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PERGUNTAS & RESPOSTAS

O “Perguntas & Respostas” que durante anos foi publicado no JB News e aqui reproduzido, está agora no “Blog do Pedro Juk” . Para visita-lo ou tirar suas dúvidas clique http://pedro-juk.webnode.com/ ou http://pedro-juk.blogspot.com.br

sábado, 12 de junho de 2021

GRANDE LOJA E GRANDE ORIENTE - DIFERENÇAS

GRANDE LOJA E GRANDE ORIENTE - DIFERENÇAS

Em 28.09.2020 o Respeitável Irmão Wellington Sampaio, Loja Paz e Progreso III, nº 1, Oriente de Maceió, Estado de Alagoas, solicita esclarecimentos para o que segue:

RITOS MAÇÔNICOS E A GRANDE LOJA

Se possível gostaria da ajuda do Irmão no sentido de esclarecer uma dúvida, qual seja: recentemente surgiu uma discussão no âmbito da Grande Loja do Estado de Alagoas (GLOMEAL) sobre a possibilidade de serem admitidos outros ritos, além do REAA, entre as lojas jurisdicionadas e, diante disso, veio o questionamento se isso contraria alguma norma, tácita ou não, pois há o entendimento, por parte de alguns irmãos (dos quais me incluo), que Grande Loja admite apenas lojas de um mesmo rito; e que lojas de ritos diferentes configuraria um Grande Oriente. Procede esse posicionamento? Se sim, há algum dispositivo legal que corrobore esse pensamento?

Busquei dirimir tal dúvida em várias fontes, no entanto, sem sucesso. Teria como o Irmão ajudar a pacificar essa celeuma?

CONSIDERAÇÕES:

Em que pese alguns autores como Jules Boucher afirmarem que o sistema Grande Loja se caracteriza por só admitir um rito, isso atualmente não faz nenhum sentido.

O título distintivo de Grande Loja dado a uma obediência maçônica surgiu com o marco inicial da Moderna Maçonaria em 1717, ano em que seria fundada a primeira Grande Loja em Londres e Westminster a 24 de junho.

Com a fundação dessa Grande Loja no primeiro quartel do século XVIII, era também inaugurado o primeiro sistema obediencial do mundo, ou seja, o de ter um Grão-
Mestre como seu dirigente maior. Para tal, a Grande Loja londrina de 1717 elegeu o gentleman Mister Anthony Sayer para ser o seu primeiro Grão-Mestre.

Quanto ao título distintivo de Grande Oriente para uma obediência maçônica, o mesmo foi aplicado pela primeira vez na França.

Em que pese alguns historiadores afirmarem que desde 1728 na França também existisse um sistema obediencial à moda inglesa, inclusive bastante influenciado pela primeira Grande Loja bretã, é somente em 1738 que iria ser legitimamente formada uma primeira Grande Loja em território francês - a Grande Loja da França (essa não é a atual G∴L∴F∴).

Assim, em 1771, tendo à frente o Grão-Mestre Louis Philippe Joseph d’Orléans, o Duque de Chartres, era realizada a grande reforma administrativa na combalida e desorganizada maçonaria francesa daquele período. Dentre outros, a reforma focava principalmente em combater a hegemonia das Lojas de Paris e seus veneralatos vitalícios (vide essa história) e estabelecia a eleição para veneráveis. Era então substituído o nome de Grande Loja da França por Grande Oriente da França.

Contextualmente pode-se dizer então que o nome Grande Loja como um sistema obediencial nasceu na Inglaterra em 1717 e que com essa mesma finalidade o nome de Grande Oriente foi aplicado na França em 1771.

Como federações ou confederações formadas pelo mínimo de três Lojas maçônicas, uma Grande Loja ou um Grande Oriente constitui-se numa Obediência ou Potência maçônica. Diferenças que porventura possam existir entre elas são de caráter administrativo.

Ser uma Grande Loja por adotar apenas um rito e um Grande Oriente por aceitar mais do que um rito, não me parece ser uma qualificadora titular apropriada.

Sobre essas colocações, um aspecto para ser considerado é o de que a profusão de ritos maçônicos ganhou força nos séculos XVIII e XIX. Na Inglaterra, por exemplo, após o final das escaramuças entre os Antigos e os Modernos era definida a forma de trabalho após o ato de união de novembro de 1813. No sistema da Grande Loja, agora Unida da Inglaterra, o craft (ofício) não adota ritos, contudo, workings, ou seja, formas de trabalhos rituais que seguem uma estrutura periodicamente demonstrada pela Grande Loja. É bom que se diga que uma das características da maçonaria inglesa é respeitar o regionalismo cultural das diversas regiões inglesas.

A Grande Loja inglesa, por si só já quebra a colocação de Jules Boucher quando ele menciona a prática exclusiva de um rito para caracterizar uma Grande Loja. Por exemplo, a Grande Loja Unida da Inglaterra, como “Grande Loja”, adota vários trabalhos (workings) como o de Emulação que é uma Loja de aperfeiçoamento e demonstração; o dos trabalhos de Bristol, do Claret, do West-End, do Taylor’s, do Humber, do Sussex, etc. Isso quer dizer que por mais próximos que esses trabalhos estejam uns dos outros dentro do Craft, é inquestionável que existem entre eles diferenças, em alguns aspectos, na forma de trabalho ritualístico. Na verdade, é a razão dos diferentes nomes dados aos trabalhos maçônicos regionais em solo inglês.

Vale a pena mencionar que a Grande Loja Unida da Inglaterra não nomina suas formas de trabalho como “rito”, o máximo que ela pode aceitar é o termo “ritual”, embora na Inglaterra eles oficialmente não sejam editados. No Craft, cada costume regional de liturgia maçônica é conhecido por “trabalho”. Os ingleses conservam uma única espinha dorsal para ele, contudo, conforme a região de origem eles possuem características próprias.

No Brasil, as Grandes Lojas Estaduais (CMSB) surgidas da cisão no GOB em 1927, em princípio praticavam apenas o REAA, entretanto, atualmente essa não tem mais sido regra. Assim também existem outras Grandes Lojas espalhadas pelo mundo, sendo que cada uma delas têm as suas particularidades e podem adotar mais de um rito se lhes for conveniente.

Nesse sentido, não dá para se afirmar peremptoriamente que uma Grande Loja se caracteriza por apenas praticar um único rito. Pelo menos não dá para generalizar esse conceito.

No tocante ao título “Grande Oriente”, sistema administrativo obediencial criado na França e difundido principalmente nos países latinos, se caracteriza naturalmente pela adoção plural de ritos.

Quando o Grande Oriente nasceu na França, ele logo se deparou com vários ritos oriundos dos dois troncos maçônicos praticados em solo francês. No caso, os ritos Moderno ou Frances, REAA, Rito Adonhiramita, etc. Todos eles na época acabariam trabalhando sob a égide do Grande Oriente da França. É certo, portanto, que no Grande Oriente, pelas circunstâncias da sua história, existe pluralidade de ritos.

Espalhados por outros países do mundo, tanto os Grandes Orientes, assim como as Grandes Lojas, acabariam se caracterizando como sistemas obedienciais que governam tantos quantos forem os ritos adotados, podendo, eventualmente, uma Grande Loja possuir apenas um rito, contudo isso não é regra para torna-la uma Grande Loja.

Há ainda um aspecto para ser considerado. Em muitos países, principalmente os latinos como a França, Brasil, Portugal, Espanha, Itália, etc., existem Grandes Lojas e Grandes Orientes, contudo, vale observar que essa não é uma característica comum nos países anglo-saxônicos. Nestes é corriqueira a presença apenas da Grande Loja.

Para concluir, é de se compreender que o número de ritos adotados não é condição para ser chamar “Grande Loja” ou “Grande Oriente”. Mais comum é admitir que a denominação “Grande Loja” é filha da Inglaterra e Grande Oriente filho da França. Diferença entre ambas é mesmo de caráter administrativo, nunca de adoção de ritos.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

PAINÉIS E TAPETES

 

O PRIMEIRO INICIADO DO MUNDO

O PRIMEIRO INICIADO DO MUNDO
Autor: José Maurício Guimarães

As pessoas adstritas ao simbolismo ou pouco versadas na simbologia debocham e riem do Reverendo James Anderson (1680-1739) atribuindo a ele a frase:

“Adão foi o primeiro maçom, iniciado por Deus no paraíso.”

Se verificarmos o texto original de “The Constitution of The Fraternity of Accepted Free Masons” (Constituições de Anderson, 1723) veremos que Anderson escreveu o seguinte:

“Adão, nosso primeiro Antepassado (first Parent), criado a partir da Imagem de Deus, o Grande Arquiteto do Universo, deve ter tido as Ciências Liberais, especialmente a Geometria, escritas em seu Coração (written on his Heart) pois mesmo desde a Queda, encontramos os Princípios dela nos Corações de seus descendentes e que nos processo do tempo (in process of time), têm sido depuradas em um conveniente Método de Proposições, pela observação das Leis das Proporções…”

O estudo do simbolismo e a simbologia parecem ser a mesma coisa. Mas são diferentes, tanto pelo objetivo quanto pelo método. Os expertos (e espertos) em SIMBOLISMO restringem-se à expressão e à interpretação de símbolos.

Já a SIMBOLOGIA estuda esses mesmos símbolos pelo prisma aprofundado do humanismo.

James Anderson era mestre em artes e doutor em teologia, quando redigiu a Constitution of Free Masons, Jean Théophile Desaguliers estava ao lado dele. Desaguliers era membro da Royal Society de Londres, assistente de Isaac Newton, professor de filosofia, inventor do planetário e terceiro Grão-Mestre da Grand Lodge of England, entre 1719 e 1720, e um dos pais da moderna maçonaria.

