Meus Irmãos, novamente eu peço permissão para compartilhar uma inquietação que carrego no espírito e que, por zelo à Ordem e respeito aos nossos juramentos, não pode permanecer em silêncio.
Percebo que, de alguns anos para cá, muitas Ordens que outrora se diziam secretas ou discretas, passaram a buscar visibilidade excessiva.
Não uma visibilidade pedagógica ou edificante, mas uma exposição que parece ter outro objetivo: arrebanhar neófitos, atrair curiosos, prometer vantagens futuras, despertar interesses que não são iniciáticos, mas utilitários.
Isso, meus Irmãos, é lamentável.
Vemos hoje fotografias do interior dos templos sendo divulgadas.
Vemos alfaias expostas como troféus.
Vemos membros sendo exibidos como símbolos de status.
Vemos disputas veladas, ou nem tão veladas assim, para saber qual Potência aparece mais, qual Ordem parece maior, mais “ativa”, mais “moderna”.
Pergunto, com sincera preocupação:
Para quê tudo isso?
Para quem?
E a que custo?
Nossos antigos Patriarcas não agiam assim.
Eles eram discretos ao ponto de parecerem invisíveis.
Trabalhavam em silêncio.
E justamente por isso, foram temidos, respeitados e estudados ao longo dos séculos.
O Mistério não se impunha pelo espetáculo, mas pela profundidade.
Hoje, ao contrário, vejo mistérios sendo colocados em vitrines.
Vejo símbolos sendo banalizados.
Vejo o interior dos templos tratado como cenário.
E preciso perguntar, como Irmão entre Irmãos:
Que tipo de polimento estamos fazendo em nossa pedra bruta quando buscamos aplauso em vez de aperfeiçoamento?
A vaidade, meus Irmãos, é uma ferramenta perigosa.
Ela se disfarça de zelo, de divulgação, de “atualização dos tempos”.
Mas, quando não vigiada, corrói a essência iniciática.
Não juramos para sermos vistos.
Não juramos para competir.
Não juramos para expor o que nos foi confiado em silêncio.
Juramos guardar.
Juramos respeitar.
Juramos trabalhar sobre nós mesmos, e não sobre a imagem que os outros fazem de nós.
Por isso, deixo este alerta fraterno, não como acusação, mas como chamado à consciência:
Tenhamos cuidado.
O que se perde na ânsia por visibilidade raramente se recupera depois.
Que cada Irmão reflita, em seu íntimo, se suas ações honram o juramento que fez.
Que cada Oficina se pergunte se está formando Iniciados… ou apenas atraindo espectadores.
Que voltemos, sempre que necessário, ao silêncio fecundo.
À discrição que protege.
À humildade que constrói.
Pois a verdadeira evolução não se fotografa.
Ela se vive.
Assim falo, assim advirto, assim confio aos meus Irmãos.
Fonte: Facebook_Aprendiz de Cavaleiro
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