Interoceptivo cobrará do organismo muitos esforços Pré-frontais e Insulares os quais, naturalmente, consumirão grande energia e levarão o organismo ao cansaço logo em breve. Como em todo exercício a prática leva a perfeição e, assim, a Interocepção Voluntária que a princípio pode ser tão nova e difícil se tornará gradualmente mais fácil e, portanto, menos desgastante.

Durante o exercício Interoceptivo o organismo tenderá a todo momento a retomada dos processos automáticos de pensamento, emoção e movimento. Estes processos automáticos são mais fáceis pois não cobram quase nenhum esforço Pré-frontal e Insular e, portanto, consomem menos energia. Infelizmente a atividade automática do organismo não tende a levar a alteração dos padrões disfuncionais de nosso comportamento do contrário, tendem a reforçá-las.

O nosso trabalho com a Neuropsicologia Aplicada se fará no sentido do desenvolvimento Interoceptivo e da Administração Voluntária de nosso comportamento.

Seguiremos com este raciocínio em publicações futuras.

PAYNE, Peter; LEVINE, Peter A.; CRANE-GODREAU, Mardi A. Somatic experiencing: using interoception and proprioception as core elements of trauma therapy. Frontiers in psychology, v. 6, p. 93, 2015.

Fonte: https://bibliot3ca.com

terça-feira, 17 de outubro de 2023

TEMPLOS À VIRTUDE E MASMORRAS AO VÍCIO

(republicação)
Em 13/02/2018 o Respeitável Irmão Mestre Bibliotecário Felinto Júnior Da Costa, Loja Regeneração 3ª, REAA, GOP (COMAB), Oriente de Londrina, Estado do Paraná, solicita o seguinte esclarecimento:

TEMPLOS À VIRTUDE E MASMORRAS AOS VÍCIOS

Em algumas pesquisas sobre a expressão "templos à virtude e masmorras aos vícios" (como dita em nossa língua), fui gradualmente sendo remetido a outras fontes.

No discurso de André-Michael Ramsay (que afirmam ter sido proferido na "Loge de Saint-Jean" em 26 de dezembro de 1736) há a seguinte menção: "[...] Nous suivons aujourd'hui des sentiers peu battus; Nous cherchons à bâtir, et tous nos édifices Sont ou des cachots pour les vices, Ou des temples pour les vertus [...]"

A tradução (eletrônica via Google) parece ser: "[...] Hoje seguimos trilhas que não são bem batidas, Buscamos construir, e todos os nossos edifícios, São ou masmorras para vícios, Ou templos para as virtudes [...]"

Esse trecho é parte de um poema escrito por um maçom e médico chamado Procope, cujo poema encontrei na página 5 desse fac-simile de 1737: "Chansons Notées De la Trés Vénérable Confreria des Maçons Libres par Frère Naudot 1737", (disponível em http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k15117345/f5.image).

Minha dúvida é, portanto, sobre a origem desta expressão "templos à virtude e masmorras aos vícios", assim dita em nossa língua.

CONSIDERAÇÕES:

Essas são expressões muito características da Maçonaria francesa que apareceram principalmente a partir da evolução dos seus rituais desde o século XIX. 

No que diz espeito à citação envolvendo André Miguel de Ramsay, embora o seu discurso esteja catalogado academicamente como um dos documentos básicos do escocesismo, esse seu discurso foi um tanto quanto pretencioso já que ele quis dar um ar de aristocracia à Maçonaria e equivocou-se ao mencionar a Maçonaria como herdeira dos Templários. 

Em minha opinião, o documento que o Irmão menciona é até sugestivo, mas nada é conclusivo em se tratando de origem das expressões “templos à virtude” e “masmorras ao vício”. Também nada se pode afirmar a respeito que seja algo originário do poema de Procope mencionado pelo Irmão. Nesse sentido seria necessário um estudo mais apropriado.

O fato é que a Maçonaria latina adota a expressão “erguer templos à virtude” por ser também ela herdeira das guildas construtoras da Idade Média. Assim, de modo alegórico, a Moderna Maçonaria mantém o desiderato de “construir, erigir, erguer”, mas nesse caso, o de templos simbólicos que sugestivamente se refletem na construção de um monumento à virtude universal.
Quanto às “masmorras ao vício” a expressão é no sentido de luta da Sublime Instituição em favor dos bons costumes e em oposição ao hábito desregrado que arrasta o homem para o mal (o vício). 

Em síntese as expressões conjuntas denotam um dos maiores objetivos da Maçonaria como construtora social especulativa – que o bem se erga tal como um templo edificado com perfeição e que o mal seja sepultado na profundidade das masmorras para que os seus efeitos caiam no perpétuo esquecimento. Tudo lembra trabalho em prol de alguma coisa (erguer e cavar).

É muito provável que as expressões tenham sido adotadas ou criadas por pensadores maçônicos franceses que organizaram e adaptaram a dialética dos rituais latinos.

Por fim, eu não teria de momento como lhe responder se a origem das expressões “templos à virtude” e “masmorras ao vício” se deu por um dos exemplos citados na sua questão. Penso que o mais provável seja pelo liame histórico entre passado operativo e o moderno especulativo. Outras concepções de minha lauda podem ser encontradas em:iblanchier3.blogspot.com/2016/04/levantar-templos-virtude.html

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br