Os textos atribuídos a James Anderson foram compilados sob a supervisão de Desaguliers. Rir de Anderson é um apanágio daqueles que se julgam à altura de rir da simbologia, dos graus acadêmicos M.A. e D.D. que o Reverendo possuía, do prestígio da Royal Society e da fundação da moderna maçonaria.

Partamos do princípio de que as ordens iniciáticas têm por objetivo despertar o potencial interior do ser humano e auxiliá-lo na redescoberta de sua relação com o Cosmos. Consideremos que cada pessoa seja portadora dos arquétipos que promovem sua evolução – arquétipos e leis escritos em seu Coração.

Partamos do princípio de que as ordens iniciáticas têm por objetivo despertar o potencial interior do ser humano e auxiliá-lo na redescoberta de sua relação com o Cosmos. Consideremos que cada pessoa seja portadora dos arquétipos que promovem sua evolução – arquétipos e leis escritos em seu Coração.
  • um Mestre primordial (Deus ou Imagem [representação] de Deus);
  • uma transmissão de potencialidades básicas (iniciação);
  • um recipiendário (Adão ou, se preferirem, nosso primeiro pai – first parent);
  • uma escola (templum – paraíso) preparado para aquele remoto cerimonial.
Quem estuda SIMBOLOGIA reconhece na afirmação do Dr. James Anderson os quatro pontos necessários para a comunicação de um pensamento sob forma figurada – uma ciência livre (liberal science) em especial as justas e perfeitas proporções (Geometria) gravadas em seu íntimo (Coração).

O Adão a que Anderson se refere é o Adamah hebraico ou “criatura feita da mãe-Terra”. O Deus Iniciador é o (ainda) Desconhecido e Inefável. A comunicação alegórica (iniciação no paraíso) deve ser compreendida mediante vários aspectos:
  • No primeiro estágio da inteligência, o objeto comunicado passa pelas funções psíquicas da percepção e do julgamento: vejo isso; isso é bom ou é mal! – alegoria da árvore do conhecimento do bem e do mal;
  • No segundo estágio, mais evoluído, ocorre a decomposição do objeto através da razão – O que é isso? Como é isso?;
  • No terceiro, há uma transcendência, pela contemplação e pela iluminação, daquilo que foi comunicado – é o daqui para onde.
Se não conseguimos conceber o conhecimento primordial, a forma de transmissão havida a priori (tempo) e uma objetividade factual (espaço) é porque estamos formal e prematuramente iniciados. Se não temos a percepção, o julgamento e o raciocínio superior, não podemos contemplar em conformidade com os três estágios mencionados. O despertar daquele potencial interior torna-se impossível e o reencontro do homem com o transpessoal, uma utopia.

É verdade que convivemos com pessoas que, apesar de terem recebido a iniciação apenas formal, negam os princípios da transmissão primordial. Por causa disso o formalismo e o ritualismo tendem a suplantar o conteúdo filosófico nas Ordens e nas Lojas que as compõem.

Por outro lado, é justamente nessa relação entre o Mestre primordial (Deus) e o recipiendário inocente (Adão/Adam/Adamah) que reside a tradição judaica, os cânones da cabala e sua relação mais íntima com as iniciações (especialmente a maçônica).

Vou além: mesmos as religiões – monoteístas ou politeístas – partem de princípios idênticos ao Bereshit hebraico seguido do Adam Kadmon – homem arquetípico ou anthropos – elementos cuja verdadeira compreensão e realização determinam o nível de evolução alcançado pelo discípulo, pelo aprendiz e pelos que almejam a maestria. Religiosos ou não, mesmo os mais radicais, céticos e materialistas admitem um process of time – processo do tempo nas palavras de Anderson, que equivale aos enunciados da evolução.

Quando o Dr. James Anderson sugeriu que Adão fora o primeiro maçom, iniciado por Deus no paraíso, ele quis expressar a seguinte verdade: o homem traz dentro de si (written on his Heart) as ferramentas necessárias para construir uma relação harmoniosa com seus semelhantes (templo-outro), com o templo-planeta e o templo-universo.

Todo aquele que bate nos portais da Iniciação é um Adão (Adamah) que retoma um lugar entre nós, na oficina do cosmos, dispondo-se a utilizar os instrumentos de trabalho – “especialmente a Geometria”, diz Anderson referindo-se alegoricamente à Moral das justas e perfeitas proporções entre o homem e seu meio.

Fonte: https://opontodentrocirculo.com

sexta-feira, 11 de junho de 2021

MAÇONARIA PROGRESSISTA

MAÇONARIA PROGRESSISTA
(republicação)

Em 23/03/2017 o Respeitável Irmão Fabrício Osti de Melo, Loja 15 de Março, 70, REAA, Grande Oriente Paulista (COMAB), Oriente de Teodoro Sampaio, Estado de São Paulo, solicita o seguinte esclarecimento:

Respeitosamente venho beber de seu conhecimento para esclarecer uma dúvida conceitual que nasce na contraposição, a meu ver, entre os movimentos sociais contemporâneos e os preceitos da Sublime Ordem.

Nosso Ritual do REAA traz, em diversas oportunidades, o conceito que define a Maçonaria, entre outros adjetivos, como Instituição Progressista.

Pode-se, primeiramente, definir Progressismo como: “refere-se a um conjunto de doutrinas filosóficas, éticas e econômicas baseado na ideia de que o progresso, entendido como avanço científico, tecnológico, econômico e social, é vital para o aperfeiçoamento da condição humana. Essa ideia de progresso integra o ideário iluminista e tem como corolário a crença de que as sociedades podem passar da barbárie à civilização, mediante o fortalecimento das bases do conhecimento empírico. O progressismo está ligado à ideia de "progresso infinito" mediante transformações da sociedade, da economia e da política. A ideia de progresso, por sua vez, é frequentemente relacionada com o evolucionismo e o positivismo”.

Ao mesmo tempo, é perceptível que nosso conceito de “bons costumes”, está intimamente ligado a valores Conservadores de família e religião (não se tratando, aqui, de uma especificidade religiosa), como exemplifica nosso Ritual ao trazer: “Um Maçom tem por dever obedecer à Lei Moral (...) nunca será um ateu nem um libertino irreligioso.” (grifo nosso)

Sabemos que, por anos, fomos paulatinamente doutrinados por uma ideologia que praticamente condenou, humilhou e desacreditou o conservadorismo, em prol de uma agenda obscura de objetivos incertos.

Assim, o conflito nasce, sob meu ponto de vista, quando observamos a exegese do conceito de Progressismo atual que traz: “também pode ser vinculado a posições político-filosóficas ligadas ao reformismo e opostas ao conservadorismo. Contemporaneamente, o progressismo também tem sido associado à luta por direitos civis e individuais, bem como a movimentos sociais, como o feminismo, o ambientalismo, o secularismo, o movimento LGBT (diversidade sexual) e o movimento negro, entre outros.” (grifo nosso)

Desde modo, e em sua sábia opinião, como devemos nós, os Maçons, e consequentemente a Maçonaria em geral, nos portarmos quando confrontados com esse embate entre Progressismo e Conservadorismo? Devemos ser progressistas a tal ponto de, por exemplo, aceitarmos em nossas colunas “homens transexuais” (gênero humano nascido mulher, mas que se considera homem)? Ou até mesmo mulheres, em conformidade com o preceito feminista de direitos iguais? Deixemos de lado, em nossa vida profana, a Moral Judaico-Cristã em prol da agenda Progressista de liberação das substâncias entorpecentes (drogas), aborto, fim das religiões em favor ao Estado, entre outros? Pode o Progressismo subverter a Tradição?

Cordialmente despeço-me, desculpando-me pelo prolongamento da explanação, e por qualquer afirmação que hipoteticamente possa vir a ofender os Irmãos, o que jamais foi minha intenção.

CONSIDERAÇÕES:

Entendo que a Moderna é progressista porque ela acompanha a evolução da ciência e das artes trabalhando incessantemente para o aperfeiçoamento moral da humanidade observado os ditames da Lei de cada Nação.

Quanto às transformações sociais, sobretudo as que envolvem os usos e costumes, é assunto complexo e assim peço vênia para não comentá-los, até porque eu penso que não tenho competência para tal, principalmente pelo vasto campo no elemento contraditório que envolve a questão, ponderando-se que a moral e os “bons costumes”, em muitos dos seus aspectos, só mesmo são definidos de acordo com as latitudes terrenas.

Por outro lado, no caso da Maçonaria, existem ainda nuances particulares inerentes às Constituições e os Regulamentos de cada uma das suas Potências, cujas bases são amparadas pelos lindeiros (limítrofes) da Ordem, comentados e definidos segundo a visão dos verdadeiros Landmarks (os imemoriais, os espontâneos e os universalmente aceitos). Isso em qualquer opinião deve ser amplamente levado em conta.

Nem sempre, em se analisando a evolução e os objetivos das Instituições, sejam elas religiosas ou filosóficas, nos cabe simplesmente compreendê-las pelas definições exaradas nos diversos dicionários vocabulares. Há também que se observar, que certas mudanças sociais e de costumes, se simplesmente adotadas, dependendo do caso, podem inclusive alterar substancialmente a razão da existência e do objetivo de uma Instituição – é o caso da Maçonaria, por exemplo.

Entendo que é ofício das nossas autoridades maçônicas a manutenção dos nossos usos, costumes e das nossas práticas consuetudinárias. É deles a competência de manter ou não os nossos “limites”, ou mesmo alterá-los, sem nunca se esquecer de que mudanças e adaptações dependem de reconhecimento para que lhe seja dada a regularidade.

Para não fazer nenhum juízo de valor antecipado e nem preconceituoso, eu devo salientar que não tenho nenhuma opinião formada sobre a questão de o progressismo poder subverter a tradição, até porque cada pensamento, seja ele de ordem prática ou filosófica, deve nele existir um critério próprio para suportar uma análise mais crítica. Aliás, eu penso que para tudo deve existir limite e equilíbrio - é o que eu entendo por bom senso.

Sob a minha óptica eu aprendi a ser tolerante, mas não indulgente. Num caso que porventura possa envolver reformas por movimentos sociais, tais como os mencionados na sua questão, eu prefiro seguir o ditame da prudência. Se por acaso eu entender que o progresso feriu a tradição ao ponto de transfigurar a existência e a essência da Maçonaria, gentilmente e exercendo o meu direito de liberdade, eu pedirei para me retirar.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

O MAÇOM E O ALFAIATE

O MAÇOM E O SÁBIO ALFAIATE
Repasse: Ir∴ Pradinho 
(joseosvaldoprado@sercomtel.com.br)

Um dia um homem recebeu a notícia de que seria iniciado Maçom.

Ficou tão eufórico que quase não se conteve:

- Serei um grande homem agora - disse a um amigo - Preciso de roupas novas, imediatamente, roupas que façam jus à minha nova posição na vida.

Conheço o alfaiate perfeito para você - replicou o amigo - É um velho sábio que sabe dar a cada cliente o corte perfeito. Vou lhe dar o endereço.

E o novo Maçom foi ao alfaiate, que cuidadosamente tirou suas medidas.

Depois de guardar a fita métrica, o homem disse:

- Há mais uma informação que preciso ter.

- Há quanto tempo o senhor é Maçom?

- Ora, o que isso tem a ver com a medida do meu balandrau? - perguntou o cliente surpreso.

- Não posso fazê-lo sem obter esta informação senhor. É que um Maçom recém iniciado fica tão deslumbrado que mantém a cabeça altiva, ergue o nariz e estufa o peito. Assim sendo, tenho que fazer a parte da frente maior que a de trás.

Anos mais tarde, quando está ocupado com o seu trabalho e os transtornos advindos da experiência que o tornam sensato, e olha adiante para ver o que vem em sua direção e o que precisa ser feito a seguir, aí então, costuro o balandrau de modo que a parte da frente e a de trás tenham o mesmo comprimento.

E mais tarde, depois que o maçom está curvado pela idade e pelos anos de trabalho cansativo, sem mencionar a humildade adquirida através de uma vida de esforços, então faço o balandrau de modo que as costas fiquem mais longas que a frente.

Portanto, tenho que saber há quanto tempo o senhor foi iniciado para que a roupa lhe assente apropriadamente.

O novo Maçom saiu da alfaiataria pensando menos no balandrau e mais no motivo que levara seu amigo a mandá-lo procurar exatamente aquele alfaiate.

Fonte: JBNews - Informativo nº 128 - 02/01/2011

quinta-feira, 10 de junho de 2021

INSTALAÇÃO E POSSE NO DIA DE SÃO JOÃO

Em 28/09/2020 o Respeitável Irmão José Aparecido dos Santos, Loja Justiça 12, GOB (COMAB), REAA, Oriente de Maringá, Estado do Paraná, apresenta o que segue:

INSTALAÇÃO E POSSE VENERÁVEL MESTRE - DIA DE SÃO JOÃO - PADROEIRO DA MAÇONARIA

Fui Instalado e Posse de Venerável Mestre na ARGBLS Justiça 12 - Oriente de Maringá - Paraná, sendo no mês de São João - Padroeiro da Maçonaria, sendo uma data que vem se perpetuando por um longo tempo.

E o nosso Ano Maçônico sendo de junho a junho de cada ano, sendo que está sendo ventilado nos bastidores que a Eleição, Instalação e Posse dos Veneráveis Mestres, serão no mês de janeiro e não mais em junho.

Desta forma, a nossa pergunta e busca de informações, se a data do mês de junho para Instalação e Posse, tem algo nos Landmarks ou em algum livro e Constituição que estabelece desta forma ou seguindo o ano civil e não mais o Maçônico para Eventos Festivos?

Aguardando o vosso estudo e se temos algo embasado que é desta forma e que deve ser seguido.

CONSIDERAÇÕES:

Caro Irmão, como as datas comemorativas dos Joões se relacionam intimamente com períodos solsticiais, essas datas acabariam se tornando importantes para os franco-maçons desde a época da Maçonaria de Ofício do século XII, até a Moderna Maçonaria.

Nesse sentido, dois aspectos merecem ser ressaltados.

O primeiro deles se trata da influência religiosa oriunda da Igreja de Roma sobre as corporações de construtores da Idade Média (ancestrais da Maçonaria), já que os pedreiros medievais trabalhavam construindo principalmente para o clero que vinha em franca expansão desde o século XI.

Como profissionais a serviço da Igreja Estado, não é de se estranhar que os pedreiros livres passassem a ser protegidos pelo clero por uma boa parte da sua história.

O outro aspecto foi o relacionado diretamente ao ofício, ou a prática profissional da construção, já que essas corporações de canteiros atuavam principalmente no norte da Europa e da Grã-Brenha, latitudes onde o inverno era (e é) extremamente rigoroso. Com isso, o ofício ficava prejudicado pelos empecilhos dessa estação, o que fazia com que a prática profissional sofresse paralização no período hibernal.

Consoante às datas solsticiais do hemisfério Norte – verão e inverno – estarem associadas aos dois Joões, sobretudo pela implantação do cristianismo no Império Romano pelo Imperador Constantino Magno, consolidado posteriormente por decreto de Teodósio I, esse acontecimento obrigou a Igreja fazer acomodações no seu hagiológio na intenção de a ele adaptar algumas divindades pagãs oriundas de Roma. Um exemplo disso está na fixação pela Igreja do Natal em 25 de dezembro, destacando que no início do cristianismo os cristãos comemoravam o nascimento de Jesus em junho, época do verão pleno no Norte.

Por conta desse processo, a Igreja fixou o nascimento de João, o Batista, ou aquele que anteviu a Luz, na época de totalidade da Luz, ou seja, em pleno verão do hemisfério Norte. Assim, era estabelecida a data de 24 de junho para as comemorações alusivas ao Batista, certamente por estar próxima ao solstício de verão a 21 de junho.

Deste modo, a Igreja também nomeou João, o Evangelista, porém como aquele que pregou a Luz, constituindo sua data comemorativa a 27 de dezembro, estação de inverno no hemisfério Norte, cujo solstício ocorre a 21 de dezembro. Vale mencionar que foi também a Igreja que fixou a data do nascimento de Jesus Cristo a 25 de dezembro. Data do natal próxima ao solstício de Inverno no setentrião. Nesse contexto é atribuído a Jesus na qualidade Dele ser a “Luz do Mundo”.

Assim, João, o Batista é o personagem do cristianismo que no auge da Luz (verão) chega para anunciar a vinda da Luz. A Luz anunciada virá em plena escuridão (inverno) e tem a aspiração de “iluminar o Mundo”. Quanto ao João, o Evangelista, ele é o personagem do cristianismo que chegou no auge da escuridão (inverno) para difundir a Luz pelo mundo, isto é, pregar o evangelho do Cristo. Indisfarçavelmente toda essa alegoria religiosa é solsticial e provavelmente teve origem nos cultos solares da antiguidade – do mitraísmo persa, Igne Natura Renovatur Integra; do mitraísmo romano, Natalis Invicti Solis.

Nesse sentido, as corporações de ofício, ancestrais da Maçonaria, receberiam essa influência místico-religiosa.

Quando alguém era escolhido para ser feito maçom, um Aprendiz Admitido, por exemplo, por tradição e costume o ato ocorria geralmente num dos períodos solsticiais. Nessa ocasião, numa clara influência religiosa, o recipiendário prestava, na forma de costume, a sua obrigação diante do Evangelho de São João.

Foi graças a essa prática que as Lojas dos pedreiros ficariam conhecidas como as Lojas de São João.

Sobre o uso da Bíblia nas ocasiões de admissões, um fato merece ser abordado: nos tempos da maçonaria primitiva não existiam exemplares da Bíblia disponíveis facilmente como os que hoje encontramos. Na verdade, o volume da Lei Sagrada era propriedade exclusiva da Igreja Católica e nem as famílias mais abastadas tinham o direito de tê-la.

Além disso, havia a particularidade de que o volume da Lei Sagrada era escrito em pergaminho e a mão, o que lhe dava a característica de manufatura em um exemplar volumoso, pesado, de difícil manuseio e transporte.

Com isso era comum que nas lojas operativas, quando ocorria a aceitação de um novo membro do Craft, este prestava a sua obrigação sobre uma folha de pergaminho que trazia nela apenas escrito “São João”, ou “Evangelho de São João”. A bem da verdade isso servia para simular a presença volumosa, incômoda e pesada do Livro da Lei que era ainda manuscrito. Somente mais tarde, com o aparecimento da máquina de impressão inventada por Johannes Gutemberg em 1430 é que a Bíblia impressa se tornaria mais acessível.

Graças a esses fatos é que os Joões acabariam se consolidando como personagens patronais na Maçonaria transpassando do período operativo ao especulativo e se consagrando na Moderna Maçonaria com a fundação da Primeira Grande Loja em Londres e Westminster que, segundo a narrativa escrita de James Anderson, se deu a 24 de junho de 1717, dia de São João.

Vale mencionar que com a fundação dessa primeira Grande Loja era também inaugurado o primeiro sistema obediencial do mundo, cuja característica principal foi a de trazer um Grão-Mestre como seu dirigente maior.

O primeiro Grão-Mestre eleito dessa Grande Loja foi o Companheiro Anthony Sayer (ainda não existia o grau de Mestre) que foi empossado também no dia 24 de junho de 1717, dia de João, o Batista, verão no hemisfério Norte.

Com base nessa tradição é que na Moderna Maçonaria a maioria das Obediências e as suas respectivas Lojas dão posse aos seus dirigentes no dia de João, o Batista. Contudo, vale mencionar que muitas Obediências e Lojas (Escócia por exemplo) dão posse aos seus dirigentes no dia 27 de dezembro, dia de João, o Evangelista, inverno no hemisfério Norte.

No que diz respeito à possibilidade de as datas das posses estarem ligados a algum Landmark da Ordem, creio que não, até porque essa prática se correlaciona de fato com tradições, usos e costumes da Maçonaria, o que não pode ser confundido especificamente com um Landmark (imemorial, espontâneo e universalmente aceito).

Por fim, cabe considerar que o misticismo dos ciclos da Natureza sempre teve relação com as alegorias iniciáticas da Maçonaria. Independente de qual vertente maçônica o rito ou ritual pertença, sempre haverá nele algum aspecto relacionado à Luz. Até os calendários adotados pela Sublime Instituição se relacionam com os ciclos naturais e a sua renovação – conforme o calendário o ano maçônico pode iniciar no dia 1º ou 21 de março (equinócio de primavera no Norte). Alguns calendários, entretanto, foram adaptados ao mês de junho para coincidir com as posses administrativas. No Brasil a maioria das posses se dá no dia 24 de junho (ou próximos a ele), refletindo, provavelmente, a data da posse do primeiro Grão-Mestre da primeira Grande Loja de Londres e Westminster que se deu nessa data no século XVIII. Posses no dia de João, o Evangelista, por aqui não ocorrem porque nessa data a Maçonaria brasileira costumeiramente se encontra em férias.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

FRASES ILUSTRADAS

 

A MAÇONARIA OFERECE O QUE?

A MAÇONARIA OFERECE O QUE?
Ir.·. Antonio Rocha Fadista – M.·.I.·.

A Maçonaria, na sua forma atual, existe há quase 300 anos. Ao longo dos séculos, sempre houve associações parecidas com a nossa Fraternidade. Tais grupos apareceram em muitos lugares e em diferentes épocas, pelo simples fato de que o homem é um ser social. Por sua natureza, ele tem necessidade de amizade, de amor e de associação com o seu semelhante.

O que é a Maçonaria atual? Resumidamente, é uma organização de homens que acreditam em Deus como seu criador, na Irmandade entre os Homens e que usam as ferramentas dos construtores como símbolos para ensinar as verdades morais. Deste modo, ela convoca os seus membros para a prática do Amor, da Solidariedade e da Tolerância.

No início da civilização, o homem teve de enfrentar inúmeras dificuldades como a fome, a doença e os elementos. Porém Deus deu-lhe a memória para que ele se beneficiasse da sua experiência. Mais tarde, Deus também o presenteou com o dom da comunicação, para que pudesse dividir esta experiência com os demais. Ao longo dos séculos, o homem aumentou os meios de produção de alimentos, descobriu a cura para muitas doenças e aprendeu a resolver a maior parte dos problemas da vida diária.

Contudo, o progresso tecnológico não levou o homem ao seu aperfeiçoamento moral. Apesar de todo o conforto de que dispomos no mundo moderno, não encontramos a felicidade, a paz e a tranqüilidade.

Se olharmos ao nosso redor, o que encontramos são indivíduos frustrados em busca de mais “direitos”, cada um desejando mais “segurança” para enfrentar os problemas das comunidades, agravados pelas guerras existentes em muitos lugares do mundo. O quê então nos oferece a Maçonaria que possa melhorar o mundo moderno?

Em primeiro lugar, a Maçonaria não é um “produto de massas”. Ela funciona com o indivíduo e através do indivíduo, onde cada membro é iniciado e instruído individualmente. As comunidades são constituídas por indivíduos que só podem ser felizes se cada um de seus membros também o for. Na Maçonaria, o ser humano está acima de tudo. Ela nos ensina que, acima de tudo, está a felicidade de cada um dos seus membros.

Em segundo lugar, a Maçonaria está entre as instituições que proclamam o princípio da existência de Deus e a crença na imortalidade. A crença em Deus é a sua pedra fundamental. A Maçonaria não se preocupa com os dogmas ou com a teologia de nenhuma religião. Ela também não nos diz como Deus se manifesta ao homem, ou como o homem se deve identificar com Deus.

A Maçonaria tenta, sim, enriquecer a crença de seus membros em Deus, instruindo-os na lei moral e nos segredos da natureza e da ciência. Por isso mesmo, a Maçonaria prega a tolerância às crenças religiosas de todos, de modo que todos possam se reunir e trabalhar em completa harmonia. Só existe um Deus, não importando o nome que se Lhe dê.

Ao longo dos séculos a Maçonaria tem incentivado os homens de todas as crenças a se reunirem em harmonia, cada um respeitando a crença do outro, exigindo apenas a sua crença em Deus. É a única Instituição em todo o mundo que não permite a discussão religiosa e a política sectária em seus Templos.

Em terceiro lugar, a Maçonaria é a sucessora das Guildas de Construtores da Idade Média, e nela a palavra “trabalho” é fundamental, em sua filosofia e em suas cerimônias.
Hoje em dia, cada vez mais predomina o desejo de se conseguir tudo em troca de nada. As loterias, as corridas de cavalos, os cassinos e muitas outras atividades semelhantes, oferecem o paraíso sem nenhum esforço. Por outro lado, sabemos que a riqueza, honestamente conseguida, é o resultado do trabalho com os recursos naturais, criando e produzindo algo de útil.

Nossos antepassados eram trabalhadores manuais da pedra e tinham o seu próprio sistema para ensinar os jovens a trabalhar e a desenvolver as suas habilidades. A idéia de “trabalho” está presente em tudo na Maçonaria. O Mundo precisa re-aprender que o trabalho é honrado, que é necessário e que nos aproxima de Deus. Rui Barbosa, nosso Irmão, assim se expressou na Oração aos Moços:

“Oração e trabalho são os recursos mais poderosos na criação da moral do homem. A oração é o íntimo sublimar-se d’alma pelo contato com Deus. O trabalho é o inteirar, o desenvolver, o apurar das energias do corpo e do espírito, mediante a ação contínua de cada um sobre si mesmo e sobre o mundo onde labutamos. O indivíduo que trabalha, acerca-se continuamente do autor de todas as coisas. Quem quer, pois, que trabalhe, está em oração ao Senhor”. A Maçonaria tomou a idéia do trabalho dos Maçons operativos e a converteu em símbolo. Os Maçons de hoje são construtores de caracteres, pelo estudo e pelo aperfeiçoamento das suas qualidade morais e espirituais.

Em quarto lugar, a Maçonaria proporciona o contato social e o desenvolvimento da amizade entre os Irmãos. O sentimento de “pertencer” é parte inerente a todo o ser humano. Ninguém sobrevive isolado do mundo. Para ser feliz, o homem precisa pertencer a uma família, a uma comunidade ou a uma instituição.

A Maçonaria é a Instituição que melhor preenche este propósito. Em seu glorioso passado, todos os grandes homens foram Maçons, não só devido aos ensinamentos que a Sublime Ordem proporciona aos seus membros, mas também pela oportunidade que ela oferece de servir ao gênero humano.

Este elemento é o que os psicólogos chamam de “sentimento de importância”. Para se sentir feliz, cada pessoa precisa sentir-se “importante” para alguém ou para alguma coisa. A Maçonaria proporciona o desenvolvimento deste sentimento, não só pelo orgulho de pertencer à Instituição mais fraterna que existe, mas também pelas muitas oportunidades de servir como oficiais, de praticar a solidariedade, de visitar Irmãos doentes etc. Isto dá aos seus membros o sentimento de que são importantes, para os seus Irmãos e para a Instituição.

Aqui, novamente sublinhamos a importância do indivíduo, ao invés da importância do grupo. Este é um dos elementos mais intangíveis e sutis da Maçonaria, na busca da felicidade de seus membros. Alguém já disse que, se o homem é feliz, também o será a comunidade e o país onde ele vive; e se as nações são felizes, o mundo estará em paz. Em quinto lugar, a Maçonaria oferece uma filosofia de vida. Todos os graus Maçônicos foram desenvolvidos com o objetivo de transmitir a cada Irmão as verdades morais básicas.

Mas por quê as instruções Maçônicas são ministradas a portas fechadas, se elas são tão benéficas? A resposta reside na própria natureza do homem. O que é aberto a todos se torna lugar comum e não chama a atenção. O que é oculto, o que é buscado, o que é pesquisado, é mais atrativo e maior interesse desperta no ser humano.

Não devemos esquecer também que as instruções Maçônicas são transmitidas com a utilização dos símbolos, facilitando um aprendizado mais efetivo. Uma instrução pode ser ministrada com maior aproveitamento e com muito menos palavras, pela simples descrição do significado de um símbolo.

Na busca do significado dos símbolos aprendemos a adorar a Deus, servindo ao nosso semelhante. Através deles aprendemos sobre a Tolerância, dentro dos limites da Moral e da Razão, bem como sobre a Solidariedade em relação aos necessitados. Além disso, as instruções Maçônicas são transmitidas sem qualquer referência a dogmas ou a credos sectários.

Em resumo, a Maçonaria enfatiza a importância do indivíduo; a crença na Irmandade do Homem sob a paternidade de Deus; o conceito da dignidade do trabalho; a oportunidade de realizar as aspirações sociais de cada um de modo moralmente construtivo, e uma filosofia de vida que pode levar a felicidade ao homem e à sua comunidade.

Sem dúvida, o século vinte e um necessitará de tudo o que a Maçonaria oferece à Humanidade.

Fonte: http://www.brasilmacom.com.br

quarta-feira, 9 de junho de 2021

AUTORIDADE PARAMENTADA USANDO BALANDRAU

Em 23.09.2020 o Respeitável Irmão Gilson Ribeiro, Loja Pentalfa, 2.667, REAA, GOB-SP, Oriente de São José do Rio Preto, Estado de São Paulo, apresenta a questão seguinte:

USO BALANDRAU COM PARAMENTOS DEPUTADO ESTADUAL

Temos uma dúvida na questão de irmão do quadro que exerce atividade de deputado estadual e frequenta a oficina de balandrau utilizando os paramentos de deputado.

Alguns irmãos acreditam que deveria estar de terno, eu particularmente não concordo.

Qual a opinião do irmão?

CONSIDERAÇÕES:

Me parece que nada tem uma coisa a ver com a outra.

Vejamos, se a sessão for ordinária e o rito permitir, como é o caso do REAA que admite o uso do balandrau negro e talar (até os talões) nas sessões ordinárias, não há problema algum.

Para a turma aficionada no terno – que nem sempre é um terno, mas um parelho - é bom que se diga que os paramentos de um deputado maçônico geralmente constituem-se de um colar, joia e o avental especifico dessa autoridade. Quanto ao seu traje, terno ou balandrau, vai depender da circunstância e do rito. No caso da sua Loja que adota o REAA, é perfeitamente permitido que o seu Deputado vá às suas sessões ordinárias vestindo balandrau usando os paramentos que lhe competem. Isso se estende inclusive às visitas a outras Lojas em sessões ordinárias onde o rito admitir o uso do balandrau.

Ao que tudo indica, parece que ainda falta muito para que alguns Irmãos deixem de dourar a pílula e parem de dar tanto valor à fatos irrelevantes.

Ao concluir lembro que o balandrau, quando admitido o seu uso, deve ser negro, fechado até o colarinho, mangas compridas e de comprimento talar, isto é, até os tornozelos.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

MINUTO MAÇÔNICO

ESPERANÇA

1º - Uma das virtudes recomendadas aos Maçons, a Esperança é também uma das que formam a Escada de Jacó, sendo elas particularmente estudadas no grau de Rosa-cruz.

2º - Segundo a fábula, a Esperança era uma divindade que se supunha irmã do Sol e de Marte, porque o primeiro alivia e consola as penas, e o segundo põe termo às mesmas. Ficou só na Caixa de Pandora, para mostrar que a “Esperança é a última que morre”.

3º - Dois pecados são igualmente opostos à Esperança: a presunção que faz que o homem conte consigo e não com a graça divina, e o desespero, que consiste, para o pecador, em duvidar da bondade infinita de Deus.

4º - A Esperança é a segunda das virtudes teologais, aquela que nos faz esperar de Deus, com firme confiança, pelos méritos de Jesus Cristo, a graça durante a vida, o céu depois da morte.

5º - A Esperança é, pois, o resultado da Fé e da Caridade... A natureza faz dela um sentimento, a mitologia, uma divindade, e a religião uma virtude”. Entre os modernos, o seu emblema é uma âncora ou arco-íris, e a sua cor é verde.

Fonte: http://www.cavaleirosdaluz18.com.br

AS SETE LÁGRIMAS DE UM MAÇOM

AS SETE LÁGRIMAS DE UM MAÇOM

Autor W.W. da Matta e Silva, Adaptação Evanildo Bezerra de Queiroz, loj∴ ROMÃO GARCIA, OR∴ Ministro Andreazza RO

A primeira, eu dei a estes indiferentes que aqui vêm em busca de distração, para saírem ironizando aquilo que suas mentes ofuscadas não podem conceber...

A segunda a esses eternos duvidosos que acreditam, desacreditando, na expectativa de um milagre que os façam alcançar aquilo que seus próprios merecimentos negam.

A terceira distribuiu aos maus, aqueles que somente procuram a MAÇONARIA, em busca de vingança, desejando sempre prejudicar a um seu semelhante.

A quarta, aos frios e calculistas que sabem que existe uma irmandade e procuram beneficiar-se dela de qualquer forma e não conhecem a palavra gratidão.

A quinta, chega suave, tem o riso, o elogio da flor dos lábios mas se olharem bem o seu semblante, verão escrito:

A Maçonaria é a prática da beneficência e da investigação constante da verdade, Seus fins supremos são: LIBERDADE, IGUALDADE e FRATERNIDADE.

A sexta, eu dei aos fúteis que vão de loja em loja, que tem verdadeira psicose pelo poder, não acreditando em nada, buscam aconchegos e conchavos e seus olhos revelam um interesse diferente.

A sétima, filho, notas como foi grande e como deslizou pesada? Foi a última lágrima, aquela que vive nos "Olhos" de todos os mestres. Fiz doação dessas aos maçons vaidosos(as), que só aparecem na loja em dia de festa e faltam às doutrinas. Esquecem, que existem tantos irmãos precisando de caridade e tantas criancinhas precisando de amparo material e espiritual. Assim, meu irmão, foi para esses todos, que vistes cair, uma a uma.

Fonte: http://www.pedreiroslivres.com.br

terça-feira, 8 de junho de 2021

A PALAVRA BOAZ OU A SUA CORRUPTELA BOOZ?

Em 17/09/2020 o Respeitável Irmão Alexandre Leal, Loja Regente Feijó II, 1.256, REAA, GOB-RJ, Oriente de Três Rios, Estado do Rio de Janeiro, apresenta a questão seguinte:

BOAZ OU BOOZ

Meu irmão, escrevo em nome do irmão Dirceu Menezes. Ele realizou um trabalho recentemente sobre a palavra Booz. Após o trabalho conversamos e alguns irmãos opinaram e ele continuou o trabalho de pesquisa e bateu outras dúvidas. No Rito REAA, Bíblia e Escritores Maçônicos, qual é a maneira correta de escrever, pronunciar? Qual é o certo?

CONSIDERAÇÕES:

Vale antes mencionar que Boaz é um personagem bíblico presente no Antigo Testamento e citado no livro de Ruth e em I Crônicas. Filho de Raabe e Salmom (não é Salomão), tomou Ruth como sua esposa. Pai de Obed e pertencente à tribo de Judá, veio a ser o bisavô do rei Davi (pai do Rei Salomão). O termo também designa o nome de uma das colunas que se localizam no pórtico do primeiro Templo de Jerusalém, o atribuído ao Rei Salomão - I Reis, 7. No contexto dos pilares do pórtico do Templo, Boaz, em hebraico menciona: força, ou nele há força.

No que diz respeito à sua escrita, a grafia correta é BOAZ, e não BOOZ, vocábulo este que é desconhecido no vernáculo hebraico (vogais dobradas).

A bem da verdade, a corruptela BOOZ surgiu na versão bíblica da Vulgata, onde o erro acabou se perpetuando porque, segundo estudiosos sobre o assunto, a Igreja Católica resolveu respeitar o tradutor.

A palavra Vulgata é o título dado a tradução do grego para o latim da Bíblia, fato que se deu por determinação do Papa Dâmaso I e foi desenvolvida entre o final do século IV e início do século V por São Jerônimo. Diga-se de passagem, que nos primeiros séculos da nossa era, a Igreja Cristã servia-se, principalmente, do idioma grego. Traduzida a Bíblia para o latim, a versão da Vulgata começou paulatinamente a ser utilizada até ser definitivamente oficializada pelo Concílio de Trento (1545-1563).

No que menciona a versão bíblica da Septuaginta, dos Setenta, ou Alexandrina, ela adota a grafia hebraica correta, ou seja, BOAZ. A Septuaginta, que significa setenta, é uma versão muito antiga e se deu a partir da Bíblia hebraica (o Pentateuco, ou os cinco livros de Moisés) traduzida para o grego por volta de 275 a 100 a.C. A denominação “Septuaginta ou dos Setenta” se deve a um grupo de 72 anciãos judeus helenistas reunidos para fazer essa tradução. Quanto ao título Alexandrina, o mesmo ocorre porque essa versão foi feita no Egito com o objetivo de servir aos judeus helenistas (judeus de fala grega) que viviam, principalmente em Alexandria.

No contextual maçônico e o uso da palavra BOAZ, assim como o seu modo corrompido BOOZ, vale mencionar que quando houve a Reforma Protestante promovida por Martinho Lutero em 1517, na Bíblia traduzida do latim para o alemão aparece a palavra BOAZ.

Ainda, na concepção protestante inglesa de tradução bíblica, a corruptela BOOZ é completamente desconhecida. Nela a palavra aparece escrita como BOAZ.

Sob o ponto de vista de originalidade, vale repetir que em hebraico a palavra é BOAZ. A corruptela BOOZ é completamente desconhecida na língua hebraica. É simplesmente inexistente.

Sobre o uso dessas palavras na Maçonaria em geral, tanto a original como a sua corruptela, parece que é até compreensível também o uso de BOOZ, porém na vertente latina da Ordem, principalmente levando-se em conta de que nela há utilização da Vulgata como Livro da Lei. Já na vertente anglo-saxônica da Maçonaria, e por extensão na anglo-americana, onde a versão da Vulgata geralmente não é empregada, só a palavra BOAZ é utilizada.

Em relação à Maçonaria brasileira, que é filha espiritual da França, a corruptela BOOZ é também muito utilizada com frequência, contudo não é unanimidade, pois existem alguns rituais que preconizam o uso da palavra BOAZ.

Particularmente no REAA, que é um rito de origem francesa, mas que possui também influências algo-saxônicas graças a elaboração do seu primeiro ritual para o simbolismo (1804) estruturado sobre os costumes dos “Antigos”, BOAZ é utilizada, contudo em muitos países latinos ainda é encontrada a corruptela BOOZ.

Ainda em relação ao REAA e o caráter sigiloso que envolve a forma costumeira de transmitir essa palavra, consagrou-se o uso das duas palavras, isto é, conforme o ritual aprovado e a respectiva Obediência que o adota. Muitos desses rituais indicam apenas e tão somente a palavra abreviada na sua primeira letra, ficando as demais que a compõem conforme as versões bíblicas que pode ser BOAZ ou sua corruptela BOOZ.

Entendo que por ser a Maçonaria uma investigadora da Verdade, nela não deveria caber nenhuma contradição, ainda que embasada em tradições superadas. Ora, se a palavra correta é BOAZ, então por que a adoção de uma palavra de escrita equivocada? Por que disseminar uma palavra que não existe no seu vernáculo original? A resposta é que desafortunadamente alguns Irmãos ainda preferem alimentar a contradição sob o juízo de rituais antigos que perpetuam essa anomalia haurida de um equívoco de tradução.

De fato, espera-se que na medida em que determinados rituais brasileiros do REAA sejam revisados e novas edições venham aparecer, essa irregularidade deixe de existir de uma vez por todas no cobridor do grau.

Ilustrando, vou repetir mais uma vez um comentário feito pelo Respeitável Irmão Sérgio Kander em junho de 2014 e que eu o incluí numa resposta minha publicada no Blog do Pedro Juk em 2019. Esses comentários reforçam a grafia e a pronuncia correta da palavra:

“(...) acho que não se precisa nem de São Jeronimo, nem de Martin Luther (que não gostava de judeus), nem da Versão dos Setenta (feita para judeus tão helenizados que não sabiam mais ler hebraico). Peguem qualquer judeu que se preze (ou um que não se preza como eu) e vamos ao texto hebraico do Livro de Ruth. Está lá: Letra Beit (é o som do Bê, mais o sinal vocálico do som do Ó (é um pontinho), mais a letra Áiin com o sinal vocálico de A mais a letra Záin que sempre tem som de Zê. Resultado: BOAZ. (a) Sérgio Kander”.

Certamente que as colocações do Irmão Sérgio acima ajudam a pôr um ponto final nesse assunto.

Quanto à forma iniciática-maçônica de transmití-la no REAA, em qualquer circunstância (original ou corruptela) se trata de um modo velado da pronúncia de uma palavra privada, sobretudo levando-se em conta que iniciaticamente essa P∴ S∴ representa o início da jornada do Apr∴ que s∴ s∴ s∴.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: http://pedro-juk.blogspot.com.br

JACQUES DEMOLAY - NOSSO ETERNO ESPELHO

JACQUES DEMOLAY - NOSSO ETERNO ESPELHO

Pobres Cavaleiros de Cristo, cuja missão era proteger os cristãos peregrinos que se dirigiam ao Santo Sepulcro, à época das Cruzadas, e que, tendo enriquecido excessivamente, suscitou a cobiça dos reis e do alto clero.Tendo nascido em Besançon, na Borgonha (França), por volta de 1244, de uma família nobre - pouco se sabendo de sua infância e adolescência -, Jacques DeMolayentrou para a Ordem do Templo por volta de 1265, aos 21 anos de idade, sendo forjado nos moldes da cavalaria e instruído por uma rigorosa filosofia sócio-econômica que dominava na época do feudalismo, seguindo, depois, para a Palestina, onde se distinguiu nos campos de batalha contra os infiéis. Era Grão-Mestre da Ordem do Templo, à época em que Jacques DeMolay nela teve ingresso, o templário Thomas Berard. No ano de 1298 Jacques DeMolay assumiu o cargo de Grão-Mestre dos Templários - denominação dada aos cavaleiros da Ordem do Templo -, fazendo com que seu nome fosse escrito e pronunciado por historiadores do mundo inteiro, após a morte de seu antecessor Teobaldo Gaudini, tendo, para tanto, sido eleito por unanimidade, embora ausente da Terra Santa. Quando se preparava para reparar os danos sofridos pelos cristãos no Oriente, DeMolay foi chamado à França pelo Papa Clemente V, que pretextou o desejo em que estava de estabelecer uma aliança entre Templários e Hospitalários - Ordem estabelecida em Jerusalém, em 1099, depois da tomada da cidade pelos Cruzados, que tinha por finalidade hospedar os peregrinos cristãos e cuidar de suas necessidades e doenças -, que de há muito rivalizavam e se desentendiam. Essas duas Ordens formavam uma grande potência econômica, sendo que a Ordem dos Templários possuia várias propriedades e outros tipos de riqueza, doados pelos que um dia haviam recebido sua ajuda Templários em várias cruzadas pela Europa. Frustado o intento de juntar as duas ordens e se transformar em líder absoluto, Felipe "O Belo", rei da França, de quem Jacques DeMolay era amigo e padrinho de um de seus filhos ( Delfim Carlos, que mais tarde se chamaria Carlos IV "rei da França ), movido pela ganância, arma um plano para acabar com a Ordem dos Templários, usando um nobre francês de nome Esquin de Floyran, o qual teria como missão denegrir a imagem dos templários e de seu Grão-Mestre Jacques DeMolay. Como recompensa Esquin de Floyran receberia terras pertencentes aos Templários, evidentemente só receberia depois da queda da Ordem dos Templários. Em 1307, Jacques DeMolay foi a Paris para o funeral de uma Princesa da casa Real Francesa e a noite foi repousar em um castelo de propriedade dos Templários que ficava mais perto do castelo do rei Felipe, em companhia de poucos homens que, em sua maioria, eram nobres. Posto em ação o infame plano do rei de França, Jacques DeMolay é preso na madrugada de 12 para 13 de outubro pelo chefe da guarda real Guilherme de Nogaret que era também um de seus Conselheiros, sob a acusação dos crimes mais odiosos. Submetido a tortura, Jacques DeMolay fez algumas declarações desfavoráveis à Ordem do Templo, retratando-as posteriormente. Por esse motivo, e sob a acusação de relapso, foi condenado a ser queimado vivo, juntamente com Godofredo de Charney, preceptor da Normandia, e outros dignitários da Ordem que o acompanharam na retratação. Jacques DeMolay declarara que as heresias e os crimes imputados à Ordem eram falsos, que a regra do Templo era santa, justa e católica, mas por ter cedido em outros tempos ao receio dos tormentos e às carícias do papa e do rei, fazendo confissões inverídicas, considerava-se digno de morte, oferecendo-se por isto a suportá-la com paciência. DeMolay foi julgado três vezes e torturado várias vezes para que dissesse que era Herege e que a ordem dos Templários cometia várias heresias. Em 18 de março de 1314, uma comissão nomeada pelo Papa Clemente V (inquisição), julgou Jacques DeMolay pela última vez, que, aos 70 anos de idade, foi condenando a morte. Jacques De Molay e os demais dignitários da Ordem do Templo que o acompanharam foram queimados vivosneste mesmo dia 18 de março de 1314, numa ilhota do Sena, chamada "Île de la Cité". É bem possível que os Templários, que se tinham transformado em banqueiros, inclusive dos papas e dos reis, se deixassem levar a certas desordens morais, pecando principalmente por orgulho e intemperança, mas o seu crime principal parece ter sido a inquietação em que as suas riquezas e o seu poderio militar mantinham os reis, que poderiam facilmente combater, visto possuírem um exército de 20.000 cavaleiros. Porém, as suas imensas riquezas excitavam os monarcas famélicos e rapinantes como Felipe, o Belo, sempre necessitado de dinheiro.
Jacques DeMolay durante sua morte na fogueira intimou aos seus três algozes, a comparecer diante do tribunal de Deus, e amaldiçoando os descendentes do Rei da França, Filipe "O belo". O primeiro a morrer foi o Papa Clemente V, logo em seguida o Chefe da guarda e conselheiro real Guilherme de Nogaret e no dia 27 de novembro de 1314 morre o rei Filipe aos 46 anos de idade.

Fonte: http://blogoaprendiz.blogspot.com

segunda-feira, 7 de junho de 2021

S.E.P. - SIGNIFICADO

S.E.P. - SIGNIFICADO
(republicação)

Em 04/804/2017 o Respeitável Irmão Marcius Valerius Gomes Dalalibera, Loja Fraternidade Jandaiense, 1.750, REAA, GOB-PR, Oriente de Jandaia do Sul, Estado do Paraná, solicita o seguinte esclarecimento:

TRÍADE S∴E∴P∴

Segue anexo foto em que há uma abreviatura que os irmãos da Loja Fraternidade Jandaiense gostariam de saber o significado, caso seja possível.
Trata-se da abreviatura de S∴E∴P∴

CONSIDERAÇÕES:

Tríades constituídas por abreviaturas de palavras são bastante comuns na Maçonaria, sobretudo na latina. Geralmente aludem a temas que são objeto de estudo e de práticas maçônicas.

No caso daquela que se refere às abreviaturas das letras S∴E∴P∴ mencionadas na sua questão, às mesmas foram adotadas pelo Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito e muito usadas no passado quando eram gravadas nas correspondências diplomas e certificados. Segundo o Respeitável Irmão Colombo Borges, Delegado Litúrgico do Supremo Conselho no Rio Grande do Sul, o significado das abreviaturas corresponde à Sabedoria, Estabilidade, Poder.

T.F.A.
PEDRO JUK
jukirm@hotmail.com
Fonte: pedro-juk.blogspot.com.br

VULTOS DO RITO BRASILEIRO

VULTOS DO RITO BRASILEIRO

ÁLVARO PALMEIRA

24/06/1963 a 24/06/1968 (Efetivo)

26/03/1955 a 24/06/1963 (Efetivo)

Nascido a 18 de julho de 1889, e falecido em 1992, Álvaro Palmeira foi médico, professor e diretor de Faculdade de Medicina. Foi iniciado maçom através da Loja "Fraternidade Espanhola", do Rio de Janeiro, a 9 de dezembro de 1920, e teve, portanto, quase 72 (setenta e dois) anos de atividade maçônica, durante os quais exerceu grande influência sobre a Maçonaria brasileira, colecionando, graças à sua atividade, amigos incondicionais e adversários irreconciliáveis, o que é próprio dos homens com luz própria, que incomodam os medíocres. Palmeira exerceu, praticamente, todos os altos cargos do Grande Oriente do Brasil: conselheiro, deputado à Soberana Assembleia Federal Legislativa, Grão¬ 08/09/2015 Álvaro Palmeira ¬ Loja Luz no Horizonte 2038

2/4 Mestre Adjunto e Grão¬ Mestre. Foi eleito Grão¬ Mestre Adjunto do Grande Oriente do Brasil, em 1942, quando Joaquim Rodrigues Neves (que já vinha exercendo, interinamente, o Grão¬ Mestrado) foi eleito Grão ¬Mestre. No início de 1944, Rodrigues Neves teve que enfrentar a ameaça de uma nova dissidência, liderada por Octaviano Bastos e Alexandre Brasil de Araújo, culminando por suspender, por dois anos, os direitos maçônicos de todos os participantes do movimento, através do Ato nº. 1.842, atendendo a uma resolução do Conselho Geral, de 22 de março de 1944. E complementou a ação, a 25 e 30 de março, com a suspensão de Dilermando de Assis (Ato nº. 1.843) e do Grão ¬Mestre Adjunto, Álvaro Palmeira (Ato Nº. 1.845), suspeitos de integrar o movimento, por discordância da atuação do Grão¬ Mestre. Mas, a 18 de maio de 1945, sob a liderança de Palmeira e Octaviano, era fundada a Grande Loja do Brasil, que teria vida curta. A 13 de março de 1948, então, era criado o Grande Oriente Unido, do qual, além de Palmeira, faziam parte José Benedito de Oliveira Bomfim, Osmane Vieira de Resende e Moacyr Arbex Dinamarco, que, posteriormente, estariam à frente dos destinos do Grande Oriente do Brasil. No início de 1950, a quase falida Grande Loja do Brasil era absorvida pelo Grande Oriente Unido.

Esta dissidência duraria até 1956, quando Palmeira era o seu Grão ¬Mestre. A 22 de dezembro desse ano, pelo decreto nº. 1.767, era aprovado o Convênio para incorporação e reincorporação, ao Grande Oriente do Brasil, das Lojas do Grande Oriente Unido, com base no tratado ajustado a 27 de fevereiro de 1954, que havia sido acertado entre o Grão ¬Mestre do GOB, almirante Benjamin Sodré, e Leonel José Soares.

Esse Convênio foi assinado no mesmo dia 22 de dezembro, pelo então Grão-Mestre, Ciro Werneck de Sousa e Silva, e pelo Grande Secretário, Antônio Astorga, representando o GOB, e pelo Grão ¬Mestre Álvaro Palmeira e pelo Grande Secretário Abelardo Albuquerque, representando o Grande Oriente Unido.

Retornando ao Grande Oriente do Brasil, Palmeira, por sua incontestável capacidade de liderança, tornou¬se um nome proeminente e quase oracular na Obediência. Graças a isso, em 1963, era eleito Grão ¬Mestre Geral, tendo, como Adjunto, Erasmo Martins Pedro, para um mandato de cinco anos.

Na alta administração, chamados a colaborar com o Grão ¬Mestre, estavam nomes como Antônio Tarcílio de Arruda Proença, Tito Áscoli de Oliva Maia, Severo Coelho de Sousa, Moacyr Arbex Dinamarco, Osmane Vieira de Resende, Cândido Ferreira de Almeida, José Eduardo de Abreu, Paulo Maia Lucas, Abelardo Almeida Albuquerque, Ariovaldo Vulcano, Djalma Santos Moreira, Lysis Brandão da Rocha, Rudolf Wensche e Oscar Argollo.

Muitos eram remanescentes do Grande Oriente Unido, destacando¬se: Tarcílio Proença, como 1º. Grande 08/09/2015 Álvaro Palmeira ¬ Loja Luz no Horizonte 2038 3/4 Vigilante, Dinamarco, como Grande Secretário de Administração, e Osmane, como Grande Secretário da Guarda dos Selos. Em sua administração, agitada, em seu início, pelo golpe de 1964, Palmeira tratou da construção do prédio em terreno do GOB, no bairro de Fátima, da construção do palácio Tiradentes, em Belo Horizonte, do início da construção no terreno do GOB, em Brasília, e da questão da desapropriação do Palácio do Lavradio, para a remodelação urbana do Rio de Janeiro.

Em relação ao Lavradio, ele comunicava, em seu relatório anual de 1965, que o governador do Estado já havia dado ordem para que o prédio fosse resguardado da demolição. Em relação a Brasília, comunicava que uma parte do plano de construção, à avenida W¬5, estava realizada e, nela, as Lojas funcionavam. Em sua gestão, também foi criada a Editora Maçônica do GOB, através do Ato nº. 2.761, de 12 de julho de 1965. A 22 de novembro de 1966, pelo Ato 2.809, era inaugurado o escotismo no GOB e criado o Departamento Escoteiro. A 12 de outubro de 1967, o Ato nº. 2.841, criava o Grêmio de Radioamadores do Grande Oriente do Brasil. E, a 10 de outubro, nos termos do art. 132 da nova Constituição do GOB (promulgada a 21 de abril), era criado o Superior Tribunal Eleitoral. A 28 de janeiro de 1968, Dinamarco era eleito Grão-mestre, derrotando o candidato oficial, Célio Cordeiro. Mas, antes de entregar o primeiro malhete da Obediência ao seu sucessor, Palmeira, a 19 de março de 1968, pelo Decreto nº. 2.080, renovava, em seus objetivos, o Ato nº. 1.617, de 3 de agosto de 1940, como o marco inicial do Rito Brasileiro, constituindo, então, uma comissão especial, composta de 15 obreiros, para rever a Constituição do rito, publicada pelo GOB em 1940.

A Comissão, que iria constituir o núcleo inicial do Supremo Conclave, era composta dos seguintes nomes: almirante Benjamin Sodré, deputado Erasmo Martins Pedro, general Tito Áscoli de Oliva Maia, Adhmar Flores, Alberto Alves Sarda, Álvaro de Melo Alves Filho, Ardvaldo Ramos, Cândido Ferreira de Almeida, Edgard Antunes de Alencar, Humberto Chaves, Jorge de Bittencourt, Jurandyr Pires Ferreira, Norberto dos Santos e Oscar Argollo. O decreto estabelecia, também, que o Grão¬Mestre Palmeira, por ser o remanescente do adormecido Conclave de 1940, seria o assessor da Comissão. Ainda na gestão de Palmeira, a 11 de junho de 1968, pelo decreto nº. 2.085, era permitido, aos Mestres eleitos para o Veneralato de Loja, o uso da sigla M.'. I.'. (Mestre Instalado) ao mesmo tempo em que era editado o ritual de Instalação, que é próprio do Rito de York e que foi enxertado nos outros ritos, graças a essa iniciativa, pois isso não existia no GOB, até essa data. E na sessão do Ilustre Conselho Federal, realizada em maio de 1968, pouco antes do término de seu 08/09/2015 Álvaro Palmeira ¬ Loja Luz no Horizonte 2038, Palmeira exibiu a nova planta da cidade do Rio de Janeiro, resguardando o Palácio Maçônico do Lavradio. Conforme consta da ata, "todas as plantas anteriores da cidade traziam consigo a demolição do Palácio Maçônico, mas a atual resguarda, até final decisão, nossa Sede venerável". O tombamento do Lavradio, resguardando a sede do GOB, ocorreu na gestão seguinte, de Dinamarco. Mas as gestões para a sua preservação começaram com Palmeira, queira ou não queiram os seus medíocres e raivosos adversários.

Fonte: http://otemploeomacom.blogspot.com

domingo, 6 de junho de 2021

EXPERTOS / SAUDAÇÃO NO ORIENTE

EXPERTOS / SAUDAÇÃO NO ORIENTE
(republicação)

O Respeitável Irmão Ivan Luiz Emerim, Loja Duque de Caxias III Milênio e Loja Maçônica de Pesquisas Gênesis, REAA, Grande Oriente do Estado do Rio Grande do Sul, COMAB, Oriente de Caxias do Sul, Estado do Rio Grande do Sul, apresenta as seguintes questões:
jprimieri@gmail.com
wilsonmano02@hotmail.com

1 - Na página 12 do Ritual 2010/2013 está o diagrama do Templo. A este respeito temos algumas dúvidas, a saber: Consta como referência 15 o Primeiro Experto, porém está colocado à direita de quem entra, junto à Coluna J e não junto à Coluna B como seria o certo. Houve aqui um equívoco e os números foram invertidos?

2 - Durante a circulação ou giro no Oriente, no momento em que é transposto o eixo longitudinal, o Obreiro ou o Oficial deve parar e fazer o Sinal de Saudação ou a reverência ao Delta Luminoso?

A dúvida é porque no ritual 2010/2013, na página 54, título “Circulação em Loja” consta que, para a circulação no Oriente apenas existe uma regra: “é vedado transitar entre a mesa do Venerável Mestre e o Altar dos Juramentos”. Segundo verificamos, o eixo longitudinal atravessa todo o Templo, do Ocidente ao Oriente e não só no Ocidente até a balaustrada. Sob este entendimento estamos orientando para que o Sinal seja feito no Oriente. Estamos corretos?

CONSIDERAÇÕES:

Quanto à questão 01 – Acredito que houve sim um equívoco, pois tradicionalmente o Primeiro Experto toma assento na Coluna do Norte próximo ao lugar do Primeiro Vigilante, enquanto que o Segundo toma assento na Coluna do Sul simetricamente ao Primeiro.

Quanto à questão 02 – No tocante ao Ritual citado não vou tecer considerações, pois se o mesmo está em vigor deve ser literalmente cumprido. As considerações que seguem tratam da tradição do Rito e como devem ser os procedimentos no tocante a sua prática genuína.

Após a extinção das Lojas Capitulares (Século XIX), o costume de Oriente elevado e dividido por uma balaustrada acabou equivocadamente permanecendo no simbolismo do Rito e de maneira consuetudinária essa anomalia acabou por se fazer presente até dias atuais.

Em relação ao quadrante oriental da Loja a regra tradicional é apenas aquela que se refere a sua entrada e saída. Entra-se pelo canto nordeste do acesso e dele se sai pelo sudeste. Todo Obreiro em Loja aberta ao entrar no Oriente tomando por base a linha divisória (grade ou balaustrada) faz a saudação pelo Sinal do Grau.

Da mesma forma ao sair, vira-se para o Venerável Mestre e procede a saudação pelo Sinal. O Obreiro que estiver empunhando um objeto de trabalho nessa oportunidade fará apenas uma parada rápida e formal sem maneios de cabeça ou inclinação do corpo. 

No Oriente não existe padronização de circulação, pois esta é apenas legada ao Ocidente quando houver transposição do eixo de uma para outra Coluna (Norte ou Sul). Também não existe de maneira
tradicional a proibição de se passar entre o Altar ocupado pelo Venerável Mestre e o dos Juramentos. 

Da mesma maneira não existe saudação no Oriente para aquele que ao transitar tenha que passar em frente ao Venerável Mestre ou Delta.

É bem verdade que o equador do Templo vai da linha média da porta de entrada até o Oriente em direção ao Delta, todavia essa regra de saudação ao se cruzar o eixo não faz mais sentido e mesmo quando era feita, não se fazia em se estando no Oriente.

A título de explicação no tocante à proibição de se passar entre o Altar dos Juramentos e o Altar ocupado pelo Venerável Mestre não é prática do Rito Escocês Antigo e Aceito. Esse costume é legado ao Rito de York que é praticado em solo norte-americano (não confundir Rito de York com o Trabalho de Emulação inglês). 

No Rito de York (americano) o Altar dos Juramentos é colocado no centro do Ocidente, daí entre este e a cátedra do Mestre da Loja (Venerável) não é permitida a passagem durante os Trabalhos da Loja, salvo em momentos específicos normalmente legados às cerimônias de Iniciação (Aprendiz Iniciado), Passagem (Companheiro Admitido) e Elevação (Mestre do Ofício). 

É sempre bom lembrar que diferente do Rito Escocês Antigo e Aceito, o Rito de York não possui balaustrada e nem mesmo Oriente elevado.

Infelizmente muitos ritualistas não se aperceberam das diferenças ritualísticas e doutrinárias existentes entre os sistemas latinos e anglo-saxônicos.

T.F.A.
PEDRO JUK - jukirm@hotmail.com
Fonte: JB News – Informativo nr. 464 Florianópolis (SC) 05 de dezembro de 2011.

MAÇONS FAMOSOS

JOSÉ CASTELLANI

JOSÉ CASTELLANI (Araraquara, 29 de maio de 1937 — 21 de novembro de 2004). Escritor maçônico brasileiro, historiador, jornalista e médico oftalmologista. Autor de uma extensa obra de livros maçônicos. A Loja Comércio e Ciência era vinculada ao Grande Oriente de São Paulo. Em 20.08.1976, Castellani foi Grande Inspetor Geral (Grau 33 do REAA).

INICIAÇÃO MAÇÔNICA: 09 de novembro de 1965 (Terça-feira)

Loja: Comércio e Ciência, São Paulo, Brasil.

Idade: 27 anos.

Oriente Eterno: Faleceu aos 66 anos de idade.

Elevação: 15 de fevereiro de 1966.

Exaltação: 16 de julho de 1966.

Fonte: famososmacons.blogspot.com

A LEI INICIÁTICA DO SILÊNCIO

A LEI INICIÁTICA DO SILÊNCIO

Platão, chamado a ensinar a arte de conhecer os homens, assim se expressou: “os homens e os vasos de terracota se conhecem do mesmo modo: os vasos, quando tocados, têm sons diferentes; os homens se distinguem facilmente pelo seu modo de falar”.

O pensamento do filósofo Iniciado nos oferece excelente oportunidade para uma profunda reflexão, principalmente para os que integram a Ordem Maçônica. Nem sempre nos damos conta de como nos tornamos prisioneiros das palavras que proferimos. Por serem a expressão do nosso pensamento, por traduzirem as idéias e os sentimentos, as palavras se tornam um centro emissor de vibrações, tanto positivas quanto negativas.

A palavra é o elemento que identifica o Homem e é a síntese de todas as forças vitais; é o elemento que interliga todos os planos, do mais denso ao mais sutil. A palavra está intimamente ligada ao silêncio, outra sublime expressão da psique humana.

No mundo profano a palavra – falada ou escrita – é usada indiscriminadamente. A sociedade humana está cheia de palavras que ofendem, que humilham, que magoam e que denigrem a honra do próximo. Se se trabalhasse mais e se falasse menos, com certeza que a humanidade seria mais evoluída e mais civilizada. Infelizmente existem palavras em excesso, não só no mundo profano como também nos Templos Maçônicos. Tal situação é inconcebível em um Maçom, pois no estudo dos símbolos ele aprende a refletir sobre o conteúdo oculto das palavras que, em última análise, refletem a essência interior do ser humano.

Não por acaso a doutrina Maçônica reserva o silêncio aos seus membros, de acordo, aliás, com a Tradição Pitagórica. A Escola Iniciática de Pitágoras tinha um sistema de três graus: o de Preparação, o de Purificação e o de Perfeição.

Os neófitos do grau de Preparação, equivalente ao grau maçônico de Aprendiz, eram proibidos de falar; eram só ouvintes e cumpriam um período de observação de três anos, durante o qual a regra era calar e pensar no que ouviam. No grau de Purificação, equivalente ao de Companheiro Maçom, o silêncio se estendia por mais dois anos, adquirindo estes Irmãos o direito de ouvir as palestras do Mestre Pitágoras. Assim, para atingir o grau de Perfeição, equivalente ao de Mestre Maçom, quando então os Irmãos podiam fazer uso da palavra, era necessário praticar o silêncio durante cinco anos.

Nas reuniões maçônicas, sem dúvida, constitui uma prova de sabedoria saber ouvir e manter o silêncio. Chílon, um dos sete sábios da Grécia Antiga, quando perguntado sobre qual a virtude mais difícil de praticar, respondia: “calar”. No Zend Avesta, que contém toda a sabedoria da antiga Pérsia, encontramos normas e regras sobre o uso e o controle da palavra, cuja universalidade desafia os séculos. No mundo maçônico, a dimensão da palavra falada e escrita não é diferente.

Ao entrar em nossa Sublime Instituição encontramos, na ritualística, referências à sacralidade da palavra que, como meio de expressão dos pensamentos e dos sentimentos, deve ser sempre dosada, moderada, e deve espelhar o equilíbrio interno do orador. Em nossa Ordem, a palavra deve ser usada no mesmo sentido em que Dante Alighieri exortava o seu personagem Metelo, na Divina Comédia: “usa a tua palavra como um ornamento”.

À primeira vista, o silêncio poderia parecer um condicionamento e um castigo. Na realidade, o silêncio, a meditação e o raciocínio, são a única via que leva à libertação das paixões e dos maus pensamentos. Além de exercitar a autodisciplina, em seu silêncio o Maçom apreende com muito maior intensidade tudo o que ouve e tudo o que vê.

Assim, a voz do Irmão que se mantém em silêncio é a sua voz interior, quando ele dialoga consigo mesmo e, neste diálogo, analisa, critica, tira suas próprias conclusões e aprimora o seu caráter. Em suma, pelo silêncio, a Maçonaria estimula os Irmãos a desenvolver a arte de pensar, a verdadeira e nobre Arte Real. Deste modo, o silêncio em Maçonaria não é meramente simbólico e não é também um meio de castrar a iniciativa dos Irmãos. O silêncio é indispensável e decisivo no processo de lapidação da Pedra Bruta e no aperfeiçoamento interno dos Irmãos.

Ao cruzar as portas de uma Loja Maçônica, trazendo consigo a liberdade total de expressão, um direito natural que lhe é garantido pela Declaração dos Direitos Humanos, sem as restrições que lhe impõem a moral e a razão, o novo Maçom aprende a controlar os seus impulsos, pela prática espartana do silêncio. Assim ele aprimora o seu caráter e prepara-se para ser um líder, numa sociedade na qual prevaleçam a Liberdade responsável, a Igualdade de oportunidades e a Fraternidade solidária.

Se tiver de falar, que o maçom siga o conselho de Dante e use a sua palavra como um ornamento. Tudo se resume na prática da Lei do Amor e da Tolerância. Certamente que o Grande Arquiteto do Universo ilumina e abençoa a todos os que pensam mais do que falam, pois estes espiritualizam a sua matéria, e são os Seus filhos mais diletos.

EM TEMPO:
O Irmão Aprendiz não só pode como precisa e deve usar a palavra quando apresentar os seus trabalhos, quando for questionado por outro Irmão, quando tiver informação relevante sobre qualquer candidato à Iniciação, ou quando tiver informação fundamental para a Loja ou para a Ordem. Basta pedir a palavra ao Vigilante de sua Coluna.

ANTÓNIO ROCHA FADISTA
M∴I∴, Loja Cayrú 762 GOERJ / GOB – Brasil

Fonte: https://www.maconaria.net